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  • Você sabe diferenciar carboidrato simples de complexo? 

    Você sabe diferenciar carboidrato simples de complexo? 

    Os carboidratos são a principal fonte de energia para o corpo, mas nem todos são processados da mesma forma. A maneira como o organismo digere e absorve cada tipo de carboidrato influencia diretamente os níveis de glicose no sangue, a sensação de saciedade e até o controle do peso ao longo do tempo.

    De maneira geral, os carboidratos podem ser divididos em simples e complexos, uma classificação que ajuda a entender como cada tipo age no organismo. É o que vamos esclarecer, a seguir.

    O que são carboidratos simples?

    Os carboidratos simples são tipos de carboidratos que possuem uma estrutura química menor e mais fácil de ser quebrada pelo organismo. Como consequência, eles são digeridos e absorvidos rapidamente, liberando glicose de forma quase imediata na corrente sanguínea.

    Na prática, isso significa que eles fornecem energia rápida para o corpo, mas de curta duração. Isso acontece porque eles causam picos de glicose seguidos de uma queda brusca, o que pode provocar cansaço, fome precoce e um desejo aumentado por doces.

    Alimentos ricos em carboidratos simples

    Os carboidratos simples podem ser encontrados em:

    • Açúcar refinado, açúcar mascavo, mel, balas, chocolates, sobremesas, bolos, tortas e biscoitos;
    • Refrigerantes, sucos industrializados, energéticos, chás prontos e algumas bebidas lácteas adoçadas;
    • Produtos ultraprocessados, como cereais matinais açucarados, barras doces, sobremesas prontas e diversos alimentos industrializados;
    • Farinhas brancas, como presente no pão branco, massas comuns, bolos e salgados.

    Eles também estão presentes naturalmente nas frutas e no leite. A diferença é que, nesses alimentos, vêm junto com fibras, vitaminas, minerais e outros nutrientes importantes, o que ajuda a diminuir o impacto no organismo quando o consumo é equilibrado.

    O que são carboidratos complexos?

    Os carboidratos complexos são tipos de carboidratos formados por cadeias maiores de moléculas de açúcar, o que faz com que a digestão aconteça de maneira mais lenta. Como resultado, a liberação de glicose na corrente sanguínea ocorre de forma gradual, garantindo energia mais constante ao longo do dia.

    Diferentemente dos carboidratos simples, que são absorvidos rapidamente, os carboidratos complexos costumam estar associados a alimentos ricos em fibras. As fibras ajudam a prolongar a sensação de saciedade, contribuem para o bom funcionamento do intestino e auxiliam no controle dos níveis de glicose no sangue.

    Alimentos ricos em carboidratos complexos

    Os carboidratos complexos estão presentes principalmente em alimentos como:

    • Cereais integrais, como arroz integral, aveia, quinoa, cevada, trigo integral, centeio e milho;
    • Leguminosas, como feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha e soja;
    • Tubérculos e raízes, como batata, batata-doce, mandioca, inhame e cará;
    • Pães, massas e outros produtos integrais;
    • Vegetais como abóbora, cenoura, beterraba e outros legumes.

    Quando fazem parte de uma alimentação equilibrada, eles ajudam a manter a energia mais estável ao longo do dia, aumentam a sensação de saciedade, favorecem o bom funcionamento do organismo e contribuem para uma alimentação mais nutritiva.

    Como diferenciar os dois tipos de carboidratos?

    A diferença entre os carboidratos simples e os carboidratos complexos pode ser percebida principalmente pelo tipo de alimento, pelo grau de processamento e pelos efeitos que eles provocam no organismo após o consumo. Veja algumas formas práticas de como diferenciar:

    • Observe o nível de processamento: alimentos muito industrializados, ricos em açúcar ou feitos com farinha branca refinada costumam conter carboidratos simples. Já alimentos mais naturais ou integrais tendem a fornecer carboidratos complexos;
    • Repare na cor e na textura: carboidratos complexos normalmente são mais escuros ou têm textura mais rústica, como o arroz integral, aveia e pão multigrãos. Os carboidratos simples costumam ser mais brancos, refinados ou muito macios, como o açúcar refinado, o pão francês e o arroz branco;
    • Perceba o sabor e a doçura: carboidratos simples normalmente apresentam sabor doce mais evidente, como frutas bem maduras, mel, doces e refrigerantes. Já os carboidratos complexos têm sabor mais neutro, como batata-doce, mandioca e feijão;
    • Verifique a presença de fibras: alimentos ricos em fibras, como grãos integrais, leguminosas e vegetais, tendem a conter carboidratos complexos, pois as fibras tornam a digestão mais lenta. Alimentos com pouca fibra geralmente possuem carboidratos simples;
    • Observe a resposta do organismo: carboidratos simples liberam energia rapidamente, mas a fome pode voltar mais cedo. Já os carboidratos complexos liberam energia de forma gradual, favorecendo maior saciedade e estabilidade energética.

    Por que os carboidratos simples precisam de atenção?

    O consumo de carboidratos simples impacta diretamente o metabolismo e o comportamento do corpo em relação à comida. Como são digeridos quase instantaneamente, eles podem causar picos de glicose, que, quando frequentes, podem levar à resistência à insulina e ao surgimento da diabetes tipo 2.

    O consumo frequente de produtos ricos em açúcares adicionados, como doces, bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados, também tende a contribuir para o aumento do peso corporal, já que eles costumam ter muitas calorias e pouca capacidade de promover saciedade. Com isso, a fome pode aparecer mais rápido, favorecendo o consumo excessivo ao longo do dia.

    Para completar, o consumo frequente também pode afetar o funcionamento do metabolismo. Com o tempo, isso pode favorecer o acúmulo de gordura na região abdominal, o aumento do colesterol e um maior risco de doenças cardiovasculares. Os carboidratos simples podem fazer parte de uma alimentação saudável, mas o consumo precisa ser moderado e dentro de uma rotina alimentar equilibrada.

    Como identificar o tipo de carboidrato no rótulo dos alimentos?

    Para identificar o tipo de carboidrato no rótulo dos alimentos, o primeiro passo é observar a lista de ingredientes, que aparece em ordem decrescente de quantidade.

    Quando os primeiros itens são açúcar, xarope de milho, dextrose, frutose ou farinha de trigo enriquecida, o produto tende a conter mais carboidratos simples. Já quando aparecem farinha integral, aveia ou grãos inteiros logo no início da lista, há maior presença de carboidratos complexos.

    Também vale a pena dar uma olhada na tabela nutricional, principalmente nos valores de açúcares adicionados e de fibras. Quando o produto tem muito açúcar adicionado, normalmente significa maior presença de carboidratos simples. Já uma boa quantidade de fibras costuma indicar carboidratos mais complexos, que são digeridos mais devagar e ajudam a manter a saciedade por mais tempo.

    Como substituir carboidratos simples no dia a dia?

    Para substituir os carboidratos simples por opções mais saudáveis e nutritivas no seu cotidiano, o primeiro passo é priorizar alimentos com mais fibras e menor índice glicêmico. Veja algumas trocas possíveis:

    • No café da manhã: troque o pão francês ou o pão de forma branco pelo pão 100% integral, pela aveia em flocos ou pela crepioca;
    • No almoço e no jantar: substitua o arroz branco e o macarrão tradicional pelas versões integrais, pela quinoa ou pelo arroz de couve-flor;
    • Nas raízes: prefira a batata-doce, a mandioquinha (batata-baroa) ou o inhame no lugar da batata inglesa comum;
    • Nos lanches: escolha a fruta inteira, com casca e bagaço, em vez do suco coado ou do suco de caixinha;
    • Para adoçar: utilize a estévia ou o xilitol no lugar do açúcar refinado, do açúcar mascavo ou do açúcar demerara;
    • Nas farinhas de preparo: use a farinha de amêndoas, a farinha de coco ou a farinha de aveia para substituir a farinha de trigo branca em bolos e tortas;
    • No acompanhamento: inclua leguminosas, como o feijão, a lentilha ou o grão-de-bico, que são boas fontes de carboidratos complexos e proteínas.

    Em caso de dúvidas, a orientação de um nutricionista pode ajudar a compreender melhor as necessidades do organismo, ajustar o consumo de carboidratos sem excessos e fazer escolhas mais equilibradas no dia a dia.

    Confira: Importância de controlar o açúcar na infância e quais doenças previne

    Perguntas frequentes

    1. A batata-doce é carboidrato simples ou complexo?

    É um carboidrato complexo. Ela possui baixo índice glicêmico e fibras, liberando energia aos poucos, ao contrário da batata inglesa comum, que é absorvida mais rápido.

    2. O carboidrato simples é prejudicial à saúde?

    Ele pode afetar a saúde apenas quando consumido em excesso e de fontes refinadas (açúcar, farinha branca). Em forma de frutas (frutose) ou como fonte de energia rápida para atletas, ele é útil e saudável.

    3. Pessoas com diabetes podem comer carboidratos simples?

    O ideal para pessoas com diabetes são os carboidratos complexos, que mantêm a glicemia estável. O simples só é indicado em casos de crise de hipoglicemia.

    4. Qual o melhor horário para comer carboidratos simples?

    Os melhores momentos são o pré-treino imediato (energia rápida) ou o pós-treino intenso (recuperação muscular). Evite consumi-los isoladamente antes de dormir.

    5. O que é o índice glicêmico (IG) dos carboidratos?

    O índice glicêmico é uma escala que mede a velocidade com que o açúcar de um alimento chega ao sangue. Os carboidratos simples geralmente têm IG alto, enquanto os complexos têm IG baixo ou moderado.

    6. O que são carboidratos refinados?

    São carboidratos simples que passaram por um processo industrial para remover a casca e o farelo (como a farinha branca e o açúcar). Nesse processo, eles perdem quase todas as fibras, vitaminas e minerais.

    Leia mais: ‘Dietas da moda’ x alimentação equilibrada: o que realmente funciona a longo prazo

  • 7 vacinas importantes para idosos com doenças cardíacas

    7 vacinas importantes para idosos com doenças cardíacas

    As doenças cardiovasculares (DCVs) são significativamente mais comuns em idosos, sendo a principal causa de mortalidade, com mais de 80% dos óbitos por doenças cardíacas ocorrendo em pessoas com mais de 65 anos.

