Categoria: Prevenção

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  • Por que cuidar da mente também é cuidar do coração? Cardiologista explica

    Por que cuidar da mente também é cuidar do coração? Cardiologista explica

    Não é preciso apenas uma alimentação saudável e a prática de exercícios para manter o coração saudável. Na verdade, sabia que o equilíbrio emocional também influencia diretamente na pressão arterial, frequência cardíaca, liberação de hormônios e processos inflamatórios?

    Quando uma pessoa vive diariamente sob estresse, ansiedade ou tristeza, o organismo permanece em estado de alerta, aumentando os níveis de cortisol e adrenalina no corpo, sobrecarregando o sistema cardiovascular.

    O resultado é um risco maior de pressão alta, aumento dos batimentos e desgaste dos vasos, deixando o coração mais vulnerável a problemas no futuro.

    Como a saúde mental afeta a saúde do coração?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, o organismo possui um eixo neuro-hormonal (hipotálamo-hipófise-adrenal), que orquestra a liberação de uma série de hormônios — incluindo os hormônios do estresse, como cortisol e adrenalina.

    Quando ocorre alguma alteração emocional no dia a dia, como estresse ou nervosismo, os hormônios são liberados na corrente sanguínea, causando o aumento da pressão arterial, acelerando os batimentos cardíacos e preparando o corpo para situações de alerta. Eles também alteram a liberação de glicose, o que afeta diretamente a saúde cardiovascular.

    Além disso, em situações de estresse intenso, o organismo permanece em estado de luta ou fuga, causada pela ativação do sistema nervoso simpático. Quando a situação é constante, pode acontecer uma sobrecarga do sistema cardiovascular.

    Ansiedade e depressão podem aumentar o risco de doenças cardíacas?

    Tanto a depressão quanto a ansiedade estão associadas a um maior risco cardiovascular. Quando uma pessoa vive em estado de alerta constante, como ocorre na ansiedade, o corpo libera mais adrenalina, noradrenalina e cortisol, hormônios que elevam a pressão arterial, aceleram os batimentos e aumentam a inflamação no organismo.

    Quando o estado é constante, o coração fica sobrecarregado, favorecendo alterações metabólicas que aumentam o risco de doenças cardiovasculares.

    No caso da depressão, Juliana explica que a doença é reconhecida como um fator de risco independente para o desenvolvimento de doença arterial coronariana, associada a infarto e AVC.

    Nesses quadros, o organismo tende a permanecer em um padrão de inflamação contínua, que prejudica a saúde dos vasos sanguíneos e facilita a formação de placas de gordura nas artérias.

    Além dos efeitos químicos diretos, a ansiedade e a depressão favorecem um estilo de vida não saudável:

    • É comum que pessoas deprimidas ou muito ansiosas parem de se exercitar, o que é fundamental para um coração saudável;
    • Muitas vezes, elas recorrem a comidas não saudáveis (ricas em açúcar e gordura) como conforto;
    • O uso de cigarro e o álcool pode aumentar, hábitos que são terríveis inimigos do coração;
    • O cansaço e a falta de energia fazem com que seja mais difícil seguir os tratamentos médicos (como tomar remédios para pressão ou diabetes) de forma correta.

    Emoções intensas podem ser perigosas?

    De acordo com Juliana, emoções intensas ativam rapidamente os eixos neuro-hormonais do cérebro e o sistema nervoso autônomo, provocando uma liberação maciça de cortisol, adrenalina e noradrenalina na corrente sanguínea.

    Em pessoas com predisposição, especialmente aquelas que já apresentam placas nas artérias, o aumento súbito da pressão arterial e da frequência cardíaca pode servir como gatilho para um infarto.

    Em alguns casos mais raros, pode acontecer o enfraquecimento súbito do músculo cardíaco, conhecido como síndrome do coração partido, ou cardiomiopatia de Takotsubo. Os sintomas são quase iguais aos de um infarto, com dor súbita e intensa no peito, falta de ar e arritmias.

    Mas, na maioria das vezes, a síndrome é transitória e o músculo cardíaco costuma voltar à sua forma e função normal dentro de algumas semanas (normalmente de 7 a 30 dias).

    Como é possível reduzir o risco cardíaco?

    Além da prática regular de atividades físicas e uma alimentação equilibrada, uma das principais medidas para reduzir o risco de problemas cardíacos é cuidar da saúde mental e emocional. Isso pode ser feito de diversas formas, como:

    • Praticar técnicas de relaxamento, como meditação ou respiração profunda;
    • Manter uma rotina de sono adequada e de boa qualidade;
    • Reservar momentos de lazer e descanso ao longo da semana;
    • Buscar apoio psicológico, seja por terapia ou acompanhamento especializado;
    • Uso de medicamentos, quando indicado pelo médico;
    • Manter um sono adequado, dormindo horas suficientes e garantindo um ambiente tranquilo;
    • Cultivar vínculos sociais positivos, com familiares, amigos ou grupos de convivência;
    • Reduzir o excesso de estímulos e sobrecarga no dia a dia, organizando melhor as demandas.

    Pequenos ajustes na rotina, acompanhados de atenção aos próprios limites, já podem fazer grande diferença ao longo do tempo. Mas é importante reconhecer que, em alguns momentos, lidar sozinho com a ansiedade, a tristeza profunda ou a sensação de esgotamento pode ser difícil.

    Se você começar a sentir que perdeu a capacidade de enfrentar o dia a dia, procure um serviço de emergência de saúde mental imediatamente ou ligue para o CVV no número 188.

    Confira: 7 sinais de que seu cansaço não é apenas falta de sono

    Perguntas frequentes

    Como o sono ruim prejudica o coração?

    O sono é o momento em que o corpo regula hormônios, controla a pressão e estabiliza batimentos. Quando a pessoa dorme mal por vários dias, o organismo entra em desequilíbrio, aumentando inflamação, resistência à insulina e tensão muscular. A longo prazo, isso eleva o risco de hipertensão, obesidade, diabetes e doenças coronárias.

    Existe ligação entre burnout e problemas cardíacos?

    A síndrome de burnout mantém o organismo em estado de exaustão emocional e física, o que sobrecarrega o coração de forma contínua. O corpo passa semanas ou meses liberando hormônios de estresse, alterando o sono e prejudicando o metabolismo, fatores que elevam o risco de hipertensão, arritmias e eventos cardíacos importantes.

    Como diferenciar crises de ansiedade de problemas cardíacos?

    A crise de ansiedade costuma surgir de forma abrupta, acompanhada de medo intenso, mãos suadas, tremores e sensação de perda de controle, melhorando após alguns minutos.

    Já os problemas cardíacos tendem a causar dor mais contínua e profunda, que pode irradiar para braço, mandíbula ou costas, além de não melhorar com respiração lenta.

    Como as sensações podem confundir, a avaliação médica é fundamental quando os episódios são repetidos, intensos ou acompanhados de fatores de risco.

    O coração pode sofrer com sobrecarga emocional sem que exista doença cardíaca?

    O coração pode reagir intensamente a períodos de estresse, susto, luto ou ansiedade prolongada, mesmo quando está estruturalmente saudável. Os batimentos acelerados, dor no peito e sensação de desmaio podem surgir sem lesão física, porque o corpo interpreta emoções fortes como ameaças reais.

    O mecanismo natural de defesa causa sintomas cardíacos que desaparecem quando o equilíbrio emocional retorna.

    Como o ambiente de trabalho influencia a mente e o coração?

    Os ambientes de trabalho muito exigentes, com prazos constantes e pouco tempo de descanso, mantêm o corpo em alerta contínuo. Isso aumenta o estresse, altera o sono e favorece comportamentos como comer rápido ou pular refeições. Com o passar dos meses, o coração sente o impacto da sobrecarga, que eleva pressão e desgaste cardiovascular.

    Leia também: Crise de ansiedade: o que fazer e como controlar os sintomas

  • PCR ultrassensível: o que é, para que serve e valores de referência

    PCR ultrassensível: o que é, para que serve e valores de referência

    Quando o organismo está convivendo com algum processo inflamatório ou infeccioso, ele aciona mecanismos de defesa para controlar o problema, como ocorre com o aumento da proteína C reativa no sangue.

    Produzida pelo fígado, ela circula rapidamente pela corrente sanguínea e funciona como um sinal de que o sistema imune está em alerta, mesmo quando você não apresenta sintomas.

    Como pequenas variações do marcador já podem indicar inflamações discretas, o exame de PCR ultrassensível se tornou importante para detectar alterações mínimas, avaliar risco cardiovascular e acompanhar doenças que envolvem inflamação contínua no corpo.

    O que é a proteína C reativa ultrassensível?

    A proteína C reativa é uma proteína produzida pelo fígado e liberada na corrente sanguínea quando o organismo enfrenta um processo inflamatório ou infeccioso, mesmo que muito discreto. Ela é usada para avaliar a possibilidade de existir alguma infecção ou inflamação não visível, além de avaliar o risco que uma pessoa tem de desenvolver doenças cardiovasculares.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, o exame PCR ultrassensível utiliza um método mais sensível para detectar a presença da PCR mesmo em concentrações muito baixas.

    Para que serve o exame PCR ultrassensível?

    O exame PCR ultrassensível serve para identificar uma inflamação crônica de baixo grau no organismo, algo que muitas vezes não causa sintomas, mas está fortemente associada ao desenvolvimento e rompimento de placas de gordura nas artérias (processo chamado aterosclerose) — o que podem levar a situações como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

    Por isso, ele é usado como um marcador de risco cardiovascular, ajudando a estimar a probabilidade de ocorrer um evento cardíaco mesmo em quem não apresenta sinais evidentes de doença.

    A avaliação permite identificar pessoas que, mesmo com exames tradicionais aparentemente normais, podem estar vivendo um processo inflamatório contínuo que eleva de forma discreta o risco para o coração.

    Para complementar, o PCR ultrassensível é útil para monitorar a resposta ao tratamento da inflamação, que pode incluir desde mudanças no estilo de vida até o uso de medicamentos.

    Importante: o resultado do PCR não mostra qual é a causa da inflamação ou da infecção, apenas indica que o organismo está reagindo a algum processo inflamatório. Por isso, o médico precisa avaliar o valor encontrado junto do histórico de saúde da pessoa e, se necessário, solicitar outros exames para identificar a origem do problema de forma precisa.

    Como o exame é feito?

    O exame PCR ultrassensível é simples e feito por meio de uma coleta de sangue, realizada em laboratório ou unidade de saúde. A amostra é enviada para análise, onde técnicas mais sensíveis conseguem identificar quantidades muito pequenas da proteína C reativa circulando no organismo.

    Na maior parte dos casos, não é necessário fazer jejum para o exame, apesar de alguns serviços possam solicitar conforme o protocolo interno. O ideal é que a coleta seja feita quando a pessoa estiver sem sinais de infecção, febre ou inflamação recente, porque qualquer quadro agudo eleva temporariamente o valor e interfere na interpretação.

    O resultado é liberado em unidades de miligrama por litro (mg/L), e a interpretação deve sempre feita por um médico, considerando o contexto clínico, fatores de risco associados, histórico pessoal e outros exames que compõem a avaliação cardiovascular.

