Autor: Dra. Juliana Soares

  • Síndrome de Down: informação, cuidado e inclusão 

    Síndrome de Down: informação, cuidado e inclusão 

    O nascimento de uma criança com síndrome de Down costuma vir acompanhado de muitas dúvidas. O que exatamente significa esse diagnóstico? Quais serão os desafios? Como será o desenvolvimento ao longo da vida? Informações claras e baseadas em evidências são muito importantes para acolher famílias e combater preconceitos.

    A síndrome de Down é uma condição genética causada pela presença de uma cópia extra — total ou parcial — do cromossomo 21. Essa alteração, chamada trissomia 21, influencia o desenvolvimento físico e intelectual e pode estar associada a algumas condições de saúde específicas.

    No entanto, cada pessoa com síndrome de Down é única, com habilidades, características e potencial próprios.

    O que é a síndrome de Down?

    A síndrome de Down ocorre principalmente devido à trissomia do cromossomo 21, ou seja, a presença de três cromossomos 21 em vez de dois.

    Essa alteração geralmente acontece por um erro na divisão celular durante a formação do óvulo ou do espermatozoide. Na maioria dos casos:

    • Não é herdada diretamente dos pais;
    • Ocorre de forma espontânea;
    • Está associada ao aumento da idade materna, mas pode ocorrer em qualquer gestação.

    O cromossomo extra interfere no desenvolvimento do organismo desde o início da formação embrionária, afetando crescimento, sistema nervoso e diversos órgãos.

    Principais características clínicas

    As manifestações variam amplamente entre as pessoas.

    1. Características físicas

    Algumas características podem estar presentes ao nascimento:

    • Olhos amendoados com prega epicântica;
    • Ponte nasal mais achatada;
    • Baixo tônus muscular (hipotonia);
    • Estatura mais baixa;
    • Dedos curtos;
    • Prega palmar única em algumas crianças.

    Nem todas as pessoas apresentam todos esses sinais.

    2. Desenvolvimento neurológico e cognitivo

    A maioria das pessoas com síndrome de Down apresenta deficiência intelectual de grau leve a moderado.

    Pode haver:

    • Atraso no desenvolvimento motor;
    • Atraso na fala;
    • Dificuldades específicas de aprendizagem;
    • Maior tempo para aquisição de algumas habilidades.

    Com estimulação precoce, muitas crianças desenvolvem boa autonomia.

    3. Condições de saúde associadas

    Há maior risco de algumas condições médicas, como:

    • Defeitos congênitos do coração;
    • Alterações gastrointestinais;
    • Doença celíaca;
    • Hipotireoidismo;
    • Apneia obstrutiva do sono;
    • Infecções respiratórias mais frequentes;
    • Risco aumentado de leucemia na infância.

    Por isso, o acompanhamento médico regular é essencial.

    Como é feito o diagnóstico?

    Diagnóstico pré-natal

    Durante a gestação, a suspeita pode surgir por:

    • Ultrassonografia com marcadores sugestivos;
    • Testes de triagem bioquímicos maternos;
    • Teste pré-natal não invasivo (NIPT).

    A confirmação é feita por exames diagnósticos como:

    • Amniocentese;
    • Biópsia de vilosidades coriônicas;
    • Análise cromossômica fetal.

    Diagnóstico após o nascimento

    Após o parto, o diagnóstico é frequentemente suspeitado pelas características físicas e confirmado por exame de cariótipo, que demonstra a trissomia 21.

    Acompanhamento e cuidados ao longo da vida

    Não existe cura para a síndrome de Down, pois não se trata de uma doença, mas de uma condição genética.

    O acompanhamento envolve equipe multidisciplinar e pode incluir:

    • Estimulação precoce;
    • Fonoaudiologia;
    • Fisioterapia;
    • Acompanhamento cardiológico;
    • Monitoramento da tireoide;
    • Avaliação auditiva e oftalmológica regular;
    • Apoio pedagógico e inclusão escolar.

    O objetivo é promover desenvolvimento, autonomia e qualidade de vida.

    Expectativa de vida e prognóstico

    Com os avanços no diagnóstico precoce e no tratamento das condições associadas, a expectativa de vida das pessoas com síndrome de Down aumentou significativamente nas últimas décadas.

    Hoje, muitos indivíduos alcançam a vida adulta com boa qualidade de vida, inserção social e participação ativa na comunidade.

    Confira: Remédios na gravidez: o que pode e o que não pode tomar?

    Perguntas frequentes sobre síndrome de Down

    1. A síndrome de Down é uma doença?

    Não. É uma condição genética causada por alteração cromossômica.

    2. Todas as pessoas com síndrome de Down são iguais?

    Não. Existe grande variabilidade nas habilidades, personalidade e saúde.

    3. Pode ser diagnosticada antes do nascimento?

    Sim, por meio de exames de triagem e testes genéticos confirmatórios.

    4. É hereditária?

    Na maioria dos casos, não. Apenas formas raras, como translocações, podem ter componente familiar.

    5. Pessoas com síndrome de Down podem trabalhar?

    Sim. Muitas trabalham, estudam e vivem de forma independente, dependendo do nível de suporte necessário.

    6. Existe tratamento para melhorar o desenvolvimento?

    Sim. Estimulação precoce e acompanhamento multidisciplinar fazem grande diferença.

    7. A idade materna influencia o risco?

    Sim, o risco aumenta com a idade materna, mas pode ocorrer em qualquer faixa etária.

    Veja mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Rash no rosto e dor nas articulações: pode ser lúpus? Entenda mais

    Rash no rosto e dor nas articulações: pode ser lúpus? Entenda mais

    Cansaço persistente, dores nas articulações, manchas avermelhadas no rosto que pioram após exposição ao sol. Esses sintomas podem parecer isolados ou até confundidos com outras condições comuns. Mas, quando aparecem de forma recorrente e associada, podem ser sinais de uma doença autoimune chamada lúpus.

    A doença é conhecida por seu comportamento imprevisível, alternando períodos de crise e remissão, e afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva. Entender seus sinais e buscar diagnóstico precoce é fundamental para reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida.

    O que é lúpus

    O lúpus eritematoso sistêmico (LES), conhecido simplesmente como lúpus, é uma doença autoimune crônica em que o sistema imunológico passa a atacar tecidos saudáveis do próprio corpo. Essa reação provoca inflamação e pode comprometer diferentes órgãos, como pele, articulações, rins, pulmões, coração e sistema nervoso.

    O quadro é bastante variável: algumas pessoas apresentam sintomas leves e controláveis, enquanto outras podem desenvolver complicações mais graves. A doença costuma evoluir em ciclos, com períodos de crise intercalados com fases de remissão. Embora possa afetar qualquer pessoa, é mais comum em mulheres em idade reprodutiva.

    O que causa o lúpus?

    A causa exata do lúpus ainda não é completamente conhecida. Sabe-se que a doença resulta da combinação de fatores genéticos, ambientais e hormonais que levam à perda da tolerância imunológica.

    Fatores genéticos

    Certos genes relacionados à regulação do sistema imunológico aumentam o risco de desenvolver lúpus. Pessoas com familiares que têm doenças autoimunes apresentam maior predisposição.

    Fatores ambientais

    Podem atuar como gatilhos em indivíduos predispostos:

    • Exposição excessiva à luz solar;
    • Infecções;
    • Tabagismo;
    • Uso de alguns medicamentos.

    Fatores hormonais

    O fato de o lúpus ser muito mais frequente em mulheres sugere influência de hormônios como o estrogênio no desenvolvimento da doença.

    Como o lúpus afeta o corpo?

    O lúpus pode comprometer diferentes sistemas do organismo.

    Pele e mucosas

    • Rash malar (vermelhidão em “asa de borboleta” no rosto);
    • Lesões em áreas expostas ao sol;
    • Úlceras orais e nasais;
    • Queda de cabelo.

    Articulações e músculos

    • Dor e inchaço nas articulações;
    • Rigidez matinal;
    • Dor muscular.

    Rins (Nefrite lúpica)

    É uma das manifestações mais graves e pode causar:

    • Proteinúria;
    • Alterações na urina;
    • Insuficiência renal.

    Sistema nervoso

    • Cefaleia;
    • Alterações cognitivas;
    • Convulsões;
    • Alterações de humor.

    Sistema cardiovascular e pulmonar

    • Pericardite;
    • Pleurite;
    • Aumento do risco de doença cardiovascular precoce.

    Sintomas mais comuns

    Os sinais podem variar bastante, mas incluem:

    • Fadiga intensa;
    • Dor articular;
    • Febre baixa persistente;
    • Erupções cutâneas desencadeadas pelo sol;
    • Perda de peso involuntária;
    • Fenômeno de Raynaud (mudança de cor dos dedos ao frio).

