Autor: Dra. Paula Dieckmann

  • Exercícios físicos ajudam a proteger o cérebro? Saiba quais os melhores para praticar no dia a dia

    Exercícios físicos ajudam a proteger o cérebro? Saiba quais os melhores para praticar no dia a dia

    Você sabia que não é só o corpo que funciona melhor quando você faz exercícios? Além de fortalecer os músculos e proteger o coração, a atividade física regular contribui para manter o cérebro jovem, ágil e saudável.

    Ao se movimentar, a neurologista Paula Dieckmann explica que há um aumento da circulação sanguínea e da liberação de substâncias químicas que ajudam a proteger os neurônios.

    O processo não apenas melhora o humor e o foco no dia a dia, mas também contribui para reduzir o risco de declínio cognitivo ao longo da vida, além de demência e doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

    Além disso, Paula complementa que a prática regular de exercícios ajuda a controlar condições que também impactam diretamente a saúde cerebral, como pressão alta, diabetes, obesidade e colesterol elevado.

    Quando os problemas não são bem controlados, o risco de alterações na circulação do cérebro e de perda cognitiva pode aumentar ao longo dos anos.

    Como a atividade física protege o cérebro?

    Quando você pratica uma atividade física, como caminhada ou natação, o cérebro recebe um aumento imediato no fluxo sanguíneo, o que melhora a oxigenação e a entrega de nutrientes aos neurônios.

    O movimento também estimula a liberação de substâncias importantes para a saúde cerebral, especialmente o BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro), uma proteína que ajuda a proteger as células do cérebro e favorece a criação de novas conexões entre os neurônios.

    Além disso, o exercício ajuda a reduzir inflamações e o chamado estresse oxidativo, fatores ligados ao envelhecimento precoce das células cerebrais. Com o passar do tempo, a prática regular contribui para preservar regiões importantes do cérebro, como o hipocampo, responsável pela memória e pela aprendizagem.

    Por fim, ao equilibrar neurotransmissores como dopamina e serotonina, a atividade física estabiliza o humor e a resposta ao estresse, criando uma proteção natural contra o declínio cognitivo e doenças neurodegenerativas.

    Principais benefícios para a saúde mental

    A prática regular de exercícios físicos provoca mudanças no organismo que impactam diretamente o equilíbrio emocional e o funcionamento do cérebro, trazendo benefícios como:

    • Regulação do humor: a atividade física estimula a produção de endorfina e serotonina, substâncias relacionadas à sensação de bem-estar, prazer e relaxamento. Por isso, os exercícios podem ajudar no controle do desânimo e dos sintomas de depressão;
    • Redução da ansiedade e do estresse: o movimento ajuda o organismo a controlar melhor o cortisol, conhecido como hormônio do estresse. Com isso, há redução da tensão muscular, da agitação mental e da sensação de ansiedade;
    • Melhora da memória e da aprendizagem: a prática regular estimula a neuroplasticidade e fortalece áreas importantes do cérebro, como o hipocampo, ligado à memória. Isso favorece o aprendizado e ajuda a prevenir o esquecimento precoce;
    • Mais foco e concentração: os exercícios aumentam os níveis de neurotransmissores, como dopamina e noradrenalina, melhorando a atenção, o raciocínio e a clareza mental no dia a dia;
    • Melhora da qualidade do sono: a atividade física ajuda a regular o relógio biológico e contribui para um sono mais profundo e reparador, o que é necessário para a saúde mental e o funcionamento adequado do cérebro;
    • Fortalecimento da autoestima: a melhora da disposição física, do condicionamento e da percepção do próprio corpo pode aumentar a autoconfiança e a sensação de bem-estar.

    Exercícios ajudam a prevenir o Alzheimer e a demência?

    A prática regular de exercícios físicos é uma das medidas mais importantes para prevenir o Alzheimer e outras demências, por melhorar a saúde vascular e o fluxo de oxigênio para o cérebro. Isso evita microlesões nas células nervosas e ajuda a controlar o diabetes e a hipertensão, condições que aceleram a degeneração cognitiva.

    No nível cerebral, o exercício ajuda o organismo a eliminar substâncias tóxicas que podem se acumular no cérebro, como a beta-amiloide, associada ao Alzheimer. Ao mesmo tempo, o movimento ajuda a preservar o hipocampo, região importante para a memória, e estimula a criação de novas conexões entre os neurônios.

    Com o passar dos anos, as adaptações ajudam a manter a memória, a capacidade de raciocínio e a autonomia nas atividades do dia a dia. As pessoas fisicamente ativas tendem a apresentar menor risco de perda cognitiva precoce e podem envelhecer com mais qualidade de vida e independência.

    Quais os melhores tipos de exercícios para a mente?

    Os melhores exercícios para a saúde da mente são aqueles que combinam estímulo cardiovascular, fortalecimento muscular e desafios de coordenação, atenção ou memória, como:

    1. Exercícios aeróbicos

    Os exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida, natação e ciclismo, aumentam a circulação sanguínea e a oxigenação do cérebro, além de estimular a produção de BDNF, proteína que ajuda na formação de novos neurônios e conexões entre as células cerebrais. A prática regular também pode melhorar a memória, a concentração e a disposição mental.

    2. Treino de força

    Segundo estudos, o fortalecimento muscular em atividades como musculação e pilates está associado à melhora das funções executivas, como a capacidade de tomar decisões, planejar tarefas e manter o raciocínio lógico.

    3. Atividades de coordenação e agilidade

    Os exercícios que exigem coordenação motora, ritmo e respostas rápidas, como dança, tênis, lutas e esportes coletivos, estimulam diferentes áreas cerebrais ao mesmo tempo.

    Como o cérebro precisa aprender movimentos, memorizar sequências e reagir rapidamente aos estímulos, essas atividades ajudam a fortalecer a neuroplasticidade e a velocidade de processamento das informações.

    4. Exercícios de equilíbrio e flexibilidade

    Os exercícios de equilíbrio e flexibilidade, como yoga e tai chi, ajudam a reduzir os níveis de estresse e cortisol no organismo, promovendo relaxamento e maior consciência corporal.

    Além disso, eles favorecem o foco, a respiração e a atenção ao momento presente, fatores importantes para a saúde emocional e para o funcionamento das áreas cerebrais ligadas às emoções e ao controle da ansiedade.

    Qual a frequência ideal de treino?

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), adultos devem praticar:

    • Entre 150 e 300 minutos de atividade física aeróbica moderada por semana, como caminhada acelerada, bicicleta leve ou dança;
    • Ou realizar entre 75 e 150 minutos de exercícios mais intensos, como corrida ou treinos de alta intensidade.

    A OMS também recomenda incluir exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana, trabalhando grandes grupos musculares, como pernas, braços, costas e abdômen.

    No caso dos idosos, além das atividades aeróbicas e de força, o recomendado é praticar exercícios de equilíbrio e coordenação pelo menos três vezes por semana, ajudando a prevenir quedas e preservar a autonomia.

    “São essas pequenas coisas feitas de forma consistente que podem fazer uma grande diferença para o cérebro ao longo da vida”, finaliza Paula.

    Leia também: É possível prevenir o Alzheimer? Saiba como reduzir o risco e proteger o cérebro ao longo da vida

    Perguntas frequentes sobre atividade física e saúde mental

    1. Exercício físico realmente ajuda o cérebro?

    Sim. A atividade física melhora a circulação sanguínea cerebral, aumenta a oxigenação e estimula substâncias que ajudam a proteger os neurônios e fortalecer as conexões cerebrais.

    2. Exercícios ajudam a prevenir Alzheimer?

    Sim. Estudos mostram que pessoas fisicamente ativas tendem a ter menor risco de declínio cognitivo, Alzheimer e outras demências.

    3. Qual o melhor exercício para a saúde mental?

    Os melhores resultados costumam acontecer com a combinação de exercícios aeróbicos, fortalecimento muscular e atividades que estimulam coordenação e equilíbrio.

    4. Caminhada já traz benefícios para o cérebro?

    Sim. Caminhadas regulares já ajudam a melhorar o humor, reduzir o estresse e estimular funções importantes da memória e da concentração.

    5. Exercício pode ajudar na ansiedade?

    Sim. A atividade física ajuda a regular o cortisol, hormônio ligado ao estresse, além de estimular substâncias relacionadas à sensação de bem-estar.

    6. Atividade física melhora o sono?

    Sim. Exercícios ajudam a regular o relógio biológico e favorecem um sono mais profundo e reparador.

    7. Quantas vezes por semana é ideal se exercitar?

    A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana, além de exercícios de fortalecimento muscular duas vezes por semana.

    8. Musculação também faz bem para o cérebro?

    Sim. O treino de força está associado à melhora do raciocínio, planejamento e outras funções cognitivas.

    9. Exercício ajuda na memória?

    Sim. A prática regular estimula áreas cerebrais importantes para memória e aprendizagem, como o hipocampo.

    10. Pessoas idosas também se beneficiam?

    Sim. A atividade física ajuda idosos a preservar memória, equilíbrio, autonomia e qualidade de vida.

    Confira: Esquecimento ou algo além? Saiba reconhecer os primeiros sinais de demência

  • Sono ruim pode afetar a memória? Neurologista responde

    Sono ruim pode afetar a memória? Neurologista responde

    Dificuldade para lembrar nomes, esquecimento no meio de uma conversa ou a sensação de que o raciocínio está mais lento que o normal são apenas alguns dos sinais que podem surgir se você não teve uma noite de sono adequada.

    Durante o descanso, principalmente nas fases mais profundas do sono, o cérebro fortalece conexões importantes entre os neurônios e te ajuda a aprender, prestar atenção e tomar decisões com mais facilidade.

    Quando o sono é insuficiente ou de má qualidade, a concentração, a criatividade e até a velocidade do raciocínio podem ficar prejudicadas já no dia seguinte.

    Afinal, como o sono consolida a memória?

    A memória se fortalece durante o sono porque o cérebro aproveita o período para organizar e guardar as informações aprendidas ao longo do dia. Enquanto você dorme, principalmente no sono profundo, uma região chamada hipocampo revisita as experiências recentes e ajuda a transferir as lembranças para áreas do cérebro responsáveis pelo armazenamento de longo prazo.

    Ao mesmo tempo, as conexões entre os neurônios que participaram do aprendizado ficam mais fortes, facilitando a lembrança de informações, nomes, conteúdos estudados e experiências vividas. Por isso, dormir bem ajuda você a aprender melhor e lembrar das coisas com mais facilidade.

    Já durante o sono REM, fase em que os sonhos são mais intensos, o cérebro trabalha especialmente na consolidação de habilidades, emoções e memórias ligadas às experiências emocionais do dia.

    Por fim, a noite de sono também funciona como uma espécie de limpeza cerebral: o cérebro enfraquece conexões menos importantes para evitar sobrecarga e abrir espaço para novos aprendizados. Quando você dorme pouco ou mal, as memórias podem se tornar mais confusas, frágeis ou fáceis de esquecer.