    Valores de referência do PCR ultrassensível

    A interpretação do PCR ultrassensível é feita a partir da quantidade da proteína C reativa no sangue, medida em miligrama por litro (mg/L). A leitura dos valores ajuda a entender se há uma inflamação discreta no organismo e qual é o risco cardiovascular associado.

    Os resultados do exame costumam ser avaliados em duas situações diferentes:

    Indicadores relacionados ao risco cardiovascular

    • Abaixo de 0,1 mg/dL: risco baixo;
    • Entre 0,1 e 0,3 mg/dL: risco intermediário;
    • Acima de 0,3 mg/dL: risco elevado.

    Indicadores relacionados a infecções ou inflamações agudas

    • Entre 1,0 e 5,0 mg/dL: quadro compatível com infecções virais ou inflamações leves;
    • Entre 5,1 e 20,0 mg/dL: sugestivo de infecções bacterianas ou inflamações sistêmicas;
    • Acima de 20,0 mg/dL: associado a infecções graves, queimaduras extensas ou traumas importantes.

    É importante ressaltar que a interpretação de qualquer exame laboratorial, incluindo a PCR, deve sempre ser feita por um médico, correlacionando os resultados com o histórico clínico e outros exames do paciente.

    Com que frequência o exame deve ser feito?

    A frequência do exame varia de pessoa para pessoa e depende dos fatores de risco, do estado de saúde e do tipo de acompanhamento necessário, segundo Juliana.

    No começo, o médico costuma pedir o PCR ultrassensível para entender o risco cardiovascular inicial, junto com outros exames. Depois, o teste pode ser repetido para verificar se o tratamento e as mudanças de hábitos estão funcionando.

    Assim, o PCR ultrassensível pode ser feito novamente ao longo do acompanhamento, sempre junto dos exames de rotina.

    Qual a diferença entre PCR comum e PCR ultrassensível?

    De acordo com Juliana, a diferença principal está na sensibilidade do exame. A proteína C reativa aparece no sangue quando o organismo enfrenta inflamação ou infecção, mas a capacidade de detectar pequenas quantidades varia conforme o tipo de teste.

    O PCR comum só identifica valores acima de um certo limite, funcionando melhor para investigar inflamações ou infecções agudas.

    Por outro lado, o PCR ultrassensível detecta quantidades muito pequenas da proteína, permitindo avaliar inflamação crônica de baixo grau ligada ao risco cardiovascular. Por isso, o objetivo de cada exame é diferente.

    Quais fatores podem causar o aumento do PCR ultrassensível?

    Os fatores de risco ligados às doenças cardiovasculares costumam gerar inflamação contínua no organismo, segundo Juliana, o que aumenta a PCR ultrassensível:

    • Diabetes e resistência à insulina;
    • Sedentarismo;
    • Hipertensão;
    • Obesidade;
    • Tabagismo;
    • Doenças inflamatórias crônicas, como artrite reumatoide, lúpus e vasculites;
    • Infecções bacterianas ou virais.

    Como reduzir o PCR ultrassensível?

    Primeiro de tudo, para reduzir os níveis de PCR, é necessário tratar a causa responsável pela inflamação — seja uma infecção ou uma doença autoimune, com antibióticos ou anti-inflamatórios, conforme indicado pelo médico.

    Ao mesmo tempo, adotar mudanças no estilo de vida ajuda a controlar a inflamação de baixo grau que costuma elevar o PCR ultrassensível ao longo do tempo, como:

    • Prática regular de atividade física, mesmo em intensidade moderada;
    • Alimentação rica em frutas, verduras, legumes, peixes, azeite e alimentos naturais;
    • Redução do consumo de ultraprocessados, açúcar e gordura saturada;
    • Perda de peso quando há excesso, especialmente da gordura abdominal;
    • Abandono do cigarro;
    • Controle da glicemia e da resistência à insulina;
    • Sono adequado e rotina de descanso regular;
    • Melhora do estresse por meio de lazer, meditação, respiração ou terapia;
    • Uso de medicações orientadas pelo médico, como estatinas, quando necessário.

    Vale destacar que apenas um médico pode prescrever tratamentos ou medicamentos para reduzir a inflamação. Não se automedique!

    Leia também: Suspeita de infarto: conheça os erros que colocam vidas em risco e saiba como agir

    Perguntas frequentes

    Por que o PCR ultrassensível é importante para o coração?

    A formação de placas de gordura nas artérias (aterosclerose) ocorre quando há inflamação contínua no endotélio. A PCR ultrassensível funciona como um alerta para esse tipo de inflamação discreta, mostrando que o organismo pode estar construindo um ambiente de risco para aterosclerose, rompimento de placas e eventos como infarto ou AVC.

    A interpretação permite planejar medidas de prevenção de forma mais precisa.

    O PCR ultrassensível pode estar alto mesmo sem sintomas?

    A inflamação de baixo grau costuma acontecer de forma silenciosa, sem febre, dor ou qualquer sinal claro de que o organismo está reagindo a algum estímulo. A PCR ultrassensível consegue identificar alterações inflamatórias que não costumam causar sintomas imediatos, mas aumentam o risco cardiovascular com o passar dos anos.

    A pessoa pode se sentir bem, trabalhar normalmente e não apresentar nenhum desconforto, e ainda assim ter um valor de PCR mais alto por causa dessa inflamação discreta que atua de forma contínua nos vasos sanguíneos.

    Infecções pequenas podem alterar o exame?

    Qualquer infecção recente, desde resfriados até inflamações dentárias, pode aumentar a PCR temporariamente. O sistema imunológico libera proteínas inflamatórias para combater o agente infeccioso, e isso aparece no exame.

    Por isso, o valor só deve ser interpretado quando a pessoa estiver bem, sem sintomas e sem sinais de infecção recente. Quando existe dúvida sobre o momento da coleta, o médico pode orientar a repetição do exame para evitar interpretações erradas.

    A PCR ultrassensível pode ajudar a identificar risco em pessoas com exames normais?

    Existem pessoas com colesterol e glicemia dentro da normalidade, mas que mantêm inflamação mínima e contínua, o que a PCR ultrassensível permite identificar.

    Quando o valor está alto, mesmo com outros exames normais, isso indica que o organismo já enfrenta uma inflamação contínua que favorece a formação e a instabilidade de placas dentro das artérias. Assim, o médico consegue orientar mudanças mais específicas para proteger o coração a longo prazo.

    O consumo de álcool pode alterar o PCR ultrassensível?

    O álcool, quando consumido em excesso, aumenta a inflamação no fígado, no estômago e nos vasos sanguíneos, criando um ambiente que sobrecarrega todo o organismo.

    A longo prazo, ocorre elevação da PCR e crescimento do risco cardiovascular, já que a inflamação contínua afeta a pressão, o metabolismo e o funcionamento dos tecidos.

    Até o uso moderado, se for frequente, pode influenciar a resposta inflamatória e manter o corpo em estado de alerta permanente. A redução do álcool costuma ser acompanhada de queda da PCR, melhora do bem-estar, sono mais estável e recuperação gradual das funções metabólicas.

    Confira: Dor no ombro esquerdo pode ser infarto? Saiba como identificar

  • Quem tem mais chance de desenvolver varizes? Descubra 

    Quem tem mais chance de desenvolver varizes? Descubra 

    As varizes fazem parte do dia a dia de milhões de pessoas e, embora sejam comuns, ainda geram muitas dúvidas, especialmente sobre por que aparecem e quando realmente precisam de tratamento. Em geral, surgem como veias dilatadas e tortuosas, visíveis sob a pele das pernas, e podem causar desde desconforto leve até alterações importantes na circulação.

    Com o tempo, a ciência avançou na compreensão do que provoca as varizes: uma combinação de fatores genéticos, hábitos de vida e alterações no funcionamento das veias. Hoje, sabe-se que elas são uma manifestação de insuficiência venosa crônica, uma condição em que o sangue tem dificuldade de retornar ao coração. Identificar os sintomas e buscar avaliação especializada faz toda a diferença para aliviar incômodos e evitar complicações.

    O que são varizes e por que aparecem

    As varizes são veias dilatadas, tortuosas e mais visíveis, geralmente de coloração azulada ou arroxeada. Elas aparecem principalmente nas pernas e pés, regiões em que o sangue precisa vencer a gravidade para retornar ao coração.

    As veias varicosas fazem parte do quadro de insuficiência venosa crônica. Normalmente, o sangue circula em um único sentido graças às válvulas dentro das veias. Quando essas válvulas enfraquecem ou são danificadas, ocorre refluxo e acúmulo de sangue. Isso faz com que as veias fiquem maiores e aparentes — o que conhecemos como varizes.

    Quem tem mais chance de desenvolver varizes

    As varizes são mais frequentes em pessoas que apresentam:

    • Histórico familiar de varizes
    • Mulheres, devido a fatores hormonais
    • Longos períodos em pé ou sentado
    • Excesso de peso
    • Tabagismo
    • Idade avançada, pois as veias perdem elasticidade com o tempo

    Sintomas mais comuns

    Nem todas as varizes causam dor, mas podem gerar:

    • Sensação de peso, dor ou cansaço nas pernas
    • Inchaço nos tornozelos
    • Coceira ou queimação
    • Manchas escuras na pele
    • Feridas (úlceras venosas) em casos avançados

    Os sintomas tendem a piorar ao final do dia ou após longos períodos em pé.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é feito por um cirurgião vascular após avaliação clínica das pernas e pés, principalmente com o paciente em pé.

    O médico pode utilizar:

    • Venoscópio, aparelho com luz que facilita visualizar as veias
    • Ultrassom Doppler, exame que complementa o diagnóstico e ajuda a definir o tratamento

    Tratamentos disponíveis

    O tratamento varia conforme o grau das varizes e os sintomas. As opções incluem:

    Medidas conservadoras

    • Mudanças de hábitos
    • Meias elásticas para melhorar o retorno venoso

    Medicamentos

    Fármacos que ajudam a reduzir sintomas e melhorar a circulação.

    Procedimentos

    • Escleroterapia ou aplicação de espuma, que fecha as veias afetadas
    • Cirurgias ou laser, indicados para varizes maiores ou mais profundas

    A avaliação por um angiologista ou cirurgião vascular é essencial para definir a melhor abordagem.

    Quando procurar ajuda médica

    É importante buscar atendimento quando:

    • As varizes estiverem doloridas ou inchadas
    • Houver mudança na cor da pele
    • Forem notadas feridas nas pernas
    • Houver sinais de trombose (dor súbita, vermelhidão e endurecimento da veia)

    Como prevenir e aliviar os sintomas

    Embora não seja possível evitar completamente as varizes, alguns hábitos ajudam a reduzir o risco:

    • Evitar ficar muito tempo em pé ou sentado
    • Alternar movimentos ao longo do dia
    • Elevar as pernas sempre que possível
    • Praticar atividades físicas
    • Manter o peso adequado
    • Não fumar
    • Usar meias de compressão, quando indicado por um profissional

    Veja também: Qual a relação entre varizes e dor nas pernas?

