Categoria: Prevenção

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  • Capacete protege mesmo contra lesões cerebrais?

    Capacete protege mesmo contra lesões cerebrais?

    Em uma queda, batida ou colisão, a cabeça é uma das partes mais vulneráveis do corpo humano — e os danos podem ser irreversíveis se não houver proteção adequada. É justamente por isso que o uso de capacetes é obrigatório em várias situações, desde o ciclismo até o motociclismo, além de ser altamente recomendado em esportes de impacto.

    Os números não deixam dúvidas: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso do capacete reduz em até 70% o risco de ferimentos graves na cabeça e em 40% o risco de morte. Isso acontece porque o capacete atua como uma barreira física e tecnológica, absorvendo a energia do impacto e diminuindo a força transmitida ao crânio e ao cérebro.

    A seguir, entenda em detalhes como o capacete protege o cérebro, quais tipos existem e como escolher o ideal.

    Como o capacete protege a cabeça?

    O capacete é projetado para absorver e dissipar a energia de um impacto, reduzindo o risco de ferimentos graves. Quando ocorre uma queda ou colisão, a energia do choque é distribuída entre as diferentes camadas do capacete, em vez de ser totalmente transferida para o crânio.

    A estrutura de um capacete costuma ter duas partes principais, sendo elas:

    • Casca externa rígida, normalmente feita de policarbonato ou fibra de vidro, que forma a primeira barreira de proteção do capacete. Ela serve para dissipar a força do impacto e evitar impactos diretos na cabeça, prevenindo lesões como ferimentos cortantes no couro cabeludo e fraturas cranianas. Com isso, ajuda a evitar fraturas, hemorragias e hematomas intracranianos e traumatismos de maior gravidade.
    • Camada interna de espuma (EPS — poliestireno expandido), que funciona como um amortecedor de choques, comprimindo-se no momento da batida para absorver parte da energia e reduzir a desaceleração brusca da cabeça, minimizando o risco de lesões cerebrais.

    Quando o corpo sofre uma queda, o cérebro, que tem consistência macia, se movimenta dentro do crânio. O capacete não impede totalmente esse deslocamento, mas reduz significativamente a força do impacto, diminuindo a chance de o cérebro colidir com as paredes ósseas da cabeça.

    Com isso, ele ajuda a evitar fraturas cranianas, hemorragias internas e traumatismos graves — principais causas de morte em acidentes de trânsito e esportes com impacto.

    Capacete previne lesões cerebrais?

    O capacete reduz drasticamente o risco de lesões cerebrais estruturais, como hemorragias e traumas cranianos graves. No entanto, ele não impede completamente lesões funcionais, como a concussão, de acordo com a neurocirurgiã Ana Gandolfi.

    Para entender isso, é preciso compreender o que acontece dentro da cabeça durante um impacto:

    • Movimento translacional (para frente e para trás): o cérebro se desloca dentro do crânio e pode colidir contra suas paredes internas, provocando hematomas, sangramentos e danos ao tecido cerebral;
    • Movimento rotacional (de torção): o cérebro gira de forma brusca dentro do crânio, fazendo com que os neurônios se friccionem entre si — esse atrito pode causar lesões difusas e concussões.

    Os capacetes são mais eficazes contra o primeiro tipo de movimento, o translacional, já que dissipam a força e evitam fraturas ou sangramentos. No entanto, eles ainda têm limitações contra os movimentos rotacionais, responsáveis pela maioria das concussões.

    Ana Gandolfi destaca que a concussão não ocorre apenas após uma batida direta na cabeça — um impacto forte no tórax ou em qualquer outra parte do corpo também pode causar o deslocamento brusco do cérebro dentro do crânio, resultando na lesão.

    Mesmo assim, estudos mostram que o uso do capacete reduz o risco de lesões cerebrais em até 85%. Ou seja, embora ele não elimine completamente o risco, ele transforma um trauma grave em um trauma leve.

    Riscos de não usar capacete

    O traumatismo craniano é uma das maiores causas de morte em acidentes de trânsito no mundo. Segundo a OMS, 1,3 milhão de pessoas morrem todos os anos em decorrência de acidentes, e boa parte dessas mortes poderia ser evitada com o uso correto do capacete.

    Entre os principais riscos de não usar capacete, destacam-se:

    • Fraturas cranianas: quando o impacto é direto e o crânio se quebra, expondo o cérebro a danos irreversíveis;
    • Hemorragias intracranianas: o golpe faz os vasos sanguíneos do cérebro se romperem, causando sangramento interno;
    • Concussão cerebral: mesmo sem fratura, a pancada pode gerar confusão mental, perda de memória e tontura;
    • Lesões permanentes: sequelas motoras, cognitivas e emocionais podem ocorrer em traumas graves.

    Além das mortes, há as sequelas permanentes. Um traumatismo craniano pode deixar a pessoa com dificuldade para falar, andar, se lembrar ou até se reconhecer. A reabilitação é longa, custosa e, muitas vezes, não devolve todas as funções perdidas no acidente.

    Vale apontar que o risco não existe apenas em altas velocidades. Quedas simples, de bicicleta ou patinete, mesmo a 10 km/h, podem causar traumas moderados a graves — especialmente em crianças.

    A neurocirurgiã Ana Gandolfi explica que, nos pequenos, a cabeça tem uma proporção maior em relação ao corpo, o que aumenta significativamente a probabilidade de ela ser a primeira parte a atingir o chão em uma queda.

    Além disso, o equilíbrio infantil ainda não está totalmente desenvolvido, o que torna as quedas mais frequentes. Por isso, mesmo em trajetos curtos, o capacete é necessário no uso de patins, bicicleta ou patinete.

    Quando é necessário usar capacete?

    É necessário usar capacete sempre que houver risco de queda ou colisão envolvendo a cabeça, e isso inclui:

    • Motos e ciclomotores: uso obrigatório por lei no Brasil;
    • Bicicletas: é preciso mesmo em baixas velocidades;
    • Patinetes elétricos e patins: quedas a 10 km/h já podem causar traumatismos;
    • Esportes radicais: skate, mountain bike, snowboard e outros exigem proteção constante.

    No caso de crianças, aliado ao capacete, é recomendado o uso de acessórios como joelheiras, cotoveleiras e roupas adequadas para a prática de esportes com rodas.

    Como escolher o melhor capacete?

    O primeiro passo ao escolher o capacete é garantir que ele tenha o selo do INMETRO (no Brasil) ou certificações internacionais equivalentes, como CPSC, ASTM ou Snell, que atestam a conformidade do produto com testes de impacto e resistência. Eles indicam que o capacete passou por rigorosos ensaios de segurança e é capaz de proteger o cérebro em caso de queda ou colisão.

    Depois, atente-se ao modelo certo para o tipo de atividade, já que cada modalidade tem riscos e necessidades específicas:

    • Ciclismo e patinete: modelos leves, com boa ventilação e cobertura total do crânio;
    • Skate, patins e esportes radicais: capacetes com laterais e parte traseira mais reforçadas, capazes de absorver múltiplos impactos;
    • Esportes na neve (esqui, snowboard): capacetes térmicos, com isolamento e presilhas compatíveis com óculos e equipamentos de frio;
    • Motocicletas e trânsito urbano: obrigatório capacete fechado ou com viseira, com certificação Denatran/INMETRO, que cubra toda a cabeça e o queixo.

    O tamanho e o ajuste também precisam ser exatos — o capacete deve ficar firme, mas confortável, sem balançar ou apertar demais. As fitas laterais devem formar um “V” sob as orelhas, e o fecho do queixo deve permitir apenas um ou dois dedos de folga.

    Fique de olho para que o fecho fique firme, pois se não estiver preso, o equipamento pode sair no momento do impacto, deixando a cabeça vulnerável a um segundo choque.

    Também vale priorizar o conforto e a ventilação, já que crianças tendem a rejeitar capacetes quentes ou pesados. Modelos com aberturas de ar, acolchoamento removível e peso leve aumentam a chance de uso constante.

    Por fim, é recomendável trocar o capacete a cada 3 a 5 anos, mesmo sem quedas, já que o material interno se desgasta com o tempo.

    Capacete no trânsito é obrigatório

    No Brasil, o uso do capacete é obrigatório para condutores e passageiros de motocicletas e ciclomotores, segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O não cumprimento da regra é considerado infração gravíssima, com multa, pontos na carteira e possibilidade de retenção do veículo.

    Mas, mais do que uma obrigação legal, a OMS e o Ministério da Saúde reforçam que capacetes seguros e de boa qualidade reduzem o risco de morte em até seis vezes. Ainda assim, em muitos países, especialmente os de baixa e média renda, o uso é baixo — seja por descuido, desinformação ou falta de fiscalização.

    Entre os motivos que dificultam o uso de capacetes estão a baixa qualidade de modelos mais baratos, a falta de opções seguras para crianças e o calor excessivo em algumas regiões.

    Outro problema comum é o uso incorreto do equipamento — muitas pessoas não ajustam o capacete corretamente, e ele pode se soltar no momento de uma queda ou batida.

    Leia também: Cirurgia de coluna: 5 condições em que ela pode ser necessária

    Perguntas frequentes

    1. Existe diferença entre capacete de moto, bicicleta e esportes radicais?

    Sim, existem diferenças importantes. O capacete de moto é projetado para suportar impactos de alta velocidade e cobre toda a cabeça e o rosto. Já os de bicicleta e patinete são mais leves, com ventilação melhor, mas ainda assim precisam ter o selo de segurança do Inmetro ou equivalente. Para esportes radicais como skate, BMX ou snowboard, os capacetes são reforçados nas laterais e na parte de trás, pois as quedas costumam acontecer em ângulos diferentes.

    2. Qual é o tempo de vida útil de um capacete?

    A maioria dos fabricantes recomenda substituir o capacete a cada cinco anos, mesmo que ele pareça em bom estado. Isso porque o material interno perde sua capacidade de absorver impacto com o tempo, especialmente se exposto ao sol, calor ou umidade. E se o capacete sofrer uma queda forte, mesmo que sem rachaduras visíveis, deve ser trocado imediatamente.

    3. Existe diferença entre capacete masculino e feminino?

    Na prática, a diferença está mais no design e nos tamanhos disponíveis, não na proteção. Alguns modelos femininos possuem ajustes que acomodam melhor o formato da cabeça ou o cabelo comprido, mas o que realmente importa é o conforto e a certificação de segurança.

    4. O que devo fazer se sofrer uma queda usando capacete?

    Mesmo que o capacete pareça intacto, ele pode ter perdido parte da sua capacidade de absorção, então é necessário substituí-lo. Observe também se houve sintomas neurológicos, como dor de cabeça, tontura ou confusão mental — nesses casos, procure atendimento médico imediatamente.

