Autor: Dra. Juliana Soares

  • Dormir pouco engorda? Entenda a relação entre sono, fome e metabolismo

    Dormir pouco engorda? Entenda a relação entre sono, fome e metabolismo

    Depois de uma noite mal dormida, a vontade de comer doces e carboidratos costuma parecer incontrolável. Se você já passou pela experiência, já deve saber que é uma resposta natural do corpo ao cansaço.

    Quando o organismo é privado de sono, ocorre uma alteração drástica na comunicação entre o cérebro e o sistema metabólico, elevando os níveis de grelina, o hormônio que sinaliza a fome, e reduzindo drasticamente a leptina, responsável pela sensação de saciedade.

    Como resultado, a sensação de fome se intensifica ao longo do dia e o controle do apetite fica ainda mais difícil. Com o tempo, isso pode contribuir para o ganho de peso e a dificuldade em manter uma alimentação mais equilibrada. Sim, dormir pouco engorda.

    O que acontece com o corpo quando dormimos pouco?

    Quando dormimos pouco, o corpo entra em um estado de alerta constante, como se estivesse sempre tentando compensar o cansaço acumulado.

    Durante o sono, o organismo é responsável por regular os hormônios, reparar os tecidos, organizar o metabolismo e equilibrar funções importantes do cérebro — de modo que a privação pode interferir diretamente em todo o processo.

    Como consequência, ocorre um aumento do estresse no organismo, maior produção de cortisol, dificuldade de concentração, queda da energia ao longo do dia e alterações no funcionamento do metabolismo, fazendo com que o corpo passe a gastar menos energia e a buscar fontes rápidas de combustível, como alimentos mais calóricos.

    Como a falta de sono altera os hormônios da fome?

    A falta de sono interfere diretamente no equilíbrio dos hormônios que regulam a fome e a saciedade.

    Quando você dorme menos do que o necessário, o organismo passa a produzir mais grelina, hormônio responsável por estimular o apetite, e reduz a liberação de leptina, que é o hormônio que sinaliza ao cérebro que o corpo já está satisfeito.

    O resultado é que você sente mais fome do que o normal, mesmo após comer uma refeição completa, pois o cérebro demora a receber o sinal de que já está satisfeito.

    O aumento do cortisol, comum em quem dorme mal, também aumenta a vontade de comer, especialmente alimentos mais calóricos, como fast-food, refrigerantes, doces e salgadinhos. Isso cria um ciclo em que o cansaço favorece o excesso de fome e dificulta o controle da alimentação ao longo do dia.

    Por que o desejo por doces e carboidratos aumenta?

    Você pode até se perguntar por que, quando dorme mal, a fome costuma bater com mais força por alimentos calóricos. A explicação é simples: o cérebro passa a buscar fontes rápidas de energia para compensar o cansaço.

    Quando o descanso não é suficiente, a quantidade de glicose disponível para o funcionamento cerebral diminui, e o corpo passa a mandar sinais de urgência pedindo comida que forneça energia de forma imediata. Nessa hora, doces, pães, massas e outros carboidratos simples acabam parecendo muito mais atraentes.

    Com o passar do tempo, o hábito pode desencadear uma série de problemas no dia a dia e na saúde, como:

    • Aumento do peso corporal e do acúmulo de gordura;
    • Maior risco de obesidade ao longo do tempo;
    • Aumento do risco de resistência à insulina e diabetes tipo 2;
    • Maior chance de alterações no colesterol e nos triglicerídeos;
    • Dificuldade no controle do apetite e da glicemia;
    • Oscilações de energia, com picos seguidos de cansaço intenso;
    • Maior risco de doenças cardiovasculares.

    Quantas horas de sono são importantes para controlar a fome?

    A quantidade de horas de sono pode variar de pessoa para pessoa, levando em conta fatores como idade, rotina, nível de atividade física e até o estado de saúde. Mas, de maneira geral, adultos costumam precisar de cerca de 7 a 9 horas de sono por noite para que o corpo consiga funcionar de maneira equilibrada.

    De acordo com estudos, dormir menos de 6 horas por noite com frequência está ligado ao aumento do Índice de Massa Corporal (IMC) e a um risco maior de obesidade, podendo aumentar essa chance em até 55%, principalmente quando o pouco sono se torna um hábito.

    Sinais de que o sono está prejudicando sua alimentação

    No início, pode ser difícil notar que alguns hábitos alimentares estão sendo influenciados pelo sono, então é importante ficar atento a alguns sinais, como:

    • Fome frequente ao longo do dia, mesmo após refeições completas;
    • Desejo intenso por doces, pães, massas e outros carboidratos;
    • Dificuldade em sentir saciedade, com sensação de que nunca está satisfeito;
    • Beliscos constantes, muitas vezes de forma automática;
    • Preferência por alimentos mais calóricos e ultraprocessados;
    • Cansaço que leva a escolhas alimentares mais rápidas e menos equilibradas;
    • Ganho de peso gradual sem mudanças claras na alimentação.

    Quando ir ao médico?

    Se você tem dificuldade para dormir ou sente uma fome difícil de controlar mais de três vezes por semana, por três meses ou mais, isso pode indicar insônia crônica ou alterações no metabolismo.

    Nessa situação, procurar um médico é importante para entender a causa do problema, avaliar a saúde e receber orientações que ajudem a melhorar o sono e o controle da fome.

    Também é necessário procurar ajuda se você notar:

    • Ganho de peso rápido ou contínuo, mesmo sem grandes mudanças na alimentação;
    • Ronco excessivo e pausas na respiração, o que pode indicar uma apneia obstrutiva do sono;
    • Cansaço constante, mesmo após tentar dormir mais horas;
    • Sonolência intensa durante o dia;
    • Sinais de ansiedade ou depressão.

    Uma dica prática é, antes da consulta, fazer um “diário do sono” por uma semana, anotando o horário em que deita, o horário em que acorda, quantas vezes desperta durante a noite e o que comeu ao longo do dia. Isso ajuda o médico a entender melhor o quadro.

    Hábitos simples para melhorar o sono e reduzir a fome excessiva

    No dia a dia, alguns hábitos podem te ajudar a melhorar a qualidade do sono e, como consequência, reduzir a fome excessiva:

    • Manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana;
    • Evitar o uso de celular, computador e televisão pelo menos uma hora antes de dormir;
    • Reduzir o consumo de café, chás estimulantes e bebidas energéticas no fim do dia;
    • Fazer refeições mais leves à noite, evitando exageros antes de dormir;
    • Manter o quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável;
    • Praticar atividade física regularmente, mas não muito próximo do horário de dormir;
    • Criar uma rotina relaxante antes de deitar, como leitura ou banho morno.

    Com pequenas mudanças, o corpo tende a dormir melhor, o que ajuda a regular os hormônios da fome e a melhorar o controle do apetite ao longo do dia.

    Veja mais: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

    Perguntas frequentes

    1. Por que sinto “fome emocional” quando estou cansado?

    O cansaço reduz a atividade no córtex pré-frontal, a área do cérebro que controla impulsos, tornando mais difícil dizer “não” a confortos emocionais como comida.

    2. Posso tomar café para compensar uma noite mal dormida?

    Até certo ponto sim, mas o excesso de cafeína após as 15h bloqueará a adenosina (substância que causa sono), prejudicando também a sua próxima noite.

    3. Existem alimentos que ajudam a dormir melhor?

    Sim. Alimentos ricos em triptofano (como banana, aveia e sementes de abóbora) auxiliam na produção de serotonina e melatonina.

    4. Cochilos à tarde ajudam a reduzir a fome?

    Um cochilo de 20 a 30 minutos pode restaurar o foco e reduzir o estresse, ajudando a controlar o apetite à noite. Mais do que isso pode atrapalhar o sono noturno.

    5. Exercício físico à noite atrapalha o sono?

    Para algumas pessoas, o aumento da temperatura e da adrenalina pode dificultar o relaxamento. O ideal é treinar até 4 horas antes de deitar.

    6. Trabalhar em turnos (noturno) facilita o ganho de peso?

    Sim, devido ao chamado “desalinhamento circadiano”. Pessoas que trabalham à noite frequentemente têm níveis de leptina mais baixos e resistência à insulina mais alta do que quem trabalha em horário comercial.

    7. O que comer quando tive uma noite péssima?

    Você pode apostar em proteínas e fibras, como ovos, iogurte natural, castanhas e outros. Eles promovem saciedade prolongada e evitam as montanhas-russas de açúcar no sangue que o cansaço provoca

    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/sindrome-de-guillain-barre
  • Síndrome de Guillain-Barré: quando a fraqueza surge de forma rápida 

    Síndrome de Guillain-Barré: quando a fraqueza surge de forma rápida 

    A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença neurológica considerada atualmente a principal causa de paralisia neuromuscular adquirida no mundo. Trata-se de uma condição potencialmente grave, que costuma surgir após uma infecção e envolve um mecanismo autoimune, no qual o próprio organismo passa a atacar estruturas do sistema nervoso.

    Nessa síndrome, os nervos periféricos são afetados, o que compromete a transmissão dos impulsos nervosos e leva à fraqueza muscular progressiva. Embora muitos pacientes apresentem boa recuperação com tratamento adequado, alguns casos evoluem de forma grave e exigem internação em unidade de terapia intensiva, especialmente quando há risco de insuficiência respiratória.