    Perguntas frequentes sobre varizes

    1. Varizes sempre precisam de tratamento?

    Não. Casos leves podem ser controlados com hábitos saudáveis e meias de compressão.

    2. Varizes podem desaparecer sozinhas?

    Não. Sem tratamento, elas tendem a se manter ou piorar ao longo do tempo.

    3. Homens também têm varizes?

    Sim, embora sejam mais comuns em mulheres.

    4. Varizes indicam problemas graves no coração?

    Não. Elas são um problema circulatório local das veias das pernas, não do coração.

    5. Usar salto alto causa varizes?

    Não diretamente, mas pode dificultar o retorno venoso e piorar sintomas.

    6. É possível prevenir completamente?

    Não totalmente, mas medidas de estilo de vida reduzem bastante o risco.

    7. A cirurgia elimina as varizes para sempre?

    Ela remove aquelas veias específicas, mas não impede que novas varizes apareçam em pessoas predispostas.

    Veja mais: Trombose Venosa Profunda (TVP): entenda mais sobre a condição

  • Cortisol: o que é, como diminuir e sinais de que está alto

    Cortisol: o que é, como diminuir e sinais de que está alto

    Presente na maioria dos processos fisiológicos do corpo humano, o cortisol funciona como um dos principais hormônios de adaptação do organismo, porque ajuda o corpo a reagir a estímulos externos, equilibrar a produção de energia ao longo do dia e modular a forma como cada pessoa responde a situações de estresse físico ou emocional.

    Mas você sabe por que ele é conhecido como hormônio do estresse? Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender o impacto do cortisol alto na saúde, como identificar alterações nos níveis do hormônio e medidas que podem ajudar a diminuir seus efeitos.

    Afinal, o que é cortisol?

    O cortisol é um hormônio da classe dos glicocorticóides, produzido pelas glândulas adrenais (ou suprarrenais), que ficam localizadas acima dos rins. Ele participa de vários processos do organismo, contribuindo para regular a produção de energia, controlar a resposta inflamatória, manter a pressão arterial estável e ajustar a forma como o corpo reage a situações de alerta.

    De acordo com Juliana, ele é chamado de hormônio do estresse porque sua liberação aumenta principalmente diante de situações de estresse físico ou emocional. Ele ajuda o corpo a produzir mais energia, estimulando o fígado a liberar glicose e ajustando a pressão arterial para que a pessoa consiga enfrentar momentos de tensão com mais preparo.

    A cardiologista também explica que o cortisol favorece a vasoconstrição das artérias, ajudando a manter a pressão arterial — além de seguir um ritmo natural conhecido como ciclo circadiano: níveis mais altos pela manhã para estimular o despertar e níveis mais baixos à noite para facilitar o descanso.

    Cortisol alto faz mal?

    Apesar do efeito rápido do cortisol ser adequado ao organismo, ele pode trazer problemas para a saúde quando se mantém alto de forma crônica e prolongada, segundo Juliana.

    A produção aumentada mantém o corpo em estado constante de alerta, algo que deveria acontecer apenas em situações pontuais, e não diariamente.

    Entre os efeitos no coração e no sistema cardiovascular, a especialista destaca:

    • Aumento da pressão arterial, por causa da constrição dos vasos sanguíneos;
    • Maior retenção de sódio e água, o que contribui para elevar ainda mais a pressão;
    • Desequilíbrio no perfil de colesterol, com aumento do colesterol ruim e dos triglicerídeos;
    • Elevação da glicose no sangue, já que o fígado libera mais açúcar, favorecendo a resistência à insulina;
    • Maior risco de diabetes, devido ao excesso prolongado de glicose circulante;
    • Acúmulo de gordura abdominal (obesidade central), associado a maior risco cardiovascular;
    • Aumento do risco de infarto e AVC, pela soma de alterações na pressão, glicemia e colesterol;
    • Perda de massa muscular, causada pelo aumento do catabolismo e maior quebra de proteínas.

    O que pode causar o cortisol alto?

    O cortisol alto pode surgir quando o organismo permanece em estado de alerta por mais tempo do que deveria, devido a fatores do dia a dia que mantêm a liberação acelerada e desregulam o equilíbrio natural. Alguns dos principais fatores incluem:

    • Estresse crônico, ligado ao acúmulo de responsabilidades, pressão no trabalho, conflitos emocionais ou rotina sem pausas;
    • Privação de sono, já que noites curtas ou mal dormidas desorganizam o ciclo circadiano, que controla a liberação do hormônio;
    • Ansiedade persistente, que mantém o sistema nervoso em alerta e estimula a produção contínua de cortisol;
    • Treinos físicos muito intensos sem descanso adequado, que funcionam como estresse para o organismo;
    • Alimentação desregulada, com excesso de açúcar, cafeína e ultraprocessados, que favorecem maior liberação do hormônio;
    • Doenças como depressão, síndrome de Cushing ou resistência à insulina, que podem alterar o funcionamento das glândulas adrenais;
    • Uso prolongado de corticoides, já que medicamentos dessa classe interferem diretamente no eixo que regula o cortisol.

    Quais os sintomas do cortisol alto?

    A identificação dos sintomas de cortisol alto pode ser difícil no começo, porque muitos sinais aparecem de forma discreta e se confundem com cansaço comum. Entre os mais frequentes, é possível destacar:

    • Ganho de peso, especialmente na região abdominal e no rosto, conhecido como “face de lua cheia”;
    • Aumento da pressão arterial, causado pela constrição dos vasos sanguíneos;
    • Elevação da glicose no sangue (hiperglicemia), devido ao estímulo constante do fígado para liberar mais açúcar;
    • Perda de massa muscular, mesmo com aumento de peso, por causa da maior quebra de proteínas;
    • Alterações emocionais, como ansiedade, irritabilidade e dificuldade de concentração;
    • Mudanças no humor, com maior risco de depressão;
    • Distúrbios de sono, incluindo insônia e noites de sono de má qualidade.

    Ter cortisol baixo também pode ser um problema?

    Quando a produção do cortisol diminui além do esperado, o corpo perde a capacidade de responder bem ao estresse e de manter o equilíbrio de energia ao longo do dia.

    Segundo Juliana, isso pode estar relacionado a uma condição conhecida como insuficiência adrenal (ou doença de Addison), na qual as glândulas suprarrenais não conseguem produzir cortisol em quantidade suficiente.

    Os principais sinais de cortisol baixo incluem:

    • Cansaço extremo que não melhora com descanso;
    • Fraqueza muscular;
    • Perda de peso sem explicação;
    • Tontura e queda de pressão;
    • Episódios de hipoglicemia;
    • Náuseas e mal-estar;
    • Irritabilidade e dificuldade de manter o foco.

    A condição exige avaliação médica, porque o organismo depende do cortisol para manter a pressão arterial, regular a glicose e responder a situações de estresse.

    Como é feita a avaliação dos níveis de cortisol?

    A avaliação dos níveis de cortisol é feita por meio de exames que medem a quantidade do hormônio no organismo ao longo do dia, já que a produção varia naturalmente entre manhã e noite. Juliana aponta os principais exames:

    • Cortisol sérico (sangue): coletado normalmente pela manhã, quando o hormônio está no pico natural. Ele ajuda a identificar aumentos ou quedas importantes na produção;
    • Cortisol urinário de 24 horas: a urina é coletada durante um dia inteiro para medir a quantidade total de cortisol livre produzida no período. É útil para investigar aumento persistente do hormônio;
    • Cortisol salivar noturno: avalia a concentração do hormônio à noite, horário em que o nível deveria estar baixo. Valores elevados ajudam no diagnóstico de produção excessiva de cortisol.

    Vale destacar que o resultado sempre deve ser interpretado junto com a avaliação do ritmo diário do hormônio, do histórico da pessoa e de outros exames complementares.

    Como diminuir o cortisol alto e mantê-lo em equilíbrio?

    Como o cortisol é o hormônio do estresse, a melhor maneira de diminuir os níveis é ajustar hábitos diários para ajudar o organismo a sair do estado constante de alerta. Algumas mudanças na rotina já fazem diferença, como:

    • Prática regular de atividade física, que ajuda no metabolismo e na regulação hormonal;
    • Alimentação balanceada, evitando estimulantes em excesso, como cafeína e açúcar;
    • Higiene do sono, mantendo sono adequado e regular, evitando telas à noite e buscando um ambiente escuro e confortável;
    • Técnicas de relaxamento, como respiração profunda;
    • Manter vida social e momentos de lazer, que reduzem o estresse e ajudam a equilibrar os níveis de cortisol.

    Se mesmo com ajustes na rotina, técnicas de relaxamento, alimentação equilibrada e melhora do sono, os sintomas de desequilíbrio persistirem, é fundamental procurar ajuda de um médico.

    A longo prazo, o cortisol alto pode favorecer o ganho de peso, prejudicar o metabolismo, aumentar o risco cardiovascular e alterar o funcionamento de vários sistemas do organismo.

    Leia também: Tirzepatida é aprovada para apneia do sono: o que isso significa

    Perguntas frequentes

    Dormir mal aumenta o cortisol?

    O ato de dormir pouco ou dormir com interrupções altera o ciclo circadiano, que controla a liberação natural do hormônio. O corpo interpreta a privação de sono como um estressor e mantém a liberação alta mesmo quando deveria reduzir.

    Além disso, uma noite mal dormida faz o organismo despertar cansado, menos focado e ainda mais vulnerável ao estresse do dia seguinte, criando um ciclo prejudicial. Com o tempo, o padrão interfere no humor, na memória, na regulação da glicose e na disposição física.

    O uso de café e energéticos aumenta o cortisol?

    O consumo frequente de cafeína estimula o sistema nervoso central e aumenta a liberação do hormônio, especialmente quando ingerido em grande quantidade ou próximo da hora de dormir.

    A substância prolonga o estado de alerta e prejudica o descanso, favorecendo um padrão de liberação irregular do hormônio. O uso de energéticos também interfere no ritmo natural do organismo, aumentando a sensação de tensão e contribuindo para noites mal dormidas.

    Qual vitamina regula o cortisol?

    A vitamina mais associada ao controle natural do cortisol é a vitamina C, que atua diretamente no funcionamento das glândulas adrenais, responsáveis pela produção do hormônio.

    Quando o organismo enfrenta períodos longos de estresse, a demanda por vitamina C aumenta, e o corpo passa a utilizá-la mais rapidamente. Por isso, o consumo regular de alimentos ricos no nutriente ajuda a evitar uma liberação exagerada de cortisol e favorece uma recuperação mais rápida após momentos de tensão.

    Algumas boas fontes de vitamina C incluem laranja, kiwi, acerola, morango, pimentão e brócolis são boas fontes. Além da vitamina C, a vitamina D e algumas vitaminas do complexo B também contribuem para o equilíbrio emocional e para o bom funcionamento do sistema nervoso.

    Qual o melhor remédio para baixar o cortisol?

    A escolha do remédio para baixar o cortisol depende totalmente da causa do desequilíbrio, então existe um medicamento único indicado para todas as pessoas.

