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  • Álcool aumenta a pressão arterial? Saiba como ele afeta o coração

    Álcool aumenta a pressão arterial? Saiba como ele afeta o coração

    Pessoas que convivem com problemas cardiovasculares, como hipertensão e insuficiência cardíaca, já sabem que uma das principais orientações para manter o coração estável é reduzir o consumo de álcool. A recomendação existe porque o álcool pode aumentar a pressão nas artérias, alterar o ritmo do coração e favorecer retenção de líquidos, o que piora os quadros cardíacos.

    Para se ter uma ideia, em algumas pessoas, mesmo pequenas quantidades já são suficientes para descompensar o organismo. Mas você sabe por que isso acontece? Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender como o álcool afeta a pressão e o ritmo cardíaco. Confira!

    Como o álcool afeta o coração?

    Mesmo em pequenas quantidades, o consumo de álcool pode trazer riscos importantes para a saúde cardiovascular. O coração é um dos órgãos mais sensíveis aos efeitos das bebidas, e as consequências vão desde alterações nos batimentos até risco de condições crônicas.

    Alterações na pressão arterial

    Um dos efeitos mais imediatos do álcool no corpo é a vasodilatação, que é o processo de dilatação das artérias, de acordo com Juliana. Ele pode causar uma redução inicial e temporária da pressão arterial, que é passageira.

    No entanto, em um segundo momento, ocorre um efeito rebote, com aumento progressivo da pressão. Isso se deve à ativação do sistema nervoso simpático e à modificação de vias envolvidas no controle da pressão arterial. Como consequência, é instalado um quadro de vasoconstrição persistente, o que pode contribuir para o desenvolvimento da hipertensão.

    O risco é ainda maior entre pessoas que já têm predisposição genética ou outros fatores associados, como obesidade, estresse e má alimentação.

    Risco de arritmias

    O álcool aumenta a atividade do sistema nervoso simpático, responsável pelas reações de luta ou fuga. Segundo Juliana, o estímulo leva à liberação de hormônios como adrenalina, o que acelera os batimentos cardíacos (taquicardia) e eleva o risco de batimentos irregulares, resultando em arritmias.

    Além disso, tanto o álcool quanto seus metabólitos interferem no funcionamento dos canais de sódio, potássio e cálcio nas células do músculo cardíaco — canais responsáveis por gerar e conduzir impulsos elétricos que mantêm o ritmo dos batimentos. A interferência pode criar uma espécie de “curto-circuito” no coração, favorecendo o surgimento de arritmias.

    Para completar, o álcool possui ação diurética, o que intensifica a perda de potássio e magnésio. A queda dos minerais torna as células cardíacas mais instáveis, aumentando ainda mais o risco de distúrbios do ritmo.

    Danos ao músculo cardíaco

    O uso crônico de álcool, especialmente em grandes quantidades, pode levar à cardiomiopatia alcoólica — uma condição em que o músculo do coração enfraquece e perde a capacidade de bombear sangue de forma eficiente. O quadro pode evoluir para insuficiência cardíaca, que precisa de acompanhamento médico contínuo e, em alguns casos, o uso de remédios específicos.

    Juliana relembra que, segundo a literatura médica, uma ingestão média diária de cerca de 80 gramas de álcool por um período mínimo de cinco anos pode estar relacionada ao desenvolvimento de cardiomiopatia alcoólica. A quantidade equivale, aproximadamente, a cinco ou seis doses de bebida alcoólica por dia, considerando que uma dose contém em torno de 14 gramas de álcool.

    Vale destacar que mulheres tendem a apresentar maior suscetibilidade a desenvolver cardiomiopatia alcoólica com quantidades menores, devido a diferenças metabólicas que existem.

    Álcool pode interagir com medicamentos?

    O álcool interfere no metabolismo de diversos remédios, inclusive dos utilizados no tratamento de doenças cardiovasculares. A interação pode tanto potencializar quanto reduzir os efeitos dos remédios, além de aumentar o risco de efeitos colaterais.

    Segundo Juliana, tanto o álcool quanto grande parte das medicações são metabolizados no fígado. O uso simultâneo pode sobrecarregar o órgão e provocar sintomas como mal-estar, tontura, desmaios e outros desconfortos. Em quadros mais graves, pode prejudicar seriamente o funcionamento do fígado.

    Existe uma quantidade segura de álcool?

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe quantidade ou forma de consumo de álcool considerada totalmente segura, pois qualquer dose pode aumentar o risco de problemas de saúde, como diversos tipos de câncer, mesmo em consumo leve e moderado.

    Juliana explica que o álcool apresenta tanto efeitos imediatos quanto crônicos sobre o sistema cardiovascular. A curto prazo, pode alterar a frequência dos batimentos cardíacos, provocando arritmias e aumento da pressão arterial.

    Já o consumo prolongado e em grandes quantidades aumenta o risco de desenvolvimento da cardiomiopatia alcoólica, que enfraquece o músculo do coração e pode evoluir para insuficiência cardíaca.

    Alguns tipos de bebida são mais prejudiciais que outros?

    O etanol, forma química do álcool etílico, é o principal responsável pelos efeitos nocivos do consumo de bebidas alcoólicas, inclusive no que diz respeito à saúde cardiovascular. Segundo Juliana, a quantidade de álcool consumido é mais relevante do que o tipo de bebida.

    Durante muito tempo, o vinho foi associado a possíveis benefícios por conter compostos antioxidantes como resveratrol e taninos. No entanto, não há evidências científicas robustas de que alguma bebida alcoólica ofereça proteção significativa ou seja mais segura do que outra.

    O risco está diretamente relacionado ao volume consumido e à frequência de consumo, independentemente da origem alcoólica.

    O coração se recupera completamente ao parar de beber?

    Quando uma pessoa para de beber, o coração pode se recuperar parcial ou totalmente, mas Juliana explica que o grau de recuperação depende de vários fatores, como tempo de uso, quantidade ingerida e extensão dos danos gerados ao longo dos anos.

    Em aproximadamente quatro semanas de abstinência já é possível observar uma melhora na saúde, principalmente na pressão arterial. No entanto, em casos de cardiomiopatia alcoólica, o processo de recuperação tende a ser mais lento, gradual e proporcional à gravidade das lesões no músculo cardíaco.

    Quando procurar atendimento médico?

    A recomendação é procurar atendimento médico ao primeiro sinal de alteração no ritmo dos batimentos cardíacos ou de qualquer outra condição cardiovascular. Os principais sinais de alerta incluem:

    • Palpitações frequentes ou sensação de “coração acelerado” em repouso;
    • Tontura, desmaios ou sensação de desfalecimento;
    • Dor no peito ou pressão na região torácica;
    • Falta de ar ao realizar esforços leves;
    • Inchaço nas pernas ou nos pés;
    • Cansaço excessivo, mesmo em atividades simples.

    Pessoas que fazem uso frequente de álcool e apresentam pressão alta, histórico familiar de doenças cardiovasculares ou já tomaram medicamentos para o coração devem conversar com um médico sobre os riscos. Quanto mais cedo for feita a avaliação, maiores as chances de evitar complicações graves.

    Como parar de beber?

    Para algumas pessoas, parar o consumo de bebidas alcóolicas por conta própria é mais simples — elas reduzem aos poucos, estabelecem metas e criam novas rotinas que não envolvem bebida. Para outras, pode ser necessário apoio contínuo, acompanhamento terapêutico, uso de medicações ou participação em grupos de apoio, e não é um problema procurar ajuda e acolhimento nesse momento.

    O processo envolve, muitas vezes, reconhecer que o álcool deixou de ser algo esporádico ou social e passou a ocupar um espaço maior do que deveria na vida, afetando a saúde, os relacionamentos, o sono, o humor e até a autoestima.

    Com o acompanhamento psicológico, é possível entender gatilhos, padrões e mecanismos internos que alimentam o uso do álcool e, assim, desenvolver medidas saudáveis para lidar com emoções difíceis, frustrações, cobranças externas e conflitos pessoais, que muitas vezes estão por trás do impulso de beber.

    Ter uma rede de apoio ao redor, seja profissional ou familiar, também ajuda muito a recuperar autonomia, qualidade de vida e uma relação mais saudável consigo mesmo.

    Veja mais: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

    Perguntas frequentes

    Beber socialmente também faz mal?

    Sim, principalmente se o consumo for regular. O “uso social” pode parecer inofensivo, mas quando se repete frequentemente, eleva o risco de pressão alta, arritmias e outros problemas cardiovasculares. Mesmo que não se perceba sintomas, o álcool pode estar provocando alterações silenciosas no coração.

    Como saber se o álcool já afetou meu coração?

    Alguns sinais de alerta para ficar de olho são cansaço excessivo, falta de ar, inchaço nas pernas, palpitações, tontura, dor no peito e desmaios.

    Porém, em muitos casos, os danos causados pelo álcool podem ser silenciosos, de modo que a melhor forma de avaliar é fazer exames como eletrocardiograma, ecocardiograma e avaliação clínica com um cardiologista.

    Quais são os principais sinais de abstinência do álcool?

    Os sinais variam de acordo com o grau de dependência e o tempo de uso, mas incluem:

    • Tremores;
    • Suor excessivo;
    • Ansiedade;
    • Irritabilidade;
    • Náusea;
    • Vômitos;
    • Dor de cabeça;
    • Taquicardia;
    • Insônia;
    • Em casos mais graves, alucinações e convulsões.

    Os sintomas surgem porque o organismo estava adaptado à presença constante do álcool e precisa de tempo para reequilibrar suas funções.

    A abstinência pode ser perigosa?

    Sim! Em quadros graves, a abstinência alcoólica pode evoluir para uma condição séria chamada delirium tremens, caracterizada por confusão mental, febre, alucinações e convulsões, e é uma emergência médica que exige internação imediata. Por isso, a interrupção do álcool deve ser feita com acompanhamento médico, especialmente em casos de dependência severa.

    Energéticos são perigosos para o coração?

    Sim, especialmente para pessoas com predisposição a arritmias, hipertensão ou doenças cardíacas. Os energéticos combinam doses elevadas de cafeína com outras substâncias estimulantes (como taurina e guaraná), o que pode causar taquicardia, aumento da pressão arterial e, em casos extremos, crises de arritmia ou até infarto. O risco é ainda maior quando o energético é bebido junto com álcool.

    Quem toma diurético para pressão alta precisa beber mais líquidos?

    Em geral, sim. Os diuréticos aumentam a eliminação de líquidos e eletrólitos pelo organismo, e isso pode levar à desidratação e à perda de potássio e sódio, o que afeta diretamente o funcionamento do coração. Assim, é importante manter a hidratação e seguir as orientações médicas sobre reposição de líquidos e minerais.