    5. Como o capacete age em um acidente de trânsito?

    Durante uma colisão, o capacete absorve parte da energia do impacto por meio de suas duas camadas: a externa, rígida, que espalha a força, e a interna, de espuma (EPS), que se comprime. Isso reduz a desaceleração brusca da cabeça e impede que o cérebro bata com tanta força nas paredes do crânio.

    6. O uso de capacete é obrigatório em bicicletas elétricas?

    No Brasil, quem utiliza bicicletas elétricas é obrigado a usar capacete, conforme determinam as resoluções do Contran. Além do capacete, também são obrigatórios campainha, farol dianteiro, luz traseira e lateral e espelhos retrovisores.

    7. Posso usar um lenço ou touca por baixo do capacete?

    Sim, desde que o tecido seja fino e não comprometa o encaixe. Toucas ou bandanas ajudam na higiene, mas o capacete deve continuar justo e firme. Qualquer material que crie folga pode reduzir a eficácia da proteção.

    Leia também: Dor de cabeça: quando é normal e quando é sinal de alerta

  • Laqueadura tubária: o que você precisa saber antes de optar pelo método definitivo 

    Laqueadura tubária: o que você precisa saber antes de optar pelo método definitivo 

    A laqueadura tubária é um dos métodos contraceptivos mais conhecidos e procurados pelas mulheres. Durante muito tempo foi considerada definitiva, já que o procedimento interrompe a passagem dos óvulos pelas tubas uterinas e impede a fecundação. Apesar da alta eficácia, relatos de falhas e casos de gravidez após a cirurgia ainda levantam dúvidas e geram desconfiança sobre sua real segurança.

    É justamente nesse ponto que a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza faz um alerta: “Nenhum método é 100% eficaz. Nem a laqueadura, nem a vasectomia”. Nesta reportagem, a especialista esclarece os principais pontos sobre o tema, explicando quais são as técnicas mais usadas, as diferenças em relação ao passado e os riscos associados.

    Laqueadura é 100% eficaz?

    Segundo a ginecologista, é importante desfazer um mito bastante difundido: nenhum método contraceptivo é absolutamente infalível. “Existem casos que são raros, anedóticos, mas acontecem. É a mesma coisa que engravidar com o DIU bem colocado: é incomum, mas não impossível”, explica.

    Na prática, isso significa que, embora a laqueadura apresente uma eficácia muito alta, ainda há pequenas chances de falha. Esses casos estão geralmente associados ao fenômeno da recanalização espontânea das tubas uterinas, quando, após o procedimento, o organismo cria uma nova passagem que permite a comunicação entre os óvulos e o útero. Esse processo é raro, mas documentado em diferentes estudos.

    Além da recanalização, falhas também podem ocorrer quando a técnica não é executada de forma adequada, reforçando a importância de que o procedimento seja feito por profissionais experientes e com técnicas seguras. Ainda assim, o consenso médico é claro: a laqueadura continua sendo uma das opções mais eficazes entre os métodos contraceptivos disponíveis.

    Técnicas mais comuns de laqueadura

    A laqueadura pode ser feita em diferentes momentos: isoladamente, como uma cirurgia eletiva, ou em associação ao parto, seja cesariana, seja logo após um parto normal. Nesses casos, aproveita-se a condição em que o útero ainda está aumentado para facilitar o acesso às tubas.

    Entre as principais técnicas, estão:

    • Pomeroy (clássica): corte, amarração e cauterização da tuba uterina. É altamente eficaz, mas pode comprometer um pequeno vaso sanguíneo próximo, alterando a irrigação do ovário;
    • Técnicas que preservam a irrigação: em vez de cortar junto com o vaso, isolam apenas a tuba uterina. Têm ligeiramente maior chance de recanalização, mas menor impacto hormonal;
    • Periumbilical: indicada para pacientes que tiveram parto normal. É feita por uma pequena incisão no umbigo, para acessar e interromper as tubas;
    • Vaginal (fimbrectomia): realizada cerca de 45 dias após o parto vaginal, quando o útero já voltou ao tamanho normal. A ponta final da tuba é cortada e amarrada.

    Nas diferentes técnicas de laqueadura, a escolha do método está diretamente ligada ao tipo de parto realizado e ao momento em que a cirurgia será feita. “Em termos de eficácia, todas são muito parecidas”, explica Andreia.

    Impacto no ciclo menstrual

    Um ponto importante levantado pela médica é que a técnica clássica, ao cortar o vaso sanguíneo que acompanha a tuba, pode alterar a irrigação do ovário. Isso não compromete totalmente o fornecimento de sangue, já que há outro vaso responsável, mas pode modificar a produção hormonal.

    “É frequente em mulheres que fizeram laqueadura ter um certo aumento do fluxo menstrual ou irregularidade do ciclo. Isso acontece por conta da alteração na irrigação do ovário”, destaca. Esse efeito, no entanto, não é regra e pode variar bastante de paciente para paciente.

    Gravidez após laqueadura: por que acontece?

    Apesar de ser um método altamente eficaz, com taxa de falha estimada em menos de 1%, a gravidez após laqueadura é possível. O principal motivo é a recanalização tubária, quando os fragmentos da tuba encontram uma forma de se reconectar.

    Essa possibilidade é rara, mas explica casos de mulheres que engravidam anos após o procedimento. Além disso, se a técnica for mal executada ou se a paciente tiver condições anatômicas específicas, o risco pode aumentar.

    Quando a laqueadura é indicada

    A laqueadura é considerada uma forma de contracepção definitiva e, por isso, só deve ser indicada em situações bem avaliadas. No Brasil, a legislação estabelece critérios:

    • A idade mínima para laqueadura voluntária passou de 25 para 21 anos;
    • Pessoas com capacidade civil plena precisam ter pelo menos 21 anos, ou então pelo menos 2 filhos vivos, para poderem solicitar o procedimento;
    • Não é mais exigido o consentimento do cônjuge, algo que era necessário antes da lei ser alterada;
    • No caso de laqueadura no momento do parto, é necessário manifestar a vontade com antecedência mínima de 60 dias.

    Segundo Andreia, o ideal é que a laqueadura seja feita quando há clareza na decisão, afinal, com tantas opções de métodos de longa duração e reversíveis, como DIU e implantes, a laqueadura é menos usada atualmente.

    Alternativas à laqueadura

    Antes de optar pela cirurgia, é fundamental conhecer outros métodos contraceptivos eficazes e de longa duração:

    • DIU de cobre ou hormonal: podem durar de 5 a 10 anos;
    • Implantes subcutâneos: liberam hormônio e funcionam por até 3 anos;
    • Injetáveis ou anticoncepcionais orais: opções reversíveis, embora dependam de uso contínuo.

    Essas alternativas oferecem alta eficácia e a vantagem da reversibilidade, o que pode ser importante caso a paciente mude de ideia sobre ter filhos no futuro.

    Leia também: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

    Perguntas e respostas sobre laqueadura tubária

    1. A laqueadura é 100% eficaz?

    Não. Apesar de ser altamente eficaz, existe uma pequena chance de falha, principalmente devido à recanalização espontânea das tubas uterinas ou a erros técnicos durante a cirurgia.

    2. Quais são as técnicas mais comuns de laqueadura?

    As principais são a técnica de Pomeroy (corte, amarração e cauterização da tuba), técnicas que preservam a irrigação, a periumbilical (pelo umbigo) e a vaginal (fimbrectomia). Todas têm eficácia semelhante, e a escolha depende do momento e do tipo de parto.

    3. A laqueadura pode alterar o ciclo menstrual?

    Sim. Em alguns casos, pode haver aumento do fluxo ou irregularidade do ciclo, geralmente associada à alteração da irrigação do ovário. Porém, isso não acontece em todas as mulheres.

    4. É possível engravidar após a laqueadura?

    Sim, embora seja raro. Isso pode ocorrer por recanalização das tubas ou se a técnica não tiver sido bem executada. A taxa de falha é estimada em menos de 1%.

    5. Quem pode fazer laqueadura no Brasil hoje?

    Desde 2023, mulheres com 21 anos ou mais, ou aquelas que têm pelo menos dois filhos vivos, podem solicitar a cirurgia. Não é mais necessário o consentimento do cônjuge, mas a paciente deve assinar um termo de consentimento reconhecendo que se trata de um método definitivo.

    6. A laqueadura pode ser feita junto com o parto?

    Sim, mas a paciente deve manifestar sua vontade com pelo menos 60 dias de antecedência da data provável do parto. Essa exigência existe para garantir reflexão e segurança na decisão.

    7. Existem alternativas à laqueadura?

    Sim. Métodos reversíveis e de longa duração, como DIU (cobre ou hormonal), implantes subcutâneos e anticoncepcionais injetáveis ou orais, podem ser opções eficazes e permitem reconsiderar a decisão sobre ter filhos no futuro.

    Veja mais: Métodos contraceptivos: existe um mais eficaz? Saiba os riscos de falha em cada opção

  • Espirometria: para que serve esse exame dos pulmões 

    Espirometria: para que serve esse exame dos pulmões 

    A espirometria é um exame simples, rápido e importante para avaliar como os pulmões estão funcionando. Ele mede o volume de ar que entra e sai dos pulmões e a velocidade dessa respiração e ajuda o médico a entender se há alguma alteração na função respiratória.

    Por ser não invasivo e indolor, é considerado um dos principais testes para investigar e acompanhar doenças pulmonares, como asma, bronquite crônica e enfisema. Entenda mais.

    O que é a espirometria e para que serve

    A espirometria é um teste que registra a capacidade pulmonar e o fluxo de ar durante a respiração. Durante o exame, a pessoa sopra com força em um aparelho chamado espirômetro, que analisa a quantidade e a velocidade do ar.

    Com esses dados, o médico consegue avaliar se os pulmões estão funcionando dentro do esperado ou se há redução na capacidade respiratória.

    A espirometria é indicada para:

    • Ajudar no diagnóstico de doenças respiratórias (como asma, bronquite crônica e enfisema pulmonar);
    • Avaliar o grau de comprometimento dos pulmões em quem já tem uma doença respiratória;
    • Acompanhar o tratamento e verificar se ele está sendo eficaz;
    • Avaliar o risco pré-operatório antes de cirurgias;
    • Fazer parte de exames ocupacionais, especialmente em profissões com exposição a poeira, gases ou produtos químicos.

    Como o exame de espirometria é feito

    Antes do exame, a pessoa deverá responder a um questionário sobre sintomas e histórico de saúde, o que ajuda na interpretação dos resultados.