    Com o avanço da idade, o corpo passa por mudanças naturais que aumentam o risco das doenças cardiovasculares, como o enrijecimento das artérias e o acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos, o que pode dificultar a circulação do sangue, aumentar a pressão arterial e sobrecarregar o coração ao longo do tempo.

    Para idosos que convivem com doenças cardíacas, além do acompanhamento médico, um dos principais cuidados é manter a carteirinha vacinal atualizada. Infecções como a gripe ou a pneumonia, por exemplo, colocam um estresse imenso sobre o sistema cardiovascular, podendo desencadear descompensações, arritmias ou até infartos.

    O que a vacinação tem a ver com a saúde cardíaca?

    A vacinação é considerada uma das principais medidas de prevenção cardiovascular em pessoas com doenças do coração.

    Quando o corpo é exposto a uma infecção, ocorre uma resposta inflamatória que pode sobrecarregar o sistema cardiovascular, aumentando a frequência cardíaca, a pressão arterial e a demanda de oxigênio pelo coração.

    Em pessoas com doenças cardíacas, o processo pode favorecer descompensações, arritmias ou até situações mais graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Para você ter uma ideia, estudos apontam que nas semanas seguintes a uma infecção viral a chance de um ataque cardíaco pode ser até seis vezes maior, principalmente em adultos mais velhos.

    As vacinas, nesse cenário, contribuem para prevenir as infecções ou reduzir a gravidade dos quadros, diminuindo o estresse sobre o coração e contribuindo para manter o coração protegido.

    Quais as vacinas necessárias para idosos com doenças cardíacas?

    As vacinas principais e prioritárias, de acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e Sociedade Europeia de Cardiologia, são:

    1. Gripe (Influenza)

    A vacinação contra a gripe é recomendada anualmente para idosos, pois o vírus Influenza sofre mutações frequentes. A dose deve ser aplicada todos os anos, de preferência antes do período de maior circulação viral. A imunização contribui para complicações respiratórias, hospitalizações e problemas cardiovasculares associados à infecção, como infarto do miocárdio.

    2. Pneumocócicas (Pneumonia)

    As vacinas pneumocócicas protegem contra infecções graves causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, como pneumonia, meningite, otite e sepse.

    Para idosos, é recomendado uma dose da vacina VPC20 (disponível nas redes públicas) ou um esquema sequencial com VPC15 (ou VPC13) seguida de VPP23 após seis a 12 meses, com possível reforço depois de cinco anos.

    3. COVID-19

    Pacientes cardíacos fazem parte do grupo de alto risco para complicações graves da COVID-19, infecção provocada pelo vírus SARS-CoV-2. Atualmente, a recomendação do Ministério da Saúde e da SBIm é que idosos com 60 anos ou mais recebam uma dose de reforço a cada seis meses.

    O intervalo é menor porque, com o tempo, a imunidade dos idosos tende a cair mais rápido, e como o vírus continua circulando com novas variantes, o reforço semestral contribui para manter níveis adequados de proteção, reduzindo o risco de formas graves da doença.

    4. Herpes zóster

    O herpes zóster é causado pela reativação do vírus da varicela, o mesmo vírus que provoca a catapora. A infecção, que pode se manifestar na vida adulta, causa uma inflamação intensa que pode comprometer vasos sanguíneos e o coração.

    A vacina é indicada a partir dos 50 anos, mesmo para quem já teve a doença. O esquema atual consiste em duas doses, com intervalo de dois meses entre elas, reduzindo o risco de novos episódios e de complicações dolorosas.

    5. Tríplice bacteriana (dTpa)

    A vacina dTpa protege contra três doenças bacterianas:

    • Difteria, que pode causar infecção grave na garganta e dificuldade respiratória;
    • Tétano, associado a ferimentos e capaz de provocar rigidez muscular intensa;
    • Coqueluche, infecção respiratória altamente contagiosa que pode ser especialmente perigosa em idosos e pessoas com doenças crônicas.

    Para idosos com esquema básico completo, recomenda-se uma dose de reforço a cada dez anos. Caso o histórico vacinal seja incompleto ou desconhecido, é importante atualizar a vacinação conforme orientação médica.

    6. Vírus Sincicial Respiratório (VSR)

    O VSR é um vírus respiratório que pode causar quadros semelhantes a um resfriado, mas que, em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, pode evoluir para bronquite, pneumonia e insuficiência respiratória. A infecção também pode descompensar doenças cardíacas e pulmonares já existentes.

    A vacina é indicada principalmente a partir dos 60 anos, especialmente para quem apresenta comorbidades, e passa a ser recomendada de rotina após os 70 anos. Normalmente, ela é administrada em dose única, contribuindo para reduzir hospitalizações e agravamentos respiratórios.

    7. Hepatite B

    A hepatite B é uma infecção viral que atinge o fígado e pode evoluir de forma silenciosa, tornando-se crônica ao longo dos anos. A inflamação crônica causada pelo vírus pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, incluindo aterosclerose e doença coronariana.

    Segundo a SBIm, a vacina é recomendada para idosos que ainda não foram imunizados. O esquema habitual é composto por três doses, aplicadas nos intervalos de 0, 1 e 6 meses, oferecendo proteção eficaz contra a infecção e suas complicações a longo prazo.

    Onde se vacinar?

    A vacinação pode ser realizada nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do SUS, onde várias vacinas são oferecidas gratuitamente, especialmente para idosos e pessoas com doenças crônicas. Também é possível se vacinar em clínicas privadas de vacinação, que costumam disponibilizar um portfólio mais amplo de imunizantes.

    Quem precisa ter atenção redobrada com a vacinação e o coração?

    Todas as pessoas devem manter a carteira de vacinação atualizada, mas alguns grupos precisam ter mais atenção, como:

    • Pessoas com insuficiência cardíaca, pois infecções podem descompensar o quadro e causar falta de ar importante;
    • Pessoas com múltiplas comorbidades, especialmente quando a doença cardíaca está associada a diabetes, hipertensão ou doença renal crônica;
    • Pacientes que já tiveram infarto ou passaram por cirurgia cardíaca, já que o coração pode ficar mais sensível a processos inflamatórios;
    • Indivíduos com doença arterial coronariana, com artérias estreitadas ou presença de stents, pois inflamações aumentam o risco de trombose;
    • Idosos, gestantes e profissionais de saúde, que costumam ser priorizados nas campanhas por apresentarem maior risco de complicações infecciosas.

    Em todos os casos, vale conversar regularmente com o médico e manter o acompanhamento, o que ajuda a evitar complicações maiores e traz mais segurança para a saúde no dia a dia.

    Confira: Como as vacinas ajudam a proteger o coração? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes

    1. Posso tomar a vacina da gripe e da COVID-19 no mesmo dia?

    Sim, a recomendação atual é que não há necessidade de intervalo. Elas podem ser aplicadas juntas, preferencialmente em braços diferentes para monitorar reações locais.

    2. As vacinas podem causar miocardite (inflamação no coração)?

    É um evento raríssimo que foi observado em algumas vacinas de tecnologia RNAm, principalmente em jovens. Para idosos cardiopatas, o risco de ter uma inflamação no coração causada pela doença (COVID-19) é infinitamente maior do que o risco da vacina.

    3. Existe idade máxima para parar de se vacinar?

    Não. Enquanto houver vida e risco de exposição, a vacinação é indicada. Idosos com mais de 80 ou 90 anos são justamente os que mais se beneficiam da proteção indireta ao coração.

    4. Pacientes com marcapasso ou stents podem tomar vacinas?

    Sim! O marcapasso é um dispositivo eletrônico e o stent é uma estrutura metálica, e nenhum dos dois sofre interferência das vacinas. A imunização é, na verdade, uma proteção para esses dispositivos, pois evita infecções graves que poderiam causar inflamação ao redor deles.

    5. Vacinas podem interagir com remédios para pressão ou colesterol?

    Não há evidências de que as vacinas cortem o efeito de estatinas, betabloqueadores ou remédios para pressão. Você deve manter sua medicação cardíaca normalmente no dia da vacinação.

    A vacina de febre amarela é segura para idosos cardiopatas? A vacinação contra febre amarela para idosos, incluindo aqueles com doenças cardíacas, deve ser avaliada individualmente por um médico. Por ser uma vacina de vírus vivo atenuado, ela exige uma avaliação rigorosa do cardiologista e do infectologista.

    6. Quais são as reações mais frequentes das vacinas em idosos cardiopatas?

    As reações costumam ser leves e duram, em geral, de 24 a 48 horas. Elas indicam que o organismo está respondendo à vacina. As mais comuns incluem dor, vermelhidão ou leve inchaço no local da aplicação, além de cansaço, dor de cabeça, dores musculares e febre baixa.

    Confira: Imunidade de rebanho: o que é e por que é importante atualizar o calendário de vacinas

  • Por que o horário do remédio importa tanto? 

    Por que o horário do remédio importa tanto? 

    Tomar um medicamento não é apenas “tomar o comprimido”. Quando o remédio é prescrito, o horário também faz parte do tratamento, e isso não é detalhe. Em muitos casos, o que mantém o tratamento funcionando bem é a regularidade.

    Respeitar o intervalo indicado ajuda a manter a ação do medicamento de forma mais constante no organismo. Já atrasos frequentes ou esquecimentos podem reduzir a eficácia e, dependendo do tipo de remédio, aumentar riscos.

    Por que o horário do remédio faz diferença?

    A maioria dos medicamentos é prescrita considerando o tempo de ação no organismo. Por isso, quando a orientação é de 8 em 8 horas, de 12 em 12 horas ou 1 vez ao dia, a ideia é manter o remédio atuando de forma contínua.

    Ao respeitar os intervalos, você tende a:

    • Manter concentração adequada no sangue;
    • Evitar picos excessivos;
    • Reduzir risco de falha terapêutica;
    • Diminuir chance de efeitos colaterais.

    Em muitas doenças crônicas, essa regularidade é especialmente importante.

    O que pode acontecer ao atrasar muitas horas?

    Isso depende do medicamento. Alguns são mais sensíveis ao atraso porque precisam de níveis mais estáveis para funcionar bem.