    Principais impactos do sono ruim na mente

    A privação de sono ou uma noite de descanso de má qualidade interferem diretamente na comunicação entre os neurônios e na química cerebral, podendo causar:

    • Dificuldade para manter a atenção e o foco nas tarefas;
    • Maior facilidade para se distrair durante conversas ou atividades;
    • Aprendizado mais lento e dificuldade para absorver novas informações;
    • Esquecimentos frequentes, como perder objetos ou esquecer recados recentes;
    • Mais dificuldade para planejar, organizar tarefas e tomar decisões;
    • Raciocínio mais lento e menor capacidade de resolver problemas;
    • Maior irritação, ansiedade e sensibilidade emocional;
    • Reações exageradas a situações simples do dia a dia;
    • Tempo de resposta mais lento e redução da coordenação motora;
    • Maior risco de acidentes ao dirigir ou realizar atividades que exigem atenção;
    • Acúmulo de substâncias tóxicas no cérebro, prejudicando a clareza mental e a saúde cerebral ao longo do tempo.

    Riscos a longo prazo para a mente

    Além dos prejuízos imediatos, o sono ruim impede a ativação do sistema glinfático, uma espécie de mecanismo de limpeza que remove toxinas cerebrais durante a noite. Como consequência, resíduos como a proteína beta-amiloide se acumulam nos tecidos, criando um ambiente tóxico que favorece o declínio cognitivo e aumenta o risco de doenças neurodegenerativas, como demências e Alzheimer.

    O sono ruim persistente também está ligado ao surgimento de transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade crônica, devido ao desequilíbrio neuroquímico constante.

    Há também um aumento no risco de acidentes vasculares cerebrais (AVC), pois a falta de descanso compromete a saúde cardiovascular e a regulação da pressão arterial, afetando diretamente a irrigação sanguínea do cérebro.

    Sinais de que sua memória está sendo afetada pelo sono

    Os sinais de que a falta de sono está prejudicando a função cognitiva costumam surgir de maneira sutil, mas se tornam frequentes na rotina. São eles:

    • Dificuldade em lembrar onde deixou objetos comuns (chaves, celular ou carteira) ou se realizou tarefas automáticas, como trancar a porta;
    • Esquecer a palavra que ia usar ou perder o fio da meada durante uma explicação ou conversa simples;
    • Ler uma página inteira de um livro ou documento e perceber que não absorveu nenhuma informação, precisando reler várias vezes;
    • Uma sensação de névoa (brain fog) que torna o pensamento menos nítido e faz com que tarefas simples demandem um esforço mental desproporcional;
    • Começar a confundir eventos, datas ou detalhes de situações que aconteceram recentemente, misturando fatos reais com sonhos ou suposições;
    • Sentir-se momentaneamente confuso sobre o dia da semana ou demorar mais do que o habitual para decidir qual trajeto seguir em um caminho conhecido.

    Dicas para dormir melhor e proteger a memória

    No dia a dia, alguns hábitos simples ajudam bastante a melhorar a qualidade do sono e proteger o funcionamento do cérebro, como:

    • Mantenha a regularidade: tente dormir e acordar no mesmo horário todos os dias, inclusive nos finais de semana, o que regula o ciclo circadiano (seu relógio biológico), facilitando a entrada no sono profundo;
    • Controle a exposição à luz: reduza as luzes da casa e evite telas (celular, tablet e TV) pelo menos uma hora antes de deitar. A luz azul inibe a produção de melatonina, o hormônio essencial para o sono;
    • Crie um ambiente agradável para dormir: o quarto deve ser um local escuro, silencioso e com temperatura agradável. Ruídos externos podem ser bloqueados com protetores auriculares ou sons brancos constantes;
    • Atenção à alimentação: evite bebidas estimulantes, como café, chás pretos e energéticos, após as 16h. Além disso, prefira jantares leves para que o processo de digestão não interfira na qualidade do descanso;
    • Pratique atividades físicas: o exercício ajuda a reduzir o tempo necessário para pegar no sono e aumenta a duração do sono profundo. No entanto, evite treinos muito intensos próximo ao horário de dormir, pois a adrenalina pode causar agitação;
    • Aplique técnicas de relaxamento: meditação guiada, respiração profunda ou um banho morno ajudam a baixar os níveis de cortisol (hormônio do estresse), preparando a mente para o repouso.

    Quando procurar um médico?

    Você deve procurar um médico quando os esquecimentos deixarem de ser esporádicos e passarem a afetar a rotina, ou se a melhora na higiene do sono não trouxer resultados após algumas semanas. Fique atento aos seguintes sinais de alerta:

    • Esquecer nomes de pessoas próximas ou compromissos importantes rotineiramente;
    • Pausas na respiração durante a noite, que impedem o sono profundo;
    • Dificuldade para dormir que ocorre mais de três vezes por semana por um longo período;
    • Sentir-se confuso em locais conhecidos ou perder a noção de datas e horários;
    • Cochilar involuntariamente durante atividades como dirigir ou trabalhar.

    O médico poderá solicitar exames como a polissonografia para identificar se existe um distúrbio físico impedindo a restauração do seu cérebro.

    Leia mais: Falta de sono pode te deixar mais doente

    Perguntas frequentes

    1. Quantas horas preciso dormir para não ter perda de memória?

    Para a maioria dos adultos, o ideal é entre 7 e 9 horas por noite. Menos que 6 horas já prejudica a capacidade do cérebro de processar e armazenar informações.

    2. Cochilar durante o dia ajuda a memória?

    Sim. Cochilos curtos (20 a 30 minutos) podem melhorar o alerta e a memória de trabalho, mas não substituem o sono profundo da noite para a consolidação de longo prazo.

    3. O que é o sono REM e por que ele é importante?

    É a fase dos movimentos oculares rápidos, onde ocorrem os sonhos. Ela é essencial para o processamento emocional e para a consolidação de memórias de habilidades (como tocar um instrumento).

    4. Café ajuda a recuperar a memória de quem dormiu mal?

    O café mascara o cansaço e melhora o alerta temporariamente, mas não repara o processo de consolidação de memória que deveria ter ocorrido durante o sono.

    5. O uso de remédios para dormir afeta a memória?

    Alguns sedativos (como benzodiazepínicos) podem interferir na arquitetura do sono, impedindo as fases profundas e causando lapsos de memória ou confusão mental.

    6. Qual a melhor posição para dormir e limpar o cérebro?

    Alguns estudos sugerem que dormir de lado (posição lateral) pode favorecer a eficiência do sistema glinfático na remoção de toxinas cerebrais.

    7. Por que idosos têm mais problemas de memória relacionados ao sono?

    Com o envelhecimento, o sono profundo diminui naturalmente, o que reduz o tempo disponível para o cérebro realizar a manutenção e a fixação de memórias.

    Veja também: 7 sinais de que seu cansaço não é apenas falta de sono

  • Você esquece nomes, datas e objetos com frequência? Saiba se é normal e o que fazer

    Você esquece nomes, datas e objetos com frequência? Saiba se é normal e o que fazer

    Esquecer o nome de alguém que você acabou de conhecer, entrar em um cômodo sem lembrar o que foi fazer ou passar vários minutos procurando as chaves pela casa são situações comuns na rotina.

    Normalmente, os lapsos de memória estão ligados ao estilo de vida, como o estresse, as noites mal dormidas ou simplesmente a falta de atenção por fazer muitas coisas ao mesmo tempo.

    No entanto, quando as falhas de memória começam a se tornar frequentes, intensas ou passam a atrapalhar atividades simples da rotina, a neurologista Paula Dieckmann orienta procurar uma avaliação médica.

    Em casos mais raros, os esquecimentos podem estar relacionados a fatores emocionais, excesso de sobrecarga mental e até algumas condições de saúde que precisam de investigação. Vamos entender mais, a seguir.

    Esquecer nomes e objetos é normal?

    A resposta é sim, esquecer nomes e objetos de vez em quando é considerado normal, principalmente em períodos de estresse, ansiedade, excesso de tarefas, noites mal dormidas ou falta de atenção. Muitas vezes, o cérebro está sobrecarregado e acaba não registrando algumas informações direito.

    De acordo com Paula, quando você coloca o celular na mesa enquanto pensa em várias coisas ao mesmo tempo, por exemplo, o cérebro pode nem registrar direito aquele momento — e o que não foi registrado com atenção fica muito mais difícil de lembrar depois.

    Outra questão é que os nomes próprios são particularmente mais difíceis para o cérebro, porque não possuem uma associação direta com significado, então é comum esquecê-los. Na maior parte das vezes, a neurologista explica que isso faz parte do funcionamento normal da memória.

    O que pode causar o esquecimento frequente?

    O esquecimento frequente pode ter várias causas, e nem sempre está relacionado a um problema grave de memória. Normalmente, ele é resultado de:

    • Estresse e ansiedade;
    • Noites mal dormidas;
    • Sobrecarga mental e excesso de tarefas;
    • Falta de atenção no dia a dia;
    • Depressão;
    • Uso excessivo de álcool;
    • Uso de alguns medicamentos;
    • Deficiência de vitamina B12;
    • Alterações hormonais;
    • Envelhecimento natural.

    Quando o esquecimento pode ser sinal de algo grave?

    O esquecimento pode ser um sinal de alerta quando começa a acontecer com muita frequência, piora ao longo do tempo ou passa a atrapalhar atividades simples da rotina. Assim, fique atento se os lapsos de memória vierem acompanhados de:

    • Desorientação temporal ou espacial, como esquecer em que dia da semana está, em que ano vivemos ou se perder em trajetos conhecidos;
    • Dificuldade para realizar tarefas do dia a dia, como usar eletrodomésticos, cozinhar receitas familiares ou organizar contas;
    • Alterações na linguagem, como esquecer palavras simples com frequência ou trocar nomes por termos sem sentido;
    • Mudanças de comportamento e humor, incluindo apatia, agressividade, confusão ou paranoia sem motivo aparente;
    • Repetição excessiva de perguntas ou histórias em um curto período de tempo sem perceber.

    Se você ou um familiar notar que os sinais estão se tornando frequentes e prejudicando a qualidade de vida, é recomendável agendar uma consulta com um neurologista ou geriatra.

    Como melhorar a memória e a concentração?

    No dia a dia, some algumas mudanças na rotina podem ajudar o cérebro a funcionar melhor e reduzir os lapsos de memória do dia a dia, como:

    • Dormir entre 7 e 9 horas por noite para ajudar o cérebro a consolidar as memórias;
    • Evitar telas antes de dormir, já que a luz do celular e da TV pode atrapalhar o sono;
    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em ômega-3, frutas, verduras e vegetais escuros;
    • Beber água ao longo do dia, porque até a desidratação leve pode afetar a concentração;
    • Praticar atividade física regularmente para melhorar a oxigenação cerebral;
    • Controlar o estresse e a ansiedade, que podem prejudicar a atenção e a memória;
    • Fazer exercícios mentais, como leitura, palavras cruzadas, aprender um idioma ou tocar um instrumento;
    • Sair do “piloto automático” e estimular o cérebro com novas atividades e hábitos;
    • Evitar fazer muitas tarefas ao mesmo tempo, já que o excesso de estímulos reduz o foco;
    • Usar agendas, listas e lembretes para organizar a rotina e diminuir a sobrecarga mental.