    Durante o teste:

    • O paciente geralmente fica sentado, usando um bocal conectado ao espirômetro e um clipe no nariz, para evitar a saída de ar.
    • Ele respira normalmente no início e, depois, realiza inspirações e expirações profundas e rápidas, conforme orientação do profissional.
    • O exame depende da colaboração do paciente, que deve seguir as instruções à risca para que o resultado seja confiável.
    • O procedimento dura poucos minutos e é feito sob supervisão de um técnico treinado.

    Espirometria com prova broncodilatadora

    Em muitos casos, o exame é realizado em duas etapas:

    • Antes do uso de medicamentos broncodilatadores;
    • Depois da inalação do medicamento, com um intervalo para que ele faça efeito.

    Essa comparação ajuda o médico a identificar se há melhora na função pulmonar após o uso do remédio, o que é importante no diagnóstico de doenças como asma e DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica).

    Cuidados e limitações do exame

    A espirometria é segura e bem tolerada, mas pode ser difícil para pessoas que não conseguem colaborar com o teste, como crianças pequenas ou pacientes com problemas cognitivos.

    O exame é contraindicado em algumas situações específicas, como:

    • Infarto do miocárdio recente (até uma semana);
    • Síncope (desmaio) relacionada à expiração forçada;
    • Hipertensão pulmonar não controlada;
    • Cirurgia ocular, cerebral ou torácica recente;
    • Infecções respiratórias em fase transmissível;
    • Cirurgias abdominais recentes, por aumento da pressão dentro do tórax e abdômen.

    Essas condições elevam o risco de complicações e devem ser informadas ao médico antes do exame.

    Resultados da espirometria

    Após o exame, os resultados são analisados por um especialista, geralmente um pneumologista, que interpreta os gráficos e índices obtidos pelo espirômetro.

    Os principais parâmetros avaliados são:

    • CVF (Capacidade Vital Forçada): volume total de ar expirado após uma inspiração profunda;
    • VEF1 (Volume Expiratório Forçado no 1º segundo): quantidade de ar eliminada no primeiro segundo de expiração;
    • Relação VEF1/CVF: ajuda a identificar obstruções nas vias aéreas.

    Essas medidas permitem distinguir se há alteração obstrutiva (como na asma e DPOC) ou restritiva (como em fibrose pulmonar). Os resultados devem sempre ser interpretados pelo médico que solicitou o exame, junto com o histórico clínico e outros testes complementares.

    Leia mais: Asma alérgica: o que é, sintomas, tratamentos e remédios

    Perguntas frequentes sobre espirometria

    1. O que é espirometria?

    É um exame que mede o volume e o fluxo de ar que entra e sai dos pulmões, ajudando a avaliar sua função.

    2. Para que serve o exame de espirometria?

    Serve para diagnosticar e acompanhar doenças respiratórias, como asma, bronquite e enfisema.

    3. A espirometria dói?

    Não. É um exame simples e indolor, que exige apenas esforço respiratório.

    4. É preciso algum preparo antes do exame?

    Evite fumar, praticar exercícios intensos ou usar broncodilatadores antes do exame, a menos que o médico autorize.

    5. Quanto tempo dura o exame?

    Em média, de 15 a 30 minutos, dependendo da colaboração do paciente e da necessidade de fazer a prova broncodilatadora.

    6. Crianças podem fazer espirometria?

    Sim, desde que consigam seguir as orientações do técnico. O exame é seguro, mas pode ser difícil para os menores de 5 anos.

    7. Quem não pode fazer espirometria?

    Pessoas que tiveram infarto, cirurgias recentes ou estão com infecções respiratórias transmissíveis devem evitar o exame até liberação médica.

    Veja também: Câncer: quais os principais fatores de risco?

  • Dormir mal prejudica a saúde do coração? Conheça os riscos

    Dormir mal prejudica a saúde do coração? Conheça os riscos

    Você já deve saber que a qualidade do sono é um dos principais pilares para manter o corpo funcionando — e que uma noite mal dormida não provoca só olheiras e mau humor.

    Na verdade, quando o sono é interrompido ou insuficiente com frequência, o corpo entra num modo de alerta constante, liberando hormônios como o cortisol e a adrenalina, que podem prejudicar o sistema cardiovascular e aumentar o risco de problemas cardíacos, como pressão alta e até infarto.

    Mas afinal, quantas horas devemos dormir por dia? Conversamos com uma especialista para esclarecer as principais dúvidas.

    Por que o sono é tão importante para a saúde do coração?

    A maior parte da regulação metabólica do organismo acontece durante o sono. Nesse período, o corpo entra em um estado de recuperação que permite que o coração e os vasos sanguíneos descansem e se regenerem. A atividade do sistema nervoso simpático diminui e o parassimpático assume, sendo ele responsável por manter o corpo em estado de repouso e recuperação.

    Como resultado, há uma redução natural da pressão arterial, os batimentos cardíacos ficam mais lentos e o sistema cardiovascular trabalha com menor esforço — o que é importante para evitar sobrecarga ao longo do tempo.

    Quando o sono não é de qualidade, o corpo não completa os ciclos de recuperação e ocorre uma desregulação entre os sistemas simpático e parassimpático. Assim, acontece a liberação constante de hormônios relacionados ao estresse, como adrenalina e cortisol, que mantêm a pressão arterial elevada e aumentam a carga de trabalho do coração. Com o tempo, isso favorece o desenvolvimento de hipertensão, arritmias e outras complicações cardiovasculares.

    Vale lembrar que o sono irregular não se limita apenas à redução de horas dormidas. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, ele envolve um padrão inconsistente, que engloba tanto alterações na duração quanto nos horários de dormir e acordar — além das interrupções noturnas.

    Riscos do sono irregular para a saúde do coração

    Mesmo quando a quantidade total de sono parece suficiente, dormir em horários irregulares ou ter um sono fragmentado prejudica o sistema cardiovascular. O corpo depende de um ritmo constante de descanso para manter o equilíbrio hormonal e metabólico, e quando esse padrão é rompido, aumenta o risco de problemas como:

    • Aterosclerose: a irregularidade do sono está ligada ao acúmulo de placas de gordura nas artérias, processo conhecido como aterosclerose, de acordo com Juliana. As placas dificultam a passagem do sangue e aumentam o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC);
    • Alteração dos hormônios do estresse: a privação crônica de sono, seja pela má qualidade ou pela quantidade insuficiente, eleva os níveis de cortisol e adrenalina, hormônios que aumentam a pressão arterial e forçam o coração a trabalhar com mais intensidade. O esforço constante provoca desgaste dos vasos sanguíneos e favorece a hipertensão;
    • Inflamação e estresse contínuos: um sono ruim, curto, interrompido ou com horários desordenados impede que o corpo entre em seu estado de recuperação natural. Com isso, a pressão arterial não diminui durante a noite e há aumento de substâncias inflamatórias, como as citocinas, que danificam as artérias;
    • Impacto metabólico e hormonal: a falta de sono interfere na regulação da insulina e dos hormônios ligados à saciedade, o que pode levar ao ganho de peso, à obesidade e ao desenvolvimento de diabetes tipo 2. Os fatores, em conjunto, ampliam significativamente o risco de doenças cardiovasculares.

    Os riscos são ainda maiores para pessoas que trabalham em turnos, de acordo com Juliana. Isso porque o corpo humano é regulado por um relógio biológico natural, conhecido como ciclo circadiano, que controla funções como o sono e a liberação hormonal. A melatonina, hormônio do sono, é produzida à noite, enquanto o cortisol, hormônio do estresse, tem pico pela manhã.

    Quando uma pessoa dorme em horários contrários ao ciclo biológico, ocorre um desequilíbrio nesses hormônios, comprometendo a pressão arterial, a glicemia e o metabolismo. A cardiologista complementa que o desequilíbrio favorece o surgimento de diabetes, obesidade, arritmias, hipertensão e aumenta o risco de infarto e AVC.

    Quantas horas dormir por dia?

    Cada pessoa possui um relógio biológico próprio e necessita de uma quantidade de sono específica. A liberação hormonal ocorre de acordo com o ritmo circadiano individual, que determina os períodos naturais de vigília e descanso do organismo.

    Mas, de forma geral, a National Sleep Foundation (Fundação Nacional do Sono), dos Estados Unidos, elaborou uma tabela com os períodos médios de sono recomendados para cada faixa etária:

    • Recém-nascidos: de 0 a 3 meses, 14 a 17 horas por dia (inclui cochilos). De 4 a 11 meses, 12 a 15 horas por dia;
    • Crianças pequenas: entre 1 e 2 anos, 11 a 14 horas por dia (sono noturno + cochilos);
    • Crianças: pré-escolar (3 a 5 anos): 10 a 13 horas/dia; escolar (6 a 13 anos): 9 a 11 horas/noite;
    • Adolescentes: 14 a 17 anos: 8 a 10 horas/noite;
    • Adultos: 18 a 64 anos: 7 a 9 horas/noite; a partir de 65 anos: 7 a 8 horas/noite.

    Além da duração, Juliana ressalta que a regularidade dos horários de dormir e acordar também é importante, pois ajuda a manter o equilíbrio hormonal e o bom funcionamento do sistema cardíaco.

    O sono, mesmo que não seja muito longo, precisa ser restaurador, isto é, deve permitir que o corpo complete seus ciclos naturais de descanso. Uma pessoa com sono de qualidade acorda sentindo-se disposta, com a mente alerta e o corpo relaxado, e não deve sentir sonolência excessiva durante o dia.

    Como saber se dormir mal está prejudicando a saúde?

    Diversos sinais podem indicar que o sono insuficiente ou irregular está impactando o organismo, e Juliana aponta os principais:

    • Acordar com sensação de cansaço;
    • Sonolência excessiva durante o dia;
    • Dificuldade de concentração;
    • Lapsos de memória;
    • Irritabilidade;
    • Ronco alto ou pausas na respiração durante o sono;
    • Dores de cabeça ao despertar;
    • Aumento da pressão arterial.

    Se os sintomas persistirem, é recomendado procurar um médico, pois além de prejudicar a qualidade de vida, o sono de má qualidade pode comprometer seriamente a saúde do coração.

    Confira: Higiene do sono: guia prático para dormir melhor e cuidar da saúde

    Perguntas frequentes

    1. Roncar é sempre sinal de problema cardíaco?

    Nem sempre, mas o ronco pode indicar apneia do sono, especialmente quando é alto e acompanhado de pausas na respiração. A apneia interfere na oxigenação e mantém o corpo em alerta durante a noite, o que impede o descanso adequado do coração e dos vasos sanguíneos.

    Quando o oxigênio no sangue cai repetidamente, o sistema nervoso reage liberando adrenalina e aumentando a pressão arterial. O processo se repete várias vezes ao longo da noite, sobrecarregando o coração e elevando o risco de hipertensão, arritmias, infarto e AVC.