    1. Antibióticos

    Atrasos frequentes podem:

    • Reduzir eficácia;
    • Aumentar risco de resistência bacteriana;
    • Prolongar infecção.

    2. Remédios para pressão alta

    Esquecer pode levar a:

    • Aumento da pressão;
    • Maior risco cardiovascular;
    • Dor de cabeça ou mal-estar.

    3. Antidiabéticos e insulina

    Pode ocorrer:

    • Descontrole glicêmico;
    • Aumento da glicemia (hiperglicemia);
    • Em alguns casos, risco de complicações.

    4. Anticoagulantes

    Atrasos podem aumentar risco de:

    • Formação de coágulos;
    • AVC;
    • Trombose.

    5. Anticoncepcionais

    Esquecer ou atrasar muitas horas pode:

    • Reduzir eficácia;
    • Aumentar risco de gravidez.

    6. Antidepressivos e anticonvulsivantes

    Irregularidade pode causar:

    • Retorno de sintomas;
    • Instabilidade do humor;
    • Maior risco de crises (no caso de anticonvulsivantes).

    Todo atraso causa problema?

    Nem sempre. Um atraso pequeno (por exemplo, 1 a 2 horas) geralmente não compromete a maioria dos tratamentos. O problema costuma aparecer quando:

    • O atraso é frequente;
    • A dose é completamente esquecida;
    • O medicamento exige nível estável rigoroso.

    Ou seja, a importância varia conforme o remédio.

    O que fazer se esquecer uma dose?

    A conduta depende do medicamento, mas algumas orientações gerais ajudam a guiar a decisão.

    Se lembrar pouco tempo depois

    O ideal é tomar o remédio assim que lembrar.

    Se estiver próximo da próxima dose

    Nesse caso, o correto é pular a dose esquecida e seguir o horário normal. Não é recomendado dobrar a dose sem orientação médica.

    Em medicamentos de risco maior

    Em casos como anticoagulantes, insulina ou anticoncepcionais, pode ser necessária orientação específica.

    Se houver dúvida, o mais seguro é consultar o médico ou farmacêutico.

    Dicas práticas para não esquecer

    Algumas estratégias simples ajudam bastante na rotina:

    • Usar alarmes no celular;
    • Associar a horários fixos (ex.: após escovar os dentes);
    • Utilizar organizadores semanais de comprimidos;
    • Manter rotina regular;
    • Deixar o medicamento em local visível (com segurança).

    E se eu esqueço com frequência?

    Esquecimentos repetidos podem comprometer o tratamento. Quando isso vira um padrão, pode ser útil:

    • Simplificar o esquema terapêutico;
    • Avaliar alternativas de dose única diária;
    • Conversar com o médico sobre ajustes.

    Veja também: Remédios na gravidez: o que pode e o que não pode tomar?

    Perguntas frequentes sobre respeitar o horário do remédio

    1. Um atraso de 1 a 2 horas faz mal?

    Em geral, não compromete a maioria dos tratamentos. O problema costuma ser o atraso frequente ou a dose esquecida.

    2. Posso dobrar a dose se eu esqueci?

    Não é recomendado dobrar a dose sem orientação médica.

    3. O que eu faço se lembrar perto do horário da próxima dose?

    Em geral, a orientação é pular a dose esquecida e seguir o horário normal.

    4. Antibiótico precisa de horário certinho?

    Atrasos frequentes podem reduzir eficácia, prolongar infecção e aumentar risco de resistência bacteriana.

    5. Esquecer anti-hipertensivo pode dar sintomas?

    Pode levar a elevação da pressão e causar dor de cabeça ou mal-estar, além de aumentar risco cardiovascular.

    6. Anticoagulantes exigem mais cuidado com atraso?

    Sim. Atrasos podem aumentar risco de coágulos, AVC e trombose, e podem exigir orientação específica.

    7. Se eu esqueço muito, tem solução?

    Pode ajudar usar alarmes, organizadores e conversar com o médico para simplificar o esquema ou avaliar alternativas.

    Confira: Polifarmácia: por que o uso de muitos remédios merece atenção

  • Lesão na medula espinhal: o que é, o que pode causar e se tem cura

    Lesão na medula espinhal: o que é, o que pode causar e se tem cura

    A medula espinhal é parte do sistema nervoso central e conecta o cérebro ao resto do corpo, levando, entre outros, os comandos de movimento e trazendo as informações de sensibilidade.

    Quando ocorre alguma lesão nessa estrutura, como em acidentes automobilísticos ou ferimentos por arma de fogo ou branca etc, a comunicação entre o cérebro e as partes do corpo abaixo do nível da lesão pode ficar prejudicada ou até mesmo interrompida.

    Afinal, o que é a lesão na medula espinhal?

    Uma lesão na medula espinhal acontece quando existe algum dano no tecido nervoso que fica dentro da coluna vertebral e que funciona como a principal ponte de comunicação entre o cérebro e o corpo.

    A medula espinhal é responsável por levar os comandos do cérebro para os músculos e outros órgãos, permitindo os movimentos, e também por trazer informações do corpo para o cérebro, como dor, temperatura, toque e posição do corpo.

    Quando existe alguma lesão nessa estrutura, a comunicação pode falhar ou até parar completamente, afetando o movimento, a sensibilidade e várias funções autônomas do organismo.

    Para se ter uma ideia, dependendo do local onde a lesão acontece, a pessoa pode apresentar fraqueza ou paralisia somente nas pernas, ou em ambos, além de perda parcial ou total da sensibilidade. Também podem surgir alterações no funcionamento da bexiga, do intestino, da função sexual e, nos casos mais altos da coluna, até dificuldades respiratórias.

    Quanto mais acima a lesão acontece, maior tende a ser o impacto no corpo, porque mais áreas ficam abaixo do ponto lesionado.

    Tipos de lesão medular

    De acordo com a neurocirurgiã Ana Gandolfi, existem dois tipos de lesão na medula espinhal, sendo elas:

    Lesão completa

    Na lesão completa, não existe nenhuma função preservada abaixo do nível da lesão. Isso inclui ausência total de movimento, sensibilidade e controle esfincteriano — tanto anal quanto vesical.

    A classificação é feita principalmente com base no exame neurológico, embora os exames de imagem também contribuam para a avaliação.

    Lesão incompleta

    Na lesão incompleta, ainda existe alguma preservação das funções abaixo do nível da lesão. Isso significa que a pessoa pode manter certo grau de movimento, sensibilidade ou controle de esfíncteres.

    O quadro pode variar bastante: desde uma perda parcial de força apenas nas pernas até comprometimento tanto dos braços quanto das pernas. É muito raro ocorrer prejuízo somente nos braços sem afetar as pernas, porque a medula primeiro libera nervos para os membros superiores e, mais abaixo, libera nervos para os membros inferiores.

    Por isso, quando a lesão acontece acima da saída dos nervos dos membros superiores, costuma haver repercussão tanto nos braços quanto nas pernas. Já quando a lesão ocorre abaixo da região, normalmente o impacto se limita aos membros inferiores. Além da localização, a intensidade da lesão também influencia diretamente o grau de comprometimento funcional.

    De acordo com Ana Gandolfi, qualquer função preservada abaixo do nível da lesão, mesmo que mínima, já caracteriza uma lesão incompleta.

    Quais são as causas mais comuns de lesão medular?

    As causas mais comuns de lesão medular estão relacionadas principalmente a traumas, segundo Ana, que podem ocorrer em situações como:

    • Acidentes automobilísticos;
    • Quedas;
    • Mergulho em águas rasas;
    • Ferimentos por arma de fogo;
    • Ferimentos por arma branca.

    Além dos traumas, existem causas não traumáticas, que são menos frequentes, como tumores na coluna ou na própria medula, infecções, doenças inflamatórias, alterações degenerativas da coluna e problemas vasculares que comprometem a circulação da medula.

    Quais os primeiros sintomas de lesão medular?

    Os primeiros sintomas de uma lesão medular podem variar conforme o local e a gravidade do dano, mas geralmente envolvem alterações no movimento, na sensibilidade e em algumas funções do corpo. Se ela foi causada por um trauma, os sintomas imediatos podem ser:

    • Fraqueza ou perda de força nos braços, nas pernas ou nos dois;
    • Dormência, formigamento ou perda de sensibilidade em alguma parte do corpo;
    • Dor intensa na coluna, no pescoço ou nas costas após trauma;
    • Dificuldade para andar ou perda do equilíbrio;
    • Paralisia parcial ou total abaixo do nível da lesão;
    • Perda do controle da bexiga ou do intestino;
    • Alterações na respiração (principalmente em lesões cervicais);
    • Sensação de choque ou queimação ao longo da coluna ou dos membros.

    Qualquer um dos sinais após um trauma deve ser avaliado com urgência, porque o atendimento rápido pode fazer diferença importante na evolução e na recuperação.

    No entanto, se a causa da lesão não foi traumática, os sintomas tendem a surgir de forma gradual, sendo eles:

    • Formigamento ou “choques”, com sensação de agulhadas que descem pela coluna ou irradiam para os braços e as pernas, podendo indicar compressão nervosa;
    • Perda de coordenação, como tropeçar com frequência, deixar objetos caírem das mãos ou ter dificuldade para abotoar uma camisa;
    • Alterações na bexiga e no intestino, incluindo urgência súbita para urinar, incontinência ou prisão de ventre persistente sem causa aparente;
    • Fraqueza progressiva, com sensação de pernas “pesadas” ou cansaço excessivo ao subir escadas;
    • Disfunção sexual, com mudanças repentinas na sensibilidade genital ou dificuldade de ereção.

    Como é feito o diagnóstico?

    Segundo a neurocirurgiã, o primeiro cuidado ao atender um paciente com suspeita de lesão medular é manter a coluna bem estabilizada, para evitar movimentos que possam agravar uma fratura ou piorar uma lesão que ainda não foi totalmente avaliada. Nesse momento, todo cuidado faz diferença para proteger a medula e reduzir possíveis complicações.

    Depois de estabilizar a pessoa, é importante realizar um exame neurológico completo. Nessa avaliação, os profissionais analisam a força muscular, a sensibilidade e o controle de funções como a bexiga e o intestino, porque as informações ajudam a entender a gravidade da lesão e orientar os próximos passos.