    Os sintomas tendem a piorar durante crises e melhorar nos períodos de remissão.

    Como é feito o diagnóstico?

    Não existe um exame único que confirme o lúpus. O diagnóstico é feito com base na combinação de sinais clínicos e exames laboratoriais.

    Exames laboratoriais

    • Anticorpos antinucleares (ANA);
    • Anti-DNA de dupla hélice;
    • Anti-Sm;
    • Avaliação da função renal;
    • Exame de urina.

    O ANA é positivo na maioria dos casos, mas não é exclusivo do lúpus. Por isso, o diagnóstico depende da análise conjunta de sintomas e exames.

    Tratamento e acompanhamento

    O lúpus não tem cura, mas pode ser controlado.

    Medicamentos mais utilizados

    • Antimaláricos (como hidroxicloroquina);
    • Anti-inflamatórios;
    • Corticosteroides;
    • Imunossupressores;
    • Medicamentos biológicos em casos selecionados.

    Cuidados gerais

    • Uso diário de protetor solar;
    • Controle da pressão arterial e colesterol;
    • Acompanhamento regular da função renal;
    • Manutenção de hábitos saudáveis.

    O tratamento é individualizado e pode variar conforme os órgãos acometidos.

    Prognóstico

    O prognóstico depende da gravidade e do comprometimento de órgãos vitais, como rins e sistema nervoso. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, muitos pacientes conseguem manter boa qualidade de vida.

    Leia também: Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

    Perguntas frequentes sobre lúpus

    1. O lúpus é contagioso?

    Não. É uma doença autoimune e não é transmitida de pessoa para pessoa.

    2. Por que afeta mais mulheres?

    Acredita-se que hormônios femininos influenciem a resposta imunológica.

    3. É possível viver normalmente com lúpus?

    Sim. Com acompanhamento adequado, muitos pacientes mantêm rotina ativa.

    4. O lúpus causa infertilidade?

    Não diretamente. No entanto, a doença e alguns medicamentos podem exigir planejamento prévio para gravidez.

    5. Quem tem lúpus pode tomar sol?

    A exposição sem proteção não é recomendada, pois pode desencadear crises cutâneas.

    6. Toda dor nas articulações é lúpus?

    Não. Existem diversas causas para dor articular.

    7. O lúpus sempre é grave?

    Não. A gravidade varia muito entre os pacientes.

    Leia mais: Esclerodermia: como essa doença autoimune afeta o organismo

  • HTLV-1: o vírus pouco conhecido que pode causar doenças graves

    HTLV-1: o vírus pouco conhecido que pode causar doenças graves

    O HTLV-1 (vírus linfotrópico de células T humanas tipo 1) é um retrovírus que infecta principalmente os linfócitos T CD4+. Ele foi o primeiro retrovírus humano identificado e, apesar de ser menos conhecido do que o HIV, também pode causar doenças importantes.

    Milhões de pessoas no mundo vivem com o HTLV-1. No entanto, a maioria permanece assintomática ao longo da vida. Em uma pequena parcela dos casos, a infecção pode evoluir para complicações graves, como leucemia ou linfoma de células T do adulto ou uma doença neurológica chamada mielopatia associada ao HTLV-1, também conhecida como paraparesia espástica tropical.

    O que é o HTLV-1?

    O HTLV-1 é um retrovírus da família Retroviridae. Após infectar a célula, ele integra seu material genético ao DNA do hospedeiro, permanecendo no organismo por toda a vida.

    Diferente de outros vírus, sua replicação ocorre principalmente pela multiplicação das células infectadas, e não por grande produção de partículas virais livres.

    O vírus tem distribuição mundial, com maior prevalência em:

    • Japão;
    • Caribe;
    • África subsaariana;
    • América do Sul, incluindo o Brasil.

    Como ocorre a transmissão?

    A transmissão do HTLV-1 acontece por contato com células infectadas.

    1. Transmissão sexual

    É uma das principais formas de disseminação, sendo mais comum a transmissão homem-mulher.

    2. Transmissão vertical (mãe para filho)

    Ocorre principalmente por meio da amamentação prolongada. A transmissão intrauterina é menos comum.

    3. Transmissão por seringas ou sangue

    Pode ocorrer por:

    • Compartilhamento de seringas;
    • Transfusão de sangue contaminado (atualmente rara em países com triagem obrigatória).

    O vírus não é transmitido por contato casual, beijo social, abraço ou uso compartilhado de utensílios domésticos.

    Quando suspeitar da infecção?

    A infecção deve ser considerada em pessoas que apresentem:

    • Fraqueza progressiva nas pernas;
    • Rigidez muscular;
    • Alterações urinárias sem causa aparente;
    • Diagnóstico de leucemia/linfoma de células T;
    • Dermatites persistentes;
    • Histórico de parceiro(a) infectado(a);
    • Origem ou residência em área endêmica.

    O teste também faz parte da triagem de doadores de sangue e pode ser incluído no pré-natal, conforme protocolos locais.

    Quais doenças estão associadas ao HTLV-1?

    A maioria dos infectados nunca desenvolverá doença. Estima-se que cerca de 5% evoluam com manifestações clínicas ao longo da vida.

    1. Leucemia/Linfoma de células T do adulto (LLTA)

    É uma neoplasia agressiva que pode se manifestar com:

    • Aumento de linfonodos;
    • Lesões de pele;
    • Hipercalcemia;
    • Comprometimento sistêmico.

    2. Mielopatia associada ao HTLV-1 (Paraparesia espástica tropical)

    Doença inflamatória crônica da medula espinhal caracterizada por:

    • Fraqueza progressiva nas pernas;
    • Rigidez muscular (espasticidade);
    • Alterações urinárias;
    • Dor lombar.

    A evolução costuma ser lenta e progressiva.

    3. Outras manifestações associadas

    Podem incluir:

    • Uveíte;
    • Dermatite infecciosa;
    • Artrite;
    • Maior suscetibilidade a algumas infecções.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é feito por exames sorológicos que detectam anticorpos contra o HTLV-1.

    O processo geralmente inclui:

    • Teste de triagem (ELISA ou quimioluminescência);
    • Testes confirmatórios (Western blot ou PCR).

    Em casos de doença neurológica associada, podem ser solicitados:

    • Análise do líquor;
    • Exames de imagem.

    Existe tratamento?

    Não existe tratamento capaz de eliminar o vírus do organismo.

    O manejo depende da doença associada:

    • LLTA: quimioterapia e, em casos selecionados, transplante de medula óssea;
    • Mielopatia associada: tratamento sintomático e, em alguns casos, imunomoduladores;
    • Tratamento específico para complicações associadas.

    O acompanhamento médico regular é muito importante.

    Como prevenir a transmissão?

    • Uso de preservativos;
    • Triagem de sangue para transfusão;
    • Orientação sobre amamentação em mães infectadas;
    • Testagem de parceiros.

    Leia também: PrEP e PEP: o que são e como ajudam a prevenir o HIV

    Perguntas frequentes sobre HTLV-1

    1. HTLV-1 é igual ao HIV?

    Não. São vírus diferentes. O HTLV-1 não causa Aids.

    2. Toda pessoa infectada desenvolverá doença?

    Não. A maioria permanece assintomática ao longo da vida.

    3. Existe cura?

    Atualmente não há cura para o HTLV-1.

    4. Quem tem HTLV pode ter filhos?

    Sim, mas é importante receber orientação médica para reduzir o risco de transmissão.

    5. O vírus é transmitido por beijo?

    Não há evidências de transmissão por contato social casual.

    6. O HTLV-1 é comum no Brasil?

    Sim, o vírus HTLV-1 é comum no Brasil.

    7. Toda fraqueza nas pernas pode ser HTLV?

    Não. A maioria dos casos de fraqueza tem outras causas. A investigação depende do contexto clínico.

    Veja mais: HIV: o que é, como se pega e como é o tratamento hoje

  • Epilepsia em adultos: como ela se manifesta e quem está em risco

    Epilepsia em adultos: como ela se manifesta e quem está em risco

    A epilepsia é uma condição neurológica crônica marcada por crises epilépticas recorrentes, que são episódios causados por descargas elétricas anormais no cérebro. Essas crises podem se manifestar de diferentes formas: desde breves momentos de desconexão até convulsões com perda de consciência.

    Embora muitas pessoas associem a epilepsia à infância, ela pode surgir em qualquer fase da vida. Em adultos, é comum que esteja relacionada a lesões cerebrais prévias, como AVC, traumatismo craniano ou tumores. O diagnóstico correto e o tratamento adequado são fundamentais para garantir segurança, autonomia e qualidade de vida.

    O que são crises epilépticas?