    O tratamento pode incluir reposição hormonal, ajuste de doses de corticoides já usados ou medicamentos específicos para condições como síndrome de Cushing.

    Quando o aumento está relacionado ao estresse, ansiedade ou depressão, o médico pode recomendar outras abordagens, como terapia, mudanças de estilo de vida ou, em alguns casos, medicamentos para estabilizar o humor e diminuir a resposta ao estresse. É fundamental não se automedicar!

    O cortisol alto afeta a imunidade?

    Quando o hormônio fica elevado por muito tempo, a resposta imunológica fica prejudicada, fazendo com que o organismo tenha mais dificuldade para combater vírus e bactérias. Como consequência, infecções simples podem surgir com mais frequência e em intervalos menores.

    A inflamação também aumenta, deixando o corpo em constante desgaste. A pessoa começa a sentir mais cansaço, demora mais para se recuperar de doenças e nota maior sensibilidade a alergias e irritações na pele.

    O cortisol muda ao longo do ciclo menstrual?

    O hormônio pode sofrer alterações durante o ciclo menstrual, especialmente em períodos de maior sensibilidade emocional ou dor. A fase pré-menstrual costuma deixar o organismo mais reativo, o que facilita o aumento temporário da resposta ao estresse.

    No entanto, quando a oscilação se torna intensa e interfere na rotina, vale conversar com um ginecologista para investigar possíveis desequilíbrios hormonais associados.

    Veja mais: Colesterol HDL: o que é, valores e como aumentar

  • Colesterol HDL: o que é, valores e como aumentar

    Colesterol HDL: o que é, valores e como aumentar

    Presente na proteção das artérias e no equilíbrio do metabolismo das gorduras, o colesterol HDL é uma lipoproteína que participa ativamente da remoção do colesterol em excesso da circulação — processo fundamental para manter os vasos saudáveis ao longo dos anos.

    Não é à toa que ele é conhecido como colesterol bom, já que contribui diretamente para reduzir o acúmulo de gordura nas paredes arteriais e ajuda a preservar a fluidez do sangue.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender como o HDL protege o coração e a importância para a saúde cardiovascular. Confira!

    O que é colesterol HDL?

    O colesterol HDL, sigla para High Density Lipoprotein, é uma lipoproteína de alta densidade responsável por transportar colesterol pelo sangue de uma maneira que favorece a proteção cardiovascular.

    É uma partícula pequena, densa e altamente funcional, que atua recolhendo o colesterol acumulado nas paredes vasculares e levando-o de volta ao fígado para metabolização — evitando o acúmulo que daria origem a placas de gordura.

    Segundo Juliana, o HDL é chamado de colesterol bom justamente porque cumpre um papel de limpeza arterial: ele remove o colesterol em excesso presente nos tecidos e vasos, evitando a formação de placas, e leva esse material de volta ao fígado, onde será processado e eliminado pelo organismo.

    Como o colesterol bom atua no corpo?

    O mecanismo de proteção é conhecido como transporte reverso do colesterol, como explica Juliana.

    O fígado produz colesterol e o distribui pelo organismo — e quando há aumento de colesterol LDL (ou colesterol ruim), ocorre a deposição de gordura nos vasos, favorecendo a formação de placas que levam ao processo chamado aterosclerose, condição que aumenta o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

    O HDL realiza o transporte reverso ao recolher o colesterol acumulado nas células, nas placas e nas paredes arteriais, conduzindo tudo de volta ao fígado. No fígado, o material é metabolizado e posteriormente eliminado pelo organismo.

    Dessa maneira, o HDL impede o acúmulo de colesterol que desencadeia aterosclerose e reduz o risco de complicações cardiovasculares. Além disso, Juliana aponta que ele possui propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que auxiliam na proteção das paredes arteriais.

    Quais os sintomas de HDL baixo?

    Os valores baixos de colesterol HDL não causam sintomas diretos, pois é uma alteração silenciosa que só aparece em exames de sangue.

    No entanto, níveis reduzidos podem sinalizar maior tendência a doenças cardiovasculares no futuro, especialmente quando combinados com LDL elevado, triglicerídeos altos, obesidade, sedentarismo ou resistência à insulina.

    Por não causar sintomas imediatos, o diagnóstico depende exclusivamente de check-ups regulares, pois as pessoas costumam descobrir HDL baixo durante consultas de rotina. Em situações de risco acentuado, o HDL reduzido pode fazer parte de um quadro maior chamado dislipidemia aterogênica, comum em pessoas com síndrome metabólica.

    Como é feito o diagnóstico de colesterol HDL baixo?

    O diagnóstico de colesterol HDL baixo é realizado por meio do perfil lipídico, exame de sangue que mede HDL, LDL, triglicerídeos e colesterol total. A coleta é simples e, na maioria dos casos, pode ser feita sem jejum, embora alguns laboratórios ainda solicitem jejum curto para maior precisão dos triglicerídeos.

    Os valores de referência, segundo as diretrizes e consenso médico, geralmente diferem entre homens e mulheres adultos, e são expressos em miligramas por decilitro (mg/dL)

    Categoria Homens (em mg/dL) Mulheres (em mg/dL)
    Desejável/protetor Maior que 40 Maior que 50
    Excelente/ótimo Maior que 60 Maior que 60
    Baixo risco Menor que 40 Menor que 50

    Níveis que ajudam a reduzir o risco cardiovascular.

    Excelente/ótimo: níveis que conferem proteção significativa contra doenças cardíacas.

    Baixo risco: considerado um fator de risco cardiovascular. Requer atenção.

    Vale lembrar que a interpretação do perfil lipídico sempre deve ser feita por um profissional de saúde, que avaliará o conjunto de fatores de risco da pessoa.

    O que causa colesterol HDL baixo?

    Diversos fatores podem reduzir o HDL, e muitos deles estão ligados ao estilo de vida. Alguns dos principais incluem:

    • Dietas ricas em carboidratos refinados, como pães brancos, bolos e bebidas açucaradas;
    • Sedentarismo;
    • Tabagismo;
    • Obesidade, principalmente quando há acúmulo de gordura abdominal;
    • Resistência à insulina e diabetes tipo 2;
    • Hipotireoidismo;
    • Doenças hepáticas;
    • Uso de determinados medicamentos;
    • Predisposição genética.

    Leia também: Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

    Como aumentar o colesterol HDL?

    De acordo com Juliana, o colesterol HDL pode aumentar principalmente por meio de mudanças no estilo de vida, já que responde pouco a remédios e muito a hábitos saudáveis. Segundo estudos, o aumento do HDL decorrente de medicamentos não oferece a mesma proteção cardiovascular que o aumento obtido por hábitos saudáveis.

    Entre os hábitos que ajudam a aumentar o colesterol HDL naturalmente, é possível destacar:

    • Prática regular de atividade física: os exercícios elevam o HDL de forma consistente, especialmente os aeróbicos, como corrida, natação e ciclismo. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é de 150 a 300 minutos semanais de atividade moderada;
    • Alimentação equilibrada: reduzir gordura trans e excesso de açúcares, além de priorizar gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas. A perda de peso, principalmente quando há gordura abdominal, contribui para elevar o HDL;
    • Consumo de gorduras saudáveis: incluir azeite de oliva, abacate, amendoim, nozes, castanhas e peixes gordurosos, como salmão, sardinha e atum;
    • Aumento no consumo de fibras: optar por aveia, feijão, frutas com casca ou bagaço e vegetais variados para favorecer o equilíbrio do metabolismo lipídico;
    • Parar de fumar: o cigarro reduz o HDL, principalmente em mulheres. Abandonar o tabagismo ajuda a melhorar os níveis do colesterol bom;
    • Regularidade do exercício físico: além de elevar o HDL, atividades aeróbicas frequentes também reduzem o LDL e fortalecem o sistema cardiovascular. O recomendado é manter uma rotina semanal constante para consolidar ganhos.

    Colesterol HDL alto demais faz mal?

    Apesar do efeito protetor no sistema cardiovascular, níveis extremamente altos de colesterol HDL podem sinalizar alterações genéticas que tornam o HDL disfuncional.

    Quando isso acontece, a partícula até circula em grande quantidade, mas não cumpre adequadamente o transporte reverso do colesterol, deixando de remover o colesterol LDL acumulado nas artérias. Em vez de exercer proteção, ele se torna uma lipoproteína com funcionamento inadequado, incapaz de cumprir o papel esperado na prevenção da aterosclerose.

    Por isso, Juliana finaliza apontando que níveis extremamente altos também precisam de avaliação médica com cardiologista.

    Confira: Colesterol alto tem solução! Veja como é o tratamento

    Perguntas frequentes

    O HDL protege contra infarto?

    A proteção acontece por meio do transporte reverso de colesterol, pois o HDL recolhe gordura acumulada nos vasos e leva ao fígado para metabolização. Com isso, reduz a formação de placas de gordura que provocam obstruções. Quando a remoção funciona corretamente, há menor chance de desenvolver aterosclerose, processo que aumenta o risco de infarto e AVC.

    O HDL pode piorar com dietas muito restritivas?

    Sim, dietas muito pobres em gorduras boas prejudicam a formação de partículas de HDL e podem reduzir a eficiência do transporte reverso de colesterol. O organismo precisa de gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas para manter equilíbrio metabólico — e reduções drásticas podem impactar negativamente o HDL.

    Quem tem HDL baixo precisa tomar remédio?

    A indicação de remédios raramente tem como objetivo aumentar o HDL, porque estudos mostram que fármacos voltados para isso não geram o mesmo efeito protetor que mudanças no estilo de vida. Quando o HDL está baixo, o tratamento costuma focar nos fatores que causaram o desequilíbrio, como triglicerídeos altos, resistência à insulina, obesidade abdominal, hipertensão ou aumento do LDL.

    Em muitos casos, o cardiologista orienta o uso de estatinas ou outros medicamentos para controlar o LDL, já que o colesterol ruim é o principal fator ligado ao risco cardiovascular. O aumento do HDL costuma aparecer como resultado de uma melhora geral do metabolismo e não como efeito direto de remédios.

    Por que o HDL costuma ser mais baixo em quem fuma?

    O tabagismo aumenta a inflamação sistêmica, reduz atividade de enzimas protetoras e provoca dano direto ao endotélio. Além disso, as substâncias presentes no cigarro interferem na capacidade do organismo de produzir partículas funcionais de HDL. Segundo estudos, fumantes apresentam queda significativa no HDL, e mulheres sofrem impacto ainda maior.

    Quando há abandono definitivo do cigarro, ocorre recuperação progressiva do metabolismo lipídico, e o HDL tende a subir ao longo dos meses.

    Quais alimentos ajudam a elevar o HDL?

    A combinação de fibras com gorduras saudáveis favorece a remoção de gordura dos vasos e potencializa a ação do HDL:

    • Azeite de oliva;
    • Abacate;
    • Amêndoas;
    • Nozes;
    • Castanha-do-pará;
    • Sardinha;
    • Salmão;
    • Atum;
    • Sementes;
    • Feijão;
    • Aveia;
    • Frutas com casca ou bagaço;
    • Vegetais variados.