    O que é a Síndrome de Guillain-Barré

    A Síndrome de Guillain-Barré é caracterizada por um processo inflamatório que acomete os nervos periféricos. Na maioria das vezes, ocorre lesão da bainha de mielina, estrutura que reveste os nervos, e, em algumas variantes, também dos próprios axônios.

    A mielina funciona como uma espécie de “capa protetora” que permite a condução rápida e eficiente dos estímulos nervosos. Quando essa estrutura é danificada, a transmissão dos impulsos fica prejudicada, resultando nos sintomas típicos da doença, como fraqueza muscular e perda de reflexos.

    Causas e mecanismos da doença

    A Síndrome de Guillain-Barré tem origem autoimune e costuma ser desencadeada por um evento prévio, geralmente uma infecção.

    Reação autoimune cruzada

    Após uma infecção, o sistema imunológico produz anticorpos para combater o agente infeccioso. Em algumas pessoas, ocorre uma reação cruzada, porque determinadas moléculas dos microrganismos se assemelham a componentes dos nervos periféricos.

    Como consequência, o organismo passa a atacar:

    • A bainha de mielina;
    • Os axônios dos nervos periféricos.

    Esse processo inflamatório provoca lesões nessas estruturas e compromete a condução nervosa, dando origem aos sintomas da Síndrome de Guillain-Barré.

    Infecções associadas

    A infecção mais frequentemente associada à Síndrome de Guillain-Barré é causada pela bactéria Campylobacter jejuni, responsável por quadros de diarreia.

    Outras infecções que podem anteceder a síndrome incluem:

    • Dengue;
    • Zika;
    • Chikungunya;
    • Citomegalovírus (CMV);
    • Vírus Epstein-Barr (EBV);
    • Sarampo;
    • Outras infecções virais e bacterianas.

    Sintomas da Síndrome de Guillain-Barré

    Os sintomas clássicos da Síndrome de Guillain-Barré envolvem uma paralisia flácida de início rápido, que geralmente começa nos membros inferiores e progride para os membros superiores.

    Essa progressão costuma ocorrer de forma:

    • Ascendente (das pernas em direção ao tronco);
    • Simétrica;
    • Ao longo de aproximadamente duas semanas.

    Achados mais comuns no exame clínico

    • Fraqueza muscular em pernas e braços;
    • Reflexos diminuídos ou ausentes;
    • Sintomas oculares, como visão dupla, causados por paralisia dos músculos dos olhos;
    • Dificuldade para engolir, devido à fraqueza da musculatura da deglutição.

    Complicações graves

    Nos casos mais graves, ocorre comprometimento dos músculos responsáveis pela respiração, levando à insuficiência respiratória.

    Nessas situações, pode ser necessária:

    • Internação em UTI;
    • Intubação orotraqueal;
    • Ventilação mecânica.

    Por isso, reconhecer precocemente sinais de piora é fundamental para evitar complicações potencialmente fatais.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da Síndrome de Guillain-Barré é inicialmente clínico, baseado na história do paciente e no padrão dos sintomas apresentados.

    Análise do líquor

    Um exame importante para apoiar o diagnóstico é a análise do líquor (líquido cefalorraquidiano), obtido por punção lombar.

    Os achados típicos incluem:

    • Aumento significativo das proteínas;
    • Número normal ou discretamente elevado de células.

    Esse padrão é chamado de dissociação albumino-citológica e reflete o processo inflamatório da doença.

    Eletroneuromiografia

    A eletroneuromiografia pode ser solicitada para:

    • Avaliar a condução dos nervos;
    • Identificar se há desmielinização ou acometimento axonal;
    • Auxiliar na confirmação e classificação da síndrome.

    Tratamento da Síndrome de Guillain-Barré

    O tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível, especialmente nos pacientes com fraqueza progressiva.

    As duas principais formas de tratamento são:

    Plasmaférese

    A plasmaférese consiste na retirada do plasma do sangue, onde estão os autoanticorpos, com substituição por soluções adequadas. O objetivo é remover os anticorpos responsáveis pelo ataque ao sistema nervoso.

    Imunoglobulina intravenosa

    A imunoglobulina intravenosa atua modulando a resposta imunológica e neutralizando os autoanticorpos, reduzindo a inflamação e a progressão da doença.

    As duas abordagens apresentam eficácia semelhante, e a escolha depende do quadro clínico, da disponibilidade e da avaliação médica.

    Prognóstico e recuperação

    A maioria dos pacientes apresenta recuperação parcial ou completa, especialmente quando o tratamento é iniciado precocemente. Após a fase aguda, a fisioterapia é essencial para recuperar força muscular e função motora.

    No entanto, alguns pacientes podem evoluir com:

    • Recuperação mais lenta;
    • Fraqueza residual;
    • Fadiga crônica.

    Confira: Veja por que você pode pegar dengue até quatro vezes

    Perguntas frequentes sobre a Síndrome de Guillain-Barré

    1. A Síndrome de Guillain-Barré é contagiosa?

    Não. Ela não é transmitida de pessoa para pessoa.

    2. Sempre ocorre após uma infecção?

    Na maioria dos casos, sim, embora nem sempre o paciente se recorde do quadro infeccioso.

    3. A doença pode ser fatal?

    Pode ser grave, mas com tratamento adequado a maioria dos pacientes evolui bem.

    4. Quanto tempo dura a progressão da doença?

    Geralmente até cerca de duas semanas.

    5. Todo paciente precisa de UTI?

    Não. Apenas os casos com risco de insuficiência respiratória.

    6. A síndrome tem cura?

    Não existe uma “cura” específica, mas há tratamento eficaz e possibilidade de recuperação.

    7. Pode deixar sequelas?

    Em alguns casos, sim, especialmente quando o tratamento é iniciado tardiamente.

    Veja mais: Diferença entre dengue, zika e chikungunya

  • Delirium não é demência: entenda mais sobre esse tipo de confusão mental 

    Delirium não é demência: entenda mais sobre esse tipo de confusão mental 

    O delirium é um quadro neurológico caracterizado por confusão mental aguda, que surge de forma rápida e costuma variar ao longo do dia. Ele afeta a atenção, a consciência e o pensamento, sendo muito comum em pacientes hospitalizados, especialmente idosos e pessoas com doenças graves. Por isso, é considerado uma emergência clínica.

    Apesar da alta frequência, o delirium ainda passa despercebido em muitos casos. A identificação precoce é fundamental, pois o quadro está associado a maior mortalidade, internações mais longas e risco de perda funcional e cognitiva, principalmente quando não tratado adequadamente.

    O que é delirium

    O delirium é uma disfunção cerebral aguda e geralmente reversível, que ocorre quando o cérebro não consegue lidar adequadamente com um estressor clínico, como uma infecção, cirurgia ou alteração metabólica.

    Diferentemente da demência, que é progressiva e crônica, o delirium:

    • Surge de forma abrupta (em horas ou dias);
    • Apresenta curso flutuante ao longo do dia;
    • Pode melhorar quando a causa é tratada.

    As principais características são:

    • Alteração do nível de consciência;
    • Dificuldade de manter a atenção;
    • Pensamento desorganizado;
    • Desorientação no tempo e no espaço.

    O delirium pode ocorrer isoladamente ou em pessoas que já têm demência, situação conhecida como delirium sobreposto à demência.

    Epidemiologia e importância clínica

    O delirium é extremamente comum no ambiente hospitalar. Estudos mostram alta incidência em:

    • Idosos hospitalizados;
    • Pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI);
    • Pessoas no pós-operatório;
    • Pacientes com infecções ou doenças graves.

    Além do impacto imediato, o delirium está associado a:

    • Aumento da mortalidade;
    • Prolongamento do tempo de internação;
    • Maior risco de declínio funcional;
    • Piora cognitiva persistente;
    • Maior chance de institucionalização após a alta.

    Por esses motivos, o delirium é considerado um importante marcador de gravidade clínica.

    Causas e mecanismos do delirium

    O delirium resulta da combinação de fatores predisponentes e fatores precipitantes.

    Mecanismos fisiopatológicos

    Embora não exista um único mecanismo responsável, acredita-se que o delirium envolva:

    • Desequilíbrio de neurotransmissores, especialmente acetilcolina e dopamina;
    • Inflamação sistêmica e inflamação do sistema nervoso;
    • Alterações metabólicas;
    • Redução da perfusão cerebral.

    Essas alterações levam a uma disfunção temporária do funcionamento cerebral.

    Principais causas precipitantes

    • Infecções (urinárias, respiratórias, sepse);
    • Distúrbios metabólicos e hidroeletrolíticos;
    • Hipóxia;
    • Dor mal controlada;
    • Privação de sono;
    • Uso ou retirada abrupta de medicamentos (sedativos, opioides, anticolinérgicos);
    • Procedimentos cirúrgicos.

    Fatores de risco

    Alguns pacientes são mais vulneráveis ao delirium. Os principais fatores de risco são:

    • Idade avançada;
    • Demência prévia;
    • Déficit visual ou auditivo;
    • Imobilidade;
    • Desnutrição;
    • Múltiplas comorbidades;
    • Uso de muitos medicamentos ao mesmo tempo (polifarmácia).

    Quanto maior a fragilidade do paciente, menor é o estímulo necessário para desencadear o quadro.

