6 gatilhos para enxaqueca (e como prevenir novas crises)

Um homem idoso, de cabelos brancos, pressiona as têmporas com as mãos e mantém os olhos fechados, demonstrando dor de cabeça intensa, em um ambiente interno.

A enxaqueca é uma condição neurológica e crônica que causa crises recorrentes de dor de cabeça intensa, normalmente pulsátil e localizada em um lado da cabeça. As crises podem durar de algumas horas a vários dias e tendem a interferir significativamente na rotina e na qualidade de vida.

Apesar da causa exata ainda não ser totalmente esclarecida, sabe-se que o cérebro de pessoas com enxaqueca é mais sensível a estímulos externos e internos, desde variações hormonais e hábitos alimentares até mudanças drásticas no ambiente, o que favorece a ativação de mecanismos neurológicos envolvidos na dor.

Os gatilhos podem variar de pessoa para pessoa, mas compreender os principais pode ajudar na adoção de medidas para prevenir e reduzir a frequência e a intensidade das crises, segundo a neurologista Paula Dieckmann. Entenda mais, a seguir!

O que pode causar as crises de enxaqueca?

As crises de enxaqueca podem ser desencadeadas por diferentes fatores, que variam de pessoa para pessoa:

1. Alterações hormonais

Em mulheres, a queda brusca nos níveis de estrogênio logo antes do período menstrual interfere diretamente na modulação da dor e na liberação de neurotransmissores no sistema nervoso central. O uso de anticoncepcionais ou a terapia de reposição hormonal também podem agravar ou alterar o padrão das crises.

2. Consumo de alimentos específicos e aditivos químicos

No dia a dia, algumas substâncias presentes na dieta, como o glutamato monossódico em alimentos industrializados e os nitratos presentes em embutidos, contém propriedades vasoativas que podem provocar a dilatação dos vasos sanguíneos cerebrais e desencadear o processo inflamatório da enxaqueca.

O consumo de queijos envelhecidos, ricos em tiramina, e o uso excessivo de adoçantes artificiais, como o aspartame, também são apontados como fatores que estimulam a hipersensibilidade neuronal em indivíduos predispostos.

3. Exposição a estímulos sensoriais intensos

O cérebro de pessoas com enxaqueca apresenta uma dificuldade maior em processar estímulos sensoriais acumulados, fazendo com que a exposição prolongada a luzes brilhantes ou piscantes, ruídos muito altos e cheiros fortes, como perfumes ou solventes, ativem o nervo trigêmeo de forma anormal.

A estimulação excessiva desencadeia uma série de reações no cérebro que levam à dor pulsante típica da enxaqueca, muitas vezes acompanhada de sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia) durante a crise.

4. Desregulação do sono e fadiga extrema

Tanto a privação crônica de sono quanto o hábito de dormir por períodos excessivamente longos, como ocorre frequentemente nos finais de semana, podem desequilibrar o ritmo circadiano e afetar a produção de melatonina e serotonina.

Como consequência, a irregularidade nos horários de sono funciona como um fator de estresse para o organismo, diminuindo a tolerância do cérebro à dor e facilitando o surgimento de crises mais intensas de dor de cabeça, especialmente ao acordar.

5. Fatores emocionais e o período de relaxamento

O estresse é um dos fatores mais associados ao surgimento das crises, segundo Paula. Ele causa a liberação contínua de hormônios como cortisol e adrenalina, mantendo o corpo em estado de alerta.

Quando os níveis finalmente se reduzem, ocorre uma espécie de queda no organismo que pode desencadear a dor. Por isso, é comum o surgimento de dor de cabeça no período de descanso após dias intensos de trabalho.

6. Mudanças ambientais e condições climáticas

As variações bruscas na pressão atmosférica, as mudanças na umidade do ar e as alterações repentinas de temperatura exigem uma adaptação rápida do organismo e podem desencadear as crises em pessoas mais sensíveis.

Para completar, a exposição ao sol intenso sem a proteção adequada e o vento forte diretamente no rosto também podem atuar como gatilhos, irritando as terminações nervosas da face e do couro cabeludo e favorecendo o início da enxaqueca.

Como identificar os seus gatilhos de enxaqueca?