    Leia mais: Novas metas de colesterol em 2025: valores mais rígidos para proteger seu coração

  • Sistema Rh: entenda o que significa ter sangue positivo ou negativo 

    Sistema Rh: entenda o que significa ter sangue positivo ou negativo 

    O sistema Rh é um dos mais importantes grupos sanguíneos é um dos mais importantes na medicina, logo depois do sistema ABO. Ele foi descoberto há cerca de 60 anos, quando médicos perceberam que algumas pessoas tinham reações graves ao receber sangue incompatível.

    Embora pareça simples, o sistema Rh é altamente complexo, formado por dezenas de antígenos diferentes e variações genéticas que explicam por que algumas pessoas têm tipos sanguíneos raros.

    Entender o fator Rh também ajuda a prevenir reações transfusionais graves e complicações na gravidez, como a doença hemolítica do recém-nascido.

    O que é o sistema sanguíneo Rh?

    Descoberto há cerca de 60 anos, o sistema Rh é composto por mais de 50 antígenos localizados na superfície dos glóbulos vermelhos. Os mais importantes são:

    • D (o mais relevante, define Rh+ ou Rh−)
    • C
    • c
    • E
    • e

    Dentre todos, o antígeno D é o mais importante, pois determina se uma pessoa é Rh positivo ou Rh negativo.

    O que significa ser Rh positivo ou Rh negativo?

    A diferença depende da presença de uma única proteína:

    Rh positivo (Rh+): tem o antígeno D nas hemácias.

    Rh negativo (Rh−): não tem o antígeno D.

    Essa distinção importa porque uma pessoa Rh− pode reagir de forma grave ao receber sangue Rh+, produzindo anticorpos contra esse antígeno.

    Como o sistema Rh funciona?

    Os antígenos Rh são produzidos a partir de genes específicos e dependem de proteínas de suporte para se manterem estáveis na superfície das hemácias. Juntos, formam o chamado complexo Rh, que ajuda a manter:

    • A estabilidade das hemácias;
    • Sua forma;
    • A troca de substâncias essenciais.

    A função exata dessas proteínas ainda é estudada, mas sabe-se que sua ausência ou alteração pode comprometer o funcionamento das células sanguíneas.

    Diversidade genética dentro do sistema Rh

    O sistema Rh é altamente variável. Existem mais de 45 antígenos conhecidos, e muitas diferenças vêm de:

    • Mutações genéticas;
    • Rearranjos entre genes;
    • Variantes raras, como D fraco ou D parcial.

    Essa diversidade explica por que algumas pessoas reagem de forma inesperada em transfusões e por que certos fenótipos são considerados raros.

    Como é feito o teste do fator Rh?

    O teste é simples e rápido, feito com uma amostra de sangue coletada em tubo com EDTA.

    Métodos mais utilizados

    • Aglutinação direta (anti-D): principal método.
    • Lâmina: simples, porém menos preciso.
    • Tubo de ensaio: mais confiável; usado em laboratórios.
    • Gel: tecnologia moderna, leitura automatizada.
    • Microplaca: muito usada em sistemas automatizados.

    Se houver aglutinação, o resultado é Rh positivo; se não houver, Rh negativo.

    Importância do fator Rh nas transfusões

    O antígeno D é altamente imunogênico. Por isso:

    Quem é Rh+: pode receber Rh+ ou Rh−.

    Quem é Rh−: deve receber apenas Rh−.

    Se uma pessoa Rh− receber sangue Rh+, o corpo pode atacar as hemácias transfundidas, o que provoca:

    • Febre;
    • Anemia;
    • Icterícia;
    • Insuficiência renal;
    • Risco de morte.

    Por isso, o exame de Rh é obrigatório antes de qualquer transfusão.

    O fator Rh na gravidez

    A incompatibilidade Rh é um tema clássico da obstetrícia.

    O problema ocorre quando:

    • Mãe Rh−
    • Bebê Rh+

    Durante a gestação ou no parto, pequenas quantidades de sangue fetal podem entrar na circulação materna, levando o corpo da mãe a produzir anticorpos contra o antígeno D.

    Em uma próxima gestação com bebê Rh+, esses anticorpos podem destruir as hemácias do feto, causando:

    • Anemia grave;
    • Icterícia;
    • Hidropisia;
    • Risco de morte.

    Prevenção

    Hoje, tudo isso é prevenido com imunoglobulina anti-D, aplicada:

    • Durante a gestação;
    • Após o parto;
    • Após sangramentos ou procedimentos (como amniocentese).

    A junção ABO + Rh: os 8 tipos sanguíneos

    Combinando os sistemas ABO e Rh, temos:

    • A+
    • A−
    • B+
    • B−
    • AB+
    • AB−
    • O+
    • O−

    Compatibilidade sanguínea: quem pode doar para quem?

    • O−: doador universal, recebe apenas O−.
    • O+: doa para O+, A+, B+, AB+; recebe O− e O+.
    • A+: doa para A+ e AB+; recebe A+, A−, O+, O−.
    • A−: doa para A+, A−, AB+, AB−; recebe A− e O−.
    • B+: doa para B+ e AB+; recebe B+, B−, O+, O−.
    • B−: doa para B+, B−, AB+, AB−; recebe B− e O−.
    • AB+: receptor universal; doa apenas para AB+.
    • AB−: doa para AB+ e AB−; recebe A−, B−, AB− e O−.

    Veja também: Exames de rotina para homens: como cuidar da saúde urológica?

    Perguntas frequentes sobre o sistema sanguíneo Rh

    1. Rh positivo é mais comum?

    Sim. Aproximadamente 85% da população é Rh+.

    2. Uma pessoa Rh− pode engravidar sem riscos?

    Sim, desde que receba o acompanhamento adequado e a imunoglobulina anti-D quando indicada.

    3. Ser Rh− significa ter sangue raro?

    Não necessariamente, mas é menos frequente do que Rh+.

    4. Rh e ABO são a mesma coisa?

    Não. São dois sistemas diferentes que juntos definem o tipo sanguíneo completo.

    5. Existe tratamento para incompatibilidade Rh na gravidez?

    Sim. A prevenção com imunoglobulina anti-D é altamente eficaz.

    6. Pessoas Rh− podem doar para Rh+?

    Sim. O problema é o contrário: Rh+ não deve ser dado a Rh−.

    7. Variantes como D fraco mudam o resultado?

    Podem alterar a classificação e exigem testes específicos para evitar erros de transfusão.

    Veja mais: O que você precisa saber sobre o seu tipo de sangue

  • Trabalho noturno: conheça os riscos para a saúde do coração

    Trabalho noturno: conheça os riscos para a saúde do coração

    No Brasil, dados do IBGE apontam que aproximadamente 7 milhões de pessoas atuam em jornada noturna — principalmente em áreas como saúde, segurança pública, transporte e logística.

    Com um ritmo de trabalho que atropela o relógio biológico, eles estão mais expostos ao desbalanço hormonal, alterações metabólicas, piora da qualidade do sono e a um risco maior de desenvolver doenças cardiovasculares ao longo dos anos.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender por que o trabalho noturno impacta tanto a saúde do coração e quais estratégias podem ajudar a reduzir os riscos. Confira!

    Como o relógio biológico funciona?

    O relógio biológico é o sistema interno que organiza os horários do corpo humano. Ele sincroniza as funções fisiológicas com o ciclo de luz e escuro do ambiente, o que é chamado de ciclo circadiano.

    Durante o dia, a luz solar estimula o cérebro a produzir hormônios ligados ao estado de alerta, como cortisol. A temperatura corporal sobe, o metabolismo acelera e o cérebro entra em modo de vigília. Já durante a noite, quando escurece, o corpo entende que é hora de descansar: a melatonina aumenta, o metabolismo desacelera e a pressão tende a cair.

    Basicamente, dormir à noite e estar acordado de dia não é apenas um hábito social, mas é um padrão fisiológico do ser humano.

    De acordo com Juliana, quando a sincronia entre o relógio biológico e o relógio cronológico é perdida, o organismo passa por uma série de alterações metabólicas. O cortisol e a adrenalina deixam de seguir o ciclo natural e o corpo permanece em estado de alerta constante, enquanto a melatonina se desregula — comprometendo a qualidade do sono, os processos de regeneração celular e a imunidade.

    Com o horário invertido, a liberação de enzimas digestivas, da insulina e dos hormônios ligados à saciedade também se altera, aumentando o risco de resistência à insulina e ganho de peso. Como o sono é o momento de reparo celular, a privação e a má qualidade do sono reduzem esse reparo e promovem inflamação crônica no organismo.

    Impacto do trabalho noturno na saúde do coração

    A inversão do padrão de sono e de vigília, assim como a alteração dos horários habituais, desregula o corpo e provoca uma série de mudanças metabólicas que aumentam o risco de doenças cardiovasculares.

    Uma revisão mais recente, publicada na revista Environmental Research em 2025, encontrou associação entre trabalho em turnos noturnos e maior risco de mortalidade cardiovascular ao longo do tempo. Os pesquisadores apontaram aumento de inflamação, pior perfil de colesterol e alterações autonômicas em quem trabalha à noite — todos marcadores claros de risco cardiovascular.

    E os riscos crescem conforme se acumulam anos de trabalho noturno. Um estudo publicado no European Heart Journal mostrou que longos períodos de trabalho em turnos noturnos se associam a maior risco de fibrilação atrial e doença arterial coronariana, com tendência proporcional ao número de anos e intensidade da exposição.

    Juliana explica que quando há privação de sono e desbalanço do ciclo circadiano, o sistema nervoso simpático permanece ativado de forma contínua, aumentando a contratilidade e o tônus das artérias, o que eleva a pressão arterial. O sono irregular também prejudica o metabolismo e favorece a piora do perfil lipídico, com aumento do colesterol ruim (LDL) e redução do colesterol bom (HDL), contribuindo para o acúmulo de gordura abdominal.

    Para completar, trabalhar em horários invertidos muitas vezes reduz a regularidade da prática de atividade física, que é uma das principais medidas para manter o sistema cardiovascular saudável, controlar o peso, melhorar a sensibilidade à insulina e reduzir a inflamação.

    A alimentação na madrugada interfere na saúde cardiovascular?

    No período noturno, o metabolismo funciona de forma mais lenta, pois o organismo está fisiologicamente programado para descansar. Por esse motivo, Juliana aponta que consumir alimentos muito calóricos e pesados no horário pode ser prejudicial, já que o corpo passa a ter maior dificuldade para metabolizar gordura e carboidrato de forma eficiente.

    Consequentemente, há maior tendência de acúmulo de gordura corporal e pior metabolização dos nutrientes, o que impacta diretamente os níveis de colesterol e glicemia, favorecendo o ganho de peso e o desenvolvimento de alterações metabólicas, como diabetes tipo 2.

    Por isso, durante a noite ou na madrugada, uma medida necessária é evitar refeições muito pesadas e priorizar opções mais leves e equilibradas, que causem menor sobrecarga ao sistema digestivo e ao sistema cardiovascular.

    Quem trabalha à noite pode compensar o sono durante o dia?