    Na sequência, são necessários exames de imagem, conforme Ana aponta:

    • Tomografia computadorizada, utilizada principalmente para identificar fraturas e alterações ósseas com rapidez;
    • Ressonância magnética, que avalia melhor as partes moles, como os ligamentos, a própria medula espinhal e as raízes nervosas.

    A ressonância é especialmente importante quando existe possibilidade de cirurgia, porque ajuda no planejamento do procedimento.

    Como é feito o tratamento da lesão medular?

    O tratamento começa já no atendimento inicial, com a estabilização da coluna para evitar que a lesão piore ou cause novos danos. Em muitos casos, Ana explica que é necessária uma cirurgia para descomprimir a medula, ou seja, retirar estruturas como fragmentos ósseos, discos ou outras estruturas que quando deslocadas podem estar pressionando o tecido nervoso.

    Em algumas situações, também é preciso estabilizar a coluna com parafusos e hastes, garantindo mais firmeza à estrutura e reduzindo o risco de novas lesões.

    Quando existe indicação cirúrgica, o ideal é que o procedimento seja realizado o mais rápido possível, porque a rapidez no tratamento pode influenciar diretamente nas chances de recuperação e no início mais precoce da reabilitação.

    Depois da fase inicial, são adotadas algumas medidas de tratamento, como:

    Fisioterapia intensiva

    A fisioterapia é uma das partes mais importantes do tratamento de lesão medular, e ajuda na recuperação da força muscular, na melhora da mobilidade e na prevenção de complicações, como rigidez das articulações, perda muscular e problemas respiratórios.

    O trabalho é feito de forma gradual e contínua, respeitando os limites da pessoa e estimulando ao máximo o potencial de recuperação. Para que o tratamento fisioterápico seja instituído, no entanto, se houver instabilidade na coluna pelao trauma, a mesma coluna já deve ter sido estabilizada cirurgicamente.

    Terapia ocupacional

    A terapia ocupacional tem como foco a adaptação às atividades do dia a dia. Basicamente, o profissional ajuda o paciente a reaprender tarefas como se vestir, se alimentar e realizar a higiene pessoal, além de orientar sobre adaptações no ambiente doméstico ou profissional.

    A terapia é importante para promover autonomia e independência, mesmo diante de limitações físicas.

    Acompanhamento médico multidisciplinar

    O tratamento da lesão medular envolve uma equipe de diferentes especialistas, e dependendo das necessidades, podem participar urologistas, fisiatras, psicólogos, entre outros profissionais.

    O acompanhamento contribui para cuidar de questões como controle da bexiga e do intestino, saúde emocional, dor crônica e prevenção de complicações clínicas.

    Reabilitação contínua

    A reabilitação precisa acontecer de forma contínua, principalmente durante o primeiro ano após a lesão, que costuma ser o período em que ocorre a maior parte da recuperação. É um processo que exige tempo, paciência e constância, tanto da equipe de saúde quanto da própria pessoa em tratamento.

    O acompanhamento regular e o envolvimento ativo no processo fazem muita diferença, porque ajudam a aproveitar ao máximo o potencial de recuperação e a melhorar a qualidade de vida no dia a dia.

    É possível recuperar?

    A recuperação é possível, exceto nos casos de secção completa da medula, quando há interrupção total do tecido medular.

    Mesmo nos casos mais graves, Ana explica que o paciente deve ser tratado com a perspectiva de recuperação. Isso implica realizar a cirurgia o mais cedo possível, estabilizar a coluna quando necessário e iniciar a reabilitação intensiva o quanto antes.

    O tempo até a cirurgia e o início precoce da reabilitação influenciam diretamente no grau de recuperação.

    Lesão na medula tem cura?

    Atualmente, ainda não existe uma cura definitiva que regenere completamente os nervos da medula espinhal para devolver todas as funções perdidas. Diferente da pele ou dos ossos, as células do sistema nervoso central (neurônios) têm uma capacidade de regeneração extremamente limitada.

    Atualmente, um dos estudos mais promissores e recentes no Brasil para a reversão da lesão medular é o desenvolvimento da polilaminina, um medicamento experimental brasileiro que parece ter demonstrado potencial para regenerar conexões neurais e restaurar alguns movimentos. No entanto, ele ainda está em fases iniciais dos testes clínicos e serão necessários mais estudos para avaliar se realmente pode ajudar nesses casos.

    Veja também: Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta

    Perguntas frequentes

    1. Toda lesão na medula causa paralisia total?

    Não. Isso depende se a lesão é completa (interrupção total de sinais) ou incompleta (onde restam algumas vias nervosas). Em lesões incompletas, a pessoa pode manter parte dos movimentos e da sensibilidade

    2. Qual a diferença entre paraplegia e tetraplegia?

    A tetraplegia ocorre quando a lesão é na região cervical (pescoço), afetando braços, tronco e pernas. A paraplegia ocorre em lesões torácicas ou lombares, afetando apenas as pernas e a parte inferior do tronco.

    3. O que é o choque medular?

    É um estado temporário logo após o trauma, onde todas as funções abaixo da lesão param de funcionar (reflexos, sensibilidade e movimentos), como se houvesse uma desligamento da função medular Só após o fim do choque medular (horas ou dias) é que o médico consegue determinar a gravidade real da lesão.

    4. O que causa os espasmos nas pernas de quem não se move?

    Sem o controle do cérebro, os reflexos da medula ficam “exagerados”, fazendo com que os músculos se contraiam sozinhos diante de qualquer estímulo ou até por mudança de temperatura.

    5. Existe cirurgia para consertar a medula?

    As cirurgias atuais servem para estabilizar a coluna (com pinos e placas) ou descomprimir a medula. Ainda não existe uma cirurgia que “costure” os nervos rompidos para que voltem a funcionar.

    6. Como a lesão medular afeta a temperatura do corpo?

    A lesão pode interromper o controle do sistema nervoso sobre o suor e a dilatação dos vasos. Isso faz com que a pessoa tenha dificuldade em se resfriar no calor ou se aquecer no frio, ficando muito dependente da temperatura externa.

    Leia também: Polilaminina: o que se sabe sobre a substância que está sendo estudada para lesão medular?

  • Polilaminina: o que se sabe sobre a substância que está sendo estudada para lesão medular?

    Polilaminina: o que se sabe sobre a substância que está sendo estudada para lesão medular?

    Estudada no Brasil há quase três décadas, a polilaminina voltou a ganhar destaque como uma possível alternativa no tratamento de lesões medulares. Desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a partir da laminina, proteína encontrada naturalmente no corpo humano, a molécula recebeu autorização da Anvisa, no início do ano, para iniciar a fase 1 dos testes clínicos.

    Ainda em estágio inicial de pesquisa, a molécula retirada da placenta humana é modificada em laboratório e vem sendo investigada principalmente para casos de lesão medular completa recente, associados à perda de movimentos.

    Apesar da repercussão nas redes sociais e do interesse pela ciência nacional, a substância ainda precisa passar por etapas rigorosas para confirmar segurança e eficácia. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é a poliamina e qual sua relação com a medula?

    A laminina é um composto frequentemente encontrado em placentas humanas, uma proteína naturalmente produzida pelo organismo e envolvida na organização dos tecidos. A polilaminina é uma forma mais estável da proteína desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Sampaio, na UFRJ.

    De acordo com a neurocirurgiã Ana Gandolfi, a proposta terapêutica parte da ideia de que a substância possa funcionar como um suporte estrutural, capaz de criar um ambiente mais favorável para a regeneração neuronal, especialmente em áreas lesionadas do sistema nervoso.

    A estratégia da polilaminina, é ,no momento, está centrada nas lesões agudas, ou seja, que aconteceram recentemente, quando há rompimento do neurônio ou do axônio — a extensão responsável por conduzir o impulso nervoso.

    A proposta consiste em administrar a polilaminina para formar um arcabouço (estrutura de sustentação) que facilite o processo regenerativo. Vale destacar que a substância não regenera o neurônio por si só, ela apenas cria condições estruturais que podem permitir que a regeneração aconteça.

    Como a substância atua no corpo?

    Após uma lesão na medula espinhal, os axônios, que são prolongamentos dos neurônios responsáveis pela condução dos impulsos nervosos, podem se romper, e o próprio organismo forma uma cicatriz que dificulta a reconexão dessas estruturas.

    A proposta é que, quando aplicada diretamente no local da lesão medular, a substância forme uma estrutura de suporte que ajude a criar um ambiente mais favorável para a regeneração das fibras nervosas.

    O que os estudos sugerem até agora é apenas um potencial efeito de suporte ao processo regenerativo, algo que ainda precisa ser confirmado por pesquisas clínicas mais amplas e controladas em humanos.

    Como o estudo está sendo feito?

    A pesquisa sobre a polilaminina ainda está em fase inicial (chamado fase 1) e segue o caminho tradicional de desenvolvimento e testes de medicamentos. Ela é liderada pela professora, pesquisadora e bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com a parceria do laboratório farmacêutico brasileiro Cristália.

    Até o momento, os resultados disponíveis vieram principalmente de estudos experimentais (modelo animal) e de um número pequeno de pacientes, o que significa que ainda não é possível afirmar eficácia ou segurança de forma definitiva.

    O processo científico exige etapas progressivas, com avaliação rigorosa antes que qualquer substância possa se tornar um medicamento aprovado.

    Testes em cães

    Os primeiros resultados considerados promissores vieram de estudos em modelos animais, incluindo ratos e cães com lesão medular aguda.

    Nessas pesquisas, a substância foi aplicada diretamente na área lesionada com o objetivo de criar um suporte estrutural que facilitasse a regeneração das fibras nervosas. Parte dos animais apresentou melhora motora, o que motivou o avanço das investigações e a busca por testes em humanos.

    No entanto, vale apontar que os resultados não garantem que o mesmo efeito ocorra em pessoas. Muitos tratamentos funcionam em modelos animais e depois não demonstram eficácia clínica.

    Testes em voluntários

    Depois dos testes em animais, entre 2018 e 2023, um estudo preliminar foi realizado com oito pacientes com lesão medular aguda. Alguns apresentaram evolução funcional, enquanto outros tiveram recuperação mais significativa dos movimentos.