    Por isso, o ronco persistente, principalmente se vier acompanhado de sonolência diurna, cansaço excessivo, dores de cabeça ao acordar ou pausas observadas na respiração, deve ser avaliado por um médico.

    2. O que é considerado um sono de qualidade?

    Um sono de qualidade deve ser contínuo (sem interrupções), profundo e restaurador. A pessoa acorda com sensação de descanso, sem sonolência excessiva durante o dia.

    No sono adequado, o corpo completa todas as fases, incluindo o sono profundo e o REM, que são fundamentais para o equilíbrio hormonal, a recuperação muscular e o funcionamento cardiovascular.

    3. O que é o ciclo circadiano?

    O ciclo circadiano é o relógio interno que regula o sono, a temperatura corporal, a liberação de hormônios e o metabolismo — e ele se ajusta à luz e à escuridão do ambiente. Quando existe um desajuste, como em quem trabalha à noite ou dorme em horários variados, o corpo perde o ritmo natural e os hormônios do sono e do estresse se desregulam, prejudicando o coração.

    4. Como o sono ruim afeta o metabolismo?

    A falta de sono reduz a sensibilidade à insulina e eleva a glicose no sangue, o que facilita o ganho de peso e aumenta o risco de diabetes. O metabolismo de gorduras também sofre alterações significativas, com aumento do colesterol ruim (LDL) e redução do colesterol bom (HDL). Esse desequilíbrio favorece o acúmulo de gordura nas artérias e eleva o risco de aterosclerose.

    Com o tempo, o corpo passa a responder de forma menos eficiente aos processos metabólicos, o que impacta diretamente a saúde do coração e o controle da pressão arterial.

    5. Praticar exercícios físicos ajuda a dormir melhor?

    Com certeza! A prática regular de atividade física ajuda a regular o sono, melhora a circulação, reduz o estresse e controla o peso corporal. Exercícios aeróbicos, como caminhada, natação e ciclismo, por exemplo, estimulam a liberação de endorfina e serotonina, que ajudam o corpo a relaxar.

    Porém, é importante evitar treinos intensos nas horas próximas de dormir, pois eles podem manter o corpo em estado de alerta e dificultar o sono.

    6. Como tratar a insônia?

    O tratamento da insônia depende da causa, mas normalmente envolve mudanças de comportamento e hábitos de sono. O primeiro passo é a higiene do sono, que consiste em manter horários regulares para dormir e acordar, evitar cafeína e bebidas alcoólicas à noite, desligar telas antes de deitar e criar um ambiente escuro e silencioso no quarto.

    Quando as medidas não são suficientes, o médico pode indicar terapia cognitivo-comportamental, que ajuda a controlar pensamentos e comportamentos que atrapalham a pessoa de dormir bem.

    Em casos específicos, podem ser usados medicamentos para indução do sono por um período curto, sempre com prescrição médica.

    Leia mais: Insônia na menopausa: 4 medidas para melhorar o sono

  • Qual a diferença entre mamografia e ultrassom das mamas?

    Qual a diferença entre mamografia e ultrassom das mamas?

    O câncer de mama é o tipo de tumor mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois apenas do câncer de pele não melanoma. Por esse motivo, a partir de uma determinada idade, é recomendado manter uma rotina de exames de rastreamento, uma vez que o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de um tratamento eficaz e de cura.

    Entre os exames de imagem disponíveis, os mais conhecidos são mamografia e ultrassom das mamas, cada um com suas indicações e limitações específicas. Para entender as diferenças entre eles e quando é necessário realizar cada um, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    O que é mamografia e para que serve?

    A mamografia é um exame de imagem realizado por meio de raios-X de baixa dose, capaz de identificar alterações muito pequenas na mama, mesmo antes de serem palpáveis, como nódulos, cistos, microcalcificações e alterações nos tecidos mamários.

    De acordo com Andreia Sapienza, a mamografia é considerada o padrão-ouro para o rastreamento do câncer de mama, pois é o único exame que comprovadamente reduz a mortalidade da doença em estudos de longo prazo.

    Isso significa que, quando realizada de forma regular, a mamografia aumenta as chances de detectar tumores em estágios iniciais, quando o tratamento costuma ser mais eficaz e menos agressivo.

    Como a mamografia é feita?

    Durante a mamografia, o aparelho faz imagens das mamas usando raio-X. Para isso, cada mama é colocada no equipamento e levemente pressionada por alguns segundos, o que ajuda a deixar o tecido mais visível. A etapa pode ser um pouco incômoda e dolorosa, mas dura poucos minutos.

    Todo o processo costuma durar de 10 a 15 minutos. Depois, as imagens são avaliadas pelo médico radiologista, que verifica se existe alguma alteração nas mamas que precise de investigação. Quando há suspeita, pode ser indicada uma biópsia para confirmar o diagnóstico.

    O que é o ultrassom das mamas e quando ele é indicado?

    O ultrassom das mamas é um exame que utiliza ondas sonoras (sem radiação) para produzir imagens internas da mama. Ele é totalmente indolor e pode ser feito em qualquer idade.

    De acordo com Andreia Sapienza, o ultrassom é mais útil em mulheres jovens, que possuem mamas densas — ou seja, com mais tecido glandular e menos gordura. Nessas situações, a mamografia pode ter limitações na visualização de algumas áreas, e o ultrassom ajuda a complementar o diagnóstico.

    Além disso, o ultrassom é indicado para:

    • Investigar nódulos palpáveis que não aparecem na mamografia;
    • Avaliar cistos e diferenciar se uma alteração é sólida ou líquida;
    • Complementar o rastreamento em casos de mamas densas;
    • Acompanhar próteses mamárias.

    No entanto, é importante destacar: o ultrassom não substitui a mamografia.

    Como a ultrassom das mamas é feita?

    A ultrassonografia das mamas é um exame rápido e indolor. A mulher deita em uma maca, normalmente de barriga para cima e com os braços apoiados atrás da cabeça, para facilitar o acesso às mamas.

    Depois, o médico aplica um gel transparente sobre a pele, que ajuda na transmissão das ondas de som. Com um aparelho chamado transdutor, ele desliza sobre a mama e também sobre a região das axilas, gerando imagens em tempo real em uma tela.

    O exame dura em média de 10 a 20 minutos e não envolve radiação, sendo considerado totalmente seguro para qualquer mulher.

    Mamografia x ultrassom das mamas: quais as principais diferenças?

    Característica Mamografia Ultrassom das mamas
    Tipo de imagem Raios-X (baixa dose) Ondas sonoras de alta frequência (sem radiação)
    Indicação Mulheres a partir dos 40 anos (rastreamento anual ou bienal) Mulheres jovens (abaixo de 40) e complemento em mamas densas
    O que detecta Microcalcificações, muitas vezes primeiro sinal de câncer inicial Natureza de nódulos: sólido (potencialmente maligno) ou cístico (geralmente benigno)
    Função principal Rastreamento (detecção precoce em assintomáticas). Único exame com redução comprovada de mortalidade Diagnóstico complementar e avaliação de nódulos/cistos. Rastreamento auxiliar em mamas densas

    De acordo com Andreia Sapienza, a melhor estratégia é a associação dos dois exames, especialmente em mulheres com mamas densas. A mamografia atua no rastreamento, e o ultrassom complementa em casos de achados duvidosos.

    A partir de que idade devo começar a fazer mamografia?

    A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda a realização de mamografia anual a partir dos 40 anos de idade. Já o Ministério da Saúde, por meio do SUS, atualizou recentemente seus protocolos e definiu faixas etárias com orientações diferentes:

    • 40 a 49 anos: acesso garantido ao exame, mas sem rastreamento populacional obrigatório. Nessa faixa, a mamografia é feita “sob demanda”, quando há vontade da paciente e indicação médica;
    • 50 a 74 anos: rastreamento populacional bienal, a cada dois anos, mesmo sem sinais ou sintomas;
    • Acima de 74 anos: decisão individualizada, considerando comorbidades e expectativa de vida.

    Antes da mudança, o protocolo oficial do SUS previa mamografia apenas entre 50 e 69 anos, também a cada dois anos, o que deixava de fora mulheres mais jovens que poderiam se beneficiar do rastreamento antecipado.

    Além disso, de acordo com Andreia, mulheres com histórico familiar de câncer de mama em parentes de primeiro grau, como mãe ou irmã, devem iniciar a mamografia 10 anos antes da idade em que a doença foi diagnosticada no familiar.

    De acordo com o Ministério da Saúde, 22,6% dos casos de câncer de mama ocorrem em mulheres entre 40 e 49 anos.

    A radiação da mamografia é perigosa?

    Segundo Andreia, a dose utilizada na mamografia é mínima e não representa risco para as pacientes. O cuidado maior é para os profissionais de saúde, que lidam diariamente com a radiação e, por isso, utilizam aventais de chumbo e protocolos de proteção.

    E a ressonância magnética das mamas, é recomendada?

    A ressonância magnética das mamas é um exame de imagem avançado, que utiliza um campo magnético e ondas de rádio para gerar imagens detalhadas do tecido mamário. Diferente da mamografia, ela não envolve radiação, e, ao contrário do ultrassom, consegue mostrar com mais precisão a vascularização e as características internas de possíveis lesões.

    Por ser mais caro e exigir preparo específico (como o uso de contraste endovenoso), a ressonância não é indicada como exame de rotina para todas as mulheres. Ela tem papel importante em situações muito específicas, como:

    • Mulheres com alto risco genético;
    • Avaliação de próteses;
    • Esclarecimento de achados inconclusivos em outros exames.

    No entanto, como explica Andreia, a ressonância não substitui a mamografia, pois não há evidências de que reduza a mortalidade. Ela deve ser indicada apenas em casos selecionados.

    Veja também: Ozempic e similares podem reduzir risco de câncer ligado à obesidade?

    Perguntas frequentes

    1. Qual exame é mais confiável para detectar o câncer de mama?

    O exame mais confiável para detectar o câncer de mama é a mamografia, porque é o único que mostrou, em estudos de longo prazo, a capacidade de reduzir a mortalidade pela doença. Ela consegue identificar alterações muito pequenas, como microcalcificações, que podem ser sinais iniciais de câncer ainda invisíveis ao toque ou a outros exames.

    2. A mamografia dói?

    A mamografia pode causar desconforto porque a mama precisa ser comprimida durante alguns segundos para que a imagem seja captada com clareza. A compressão é necessária para achatar o tecido mamário e permitir a detecção de pequenas alterações.

    Algumas mulheres relatam dor, mas na maioria das vezes é apenas de um incômodo rápido. O desconforto pode ser maior em quem tem mamas mais sensíveis, especialmente no período pré-menstrual, mas não há nenhum risco associado ao procedimento.