    A compensação completa do sono perdido durante a noite é mais difícil, porque o ciclo circadiano regula o funcionamento dos hormônios, da temperatura corporal e do metabolismo — e as funções se organizam em torno do repouso noturno.

    Logo, mesmo que a pessoa durma a mesma quantidade de horas durante o dia, a qualidade tende a ser menor, com sono mais fragmentado e menos profundo.

    Para ter algum grau de compensação, é importante garantir a melhor qualidade possível do sono, a partir de medidas como:

    • Higiene do sono: manter hábitos regulares de descanso, evitando telas antes de dormir e criando uma rotina fixa de horários;
    • Dormir em um quarto escuro e silencioso durante o dia: cortinas blackout, tampões auriculares, máscara para os olhos e redução máxima de ruídos externos ajudam a melhorar a profundidade do sono;
    • Evitar exposição solar logo após acordar: a luz natural sinaliza para o organismo que o dia começou, o que pode dificultar o ajuste do ciclo circadiano e piorar a sonolência;
    • Tentar dormir um pouco antes de iniciar o trabalho noturno: um cochilo de preparação aumenta a reserva de energia e reduz o prejuízo metabólico durante as horas em que o corpo deveria estar naturalmente dormindo;
    • Tirar cochilos curtos durante o turno: curtos períodos de descanso (20 a 30 minutos) já são capazes de melhorar o alerta, reduzir lapsos de atenção e diminuir a pressão fisiológica do turno invertido.

    Quando for dormir, o ideal é que o sono seja ininterrupto, mesmo que dure menos tempo. Mesmo que a recuperação não seja plena, os cuidados já contribuem para preservar o funcionamento do organismo e reduzir o impacto do trabalho noturno sobre a saúde.

    Sinais da falta de sono para a saúde

    A privação de sono ou sono irregular pode manifestar uma série de sintomas, que Juliana aponta:

    • Cansaço constante;
    • Sonolência excessiva durante o dia;
    • Irritabilidade e piora do humor;
    • Ansiedade e sintomas depressivos;
    • Dificuldade de concentração e perda de memória;
    • Aumento da pressão arterial;
    • Ganho de peso ou dificuldade para emagrecer;
    • Queda da imunidade.

    Os sinais podem aparecer de maneira lenta e progressiva, mas devem ser levados em consideração, porque indicam que o organismo está entrando em desequilíbrio.

    Não posso mudar o horário de trabalho, o que fazer?

    Quando não é possível trocar o turno de trabalho, o ideal é reduzir danos, adotando uma rotina de cuidados que ajude a proteger o organismo dos efeitos do sono irregular e da vigília prolongada. Entre eles, é possível destacar:

    • Priorizar a melhor qualidade de sono possível, mesmo durante o dia;
    • Manter alimentação equilibrada e evitar refeições muito pesadas na madrugada;
    • Fazer atividade física regularmente (em qualquer horário que seja possível);
    • Controlar o estresse, evitando café em excesso e estimulantes no fim do turno;
    • Limitar o consumo de álcool e ultraprocessados;
    • Manter acompanhamento médico regular, com controle de pressão, colesterol e glicemia.

    As medidas ajudam a proteger o sistema cardiovascular e reduzem parte do impacto que o trabalho noturno provoca no organismo.

    Confira: Dormir mal prejudica a saúde do coração? Conheça os riscos

    Perguntas frequentes

    O que é um sono irregular?

    O sono irregular consiste em dormir em horários que variam muito ao longo da semana, mudar bruscamente o momento em que se dorme e se acorda, alternar noite e dia sem padrão, ou quebrar o sono em vários períodos curtos.

    Quando isso acontece, o corpo não consegue programar os processos fisiológicos de forma estável. O relógio biológico não tem previsibilidade e começa a falhar em funções básicas como regular hormônios, temperatura corporal, apetite, humor e pressão arterial. Com o tempo, a falta de constância desequilibra o metabolismo e pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares.

    Por que dormir mal interfere no humor e na saúde mental?

    O sono profundo regula neurotransmissores importantes, como serotonina, dopamina e noradrenalina, todos envolvidos no humor e bem-estar emocional. Quando o sono é fragmentado ou insuficiente, acontece um desequilíbrio químico que pode levar a irritabilidade, ansiedade, impulsividade e sintomas depressivos.

    Ah, e o cérebro tem mais dificuldade para processar emoções, filtrar estímulos e interpretar situações sociais com clareza. Assim, quem dorme mal tem maior chance de reagir de forma exagerada a situações simples ou de sentir piora de sintomas psicológicos já existentes.

    Por que telas atrapalham o sono?

    A luz azul emitida por celulares, tablets e computadores inibe a produção de melatonina, o hormônio que sinaliza ao corpo que está na hora de dormir. O conteúdo consumido nas telas também costuma ser estimulante, deixando o cérebro em alerta e prolongando o estado de vigília. Por isso, o recomendado é evitar telas pelo menos uma hora antes de deitar.

    É normal acordar várias vezes durante a noite?

    Acordar várias vezes durante a noite pode acontecer de vez em quando, mas quando isso vira rotina, pode indicar um problema chamado insônia de manutenção.

    Isso pode acontecer devido a fatores emocionais, como estresse e ansiedade, a hábitos inadequados de sono e a condições físicas, como refluxo ou apneia do sono, além de ambientes pouco favoráveis ao descanso. Como os despertares fragmentam os ciclos de sono e prejudicam o descanso profundo, podem afetar diretamente a disposição, o humor e a saúde ao longo do dia.

    Por isso, se o problema é constante e está impactando a qualidade de vida, procure atendimento médico para identificar a causa e definir o tratamento mais adequado.

    Tomar melatonina é seguro?

    A melatonina pode ser útil em situações específicas, como jet lag, adaptação temporária de horários ou alguns distúrbios de ritmo circadiano. Porém, ela não deve ser usada sem orientação médica, já que as doses encontradas em suplementos variam muito e, em alguns casos, são mais altas do que o necessário. Isso pode causar sonolência residual no dia seguinte, alterações de humor e piora do ciclo sono–vigília a longo prazo.

    Veja mais: Sono leve ou agitado? Veja 7 hábitos noturnos que podem ser os culpados

  • Desidratação aumenta o risco de infarto? Conheça os riscos e como evitar 

    Desidratação aumenta o risco de infarto? Conheça os riscos e como evitar 

    Durante períodos de calor intenso ou prática de atividades físicas prolongadas, como treinos de resistência e corridas, é bastante comum o corpo perder água e sais minerais por meio do suor — sendo importante repor adequadamente os líquidos para evitar a desidratação. Desequilíbrios podem comprometer o funcionamento de órgãos vitais, especialmente o coração.

    Quando o organismo perde líquidos em excesso, o sangue se torna mais espesso e o volume circulante diminui. Como consequência, o coração precisa bater com mais força e rapidez para manter a pressão arterial e garantir que o oxigênio chegue aos tecidos.

    O esforço extra aumenta a sobrecarga cardíaca, o que pode ser perigoso sobretudo para pessoas com doenças cardiovasculares, hipertensão ou histórico de infarto. Vamos entender mais, a seguir.

    Mas como ocorre a hidratação?

    A desidratação acontece quando o corpo perde mais líquidos do que consome, provocando um desequilíbrio entre água e sais minerais, especialmente sódio e potássio, que são fundamentais para o bom funcionamento das células. A perda pode acontecer de forma gradual ou rápida, dependendo da causa e da intensidade.

    Normalmente, o organismo elimina líquidos por meio do suor, urina, fezes e respiração. Mas, em situações como exposição prolongada ao calor, prática intensa de exercícios, febre, vômitos ou diarreia, a perda de água e eletrólitos tende a ser muito maior. Quando você não faz a reposição adequada de líquidos, o volume de sangue circulante diminui e os tecidos passam a receber menos oxigênio e nutrientes.

    Como há menos líquido disponível, o corpo tenta se adaptar: os rins reduzem a produção de urina, a pele fica seca e a temperatura corporal tende a aumentar. O sangue, mais espesso, circula com dificuldade, exigindo maior esforço do coração para manter o fluxo.

    Se a desidratação ficar mais grave, podem surgir sintomas como tontura, fraqueza, queda de pressão, batimentos acelerados e confusão mental, caracterizando um quadro de risco que precisa de reposição imediata de líquidos e, em casos graves, atendimento médico urgente.

    Desidratação afeta a pressão arterial?

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, a desidratação pode causar um quadro de hipotensão, que é a queda na pressão arterial. Ela ocorre porque a redução do volume sanguíneo leva à diminuição da pressão exercida pelo sangue nas paredes dos vasos, comprometendo o fluxo adequado para os órgãos vitais — o que pode causar sintomas como tonturas, náuseas e desmaios.

    Em alguns casos, pode acontecer um aumento transitório e discreto da pressão, pois o organismo tenta compensar a perda de líquido liberando hormônios que causam o estreitamento dos vasos sanguíneos.

    Embora seja uma forma de defesa do corpo, ele pode sobrecarregar o sistema cardiovascular, ainda mais em quem convive com hipertensão ou doenças cardíacas pré-existentes.

    Desidratação é perigosa para o coração?

    Em quadros de desidratação, há risco de queda acentuada da pressão arterial, aceleração dos batimentos, arritmias, tontura, fraqueza e desmaios. A sobrecarga cardíaca também pode desencadear crises hipertensivas, infarto e AVC, sobretudo em pessoas com histórico de doenças cardiovasculares, insuficiência cardíaca ou hipertensão.

    Além dos distúrbios de ritmo, a perda de líquidos e sais minerais intensifica o esforço do coração e reduz a oxigenação dos tecidos, o que pode causar sensação de cansaço extremo e mal-estar generalizado. O desequilíbrio de eletrólitos, principalmente de sódio e potássio, agrava o risco de irregularidades na condução elétrica cardíaca, elevando as chances de complicações graves.

    De acordo com Juliana, os idosos são mais vulneráveis à desidratação porque apresentam alterações naturais do envelhecimento, como a diminuição da sensação de sede e, muitas vezes, a função renal menos eficiente. Isso dificulta a reposição adequada de líquidos e aumenta o risco de desidratação.

    Em pessoas com doenças cardíacas, a cardiologista explica que o coração já tem dificuldade em manter um fluxo sanguíneo adequado. A desidratação exige esforço adicional para bombear um sangue mais espesso e em menor quantidade, o que pode provocar complicações graves. Pacientes com insuficiência cardíaca, por exemplo, podem ter maior risco de infarto e AVC.

    Sinais de desidratação para ficar atento

    Os primeiros sintomas de desidratação incluem:

    • Sede intensa e boca seca;
    • Urina escura e em pequena quantidade;
    • Cansaço e fraqueza generalizada;
    • Dor de cabeça e tontura;
    • Pele e lábios ressecados;
    • Confusão mental ou dificuldade de concentração;
    • Ausência de urina por várias horas.

    Em casos moderados a graves, podem surgir palpitações, aceleração dos batimentos cardíacos, queda de pressão, náusea, confusão mental e desmaios. Os sintomas indicam que o corpo já perdeu quantidade significativa de líquidos e sais minerais, o que compromete a circulação e o funcionamento do coração.

    Entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas, a desidratação pode evoluir rapidamente. A ausência de suor em dias quentes, a falta de urina por muitas horas ou a sonolência excessiva são sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata.

    Como prevenir a desidratação e proteger o coração?

    Manter o corpo hidratado é uma das principais medidas para prevenir a desidratação e garantir o bom funcionamento do coração, especialmente durante períodos de calor intenso ou em situações que aumentam a perda de líquidos, como atividade física ou febre.

    Outras medidas importantes para adotar no dia a dia incluem:

    • Prefira água, água de coco ou bebidas isotônicas em casos de suor excessivo;
    • Evite o consumo exagerado de café, álcool e refrigerantes, que favorecem a perda de líquidos;
    • Use roupas leves, claras e de tecidos que permitam ventilação;
    • Evite exposição solar entre 10h e 16h;
    • Mantenha ambientes ventilados e frescos, com uso de ventilador ou ar-condicionado quando possível;
    • Faça pausas durante atividades físicas em dias quentes;
    • Observe sinais como urina escura, tontura, fraqueza ou palpitações e procure atendimento se persistirem;
    • Pessoas com doenças cardíacas devem seguir orientação médica sobre a quantidade ideal de líquidos e possíveis ajustes de medicamentos.

    Beber água em excesso também é perigoso?

    Tudo em excesso pode prejudicar a saúde, inclusive o consumo de água. Segundo Juliana, o consumo exagerado de líquidos em um curto período pode causar hiponatremia, condição em que o sangue se torna muito diluído e o nível de sódio cai. O sódio, inclusive, é fundamental para o funcionamento adequado do organismo e para a manutenção dos batimentos cardíacos.

    O excesso de água também pode provocar inchaço das células, inclusive das cerebrais, causando alterações neurológicas e cardíacas graves. Em situações extremas, a diluição excessiva compromete o funcionamento do sistema nervoso e pode levar a uma parada cardíaca.

    Existe uma quantidade ideal de líquidos por dia?

    A quantidade ideal de líquidos deve ser individualizada e determinada pelo médico, segundo Juliana. Para a maioria das pessoas, o recomendado é a ingestão de 2 a 2,5 litros de líquidos por dia.

    Entretanto, pacientes com insuficiência cardíaca podem apresentar dificuldade em eliminar o excesso de líquidos, o que favorece a retenção e o acúmulo, especialmente nos pulmões, agravando o quadro clínico.

    Nessas situações, a cardiologista explica que pode ser orientado uma restrição hídrica, limitando a ingestão diária (em alguns casos, a aproximadamente 1 litro) conforme a gravidade e as necessidades específicas de cada paciente, como finaliza a cardiologista.

    Veja também: Por que beber água é tão importante para os rins e a bexiga?

    Perguntas frequentes

    A falta de água pode causar arritmia cardíaca?

    Pode, sim. A desidratação causa desequilíbrio de eletrólitos, como sódio e potássio, fundamentais para a condução elétrica que regula os batimentos cardíacos. Quando há carência de minerais, o coração pode apresentar ritmo irregular, palpitações e arritmias. Em quadros mais severos, essa instabilidade elétrica pode gerar complicações graves e até risco de parada cardíaca.

    O que fazer para se hidratar corretamente?

    A melhor forma é beber água em pequenas quantidades ao longo do dia, sem esperar sentir sede. Os alimentos ricos em água, como frutas, verduras e sopas, também ajudam. Em situações de calor ou transpiração intensa, é indicado repor sais minerais com água de coco ou bebidas isotônicas. A hidratação deve ser constante, e não concentrada em grandes volumes de uma só vez.

    Quando procurar atendimento médico por desidratação?

    O atendimento deve ser buscado sempre que houver sinais de desidratação moderada ou grave, como sede intensa, urina escura ou ausente, tontura, fraqueza extrema, confusão mental, dor no peito ou palpitações.

    Crianças, idosos e pessoas com doenças cardíacas devem ser avaliadas mais rapidamente, pois o risco de complicações é maior. O tratamento pode incluir reposição de líquidos por via oral ou intravenosa, dependendo da gravidade do quadro.

    O café e o álcool favorecem a desidratação?

    Sim, tanto o café quanto o álcool têm efeito diurético, estimulando o corpo a eliminar mais líquidos pela urina. Quando consumidos em excesso, aumentam o risco de desidratação, especialmente em dias de calor ou durante atividades físicas intensas.

    Como identificar a desidratação leve antes que piore?

    Os primeiros sinais leves de desidratação são sede, boca seca, urina mais escura e sensação de cansaço. Se não houver reposição de líquidos, surgem tontura, dor de cabeça e palpitações. Observar a cor da urina é uma boa forma de monitorar o nível de hidratação: quanto mais clara, melhor.

    Qual é o melhor tipo de bebida para hidratação?

    A água é sempre a melhor opção para se hidratar, no entanto, em situações de grande perda de líquidos, bebidas isotônicas ou água de coco ajudam a repor eletrólitos. Sucos naturais também contribuem para melhorar o quadro, desde que sem excesso de açúcar.

    Confira: Descubra quanto de água você deve tomar por dia

  • Vacinas contra o câncer: o que está sendo testado (e o que esperar)

    Vacinas contra o câncer: o que está sendo testado (e o que esperar)

    Nos últimos anos, pesquisas em universidades e centros científicos ao redor do mundo têm mostrado resultados animadores no desenvolvimento de vacina contra câncer. Diferente das vacinas convencionais, que atuam prevenindo infecções ao expor o corpo a fragmentos ou versões enfraquecidas de vírus e bactérias, essas novas terapias são criadas para tratar tumores já existentes ou evitar que a doença volte — usando as próprias células do paciente para ativar o sistema imunológico e fazer com que ele reconheça e combata o câncer.

    O oncologista Thiago Chadid explica que o processo é bastante complexo: o sangue do paciente é coletado, as células tumorais são isoladas e os cientistas identificam nelas marcadores genéticos específicos. A partir disso, é criado um vetor viral (um vírus modificado em laboratório) que carrega essa informação genética.

    O vírus é injetado em células do próprio paciente, modificando o DNA delas para que o sistema imunológico aprenda a reconhecer e combater o tumor. Depois, essas células modificadas são reintroduzidas no corpo — e é isso que chamamos de vacina personalizada.

    Como uma vacina funciona normalmente?

    As vacinas tradicionais funcionam apresentando ao corpo uma amostra inofensiva do agente causador da doença (seja um fragmento de vírus, bactéria ou proteína), estimulando o sistema imunológico a produzir uma resposta de defesa. Ele cria uma memória imunológica — de modo que o corpo aprende a reconhecer o invasor e reage rapidamente se ele aparecer de novo.

    No caso da vacina contra câncer, a ideia é semelhante, mas em vez de vírus ou bactérias, ela ensina o corpo a atacar células tumorais. O imunizante pode conter neoantígenos, moléculas específicas que aparecem nas células cancerígenas, mas não nas saudáveis. Assim, o sistema imune aprende a identificá-las como ameaças e a destruí-las.

    A seguir, veja algumas das vacinas que estão em desenvolvimento e sendo testadas em estudos clínicos e experimentais.

    Vacina universal do câncer

    Um dos avanços recentes mais notáveis decorre do conceito de uma vacina universal contra o câncer. Em 2024, pesquisadores publicaram na revista Nature Biomedical Engineering um estudo mostrando uma vacina experimental baseada em RNA mensageiro (mRNA) que, quando combinada com imunoterapia, eliminou tumores resistentes em ratos.

    A proposta, no geral, é criar um imunizante que funcione contra diferentes tipos de tumores, usando o mesmo princípio das vacinas de Covid-19. O mRNA carrega instruções genéticas que fazem as células do corpo produzirem proteínas que simulam o comportamento do tumor. Isso desperta o sistema imunológico, que aprende a reconhecer e atacar essas proteínas anormais.

    Nos testes, a vacina aumentou a eficácia da imunoterapia e conseguiu eliminar completamente tumores que até então não respondiam a tratamentos convencionais. Apesar de ainda estar em fase experimental, a pesquisa abre caminho para uma geração de vacinas que podem tratar múltiplos tipos de câncer com um único mecanismo molecular.

    Vacina bacteriana para câncer colorretal avançado e melanoma

    Cientistas da Universidade Columbia criaram uma vacina composta por bactérias probióticas geneticamente modificadas que educam o sistema imunológico a destruir células cancerígenas.

    Segundo o estudo, publicado na revista Nature, as bactérias foram programadas para produzir neoantígenos tumorais, fazendo com que o sistema imune ataque as células com essas proteínas — e poupe as células normais. Em modelos de ratos com câncer colorretal avançado e melanoma, a vacina eliminou o crescimento dos tumores e impediu metástases, mantendo as áreas saudáveis intactas.

    O mais interessante é que a vacina usa o comportamento natural das bactérias, que migram e se instalam dentro dos tumores, onde há menos oxigênio. Isso permite uma resposta imunológica direta no coração do tumor.

    De acordo com o pesquisador Nicholas Arpaia, da Columbia, a terapia foi projetada para ser segura e personalizada: as bactérias são rapidamente eliminadas se não encontrarem o tumor, reduzindo o risco de efeitos adversos. Agora, o próximo passo será testar a técnica em humanos.

    Vacina contra o câncer de pele

    Chamada de mRNA-4157 (V940), a vacina contra o câncer de pele está sendo desenvolvida pela Moderna em parceria com a MSD (Merck). O imunizante, feito com a tecnologia de RNA mensageiro, está sendo testado em pacientes com melanoma avançado.

    Nos estudos de fase 2, a vacina combinada com o medicamento Keytruda (pembrolizumabe), uma imunoterapia amplamente usada, reduziu em 44% o risco de recidiva ou morte em comparação com o tratamento isolado.

    Cada dose é feita sob medida, com base nas mutações específicas encontradas no tumor do paciente. Ela induz o corpo a reconhecer essas mutações e a eliminar células que as contenham.

    Vacina contra o câncer de pâncreas

    O Memorial Sloan Kettering Cancer Center (MSK) está testando uma vacina de mRNA para tratar o câncer de pâncreas. O imunizante é feito de forma personalizada, com base nas características de cada paciente — e tem como objetivo reduzir o risco de o câncer voltar após a cirurgia para remover o tumor.

    Os resultados do ensaio clínico de fase 1, publicados na revista Nature, indicam que a vacina terapêutica contra o câncer foi capaz de ativar células imunológicas específicas do tumor, que permaneceram ativas no organismo por quase quatro anos em alguns pacientes.

    Além disso, aqueles que apresentaram resposta imune à vacina tiveram menor risco de recidiva após três anos de acompanhamento, em comparação com os que não responderam ao tratamento. Se comprovada, a abordagem pode aumentar significativamente a sobrevida de pacientes com câncer pancreático em estágios iniciais.

    Vacina contra o câncer de cabeça e pescoço

    Outro estudo liderado pelo MSK está testando uma vacina terapêutica para cânceres de cabeça e pescoço causados pelo HPV. Os tumores se originam de uma infecção viral, o que torna a vacina especialmente estratégica.