    Tipos clínicos de delirium

    Delirium hiperativo

    • Agitação psicomotora;
    • Inquietação;
    • Alucinações;
    • Comportamento agressivo.

    Delirium hipoativo

    • Sonolência excessiva;
    • Apatia;
    • Lentificação psicomotora;
    • Pouca interação com o ambiente.

    Esse subtipo é frequentemente subdiagnosticado e está associado a pior prognóstico.

    Delirium misto

    Alterna períodos de agitação com fases de hipoatividade ao longo do dia.

    Diagnóstico

    O diagnóstico do delirium é clínico e depende da observação cuidadosa do paciente.

    Os critérios incluem:

    • Início agudo;
    • Curso flutuante;
    • Alteração da atenção;
    • Alteração cognitiva adicional (memória, linguagem ou percepção).

    Ferramentas de triagem clínica auxiliam na detecção, principalmente em ambientes hospitalares.

    Exames complementares

    Exames laboratoriais e de imagem não confirmam delirium, mas são essenciais para identificar a causa subjacente, como:

    • Infecção;
    • Distúrbios metabólicos;
    • Hipóxia;
    • Sangramentos ou AVC.

    Tratamento do delirium

    O manejo do delirium se baseia em dois pilares principais: tratar a causa e controlar os sintomas.

    Tratamento da causa de base

    • Tratar infecções;
    • Corrigir distúrbios metabólicos;
    • Revisar e suspender medicamentos desnecessários;
    • Controlar dor e desconforto.

    Essa é a medida mais importante para a reversão do quadro.

    Manejo não farmacológico

    • Reorientação frequente do paciente;
    • Presença de familiares;
    • Estímulo ao ciclo sono–vigília;
    • Correção de déficits sensoriais (óculos, aparelhos auditivos);
    • Mobilização precoce.

    Tratamento medicamentoso

    Medicamentos são reservados para situações específicas, como:

    • Agitação intensa;
    • Risco para o paciente ou para a equipe;
    • Sofrimento importante.

    Nesses casos, antipsicóticos podem ser utilizados com cautela e avaliação individualizada.

    Prevenção do delirium

    A prevenção é uma das estratégias mais eficazes, especialmente em pacientes de risco.

    • Evitar polifarmácia;
    • Garantir hidratação e nutrição adequadas;
    • Estimular mobilidade;
    • Promover sono adequado;
    • Identificar precocemente sinais de confusão mental.

    Programas estruturados de prevenção reduzem significativamente a incidência de delirium hospitalar.

    Prognóstico

    O delirium é potencialmente reversível, mas o prognóstico depende de:

    • Rapidez no diagnóstico;
    • Controle da causa desencadeante;
    • Condição clínica prévia do paciente.

    Mesmo após a resolução do quadro, alguns pacientes, especialmente idosos, podem apresentar déficit cognitivo persistente.

    Perguntas frequentes sobre delirium

    1. Delirium é o mesmo que demência?

    Não. O delirium é agudo e flutuante, enquanto a demência é crônica e progressiva.

    2. Delirium pode ser prevenido?

    Sim. Medidas simples reduzem significativamente o risco, sobretudo em pacientes hospitalizados.

    3. Delirium é grave?

    Pode ser. Está associado a maior mortalidade e a diversas complicações.

    4. Todo paciente confuso tem delirium?

    Não, mas o delirium deve sempre ser considerado diante de confusão mental de início súbito.

    5. Idosos têm mais risco?

    Sim. A idade avançada é um dos principais fatores de risco.

    6. O delirium sempre melhora?

    Na maioria dos casos, sim, mas alguns pacientes mantêm sequelas cognitivas.

    7. Antipsicóticos curam o delirium?

    Não. Eles apenas controlam sintomas; a reversão depende do tratamento da causa.

  • Doença de Graves: quando a tireoide funciona em excesso 

    Doença de Graves: quando a tireoide funciona em excesso 

    A doença de Graves é uma condição autoimune que afeta a glândula tireoide e provoca a produção excessiva de hormônios tireoidianos — situação conhecida como hipertireoidismo. Esse excesso hormonal acelera diversas funções do organismo e pode causar sintomas como perda de peso, palpitações, tremores, ansiedade e intolerância ao calor.

    Trata-se de uma das causas mais comuns de hipertireoidismo em adultos e, embora seja menos frequente em crianças, é a principal causa de hipertireoidismo nessa faixa etária quando ocorre. O reconhecimento precoce da doença e o acompanhamento adequado são fundamentais para controlar os sintomas e prevenir complicações a longo prazo.

    O que é a doença de Graves

    Na doença de Graves, o próprio sistema imunológico passa a produzir anticorpos estimulantes do receptor do hormônio estimulador da tireoide (TSH), conhecidos como TRAb. Esses anticorpos se ligam ao receptor e mantêm a glândula tireoide continuamente ativada.

    Como resultado, ocorre produção excessiva dos hormônios T3 e T4, além do crescimento difuso da glândula, o que se manifesta clinicamente como bócio. Por ser uma doença autoimune sistêmica, a doença de Graves também pode afetar outros tecidos, especialmente olhos e pele.

    Por que a doença acontece? (causas e fatores de risco)

    A doença de Graves tem origem autoimune e resulta da interação entre fatores genéticos e ambientais. Pessoas com histórico familiar de doenças autoimunes apresentam maior risco de desenvolver a condição.

    Alguns fatores estão associados ao surgimento da doença, como:

    • Predisposição genética;
    • Tabagismo;
    • Estresse físico ou emocional;
    • Sexo feminino, que apresenta maior incidência da doença.

    Em crianças e adolescentes, a doença pode surgir em qualquer idade, mas torna-se mais frequente com o avanço da idade e ocorre mais em meninas do que em meninos.

    Sintomas da doença de Graves

    Os sintomas decorrem do excesso de hormônios tireoidianos circulantes e podem variar de intensidade conforme a gravidade e a duração do hipertireoidismo.

    Sintomas gerais

    • Perda de peso, mesmo com apetite normal ou aumentado;
    • Palpitações e aumento da frequência cardíaca;
    • Tremores finos nas mãos;
    • Intolerância ao calor e sudorese excessiva;
    • Ansiedade, irritabilidade e insônia;
    • Fraqueza muscular e fadiga;
    • Alterações do ciclo menstrual em mulheres.

    Esses sintomas refletem o metabolismo acelerado causado pelos altos níveis de T3 e T4.

    Bócio

    Muitos pacientes apresentam bócio difuso, percebido como aumento da tireoide na base do pescoço. Esse aumento pode causar sensação de pressão local ou desconforto ao engolir.

    Oftalmopatia de Graves

    Uma manifestação característica da doença é a oftalmopatia de Graves, que resulta da inflamação dos tecidos ao redor dos olhos. Os sinais mais frequentes são:

    • Proptose (olhos mais projetados);
    • Retração das pálpebras;
    • Inchaço e vermelhidão ao redor dos olhos;
    • Sensação de areia ou irritação ocular.

    Essa manifestação pode ocorrer independentemente do controle hormonal e tende a ser mais comum em pessoas fumantes.

    Outras manifestações

    • Dermopatia de Graves, com espessamento da pele, geralmente nas pernas;
    • Alterações ósseas e acropatia (raras);
    • Complicações cardiovasculares, como arritmias.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da doença de Graves baseia-se na combinação de avaliação clínica com exames laboratoriais e, quando necessário, exames de imagem.

    Exames laboratoriais

    • TSH suprimido (baixo);
    • Níveis elevados de T3 e T4 livres;
    • Presença de anticorpos anti-receptor de TSH (TRAb), que confirmam a origem autoimune do hipertireoidismo.

    A identificação do TRAb aumenta a precisão diagnóstica e ajuda a diferenciar a doença de Graves de outras causas de hipertireoidismo.

    Exames de imagem

    • Ultrassonografia da tireoide, mostrando aumento difuso e maior vascularização;
    • Cintilografia da tireoide, com captação difusa de radioiodo, característica da doença de Graves.

    Tratamento da doença de Graves

    O tratamento possui três abordagens principais, e a escolha depende da idade do paciente, da gravidade da doença e de fatores individuais.

    Medicamentos antitireoidianos

    Fármacos como o metimazol reduzem a produção de hormônios tireoidianos e costumam ser a primeira opção, especialmente em crianças e adultos jovens. O tratamento pode ser necessário por períodos prolongados.

    Iodo radioativo

    O iodo radioativo destrói parte do tecido tireoidiano e reduz a produção hormonal. É um método eficaz, mas pode levar ao hipotireoidismo definitivo, exigindo reposição hormonal ao longo da vida.

    Cirurgia

    A tireoidectomia é indicada em situações específicas, como bócio volumoso, intolerância aos medicamentos ou quando outras opções não são adequadas.

    Prevenção e cuidados contínuos

    Não há uma forma específica de prevenir a doença de Graves, já que se trata de uma condição autoimune. Ainda assim, o acompanhamento regular é essencial para:

    • Monitorar os níveis hormonais;
    • Ajustar doses de medicamentos;
    • Identificar precocemente hipotireoidismo após tratamentos definitivos.

    O controle adequado reduz o risco de complicações cardíacas, ósseas e oculares associadas ao hipertireoidismo.

    Veja também: Tireoide: a pequena glândula que comanda o corpo inteiro

    Perguntas frequentes sobre doença de Graves

    1. A doença de Graves tem cura?

    Não há cura definitiva, mas o tratamento permite controlar o hipertireoidismo e suas complicações.