    Além dos hábitos de vida, alguns medicamentos também podem prejudicar a memória, como calmantes, antialérgicos e certos remédios para pressão arterial. O consumo frequente de álcool também pode afetar a capacidade de lembrar informações.

    Por isso, ao perceber falhas de memória frequentes, é importante conversar com um médico para revisar os medicamentos e suplementos em uso, já que ajustes simples podem ajudar a melhorar a clareza mental.

    Veja também: 7 sinais de que seu cansaço não é apenas falta de sono

    Perguntas frequentes

    1. É normal esquecer o que ia fazer ao entrar em um cômodo?

    Sim, e isso é conhecido como “efeito porta”. O cérebro entende a mudança de ambiente como um novo contexto e apaga informações irrelevantes do ambiente anterior para focar no novo.

    2. Qual a diferença entre esquecimento comum e Alzheimer?

    No esquecimento comum, você esquece um nome, mas lembra depois. No Alzheimer, a pessoa esquece a função de objetos (para que serve uma chave) ou não reconhece pessoas muito próximas.

    3. O uso excessivo de celular prejudica a concentração?

    Sim, o excesso de estímulos e o hábito de “rolar a tela” (scroll) treinam o cérebro para manter uma atenção superficial e fragmentada, o que prejudica o foco profundo.

    4. O que é névoa mental (brain fog)?

    É uma sensação de confusão e falta de clareza mental, comum em casos de estresse crônico, alterações hormonais (como na menopausa) ou após infecções virais.

    5. Café ajuda a estudar e lembrar melhor?

    A cafeína melhora o alerta e a atenção imediata, mas o excesso pode causar ansiedade e insônia, o que acaba prejudicando a memória a longo prazo.

    6. Quando devo levar um idoso ao médico por esquecimento?

    Quando ele começar a repetir a mesma história várias vezes, perder-se em locais conhecidos ou apresentar mudanças bruscas de personalidade.

    7. Qual exame detecta problemas de memória?

    O diagnóstico começa com testes neuropsicológicos (perguntas e tarefas) e pode incluir exames de sangue (para ver vitaminas e tireoide) e ressonância magnética do crânio.

    Leia mais: Vitamina mágica para memória? O que dizem os especialistas

  • É possível prevenir o Alzheimer? Saiba como reduzir o risco e proteger o cérebro ao longo da vida

    É possível prevenir o Alzheimer? Saiba como reduzir o risco e proteger o cérebro ao longo da vida

    O Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo que afeta principalmente a memória, o raciocínio e o comportamento.

    A doença acontece pela perda gradual de células do cérebro, comprometendo as funções cognitivas ao longo do tempo, o que provoca sinais como esquecimentos frequentes, dificuldade para lembrar informações recentes e confusão com datas ou compromissos.

    O envelhecimento é um dos principais fatores de risco do Alzheimer, mas o surgimento da doença não faz parte do envelhecimento natural.

    Na verdade, a estimativa é que 45% dos casos de demência no mundo poderiam ser evitados ou atrasados através da mudança de hábitos cotidianos, de acordo com um relatório da Comissão Lancet sobre Prevenção, Intervenção e Cuidado da Demência.

    Afinal, é possível prevenir o Alzheimer?

    Segundo a neurologista Paula Dieckmann, não existe uma forma garantida de impedir o surgimento do Alzheimer, mas existem vários hábitos que podem reduzir o risco e proteger o cérebro ao longo da vida.

    O cérebro possui algo chamado reserva cognitiva, que funciona como uma espécie de proteção construída ao longo dos anos por meio de estímulos mentais, aprendizado e hábitos saudáveis.

    Assim, mesmo que a doença comece a afetar o cérebro, pessoas com uma reserva cognitiva maior conseguem manter a autonomia e as funções do dia a dia por mais tempo.

    Como reduzir o risco de Alzheimer?

    1. Estimular a mente (reserva cognitiva)

    Quanto mais o cérebro é estimulado ao longo da vida, mais conexões entre os neurônios ele consegue criar. Por isso, os hábitos que desafiam a mente ajudam a fortalecer a reserva cognitiva, como:

    • O aprendizado de um novo idioma, instrumento musical ou atividade diferente da rotina;
    • A leitura frequente e os jogos de estratégia, como xadrez e palavras-cruzadas;
    • As mudanças em pequenos hábitos do dia a dia, como fazer caminhos diferentes ou sair do piloto automático;
    • A manutenção da vida social ativa e das conversas estimulantes;
    • Os estudos, cursos e atividades que exigem raciocínio e concentração contínuos.

    Quanto maior for a reserva cognitiva, maior tende a ser a capacidade do cérebro de lidar com o envelhecimento e compensar possíveis perdas cognitivas ao longo da vida.

    2. Cuidar da saúde cardiovascular

    A saúde do cérebro está diretamente ligada à saúde cardiovascular, uma vez que que o cérebro depende de um bom fluxo sanguíneo para funcionar corretamente. O controle da pressão arterial, do diabetes e do colesterol contribui para reduzir os danos aos vasos sanguíneos e proteger as funções cognitivas ao longo dos anos.

    O tabagismo também precisa de atenção, porque o cigarro aumenta os processos inflamatórios no organismo e pode acelerar o declínio cognitivo e os problemas vasculares que afetam o cérebro.

    3. Alimentação saudável

    As dietas ricas em peixes, azeite de oliva, castanhas, frutas vermelhas e vegetais de folhas escuras fornecem nutrientes e antioxidantes que ajudam no funcionamento cerebral. Por outro lado, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, gorduras trans, açúcares refinados e carne vermelha pode favorecer os processos inflamatórios e prejudicar a saúde cognitiva ao longo do tempo.

    4. Prática de exercícios físicos

    A prática regular de exercícios físicos ajuda a melhorar a circulação sanguínea, a oxigenação cerebral e o funcionamento dos neurônios.

    Os exercícios aeróbicos, como as caminhadas, a natação e o ciclismo, costumam trazer benefícios importantes para a memória e para a concentração. Já os treinos de força também ajudam a reduzir os processos inflamatórios do organismo e contribuem para um envelhecimento mais saudável.

    5. Priorizar o sono e a saúde mental

    O sono de qualidade é necessário para a memória e para a saúde do cérebro, já que é durante o descanso profundo que o organismo realiza processos importantes de consolidação das memórias e de eliminação de toxinas cerebrais.

    Além disso, os cuidados com a saúde mental, a redução do estresse e a manutenção das relações sociais também ajudam a proteger as funções cognitivas ao longo da vida.

    Por fim, vale atenção à saúde auditiva, porque a perda de audição sem tratamento pode aumentar o isolamento social e acelerar o declínio cognitivo.

    Fatores de risco que você pode (e não pode) controlar

    O desenvolvimento do Alzheimer é influenciado por diferentes fatores. Alguns não podem ser modificados, como a idade e a genética, enquanto outros estão relacionados ao estilo de vida e podem ser controlados ao longo dos anos.

    Entre os fatores que você não consegue controlar, é possível destacar:

    • Idade, principalmente após os 65 anos, já que o risco da doença aumenta com o envelhecimento;
    • Genética e algumas mutações associadas ao Alzheimer, que podem aumentar a predisposição para a condição;
    • Histórico familiar da doença em parentes de primeiro grau, como pais e irmãos;
    • Sexo feminino, que apresenta maior risco estatístico para o desenvolvimento da doença.

    Já entre os fatores que você consegue controlar, estão:

    • Baixa escolaridade e a falta de estímulo intelectual ao longo da vida, que podem reduzir a reserva cognitiva do cérebro;
    • Hipertensão, o colesterol alto e a obesidade, especialmente na meia-idade, que prejudicam a circulação sanguínea cerebral;
    • Sedentarismo e a falta de atividade física regular, que favorecem processos inflamatórios no organismo;
    • Tabagismo e o consumo excessivo de álcool, que aceleram o envelhecimento celular e afetam os neurônios;
    • Diabetes tipo 2, que pode prejudicar a forma como o cérebro utiliza a glicose para funcionar adequadamente;
    • Perda auditiva sem tratamento, que reduz os estímulos recebidos pelo cérebro ao longo do tempo;
    • Isolamento social e a depressão, que aumentam o estresse crônico e podem impactar a memória e as funções cognitivas

    Sinais de alerta para procurar um médico

    No dia a dia, é comum ter pequenos lapsos de memória, como esquecer onde deixou as chaves ou não lembrar o nome de alguém que você acabou de conhecer. Mas, quando as falhas de memória começam a interferir na rotina e na autonomia, é momento de procurar avaliação médica. Fique atento aos seguintes sinais de alerta:

    • Perda de memória frequente que começa a atrapalhar o dia a dia;
    • Dificuldade para planejar atividades ou resolver problemas simples;
    • Confusão com datas, horários, lugares ou trajetos conhecidos;
    • Dificuldade para realizar tarefas habituais da rotina;
    • Problemas para encontrar palavras ou manter conversas;
    • Mudanças de humor, comportamento ou personalidade;
    • Afastamento social e perda de interesse por atividades que antes eram comuns.

    Os sinais não significam necessariamente que a pessoa tenha Alzheimer, mas indicam a necessidade de uma avaliação médica, principalmente quando os sintomas passam a se repetir com frequência e comprometem a autonomia no dia a dia.

    Perguntas frequentes

    1. O Alzheimer é hereditário?

    Na maioria dos casos, não. Apenas cerca de 1% a 5% dos casos são puramente genéticos (Alzheimer familiar precoce). Ter um parente com a doença aumenta o risco, mas o estilo de vida é o fator determinante para a maioria das pessoas.

    2. A partir de qual idade devo me preocupar com a prevenção?

    O ideal é focar em hábitos saudáveis desde a juventude, mas a janela para o controle de fatores de risco (como pressão alta e diabetes) é a meia-idade, entre os 40 e 50 anos.

    3. O óleo de coco pode prevenir ou curar o Alzheimer?

    Não há evidências científicas sólidas que comprovem que o óleo de coco previna ou trate o Alzheimer. A melhor estratégia alimentar continua sendo a Dieta Mediterrânea.

    4. Existe alguma vitamina específica para prevenir a perda de memória?

    As vitaminas do complexo B (especialmente B12) e a vitamina D são essenciais para o cérebro. No entanto, a suplementação só deve ser feita sob orientação médica se houver deficiência.

    5. Qual a diferença entre demência e Alzheimer?

    A demência é um termo geral para o declínio das funções cognitivas. O Alzheimer é o tipo mais comum de demência, correspondendo a cerca de 60% a 80% dos casos.

    6. A depressão pode ser um sintoma precoce?

    Sim. Em muitos casos, mudanças de humor e depressão aparecem anos antes dos problemas de memória, sendo um sinal de alerta importante.

    7. Existem medicamentos para prevenir o Alzheimer?

    Até o momento, não existe um remédio aprovado para prevenir a doença em pessoas saudáveis. A prevenção é baseada exclusivamente em hábitos de vida e controle de doenças crônicas.

  • 6 gatilhos para enxaqueca (e como prevenir novas crises)

    6 gatilhos para enxaqueca (e como prevenir novas crises)

    A enxaqueca é uma condição neurológica e crônica que causa crises recorrentes de dor de cabeça intensa, normalmente pulsátil e localizada em um lado da cabeça. As crises podem durar de algumas horas a vários dias e tendem a interferir significativamente na rotina e na qualidade de vida.