    3. Grávidas e lactantes podem fazer mamografia?

    Durante a gestação, a mamografia não é recomendada por envolver radiação, mesmo em doses muito baixas. Nessa fase, quando há necessidade de investigar alguma alteração, o ultrassom é o exame mais seguro e utilizado pelos médicos.

    No caso das mulheres que estão amamentando, a mamografia pode ser realizada se houver indicação médica, sem oferecer riscos para a mãe ou para o bebê e sem necessidade de interromper a amamentação. No entanto, a interpretação das imagens pode ser dificultada devido ao aumento da densidade mamária.

    Por isso, em algumas situações, o médico pode optar também pelo ultrassom das mamas como exame complementar.

    4. Qual é a frequência ideal para repetir a mamografia?

    A frequência depende da idade e do protocolo seguido. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda o exame anual a partir dos 40 anos. O Ministério da Saúde, por meio do SUS, recomenda a cada dois anos entre 50 e 74 anos.

    Mulheres de 40 a 49 anos podem fazer sob demanda, quando há indicação médica. Já mulheres com risco aumentado, por histórico familiar ou fatores genéticos, podem precisar de intervalos menores, sempre definidos pelo médico.

    Veja também: Câncer de mama: o que é, sintomas, causa e como identificar

  • Câncer: quais os principais fatores de risco?

    Câncer: quais os principais fatores de risco?

    O câncer é uma das principais causas de morte em todo o mundo: a cada ano 8,2 milhões de pessoas morrem devido à doença. Ela é resultado de uma combinação de fatores internos, como predisposição genética, condições imunológicas e alterações hormonais, e de fatores externos, como poluição, tabagismo, radiação e exposição a agentes infecciosos.

    Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80% dos casos de câncer estão associados a fatores externos. Isso significa que, em grande parte, a doença está ligada a comportamentos e exposições ambientais que podem ser evitados ou controlados.

    Mas o que é um fator de risco?

    Um fator de risco é qualquer característica, exposição ou hábito que aumenta a chance de uma pessoa saudável desenvolver uma doença. Eles podem ser ambientais, hereditários ou comportamentais.

    Vale lembrar que um mesmo fator pode aumentar o risco de várias doenças ao mesmo tempo. O tabagismo e a obesidade, por exemplo, estão relacionados não apenas ao câncer, mas também a doenças cardiovasculares e respiratórias.

    Além disso, nem sempre a exposição a um fator de risco resulta em câncer imediato. Muitas vezes, os efeitos só aparecem após anos de exposição contínua, como no caso do tabaco, da radiação solar ou da poluição.

    Quais os fatores de risco do câncer?

    Poluição e exposição ambiental

    A poluição atmosférica é um dos maiores problemas da saúde pública no Brasil. Ela contém uma série de substâncias cancerígenas, como material particulado fino, óxidos de nitrogênio e compostos voláteis.

    Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) publicado na revista Environmental Research, por exemplo, apontou que uma hora de trânsito em São Paulo equivale a fumar cinco cigarros.

    Além da poluição do ar, a exposição constante a fumaça, vapores e gases tóxicos pode causar irritação nas vias respiratórias, reduzir a capacidade pulmonar e aumentar as chances de desenvolver câncer de pulmão.

    Então, mesmo pessoas que nunca fumaram, mas trabalham em ambientes de trabalho com presença de produtos químicos, poeiras industriais, metais pesados ou solventes, estão vulneráveis a danos respiratórios significativos ao longo do tempo.

    Alimentação não saudável

    De acordo com pesquisas, 60% a 70% dos casos de câncer estão diretamente relacionados ao estilo de vida — incluindo uma alimentação inadequada. O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, que são ricos em açúcares, gorduras, aditivos químicos e conservantes, favorece o aumento da inflamação no organismo e o risco de mutações celulares.

    Isso porque eles passam por processos industriais que modificam suas propriedades naturais, liberando substâncias nocivas que podem comprometer a saúde intestinal e favorecer o aparecimento de tumores.

    O oncologista Thiago Chadid também destaca a dieta pobre em fibras como fator de risco, uma vez que as fibras alimentam a microbiota intestinal, que, equilibrada, atua como fator protetivo contra neoplasias. Para adultos saudáveis, a recomendação é consumir de 25 g a 30 g de fibras por dia — o equivalente a, no mínimo, cinco porções de frutas e vegetais.

    Fatores genéticos

    A herança genética é responsável por apenas 5% a 10% de todos os casos de câncer, de acordo com o Ministério da Saúde. No entanto, quando mutações genéticas específicas estão presentes em uma família, o risco pode ser muito elevado.

    As alterações podem comprometer os mecanismos naturais de reparo do DNA ou dificultar a detecção precoce de células tumorais, permitindo que mutações evoluam para câncer.

    Normalmente, casos de câncer hereditário apresentam histórico familiar de diagnósticos em diferentes gerações. Hoje, existem testes genéticos que permitem identificar mutações associadas, como os genes BRCA1 e BRCA2 no câncer de mama e ovário.

    Radiação

    A radiação faz parte do dia a dia e pode ter efeitos diferentes no corpo, dependendo do tipo e da intensidade da exposição.

    As radiações ionizantes, como os raios X e a radioatividade, são as que merecem maior atenção. Elas possuem energia suficiente para alterar o DNA das células, o que, segundo o Ministério da Saúde, eleva o risco de desenvolver câncer.

    Por outro lado, as radiações não ionizantes (como a solar) não têm a mesma capacidade de alterar os átomos – mas podem causar danos a longo prazo quando em excesso. A exposição prolongada ao sol, por exemplo, é o principal fator de risco para o câncer de pele, o tipo de câncer mais comum no Brasil e no mundo, representando cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país.

    Contaminação ambiental

    Quando ocorre uma contaminação ambiental, o ar, a água, o solo ou até os alimentos podem ser afetados por substâncias tóxicas, como metais pesados, agrotóxicos, resíduos industriais, esgoto ou radiação. Ao serem inaladas, elas podem causar danos e alterações genéticas nas células dos pulmões, facilitando o surgimento do câncer de pulmão.

    O oncologista Thiago Chadid relembrou um caso que ocorreu em Paulínia, em São Paulo, após vazamentos de refinaria, que resultaram em contaminação do solo e da água. Os moradores da região apresentaram aumento de casos de câncer hematológico e de tumores sólidos.

    Nesses casos, a exposição a poluentes ambientais é difícil de medir e muitas vezes só é detectada após anos de convivência em áreas afetadas.

    Obesidade

    De acordo com o Ministério da Saúde, o sobrepeso, obesidade e ganho de peso na fase adulta estão associados a diversos tipos de câncer, incluindo mama, próstata, rim, intestino e ovário.

    O excesso de gordura corporal provoca resistência à insulina, inflamação crônica, alteração na produção hormonal e outros processos que favorecem mutações celulares. Ele também compromete a resposta imunológica, diminuindo a capacidade do corpo de identificar e eliminar células tumorais.

    Álcool

    O álcool é classificado como uma substância cancerígena pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC). O risco de desenvolver a doença aumenta conforme cresce o consumo — e não existe uma dose considerada segura. Ele está associado a diferentes tipos de câncer, como os de boca, faringe, esôfago, estômago, intestino, fígado e pulmão.

    Isso acontece porque o etanol, presente em todas as bebidas alcoólicas, é transformado no corpo em uma substância chamada acetaldeído, que é altamente tóxica e cancerígena. Ela ataca diretamente o DNA das células, causando danos e mutações que podem levar ao crescimento descontrolado de um tumor. Inclusive, Thiago ressalta que mesmo beber “socialmente” pode ser prejudicial.

    Agrotóxicos

    Os agrotóxicos são substâncias químicas, físicas ou biológicas usadas para controlar pragas, doenças e plantas daninhas em lavouras, pastagens e outros ecossistemas. Apesar do uso regulado por lei no Brasil, estudos científicos apontam que a exposição está associada a diversos tipos de câncer, como leucemia, linfoma não-Hodgkin, câncer de cérebro, de mama, de próstata e digestivo.

    De acordo com Thiago, o risco depende especialmente do tipo de substância, da forma de contato e até da fruta consumida. Frutas de casca fina, como morangos, tendem a acumular mais resíduos, enquanto as de casca grossa apresentam menor risco, por exemplo.

    Sedentarismo

    O sedentarismo favorece a obesidade, reduz a imunidade e aumenta processos inflamatórios no organismo, sendo um dos maiores fatores de risco para o desenvolvimento de câncer.

    Desse modo, é indispensável limitar hábitos sedentários, como assistir à televisão e usar por muito tempo o celular, e adotar mais atividades físicas no dia a dia. Elas ajudam a equilibrar os hormônios, fortalecer a imunidade, melhorar o funcionamento do intestino e controlar o peso.

    A recomendação geral é de pelo menos 30 minutos de exercício moderado por dia, mas mesmo em menor tempo já traz benefícios para a saúde e para a prevenção do câncer. O mais importante é se manter ativo, escolhendo uma atividade que você goste de praticar.

    Tabagismo

    O tabagismo é a principal causa evitável de câncer no mundo. Ele está ligado a mais de 15 tipos de câncer, incluindo pulmão, boca, esôfago, estômago e bexiga.

    A fumaça do cigarro contém mais de 7 mil substâncias tóxicas, muitas delas comprovadamente cancerígenas. O tabagismo passivo também representa risco, já que não fumantes expostos à fumaça inalam as mesmas toxinas.

    Infecções

    Alguns vírus e bactérias estão diretamente associados ao câncer, como é o caso do Papilomavírus Humano (HPV), responsável por até 70% dos casos de câncer do colo do útero. Além dele, outros agentes infecciosos também representam riscos, como os vírus da hepatite B e C, associados ao câncer de fígado, e a bactéria Helicobacter pylori, ligada ao câncer de estômago.

    Nesses casos, a vacinação contra HPV e hepatite, que está disponível gratuitamente no SUS, é a medida mais eficaz de prevenção. Manter exames de rotina também é fundamental para detectar lesões precocemente.

    É possível prevenir o câncer?

    Nem todos os casos de câncer podem ser evitados, mas cerca de 60% a 70% poderiam ser prevenidos com mudanças de hábitos. Isso implica não fumar, manter o peso corporal adequado, praticar atividades físicas, ter uma alimentação equilibrada e rica em frutas e vegetais, evitar o consumo de álcool e proteger-se da exposição solar.

    Ah, e também é fundamental realizar exames de rastreamento, como mamografia, papanicolau e colonoscopia, que aumentam as chances de diagnóstico precoce. Detectar a doença em estágios iniciais contribui para um tratamento mais eficaz e aumenta as chances de cura.