    Veja mais: Uso nocivo de álcool: 10 sinais de alerta e como a família pode ajudar

  • O que significa ter o corpo inflamado por obesidade?

    O que significa ter o corpo inflamado por obesidade?

    Considerada um dos principais e crescentes problemas de saúde pública no Brasil, a obesidade é uma doença crônica caracterizada por um acúmulo de gordura no corpo que excede os níveis considerados normais e saudáveis, responsável por desencadear uma série de reações biológicas dentro do organismo.

    Uma delas é a inflamação crônica de baixo grau, que está associada ao desenvolvimento de outras doenças graves, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Vamos entender mais, a seguir.

    Afinal, o que significa ter o corpo inflamado por obesidade?

    Em quadros de obesidade, o consumo constante de mais calorias do que o corpo gasta faz com que as células de gordura (adipócitos) aumentem drasticamente de tamanho. Quando estão sobrecarregadas, elas sofrem estresse e passam a liberar substâncias químicas na corrente sanguínea, conhecidas como citocinas pró-inflamatórias.

    As substâncias sinalizam ao sistema imunológico que existe um problema, de modo que ele interpreta a alteração como uma ameaça e envia células imunológicas para o tecido adiposo, criando um ambiente de constante ativação.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, a interação entre células de gordura sobrecarregadas e células de defesa gera uma liberação contínua de mediadores inflamatórios, que entram na corrente sanguínea e mantêm o organismo em estado de inflamação de baixo grau.

    A inflamação se torna crônica porque o estímulo não desaparece: a gordura segue produzindo sinais de estresse, o sistema imunológico continua reagindo e o corpo inteiro passa a conviver com um processo inflamatório silencioso que, ao longo do tempo, contribui para várias doenças metabólicas e cardiovasculares.

    Como a inflamação aumenta o risco de doenças?

    A inflamação associada à obesidade cria um ambiente interno de alerta contínuo, que desgasta os órgãos e altera o funcionamento normal do corpo. A circulação constante de substâncias inflamatórias interfere em vários sistemas ao mesmo tempo, abrindo caminho para problemas metabólicos e cardiovasculares. Isso acontece por vários mecanismos, como:

    • A inflamação altera as paredes das artérias (endotélio), deixando o vaso sanguíneo mais vulnerável;
    • A facilidade para a entrada de colesterol ruim aumenta, favorecendo o acúmulo de placas de gordura;
    • Formação de placas instáveis torna o vaso mais propenso a ruptura, o que pode causar infarto ou AVC;
    • Liberação de substâncias como interleucina 6 e TNF-alfa prejudica a ação da insulina, aumentando o risco de diabetes tipo 2;
    • Proteína C reativa, estimulada pela inflamação, eleva a chance de formação de coágulos.

    A combinação de paredes vasculares fragilizadas, colesterol elevado, resistência à insulina e maior tendência a coágulos cria um cenário que favorece doenças cardíacas, AVC, diabetes tipo 2 e outras complicações crônicas.

    Mesmo pessoas com poucos quilos a mais podem estar com inflamação?

    De acordo com Juliana, o ponto central não é somente a quantidade de peso, mas o local onde a gordura se concentra. A gordura localizada entre os órgãos, chamada gordura visceral, é metabolicamente ativa, libera substâncias inflamatórias de forma constante e aumenta o risco de alterações metabólicas e cardiovasculares. Mesmo um leve acúmulo nessa região já pode estimular um estado de inflamação de baixo grau.

    Portanto, o risco não depende apenas do número de quilos acumulados, mas da distribuição corporal e do impacto da gordura na função dos órgãos internos.

    Como é feita a detecção da inflamação?

    A forma mais usada para medir a inflamação de baixo grau é o exame de proteína C reativa ultrassensível (PCR-us), de acordo com Juliana. A PCR-us consegue identificar pequenas elevações na inflamação, algo muito comum em quadros de obesidade, especialmente quando há acúmulo de gordura visceral.

    A avaliação clínica também ajuda, já que o profissional de saúde considera o histórico de saúde, hábitos, medidas corporais e presença de doenças associadas.

    Vale apontar que a simples elevação de um marcador não confirma, isoladamente, uma inflamação relevante, mas o padrão de substâncias alteradas, aliado ao excesso de gordura corporal, dá fortes indicações de que o organismo está em estado de alerta contínuo.

    Como diminuir a inflamação da obesidade?

    A perda de peso é uma das principais medidas para reduzir a inflamação relacionada à obesidade, porque diminui a sobrecarga das células de gordura, reduz a liberação de substâncias inflamatórias e melhora o funcionamento de vários sistemas do organismo.

    A redução de apenas 5 a 10% do peso corporal já provoca queda importante nos marcadores inflamatórios e melhora a sensibilidade à insulina, de acordo com estudos.

    Como a obesidade é uma doença multifatorial, o tratamento envolve uma série de abordagens diferentes, como:

    • Alimentação baseada em alimentos naturais, com variedade de frutas, verduras, legumes, peixes ricos em ômega-3, azeite de oliva, sementes e oleaginosas, que fornecem compostos com ação anti-inflamatória;
    • Redução do consumo de ultraprocessados, açúcar refinado, gordura trans, frituras e bebidas adoçadas, evitando estímulos que mantêm o organismo em estado de alerta;
    • Prática regular de atividade física, fundamental para diminuir gordura visceral, melhorar a circulação e fortalecer a função das artérias;
    • Sono adequado, já que noites mal dormidas elevam hormônios ligados à inflamação e dificultam o controle metabólico;
    • Manejo do estresse, importante para reduzir a liberação contínua de cortisol e favorecer o equilíbrio do organismo;
    • Acompanhamento médico, incluindo avaliação para uso de medicamentos quando indicado, com o objetivo de auxiliar no controle do peso e da inflamação.

    Segundo Juliana, a dieta com propriedades anti-inflamatórias pode ajudar muito no controle da inflamação causada pela obesidade. A dieta mediterrânea é considerada uma das mais completas nesse sentido, porque reúne alimentos naturais que atuam diretamente na redução de mediadores inflamatórios.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

    Perguntas frequentes

    1. O que causa a obesidade?

    A obesidade é uma doença multifatorial, causada por uma combinação de fatores biológicos, ambientais, emocionais e sociais. A alimentação rica em ultraprocessados, a rotina sedentária, o sono insuficiente e o estresse prolongado favorecem o acúmulo de gordura. A genética também influencia, pois altera o modo como o corpo armazena energia.

    2. O que é gordura visceral e por que ela preocupa?

    A gordura visceral é aquela que envolve órgãos internos, como fígado, intestino e pâncreas. O acúmulo provoca inflamação contínua, altera hormônios importantes e aumenta o risco de diabetes, hipertensão e doenças do coração. A identificação ocorre por exames clínicos e é um dos principais marcadores de risco para complicações metabólicas.

    3. Como a prática de atividade física ajuda no controle da obesidade?

    A prática regular de atividade física diminui gordura visceral, aumenta a massa muscular e melhora a sensibilidade à insulina. O movimento fortalece o sistema cardiovascular, reduz estresse e melhora o sono, fatores que influenciam diretamente no controle do peso. Mesmo atividades leves, como caminhada, já oferecem benefícios importantes quando realizadas com frequência.

    4. A obesidade aumenta o risco de câncer?

    A obesidade está relacionada ao risco maior de alguns tipos de câncer, como mama, colorretal, fígado e pâncreas. A inflamação crônica, a alteração de hormônios e o excesso de gordura visceral criam um ambiente que favorece o crescimento de células anormais.

    5. Por que algumas pessoas têm dificuldade em perder peso?

    A dificuldade pode surgir devido a fatores hormonais, genéticos, emocionais, ambientais e comportamentais. A presença de inflamação, resistência à insulina e gordura visceral torna o processo mais lento. O corpo tende a manter o peso habitual, o que exige constância e acompanhamento profissional para superar barreiras biológicas e psicológicas.

    6. A cirurgia bariátrica é indicada para todos?

    A cirurgia bariátrica é indicada apenas para casos selecionados, normalmente quando há obesidade grave ou presença de doenças associadas que colocam a vida em risco. O procedimento reduz o tamanho do estômago ou modifica o trajeto do alimento, facilitando perda de peso e melhora de condições metabólicas. A decisão exige avaliação criteriosa e acompanhamento de longo prazo.

    Leia também: Sem tempo para treinar? Veja como criar uma rotina de exercícios

  • Por que o horário da refeição importa? Entenda a relação com o ritmo circadiano

    Por que o horário da refeição importa? Entenda a relação com o ritmo circadiano

    Você já se perguntou por que a hora em que você come parece afetar mais do que apenas a sua digestão? A resposta está no ritmo circadiano, um relógio interno que dita quando o corpo deve acelerar ou desacelerar.

    A alimentação funciona como um dos sinais que informam ao organismo se ele deve produzir energia, armazenar nutrientes, liberar hormônios ou iniciar processos de reparo.

    E o horário da refeição tem tudo a ver com isso. No caso de pessoas com horários desregulados, o organismo acaba recebendo sinais confusos ao longo do dia, o que pode afetar o metabolismo: a digestão fica menos eficiente, a sensibilidade à insulina diminui e a tendência ao acúmulo de gordura aumenta, principalmente na região abdominal.

    A seguir, a cardiologista Juliana Soares explica como o relógio biológico reage quando a rotina alimentar foge do ciclo natural do dia e se existe um melhor horários para comer. Confira!

    Afinal, o que é ritmo circadiano e como ele afeta o metabolismo?

    O ritmo circadiano funciona como um relógio biológico interno que organiza as atividades do organismo ao longo de 24 horas. Ele coordena grande parte dos processos fisiológicos e metabólicos do corpo, definindo quando devemos estar em estado de alerta e quando devemos descansar.

    Segundo Juliana, a luz é o principal sinal que ajusta esse relógio: ao atingir os olhos, informa ao cérebro se é dia, período em que precisamos de metabolismo acelerado, ou se é noite, momento destinado à desaceleração e ao reparo dos tecidos.

    Ao longo do dia, o metabolismo trabalha de forma mais intensa. O corpo gasta energia, realiza digestão com mais eficiência e responde melhor à insulina. Já durante a noite, o organismo reduz o ritmo, direciona energia para recuperação celular e prepara órgãos e sistemas para o próximo ciclo.

    A alternância é fundamental para manter equilíbrio hormonal, regular o apetite, proteger o coração e sustentar um metabolismo saudável.

    Por que o horário das refeições pode afetar o coração?

    O sistema cardiovascular segue um ritmo que acompanha o ritmo circadiano. Durante o dia, Juliana explica que a pressão arterial tende a estar mais alta e a frequência cardíaca mais elevada, porque estamos ativos. Já no sono, ocorre o chamado descenso noturno — uma queda natural da pressão arterial que permite ao coração descansar e recuperar forças.