    Apesar da causa exata ainda não ser totalmente esclarecida, sabe-se que o cérebro de pessoas com enxaqueca é mais sensível a estímulos externos e internos, desde variações hormonais e hábitos alimentares até mudanças drásticas no ambiente, o que favorece a ativação de mecanismos neurológicos envolvidos na dor.

    Os gatilhos podem variar de pessoa para pessoa, mas compreender os principais pode ajudar na adoção de medidas para prevenir e reduzir a frequência e a intensidade das crises, segundo a neurologista Paula Dieckmann. Entenda mais, a seguir!

    O que pode causar as crises de enxaqueca?

    As crises de enxaqueca podem ser desencadeadas por diferentes fatores, que variam de pessoa para pessoa:

    1. Alterações hormonais

    Em mulheres, a queda brusca nos níveis de estrogênio logo antes do período menstrual interfere diretamente na modulação da dor e na liberação de neurotransmissores no sistema nervoso central. O uso de anticoncepcionais ou a terapia de reposição hormonal também podem agravar ou alterar o padrão das crises.

    2. Consumo de alimentos específicos e aditivos químicos

    No dia a dia, algumas substâncias presentes na dieta, como o glutamato monossódico em alimentos industrializados e os nitratos presentes em embutidos, contém propriedades vasoativas que podem provocar a dilatação dos vasos sanguíneos cerebrais e desencadear o processo inflamatório da enxaqueca.

    O consumo de queijos envelhecidos, ricos em tiramina, e o uso excessivo de adoçantes artificiais, como o aspartame, também são apontados como fatores que estimulam a hipersensibilidade neuronal em indivíduos predispostos.

    3. Exposição a estímulos sensoriais intensos

    O cérebro de pessoas com enxaqueca apresenta uma dificuldade maior em processar estímulos sensoriais acumulados, fazendo com que a exposição prolongada a luzes brilhantes ou piscantes, ruídos muito altos e cheiros fortes, como perfumes ou solventes, ativem o nervo trigêmeo de forma anormal.

    A estimulação excessiva desencadeia uma série de reações no cérebro que levam à dor pulsante típica da enxaqueca, muitas vezes acompanhada de sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia) durante a crise.

    4. Desregulação do sono e fadiga extrema

    Tanto a privação crônica de sono quanto o hábito de dormir por períodos excessivamente longos, como ocorre frequentemente nos finais de semana, podem desequilibrar o ritmo circadiano e afetar a produção de melatonina e serotonina.

    Como consequência, a irregularidade nos horários de sono funciona como um fator de estresse para o organismo, diminuindo a tolerância do cérebro à dor e facilitando o surgimento de crises mais intensas de dor de cabeça, especialmente ao acordar.

    5. Fatores emocionais e o período de relaxamento

    O estresse é um dos fatores mais associados ao surgimento das crises, segundo Paula. Ele causa a liberação contínua de hormônios como cortisol e adrenalina, mantendo o corpo em estado de alerta.

    Quando os níveis finalmente se reduzem, ocorre uma espécie de queda no organismo que pode desencadear a dor. Por isso, é comum o surgimento de dor de cabeça no período de descanso após dias intensos de trabalho.

    6. Mudanças ambientais e condições climáticas

    As variações bruscas na pressão atmosférica, as mudanças na umidade do ar e as alterações repentinas de temperatura exigem uma adaptação rápida do organismo e podem desencadear as crises em pessoas mais sensíveis.

    Para completar, a exposição ao sol intenso sem a proteção adequada e o vento forte diretamente no rosto também podem atuar como gatilhos, irritando as terminações nervosas da face e do couro cabeludo e favorecendo o início da enxaqueca.

    Como identificar os seus gatilhos de enxaqueca?

    Para identificar o que está causando as crises de enxaqueca, você pode adotar algumas medidas práticas no dia a dia, como:

    • Anote durante pelo menos um mês o dia e o horário em que a dor começou, a intensidade da crise e o que você fez nas 24 horas anteriores. Registre o que comeu, quantas horas dormiu, o nível de estresse e, no caso das mulheres, o dia do ciclo menstrual, para encontrar padrões que se repetem;
    • Identifique os alimentos suspeitos (como café, chocolate ou embutidos) e retire um por vez da sua dieta por duas semanas. Observe se a frequência das crises diminui e, ao reintroduzir o alimento, note se a dor volta a aparecer em um curto espaço de tempo;
    • Preste atenção se as crises costumam surgir em situações específicas, como após o uso prolongado de telas, exposição a ar-condicionado muito frio, cheiros fortes de limpeza ou logo após períodos de jejum prolongado;
    • Use aplicativos específicos para enxaqueca, que facilitam o registro dos sintomas e geram relatórios automáticos sobre possíveis gatilhos ambientais e climáticos com base na sua localização;
    • Identifique se a dor aparece durante o pico de uma situação estressante ou justamente no momento em que você relaxa, como no início do final de semana ou das férias, para entender como o seu sistema nervoso reage às variações de cortisol.

    Como prevenir novas crises de enxaqueca?

    Pequenas mudanças no dia a dia já podem te ajudar a prevenir a dor de cabeça, como:

    • Manter horários regulares de sono, dormindo e acordando sempre em horários parecidos, evitando tanto a privação quanto o excesso de sono;
    • Evitar longos períodos em jejum, fazendo refeições equilibradas ao longo do dia e mantendo a hidratação adequada;
    • Identificar e reduzir os gatilhos alimentares, como álcool, excesso de cafeína, alimentos ultraprocessados e ricos em aditivos químicos;
    • Controlar o estresse, por meio de atividades como exercícios físicos regulares, momentos de lazer e técnicas de relaxamento;
    • Evitar estímulos sensoriais intensos, como luz muito forte, barulhos excessivos e cheiros fortes sempre que possível;
    • Manter uma rotina organizada, já que mudanças bruscas no dia a dia podem favorecer o surgimento das crises;
    • Praticar atividade física regularmente, respeitando os limites do corpo;
    • Acompanhar com um profissional de saúde, que pode indicar tratamento preventivo quando as crises são frequentes ou intensas.

    Vale lembrar que o uso de qualquer medicamento deve ser orientado por um médico. A automedicação pode agravar o quadro, favorecendo o surgimento de crises mais frequentes e difíceis de controlar.

    Leia mais: Dor de cabeça constante: o que pode ser e como aliviar

    Perguntas frequentes

    1. O que é enxaqueca com aura?

    É um tipo de enxaqueca onde a dor é precedida ou acompanhada por sintomas visuais, como flashes de luz, pontos negros ou linhas em zigue-zague, que geralmente desaparecem em menos de uma hora.

    2. Enxaqueca tem cura?

    A enxaqueca não tem cura definitiva, mas é uma condição controlável com mudanças no estilo de vida, identificação de gatilhos e uso de medicamentos preventivos.

    3. Quanto tempo pode durar uma crise?

    Uma crise comum dura entre 4 e 72 horas. Se ultrapassar esse período, é chamado de estado de mal enxaquecoso e requer ajuda médica.

    4. É perigoso tomar analgésico todo dia?

    Sim. O uso excessivo (mais de 2 ou 3 vezes por semana) pode causar a “cefaleia por efeito rebote”, onde o remédio passa a causar mais dor.

    5. Qual a diferença entre dor de cabeça comum e enxaqueca?

    A enxaqueca é pulsátil, geralmente unilateral, e vem acompanhada de náuseas ou sensibilidade à luz, enquanto a dor comum (tensional) é uma pressão dos dois lados.

    6. Cheiro de perfume pode causar enxaqueca?

    Sim, isso é chamado de osmofobia. Odores fortes (perfumes, fumaça, gasolina ou produtos de limpeza) ativam diretamente as vias nervosas que desencadeiam a dor em pacientes predispostos.

    7. Existe enxaqueca infantil?

    Sim. Em crianças, os sintomas podem ser diferentes, como dores abdominais recorrentes, vômitos cíclicos ou tonturas, antes mesmo de apresentarem a dor de cabeça propriamente dita.

    Confira: Dor latejante e sensibilidade à luz? Pode ser enxaqueca

  • É dor de cabeça ou enxaqueca? Saiba como diferenciar o quadro

    É dor de cabeça ou enxaqueca? Saiba como diferenciar o quadro

    Acordou com aquela pressão incômoda na testa ou uma pulsação que não te deixa nem abrir a cortina? Há quem se pergunte se o incômodo é apenas uma dor de cabeça ou um quadro de enxaqueca, mas apesar dos sintomas parecerem semelhantes em alguns momentos, existem diferenças entre as condições.

    Enquanto uma dor de cabeça comum costuma ser uma pressão passageira causada pelo estresse ou cansaço, a enxaqueca é uma condição neurológica crônica que pode ser bastante incapacitante, inclusive atrapalhando as atividades simples do cotidiano, como trabalhar, estudar ou permanecer em ambientes iluminados.

    Mas afinal, como é possível diferenciar os quadros? A localização da dor, a intensidade, o tempo de duração e os sintomas associados costumam indicar a origem do quadro. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é uma dor de cabeça comum?

    A dor de cabeça comum, também conhecida como cefaleia tensional, é aquela que se manifesta a partir de um peso leve na cabeça, normalmente associado ao estresse, tensão muscular ou noites mal dormidas, segundo a neurologista Paula Dieckmann.

    A dor costuma ser mais leve ou moderada e pode aparecer após longos períodos diante das telas, poucas horas de sono, ansiedade ou alimentação inadequada. Entre os sinais, é possível destacar:

    • Sensação de pressão ou aperto na cabeça;
    • Dor dos dois lados da cabeça;
    • Desconforto na região da testa, nuca ou pescoço;
    • Intensidade leve ou moderada;
    • Melhora com descanso, hidratação ou analgésicos simples.

    Na maioria das vezes, você ainda consegue continuar realizando as atividades do dia, mesmo com desconforto.

    O que caracteriza a enxaqueca?

    A enxaqueca é uma condição neurológica crônica, caracterizada por crises recorrentes de dor de cabeça moderada a forte, frequentemente latejante e que afeta um lado da cabeça. Diferente de uma dor de cabeça comum, ela é incapacitante e pode causar os seguintes sinais:

    • Dor pulsante ou latejante;
    • Sensibilidade à luz, sons e cheiros;
    • Náuseas e vômitos;
    • Tontura;
    • Piora da dor com esforço físico;
    • Alterações visuais, como pontos brilhantes ou visão embaçada.

    Durante uma crise de enxaqueca, muitas pessoas precisam interromper completamente as atividades e permanecer em ambientes escuros e silenciosos.

    Como diferenciar a dor de cabeça e a enxaqueca?

    A principal diferença entre uma dor de cabeça comum e a enxaqueca está na intensidade, na localização da dor e nos sintomas associados:

    • Tipo de sensação: na dor de cabeça comum, a sensação é de aperto ou pressão (como uma faixa apertando o crânio). Já na enxaqueca, a dor é latejante ou pulsátil, como se houvesse um coração batendo dentro da cabeça;
    • Localização: a cefaleia comum normalmente afeta os dois lados da cabeça ou a região da testa e nuca. A enxaqueca, na maioria dos casos, concentra-se em apenas um dos lados (dor unilateral);
    • Sintomas acompanhantes: a enxaqueca raramente vem sozinha e costuma ser acompanhada de enjoo, vômitos e uma intolerância aguda à luz, cheiros fortes e ruídos. A dor de cabeça comum dificilmente apresenta os sinais;
    • Duração: uma dor de cabeça tensional pode durar de 30 minutos a algumas horas. Já uma crise de enxaqueca pode persistir por até 72 horas se não for tratada adequadamente;
    • Impacto no movimento: esforços físicos simples, como subir escadas ou caminhar rápido, costumam agravar drasticamente a dor da enxaqueca, o que não acontece na cefaleia tensional leve.

    Além disso, a enxaqueca pode ter gatilhos específicos, como alterações hormonais, estresse, jejum prolongado, privação de sono, excesso de telas, consumo de álcool e alguns alimentos.

    Quando a dor de cabeça pode ser grave?

    Na maioria das vezes, a dor de cabeça é apenas um sinal de cansaço ou tensão no dia a dia, mas dependendo de como ela se manifesta, pode indicar alguma condição mais séria, como infecções, problemas vasculares ou picos de pressão arterial.

    Procure um pronto-socorro imediatamente se a dor apresentar os seguintes sinais de alerta:

    • Início súbito e explosivo, com dor muito intensa que surge em segundos ou minutos, muitas vezes descrita como “a pior dor da vida”;
    • Alterações neurológicas, como confusão mental, desorientação, perda de força em um lado do corpo, dificuldade para falar ou visão turva repentina;
    • Rigidez na nuca acompanhada de febre alta e dificuldade para encostar o queixo no peito;
    • Dor que surge ou piora após uma queda ou batida forte na cabeça;
    • Mudança no padrão da dor em pessoas que já têm enxaqueca, principalmente quando os remédios deixam de funcionar;
    • Dor acompanhada de convulsões, desmaios ou vômitos em jato.

    Além dos casos de emergência, é importante agendar uma consulta com um neurologista se a dor de cabeça se tornar frequente (mais de duas vezes por semana), pois o uso excessivo de analgésicos pode acabar tornando o quadro crônico e mascarando a causa real do problema.

    Como aliviar a dor em casa?

    Se a dor não é grave, algumas medidas podem ajudar a relaxar os vasos sanguíneos e reduzir a tensão muscular, como:

    • Descansar em um ambiente escuro, silencioso e bem ventilado para reduzir os estímulos durante a crise;
    • Utilizar compressa fria na testa ou na nuca para aliviar a enxaqueca;
    • Utilizar compressa morna nos ombros e no pescoço para relaxar a tensão muscular;
    • Manter uma boa hidratação ao longo do dia, já que a desidratação pode piorar a dor;
    • Evitar excesso de cafeína e bebidas muito açucaradas durante a crise;
    • Massagear as têmporas, a nuca e os ombros com movimentos circulares suaves;
    • Apostar em chás calmantes que ajudam no relaxamento e no controle das náuseas, como camomila.

    Vale destacar que as medidas contribuem para o alívio da dor, mas não substituem o tratamento indicado por um médico, especialmente se as crises forem recorrentes.

    Como é feito o tratamento de enxaqueca?

    O tratamento da enxaqueca pode variar de acordo com a frequência, a intensidade das crises e os sintomas apresentados por cada pessoa. Durante as crises, o médico pode indicar remédios analgésicos, anti-inflamatórios, medicamentos específicos para enxaqueca ou para controlar sintomas como náuseas e vômitos.

    Quando as crises são frequentes ou muito incapacitantes, pode ser necessário um tratamento preventivo, a partir do uso de remédios de uso contínuo para diminuir a frequência e a intensidade das crises.

    Além dos remédios, também é importante adotar mudanças no estilo de vida, como:

    • Manter uma rotina regular de sono;
    • Evitar longos períodos em jejum;
    • Controlar o estresse;
    • Praticar atividade física regularmente;
    • Reduzir o excesso de telas e estímulos luminosos;
    • Identificar alimentos ou situações que funcionam como gatilho para as crises.

    Em alguns casos, terapias complementares, acompanhamento psicológico, fisioterapia e técnicas de relaxamento também podem ajudar no controle dos sintomas.

    Leia mais: Dor de cabeça constante: o que pode ser e como aliviar

    Perguntas frequentes

    1. Enxaqueca tem cura?

    Não tem cura definitiva, mas tem controle. O tratamento adequado reduz a frequência, a intensidade e a duração das crises.

    2. O que é a “aura” na enxaqueca?

    São sintomas visuais (pontos brilhantes, flashes) ou sensoriais (formigamentos) que surgem cerca de 15 a 60 minutos antes da dor começar.

    3. Por que sinto enjoo quando tenho dor de cabeça?

    O enjoo é um sintoma clássico da enxaqueca, pois o quadro afeta o sistema nervoso central e pode lentificar o processo digestivo durante a crise.

    4. Qual o melhor médico para tratar isso?

    O neurologista é o especialista indicado para diagnosticar o tipo de cefaleia e prescrever o tratamento preventivo ou agudo.

    5. Gravidez aumenta a enxaqueca?

    Muitas mulheres melhoram da enxaqueca na gestação devido à estabilidade hormonal, mas outras podem ter crises devido às mudanças vasculares.

    6. O que é cefaleia em salvas?

    É uma dor extremamente intensa, geralmente em torno de um olho, que ocorre em ciclos (salvas). É considerada uma das dores mais fortes que existem.

    7. Qual a diferença entre cefaleia e dor de cabeça?

    Nenhuma. “Cefaleia” é apenas o termo médico oficial para qualquer tipo de dor de cabeça.

    8. Por que a luz incomoda tanto durante a crise de enxaqueca?

    Isso se chama fotofobia. Na enxaqueca, o cérebro processa os estímulos visuais de forma hipersensível, tornando a luz dolorosa.

    Confira: Dor latejante e sensibilidade à luz? Pode ser enxaqueca

  • TEA: como identificar os sinais de autismo na infância

    TEA: como identificar os sinais de autismo na infância

    O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que pode se manifestar ainda na primeira infância, mas cada criança apresenta características próprias. Nem sempre os sinais são claros logo no início, e, em muitos casos, eles aparecem de forma sutil, no jeito de se comunicar, de brincar ou de interagir com o mundo ao redor.

    Mas afinal, como os pais podem identificar os sinais no dia a dia? O desenvolvimento infantil tende a variar de criança para criança, mas existem marcos esperados que, quando não atingidos ou quando apresentam atrasos significativos, devem servir de alerta para os pais e responsáveis.

    É importante observar não apenas o que a criança faz, mas também a forma como ela reage a estímulos externos, como sons, toques e ao contato social.

    Com quantos anos aparecem os primeiros sinais de autismo?

    Os primeiros sinais de autismo podem aparecer ainda no primeiro ano de vida, normalmente entre os 6 e 12 meses, embora nem sempre sejam fáceis de perceber. Em muitos casos, eles ficam mais evidentes por volta dos 18 aos 24 meses, fase em que atrasos na fala e diferenças na interação social chamam mais atenção.

    Nos primeiros meses, os indícios tendem a ser mais sutis, como pouca troca de olhar, menor resposta ao nome ou pouco interesse por interação. Mas, à medida que a criança cresce, os pais podem perceber sinais mais claros, como atraso na linguagem, pouco interesse por outras crianças ou comportamentos repetitivos.

    Principais sinais de alerta de autismo por faixa etária

    Primeiros meses (até 12 meses)

    Nesta fase, os sinais são predominantemente sensoriais e de interação social básica. Como a fala ainda não surgiu, o foco deve ser na resposta aos estímulos dos pais:

    • O bebê não sorri de volta quando os pais sorriem ou brincam com ele;
    • Dificuldade em sustentar o olhar durante a amamentação ou trocas de fralda;
    • Por volta dos 9 meses, a criança parece não ouvir quando é chamada, embora não tenha problemas auditivos;
    • O bebê não estica os braços para ser pego no colo e não demonstra empolgação com brincadeiras de “cadê/achou”;
    • Parece mais quieto ou menos interessado nas pessoas ao redor.

    De 12 a 24 meses de idade

    Nessa faixa etária, as diferenças de comportamento costumam ficar mais visíveis, principalmente na comunicação não verbal e na forma como a criança se conecta com as pessoas ao redor:

    • A criança não aponta para mostrar algo interessante, não acena “tchau”, não manda beijo e não usa gestos para pedir ou compartilhar algo;
    • Quando um adulto aponta para um objeto ou chama atenção para algo, a criança não acompanha o olhar ou o gesto, como se não dividisse aquele momento;
    • Não tenta chamar o adulto para brincar, não mostra objetos espontaneamente e não busca dividir descobertas;
    • Em vez de usar o brinquedo de forma funcional (como empurrar um carrinho), a criança pode focar em partes específicas, como girar rodas, abrir e fechar objetos ou enfileirar itens repetidamente;
    • Dificuldade em imitar gestos simples, expressões faciais ou ações do dia a dia;
    • Reações intensas a sons (como aspirador ou liquidificador), incômodo com certas roupas, etiquetas ou texturas de alimentos;
    • Mesmo sem alterações auditivas, pode não responder quando chamada.

    De 2 a 3 anos de idade

    Nesta idade, o foco é para a linguagem e o início da interação com outras crianças:

    • A criança não fala palavras isoladas ou não começa a formar frases simples, como “quer água” ou “dá bola”;
    • Pode deixar de falar palavras que já utilizava ou reduzir interações que antes fazia;
    • Repete falas de desenhos, músicas ou frases ouvidas, muitas vezes sem intenção de comunicação funcional;
    • Usa pouco a fala para pedir, compartilhar ou expressar necessidades, podendo puxar o adulto ou usar gestos de forma limitada;
    • Prefere brincar sozinha, sem buscar interação ou troca com pares da mesma idade;
    • Pouca presença de brincadeiras de faz de conta, como fingir que dá comida para uma boneca ou simular situações do cotidiano;
    • Reage com irritação ou crises intensas diante de alterações na rotina, mesmo que pequenas;
    • Movimentos ou ações repetidas, como girar objetos, alinhar brinquedos ou repetir atividades de forma rígida.

    De 4 a 6 anos (idade pré-escolar)

    Com o aumento das demandas sociais, mesmo os sinais mais sutis podem se sobressair:

    • Interesses muito específicos com foco intenso em temas restritos, como dinossauros, mapas, números ou marcas, com dificuldade em ampliar o repertório;
    • Dificuldade com regras sociais, com pouca compreensão de turnos de fala, dificuldade em esperar a vez e em seguir regras em grupo;
    • Desafios na interação social, com dificuldade em iniciar ou manter conversas e em interpretar expressões faciais e emoções;
    • Comunicação literal, com interpretação ao pé da letra e dificuldade em entender ironias, metáforas ou brincadeiras;
    • Estereotipias motoras, com movimentos repetitivos como balançar o corpo, bater as mãos ou andar na ponta dos pés;
    • Rigidez de comportamento, com preferência por rotinas estruturadas e desconforto diante de mudanças;
    • Sensibilidade sensorial persistente, com incômodo diante de sons, luzes, cheiros ou texturas específicas.

    Como diferenciar atraso de fala de autismo?

    Nem toda criança que demora para falar está dentro do espectro autista. Na verdade, o atraso de fala pode acontecer de forma isolada, sem estar associada a outras alterações no desenvolvimento. Já no autismo, além da linguagem, existem diferenças na comunicação social e no comportamento.

    No dia a dia, os pais ou responsáveis podem observar como a criança se comunica e interage, e não apenas se ela fala ou não. No atraso de fala isolado, ela frequentemente demonstra vontade de se comunicar. Mesmo sem usar palavras, a criança aponta para o que deseja, faz gestos, olha nos olhos e busca a atenção do adulto para compartilhar interesses.

    Além disso, a criança costuma responder ao nome, entender comandos simples e se envolver em brincadeiras adequadas para a idade, incluindo o faz de conta. A intenção de comunicação está presente, mesmo que a fala ainda não tenha se desenvolvido como esperado.

    Já no transtorno do espectro autista, ela pode apresentar menor interesse em interações sociais, pouco contato visual, dificuldade em responder ao nome e menos uso de gestos para se comunicar.

    Em muitos casos, há também desafios na compreensão da linguagem, além de comportamentos repetitivos, interesses restritos e uma forma diferente de brincar, mais focada em padrões do que em significado simbólico.

    O autismo pode surgir apenas na vida adulta?

    Como o autismo é um transtorno de neurodesenvolvimento, a neurologista Paula Dieckmann aponta que ele está presente desde o momento que a pessoa nasce. Logo, não é possível uma pessoa desenvolver o espectro apenas na vida adulta.

    O que acontece é que, em muitos casos, os sinais são sutis o suficiente para não serem identificados precocemente, levando a um diagnóstico tardio. Isso é comum especialmente em pessoas em nível 1 de suporte.

    O que fazer após notar os sinais de alerta?

    Se a criança apresentar vários dos sinais, de forma frequente, o mais indicado é procurar um especialista em desenvolvimento infantil. Nos primeiros anos de vida, o cérebro ainda tem uma capacidade enorme de adaptação, e quanto mais cedo o suporte começar, maiores as chances de um desenvolvimento melhor.

    Na consulta, o profissional poderá indicar uma avaliação mais detalhada, que costuma envolver uma equipe multidisciplinar, com neurologistas, fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais, dependendo do caso.

    Segundo Paula, como o autismo tem uma base genética importante, pode ser necessário um aconselhamento genético, porque existe uma chance maior de outro filho (se houver) também apresentar o espectro.

    Vale lembrar que receber uma indicação de avaliação não é motivo para pânico, mas sim uma chance de oferecer o estímulo correto no momento em que a criança mais precisa. Com o acompanhamento adequado, as dificuldades tendem a diminuir, e a família tem mais segurança para entender e apoiar o jeito único do filho de se desenvolver e se relacionar com o mundo.

    Veja também: Autismo em adultos: sinais que você pode não saber e quando buscar diagnóstico

    Perguntas frequentes

    1. Bebês com autismo costumam sorrir?

    Muitos bebês autistas podem sorrir, mas a falta do “sorriso social”, aquele que ocorre em resposta ao sorriso ou à brincadeira de outra pessoa, é um sinal de alerta.

    2. O que são as estereotipias motoras na infância?

    São movimentos repetitivos sem uma função óbvia, como abanar as mãos (flapping), balançar o corpo ou andar na ponta dos pés, comuns quando a criança está animada ou ansiosa.

    3. Crianças autistas podem ser muito sensíveis a barulhos?

    Sim. A hipersensibilidade sensorial é comum, fazendo com que a criança tape os ouvidos ou entre em crise com sons do dia a dia, como o aspirador ou secadores de mãos.

    4. O que é a ecolalia?

    É a repetição de frases, palavras ou diálogos de desenhos animados e filmes, sem intenção comunicativa imediata, comum no desenvolvimento de crianças no espectro.

    5. O pediatra geral consegue diagnosticar o autismo?

    O pediatra identifica os sinais de alerta e faz o rastreio inicial, mas o diagnóstico definitivo deve ser feito por especialistas como neuropediatras ou psiquiatras infantis.

    6. O que observar na interação com outras crianças?

    Observe se a criança tenta participar nas brincadeiras dos pares ou se permanece na periferia. No autismo, é comum a criança brincar ao lado das outras, mas não com as outras, sem trocar brinquedos ou seguir regras de grupo.

    Confira: Autismo: quais os níveis de suporte e como é feito o diagnóstico?

  • Autismo: quais os níveis de suporte e como é feito o diagnóstico? 

    Autismo: quais os níveis de suporte e como é feito o diagnóstico? 

    O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição de neurodesenvolvimento que afeta a percepção de mundo e a forma como a pessoa se comunica e interage socialmente. Ele pode se manifestar de forma diferente em cada pessoa, com diferentes níveis de intensidade e necessidades de apoio.

    Enquanto algumas precisam de maior apoio nas atividades do dia a dia, outras têm mais autonomia, conseguem estudar, trabalhar e manter relações sociais. Mas como é possível classificar esses diferentes níveis de necessidade de apoio?

    Nesse caso, os profissionais utilizam uma classificação em níveis de suporte, que ajuda a entender o grau de apoio necessário em diferentes áreas da vida.

    O que são os níveis de suporte no autismo?

    Os níveis de suporte no autismo são uma forma de classificar o quanto a pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) precisa de apoio no dia a dia, segundo a neurologista Paula Dieckmann. Eles ajudam os profissionais e as famílias a entenderem melhor as necessidades de cada um e a organizar o cuidado de forma mais adequada.

    A classificação é feita durante o processo de diagnóstico, a partir de uma avaliação do comportamento, da comunicação e da interação social. Com base nas informações, os profissionais da saúde conseguem compreender melhor o grau de apoio necessário em diferentes áreas da vida.

    Vale destacar que os níveis de suporte não servem para resumir toda a experiência de uma pessoa autista, e duas pessoas no mesmo nível podem ser bem diferentes entre si.

    Quais são os 3 níveis de suporte do autismo?

    De maneira geral, o TEA é classificado em três níveis:

    Nível 1: Suporte leve

    O nível 1 de suporte, antigamente conhecido como autismo leve, é aquele em que a pessoa precisa de apoio, mas de forma mais leve ou mais pontual.

    Normalmente, ela consegue estudar, trabalhar, falar, se comunicar e ter certa autonomia, mas ainda enfrenta algumas dificuldades importantes, principalmente nas interações sociais e na flexibilidade para lidar com mudanças.

    Em muitos casos, a pessoa com autismo nível 1 consegue passar despercebida por bastante tempo, especialmente na infância. De acordo com Paula, isso acontece porque ela pode aprender a observar os outros e a imitar comportamentos sociais, tentando se adaptar ao ambiente, o que é conhecido como ‘masking’.

    Características frequentes no nível 1

    Na prática, uma pessoa no nível 1 pode ter dificuldade para iniciar conversas, entender indiretas, perceber ironias, interpretar expressões faciais ou manter amizades. Ela também pode se sentir muito desconfortável em ambientes barulhentos, ter rigidez com horários, rotinas e formas de fazer as coisas, além de apresentar interesses muito intensos em temas específicos.

    Um exemplo comum é a pessoa que trabalha ou estuda bem, mas se sente exausta depois de situações sociais, tem dificuldade em entrevistas, reuniões, conversas informais e mudanças inesperadas. Também pode haver sofrimento emocional por se sentir diferente, deslocada ou incompreendida.

    O apoio, nesse caso, costuma envolver psicoterapia, orientação para a família, adaptações na escola ou no trabalho, treino de habilidades sociais quando isso faz sentido para a pessoa, e medidas para lidar com sobrecarga sensorial, ansiedade e organização da rotina.

    Nível 2: Suporte moderado

    No nível 2, a pessoa precisa de um apoio mais consistente e estruturado ao longo do dia. As dificuldades na comunicação social e na adaptação à rotina costumam ser mais visíveis e podem impactar de forma significativa a vida diária, tanto em casa quanto na escola, no trabalho ou em outros ambientes sociais.

    O suporte tende a ser frequente, com a necessidade de acompanhamento mais próximo para organizar atividades, lidar com demandas do cotidiano e atravessar situações que exigem adaptação.

    Características frequentes no nível 2

    A pessoa de nível 2 pode ter mais dificuldade para manter uma conversa, compreender regras sociais, lidar com frustrações e mudanças, além de apresentar comportamentos repetitivos e interesses restritos de forma mais evidente.

    Em alguns casos, ela fala pouco ou tem uma comunicação mais concreta, mais direta, com mais dificuldade para entender nuances da linguagem.

    As mudanças de rotina tendem a causar mais sofrimento: um imprevisto, uma troca de horário, uma alteração no ambiente ou na sequência das atividades pode gerar muito estresse, irritação, crise de ansiedade ou desorganização emocional. Também pode haver uma necessidade maior de previsibilidade e ajuda constante para organizar as demandas do dia a dia.

    Na escola, no trabalho ou em casa, a pessoa no nível 2 costuma precisar de mediação mais frequente. Ela pode ter dificuldade para acompanhar atividades sem orientação, para se adaptar a ambientes com muitos estímulos ou para se relacionar de forma espontânea com outras pessoas.

    Além disso, as estereotipias, que são movimentos ou comportamentos repetitivos, e as sensibilidades sensoriais podem estar mais presentes, de modo que sons, cheiros, luzes, texturas ou contato físico podem provocar muito incômodo.

    Nível 3: Suporte muito substancial

    No nível 3, a pessoa precisa de um apoio muito mais intenso e contínuo ao longo do dia. As dificuldades são mais marcantes e afetam profundamente a autonomia, a organização da rotina e a participação em diferentes ambientes.

    A pessoa normalmente demanda de um acompanhamento próximo e constante para realizar atividades do dia a dia, lidar com mudanças e se adaptar a diferentes contextos. Para se ter uma ideia, situações que fogem do esperado podem causar um sofrimento intenso e dificuldade para retomar o equilíbrio sem ajuda.

    Características frequentes no nível 3

    A pessoa de nível 3 pode ter bastante limitação para se comunicar verbalmente ou não se comunica pela fala. Isso não significa ausência de inteligência ou de sentimentos, mas mostra que ela precisa de formas alternativas ou complementares de comunicação, como gestos, figuras, dispositivos ou sistemas específicos.

    As dificuldades diante de mudanças, frustrações e estímulos do ambiente também costumam ser mais intensas, e até pequenas alterações na rotina ou no espaço podem gerar um grande desconforto e desencadear crises.

    Em muitos casos, a autonomia fica mais comprometida, e a pessoa passa a precisar de apoio constante para atividades do dia a dia, como se alimentar, cuidar da higiene, se locomover, se organizar e manter a própria segurança.

    Ela também pode ter dificuldade para compreender demandas sociais, expressar necessidades, tolerar ambientes diferentes ou lidar com situações novas. Em algumas situações, existe uma deficiência intelectual associada, mas não acontece em todos os casos.

    O cuidado no nível 3 requer uma rede de apoio mais ampla, com participação de profissionais de diferentes áreas, adaptações importantes no ambiente, estratégias de comunicação, rotina bem estruturada e suporte direto da família ou de cuidadores.

    Como é feito o diagnóstico do autismo?

    O diagnóstico do autismo é feito de forma clínica, a partir de uma avaliação detalhada do comportamento, da comunicação e do desenvolvimento da pessoa ao longo da vida. Não existe um exame de sangue, uma tomografia ou um teste único que confirme o diagnóstico, então o processo costuma ser cuidadoso e normalmente leva mais de uma consulta.

    Segundo Paula, como o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento, os sintomas precisam estar presentes desde a infância.

    O médico realiza uma investigação detalhada da história do paciente, buscando entender como era o comportamento na escola, o desenvolvimento e as interações iniciais. É comum a necessidade de entrevistar os pais ou responsáveis que conheceram a pessoa quando criança.

    Aplicação dos critérios do DSM-5

    O diagnóstico é guiado pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), que divide os sintomas em dois grandes grupos, conforme aponta Paula:

    • Critérios A: déficits na comunicação social e na interação social (como dificuldade em iniciar conversas ou entender sinais não verbais);
    • Critérios B: padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades (como rigidez com rotinas e hipersensibilidade a estímulos sensoriais).

    Vale destacar que ter “traços autísticos” (fenótipo ampliado) não é o mesmo que ter o transtorno. Para fechar o diagnóstico e determinar o nível de suporte, o médico avalia a intensidade dos sintomas.

    Paula explica que eles precisam ser fortes o suficiente para causar sofrimento real e prejuízo funcional no dia a dia, como dificuldades persistentes em manter empregos ou relacionamentos.

    Quando a avaliação neuropsicológica é indicada?

    A avaliação neuropsicológica pode ser solicitada como um complemento, mas não é obrigatória para fechar o diagnóstico. Ela ajuda a entender melhor aspectos como cognição, atenção, linguagem e habilidades sociais.

    Paula ainda ressalta que as escalas de rastreio preenchidas pelo próprio paciente não substituem a avaliação clínica, pois podem gerar confusão com outras condições, como a ansiedade social.

    O nível de suporte do autista pode mudar ao longo da vida?

    O nível de suporte no autismo pode mudar ao longo do tempo, pois ele não é uma característica fixa da pessoa, mas sim uma forma de entender como a pessoa está funcionando em determinado momento da vida.

    Com as intervenções adequadas, como acompanhamento psicológico e fonoaudiológico, muitas pessoas desenvolvem habilidades que ajudam no dia a dia e reduzem a necessidade de apoio. Por outro lado, o nível também pode mudar conforme as demandas do ambiente e as fases do desenvolvimento.

    Por exemplo, um adulto que funciona bem com pouco suporte pode passar a exigir mais ajuda diante de grandes mudanças, como crises no trabalho ou problemas de saúde mental.

    Por isso, o nível de suporte pode mudar com o tempo e precisa ser reavaliado de vez em quando, para garantir que a pessoa receba o apoio certo e consiga manter a autonomia e a qualidade de vida.

    Leia mais: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

    Perguntas frequentes

    1. O autismo nível 1 é o mesmo que a antiga Síndrome de Asperger?

    Sim, muitos indivíduos que anteriormente seriam diagnosticados com Asperger hoje são classificados como autistas de Nível 1 de suporte, pois geralmente não apresentam atraso cognitivo ou de fala.

    2. É possível receber o diagnóstico de nível de suporte apenas na vida adulta?

    Sim. Muitos adultos de nível 1 passaram a vida mascarando os sintomas e só buscam diagnóstico ao enfrentar esgotamento mental ou dificuldades severas em relacionamentos e no trabalho.

    3. Por que o termo “graus de autismo” caiu em desuso?

    O termo “níveis de suporte” é considerado mais respeitoso e funcional, pois foca no que a pessoa precisa para viver melhor, em vez de apenas rotulá-la como “mais” ou “menos” autista.

    4. Existe medicação para mudar o nível de suporte?

    Não existe remédio para o autismo. Medicamentos são usados para tratar comorbidades (ansiedade, insônia, irritabilidade) que, quando controladas, podem melhorar a funcionalidade da pessoa.

    5. Qual a diferença entre os níveis na área da comunicação?

    No nível 1, há dificuldade em iniciar conversas; no nível 2, a fala é limitada a frases simples ou tópicos de interesse; no nível 3, o indivíduo pode ser não verbal ou usar poucas palavras inteligíveis.

    6. O diagnóstico de nível de suporte garante direitos por lei?

    Sim. No Brasil, toda pessoa com TEA, independentemente do nível de suporte, é considerada pessoa com deficiência (PcD) para todos os efeitos legais (Lei Berenice Piana).

    Veja também: Autismo em adultos: sinais que você pode não saber e quando buscar diagnóstico

  • Por que o autismo pode passar despercebido até a vida adulta? Conheça os sinais mais comuns

    Por que o autismo pode passar despercebido até a vida adulta? Conheça os sinais mais comuns

    Apesar de frequentemente percebido na primeira infância, por ser a fase de desenvolvimento da linguagem, interação social e do comportamento, o transtorno do espectro autista (TEA) nem sempre se manifesta de forma óbvia nos primeiros anos de vida.

    Na verdade, para muitos adultos, o processo até o diagnóstico é marcado por uma sensação persistente de ser diferente ou de precisar realizar um esforço imenso para realizar tarefas que parecem naturais para os outros.

    Mas por que isso acontece? No dia a dia, pessoas com níveis de suporte mais baixos podem desenvolver mecanismos de defesa para se ajustarem às expectativas da sociedade.

    Segundo a neurologista Paula Dieckmann, ao longo dos anos, elas aprendem a imitar gestos, forçar contato visual e decorar roteiros sociais, um fenômeno conhecido como masking.

    O processo, que tende a ser exaustivo e doloroso, pode causar um grande desgaste emocional e mental, aumentando os riscos de burnout, depressão e ansiedade.

    O que explica o diagnóstico tardio de autismo?

    O diagnóstico tardio de autismo, seja na adolescência, vida adulta ou mesmo na terceira idade, pode acontecer por uma série de fatores, mas normalmente envolve a forma como o TEA se manifesta.

    Em pessoas com nível de suporte 1, os sinais na infância tendem a ser mais sutis e acabam sendo interpretados como traços de personalidade, como timidez, perfeccionismo ou necessidade de rotina.

    Com isso, muitas das crianças conseguem acompanhar as demandas do dia a dia sem levantar suspeitas, especialmente quando têm bom desempenho escolar ou conseguem manter interações sociais consideradas adequadas.

    Ao longo da vida, muitas pessoas com o espectro também desenvolvem estratégias para imitar comportamentos neurotípicos, como forçar contato visual e decorar roteiros de conversação, o que é conhecido como masking.

    Isso é mais comum em mulheres, que muitas vezes recebem menos diagnósticos porque apresentam interesses mais aceitos socialmente e são incentivadas, desde cedo, a se adaptar melhor às situações sociais.

    Mas, na vida adulta, com o aumento das demandas, manter as adaptações pode ser extremamente exaustivo. Por isso, é comum que ela apresente quadros de ansiedade, cansaço intenso e sensação de não pertencimento, o que leva à busca por ajuda e, finalmente, ao diagnóstico.

    Como identificar os sinais de autismo em adultos?

    Na vida adulta, os sinais costumam ser mais internos e sutis do que na infância, mas, quando analisados em conjunto, mostram um padrão de processamento neurológico diferente:

    • Dificuldade em manter conversas sociais: pode haver um esforço grande para entender o momento de falar ou para captar as nuances de uma conversa. Isso inclui dificuldade em entender sarcasmo, ironia ou expressões de duplo sentido, levando a uma interpretação muito literal da fala alheia;
    • Desconforto com contato visual: muitos adultos relatam que olhar nos olhos é algo invasivo, desconfortável ou que exige tanta concentração que eles perdem o fio da meada do que está sendo dito;
    • Hipersensibilidade ou hipossensibilidade sensorial: uma reação intensa a estímulos que outros ignoram, como o barulho de uma lâmpada fluorescente, o toque de certas etiquetas de roupas ou o cheiro de determinados alimentos. Por outro lado, pode haver uma alta tolerância à dor ou temperatura;
    • Apego rígido a rotinas: mudanças de última hora nos planos podem gerar uma ansiedade desproporcional ou um sentimento de desorientação, pois a rotina funciona como um suporte de segurança emocional;
    • Foco intenso em interesses específicos (hiperfoco): dedicar uma quantidade excepcional de tempo e energia a um tema, hobby ou área do conhecimento. O adulto pode se tornar um especialista profundo em assuntos específicos e sentir grande prazer em falar sobre eles detalhadamente;
    • Dificuldade em ler sinais não verbais: ter dificuldade para interpretar expressões faciais, linguagem corporal ou o “clima” de um ambiente. Isso pode fazer com que a pessoa pareça, sem querer, indiferente ou inadequada em situações sociais;
    • Exaustão social (social burnout): sentir-se completamente drenado após eventos sociais simples, como uma reunião de trabalho ou um jantar, precisando de muito tempo de isolamento e silêncio para “recarregar as baterias”;
    • Comportamentos repetitivos ou estereotipados: na vida adulta, movimentos como balançar o corpo ou as mãos podem ser substituídos por hábitos mais discretos, como mexer repetidamente no cabelo, roer unhas, balançar a perna ou estalar os dedos de forma constante para autorregulação.

    É importante lembrar que o autismo é um espectro, então uma pessoa não precisa apresentar todos os sinais para estar dentro dele, e a intensidade de cada característica varia muito de um indivíduo para outro. Se você se identifica com vários dos pontos, o ideal é buscar uma avaliação com um psicólogo especializado ou psiquiatra.

    Como é feito o diagnóstico de autismo na vida adulta?

    O diagnóstico de autismo (TEA) na vida adulta é clínico, feito por profissionais especializados, como psiquiatras ou neurologistas, e envolve uma avaliação cuidadosa e aprofundada de toda a trajetória da pessoa. O processo inclui:

    • Entrevistas detalhadas (anamnese);
    • Levantamento do histórico de vida desde a infância;
    • Análise do funcionamento atual;
    • Observação do comportamento em diferentes contextos de vida.

    Na prática, o profissional busca entender como a pessoa se comunica, como se relaciona, como lida com mudanças, com estímulos do ambiente e com a própria rotina. Também podem ser usados questionários padronizados e escalas específicas que ajudam a organizar as informações e identificar padrões consistentes com o espectro autista.

    A avaliação neuropsicológica também pode ser necessária, pois ela permite analisar funções cognitivas como atenção, memória, linguagem, flexibilidade mental e habilidades sociais, trazendo um panorama mais completo do funcionamento da pessoa.

    Normalmente, Paula explica que familiares ou pessoas próximas podem ser convidados a contribuir com informações, especialmente sobre a infância, já que os sinais do TEA estão presentes desde as fases iniciais do desenvolvimento, mesmo que tenham passado despercebidos.

    Fechei o diagnóstico, e agora?