    Veja mais: Exames de rotina para prevenir câncer: conheça os principais

    Perguntas frequentes

    1. Se meus pais tiverem câncer, eu também terei?

    Não necessariamente, pois apenas 5% a 10% dos casos de câncer estão ligados a fatores genéticos herdados. Isso significa que ter histórico familiar aumenta o risco, mas não garante que a doença vai se manifestar.

    Muitas vezes, hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada, exercícios físicos regulares e abandono do tabagismo, podem neutralizar parte da predisposição. Testes genéticos também podem identificar mutações específicas e auxiliar na prevenção personalizada.

    2. Radiação de exames médicos aumenta o risco de câncer?

    Exames como radiografias e tomografias utilizam radiação ionizante em doses muito baixas, geralmente seguras quando feitas sob indicação médica. No entanto, a exposição excessiva e repetida pode acumular riscos. Por isso, médicos avaliam a real necessidade de cada exame antes de solicitar.

    3. Existe uma quantidade segura de álcool para consumo?

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde, não existe dose segura de álcool. Mesmo pequenas quantidades aumentam o risco de câncer, em especial de boca, garganta, esôfago, fígado e intestino.

    O consumo combinado com tabaco potencializa ainda mais os efeitos cancerígenos. Portanto, a recomendação mais segura é reduzir ao máximo ou evitar completamente o consumo de bebidas alcoólicas.

    4. O estresse pode causar câncer?

    O estresse em si não é considerado um fator de risco direto para o câncer. No entanto, o estresse crônico pode enfraquecer o sistema imunológico, aumentar a inflamação no organismo e induzir comportamentos de risco, como má alimentação, tabagismo, abuso de álcool e sedentarismo, que, por sua vez, aumentam a probabilidade da doença.

    Portanto, ainda que indiretamente, o estresse pode contribuir para um ambiente mais favorável ao surgimento da doença.

    5. O câncer é contagioso?

    Não, o câncer não é uma doença transmissível de uma pessoa para outra. O que pode ser transmitido são os vírus e bactérias que aumentam o risco da doença, como o HPV e o vírus da hepatite. Por isso, vacinas e cuidados com a saúde sexual são medidas importantes de prevenção. Mas o tumor em si, as células cancerígenas, não são contagiosas em nenhuma circunstância.

    6. O bronzeamento artificial em câmaras aumenta o risco de câncer?

    Com certeza! As câmaras de bronzeamento artificial emitem radiação ultravioleta em níveis muito superiores aos encontrados no sol, de modo que a exposição intensa e concentrada danifica o DNA das células da pele, aumentando significativamente o risco de câncer de pele, especialmente o melanoma, que é a forma mais agressiva da doença.

    Por isso, a utilização, o fabrico e a comercialização de câmaras de bronzeamento artificial são proibidos no Brasil desde 2009 pela Anvisa.

    Veja também: Câncer ocupacional: o que é e quais as profissões de risco?

  • Suplemento alimentar: o que é, para que serve e quando tomar

    Suplemento alimentar: o que é, para que serve e quando tomar

    Indicados para complementar a alimentação e equilibrar o consumo de nutrientes, os suplementos alimentares fornecem vitaminas, minerais, proteínas e outras substâncias que nem sempre são ingeridas em quantidade suficiente na rotina.

    Com o uso correto e indicado por um profissional da saúde, eles podem melhorar a disposição, fortalecer a imunidade, apoiar o desempenho físico e até corrigir deficiências nutricionais.

    No entanto, são necessários alguns cuidados antes de começar qualquer suplementação — o que inclui entender quando ela realmente é necessária e como utilizá-la da forma mais segura.

    Afinal, o que é um suplemento alimentar?

    Um suplemento alimentar é um produto formulado para complementar a dieta e fornecer nutrientes que, por algum motivo, não estão sendo ingeridos em quantidade suficiente. Ele pode conter vitaminas, minerais, proteínas, fibras, aminoácidos, enzimas ou outras substâncias com valor nutricional.

    Os suplementos podem ser encontrados em várias formas, como cápsulas, comprimidos, pó, líquidos ou gomas — e são utilizados tanto por pessoas com carências nutricionais quanto por quem busca melhorar o desempenho físico, fortalecer a imunidade ou manter o equilíbrio do organismo.

    Apesar de úteis, os suplementos não substituem uma alimentação equilibrada, eles apenas complementam a dieta quando há uma necessidade comprovada. Somente um especialista pode indicar o uso, o tipo adequado e a dose segura.

    Para que serve?

    A principal função do suplemento alimentar é complementar a nutrição e ajudar o corpo a atingir suas necessidades diárias de nutrientes. Assim, ele pode ser utilizado para:

    Corrigir deficiências de vitaminas e minerais;

    Melhorar a recuperação muscular após exercícios;

    Apoiar o sistema imunológico;

    Aumentar a disposição e o foco;

    Ajudar na manutenção do peso corporal, quando associado a uma dieta balanceada.

    Em casos específicos, como gestação, lactação, envelhecimento ou dietas restritivas (como vegetarianismo ou veganismo), o uso de suplementos pode ser necessário para evitar carências nutricionais.

    Tipos de suplemento alimentar

    Os suplementos alimentares são divididos em categorias com base em sua composição e finalidade, sendo os principais:

    Suplementos vitamínicos e minerais: fornecem micronutrientes essenciais, como ferro, cálcio, magnésio, zinco e vitaminas do complexo B, C, D e E. São indicados para quem tem deficiências comprovadas ou dificuldade em manter uma dieta variada;

    Suplementos proteicos: são os mais conhecidos entre quem pratica atividades físicas. O whey protein, por exemplo, é uma fonte concentrada de proteína que ajuda na reconstrução e no crescimento muscular. Há também versões vegetais, como proteína de ervilha e arroz;

    Suplementos energéticos e de performance: contêm substâncias que aumentam a energia e melhoram o rendimento físico, como creatina, cafeína, BCAA e maltodextrina. Devem ser usados com cautela, já que o excesso pode causar efeitos indesejados, como taquicardia e insônia;

    Suplementos naturais e fitoterápicos: feitos com ingredientes de origem vegetal, como cúrcuma, gengibre, ginseng e maca peruana. Podem ajudar na imunidade, na disposição e no controle hormonal. Mesmo sendo naturais, também exigem acompanhamento profissional;

    Suplementos de fibras e probióticos: ajudam na digestão, no controle do colesterol e na saúde intestinal. Fibras solúveis, como a aveia e o psyllium, e probióticos com lactobacilos são exemplos bastante usados.

    Qual a diferença entre suplemento e medicamento?

    A diferença entre o suplemento e o medicamento está na forma como cada um age no organismo.

    O suplemento alimentar é usado para complementar a dieta e prevenir deficiências nutricionais. Ele atua de forma mais leve, sem objetivo de curar doenças;

    O medicamento, por outro lado, tem função terapêutica, sendo indicado para tratar, curar ou controlar doenças e condições de saúde, com composição e dosagem controladas.

    Outra diferença é que os medicamentos passam por testes clínicos rigorosos antes da comercialização, enquanto os suplementos seguem normas específicas da Anvisa, mas sem exigência de comprovação de eficácia terapêutica.

    Quando o suplemento alimentar é indicado?

    De acordo com a nutricionista Serena Del Favero, o uso de suplementos é indicado quando a alimentação sozinha não consegue suprir todas as necessidades nutricionais do corpo. Isso pode acontecer em várias situações, como:

    Deficiências nutricionais comprovadas por exames, como falta de vitamina B12, vitamina D ou ferro;

    Dietas restritivas, como vegetarianas ou veganas, que podem levar à carência de ferro e B12;

    Condições de saúde que comprometem a absorção de nutrientes, como a doença de Crohn e outros distúrbios intestinais;

    Gestação e amamentação, períodos em que o corpo exige mais nutrientes, como ácido fólico, ferro e cálcio;

    Atividade física intensa, quando há necessidade de repor proteínas, carboidratos e eletrólitos perdidos no treino;

    Idade avançada, fase em que o organismo absorve menos cálcio e vitamina D, aumentando o risco de osteoporose.

    “Nesses contextos, a suplementação ajuda a prevenir ou corrigir carências, sempre como complemento a uma alimentação equilibrada e sob orientação profissional”, explica a especialista.

    ⁠Como o nutricionista avalia a real necessidade de um suplemento?

    Na prática clínica, Serena explica que o nutricionista avalia a necessidade de suplementação de forma criteriosa, considerando sinais e sintomas clínicos, resultados de exames laboratoriais, hábitos alimentares e o contexto individual de cada paciente.

    “A prioridade é sempre ajustar a dieta para suprir as necessidades nutricionais, utilizando suplementos apenas como recurso complementar quando a alimentação, sozinha, não é suficiente”, esclarece.

    Crianças e idosos podem usar suplementos?

    Crianças e idosos podem usar suplementos, mas somente com indicação médica ou nutricional. Em crianças, a suplementação é indicada apenas quando há deficiências comprovadas por exames ou condições específicas que dificultam a absorção de nutrientes.

    Em muitos casos, uma alimentação variada e colorida já é suficiente para suprir o que o organismo precisa durante o crescimento.

    Nos idosos, o uso de suplementos é mais frequente, pois com o passar do tempo o corpo absorve menos nutrientes, especialmente cálcio, vitamina D, B12 e ferro. O apetite também tende a diminuir e certas doenças crônicas podem interferir na digestão e no aproveitamento dos alimentos.

    Mas, lembre-se: tanto em crianças quanto em idosos, o uso deve ser individualizado e sempre acompanhado por um profissional de saúde!

    Existe risco em usar suplemento sem orientação?

    O uso de suplementos sem orientação de um profissional de saúde, como médico ou nutricionista, pode ser arriscado. O uso excessivo de vitaminas e minerais, por exemplo, pode sobrecarregar o fígado e os rins, causar intoxicação e provocar desequilíbrios no organismo.

    “A ideia de que ‘quanto mais, melhor’ não se aplica à nutrição, pois o corpo precisa de um equilíbrio. Um consumo exagerado pode levar a quadros de toxicidade, que são tão prejudiciais quanto às deficiências”, diz a nutricionista.

    Além disso, certos suplementos podem interagir com medicamentos, reduzir o efeito de tratamentos em andamento ou até mascarar sintomas de doenças, dificultando o diagnóstico correto.

    Para completar, Serena aponta que muitos produtos no mercado não são regulamentados, o que aumenta o risco de contaminação com substâncias não declaradas. Por isso, a supervisão de um especialista é crucial para garantir a segurança e a eficácia da suplementação.

    Suplementos alimentares funcionam para emagrecer?