    2. Toda pessoa com hipertireoidismo tem doença de Graves?

    Não. Existem outras causas de hipertireoidismo, embora a doença de Graves seja a mais comum de origem autoimune.

    3. A oftalmopatia sempre ocorre?

    Não. Ela acomete apenas parte dos pacientes e é mais frequente em fumantes.

    4. O tratamento pode causar hipotireoidismo?

    Sim. Isso pode ocorrer principalmente após iodo radioativo ou cirurgia.

    5. Existe predomínio por sexo?

    Sim. A doença de Graves é mais frequente em mulheres.

    6. Gravidez interfere na doença?

    Sim. O controle rigoroso da função tireoidiana é fundamental antes e durante a gestação.

    7. O diagnóstico precoce faz diferença?

    Sim. Quanto mais cedo a doença é identificada e tratada, menor o risco de complicações a longo prazo.

    Leia mais: Quando o corpo ataca a própria tireoide: entenda a síndrome de Hashimoto

  • Imunodeficiências primárias: conheça a doença que deixa a pessoa mais suscetível a infecções

    Imunodeficiências primárias: conheça a doença que deixa a pessoa mais suscetível a infecções

    Os erros inatos da imunidade, também chamados de imunodeficiências primárias, são doenças genéticas que afetam o funcionamento do sistema imunológico. Essas alterações fazem com que o organismo tenha mais dificuldade para combater infecções, o que leva a quadros repetidos, mais graves ou causados por microrganismos pouco comuns.

    Embora cada uma dessas condições seja rara isoladamente, em conjunto elas formam um grupo relevante de doenças, muitas vezes diagnosticadas ainda na infância, mas que também podem ser identificadas apenas na vida adulta.

    Reconhecer os sinais precocemente é fundamental para reduzir infecções graves, internações frequentes e possíveis sequelas.

    O que são erros inatos da imunidade

    Os erros inatos da imunidade são defeitos congênitos do sistema imunológico, ou seja, alterações presentes desde o nascimento. Eles podem comprometer a imunidade inata, que funciona como a primeira linha de defesa, ou a imunidade adaptativa, responsável por respostas mais específicas contra vírus, bactérias e outros microrganismos.

    Esses defeitos são causados por mutações genéticas que afetam moléculas, células ou vias essenciais para a defesa do organismo. Dependendo do componente afetado, podem estar comprometidos:

    • Células fagocitárias, como neutrófilos e macrófagos;
    • O sistema complemento;
    • Linfócitos T e/ou B;
    • A produção ou função de anticorpos (imunoglobulinas);
    • Mecanismos de sinalização imunológica.

    Por que os erros inatos da imunidade acontecem

    A principal causa dos erros inatos da imunidade é genética. Essas alterações podem ser herdadas de forma:

    • Autossômica dominante;
    • Autossômica recessiva;
    • Ligada ao cromossomo X.

    As mutações levam à ausência, redução ou mau funcionamento de proteínas fundamentais para a resposta imunológica. Nem sempre há histórico familiar evidente, já que algumas pessoas podem ser portadoras sem sintomas, ou a mutação pode surgir de forma espontânea.

    Principais tipos de erros inatos da imunidade

    Essas condições são classificadas de acordo com a parte do sistema imunológico afetada.

    Defeitos da imunidade humoral

    Afetam a produção ou a função dos anticorpos. São as imunodeficiências mais comuns e estão associadas principalmente a infecções bacterianas repetidas, especialmente das vias respiratórias.

    Defeitos da imunidade celular

    Envolvem alterações nos linfócitos T e predispõem a infecções virais, fúngicas e oportunistas, muitas vezes mais graves, sobretudo em crianças pequenas.

    Defeitos combinados

    Comprometem simultaneamente a imunidade humoral e celular. Costumam ser mais graves e se manifestam precocemente, geralmente nos primeiros meses de vida.

    Defeitos do sistema complemento

    Aumentam o risco de infecções bacterianas específicas e podem estar associados a doenças autoimunes.

    Defeitos de fagócitos

    Causam dificuldade na ingestão ou destruição de microrganismos, levando a infecções bacterianas e fúngicas recorrentes.

    Sintomas: quando suspeitar de erro inato da imunidade

    Os sinais variam conforme o tipo de imunodeficiência, mas alguns padrões são considerados alertas importantes:

    • Infecções respiratórias recorrentes, como sinusites, otites e pneumonias;
    • Infecções graves ou de difícil resolução;
    • Necessidade frequente de antibióticos, com resposta insatisfatória;
    • Internações repetidas por infecção;
    • Infecções causadas por microrganismos incomuns ou oportunistas;
    • Crescimento e ganho de peso inadequados em crianças;
    • Abscessos recorrentes e infecções de pele;
    • Histórico familiar de imunodeficiência.

    Em alguns casos, também podem estar presentes manifestações autoimunes, inflamatórias ou atópicas associadas.

    Diagnóstico

    O diagnóstico dos erros inatos da imunidade combina avaliação clínica detalhada com exames laboratoriais específicos.

    Avaliação inicial

    A investigação começa com a análise de:

    • Número, tipo e gravidade das infecções;
    • Resposta a tratamentos prévios;
    • Presença de complicações infecciosas recorrentes.

    Exames laboratoriais de base

    Os exames iniciais costumam incluir:

    • Hemograma completo;
    • Dosagem de imunoglobulinas (IgG, IgA e IgM);
    • Avaliação da resposta a vacinas;
    • Quantificação de linfócitos T, B e células natural killer.

    Testes especializados

    Quando necessário, são realizados exames mais específicos, como:

    • Testes funcionais de fagócitos;
    • Avaliação do sistema complemento;
    • Painéis genéticos.

    O diagnóstico precoce é essencial para orientar o tratamento adequado e reduzir complicações.

    Tratamento

    O tratamento depende do tipo e da gravidade da imunodeficiência, mas algumas estratégias são comuns.

    Reposição de imunoglobulina

    Indicada em defeitos de anticorpos, ajuda a reduzir a frequência e a gravidade das infecções.

    Antibióticos profiláticos

    Em alguns casos, antibióticos são usados de forma preventiva para evitar infecções recorrentes.

    Transplante de células hematopoiéticas

    Nas formas mais graves, especialmente nas imunodeficiências combinadas, o transplante de medula óssea pode ser curativo quando realizado precocemente.

    Manejo de complicações

    Inclui tratamento imediato das infecções, suporte nutricional e monitoramento de doenças autoimunes ou inflamatórias associadas.

    Confira: Sarampo: conheça os sinais e veja o que fazer em caso de contato

    Prognóstico e acompanhamento

    O prognóstico varia conforme o tipo específico de erro inato da imunidade e a rapidez do diagnóstico. Em muitos casos, o tratamento adequado reduz significativamente infecções graves e melhora a qualidade de vida.

    Mesmo assim, o acompanhamento costuma ser contínuo, com avaliações periódicas da função imunológica e vigilância de possíveis efeitos a longo prazo.

    Perguntas frequentes sobre erros inatos da imunidade

    1. Os erros inatos da imunidade são contagiosos?

    Não. São condições genéticas e não são transmitidas entre pessoas.

    2. Imunodeficiências podem surgir na vida adulta?

    Sim. Algumas formas mais leves só se manifestam ou são diagnosticadas na idade adulta.

    3. Quais infecções sugerem imunodeficiência?

    Infecções recorrentes do trato respiratório, infecções graves ou causadas por microrganismos incomuns devem levantar suspeita.

    4. Tomar mais vacinas corrige a imunodeficiência?

    Não. A vacinação protege contra doenças específicas, mas não corrige o defeito imunológico.

    5. Toda pessoa com infecção frequente tem erro inato da imunidade?

    Não. Infecções são comuns, mas padrões repetitivos, graves ou atípicos merecem investigação.

    6. O transplante é sempre necessário?

    Não. Ele é reservado para formas graves, especialmente as imunodeficiências combinadas.

    7. O diagnóstico precoce faz diferença?

    Sim. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhores são as estratégias de prevenção e manejo.

    Veja mais: Dor de garganta, febre e placas: pode ser amigdalite?

  • Bursite: o que é, por que dói e como tratar 

    Bursite: o que é, por que dói e como tratar 

    A bursite é uma condição comum que causa dor e desconforto nas articulações, especialmente em regiões como ombro, quadril, joelho e cotovelo. Ela acontece quando uma bursa, uma pequena bolsa cheia de líquido que funciona como um amortecedor entre ossos, tendões e músculos, fica inflamada.

    Esse processo inflamatório pode surgir após movimentos repetitivos, traumas ou sobrecarga da articulação, sendo mais frequente em adultos ativos, idosos e pessoas que realizam esforços físicos repetitivos. Quando identificada precocemente, a bursite costuma responder bem a tratamentos simples, evitando dor persistente e limitação funcional.

    O que é bursite

    A bursite é a inflamação de uma bursa sinovial, estrutura responsável por reduzir o atrito entre tecidos durante o movimento articular.

    Ela geralmente surge quando há:

    • Uso excessivo ou repetitivo da articulação;
    • Trauma direto sobre a região;
    • Pressão prolongada local;
    • Doenças inflamatórias ou metabólicas associadas.

    Quando a bursa inflama, ela aumenta de volume, torna-se sensível e dolorosa, o que pode dificultar movimentos simples do dia a dia.

    Principais causas de bursite

    A bursite pode ser desencadeada por diversos fatores, entre os mais comuns estão:

    • Movimentos repetitivos por longos períodos, comuns em atividades profissionais ou esportivas;
    • Traumas diretos, como quedas ou pancadas;
    • Pressão constante sobre a articulação, como ajoelhar sem proteção;
    • Envelhecimento, que favorece alterações degenerativas;
    • Doenças inflamatórias sistêmicas, como artrite reumatoide e gota;
    • Infecção bacteriana da bursa (bursite séptica), condição menos comum, porém mais grave.

    Atividades físicas intensas, posturas inadequadas e fatores ocupacionais aumentam significativamente o risco de desenvolver bursite.

    Onde a bursite é mais comum

    Algumas articulações são mais frequentemente afetadas pela bursite:

    • Ombro (bursite subacromial): dor ao elevar o braço;
    • Quadril (bursite trocantérica): dor lateral ao caminhar ou deitar sobre o lado afetado;
    • Joelho (bursite pré-patelar ou infrapatelar): dor ao ajoelhar ou subir escadas;
    • Cotovelo (bursite olecraniana): inchaço na parte posterior do cotovelo;
    • Calcanhar (bursite retrocalcânea): comum em corredores ou após uso inadequado de calçados.

    Sintomas da bursite

    Os sintomas variam de acordo com a articulação acometida e a intensidade da inflamação. Os sinais mais comuns são:

    • Dor localizada, que piora com o movimento;
    • Sensibilidade e aumento de calor na região;
    • Inchaço visível, principalmente em bursas superficiais;
    • Limitação dos movimentos por dor.

    Quando a bursite é causada por infecção, podem surgir sintomas gerais como febre, calafrios e mal-estar.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da bursite é, na maioria das vezes, clínico e baseado em:

    • Relato detalhado dos sintomas;
    • Identificação de fatores de risco;
    • Exame físico da articulação afetada.

    Exames complementares

    Alguns exames podem ser solicitados quando há dúvida diagnóstica ou suspeita de complicações:

    • Ultrassonografia, para visualizar líquido e inflamação da bursa;
    • Radiografia, para excluir outras causas de dor articular;
    • Ressonância magnética, em casos persistentes ou mais complexos;
    • Análise do líquido da bursa, quando há suspeita de bursite infecciosa.

    Tratamento da bursite

    O tratamento depende da causa e da intensidade dos sintomas e tem como objetivo reduzir a inflamação, aliviar a dor e recuperar a função articular.

    Medidas iniciais

    • Repouso da articulação afetada;
    • Aplicação de gelo, especialmente nas fases iniciais;
    • Uso de analgésicos e anti-inflamatórios, conforme orientação médica.

    Fisioterapia

    A fisioterapia tem papel essencial no tratamento, ajudando a:

    • Fortalecer a musculatura ao redor da articulação;
    • Melhorar a amplitude de movimento;
    • Corrigir padrões de movimento que sobrecarregam a bursa.

    Infiltração

    Em casos selecionados, quando a dor persiste apesar do tratamento conservador, podem ser realizadas infiltrações com corticosteroides para reduzir a inflamação local.

    Bursite infecciosa

    Quando há infecção confirmada, o tratamento envolve:

    • Antibióticos adequados;
    • Drenagem cirúrgica, em situações mais graves.

    Prevenção

    Algumas medidas ajudam a reduzir o risco de bursite e evitar recidivas:

    • Evitar sobrecarga repetitiva das articulações;
    • Fazer pausas regulares em atividades prolongadas;
    • Manter boa postura e fortalecimento muscular;
    • Usar equipamentos de proteção, como joelheiras e cotoveleiras, quando indicado.

    O que esperar

    A maioria dos casos de bursite apresenta melhora significativa com tratamento conservador. Quando não tratada adequadamente ou em quadros crônicos, pode evoluir com dor persistente e limitação funcional, exigindo reavaliação médica e ajustes na abordagem terapêutica.

    Leia mais: Esclerodermia: como essa doença autoimune afeta o organismo

    Perguntas frequentes sobre bursite

    1. Bursite é a mesma coisa que artrite?

    Não. A bursite é a inflamação de uma bursa, enquanto a artrite envolve a inflamação da articulação propriamente dita.

    2. Bursite pode se tornar crônica?

    Sim. Isso pode acontecer quando a causa mecânica ou postural não é corrigida.

    3. Compressa quente ajuda no início?

    No início, o gelo costuma ser mais eficaz para reduzir a inflamação. O calor pode ser útil em fases posteriores para relaxamento muscular.

    4. Toda bursite precisa de infiltração com corticoide?

    Não. A maioria dos casos melhora com tratamento conservador; infiltrações são reservadas para situações persistentes.

    5. Bursite infecciosa é comum?

    Não. É menos frequente, mas exige tratamento rápido e adequado.

    6. A bursite sempre causa inchaço visível?

    Nem sempre. Em bursas profundas, pode haver dor sem edema evidente.

    7. Bursite tem cura?

    Sim. Quando tratada corretamente, a maioria dos casos se resolve completamente.

    Veja também: Dor no joelho: o que pode ser, como saber se é grave e o que fazer

  • Vírus Nipah: saiba mais e entenda por que ele está no radar da OMS

    Vírus Nipah: saiba mais e entenda por que ele está no radar da OMS

    O vírus Nipah é um vírus zoonótico emergente que vem chamando a atenção da comunidade científica e das autoridades de saúde ao redor do mundo. Identificado pela primeira vez em 1998, durante um surto na Malásia, ele é capaz de causar doença grave em humanos, com altas taxas de mortalidade e impacto significativo no sistema nervoso central.

    Embora os surtos tenham ocorrido principalmente no sul e sudeste da Ásia, o Nipah é considerado um vírus prioritário pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso se deve à combinação de fatores preocupantes: alta letalidade, possibilidade de transmissão entre pessoas e ausência de vacina ou tratamento antiviral específico aprovado até o momento.

    O que é o vírus Nipah

    O vírus Nipah pertence ao gênero Henipavirus e à família Paramyxoviridae. Trata-se de um vírus de RNA capaz de infectar humanos e diversos animais.

    Seu reservatório natural são morcegos frugívoros do gênero Pteropus, conhecidos como morcegos-das-frutas. Esses animais podem carregar o vírus sem apresentar sinais de doença, eliminando-o por meio de saliva, urina e fezes.

    Em determinadas situações, outros animais, como porcos, podem atuar como hospedeiros intermediários, facilitando a transmissão do vírus para humanos. Essa capacidade de atravessar barreiras entre espécies contribui para o potencial de emergência do Nipah.

    Transmissão

    A infecção humana pelo vírus Nipah pode ocorrer por diferentes vias:

    • Contato direto com morcegos infectados ou com seus fluidos corporais (saliva, urina ou fezes);
    • Consumo de alimentos contaminados, especialmente frutas ou sucos expostos a secreções de morcegos;
    • Contato com animais infectados, como porcos;
    • Transmissão de pessoa para pessoa, descrita principalmente em ambientes domiciliares e hospitalares, por meio do contato próximo com secreções respiratórias ou outros fluidos corporais.

    O período de incubação costuma variar entre 4 e 14 dias, embora haja relatos de intervalos mais longos.

    Sintomas

    A apresentação clínica do vírus Nipah é bastante variável, podendo ir de quadros leves até doença extremamente grave.

    Fase inicial

    Os sintomas iniciais são inespecíficos e podem se confundir com outras infecções virais comuns, incluindo:

    • Febre;
    • Dor de cabeça intensa;
    • Dores musculares;
    • Náuseas e vômitos;
    • Dor de garganta;
    • Tosse;
    • Mal-estar geral.

    Evolução para formas graves

    Em parte dos pacientes, a doença evolui rapidamente para formas graves, com comprometimento respiratório e neurológico, como:

    • Dificuldade respiratória ou pneumonia;
    • Encefalite, com confusão mental, sonolência e alteração do nível de consciência;
    • Convulsões;
    • Coma.

    A taxa de letalidade observada nos surtos é elevada, variando aproximadamente entre 40% e 75%, dependendo do local, do acesso ao cuidado médico e da capacidade do sistema de saúde.

    Diagnóstico

    O diagnóstico do vírus Nipah depende da combinação entre quadro clínico e histórico epidemiológico compatível, como permanência em áreas endêmicas ou contato com animais ou pessoas infectadas.

    A confirmação laboratorial é realizada por:

    • PCR, para detecção do RNA viral;
    • Testes sorológicos, como ELISA, para identificação de anticorpos em fases mais tardias da infecção.

    Por se tratar de um agente de alto risco biológico, a investigação deve ocorrer em laboratórios com nível adequado de biossegurança, e os casos suspeitos precisam ser notificados imediatamente às autoridades de saúde.

    Tratamento

    Atualmente, não existe vacina nem tratamento antiviral específico aprovado para o vírus Nipah.

    O manejo clínico é exclusivamente de suporte e pode incluir:

    • Suporte respiratório, com oxigenoterapia ou ventilação mecânica;
    • Monitoramento neurológico rigoroso;
    • Cuidados intensivos em ambiente hospitalar.

    Mesmo com suporte adequado, muitos pacientes evoluem com complicações graves ou podem apresentar sequelas neurológicas após a fase aguda.

    Prevenção

    Na ausência de vacina, a prevenção baseia-se na redução do risco de exposição ao vírus, incluindo:

    • Evitar contato com morcegos frugívoros e seus habitats;
    • Não consumir frutas ou sucos potencialmente contaminados;
    • Evitar contato direto com animais doentes;
    • Adotar medidas rigorosas de controle de infecção em ambientes hospitalares;
    • Isolamento de casos suspeitos durante surtos e rastreamento de contatos.

    Potencial de pandemia do vírus Nipah

    Apesar das preocupações frequentes na mídia, o vírus Nipah apresenta baixo risco pandêmico quando comparado a vírus respiratórios como o SARS-CoV-2.

    Isso ocorre porque o Nipah não é transmitido por aerossóis de forma ampla, exigindo contato direto com animais infectados, pessoas doentes ou alimentos contaminados por saliva ou urina de morcegos.

    Além disso, o Brasil não possui a espécie de morcego que atua como principal reservatório do vírus, presente sobretudo no sul e sudeste da Ásia, Austrália e leste da África. Nesses locais, o Nipah provoca surtos ocasionais, e o maior risco está relacionado a viagens ou contatos nessas regiões.

    Leia também: Antibióticos: por que não devem ser usados sem prescrição médica?

    Perguntas frequentes sobre o vírus Nipah

    O vírus Nipah é contagioso?

    Sim. A transmissão entre pessoas pode ocorrer, especialmente por contato próximo com secreções respiratórias ou outros fluidos corporais.

    Existe vacina contra o vírus Nipah?

    Não. Até o momento, não há vacina humana aprovada.

    A infecção sempre é fatal?

    Não, mas a taxa de mortalidade é elevada e varia conforme o surto e o acesso ao cuidado médico.

    O vírus Nipah pode causar epidemias?

    Sim. Já causou surtos regionais e é monitorado por seu potencial epidêmico.

    Como reduzir o risco de infecção?

    Evitar contato com animais silvestres, alimentos contaminados e seguir medidas de biossegurança em áreas de risco.

    Veja mais: Hantavirose: a virose rara e grave transmitida por roedores

  • Como a alimentação influencia o sistema imunológico (e fortalece as defesas do corpo)

    Como a alimentação influencia o sistema imunológico (e fortalece as defesas do corpo)

    O sistema imunológico é uma rede complexa de células, tecidos e órgãos que trabalham juntos para defender o organismo contra vírus, bactérias, fungos e outros agentes que podem causar doenças e infecções.

    Só que, para funcionar bem, ele depende de alguns hábitos simples do dia a dia — incluindo uma alimentação adequada.

    Mas afinal, como isso acontece? De forma geral, o corpo humano precisa de nutrientes específicos para produzir células de defesa, controlar inflamações e combater vírus e bactérias.

    Além de fornecer energia para o funcionamento do sistema imunológico, a alimentação influencia diretamente a forma como essas células atuam, mantendo as defesas do organismo mais fortes e equilibradas. Vamos entender mais essa relação, a seguir.

    Como a alimentação influencia o sistema imunológico?

    O sistema imunológico do corpo realiza várias reações importantes que dependem da presença de vitaminas, minerais e aminoácidos específicos presentes nos alimentos.

    Eles ajudam na formação das células de defesa, no controle de inflamações e na resposta do organismo contra vírus e bactérias. Quando a ingestão é insuficiente, o sistema imunológico pode ficar mais lento e menos eficiente, aumentando a vulnerabilidade a infecções e doenças.

    Para entender melhor a relação, podemos apontar quatro pilares dessa influência, sendo eles:

    1. Micronutrientes essenciais para a imunidade

    As vitaminas e minerais participam de processos importantes do sistema imunológico e ajudam o corpo a se defender melhor no dia a dia. Entre os principais, é possível destacar:

    • Vitamina C: auxilia na produção e na atividade dos glóbulos brancos, além de ter ação antioxidante, protegendo as células de defesa;
    • Vitamina D: contribui para o equilíbrio das respostas imunológicas e está associada a menor risco de infecções quando em níveis adequados;
    • Zinco: participa da multiplicação das células de defesa e do funcionamento correto do sistema imunológico;
    • Selênio: ajuda a proteger as células contra danos e apoia a resposta do organismo frente a agentes infecciosos.

    Quando há deficiência de algum desses micronutrientes, as defesas do corpo tendem a ficar mais frágeis, aumentando a vulnerabilidade a infecções.

    2. Proteínas e a formação das células de defesa

    As proteínas são fundamentais para a produção de anticorpos e outras substâncias usadas pelo corpo para se defender. Quando a ingestão proteica é insuficiente, o sistema imunológico pode ficar enfraquecido, aumentando o risco de infecções e dificultando a recuperação do organismo.

    3. Gorduras saudáveis e o controle da inflamação

    Algumas gorduras, como as presentes em peixes, sementes e oleaginosas, ajudam a controlar processos inflamatórios no corpo. O controle é importante para evitar inflamações persistentes, que podem prejudicar tecidos saudáveis e atrapalhar o funcionamento adequado do sistema imunológico.

    4. O papel da microbiota intestinal no sistema imune

    Aproximadamente 70% a 80% das células do sistema imunológico do corpo humano residem no trato gastrointestinal e, por consequência, a saúde do intestino impacta diretamente na capacidade do organismo de se defender contra doenças.

    Uma alimentação rica em fibras, que atuam como prebióticos, e em alimentos fermentados, fontes de probióticos, ajuda a manter o equilíbrio da microbiota intestinal.

    Isso dificulta a ação de micro-organismos nocivos e auxilia o sistema imunológico a reconhecer o que realmente representa uma ameaça, reduzindo o risco de reações exageradas, como alergias e processos autoimunes.

    Alimentos ultraprocessados podem prejudicar a imunidade?

    Os alimentos ultraprocessados costumam ser ricos em açúcar, gorduras de baixa qualidade, sódio e aditivos químicos, além de pobres em vitaminas, minerais e fibras.

    Apesar de práticos, quando consumidos com frequência, eles favorecem processos inflamatórios no organismo e prejudicam o equilíbrio da microbiota intestinal, o que pode enfraquecer o sistema imunológico.

    Por isso, no dia a dia, o ideal é reduzir o consumo de:

    • Refrigerantes e bebidas adoçadas;
    • Biscoitos recheados e bolachas industrializadas;
    • Salgadinhos de pacote;
    • Embutidos, como salsicha, presunto, mortadela e nuggets;
    • Macarrão instantâneo;
    • Sorvetes industrializados;
    • Cereais matinais açucarados;
    • Molhos prontos, como ketchup, maionese e molho de salada industrializado.

    Como manter uma alimentação equilibrada no dia a dia?

    Com pequenos ajustes simples no dia a dia, é possível manter uma alimentação equilibrada que contribui para o bom funcionamento do organismo. O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, dá algumas orientações importantes:

    • Dê preferência a alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes, verduras, arroz, feijão, ovos e carnes frescas;
    • Monte pratos coloridos, com alimentos de diferentes grupos, para garantir variedade de nutrientes;
    • Produtos como conservas de legumes, queijos e pães artesanais devem ser consumidos com moderação;
    • Evite o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, como refrigerantes, salgadinhos e comidas prontas;
    • Procure manter horários regulares para as refeições, evitando ficar muitas horas sem comer;
    • Beba água ao longo do dia para manter o corpo bem hidratado;
    • Alimente-se em horários semelhantes, evite beliscar entre as refeições e coma com calma, prestando atenção à comida, sem distrações eletrônicas;
    • Use óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades no preparo dos alimentos;
    • Planeje as refeições com antecedência, facilitando escolhas mais saudáveis mesmo na rotina corrida.

    Além da nutrição: como fortalecer a imunidade?

    O sistema imunológico depende de uma série de cuidados para permanecer forte e funcionando bem ao longo do tempo, como:

    • Tenha boas noites de sono: dormir bem ajuda o corpo a se recuperar e mantém as defesas mais ativas. A falta de sono pode enfraquecer a resposta imunológica;
    • Pratique atividade física regularmente: exercícios feitos com regularidade contribuem para o equilíbrio do sistema imunológico. O excesso, por outro lado, pode ter efeito contrário;
    • Controle o estresse: níveis elevados de estresse por longos períodos afetam negativamente as defesas do organismo, o que torna importante momentos de descanso e lazer;
    • Evite tabaco e consumo excessivo de álcool: essas substâncias prejudicam o funcionamento das células de defesa e aumentam o risco de infecções;
    • Mantenha a vacinação em dia: as vacinas ajudam o organismo a se proteger contra doenças específicas e fazem parte do cuidado com a imunidade;
    • Cuide da saúde mental: o bem-estar emocional também influencia o sistema imunológico, já que corpo e mente estão diretamente conectados.

    Quando procurar orientação de um profissional de saúde?

    Vale procurar um profissional de saúde sempre que surgirem dúvidas ou quando o corpo der sinais de que algo não está bem, como:

    • Gripes, resfriados ou infecções frequentes;
    • Cansaço constante, mesmo após descansar;
    • Dificuldade para se recuperar de doenças;
    • Queda frequente de cabelo ou unhas fracas;
    • Falta de energia no dia a dia.

    Também é importante buscar orientação antes de usar suplementos, vitaminas ou fazer mudanças grandes na alimentação. Um profissional pode avaliar cada caso com cuidado, indicar exames se necessário e orientar quais cuidados são necessários.

    Confira: Imunidade de rebanho: o que é e por que é importante atualizar o calendário de vacinas

    Perguntas frequentes

    Idosos precisam de cuidados diferentes com a imunidade?

    Com o envelhecimento, o sistema imunológico tende a responder de forma mais lenta. Por isso, idosos se beneficiam muito de alimentação adequada, vacinação em dia, boa hidratação e acompanhamento regular com profissionais de saúde para prevenir complicações.

    Tomar sol ajuda a imunidade?

    Sim, a exposição solar moderada contribui para a produção de vitamina D, que tem papel importante no equilíbrio do sistema imunológico. Poucos minutos por dia, antes das 10h e depois das 16h, já fazem diferença.

    Antibióticos enfraquecem a imunidade?

    Quando usados sem necessidade ou de forma incorreta, os antibióticos podem desequilibrar a flora intestinal, que tem relação direta com a imunidade. Por isso, devem ser usados apenas com orientação profissional.

    Alimentos congelados perdem os nutrientes?

    Nem sempre. Muitos legumes e verduras congelados mantêm boa parte dos nutrientes, especialmente quando o congelamento acontece logo após a colheita. Eles podem ser uma boa opção para facilitar a rotina, desde que não tenham excesso de sal ou molhos prontos.

    É preciso comer de três em três horas?

    Não existe uma regra única. Algumas pessoas se sentem melhor com refeições mais frequentes, outras com menos refeições. O ideal é respeitar a fome, a rotina e o bem-estar individual.

    Produtos “light” e “diet” são melhores?

    Não necessariamente. Eles podem ter menos açúcar ou gordura, mas ainda assim conter muitos aditivos. Nesses casos, ler o rótulo ajuda a entender se realmente vale a pena incluir no dia a dia.

    Como ler rótulos de alimentos de forma simples?

    Primeiro, comece pela lista de ingredientes, que é organizada em ordem decrescente: o primeiro item é o que está em maior quantidade e o último, em menor.

    Priorize produtos com poucos ingredientes e nomes reconhecíveis, evitando aqueles que apresentam o açúcar, o sal ou gorduras logo no início da lista ou que contenham muitos nomes técnicos e artificiais (como corantes e conservantes).

    Além disso, utilize a nova rotulagem frontal (as lupas pretas de alerta) para identificar rapidamente se o alimento possui altos teores de sódio, gordura saturada ou açúcar adicionado.

    Leia mais: ‘Dietas da moda’ x alimentação equilibrada: o que realmente funciona a longo prazo

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    Por que a ansiedade faz o coração ficar acelerado? Cardiologista explica

    Além da taquicardia, uma crise de ansiedade pode vir acompanhada de falta de ar, tremores, tontura e dor no peito.

    O coração acelerado é um dos sintomas mais comuns durante uma crise de ansiedade, normalmente acompanhado de falta de ar, tremores e uma sensação intensa de perigo — mesmo que não exista nenhuma ameaça. Já se perguntou por que isso acontece? Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender o que ocorre com o corpo e como controlar os batimentos cardíacos nesses momentos.

    O que acontece no corpo durante uma crise de ansiedade?

    Durante uma crise de ansiedade ou pânico, Juliana explica que ocorre uma reação natural e instintiva do organismo chamada resposta de luta ou fuga. Nesse processo, o sistema nervoso simpático é ativado para preparar o corpo a reagir diante de uma possível ameaça, mesmo quando não há perigo real.

    Ele estimula as glândulas suprarrenais a liberar adrenalina e noradrenalina, hormônios que aumentam a frequência cardíaca, elevam a pressão arterial e colocam o corpo em estado máximo de alerta.

    Como resultado, o coração passa a bater mais forte e rápido, os músculos se contraem, a respiração acelera e o fluxo de sangue é direcionado para os músculos, como se o corpo precisasse fugir ou se defender. É uma reação involuntária, controlada pelo sistema nervoso autônomo, sem participação consciente.

    Para pessoas com ansiedade, entretanto, as respostas fisiológicas podem ser intensas e assustadoras, já que surgem de forma repentina e sem causa aparente. As crises costumam durar de alguns minutos a meia hora, mas a sensação é de que o tempo se arrasta.

    Após o episódio, é comum o corpo permanecer cansado, trêmulo e com dificuldade para relaxar, resultado do esforço físico e emocional desencadeado pela descarga de adrenalina.

    Coração acelerado na ansiedade é perigoso?

    Em pessoas com o coração saudável, a taquicardia causada por um episódio de ansiedade não costuma ser perigosa ou causar danos ao coração, pois é uma resposta fisiológica ao estímulo, de acordo com Juliana.

    Contudo, em casos de ansiedade crônica, a cardiologista explica que a liberação repetida de adrenalina e outros hormônios do estresse, com picos frequentes de aceleração cardíaca e aumento da força de contração do coração, pode elevar o risco cardiovascular a longo prazo.

    Isso ocorre porque há maior sobrecarga sobre o sistema circulatório, elevação persistente da pressão arterial e maior propensão ao desenvolvimento de aterosclerose (formação de placas nas artérias).

    Já em pessoas com doença cardíaca pré-existente, episódios de taquicardia podem ser mais perigosos, pois aumentam o esforço do coração e podem favorecer complicações graves, como infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral (AVC).

    Quais outros sintomas aparecem numa crise de ansiedade?

    Durante uma crise de ansiedade, além da taquicardia, podem surgir diversos sintomas físicos, que variam de pessoa para pessoa. Os mais comuns são:

    • Respiração curta ou ofegante;
    • Tremores nas mãos e pernas;
    • Suor excessivo;
    • Sensação de desmaio ou tontura;
    • Aperto no peito;
    • Náusea ou desconforto abdominal;
    • Sensação de formigamento nas extremidades;
    • Calafrios ou ondas de calor.

    Os sinais não indicam necessariamente um problema no corpo, mas mostram que o organismo está reagindo à estimulação excessiva do sistema nervoso.

    Como diferenciar taquicardia por ansiedade de problema cardíaco?

    O primeiro passo é avaliar o contexto em que a dor surgiu e os sintomas associados. Entenda a comparação a seguir:

    Aspecto avaliado Ansiedade Origem cardíaca
    Como e quando surge Aparece após gatilhos emocionais, como estresse ou preocupação intensa Surge de forma súbita, mesmo em repouso
    Duração Minutos, melhora com repouso e respiração controlada Mais prolongada, piora com esforço
    Tipo de dor Difusa, pontadas ou desconforto superficial Opressiva, profunda, no centro do peito
    Sintomas associados Tremores, falta de ar, sensação de perigo Suor frio, palidez, náusea intensa, irradiação da dor

    O que fazer quando o coração dispara por ansiedade?

    Quando a ansiedade faz o coração disparar, é preciso ativar o sistema nervoso parassimpático, que atua como um freio natural do organismo. Algumas medidas ajudam:

    • Respiração profunda e lenta;
    • Manobras vagais, como a manobra de Valsalva;
    • Compressas frias no rosto ou nuca;
    • Sentar ou deitar em local calmo;
    • Uso de ansiolíticos apenas com orientação médica.

    Quando procurar ajuda médica?

    Procure um profissional de saúde quando:

    • For a primeira crise com dor no peito ou falta de ar;
    • A dor surgir de forma intensa ou sem motivo;
    • Houver histórico familiar de doença cardíaca;
    • Ocorrerem desmaios, suor frio ou palpitações irregulares;
    • Os sintomas persistirem mesmo em repouso.

    Mesmo quando a causa é emocional, o acompanhamento médico e psicológico é fundamental para reduzir crises futuras e melhorar a qualidade de vida.

    Veja também: Crise de ansiedade: o que fazer e como controlar os sintomas

    Perguntas frequentes

    O coração acelerado pode causar algum dano físico?

    Em pessoas saudáveis, não costuma causar danos permanentes. Porém, quem tem doença cardíaca deve ser avaliado.

    Quanto tempo dura uma crise de ansiedade?

    Geralmente de 10 a 30 minutos, com sensação de cansaço após o episódio.

    O que é a manobra de Valsalva?

    É uma técnica de respiração que estimula o nervo vago e ajuda a desacelerar os batimentos.

    Existe diferença entre ansiedade e ataque de pânico?

    Sim. A ansiedade é contínua; o pânico é súbito, intenso e pode ocorrer sem gatilho aparente.

    O sedentarismo pode aumentar as crises?

    Sim. A atividade física ajuda a regular hormônios e reduzir a frequência das crises.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

  • 12 atitudes para adotar hoje e melhorar a saúde ao longo do ano

    12 atitudes para adotar hoje e melhorar a saúde ao longo do ano

    Nem sempre cuidar da saúde precisa começar com grandes planos, dietas absurdas ou promessas para segunda-feira, sabia? Mesmo em um dia a dia agitado e cheio de compromissos, pequenas atitudes hoje criam um efeito cascata que facilita escolhas saudáveis ao longo de todo o ano.

    Um copo de água a mais, alguns minutos de movimento, uma pausa para respirar, uma refeição feita com mais atenção. São escolhas possíveis, que cabem na rotina e ajudam o corpo e a mente a funcionarem melhor com o passar do tempo.

    A seguir, listamos algumas ideias simples, possíveis e reais para colocar em prática agora e melhorar a sua saúde ao longo do ano. Confira!

    1. Beba um copo de água logo ao acordar

    Antes do café ou de checar o celular, lembre-se de hidratar o corpo logo pela manhã. Isso ajuda a despertar o metabolismo, repor os líquidos perdidos durante a noite e preparar o organismo para funcionar melhor ao longo do dia.

    Para manter isso ao longo do ano, uma dica é deixar uma garrafa térmica ou copo ao lado da cama antes de dormir.

    O consumo de água deve continuar ao longo do dia, mesmo quando você não sente sede. Ter uma garrafa por perto, criar lembretes ou associar a ingestão de água a momentos da rotina pode facilitar o hábito.

    2. Use o fio dental (sim, hoje!)

    Pode até parecer um detalhe pequeno, mas o uso do fio dental contribui para prevenir cáries, gengivite e inflamações na boca, uma vez que remove restos de alimentos e placa bacteriana que a escova não alcança.

    Quando o fio dental entra na rotina diária, a saúde bucal melhora de forma significativa, reduzindo sangramentos, mau hálito e o risco de problemas mais graves que podem afetar o organismo como um todo.

    3. Agende um check-up de rotina

    Ao longo do dia, vale tirar cinco minutos para ligar e marcar aquela consulta ou exame de sangue que vem sendo adiado. O check-up de rotina ajuda a acompanhar como o corpo está funcionando, identificar alterações logo no início e prevenir problemas de saúde antes que se tornem mais sérios.

    Isso é especialmente importante se você convive com alguma condição de saúde, como diabetes, hipertensão ou colesterol elevado, ou se tem histórico familiar de doenças cardiovasculares, hormonais ou metabólicas.

    Nesses casos, o acompanhamento regular permite ajustes precoces no tratamento e reduz o risco de complicações ao longo do tempo.

    4. Não esqueça do skincare!

    A pele é o maior órgão do corpo humano e precisa de atenção diária para continuar saudável, sem contar que o skincare é um momento importante para o autocuidado em uma rotina corrida.

    Você não precisa de muitos produtos nem de passos complicados. Com uma limpeza, hidratação e proteção solar adequada, é possível prevenir o envelhecimento precoce, manchas, ressecamento e irritações, além de proteger contra os danos causados pelo sol e pela poluição.

    5. Passe protetor solar (mesmo se estiver nublado)

    O uso do protetor solar é um dos cuidados mais importantes dentro do skincare e, por isso, deve ser lembrado todos os dias. Mesmo em dias nublados ou quando se passa a maior parte do tempo em ambientes fechados, a radiação ultravioleta continua atingindo a pele e pode causar danos a longo prazo.

    Além de prevenir manchas e o envelhecimento precoce, a proteção solar reduz significativamente o risco de câncer de pele — especialmente o tipo não melanoma, que é o mais comum no Brasil e representa cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país.

    6. Movimente-se

    Você não precisa de um treino pesado ou longas horas na academia para começar a movimentar o corpo. No início, é possível começar com uma caminhada, alongamentos, subir escadas ou até dançar por alguns minutos em casa.

    O movimento diário melhora a circulação, ajuda no controle do peso, reduz o estresse, favorece o sono e contribui para a saúde do coração e das articulações. Quanto mais o corpo se mexe, mais fácil fica manter o hábito ao longo do tempo.

    Com o passar do tempo, você pode ir aumentando a intensidade, a duração ou a frequência das atividades, sempre respeitando os limites do corpo e, de preferência, com orientação de um profissional.

    7. Tome 10 minutos de sol pela manhã

    A exposição ao sol nas primeiras horas do dia ajuda o corpo a produzir vitamina D, nutriente importante para a saúde dos ossos, do sistema imunológico e dos músculos.

    A luz solar pela manhã também contribui para regular o relógio biológico, melhorando o sono e a disposição ao longo do dia.

    O ideal é tomar sol antes das 10 horas da manhã e depois das 16 horas, períodos em que a radiação é mais segura para a pele. Você pode aproveitar o momento ao ar livre para uma leve caminhada.

    8. Adicione (em vez de subtrair) na alimentação

    Ao invés de focar em dietas restritivas e difíceis de manter, vale pensar em incluir alimentos mais nutritivos no dia a dia, como frutas, verduras, legumes, grãos integrais, sementes e fontes de proteína de qualidade.

    Eles ajudam a fornecer vitaminas, minerais, fibras e energia para o bom funcionamento do organismo, além de aumentar a saciedade e contribuir para um melhor controle do apetite ao longo do dia.

    Quando a alimentação fica mais nutritiva, escolhas menos saudáveis, como fast-food, tendem a perder espaço no dia a dia de forma natural.

    9. Levante-se a cada 60 minutos

    Se você trabalha sentado, o sedentarismo prolongado pode trazer uma série de problemas para a saúde, mesmo que você malhe depois, como dores nas costas, rigidez muscular, piora da circulação e aumento do cansaço ao longo do dia.

    Hoje, coloque como meta levantar, esticar as pernas ou encher a garrafa de água a cada hora. Isso mantém a circulação ativa e evita a estagnação metabólica.

    10. Pratique dizer “não” para uma tarefa não essencial

    No dia a dia de trabalho ou estudo, assumir compromissos demais aumenta o estresse, causa sobrecarga mental e reduz o tempo para descanso e autocuidado.

    Isso pode aumentar o risco de burnout, um distúrbio emocional ligado ao esgotamento físico e mental causado pela pressão constante e pela falta de recuperação. Com o tempo, o excesso de tarefas pode afetar a concentração, o sono, a memória e até a saúde física.

    Por isso, se surgir algo hoje que não é prioridade e vai sobrecarregar você, pratique dizer “não” de forma educada. Quando você estabelece limites claros, é possível organizar melhor o tempo e preservar a saúde mental.

    11. Adote um hobbie

    As atividades feitas por prazer ajudam a aliviar o estresse, melhorar o humor e dar uma pausa mental das obrigações do dia a dia.

    Durante o tempo livre, hobbies como ler, cozinhar, desenhar, ouvir música, cuidar de plantas, praticar um esporte ou aprender algo novo são formas simples de estimular a criatividade, reduzir a ansiedade e fortalecer o bem-estar emocional.

    12. Prepare o seu ambiente de sono

    Um sono de qualidade, para acontecer, também depende de um ambiente confortável. Manter o quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável, reduzir luzes fortes à noite e evitar o uso de telas perto da hora de dormir, por exemplo, são dicas que ajudam o corpo a relaxar e favorecem o sono profundo.

    Assim, no dia seguinte, você vai acordar com mais disposição e energia para outro dia de compromissos.

    Como manter essas mudanças no dia a dia?

    No início, é importante começar com metas pequenas, realistas e possíveis, o que evita frustrações e aumenta as chances de continuidade. Quanto mais uma mudança cabe no dia a dia, maior a chance de ela se tornar um hábito.

    Uma dica é criar lembretes visuais ou associações práticas, como deixar a garrafa de água por perto, separar a roupa para caminhar ou definir horários fixos para pausas e descanso. Com o tempo, as atitudes passam a fazer parte da rotina quase de maneira automática.

    Por fim, vale lembrar que a constância é muito mais importante que a perfeição. É comum ter dias difíceis, e está tudo bem ajustar o ritmo quando necessário. O cuidado com a saúde é construído com escolhas feitas na maior parte do tempo, e não com regras rígidas difíceis de manter ao longo do ano.

    Leia mais: Atividade física e produtividade: como mexer o corpo melhora o cérebro

    Perguntas frequentes

    1. Quais são as melhores atividades físicas para pessoas idosas?

    As atividades de baixo impacto costumam ser as mais indicadas, como caminhada, hidroginástica, pilates, alongamento e musculação leve. Elas ajudam a manter a força muscular, o equilíbrio, a mobilidade e reduzem o risco de quedas, além de contribuírem para a saúde do coração.

    2. Quanto de atividade física é recomendado por semana?

    Para adultos, a recomendação geral é pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana, como caminhada acelerada, ou 75 minutos de atividade intensa. O ideal é distribuir ao longo da semana e incluir exercícios de força pelo menos duas vezes.

    3. Crianças e adolescentes também precisam se exercitar todos os dias?

    Sim, crianças e adolescentes devem praticar, em média, 60 minutos de atividade física por dia. Pode ser brincadeira, esporte, dança ou qualquer movimento que estimule o corpo e ajude no desenvolvimento físico e emocional.

    4. Quanto de água é recomendado beber por dia?

    A recomendação varia conforme idade, peso, clima e nível de atividade física, mas, em geral, adultos precisam entre 2 e 3 litros de água por dia. O ideal é distribuir ao longo do dia e não esperar sentir sede intensa.

    5. Alongamento diário é realmente necessário?

    O alongamento ajuda a manter a flexibilidade, reduzir tensões musculares e prevenir dores, especialmente em quem passa muito tempo na mesma posição. Alguns minutos por dia já fazem diferença.

    6. Quantas horas de sono são recomendadas para adultos?

    A maioria dos adultos precisa entre 7 e 9 horas de sono por noite. A qualidade do sono é tão importante quanto a quantidade.

    Leia mais: ‘Dietas da moda’ x alimentação equilibrada: o que realmente funciona a longo prazo