Autor: Dra. Juliana Soares

  • Posso beber tomando remédio? Por que essa combinação pode ser perigosa 

    Posso beber tomando remédio? Por que essa combinação pode ser perigosa 

    Muitas pessoas subestimam os efeitos do álcool quando estão em tratamento com medicamentos. Em situações sociais, por exemplo, pode parecer inofensivo beber uma taça de vinho ou uma cerveja, mesmo usando algum remédio.

    No entanto, a combinação de bebida alcoólica com determinados medicamentos pode aumentar efeitos colaterais, reduzir a eficácia do tratamento e, em alguns casos, provocar complicações importantes. O risco varia conforme o tipo de medicamento, a dose e a quantidade de álcool ingerida.

    Como o álcool interfere nos medicamentos

    O álcool pode interferir no funcionamento de diversos medicamentos no organismo.

    Entre os principais efeitos estão:

    • Alterar o metabolismo hepático;
    • Potencializar efeitos sedativos;
    • Aumentar risco de sangramento;
    • Descompensar doenças crônicas;
    • Reduzir a eficácia do tratamento.

    Muitos medicamentos são metabolizados no fígado, o mesmo órgão responsável por metabolizar o álcool. Quando as duas substâncias são processadas ao mesmo tempo, pode haver alteração na concentração do medicamento no sangue.

    Medicamentos que oferecem maior risco quando combinados com álcool

    Algumas classes de medicamentos apresentam maior risco de interação com bebidas alcoólicas.

    1. Antidepressivos

    Misturar álcool com antidepressivos pode:

    • Reduzir o efeito do tratamento;
    • Aumentar a sedação;
    • Intensificar sintomas depressivos;
    • Prejudicar o julgamento.

    Além disso, pode aumentar o risco de efeitos adversos.

    2. Ansiolíticos e sedativos

    Benzodiazepínicos e outros sedativos, quando combinados com álcool, podem causar:

    • Sonolência intensa;
    • Confusão;
    • Queda de pressão;
    • Diminuição da respiração;
    • Maior risco de acidentes.

    Essa é considerada uma das combinações mais perigosas.

    3. Opioides

    O uso conjunto pode levar a:

    • Depressão respiratória (redução da respiração);
    • Sedação profunda;
    • Risco de morte.

    4. Antibióticos

    Nem todos os antibióticos apresentam interação grave com álcool. Ainda assim, a combinação pode:

    • Aumentar náuseas;
    • Piorar efeitos colaterais;
    • Reduzir a adesão ao tratamento.

    Alguns antibióticos específicos podem provocar uma reação semelhante ao chamado efeito antabuse, que inclui:

    • Vermelhidão;
    • Taquicardia;
    • Náusea intensa;
    • Queda de pressão.

    5. Anticoagulantes

    O álcool pode:

    • Aumentar risco de sangramento;
    • Alterar níveis do medicamento no sangue;
    • Aumentar risco de hematomas.

    6. Medicamentos para pressão

    Quando combinados com álcool, podem ocorrer:

    • Queda excessiva da pressão;
    • Tontura;
    • Maior risco de desmaio.

    7. Antidiabéticos

    O álcool pode provocar:

    • Hipoglicemia (queda da glicose no sangue);
    • Alteração no controle glicêmico;
    • Confusão.

    Esse risco é maior quando a pessoa está em jejum ou utiliza insulina.

    8. Anti-inflamatórios

    Combinar anti-inflamatórios com álcool aumenta o risco de:

    • Gastrite;
    • Sangramento gastrointestinal;
    • Dor abdominal.

    E pequenas quantidades?

    Mesmo pequenas quantidades de álcool podem ser relevantes dependendo do medicamento.

    O risco não depende apenas da quantidade ingerida, mas também de fatores como:

    • Tipo de medicamento;
    • Dose utilizada;
    • Condição clínica da pessoa.

    Por isso, em alguns tratamentos, a recomendação é evitar completamente a ingestão de álcool.

    Por que muitas pessoas não percebem o risco

    Alguns fatores contribuem para que essa combinação seja subestimada:

    • O medicamento é de uso contínuo;
    • Não há sintomas imediatos;
    • O álcool é socialmente aceito;
    • A interação não foi discutida durante a consulta.

    No entanto, a ausência de sintomas imediatos não significa ausência de risco.

    Quando evitar completamente o álcool

    Em alguns tratamentos, a recomendação é evitar totalmente a ingestão de bebidas alcoólicas, especialmente ao usar:

    • Sedativos;
    • Opioides;
    • Antidepressivos específicos;
    • Anticoagulantes;
    • Medicamentos com risco hepático;
    • Tratamentos para dependência química.

    Em caso de dúvida, a orientação deve sempre ser individualizada.

    O que fazer se ingeriu álcool junto com medicamento

    Se houver sintomas como:

    • Sonolência excessiva;
    • Confusão;
    • Dificuldade respiratória;
    • Queda importante de pressão;
    • Vômitos persistentes.

    É importante procurar atendimento médico.

    Se não houver sintomas, o mais indicado é observar e evitar repetir essa combinação.

    Confira: Álcool e tadalafila: por que o coração entra em risco

    Perguntas frequentes sobre medicamentos e álcool

    1. Posso beber socialmente tomando remédio?

    Depende do medicamento. Algumas interações são leves, enquanto outras podem ser perigosas. Sempre confirme com seu médico.

    2. Álcool corta o efeito do antibiótico?

    Nem sempre, mas pode aumentar efeitos colaterais e prejudicar a recuperação.

    3. Uma dose pequena já pode causar problema?

    Em alguns casos, sim. Isso depende do tipo de medicamento utilizado.

    4. Remédio natural pode misturar com álcool?

    Nem sempre é seguro. Fitoterápicos e suplementos também podem ter interação com álcool.

    5. Preciso avisar o médico que bebo socialmente?

    Sim. Essa informação ajuda o profissional a escolher tratamentos mais seguros.

    6. Misturar álcool com calmante é perigoso?

    Sim. A combinação pode causar sedação intensa, confusão e até depressão respiratória.

    7. Existe algum remédio que nunca pode ser combinado com álcool?

    Alguns medicamentos apresentam risco elevado quando combinados com álcool, como sedativos, opioides e certos antibióticos.

    Veja mais: Uso nocivo de álcool: 10 sinais de alerta e como a família pode ajudar

  • Gordura subcutânea e gordura visceral: quais as diferenças e porque a visceral é tão perigosa para a saúde

    Gordura subcutânea e gordura visceral: quais as diferenças e porque a visceral é tão perigosa para a saúde

    O excesso de gordura corporal é um fator de risco primário para o desenvolvimento de uma série de doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e hipertensão, mas você sabia que o local em que o corpo armazena a gordura pode ser tão importante quanto a quantidade total presente?

    No nosso organismo, o tecido adiposo se distribui principalmente em dois depósitos diferentes: a gordura subcutânea, que fica logo abaixo da pele, e a gordura visceral, que se esconde nas profundezas da cavidade abdominal, envolvendo órgãos vitais como o fígado, o pâncreas e os intestinos.

    A gordura subcutânea pode incomodar mais do ponto de vista visual, já que é possível percebê-la com facilidade no espelho, mas é a gordura visceral que precisa de atenção. Por apresentar alta atividade metabólica, ela libera substâncias inflamatórias diretamente na corrente sanguínea, o que pode desencadear alterações associadas ao aumento do risco de doenças.

    Afinal, o que é gordura subcutânea e gordura visceral?

    O organismo armazena a gordura em diferentes regiões do corpo, e cada tipo pode ter funções e impactos diferentes para a saúde.

    Gordura subcutânea

    A gordura subcutânea é a gordura que fica logo abaixo da pele, sendo aquela camada mais superficial que pode ser vista no espelho ou sentida ao toque, quando você aperta a região do abdômen, das coxas, dos braços ou do quadril.

    Ela apresenta algumas funções no organismo, como:

    • Reserva de energia para o organismo;
    • Isolamento térmico, ajudando na manutenção da temperatura corporal;
    • Proteção mecânica contra impactos.

    Apesar de ser um incômodo estético, a gordura subcutânea costuma apresentar menor associação direta com riscos metabólicos graves quando comparada à gordura visceral.

    Gordura visceral

    A gordura visceral fica armazenada em regiões profundas da cavidade abdominal, envolvendo órgãos importantes como o fígado, o pâncreas e os intestinos. Diferentemente da gordura subcutânea, ela apresenta uma alta atividade metabólica e hormonal.

    Isso significa que ela não funciona apenas como reserva de energia, mas é responsável por liberar substâncias inflamatórias e hormônios que podem interferir no funcionamento do corpo.

    A liberação contínua dessas substâncias mantém o corpo em um estado de inflamação crônica, favorecendo alterações como aumento da pressão arterial, piora dos níveis de colesterol e aumento da glicose.

    Por que a gordura visceral é mais perigosa para a saúde?

    A gordura visceral costuma ser considerada mais preocupante porque ela não funciona apenas como reserva de energia, diferente da subcutânea. Por ficar localizada ao redor de órgãos importantes e apresentar alta atividade metabólica, ela libera substâncias inflamatórias e hormônios que podem interferir no equilíbrio do organismo.

    A liberação contínua mantém o corpo em um estado de inflamação crônica, o que pode favorecer alterações importantes, como:

    • Aumento da pressão arterial;
    • Elevação da glicose no sangue;
    • Piora dos níveis de colesterol;
    • Maior resistência à insulina;
    • Maior probabilidade de desenvolvimento de diabetes tipo 2.

    Como a gordura visceral fica bem próxima de órgãos importantes, tudo o que ela libera chega muito rápido ao fígado. É como se o organismo recebesse um estímulo constante para produzir mais açúcar no sangue e mais partículas de gordura, conhecidas como VLDL.

    Com o tempo, as partículas podem se acumular nas paredes das artérias, formando placas que dificultam a circulação do sangue, o que aumenta o risco de problemas cardíacos, incluindo infarto e AVC.

    Como saber se tenho gordura visceral acumulada?

    A medida da circunferência abdominal é o principal indicador da quantidade de gordura visceral presente no organismo. Quanto maior a medida da cintura, maior costuma ser o acúmulo de gordura visceral, o que pode aumentar o risco de problemas no coração, alterações no colesterol, pressão alta e outras questões metabólicas.

    Mesmo pessoas com aparência magra ou com peso dentro do considerado normal podem ter excesso de gordura interna na região abdominal.

    Além da medida da cintura abdominal, exames como a bioimpedância ajudam a estimar a composição corporal, enquanto exames de imagem (como ultrassom, tomografia ou ressonância) conseguem identificar com mais precisão a quantidade de gordura visceral. A indicação dos exames deve sempre partir de um profissional de saúde.

    Também vale atenção para fatores de risco associados, que podem aumentar a chance de acúmulo de gordura visceral, como sedentarismo, alimentação rica em ultraprocessados, estresse frequente, sono irregular e histórico familiar de doenças metabólicas.

    Em caso de dúvida, a recomendação é procurar um profissional de saúde, que ajuda a identificar riscos precocemente e a orientar os exames necessários.

    O que causa o acúmulo de gordura na barriga?

    O acúmulo de gordura na região abdominal pode acontecer por vários motivos, normalmente sendo uma combinação de fatores como:

    • Excesso de açúcar e farinha branca, como doces, refrigerantes, pães e massas, que aumentam a insulina, que dá ordem ao corpo para estocar gordura na cintura;
    • Consumo de álcool, pois o corpo para de queimar gordura para processar o álcool, e esse excesso de calorias vai direto para a região abdominal;
    • Estresse alto, uma vez que o corpo libera cortisol, um hormônio que favorece o acúmulo de gordura especificamente entre os órgãos (visceral);
    • A falta de exercícios, que faz com que a energia que sobra seja estocada como gordura, em vez de ser usada pelos músculos;
    • Noites mal dormidas, que desregulam os hormônios da fome e aumentam a vontade de comer alimentos calóricos;
    • Mudanças hormonais, como a queda de estrogênio na menopausa (mulheres) e da testosterona (homens);
    • Alimentos ultraprocessados, pois as gorduras ruins e conservantes inflamam o organismo e incham a região abdominal.

    Quando os fatores permanecem presentes por muito tempo, o corpo acaba tendo mais tendência a acumular gordura na região da barriga.

    Quando procurar um médico ou nutricionista?

    É importante procurar um médico ou nutricionista principalmente se a medida da cintura estiver acima dos valores considerados seguros (acima de 94 cm para homens e 80 cm para mulheres) mesmo que o restante do corpo pareça magro.

    Além das medidas, outros sinais de alerta indicam que o acúmulo de gordura pode estar prejudicando a sua saúde interna:

    • Dificuldade para reduzir a gordura abdominal mesmo com boa alimentação e exercícios;
    • Cansaço frequente ou sono de má qualidade;
    • Alterações em exames, como glicose, colesterol ou pressão altos;
    • Manchas escuras em dobras da pele, que podem indicar resistência à insulina.

    O acompanhamento profissional ajuda a avaliar possíveis riscos, orientar exames quando necessário e indicar mudanças seguras na alimentação e no estilo de vida para proteger a saúde.

    Veja também: Dietas milagrosas ou perigosas? Conheça os danos à saúde a longo prazo

    Perguntas frequentes

    1. Como medir a circunferência abdominal corretamente?

    Use uma fita métrica e posicione-a na metade do caminho entre a última costela e a crista ilíaca (osso do quadril), geralmente na altura do umbigo. Meça com o corpo relaxado após soltar o ar.

    2. Qual o valor ideal da cintura para homens e mulheres?

    Para evitar riscos à saúde, o ideal é que as mulheres tenham menos de 80 cm e os homens menos de 94 cm. Valores acima de 88 cm (mulheres) e 102 cm (homens) indicam risco muito alto.

    3. Qual o melhor exercício para eliminar a gordura visceral?

    A combinação de exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, natação) com musculação. A gordura visceral é metabolicamente ativa e responde bem ao exercício físico regular.

    4. Por que as mulheres ganham mais barriga após a menopausa?

    A queda do estrogênio altera a distribuição de gordura no corpo feminino. A gordura que antes ia para coxas e glúteos passa a se concentrar na região abdominal.

    5. Fazer abdominais queima a gordura da barriga?

    Não. O exercício abdominal fortalece o músculo que está por baixo da gordura, mas não queima a gordura especificamente daquela região. A queima de gordura acontece no corpo como um todo através de déficit calórico.

    6. É possível remover a gordura visceral com lipoaspiração?

    Não. A lipoaspiração remove apenas a gordura subcutânea (aquela que fica logo abaixo da pele). A gordura visceral fica atrás da parede muscular, entre os órgãos, e só pode ser eliminada com dieta, exercícios e mudanças de hábitos.

    7. O jejum intermitente é bom para perder gordura visceral?

    Sim, o jejum intermitente pode ajudar a reduzir os níveis de insulina no sangue por períodos mais longos, o que facilita o acesso do corpo às reservas de gordura visceral para usar como combustível. Contudo, o ideal é que ele seja feito com acompanhamento médico.

    Confira: Vai começar uma dieta? Saiba por que não é uma boa ideia fazer sem acompanhamento

  • Por que você não deve parar um remédio por conta própria 

    Por que você não deve parar um remédio por conta própria 

    É relativamente comum que, ao se sentir melhor ou ao não perceber sintomas, a pessoa pense em interromper um medicamento por conta própria. A lógica parece simples: se não há sintomas, talvez o remédio não seja mais necessário.

    O problema é que muitos medicamentos tratam condições que não dão sintomas, e a interrupção pode trazer riscos importantes, às vezes sem sinais imediatos. Medicamentos para pressão alta, colesterol, diabetes, ansiedade e depressão, por exemplo, estão entre os mais interrompidos sem orientação médica.

    Muitas doenças são silenciosas

    Pressão alta, colesterol elevado e diabetes são exemplos clássicos de doenças que podem não causar sintomas no dia a dia.

    Isso não significa que estejam controladas sem o medicamento. Na maioria das vezes, é justamente o tratamento que mantém o risco reduzido.

    Ao interromper o remédio a doença pode voltar a se descontrolar, o risco cardiovascular pode aumentar e complicações podem surgir ao longo do tempo, mesmo que a pessoa continue se sentindo bem.

    O que pode acontecer ao parar medicamentos comuns?

    Os efeitos da interrupção variam de acordo com o tipo de medicamento.

    1. Remédios para pressão alta

    Ao suspender anti-hipertensivos:

    • A pressão pode subir novamente;
    • Pode ocorrer efeito rebote (elevação abrupta da pressão);
    • Aumenta o risco de AVC e infarto;
    • Podem surgir dor de cabeça, tontura ou mal-estar.

    Em alguns casos, o aumento da pressão ocorre sem sintomas.

    2. Remédios para colesterol (estatinas)

    Interromper estatinas pode:

    • Elevar novamente o LDL (colesterol “ruim”);
    • Aumentar o risco cardiovascular ao longo do tempo;
    • Reduzir a proteção contra infarto e AVC.

    O efeito protetor desses medicamentos depende do uso contínuo.

    3. Medicamentos para diabetes

    Suspender o tratamento pode levar a:

    • Elevação da glicemia;
    • Descontrole metabólico;
    • Aumento do risco de complicações;
    • Em casos graves, hiperglicemia sintomática.

    Nem sempre os sintomas aparecem imediatamente.

    4. Antidepressivos e ansiolíticos

    A interrupção abrupta pode causar:

    • Sintomas de descontinuação (reações do organismo à retirada do medicamento);
    • Ansiedade intensa;
    • Insônia;
    • Tontura;
    • Irritabilidade;
    • Retorno dos sintomas depressivos.

    Alguns medicamentos precisam ser reduzidos gradualmente, nunca suspensos de uma vez.

    5. Corticoides

    Parar corticoides de forma abrupta pode causar:

    • Queda de pressão;
    • Fraqueza;
    • Mal-estar;
    • Alterações hormonais.

    Dependendo do tempo de uso, é necessária retirada gradual para evitar efeitos no organismo.

    6. Anticoagulantes

    Suspender anticoagulantes pode aumentar o risco de:

    • Trombose;
    • AVC;
    • Embolia pulmonar.

    Mesmo poucos dias sem o medicamento podem ser relevantes em algumas situações.

    O perigo do efeito rebote

    Alguns medicamentos, quando interrompidos de forma abrupta, podem provocar piora temporária mais intensa do que o quadro original. Esse fenômeno é chamado de efeito rebote.

    Ele pode ocorrer com:

    • Anti-hipertensivos;
    • Medicamentos para ansiedade;
    • Remédios para refluxo;
    • Descongestionantes nasais.

    Por isso, a retirada deve ser planejada e orientada por um profissional de saúde.

    “Mas eu melhorei, então não preciso mais”

    Muitas vezes a melhora ocorreu justamente por causa do medicamento.

    Quando o tratamento é interrompido sem orientação, a doença pode voltar a se descontrolar. Em algumas situações, é possível reduzir a dose ou até suspender o remédio, mas essa decisão deve ser feita com acompanhamento médico.

    E quando há efeitos colaterais?

    Se o medicamento estiver causando desconforto ou efeitos adversos:

    • Não interrompa por conta própria;
    • Converse com o médico;
    • Pode ser possível ajustar a dose;
    • Trocar o medicamento;
    • Rever a indicação.

    Na maioria das vezes, existem alternativas terapêuticas.

    Quando é seguro suspender um medicamento?

    A suspensão pode ser considerada em algumas situações, como:

    • Melhora sustentada da condição de saúde;
    • Mudanças no estilo de vida que reduziram o risco;
    • Exames mostrando bom controle da doença;
    • Reavaliação do risco-benefício do tratamento.

    Mesmo nesses casos, a decisão deve ser individualizada e orientada por um médico.

    O que fazer se você já parou por conta própria?

    Se você interrompeu um medicamento sem orientação:

    • Não entre em pânico;
    • Informe seu médico;
    • Retome a orientação adequada;
    • Avalie a necessidade de exames.

    Quanto antes o tratamento for reavaliado, melhor.

    Veja mais: Quais remédios podem afetar o coração? Saiba quando buscar acompanhamento

    Perguntas frequentes sobre parar medicamentos por conta própria

    1. Posso parar um remédio se estou me sentindo bem?

    Não é recomendado. Muitas doenças tratadas com medicamentos são silenciosas e podem voltar a se descontrolar após a interrupção.

    2. Parar anti-hipertensivo pode causar problemas?

    Sim. A pressão pode subir novamente e, em alguns casos, ocorrer efeito rebote.

    3. Posso parar estatina quando meu colesterol melhora?

    A melhora geralmente ocorre por causa do tratamento. A decisão de suspender deve ser avaliada pelo médico.

    4. Antidepressivos podem ser interrompidos de uma vez?

    Não é o ideal. Muitos precisam de redução gradual para evitar sintomas de descontinuação.

    5. Corticoides podem ser suspensos abruptamente?

    Dependendo do tempo de uso, a retirada precisa ser gradual para evitar alterações hormonais.

    6. Se eu tiver efeitos colaterais, devo parar o remédio?

    O melhor é conversar com o médico. Muitas vezes é possível ajustar a dose ou trocar o medicamento.

    7. O que faço se já parei o remédio por conta própria?

    Informe seu médico o quanto antes para avaliar se é necessário retomar o tratamento ou fazer ajustes.

    Leia mais: Polifarmácia: por que o uso de muitos remédios merece atenção

  • Metabolismo basal: o que é, como funciona e como calcular (com valores)

    Metabolismo basal: o que é, como funciona e como calcular (com valores)

    O corpo humano precisa de uma quantidade mínima de energia para continuar funcionando todos os dias, mesmo quando a pessoa está descansando, e essa energia é conhecida como metabolismo basal.

    Ela mantém o coração batendo, a respiração acontecendo, o cérebro ativo e a temperatura do corpo estável, além de sustentar processos internos importantes, como a circulação sanguínea, o funcionamento dos órgãos e a renovação das células.

    O valor da taxa metabólica basal (TMB), também conhecida como gasto energético basal (GEB), pode variar de acordo com fatores como idade, peso e altura — e é um indicador que te ajuda a entender quantas calorias o corpo precisa para sustentar sua fisiologia básica ao longo do dia, sem contar a atividade física.

    Para que serve o metabolismo basal?

    O metabolismo basal serve para manter o corpo vivo e funcionando, garantindo a energia necessária para as funções vitais que acontecem continuamente, mesmo se você está deitado, descansando ou dormindo. Isso envolve sustentar funções como:

    • Respiração e a oxigenação do organismo;
    • Circulação do sangue e o funcionamento do coração;
    • Atividade do cérebro e dos órgãos internos;
    • Regulação da temperatura corporal;
    • Renovação das células e dos tecidos.

    A taxa metabólica basal é a principal forma de gasto de energia do corpo e costuma representar cerca de 60% a 70% de toda a energia usada ao longo do dia.

    Cerca de 10% dela é utilizada na digestão e no processamento dos alimentos, quando o organismo transforma os nutrientes em combustível. Por fim, a energia restante é usada nos movimentos do dia a dia, desde tarefas simples até a prática de atividades físicas.

    O que pode influenciar o metabolismo basal?

    O metabolismo basal pode variar bastante de uma pessoa para outra, porque vários fatores influenciam a quantidade de energia que o corpo precisa para manter as funções vitais funcionando, como:

    Fatores relacionados ao corpo

    • Tamanho do corpo: quanto maior o corpo, maior tende a ser o gasto de energia para manter todas as células funcionando;
    • Quantidade de massa muscular: o músculo consome bastante energia, então quem tem mais massa muscular costuma ter metabolismo basal mais alto;
    • Gordura corporal: o tecido adiposo também precisa de energia, mas em menor quantidade quando comparado ao músculo.

    Características individuais

    • Sexo: em geral, homens apresentam metabolismo basal mais elevado, pois costumam ter maior massa muscular e estrutura corporal maior;
    • Idade: com o envelhecimento, ocorre perda de massa muscular e mudanças hormonais, o que pode reduzir o metabolismo basal;
    • Genética e a etnia: fatores genéticos e características populacionais também influenciam, embora ainda existam estudos em andamento sobre o tema.

    Situações temporárias

    • Jejum ou alimentação insuficiente: quando a ingestão calórica é muito baixa, o corpo pode diminuir o metabolismo como forma de proteção;
    • Temperaturas muito frias ou muito quentes: o organismo precisa gastar mais energia para manter a temperatura corporal estável;
    • Hormônios da tireoide: níveis elevados aceleram o metabolismo, enquanto níveis baixos podem reduzi-lo;
    • Doenças ou lesões: nessas situações, o corpo aumenta o gasto energético para combater infecções ou reparar os tecidos;
    • Estimulantes, como cafeína ou nicotina: podem elevar temporariamente o metabolismo.

    Fases da vida

    • Crescimento: crianças e adolescentes gastam mais energia devido ao desenvolvimento do corpo;
    • Gravidez: o metabolismo aumenta para sustentar o desenvolvimento do bebê;
    • Amamentação: a produção de leite eleva o gasto energético em cerca de 15% a 25%;
    • Menopausa: alterações hormonais e redução da massa muscular costumam diminuir o metabolismo basal.

    O que é uma taxa metabólica basal normal?

    Não existe um valor considerado totalmente “normal” para a taxa metabólica basal. Cada pessoa tem um metabolismo próprio, influenciado pelos fatores que já apontamos. Por isso, os números disponíveis costumam ser apenas médias de referência:

    • Homens costumam apresentar cerca de em torno de 1.600 a 1800 calorias por dia de metabolismo basal;
    • Mulheres costumam apresentar cerca de 1.410 calorias por dia de metabolismo basal.

    Os valores podem variar conforme características individuais, incluindo fatores genéticos e populacionais.

    Também é importante lembrar que essas calorias representam apenas a energia necessária para manter as funções básicas do corpo, como respiração, circulação e funcionamento dos órgãos. Elas não incluem o gasto com digestão dos alimentos nem com atividades físicas do dia a dia ou exercícios.

    Como calcular a taxa metabólica basal?

    Uma forma simples de estimar a taxa metabólica basal é usar uma fórmula proposta pela Organização Mundial da Saúde.

    Nesse cálculo, o peso corporal em quilos é multiplicado por um número específico e, depois, soma-se um valor fixo que varia conforme a idade e o sexo. O resultado oferece uma ideia aproximada da quantidade de energia que o corpo precisa em repouso.

    Entenda mais os valores, na tabela a seguir:

    Sexo Faixa etária Fórmula da TMB
    Homens 10–18 anos (16,6 × peso em kg) + (77 × altura em m) + 572
    Homens 18–30 anos (15,4 × peso em kg) − (27 × altura em m) + 717
    Homens 30–60 anos (11,3 × peso em kg) + (16 × altura em m) + 901
    Homens Acima de 60 anos (8,8 × peso em kg) + (1128 × altura em m) − 1071
    Mulheres 10–18 anos (7,4 × peso em kg) + (482 × altura em m) + 217
    Mulheres 18–30 anos (13,3 × peso em kg) + (334 × altura em m) + 35
    Mulheres 30–60 anos (8,7 × peso em kg) − (25 × altura em m) + 865
    Mulheres Acima de 60 anos (9,2 × peso em kg) + (637 × altura em m) − 302

    Além dessa, também há a equação de Harris-Benedict (HB), uma das fórmulas mais conhecidas para estimar a taxa metabólica basal. Criada no início do século XX, ela leva em consideração o peso, a altura, a idade e o sexo da pessoa para calcular o gasto energético em repouso.

    Assim como outras fórmulas, a equação de Harris-Benedict fornece apenas um valor estimado, que pode variar de acordo com fatores individuais como composição corporal, níveis hormonais e estilo de vida.

    Por isso, se você tiver dúvidas sobre quantas calorias deve consumir por dia, o melhor é conversar com o seu médico ou nutricionista. Eles podem ajudar a calcular uma quantidade realista com base nas suas características.

    Exame de calorimetria indireta

    A calorimetria indireta é um exame clínico simples e não invasivo que mede com mais precisão a taxa metabólica basal (TMB). Diferente das fórmulas teóricas, que fazem estimativas, o exame avalia o funcionamento real do organismo naquele momento.

    Basicamente, ele se baseia na premissa de que o consumo de oxigênio (O2) e a produção de gás carbônico (CO2) são proporcionais à quantidade de energia (calorias) que o corpo está queimando para se manter vivo.

    O exame pode ser realizado em consultórios de nutrição, clínicas especializadas, centros de reabilitação ou hospitais. Durante o procedimento, a pessoa permanece em repouso, normalmente deitada ou sentada confortavelmente.

    Uma máscara ou um tipo de “capuz” é colocado para analisar o ar inspirado e expirado. A partir das informações, o aparelho calcula o gasto calórico diário com bastante precisão.

    O exame costuma ser útil principalmente para pessoas que têm dificuldade para perder ou ganhar peso, mesmo seguindo orientações alimentares baseadas em cálculos tradicionais.

    Como aumentar o metabolismo basal?

    Na prática, não existe uma forma rápida ou milagrosa de mudar o metabolismo basal, porque vários fatores que o influenciam não podem ser mudados, como genética, idade e altura.

    No entanto, alguns hábitos ajudam a melhorar o gasto energético de forma saudável, como ganhar massa muscular, já que o tecido muscular precisa de mais energia para se manter ativo. Algumas dicas podem te ajudar, como:

    • Treino de força e musculação, que ajudam a gerar tensão nos músculos e estimulam o crescimento muscular;
    • Ingestão adequada de proteínas, geralmente entre 1,6 g e 2,2 g por quilo de peso corporal, para auxiliar na reparação e no crescimento muscular;
    • Descanso e sono adequados porque o músculo cresce durante o repouso e o sono profundo favorece hormônios importantes;
    • Progressão gradual de carga com aumento de peso, repetições ou intensidade para evitar estagnação;
    • Hidratação adequada para manter a função muscular e a síntese de proteínas funcionando bem.

    Vale apontar que ter um metabolismo muito acelerado nem sempre é positivo. Algumas condições de saúde, como certos tipos de câncer, podem provocar o chamado hipermetabolismo. Alterações hormonais, como o hipertireoidismo, ou até o uso de estimulantes também podem acelerar o metabolismo e trazer riscos para a saúde.

    Em caso de dúvidas sobre o metabolismo, o peso ou a saúde geral, procure a orientação de um profissional de saúde.

    Confira: Vai começar uma dieta? Saiba por que não é uma boa ideia fazer sem acompanhamento

    Perguntas frequentes

    1. O tamanho do corpo influencia no gasto de energia?

    Sim, quanto maior o corpo, maior tende a ser o gasto de energia necessário para manter todas as células, órgãos e sistemas funcionando adequadamente. Isso acontece porque um organismo maior possui mais tecidos que precisam de energia para se manter ativos.

    2. Por que os homens geralmente têm um metabolismo mais alto?

    Em geral, homens apresentam metabolismo basal mais elevado por possuírem maior massa muscular e uma estrutura corporal maior.

    3. A gordura corporal também gasta energia?

    Sim, o tecido adiposo precisa de energia, mas em uma quantidade menor quando comparado ao músculo.

    4. Fazer dietas muito restritivas pode desacelerar o metabolismo?

    Sim, quando a ingestão calórica é muito baixa, ele entra em um “estado de alerta”, reduzindo o gasto energético (termogênese adaptativa) para economizar energia e garantir a sobrevivência. Isso leva à perda de massa muscular, que queima calorias, e resulta no famoso “efeito sanfona”.

    5. A amamentação ajuda a gastar calorias?

    Sim, a produção de leite materno exige energia do organismo e pode elevar o gasto energético diário em cerca de 15% a 25%. Isso acontece porque o corpo precisa utilizar nutrientes e calorias para produzir o leite que alimenta o bebê.

    6. Como a menopausa altera o cálculo basal?

    A queda de estrogênio na menopausa está associada à redução da massa muscular, o que diminui a taxa metabólica basal em comparação a fases anteriores da vida.

    Veja também: Dietas milagrosas ou perigosas? Conheça os danos à saúde a longo prazo

  • Cacau faz bem? Veja 7 benefícios para a saúde e como incluir na dieta

    Cacau faz bem? Veja 7 benefícios para a saúde e como incluir na dieta

    Um dos principais ingredientes do chocolate, o cacau é uma fruta com origem na América Central, cultivada principalmente em regiões de clima quente e úmido.

    Dentro do fruto ficam as sementes, conhecidas como amêndoas de cacau, que passam por processos de fermentação, secagem e torrefação antes de se transformarem nos produtos que chegam ao consumidor, como o pó de cacau e o chocolate.

    Além de aparecer em várias receitas saborosas, ele se destaca pelas propriedades antioxidantes, que podem trazer uma série de benefícios para a saúde quando o consumo é equilibrado. Entenda mais, a seguir.

    Quais os benefícios do cacau para a saúde?

    O maior destaque do cacau é a alta concentração de flavonoides, compostos antioxidantes que ajudam a combater os radicais livres e a proteger as células do organismo. Quando consumido em versões com maior teor de cacau, ele pode oferecer diversos benefícios, como:

    1. Proteção do coração

    Os antioxidantes presentes no cacau estimulam a produção de óxido nítrico, substância que ajuda a relaxar os vasos sanguíneos. Isso favorece a circulação, melhora o fluxo sanguíneo e pode contribuir para a redução da pressão arterial.

    Uma pesquisa publicada no American Heart Journal constatou que o consumo moderado de chocolate rico em cacau esteve associado a uma menor taxa de hospitalização ou morte por insuficiência cardíaca, devido às propriedades protetoras do alimento.

    2. Melhora do humor e do bem-estar

    O cacau contém triptofano, um aminoácido importante na produção de serotonina, substância associada à sensação de bem-estar, relaxamento e ao equilíbrio emocional.

    Além disso, a presença de anandamida, ligada à sensação de prazer, ajuda a explicar por que diversas pessoas sentem conforto ao comer chocolate com maior concentração de cacau.

    Para você ter uma ideia, um estudo publicado no The Journal of Nutritional Biochemistry, o chocolate com 85% de cacau contribui para reduzir emoções negativas e ainda promove mudanças positivas na microbiota intestinal. Isso sugere que o chocolate amargo pode contribuir para o bem-estar emocional, possivelmente por meio da relação entre intestino e cérebro.

    3. Ação anti-inflamatória

    Os compostos naturais do cacau, principalmente as procianidinas e catequinas, atuam diretamente na modulação da resposta imune, ajudando na redução de processos inflamatórios em todo o organismo.

    Isso é muito importante para a saúde a longo prazo, porque inflamações contínuas e silenciosas podem favorecer o aparecimento de problemas como doenças do coração, dores articulares e até alterações neurológicas.

    4. Saúde cerebral

    O aumento do fluxo sanguíneo no cérebro, favorecido pelos flavonoides presentes no cacau, pode ajudar na memória, na concentração e na capacidade de foco. Isso acontece porque uma circulação mais eficiente leva mais oxigênio e nutrientes para as células cerebrais, o que contribui para o bom funcionamento do cérebro no dia a dia.

    5. Controle do colesterol

    O consumo moderado de cacau puro pode auxiliar na elevação do HDL, conhecido como colesterol bom, ao mesmo tempo em que contribui para reduzir a oxidação do LDL, o colesterol ruim. O equilíbrio é importante para a saúde cardiovascular e para a prevenção de complicações relacionadas ao acúmulo de gordura nos vasos.

    6. Saúde da pele

    Com um alto poder antioxidante, o cacau pode ajudar a proteger a pele contra os danos causados pelos radicais livres e pela exposição ao sol (mas não substitui o protetor solar!). Os antioxidantes atuam combatendo o estresse oxidativo, que está ligado ao envelhecimento precoce e ao surgimento de manchas e perda de firmeza.

    Quando incluído na alimentação, o cacau também pode contribuir para a hidratação, a elasticidade e para uma aparência mais saudável da pele. Ah, e você também pode encontrá-lo em produtos de pele, como cremes, máscaras faciais e hidratantes.

    7. Auxílio no emagrecimento

    Produtos com muito açúcar costumam ser mais calóricos, mas o cacau em versões mais puras pode ajudar a dar maior sensação de saciedade e diminuir a vontade de comer doces.

    Quando consumido com moderação dentro de uma alimentação equilibrada, ele também pode ajudar no controle do metabolismo da glicose.

    Como incluir o cacau na alimentação diária?

    Uma vantagem do cacau é que ele é bastante versátil e pode ser consumido de várias formas, como:

    • No café da manhã: adicione uma colher de cacau em pó ao seu iogurte natural, kefir ou porção de frutas (como banana ou morango);
    • Shakes e Vitaminas: bata o cacau com leite vegetal, aveia e uma fruta para um lanche pré-treino energético;
    • Mingau de Aveia: misture o pó durante o cozimento para criar uma versão saudável de “chocolate quente” cremoso;
    • Receitas Fit: substitua o achocolatado açucarado por cacau 100% em bolos, panquecas e mousses de abacate.

    A recomendação geral é consumir cerca de 1 a 2 colheres de chá de cacau em pó por dia, ou aproximadamente 30g de chocolate amargo.

    Cacau em pó ou chocolate: qual a melhor escolha?

    Quando o assunto é saúde, o cacau em pó 100% costuma ser a melhor opção, uma vez que ele é mais puro, preserva maior quantidade de flavonoides, magnésio e fibras — e não contém açúcar ou gorduras adicionadas.

    Ainda assim, é possível incluir chocolate na rotina, desde que a escolha seja consciente e que o rótulo seja analisado com atenção. O ideal é verificar se os primeiros ingredientes da lista são “massa de cacau” ou “manteiga de cacau”, e não açúcar.

    Por fim, o consumo de chocolate ao leite e branco deve ser evitado com frequência, pois eles apresentam baixo teor de cacau e maior quantidade de açúcar e gorduras adicionadas, o que pode contribuir para ganho de peso, aumento da glicemia e maior risco de problemas metabólicos quando o consumo é regular.

    Veja também: Dietas milagrosas ou perigosas? Conheça os danos à saúde a longo prazo

    Perguntas frequentes

    1. O cacau é considerado um superalimento?

    Sim, ele é rico em flavonoides (antioxidantes), magnésio e ferro, substâncias essenciais para o combate ao envelhecimento celular e manutenção da saúde do coração.

    2. O cacau ajuda a baixar a pressão arterial?

    Sim, os antioxidantes do cacau estimulam a produção de óxido nítrico, que ajuda a relaxar os vasos sanguíneos e melhorar a circulação. Mas lembre-se que isso não substitui o uso de medicamentos e o acompanhamento médico.

    3. O cacau tem cafeína?

    Sim, mas em quantidades menores que o café. Ele contém principalmente teobromina, um estimulante mais suave e duradouro que a cafeína.

    4. Quem tem diabetes pode consumir cacau?

    Sim, o cacau puro (100%) não tem açúcar e pode até ajudar a melhorar a sensibilidade à insulina, mas deve-se evitar chocolates com açúcar.

    5. O cacau pode ser consumido no pré-treino?

    Sim, por ser estimulante e melhorar a oxigenação dos tecidos através da circulação, ele é um ótimo aliado para o desempenho físico.

    6. Cacau causa espinhas?

    Não há evidências de que o cacau puro cause acne. O culpado geralmente é o açúcar e as gorduras ruins presentes nos chocolates comuns.

    7. Grávidas podem consumir cacau?

    Sim, mas com moderação devido ao teor de cafeína e teobromina. É sempre ideal consultar o obstetra ou nutricionista.

    Confira: Importância de controlar o açúcar na infância e quais doenças previne

  • Como usar kiwi e psyllium para soltar o intestino de forma natural

    Como usar kiwi e psyllium para soltar o intestino de forma natural

    O guia da Associação Britânica de Nutricionistas e Dietistas (British Dietetic Association) incorporou novos alimentos e suplementos específicos no tratamento da prisão de ventre crônica, entre eles o kiwi e o psyllium.

    A ideia é focar em alimentos e suplementos específicos em detrimento da recomendação genérica de apenas comer mais fibras.

    As orientações foram publicadas em outubro de 2025 no Journal of Human Nutrition and Dietetics e se baseiam na avaliação de 75 estudos clínicos com alto nível de evidência. De forma geral, a análise apontou que nem toda fibra, fruta ou bebida age da mesma maneira no intestino — e que alguns alimentos podem ser mais consistentes para pessoas que convivem com constipação.

    Como o kiwi e o psyllium ajudam a soltar o intestino?

    O kiwi e o psyllium ajudam o intestino principalmente por causa do alto teor de fibras, mas cada um age de um jeito um pouco diferente.

    Psyllium

    O psyllium é uma fibra natural extraída da casca das sementes da planta Plantago ovata. Ele costuma ser vendido em pó, cápsulas ou sachês e é bastante usado como suplemento alimentar para ajudar a regular o funcionamento do intestino, principalmente em casos de prisão de ventre.

    Ao entrar em contato com a água, o psyllium forma um gel que aumenta o volume e a maciez das fezes, facilitando a passagem pelo intestino. De acordo com o guia, ele se destaca na melhora da frequência das evacuações, na consistência das fezes e na redução do esforço ao evacuar, especialmente quando o consumo é regular e acompanhado de bastante água.

    Kiwi

    O kiwi é uma fruta originária da Ásia, conhecida pela casca marrom e pela polpa verde ou amarela, com sabor levemente ácido e doce ao mesmo tempo. Ele é rico em fibras, água, vitamina C e compostos naturais que, segundo o guia, podem contribuir para melhorar o trânsito intestinal e a consistência das fezes, favorecendo evacuações mais fáceis.

    O kiwi costuma ser consumido in natura, com colher ou descascado, mas também pode entrar em saladas de frutas, vitaminas, iogurtes ou sobremesas. Além de ajudar o intestino, é uma opção nutritiva, refrescante e fácil de incluir na alimentação do dia a dia.

    E o pão de centeio?

    O pão de centeio também mostrou efeito positivo no intestino, por conter fibras solúveis e fermentáveis que ajudam a aumentar o volume das fezes e a estimular o funcionamento intestinal, o que pode facilitar a evacuação.

    Mesmo assim, os pesquisadores destacam que, nos estudos, a quantidade consumida foi relativamente alta — algo que nem sempre é fácil de manter no dia a dia da maioria das pessoas.

    Benefícios da combinação para o sistema digestivo

    Além da prisão de ventre, a combinação entre o kiwi e o psyllium pode ajudar a manter o intestino equilibrado, favorecendo a microbiota intestinal e contribuindo para uma digestão mais confortável. Entre alguns dos benefícios, vale apontar:

    • Ajuda o intestino a funcionar melhor: o psyllium absorve água e forma um gel que deixa as fezes mais macias e fáceis de eliminar. O kiwi complementa com fibras naturais que estimulam os movimentos do intestino, facilitando a evacuação;
    • Melhora a digestão das refeições: o kiwi tem uma enzima chamada actinidina, que ajuda a quebrar proteínas. Isso pode reduzir a sensação de estufamento, diminuir o peso no estômago depois de comer e favorecer a absorção dos nutrientes;
    • Favorece as bactérias boas do intestino: tanto o kiwi quanto o psyllium atuam como prebióticos, ou seja, servem de alimento para a microbiota intestinal. Isso contribui para um intestino mais equilibrado e pode ajudar a reduzir inflamações;
    • Contribui para o controle metabólico: o gel formado pelo psyllium pode retardar a absorção de açúcar e ajudar a reduzir a absorção de parte das gorduras e do colesterol, o que também beneficia a saúde digestiva e metabólica.

    Lembre-se: o consumo do kiwi e, principalmente, do psyllium deve sempre ser acompanhado de um bom consumo de água. Sem hidratação, a fibra do psyllium pode endurecer no lúmen intestinal, causando o efeito oposto (obstipação acentuada, um quadro mais crônico).

    Como incluir kiwi e psyllium na alimentação?

    O kiwi e o psyllium podem ser consumidos em diferentes momentos do dia, conforme a rotina e a preferência de cada pessoa.

    Kiwi

    O kiwi costuma entrar com facilidade no café da manhã, nos lanches ou como sobremesa após as refeições, já que é uma fruta prática e refrescante. Veja algumas dicas:

    • Corte o kiwi ao meio e consuma com colher ou leve a fruta inteira na bolsa para comer ao natural;
    • Adicione fatias de kiwi ao iogurte natural com granola ou coloque sobre torradas no café da manhã;
    • Bata o kiwi no liquidificador com couve, maçã, limão ou hortelã. Evite coar para preservar as fibras;
    • Misture o kiwi na salada de frutas junto com frutas mais doces, como manga e banana, para equilibrar o sabor;
    • Prepare sobremesas mais leves, como geleias caseiras, picolés naturais ou combinações em saladas de frutas.

    A fruta pode ser consumida com ou sem casca, desde que bem higienizada, já que a casca também contém fibras.

    Psyllium

    O psyllium pode entrar na rotina alimentar de várias formas, como misturado em água, sucos ou vitaminas, sempre consumido logo após o preparo para evitar que a mistura engrosse demais. Também pode ser adicionado ao iogurte, à aveia, a mingaus ou a receitas simples, como panquecas, pães caseiros e bolos.

    Como se trata de uma fibra concentrada, o ideal é começar com pequenas quantidades e aumentar gradualmente, sempre acompanhando com bastante água. Isso ajuda a evitar desconfortos, como gases ou sensação de estufamento, e favorece o efeito esperado no funcionamento intestinal.

    Você pode consumir o psyllium 30 minutos antes das refeições, o que ajuda na saciedade e prepara o caminho para a digestão, ou antes de dormir. Se o seu objetivo é evacuar pela manhã, tomar o suplemento com água antes de deitar permite que a fibra trabalhe no cólon durante o repouso.

    Qual a quantidade ideal por dia?

    A quantidade recomendada de kiwi e psyllium varia de acordo com a idade, o peso e o nível de constipação da pessoa. No entanto, para a maioria dos adultos saudáveis, os valores ideais para sentir o efeito laxante sem desconforto são:

    • Kiwi: ideal é consumir de 1 a 2 kiwis médios por dia, pois mais do que isso pode causar acidez estomacal ou fezes excessivamente moles. Prefira kiwis bem maduros, pois eles contêm maior atividade enzimática e são mais fáceis de digerir.
    • Psyllium: a recomendação geral é de 5g a 10g por dia (o equivalente a 1 colher de sopa rasa). Se você não tem o hábito de comer fibras, comece com apenas 1 colher de chá (2g a 3g) nos primeiros três dias. Isso dá tempo para a sua microbiota intestinal se ajustar. Não é recomendado ultrapassar 30g por dia sem orientação médica ou de um nutricionista.

    Quem deve evitar ou ter cuidado?

    Apesar de serem ingredientes naturais, a combinação de kiwi e psyllium não é recomendada para todos. Em certas condições de saúde, o aumento súbito de fibras ou a presença de enzimas específicas pode causar complicações.

    No caso do kiwi, ele deve ser evitado por pessoas com:

    • Alergia à fruta (que pode causar anafilaxia);
    • Alergia ao látex (reação cruzada);
    • Histórico de cálculos renais (devido aos oxalatos).

    Por ser uma fruta mais ácida e rica em potássio e vitamina K, o consumo do kiwi deve ser moderado em pessoas com gastrite ou refluxo, insuficiência renal ou que usam medicamentos anticoagulantes.

    Já o psyllium é uma fibra que absorve muita água e aumenta de volume no organismo, então o principal cuidado é sempre consumir com bastante líquido. Sem hidratação adequada, pode haver desconforto e até risco de obstrução. Ele deve ser evitado nas seguintes situações:

    • Pessoas com dificuldade para engolir devem ter cautela, pois o psyllium pode expandir na garganta se não for ingerido com líquido suficiente;
    • Em casos de dor abdominal intensa, vômito ou vários dias sem evacuar, o uso deve ser evitado até avaliação médica;
    • Quem usa medicamentos contínuos deve manter intervalo entre o remédio e o psyllium, já que a fibra pode interferir na absorção.

    Se durante o uso você apresentar sinais como sangue nas fezes, cólica que não passa e ausência total de gases por mais de 24 horas, interrompa o consumo e procure um médico.

    Perguntas frequentes

    1. Quantos kiwis devo comer por dia para acabar com a prisão de ventre?

    A recomendação geral é de 2 kiwis por dia, preferencialmente maduros e consumidos logo pela manhã ou após as refeições principais.

    2. Grávidas podem usar kiwi e psyllium para intestino preso?

    O kiwi é excelente e seguro na gravidez. O psyllium também costuma ser seguro, mas como o sistema digestivo da gestante sofre muitas mudanças, é importante consultar o obstetra antes de iniciar o uso.

    3. Quanto de água devo beber ao usar psyllium?

    O ideal é beber um copo de 250ml no momento do consumo e garantir uma ingestão de pelo menos 2 a 2,5 litros de água ao longo do dia.

    4. O psyllium emagrece?

    De forma indireta, sim. As fibras formam um gel no estômago que aumenta a sensação de saciedade, ajudando a controlar o apetite, além de reduzir a absorção de gorduras.

    5. O psyllium em pó é melhor que em cápsulas?

    O pó é normalmente mais eficaz para a prisão de ventre porque você consegue controlar a dosagem exata e garantir que ele seja ingerido com bastante líquido. As cápsulas exigem que você tome várias unidades para atingir a dose recomendada de fibras.

    6. Existe um limite de tempo para usar o psyllium todos os dias?

    Diferente de laxantes químicos, o psyllium pode ser usado a longo prazo como um suplemento de fibras, desde que acompanhado de hidratação adequada e dieta equilibrada.

    7. Como armazenar o psyllium para que não estrague?

    Ele deve ser guardado em um pote bem fechado, em local seco e escuro. Como ele atrai muita umidade, se o pote ficar aberto, o pó pode empelotar e perder a validade mais rápido.

  • Como comer com atenção plena? Veja 7 dicas para começar a praticar o mindful eating

    Como comer com atenção plena? Veja 7 dicas para começar a praticar o mindful eating

    Você já terminou uma refeição e percebeu que comeu rápido demais, quase sem prestar atenção no que estava comendo? Isso é mais comum do que parece, especialmente no ritmo acelerado da rotina, quando as refeições acabam acontecendo diante do celular, da televisão ou enquanto se resolve outra tarefa.

    O problema é que, quando as refeições acontecem no automático, perdemos a capacidade de identificar os sinais de fome e saciedade que o corpo nos envia — o que favorece o ganho de peso, a sensação incômoda de estufamento e até episódios de comer além do necessário, muitas vezes seguidos por culpa ou arrependimento.

    É nesse contexto que aparece o conceito de mindful eating, ou comer com atenção plena, que visa trazer mais consciência à comida e ao momento de se alimentar. Não é uma dieta restritiva nem envolve regras rígidas, mas sim uma mudança de comportamento para melhorar a relação com a comida e desacelerar o ritmo das refeições.

    A seguir, vamos te ajudar a entender como ela funciona e como começar a praticar no dia a dia.

    O que é comer com atenção plena (mindful eating)?

    O comer com atenção plena, ou mindful eating, é uma técnica baseada na meditação mindfulness. Diferente das dietas restritivas, ela não foca no que você come, mas sim em como você come.

    A ideia é desacelerar e prestar mais atenção no momento da refeição: perceber a fome de verdade, sentir o sabor e a textura dos alimentos e até notar as emoções que aparecem enquanto você come. Em vez de comer no automático, distraída com o celular ou a televisão, a proposta é se reconectar com a experiência de se alimentar.

    Mas qual o objetivo? No dia a dia, isso pode ajudar a construir uma relação mais tranquila com a comida, evitar exageros por impulso e tornar as refeições mais satisfatórias e prazerosas.

    Quais os benefícios de praticar a atenção plena ao comer?

    Ao desacelerar e prestar mais atenção no momento da refeição, fica mais fácil perceber os sinais do organismo e tornar a experiência de comer mais consciente. Entre alguns dos benefícios da prática, é possível destacar:

    • Ajuda a reconhecer com mais clareza os sinais reais de fome e de saciedade;
    • Reduz episódios de compulsão alimentar e exageros;
    • Diminui a alimentação por ansiedade, estresse ou tédio;
    • Melhora a digestão ao incentivar uma mastigação mais lenta;
    • Contribui para uma relação mais saudável e menos culposa com a comida;
    • Favorece escolhas alimentares mais conscientes;
    • Pode auxiliar no controle do peso de forma mais natural e sustentável;
    • Ajuda a identificar gatilhos emocionais ligados à alimentação.

    Como começar a praticar?

    Primeiro de tudo, criar um novo hábito pode levar tempo e paciência, mas é possível começar com pequenas mudanças no dia a dia. O mais importante é desacelerar, observar o momento da refeição e ir ajustando a rotina aos poucos.

    1. Evite distrações durante as refeições

    Quando a atenção está dividida, o cérebro não registra direito o que está sendo consumido, o que pode levar a comer mais do que o necessário, sem perceber. O ideal é criar um ambiente mais tranquilo, mesmo que por poucos minutos. Por isso, antes da refeição, lembre-se de desligar a televisão, deixar o celular de lado e evitar comer enquanto trabalha.

    2. Use os sentidos antes de começar

    Antes da primeira garfada, observe as cores do prato, sinta o aroma e repare na textura dos alimentos. Vale perceber também a temperatura e a aparência da comida. Isso desacelera o ritmo automático e prepara o corpo para a refeição. Ao envolver os sentidos, a experiência se torna mais completa e agradável.

    3. Dê pausas entre as garfadas

    O hábito de descansar os talheres sobre a mesa entre as garfadas ajuda a mastigar melhor e a comer com mais calma, além de favorecer a digestão e permitir que o cérebro perceba os sinais de saciedade no tempo adequado. A mastigação mais cuidadosa também contribui para a absorção adequada dos nutrientes.

    4. Preste atenção à fome real

    Durante a refeição, vale fazer uma pausa e se perguntar se ainda existe a fome física ou se o impulso de continuar vem apenas do hábito ou da presença de comida no prato. Isso ajuda a desenvolver uma relação mais consciente com a alimentação e a evitar o consumo automático.

    5. Identifique os ingredientes “escondidos”

    A ideia é prestar mais atenção ao sabor, ao aroma e à textura dos alimentos, em vez de comer no automático. Tente identificar pelo menos três temperos ou ingredientes presentes no prato, como o manjericão, o alho ou a crocância da cebola.

    O exercício, embora simples, ajuda a manter a mente focada na experiência da alimentação e torna a refeição mais consciente.

    6. Coma sentado e em um ambiente tranquilo

    Algumas pessoas têm o hábito de comer em pé ou andando, mas ele pode fragmentar a atenção e dificultar a digestão. Quando o corpo está relaxado, o processo digestivo tende a ocorrer de forma mais confortável.

    Mesmo em um lanche rápido, vale a pena sentar-se na mesa, organizar o espaço e usar um prato em vez de comer direto da embalagem. O cuidado cria um momento real de pausa e sinaliza para o cérebro que aquele é o momento de nutrir o corpo.

    7. Observe os sinais de saciedade

    Durante a refeição, faça pequenas pausas e perceba como o corpo está reagindo. Muitas vezes, a sensação de saciedade chega antes de o prato terminar. Aprender a reconhecer o sinal ajuda a evitar excessos na alimentação.

    Diferença entre fome física e fome emocional

    Nem sempre a vontade de comer vem da fome real, e pode ser despertada por questões como tédio, ansiedade e estresse. Antes de comer, faça uma pequena pausa e tente identificar a origem da fome.

    A fome física é uma necessidade biológica do corpo que surge gradualmente, em que você sente o estômago vazio, uma leve queda de energia e aceitaria comer qualquer refeição nutritiva, como um prato de comida ou uma fruta. Ela passa assim que você se sente satisfeito.

    A fome emocional, por outro lado, costuma surgir de repente e normalmente é bem específica: não é vontade de comida em geral, mas desejo por um chocolate, uma pizza ou um salgadinho, por exemplo.

    Ela muitas vezes aparece como uma forma de recompensa ou de fuga diante de sentimentos desconfortáveis. Nesses casos, mesmo depois de comer, pode permanecer uma sensação de vazio ou até surgir um sentimento de culpa.

    Dica: se bater a dúvida, beba um copo de água e espere 10 minutos. Se a sensação passar, era apenas sede ou um impulso emocional. Se persistir, é hora de fazer uma refeição.

    Quando procurar ajuda profissional?

    A prática do mindful eating pode ser um bom começo para melhorar o relacionamento com a comida, mas em algumas situações o acompanhamento de um profissional é importante. Vale buscar a orientação de um nutricionista ou de um psicólogo quando:

    • Você sente que perdeu o controle sobre a quantidade de comida que ingere.
    • A comida é sua única forma de lidar com sentimentos de tristeza ou estresse.
    • Você sente culpa, vergonha ou angústia profunda após as refeições.
    • Existem sinais de transtornos alimentares, como episódios frequentes de compulsão.

    O apoio profissional pode ajudar a entender a relação com a alimentação e encontrar caminhos mais saudáveis e tranquilos para se alimentar.

    Leia mais: Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Perguntas frequentes

    1. Mindful eating ajuda a emagrecer?

    O foco do comer com atenção plena não é a restrição calórica, mas a prática ajuda a identificar a saciedade real, evitando o consumo excessivo de alimentos e as “beliscadas” por impulso.

    2. Posso praticar em todas as refeições?

    O ideal é que sim, mas começar com apenas uma refeição por dia (como o café da manhã ou o jantar) já traz ótimos resultados para criar o hábito.

    3. Como saber se estou satisfeito?

    A saciedade não é uma sensação de “estômago estufado”, mas sim a ausência da fome física e a percepção de que o sabor da comida já não é tão intenso quanto na primeira garfada.

    4. O que fazer se eu tiver pouco tempo para comer?

    Mesmo em 15 minutos, você pode praticar. Foque nas 5 primeiras garfadas com total atenção, pois isso já ajuda a acalmar o sistema nervoso.

    5. Como praticar em eventos sociais ou festas?

    Nesse caso, o ideal é fazer uma pausa consciente. Antes de se servir, olhe para todas as opções, e escolha o que você realmente quer comer (em vez de pegar um pouco de tudo) e, ao conversar, evite mastigar. Mastigue primeiro, sinta o sabor e depois interaja.

    6. O mindful eating pode ajudar na saúde do intestino?

    Ao mastigar mais, você tritura as fibras e proteínas de forma eficiente, facilitando a ação das enzimas digestivas. Isso reduz a fermentação excessiva, diminuindo gases e o inchaço abdominal.

    Confira: Dieta DASH: como fazer a dieta que ajuda baixar sua pressão

  • Você sabe diferenciar carboidrato simples de complexo? 

    Você sabe diferenciar carboidrato simples de complexo? 

    Os carboidratos são a principal fonte de energia para o corpo, mas nem todos são processados da mesma forma. A maneira como o organismo digere e absorve cada tipo de carboidrato influencia diretamente os níveis de glicose no sangue, a sensação de saciedade e até o controle do peso ao longo do tempo.

    De maneira geral, os carboidratos podem ser divididos em simples e complexos, uma classificação que ajuda a entender como cada tipo age no organismo. É o que vamos esclarecer, a seguir.

    O que são carboidratos simples?

    Os carboidratos simples são tipos de carboidratos que possuem uma estrutura química menor e mais fácil de ser quebrada pelo organismo. Como consequência, eles são digeridos e absorvidos rapidamente, liberando glicose de forma quase imediata na corrente sanguínea.

    Na prática, isso significa que eles fornecem energia rápida para o corpo, mas de curta duração. Isso acontece porque eles causam picos de glicose seguidos de uma queda brusca, o que pode provocar cansaço, fome precoce e um desejo aumentado por doces.

    Alimentos ricos em carboidratos simples

    Os carboidratos simples podem ser encontrados em:

    • Açúcar refinado, açúcar mascavo, mel, balas, chocolates, sobremesas, bolos, tortas e biscoitos;
    • Refrigerantes, sucos industrializados, energéticos, chás prontos e algumas bebidas lácteas adoçadas;
    • Produtos ultraprocessados, como cereais matinais açucarados, barras doces, sobremesas prontas e diversos alimentos industrializados;
    • Farinhas brancas, como presente no pão branco, massas comuns, bolos e salgados.

    Eles também estão presentes naturalmente nas frutas e no leite. A diferença é que, nesses alimentos, vêm junto com fibras, vitaminas, minerais e outros nutrientes importantes, o que ajuda a diminuir o impacto no organismo quando o consumo é equilibrado.

    O que são carboidratos complexos?

    Os carboidratos complexos são tipos de carboidratos formados por cadeias maiores de moléculas de açúcar, o que faz com que a digestão aconteça de maneira mais lenta. Como resultado, a liberação de glicose na corrente sanguínea ocorre de forma gradual, garantindo energia mais constante ao longo do dia.

    Diferentemente dos carboidratos simples, que são absorvidos rapidamente, os carboidratos complexos costumam estar associados a alimentos ricos em fibras. As fibras ajudam a prolongar a sensação de saciedade, contribuem para o bom funcionamento do intestino e auxiliam no controle dos níveis de glicose no sangue.

    Alimentos ricos em carboidratos complexos

    Os carboidratos complexos estão presentes principalmente em alimentos como:

    • Cereais integrais, como arroz integral, aveia, quinoa, cevada, trigo integral, centeio e milho;
    • Leguminosas, como feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha e soja;
    • Tubérculos e raízes, como batata, batata-doce, mandioca, inhame e cará;
    • Pães, massas e outros produtos integrais;
    • Vegetais como abóbora, cenoura, beterraba e outros legumes.

    Quando fazem parte de uma alimentação equilibrada, eles ajudam a manter a energia mais estável ao longo do dia, aumentam a sensação de saciedade, favorecem o bom funcionamento do organismo e contribuem para uma alimentação mais nutritiva.

    Como diferenciar os dois tipos de carboidratos?

    A diferença entre os carboidratos simples e os carboidratos complexos pode ser percebida principalmente pelo tipo de alimento, pelo grau de processamento e pelos efeitos que eles provocam no organismo após o consumo. Veja algumas formas práticas de como diferenciar:

    • Observe o nível de processamento: alimentos muito industrializados, ricos em açúcar ou feitos com farinha branca refinada costumam conter carboidratos simples. Já alimentos mais naturais ou integrais tendem a fornecer carboidratos complexos;
    • Repare na cor e na textura: carboidratos complexos normalmente são mais escuros ou têm textura mais rústica, como o arroz integral, aveia e pão multigrãos. Os carboidratos simples costumam ser mais brancos, refinados ou muito macios, como o açúcar refinado, o pão francês e o arroz branco;
    • Perceba o sabor e a doçura: carboidratos simples normalmente apresentam sabor doce mais evidente, como frutas bem maduras, mel, doces e refrigerantes. Já os carboidratos complexos têm sabor mais neutro, como batata-doce, mandioca e feijão;
    • Verifique a presença de fibras: alimentos ricos em fibras, como grãos integrais, leguminosas e vegetais, tendem a conter carboidratos complexos, pois as fibras tornam a digestão mais lenta. Alimentos com pouca fibra geralmente possuem carboidratos simples;
    • Observe a resposta do organismo: carboidratos simples liberam energia rapidamente, mas a fome pode voltar mais cedo. Já os carboidratos complexos liberam energia de forma gradual, favorecendo maior saciedade e estabilidade energética.

    Por que os carboidratos simples precisam de atenção?

    O consumo de carboidratos simples impacta diretamente o metabolismo e o comportamento do corpo em relação à comida. Como são digeridos quase instantaneamente, eles podem causar picos de glicose, que, quando frequentes, podem levar à resistência à insulina e ao surgimento da diabetes tipo 2.

    O consumo frequente de produtos ricos em açúcares adicionados, como doces, bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados, também tende a contribuir para o aumento do peso corporal, já que eles costumam ter muitas calorias e pouca capacidade de promover saciedade. Com isso, a fome pode aparecer mais rápido, favorecendo o consumo excessivo ao longo do dia.

    Para completar, o consumo frequente também pode afetar o funcionamento do metabolismo. Com o tempo, isso pode favorecer o acúmulo de gordura na região abdominal, o aumento do colesterol e um maior risco de doenças cardiovasculares. Os carboidratos simples podem fazer parte de uma alimentação saudável, mas o consumo precisa ser moderado e dentro de uma rotina alimentar equilibrada.

    Como identificar o tipo de carboidrato no rótulo dos alimentos?

    Para identificar o tipo de carboidrato no rótulo dos alimentos, o primeiro passo é observar a lista de ingredientes, que aparece em ordem decrescente de quantidade.

    Quando os primeiros itens são açúcar, xarope de milho, dextrose, frutose ou farinha de trigo enriquecida, o produto tende a conter mais carboidratos simples. Já quando aparecem farinha integral, aveia ou grãos inteiros logo no início da lista, há maior presença de carboidratos complexos.

    Também vale a pena dar uma olhada na tabela nutricional, principalmente nos valores de açúcares adicionados e de fibras. Quando o produto tem muito açúcar adicionado, normalmente significa maior presença de carboidratos simples. Já uma boa quantidade de fibras costuma indicar carboidratos mais complexos, que são digeridos mais devagar e ajudam a manter a saciedade por mais tempo.

    Como substituir carboidratos simples no dia a dia?

    Para substituir os carboidratos simples por opções mais saudáveis e nutritivas no seu cotidiano, o primeiro passo é priorizar alimentos com mais fibras e menor índice glicêmico. Veja algumas trocas possíveis:

    • No café da manhã: troque o pão francês ou o pão de forma branco pelo pão 100% integral, pela aveia em flocos ou pela crepioca;
    • No almoço e no jantar: substitua o arroz branco e o macarrão tradicional pelas versões integrais, pela quinoa ou pelo arroz de couve-flor;
    • Nas raízes: prefira a batata-doce, a mandioquinha (batata-baroa) ou o inhame no lugar da batata inglesa comum;
    • Nos lanches: escolha a fruta inteira, com casca e bagaço, em vez do suco coado ou do suco de caixinha;
    • Para adoçar: utilize a estévia ou o xilitol no lugar do açúcar refinado, do açúcar mascavo ou do açúcar demerara;
    • Nas farinhas de preparo: use a farinha de amêndoas, a farinha de coco ou a farinha de aveia para substituir a farinha de trigo branca em bolos e tortas;
    • No acompanhamento: inclua leguminosas, como o feijão, a lentilha ou o grão-de-bico, que são boas fontes de carboidratos complexos e proteínas.

    Em caso de dúvidas, a orientação de um nutricionista pode ajudar a compreender melhor as necessidades do organismo, ajustar o consumo de carboidratos sem excessos e fazer escolhas mais equilibradas no dia a dia.

    Confira: Importância de controlar o açúcar na infância e quais doenças previne

    Perguntas frequentes

    1. A batata-doce é carboidrato simples ou complexo?

    É um carboidrato complexo. Ela possui baixo índice glicêmico e fibras, liberando energia aos poucos, ao contrário da batata inglesa comum, que é absorvida mais rápido.

    2. O carboidrato simples é prejudicial à saúde?

    Ele pode afetar a saúde apenas quando consumido em excesso e de fontes refinadas (açúcar, farinha branca). Em forma de frutas (frutose) ou como fonte de energia rápida para atletas, ele é útil e saudável.

    3. Pessoas com diabetes podem comer carboidratos simples?

    O ideal para pessoas com diabetes são os carboidratos complexos, que mantêm a glicemia estável. O simples só é indicado em casos de crise de hipoglicemia.

    4. Qual o melhor horário para comer carboidratos simples?

    Os melhores momentos são o pré-treino imediato (energia rápida) ou o pós-treino intenso (recuperação muscular). Evite consumi-los isoladamente antes de dormir.

    5. O que é o índice glicêmico (IG) dos carboidratos?

    O índice glicêmico é uma escala que mede a velocidade com que o açúcar de um alimento chega ao sangue. Os carboidratos simples geralmente têm IG alto, enquanto os complexos têm IG baixo ou moderado.

    6. O que são carboidratos refinados?

    São carboidratos simples que passaram por um processo industrial para remover a casca e o farelo (como a farinha branca e o açúcar). Nesse processo, eles perdem quase todas as fibras, vitaminas e minerais.

    Leia mais: ‘Dietas da moda’ x alimentação equilibrada: o que realmente funciona a longo prazo

  • 7 vacinas importantes para idosos com doenças cardíacas

    7 vacinas importantes para idosos com doenças cardíacas

    As doenças cardiovasculares (DCVs) são significativamente mais comuns em idosos, sendo a principal causa de mortalidade, com mais de 80% dos óbitos por doenças cardíacas ocorrendo em pessoas com mais de 65 anos.

    Com o avanço da idade, o corpo passa por mudanças naturais que aumentam o risco das doenças cardiovasculares, como o enrijecimento das artérias e o acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos, o que pode dificultar a circulação do sangue, aumentar a pressão arterial e sobrecarregar o coração ao longo do tempo.

    Para idosos que convivem com doenças cardíacas, além do acompanhamento médico, um dos principais cuidados é manter a carteirinha vacinal atualizada. Infecções como a gripe ou a pneumonia, por exemplo, colocam um estresse imenso sobre o sistema cardiovascular, podendo desencadear descompensações, arritmias ou até infartos.

    O que a vacinação tem a ver com a saúde cardíaca?

    A vacinação é considerada uma das principais medidas de prevenção cardiovascular em pessoas com doenças do coração.

    Quando o corpo é exposto a uma infecção, ocorre uma resposta inflamatória que pode sobrecarregar o sistema cardiovascular, aumentando a frequência cardíaca, a pressão arterial e a demanda de oxigênio pelo coração.

    Em pessoas com doenças cardíacas, o processo pode favorecer descompensações, arritmias ou até situações mais graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Para você ter uma ideia, estudos apontam que nas semanas seguintes a uma infecção viral a chance de um ataque cardíaco pode ser até seis vezes maior, principalmente em adultos mais velhos.

    As vacinas, nesse cenário, contribuem para prevenir as infecções ou reduzir a gravidade dos quadros, diminuindo o estresse sobre o coração e contribuindo para manter o coração protegido.

    Quais as vacinas necessárias para idosos com doenças cardíacas?

    As vacinas principais e prioritárias, de acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e Sociedade Europeia de Cardiologia, são:

    1. Gripe (Influenza)

    A vacinação contra a gripe é recomendada anualmente para idosos, pois o vírus Influenza sofre mutações frequentes. A dose deve ser aplicada todos os anos, de preferência antes do período de maior circulação viral. A imunização contribui para complicações respiratórias, hospitalizações e problemas cardiovasculares associados à infecção, como infarto do miocárdio.

    2. Pneumocócicas (Pneumonia)

    As vacinas pneumocócicas protegem contra infecções graves causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, como pneumonia, meningite, otite e sepse.

    Para idosos, é recomendado uma dose da vacina VPC20 (disponível nas redes públicas) ou um esquema sequencial com VPC15 (ou VPC13) seguida de VPP23 após seis a 12 meses, com possível reforço depois de cinco anos.

    3. COVID-19

    Pacientes cardíacos fazem parte do grupo de alto risco para complicações graves da COVID-19, infecção provocada pelo vírus SARS-CoV-2. Atualmente, a recomendação do Ministério da Saúde e da SBIm é que idosos com 60 anos ou mais recebam uma dose de reforço a cada seis meses.

    O intervalo é menor porque, com o tempo, a imunidade dos idosos tende a cair mais rápido, e como o vírus continua circulando com novas variantes, o reforço semestral contribui para manter níveis adequados de proteção, reduzindo o risco de formas graves da doença.

    4. Herpes zóster

    O herpes zóster é causado pela reativação do vírus da varicela, o mesmo vírus que provoca a catapora. A infecção, que pode se manifestar na vida adulta, causa uma inflamação intensa que pode comprometer vasos sanguíneos e o coração.

    A vacina é indicada a partir dos 50 anos, mesmo para quem já teve a doença. O esquema atual consiste em duas doses, com intervalo de dois meses entre elas, reduzindo o risco de novos episódios e de complicações dolorosas.

    5. Tríplice bacteriana (dTpa)

    A vacina dTpa protege contra três doenças bacterianas:

    • Difteria, que pode causar infecção grave na garganta e dificuldade respiratória;
    • Tétano, associado a ferimentos e capaz de provocar rigidez muscular intensa;
    • Coqueluche, infecção respiratória altamente contagiosa que pode ser especialmente perigosa em idosos e pessoas com doenças crônicas.

    Para idosos com esquema básico completo, recomenda-se uma dose de reforço a cada dez anos. Caso o histórico vacinal seja incompleto ou desconhecido, é importante atualizar a vacinação conforme orientação médica.

    6. Vírus Sincicial Respiratório (VSR)

    O VSR é um vírus respiratório que pode causar quadros semelhantes a um resfriado, mas que, em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, pode evoluir para bronquite, pneumonia e insuficiência respiratória. A infecção também pode descompensar doenças cardíacas e pulmonares já existentes.

    A vacina é indicada principalmente a partir dos 60 anos, especialmente para quem apresenta comorbidades, e passa a ser recomendada de rotina após os 70 anos. Normalmente, ela é administrada em dose única, contribuindo para reduzir hospitalizações e agravamentos respiratórios.

    7. Hepatite B

    A hepatite B é uma infecção viral que atinge o fígado e pode evoluir de forma silenciosa, tornando-se crônica ao longo dos anos. A inflamação crônica causada pelo vírus pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, incluindo aterosclerose e doença coronariana.

    Segundo a SBIm, a vacina é recomendada para idosos que ainda não foram imunizados. O esquema habitual é composto por três doses, aplicadas nos intervalos de 0, 1 e 6 meses, oferecendo proteção eficaz contra a infecção e suas complicações a longo prazo.

    Onde se vacinar?

    A vacinação pode ser realizada nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do SUS, onde várias vacinas são oferecidas gratuitamente, especialmente para idosos e pessoas com doenças crônicas. Também é possível se vacinar em clínicas privadas de vacinação, que costumam disponibilizar um portfólio mais amplo de imunizantes.

    Quem precisa ter atenção redobrada com a vacinação e o coração?

    Todas as pessoas devem manter a carteira de vacinação atualizada, mas alguns grupos precisam ter mais atenção, como:

    • Pessoas com insuficiência cardíaca, pois infecções podem descompensar o quadro e causar falta de ar importante;
    • Pessoas com múltiplas comorbidades, especialmente quando a doença cardíaca está associada a diabetes, hipertensão ou doença renal crônica;
    • Pacientes que já tiveram infarto ou passaram por cirurgia cardíaca, já que o coração pode ficar mais sensível a processos inflamatórios;
    • Indivíduos com doença arterial coronariana, com artérias estreitadas ou presença de stents, pois inflamações aumentam o risco de trombose;
    • Idosos, gestantes e profissionais de saúde, que costumam ser priorizados nas campanhas por apresentarem maior risco de complicações infecciosas.

    Em todos os casos, vale conversar regularmente com o médico e manter o acompanhamento, o que ajuda a evitar complicações maiores e traz mais segurança para a saúde no dia a dia.

    Confira: Como as vacinas ajudam a proteger o coração? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes

    1. Posso tomar a vacina da gripe e da COVID-19 no mesmo dia?

    Sim, a recomendação atual é que não há necessidade de intervalo. Elas podem ser aplicadas juntas, preferencialmente em braços diferentes para monitorar reações locais.

    2. As vacinas podem causar miocardite (inflamação no coração)?

    É um evento raríssimo que foi observado em algumas vacinas de tecnologia RNAm, principalmente em jovens. Para idosos cardiopatas, o risco de ter uma inflamação no coração causada pela doença (COVID-19) é infinitamente maior do que o risco da vacina.

    3. Existe idade máxima para parar de se vacinar?

    Não. Enquanto houver vida e risco de exposição, a vacinação é indicada. Idosos com mais de 80 ou 90 anos são justamente os que mais se beneficiam da proteção indireta ao coração.

    4. Pacientes com marcapasso ou stents podem tomar vacinas?

    Sim! O marcapasso é um dispositivo eletrônico e o stent é uma estrutura metálica, e nenhum dos dois sofre interferência das vacinas. A imunização é, na verdade, uma proteção para esses dispositivos, pois evita infecções graves que poderiam causar inflamação ao redor deles.

    5. Vacinas podem interagir com remédios para pressão ou colesterol?

    Não há evidências de que as vacinas cortem o efeito de estatinas, betabloqueadores ou remédios para pressão. Você deve manter sua medicação cardíaca normalmente no dia da vacinação.

    A vacina de febre amarela é segura para idosos cardiopatas? A vacinação contra febre amarela para idosos, incluindo aqueles com doenças cardíacas, deve ser avaliada individualmente por um médico. Por ser uma vacina de vírus vivo atenuado, ela exige uma avaliação rigorosa do cardiologista e do infectologista.

    6. Quais são as reações mais frequentes das vacinas em idosos cardiopatas?

    As reações costumam ser leves e duram, em geral, de 24 a 48 horas. Elas indicam que o organismo está respondendo à vacina. As mais comuns incluem dor, vermelhidão ou leve inchaço no local da aplicação, além de cansaço, dor de cabeça, dores musculares e febre baixa.

    Confira: Imunidade de rebanho: o que é e por que é importante atualizar o calendário de vacinas

  • Por que o horário do remédio importa tanto? 

    Por que o horário do remédio importa tanto? 

    Tomar um medicamento não é apenas “tomar o comprimido”. Quando o remédio é prescrito, o horário também faz parte do tratamento, e isso não é detalhe. Em muitos casos, o que mantém o tratamento funcionando bem é a regularidade.

    Respeitar o intervalo indicado ajuda a manter a ação do medicamento de forma mais constante no organismo. Já atrasos frequentes ou esquecimentos podem reduzir a eficácia e, dependendo do tipo de remédio, aumentar riscos.

    Por que o horário do remédio faz diferença?

    A maioria dos medicamentos é prescrita considerando o tempo de ação no organismo. Por isso, quando a orientação é de 8 em 8 horas, de 12 em 12 horas ou 1 vez ao dia, a ideia é manter o remédio atuando de forma contínua.

    Ao respeitar os intervalos, você tende a:

    • Manter concentração adequada no sangue;
    • Evitar picos excessivos;
    • Reduzir risco de falha terapêutica;
    • Diminuir chance de efeitos colaterais.

    Em muitas doenças crônicas, essa regularidade é especialmente importante.

    O que pode acontecer ao atrasar muitas horas?

    Isso depende do medicamento. Alguns são mais sensíveis ao atraso porque precisam de níveis mais estáveis para funcionar bem.

    1. Antibióticos

    Atrasos frequentes podem:

    • Reduzir eficácia;
    • Aumentar risco de resistência bacteriana;
    • Prolongar infecção.

    2. Remédios para pressão alta

    Esquecer pode levar a:

    • Aumento da pressão;
    • Maior risco cardiovascular;
    • Dor de cabeça ou mal-estar.

    3. Antidiabéticos e insulina

    Pode ocorrer:

    • Descontrole glicêmico;
    • Aumento da glicemia (hiperglicemia);
    • Em alguns casos, risco de complicações.

    4. Anticoagulantes

    Atrasos podem aumentar risco de:

    • Formação de coágulos;
    • AVC;
    • Trombose.

    5. Anticoncepcionais

    Esquecer ou atrasar muitas horas pode:

    • Reduzir eficácia;
    • Aumentar risco de gravidez.

    6. Antidepressivos e anticonvulsivantes

    Irregularidade pode causar:

    • Retorno de sintomas;
    • Instabilidade do humor;
    • Maior risco de crises (no caso de anticonvulsivantes).

    Todo atraso causa problema?

    Nem sempre. Um atraso pequeno (por exemplo, 1 a 2 horas) geralmente não compromete a maioria dos tratamentos. O problema costuma aparecer quando:

    • O atraso é frequente;
    • A dose é completamente esquecida;
    • O medicamento exige nível estável rigoroso.

    Ou seja, a importância varia conforme o remédio.

    O que fazer se esquecer uma dose?

    A conduta depende do medicamento, mas algumas orientações gerais ajudam a guiar a decisão.

    Se lembrar pouco tempo depois

    O ideal é tomar o remédio assim que lembrar.

    Se estiver próximo da próxima dose

    Nesse caso, o correto é pular a dose esquecida e seguir o horário normal. Não é recomendado dobrar a dose sem orientação médica.

    Em medicamentos de risco maior

    Em casos como anticoagulantes, insulina ou anticoncepcionais, pode ser necessária orientação específica.

    Se houver dúvida, o mais seguro é consultar o médico ou farmacêutico.

    Dicas práticas para não esquecer

    Algumas estratégias simples ajudam bastante na rotina:

    • Usar alarmes no celular;
    • Associar a horários fixos (ex.: após escovar os dentes);
    • Utilizar organizadores semanais de comprimidos;
    • Manter rotina regular;
    • Deixar o medicamento em local visível (com segurança).

    E se eu esqueço com frequência?

    Esquecimentos repetidos podem comprometer o tratamento. Quando isso vira um padrão, pode ser útil:

    • Simplificar o esquema terapêutico;
    • Avaliar alternativas de dose única diária;
    • Conversar com o médico sobre ajustes.

    Veja também: Remédios na gravidez: o que pode e o que não pode tomar?

    Perguntas frequentes sobre respeitar o horário do remédio

    1. Um atraso de 1 a 2 horas faz mal?

    Em geral, não compromete a maioria dos tratamentos. O problema costuma ser o atraso frequente ou a dose esquecida.

    2. Posso dobrar a dose se eu esqueci?

    Não é recomendado dobrar a dose sem orientação médica.

    3. O que eu faço se lembrar perto do horário da próxima dose?

    Em geral, a orientação é pular a dose esquecida e seguir o horário normal.

    4. Antibiótico precisa de horário certinho?

    Atrasos frequentes podem reduzir eficácia, prolongar infecção e aumentar risco de resistência bacteriana.

    5. Esquecer anti-hipertensivo pode dar sintomas?

    Pode levar a elevação da pressão e causar dor de cabeça ou mal-estar, além de aumentar risco cardiovascular.

    6. Anticoagulantes exigem mais cuidado com atraso?

    Sim. Atrasos podem aumentar risco de coágulos, AVC e trombose, e podem exigir orientação específica.

    7. Se eu esqueço muito, tem solução?

    Pode ajudar usar alarmes, organizadores e conversar com o médico para simplificar o esquema ou avaliar alternativas.

    Confira: Polifarmácia: por que o uso de muitos remédios merece atenção