    O imunizante é baseado em proteínas virais expressas nas células infectadas que se tornam cancerígenas. A ideia é ensinar o sistema imune a reconhecer essas proteínas e eliminá-las, destruindo as células doentes.

    No futuro, essa vacina do câncer pode complementar o papel preventivo da vacina contra HPV, agindo como uma forma de tratamento para quem já desenvolveu o câncer. Os ensaios clínicos iniciais mostram respostas imunes positivas e segurança adequada, o que reforça o potencial da abordagem.

    Vacina personalizada contra câncer de intestino

    Em junho de 2024, o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) iniciou os primeiros testes com vacinas personalizadas contra o câncer de intestino, também utilizando a tecnologia do mRNA.

    O processo começa com a análise genética do tumor de cada paciente. A partir daí, os cientistas identificam mutações exclusivas e criam uma vacina sob medida. Cada imunizante é único, fabricado de acordo com o “perfil genético” do câncer daquela pessoa.

    O primeiro paciente a receber a vacina foi Elliot Pfebve, de 55 anos, em um hospital na cidade de Birmingham. A expectativa é que a tecnologia reduza as chances de o câncer voltar após cirurgia ou tratamento convencional.

    Vacina contra o câncer renal

    Pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institute, ligado à Harvard Medical School, divulgaram resultados iniciais de uma vacina personalizada para câncer renal em estágio III e IV.

    O estudo, publicado na Nature, incluiu nove pacientes com carcinoma renal de células claras, todos com alto risco de recorrência. A vacina foi administrada após cirurgia, com o objetivo de eliminar células tumorais remanescentes.

    Todos os pacientes permaneceram sem sinais de câncer por mais de 40 meses após o tratamento. A vacina foi feita com base em neoantígenos extraídos do próprio tumor, permitindo que o sistema imunológico reconhecesse e destruísse células com a mesma assinatura genética.

    Terapias combinadas contra o câncer

    Nos últimos anos, pesquisadores têm avançado não apenas na criação de novas vacinas terapêuticas contra o câncer, mas também na forma de potencializá-las por meio de terapias combinadas.

    Uma vacina sozinha pode não ser suficiente para conter o crescimento tumoral, especialmente em casos de câncer avançado. À medida que os tumores se desenvolvem, eles passam a produzir moléculas que inibem ativamente o sistema imunológico, bloqueando a ação das células de defesa.

    Por isso, cientistas têm apostado em combinar vacinas com imunoterapias, como os inibidores de ponto de controle imunológico — medicamentos que “liberam os freios” do sistema de defesa. Remédios como o Keytruda (pembrolizumabe) atuam impedindo que as células tumorais se escondam, permitindo que o sistema imunológico as ataque com mais força.

    Os avanços em sequenciamento genético também estão ajudando a identificar neoantígenos, proteínas anormais criadas pelas mutações das células cancerígenas. Esses alvos específicos permitem desenvolver vacinas mais precisas, capazes de estimular o sistema imune de forma direcionada e duradoura.

    Com essa combinação, o tratamento se torna mais inteligente: o corpo aprende a reconhecer, atacar e lembrar do tumor — reduzindo as chances de recidiva.

    O que esperar para os próximos anos?

    Apesar da maioria dos estudos ainda estar em fases iniciais, os resultados têm sido consistentes, seguros e cheios de potencial.

    Os próximos passos envolvem ampliar os testes clínicos em humanos e avaliar a combinação das vacinas com tecnologias de RNA mensageiro junto a tratamentos já consolidados, como a imunoterapia. A proposta é unir diferentes estratégias para aumentar a eficácia e reduzir as chances de o câncer voltar.

    Por enquanto, o oncologista Thiago Chadid explica que essa tecnologia apresenta melhores resultados em cânceres hematológicos. Nos tumores sólidos, o desafio é maior porque o tumor cria uma espécie de barreira protetora, chamada estroma, que dificulta o acesso da vacina.

    As pesquisas atuais buscam entender como romper esse “escudo”, permitindo que o tratamento atinja diretamente as células tumorais.

    Confira: Metástase: o que é, sintomas, como surge e se tem cura

    Perguntas frequentes

    O que são vacinas terapêuticas contra o câncer?

    As vacinas terapêuticas são imunizantes desenvolvidos não para prevenir o câncer, mas para tratar pacientes que já têm a doença. Elas estimulam o sistema imunológico a reconhecer e atacar as células tumorais, identificando-as por meio de proteínas específicas chamadas neoantígenos — presentes apenas nas células cancerígenas. Assim, o corpo aprende a reconhecer o tumor e pode impedir que ele cresça ou volte a aparecer.

    Qual é a diferença entre vacinas preventivas e vacinas terapêuticas?

    As vacinas preventivas evitam o surgimento de um câncer causado por um agente infeccioso, como o HPV (responsável pelo câncer de colo de útero) e a hepatite B (que pode causar câncer de fígado). Já as vacinas terapêuticas são usadas em pacientes que já têm a doença, com o objetivo de ativar o sistema imune para combater o tumor ou reduzir as chances de ele retornar após o tratamento.

    O que é imunoterapia?

    A imunoterapia é um tipo de tratamento que estimula o próprio sistema imunológico a combater o câncer. Diferente da quimioterapia, que ataca diretamente as células tumorais, a imunoterapia fortalece as defesas naturais do corpo, permitindo que ele mesmo destrua as células doentes.

    Há diferentes categorias de imunoterápicos, entre elas os inibidores de ponto de verificação imunológico, que removem os mecanismos de bloqueio do sistema imunológico, permitindo uma resposta mais intensa contra as células tumorais.

    As vacinas contra o câncer podem substituir a quimioterapia ou a radioterapia?

    Não. As vacinas terapêuticas não substituem os tratamentos convencionais, mas podem complementá-los. A ideia é que sejam usadas em conjunto com terapias já estabelecidas, como imunoterapia, quimioterapia ou cirurgia, para aumentar a eficácia e reduzir o risco de recidiva.

    Apesar de ainda estarem em fase de testes para o tratamento de tumores, as vacinas personalizadas têm potencial para proporcionar uma abordagem mais precisa e eficaz, com menor risco de efeitos colaterais em comparação aos tratamentos convencionais.

    Vacinas contra o câncer podem ser usadas para prevenir a doença?

    Algumas, sim. As vacinas preventivas já são realidade e têm um papel importante na redução de certos tipos de câncer, como é o caso da vacina contra o HPV, que previne cânceres de colo do útero, ânus, garganta e pênis, e da vacina contra hepatite B, que ajuda a evitar o câncer de fígado.

    Já as vacinas terapêuticas ainda estão sendo estudadas e visam tratar o câncer já existente, não preveni-lo.

    Leia mais: Câncer: quais os principais fatores de risco?

  • Papanicolau: o exame que ajuda a prevenir o câncer de colo do útero 

    Papanicolau: o exame que ajuda a prevenir o câncer de colo do útero 

    A colpocitologia oncótica, conhecida popularmente como exame de Papanicolau, é um dos testes mais importantes da saúde feminina. Simples, rápido e amplamente disponível no SUS, ele permite detectar alterações celulares no colo do útero antes mesmo que se tornem lesões pré-cancerosas. Ou seja: é um exame que salva vidas.

    Mesmo sendo um procedimento essencial e de fácil acesso, muitas mulheres ainda têm dúvidas ou deixam de fazê-lo com regularidade. Entender como ele funciona e por que é tão valioso é o primeiro passo para manter a prevenção em dia.

    Como é feito o exame?

    O Papanicolau é rápido e, na maioria das vezes, indolor. Durante a consulta:

    • A mulher se deita na maca ginecológica;
    • O profissional introduz um espéculo, que permite visualizar o colo do útero;
    • Com uma escovinha e uma espátula, coleta amostras de células do colo do útero e da vagina;
    • O material é colocado em lâmina ou em meio líquido e enviado ao laboratório.

    Todo o processo leva poucos minutos e é muito seguro.

    Tipos de exame

    Existem duas formas principais de realizar a colpocitologia:

    • Citologia convencional: as células coletadas são depositadas diretamente em uma lâmina de vidro. É o modelo oferecido pelo SUS;
    • Citologia em meio líquido: as células são colocadas em uma solução conservante, o que melhora a qualidade da amostra e permite testes complementares, como o de HPV.

    Ambos têm o mesmo objetivo: identificar precocemente alterações que podem evoluir para câncer.

    O que o exame detecta?

    O Papanicolau pode identificar:

    • Infecções (candidíase, vaginose, tricomoníase);
    • Inflamações;
    • Presença de HPV;
    • Alterações celulares pré-cancerosas.

    A detecção precoce permite tratamentos mais simples, eficazes e menos invasivos.

    Quando fazer o exame

    Segundo o Ministério da Saúde, devem fazer o exame:

    • Mulheres entre 25 e 64 anos que já tiveram relação sexual;
    • A cada três anos, após dois exames anuais consecutivos normais.

    Mesmo após a menopausa, o exame continua essencial.

    Precisa de preparo?

    Sim. Alguns cuidados deixam o resultado mais confiável:

    • Evitar relações sexuais nas 72 horas anteriores;
    • Não usar duchas, cremes ou medicamentos vaginais no período;
    • Evitar realizar o exame durante a menstruação.

    O que significam os resultados?

    Os resultados podem ser:

    • Normal — sem alterações;
    • Alterações benignas — inflamações ou infecções;
    • Alterações suspeitas — células anormais que exigem investigação.

    A classificação segue o Sistema Bethesda, que organiza desde pequenas alterações até lesões de alto grau ou câncer.

    Quando há alterações, o médico pode solicitar repetição do exame, colposcopia ou teste de HPV.

    Por que o exame é tão importante?

    O câncer do colo do útero é um dos tumores mais preveníveis. Com o Papanicolau, é possível identificar alterações antes que evoluam, permitindo tratamento precoce e evitando casos graves.

    É uma ferramenta barata, acessível e extremamente eficaz na prevenção.

    Leia mais: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados

    Perguntas frequentes sobre o exame de Papanicolau

    1. O exame de Papanicolau dói?

    Geralmente não. Pode haver leve desconforto, mas o procedimento é rápido.

    2. Mulheres virgens podem fazer o exame?

    Em geral, ele é recomendado apenas para quem já iniciou atividade sexual. Em casos específicos, o médico pode avaliar a necessidade.

    3. Menstruação atrapalha o exame?

    Sim. O ideal é fazer fora do período menstrual para melhorar a análise das células.

    4. O exame detecta todas as infecções?

    Ele identifica algumas infecções vaginais, mas não substitui testes específicos para ISTs.

    5. Fiz histerectomia. Ainda preciso fazer Papanicolau?

    Depende do tipo de cirurgia e se o colo do útero foi removido. O médico orientará conforme o caso.

    6. Posso fazer o exame grávida?

    Sim. O exame é seguro durante a gestação.

    7. O exame substitui a vacina contra HPV?

    Não. A vacina e o Papanicolau se complementam na prevenção do câncer do colo do útero.

    Leia também: Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer