Autor: Dra. Andreia Sapienza

  • Laqueadura tubária: o que você precisa saber antes de optar pelo método definitivo 

    Laqueadura tubária: o que você precisa saber antes de optar pelo método definitivo 

    A laqueadura tubária é um dos métodos contraceptivos mais conhecidos e procurados pelas mulheres. Durante muito tempo foi considerada definitiva, já que o procedimento interrompe a passagem dos óvulos pelas tubas uterinas e impede a fecundação. Apesar da alta eficácia, relatos de falhas e casos de gravidez após a cirurgia ainda levantam dúvidas e geram desconfiança sobre sua real segurança.

    É justamente nesse ponto que a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza faz um alerta: “Nenhum método é 100% eficaz. Nem a laqueadura, nem a vasectomia”. Nesta reportagem, a especialista esclarece os principais pontos sobre o tema, explicando quais são as técnicas mais usadas, as diferenças em relação ao passado e os riscos associados.

    Laqueadura é 100% eficaz?

    Segundo a ginecologista, é importante desfazer um mito bastante difundido: nenhum método contraceptivo é absolutamente infalível. “Existem casos que são raros, anedóticos, mas acontecem. É a mesma coisa que engravidar com o DIU bem colocado: é incomum, mas não impossível”, explica.

    Na prática, isso significa que, embora a laqueadura apresente uma eficácia muito alta, ainda há pequenas chances de falha. Esses casos estão geralmente associados ao fenômeno da recanalização espontânea das tubas uterinas, quando, após o procedimento, o organismo cria uma nova passagem que permite a comunicação entre os óvulos e o útero. Esse processo é raro, mas documentado em diferentes estudos.

    Além da recanalização, falhas também podem ocorrer quando a técnica não é executada de forma adequada, reforçando a importância de que o procedimento seja feito por profissionais experientes e com técnicas seguras. Ainda assim, o consenso médico é claro: a laqueadura continua sendo uma das opções mais eficazes entre os métodos contraceptivos disponíveis.

    Técnicas mais comuns de laqueadura

    A laqueadura pode ser feita em diferentes momentos: isoladamente, como uma cirurgia eletiva, ou em associação ao parto, seja cesariana, seja logo após um parto normal. Nesses casos, aproveita-se a condição em que o útero ainda está aumentado para facilitar o acesso às tubas.

    Entre as principais técnicas, estão:

    • Pomeroy (clássica): corte, amarração e cauterização da tuba uterina. É altamente eficaz, mas pode comprometer um pequeno vaso sanguíneo próximo, alterando a irrigação do ovário;
    • Técnicas que preservam a irrigação: em vez de cortar junto com o vaso, isolam apenas a tuba uterina. Têm ligeiramente maior chance de recanalização, mas menor impacto hormonal;
    • Periumbilical: indicada para pacientes que tiveram parto normal. É feita por uma pequena incisão no umbigo, para acessar e interromper as tubas;
    • Vaginal (fimbrectomia): realizada cerca de 45 dias após o parto vaginal, quando o útero já voltou ao tamanho normal. A ponta final da tuba é cortada e amarrada.

    Nas diferentes técnicas de laqueadura, a escolha do método está diretamente ligada ao tipo de parto realizado e ao momento em que a cirurgia será feita. “Em termos de eficácia, todas são muito parecidas”, explica Andreia.

    Impacto no ciclo menstrual

    Um ponto importante levantado pela médica é que a técnica clássica, ao cortar o vaso sanguíneo que acompanha a tuba, pode alterar a irrigação do ovário. Isso não compromete totalmente o fornecimento de sangue, já que há outro vaso responsável, mas pode modificar a produção hormonal.

    “É frequente em mulheres que fizeram laqueadura ter um certo aumento do fluxo menstrual ou irregularidade do ciclo. Isso acontece por conta da alteração na irrigação do ovário”, destaca. Esse efeito, no entanto, não é regra e pode variar bastante de paciente para paciente.

    Gravidez após laqueadura: por que acontece?

    Apesar de ser um método altamente eficaz, com taxa de falha estimada em menos de 1%, a gravidez após laqueadura é possível. O principal motivo é a recanalização tubária, quando os fragmentos da tuba encontram uma forma de se reconectar.

    Essa possibilidade é rara, mas explica casos de mulheres que engravidam anos após o procedimento. Além disso, se a técnica for mal executada ou se a paciente tiver condições anatômicas específicas, o risco pode aumentar.

    Quando a laqueadura é indicada

    A laqueadura é considerada uma forma de contracepção definitiva e, por isso, só deve ser indicada em situações bem avaliadas. No Brasil, a legislação estabelece critérios:

    • A idade mínima para laqueadura voluntária passou de 25 para 21 anos;
    • Pessoas com capacidade civil plena precisam ter pelo menos 21 anos, ou então pelo menos 2 filhos vivos, para poderem solicitar o procedimento;
    • Não é mais exigido o consentimento do cônjuge, algo que era necessário antes da lei ser alterada;
    • No caso de laqueadura no momento do parto, é necessário manifestar a vontade com antecedência mínima de 60 dias.

    Segundo Andreia, o ideal é que a laqueadura seja feita quando há clareza na decisão, afinal, com tantas opções de métodos de longa duração e reversíveis, como DIU e implantes, a laqueadura é menos usada atualmente.

    Alternativas à laqueadura

    Antes de optar pela cirurgia, é fundamental conhecer outros métodos contraceptivos eficazes e de longa duração:

    • DIU de cobre ou hormonal: podem durar de 5 a 10 anos;
    • Implantes subcutâneos: liberam hormônio e funcionam por até 3 anos;
    • Injetáveis ou anticoncepcionais orais: opções reversíveis, embora dependam de uso contínuo.

    Essas alternativas oferecem alta eficácia e a vantagem da reversibilidade, o que pode ser importante caso a paciente mude de ideia sobre ter filhos no futuro.

    Leia também: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

    Perguntas e respostas sobre laqueadura tubária

    1. A laqueadura é 100% eficaz?

    Não. Apesar de ser altamente eficaz, existe uma pequena chance de falha, principalmente devido à recanalização espontânea das tubas uterinas ou a erros técnicos durante a cirurgia.

    2. Quais são as técnicas mais comuns de laqueadura?

    As principais são a técnica de Pomeroy (corte, amarração e cauterização da tuba), técnicas que preservam a irrigação, a periumbilical (pelo umbigo) e a vaginal (fimbrectomia). Todas têm eficácia semelhante, e a escolha depende do momento e do tipo de parto.

    3. A laqueadura pode alterar o ciclo menstrual?

    Sim. Em alguns casos, pode haver aumento do fluxo ou irregularidade do ciclo, geralmente associada à alteração da irrigação do ovário. Porém, isso não acontece em todas as mulheres.

    4. É possível engravidar após a laqueadura?

    Sim, embora seja raro. Isso pode ocorrer por recanalização das tubas ou se a técnica não tiver sido bem executada. A taxa de falha é estimada em menos de 1%.

    5. Quem pode fazer laqueadura no Brasil hoje?

    Desde 2023, mulheres com 21 anos ou mais, ou aquelas que têm pelo menos dois filhos vivos, podem solicitar a cirurgia. Não é mais necessário o consentimento do cônjuge, mas a paciente deve assinar um termo de consentimento reconhecendo que se trata de um método definitivo.

    6. A laqueadura pode ser feita junto com o parto?

    Sim, mas a paciente deve manifestar sua vontade com pelo menos 60 dias de antecedência da data provável do parto. Essa exigência existe para garantir reflexão e segurança na decisão.

    7. Existem alternativas à laqueadura?

    Sim. Métodos reversíveis e de longa duração, como DIU (cobre ou hormonal), implantes subcutâneos e anticoncepcionais injetáveis ou orais, podem ser opções eficazes e permitem reconsiderar a decisão sobre ter filhos no futuro.

    Veja mais: Métodos contraceptivos: existe um mais eficaz? Saiba os riscos de falha em cada opção

  • Qual a diferença entre mamografia e ultrassom das mamas?

    Qual a diferença entre mamografia e ultrassom das mamas?

    O câncer de mama é o tipo de tumor mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois apenas do câncer de pele não melanoma. Por esse motivo, a partir de uma determinada idade, é recomendado manter uma rotina de exames de rastreamento, uma vez que o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de um tratamento eficaz e de cura.

    Entre os exames de imagem disponíveis, os mais conhecidos são mamografia e ultrassom das mamas, cada um com suas indicações e limitações específicas. Para entender as diferenças entre eles e quando é necessário realizar cada um, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    O que é mamografia e para que serve?

    A mamografia é um exame de imagem realizado por meio de raios-X de baixa dose, capaz de identificar alterações muito pequenas na mama, mesmo antes de serem palpáveis, como nódulos, cistos, microcalcificações e alterações nos tecidos mamários.

    De acordo com Andreia Sapienza, a mamografia é considerada o padrão-ouro para o rastreamento do câncer de mama, pois é o único exame que comprovadamente reduz a mortalidade da doença em estudos de longo prazo.

    Isso significa que, quando realizada de forma regular, a mamografia aumenta as chances de detectar tumores em estágios iniciais, quando o tratamento costuma ser mais eficaz e menos agressivo.

    Como a mamografia é feita?

    Durante a mamografia, o aparelho faz imagens das mamas usando raio-X. Para isso, cada mama é colocada no equipamento e levemente pressionada por alguns segundos, o que ajuda a deixar o tecido mais visível. A etapa pode ser um pouco incômoda e dolorosa, mas dura poucos minutos.

    Todo o processo costuma durar de 10 a 15 minutos. Depois, as imagens são avaliadas pelo médico radiologista, que verifica se existe alguma alteração nas mamas que precise de investigação. Quando há suspeita, pode ser indicada uma biópsia para confirmar o diagnóstico.

    O que é o ultrassom das mamas e quando ele é indicado?

    O ultrassom das mamas é um exame que utiliza ondas sonoras (sem radiação) para produzir imagens internas da mama. Ele é totalmente indolor e pode ser feito em qualquer idade.

    De acordo com Andreia Sapienza, o ultrassom é mais útil em mulheres jovens, que possuem mamas densas — ou seja, com mais tecido glandular e menos gordura. Nessas situações, a mamografia pode ter limitações na visualização de algumas áreas, e o ultrassom ajuda a complementar o diagnóstico.

    Além disso, o ultrassom é indicado para:

    • Investigar nódulos palpáveis que não aparecem na mamografia;
    • Avaliar cistos e diferenciar se uma alteração é sólida ou líquida;
    • Complementar o rastreamento em casos de mamas densas;
    • Acompanhar próteses mamárias.

    No entanto, é importante destacar: o ultrassom não substitui a mamografia.

    Como a ultrassom das mamas é feita?

    A ultrassonografia das mamas é um exame rápido e indolor. A mulher deita em uma maca, normalmente de barriga para cima e com os braços apoiados atrás da cabeça, para facilitar o acesso às mamas.

    Depois, o médico aplica um gel transparente sobre a pele, que ajuda na transmissão das ondas de som. Com um aparelho chamado transdutor, ele desliza sobre a mama e também sobre a região das axilas, gerando imagens em tempo real em uma tela.

    O exame dura em média de 10 a 20 minutos e não envolve radiação, sendo considerado totalmente seguro para qualquer mulher.

    Mamografia x ultrassom das mamas: quais as principais diferenças?

    Característica Mamografia Ultrassom das mamas
    Tipo de imagem Raios-X (baixa dose) Ondas sonoras de alta frequência (sem radiação)
    Indicação Mulheres a partir dos 40 anos (rastreamento anual ou bienal) Mulheres jovens (abaixo de 40) e complemento em mamas densas
    O que detecta Microcalcificações, muitas vezes primeiro sinal de câncer inicial Natureza de nódulos: sólido (potencialmente maligno) ou cístico (geralmente benigno)
    Função principal Rastreamento (detecção precoce em assintomáticas). Único exame com redução comprovada de mortalidade Diagnóstico complementar e avaliação de nódulos/cistos. Rastreamento auxiliar em mamas densas

    De acordo com Andreia Sapienza, a melhor estratégia é a associação dos dois exames, especialmente em mulheres com mamas densas. A mamografia atua no rastreamento, e o ultrassom complementa em casos de achados duvidosos.

    A partir de que idade devo começar a fazer mamografia?

    A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda a realização de mamografia anual a partir dos 40 anos de idade. Já o Ministério da Saúde, por meio do SUS, atualizou recentemente seus protocolos e definiu faixas etárias com orientações diferentes:

    • 40 a 49 anos: acesso garantido ao exame, mas sem rastreamento populacional obrigatório. Nessa faixa, a mamografia é feita “sob demanda”, quando há vontade da paciente e indicação médica;
    • 50 a 74 anos: rastreamento populacional bienal, a cada dois anos, mesmo sem sinais ou sintomas;
    • Acima de 74 anos: decisão individualizada, considerando comorbidades e expectativa de vida.

    Antes da mudança, o protocolo oficial do SUS previa mamografia apenas entre 50 e 69 anos, também a cada dois anos, o que deixava de fora mulheres mais jovens que poderiam se beneficiar do rastreamento antecipado.

    Além disso, de acordo com Andreia, mulheres com histórico familiar de câncer de mama em parentes de primeiro grau, como mãe ou irmã, devem iniciar a mamografia 10 anos antes da idade em que a doença foi diagnosticada no familiar.

    De acordo com o Ministério da Saúde, 22,6% dos casos de câncer de mama ocorrem em mulheres entre 40 e 49 anos.

    A radiação da mamografia é perigosa?

    Segundo Andreia, a dose utilizada na mamografia é mínima e não representa risco para as pacientes. O cuidado maior é para os profissionais de saúde, que lidam diariamente com a radiação e, por isso, utilizam aventais de chumbo e protocolos de proteção.

    E a ressonância magnética das mamas, é recomendada?

    A ressonância magnética das mamas é um exame de imagem avançado, que utiliza um campo magnético e ondas de rádio para gerar imagens detalhadas do tecido mamário. Diferente da mamografia, ela não envolve radiação, e, ao contrário do ultrassom, consegue mostrar com mais precisão a vascularização e as características internas de possíveis lesões.

    Por ser mais caro e exigir preparo específico (como o uso de contraste endovenoso), a ressonância não é indicada como exame de rotina para todas as mulheres. Ela tem papel importante em situações muito específicas, como:

    • Mulheres com alto risco genético;
    • Avaliação de próteses;
    • Esclarecimento de achados inconclusivos em outros exames.

    No entanto, como explica Andreia, a ressonância não substitui a mamografia, pois não há evidências de que reduza a mortalidade. Ela deve ser indicada apenas em casos selecionados.

    Veja também: Ozempic e similares podem reduzir risco de câncer ligado à obesidade?

    Perguntas frequentes

    1. Qual exame é mais confiável para detectar o câncer de mama?

    O exame mais confiável para detectar o câncer de mama é a mamografia, porque é o único que mostrou, em estudos de longo prazo, a capacidade de reduzir a mortalidade pela doença. Ela consegue identificar alterações muito pequenas, como microcalcificações, que podem ser sinais iniciais de câncer ainda invisíveis ao toque ou a outros exames.

    2. A mamografia dói?

    A mamografia pode causar desconforto porque a mama precisa ser comprimida durante alguns segundos para que a imagem seja captada com clareza. A compressão é necessária para achatar o tecido mamário e permitir a detecção de pequenas alterações.

    Algumas mulheres relatam dor, mas na maioria das vezes é apenas de um incômodo rápido. O desconforto pode ser maior em quem tem mamas mais sensíveis, especialmente no período pré-menstrual, mas não há nenhum risco associado ao procedimento.

    3. Grávidas e lactantes podem fazer mamografia?

    Durante a gestação, a mamografia não é recomendada por envolver radiação, mesmo em doses muito baixas. Nessa fase, quando há necessidade de investigar alguma alteração, o ultrassom é o exame mais seguro e utilizado pelos médicos.

    No caso das mulheres que estão amamentando, a mamografia pode ser realizada se houver indicação médica, sem oferecer riscos para a mãe ou para o bebê e sem necessidade de interromper a amamentação. No entanto, a interpretação das imagens pode ser dificultada devido ao aumento da densidade mamária.

    Por isso, em algumas situações, o médico pode optar também pelo ultrassom das mamas como exame complementar.

    4. Qual é a frequência ideal para repetir a mamografia?

    A frequência depende da idade e do protocolo seguido. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda o exame anual a partir dos 40 anos. O Ministério da Saúde, por meio do SUS, recomenda a cada dois anos entre 50 e 74 anos.

    Mulheres de 40 a 49 anos podem fazer sob demanda, quando há indicação médica. Já mulheres com risco aumentado, por histórico familiar ou fatores genéticos, podem precisar de intervalos menores, sempre definidos pelo médico.

    Veja também: Câncer de mama: o que é, sintomas, causa e como identificar

  • ‘Bebês Ozempic’: como os análogos do GLP-1 impactam a fertilidade?

    ‘Bebês Ozempic’: como os análogos do GLP-1 impactam a fertilidade?

    Inicialmente criados para o tratamento de diabetes tipo 2, os remédios análogos do GLP-1, como o Ozempic, também se tornaram populares para a perda de peso. Eles funcionam imitando a ação de um hormônio produzido no intestino, responsável por controlar a glicose no sangue e aumentar a sensação de saciedade.

    Mas, nos últimos anos, com o crescimento acelerado do uso dos medicamentos, começaram a surgir relatos curiosos sobre outros possíveis efeitos: mulheres que antes enfrentavam dificuldades para engravidar acabaram gestando após o início do tratamento. Nas redes sociais, o fenômeno ganhou um apelido que rapidamente viralizou — os chamados “bebês Ozempic”.

    Mas, afinal, existe relação entre os agonistas de GLP-1 e a fertilidade? Para esclarecer as principais dúvidas (e trazer orientações), conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    O que são os agonistas do GLP-1 e como eles funcionam?

    O GLP-1 (glucagon-like peptide-1) é um hormônio produzido pelo intestino logo após as refeições. Ele ajuda a controlar os níveis de glicose no sangue ao estimular a liberação de insulina, reduzir a secreção de glucagon e retardar o esvaziamento gástrico. Também aumenta a sensação de saciedade, favorecendo a redução natural da ingestão de calorias.

    Como o GLP-1 é rapidamente degradado pelo organismo, surgiram os agonistas do GLP-1 (GLP-1 RAs), medicamentos que imitam sua ação, mas permanecem ativos por mais tempo, trazendo efeitos prolongados no controle metabólico e no auxílio ao emagrecimento.

    Um dos mais conhecidos é a semaglutida (Ozempic). Além do efeito metabólico, ela atravessa a barreira hematoencefálica e age em áreas do cérebro relacionadas ao craving (compulsão por comida), reduzindo o apetite e o comportamento compulsivo.

    Como resultado, a pessoa tende a comer menos, perder peso e melhorar condições associadas, como resistência à insulina e síndrome metabólica — fatores que impactam diretamente a saúde reprodutiva e a fertilidade feminina.

    Como a obesidade e o metabolismo influenciam a fertilidade feminina?

    A obesidade é um dos principais fatores que afetam a fertilidade. O excesso de gordura corporal contribui para o desequilíbrio hormonal, pois o tecido adiposo também produz hormônios. Isso pode levar a ciclos irregulares, ausência de ovulação e dificuldade para engravidar.

    Outro ponto é a resistência à insulina, comum em mulheres com sobrepeso/obesidade. Quando o corpo não responde bem à insulina, ele produz mais hormônio, o que aumenta a produção de androgênios (hormônios masculinos). Esse desequilíbrio atrapalha o amadurecimento e a liberação do óvulo.

    Exemplo frequente é a síndrome dos ovários policísticos (SOP), que afeta cerca de 6% a 10% das mulheres em idade reprodutiva: ciclos irregulares, anovulação e impacto na fertilidade.

    Nesse cenário, os análogos de GLP-1 podem auxiliar ao:

    • Reduzir o peso corporal;
    • Melhorar a sensibilidade à insulina;
    • Reequilibrar os hormônios sexuais;
    • Favorecer o retorno da ovulação.

    Segundo Andreia, mulheres com SOP que emagrecem (especialmente com obesidade) muitas vezes restabelecem o equilíbrio hormonal apenas com a perda de peso, voltando a menstruar regularmente após meses de amenorreia. Por isso, a perda de peso é parte fundamental do tratamento, e o uso de GLP-1 pode ser uma abordagem útil — sempre com orientação profissional.

    Os agonistas do GLP-1 podem interferir no anticoncepcional?

    Até o momento, não há evidências robustas de redução da eficácia da pílula anticoncepcional em usuárias de agonistas do GLP-1.

    No entanto, esses fármacos alteram a motilidade gastrointestinal e podem retardar a absorção de medicamentos orais, inclusive contraceptivos. Na prática, as pílulas costumam ter dose suficiente para manter a eficácia, mesmo com absorção mais lenta.

    Ainda assim, recomenda-se considerar métodos que não dependam da via oral (DIU, implantes, adesivos, anéis, injetáveis) durante o uso de GLP-1, sobretudo em quem não deseja engravidar.

    Existe risco para o bebê ao engravidar durante o uso de GLP-1?

    Faltam dados de segurança na gestação; portanto, não se recomenda o uso de agonistas do GLP-1 durante a gravidez.

    Se a mulher descobrir que está grávida enquanto usa Ozempic ou similares, deve interromper imediatamente e procurar orientação médica. O mesmo cuidado vale para a lactação, pois não se sabe se o medicamento é excretado no leite materno.

    Em gestação planejada, recomenda-se suspender com antecedência:

    • Versões diárias: alguns dias podem bastar;
    • Versões semanais (ex.: semaglutida): cerca de duas semanas para eliminação;
    • Ainda assim, prefere-se suspender 1 a 2 meses antes de tentar engravidar.

    Engravidei tomando Ozempic. E agora?

    Interrompa o uso imediatamente e procure seu médico. Não há estudos controlados em gestantes, e os efeitos sobre o desenvolvimento fetal são incertos.

    Para gestantes com diabetes tipo 2, uma alternativa é a metformina, medicamento amplamente estudado e considerado seguro na gestação. Ela não promove perda de peso, mas auxilia no controle da resistência insulínica.

    Veja também: Wegovy e Ozempic: como funcionam para perda de peso

    Perguntas frequentes

    Tomar Ozempic pode atrapalhar quem já está tentando engravidar?

    De forma direta, não. Porém, o medicamento não deve ser usado na gravidez pela falta de dados de segurança. Se estiver em fase ativa de tentativas, suspenda o uso 1–2 meses antes de buscar a concepção.

    Os agonistas do GLP-1 são indicados como tratamento para infertilidade?

    Não. Eles não são indutores de fertilidade. Foram desenvolvidos para diabetes tipo 2 e aprovados para obesidade. O benefício na fertilidade é indireto: melhora metabólica, menor resistência insulínica e perda de peso tendem a favorecer a ovulação.

    Existe diferença entre o efeito do Ozempic e de outros agonistas do GLP-1 na fertilidade?

    Os efeitos de classe são semelhantes (controle glicêmico, menor apetite, perda de peso). A semaglutida (Ozempic/Wegovy) costuma ser mais potente para emagrecimento do que a liraglutida, o que pode trazer impacto indireto maior na ovulação devido à maior redução ponderal.

    Quero engravidar, mas tenho diabetes tipo 2. O que fazer?

    Converse com seu ginecologista/endócrino. Em geral, substitui-se GLP-1 por fármacos com segurança estabelecida na gestação, como metformina ou, em alguns casos, insulina, antes de tentar engravidar.

    Resistência à insulina sem SOP também afeta a fertilidade?

    Sim. Mesmo sem SOP, a hiperinsulinemia pode elevar andrógenos ovarianos e prejudicar a ovulação. O manejo do peso, da resistência insulínica e do estilo de vida ajuda a restabelecer ciclos ovulatórios.

    Leia também: Ozempic na gravidez: por que não é seguro usar

  • Prolapso uterino: o que é, sintomas, o que causa e tratamento

    Prolapso uterino: o que é, sintomas, o que causa e tratamento

    Você já ouviu falar em prolapso uterino? Com o passar dos anos, o corpo feminino passa por uma série de mudanças que podem afetar a sustentação dos órgãos pélvicos.

    O suporte é garantido por músculos e ligamentos que tendem a enfraquecer — seja pela idade ou por situações que aumentam a pressão dentro do abdômen, como a gravidez, a prática de esforço físico intenso ou a constipação crônica.

    Quando as estruturas de suporte perdem a força, ocorre o deslocamento dos órgãos da pelve, como o útero ou a bexiga, em direção à vagina. A condição, também chamada de prolapso dos órgãos pélvicos, pode precisar de cirurgia nos casos mais graves.

    Conversamos com uma especialista para entender quais são os fatores de risco, os sinais de alerta que merecem atenção e as opções de tratamento disponíveis. Confira!

    Afinal, o que é prolapso uterino?

    O prolapso uterino acontece pelo enfraquecimento dos músculos e ligamentos que sustentam o útero, estruturas que fazem parte do assoalho pélvico. Isso faz com que os órgãos da pelve (como bexiga, útero ou reto) deslizem de sua posição normal e desçam em direção ao canal vaginal — podendo até sair parcialmente pela vagina em casos mais graves.

    De forma simples, é como se o suporte que mantém o útero no lugar não tivesse mais força suficiente. Por isso, algumas mulheres descrevem a sensação de “uma bola na vagina” ou de pressão pélvica.

    Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o prolapso genital faz parte de um grupo de alterações chamadas desordens do assoalho pélvico, que também incluem incontinência urinária e fecal. Estima-se que 50% das mulheres apresentem algum grau de prolapso em algum momento da vida.

    O que causa o prolapso uterino?

    O prolapso uterino pode surgir quando os órgãos da pelve perdem o apoio adequado. Isso acontece, principalmente, por mudanças na estrutura da região ou por condições que aumentam a pressão intra-abdominal, como:

    • Partos vaginais: especialmente múltiplos partos ou com uso de fórceps, que podem causar lesões na musculatura de sustentação;
    • Predisposição genética: histórico familiar eleva o risco;
    • Obesidade: o excesso de peso aumenta a pressão sobre o assoalho pélvico, elevando o risco em até 50%;
    • Doenças crônicas: constipação intestinal, tosse crônica (como em DPOC) e outras condições que aumentam a pressão intra-abdominal;
    • Idade avançada: o risco sobe após os 50 anos, especialmente após a menopausa, com queda do estrogênio.

    Existem fatores de risco?

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a gravidez é o principal fator de risco para o prolapso uterino. Outros fatores que contribuem para o enfraquecimento do assoalho pélvico incluem:

    • Envelhecimento, com redução natural de colágeno e elastina;
    • Aumento da pressão abdominal;
    • Obesidade;
    • Presença de miomas;
    • Tumores;
    • Tabagismo, que compromete a qualidade do colágeno.

    Sintomas do prolapso uterino

    • Sensação de peso ou pressão na pelve;
    • Impressão de “bola na vagina”;
    • Dor lombar ou pélvica;
    • Dificuldade para urinar ou evacuar;
    • Incontinência urinária ou fecal;
    • Desconforto ou dor durante a relação sexual;
    • Em casos avançados, visualização do útero saindo pelo canal vaginal.

    Nem todas as mulheres apresentam sintomas intensos. Em graus leves, a condição pode ser descoberta em exames de rotina, como a ultrassonografia.

    Graus do prolapso uterino

    • Grau I (leve): o útero desce um pouco, mas não chega à abertura vaginal;
    • Grau II (moderado): o útero chega próximo à abertura da vagina;
    • Grau III (avançado): parte do útero ultrapassa a entrada da vagina;
    • Grau IV (grave): o útero sai quase totalmente pela vagina (procidência uterina).

    A classificação orienta a escolha do tratamento mais adequado.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico costuma ser clínico, durante a consulta ginecológica. O médico considera os sintomas e realiza exame físico em posição ginecológica. Em alguns casos, pode solicitar a manobra de Valsalva (esforço semelhante ao de evacuar) para evidenciar a descida do útero.

    Dependendo do quadro, podem ser solicitados exames complementares, como ultrassonografia transvaginal ou ressonância magnética.

    Tratamento de prolapso uterino

    O tratamento depende do grau do prolapso, dos sintomas, da idade e do impacto na qualidade de vida. De acordo com a Febrasgo, pode ser conservador ou cirúrgico.

    Tratamento conservador

    • Pessários vaginais: dispositivos de silicone ou borracha inseridos na vagina para sustentar o útero e aliviar sintomas — indicados especialmente para pacientes idosas, com comorbidades ou que não desejam cirurgia;
    • Fisioterapia pélvica: exercícios específicos para fortalecer o assoalho pélvico, reduzir desconfortos e retardar a progressão em estágios leves;
    • Mudanças no estilo de vida: controle do peso, combate à constipação, prática de atividade física orientada e redução de esforços (como carregar muito peso).

    Tratamento cirúrgico

    A cirurgia é indicada nos casos graves, escolhida conforme a gravidade e as necessidades da paciente. Segundo a ginecologista Andreia Sapienza, o procedimento pode ser feito por via vaginal ou por videolaparoscopia. Não se trata, em geral, de cirurgia de grande porte (sem abertura da cavidade abdominal), e a recuperação costuma ser mais rápida.

    É possível evitar?

    • Manter o peso corporal adequado;
    • Evitar esforços excessivos e levantar peso de forma incorreta;
    • Tratar constipação intestinal e tosses crônicas;
    • Fortalecer o assoalho pélvico (exercícios de Kegel, pilates com foco pélvico);
    • Realizar acompanhamento ginecológico regular.

    Embora seja mais comum a partir dos 55 anos, o prolapso pode ocorrer em qualquer fase da vida. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

    Confira: Adenomiose: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Perguntas frequentes sobre prolapso uterino

    1. O prolapso uterino pode voltar depois do tratamento?

    Sim. Há possibilidade de retorno, pois o enfraquecimento do assoalho pélvico pode continuar ao longo do tempo. Cirurgias têm altas taxas de sucesso, mas não garantem 100% de eficácia definitiva. Fisioterapia pélvica e manutenção do peso adequado costumam ser recomendadas mesmo após a intervenção.

    2. O prolapso uterino causa dor?

    A dor não é o sintoma mais típico, mas pode ocorrer. É comum relatar sensação de peso, pressão ou incômodo pélvico, que pode piorar ao ficar muito tempo em pé ou durante esforços. Em graus avançados, pode haver dor lombar ou desconforto nas relações sexuais.

    3. O prolapso uterino pode desaparecer sozinho?

    Não. Uma vez instalado, pode permanecer estável por um período ou progredir. A melhora significativa depende de tratamento conservador ou cirúrgico.

    4. Prolapso uterino pode virar câncer?

    Não. O prolapso é uma alteração anatômica e não evolui para câncer. Ainda assim, os exames preventivos (como o Papanicolau) devem ser mantidos em dia, pois as condições podem coexistir.

    5. Prolapso uterino é grave?

    Não costuma representar risco imediato à vida, mas pode ser grave quando compromete o dia a dia ou há complicações (infecções urinárias recorrentes, retenção urinária, obstrução intestinal, dificuldade para caminhar). Em estágios avançados, o útero pode ultrapassar a abertura vaginal, causando desconforto e risco de lesões.

    6. Prolapso uterino pode causar sangramento?

    O prolapso em si geralmente não causa sangramento, mas o atrito do útero ou da mucosa vaginal exposta pode gerar irritações, pequenas lesões ou úlceras com sangramento. O sintoma deve ser avaliado, pois pode ter outras causas ginecológicas.

    Veja mais: Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer

  • Métodos contraceptivos: existe um mais eficaz? Saiba os riscos de falha em cada opção 

    Métodos contraceptivos: existe um mais eficaz? Saiba os riscos de falha em cada opção 

    Escolher um entre vários métodos contraceptivos é uma decisão que envolve mais do que prevenir uma gravidez indesejada — trata-se também de saúde, praticidade e proteção contra infecções. Hoje, há diversas opções disponíveis, e a dúvida mais comum é: qual delas é a mais eficaz?

    A ginecologista e obstetra Andreia Sapienza explica que a comparação não é tão simples: “São todos muito parecidos, por isso é difícil dizer exatamente qual é o mais eficaz”. Ela destaca que a eficácia é medida pelas falhas na prática — ou seja, quantas gestações ocorrem entre mulheres que utilizam o mesmo método ao longo do tempo. “É essa taxa que mostra se ele funciona mais ou menos bem”.

    Para entender melhor, reunimos os principais métodos contraceptivos e suas taxas de eficácia com base em dados recentes.