    Nenhum suplemento é responsável, por si só, pela perda de peso. Contudo, alguns podem ajudar como apoio dentro de um plano alimentar equilibrado, como termogênicos (como cafeína e chá-verde), fibras solúveis e proteínas em pó — normalmente indicados para essa finalidade.

    Os termogênicos aumentam levemente o gasto calórico, as fibras ajudam a prolongar a saciedade e as proteínas mantêm a massa magra durante o emagrecimento. No entanto, o efeito só aparece quando há déficit calórico, ou seja, quando a pessoa consome menos calorias do que gasta.

    Usar suplementos sem reeducação alimentar e acompanhamento profissional não traz resultados duradouros e pode ser perigoso para a saúde. Um emagrecimento saudável depende de alimentação equilibrada, atividade física regular e sono de qualidade.

    Suplementos não substituem uma alimentação saudável

    O mais importante é entender que o suplemento alimentar deve ser utilizado como um complemento, não um substituto. A alimentação continua sendo a principal fonte de energia, vitaminas e minerais que o corpo precisa para funcionar bem. Nenhum produto industrializado consegue reproduzir a complexidade e a combinação natural de nutrientes presentes em frutas, verduras, legumes, grãos e proteínas.

    O suplemento apenas é considerado quando a dieta não dá conta sozinha — por exemplo, em pessoas com deficiências nutricionais, restrições alimentares ou necessidades específicas, como atletas e gestantes. Mesmo nesses casos, ele deve ser usado com orientação profissional e sempre aliado a uma rotina alimentar equilibrada.

    Por isso, antes do uso de qualquer suplemento, marque uma consulta com um nutricionista ou médico para avaliar o real estado nutricional e identificar se há necessidade de suplementação.

    Veja também: O que acontece no corpo quando falta vitamina A

    Perguntas frequentes sobre suplemento alimentar

    1. Todo mundo precisa tomar suplemento alimentar?

    Não! A maioria das pessoas consegue suprir suas necessidades nutricionais apenas com uma alimentação equilibrada. O uso de suplemento é indicado apenas quando há carência de vitaminas, minerais ou proteínas comprovada por exames, ou quando a rotina alimentar e o estilo de vida dificultam o consumo adequado de nutrientes.

    2. Como saber se estou precisando de suplemento alimentar?

    O primeiro passo é realizar exames de sangue e passar por avaliação profissional. Só assim é possível identificar o que realmente está em falta no organismo e evitar o uso desnecessário de produtos.

    3. Quem faz academia precisa tomar whey protein obrigatoriamente?

    Não! O whey protein é uma forma prática de ingerir proteína, mas não é obrigatório para quem treina. Se a alimentação já oferece proteína suficiente (por exemplo, através de carnes, ovos, leguminosas e laticínios), o suplemento pode ser dispensável.

    Ele se torna útil apenas quando a rotina não permite refeições completas ou quando a necessidade proteica é alta, como em atletas ou pessoas em fase de ganho de massa muscular.

    4. Suplementos naturais são mais seguros?

    O fato de um suplemento ser natural não significa que ele esteja livre de riscos. Na verdade, os produtos fitoterápicos, como maca peruana, ginseng e cúrcuma, também podem causar reações adversas, principalmente se forem usados em excesso ou sem controle de qualidade.

    Além disso, suplementos vendidos pela internet podem conter substâncias não declaradas no rótulo. Por isso, sempre procure marcas confiáveis e consulte um profissional antes de iniciar o uso.

    5. Como saber se um suplemento é seguro e autorizado pela Anvisa?

    Todo suplemento regularizado no Brasil precisa ter o número de registro ou notificação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no rótulo. Ele também deve conter informações claras sobre composição, fabricante e dosagem recomendada.

    Produtos vendidos sem procedência, com promessas milagrosas de emagrecimento ou ganho de massa rápida, são grandes sinais de alerta. Por isso, sempre compre de marcas conhecidas e lojas confiáveis.

    6. Como ter uma alimentação saudável para obter todas as vitaminas e minerais sem precisar de suplemento?

    Na rotina alimentar, é importante variar os alimentos e priorizar o que vem da natureza. Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, a base da alimentação deve ser composta por comidas de verdade, ou seja, alimentos in natura ou minimamente processados — como frutas, verduras, legumes, cereais integrais, grãos, ovos, carnes, leite e feijões.

    Também é recomendado evitar ultraprocessados, refrigerantes e fast food, que possuem alto teor de sódio e gordura e quase nenhum valor nutricional. Comer bem todos os dias, beber água e ter horários regulares para as refeições é o meio mais eficaz para obter todos os nutrientes sem depender de suplementação.

    Se você possui dificuldade em manter uma alimentação equilibrada no dia a dia, vale buscar a ajuda de um nutricionista. O profissional pode montar um plano alimentar personalizado, levando em conta a sua rotina, preferências e necessidades individuais.

    Leia mais: Vitamina B12: o que é, para que serve e como identificar carência ou excesso

  • Cálcio: saiba o que esse mineral faz no seu corpo 

    Cálcio: saiba o que esse mineral faz no seu corpo 

    Quando se fala em cálcio, a maioria das pessoas pensa logo nos ossos, e com razão. Esse mineral é o principal componente estrutural do esqueleto humano. Mas o papel do cálcio vai além disso, pois ele é importante para contração muscular, transmissão de impulsos nervosos e coagulação do sangue.

    Dada a importância dele e o fato de não ser produzido naturalmente pelo organismo, o cálcio precisa ser obtido todos os dias pela alimentação, mas o equilíbrio é muito importante. Faltas ou excessos podem trazer consequências importantes para a saúde dos ossos e saúde metabólica.

    Por que o cálcio é essencial para o corpo

    O cálcio é responsável por fortalecer ossos e dentes, mas também está envolvido em diversas funções vitais. Veja abaixo algumas delas:

    Contração muscular: o cálcio permite que músculos, incluindo o coração, contraiam e relaxem de forma coordenada;

    Transmissão nervosa: atua como mensageiro nas sinapses entre os neurônios;

    Coagulação do sangue: ajuda a estancar sangramentos por ter ação na ativação das plaquetas;

    Equilíbrio hormonal: importante para a liberação de hormônios e enzimas envolvidos em várias reações metabólicas;

    Saúde cardiovascular: ajuda a manter a pressão arterial dentro dos níveis normais.

    Fontes de cálcio na alimentação

    O cálcio pode ser encontrado em diversos alimentos, tanto de origem animal quanto vegetal. As principais fontes são:

    Laticínios: leite, queijos e iogurtes são os mais conhecidos;

    Vegetais verde-escuros: brócolis, couve e espinafre;

    Peixes: sardinha e salmão enlatado;

    Leguminosas: feijão, grão-de-bico e soja;

    Oleaginosas e sementes: amêndoas, chia e gergelim;

    A absorção do cálcio pode ser influenciada por outros nutrientes. A vitamina D, por exemplo, é essencial para que o corpo consiga absorver o mineral de forma eficiente.

    Fatores que afetam os níveis de cálcio

    Alguns hábitos e condições podem interferir na absorção ou aumentar a perda de cálcio pelo corpo. Veja alguns:

    Consumo muito alto de de cafeína e álcool;

    Dietas muito ricas em sal;

    Baixa ingestão de vitamina D;

    Sedentarismo;

    Alterações hormonais, especialmente em mulheres após a menopausa.

    O equilíbrio entre cálcio, fósforo e magnésio também é importante. Um excesso de um desses minerais pode atrapalhar a absorção dos outros.

    Deficiência de cálcio: o que pode acontecer

    A carência de cálcio, chamada de hipocalcemia, pode causar sintomas leves no início, mas, a longo prazo, traz sérias consequências.

    Sinais e sintomas possíveis:

    Câimbras e fraqueza muscular;

    Dormência ou formigamento nas mãos e pés;

    Irritabilidade e insônia;

    Enfraquecimento dos ossos, que pode causar osteopenia ou osteoporose.

    A deficiência é mais comum em idosos, mulheres na pós-menopausa, pessoas com intolerância à lactose ou que fazem dietas restritivas.

    Cálcio, hormônios e metabolismo ósseo

    O cálcio no sangue é regulado por três hormônios principais:

    Paratormônio (PTH): aumenta os níveis de cálcio no sangue ao retirá-lo dos ossos quando há deficiência;

    Calcitonina: faz o oposto, ajudando a armazenar cálcio nos ossos;

    Vitamina D: melhora a absorção intestinal do cálcio.

    Esse equilíbrio faz com que o organismo sempre tenha cálcio disponível para funções importantes sem comprometer a densidade óssea.

    Veja mais: Vitamina K: importante para coagulação do sangue e ossos fortes

    Perguntas frequentes sobre cálcio

    1. Quanto cálcio devo consumir por dia?

    Adultos precisam de cerca de 1.000 mg por dia, enquanto mulheres acima de 50 anos e idosos devem ingerir até 1.200 mg diários.

    2. Posso ter cálcio alto no sangue?

    Sim. O excesso, chamado de hipercalcemia, pode acontecer por doenças hormonais ou uso de suplementos em excesso, e deve ser avaliado por um médico.

    3. É verdade que só leite tem cálcio?

    Não. Vegetais verde-escuros, determinados peixes e sementes também são excelentes fontes.

    4. Cálcio e vitamina D têm relação?

    Sim. A vitamina D é importante para que o intestino consiga absorver o cálcio da alimentação.

    5. O que acontece se eu não consumir cálcio suficiente?

    A falta de cálcio por períodos longos pode causar perda de massa óssea e aumentar o risco de osteoporose e fraturas.

    6. Crianças e adolescentes precisam de mais cálcio?

    Sim, é uma fase de crescimento ósseo intenso, e a ingestão adequada ajuda a garantir ossos fortes na vida adulta.

    7. Como manter o cálcio equilibrado naturalmente?

    Com alimentação variada, exposição moderada ao sol (para ativar a vitamina D), exercícios com impacto e consumo adequado de proteínas e minerais.

    Leia também: Café da manhã sem lactose: saiba o que comer numa dieta saudável

  • Zinco: conheça a importância desse mineral para a saúde 

    Zinco: conheça a importância desse mineral para a saúde 

    Em meio a outras vitaminas e minerais tão conhecidos, como vitamina C, D e ferro, o zinco nem sempre está no centro das atenções, mas a importância dele não é menor por isso. Presente em cada célula do corpo humano, o zinco age como co-fator de centenas de enzimas e ajuda em funções como imunidade, crescimento, cicatrização e saúde reprodutiva.

    Com a alimentação moderna, às vezes pobre em alimentos de origem animal ou rica em processados, garantir zinco suficiente muitas vezes é difícil, e a deficiência, embora menos visível do que a de ferro ou vitamina D, pode ter impactos silenciosos e graves.

    O que é o zinco e por que ele é essencial

    O zinco é um micronutriente do tipo mineral que o corpo não produz, ou seja, é preciso obtê-lo por meio da alimentação. Ele está envolvido em mais de 300 reações enzimáticas, segundo estudos.

    As principais funções são:

    Síntese de proteínas e DNA, importante para crescimento, divisão e reparo celular;

    Função imunológica: o zinco é vital para a maturação de linfócitos, defesa contra infecções e funcionamento geral do sistema imunológico;

    Saúde da pele, cicatrização e integridade dos tecidos;

    Crescimento, desenvolvimento durante infância, adolescência e gestação;

    Sentidos do paladar e olfato. A deficiência de zinco pode reduzir essa capacidade sensorial.

    Principais benefícios do zinco para a saúde

    1. Fortalecer o sistema imunológico

    Pessoas com níveis adequados de zinco apresentam maior resistência a infecções e melhor recuperação de doenças.

    2. Cicatrização de feridas e saúde da pele

    O zinco ajuda na regeneração dos tecidos, por isso é importante em casos de feridas que demoram a fechar, úlceras ou problemas de pele.

    3. Crescimento e desenvolvimento

    Durante a infância, adolescência e gestação, o zinco faz parte de processos de multiplicação e maturação celular, importantes para ossos, tecidos, órgãos e sistemas.

    4. Função sensorial e metabólica

    Ele ajuda no funcionamento do paladar e do olfato, e também age na regulação de hormônios, crescimento ósseo e metabolismo de carboidratos.

    Fontes alimentares de zinco e absorção

    Para garantir zinco suficiente, inclua em sua alimentação:

    Carnes vermelhas, aves e peixes, pois têm boa biodisponibilidade;

    Mariscos e frutos do mar (ostras são especialmente ricas em zinco);

    Leguminosas, nozes, sementes e grãos integrais, fontes vegetais de zinco porém com absorção menor devido a fitatos que bloqueiam o mineral.

    Uma dica é combinar alimentos vegetais fonte de zinco com fontes de proteína animal ou técnicas de preparo que reduzam fitatos, como deixar grãos de molho por algumas horas antes de cozinhar.

    Sinais e riscos de deficiência de zinco

    Quando a ingestão ou absorção de zinco não é suficiente, podem aparecer sinais como:

    Sistema imunológico enfraquecido, o que reflete em infecções frequentes;

    Cicatrização lenta, lesões de pele persistentes;

    Perda de paladar ou olfato;

    Retardo de crescimento ou maturação em crianças ou adolescentes;

    Em gestantes, maior risco de complicações fetais.

    Se você tiver uma dieta restrita, consumo muito baixo de alimentos de origem animal, ou condições que dificultem absorção intestinal, o risco de deficiência é maior.

    Quanto zinco precisamos?

    As recomendações variam conforme idade, sexo, gestação ou período de amamentação. De forma geral:

    Adultos homens: cerca de 11 mg por dia;

    Adultos mulheres: cerca de 8 mg por dia, podendo variar de acordo com a orientação médica ou nutricional.

    Vale lembrar que o excesso de zinco também pode trazer problemas, como interferência na absorção de cobre.

    Confira: Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes sobre zinco

    1. O zinco ajuda no resfriado ou gripe?

    Sim. Ter níveis adequados de zinco no corpo ajuda o organismo a lutar melhor contra infecções. Por isso, pode reduzir a duração e a gravidade de infecções respiratórias, embora não seja cura.

    2. Posso suplementar zinco por conta própria?

    Não. É melhor consultar médico ou nutricionista, já que doses elevadas podem interferir em outros minerais e órgãos.

    3. Vegetarianos precisam de atenção extra para zinco?

    Sim, porque as fontes vegetais têm absorção menor. Uma boa estratégia pode ser definida por um nutricionista, como a ingestão de leguminosas, sementes, grãos germinados e, se necessário, suplementação.

    4. Posso ter zinco demais no corpo?

    Sim, a ingestão excessiva pode causar deficiências de cobre, náuseas, imunossupressão e outros efeitos nada agradáveis.

    5. Durante a gravidez, o zinco é importante?

    Muito. Gestantes têm maior demanda, e o zinco é importante no crescimento fetal, formação de tecidos e sistema imunológico.

    6. Uma dieta equilibrada cobre o zinco necessário?

    Na maioria dos casos, sim, se incluir boas fontes animais ou combinação de vegetais bem preparados. Suplemento só se houver necessidade comprovada e prescrito por um médico ou nutricionista.

    Veja mais: Ferro: saiba mais sobre o papel do ferro no organismo

  • Vitamina B9 (ácido fólico): importância na gestação e produção de células sanguíneas 

    Vitamina B9 (ácido fólico): importância na gestação e produção de células sanguíneas 

    Quando se fala de nutrição na gravidez, um nome aparece com frequência: ácido fólico. Esse nutriente, também chamado de vitamina B9, entrou em destaque pela sua capacidade de prevenir defeitos graves no feto e melhorar a saúde da mãe.

    Mesmo assim, muitas mulheres desconhecem que a função do ácido fólico vai muito além da gestação, pois ela também é essencial para a formação das células sanguíneas.

    Em meio à rotina corrida, às dietas restritivas ou aos alimentos ultraprocessados, garantir a ingestão adequada de vitamina B9 é um cuidado simples, mas com impacto muito grande para a saúde. Com conhecimento e atenção, é possível usar essa vitamina para fortalecer o organismo, proteger o bebê em desenvolvimento e evitar quadros como anemia megaloblástica.

    O que é a vitamina B9 (ácido fólico)?

    A vitamina B9, chamada folato em sua forma natural nos alimentos e ácido fólico na forma sintética de suplemento, é uma vitamina hidrossolúvel, ou seja, aquele tipo de vitamina que se dissolve em água e não é armazenada em grandes quantidades no corpo, por isso precisa de ingestão regular.

    Sua principal tarefa no organismo é participar de reações de multiplicação celular, produção de DNA e síntese de glóbulos vermelhos, o que a torna essencial tanto em fases de crescimento (como gravidez) quanto no funcionamento do sangue.

    Funções principais da vitamina B9

    1. Produção de células sanguíneas

    O ácido fólico age com outras vitaminas do complexo B para formar glóbulos vermelhos saudáveis. A falta de folato pode levar à anemia megaloblástica, em que as células ficam grandes, imaturas e não funcionam bem.

    2. Formação e divisão celular

    Como participa da síntese de DNA e RNA, o folato é muito importante em situações de renovação celular intensa, como o crescimento fetal, o revestimento intestinal, a medula óssea e outros tecidos.

    3. Saúde na gestação

    Na gravidez, o ácido fólico é um dos micronutrientes mais estudados e recomendados. Suplementações pré-concepcionais e no início da gestação reduzem de forma significativa o risco de defeitos do tubo neural no bebê, como espinha bífida e anencefalia.

    Além disso, pode ajudar a formação da placenta, melhorar a divisão celular fetal e reduzir risco de parto prematuro ou má formação.

    Deficiência de vitamina B9: o que causa?

    Quando a ingestão ou absorção do folato é insuficiente, os efeitos podem ser:

    Cansaço, fraqueza e palidez (devido à anemia);

    Alterações no crescimento ou no desenvolvimento fetal se a deficiência ocorrer na gravidez;

    Potencial aumento dos níveis de homocisteína, que é um marcador associado ao risco cardiovascular.

    Fatores de risco para deficiência são dietas pobres em folato (por exemplo, falta de verduras folhosas), alcoolismo, doenças que comprometem absorção intestinal, uso de medicamentos que interferem no folato e gravidez com alta demanda.

    Quanto e como tomar (gestantes e adultos saudáveis)

    Mulheres em idade fértil são geralmente orientadas a tomar 0,4 mg (400 µg) de ácido fólico por dia antes da concepção e nos primeiros meses de gravidez para prevenir defeitos do tubo neural.

    Durante a gravidez, as necessidades de ácido fólico aumentam, e as recomendações variam conforme o país. Em adultos saudáveis, assegurar ingestão suficiente por meio de alimentos ricos em folato é forma básica de manutenção.

    As fontes alimentares são folhas verdes escuras (espinafre, couve), leguminosas (feijão, lentilha), frutas cítricas, fígado e alimentos fortificados.

    Importância prática na gestação

    Suplementar antes da gravidez: o tubo neural do feto se fecha geralmente nas primeiras semanas de gestação, momento em que muitas mulheres ainda nem sabem que estão grávidas. Por isso a recomendação de usar ácido fólico antes de engravidar;

    Acompanhamento nutricional: a gestação com bom aporte de folato ajuda a mãe e o bebê a terem melhor resultado, menos complicações e bom desenvolvimento;

    Complemento ao ferro: enquanto o ácido fólico previne anemia por falha de divisão celular, o ferro trata deficiência na hemoglobina. Os dois podem atuar em conjunto na gestação.

    Saiba mais: 7 cuidados que você deve ter antes de engravidar

    Perguntas frequentes sobre ácido fólico

    1. Por que tomar ácido fólico antes de engravidar?

    Porque muitos defeitos fetais (como no tubo neural) acontecem nos primeiros dias de gestação, antes mesmo de a gravidez ser descoberta, e o folato reduz esse risco.

    2. Adultos não grávidos também precisam de vitamina B9?

    Sim. A vitamina B9 está envolvida em divisão celular e produção de sangue, por isso manter níveis adequados previne anemia e ajuda na saúde como um todo.

    3. A suplementação substitui uma alimentação saudável?

    Não. Suplementos ajudam, mas uma dieta rica em folatos naturais é essencial para cobrir necessidades e favorecer outros nutrientes.

    4. É possível ter folato em excesso?

    Níveis muito altos podem mascarar deficiência de vitamina B12 e outros problemas, por isso a suplementação deve seguir orientação médica ou nutricional.

    5. Quem tem uma dieta com pouca verdura está em risco de deficiência?

    Sim. Verduras folhosas e leguminosas são as fontes mais comuns de folato. Sem uma ingestão adequada, o risco de deficiência aumenta.

    6. O ácido fólico previne anemia sempre?

    Ele previne o tipo de anemia causado por falha de divisão celular (anemia megaloblástica). Mas anemia por ferro ou outros minerais têm causas diferentes e exigem tratamento específico.

    7. Qual a dose recomendada durante a gravidez no Brasil?

    Depende do sistema de saúde e das diretrizes locais, mas costuma ser de 400 µg/dia no período pré-concepção e nos primeiros meses, com variações conforme acompanhamento médico.

    Veja mais: Gravidez ectópica: saiba o que é e os sinais da gestação fora do útero