    Quando fazemos refeições muito pesadas à noite, o organismo é obrigado a manter-se ativo para direcionar fluxo sanguíneo ao estômago e realizar a digestão. Com isso, a pressão arterial e os batimentos permanecem elevados justamente no período em que deveriam diminuir. O esforço extra coloca o coração sob estresse e reduz a capacidade de recuperação durante a madrugada.

    Com o tempo, isso pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, porque o coração passa noites seguidas trabalhando acima do que deveria.

    Comer muito tarde também interfere nos hormônios?

    A liberação e a sensibilidade à insulina, hormônio responsável por permitir que a glicose entre nas células e seja usada como fonte de energia, seguem um ritmo ao longo do dia.

    Segundo Juliana, pela manhã o corpo responde melhor à insulina, porque a luz sinaliza que precisamos estar ativos e utilizar energia. À noite, essa sensibilidade diminui naturalmente, já que o organismo se prepara para descansar.

    Por isso, uma refeição rica em carboidratos ingerida no almoço é metabolizada com mais eficiência. Quando consumida perto do horário de dormir, ela passa por um processo diferente: as células respondem menos à insulina e deixam mais glicose circulando no sangue.

    Como consequência, o excesso tende a ser convertido em gordura visceral, que se acumula entre os órgãos e está associada a maior risco de formação de placas nas artérias, contribuindo para infarto e AVC.

    O cortisol, hormônio ligado ao estresse, também segue o ritmo circadiano: atinge o pico pela manhã e diminui à noite para facilitar o sono. Quando comemos tarde, sobretudo açúcar ou grandes quantidades, o organismo interpreta como estresse metabólico e mantém o cortisol elevado durante a noite.

    O cortisol alto à noite atrapalha a produção de melatonina, prejudica o sono, dificulta o descanso profundo e desorganiza o metabolismo. Com o tempo, esse padrão pode impactar peso, glicemia, pressão arterial e saúde cardiovascular.

    Existe um melhor horário para realizar as refeições?

    Como o metabolismo acompanha o ritmo circadiano, os melhores horários para comer são pela manhã e no período do almoço. Juliana reforça que o jantar deve ser feito, idealmente, até 3 horas antes de dormir, permitindo que o organismo realize a digestão antes de entrar no ritmo mais lento da noite.

    O ideal é evitar a ingestão de alimentos muito perto do horário de deitar, porque isso sobrecarrega a digestão, interfere no sono e desorganiza o funcionamento metabólico, que deveria estar voltado para descanso e reparo.

    Confira: Abdominais para perder barriga? Saiba o que realmente funciona

    Perguntas frequentes

    1. Comer tarde pode afetar o sono?

    Sim, pois o corpo precisa manter-se ativo para digerir a refeição pesada, o que eleva batimentos cardíacos, aumenta cortisol e atrapalha a liberação da melatonina, hormônio do sono. A digestão intensa perto de dormir dificulta a entrada nas fases profundas de descanso, deixando o sono leve e fragmentado.

    2. Comer tarde aumenta o risco de diabetes?

    O risco aumenta porque a sensibilidade à insulina diminui à noite. Quando ingerimos carboidratos no período noturno, a glicose circula por mais tempo, exigindo mais trabalho do pâncreas. Com o tempo, esse padrão pode favorecer resistência à insulina.

    3. Beliscar antes de dormir faz mal?

    Mesmo pequenas porções podem interferir no sono, porque ativam o processo digestivo e elevam levemente a glicose e o cortisol. Se for necessário comer, o ideal é algo leve, com proteína ou gordura boa, e evitar açúcar ou carboidratos simples.

    4. O jejum prolongado pode desregular o ritmo circadiano?

    Depende do tipo de jejum. O jejum natural, alinhado ao ritmo circadiano (como jantar por volta das 19h, dormir às 22h e acordar às 7h) funciona bem para o organismo e favorece a manutenção das células.

    Já jejuns desordenados, como pular o café da manhã, passar muitas horas sem comer e concentrar a maior refeição à noite, desregulam o relógio biológico. Nesses casos, o corpo é obrigado a lidar com uma carga metabólica elevada justamente no período em que deveria estar desacelerando, o que prejudica equilíbrio e recuperação.

    5. Como alinhar alimentação e ritmo circadiano em rotina corrida?

    O mais importante é manter uma rotina previsível: fazer as maiores refeições durante o dia, ter lanches práticos para evitar longos períodos sem comer e deixar o jantar mais leve ajudam o corpo a seguir o ciclo natural. Ajustes simples, como reduzir telas à noite e manter um horário fixo para dormir, também contribuem para esse equilíbrio.

    6. É verdade que comer mais cedo melhora o controle da glicemia?

    Sim! Pela manhã e no início da tarde, o corpo está mais sensível à insulina, o que facilita o uso da glicose como fonte de energia. O hábito de comer mais tarde, especialmente carboidratos, mantém a glicose elevada por mais tempo e aumenta o risco de acúmulo de gordura visceral. Por isso, refeições antecipadas costumam melhorar o controle glicêmico.

    7. A sensação de “acordar estufado” pode estar relacionada ao horário da refeição?

    Pode, pois comer tarde faz com que parte da digestão aconteça durante o sono, quando o metabolismo está lento. Isso causa a sensação de estufamento, azia, refluxo e inchaço pela manhã. Ajustar o jantar para horário mais cedo costuma melhorar o desconforto rapidamente.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

  • Susto faz mal ao coração? Cardiologista explica

    Susto faz mal ao coração? Cardiologista explica

    Quantas vezes você já disse que quase morreu de susto? Em situações inesperadas, o coração acelera, as pernas ficam bambas e a respiração fica mais curta. A reação não é exagero do corpo, mas uma resposta fisiológica diante de uma possível ameaça.

    Em alguns casos, ela pode ser tão intensa que realmente achamos que vamos morrer. Mas afinal, será que isso é possível? Vamos entender a seguir!

    Mas o que é um susto e para que ele serve?

    Um susto é uma resposta imediata do organismo diante de algo que o cérebro interpreta como ameaça ou perigo repentino — o que pode ser um barulho, uma imagem inesperada, alguém que surge do nada ou até uma situação que ativa memórias de risco.

    Quando isso acontece, a cardiologista Juliana Soares explica que o corpo ativa uma reação automática, chamada de resposta de luta ou fuga, liberando hormônios como adrenalina e noradrenalina. Eles promovem um redirecionamento do sangue no corpo, direcionando-o para órgãos como os músculos, o coração e o cérebro, justamente para preparar o organismo para correr ou lutar.

    Por isso, em milésimos de segundo, o coração acelera, a pressão arterial pode subir e a respiração muda (daí a expressão “meu coração quase saiu pela boca”). Tudo isso acontece de maneira automática, sem que a pessoa tenha tempo para pensar ou racionalizar o que está acontecendo.

    Basicamente, é o organismo tentando garantir que você tenha energia e capacidade imediata para reagir ao que o cérebro entende como perigo.

    Por que o coração acelera durante o susto?

    O coração acelera durante o susto porque o corpo precisa reagir de forma muito rápida. Quando o cérebro identifica um risco, ele libera adrenalina e noradrenalina, que aumentam a frequência dos batimentos e a força de contração do coração para levar mais sangue, oxigênio e energia para órgãos como músculos, cérebro e pulmões.

    Com isso, o organismo fica preparado para correr, se defender, reagir ou tomar uma atitude imediata. O aumento dos batimentos é uma parte natural da resposta de luta ou fuga, que existe para proteger a vida em situações de perigo, mesmo quando o susto acontece em situações que não representam ameaça real.

    Isso é perigoso para a saúde?

    Para a maioria das pessoas, um susto não representa perigo para a saúde. Mas, para quem já tem problemas cardíacos ou predisposição, Juliana explica que a descarga de adrenalina pode provocar um pico de pressão arterial e desencadear arritmias, aumentando o risco de complicações como:

    • Aumento importante da frequência cardíaca;
    • Piora súbita da pressão arterial;
    • Ruptura de placa de gordura dentro de uma artéria;
    • Formação de coágulo e obstrução do fluxo sanguíneo;
    • Possibilidade real de infarto ou arritmia grave.

    Segundo Juliana, o infarto por estresse pode acontecer de duas maneiras. Em pessoas que já têm o comprometimento das artérias, durante o momento do susto, o aumento repentino da frequência cardíaca e da pressão arterial podem causar o rompimento de uma placa — o que leva a obstrução de uma artéria e, consequentemente, a um infarto.

    Ele também pode acontecer devido a uma condição chamada síndrome do coração partido, ou cardiomiopatia de Takotsubo. Ela é rara, mas pode ser grave porque provoca um enfraquecimento temporário do músculo do coração.

    Nessa situação, Juliana explica que ocorre uma descarga muito alta de adrenalina e noradrenalina, que altera o funcionamento do coração e reduz sua capacidade de bombear sangue. Os sintomas são praticamente iguais aos de um infarto comum, como dor no peito, falta de ar, palpitação, tontura e até desmaio. A diferença é que ela não provoca obstrução das artérias, sendo súbita, transitória e reversível após o tratamento correto.

    Pessoas com ansiedade ou pressão alta sentem o susto de forma mais intensa?

    De acordo com Juliana, quem tem pressão alta já convive com valores mais elevados no dia a dia, e a descarga de adrenalina no momento do susto pode fazer a pressão subir ainda mais, atingindo níveis perigosos. Isso aumenta o risco de sintomas mais fortes e, em alguns casos, até de complicações cardiovasculares.

    Já pessoas ansiosas costumam ter um sistema nervoso simpático mais sensível, então, quando o susto acontece, a resposta de alerta pode durar mais tempo, com coração acelerado, tremores e sensação de falta de ar que demoram a passar. Em algumas situações, a reação exagerada pode até evoluir para uma crise de pânico.

    Como o organismo volta ao estado de repouso

    O primeiro passo depois de um susto é se afastar do ambiente que desencadeou o mal-estar. Em seguida, você pode adotar respirações lentas e profundas para ajudar o corpo a desacelerar e recuperar o equilíbrio — além de manter uma boa hidratação, o que favorece o relaxamento do organismo.

    Depois que o susto passa, o sistema nervoso parassimpático entra em ação para desfazer a resposta de luta ou fuga e trazer o corpo de volta ao equilíbrio. Os batimentos cardíacos começam a desacelerar em poucos minutos, normalmente entre 5 e 10 minutos após o estímulo que causou o susto.

    Já a sensação de nervosismo, tremor ou corpo “ainda em alerta” pode levar um pouco mais de tempo para desaparecer completamente. Em média, entre 20 e 30 minutos o organismo costuma voltar ao estado normal.

    Quando procurar ajuda médica?