Para identificar o que está causando as crises de enxaqueca, você pode adotar algumas medidas práticas no dia a dia, como:

  • Anote durante pelo menos um mês o dia e o horário em que a dor começou, a intensidade da crise e o que você fez nas 24 horas anteriores. Registre o que comeu, quantas horas dormiu, o nível de estresse e, no caso das mulheres, o dia do ciclo menstrual, para encontrar padrões que se repetem;
  • Identifique os alimentos suspeitos (como café, chocolate ou embutidos) e retire um por vez da sua dieta por duas semanas. Observe se a frequência das crises diminui e, ao reintroduzir o alimento, note se a dor volta a aparecer em um curto espaço de tempo;
  • Preste atenção se as crises costumam surgir em situações específicas, como após o uso prolongado de telas, exposição a ar-condicionado muito frio, cheiros fortes de limpeza ou logo após períodos de jejum prolongado;
  • Use aplicativos específicos para enxaqueca, que facilitam o registro dos sintomas e geram relatórios automáticos sobre possíveis gatilhos ambientais e climáticos com base na sua localização;
  • Identifique se a dor aparece durante o pico de uma situação estressante ou justamente no momento em que você relaxa, como no início do final de semana ou das férias, para entender como o seu sistema nervoso reage às variações de cortisol.

Como prevenir novas crises de enxaqueca?

Pequenas mudanças no dia a dia já podem te ajudar a prevenir a dor de cabeça, como:

  • Manter horários regulares de sono, dormindo e acordando sempre em horários parecidos, evitando tanto a privação quanto o excesso de sono;
  • Evitar longos períodos em jejum, fazendo refeições equilibradas ao longo do dia e mantendo a hidratação adequada;
  • Identificar e reduzir os gatilhos alimentares, como álcool, excesso de cafeína, alimentos ultraprocessados e ricos em aditivos químicos;
  • Controlar o estresse, por meio de atividades como exercícios físicos regulares, momentos de lazer e técnicas de relaxamento;
  • Evitar estímulos sensoriais intensos, como luz muito forte, barulhos excessivos e cheiros fortes sempre que possível;
  • Manter uma rotina organizada, já que mudanças bruscas no dia a dia podem favorecer o surgimento das crises;
  • Praticar atividade física regularmente, respeitando os limites do corpo;
  • Acompanhar com um profissional de saúde, que pode indicar tratamento preventivo quando as crises são frequentes ou intensas.

Vale lembrar que o uso de qualquer medicamento deve ser orientado por um médico. A automedicação pode agravar o quadro, favorecendo o surgimento de crises mais frequentes e difíceis de controlar.

Leia mais: Dor de cabeça constante: o que pode ser e como aliviar

Perguntas frequentes

1. O que é enxaqueca com aura?

É um tipo de enxaqueca onde a dor é precedida ou acompanhada por sintomas visuais, como flashes de luz, pontos negros ou linhas em zigue-zague, que geralmente desaparecem em menos de uma hora.

2. Enxaqueca tem cura?

A enxaqueca não tem cura definitiva, mas é uma condição controlável com mudanças no estilo de vida, identificação de gatilhos e uso de medicamentos preventivos.

3. Quanto tempo pode durar uma crise?

Uma crise comum dura entre 4 e 72 horas. Se ultrapassar esse período, é chamado de estado de mal enxaquecoso e requer ajuda médica.

4. É perigoso tomar analgésico todo dia?

Sim. O uso excessivo (mais de 2 ou 3 vezes por semana) pode causar a “cefaleia por efeito rebote”, onde o remédio passa a causar mais dor.

5. Qual a diferença entre dor de cabeça comum e enxaqueca?

A enxaqueca é pulsátil, geralmente unilateral, e vem acompanhada de náuseas ou sensibilidade à luz, enquanto a dor comum (tensional) é uma pressão dos dois lados.

6. Cheiro de perfume pode causar enxaqueca?

Sim, isso é chamado de osmofobia. Odores fortes (perfumes, fumaça, gasolina ou produtos de limpeza) ativam diretamente as vias nervosas que desencadeiam a dor em pacientes predispostos.

7. Existe enxaqueca infantil?

Sim. Em crianças, os sintomas podem ser diferentes, como dores abdominais recorrentes, vômitos cíclicos ou tonturas, antes mesmo de apresentarem a dor de cabeça propriamente dita.

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