    No entanto, os dados ainda não passaram por revisão por pares, que é uma etapa fundamental para validação científica, e o número reduzido de participantes impede conclusões definitivas. Além disso, lesões medulares variam muito em gravidade e resposta individual, o que dificulta generalizações.

    Importante: como a pesquisa envolveu um número limitado de participantes e o artigo ainda não teve publicação definitiva, os resultados ainda não permitem concluir a segurança e/ou a eficácia da substância.

    Até o momento, também não há evidências científicas que sustentem o uso da polilaminina em lesões medulares crônicas, ou seja, em pacientes que convivem com a paralisia há mais tempo.

    O que diz a Anvisa?

    No início do ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o início da fase 1 dos ensaios clínicos com a polilaminina. A fase tem como principal objetivo avaliar a segurança da substância em humanos, normalmente com grupos pequenos e monitoramento rigoroso.

    Segundo Ana Gandolfi, o estudo de fase 1 contempla apenas pacientes com lesão aguda. A injeção deve ocorrer nas primeiras 72 horas após o trauma, e pacientes com lesão crônica não fazem parte do protocolo neste momento.

    Caso os resultados sejam positivos, a pesquisa ainda precisa avançar para as fases 2 e 3, que analisam eficácia, doses adequadas e possíveis efeitos adversos em populações maiores.

    O que ainda falta para virar medicamento?

    Para que a polilaminina possa ser considerada um tratamento estabelecido, será necessário concluir todas as fases dos ensaios clínicos:

    • Fase 1: avaliação inicial de segurança em pequeno grupo de pacientes;
    • Fase 2: análise preliminar de eficácia e definição de doses;
    • Fase 3: confirmação de eficácia e segurança em grupos maiores;
    • Registro sanitário: etapa final para liberação da comercialização.

    Somente após o processo completo será possível afirmar, com base científica sólida, se a substância pode ou não se tornar um tratamento eficaz para lesões medulares.

    Por que especialistas pedem cautela?

    Pesquisadores e médicos destacam que os achados atuais são promissores, porém ainda insuficientes para justificar o uso clínico da substância. Muitos tratamentos apresentam bons resultados iniciais em modelos experimentais, mas não se confirmam em estudos com humanos.

    De acordo com Ana, dos oito pacientes incluídos no estudo, três foram a óbito. Não se sabe se as mortes tiveram relação com a substância ou com outros fatores.

    Há também preocupação com a criação de expectativas irreais entre pacientes e familiares. A evolução após lesão medular depende de diversos fatores, como gravidade do trauma, tempo até a cirurgia, qualidade da reabilitação e resposta individual do organismo.

    É preciso manter cautela diante de qualquer proposta terapêutica que promete uma cura, independentemente da doença. Existe o chamado efeito placebo, como explica Ana: o simples fato de saber que está recebendo um tratamento pode gerar melhora subjetiva.

    Isso não significa que a substância tenha, de fato, provocado a recuperação, mas sim que fatores psicológicos e emocionais podem influenciar a percepção dos sintomas.

    Por isso, antes de atribuir a recuperação a uma nova terapia, é fundamental aguardar evidências científicas mais consistentes, por meio de pesquisas controladas e com acompanhamento ao longo do tempo.

    Veja mais: Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta

    Perguntas frequentes

    1. O tratamento com poliaminina já está disponível nos hospitais?

    Não, a polilaminina ainda está em fase de pesquisa e não foi aprovada como tratamento disponível nos hospitais.

    2. Qual a diferença entre poliamina e células-tronco?

    As células-tronco visam substituir células mortas ou criar novas células. Já a poliamina foca em dar arcabouço para que os neurônios que já existem regenerem..

    3. Ela funciona para lesões antigas?

    Até o momento, não há evidência científica de eficácia em lesões medulares crônicas.

    4. Por que algumas pessoas já estão usando a substância?

    Em alguns casos, houve acesso por decisões judiciais ou uso compassivo, fora de ensaios clínicos formais.

    5. Existe chance de recuperação após uma lesão medular?

    Sim, especialmente em lesões incompletas e quando há cirurgia precoce e reabilitação adequada. A recuperação varia de pessoa para pessoa.

    6. Por que a cirurgia precoce é importante?

    Porque pode reduzir a compressão da medula, limitar o dano e, estabilizar a coluna, e aumentando as chances de recuperação funcional.

    7. A medula espinhal se regenera naturalmente?

    A regeneração no sistema nervoso central é limitada. Por isso, a recuperação depende de diversos fatores, como extensão do dano e tratamento adequado.

    Confira: Transplante de medula óssea: como é feito e quando é indicado

  • 9 dicas para reduzir o consumo de sal no dia a dia (e quem precisa de atenção)

    9 dicas para reduzir o consumo de sal no dia a dia (e quem precisa de atenção)

    Não é novidade que o sal é o principal tempero usado no dia a dia para realçar o sabor dos alimentos, mas apesar de ser importante para o funcionamento do organismo, é fundamental que o consumo não ultrapasse o limite diário recomendado.

    O excesso de sódio está diretamente associado ao desenvolvimento de hipertensão arterial, doenças do coração, acidente vascular cerebral (AVC) e problemas renais crônicos. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a ingestão não ultrapasse 5 gramas por dia, o equivalente a cerca de uma colher de chá.

    Mas afinal, é possível reduzir o consumo de sal sem perder o sabor da comida? Com pequenas mudanças no preparo das refeições e na escolha dos alimentos, sim! O paladar costuma se adaptar aos poucos, e com o tempo a necessidade de muito sal diminui naturalmente.

    Para te ajudar no processo, reunimos alguns truques simples e práticos que podem facilitar a redução do sal e ainda manter a comida saborosa. Confira!

    1. Use ervas frescas ou secas

    As ervas, como o manjericão, a salsinha, o alecrim, o orégano e o tomilho, ajudam a realçar os aromas naturais dos alimentos e deixam os pratos mais interessantes.

    O ideal é adicionar as ervas frescas no final do preparo, para preservar o aroma e o sabor. Já as ervas secas podem entrar no começo do cozimento, porque o calor ajuda a liberar melhor os sabores. Outra ideia simples é misturar ervas picadas com azeite de oliva e usar a mistura para temperar saladas, legumes, carnes ou até pães, reduzindo naturalmente a necessidade de sal.

    2. Aposte em especiarias

    As especiarias, como a páprica, o curry, a cúrcuma, a pimenta-do-reino e a noz-moscada, criam diferentes camadas de aroma e gosto que o sal sozinho não consegue. Você pode encontrá-las em feiras, hortifrutis e supermercados.

    Um truque simples é tostar as especiarias secas por cerca de 30 segundos na frigideira antes do uso. O calor ajuda a liberar os óleos naturais e intensifica o sabor.

    Dica: a cúrcuma (açafrão-da-terra) combina bem com o arroz, a páprica defumada fica ótima nas batatas e o cominho dá um toque especial ao feijão.

    3. Diminua o sal aos poucos

    Você sabia que o paladar se adapta com o tempo? Tirar o sal bruscamente da alimentação pode deixar a comida sem graça, então o ideal é diminuir o sal aos poucos, por exemplo reduzindo metade da quantidade na primeira semana e ajustando novamente depois. Em cerca de três semanas, o cérebro costuma se acostumar a níveis menores de sódio.

    4. Evite o uso de industrializados

    A maior parte do sódio consumido vem dos alimentos processados, não do sal colocado na comida. Produtos como caldos em cubo, molhos prontos, shoyu, ketchup, molho inglês e temperos completos, por exemplo, costumam usar o sal como conservante e para realçar sabores artificiais.

    Uma boa alternativa é o uso do azeite de oliva extra virgem, do vinagre balsâmico e de temperos naturais para realçar o sabor.

    Um ponto de atenção especial: até mesmo os alimentos doces ultraprocessados são fontes grandes de sódio. Os biscoitos recheados, bolos industrializados, cereais matinais e refrigerantes utilizam compostos de sódio para equilibrar o sabor excessivamente doce e garantir que o produto dure mais tempo nas prateleiras.

    5. Cozinhe mais em casa

    O preparo das refeições em casa permite que você tenha um controle muito maior sobre a quantidade de sal utilizada e também sobre a qualidade dos ingredientes escolhidos, o que faz bastante diferença para a saúde no dia a dia.

    Para se ter uma ideia, os restaurantes, lanchonetes e serviços de delivery costumam usar mais sódio para intensificar o sabor, aumentar a durabilidade dos alimentos e tornar os pratos mais atrativos ao paladar.

    Além de favorecer uma alimentação mais equilibrada, a comida caseira normalmente é mais fresca, mais nutritiva e, muitas vezes, também mais econômica.

    6. Cozinhe no vapor ou grelhado

    A forma de preparo influencia diretamente no sabor final dos alimentos e pode ajudar na redução do sal sem prejudicar o gosto. O cozimento no vapor preserva melhor os minerais naturais dos vegetais, o que já garante um leve sabor salgado próprio e mais natural.

    Já o preparo grelhado cria uma crostinha dourada e aromática, resultado da chamada reação de Maillard, que intensifica o sabor e deixa a comida mais apetecível, diminuindo a necessidade de temperos mais pesados ou excesso de sal.

    7. Lembre-se de ler o rótulos dos produtos

    O sódio nem sempre aparece apenas como “sal” nos rótulos dos alimentos, já que ele pode estar presente sob outros nomes, como glutamato monossódico, bicarbonato de sódio, benzoato de sódio e diversos outros compostos usados na indústria alimentícia.

    Por isso, vale a pena dar uma olhada com calma na tabela nutricional e comparar as marcas antes de comprar. Como referência geral, produtos com mais de 400 mg de sódio por 100 g já têm uma quantidade considerada alta, então o consumo frequente pede atenção.

    8. Retire o saleiro da mesa

    O hábito de colocar mais sal na comida antes mesmo de provar é bem comum e costuma acontecer quase no automático. A retirada do saleiro da mesa ajuda a quebrar o costume, te incentivando a sentir primeiro o sabor real da refeição e a evitar o excesso sem perceber.

    9. Lave alimentos enlatados

    Os alimentos enlatados, como o milho, a ervilha, o grão-de-bico e outros vegetais, normalmente ficam conservados em uma salmoura, ou seja, em água com bastante sal.

    Se você lavar em água corrente por cerca de 30 a 60 segundos, isso já ajuda a retirar uma parte considerável desse sódio, podendo reduzir até cerca de 40% do total e deixando o consumo um pouco mais equilibrado.

    Quanto de sal é considerado seguro por dia?

    A quantidade considerada segura de sal por dia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é de até 5 gramas diários, o equivalente a cerca de uma colher de chá rasa. O valor inclui todo o sal consumido ao longo do dia, tanto aquele usado no preparo da comida quanto o presente nos alimentos industrializados.

    Quem precisa reduzir o sal com mais atenção?

    O excesso de sódio pode agravar condições de saúde já existentes ou aumentar o risco de complicações, então algumas pessoas precisam ter ainda mais atenção com o consumo de sal, como:

    • Pessoas com hipertensão arterial: o consumo elevado de sal pode aumentar a pressão e dificultar o controle da doença, elevando o risco de problemas cardiovasculares;
    • Pessoas com doenças do coração ou dos rins: o excesso de sódio pode sobrecarregar esses órgãos, favorecer retenção de líquidos e piorar quadros já existentes;
    • Idosos e pessoas com histórico familiar de pressão alta: com o passar dos anos, o organismo pode ficar mais sensível ao sal, e quem tem predisposição genética tende a se beneficiar de uma alimentação com menos sódio.

    O acompanhamento com o nutricionista pode ajudar (e muito!) no processo. O profissional pode orientar mudanças simples na alimentação, sugerir substituições mais saudáveis e ajudar o paladar a se adaptar aos poucos, deixando a redução do sal mais fácil e possível no dia a dia.

    Veja mais: Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes

    1. Qual é a diferença real entre o sal de cozinha e o sal rosa do Himalaia?

    Do ponto de vista químico, as diferenças são poucas. Ambos são compostos por cerca de 98% de cloreto de sódio. O sal rosa possui minerais como cálcio e magnésio, mas em quantidades tão pequenas que não trazem benefícios extras à saúde. Para o controle da pressão, o sal rosa deve ser usado com a mesma moderação que o refinado.

    2. Sal light funciona?

    Sim, ele substitui parte do cloreto de sódio por cloreto de potássio. É uma boa opção para hipertensos, mas atenção: pessoas com problemas renais devem evitá-lo, pois o excesso de potássio pode ser perigoso para os rins. Sempre consulte um médico antes de trocar.

    3. Por que o sal faz a pressão subir?

    O sal contém sódio, um mineral que faz o corpo reter mais líquido, o que aumenta o volume de sangue circulando nas artérias. Com mais sangue passando pelos vasos, a pressão tende a subir.

    Além disso, o excesso de sódio pode deixar os vasos sanguíneos mais rígidos e dificultar a dilatação das artérias, o que também contribui para a elevação da pressão ao longo do tempo.

    4. O consumo de sal afeta o emagrecimento?

    O sal não aumenta a gordura corporal, mas causa retenção de líquidos. Isso pode fazer o número na balança subir e gerar aquela sensação de inchaço abdominal e nas pernas, o que muitas vezes é confundido com ganho de peso.

    5. O sal em excesso causa pedras nos rins?

    Sim, o excesso de sódio faz com que os rins eliminem mais cálcio na urina. O cálcio acumulado nos rins pode se cristalizar, formando os famosos e dolorosos cálculos renais.

    6. O que significa “baixo teor de sódio” em um rótulo?

    Pela lei brasileira, um alimento é considerado baixo em sódio quando possui no máximo 120mg de sódio por 100g do produto. Sempre compare as marcas, pois a diferença pode ser enorme.

    7. Qual a quantidade de sal recomendada para crianças?

    Os rins das crianças ainda estão em desenvolvimento e, por isso, são mais sensíveis ao excesso de sal. A recomendação para o consumo infantil costuma ser menor que a dos adultos, ficando geralmente entre cerca de 2 g e 3 g de sal por dia, dependendo da idade e das orientações médicas ou nutricionais.

    Confira: Dieta DASH: como fazer a dieta que ajuda baixar sua pressão

  • Esquecimento ou algo além? Saiba reconhecer os primeiros sinais de demência  

    Esquecimento ou algo além? Saiba reconhecer os primeiros sinais de demência  

    Esquecer onde colocou a chave ou demorar um pouco mais para lembrar o nome de alguém pode fazer parte do envelhecimento. Mas quando o esquecimento começa a interferir na rotina, nas finanças ou nas relações familiares, surge uma preocupação legítima: será que é algo além do normal?

    A demência não aparece de um dia para o outro. Em geral, os primeiros sinais são sutis e progressivos. Reconhecer essas mudanças precocemente é muito importante para investigar causas reversíveis, iniciar tratamento quando indicado e planejar os próximos passos com segurança.

    O que é demência?

    Demência não é uma doença única, mas uma síndrome (conjunto de sinais e sintomas) causada por diferentes condições neurológicas.

    Ela se caracteriza por:

    • Prejuízo cognitivo (alteração de memória, linguagem, raciocínio ou planejamento);
    • Impacto nas atividades do dia a dia;
    • Perda gradual de autonomia.

    O início costuma ser lento e progressivo, o que pode dificultar a percepção nos estágios iniciais.

    Diferença entre envelhecimento normal e demência inicial

    Nem todo esquecimento é demência. A principal diferença está no impacto funcional.

    Envelhecimento normal

    • Esquecer nomes ocasionalmente e lembrar depois;
    • Perder objetos de vez em quando;
    • Precisar de mais tempo para aprender algo novo;
    • Pequenas distrações.

    Possíveis sinais de demência

    • Esquecimentos frequentes que impactam a rotina;
    • Repetir perguntas constantemente;
    • Dificuldade para realizar tarefas habituais;
    • Desorientação no tempo ou no espaço.

    Quando a memória começa a atrapalhar a independência, é hora de investigar.

    Primeiros sinais mais comuns

    Perda de memória recente

    É o sinal mais conhecido.

    • Esquecer conversas recentes;
    • Esquecer compromissos;
    • Repetir perguntas ou histórias.

    Dificuldade com tarefas habituais

    Atividades antes simples podem se tornar difíceis:

    • Pagar contas;
    • Seguir receitas;
    • Usar aparelhos conhecidos;
    • Organizar documentos.

    Problemas de linguagem

    • Dificuldade para encontrar palavras;
    • Pausas frequentes na fala;
    • Troca de palavras;
    • Frases incompletas.

    Desorientação

    • Perder-se em locais conhecidos;
    • Confundir datas;
    • Dificuldade com sequência de eventos.

    Alterações de julgamento

    • Gastos financeiros inadequados;
    • Dificuldade em resolver problemas simples;
    • Menor percepção de riscos.

    Mudanças de comportamento ou personalidade

    Em alguns casos, alterações comportamentais aparecem antes da perda de memória evidente:

    • Apatia (falta de iniciativa);
    • Irritabilidade;
    • Ansiedade;
    • Depressão;
    • Isolamento social.

    Sinais menos reconhecidos

    Alguns sinais iniciais são mais sutis:

    • Dificuldade de atenção;
    • Lentificação do pensamento;
    • Dificuldade para planejar;
    • Redução da iniciativa;
    • Erros em tarefas complexas.

    Essas mudanças podem ser atribuídas ao cansaço ou estresse, o que pode atrasar a procura por avaliação.

    Quando procurar um médico?

    É recomendado procurar avaliação quando:

    • Os sintomas persistem por meses;
    • Há impacto nas atividades diárias;
    • Familiares percebem mudanças;
    • Os esquecimentos são progressivos;
    • Há mudanças de comportamento sem explicação;
    • Existe dificuldade com finanças ou organização.

    Quanto mais precoce a avaliação, melhor.

    Por que o diagnóstico precoce é importante?

    Permite tratar causas reversíveis

    Algumas condições podem causar sintomas semelhantes à demência:

    • Depressão;
    • Deficiência de vitaminas;
    • Distúrbios da tireoide;
    • Efeitos colaterais de medicamentos;
    • Distúrbios do sono.

    Essas causas podem ser tratáveis.

    Possibilita iniciar tratamento

    Embora muitas demências não tenham cura, existem tratamentos que:

    • Retardam a progressão;
    • Melhoram sintomas;
    • Aumentam qualidade de vida.

    Ajuda no planejamento

    Inclui decisões sobre:

    • Segurança;
    • Organização da rotina;
    • Finanças;
    • Apoio familiar.

    Como é feita a avaliação?

    A investigação costuma incluir:

    • Entrevista clínica detalhada;
    • Testes cognitivos (avaliação de memória, linguagem e raciocínio);
    • Revisão de medicamentos;
    • Exames laboratoriais;
    • Exames de imagem, quando necessário.

    A participação de familiares é muito importante, pois muitas vezes eles percebem as mudanças antes do próprio paciente.

    Sinais de alerta que exigem avaliação mais rápida

    Procure atendimento com maior urgência se houver:

    • Declínio cognitivo rápido;
    • Mudanças comportamentais intensas;
    • Dificuldade importante para atividades básicas;
    • Quedas frequentes;
    • Alucinações ou delírios;
    • Alterações neurológicas associadas (fraqueza, alteração de fala).

    O que familiares podem observar

    Familiares frequentemente percebem:

    • Repetição constante de histórias;
    • Erros financeiros incomuns;
    • Confusão com medicamentos;
    • Mudanças de personalidade;
    • Dificuldade com tecnologia habitual.

    Essas informações ajudam muito na consulta médica.

    Fique de olho

    Nem todo esquecimento é demência. Mas mudanças cognitivas persistentes, progressivas e que interferem na rotina merecem avaliação.

    Buscar ajuda cedo não significa confirmar um diagnóstico grave, mas investigar, tratar causas reversíveis e acompanhar a evolução de forma segura. O diagnóstico precoce melhora cuidado, segurança e qualidade de vida.

    Leia mais: Vitamina mágica para memória? O que dizem os especialistas

    Perguntas frequentes

    1. Esquecer nomes é normal?

    Sim, ocasionalmente. Preocupa quando é frequente, progressivo e interfere na rotina.

    2. Demência começa sempre com memória?

    Não. Pode começar com alterações de comportamento, linguagem ou planejamento.

    3. Pessoas jovens podem ter demência?

    Sim, mas é menos comum. Quando ocorre antes dos 65 anos, é chamada de demência de início precoce.

    4. Depressão pode parecer demência?

    Sim. A chamada “pseudodemência depressiva” pode causar sintomas semelhantes.

    5. Existe prevenção?

    Medidas como controle cardiovascular, atividade física, sono adequado, estímulo cognitivo e interação social ajudam a reduzir o risco.

    6. Vale procurar médico mesmo com sintomas leves?

    Sim. Avaliação precoce é recomendada sempre que houver dúvidas.

    7. Toda perda de memória evolui para demência?

    Não. Muitas queixas de memória estão relacionadas a estresse, ansiedade, sono inadequado ou outras condições tratáveis.

    Confira: Demência por corpos de Lewy (DCL): o que é, como reconhecer e tratar

  • Por que algumas pessoas ficam doentes com mais facilidade?

    Por que algumas pessoas ficam doentes com mais facilidade?

    Você conhece alguém que pega tudo quanto é doença? Basta mudar o tempo, alguém espirrar por perto ou começar o período escolar que lá vem mais um resfriado. Enquanto isso, outras pessoas parecem passar ilesas por surtos de gripe e viroses. Essa diferença desperta uma dúvida comum: será que existe mesmo imunidade baixa?

    Na maioria das vezes, ficar doente com mais frequência não significa necessariamente uma doença grave. O risco de infecções depende de um equilíbrio entre o funcionamento do sistema imunológico e fatores externos, como sono, estresse e exposição a vírus e bactérias.

    O que determina a frequência de infecções?

    Ficar doente com mais frequência geralmente não depende de um único fator, mas da combinação de vários elementos.

    Entre os principais estão:

    • Funcionamento do sistema imunológico;
    • Qualidade do sono;
    • Alimentação;
    • Estresse;
    • Exposição a vírus e bactérias;
    • Doenças crônicas;
    • Idade;
    • Uso de medicamentos.

    É a soma desses fatores que influencia a probabilidade de desenvolver infecções.

    Diferenças individuais do sistema imunológico

    Cada pessoa possui um sistema imunológico único, influenciado por genética, histórico de infecções anteriores e vacinação.

    Algumas variações normais fazem com que certos indivíduos:

    • Respondam mais lentamente a microrganismos;
    • Desenvolvam sintomas com maior facilidade;
    • Demorem mais para se recuperar.

    Isso pode dar a impressão de imunidade baixa, mesmo quando não há uma doença do sistema imunológico (imunodeficiência).

    Maior exposição a microrganismos

    Em muitos casos, a explicação é simplesmente maior exposição.

    Exemplos:

    • Crianças em creche ou escola;
    • Profissionais de saúde;
    • Pessoas que convivem com muitas pessoas diariamente;
    • Uso frequente de transporte coletivo;
    • Ter filhos pequenos em casa.

    Quanto maior o contato com outras pessoas, maior a chance de exposição a vírus respiratórios.

    Sono e imunidade

    Dormir mal tem impacto direto no sistema imunológico.

    A privação de sono pode:

    • Reduzir a resposta imunológica;
    • Aumentar a inflamação no corpo;
    • Diminuir a eficácia de vacinas;
    • Aumentar a suscetibilidade a vírus respiratórios.

    Mesmo pequenas reduções no tempo de sono, quando persistentes, podem aumentar o risco de infecções.

    Estresse e saúde imunológica

    O estresse crônico altera hormônios como o cortisol, que influencia o funcionamento do sistema imunológico.

    Consequências possíveis incluem:

    • Maior risco de infecções respiratórias;
    • Reativação de vírus que já estavam no organismo (como herpes);
    • Recuperação mais lenta;
    • Sintomas mais intensos.

    O estresse constante pode enfraquecer temporariamente as defesas do corpo.

    Alimentação e estado nutricional

    O sistema imunológico depende de nutrientes adequados para funcionar bem.

    Deficiências nutricionais podem afetar a capacidade de defesa, especialmente quando há carência de:

    • Proteínas;
    • Ferro;
    • Zinco;
    • Vitamina D;
    • Vitaminas do complexo B.

    Dietas muito restritivas, alimentação desequilibrada ou perda de peso não intencional podem contribuir para maior vulnerabilidade a infecções.

    Doenças e condições associadas

    Algumas condições aumentam o risco de infecções mais frequentes ou mais prolongadas:

    • Diabetes;
    • Doenças pulmonares crônicas;
    • Doenças renais;
    • Doenças autoimunes;
    • Obesidade;
    • Imunodeficiências (doenças que afetam diretamente o sistema imunológico);
    • Uso de corticoides ou imunossupressores (medicamentos que reduzem a resposta imune).

    Nesses casos, a infecção pode ser mais difícil de controlar ou demorar mais para melhorar.

    Quando infecções frequentes podem ser sinal de alerta?

    Nem toda infecção repetida indica problema grave. Crianças pequenas, por exemplo, podem ter várias infecções respiratórias por ano, o que faz parte do amadurecimento do sistema imunológico.

    Porém, alguns padrões merecem avaliação médica:

    • Infecções muito frequentes ou graves;
    • Necessidade repetida de antibióticos;
    • Infecções incomuns;
    • Recuperação muito lenta;
    • Infecções que complicam com facilidade;
    • Perda de peso ou outros sintomas associados.

    Esses sinais podem indicar alteração imunológica ou doença de base que precisa ser investigada.

    O que pode ajudar a reduzir o risco?

    Não existe suplemento milagroso para aumentar a imunidade. O que tem evidência científica é o cuidado consistente com hábitos de vida.

    Algumas medidas importantes são:

    • Dormir adequadamente;
    • Manter alimentação equilibrada;
    • Manter vacinação atualizada;
    • Praticar atividade física regular;
    • Controlar doenças crônicas;
    • Reduzir estresse;
    • Higienizar as mãos com frequência;
    • Evitar fumar;
    • Evitar uso desnecessário de antibióticos.

    Pequenas mudanças consistentes costumam ter mais impacto do que soluções rápidas.

    Ficar doente com mais frequência geralmente é resultado da interação entre exposição, hábitos de vida e características individuais do sistema imunológico. Na maioria das vezes, isso faz parte da variabilidade normal entre as pessoas.

    Entretanto, quando as infecções são graves, recorrentes ou incomuns, é importante procurar avaliação médica. Cuidar do sono, da alimentação e das condições de saúde é a estratégia mais consistente para reduzir o risco de infecções.

    Confira: Imunidade de rebanho: o que é e por que é importante atualizar o calendário de vacinas

    Perguntas frequentes

    1. Existe exame para saber se a imunidade está baixa?

    Existem exames que avaliam partes do sistema imunológico, mas não há um único exame que defina “imunidade baixa” em pessoas saudáveis.

    2. Suplementos aumentam imunidade?

    Na ausência de deficiência nutricional comprovada, o benefício costuma ser limitado.

    3. Crianças ficarem doentes com frequência é normal?

    Sim. Especialmente nos primeiros anos de vida, isso faz parte do amadurecimento do sistema imunológico.

    4. Estresse realmente afeta a imunidade?

    Sim. Estresse crônico pode aumentar a vulnerabilidade a infecções.

    5. Dormir pouco aumenta risco de gripe?

    Sim. A privação de sono está associada a maior risco de infecções respiratórias.

    6. Quem tem diabetes fica doente com mais facilidade?

    Pode ficar, especialmente se o controle da glicemia não estiver adequado.

    7. Existe algum produto fortalecedor de imunidade?

    Não existe produto milagroso. O que fortalece o sistema imunológico é um conjunto de hábitos saudáveis.

    Veja também: O que o estresse faz com sua imunidade

  • O custo de comer bem: a dieta DASH cabe no bolso? 

    O custo de comer bem: a dieta DASH cabe no bolso? 

    Criada por cientistas estadunidenses na década de 90, a dieta DASH é um modelo alimentar criado para ajudar no controle da pressão alta e na prevenção de doenças do coração — mas ele acabou ficando popular por melhorar a qualidade da alimentação e a saúde.

    Ele envolve priorizar alimentos in natura, como frutas e vegetais, além do aumento do consumo de cálcio e da redução da gordura saturada. Por causa das características mais naturais, é comum algumas pessoas associarem a dieta DASH a uma alimentação cara ou difícil de manter na rotina. Mas será que é mesmo? É o que vamos discutir, a seguir.

    Como funciona a dieta DASH e quais alimentos fazem parte do cardápio?

    A dieta DASH, sigla para Dietary Approaches to Stop Hypertension, funciona como um padrão alimentar pensado para reduzir a pressão arterial e melhorar a saúde cardiovascular.

    A ideia é simples: aumentar o consumo de alimentos naturais ricos em nutrientes protetores e diminuir ingredientes associados ao aumento da pressão, como o sódio, a gordura saturada e os produtos ultraprocessados. Na prática, não é uma dieta restritiva ou focada na perda de peso, mas um modelo voltado à prevenção. Ele recomenda:

    • Ingestão maior de frutas, legumes e verduras ao longo do dia;
    • Consumo frequente de grãos integrais, como arroz integral, aveia e pães integrais;
    • Escolha de proteínas magras, incluindo peixes, frango, ovos e leguminosas;
    • Preferência por laticínios com baixo teor de gordura;
    • Redução do sal, dos embutidos, dos fritos e dos alimentos ultraprocessados.

    Outro ponto da dieta envolve o consumo de nutrientes como potássio, cálcio, magnésio e fibras, que ajudam no controle da pressão arterial e no funcionamento geral do organismo.

    Quais alimentos fazem parte do cardápio?

    Entre os alimentos mais comuns dentro da dieta DASH, costumam aparecer:

    • Frutas e vegetais: banana, maçã, laranja, mamão, cenoura, brócolis, abobrinha, beterraba e a folha verde em geral;
    • Grãos integrais: arroz integral, quinoa, aveia, cuscuz integral e os pães feitos com farinha integral;
    • Proteínas magras: peixe, frango sem pele, ovo, feijão, lentilha, grão-de-bico e outras leguminosas;
    • Laticínios com menos gordura: leite desnatado, iogurte natural e os queijos brancos;
    • Gorduras boas: azeite de oliva, castanha, noz, amêndoa e as sementes, como a chia e a linhaça.

    A dieta DASH é cara? Entenda os custos reais

    A ideia de que a dieta DASH é cara costuma aparecer principalmente porque o modelo alimentar valoriza alimentos frescos, integrais e menos processados. No entanto, o custo real depende muito mais das escolhas feitas no dia a dia do que da dieta em si.

    1. A ideia dos “superalimentos” caros

    Uma dieta saudável não exige o consumo de alimentos sofisticados, como salmão ou quinoa importada. Na verdade, a ideia central envolve comida simples, fresca e nutritiva:

    • Cereais integrais acessíveis, como arroz integral e aveia;
    • Leguminosas tradicionais, incluindo feijão, lentilha e grão-de-bico;
    • Frutas e vegetais comuns, fáceis de encontrar no mercado ou na feira.

    2. Ultraprocessados parecem baratos, mas nem sempre são

    Quando se analisa preço por quilo, qualidade nutricional e saciedade, a conta muda:

    • Um pacote de bolacha recheada pode custar o mesmo que um quilo de banana ou cenoura;
    • Frutas e vegetais rendem mais refeições e entregam nutrientes importantes;
    • Ultraprocessados têm menor poder de saciedade, o que pode aumentar o consumo ao longo do dia.

    3. Uso de temperos naturais

    Para economizar com caldos industrializados e molhos prontos, vale priorizar:

    • Alho, cebola, salsa e cebolinha frescos;
    • Ervas cultivadas em pequenos vasos em casa;
    • Misturas caseiras de temperos naturais.

    4. Alimentos básicos da Dieta DASH que você já tem na despensa

    Na maioria dos casos, vários alimentos recomendados já fazem parte da sua rotina:

    • Arroz e feijão;
    • Aveia e ovos;
    • Frutas populares (banana, maçã, laranja);
    • Laticínios magros e azeite.

    Onde a conta pode subir (e como evitar)

    O custo pode aumentar se você focar em produtos com selo “fit” industrializados. Algumas dicas ajudam:

    • Feiras de rua: comprar no final da feira (“hora da xepa”) garante descontos de até 50%;
    • Sazonalidade: comprar a fruta da estação é sempre mais barato;
    • Proteínas baratas: peito de frango, ovos e sardinha em lata são excelentes opções.

    Como fazer o planejamento semanal na dieta DASH?

    O planejamento é fundamental para evitar gastos desnecessários e pedidos de fast-food por impulso. Algumas estratégias práticas:

    • Vá ao supermercado com uma lista pronta;
    • Priorize a feira e escolha frutas e legumes da estação;
    • Leia os rótulos e prefira produtos com até 5% do valor diário de sódio;
    • Cozinhe grãos em maior quantidade e congele porções;
    • Deixe os vegetais já picados e armazenados em potes na geladeira;
    • Prepare um “sal de ervas” com pouco sódio para usar como tempero padrão.

    Qual a diferença entre a dieta DASH para a mediterrânea?

    Ambas priorizam alimentos naturais e a saúde cardiovascular, mas possuem focos distintos:

    A dieta DASH surgiu especificamente para o controle da pressão arterial. É mais rigorosa na redução do sódio e incentiva o consumo de laticínios magros como fonte de cálcio.

    A dieta mediterrânea reflete hábitos de países como Grécia e Itália, focando no azeite de oliva como gordura principal, maior consumo de frutos do mar e uso moderado de vinho. O controle do sal não é o pilar central como na DASH.

    Qual costuma ser mais cara?

    A mediterrânea pode ficar mais cara devido a peixes específicos e azeites importados. A DASH tende a ser mais adaptável ao dia a dia brasileiro por utilizar a base clássica de arroz e feijão.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

    Perguntas frequentes

    1. Existe alguma contraindicação à dieta DASH?

    A principal é para pessoas com doença renal crônica avançada, devido ao alto teor de potássio e fósforo. Consulte sempre um médico.

    2. Por quanto tempo a dieta DASH pode ser seguida?

    É um padrão alimentar para a vida toda, pois é nutricionalmente completa.

    3. É necessário tomar suplementos vitamínicos durante a dieta?

    Normalmente não, pois a dieta é muito variada e rica em nutrientes.

    4. Posso comer carne vermelha na dieta DASH?

    Sim, mas com moderação, preferindo cortes magros e limitando o consumo semanal.

    5. Por que os laticínios são importantes nesta dieta?

    Porque são fontes fundamentais de cálcio, mineral que auxilia diretamente no controle da pressão arterial.

    6. A dieta DASH ajuda a emagrecer?

    Sim. A perda de peso costuma ser uma consequência natural devido ao alto teor de fibras e redução de açúcares.

    Confira: Dieta DASH: como fazer a dieta que ajuda baixar sua pressão

  • Como evitar uma crise de pressão alta e o que fazer se ela acontecer

    Como evitar uma crise de pressão alta e o que fazer se ela acontecer

    A pressão alta costuma ser silenciosa e, justamente por isso, é perigosa. Muitas pessoas só descobrem que estão com níveis elevados quando já apresentam sintomas intensos ou durante uma consulta de rotina. Em alguns casos, a elevação acontece de forma abrupta, caracterizando uma crise de pressão alta, também chamada de crise hipertensiva.

    Saber como evitar uma crise de pressão alta é muito importante para reduzir o risco de complicações graves, como infarto, AVC e insuficiência renal. Medidas simples e consistentes no dia a dia fazem grande diferença na estabilidade da pressão arterial.

    O que é uma crise de pressão alta?

    Uma crise de pressão alta acontece quando os níveis da pressão arterial sobem de forma significativa, geralmente acima de 180/120 mmHg.

    Ela pode ser classificada em:

    Urgência hipertensiva

    Quando a pressão está muito elevada, mas sem sinais imediatos de lesão em órgãos-alvo.

    Emergência hipertensiva

    Quando há elevação importante da pressão acompanhada de sinais como:

    • Dor no peito;
    • Falta de ar;
    • Alteração neurológica;
    • Confusão mental;
    • Alterações visuais.

    A emergência hipertensiva exige atendimento médico imediato.

    Quais são os principais sintomas?

    Nem toda crise causa sintomas, mas quando aparecem, podem incluir:

    • Dor de cabeça intensa;
    • Tontura;
    • Visão embaçada;
    • Palpitações;
    • Dor no peito;
    • Náusea;
    • Sensação de pressão na nuca.

    É importante lembrar que a ausência de sintomas não significa que a pressão não esteja elevada.

    O que pode desencadear uma crise de pressão alta?

    Diversos fatores podem contribuir.

    Interrupção do medicamento

    Parar ou esquecer o uso de remédios para pressão alta é uma das causas mais comuns de crise. Mesmo se a pressão estiver controlada, é fundamental manter o tratamento conforme orientação médica.

    Estresse emocional intenso

    Situações de ansiedade ou sobrecarga emocional elevam hormônios que aumentam a pressão. Técnicas de controle do estresse ajudam a evitar picos.

    Excesso de sal

    O consumo elevado de sódio favorece retenção de líquidos e aumento da pressão. Alimentos ultraprocessados costumam conter grandes quantidades de sal.

    Álcool em excesso

    Pode causar picos de pressão e interferir na ação dos medicamentos.

    Uso de substâncias estimulantes

    Alguns descongestionantes nasais, energéticos e drogas ilícitas aumentam a pressão e podem ser perigosos para quem já tem hipertensão.

    Como evitar uma crise de pressão alta?

    1. Tome os medicamentos corretamente

    Siga horários fixos e não interrompa o tratamento sem orientação médica.

    2. Reduza o consumo de sal

    Prefira alimentos naturais e evite produtos ultraprocessados.

    3. Monitore a pressão regularmente

    A medição domiciliar ajuda a identificar alterações precocemente e facilita o ajuste do tratamento.

    4. Controle o estresse

    Respiração profunda, atividade física leve e pausas ao longo do dia ajudam na regulação da pressão.

    5. Mantenha peso saudável

    O excesso de peso aumenta a resistência vascular e sobrecarrega o coração.

    6. Limite o consumo de álcool

    A moderação reduz oscilações de pressão.

    O que fazer se a pressão estiver muito alta?

    Se medir valores elevados:

    • Sente-se e descanse por 5 a 10 minutos;
    • Refaça a medição;
    • Se continuar alta ou houver sintomas, procure atendimento médico.

    Nunca tome doses extras de medicamentos por conta própria sem orientação médica.

    Quem tem maior risco de crise de pressão alta?

    • Pessoas com hipertensão mal controlada;
    • Idosos;
    • Pessoas com doença renal;
    • Pessoas com diabetes;
    • Quem já teve AVC ou infarto;
    • Pessoas com histórico familiar importante.

    É possível prevenir totalmente?

    Embora nem sempre seja possível evitar 100% das oscilações, o controle adequado da hipertensão reduz consideravelmente o risco de crise e complicações graves.

    O acompanhamento médico regular é essencial para ajustar doses de medicamentos e estratégias conforme a necessidade.

    Veja mais: Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes sobre crise de pressão alta

    1. Toda pressão acima de 14 por 9 é uma crise?

    Não. É considerada elevada, mas crise envolve níveis muito mais altos.

    2. Dor de cabeça sempre significa pressão alta?

    Não necessariamente. A pressão pode estar normal mesmo com dor de cabeça.

    3. Posso medir a pressão todos os dias?

    Sim, especialmente se estiver em fase de ajuste de tratamento.

    4. Café pode causar crise de pressão alta?

    Em excesso, pode elevar temporariamente a pressão.

    5. Ansiedade pode aumentar a pressão?

    Sim, principalmente de forma transitória.

    6. Exercício ajuda a evitar crises?

    Sim, quando feito regularmente e com orientação.

    7. Pressão alta sempre dá sintomas?

    Não. Por isso é chamada de doença silenciosa.

    Confira: 12×8 já não é normal: nova diretriz muda o que entendemos por pressão alta