    Crises epilépticas são eventos súbitos provocados por descargas elétricas excessivas e sincronizadas entre neurônios. Dependendo da área do cérebro envolvida, os sintomas podem variar bastante.

    Entre as manifestações mais comuns estão:

    • Perda de consciência ou alteração do estado de alerta;
    • Movimentos involuntários (convulsões tônico-clônicas);
    • Espasmos musculares localizados;
    • Sensações visuais, auditivas ou olfativas incomuns;
    • Sensação de déjà vu ou confusão mental;
    • Olhar fixo e ausência de resposta por alguns segundos.

    Nem toda crise envolve convulsão. Algumas podem ser discretas e difíceis de reconhecer.

    Causas e fatores de risco

    A epilepsia em adultos pode estar associada a diversas condições.

    Entre as causas mais frequentes estão:

    • Lesões estruturais cerebrais: sequelas de AVC, traumatismo craniano, tumores ou malformações;
    • Infecções do sistema nervoso central: meningite e encefalite;
    • Alterações metabólicas: hipoglicemia e distúrbios eletrolíticos;
    • Intoxicações ou abstinência alcoólica;
    • Fatores genéticos.

    Além disso, alguns fatores podem precipitar crises em pessoas predispostas:

    • Privação de sono;
    • Consumo excessivo de álcool;
    • Uso de drogas ilícitas;
    • Estresse intenso;
    • Interrupção abrupta de medicação.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico de epilepsia é essencialmente clínico, baseado na história detalhada das crises.

    A avaliação envolve:

    • Descrição minuciosa do episódio;
    • Relato de testemunhas;
    • Identificação de possíveis gatilhos;
    • Exame neurológico completo.

    Exames complementares

    Podem ser solicitados:

    • Eletroencefalograma (EEG): registra a atividade elétrica cerebral e pode mostrar padrões típicos de epilepsia;
    • Ressonância magnética (RM): identifica lesões estruturais;
    • Tomografia computadorizada (TC), em situações específicas;
    • Exames laboratoriais, quando há suspeita de causas metabólicas.

    Nem sempre o EEG mostra alterações entre as crises, o que não exclui o diagnóstico.

    Tratamento e controle das crises

    O objetivo do tratamento é controlar as crises com o menor número possível de efeitos colaterais.

    1. Medicamentos antiepilépticos

    O tratamento principal é feito com medicamentos antiepilépticos (MAEs). Alguns dos mais utilizados incluem:

    • Lamotrigina;
    • Levetiracetam;
    • Valproato;
    • Carbamazepina;
    • Fenitoína.

    Princípios importantes:

    • Iniciar com um único medicamento, sempre que possível;
    • Ajustar a dose gradualmente;
    • Associar medicamentos apenas quando necessário.

    Com tratamento adequado, grande parte dos pacientes consegue ficar livre de crises.

    2. Adesão ao tratamento

    A regularidade na tomada dos medicamentos é muito importante. Esquecer doses ou interromper o tratamento por conta própria pode desencadear novas crises.

    3. Estratégias complementares

    Além da medicação, ajudam no controle:

    • Sono regular e adequado;
    • Evitar álcool em excesso;
    • Redução do estresse;
    • Acompanhamento psicológico quando necessário.

    Em casos refratários (quando as crises não respondem aos medicamentos), pode-se avaliar:

    • Cirurgia de epilepsia;
    • Estimulação do nervo vago;
    • Outras terapias neuromodulatórias.

    É possível suspender o tratamento?

    Em alguns pacientes que permanecem sem crises por anos, pode-se considerar redução gradual da medicação. Essa decisão deve ser feita exclusivamente com acompanhamento neurológico, pois há risco de recorrência.

    Impacto na vida cotidiana

    A epilepsia pode interferir em diferentes áreas da vida, como:

    • Direção de veículos (há regras específicas conforme controle das crises);
    • Atividades de risco, como nadar sozinho ou trabalhar em altura;
    • Planejamento de gravidez;
    • Escolha de profissão.

    Com tratamento adequado, muitas pessoas levam vida plenamente ativa.

    Quando procurar atendimento de emergência?

    Procure ajuda imediata se houver:

    • Convulsão com duração maior que cinco minutos;
    • Repetição de crises sem recuperação entre elas;
    • Dificuldade respiratória;
    • Trauma importante durante a crise;
    • Primeira crise da vida.

    Leia mais: Desmaiar de calor é perigoso? Saiba por que acontece e o que fazer

    Perguntas frequentes sobre epilepsia

    1. Toda convulsão é epilepsia?

    Não. Uma única crise pode ocorrer por febre, intoxicação ou distúrbio metabólico. A epilepsia envolve tendência recorrente.

    2. É possível ficar anos sem crise?

    Sim. Muitas pessoas alcançam controle completo com tratamento adequado.

    3. Epilepsia tem cura?

    Depende da causa. Em alguns casos, especialmente quando há lesão removível, pode haver remissão completa.

    4. Medicamentos causam dependência?

    Não. Eles não causam dependência, mas não devem ser interrompidos abruptamente.

    5. Quem tem epilepsia pode trabalhar normalmente?

    Na maioria dos casos, sim, desde que as crises estejam controladas.

    6. Crises sempre envolvem convulsões?

    Não. Algumas são discretas e envolvem apenas alterações de consciência ou percepção.

    7. Gravidez é possível para mulheres com epilepsia?

    Sim. É possível, mas exige planejamento e acompanhamento médico cuidadoso.

    Confira: Desmaio: causas, o que fazer e quando procurar o médico

  • Caxumba ainda existe? Saiba como reconhecer e prevenir

    Caxumba ainda existe? Saiba como reconhecer e prevenir

    A caxumba é uma infecção viral bastante conhecida por causar inchaço no rosto, especialmente na região próxima às orelhas. Antes da vacinação em larga escala, era uma doença muito comum na infância. Hoje, graças à vacina tríplice viral, os casos diminuíram drasticamente, mas surtos ainda podem acontecer, principalmente em locais com baixa cobertura vacinal.

    Apesar de geralmente ser uma doença leve e autolimitada, a caxumba pode causar complicações, sobretudo em adolescentes e adultos. Por isso, entender como ela se transmite, quais são os sintomas e quando é preciso buscar atendimento médico é fundamental.

    O que é a caxumba?

    A caxumba é causada por um vírus da família Paramyxoviridae, do gênero Rubulavirus. Trata-se de uma infecção viral sistêmica cuja manifestação mais característica é a parotidite, ou seja, a inflamação das glândulas parótidas.

    O período de incubação varia de 12 a 25 dias (em média 16 a 18 dias). A doença geralmente começa com sintomas inespecíficos, como:

    • Febre;
    • Dor de cabeça;
    • Mal-estar;
    • Fadiga;
    • Dores musculares;
    • Perda de apetite.

    Em até 48 horas, surge o aumento doloroso das glândulas salivares, principalmente das parótidas. O inchaço pode ser:

    • Unilateral;
    • Bilateral (mais comum).

    O inchaço pode durar até 10 dias.

    Como ocorre a transmissão?

    A caxumba é altamente contagiosa e se transmite por:

    • Gotículas respiratórias (tosse, espirro ou fala);
    • Contato direto com saliva;
    • Objetos contaminados.

    O vírus começa a ser eliminado antes mesmo dos sintomas aparecerem. A pessoa pode transmitir a doença cerca de:

    • 2 dias antes do início do inchaço;
    • Até 5 dias após o surgimento da parotidite.

    Ambientes fechados e com contato próximo, como escolas, universidades e quartéis, favorecem surtos.

    Mesmo pessoas vacinadas podem adoecer, principalmente muitos anos após a vacinação. No entanto, a vacina reduz significativamente a gravidade e o risco de complicações.

    Quais são os principais sintomas?

    A manifestação clássica é a parotidite dolorosa, caracterizada por:

    • Inchaço entre a orelha e o ângulo da mandíbula;
    • Dor ao mastigar;
    • Sensibilidade local;
    • Vermelhidão no ducto da glândula dentro da boca.

    Outros achados em exames de sangue podem incluir:

    • Leucopenia com linfocitose relativa;
    • Aumento da amilase sérica.

    Cerca de 15% a 20% dos casos podem ser sem sintomas, especialmente em adultos.

    Complicações da caxumba

    Embora geralmente seja benigna, a caxumba pode causar complicações, mesmo quando o inchaço das glândulas não é evidente.

    1. Orquite

    É a complicação mais comum em homens após a puberdade, ocorrendo em 15% a 30% dos casos sintomáticos.

    Pode causar:

    • Febre alta;
    • Dor testicular intensa;
    • Inchaço e vermelhidão do escroto.