    Procure atendimento médico imediato nas seguintes situações:

    • Coração acelerado por mais de 30 minutos;
    • Dor ou aperto no peito;
    • Falta de ar ou dificuldade para respirar;
    • Sudorese intensa sem motivo aparente;
    • Tontura, desmaio ou sensação de desmaio iminente.

    Os sinais podem indicar alguma complicação desencadeada pelo pico de adrenalina, como arritmia, piora da pressão arterial ou até início de um quadro cardíaco agudo.

    A avaliação médica é importante para descartar problemas maiores e garantir que o coração volte ao funcionamento normal de maneira segura.

    Veja mais: Arritmia cardíaca: quando os batimentos fora de ritmo merecem atenção

    Perguntas frequentes

    Como diferenciar um susto de um infarto de verdade?

    O susto tende ao melhorar espontaneamente em minutos, de modo que os batimentos desaceleram e o desconforto diminui.

    Em casos de infarto, a dor no peito costuma ser forte, como um aperto, não passa com o tempo, pode irradiar para braço, costas ou mandíbula. A pessoa também pode sentir falta de ar, suor frio, náusea e tontura.

    Assim, se você apresentar sintomas persistentes ou intensos, trate como uma urgência e procure atendimento médico!

    O que fazer para acalmar o coração mais rápido?

    Algumas medidas podem ajudar a aliviar o coração acelerado, como:

    • Afastar-se do estímulo que causou o susto;
    • Sentar ou deitar com conforto;
    • Respirar lenta e profundamente (por exemplo, inspirar 4 segundos e expirar 6 segundos por alguns minutos);
    • Beber água;
    • Ficar em ambientes tranquilos, com pouca luz;
    • Focar no relaxamento muscular.

    Um susto isolado faz mal para o coração a longo prazo?

    Para pessoas sem doença cardíaca, um susto isolado não costuma deixar sequelas, pois o organismo foi feito para lidar com picos de estresse e retornar ao equilíbrio. O problema acontece quando os picos são muito frequentes e existem fatores de risco, como estresse crônico, sono ruim, sedentarismo e tabagismo.

    O coração pode “pular batidas” depois do susto?

    O coração pode apresentar batimentos irregulares logo após um susto porque a adrenalina age diretamente no nó sinusal, que é o marcapasso natural do coração. Ele torna o ritmo mais excitável e pode provocar batimentos extras ou a sensação de que o coração está falhando por alguns segundos.

    O susto pode causar desmaio?

    O susto pode causar desmaio porque o cérebro pode receber menos sangue por alguns segundos no pico do estresse. A circulação muda muito rápido e o corpo pode desligar por um instante como forma de proteção. Depois, a pressão tende a normalizar, o sangue volta a circular bem no cérebro e a pessoa acorda sozinha.

    No entanto, se o desmaio vier acompanhado de dor torácica intensa, falta de ar intensa ou demora para recuperar a consciência, é fundamental buscar atendimento médico imediato.

    Veja também: Dormir mal prejudica a saúde do coração? Conheça os riscos

  • Cafeína faz mal para o coração? Veja os efeitos (e quanto tomar)

    Cafeína faz mal para o coração? Veja os efeitos (e quanto tomar)

    Você sabia que quase todos os brasileiros consomem café diariamente? Seja ao acordar ou durante a tarde, a bebida é uma paixão nacional e ajuda a manter o corpo alerta, melhorar o foco e trazer sensação de aconchego em meio à rotina agitada.

    Mas, apesar de fazer parte do dia a dia de tantas pessoas, existem alguns pontos sobre o café (e a cafeína) que precisam de atenção para não prejudicar o organismo — sobretudo em pessoas que convivem com problemas cardiovasculares, como hipertensão e arritmia. Entenda mais, a seguir.

    Como a cafeína afeta o coração?

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, a cafeína é responsável por bloquear os receptores cerebrais de adenosina, uma substância que normalmente induz o relaxamento dos vasos e contribui para reduzir a atividade cardíaca. Quando isso acontece, ocorre um estímulo direto ao sistema nervoso central, o que aumenta a liberação de noradrenalina.

    A liberação de substâncias estimulantes aumenta a frequência dos batimentos cardíacos, deixando o coração mais acelerado por um período curto de tempo. Isso aumenta a sensação de alerta, melhora o foco e deixa o corpo em estado de maior atenção, algo comum quando o sistema nervoso simpático é ativado.

    Ao mesmo tempo, logo depois de tomar café, pode ocorrer um aumento temporário da pressão arterial — principalmente em quem não tem hábito de beber café ou quando a quantidade é muito alta, segundo Juliana. Isso acontece porque a cafeína prepara o corpo para uma reação de luta ou fuga.

    Nesta resposta, há liberação de adrenalina e constrição dos vasos sanguíneos, o que provoca elevação temporária da pressão e pode intensificar a sensação de batimentos mais rápidos. Ela costuma ser temporária, mas em pessoas sensíveis ou com problemas cardiovasculares, o corpo pode reagir de forma mais intensa, causando desconforto e palpitações.

    E os riscos do café?

    Os riscos do café existem quando o consumo é exagerado ou quando há alguma condição de saúde que torna o organismo mais sensível aos efeitos da cafeína. Por isso, é importante considerar alguns pontos, como:

    • Aumento transitório da pressão arterial, especialmente em pessoas que não bebem café regularmente ou que têm hipertensão não controlada. A cafeína ativa o sistema nervoso simpático e pode elevar a pressão por alguns minutos;
    • Palpitações, taquicardia e desconforto cardíaco em indivíduos sensíveis ou com arritmias pré-existentes. Nessas situações, mesmo quantidades pequenas podem gerar sensação de coração acelerado;
    • Ansiedade, irritabilidade e tremores, já que a cafeína estimula o sistema nervoso central. Em quem tem ansiedade generalizada, o café pode piorar sintomas;
    • Insônia e piora da qualidade do sono, sobretudo quando consumido no fim da tarde ou à noite. A cafeína permanece no organismo por horas e interfere no ciclo natural de repouso;
    • Refluxo e desconforto gastrointestinal em pessoas predispostas, porque o café aumenta a acidez e estimula a produção de ácido gástrico;
    • Aumento do risco de sintomas desagradáveis quando o consumo é muito alto (acima de 400 mg de cafeína por dia), incluindo dor de cabeça, sudorese, náusea e sensação de agitação.

    Pessoas com arritmia ou hipertensão devem evitar o café?

    O consumo de café deve ser moderado e levar em conta as condições individuais de cada pessoa, como explica Juliana. Pessoas com hipertensão podem beber café, desde que o consumo seja leve a moderado, sem exageros ao longo do dia.

    No caso de pessoas com arritmia, a recomendação é de atenção redobrada. Juliana aponta que doses altas de cafeína podem favorecer o aparecimento de arritmias pelo mesmo mecanismo de estímulo ao sistema nervoso simpático e aumento da frequência cardíaca. Em pessoas com arritmia prévia, essa elevação pode causar episódios mais intensos.

    Vale apontar que a sensibilidade à cafeína não é igual para todos: quem sente taquicardia, palpitações ou batimentos irregulares após consumir café deve reduzir ao máximo ou evitar a bebida.

    Qual a diferença entre a cafeína do café e de outras bebidas energéticas?

    O principal fator responsável pelo efeito estimulante do café, dos chás e dos energéticos é a presença de cafeína. O que muda entre as bebidas é a quantidade da substância em cada uma, segundo Juliana.

    Os energéticos costumam ter doses muito mais altas de cafeína e podem incluir outros estimulantes, como a taurina, além de grandes quantidades de açúcar — o que intensifica ainda mais o efeito no organismo. Os chás, por outro lado, normalmente apresentam concentrações menores de cafeína quando comparados ao café.

    Por isso, a resposta do organismo pode variar bastante. Com os energéticos, o pico de estimulação tende a ser mais rápido e mais intenso, elevando o risco de taquicardia, aumento transitório da pressão e sensação de agitação..

    No caso dos chás, o impacto costuma ser mais suave. Além da menor quantidade de cafeína, muitos contêm compostos que modulam a absorção e deixam o efeito mais gradual. Ainda assim, em pessoas sensíveis ou que já apresentam arritmias, qualquer fonte de cafeína pode desencadear desconforto.

    Quanto beber de café por dia?

    Para um adulto saudável, o recomendado é não ultrapassar 400 mg de cafeína por dia, o que equivale a aproximadamente três ou quatro xícaras de café filtrado.

    Em algumas situações, Juliana aponta que o limite deve ser mais baixo, como no caso de gestantes ou de pessoas com doenças cardíacas, para quem a orientação costuma variar entre 100 e 200 mg diários. O consumo acima do recomendado pode aumentar o risco de efeitos indesejados, incluindo alterações cardiovasculares.

    Como saber se estou exagerando no café?

    O excesso de café costuma provocar sinais ligados à superestimulação do sistema nervoso, como:

    • Ansiedade;
    • Agitação;
    • Palpitações;
    • Dificuldade para dormir;
    • Refluxo ou dor de estômago;
    • Alteração do funcionamento intestinal;
    • Irritabilidade;
    • Mau humor;
    • Dor de cabeça.

    Quando a quantidade ingerida ultrapassa o que o corpo consegue tolerar, começam a surgir sintomas incômodos que servem como alerta. Nesses casos, a dose deve ser reduzida e o corpo observado ao longo dos dias.

    Leia mais: Café: amigo do foco ou vilão da ansiedade? Descubra os efeitos no cérebro

    Perguntas frequentes

    Café prejudica o sono mesmo quando tomado à tarde?

    A cafeína permanece no organismo por horas, e em algumas pessoas a eliminação é mais lenta devido a diferenças genéticas e metabólicas. Tomar café no fim da tarde pode interferir no início do sono, reduzir a qualidade das fases profundas e causar despertares noturnos.

    A recomendação é evitar o café seis horas antes de dormir, especialmente para quem já possui dificuldade para adormecer ou distúrbios do sono.

    Quanto de cafeína tem no café?

    Uma xícara de café de cerca de 200 ml contém em média de 80 a 100 mg de cafeína, mas a quantidade pode variar bastante conforme o tipo de grão, o método de preparo e a intensidade da torra. Cafés mais concentrados, como expresso ou cold brew, por exemplo, podem apresentar valores maiores, enquanto versões mais suaves tendem a oferecer doses menores.

    Café causa dependência?

    O café pode gerar dependência leve, tanto pelo hábito quanto pelos efeitos estimulantes da cafeína. Quando o consumo é interrompido de repente, algumas pessoas apresentam dor de cabeça, irritabilidade, cansaço e dificuldade de concentração.

    Os sintomas costumam desaparecer em poucos dias. A dependência não é comparável à de outras substâncias, mas o consumo exagerado facilita esse ciclo de necessidade e abstinência.

    Café descafeinado faz mal ao coração?