    No primeiro momento, é comum sentir alívio por finalmente ter uma resposta para algo que você sempre viveu, mas também é normal sentir luto pelo tempo perdido sem suporte adequado, raiva pelo diagnóstico tardio, e às vezes uma desorientação sobre o que fazer com a informação nova.

    A partir do diagnóstico, lembre-se que ele não muda quem você é, apenas oferece respostas e ferramentas para ter uma qualidade de vida melhor. Com ele, fica mais fácil identificar limites, reconhecer necessidades e buscar medidas para lidar com os aspectos que causam sofrimento, como sobrecarga sensorial, esgotamento por masking e relações interpessoais, por exemplo.

    Nesse período, uma dica é conversar com outros adultos com o transtorno. Existem grupos de apoio e comunidades online que ajudam a perceber que seus desafios e talentos são compartilhados por muitos outros, reduzindo o sentimento de solidão.

    No Brasil, a Lei Berenice Piana (Lei 12.764/12) assegura ao adulto com TEA direitos como atendimento prioritário, acesso a serviços de saúde especializados pelo SUS e, em alguns contextos, acomodações no ambiente de trabalho e educacional.

    Confira: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

    Perguntas frequentes

    1. O autismo pode surgir apenas na vida adulta?

    Não. O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento, o que significa que ele nasce com a pessoa. O que acontece na vida adulta é o diagnóstico, não o surgimento da condição.

    2. O que é o nível de suporte no autismo?

    Atualmente, o autismo é classificado em níveis (1, 2 e 3), baseados em quanta ajuda a pessoa precisa para realizar atividades diárias e se comunicar.

    3. Por que muitos autistas evitam contato visual?

    Para muitos, o contato visual é sensorialmente desconfortável ou distrai o cérebro, dificultando o processamento do que a outra pessoa está dizendo.

    4. O que é uma “crise sensorial” ou meltdown no adulto?

    É uma resposta à sobrecarga de estímulos (sons, luzes, estresse). No adulto, pode se manifestar como uma explosão de irritabilidade ou uma necessidade urgente de se isolar.

    5. Existe exame de sangue para detectar autismo?

    Não. O diagnóstico é estritamente clínico, baseado na observação do comportamento e no histórico do paciente.

    6. Adultos com autismo precisam tomar remédio?

    Não existe remédio para o autismo em si. Medicamentos podem ser usados para tratar condições associadas, como ansiedade, insônia ou depressão.

    7. O adulto com autismo pode tirar carteira de motorista?

    Sim, desde que passe nos testes psicotécnicos e práticos exigidos pelo DETRAN, como qualquer outra pessoa.

    Veja também: Autismo em adultos: sinais que você pode não saber e quando buscar diagnóstico

  • Efeito rebote: como o excesso de analgésicos pode piorar a enxaqueca

    Efeito rebote: como o excesso de analgésicos pode piorar a enxaqueca

    Quando a dor de cabeça aparece no dia a dia, atrapalhando o bem-estar e a realização das tarefas, a atitude mais comum é tomar um remédio para dor de cabeça e seguir a rotina. Os analgésicos atuam reduzindo a percepção da dor, o que pode trazer um alívio relativamente rápido durante as crises. Só que, em todos os casos, o uso precisa ser pontual.

    Em excesso, substâncias como dipirona, paracetamol ou triptanos podem alterar os receptores de dor no cérebro, tornando-o mais sensível e dependente da medicação.

    O quadro, conhecido como efeito rebote ou cefaleia por uso excessivo de medicamentos, faz com que a dor volte assim que o efeito do remédio passa, por vezes de forma mais intensa e frequente.

    Aos poucos, o que antes era uma dor ocasional pode evoluir para um quadro mais persistente, com crises cada vez mais próximas umas das outras e uma necessidade maior de recorrer à medicação para conseguir alívio. O ciclo também interfere na qualidade de vida, no sono, na concentração e até no humor.

    Como o analgésico pode piorar a enxaqueca?

    De acordo com a neurologista Paula Dieckmann, o fenômeno é conhecido como sensibilização central, em que o cérebro deixa de responder adequadamente aos analgésicos e passa a amplificar o sinal de dor.

    Com isso, o organismo se torna mais sensível aos estímulos dolorosos, fazendo com que as crises se tornem mais frequentes, intensas e difíceis de controlar.

    O processo pode transformar uma enxaqueca episódica, que acontece poucas vezes no mês, em um quadro crônico. A pessoa entra em um ciclo, no qual recorre ao medicamento para conseguir trabalhar ou estudar, mas é justamente o uso frequente que mantém a dor ativa e dificulta o controle adequado, muitas vezes já presente desde o início do dia.

    Sinais de que você está usando remédios em excesso

    A identificação da cefaleia por uso excessivo de medicamentos nem sempre é simples, mas alguns sinais de alerta podem indicar que o limite de segurança foi ultrapassado, como:

    • Dor de cabeça ao acordar ou nas primeiras horas da manhã, antes do início das atividades;
    • Aumento da frequência das crises, que passam de ocasionais para quase diárias;
    • Redução da eficácia do medicamento, com alívio mais lento ou incompleto;
    • Presença constante de sintomas como náuseas, irritabilidade e sensibilidade à luz;
    • Uso de analgésicos por precaução, mesmo sem dor intensa, por medo de piora ao longo do dia.

    O uso é considerado excessivo quando analgésicos comuns (como dipirona ou paracetamol) e anti-inflamatórios são utilizados por 15 dias ou mais no mês, ou quando medicamentos específicos para crises, como os triptanos e derivados de ergotamina, são consumidos em 10 dias ou mais mensais.

    Na prática, se você precisa recorrer à medicação em mais de dois ou três dias por semana para controlar a dor, o cérebro já corre o risco de desenvolver o efeito rebote.

    Qual a quantidade limite por semana?

    O recomendado é que o uso de analgésicos não ultrapasse de 2 a 3 dias por semana. Se há necessidade de usar analgésicos em 3 dias ou mais, em quase todas as semanas, o cérebro já está sendo exposto a um estímulo químico frequente, o que aumenta de forma significativa o risco de sensibilização central.

    Vale ressaltar que essa contagem não se refere ao número de comprimidos, mas sim ao número de dias em que houve uso do medicamento.

    Medicamentos que mais causam enxaqueca

    Existem classes específicas de remédios que, quando usados sem controle, são os principais responsáveis por piorar a enxaqueca:

    • Analgésicos combinados, como formulações que associam dipirona, paracetamol ou outros componentes à cafeína;
    • Triptanos, como sumatriptano e naratriptano, que perdem eficácia e aumentam a sensibilidade à dor quando usados com frequência elevada;
    • Ergotamínicos, como a ergotamina, associados a dor persistente e de difícil controle quando há uso abusivo;
    • Opioides, como codeína e tramadol, que favorecem uma rápida sensibilização do sistema nervoso e piora do quadro;
    • Analgésicos simples e anti-inflamatórios, como dipirona, paracetamol e ibuprofeno.

    O risco aumenta quando há combinação de várias substâncias no mesmo comprimido.

    O que fazer para interromper o ciclo da dor?

    Segundo Paula, o primeiro passo é a diminuição do uso frequente dos medicamentos para dor, tanto dos analgésicos simples quanto dos triptanos e dos anti-inflamatórios. A redução deve ser feita com orientação médica, já que a retirada pode ser difícil no início.

    Ao mesmo tempo, é iniciado o tratamento preventivo através do uso de medicação profilática, utilizada para reduzir a frequência e a intensidade das crises ao longo do mês. O efeito não é imediato, mas o uso contínuo ajuda a estabilizar o quadro.

    Durante o período de adaptação, o médico pode indicar uma medicação de transição, para ajudar no controle da dor enquanto o tratamento preventivo começa a fazer efeito.

    Em alguns casos, especialmente na enxaqueca crônica, pode ser necessária a avaliação de outras opções terapêuticas, como a aplicação da toxina botulínica ou a realização de bloqueios de nervos, em que há uma redução da atividade dos circuitos envolvidos na dor, contribuindo para a diminuição da frequência e da intensidade das crises.

    Vale destacar que o tratamento deve ser orientado por um médico, especialmente um neurologista, que é capaz de realizar o diagnóstico correto e ajudar o paciente durante o período de transição.

    Alternativas não medicamentosas

    Além do uso de medicamentos específicos, o controle da enxaqueca também envolve mudanças no estilo de vida que ajudam a reduzir os gatilhos. Alguns deles incluem:

    • Manter uma rotina de sono regular, com horários consistentes para dormir e acordar, garantindo entre 7 e 9 horas de descanso por noite;
    • Manter uma hidratação adequada ao longo do dia, com ingestão regular de água;
    • Praticar exercícios físicos de forma regular, como caminhada, ioga ou outras atividades leves a moderadas;
    • Evitar gatilhos comuns, como o estresse, o jejum prolongado e o consumo de alimentos que possam desencadear crises.

    Quando procurar um neurologista?

    A avaliação de um especialista é indicada quando:

    • Apresenta dor de cabeça em 15 dias ou mais por mês;
    • Precisa tomar analgésicos mais de 2 vezes por semana;
    • A dor mudou de padrão ou parou de responder aos remédios habituais;
    • A dor é acompanhada de sintomas neurológicos (visão borrada, formigamento ou fraqueza).

    O tratamento precoce é a melhor forma de evitar que o uso excessivo de analgésicos piore a enxaqueca e comprometa permanentemente sua qualidade de vida.

    Leia mais: Dor de cabeça constante: o que pode ser e como aliviar

    Perguntas frequentes

    1. O que é enxaqueca?

    É uma doença neurológica crônica, de origem genética, caracterizada por dores de cabeça pulsantes, normalmente de um lado só, acompanhadas de sensibilidade à luz, cheiros e barulhos.

    2. Qual a diferença entre dor de cabeça comum e enxaqueca?

    A dor comum (tensional) é uma pressão dos dois lados da cabeça, leve a moderada. A enxaqueca é latejante, intensa, costuma causar náuseas e piora com o esforço físico.

    3. Enxaqueca tem cura?

    Não tem cura definitiva, mas tem controle. Com o tratamento preventivo adequado e mudanças no estilo de vida, é possível passar meses ou anos sem crises.

    4. O que é enxaqueca com aura?

    É quando a dor é precedida por sintomas visuais ou sensoriais, como pontos brilhantes na visão, linhas em ziguezague, embaçamento ou formigamento em um lado do corpo.

    5. Por que sinto enxaqueca no período menstrual?

    Pela queda brusca de estrogênio que ocorre antes da menstruação. Isso é chamado de enxaqueca catamenial e pode ser tratada com protocolos específicos.

    6. Quem tem enxaqueca pode praticar exercícios?

    Deve! O exercício regular libera endorfinas que são analgésicos naturais. Porém, não se deve exercitar durante a crise, pois o esforço físico piora a dor latejante.

    7. Quando a enxaqueca é sinal de algo grave?

    Se a dor for a pior da sua vida, se vier acompanhada de febre, confusão mental, perda de força súbita ou se o padrão da dor mudar drasticamente após os 50 anos.

    Confira: Dor latejante e sensibilidade à luz? Pode ser enxaqueca