    Pode ser unilateral ou bilateral. A atrofia testicular pode ocorrer em 30% a 50% dos casos não vacinados. A infertilidade é rara, mas o risco aumenta quando há acometimento bilateral.

    2. Ooforite

    Inflamação dos ovários, ocorre em cerca de 5% das mulheres após a puberdade e pode causar:

    • Dor abdominal inferior;
    • Febre;
    • Vômitos.

    3. Complicações neurológicas

    Antes da vacinação, a caxumba era uma das principais causas de meningite viral.

    Pode causar:

    • Meningite asséptica (1% a 10% dos casos);
    • Encefalite;
    • Surdez neurossensorial.

    Na maioria das vezes, a meningite evolui de forma benigna.

    4. Outras complicações

    Mais raramente, podem ocorrer:

    • Pancreatite;
    • Miocardite;
    • Artrite;
    • Tireoidite;
    • Mastite;
    • Nefrite.

    Como é feito o diagnóstico?

    Em situações de surto, o diagnóstico pode ser clínico, baseado no quadro típico de parotidite.

    A confirmação laboratorial pode ser feita por:

    • RT-PCR para detecção do RNA viral (swab bucal);
    • Sorologia com detecção de IgM.

    O swab bucal deve ser coletado preferencialmente até o terceiro dia após o início do inchaço.

    Em pessoas vacinadas, o IgM pode ser negativo, dificultando a confirmação laboratorial.

    Casos suspeitos devem ser notificados às autoridades de saúde.

    Tratamento

    Não existe antiviral específico para caxumba. O tratamento é sintomático e envolve:

    • Analgésicos e antitérmicos;
    • Compressas frias ou mornas nas parótidas;
    • Repouso;
    • Suporte escrotal e compressas frias em casos de orquite.

    O paciente deve permanecer em isolamento respiratório por 5 dias após o início da parotidite.

    Prevenção

    A principal forma de prevenção é a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). A introdução da vacina levou a uma redução superior a 99% dos casos em diversos países.

    Alta cobertura vacinal reduz:

    • O número de casos;
    • A duração dos surtos;
    • A gravidade da doença;
    • A taxa de complicações.

    O que esperar

    O prognóstico é geralmente excelente. A maioria das pessoas se recupera completamente.

    Complicações graves são raras, especialmente em populações amplamente vacinadas. A surdez permanente é incomum, mas pode ocorrer.

    Confira: Calendário de vacinas para adultos: quais doses você não pode esquecer

    Perguntas frequentes sobre caxumba

    1. Caxumba é uma doença grave?

    Na maioria dos casos, não. É autolimitada, mas pode causar complicações em adolescentes e adultos.

    2. Quem já teve caxumba pode ter novamente?

    É raro, pois a infecção geralmente confere imunidade duradoura.

    3. A vacina protege totalmente?

    A vacina é altamente eficaz, mas não garante 100% de proteção. Ainda assim, reduz a gravidade da doença.

    4. Adultos podem ter caxumba?

    Sim. E, nessa faixa etária, o risco de complicações é maior.

    5. Caxumba pode causar infertilidade?

    É raro. O risco aumenta em casos de orquite bilateral.

    6. Quando devo procurar médico?

    Se houver dor intensa, febre alta persistente ou sinais de complicação neurológica.

    7. É preciso afastar da escola?

    Sim. Recomenda-se isolamento por 5 dias após início da parotidite.

    Veja mais: Vacinação infantil: proteção que começa cedo e dura a vida toda

  • Quais remédios podem afetar o coração? Saiba quando buscar acompanhamento

    Quais remédios podem afetar o coração? Saiba quando buscar acompanhamento

    Os remédios atuam em diferentes partes do organismo para tratar doenças, aliviar sintomas ou controlar funções do corpo. Mas, durante o processo, algumas substâncias podem interferir diretamente no sistema cardiovascular — inclusive aquelas presentes em medicamentos comuns do cotidiano.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender quais remédios podem afetar o coração, os sinais de alerta para ficar atento e como é feito o acompanhamento cardiológico nesses casos.

    Como um remédio pode afetar o coração?

    As substâncias presentes em alguns medicamentos podem alterar a pressão arterial, modificar o ritmo dos batimentos ou interferir na força com que o coração bombeia o sangue. As mudanças podem acontecer como reação indesejada do organismo ou como efeito colateral do tratamento.

    Alguns remédios atuam diretamente nos vasos sanguíneos, provocando vasoconstrição ou retenção de líquidos, fatores que favorecem aumento da pressão arterial e maior sobrecarga cardíaca. Outros podem interferir no sistema elétrico do coração, favorecendo palpitações, arritmias ou sensação de batimento irregular.

    Também existem medicamentos capazes de alterar o metabolismo de gorduras, açúcar e hormônios, o que pode aumentar o risco cardiovascular ao longo do tempo. Isso torna ainda mais necessário o acompanhamento médico regular para reduzir os riscos.

    Quais classes de medicamentos precisam de mais atenção?

    Segundo Juliana, o coração pode ser afetado por uma série de classes de medicações, que podem alterar tanto a questão do funcionamento do músculo cardíaco, da força do músculo cardíaco, quanto questões relacionadas ao ritmo dos batimentos. Isso não significa que devam ser evitados, mas sim usados com orientação adequada para reduzir riscos.

    Entre eles, a cardiologista aponta:

    1. Quimioterápicos

    Os medicamentos utilizados no tratamento do câncer podem provocar efeitos colaterais cardiovasculares. Em algumas situações, Juliana explica que pode ocorrer a chamada cardiotoxicidade induzida por quimioterapia, condição que pode prejudicar o funcionamento do coração e exigir monitoramento específico durante e após o tratamento.

    2. Imunossupressores

    Os remédios usados em doenças autoimunes e em pacientes transplantados podem alterar pressão arterial e níveis de colesterol. As alterações aumentam o risco de doenças cardiovasculares ao longo do tempo, o que justifica acompanhamento clínico regular.

    3. Antivirais

    Alguns medicamentos antivirais, como os utilizados no tratamento do HIV, podem interferir no metabolismo do colesterol. Isso pode contribuir para aumento do risco cardiovascular, especialmente quando associado a outros fatores de risco.

    4. Medicamentos psiquiátricos

    Alguns antidepressivos, especialmente tricíclicos, e certas medicações antipsicóticas podem alterar o ritmo cardíaco. Um dos efeitos possíveis é o prolongamento do intervalo QT, situação em que o coração demora mais para se recuperar eletricamente entre batimentos, o que pode favorecer arritmias potencialmente graves.

    5. Medicamentos hormonais

    O uso de esteroides anabolizantes pode aumentar a espessura do músculo cardíaco, condição conhecida como hipertrofia ventricular, além de favorecer elevação da pressão arterial e redução do colesterol considerado protetor.

    Já contraceptivos hormonais e terapias de reposição podem estimular a produção de fatores de coagulação, principalmente no fígado, o que pode elevar o risco de trombose e embolia, sobretudo em pessoas com outros fatores de risco cardiovaculares.

    Remédios comuns do dia a dia podem oferecer risco?

    A resposta é sim. De acordo com Juliana, remédios como anti-inflamatórios, corticoides e descongestionantes nasais também podem impactar a saúde cardiovascular.

    Os descongestionantes nasais, que contêm substâncias como a pseudoefedrina, podem causar vasoconstrição, que é o estreitamento dos vasos sanguíneos. Isso pode aumentar a pressão arterial, provocar palpitações e favorecer arritmias, principalmente em pessoas que já apresentam algum fator de risco.

    Os corticoides, quando usados por períodos prolongados ou em doses elevadas, podem provocar alterações como aumento da resistência à insulina, diabetes, piora do colesterol, pressão alta e ganho de peso. Tudo isso pode elevar o risco cardiovascular ao longo do tempo.

    Já os anti-inflamatórios podem levar à retenção de sal e líquidos no corpo. A situação pode elevar a pressão arterial e sobrecarregar o coração, aumentando o risco de problemas como infarto, AVC e insuficiência cardíaca, principalmente em quem já tem histórico dessas condições.

    Sinais de alerta para efeitos colaterais no coração

    Se você iniciar o uso de um medicamento e apresentar sintomas que antes não existiam, é importante ficar atento. Alguns sinais podem indicar efeitos colaterais com impacto na saúde cardiovascular, como explica Juliana:

    • Falta de ar aos esforços, principalmente se antes não ocorria;
    • Tontura ou episódios de desmaio;
    • Dor ou desconforto no peito;
    • Aumento da pressão arterial;
    • Inchaço nas pernas ou tornozelos;
    • Sensação de palpitações ou batimentos irregulares.

    Se algum dos sintomas aparecer após o início de uma medicação, procure avaliação médica para investigar a causa.

    Como é feito o acompanhamento cardiológico nesses casos

    Quando existe risco de um medicamento afetar o coração, o acompanhamento cardiológico ajuda a prevenir complicações e identificar alterações logo no início. O processo costuma começar com avaliação clínica, em que o médico analisa histórico de saúde, sintomas, uso de medicamentos e fatores de risco cardiovasculares.

    Também podem ser solicitados exames para monitorar o funcionamento do coração, como:

    • Eletrocardiograma: avalia ritmo e atividade elétrica cardíaca;
    • Ecocardiograma: mostra estrutura e força do coração;
    • Exames de sangue: verificam colesterol, glicemia e outros marcadores;
    • Mapa ou Holter: monitoram pressão arterial ou batimentos por 24 horas.

    Com base nos resultados, o médico decide se é necessário ajustar a dose do remédio, trocar a medicação ou apenas manter observação.

    Vale lembrar que toda pessoa que possui alguma condição cardiovascular deve informar o médico, independentemente da especialidade, sobre o diagnóstico e os medicamentos que utiliza. Isso é importante para evitar interações medicamentosas e o uso de substâncias que possam sobrecarregar o sistema cardiovascular.

    Juliana ainda complementa que mesmo quem não tem doença cardíaca prévia, dependendo do tipo de tratamento que vai realizar, principalmente se for prolongado ou envolver medicamentos com potencial cardiotóxico, como os quimioterápicos, também deve considerar acompanhamento cardiológico preventivo.

    Perguntas frequentes

    1. Remédios para emagrecer podem afetar o coração?

    Sim, pois muitos atuam como estimulantes. Se não forem prescritos corretamente, podem causar taquicardia e picos de hipertensão arterial.

    2. O que é cardiotoxicidade induzida por drogas?

    É o dano causado ao músculo cardíaco ou ao sistema elétrico do coração devido à exposição a certas substâncias químicas ou medicamentos.

    3. Como saber se o meu remédio está afetando meu coração?

    Fique atento a sintomas como palpitações, falta de ar incomum, inchaço nas pernas, tontura ou dor no peito.

    4. Existe algum suplemento “natural” que afete o coração?

    Sim. Suplementos à base de efedrina ou altas doses de cafeína podem provocar arritmias e crises hipertensivas em pessoas suscetíveis.

    5. Suplementos de cálcio podem ser prejudiciais?

    Quando tomados sem orientação e em doses excessivas, o cálcio pode se depositar nas paredes das artérias (calcificação), aumentando o risco de doenças coronárias. O ideal é obter cálcio via alimentação.

    6. O que é o prolongamento do intervalo QT e por que ele é citado em tantas bulas?

    O intervalo QT é o tempo que o coração leva para se recarregar eletricamente entre um batimento e outro. Muitos remédios (como certos antipsicóticos e antifúngicos) retardam o processo, o que pode desencadear uma arritmia grave e potencialmente fatal.

  • Acantose nigricans: mancha escura no pescoço pode ser sinal de alerta 

    Acantose nigricans: mancha escura no pescoço pode ser sinal de alerta 

    Manchas escuras e espessadas na região do pescoço ou das axilas costumam gerar preocupação. Muitas vezes, as pessoas acreditam que se trata apenas de sujeira ou falta de higiene. No entanto, quando a pele apresenta aspecto aveludado e mais grossa, pode estar diante de um quadro chamado acantose nigricans.

    Na maioria dos casos, essa alteração está relacionada à resistência à insulina e à obesidade. Porém, em situações mais raras, pode ser um sinal de doenças hormonais ou até de câncer. Por isso, entender suas causas e características é fundamental para saber quando investigar.

    O que é acantose nigricans

    A acantose nigricans é uma alteração cutânea caracterizada por:

    • Escurecimento da pele;
    • Espessamento;
    • Aspecto aveludado;
    • Localização predominante em áreas de dobra.

    As regiões mais acometidas são:

    • Parte posterior do pescoço;
    • Axilas;
    • Virilha;
    • Dobras sob as mamas.

    As lesões costumam ter bordas pouco definidas e podem evoluir de manchas planas para placas palpáveis.

    Principais causas

    A acantose nigricans pode ter diferentes origens.

    1. Resistência à insulina e obesidade (forma mais comum)

    É a causa mais frequente. O excesso de insulina circulante estimula receptores semelhantes ao fator de crescimento (IGF-1), o que promove a proliferação de queratinócitos e fibroblastos.

    A perda de peso e o controle glicêmico costumam levar à melhora das lesões.

    2. Distúrbios endócrinos

    Pode estar associada a:

    • Síndrome dos ovários policísticos;
    • Hipotireoidismo;
    • Acromegalia;
    • Síndrome de Cushing;
    • Doença de Addison;
    • Síndromes graves de resistência à insulina.

    3. Uso de medicamentos

    Alguns medicamentos podem desencadear o quadro, como:

    • Glicocorticoides sistêmicos;
    • Anticoncepcionais orais combinados;
    • Hormônio do crescimento;
    • Insulina injetável;
    • Ácido nicotínico;
    • Inibidores de protease;
    • Estrogênios.

    Em muitos casos, as lesões melhoram após suspensão da medicação.

    4. Forma hereditária

    Pode ocorrer como traço autossômico dominante, manifestando-se na infância.

    5. Acantose nigricans maligna

    É rara, mas pode estar associada principalmente a:

    • Adenocarcinomas gastrointestinais, especialmente gástricos;
    • Câncer de próstata, mama e ovário;
    • Mais raramente pulmão e linfoma.

    Os sinais de alerta são:

    • Início súbito;
    • Evolução rápida;
    • Prurido intenso;
    • Múltiplas queratoses seborreicas (sinal de Leser-Trélat);
    • Espessamento palmar (“tripe palms”).

    Em parte dos casos, a alteração cutânea surge antes do diagnóstico do câncer.

    6. Outras variantes

    • Forma acral, mais comum em pessoas com pele escura;
    • Forma unilateral (nevoide);
    • Forma autoimune, associada a lúpus e outras doenças autoimunes.

    Como a doença se desenvolve

    O mecanismo mais comum envolve:

    • Ativação de receptores de IGF-1 por níveis elevados de insulina;
    • Proliferação de queratinócitos e fibroblastos;
    • Espessamento da pele (epiderme);
    • Hiperqueratose.

    Na forma maligna, fatores de crescimento produzidos pelo tumor estimulam diretamente a pele.

    Quadro clínico

    As pessoas geralmente apresentam:

    • Manchas escuras e espessadas;
    • Aspecto aveludado;
    • Localização em dobras;
    • Eventual coceira.

    Em crianças, o pescoço é o local mais acometido.

    Em casos raros, pode atingir:

    • Mucosa oral;
    • Nariz;
    • Esôfago;
    • Laringe;
    • Mamilos.

    Visualmente, não é possível diferenciar apenas pela aparência as formas benignas das malignas.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é principalmente clínico. A investigação pode envolver:

    • Avaliação para resistência à insulina;
    • Dosagem de hemoglobina glicada;
    • Rastreamento para diabetes;
    • Investigação de neoplasias quando houver sinais suspeitos.

    Em casos selecionados, pode ser necessária biópsia de pele ou exames de imagem.

    Tratamento

    A acantose nigricans é um sinal clínico, não uma doença isolada. O tratamento depende da causa.

    Controle metabólico

    • Perda de peso;
    • Alimentação equilibrada;
    • Atividade física;
    • Controle glicêmico;
    • Uso de sensibilizadores à insulina, como metformina, quando indicado.

    Suspensão de medicamentos desencadeantes

    Quando a pessoa está usando remédios que podem provocar a acantose nigricans, o médico pode suspender o uso e indicar outros medicamentos.

    Tratamentos dermatológicos

    Podem melhorar o aspecto estético, mas com resultados variáveis:

    • Retinoides tópicos;
    • Lactato de amônio;
    • Análogos da vitamina D;
    • Peelings químicos;
    • Laser;
    • Dermabrasão.

    Na forma maligna, a melhora pode ocorrer após tratamento do tumor.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure atendimento se houver:

    • Escurecimento súbito e rápido da pele;
    • Lesões extensas ou com prurido;
    • Perda de peso inexplicada;
    • Suspeita de diabetes;
    • Histórico familiar de câncer.

    Confira: Diabetes MODY: o tipo raro que muita gente tem sem saber

    Perguntas frequentes sobre acantose nigricans

    1. Acantose nigricans é sujeira?

    Não. Trata-se de alteração da pele, não relacionada à higiene.

    2. Sempre indica diabetes?

    Não, mas é fortemente associada à resistência à insulina.