    Pílula anticoncepcional: disciplina é a chave

    A pílula é um dos métodos mais usados no mundo. Ao combinar hormônios que inibem a ovulação, ela oferece alta eficácia, mas depende de disciplina diária para funcionar bem.

    • Uso perfeito: 99,96% (1 falha a cada 2.500 ciclos)
    • Uso comum: 93–95% (esquecimentos, vômitos, diarreias ou interações medicamentosas reduzem a eficácia)

    “A pílula tem o chamado índice de Pearl, que mede a taxa de falha ideal e a habitual”, explica Andreia. No uso ideal, a eficácia é próxima de 100%, mas na prática ela diminui devido a falhas humanas. É um método confiável — desde que usado com rigor e regularidade.

    DIU: proteção de longa duração

    O dispositivo intrauterino (DIU) é cada vez mais procurado, especialmente por quem quer evitar esquecimentos. Existem dois tipos principais:

    • DIU de cobre: cria um ambiente hostil aos espermatozoides.
    • DIU hormonal: libera progesterona sintética (levonorgestrel), engrossando o muco cervical e dificultando a passagem dos espermatozoides.

    Eficácia: 99% | Duração: 5 a 10 anos

    “O DIU tem taxa de eficácia de 98%. Comparado com a pílula no uso ideal, é um pouco menor, mas supera o uso comum da pílula”, diz Andreia. Por não depender da disciplina da usuária, é uma opção prática e segura para quem busca proteção prolongada.

    Implante hormonal: eficácia próxima de 100%

    O implante subdérmico é um pequeno bastão inserido sob a pele do braço, que libera hormônio continuamente. É considerado um dos métodos mais eficazes.

    • Eficácia: acima de 99%
    • Duração: cerca de 3 anos

    Como não exige uso diário, praticamente elimina falhas humanas. O principal obstáculo ainda é o acesso: nem sempre está disponível na rede pública e pode ter custo elevado em clínicas particulares.

    Laqueadura e vasectomia: opções definitivas

    São métodos cirúrgicos e permanentes, recomendados para quem já tem filhos ou não deseja engravidar futuramente.

    • Laqueadura: bloqueia ou remove as tubas uterinas. Eficácia acima de 99%.
    • Vasectomia: interrompe os ductos deferentes. Eficácia de 99,85% (após exame confirmar ausência de espermatozoides).

    Apesar de muito seguros, não são 100% infalíveis. Há raros casos de falha por recanalização dos ductos. São métodos eficazes, mas de difícil reversão, devendo ser escolhidos com responsabilidade.

    Camisinha e métodos de barreira: prevenção dupla

    A camisinha masculina continua essencial por oferecer dupla proteção: contra gravidez e contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

    • Camisinha masculina: 98% (uso perfeito) | 87% (uso comum)
    • Camisinha feminina: 95% (uso perfeito) | 79% (uso comum)

    “A camisinha masculina é muito usada, mas pode falhar se colocada de forma incorreta, se soltar ou romper”, explica Andreia. Já a feminina, o diafragma e os espermicidas têm eficácia menor, mas podem ser combinados com outros métodos. Mesmo com menor taxa de sucesso, a camisinha é indispensável em relações casuais.

    Métodos contraceptivos naturais: disciplina como requisito

    Os métodos naturais, como tabelinha, temperatura basal e sintotermal, se baseiam na observação do ciclo menstrual e sinais corporais. São opções para quem prefere evitar hormônios, mas exigem muita disciplina e autoconhecimento.

    • Tabelinha: até 97% (uso perfeito) | cerca de 75% (uso comum)
    • Temperatura basal: 98% (uso perfeito) | 77% (uso comum)
    • Método sintotermal: até 99% (uso perfeito) | 77–80% (uso comum)

    “São bem mais falhos que outros métodos”, ressalta Andreia. “Funcionam para mulheres muito disciplinadas, mas falham bastante em populações maiores”. Mesmo com o suporte de aplicativos modernos, esses métodos ainda são menos seguros que os hormonais ou cirúrgicos.

    Wearables: a “tabelinha 2.0”

    A tecnologia trouxe versões modernas dos métodos naturais, como o Oura Ring, anel que mede temperatura corporal durante o sono e envia os dados ao app Natural Cycles, que calcula os dias férteis.

    • Uso perfeito: até 93%
    • Uso comum: cerca de 77%

    Esses dispositivos funcionam como uma versão digital do método sintotermal. Reduzem erros humanos, mas ainda têm falhas significativas e não se comparam em eficácia ao DIU ou ao implante.

    Contracepção de emergência: último recurso

    A pílula do dia seguinte deve ser usada apenas em emergências, como relação sem proteção ou falha de outro método. Atua atrasando ou inibindo a ovulação.

    • Eficácia: 70–85%, dependendo do momento da ovulação

    Andreia reforça: “A pílula do dia seguinte não é abortiva. Ela age como outros métodos, mas de forma aguda, dificultando a movimentação do espermatozoide e a descida do óvulo. Pode falhar se a ovulação já tiver ocorrido.”

    Não deve ser usada de forma contínua, pois tem eficácia limitada e pode causar efeitos colaterais mais intensos.

    Não existe um método único ideal

    Os métodos mais eficazes são os que não dependem da disciplina diária: implante, DIU, laqueadura e vasectomia. A camisinha segue essencial por prevenir ISTs, enquanto os naturais e wearables têm eficácia menor.

    “Cada método tem vantagens e falhas, dependendo do uso e da disciplina da pessoa. Só preservativos previnem tanto gravidez quanto ISTs. E a contracepção de emergência não substitui métodos regulares”, resume Andreia Sapienza.

    A escolha deve ser individualizada, considerando estilo de vida e com orientação médica.

    Leia também: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    Perguntas frequentes sobre eficácia de métodos contraceptivos

    1. Qual é o método contraceptivo mais eficaz?

    Os métodos contraceptivos mais eficazes são os que não dependem de disciplina diária: implante hormonal, DIU e os métodos definitivos (laqueadura e vasectomia), todos com eficácia acima de 99%.

    2. A pílula anticoncepcional é realmente segura?

    Sim, quando usada corretamente. No uso perfeito, chega a quase 100% de eficácia, mas cai para 93–95% no uso típico, devido a esquecimentos e interações medicamentosas.

    3. E a camisinha, funciona bem?

    A camisinha masculina tem eficácia de até 98% no uso ideal e cerca de 87% no uso comum. A feminina é um pouco menos eficaz (95% e 79%, respectivamente), mas ambas são as únicas que também protegem contra ISTs.

    4. Os métodos contraceptivos naturais, como tabelinha, são confiáveis?

    Variam muito. A tabelinha pode chegar a 97% no uso perfeito, mas cai para 75% na prática. O método sintotermal é mais preciso (até 99% no uso ideal), mas requer disciplina e monitoramento constante.

    5. Wearables como o Oura Ring são mais confiáveis que a tabelinha?

    São mais práticos, pois automatizam as medições, mas a eficácia máxima é de 93%, caindo para 77% no uso comum — abaixo dos métodos hormonais e do DIU.

    6. A pílula do dia seguinte funciona sempre?

    Não. Sua eficácia varia entre 70 e 85%, conforme o momento da ovulação. É indicada apenas como recurso de emergência e não deve substituir métodos regulares.

    Leia também: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

  • Método contraceptivo após o parto: quais os mais indicados? 

    Método contraceptivo após o parto: quais os mais indicados? 

    Depois do nascimento do bebê, o corpo feminino experimenta uma série de mudanças físicas e hormonais. Aos poucos, os tecidos cicatrizam, o útero retorna ao tamanho habitual e os hormônios voltam a se estabilizar. É uma fase delicada, em que é comum surgir dúvidas sobre quando retomar o uso de contraceptivo após o parto.

    Primeiro, não é necessário esperar a menstruação voltar para iniciar um método. A ovulação pode acontecer antes dela, o que aumenta o risco de uma nova gravidez não planejada.

    Por isso, a escolha deve considerar fatores como tipo de parto, amamentação, tempo de recuperação e condições de saúde, mas sempre com orientação de um médico.

    Quando é seguro retomar a vida sexual após o parto?

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, após o parto, seja normal ou cesárea, não é recomendado ter relações sexuais antes de completar seis semanas, cerca de 42 dias.

    O período é conhecido como puerpério e corresponde ao tempo necessário para que o útero e os tecidos íntimos cicatrizem e o corpo retorne ao estado pré-gestação.

    Antecipar a relação antes do período pode trazer alguns riscos, como dor, sangramentos e aumento do risco de infecções uterinas — especialmente em casos de parto cesárea.

    É possível engravidar logo após o parto?

    Mesmo antes da primeira menstruação, é possível engravidar novamente, especialmente se a mulher não estiver em amamentação exclusiva. O retorno da ovulação pode ocorrer de forma imprevisível, e por isso é fundamental adotar um método contraceptivo seguro assim que possível.

    De acordo com Andreia, a amamentação exclusiva até os seis meses pode funcionar como um método natural chamado amenorreia lactacional, que oferece eficácia de aproximadamente 80%.

    No entanto, não é um método totalmente seguro e deve sempre ser associado a outro método contraceptivo. A especialista ainda aponta que basta a introdução de fórmula, sucos ou até mesmo a redução na frequência das mamadas para a proteção cair significativamente.

    Quais métodos contraceptivos podem ser usados durante a amamentação?

    Segundo Andreia, durante a amamentação não se pode usar métodos que contenham estrogênio, pois o hormônio pode passar para o leite e prejudicar o bebê.

    As opções mais indicadas nesse período são:

    Métodos de barreira

    Os métodos de barreira funcionam criando uma proteção física que impede a entrada dos espermatozoides no útero. Eles não contêm hormônios, podem ser usados por qualquer mulher e são opções seguras durante a amamentação. Os mais indicados são:

    • Preservativo masculino e feminino;
    • Diafragma;
    • Esponja contraceptiva;
    • DIU de cobre.

    Métodos hormonais à base de progesterona

    Os métodos hormonais à base de progesterona utilizam versões sintéticas do hormônio para inibir a ovulação ou alterar o muco cervical, dificultando a chegada dos espermatozoides ao óvulo.

    Eles são considerados muito eficazes, podem ser de curta ou longa duração e são seguros para mulheres que estão amamentando, já que não contêm estrogênio. Os principais incluem:

    • DIU medicado (levonorgestrel, como o Mirena);
    • Implante subdérmico (etonogestrel);
    • Pílula contínua de desogestrel;
    • Injetáveis trimestrais de medroxiprogesterona.

    O DIU pode ser colocado logo após o parto?

    O DIU pode até ser colocado logo após o parto, mas Andreia aponta que não é o momento ideal, pois o útero ainda está voltando ao tamanho normal e há maior risco de expulsão.

    A recomendação é aguardar o resguardo de 42 dias e garantir que o útero já esteja próximo ao tamanho normal, oferecendo mais segurança e eficácia para o método contraceptivo.

    Métodos contraceptivos disponíveis no SUS após o parto

    O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diversos métodos contraceptivos gratuitos para o pós-parto, incluindo:

    • Preservativos masculinos e femininos;
    • DIU de cobre e hormonal;
    • Injetável mensal ou trimestral;
    • Anticoncepcionais orais (variações com progesterona).

    Também existem métodos definitivos, como a laqueadura. A escolha deve ser feita junto ao médico, levando em conta a saúde da mulher, a amamentação e as características de cada método.

    Veja também: Sinais de ovulação: descubra como o corpo mostra que você está no período fértil

    Quais cuidados devo ter ao reiniciar a vida sexual após o parto?

    Depois do parto, o corpo precisa de tempo para se recuperar, então é fundamental ter alguns cuidados para evitar riscos, como:

    • Respeitar os 42 dias de quarentena: tempo necessário para a cicatrização do útero e recuperação geral do corpo;
    • Usar preservativo desde a primeira relação: até que o método contraceptivo definitivo seja escolhido, a camisinha garante proteção contra gravidez e infecções;
    • Fazer consulta de revisão com o ginecologista: avaliação fundamental antes da liberação das relações e para discutir a contracepção ideal;
    • Observar sinais de alerta: dor intensa, sangramento fora do esperado ou secreção com odor devem ser investigados;
    • Não confiar apenas na amamentação: mesmo exclusiva, a amamentação não é 100% eficaz como contraceptivo.

    Confira: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    Perguntas frequentes sobre contraceptivo após o parto

    1. O que é o puerpério?

    O puerpério é o período que vai do nascimento do bebê até, em média, 42 dias após o parto. Nesse tempo, o útero e os demais órgãos reprodutivos voltam ao estado normal, e o corpo da mulher passa por ajustes hormonais e físicos importantes.

    É justamente nessa fase que deve ser escolhida a estratégia de contracepção, pois uma gestação muito próxima pode aumentar riscos para a mãe e para o bebê.

    2. Quando posso voltar a ter relações sexuais depois do parto?

    A recomendação médica é esperar seis semanas (42 dias) após o parto, seja normal ou cesárea. O período, chamado de quarentena, resguardo ou puerpério, serve para que o útero e os órgãos reprodutivos voltem ao estado normal — reduzindo riscos de sangramento, dor e infecções. Antes desse tempo, as relações não são indicadas.

    3. Posso engravidar logo após o parto, mesmo sem menstruar?

    Sim, a ovulação pode voltar antes da primeira menstruação do pós-parto, e isso aumenta o risco de uma gravidez inesperada. Por isso, é importante escolher e iniciar um método contraceptivo assim que possível, principalmente após o período de resguardo.

    4. O DIU de cobre afeta a amamentação?

    Não. O DIU de cobre não libera hormônios, portanto não afeta o leite materno nem a saúde do bebê. É um dos métodos mais recomendados para mulheres que estão amamentando.

    5. É necessário usar anticoncepcional se estou no resguardo e sem relações?

    Se não houver atividade sexual durante o período de resguardo, não há risco de gravidez. No entanto, é importante lembrar que o corpo pode voltar a ovular antes mesmo da primeira menstruação pós-parto.

    Por isso, os médicos recomendam que a mulher já defina um método contraceptivo nessa fase, mesmo que ainda não tenha retomado as relações. Assim, quando a vida sexual voltar ao normal, não haverá intervalos sem proteção e o risco de uma gestação não planejada será reduzido.

    6. Quem fez laqueadura no parto precisa usar contraceptivo?

    A laqueadura feita no parto é um método definitivo e impede a gravidez de forma permanente. Porém, ela não protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), por isso o uso de preservativo ainda pode ser importante em relações sem parceiro fixo ou com risco de exposição a ISTs.

    Leia mais: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

  • DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

    DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

    O DIU hormonal, também conhecido como DIU medicado, é considerado um dos métodos contraceptivos mais seguros atualmente — com uma taxa falha inferior a 1% ao ano. Além de proporcionar mais liberdade e proteção para pessoas que não desejam engravidar, ele também pode ser usado como método de tratamento de algumas condições específicas, como endometriose.

    Para entender como o dispositivo funciona, quando é indicado e quais as vantagens e desvantagens, consultamos a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Confira!

    O que é e como funciona o DIU hormonal?

    O DIU hormonal é um pequeno dispositivo em formato de T que é inserido dentro do útero por um médico ginecologista. Ele libera, de forma contínua e em pequenas doses, o hormônio levonorgestrel — uma progesterona sintética.

    Diferente da pílula anticoncepcional, que age em todo o organismo, o DIU hormonal atua principalmente no útero, e consiste no seguinte mecanismo de ação:

    • Espessamento do muco cervical, dificultando a entrada dos espermatozoides;
    • Alteração do endométrio (camada interna do útero), dificultando a implantação de um embrião;
    • Em menor grau, pode reduzir a motilidade dos espermatozoides dentro do útero e trompas.

    Importante: na maioria dos casos, o DIU hormonal não bloqueia a ovulação. Ou seja, a mulher continua ovulando, mas não engravida porque as condições para fecundação e implantação não acontecem.

    Tipos de DIU hormonal

    No Brasil, os dois principais tipos disponíveis são o Mirena e o Kyleena, ambos fabricados pela Bayer. Eles são inseridos da mesma forma, no consultório médico, com um procedimento rápido que dura poucos minutos. Nos primeiros meses, pode haver um período de adaptação, com sangramentos irregulares, até que o corpo se acostume à liberação hormonal.

    Eles contêm algumas características diferentes:

    Mirena

    O DIU Mirena contém uma dose maior de levonorgestrel e tem duração de até 8 anos. Antes o tempo de eficácia era de 5 anos, mas estudos clínicos comprovaram a segurança e efetividade do dispositivo por mais tempo.

    Além da contracepção, Andreia aponta que o Mirena também pode ser usado em casos de endometriose, adenomiose ou como parte do tratamento de reposição hormonal na menopausa.

    Um dos grandes diferenciais é que o Mirena pode reduzir ou até suspender completamente a menstruação, o que traz bastante alívio para quem sofre com cólicas fortes e sangramentos abundantes.

    Kyleena

    O Kyleena, por outro lado, contém uma dose menor de hormônio e tem duração de até 5 anos. Por ser um dispositivo um pouco menor, muitas vezes é recomendado para mulheres mais jovens ou que nunca tiveram filhos — já que sua adaptação costuma ser mais simples.

    Diferente do Mirena, o Kyleena geralmente não interrompe a menstruação por completo, mas costuma reduzir bastante o fluxo e a intensidade dos sangramentos.

    Como é feita a colocação do DIU hormonal?

    O DIU é inserido no útero por um profissional de saúde por meio de um procedimento, feito em consultório. A paciente é deitada em posição ginecológica, e o colo do útero e a vagina são higienizados para evitar infecções.

    Em seguida, o dispositivo é introduzido cuidadosamente até a cavidade uterina. Em alguns casos, o médico pode aplicar anestesia local no colo do útero para reduzir o desconforto.

    Durante a colocação, muitas mulheres sentem cólicas semelhantes às menstruais, mas o incômodo é passageiro. Depois que o DIU é posicionado, os fios que ficam na entrada do colo são aparados, permanecendo apenas o suficiente para permitir o acompanhamento e facilitar a futura remoção.

    É comum que, nas primeiras horas ou dias, ocorram cólicas leves ou pequenos sangramentos, mas isso tende a melhorar com o tempo. Uma vez inserido, o DIU não é sentido no dia a dia.

    E a remoção?

    A remoção do DIU também é feita em consultório e pode ocorrer a qualquer momento, mesmo antes do término da validade. Para retirá-lo, o profissional de saúde localiza e puxa delicadamente os fios, fazendo com que o dispositivo deslize para fora pelo colo do útero e pela vagina.

    O processo pode causar cólicas, mas geralmente é mais confortável do que a inserção. Se a paciente desejar, um novo DIU pode ser colocado na mesma consulta, garantindo a continuidade da contracepção sem interrupções.

    Quando o DIU hormonal é indicado?

    O DIU hormonal é indicado principalmente como método contraceptivo de longa duração. Segundo a Febrasgo, a taxa de falha do DIU hormonal é inferior a 1% ao ano, sendo considerada uma das formas mais seguras de contracepção disponíveis hoje.

    Além da função anticoncepcional, o DIU hormonal também pode ser recomendado em situações específicas, como:

    • Fluxo menstrual intenso: ajuda a reduzir significativamente o sangramento e, em alguns casos, pode até suspender a menstruação;
    • Cólicas fortes: alívio dos sintomas menstruais, especialmente em mulheres que sofrem com dores intensas;
    • Endometriose e adenomiose: auxilia no controle da dor e na redução do fluxo menstrual associado a essas condições;
    • Reposição hormonal na menopausa: pode ser utilizado como parte do tratamento, em associação com estrogênio, equilibrando os níveis hormonais.

    Vale lembrar que, em todos os casos, a escolha pelo DIU hormonal deve ser feita junto ao médico, considerando o histórico de saúde, os objetivos da paciente e possíveis contraindicações.

    Vantagens do DIU hormonal

    • Tem eficácia superior à pílula, já que não depende da disciplina diária e libera hormônio de forma contínua;
    • Garante proteção de 5 a 8 anos, conforme o modelo escolhido;
    • Reduz o fluxo menstrual e, em alguns casos, suspende a menstruação, ajudando a prevenir anemia por deficiência de ferro;
    • Diminui cólicas menstruais, trazendo alívio para quem sofre com dores fortes;
    • Auxilia no tratamento de condições como endometriose e adenomiose e pode ser usado em protocolos de reposição hormonal na menopausa;
    • Não exige manutenção no dia a dia, já que funciona automaticamente após a colocação;
    • A fertilidade retorna rapidamente após a retirada, permitindo gravidez já no ciclo seguinte.

    Desvantagens do DIU hormonal

    • O custo inicial é mais alto em comparação a outros métodos, embora se dilua pelo tempo de uso;
    • A inserção deve ser feita por um ginecologista e pode gerar desconforto momentâneo;
    • Os primeiros meses podem trazer escapes, sangramentos irregulares ou cólicas, mas geralmente os sintomas diminuem após o período de adaptação;
    • Não protege contra infecções sexualmente transmissíveis, sendo necessário o uso de camisinha em relações de risco.

    Possíveis efeitos colaterais

    Em alguns casos, o DIU hormonal pode causar certos efeitos colaterais, que costumam ser temporários e desaparecem em poucos meses, como:

    • Sangramento irregular;
    • Cólicas;
    • Dor nas mamas;
    • Dor de cabeça;
    • Alterações de humor.

    Alguns efeitos mais raros podem incluir acne, inchaço e ganho de peso.

    Quais as contraindicações do DIU hormonal?

    O DIU hormonal é seguro para a maioria das mulheres, mas existem contraindicações importantes:

    • Gravidez confirmada ou suspeita;
    • Infecções pélvicas ativas ou recorrentes;
    • Malformações uterinas que dificultem a colocação;
    • Câncer de mama atual ou passado;
    • Doenças hepáticas graves;
    • Sangramento vaginal sem causa esclarecida.

    Por isso, a decisão deve sempre ser feita em conjunto com o ginecologista, após avaliação clínica e exames quando necessários.

    Confira: Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo

    Perguntas frequentes sobre DIU hormonal

    1. O DIU hormonal dói para colocar?

    A inserção do DIU pode causar algum desconforto, parecido com cólicas menstruais mais fortes, mas é passageiro. O procedimento é rápido, leva apenas alguns minutos, e pode ser feito com anestesia local para aliviar a dor.

    2. O DIU pode ser colocado após o parto?

    Sim, o DIU é seguro logo em seguida ao parto, seja normal ou cesariana. Ele pode ser inserido imediatamente, ainda no hospital, ou algumas semanas depois, no consultório. Vale lembrar que a amamentação e o desenvolvimento do bebê não são prejudicados pelo uso do DIU.

    3. Qual a diferença entre DIU hormonal e DIU de cobre?

    O DIU de cobre não contém hormônios, atua liberando íons de cobre que dificultam a sobrevivência dos espermatozoides e pode aumentar o fluxo menstrual e as cólicas no início.

    Já o DIU hormonal libera pequenas doses de levonorgestrel (um tipo de progesterona), que além de impedir a gravidez, costuma reduzir o fluxo e as cólicas menstruais.

    4. O DIU hormonal interfere na fertilidade depois da retirada?

    Não, a fertilidade retorna logo após a remoção. Muitas mulheres conseguem engravidar já nos primeiros meses depois de tirar o DIU.

    5. O DIU hormonal engorda?

    Não existem evidências científicas de que o DIU hormonal cause ganho de peso. O que pode acontecer, principalmente nos primeiros meses de uso, é uma leve retenção de líquidos ou sensação de inchaço, que tende a ser temporária e melhora com o tempo.

    Além disso, vale destacar que variações de peso ao longo da vida podem estar relacionadas a vários fatores, como alimentação, estresse, alterações hormonais naturais e rotina de atividade física, e não necessariamente ao uso do DIU.

    6. O DIU hormonal causa acne?

    Algumas mulheres podem notar o surgimento de acne leve ou aumento da oleosidade da pele após a colocação do DIU hormonal. Isso acontece porque o hormônio liberado pelo dispositivo, o levonorgestrel, tem um efeito levemente androgênico, ou seja, pode estimular receptores semelhantes aos dos hormônios masculinos.

    No entanto, o efeito não acontece com todas as pessoas e, quando surge, costuma ser discreto e controlável — e um acompanhamento dermatológico simples costuma resolver, sem necessidade de retirar o DIU.

    7. Posso engravidar usando DIU?

    A taxa de falha é menor que 1% ao ano, ou seja, menos de 1 em cada 100 mulheres engravida enquanto utiliza o dispositivo. Apesar disso, nenhum método contraceptivo é 100% infalível e, em situações raras, pode ocorrer gravidez mesmo com o DIU no lugar.

    Por isso, se houver sintomas de gravidez, como atraso menstrual, náuseas ou alterações típicas de gestação, é importante procurar o médico imediatamente para avaliação.

    Leia mais: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

  • Libido na menopausa: é possível recuperar?

    Libido na menopausa: é possível recuperar?

    Ondas de calor, alterações de humor, insônia e ressecamento vaginal estão entre os sintomas mais comuns da menopausa, fase que marca o fim definitivo da menstruação. O período está diretamente ligado à queda na produção dos hormônios estrogênio e progesterona, responsáveis por diversas funções de equilíbrio no corpo feminino — incluindo o desejo sexual.

    A falta de libido na menopausa é uma das questões mais frequentes do período, e envolve uma série de aspectos físicos e hormonais, que podem impactar na autoestima, qualidade de vida e bem-estar emocional da mulher. Entenda mais!

    O que é a libido e por que ela diminui na menopausa?

    A libido é o desejo sexual, um impulso natural que envolve o corpo e a mente. Na menopausa, ela é impactada principalmente pela queda dos níveis de estrogênio e testosterona — hormônios responsáveis por manter a lubrificação vaginal, a elasticidade dos tecidos e a sensibilidade sexual.

    Com a redução hormonal, o corpo passa a apresentar sinais que dificultam a resposta ao estímulo, como:

    • Ressecamento vaginal e dor durante a relação;
    • Alterações no humor e aumento da ansiedade;
    • Redução da lubrificação natural;
    • Diminuição da sensibilidade genital;
    • Fadiga e alterações no sono.

    Além disso, fatores como estresse, problemas de sono e autoestima abalada também contribuem para a diminuição do interesse sexual.

    Como aumentar a libido na menopausa?

    A queda da libido é muito comum na menopausa, mas existem formas de melhorar o desejo sexual e tornar a vida íntima mais prazerosa. Veja algumas medidas:

    Terapia de reposição hormonal

    A queda do estrogênio é uma das principais causas da baixa libido na menopausa, de modo que a terapia de reposição hormonal (TRH) pode contribuir para aumentar seus níveis hormonais, seja por comprimidos, adesivos, géis, implantes ou injeções.

    Além do estrogênio, a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza explica que existe a tibolona, uma molécula que já mostrou, em estudos, melhora na libido de mulheres na menopausa. Ela atua de forma ampla, ajudando não apenas no desejo, mas também em sintomas como ondas de calor e alterações de humor.

    É importante lembrar que a reposição hormonal deve sempre ser indicada e acompanhada por um médico, já que cada caso é único.

    Hormônios e a libido feminina

    O hormônio feminino (estrogênio) é o principal responsável pela libido da mulher. Quando usado na reposição hormonal, ele ajuda a recuperar o desejo sexual e a qualidade da vida íntima. No entanto, existe um mito de que o hormônio masculino (testosterona) aumentaria a libido feminina. Na prática, Andreia Sapienza aponta que não é verdade.

    Isso acontece porque boa parte da testosterona no corpo da mulher passa por um processo chamado aromatização, que a transforma em estrogênio. Isto é, o que realmente faz diferença para a libido feminina é o hormônio feminino, e não a testosterona ou outros andrógenos.

    No Brasil, não existem produtos de testosterona registrados para uso feminino — e nenhuma sociedade médica recomenda o uso rotineiro. Andreia explica que, em casos muito específicos, quando todos os recursos já foram tentados sem resultado, o médico pode avaliar a testosterona como opção para tratar o desejo sexual hipoativo (falta persistente de desejo).

    Tratamento da secura vaginal

    Um dos fatores que mais prejudicam a vida sexual na menopausa é a secura vaginal, que, como explica Andreia, faz parte da chamada síndrome geniturinária da menopausa.

    A queda do estrogênio afina o tecido vaginal e reduz a lubrificação natural, o que pode causar dor e desconforto durante a relação sexual. Isso provoca um ciclo negativo: a mulher sente dor, antecipa que vai sofrer de novo — e acaba perdendo ainda mais o desejo.

    Nesse caso, o tratamento mais indicado é a estrogenização local, que consiste no uso de estrogênio aplicado diretamente na vagina (em forma de creme, gel ou óvulos). O método melhora a lubrificação, a elasticidade e o conforto durante o sexo.

    Para mulheres que não podem usar hormônio, como pacientes que tiveram câncer de mama, existem outras alternativas, como lubrificantes, hidratantes vaginais e até tecnologias como laser, radiofrequência ou ultrassom microfocado, que estimulam a produção de colágeno e melhoram a lubrificação.

    Psicoterapia

    Além do aspecto hormonal, o lado emocional e afetivo desempenha um peso enorme na vida sexual da mulher. Muitas vezes, a queda do desejo está ligada a inseguranças, estresse, baixa autoestima ou até a dificuldades no relacionamento.

    Nesses casos, a terapia cognitivo-comportamental pode contribuir para devolver a confiança, melhorar a resposta sexual e tornar a intimidade mais prazerosa. Ela consiste em um tipo de psicoterapia focada e de curta duração, que ajuda a mudar padrões de pensamento e comportamento que atrapalham a vida sexual.

    Estilo de vida saudável

    De acordo com Andreia, a função sexual também está relacionada a mudanças no estilo de vida. Isso envolve uma série de hábitos, como:

    • Prática regular de exercícios físicos: além de aumentar a disposição no dia a dia, os exercícios melhoram a circulação sanguínea e a oxigenação dos tecidos, o que favorece a sensibilidade genital e a resposta sexual. Também estimulam a liberação de endorfinas e serotonina, neurotransmissores ligados ao prazer, ao bem-estar e ao controle da ansiedade;
    • Controle de doenças crônicas: condições como diabetes e hipertensão podem comprometer a vascularização da região genital, reduzindo a sensibilidade e dificultando o prazer. Mantê-las sob controle ajuda a preservar a saúde sexual e geral;
    • Sono de qualidade: dormir bem restaura a energia física, equilibra os hormônios e mantém a disposição. O descanso adequado previne a fadiga e a falta de motivação para a intimidade, funcionando como um aliado natural da libido;
    • Alimentos para aumentar a libido na menopausa: a dieta tem papel central na regulação hormonal e no bom funcionamento do organismo. Incluir alimentos ricos em vitaminas, minerais e antioxidantes ajuda a reduzir inflamações, manter o equilíbrio metabólico e favorecer a produção adequada de hormônios.

    Comunicação e estímulo adequado

    A libido também envolve fatores psicológicos, afetivos e emocionais, principalmente no caso das mulheres. Segundo Andreia, a forma de estímulo sexual feminino é diferente da masculina: é preciso que o aspecto emocional e afetivo esteja bem trabalhado.

    Enquanto algumas mulheres sentem o chamado desejo espontâneo, em que a vontade de intimidade surge de forma natural e frequente, outras possuem um perfil mais responsivo. Ou seja, elas não sentem vontade no primeiro momento, mas, quando recebem atenção, carinho e estímulo adequados, acabam entrando no clima e aproveitando a relação de forma positiva e prazerosa.

    Por isso, conversar abertamente com o parceiro (a) faz muita diferença no dia a dia. Falar sobre desejos, inseguranças e limites fortalece a confiança e aproxima o casal. Além disso, buscar novas formas de carinho, investir em preliminares mais longas, experimentar diferentes estímulos e valorizar pequenos gestos de afeto ajudam a manter o interesse sexual vivo e presente na rotina.

    Quando procurar ajuda médica?

    As alterações na libido que ocorrem na menopausa são comuns, mas quando elas afetam o bem-estar e a qualidade de vida, é fundamental procurar ajuda médica. Marque uma consulta com o ginecologista se você apresentar:

    • Dor ou desconforto frequente durante as relações sexuais;
    • Ressecamento vaginal persistente, mesmo com uso de lubrificantes;
    • Queda acentuada no desejo sexual que afeta a autoestima ou o relacionamento;
    • Alterações emocionais importantes, como tristeza, irritabilidade ou falta de interesse pela vida íntima;
    • Sintomas de insônia, ondas de calor e fadiga intensa que comprometem o bem-estar geral;
    • Histórico de doenças crônicas (como hipertensão ou diabetes), que exigem acompanhamento no ajuste dos tratamentos.

    O especialista poderá avaliar de forma individualizada se a paciente precisa de reposição hormonal, uso de estrogênio local, psicoterapia ou outras abordagens complementares.

    Vale lembrar que cada mulher vive a menopausa de forma única, então buscar acompanhamento médico não é apenas para tratar sintomas, mas também para prevenir complicações, melhorar a qualidade de vida e resgatar a confiança no próprio corpo.

    Confira: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

    Perguntas frequentes sobre libido na menopausa

    1. Como o ressecamento vaginal afeta a vida sexual?

    O ressecamento vaginal é um dos sintomas mais incômodos da menopausa e ocorre porque a queda de estrogênio afina as paredes vaginais, reduz a lubrificação natural e aumenta a sensibilidade à dor. Isso pode tornar a relação sexual desconfortável ou até dolorosa, fazendo com que a mulher evite a relação sexual.

    2. O que é menopausa precoce?

    A menopausa precoce ocorre quando os ciclos menstruais cessam antes dos 40 anos. Isso pode acontecer de forma espontânea, por falência ovariana, ou induzida, após cirurgias que retiram os ovários ou tratamentos como quimioterapia e radioterapia.

    A menopausa precoce exige atenção especial, já que aumenta os riscos de osteoporose e doenças cardiovasculares em idade mais jovem. O tratamento geralmente envolve reposição hormonal e acompanhamento multidisciplinar.

    3. Existe idade certa para entrar na menopausa?

    Não há uma idade exata, mas a média é de 51 anos. Algumas mulheres podem entrar na menopausa mais cedo, antes dos 40 anos, como é o caso da menopausa precoce. Já outras podem manter ciclos menstruais até os 55 anos ou mais. Fatores como genética, histórico familiar, tabagismo, cirurgias ginecológicas e certas doenças podem antecipar o início da menopausa.

    4. Como diferenciar menopausa de climatério?

    O climatério é o período de transição que antecede a menopausa, geralmente começando a partir dos 40 anos. Nele, os ciclos menstruais se tornam irregulares e os sintomas começam a aparecer devido às oscilações hormonais. Já a menopausa é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruação.

    5. O que é a síndrome geniturinária da menopausa?

    A síndrome geniturinária da menopausa é um conjunto de sinais e sintomas que surgem devido à queda dos níveis de estrogênio após a menopausa e que afetam a região genital, urinária e sexual da mulher. Eles incluem ressecamento vaginal, coceira, dor durante a relação sexual, urgência urinária e infecções recorrentes.

    6. Toda mulher precisa de reposição hormonal?

    Não, a reposição hormonal deve ser individualizada. Nem todas as mulheres apresentam sintomas que justifiquem seu uso.

    Além disso, existem algumas contraindicações importantes, como histórico de câncer de mama, trombose ou doenças cardíacas graves. O médico avalia os riscos e benefícios antes de prescrever o tratamento. Muitas vezes, mudanças no estilo de vida e tratamentos não hormonais já trazem resultados positivos no dia a dia.

    Leia também: Saúde do coração após a menopausa: conheça os cuidados nessa fase da vida

  • Insônia na menopausa: 4 medidas para melhorar o sono

    Insônia na menopausa: 4 medidas para melhorar o sono

    A menopausa é uma fase natural da vida, marcada pelo fim do ciclo menstrual e pela queda dos hormônios femininos, principalmente estrogênio e progesterona. Ela costuma surgir por volta dos 45 e 55 anos — e as mudanças não afetam apenas a fertilidade, mas impactam diretamente várias funções do corpo, como a qualidade do sono.

    Alterações hormonais, ondas de calor, ganho de peso e até mesmo fatores emocionais podem prejudicar o descanso noturno, o que pode originar um quadro de insônia na menopausa. Ele se manifesta de diversas formas, e compromete diretamente o bem-estar e a qualidade de vida.

    Por que o sono na menopausa é tão afetado?

    A insônia é um dos principais problemas que podem surgir na menopausa. Inclusive, a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza explica que uma escala antiga usada pela medicina, chamada Escala de Kupperman, já apontava a insônia como o segundo sintoma mais intenso da menopausa, ficando atrás apenas das ondas de calor (ou fogacho).

    As ondas de calor podem atingir até 80% das mulheres na pós-menopausa e, muitas vezes, começam à noite. O ciclo é assim: sensação de calor súbito, a pessoa tira o cobertor, sente frio novamente e se cobre.

    Como consequência, há despertares constantes, o que interrompe o sono profundo e causa fadiga, irritabilidade e falta de disposição.

    Andreia esclarece que a insônia pode aparecer de três formas principais:

    • Dificuldade para pegar no sono;
    • Sono fragmentado (a pessoa dorme, mas acorda várias vezes, sem descanso reparador);
    • Despertar precoce (a pessoa dorme bem, mas acorda às 3 ou 4 da manhã e não consegue dormir de novo).

    Além disso, o metabolismo desacelera, o corpo acumula mais gordura abdominal e a probabilidade de apneia do sono aumenta. Isso significa mais ronco, pausas respiratórias e menos sono reparador. É por isso que é comum pessoas que relatam dormir, mas acordar cansadas.

    Como melhorar a insônia na menopausa?

    Higiene do sono

    A higiene do sono é o primeiro passo para tratar a insônia na menopausa – e envolve uma série de hábitos e cuidados diários que ajudam a melhorar a qualidade do sono. A ideia é criar um ambiente e uma rotina que favoreçam o adormecer e a manutenção de um sono profundo e reparador. Entre os hábitos, é possível destacar:

    • Evite telas antes de dormir: a luz azul de celulares, tablets e televisores estimula o cérebro e dificulta a produção natural de melatonina, o hormônio do sono;
    • Prefira refeições leves à noite: comer em excesso pode atrapalhar a digestão e deixar o corpo agitado. Prefira sopas, saladas ou proteínas leves;
    • Reduza cafeína e estimulantes: café, energéticos e chás pretos devem ser evitados no fim da tarde. As bebidas podem atrasar o início do sono;
    • Ajuste o ambiente do quarto: silêncio, escuridão e temperatura adequada são aliados poderosos para noites melhores;
    • Atividades relaxantes: ler um livro em papel, meditar ou ouvir músicas calmas ajudam a sinalizar ao corpo que é hora de desacelerar.

    De acordo com Andreia, apenas depois da adoção da higiene do sono é que se avaliam outras abordagens de tratamento, como o uso de medicamentos ou terapia de reposição hormonal.

    Atividades físicas

    A prática regular de atividade física é um dos maiores aliados da qualidade do sono, inclusive durante a menopausa. Ela ajuda a regular o metabolismo, reduzir o estresse e aumentar a sensação de bem-estar — fatores que facilitam o adormecer e tornam o sono mais reparador.

    Segundo o Ministério da Saúde, a recomendação é:

    • 150 minutos semanais de atividade física moderada (como caminhada rápida, bicicleta leve, hidroginástica); ou
    • 75 minutos semanais de atividade vigorosa (como corrida, natação, aulas de dança mais intensas);
    • Também é indicado fazer musculação ou exercícios de fortalecimento muscular pelo menos 2 vezes por semana.

    As atividades, distribuídas ao longo da semana, ajudam não apenas na qualidade do sono, mas também na saúde do coração, dos ossos e no controle do peso, fatores especialmente importantes nessa fase da vida.

    Reposição hormonal na menopausa

    A terapia de reposição hormonal é um tratamento médico que utiliza hormônios, normalmente estrogênio isolado ou associado à progesterona, para compensar a queda natural dos hormônios no corpo da mulher após a última menstruação.

    No caso específico da insônia, a reposição hormonal ajuda porque o estrogênio tem papel direto no cérebro. Durante a menopausa, ocorre a desocupação dos receptores de estrogênio, o que desequilibra a produção de neurotransmissores ligados ao sono. Ao repor o estrogênio, o equilíbrio é restaurado, facilitando um sono mais contínuo.

    No entanto, Andreia ressalta que a reposição hormonal não é solução isolada e deve vir acompanhada de cuidados com a higiene do sono.

    A TRH também deve ser avaliada caso a caso, levando em conta histórico familiar e fatores de risco, como câncer de mama, trombose ou doenças cardiovasculares.

    Uso de remédios para insônia na menopausa

    Se a paciente não apresenta melhora apenas com a higiene do sono e a reposição hormonal, o médico pode avaliar o uso de medicamentos.

    Uma das opções são os indutores do sono, que facilitam o início do adormecer e funcionam bem para quem tem dificuldade em pegar no sono. No entanto, Andreia aponta que eles têm pouca eficácia quando o problema está em manter o sono contínuo ou em evitar despertares precoces.

    Já algumas medicações antidepressivas, embora indicadas originalmente para outros quadros clínicos, também podem ser prescritas à noite como apoio adicional para melhorar o descanso.

    Importante: os benzodiazepínicos (como diazepam e alprazolam) são pouco recomendados, destaca Andreia, pois apresentam risco de dependência e tolerância. Por isso, só devem ser usados em situações muito específicas e por tempo curto, como em períodos de estresse intenso ou após um luto. O uso prolongado não é indicado!

    Em todos os casos, os medicamentos devem ser vistos como uma abordagem complementar e temporária — e nunca como a solução principal para os distúrbios do sono.

    Melatonina funciona?

    A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pela glândula pineal e regulado pela incidência de luz na retina, sinalizando ao corpo a hora de dormir. É considerada uma alternativa interessante para melhorar a qualidade do sono, mas com algumas ressalvas.

    No Brasil, ela é registrada apenas como suplemento alimentar e em doses muito baixas (0,21 mg), praticamente sem efeito clínico. Para resultados eficazes, seriam necessárias doses em torno de 2 mg, cerca de dez vezes mais do que a quantidade liberada atualmente pela Anvisa.

    Mesmo assim, Andreia aponta que, quando a dosagem é ajustada, a melatonina pode trazer benefícios, especialmente para pessoas acima dos 55 anos — faixa etária em que a produção natural começa a cair. Isso coincide com a idade típica da menopausa (entre 45 e 55 anos).

    Nessas situações, a suplementação pode ajudar a regular o sono de forma segura, desde que utilizada em doses adequadas e com orientação médica, ainda que não existam produtos oficialmente registrados no Brasil nessa concentração.

    Insônia na menopausa: quais hábitos podem ajudar?

    Mesmo em uma rotina agitada, é possível adotar algumas mudanças simples que ajudam a melhorar a qualidade do sono na menopausa, como:

    • Chás calmantes: infusões de maracujá, camomila ou melissa ajudam a reduzir a agitação e preparar o corpo para o descanso;
    • Alimentos ricos em triptofano: incluir banana, aveia e castanhas na alimentação, por exemplo, estimula a produção de serotonina, favorecendo o relaxamento;
    • Rotina consistente: manter horários fixos para dormir e acordar ajuda o organismo a criar um ritmo natural de descanso;
    • Controle de peso: cuidar da alimentação e praticar atividades físicas reduz o risco de apneia do sono e melhora o repouso noturno.

    Quando procurar ajuda médica?

    É comum que muitas mulheres tentem resolver a insônia por conta própria, mas nem sempre é suficiente. Procure atendimento médico se:

    • O problema persiste por mais de 3 meses, pois insônia crônica precisa de avaliação médica;
    • Há sinais de apneia do sono, como roncos intensos, pausas respiratórias e sonolência diurna;
    • Há impacto emocional e físico, como cansaço constante, queda de produtividade, irritabilidade e até depressão podem ser consequências da falta de sono.

    Leia mais: Saúde do coração após a menopausa: conheça os cuidados nessa fase da vida

    Perguntas frequentes sobre insônia na menopausa

    1. Quais os sintomas da menopausa?

    Os sintomas da menopausa variam de mulher para mulher, mas os mais comuns são ondas de calor, suores noturnos, insônia, irregularidade menstrual, ressecamento vaginal, alterações de humor, ganho de peso e queda da libido. Além disso, muitas mulheres relatam dificuldade de concentração, fadiga e dores articulares.

    2. O ronco pode piorar na menopausa?

    O ronco é bastante comum nessa fase, justamente pelo ganho de peso e aumento do risco de apneia do sono. Além do incômodo para quem divide o quarto, ele compromete a qualidade do descanso, já que reduz o sono profundo. Nesse caso, é importante investigar a apneia e, se necessário, iniciar tratamento com orientação do médico.

    3. O estresse pode piorar a insônia na menopausa?

    Sim, pois o estresse eleva os níveis de cortisol, o hormônio do alerta, que dificulta o relaxamento e a indução ao sono. Durante a menopausa, como o corpo já está em desequilíbrio hormonal, qualquer fator emocional pode potencializar o quadro de insônia. Adotar técnicas de respiração, meditação guiada e até terapia cognitivo-comportamental ajudam a controlar o quadro.

    4. Dormir com ar-condicionado ajuda nas ondas de calor noturnas?

    Sim, manter o quarto em temperatura mais baixa ajuda a minimizar as ondas de calor. O ar-condicionado ou ventilador podem ser aliados, desde que usados de forma moderada para evitar ressecamento das vias respiratórias. O ideal é manter o ambiente fresco e estável durante a noite.

    5. A acupuntura pode ajudar no sono na menopausa?

    Pesquisas indicam que a acupuntura pode ajudar a diminuir a intensidade das ondas de calor e a controlar a ansiedade, dois sintomas que frequentemente atrapalham o sono na menopausa. Ela não substitui outros tratamentos, mas pode ser uma opção complementar para melhorar a qualidade do descanso e promover maior bem-estar.

    Confira: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    Com eficácia comparada à laqueadura, o DIU de cobre é um método contraceptivo de longa duração, que pode prevenir uma gravidez por até 10 anos. Por não conter hormônios, ele pode ser utilizado pela maioria das pessoas — inclusive aquelas que têm condições de saúde que contraindicam o uso de hormônios.

    Para entender como ele funciona, quando é indicado e as vantagens e desvantagens do método, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Confira, a seguir!

    O que é e como funciona o DIU de cobre?

    O DIU de cobre, ou dispositivo intrauterino, é um pequeno objeto em formato de T, feito de plástico flexível e revestido por fios ou anéis de cobre. Ele é colocado dentro do útero por um profissional de saúde em um procedimento rápido, geralmente realizado no consultório.

    Assim como o DIU hormonal, o DIU de cobre não impede a ovulação, mas a pessoa não engravida porque as condições para fecundação e implantação não acontecem. O mecanismo de ação do dispositivo é o seguinte:

    • O cobre libera íons que criam um ambiente inflamatório controlado no útero, tornando-o hostil para os espermatozoides;
    • A inflamação impede que os espermatozoides sobrevivam tempo suficiente para chegar até o óvulo;
    • O muco cervical também fica mais hostil, dificultando ainda mais a mobilidade dos espermatozoides;
    • Além disso, caso ocorra fecundação, o endométrio (camada interna do útero) fica impróprio para a implantação do embrião.

    A duração do DIU varia de acordo com o modelo, podendo durar de 5 a 10 anos. Isso significa que não é necessário o controle diário com anticoncepcionais, e se a pessoa decidir engravidar, basta retirar o dispositivo — a fertilidade retorna rapidamente.

    Vale apontar que o DIU de cobre não é abortivo. Ele simplesmente dificulta que espermatozoides encontrem o óvulo e que um possível embrião se implante.

    Como é feita a colocação do DIU de cobre?

    A colocação do DIU de cobre é um procedimento simples, rápido e realizado no consultório do ginecologista.

    Durante o procedimento, a mulher fica deitada na posição ginecológica, e o médico utiliza um espéculo para visualizar o colo do útero. A região é higienizada e a cavidade uterina é medida para garantir que o DIU será posicionado corretamente.

    Depois, o dispositivo é introduzido cuidadosamente pelo colo do útero até o interior da cavidade uterina. Quando o DIU é liberado, ele se abre em formato de T e permanece ali, oferecendo proteção contraceptiva imediata.

    Ao final, ficam apenas dois fios finos no colo do útero, que servem para verificar se o dispositivo está no lugar e facilitar a retirada no futuro.

    Algumas mulheres podem sentir cólica ou desconforto durante a inserção, mas os sintomas normalmente são leves e passageiros. Após o procedimento, a recomendação é evitar relações sexuais e o uso de absorvente interno por alguns dias, além de retornar ao médico para acompanhamento.

    E a remoção?

    A remoção do DIU de cobre também é rápida e feita em consultório, sem necessidade de anestesia. O médico localiza os fios no colo do útero e puxa suavemente o dispositivo, que sai em poucos segundos. A mulher pode sentir apenas uma cólica leve e passageira.

    O DIU pode ser retirado a qualquer momento, seja porque terminou o prazo de validade, por desejo de engravidar ou por troca de método. A fertilidade retorna logo após a remoção, permitindo a gestação já no ciclo seguinte.

    Cuidados após a colocação do DIU de cobre

    Para reduzir quaisquer riscos de complicações, logo após a inserção, Andreia aponta que o recomendado é realizar um ultrassom para confirmar a posição correta do DIU.

    No primeiro ano, o ideal é repetir o exame a cada seis meses e, a partir do segundo ano, fazer a checagem anualmente ou sempre que houver sintomas como dor intensa ou sangramento anormal.

    Quando o DIU de cobre é indicado?

    O DIU de cobre é indicado especialmente para pessoas que desejam um método contraceptivo de longa duração. De acordo com Andreia, por não ter hormônio, o dispositivo pode ser utilizado pela maioria das pacientes — inclusive aquelas que têm doenças que contraindicam hormônios.

    O dispositivo pode ser inserido logo após o parto ou após um aborto, desde que não haja contraindicações específicas. Ele também é uma opção acessível, já que está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

    De acordo com o Ministério da Saúde, o DIU de cobre pode ser usado até como contracepção de emergência, desde que seja colocado em até 5 dias após uma relação sexual desprotegida. Isso o torna mais eficaz que a pílula do dia seguinte, com a vantagem de continuar protegendo por anos.

    Vantagens do DIU de cobre

    • Tem eficácia superior a 99% e pode durar de 5 a 10 anos;
    • Não contém hormônios, não altera o ciclo menstrual, não engorda e não interfere na libido;
    • A fertilidade retorna imediatamente após a retirada;
    • Pode ser usado por mulheres com contraindicação de hormônios;
    • Está disponível gratuitamente pelo SUS;
    • Também pode ser usado como contracepção de emergência se colocado até 5 dias após a relação.

    Desvantagens do DIU de cobre

    Uma das principais desvantagens do DIU de cobre, de acordo com Andreia, é o aumento do fluxo menstrual e das cólicas. Como ele provoca uma reação inflamatória no útero, o fluxo tende a aumentar e, em mulheres que já têm cólicas, as dores podem se intensificar.

    Além disso, outras desvantagens devem ser consideradas, como:

    • O ciclo pode se prolongar, em alguns casos levando à anemia;
    • Existe maior risco relativo de infecção uterina;
    • Há chance rara de gravidez ectópica;
    • Pode ser expulso espontaneamente, sobretudo no primeiro ano.

    Outra complicação possível que Andreia destaca, e vale para todos os DIUs, é a perfuração uterina. Isso acontece quando o dispositivo atravessa a parede do útero e migra para a cavidade abdominal. O risco é baixo, mas requer atenção.

    Leia mais: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados

    Possíveis efeitos colaterais

    • Sangramento irregular nos primeiros ciclos;
    • Menstruações mais longas e volumosas;
    • Cólicas menstruais mais fortes;
    • Corrimento ou desconforto leve (geralmente passageiro).

    Essas alterações são comuns nos primeiros meses, mas tendem a melhorar entre 3 e 6 meses. Se houver febre, dor intensa ou sangramento muito forte, é importante procurar atendimento médico.

    Quais as contraindicações do DIU de cobre?

    Apesar de ser seguro e indicado para a maioria das mulheres, o DIU de cobre não é recomendado em algumas situações específicas. Entre as contraindicações absolutas, estão:

    • Gravidez confirmada ou suspeita;
    • Câncer de colo do útero ou de endométrio;
    • Infecções genitais ativas;
    • Malformações uterinas que impeçam a colocação do DIU;
    • Alergia ao cobre;
    • Sangramentos uterinos de origem desconhecida.

    Já as contraindicações relativas incluem:

    • Doenças de coagulação;
    • Doenças relacionadas ao HIV em estágio avançado;
    • Histórico de doença trofoblástica gestacional.

    Confira: Fluxo menstrual intenso: o que é, sintomas e como tratar

    Perguntas frequentes sobre DIU de cobre

    1. O DIU de cobre é abortivo?

    Não. Ele age antes da fecundação e é classificado pela OMS como método não abortivo.

    2. O DIU de cobre altera o ciclo menstrual?

    Sim, pode aumentar o fluxo e a duração da menstruação. Em alguns casos, pode causar anemia.

    3. O DIU de cobre dói para colocar?

    Pode causar cólicas leves ou moderadas, mas geralmente passageiras.

    4. Qual é a eficácia do DIU de cobre?

    Tem eficácia superior a 99%, comparável à laqueadura, mas é reversível.

    5. Quanto custa o DIU de cobre?

    É gratuito pelo SUS. Na rede privada, custa de R$150 a R$600 com o procedimento incluso.

    6. DIU de cobre engorda?

    Não. Por não conter hormônios, não afeta o peso nem o metabolismo.

    7. O DIU de cobre pode sair sozinho?

    Raramente, e costuma ocorrer no primeiro ano de uso. É importante acompanhamento médico.

    8. O DIU de cobre pode ser usado no pós-parto?

    Sim, pode ser colocado logo após o parto, desde que não haja infecção ou complicações.

    Leia também: Adenomiose: o que é, sintomas, causas e tratamento