    O descafeinado possui uma quantidade muito reduzida de cafeína, o que diminui efeitos como taquicardia, palpitações e insônia. Porém, ele mantém os polifenóis e parte dos antioxidantes naturais do café, o que preserva alguns benefícios cardiovasculares.

    Para quem tem arritmia, hipertensão descontrolada ou sensibilidade à cafeína, o descafeinado pode ser uma alternativa mais segura — desde que liberado pelo nutricionista.

    Café pode interferir em exames ou medicamentos?

    O café pode interferir em alguns medicamentos que afetam o sistema nervoso central, como ansiolíticos e estimulantes — e também pode alterar a absorção de certos remédios quando ingerido logo após o uso.

    Além disso, a cafeína pode distorcer resultados de exames que avaliam pressão, frequência cardíaca e estresse metabólico. Por isso, sempre é recomendável seguir as orientações médicas antes de exames ou durante tratamentos específicos.

    O organismo se acostuma com a cafeína ao longo do tempo?

    O organismo desenvolve tolerância quando o consumo de cafeína é constante. Então, com o passar dos dias ou semanas, quem bebe café regularmente passa a sentir menos os efeitos estimulantes iniciais, como aceleração dos batimentos, aumento transitório da pressão e sensação de energia imediata.

    Basicamente, isso acontece porque receptores cerebrais ligados à adenosina se adaptam ao estímulo contínuo, reduzindo a resposta fisiológica. Por outro lado, a adaptação pode levar a um aumento gradual da dose para obter o mesmo nível de alerta, o que eleva o risco de algumas pessoas exagerarem na dose.

    Café interfere no humor?

    Para muitas pessoas, o café ajuda a melhorar humor, motivação e disposição, graças ao aumento da atividade cerebral associada à liberação de dopamina e noradrenalina.

    Mas, em indivíduos mais sensíveis, a cafeína pode causar irritabilidade, impaciência e aumento da ansiedade, principalmente quando ingerida em grandes quantidades. A resposta emocional varia conforme genética, rotina, qualidade do sono e estado emocional — e observar mudanças de humor após o consumo ajuda a identificar o limite ideal para cada um.

    Veja também: Por que o café acelera o coração? Veja quantas xícaras você pode tomar

  • Magnésio para o coração: como o mineral ajuda no controle da pressão arterial

    Magnésio para o coração: como o mineral ajuda no controle da pressão arterial

    O magnésio é um mineral essencial para o funcionamento do organismo, atuando em centenas de reações bioquímicas que garantem o funcionamento adequado das células, dos músculos, dos nervos e do coração.

    Ele participa da produção de energia, ajuda na contração e no relaxamento dos músculos, auxilia na formação dos ossos e regula diversas reações químicas dentro das células. No coração, em especial, o magnésio atua na estabilidade elétrica das células cardíacas, ajudando a manter um ritmo regular e evitando alterações que podem levar a palpitações ou arritmias.

    Como o corpo não produz o mineral, é preciso obtê-lo diariamente por meio da alimentação ou, quando necessário, por suplementação indicada por um profissional de saúde.

    Qual a importância do magnésio para o coração?

    O magnésio participa de mais de trezentas reações que mantêm o corpo em funcionamento adequado, incluindo processos fundamentais para o sistema cardiovascular.

    A cardiologista Juliana Soares explica que o mineral consegue bloquear canais de cálcio, responsáveis por estimular a contração muscular. A regulação dessa entrada de cálcio permite que o músculo se contraia e, logo depois, relaxe de modo correto.

    No coração, o mineral ajuda o músculo cardíaco a relaxar a cada batimento, garantindo um funcionamento mais eficiente e evitando contrações excessivamente tensas. Nos vasos sanguíneos, o efeito é semelhante: ao bloquear a entrada de cálcio, o magnésio favorece o relaxamento da parede das artérias, o endotélio, promovendo a vasodilatação.

    Com os vasos mais dilatados, o sangue circula com mais facilidade, reduzindo a resistência dentro das artérias e diminuindo a sobrecarga sobre o coração. Por isso, Juliana reforça que o magnésio tem papel direto no controle da pressão arterial e no bom funcionamento do sistema cardiovascular como um todo.

    Magnésio ajuda a regular a pressão arterial e o ritmo cardíaco

    Quando o magnésio promove o relaxamento das artérias, Juliana explica que o coração passa a bombear o sangue com uma força menor, já que os vasos estão mais relaxados. Isso contribui para a redução da pressão arterial.

    Para completar, ele atua diretamente no ritmo cardíaco, pois participa de um processo essencial chamado transporte de sódio e potássio. Ao ajudar a equilibrar esse transporte, o mineral mantém o ritmo cardíaco mais estável e auxilia na prevenção de alguns tipos de arritmia.

    Quais os alimentos ricos em magnésio?

    O magnésio pode ser obtido principalmente por meio da alimentação, já que o corpo não produz o mineral e depende totalmente da ingestão diária para manter níveis adequados. A maneira mais simples e natural de garantir a reposição é incluir no dia a dia alimentos ricos no mineral, como:

    • Vegetais verde-escuros, a exemplo de espinafre, couve e brócolis;
    • Sementes variadas, como chia, linhaça, gergelim e sementes de abóbora;
    • Oleaginosas, entre elas amêndoas, castanha-do-pará e castanha-de-caju;
    • Leguminosas, como feijão, lentilha, ervilha e grão-de-bico;
    • Grãos integrais, como aveia e arroz integral;
    • Cacau e chocolate amargo;
    • Peixes como salmão e atum.

    Quando a suplementação de magnésio é indicada?

    A alimentação equilibrada costuma atender boa parte das necessidades diárias, mas algumas pessoas podem precisar de suplementação, segundo Juliana, principalmente em situações como:

    • Deficiência de magnésio;
    • Pacientes com hipertensão, arritmias ou outras condições cardíacas;
    • Atletas de alto rendimento, que podem perder magnésio pelo suor;
    • Uso de diuréticos, que aumenta a eliminação do mineral;
    • Situação de estresse, que consome as reservas naturais de magnésio.

    Nesses casos, o recomendado é procurar orientação de um médico, que pode definir a dose ideal para cada pessoa. Não se automedique!

    Sintomas da deficiência de magnésio

    Existe um tipo de deficiência chamada deficiência subclínica, em que a falta de um nutriente não é grande o suficiente para aparecer nos exames básicos, mas já é capaz de provocar sintomas. Isso ocorre principalmente pelo consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, que não possuem fontes naturais de magnésio, como explica Juliana.

    Alguns sinais que podem indicar baixa de magnésio no organismo incluem:

    • Cãibras;
    • Tremor na pálpebra;
    • Tensão muscular;
    • Palpitações;
    • Aumento da pressão arterial de difícil controle;
    • Insônia;
    • Ansiedade;
    • Cansaço crônico.

    Excesso de magnésio também faz mal?

    O excesso de magnésio no sangue, chamado hipermagnesemia, é difícil de ocorrer apenas pela alimentação, mas o uso de suplementação não supervisionada, especialmente em pessoas com problemas renais, pode levar ao acúmulo do mineral.

    Segundo Juliana, o excesso pode provocar queda acentuada da pressão (hipotensão), batimentos cardíacos extremamente lentos (bradicardia) e, em casos extremos, um relaxamento tão intenso do músculo cardíaco que pode ocorrer parada cardíaca. Por isso, a suplementação deve ser sempre orientada por um profissional de saúde.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Perguntas frequentes

    1. O que pode causar deficiência de magnésio?

    A causa mais comum da deficiência de magnésio envolve alimentação pobre em vegetais, sementes e oleaginosas, além de uso de diuréticos, problemas gastrointestinais, consumo excessivo de álcool e perdas aumentadas pelo suor.

    2. Quem pode precisar de suplementação de magnésio?

    A suplementação pode ser indicada para pessoas com deficiência confirmada, quadros de arritmia, hipertensão difícil de controlar, uso prolongado de diuréticos, atletas de grande volume de treino ou indivíduos com dietas muito restritas.

    3. Magnésio ajuda no sono e no estresse?

    A contribuição ocorre porque o mineral participa da regulação neuromuscular e da produção de energia, favorecendo relaxamento, qualidade do sono e estabilidade emocional, principalmente em momentos de tensão prolongada.

    4. Existe diferença entre os tipos de magnésio para suplementação?

    A diferença entre os tipos ocorre na forma como cada composto é absorvido e utilizado pelo organismo, já que o magnésio glicina, malato, dimalato, treonato e citrato apresentam características próprias. Por isso, a escolha deve considerar objetivo, tolerância digestiva e orientação de um profissional de saúde.

    5. Bebidas alcoólicas interferem nos níveis de magnésio?

    Sim, porque o álcool aumenta a eliminação urinária do mineral e dificulta a absorção adequada, o que ao longo do tempo reduz níveis corporais e piora sintomas relacionados à falta de magnésio, como cansaço, cãibras e irritabilidade.

    6. Como saber a quantidade ideal de magnésio por dia?

    A definição da quantidade ideal depende da idade, do estágio da vida, das condições de saúde, do nível de atividade física e da alimentação habitual, sendo recomendada avaliação individual com um profissional para ajustar a ingestão.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Isotônico ajuda na pressão baixa? Saiba quando funciona 

    Isotônico ajuda na pressão baixa? Saiba quando funciona 

    Se você é uma pessoa que treina com regularidade, já deve saber que as bebidas isotônicas podem ajudar na hidratação depois de um dia quente ou de uma corrida mais intensa. Também conhecidas como bebidas esportivas, elas foram formuladas para repor água, eletrólitos e carboidratos de maneira rápida, corrigindo perdas que ocorrem pelo suor durante atividades físicas prolongadas ou muito vigorosas.

    No caso de pessoas com pressão baixa, os isotônicos podem ser úteis em algumas situações. A queda de pressão muitas vezes está ligada à perda de líquidos ou ao esforço físico em ambientes quentes, casos nos quais a reposição de eletrólitos contribui para restabelecer equilíbrio entre a circulação e a temperatura corporal.

    No entanto, existem alguns cuidados importantes antes de incluir as bebidas isotônicas na rotina com a intenção de controlar os episódios de pressão baixa. Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para esclarecer quando o consumo faz sentido e quando é necessário procurar um médico.

    Afinal, o que são bebidas isotônicas e para que servem?

    Os isotônicos são bebidas formuladas para repor, de maneira rápida, a água e os eletrólitos perdidos pelo suor durante atividades físicas intensas ou prolongadas. A composição combina água, sódio, potássio e carboidratos em concentrações semelhantes às do plasma sanguíneo, o que facilita a absorção e ajuda a manter equilíbrio entre hidratação, temperatura corporal e desempenho físico.

    Eles servem especialmente para evitar desidratação durante treinos intensos, corridas longas, esportes em clima quente ou situações em que há perda de suor muito acima do normal. Ainda, os isotônicos ajudam a manter a temperatura do corpo estável, sustentam desempenho físico e aceleram a recuperação após bastante esforço.

    Qual a diferença entre isotônicos e água?

    Para entender a diferença, é importante conhecer o conceito de osmolaridade, de acordo com Juliana. A osmolaridade é a quantidade de partículas dissolvidas em um líquido, como eletrólitos (sódio, potássio), glicose e outras moléculas. Quanto mais partículas uma solução tem, maior é a osmolaridade.

    Com base nisso, as soluções podem ser divididas em três grupos, de acordo com a quantidade de partículas dissolvidas em comparação ao sangue:

    • Hipotônicas: apresentam concentração menor de partículas do que o sangue, e a água pura é um exemplo. Por terem poucas partículas, entram nas células com mais facilidade e servem principalmente para repor líquido, não eletrólitos;
    • Isotônicas: possuem concentração de partículas muito parecida com a do sangue, como é o caso das bebidas isotônicas. Como a osmolaridade é semelhante, a absorção acontece de forma rápida e eficiente, permitindo repor água, sais minerais e energia ao mesmo tempo;
    • Hipertônicas: têm concentração maior de partículas do que o sangue. Por serem mais “concentradas”, elas puxam água das células para o líquido ao redor, e não são indicadas para hidratação pós-exercício, já que podem aumentar a sede e não corrigem perdas de suor de maneira adequada.

    Conforme explica Juliana, a água tende a se deslocar da solução menos concentrada para a mais concentrada. Por isso, a osmolaridade influencia diretamente a forma como o corpo absorve líquidos.

    A hidratação com água tem como função principal repor apenas o líquido perdido. Como a água é hipotônica em relação ao sangue, ela hidrata, mas não repõe eletrólitos.

    Por outro lado, a bebida isotônica repõe água, eletrólitos (como sódio e potássio) e carboidratos. Por ter osmolaridade semelhante à do sangue, é absorvida com mais rapidez pelo intestino e ajuda a corrigir desidratação de forma mais eficiente.

    Isotônicos são bons para pressão baixa?

    A solução isotônica pode ajudar quando a queda de pressão está relacionada à desidratação. Nesses casos, Juliana explica que a pressão baixa ocorre porque o volume de sangue circulante diminui, situação conhecida como hipovolemia. Quando o organismo perde muito líquido, seja por calor intenso, suor excessivo ou atividade física prolongada, a circulação fica comprometida e a pressão tende a cair.

    Como a solução isotônica contém água, sódio e glicose em concentração semelhante à do sangue, a absorção no intestino acontece de forma mais rápida e eficiente. Isso favorece a reposição do volume sanguíneo e melhora o mal-estar de maneira mais eficaz do que a água pura, que repõe apenas o líquido perdido.

    Contudo, vale lembrar que a solução isotônica não é um tratamento para hipotensão crônica. Ela apenas auxilia em quedas de pressão causadas por desidratação ou redução temporária do volume sanguíneo, como em dias muito quentes ou após exercícios intensos. Quadros de hipotensão crônica devem ser avaliados por um médico.

    Quando as bebidas isotônicas são indicadas?

    As bebidas isotônicas são indicadas quando há perda significativa de líquidos e eletrólitos, situação em que o corpo precisa de reposição mais completa do que a água oferece. Assim, podem ser úteis em situações como:

    • Exercícios intensos ou prolongados, como treinos de mais de uma hora, corridas longas, ciclismo, futebol e treinos de alta temperatura;
    • Atividades em ambientes muito quentes, que provocam suor excessivo e maior risco de desidratação;
    • Competições ou treinos repetidos no mesmo dia, em que o corpo não tem tempo suficiente para recuperar eletrólitos apenas com água e alimentação;
    • Episódios de grande sudorese, como após trabalhar sob sol forte ou praticar exercícios ao ar livre;

    Elas não são indicadas para consumo diário, nem para tratar pressão baixa crônica ou sintomas que aparecem sem relação com calor ou esforço físico. Os isotônicos também não são necessários em atividades físicas curtas, leves ou quando o objetivo é apenas manter a hidratação do dia a dia. Substituir água por isotônico sem necessidade não é recomendado, porque isso aumenta o consumo de açúcar e eletrólitos de forma desnecessária.

    Quem tem pressão baixa crônica pode beber isotônicos no dia a dia?

    A pressão baixa crônica (hipotensão crônica) acontece quando a pressão arterial fica baixa o tempo todo, e não só em momentos isolados. Por isso, é importante procurar um médico para descobrir por que a pressão está sempre baixa.

    Segundo Juliana, quando a queda de pressão é causada por mecanismos neuromediados, como na hipotensão postural (situação em que a pessoa está deitada ou sentada, levanta rápido e sente mal-estar), normalmente é indicado o aumento da ingestão de líquidos e de sódio.

    Nesses casos, as bebidas isotônicas até podem ajudar, porque fornecem água e eletrólitos como sódio e potássio, o que melhora o volume de sangue circulante. Contudo, além de sais minerais, os isotônicos também contêm carboidratos e açúcares, o que pode ser prejudicial a longo prazo quando é consumido sem necessidade. Por isso, o consumo não deve ser diário nem usado como substituto de uma hidratação adequada com água.

    Cuidados com o consumo excessivo

    O uso de isotônicos frequentemente, sem necessidade, pode causar alguns efeitos metabólicos indesejáveis. No caso do açúcar, Juliana explica que o uso constante pode provocar picos repetidos de glicemia, que ao longo do tempo favorecem resistência insulínica e podem, em algumas pessoas, evoluir para diabetes tipo 2. Eles também contribuírem para ganho de peso e outras alterações metabólicas que se instalam de forma gradual.

    Quanto ao sódio, o excesso prolongado pode alterar níveis de pressão arterial e sobrecarregar os rins. No entanto, para que isso ocorra, seria necessário um consumo muito elevado por longos períodos, bem acima do que costuma acontecer no uso ocasional de isotônicos.

    Em todos os casos, o ideal é que o consumo ocorra apenas em situações em que realmente fazem diferença, como durante exercícios prolongados, em dias muito quentes ou após grande perda de suor, evitando incluí-los na rotina diária sem orientação.

    Em todos os outros momentos, a hidratação com água continua sendo a forma mais segura e adequada de manter o equilíbrio do organismo.

    Como evitar crises de pressão baixa?

    Primeiro de tudo, pessoas com hipotensão devem consultar um médico para entender por que a pressão está sempre baixa e definir quais medidas fazem sentido para cada caso. Normalmente, para evitar crises de pressão baixa, alguns cuidados simples podem ajudar bastante no dia a dia, como:

    • Beber água ao longo do dia: a hidratação adequada evita queda do volume sanguíneo, que é uma das causas mais comuns de tontura e mal-estar em quem tem pressão baixa;
    • Fazer refeições menores e mais frequentes: grandes volumes de comida desviam sangue para o sistema digestivo e podem piorar a sensação de fraqueza; ajustar o consumo de sal, quando o médico indicar, também ajuda a manter a pressão mais estável;
    • Levantar-se lentamente: ao sair da cama ou de uma cadeira, fazer movimentos graduais evita a hipotensão postural, que acontece quando a pressão cai repentinamente ao mudar de posição;
    • Evitar ambientes quentes e abafados: o calor provoca vasodilatação, o que facilita quedas de pressão, especialmente quando a pessoa já está desidratada ou ficou muito tempo em pé;
    • Não permanecer longos períodos em pé parado: movimentar as pernas, caminhar um pouco ou contrair a panturrilha melhora o retorno venoso e ajuda a prevenir tonturas;
    • Considerar meias elásticas quando houver orientação médica: elas podem ajudar a impulsionar o sangue de volta ao coração, reduzindo a chance de queda de pressão, mas só devem ser usadas após avaliação profissional.

    No caso de tontura ou mal-estar por queda de pressão, Juliana orienta que é importante se deitar imediatamente ou sentar e colocar a cabeça entre os joelhos. Se estiver deitado, elevar as pernas ajuda no retorno venoso e melhora o fluxo de sangue para o cérebro.

    Veja também: Tempo seco pode piorar as alergias? Saiba o que fazer para se proteger

    Perguntas frequentes

    Quais são os sintomas mais comuns de pressão baixa?

    Os sintomas de pressão baixa incluem:

    • Tontura;
    • Visão embaçada;
    • Fraqueza súbita;
    • Suor frio;
    • Palidez;
    • Náusea ou confusão mental.

    Os sinais surgem porque o cérebro recebe menos sangue por alguns instantes, gerando respostas rápidas do organismo. Em quadros mais intensos, a pessoa pode desmaiar, especialmente quando está desidratada ou permanece muito tempo em pé sem se mover.

    Pressão baixa é perigosa?

    A pressão baixa ocasional normalmente não representa risco, principalmente quando está ligada ao calor, a desidratação ou a mudanças bruscas de posição. Porém, quedas frequentes, desmaios repetidos ou sintomas intensos merecem investigação de um médico, porque podem indicar distúrbios hormonais, anemia, arritmias ou efeitos de medicamentos.

    Por que levantar rápido pode provocar pressão baixa?

    Quando a pessoa se levanta abruptamente, o sangue se desloca para as pernas por ação da gravidade. O corpo precisa contrair vasos rapidamente para manter circulação adequada no cérebro, e se essa resposta demora alguns segundos, ocorre a hipotensão postural. É por isso que algumas pessoas levantam e sentem escurecimento da visão, zumbido e instabilidade.

    Quem tem pressão baixa deve evitar exercícios físicos?

    Não, pois os exercícios regulares fortalecem o sistema cardiovascular e melhoram a capacidade de resposta do corpo. Mas, o ideal é que a pessoa evite treinos em ambientes muito quentes, se hidrate antes e durante a atividade e se levante lentamente após exercícios no chão. Um profissional pode ajustar a intensidade e duração do treino.

    Tomar café ajuda a subir a pressão?

    O café pode melhorar temporariamente a disposição e a sensação de alerta, mas não é um tratamento para pressão baixa. A cafeína causa leve vasoconstrição e pode reduzir a sensação de mal-estar por alguns minutos, mas o efeito é curto e não atua sobre as causas reais da queda. Na verdade, em algumas pessoas, excesso de café pode até piorar sintomas como ansiedade e palpitações.

    Quem tem pressão baixa pode tomar banhos quentes?

    A água quente provoca vasodilatação, o que reduz a pressão arterial e pode causar tontura ao sair do banho, então é importante evitar banhos muito quentes. Para quem tem tendência à hipotensão, é recomendado manter temperatura morna e evitar duchas muito prolongadas em ambientes abafados.

    Veja mais: Doenças autoimunes: 10 sinais para você ficar atento

  • Como as vacinas ajudam a proteger o coração? Cardiologista explica

    Como as vacinas ajudam a proteger o coração? Cardiologista explica

    As vacinas são as principais ferramentas de prevenção contra infecções. Elas treinam o sistema imunológico para reconhecer e combater vírus e bactérias, protegendo o corpo contra doenças graves — inclusive complicações cardiovasculares.

    As infecções respiratórias, como a influenza, sobrecarregam o corpo e elevam significativamente o risco de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). Para se ter uma ideia, estudos mostram que, nas semanas seguintes a uma infecção viral, a chance de um ataque cardíaco pode ser até seis vezes maior, principalmente em adultos mais velhos.

    Isso acontece porque o vírus aumenta a viscosidade do sangue e provoca inflamação nas artérias, o que pode enfraquecer as placas de gordura acumuladas nas paredes dos vasos e favorecer a formação de coágulos. Quando esses coágulos bloqueiam a circulação, o resultado pode ser uma complicação grave, como infarto ou AVC. Vamos entender melhor, a seguir!

    Como as infecções respiratórias afetam o coração?

    As infecções respiratórias desencadeiam uma reação em cadeia no organismo que pode afetar de forma significativa o coração e os vasos sanguíneos — aumentando o risco de eventos cardíacos agudos. De acordo com a cardiologista Edilza Câmara Nóbrega, isso acontece por alguns mecanismos principais, como:

    • Inflamação sistêmica: a infecção viral provoca uma resposta inflamatória intensa em todo o corpo. A inflamação torna as placas de gordura (ateroscleróticas) nas artérias coronárias mais instáveis, elevando a probabilidade de rompimento;
    • Aumento da coagulação: o processo inflamatório também eleva a tendência do sangue a coagular. Com isso, podem se formar coágulos que bloqueiam completamente uma artéria (trombose), levando ao infarto;
    • Maior esforço cardíaco: a febre e a dificuldade para respirar aumentam a demanda de trabalho do coração, o que é perigoso em pessoas com doenças cardíacas prévias. A infecção pode causar taquicardia, elevação da pressão arterial e até agravar quadros de insuficiência cardíaca.

    O que a vacinação tem a ver com a saúde cardíaca?

    A vacinação contra a gripe é considerada uma das principais medidas de prevenção cardiovascular em pessoas com doenças do coração. Ao prevenir infecções respiratórias graves, a vacina reduz a inflamação no organismo e evita o pico inflamatório que pode desestabilizar as placas de gordura nas artérias.

    Além disso, “a vacinação demonstrou reduzir o risco de infarto, AVC e hospitalizações por insuficiência cardíaca e pneumonia em pacientes com cardiopatias. É, em essência, uma forma de proteger as artérias e o músculo cardíaco”, explica Edilza.

    Mesmo quando a pessoa vacinada contrai o vírus da gripe, a doença tende a ser mais leve e de curta duração, o que diminui o esforço do coração e contribui para uma recuperação mais rápida.

    Quem precisa ter atenção redobrada com a vacinação e o coração?

    Todos os pacientes com doenças cardíacas devem estar com o calendário vacinal em dia, mas alguns grupos merecem cuidado especial:

    • Pessoas com insuficiência cardíaca;
    • Pacientes que já tiveram infarto ou fizeram cirurgia cardíaca;
    • Indivíduos com doença arterial coronariana;
    • Pacientes com múltiplas comorbidades, como diabetes, hipertensão ou doença renal crônica.

    Além disso, idosos, gestantes e profissionais da saúde fazem parte dos grupos prioritários nas campanhas de vacinação.

    Além da gripe: quais vacinas ajudam a proteger o coração?

    Além da vacina da gripe, outros imunizantes também são importantes para proteger o sistema cardiovascular, como a vacina pneumocócica e a da covid-19.

    “A pneumonia é uma complicação grave da gripe e também pode levar ao infarto e à descompensação da insuficiência cardíaca. A vacinação reduz o risco de pneumonia e suas complicações cardiovasculares”, explica Edilza.

    Já a covid-19 pode causar inflamação sistêmica intensa, aumentando o risco de miocardite, trombose, infarto e AVC. A imunização reduz drasticamente a chance de quadros graves e complicações cardiovasculares.

    Cuidados antes e depois da vacinação

    Antes da vacinação

    • Em caso de febre alta ou infecção aguda, aguarde melhora;
    • Não interrompa medicamentos de uso contínuo;
    • Informe sempre ao profissional de saúde os tratamentos em uso.

    Depois da vacinação

    • Dor ou inchaço no local podem ocorrer por até dois dias;
    • Febre baixa e cansaço leve são comuns;
    • Reações intensas ou persistentes devem ser avaliadas pelo médico.

    Pacientes em tratamento oncológico também precisam se vacinar?

    A vacinação é recomendada e fundamental para pacientes em tratamento oncológico. “Embora o foco seja evitar infecções graves, a prevenção também protege o sistema cardiovascular ao reduzir inflamação e estresse no organismo”, afirma Edilza.

    Esses pacientes devem receber vacinas inativadas e seguir a orientação do oncologista quanto ao melhor momento para imunização.

    Leia também: Anemia e doenças cardíacas: por que requer cuidado redobrado?

    Perguntas frequentes sobre vacinação e coração

    A vacinação contra a gripe é indicada apenas para quem tem problemas cardíacos?

    Não. Ela é recomendada para toda a população, mas é ainda mais importante para pessoas com doença cardiovascular.

    Como a gripe pode causar infarto ou AVC?

    A inflamação causada pela infecção pode romper placas de gordura nas artérias e formar coágulos que bloqueiam a circulação.

    Pacientes com marcapasso ou stents podem tomar vacinas?

    Sim. A vacinação é segura e fortemente indicada nesses casos.

    Quem já teve infarto precisa se vacinar todo ano?

    Sim. A vacinação anual ajuda a reduzir o risco de novas complicações.

    É perigoso tomar várias vacinas no mesmo período?

    Não. O organismo está preparado para responder a múltiplas vacinas.

    O que fazer se eu tiver reação após a vacina?

    Reações leves são comuns. Caso os sintomas sejam intensos ou persistentes, procure orientação médica.

    Confira: Suspeita de infarto: conheça os erros que colocam vidas em risco e saiba como agir

  • Comer muito tarde pode causar diabetes? Saiba os riscos de comer perto da hora de dormir

    Comer muito tarde pode causar diabetes? Saiba os riscos de comer perto da hora de dormir

    Se você é uma daquelas pessoas que costuma jantar muito tarde por causa da rotina puxada, provavelmente já se perguntou se isso faz algum mal ao organismo. A correria do dia, o trânsito, o trabalho e as tarefas acumuladas acabam empurrando a última refeição para perto da hora de dormir — mas o hábito pode interferir no modo como o corpo funciona durante a noite. Vamos entender mais, a seguir.

    O que acontece com o corpo quando comemos muito tarde?

    A digestão noturna funciona de um jeito diferente porque o organismo segue um relógio natural, chamado ritmo circadiano, que reduz o metabolismo durante a noite. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, quando escurece, o corpo começa a produzir melatonina, o hormônio do sono, que coloca o pâncreas em estado de descanso.

    Como o pâncreas libera a insulina, hormônio que ajuda a metabolizar o açúcar, comer tarde cria um descompasso entre a chegada do alimento e a capacidade do corpo de lidar com ele, já que o organismo reduz o ritmo metabólico à noite.

    Com isso, a cardiologista explica que a glicose permanece mais tempo circulando, e o pâncreas precisa trabalhar justamente quando deveria repousar, mas com menor eficiência. A liberação de insulina se torna mais lenta e menos eficaz, o que favorece o acúmulo de açúcar no sangue, o início da resistência insulínica e o aumento da gordura corporal.

    Comer tarde aumenta o risco de diabetes e pressão alta?

    Como a eficiência da insulina é menor durante a noite, há maior chance de o açúcar permanecer circulando no sangue (hiperglicemia), um efeito que pode se estender por toda a noite.

    Se isso acontece repetidamente, Juliana esclarece que o corpo passa a desenvolver resistência à insulina. O organismo entende que precisa produzir quantidades cada vez maiores do hormônio para metabolizar a glicose disponível, o que, com o tempo, pode evoluir para diabetes tipo 2.

    No caso da pressão arterial, durante a noite, acontece um processo natural chamado descenso noturno, fundamental para a regulação do sistema cardiovascular.

    Quando comemos muito tarde, a digestão mantém o organismo ativo e exige maior fluxo de sangue para o estômago, mantendo a pressão elevada mesmo durante o sono. A ausência dessa queda natural da pressão pode aumentar o risco de eventos como infarto e AVC.

    Por que não pode comer e dormir logo em seguida?

    O corpo não está preparado para realizar digestão intensa no momento em que deveria iniciar os processos de descanso e recuperação.

    A digestão exige gasto de energia, aumento do fluxo sanguíneo para o estômago e elevação da temperatura interna, enquanto o sono profundo depende justamente do contrário: redução da atividade metabólica e queda da temperatura corporal.

    Quando você deita logo após comer, alguns efeitos costumam ocorrer, como:

    • Digestão fica mais lenta e difícil, já que o estômago funciona melhor na posição vertical;
    • Temperatura interna aumenta, dificultando a entrada no sono profundo;
    • Sono se torna mais leve e fragmentado, levando a cansaço no dia seguinte;
    • Cortisol tende a subir pela manhã, porque o corpo precisa de estímulos extras para se manter alerta após uma noite de descanso ruim, favorecendo acúmulo de gordura abdominal;
    • Risco de refluxo aumenta, porque deitar logo após a refeição facilita o retorno do ácido ao esôfago.

    Qual deve ser o intervalo ideal entre a última refeição e o sono?

    Segundo Juliana, o recomendado é que a última refeição seja feita pelo menos três horas antes de dormir. O intervalo é suficiente para permitir o esvaziamento gástrico e para que os níveis de insulina e glicose diminuam após o processo de metabolização.

    O que deve ser evitado na refeição da noite?

    O horário da refeição é importante, mas o tipo de alimento pode intensificar ainda mais os efeitos no organismo.

    Juliana explica que carboidratos refinados, açúcares e gorduras saturadas são particularmente prejudiciais quando ingeridos à noite porque têm maior capacidade de desregular o relógio biológico, aumentar rapidamente a glicose e exigir um esforço maior do metabolismo justamente no período em que o corpo naturalmente reduz o ritmo.

    Quando não é possível comer mais cedo, seja por festas, imprevistos ou compromissos, a orientação é escolher refeições mais leves, de fácil digestão e com impacto menor na glicemia — como proteínas magras, vegetais, sopas e preparações simples.

    Além disso, optar por porções menores, mastigar com calma e evitar alimentos muito gordurosos ou ricos em carboidratos simples pode diminuir a sobrecarga sobre o sistema digestivo.

    Ao longo do dia, beber água e evitar bebidas alcoólicas próximas ao horário de dormir também contribui para uma digestão mais confortável e um descanso melhor, reduzindo os efeitos negativos de uma refeição tardia.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

    Perguntas frequentes

    Deitar depois de comer é perigoso?

    O hábito de deitar logo após comer favorece o refluxo gastroesofágico, já que a posição horizontal facilita o retorno do conteúdo ácido para o esôfago. O estômago cheio também pressiona o esfíncter esofágico inferior, que funciona como uma válvula.

    Quando deitamos com o estômago ativo, aumentamos o risco de azia, sensação de queimação, tosse noturna e engasgos. Também prejudicamos a qualidade do sono, pois o corpo tenta digerir alimentos enquanto deveria iniciar o descanso metabólico.

    Quais são os melhores alimentos para comer à noite?

    À noite, o ideal é escolher alimentos de fácil digestão e com impacto menor na glicemia, como as proteínas magras. Elas não sobrecarregam o sistema digestivo, não elevam a glicose rapidamente e permitem que o organismo entre no descanso mais facilmente.

    Comer tarde engorda?

    O ganho de peso não é causado apenas pelo hábito de comer tarde, mas ele contribui para isso quando se torna frequente. Como o metabolismo está mais lento à noite, o corpo queima menos calorias enquanto digere o alimento.

    A liberação limitada de insulina também faz com que a glicose circule por mais tempo, favorecendo o armazenamento de gordura, especialmente na região abdominal.

    Para complementar, o sono piorado por refeições tardias altera hormônios da fome, como grelina e leptina, aumentando o apetite e diminuindo a saciedade no dia seguinte.

    O metabolismo de pessoas que trabalham à noite funciona de maneira diferente?

    O metabolismo de pessoas que trabalham à noite funciona de maneira alterada devido ao desalinhamento entre o ritmo circadiano interno e o horário de atividade laboral. Eles tendem a se alimentar em horários que o corpo reconhece como horários de repouso, o que aumenta o risco de resistência à insulina, ganho de peso e alterações do colesterol.

    Beliscar alimentos durante a madrugada é perigoso?

    Como o corpo está em ritmo de repouso e o metabolismo funciona de forma muito lenta, o hábito de beliscar alimentos na madrugada aumenta o risco de refluxo, piora do sono, ganho de gordura abdominal e desregulação da glicemia.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

  • Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Você já deve saber que o grau de obesidade é medido pelo índice de massa corporal (IMC), que compara peso e altura para indicar se a pessoa está dentro da faixa considerada saudável. Mas então, por que é tão importante medir a circunferência abdominal?

    O acúmulo de gordura na região abdominal não envolve apenas questões estéticas, estando diretamente relacionado a maior risco cardiovascular e a alterações metabólicas importantes.

    A circunferência da cintura permite identificar quando há excesso de gordura visceral, localizada entre órgãos como fígado e pâncreas, que é considerada uma das formas mais perigosas de acúmulo de gordura no corpo.

    Por que a gordura visceral é tão perigosa?

    A gordura visceral é aquela que se acumula dentro do abdômen, ao redor de órgãos como fígado, pâncreas e intestinos. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, ela é responsável por produzir substâncias inflamatórias e hormônios que alteram diretamente o funcionamento do organismo, mantendo o corpo em um estado de inflamação persistente.

    A liberação contínua das substâncias mantém o organismo em um estado de inflamação crônica, favorecendo aumento da pressão arterial, piora do colesterol e elevação da glicose circulante.

    Como a gordura visceral está localizada entre órgãos vitais, os ácidos graxos liberados chegam rapidamente ao fígado, estimulando maior produção de glicose e de lipoproteínas de muito baixa densidade, que contribuem para a formação de placas nas artérias.

    A cardiologista ainda explica que o conjunto de alterações aumenta a resistência à insulina, favorece o acúmulo de gordura no fígado e cria um ambiente favorável ao desenvolvimento de diabetes tipo 2, aterosclerose, infarto e AVC.

    Importância da circunferência abdominal

    A medida da cintura abdominal é um indicador da quantidade de gordura visceral presente no organismo, segundo Juliana. Quanto maior a circunferência da cintura, maior tende a ser o acúmulo de gordura visceral e, por consequência, maior o risco de doenças cardiovasculares e alterações metabólicas.

    Mesmo pessoas com o peso aparentemente normal podem apresentar acúmulo significativo de gordura interna na região abdominal, o que aumenta a probabilidade de desenvolver hipertensão, diabetes tipo 2, colesterol alto e um estado de inflamação crônica.

    “Existem indivíduos que estão com IMC dentro da faixa da normalidade, porém eles têm uma quantidade de gordura desproporcionalmente distribuída, tendo mais gordura visceral. Então, se a circunferência abdominal estiver acima dos limites, mesmo com peso normal e IMC dentro do adequado, há risco cardiovascular aumentado”, explica Juliana.

    Vale apontar que essas alterações surgem de maneira gradual e muitas vezes sem sintomas, à medida que o organismo permanece exposto a inflamação persistente, circulação comprometida e desequilíbrios metabólicos prolongados.

    Qual é a medida ideal para homens e mulheres?

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde, os valores de referência são:

    Circunferência abdominal em mulheres

    • Ideal: menor que 80 cm;
    • Risco aumentado: entre 80 cm e 88 cm;
    • Alto risco: maior que 88 cm.

    Circunferência abdominal em homens

    • Ideal: menor que 94 cm;
    • Risco aumentado: entre 94 cm e 102 cm;
    • Alto risco: maior que 102 cm.

    O aumento da gordura visceral é influenciado por fatores que alteram o metabolismo e favorecem o acúmulo na região da cintura, como alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo, consumo frequente de bebidas alcoólicas e sono de má qualidade.

    A genética e o envelhecimento também interferem na distribuição da gordura corporal, facilitando o acúmulo com o passar dos anos.

    Como medir a circunferência abdominal em casa?

    A medição da circunferência abdominal em casa é simples e pode ser feita com uma fita métrica comum. Veja o passo a passo:

    1. Tire os sapatos e deixe a região da cintura livre de roupas, para que a fita encoste diretamente na pele;
    2. Fique em pé, com postura ereta, pés paralelos e afastados na largura do quadril, braços relaxados ao lado do corpo e abdômen solto, respirando normalmente;
    3. Passe a mão abaixo das costelas até encontrar a última costela fixa (10ª costela). Faça uma marca leve com caneta;
    4. Toque a parte mais alta do osso do quadril (crista ilíaca) e faça outra marca;
    5. Encontre o ponto médio entre as duas marcações; é ali que a circunferência deve ser medida;
    6. Passe a fita métrica ao redor do corpo na altura do ponto médio, certificando-se de que ela esteja paralela ao chão e não aperte a pele;
    7. Inspire e solte totalmente o ar, mantendo o abdômen relaxado, e então faça a leitura olhando a fita na altura dos olhos;
    8. Retire a fita e anote o valor encontrado em centímetros para acompanhar a evolução ao longo do tempo.

    Como reduzir a circunferência abdominal?

    A gordura visceral responde diretamente a fatores metabólicos e hormonais do dia a dia, então a redução da circunferência abdominal depende de mudanças na alimentação, na rotina de exercícios e no controle do estresse. Juliana recomenda as estratégias mais adequados:

    • Educação alimentar com menor ingestão de carboidratos refinados e açúcares;
    • Reduzir o consumo de doces, bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados;
    • Aumento do consumo de fibras e proteínas, que prolongam a saciedade e ajudam no controle da glicose;
    • Prática regular de exercícios aeróbicos de intensidade moderada a alta, como caminhada rápida, corrida ou natação, favorecendo a queima de gordura visceral;
    • Inclusão de exercícios de força, como musculação e treinos de resistência, que aumentam a massa muscular e melhoram a sensibilidade à insulina;
    • Gerenciamento do estresse e manutenção de sono adequado, medidas que ajudam a regular o cortisol e evitam o acúmulo de gordura na região abdominal.

    Leia também: Gordura visceral: como ela se relaciona ao risco cardíaco?

    Perguntas frequentes

    A circunferência abdominal substitui o IMC?

    A circunferência abdominal não substitui completamente o IMC, mas é importante para complementar a avaliação. O IMC aponta a relação entre peso e altura, porém não indica onde a gordura está distribuída. Por exemplo, duas pessoas com IMC igual podem ter riscos diferentes, dependendo da presença de gordura visceral.

    Por isso, a circunferência da cintura é útil para identificar quem tem maior exposição ao risco, mesmo com peso aparentemente adequado.

    Por que o estresse aumenta a gordura abdominal?

    O estresse é responsável por elevar os níveis de cortisol, hormônio que favorece o acúmulo de gordura na cintura e aumenta o apetite, especialmente por alimentos calóricos. Quando o cortisol permanece alto por longos períodos, o organismo passa a armazenar mais gordura visceral, alterando a regulação da glicose, do colesterol e da pressão arterial.

    Beber álcool contribui para o aumento da barriga?

    O álcool interfere diretamente no metabolismo das gorduras, sobrecarrega o fígado e estimula o armazenamento de gordura na região abdominal.

    As bebidas alcoólicas também acrescentam calorias adicionais e favorecem o consumo exagerado de alimentos, criando um ambiente ideal para o aumento da circunferência abdominal.

    Reduzir a circunferência abdominal melhora o risco cardiovascular?

    Sim! Mesmo pequenas reduções já podem diminuir a pressão arterial, melhorar a sensibilidade à insulina, reduzir triglicerídeos e diminuir a inflamação sistêmica.

    Como a gordura visceral é metabolicamente ativa, qualquer queda na sua quantidade reflete rapidamente em benefícios para o coração e para o metabolismo.

    Por que algumas pessoas têm tendência maior a acumular gordura na barriga?

    A predisposição ao acúmulo de gordura abdominal depende de fatores genéticos, hormonais e comportamentais. Algumas pessoas têm metabolismo que direciona mais gordura para a região da cintura, enquanto outras acumulam mais no quadril ou nas coxas. O envelhecimento e alterações hormonais, como a queda do estrogênio nas mulheres, também favorecem o aumento da gordura visceral.

    Quanto tempo leva para reduzir a circunferência abdominal?

    O tempo pode variar conforme alimentação, rotina de exercícios, sono e genética de cada pessoa. Alguns observam mudanças em poucas semanas, enquanto outras precisam de meses para notar redução significativa.

    O mais importante é manter consistência nas escolhas diárias, porque a gordura visceral responde de forma previsível ao conjunto de hábitos saudáveis, trazendo benefícios progressivos para o metabolismo e para o coração.

    Confira: 6 dicas para quem está começando a usar canetas emagrecedoras