    3. Pode aparecer em crianças?

    Sim, especialmente em casos de obesidade ou predisposição genética.

    4. Toda acantose é câncer?

    Não. A forma maligna é rara.

    5. Clareadores resolvem?

    Não tratam a causa, apenas podem melhorar o aspecto superficial.

    6. Emagrecer melhora?

    Sim, em muitos casos a perda de peso reduz as lesões.

    7. Precisa fazer biópsia?

    Nem sempre. Geralmente o diagnóstico é clínico.

    Veja mais: Comer muito tarde pode causar diabetes? Saiba os riscos de comer perto da hora de dormir

  • 11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

    11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

    No Brasil, a incidência de infarto entre pessoas mais jovens tem aumentado. Segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), nos últimos quase vinte anos, as internações por infarto em pessoas com menos de 39 anos mais que dobraram — o que acende um alerta para a saúde cardiovascular nessa faixa etária.

    Para se ter uma ideia, entre pessoas de 35 a 39 anos, as internações subiram 93,5%, passando de 9,3 casos por 100 mil habitantes para cerca de 18. Já entre jovens de 25 a 29 anos, os registros mais que triplicaram, saindo de 1,43 caso por 100 mil habitantes para quase 5 casos por 100 mil.

    O aumento é consequência de uma combinação de fatores que envolvem mudanças no estilo de vida, maior exposição ao estresse e crescimento de condições metabólicas em idades cada vez mais precoces.

    O que pode causar infarto em jovens?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, existem causas bem estabelecidas ligadas ao estilo de vida e a fatores genéticos que ajudam a explicar o aumento dos casos de infarto em jovens.

    1. Obesidade infantil e excesso de peso precoce

    O excesso de peso desde a infância favorece a inflamação crônica, resistência à insulina, alterações do colesterol e aumento da pressão arterial. Isso acelera a formação de placas de gordura nas artérias, processo chamado aterosclerose, que hoje já aparece em adultos jovens.

    2. Sedentarismo e baixa atividade física

    Uma rotina marcada por muitas horas sentado, pouco exercício físico e ausência de movimento regular prejudica o funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos. A prática de atividade física ajuda a controlar peso, glicemia, colesterol e pressão arterial — além de reduzir a inflamação no organismo, melhorar a circulação sanguínea e favorecer o equilíbrio hormonal.

    Mesmo exercícios moderados, como caminhadas, bicicleta ou atividades funcionais algumas vezes na semana, já trazem diversos benefícios para a saúde.

    3. Diabetes tipo 2 em idade precoce

    O diagnóstico de diabetes tipo 2 em idades precoces é um fator determinante para o comprometimento da saúde do coração. A glicose elevada provoca danos progressivos nos vasos sanguíneos, favorece a inflamação e acelera a aterosclerose. Sem diagnóstico e controle adequados, o risco de eventos cardíacos pode surgir décadas antes do esperado.

    4. Estresse crônico e rotina intensa

    O estresse constante influencia a pressão arterial, o sono, a alimentação e o equilíbrio do organismo. A liberação contínua de hormônios ligados ao estresse pode aumentar a inflamação e afetar a saúde cardiovascular. Com o tempo, o coração também sente os efeitos da sobrecarga.

    5. Consumo frequente de alimentos ultraprocessados

    Os alimentos ultraprocessados, como fast food, salgadinhos, refrigerantes e produtos industrializados, costumam conter altos níveis de açúcar, gordura e sódio. O consumo frequente pode favorecer o ganho de peso, o aumento do colesterol e o desenvolvimento da diabetes — além de contribuir para inflamação vascular e formação precoce de placas de gordura nas artérias, segundo Juliana.

    6. Predisposição genética

    De acordo com Juliana, a genética é um fator determinante para o desenvolvimento de problemas cardiovasculares na juventude.

    O colesterol alto, ou hipercolesterolemia familiar, impede a remoção adequada do LDL (colesterol ruim), mantendo níveis elevados desde a infância. Jovens com a condição podem desenvolver aterosclerose acelerada e apresentar infarto antes dos 30 anos quando não há diagnóstico precoce. O histórico familiar de infarto precoce também exige maior atenção preventiva.

    7. Tabagismo e o cigarro eletrônico

    O cigarro tradicional e o eletrônico podem causar inflamação nos vasos sanguíneos e favorecer a formação de placas de gordura e coágulos. Mesmo em pessoas jovens, o tabagismo aumenta o risco de infarto e outras doenças do coração.

    8. Uso de drogas ilícitas

    De acordo com Juliana, algumas drogas, como a cocaína, podem provocar a contração das artérias do coração, elevar a pressão e causar infarto até em pessoas sem histórico cardíaco. O risco pode surgir de forma inesperada e grave.

    9. Uso de anabolizantes sem orientação médica

    Os anabolizantes podem causar o aumento do músculo cardíaco, alterar o colesterol e favorecer a formação de coágulos. Isso aumenta o risco de problemas cardíacos, inclusive o infarto em pessoas jovens.

    10. Consumo excessivo de bebidas energéticas

    As bebidas energéticas contêm grandes quantidades de cafeína e outras substâncias estimulantes, como taurina e guaraná. O consumo em excesso pode aumentar a pressão arterial, provocar arritmias e funcionar como gatilho para problemas cardíacos, principalmente quando já existe predisposição.

    11. Doenças inflamatórias e autoimunes

    As doenças inflamatórias crônicas, como a artrite reumatoide, mantêm o organismo em um estado constante de inflamação. Além de afetar as articulações ou outros órgãos, ela também pode atingir as artérias, favorecendo o desgaste da parede dos vasos e o acúmulo de gordura.

    Com o tempo, isso acelera a formação de placas e aumenta o risco de eventos cardiovasculares, como infarto ou AVC, principalmente quando não há controle adequado da doença.

    Vacinas não tem relação com aumento de casos de infarto

    Não existe uma relação de causa e efeito entre as vacinas e o aumento nos casos de infartos. Na verdade, é possível observar o oposto: o próprio vírus da COVID-19, por exemplo, é conhecido por causar inflamações severas no sistema cardiovascular, aumentando significativamente o risco de trombose e problemas cardíacos em pessoas com o vírus.

    A imunização protege contra complicações graves da doença, reduz a intensidade da resposta inflamatória causada pelo vírus e, consequentemente, diminui o risco de eventos cardiovasculares associados à infecção.

    Quando a infecção ocorre sem proteção, a inflamação sistêmica pode favorecer a formação de coágulos, elevar a pressão arterial e sobrecarregar o coração. Assim, a vacina continua sendo uma das principais medidas para a proteção da saúde, inclusive do coração.

    Sinais de infarto para ficar atento

    Os sinais de infarto em jovens podem ser sutis ou até confundidos com ansiedade, dores musculares ou problemas digestivos. Mesmo assim, alguns sintomas merecem atenção, principalmente quando surgem de forma inesperada ou persistem:

    • Sensação de aperto, peso ou queimação que pode aparecer em repouso ou durante esforço;
    • Dificuldade para respirar sem motivo claro ou após atividades leves;
    • Desconforto que pode atingir braço, costas, pescoço, mandíbula ou região do estômago;
    • Sensação de coração acelerado, irregular ou batendo mais forte que o habitual;
    • Episódios de fraqueza, sensação de desmaio ou perda momentânea da consciência;
    • Mal-estar geral acompanhado de sudorese, enjoo ou sensação estranha no corpo;
    • Cansaço intenso e frequente, em explicação aparente, especialmente quando associada a outros sintomas.

    Na presença de qualquer sinal suspeito, procure atendimento médico imediatamente.

    Quando procurar avaliação cardiológica?

    É recomendável buscar avaliação se existe histórico familiar de infarto precoce, colesterol alto, pressão elevada, diabetes ou doenças cardíacas. Pessoas que fumam, utilizam anabolizantes, consomem energéticos com frequência ou levam uma rotina muito estressante podem se beneficiar do acompanhamento preventivo.

    Pessoas que pretendem iniciar uma rotina de atividades físicas ou desejam fazer um check-up cardiovascular também podem procurar o cardiologista.

    Vale ressaltar que a avaliação cardiológica não deve acontecer apenas quando surgem sintomas intensos. O acompanhamento preventivo ajuda a identificar fatores de risco precocemente e evita complicações no futuro — ainda mais em jovens com condições que aumentam o risco cardiovascular.

    Como reduzir o risco de infarto ainda jovem?

    A prevenção de infarto e outros problemas do coração envolve uma série de mudanças na rotina, que podem melhorar a qualidade de vida ao longo do tempo:

    • Manter uma alimentação equilibrada: priorizar frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras, reduzindo alimentos ultraprocessados, excesso de sal, açúcar e gordura;
    • Praticar atividade física regularmente: caminhar, pedalar, nadar ou fazer exercícios de força ajuda a controlar peso, pressão, colesterol e glicose;
    • Evitar o tabagismo: cigarro tradicional ou eletrônico aumenta o risco cardiovascular mesmo em pessoas jovens;
    • Controlar o estresse: descanso adequado, lazer, sono de qualidade e técnicas de relaxamento ajudam a reduzir o impacto do estresse no coração;
    • Acompanhar o peso corporal: manter o peso saudável diminui o risco de diabetes, hipertensão e colesterol alto;
    • Monitorar pressão, colesterol e glicemia: exames periódicos ajudam a identificar alterações precocemente;
    • Evitar o uso de anabolizantes e drogas: essas substâncias podem provocar alterações cardíacas importantes;
    • Consumir álcool com moderação: o excesso pode elevar pressão arterial e prejudicar o coração;
    • Dormir bem: noites mal dormidas aumentam inflamação, estresse e risco cardiovascular;
    • Realizar acompanhamento médico regular: check-ups ajudam a prevenir, diagnosticar e tratar fatores de risco antes que evoluam.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Perguntas frequentes

    1. Por que o infarto em jovens é considerado mais perigoso?

    Muitas vezes é mais fatal porque o jovem ainda não desenvolveu a chamada circulação colateral — pequenos vasos que o corpo cria ao longo de décadas para compensar artérias parcialmente obstruídas. Quando ocorre o entupimento súbito, o dano ao músculo cardíaco é imediato e extenso.

    2. O estresse do trabalho pode causar infarto em quem é saudável?

    O estresse crônico eleva os níveis de cortisol e adrenalina, o que aumenta a pressão arterial e a frequência cardíaca. Em pessoas com predisposição ou pequenas placas de gordura ignoradas, o estresse pode ser o gatilho para a ruptura das placas.

    3. Como diferenciar um ataque de ansiedade de um infarto?

    No infarto, a dor costuma ser uma pressão que não muda com a respiração. Na ansiedade, é comum a sensação de formigamento nas mãos e lábios. Na dúvida, é importante procurar um pronto-socorro. O eletrocardiograma é o único exame que dá a certeza.

    4. O uso de anticoncepcionais aumenta o risco cardíaco?

    Em mulheres jovens que fumam, a combinação de anticoncepcional e tabagismo aumenta significativamente o risco de trombose e infarto, devido à alteração na coagulação sanguínea.

    5. É possível ter um “infarto silencioso”?

    Sim. No infarto silencioso, o paciente não sente a dor clássica, apenas um mal-estar vago ou cansaço súbito. Muitas vezes o jovem só descobre que enfartou semanas depois, ao fazer um eletrocardiograma de rotina que mostra a cicatriz no músculo.

    6. O que é a “síndrome do coração partido”? Ela atinge jovens?

    Chamada de Cardiomiopatia de Takotsubo, a condição é um enfraquecimento súbito do músculo cardíaco causado por um estresse emocional extremo (término de namoro, luto, perda de emprego). Os sintomas imitam um infarto e podem ocorrer em jovens, especialmente mulheres.

    7. O uso crônico de anti-inflamatórios aumenta o risco?

    O uso frequente e sem controle médico de alguns anti-inflamatórios não esteroides (como ibuprofeno ou diclofenaco) pode elevar a pressão arterial e aumentar levemente o risco de eventos trombóticos em pessoas predispostas.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

  • O que fazer para aumentar (ou melhorar) o colesterol bom?

    O que fazer para aumentar (ou melhorar) o colesterol bom?

    Conhecido como colesterol bom, o HDL é uma lipoproteína de alta densidade que atua diretamente na proteção do coração e dos vasos sanguíneos.

    Diferente do colesterol ruim, que tende a se acumular nas artérias, o HDL atua na remoção do excesso de gordura da circulação, ajudando a manter o equilíbrio do colesterol no organismo.

    Quando os níveis de HDL estão baixos ou sua função está comprometida, o risco cardiovascular aumenta, mesmo que outros exames pareçam controlados. Mas como é possível aumentá-los? Vamos entender mais, a seguir.

    Qual o papel do colesterol HDL no coração?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, a principal função do HDL é realizar a limpeza do sistema circulatório.

    O HDL remove o excesso de colesterol ruim (LDL) das artérias e transporta a gordura de volta para o fígado. No fígado, o colesterol pode ser eliminado ou reaproveitado pelo organismo, o que é chamado de transporte reverso de colesterol.

    Além disso, o HDL apresenta propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e antitrombóticas, que contribuem para a preservação da saúde da camada interna dos vasos sanguíneos, reduzindo o risco de inflamação e da formação de placas de gordura nas artérias.

    Quais hábitos podem ajudar a aumentar o colesterol bom?

    Mesmo mudanças simples na rotina ajudam o colesterol HDL a desempenhar melhor o papel de proteção cardiovascular, como:

    Alimentação saudável

    Uma alimentação balanceada, com redução de carboidratos refinados, açúcares e gorduras hidrogenadas, como as gorduras trans, contribui para um perfil lipídico mais saudável e favorece o funcionamento adequado do HDL.

    O ideal é priorizar alimentos in natura, como frutas, legumes, verduras, grãos integrais e proteínas magras.

    Consumo de gorduras boas

    O aumento da ingestão de gorduras de boa qualidade auxilia na composição da lipoproteína e reforça a capacidade de remoção do colesterol ruim da circulação.

    O recomendado é incluir na rotina fontes de ômega 3, como peixes de águas frias, sementes de linhaça e chia, além do uso regular de azeite de oliva extra-virgem.

    As oleaginosas, como castanhas e nozes, também contribuem para a elevação do HDL e para a melhora da função cardiovascular, desde que consumidas com moderação, devido ao alto valor calórico.

    Prática regular de atividade física

    A atividade física regular, especialmente exercícios aeróbicos, é uma das melhores medidas para elevar o HDL. Além de aumentar os níveis, o exercício melhora a eficiência funcional do colesterol bom, potencializando a proteção das artérias.

    A Organização Mundial da Saúde recomenda a prática de, no mínimo, 150 minutos semanais de atividade física aeróbica de intensidade moderada ou 75 minutos de intensidade mais elevada.

    Perda de peso e redução da gordura abdominal

    Em situações de sobrepeso ou obesidade, a perda de peso contribui de maneira significativa para a melhora do perfil lipídico.

    A redução da gordura abdominal está associada ao aumento do HDL e à diminuição do colesterol ruim, reforçando a importância do controle do peso por meio de alimentação adequada e atividade física regular.

    Parar de fumar

    O tabagismo reduz os níveis de HDL e compromete a função da lipoproteína. Além de diminuir o colesterol bom, fumar favorece processos inflamatórios e altera a formação de placas de gordura nas artérias.

    Parar de fumar é uma das medidas mais importantes para a melhora do HDL e para a proteção da saúde cardiovascular.

    O uso de remédios consegue aumentar o colesterol HDL?

    Alguns medicamentos, como a niacina e os fibratos, conseguem aumentar um pouco os níveis de colesterol bom. No entanto, pesquisas mostram que o aumento nem sempre significa mais proteção para o coração.

    Segundo Juliana, o HDL elevado por medicação não reduz o risco de infarto na mesma proporção que o HDL aumentado naturalmente por mudanças no estilo de vida, especialmente com exercício físico regular.

    O foco do tratamento medicamentoso do colesterol continua sendo a redução do LDL, principalmente com o uso de estatinas, sempre com orientação médica.

    Consumo de álcool ainda é indicado para elevar o HDL?

    Não existe recomendação médica para o consumo de álcool com o objetivo de aumentar o HDL, de acordo com Juliana. Na verdade, os riscos associados ao uso de álcool, como doenças hepáticas, câncer e dependência, superam qualquer possível benefício para o coração.

    Hoje, a melhor forma de proteger o coração é através de uma alimentação saudável, atividades físicas regulares e hábitos saudáveis de vida.

    HDL alto nem sempre significa proteção cardiovascular

    Níveis muito altos de colesterol bom nem sempre garantem proteção cardiovascular e, em situações extremas, podem até ser prejudiciais.

    Em algumas pessoas, especialmente na presença de fatores genéticos ou de doenças inflamatórias crônicas, o HDL pode estar alto no exame, mas não funcionar de forma adequada. Nesses casos, ocorre o chamado HDL disfuncional, que perde a capacidade de remover o colesterol ruim das artérias.

    Com isso, mesmo com números altos no exame, a proteção cardiovascular pode ser menor do que o esperado.

    Quais os valores de referência para o colesterol bom?

    Os valores de referência para o colesterol bom são:

    • HDL acima de 40 mg/dL para homens;
    • HDL acima de 50 mg/dL para mulheres.

    Vale lembrar que o resultado do HDL deve ser analisado por um médico junto com outros exames, como LDL, triglicerídeos e colesterol total, além de fatores como alimentação, atividade física, peso corporal e hábito de fumar.

    Quando analisado sozinho, ele não é capaz de indicar o risco cardiovascular.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

    Perguntas frequentes

    1. O que significa a sigla HDL?

    A sigla HDL significa High-Density Lipoprotein (Lipoproteína de Alta Densidade). Ela é chamada de “colesterol bom” porque sua principal função é o transporte reverso: recolher o excesso de gordura das artérias e levá-lo ao fígado para ser eliminado.

    2. O que causa o HDL baixo?

    Os principais fatores responsáveis pelo HDL baixo são o sedentarismo, o tabagismo, o excesso de peso, o consumo excessivo de carboidratos refinados e fatores genéticos.

    3. O HDL baixo em mulheres após a menopausa é comum?

    Sim, pois o estrogênio ajuda a manter os níveis de HDL. Com a queda da hormônio na menopausa, o HDL tende a diminuir e o LDL a subir, o que explica o aumento do risco cardíaco feminino nessa fase da vida.

    4. Qual o exame que mede o HDL?

    É o lipidograma completo, feito através de um exame de sangue comum. Atualmente, o jejum prolongado nem sempre é obrigatório, mas deve-se seguir a recomendação do laboratório e do médico.

    5. O consumo de fibras solúveis ajuda o HDL?

    De forma indireta, sim. As fibras solúveis (como as da aveia e do psyllium) ajudam a reduzir o LDL e os triglicérides. Ao baixar os triglicérides, o ambiente metabólico favorece que as partículas de HDL durem mais tempo na corrente sanguínea.

    6. O uso de esteroides anabolizantes afeta o HDL?

    Sim, e muito! O uso de testosterona em doses suprafisiológicas ou outros anabolizantes é uma das causas mais comuns de queda drástica do HDL (muitas vezes chegando a níveis abaixo de 10 mg/dL). Isso aumenta o risco de aterosclerose, infarto e AVC, inclusive em jovens.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

  • Vinho faz bem ao coração? O que a ciência diz hoje em dia

    Vinho faz bem ao coração? O que a ciência diz hoje em dia

    Você já ouviu falar no mito da taça protetora? Ele consiste na ideia de que o consumo moderado e diário de álcool traria benefícios cardiovasculares significativos, ajudando a proteger contra doenças cardíacas.

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, ela ganhou força a partir de uma situação histórica chamada paradoxo francês, em que se observou uma menor incidência de doenças cardiovasculares na população francesa, apesar de uma alimentação rica em gorduras, como queijos, e do consumo frequente de vinho.

    Na época, levantou-se a hipótese de que o vinho tinto teria um efeito protetor sobre o coração, quando, na realidade, os fatores de vida tiveram uma influência muito maior no resultado. Vamos entender mais, a seguir.

    O que a ciência diz sobre o consumo de álcool para a saúde cardiovascular?

    Mesmo em pequenas quantidades, pesquisas apontam que o consumo de álcool está associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, incluindo insuficiência cardíaca, fibrilação atrial e cardiomiopatia alcoólica.

    De acordo com um estudo publicado na JAMA Network Open, com dados de mais de 370 mil pessoas do Reino Unido, os aparentes benefícios observados em alguns grupos estavam mais ligados a hábitos saudáveis, como melhor alimentação e prática de exercícios, e não ao álcool em si.

    Já um relatório da Associação Americana do Coração (AHA) aponta que o consumo elevado e contínuo de álcool por vários anos pode provocar alterações na estrutura do coração, comprometendo seu funcionamento e aumentando o risco de problemas cardiovasculares.

    O documento também aponta que algumas pessoas podem apresentar sinais iniciais de prejuízo cardíaco mesmo com consumo considerado baixo, como poucas doses por semana.

    Isso sugere que a resposta ao álcool varia bastante entre os indivíduos, e que nem sempre quantidades menores significam ausência de risco.

    Como o álcool afeta o coração?

    Quando o álcool é ingerido, ele é rapidamente absorvido pelo sangue e chega ao coração em poucos minutos.

    Nesse momento, pode causar mudanças temporárias, como aumento dos batimentos e variações na pressão arterial. Algumas pessoas percebem palpitações ou sensação de coração acelerado, principalmente após beber mais do que o habitual.

    Com o consumo frequente, o álcool pode aumentar a pressão arterial de forma persistente, um dos principais fatores de risco para doenças do coração. Ele também pode alterar o ritmo cardíaco, favorecendo arritmias, que são batimentos irregulares e podem trazer sintomas como cansaço, tontura ou falta de ar.

    Para completar, o consumo excessivo ao longo do tempo pode enfraquecer o músculo do coração, dificultando o bombeamento adequado do sangue, situação que pode evoluir para insuficiência cardíaca.

    Riscos do álcool para a saúde do coração a longo prazo

    O metabolismo do álcool no organismo pode aumentar o risco de diversas alterações cardiovasculares, como Juliana aponta:

    • Arritmias cardíacas, como a fibrilação atrial, especialmente após consumo elevado ocasional, situação conhecida como síndrome do coração de feriado;
    • Elevação da pressão arterial no consumo crônico, apesar de possível queda momentânea após ingestão aguda;
    • Toxicidade direta sobre o músculo cardíaco, podendo levar à cardiomiopatia alcoólica e à insuficiência cardíaca.

    Por que os possíveis benefícios do vinho não superam os riscos?

    Segundo Juliana, o vinho tinto realmente contém resveratrol, uma substância com propriedades antioxidantes. No entanto, a quantidade presente em uma taça é muito pequena. Para atingir uma dose considerada potencialmente protetora, seria necessário consumir grandes quantidades de álcool.

    Nesse cenário, os efeitos nocivos do álcool superariam amplamente qualquer possível benefício do resveratrol.

    Existe alguma quantidade considerada segura?

    Atualmente, não existe uma quantidade de álcool considerada totalmente segura para a saúde, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Mesmo pequenas doses podem trazer algum risco ao longo do tempo, principalmente para o coração e para a saúde geral.

    Por isso, a orientação atual é simples: quem não bebe não precisa começar achando que vai proteger o coração.

    Para quem já consome, Juliana explica que são orientados limites considerados de menor risco: até uma dose por dia para mulheres e até duas para homens, com dias sem consumo ao longo da semana.

    Ainda assim, pessoas com doenças cardiovasculares, como arritmias, insuficiência cardíaca ou pressão alta, devem preferencialmente suspender o consumo.

    Veja também: Uso nocivo de álcool: 10 sinais de alerta e como a família pode ajudar

    Perguntas frequentes

    1. O álcool não ajuda a aumentar o “colesterol bom” (HDL)?

    Antes, acreditava-se que sim. No entanto, estudos recentes mostram que o aumento do HDL provocado pelo álcool não se traduz em uma redução real no risco de infarto ou doenças cardiovasculares.

    2. Se eu quero os benefícios do resveratrol sem o álcool, o que devo fazer?

    O melhor caminho é consumir uvas escuras in natura, suco de uva integral (sem açúcar) ou suplementação específica, onde você obtém o fitonutriente sem os efeitos tóxicos do etanol.

    3. O álcool causa gordura no coração?

    O consumo excessivo contribui para a gordura no fígado (esteatose), mas também pode enfraquecer o músculo cardíaco, levando a uma condição chamada cardiomiopatia alcoólica, onde o coração fica dilatado e sem força.

    4. Mulheres e homens têm os mesmos riscos?

    Mulheres costumam ser mais sensíveis ao álcool devido à menor quantidade de água no corpo e enzimas de metabolização. Por isso, os riscos cardíacos e de outras doenças podem aparecer mais cedo ou com doses menores em mulheres.

    5. O álcool interfere nos medicamentos para o coração?

    Sim, ele pode potencializar o efeito de remédios para pressão ou interagir negativamente com anticoagulantes, aumentando o risco de hemorragias ou reduzindo a eficácia do tratamento.

    6. O “vinho artesanal” ou “orgânico” é menos prejudicial ao coração?

    Não. Embora possam ter menos agrotóxicos ou conservantes, o componente que causa dano ao coração e aos vasos sanguíneos é o etanol, que é exatamente o mesmo em vinhos caros, baratos, orgânicos ou industriais.

    7. Beber muita água enquanto bebe álcool protege o coração?

    A água ajuda a evitar a desidratação e a ressaca (dor de cabeça), mas não protege o coração ou o fígado dos efeitos tóxicos do etanol. O dano celular ocorre independentemente do nível de hidratação.

    Confira: Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade