Autor: Dra. Andreia Sapienza

  • Quanto tempo demora para engravidar? Obstetra esclarece

    Quanto tempo demora para engravidar? Obstetra esclarece

    Se você está tentando engravidar, é normal a expectativa vir acompanhada de ansiedade depois de interromper o método contraceptivo — e mesmo uma pequena demora pode te levar a acreditar que existe algum problema. Mas, na prática, o processo reprodutivo depende de vários fatores que variam entre pessoas, ciclos e fases da vida.

    Mesmo em condições ideais, a concepção pode não acontecer imediatamente, e o tempo necessário para ter um bebê pode ser maior do que você imagina. Por isso, saber o que é considerado normal ajuda a reduzir a angústia e a identificar o momento adequado para procurar uma avaliação médica. Vamos entender mais, a seguir!

    Quanto tempo demora para engravidar?

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, é considerado normal conseguir engravidar de forma natural dentro de um ano para quem tem menos de 35 anos. Isso acontece porque a chance mensal varia e, muitas vezes, o corpo precisa de tempo para ajustar ovulação, qualidade dos gametas e outros fatores.

    A maioria dos casais saudáveis concebe nos primeiros seis meses de tentativas, sobretudo quando há relações frequentes ao longo do ciclo menstrual e uma rotina reprodutiva sem fatores de risco. Mas, para mulheres acima dos 35 anos, o tempo de espera recomendado é menor porque a reserva ovariana costuma cair de forma mais acelerada a partir dessa faixa etária.

    Com o passar dos anos, o número de óvulos disponíveis diminui e a qualidade também se altera, o que reduz as chances por ciclo e pode aumentar a dificuldade para engravidar.

    Por que a fertilidade cai com o passar do tempo?

    A fertilidade diminui com o passar do tempo porque o organismo muda de maneira natural. A mulher nasce com todos os óvulos que terá durante a vida, e a reserva tende a diminuir mês após mês. A queda fica ainda mais acelerada e evidente após os 35 anos, já que a qualidade dos óvulos também passa por alterações que dificultam a fecundação.

    As mudanças naturais do corpo tornam alterações genéticas mais comuns com o passar dos anos, o que pode aumentar o risco de perdas gestacionais muito no início. No corpo masculino, isso também acontece, só que de maneira mais lenta: o volume do sêmen diminui aos poucos, os espermatozoides passam a se mover com menos rapidez e a qualidade dessas células é afetada pela idade.

    Vale apontar que a saúde também interfere na fertilidade, e condições como endometriose, miomas, alterações da tireoide, hipertensão, diabetes e inflamações silenciosas são mais frequentes com o envelhecimento. O acúmulo de hábitos como tabagismo, álcool em excesso, noites mal dormidas, estresse crônico e sedentarismo também afeta o sistema reprodutivo.

    Qual é a probabilidade de engravidar em cada ciclo?

    A chance média de concepção em cada ciclo varia entre 15% a 20% para mulheres jovens e sem problemas de fertilidade. A gravidez só acontece quando vários passos do corpo funcionam juntos no momento certo, como ovulação, encontro do óvulo com o espermatozoide e implantação no útero. Se qualquer uma dessas etapas não ocorre como deveria, as chances de engravidar diminuem.

    Mesmo em mulheres férteis, alguns ciclos podem ocorrer sem ovulação, e a funcionalidade das tubas nem sempre é totalmente previsível, mesmo quando estão permeáveis.

    Se houver relação sexual no período fértil, os espermatozoides precisam atravessar o muco cervical, alcançar o útero e seguir até as tubas, onde encontrarão o óvulo. Nessa etapa também existem variáveis: o muco pode não estar adequado, os espermatozoides podem não chegar ao óvulo ou não conseguir penetrá-lo para realizar a fecundação.

    É por isso que médicos consideram um período de seis meses a um ano, e não um único ciclo. Com o passar do tempo, várias tentativas aumentam a chance da gravidez acontecer.

    Não consigo engravidar naturalmente, o que pode ser?

    Não conseguir engravidar naturalmente é mais comum do que parece e pode ter várias explicações. De acordo com Andreia, entre as causas que podem influenciar na fertilidade, 40% são exclusivamente femininas, 40% exclusivamente masculinas e 20% envolvem ambos os parceiros. Também existe a chamada infertilidade inexplicada, quando nenhum exame consegue apontar um motivo claro.

    O tempo necessário para engravidar varia conforme idade, frequência das relações e, sobretudo, estilo de vida, que influencia diretamente a qualidade dos gametas.

    Entre os hábitos que prejudicam a fertilidade:

    • Tabagismo;
    • Má alimentação;
    • Sedentarismo;
    • Consumo frequente de álcool.

    Fatores masculinos incluem:

    • Caxumba com orquite;
    • Varicocele;
    • Torção testicular prévia ou atrofia;
    • Infecções urogenitais não tratadas;
    • Exposição a calor excessivo na região escrotal;
    • Uso de anabolizantes;
    • Distúrbios hormonais;
    • Doenças crônicas como diabetes e hipertensão grave.

    Fatores femininos incluem:

    • Infecções pélvicas (clamídia e gonorreia);
    • Doença inflamatória pélvica;
    • Endometriose;
    • Síndrome dos ovários policísticos;
    • Adenomiose;
    • Miomas submucosos;
    • Distúrbios da tireoide;
    • Hiperprolactinemia;
    • Doenças autoimunes;
    • Menopausa precoce.

    Quando procurar avaliação médica durante as tentativas?

    • Menores de 35 anos: após 12 meses sem sucesso;
    • 35 a 39 anos: após 6 meses;
    • 40 anos ou mais: avaliação imediata.

    A investigação só deve ser feita após o período recomendado de tentativas. Se houver dúvidas sobre período fértil ou frequência das relações, uma consulta inicial com ginecologista ou urologista pode ajudar.

    Como é feita a investigação?

    Na mulher:

    • Exames hormonais;
    • Ultrassom transvaginal;
    • Histerossalpingografia.

    No homem:

    • Espermograma (avalia quantidade, morfologia e motilidade).

    O especialista também avalia rotina, hábitos e histórico de saúde.

    Tratamentos para infertilidade

    Medidas iniciais:

    • Mudança de hábitos;
    • Ajuste de peso;
    • Suplementação orientada;
    • Indução da ovulação.

    Baixa complexidade:

    • Relação programada;
    • Inseminação intrauterina.

    Alta complexidade:

    • Fertilização in vitro (FIV);
    • Injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI).

    Todos os métodos devem ser orientados por médico. Tentativas caseiras são contraindicadas e oferecem riscos.

    Leia também: Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

    Perguntas frequentes

    Tentativas mensais contam desde quando?

    Contam quando há relações frequentes, especialmente no período fértil.

    Ciclos regulares mudam o tempo de espera?

    Com ciclos regulares, mantém-se a orientação de tentar por até um ano antes de investigar.

    Anticoncepcional altera o prazo?

    A fertilidade geralmente retorna em poucas semanas.

    Sobrepeso interfere?

    Sim. Pode afetar hormônios e ovulação.

    Após remover o DIU, quanto tempo para engravidar?

    A fertilidade retorna imediatamente.

    Quantos dias depois da menstruação posso engravidar?

    No período fértil, geralmente entre 10 e 14 dias em ciclos de 28 dias.

    Como saber o dia exato da concepção?

    Não é possível determinar exatamente. A estimativa é feita com base na última menstruação e no ultrassom inicial.

    Confira: 7 cuidados que você deve ter antes de engravidar

  • Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão 

    Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão 

    Nem toda mulher se sente confortável menstruando todos os meses. Seja por condições de saúde ou por sintomas intensos, como cólicas e fluxo pesado, o ciclo pode interferir na rotina e na qualidade de vida — levando muitas pessoas a considerarem a suspensão da menstruação sob orientação médica.

    Mas, do ponto de vista biológico, tem algum problema em interromper o ciclo? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andrea Sapienza para entender se a decisão é segura, em quais casos a suspensão é indicada e quais medidas podem tornar o período menstrual mais tranquilo

    Qual o papel do ciclo menstrual?

    O ciclo menstrual faz parte do funcionamento natural do corpo feminino durante a fase reprodutiva. Basicamente, a cada mês, o organismo se prepara para uma possível gravidez, com alterações hormonais que estimulam a ovulação e o espessamento do endométrio, camada interna do útero.

    Quando a gravidez não acontece, ocorre a descamação desse tecido, o que provoca a menstruação.

    Além da função reprodutiva, o ciclo também influencia vários aspectos da saúde, como humor, energia, pele, sono e até desempenho físico. Por isso, qualquer decisão sobre parar ou não de menstruar deve ser feita com acompanhamento médico, considerando também o bem-estar da mulher.

    Suspender a menstruação é seguro?

    Na maioria dos casos, a suspensão da menstruação com métodos hormonais é considerada segura quando há acompanhamento médico. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, parar de menstruar não costuma provocar desequilíbrio hormonal nem alterações prejudiciais ao organismo.

    Ou seja, se a mulher deseja interromper a menstruação, seja por escolha pessoal ou por alguma condição de saúde, isso normalmente não causa problemas para a fertilidade.

    Os contraceptivos usados para parar a descida de sangue não mudam a fertilidade de base. O que pode acontecer é a pessoa já ter infertilidade e não saber, simplesmente porque nunca tentou engravidar.

    De qualquer forma, vale sempre avaliar o histórico de saúde, fatores de risco cardiovascular, presença de doenças hormonais ou ginecológicas e o método escolhido. Cada organismo reage de um jeito, por isso a orientação profissional ajuda a garantir mais segurança e tranquilidade.

    Quando parar de menstruar pode ser indicado?

    A suspensão da menstruação pode ser indicada tanto por motivos médicos quanto pessoais. Entre as condições, Andreia aponta:

    • Endometriose, que costuma causar dor intensa e pode piorar com os ciclos menstruais;
    • Miomas uterinos, que podem aumentar o fluxo e provocar sangramentos prolongados;
    • Anemia causada por menstruação muito intensa ou frequente;
    • Cólicas menstruais fortes, que atrapalham rotina, trabalho ou estudos;
    • TPM muito intensa ou transtorno disfórico pré-menstrual, com sintomas físicos e emocionais marcantes;
    • Fluxo menstrual muito abundante ou irregular.

    Ela também pode ser considerada quando a menstruação afeta a qualidade de vida, a rotina profissional, a prática esportiva ou o conforto pessoal.

    Em todos os casos, é fundamental conversar com o ginecologista para entender o que faz sentido para o seu corpo e para a sua rotina.

    Como é feita a interrupção da menstruação?

    A interrupção da menstruação normalmente é feita com métodos hormonais, que atuam reduzindo o espessamento do endométrio ou bloqueando a ovulação, como aponta Andreia:

    • Pílula anticoncepcional contínua combinada (estrogênio + progesterona): usada sem pausa para evitar o sangramento mensal;
    • Pílula só de progesterona: que também pode reduzir ou suspender a menstruação, embora às vezes cause escapes;
    • Implante hormonal (como Implanon): que bloqueia a menstruação em muitas mulheres, mas pode provocar sangramentos irregulares após alguns meses;
    • DIU hormonal: considerado um dos métodos mais eficazes, principalmente o Mirena, que possui maior dose hormonal e costuma inibir melhor o endométrio;
    • DIU hormonal com menor dose (como Kyleena): que pode reduzir o fluxo, mas nem sempre bloqueia totalmente.

    Vale lembrar que o DIU de cobre não suspende a menstruação e pode até aumentar o fluxo. Ele não contém hormônios e age principalmente dificultando a fecundação, por isso não costuma bloquear o ciclo menstrual.

    Também existem outras formas de interromper a menstruação, mas normalmente são usadas apenas em situações específicas e por tempo limitado. Um exemplo são os análogos de GnRH, medicamentos que induzem uma espécie de menopausa temporária ao bloquear totalmente o eixo hormonal.

    Segundo Andreia, eles costumam ser usados antes de cirurgias ginecológicas, como em casos de miomas grandes com anemia importante. O objetivo é reduzir o sangramento, melhorar a anemia e até diminuir o volume dos miomas, facilitando o procedimento cirúrgico. Normalmente, o uso dura de três a seis meses.

    Diferença entre parar a menstruação e ter sangramentos de escape

    Nem todo sangramento durante o uso de contraceptivos significa menstruação. O sangramento de escape pode acontecer quando o endométrio fica muito fino por ação hormonal e pequenos vasos acabam sangrando.

    O sangramento costuma ser mais leve, irregular e sem os sintomas típicos do ciclo menstrual. Pode acontecer principalmente nos primeiros meses de uso ou com métodos que liberam apenas progesterona.

    É possível parar a menstruação que já desceu?

    Não é possível parar a menstruação imediatamente depois que ela já começou, pois é um processo natural de descamação do útero.

    No entanto, é possível reduzir o fluxo ou a duração com acompanhamento médico, usando medicamentos hormonais ou anti-inflamatórios, ou métodos contínuos como anticoncepcional para regular ciclos futuros.

    As opções devem sempre ser avaliadas por um médico, já que a escolha do tratamento depende do histórico de saúde, da causa do sangramento e do objetivo da paciente. Por isso, jamais se automedique!

    Existe idade ideal para parar de menstruar?

    Não existe uma idade única válida para todas, mas em adolescentes, Andreia aponta que é preciso ter cautela maior porque o organismo ainda está em desenvolvimento, principalmente em relação à massa óssea.

    Mesmo assim, quando há indicação médica ou necessidade contraceptiva, o acompanhamento especializado permite avaliar riscos e benefícios.

    Na vida adulta, a decisão tende a ser mais simples, desde que não haja contraindicações clínicas. Em qualquer fase, a avaliação individual continua sendo o fator mais importante.

    Mudanças no estilo de vida podem ajudar no ciclo menstrual

    O funcionamento do ciclo menstrual não depende apenas dos hormônios, de modo que os hábitos no dia a dia podem influenciar nos sintomas e na regularidade da menstruação. Pequenos ajustes na rotina já podem ajudar, como:

    • Prática regular de atividade física: ajuda na regulação hormonal, melhora cólicas, sintomas de TPM e disposição geral;
    • Alimentação equilibrada e menos inflamatória: priorizar alimentos naturais, reduzir ultraprocessados, açúcar e gorduras em excesso;
    • Sono de qualidade: dormir bem favorece equilíbrio hormonal e estabilidade emocional;
    • Controle do estresse: técnicas de respiração, terapia, meditação ou momentos de lazer podem reduzir sintomas físicos e emocionais do ciclo;
    • Hidratação adequada: contribui para funcionamento metabólico, redução de inchaço e bem-estar geral.

    Vale ressaltar que as mudanças de estilo de vida não substituem o tratamento médico quando há doenças ginecológicas, mas funcionam como um suporte. Em muitos casos, melhorar hábitos já traz alívio significativo e ajuda a tornar o ciclo mais tranquilo.

    Perguntas frequentes

    1. O sangue não fica “preso” ou “acumulado” no corpo?

    Não, quando você usa um método para interromper o ciclo, o hormônio impede que a parede do útero (endométrio) engrosse. Se essa camada não cresce, não há o que descamar. Portanto, não há sangue acumulado.

    2. Parar de menstruar afeta a fertilidade no futuro?

    Não. Assim que você interrompe o uso do método hormonal, o corpo retoma o eixo natural de ovulação. A fertilidade não é prejudicada pelo tempo em que você ficou sem menstruar.

    3. Posso parar a menstruação por conta própria?

    Não é recomendado. É preciso uma avaliação médica para saber qual hormônio é compatível com seu histórico de saúde (pressão alta, tabagismo, risco de trombose, etc.).

    4. Quanto tempo demora para o corpo se adaptar e parar totalmente?

    Em média, de 3 a 6 meses. Durante esse período, o útero está se ajustando à nova carga hormonal.

    5. Posso usar o coletor menstrual ou absorvente interno enquanto me adapto?

    Sim. Durante a fase de adaptação, onde podem ocorrer os escapes, você pode usar qualquer método de higiene menstrual (absorventes, coletores, calcinhas absorventes). O uso de hormônios não interfere no uso desses produtos.

    6. Como fica a TPM quando paramos de menstruar?

    Na maioria dos casos, a TPM melhora significativamente ou desaparece, pois os sintomas são causados pelas flutuações hormonais do ciclo natural. Com o método contínuo, os níveis hormonais ficam estáveis, evitando os altos e baixos emocionais e físicos

  • Vacina do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) na gravidez: como funciona e quando tomar 

    Vacina do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) na gravidez: como funciona e quando tomar 

    No fim de 2025, o Ministério da Saúde iniciou a distribuição nacional da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), agora oferecida gratuitamente pelo SUS. O imunizante é indicado principalmente para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, sem limite de idade para a mãe.

    O VSR é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos, sendo uma das principais causas de internação nessa fase.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender qual o melhor momento para tomar a vacina, se ela é segura durante a gestação e as possíveis reações adversas. Confira!

    O que é o VSR (vírus sincicial respiratório)?

    O vírus sincicial respiratório (VSR) é um dos principais causadores de infecções nas vias respiratórias, podendo afetar nariz, garganta, brônquios e pulmões.

    Ele pode infectar pessoas de qualquer idade, mas costuma ser a principal causa de bronquiolite e pneumonia em bebês e crianças pequenas.

    Na maioria dos adultos e crianças maiores saudáveis, a infecção costuma provocar sintomas parecidos com resfriado, como coriza, tosse, febre leve e mal-estar.

    Já em recém-nascidos, prematuros, idosos e pessoas com doenças pulmonares ou baixa imunidade, o quadro pode ser mais intenso, com falta de ar, chiado no peito e necessidade de acompanhamento médico.

    Por que ele é perigoso para bebês?

    O vírus sincicial respiratório tem a capacidade de fundir células infectadas, formando grandes massas celulares que prejudicam o funcionamento normal das vias respiratórias.

    Em bebês, as vias aéreas são naturalmente mais estreitas e sensíveis, de modo que quando ocorre uma inflamação associada ao excesso de muco, esses pequenos canais podem obstruir com facilidade, dificultando a passagem do ar e tornando a respiração mais trabalhosa.

    Por consequência, o bebê pode apresentar chiado no peito, respiração acelerada, dificuldade para mamar, cansaço e, em casos mais intensos, queda na oxigenação.

    Isso aumenta o risco de bronquiolite, pneumonia e necessidade de internação, principalmente nos primeiros meses de vida, quando o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento.

    Como funciona a vacina do VSR na gravidez?

    A vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) atua estimulando o sistema imunológico a reconhecer uma proteína do vírus chamada proteína F, usada por ele para entrar nas células.

    As vacinas mais recentes, como Abrysvo e a Arexvy, conseguem manter essa proteína em um formato mais vulnerável, chamado pré-fusão, o que facilita a produção de anticorpos eficazes contra a infecção.

    Quando aplicada na gestação, o organismo da mãe produz anticorpos que atravessam a placenta e chegam ao bebê. Assim, o recém-nascido já nasce com uma proteção inicial, especialmente importante nos primeiros meses de vida, fase em que o risco de bronquiolite e complicações respiratórias costuma ser maior.

    Após o nascimento, Andreia explica que a amamentação continua oferecendo anticorpos, ajudando na proteção inicial. Do ponto de vista do bebê, isso é chamado de imunização passiva, pois os anticorpos foram produzidos pelo organismo materno.

    Quanto tempo dura a proteção do bebê?

    A proteção costuma durar principalmente nos primeiros meses de vida, período em que o bebê é mais vulnerável às infecções respiratórias. Segundo Andreia, mesmo que o pequeno entre em contato com o vírus, a tendência é desenvolver um quadro mais leve, com menor risco de internação.

    Em geral, a proteção é mais significativa nos primeiros seis meses de vida, fase em que o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. Com o passar dos meses, os anticorpos maternos diminuem naturalmente, porque foram produzidos pelo corpo da mãe e não pelo sistema imunológico do bebê.

    Quando tomar a vacina do VSR na gravidez?

    A recomendação costuma ser a vacinação a partir de cerca de 28 semanas de gestação. Segundo Andreia, entre 28 e 34 semanas costuma ser uma janela bastante favorável, pois aumenta a chance de o bebê já nascer com anticorpos circulantes.

    Quando a vacina é aplicada muito próxima ao parto, parte do benefício intrauterino pode ser menor, embora ainda exista proteção após o nascimento, especialmente por meio da amamentação.

    Ainda assim, cada gestação deve ser avaliada individualmente. Mesmo quando o prazo ideal já passou, pode haver benefício, por isso a orientação médica continua sendo fundamental.

    Intervalo com outras vacinas

    Existe a recomendação de manter um intervalo mínimo de cerca de 15 dias entre a vacina contra o VSR e a DTPa (difteria, tétano e coqueluche), que faz parte do calendário da gestante. Andreia explica que a orientação ajuda a garantir uma boa resposta do sistema imunológico e a evitar sobreposição de reações.

    Outras vacinas importantes nesse período incluem gripe, covid e hepatite B, dependendo do histórico vacinal de cada gestante. O esquema final pode variar conforme cada caso, por isso a orientação médica é sempre importante.

    Existe alternativa à vacina VSR?

    Além da vacinação durante a gestação, existe a possibilidade de usar anticorpos monoclonais diretamente no bebê após o nascimento. Eles não são uma vacina, mas uma forma de proteção temporária contra o vírus sincicial respiratório.

    Os anticorpos funcionam como uma defesa pronta, ajudando a reduzir o risco de infecção grave e internações, principalmente em bebês mais vulneráveis, como prematuros ou crianças com problemas respiratórios e cardíacos.

    No entanto, a proteção tem duração limitada, já que o organismo do bebê não produz esses anticorpos por conta própria.

    Quando não há contraindicação, a vacinação materna costuma ser a primeira escolha, pois protege o recém-nascido desde o nascimento e ainda traz benefício para a gestante. A decisão final deve sempre ser feita com orientação médica, considerando cada caso.

    Quais os efeitos colaterais mais comuns?

    Os efeitos colaterais da vacina contra o VSR costumam ser leves e semelhantes aos de outras vacinas. A reação mais frequente é dor, vermelhidão ou inchaço no local da aplicação, que normalmente melhora em poucos dias.

    Também podem surgir sintomas gerais leves, como cansaço, dor muscular, dor de cabeça ou febre baixa. Em alguns casos, a pessoa pode sentir mal-estar passageiro ou sintomas parecidos com um resfriado leve.

    As reações mais intensas são raras, mas mesmo assim, qualquer sintoma persistente ou diferente do esperado deve ser avaliado por um profissional de saúde.

    Quais as vacinas da VSR disponíveis?

    A principal e única vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) recomendada e disponível para gestantes no Brasil é a Abrysvo, fabricada pela Pfizer.

    Ela está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) pelo SUS, mas também pode ser encontrada em clínicas particulares e grandes redes de farmácias.

    Para outros públicos, como idosos, existem vacinas específicas contra o VSR disponíveis, como a Arexvy (GSK), mas a indicação pode variar. Por isso, a avaliação individual com um profissional de saúde continua sendo fundamental.

    Perguntas frequentes

    1. A gestante corre risco ao pegar VSR?

    Normalmente, em adultos saudáveis, o VSR causa apenas um resfriado. No entanto, em gestantes, as alterações no sistema imunológico e na capacidade pulmonar podem tornar qualquer infecção respiratória mais desconfortável e, em casos raros, evoluir para pneumonia.

    2. A vacina é feita de vírus vivo?

    Não, a vacina disponível para gestantes (Abrysvo) é de proteína recombinante (não viva). Ela contém apenas uma parte da estrutura do vírus, o que significa que é impossível contrair a doença através da vacina.

    3. Preciso de pedido médico para vacinar?

    No SUS, o cartão de pré-natal atualizado que comprove a idade gestacional costuma ser suficiente. Na rede particular, algumas clínicas podem solicitar o pedido do seu obstetra.

    4. Se eu já tive VSR antes, preciso tomar a vacina?

    Sim, pois a imunidade natural após uma infecção por VSR é temporária e não garante que você terá anticorpos suficientes para proteger o bebê na próxima gestação.

    5. Tive um bebê prematuro antes de conseguir me vacinar. O que fazer?

    Se o parto ocorrer antes da janela de vacinação ou antes de completar 14 dias da aplicação, o bebê pode não ter recebido anticorpos suficientes. Nesse caso, o pediatra pode recomendar o uso do Nirsevimabe (um anticorpo pronto) diretamente na criança logo após o nascimento.

    6. Tomei a vacina na gravidez anterior. Preciso tomar de novo nesta gestação?

    Sim. Assim como a vacina da gripe e a dTpa (coqueluche), é recomendado tomar uma nova dose a cada gestação para garantir que os níveis de anticorpos estejam no auge para serem transferidos ao novo bebê.

    7. A vacina contra VSR substitui a vacina da gripe?

    Não, pois são vírus diferentes. A vacina do VSR protege especificamente contra o Vírus Sincicial Respiratório, enquanto a da gripe protege contra o vírus Influenza. Ambas são fundamentais no pré-natal.

  • Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

    Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

    Na reta final da gravidez, que acontece a partir da 28ª semana, tudo parece ganhar um ritmo diferente. E não é para menos: o bebê cresce rápido, a barriga fica mais evidente e o corpo trabalha dobrado para dar conta de tantas mudanças ao mesmo tempo.

    Nesse momento, os cuidados são ainda mais importantes para garantir a saúde e bem-estar do neném e da futura mãe.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender as principais mudanças do terceiro trimestre de gravidez, sintomas comuns e os exames mais recomendados. Confira!

    Quando começa o terceiro trimestre de gravidez?

    O terceiro trimestre de gravidez começa na 28ª semana e marca a fase em que o corpo intensifica o preparo para o nascimento. A partir desse ponto, o útero cresce de maneira mais acelerada, o bebê ganha peso rapidamente e a gestante pode perceber mudanças mais evidentes na respiração, no sono e no nível de cansaço diário. A compressão dos órgãos internos se torna maior, o que explica os principais sintomas do trimestre.

    Ao mesmo tempo, o bebê entra em um período decisivo de desenvolvimento: pulmões, cérebro e sistema nervoso passam por etapas finais de maturação, e os movimentos se tornam mais fortes e definidos.

    Por isso, mantenha as consultas regulares, o acompanhamento do crescimento fetal e os cuidados simples, como hidratação frequente e descanso, pois eles ajudam a atravessar essa etapa com mais conforto, enquanto o corpo se prepara para o parto.

    Sintomas comuns do terceiro trimestre

    No terceiro trimestre, os sintomas da gravidez tendem a ficar mais intensos porque o bebê cresce rapidamente e o útero ocupa grande parte do abdômen. Nessa fase, é comum apresentar:

    • Falta de ar em atividades leves;
    • Azia e queimação mais frequentes;
    • Cansaço aumentado;
    • Sono irregular;
    • Inchaço nas pernas e nos pés;
    • Maior vontade de urinar;
    • Dores nas costas;
    • Contrações de treinamento (Braxton Hicks);
    • Aumento do corrimento;
    • Sensação de pressão na região pélvica;
    • Movimentos fetais mais fortes e regulares.

    Vale apontar que, nessa fase, o crescimento acelerado do bebê aumenta a pressão sobre diversos órgãos e estruturas, o que pode gerar outros desconfortos frequentes.

    As veias da pelve e do reto ficam mais comprimidas, aumentando o risco de hemorroidas, especialmente se você também tem prisão de ventre. O retorno venoso das pernas também fica mais lento, favorecendo o inchaço, a sensação de peso e as varizes.

    Quando os sintomas não são normais?

    Quando algo passa do limite do esperado, o principal sinal é o incômodo intenso da gestante. Andreia ressalta que cada sintoma precisa ser avaliado individualmente, mas alguns pontos merecem atenção especial:

    • Se o inchaço nas pernas vier junto com inchaço no rosto, é preciso investigar pressão alta, já que a doença hipertensiva da gestação costuma aparecer no fim da gravidez;
    • Quando a azia impede o sono ou provoca vômitos, a medicação costuma ser necessária para aliviar o desconforto;
    • A falta de ar geralmente é leve, mas piora ao deitar de barriga para cima, porque o útero comprime a veia cava; por isso, recomenda-se dormir de lado ou com a cabeceira elevada.

    Existem ainda condições que tornam tudo mais intenso, como a gestação de gêmeos ou excesso de líquido amniótico, que aumentam o tamanho da barriga e podem deixar a falta de ar acima do normal. Nesses casos, o acompanhamento deve ser direcionado às comorbidades associadas, sempre respeitando as necessidades de cada gestante.

    Como o corpo muda durante o terceiro trimestre de gravidez?

    No terceiro trimestre, o corpo passa por transformações aceleradas para acompanhar o ritmo de crescimento do bebê. Depois de atingir pouco mais de um quilo nos primeiros seis meses, o feto praticamente triplica de peso nos três meses finais, podendo chegar a aproximadamente três quilos ao término da gestação, de acordo com Andreia Sapienza.

    Com isso, o organismo materno precisa se ajustar de forma contínua para acomodar o aumento de volume dentro do abdômen. A barriga cresce de maneira mais evidente, o útero ocupa quase toda a cavidade abdominal e o tronco passa a se projetar para a frente, modificando o eixo da coluna.

    Isso altera a postura, aumenta a curvatura lombar e exige maior esforço dos músculos das costas, que ficam mais suscetíveis à dor e ao cansaço.

    Paralelamente a isso, também ocorrem as seguintes mudanças:

    • A musculatura abdominal se estende ao máximo, o que favorece a abertura das fibras e a formação de diástase;
    • O útero elevado pressiona o estômago e o diafragma, causando azia, refluxo e sensação de falta de ar ao realizar pequenas atividades;
    • Os intestinos ficam mais comprimidos e lentos, o que contribui para episódios de prisão de ventre e gases;
    • A pelve passa por maior relaxamento ligamentar, preparando o corpo para o parto, o que pode desencadear dor no púbis e desconforto nos quadris;
    • A circulação mais intensa e o aumento do volume sanguíneo favorecem sensação de calor constante;
    • A pele do abdômen se distende rapidamente, provocando coceira e aumentando o risco de estrias;
    • O peito cresce ainda mais, com maior sensibilidade e possível saída de colostro.

    Andreia ainda aponta que uma mudança importante é o aumento da placenta, que acompanha o crescimento do bebê. Há uma relação proporcional entre os dois: conforme o feto ganha peso, a placenta também se expande. Em uma gestação a termo, ela pode chegar a aproximadamente 900 gramas.

    Como está o bebê no terceiro trimestre?

    Na fase final da gestação, o bebê passa por um período de crescimento muito rápido. É quando ele ganha peso, fortalece os órgãos e se prepara para nascer. Inclusive, o pequeno já reage ao ambiente e movimenta o corpo com mais força e coordenação, sendo possível observar:

    • Resposta a variações de luz;
    • Surgimento de fios de cabelo na cabeça;
    • Chutes mais fortes e movimentos de alongar e flexionar braços e pernas;
    • Dedos que agarram com mais firmeza;
    • Acúmulo de gordura que deixa braços e pernas mais arredondados;
    • Ossos cada vez mais firmes;
    • Circulação plenamente estruturada;
    • Sistema musculoesquelético pronto;
    • Desenvolvimento acelerado de pulmões, cérebro e sistema nervoso.

    No começo do terceiro trimestre, ele costuma medir cerca de 35 centímetros e pesar entre 1 e 2 quilos. Quando chega a hora do nascimento, normalmente tem entre 46 e 51 centímetros e um pouco mais de 3 quilos.

    De acordo com Andreia, no final da gravidez, o ideal é prestar atenção diária aos movimentos do bebê. A recomendação mais usada é o mobilograma: a gestante observa os movimentos por cerca de 40 minutos a 1 hora, já que o bebê alterna períodos de sono e vigília nesse intervalo. Uma dica é comer algo leve antes, porque a alimentação costuma estimular a movimentação.

    Exames recomendados no terceiro trimestre de gravidez

    A partir das últimas semanas de gestação, o pré-natal se torna mais cuidadoso para garantir o bem-estar da mãe e do bebê. Segundo Andreia, alguns exames passam a ser especialmente importantes nessa fase, como:

    • Sorologias repetidas no final da gestação: HIV, sífilis e hepatite C;
    • Hemograma para avaliar anemia e outras alterações hematológicas;
    • Urocultura para investigar infecções urinárias, mesmo quando assintomáticas;
    • Exames complementares conforme comorbidades maternas, como diabetes;
    • Pesquisa de estreptococo do grupo B entre 35 e 36 semanas, por meio de coleta com swab na entrada da vagina e do ânus.

    Como diferenciar as contrações de treinamento e do trabalho de parto?

    É normal, no período final da gravidez, apresentar contrações de treinamento, conhecidas como Braxton Hicks. Elas deixam a barriga dura, mas não causam dor e não seguem um ritmo. Aparecem de forma espaçada e desaparecem sozinhas.

    Já as contrações de trabalho de parto doem, ficam ritmadas, ganham intensidade com o passar do tempo e não cessam. Se durarem cerca de uma hora com esse padrão, é importante procurar atendimento.

    Quais cuidados favorecem o bem-estar durante o terceiro trimestre?

    As recomendações de alimentação e hidratação seguem as mesmas ao fim da gravidez, sempre priorizando uma dieta baseada em alimentos in natura, com variedade de verduras, legumes e frutas.

    A ingestão de água também deve ser reforçada, com pelo menos 2-3 litros por dia.

    Para mulheres que desejam um parto espontâneo, permanecer ativa dentro dos limites habituais pode favorecer o início natural do trabalho de parto.

    Importante: o consumo de álcool deve ser zero, pois não existe dose considerada segura durante a gestação.

    Sinais que exigem atenção médica no terceiro trimestre

    • Contrações fortes e regulares que não param após uma hora;
    • Rompimento da bolsa com saída de líquido em grande quantidade;
    • Sangramento vaginal intenso;
    • Bebê muito quieto mesmo após alimentação e observação.

    Para gestantes com pressão alta ou outras condições, podem existir sinais extras definidos pelo médico, como dor de cabeça intensa, alterações na visão ou dor abdominal forte.

    Veja também: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    É normal sentir falta de ar no terceiro trimestre?

    Sim, a falta de ar leve é comum, mas se for intensa ou acompanhada de dor e tontura, procure atendimento médico.

    Como saber se o bebê está se mexendo o suficiente?

    Observe os movimentos por cerca de 40 minutos a 1 hora. Após alimentação leve, eles tendem a ficar mais evidentes.

    O que é estreptococo do grupo B?

    É uma bactéria comum na flora genital que pode ser transmitida ao bebê no parto. O teste identifica colonização para prevenir complicações.

    Como aliviar dor lombar e azia?

    Para dor lombar, alterne posições e faça alongamentos leves. Para azia, evite refeições grandes e não se deite logo após comer.

    Posso fazer atividade física no terceiro trimestre?

    Sim, com liberação médica e priorizando exercícios leves. Interrompa qualquer atividade que cause dor ou mal-estar.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

  • 7 sintomas comuns na gravidez (e o que NÃO é normal)

    7 sintomas comuns na gravidez (e o que NÃO é normal)

    Não é novidade que a gravidez provoca uma série de mudanças no corpo, e nem sempre é fácil entender o que faz parte do processo natural e o que pode indicar algum problema.

    Os sintomas costumam surgir logo nas primeiras semanas, causando dúvidas especialmente em mamães de primeira viagem.

    Para te ajudar, nós conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer o que é comum na gravidez, o que merece avaliação e quando você deve ir ao pronto-socorro. Confira!

    Quais os sintomas comuns na gravidez?

    Existem vários sintomas considerados fisiológicos na gravidez, ou seja, fazem parte das mudanças naturais do corpo e não indicam uma doença.

    Segundo Andreia, cada gestante pode apresentar alguns sintomas e não outros, o que mostra como a experiência da gestação varia bastante de pessoa para pessoa.

    Mas, no geral, alguns sintomas costumam ser esperados, como:

    1. Dores nas costas e na virilha

    As dores nas costas e na virilha costumam surgir por causa das mudanças corporais, crescimento do útero e deslocamento dos órgãos pélvicos.

    No final da gestação, Andreia explica que ocorre aumento da curvatura lombar devido ao crescimento abdominal, além de maior frouxidão das articulações pelo acúmulo de líquidos.

    Segundo a ginecologista, medidas como fisioterapia, exercícios na água e fortalecimento muscular podem ajudar a aliviar as dores. Em alguns casos, o uso de analgésicos pode ser indicado pelo médico.

    Quando não é normal?

    É importante procurar atendimento se a dor nas costas for muito intensa e que irradia para o abdômen, acompanhada de febre ou ardor ao urinar — o que pode indicar infecção urinária ou cálculos renais.

    2. Cólicas e contrações

    As cólicas leves podem aparecer principalmente no início, devido à adaptação do útero. Já no final da gestação, contrações irregulares e sem dor intensa costumam ser as chamadas contrações de treinamento (Braxton Hicks), que preparam o corpo para o parto.

    Quando não é normal?

    É importante procurar avaliação quando as cólicas ficam fortes, persistentes ou vêm acompanhadas de sangramento, perda de líquido ou dor intensa.

    Contrações que seguem um ritmo (a cada 5 ou 10 minutos, por exemplo), dolorosas e que aumentam de frequência também merecem atenção, pois podem indicar início de trabalho de parto.

    3. Náuseas e vômitos

    As náuseas e vômitos são frequentes, sobretudo no primeiro trimestre, normalmente ligadas às alterações hormonais, principalmente ao aumento da progesterona. Na maioria das vezes são leves e melhoram com alimentação fracionada e alguns cuidados simples.

    Segundo Andreia, a orientação costuma ser fazer refeições menores várias vezes ao dia, cerca de seis ou sete, com intervalos de duas horas e meia a três horas. Em vez de grandes refeições, divide-se o que já se consumia ao longo do dia.

    Em alguns casos, Andreia aponta que também pode surgir hipersalivação, aquela sensação de saliva excessiva que antecede o enjoo, mesmo que a gestante não vomite.

    Quando não é normal?

    Vômitos são muito frequentes, que impedem a alimentação, causam perda de peso ou sinais de desidratação, como fraqueza intensa, tontura ou urina muito escura, precisam ser avaliados por um profissional de saúde.

    Nesses casos, Andreia explica que pode ser necessária internação para hidratação venosa, medicação intravenosa e reposição de vitaminas. A condição é chamada hiperêmese gravídica e requer acompanhamento médico.

    4. Inchaço

    O volume de sangue no corpo da gestante aumenta em cerca de 50%, o que facilita a retenção de líquidos, então é comum notar os pés e tornozelos levemente inchados ao final do dia, especialmente no verão ou após longos períodos em pé.

    Nesses casos, o recomendado é elevar as pernas sempre que possível, evitar ficar muito tempo na mesma posição, manter boa hidratação ao longo do dia e, quando indicado pelo médico, usar meias de compressão.

    Quando não é normal?

    Em caso de inchaço súbito e acentuado no rosto e nas mãos, vale procurar um médico. Se o inchaço vier acompanhado de dor de cabeça persistente ou visão embaçada, pode ser um sinal de pré-eclâmpsia (pressão alta na gestação).

    5. Tontura

    O sistema circulatório trabalha em dobro na gravidez, o que pode afetar a pressão arterial. Por isso, é comum ter tonturas leves ao levantar rápido demais causadas por estresse ou falta de sono.

    Na maioria das vezes, os sintomas melhoram com hidratação adequada, alimentação regular, descanso e mudanças simples de hábito, como levantar devagar e evitar longos períodos em pé.

    Quando não é normal?

    A tontura passa a merecer atenção quando é intensa, frequente ou vem acompanhada de outros sintomas, como dor de cabeça forte, visão embaçada, palpitações, falta de ar, desmaios ou aumento da pressão arterial.

    Nessas situações, é importante procurar the médico para investigar possíveis alterações circulatórias ou outras condições que precisam de acompanhamento.

    6. Dor de cabeça

    A dor de cabeça pode ocorrer, especialmente em quem já possui histórico de enxaqueca, segundo Andreia. Nesses casos, alguns analgésicos, como dipirona ou paracetamol, podem ser usados na gravidez, conforme orientação médica.

    Quando não é normal?

    A dor de cabeça intensa, repentina, que não melhora com medicação ou associada à pressão alta exige avaliação rápida para descartar complicações hipertensivas.

    7. Queda de pressão

    A queda de pressão é relativamente comum, principalmente no segundo trimestre. A circulação passa por adaptações importantes, o que pode causar sensação de fraqueza, escurecimento da visão ao levantar rápido ou mal-estar passageiro.

    De acordo com Andreia, medidas como meias de compressão, hidratação adequada, evitar longos períodos em pé e ambientes quentes ajudam a prevenir quedas de pressão. Ao sentir tontura, o ideal é sentar ou deitar para evitar desmaio.

    Quando não é normal?

    A queda de pressão merece avaliação quando provoca desmaios, tonturas muito frequentes, palpitações, falta de ar ou sensação intensa de fraqueza.

    Também é importante investigar se os episódios passam a interferir na alimentação, na hidratação ou nas atividades do dia a dia, pois podem indicar necessidade de acompanhamento mais próximo.

    Quando ir ao pronto-socorro?

    Durante a gravidez, alguns sintomas precisam de avaliação urgente, pois podem indicar complicações que precisam de atendimento rápido. Por isso, é importante ir ao pronto-socorro no surgimento dos seguintes sintomas:

    • Sangramento vaginal em qualquer fase da gestação;
    • Perda de líquido pela vagina, principalmente se contínua;
    • Contrações regulares, fortes ou dolorosas antes do tempo esperado;
    • Dor abdominal intensa ou persistente;
    • Dor de cabeça forte que não melhora com analgésico simples;
    • Visão embaçada, pontos brilhantes ou escurecimento visual;
    • Inchaço súbito no rosto, mãos ou olhos;
    • Vômitos intensos com dificuldade para se alimentar ou beber líquidos;
    • Febre persistente;
    • Falta de ar, palpitações ou dor no peito;
    • Desmaio ou tontura intensa;
    • Diminuição ou ausência de movimentos do bebê após período em que já eram percebidos regularmente.

    Na dúvida, o mais seguro sempre é buscar avaliação médica. O atendimento precoce ajuda a proteger a saúde do bebê e da mãe.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Por que sinto uma dor aguda na virilha quando me viro na cama?

    Isso geralmente é a dor no ligamento redondo. Eles sustentam o útero e, ao fazer movimentos bruscos, se esticam como um elástico, causando uma pontada rápida, mas inofensiva.

    2. Dor ciática na gravidez é comum?

    Sim, pois o peso da barriga e a mudança na postura podem comprimir o nervo ciático, causando dor que começa na lombar, passa pelo glúteo e desce pela perna.

    3. Como saber se a contração é de treinamento ou de parto?

    A de treinamento (Braxton Hicks) é irregular, indolor e passa quando você muda de posição. A de parto é rítmica (a cada 5 minutos, por exemplo), aumenta de intensidade e não para, mesmo que você descanse.

    4. Sentir pressão na vagina é sinal de que o bebê vai nascer?

    No final da gestação, o bebê encaixa na pelve, o que causa uma sensação de pressão e “choques” no colo do útero. Se não houver outros sintomas, é apenas o corpo se preparando.

    5. Por que minhas gengivas sangram tanto ao escovar os dentes?

    A gengivite gravídica ocorre devido ao aumento do volume sanguíneo e às alterações hormonais que tornam os tecidos da boca mais sensíveis e vascularizados. É normal, mas requer acompanhamento do dentista.

    6. Como diferenciar o corrimento normal da perda de líquido amniótico?

    O corrimento costuma ser viscoso e deixa uma mancha no fundo da calcinha. O líquido amniótico é fluido como água, geralmente transparente ou levemente esbranquiçado, e costuma molhar a calcinha de forma contínua, não parando mesmo que você troque a peça.

    7. É normal sentir o rosto ou as bochechas muito quentes (fogachos)?

    Sim, as ondas de calor não são exclusivas da menopausa. O aumento do metabolismo e as mudanças hormonais na gravidez dilatam os vasos sanguíneos, causando esses episódios de calor súbito e vermelhidão no rosto.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Trombose na gravidez afeta o bebê? Conheça os sintomas, os cuidados e como evitar

    Trombose na gravidez afeta o bebê? Conheça os sintomas, os cuidados e como evitar

    A trombose venosa profunda, conhecida pela sigla TVP, é a formação de um coágulo de sangue dentro de uma veia profunda, normalmente nas pernas. Ela pode acontecer em qualquer fase da vida, mas é especialmente frequente durante a gravidez, devido às mudanças naturais que ocorrem no corpo feminino.

    As veias profundas são responsáveis por levar o sangue de volta ao coração e, quando um coágulo se forma ali, a circulação sanguínea é prejudicada. O maior risco surge quando parte do coágulo se solta e viaja pela corrente sanguínea, podendo alcançar os pulmões e causar uma embolia pulmonar, uma condição grave que exige atendimento imediato.

    No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, a trombose na gravidez corresponde a aproximadamente 1% das causas de morte materna.

    Por que a trombose venosa profunda é mais comum na gravidez?

    Na gravidez, as mudanças que ocorrem no corpo feminino, principalmente na circulação e nos hormônios, podem favorecer a formação de coágulos. O processo envolve alguns fatores, sendo eles:

    Hipercoagulabilidade

    O sangue da mulher se torna naturalmente mais espesso durante a gravidez, porque o organismo aumenta a produção de fatores de coagulação, como uma forma de prevenir hemorragias importantes durante o parto. É um mecanismo de proteção, mas a mudança favorece a formação de coágulos.

    Estase venosa

    Com o crescimento do útero, há uma pressão direta sobre as veias da pelve e sobre a veia cava inferior, responsável por levar o sangue das pernas de volta ao coração.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a compressão dificulta o retorno venoso, fazendo com que o sangue circule de forma mais lenta — o que aumenta o risco de trombose, especialmente no último trimestre.

    Alterações hormonais

    O aumento dos hormônios da gravidez, como a progesterona e estrogênio, provoca o relaxamento das paredes das veias. Com isso, as veias ficam mais dilatadas e menos eficientes para impulsionar o sangue, contribuindo para a lentidão da circulação e aumentando o risco de trombose.

    Quais os fatores de risco?

    Algumas mulheres apresentam risco aumentado de desenvolver trombose venosa profunda durante a gravidez, especialmente quando possuem um ou mais dos fatores a seguir:

    • Histórico pessoal de trombose;
    • Histórico familiar de trombose;
    • Doenças que aumentam a coagulação do sangue;
    • Obesidade;
    • Gravidez múltipla;
    • Necessidade de repouso prolongado.

    As situações pedem mais atenção durante o pré-natal, com avaliação do risco de forma individual e definição das melhores medidas para prevenir a trombose.

    Sintomas de trombose na gravidez

    Os sintomas de trombose durante a gravidez costumam aparecer, principalmente, nas pernas. O sinal mais comum é dor em uma perna só, normalmente acompanhada de inchaço, segundo Andreia.

    No geral, é importante observar:

    • Dor em uma perna só, na maioria das vezes;
    • Inchaço mais evidente em apenas uma perna;
    • Dor diferente do habitual, que não melhora com o repouso;
    • Sensação de dor muscular profunda, que não parece uma câimbra comum;
    • Endurecimento da musculatura da perna afetada;
    • Inchaço que não oscila ao longo do dia e não desaparece pela manhã;
    • Desconforto que pode melhorar levemente ao elevar a perna, mas não desaparece;
    • Dor localizada, que surge exatamente onde está a trombose, como na panturrilha, na coxa ou na região da bacia.

    Durante a gravidez, o diagnóstico pode ser mais difícil porque o inchaço e as dores nas pernas já são comuns, especialmente no último trimestre. Por isso, o principal alerta é quando uma perna fica visivelmente mais inchada e dolorida que a outra, com sintomas que persistem ao longo do tempo.

    Como é feito o diagnóstico de trombose na gravidez?

    O diagnóstico de trombose na gravidez é feito a partir da avaliação dos sintomas e do histórico da gestante.

    Em caso de suspeita, Andreia explica que o exame indicado para confirmar o diagnóstico é o ultrassom com Doppler, que avalia o fluxo de sangue nas veias das pernas e, quando necessário, também nas veias do abdômen. O exame é seguro para a gestante e para o bebê, além de não utilizar radiação.

    A ginecologista também destaca que exames de sangue, como o D-dímero, não costumam ajudar durante a gravidez, já que esse marcador biológico fica naturalmente elevado no período. Por isso, o resultado pode confundir e não confirma nem descarta trombose na gestação.

    Tratamento de trombose na gravidez

    O tratamento de trombose na gravidez é feito a partir da aplicação de injeções diárias de heparina, um medicamento que atua impedindo a formação e o crescimento de coágulos no sangue. Ele é considerado seguro durante a gestação, pois a heparina não atravessa a placenta e não oferece riscos ao bebê.

    Na maioria dos casos, é utilizada a heparina de baixo peso molecular, aplicada diariamente sob a pele. Segundo Andréia, o tratamento costuma ser mantido até o fim da gravidez e, em muitos casos, também durante o puerpério, período em que o risco de trombose ainda permanece elevado.

    A ginecologista também explica que medicamentos anticoagulantes de uso oral, comuns fora da gestação, não são indicados para grávidas, pois não possuem segurança comprovada no período.

    Então, mesmo que o uso de injeções cause desconforto, elas continuam sendo a opção segura para tratar a trombose durante a gravidez e no pós-parto.

    Por que o risco de trombose é prolongado no puerpério?

    Mesmo com o nascimento do bebê, o organismo da mulher não volta ao normal imediatamente.

    Os níveis de estrogênio no puerpério ainda permanecem elevados, o que mantém o sangue mais propenso à coagulação. O corpo também está se recuperando do parto, que pode causar lesões nos vasos sanguíneos, principalmente em casos de cesariana.

    Para completar, a redução da mobilidade nos primeiros dias após o parto podem fazer com que a mulher se movimente menos, o que favorece a circulação mais lenta nas pernas.

    Como evitar a trombose na gravidez?

    Apesar do aumento do risco durante a gravidez, a trombose pode ser prevenida a partir de algumas medidas, como aponta Andreia:

    • Movimentar as pernas ao longo do dia;
    • Evitar ficar muito tempo sentada ou em pé sem se movimentar;
    • Elevar as pernas ao final do dia;
    • Usar meia elástica, inclusive modelos próprios para gestantes.

    Em situações de risco mais elevado, pode ser indicada a prevenção com medicação. Nesses casos, o médico pode prescrever uma dose preventiva de heparina, menor do que a dose usada no tratamento da trombose, aplicada diariamente durante a gestação e também no puerpério.

    Mas, vale apontar que a decisão de usar heparina preventiva é sempre médica, baseada em critérios e evidências científicas, e deve ser discutida entre a gestante e o obstetra.

    As medidas sem remédio são indicadas para todas as gestantes, enquanto a heparina preventiva é reservada apenas para quem apresenta risco aumentado.

    No pré-natal, o obstetra avalia os fatores de risco, como histórico prévio de trombose, histórico familiar ou a presença de algumas doenças. Em alguns casos, o cirurgião vascular também participa dessa avaliação, por meio de interconsulta.

    Grávidas podem usar aspirina para prevenir a trombose?

    Em algumas situações, o uso do ácido acetilsalicílico (AAS) em baixas doses é indicado por outros motivos, como a prevenção da pré-eclâmpsia ou em casos de restrição de crescimento fetal de origem placentária.

    Apesar da aspirina ajudar a evitar a formação de coágulos, a heparina continua sendo a opção mais eficaz e segura para prevenir e tratar a trombose durante a gravidez.

    Em casos específicos, o médico pode indicar a associação entre AAS e heparina, nas a decisão sempre é médica e leva em conta os riscos e benefícios de cada gestante, já que cada situação precisa ser avaliada de forma individual.

    Trombose na gravidez afeta o bebê?

    As complicações da trombose afetam o desenvolvimento da gestação, pois o coágulo reduz o fluxo de oxigênio e nutrientes para a placenta. Isso pode comprometer o crescimento do bebê, aumentar o risco de parto prematuro e, em situações mais graves, levar a complicações maternas que exigem acompanhamento e tratamento imediatos.

    Quem já teve trombose pode engravidar?

    Mulheres com histórico de trombose podem engravidar, desde que tenham acompanhamento médico adequado desde o início da gestação. Isso permite adotar medidas de prevenção, como mudanças de hábitos e, em alguns casos, o uso de medicação segura durante a gravidez.

    Com o controle correto e a prevenção adequada, a maioria das mulheres que já teve trombose consegue ter uma gestação segura, reduzindo bastante o risco de uma nova trombose, finaliza Andreia.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. O que fazer em caso de suspeita de trombose?

    Procure atendimento médico imediato (obstetra ou pronto-atendimento). Não massageie a região, pois isso pode desprender o coágulo.

    2. Qual o maior risco da trombose não tratada?

    O maior risco é a Embolia Pulmonar, que ocorre quando o coágulo se solta e viaja até os pulmões, o que pode ser fatal se não tratado rapidamente.

    3. Posso amamentar usando heparina?

    Sim, a heparina de baixo peso molecular é compatível com a amamentação e não passa para o leite materno em quantidades significativas.

    4. O que é trombofilia?

    É uma condição (genética ou adquirida) que faz com que o sangue da pessoa tenha uma tendência natural maior a coagular. Muitas mulheres só descobrem que têm após uma trombose ou perdas gestacionais.

    5. O uso de meias de compressão é obrigatório para todas as gestantes?

    Não é obrigatório, mas é altamente recomendado para quem passa muito tempo em pé ou sentada, ou que já possui varizes. Elas ajudam o sangue a subir, combatendo a “estase” (sangue parado). O uso deve ser indicado por um médico.

    6. Posso praticar musculação ou exercícios de impacto se tiver risco de trombose?

    Os exercícios de baixo impacto (caminhada, hidroginástica, natação) são os melhores durante a gravidez. Se você já tem um diagnóstico de trombose ativa, o exercício deve ser suspenso até que o médico libere, para evitar que o coágulo se desloque.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Primeira consulta ginecológica: quando deve acontecer e como é feita

    Primeira consulta ginecológica: quando deve acontecer e como é feita

    O desenvolvimento das mamas, a chegada da menstruação e as alterações hormonais são algumas das principais mudanças que ocorrem na puberdade — e, com elas, a importância da orientação, da prevenção e do cuidado contínuo com a saúde feminina.

    É comum ter dúvidas sobre o funcionamento do corpo, o ciclo menstrual, a higiene íntima, que podem ser orientadas na primeira consulta ginecológica. Diferente do que a maioria das jovens imagina, não se trata apenas de exames ou do início da vida sexual, mas de um cuidado que te ajuda a conhecer o próprio corpo.

    Mas afinal, quando a primeira consulta deve acontecer? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andréia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas sobre o momento e como ele é conduzido.

    Quando deve acontecer a primeira consulta ginecológica?

    A primeira consulta ginecológica deve acontecer, de preferência, no início da puberdade, quando surgem as primeiras mudanças no corpo, como o desenvolvimento das mamas ou a chegada da menstruação.

    Além disso, com o início da menstruação, a adolescente já passa a ter uma vida reprodutiva, o que torna ainda mais necessário o acompanhamento ginecológico com foco em orientação e prevenção.

    Mesmo na ausência de problemas, a consulta ajuda a esclarecer informações, promover o autoconhecimento e identificar precocemente qualquer alteração.

    E quando ela deve ocorrer antes?

    A primeira consulta ginecológica deve acontecer antes da puberdade sempre que surgirem sinais que não são esperados para a idade, como corrimento vaginal persistente, inflamações na região vulvar ou sangramentos genitais em crianças pequenas, que devem ser investigados por um médico.

    Ainda, em casos de suspeita de puberdade precoce, a consulta ginecológica pode ser necessária para investigar as causas, acompanhar o desenvolvimento e orientar a família.

    Nesses casos, o atendimento não tem relação com vida reprodutiva ou sexualidade, mas com o cuidado da saúde e do desenvolvimento infantil.

    Como é conduzida a primeira consulta ginecológica?

    Segundo Andreia, a primeira consulta ginecológica é, antes de tudo, um momento de acolhimento, orientação e escuta. O foco principal é orientar, prevenir e esclarecer dúvidas, sempre respeitando a idade, o desenvolvimento e a realidade de cada jovem.

    Logo no início da consulta, o ginecologista costuma abordar temas importantes, como:

    • Prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs);
    • Cuidados com a saúde íntima e com a função sexual;
    • Métodos contraceptivos, quando indicado;
    • Espaço aberto para tirar dúvidas e receber orientações.

    Além das conversas iniciais, a consulta também inclui a avaliação de alguns fatores, como:

    1. Função menstrual

    Uma das etapas da consulta é a avaliação do ciclo menstrual, em que o médico investiga a idade da primeira menstruação, a regularidade do ciclo, o intervalo entre as menstruações, a duração e a quantidade do fluxo — além da presença de cólicas e de sinais de tensão pré-menstrual.

    Isso ajuda a identificar se o ciclo está dentro do esperado ou se existe alguma alteração que precise ser investigada.

    2. Antecedentes obstétricos

    Em pacientes que já engravidaram, Andreia aponta que também são avaliados os antecedentes obstétricos, como o número de gestações, a forma como ocorreram as gestações anteriores, o histórico de parto e a amamentação.

    Em adolescentes ou em pacientes sem histórico gestacional, essa etapa não faz parte da consulta.

    3. Antecedentes sexuais

    Quando faz sentido para a idade e para a realidade da paciente, o médico também conversa sobre a vida sexual, abordando questões como:

    • Idade da primeira relação;
    • Uso de preservativo;
    • Utilização de métodos contraceptivos;
    • Presença de dor ou sangramento durante as relações;
    • Possíveis alterações do desejo sexual.

    Caso a paciente informe que é virgem, essa parte da consulta não é realizada, e o atendimento segue focado em outros cuidados com a saúde.

    4. Anamnese geral

    Além das questões ginecológicas, a primeira consulta também inclui uma conversa mais ampla sobre a saúde como um todo. O médico costuma perguntar sobre doenças que a paciente já teve, cirurgias, uso de medicamentos, alergias, hábitos do dia a dia e histórico de doenças na família.

    Tudo isso ajuda a entender melhor o contexto de saúde de cada pessoa e permite orientar os cuidados de forma mais individual.

    Como é feito o exame ginecológico?

    O exame ginecológico é feito de forma simples, respeitando a idade, o histórico e o conforto da paciente. Andreia explica que, em adolescentes que nunca tiveram relação sexual, não é realizado exame ginecológico interno.

    Nesses casos, o médico avalia apenas a parte externa da região íntima e observa o desenvolvimento da puberdade, o que ajuda a entender em que fase a adolescente se encontra, se a menstruação deve surgir em breve e o que é esperado para naquele momento do crescimento.

    Quando a adolescente já iniciou a vida sexual ou está próxima disso, a consulta também inclui orientações sobre métodos contraceptivos e prevenção, sempre de acordo com a idade e a necessidade de cada paciente.

    Exame físico em quem nunca teve relação sexual

    Em pacientes que nunca tiveram relação sexual, é realizado o exame físico geral e o exame ginecológico dos órgãos genitais externos.

    Segundo Andreia, são avaliados o surgimento e desenvolvimento de pelos na área genital, o desenvolvimento mamário e a presença de lesões na vulva. Também é observada a integridade do hímen, para identificar possíveis alterações.

    Por exemplo, um hímen imperfurado pode causar dificuldade no escoamento da menstruação. Já um hímen microperfurado pode não provocar alterações menstruais, mas pode causar dificuldade na vida sexual.

    Também é examinada a região perianal, observando a presença de lesões, verrugas ou manchas.

    Exame físico em quem já teve relação sexual

    Pacientes que já tiveram relação sexual passam pela avaliação dos órgãos genitais externos e internos. A avaliação interna é feita por meio do exame especular, conhecido popularmente como “bico de pato”, que permite visualizar o colo do útero, o aspecto das paredes vaginais e a presença de corrimento.

    Além disso, pode ser realizado o toque vaginal, que permite avaliar o útero e os ovários, observando tamanho, superfície e a presença de possíveis tumorações.

    Exames preventivos e HPV

    Os exames preventivos, em geral, não são realizados na primeira consulta ginecológica, salvo em situações específicas, segundo Andréia.

    Atualmente, o rastreamento do câncer do colo do útero é feito, preferencialmente, por meio de testes biomoleculares para o HPV, seguindo as orientações do Ministério da Saúde.

    O teste para HPV é considerado mais preciso, pois consegue identificar com maior sensibilidade o risco de lesões que podem evoluir para câncer. Ele também ajuda a evitar biópsias desnecessárias e reduz a chance de deixar passar alterações importantes.

    Assim, o exame de Papanicolau passa a ter um papel complementar, sendo indicado principalmente quando o resultado para HPV é positivo.

    Por fim, vale lembrar que esses exames são indicados apenas para pacientes que já iniciaram a vida sexual.

    Orientações sobre higiene íntima na primeira consulta ginecológica

    A consulta ginecológica também inclui orientações sobre higiene íntima, sexualidade e autocuidado, sempre de forma individualizada.

    De maneira geral, não existem regras rígidas, mas algumas recomendações costumam ser feitas, como aponta Andreia:

    • Preferência por sabonetes neutros para a higiene íntima;
    • Uso de roupas e tecidos que não abafem nem aumentem o calor na região;
    • Utilização de protetor diário de calcinha apenas se houver conforto e ausência de sintomas, já que ele não é proibido quando não causa irritações.

    O mesmo vale para o uso de biquíni úmido. Enquanto algumas pessoas conseguem ficar com a peça molhada por mais tempo sem problemas, outras podem apresentar irritações em poucas horas.

    Por isso, as orientações devem sempre considerar como o próprio corpo reage e a experiência individual de cada paciente.

    Afinal, o que você deve perguntar na primeira consulta?

    Para te ajudar na primeira consulta e diminuir o receio, vale a pena anotar algumas dúvidas em um caderno ou no celular antes da consulta. Ter essas perguntas em mãos ajuda a aproveitar melhor o atendimento e a não esquecer assuntos importantes.

    Algumas sugestões de perguntas incluem:

    • O que é considerado normal no meu ciclo menstrual;
    • Quando devo me preocupar com atrasos, dores ou alterações no fluxo;
    • Como deve ser feita a higiene íntima no dia a dia;
    • O que é corrimento normal e quando ele deixa de ser esperado;
    • Quando é indicado usar métodos contraceptivos e quais são as opções;
    • Como se prevenir de infecções sexualmente transmissíveis;
    • Quando será necessário realizar exames ginecológicos;
    • Quais sinais indicam que devo procurar o ginecologista novamente.

    Lembre-se que a consulta é um espaço de conversa e acolhimento, então não existem perguntas bobas ou inadequadas. Quanto mais aberta for a troca, maior será a segurança para cuidar da própria saúde.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. É preciso estar depilada para a consulta?

    Não. O ginecologista é um profissional de saúde, não de estética. Os pelos são naturais e não atrapalham o exame ou a avaliação da saúde íntima.

    2. Pode ir ao médico se estiver menstruada?

    Depende. Se for apenas uma conversa, não há problema, mas se houver necessidade de exame físico ou coleta de preventivo, a menstruação pode interferir nos resultados. O ideal é marcar para uma semana após o término do ciclo.

    3. Precisa levar algum acompanhante?

    Se você for menor de idade, deve ir acompanhada por um responsável legal. No entanto, você tem o direito de ter um momento a sós com o médico para conversar com mais privacidade.

    4. A primeira consulta com o ginecologista dói?

    Não. Na maioria das vezes, a primeira consulta é apenas uma conversa. Se houver exame físico, ele é feito com delicadeza. O desconforto costuma ser mais causado pelo nervosismo do que pelo procedimento em si.

    5. Minha menstruação é muito irregular, isso é grave?

    Nos primeiros dois ou três anos após a primeira menstruação, é comum que o ciclo seja irregular enquanto o corpo ajusta os hormônios. O médico avaliará se está dentro do esperado.

    6. Com que frequência é importante voltar ao ginecologista?

    Geralmente, uma vez por ano para exames de rotina. Se houver alguma queixa específica (dor, coceira ou irregularidade), você deve retornar antes.

    7. O que é o exame Papanicolau?

    É uma raspagem suave de células do colo do útero para detectar precocemente o câncer ou lesões. Ele só é indicado para quem já iniciou a vida sexual.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Menopausa precoce: o que é, sintomas, o que causa e se é possível reverter

    Menopausa precoce: o que é, sintomas, o que causa e se é possível reverter

    A menopausa é uma fase natural da vida marcada pelo fim definitivo da menstruação e da capacidade reprodutiva, causada pela redução na produção de hormônios femininos, como estrogênio e progesterona.

    Normalmente, ocorre entre os 45 e 55 anos, mas fatores genéticos, estilo de vida e condições de saúde podem antecipar esse processo. Nesses casos, a condição recebe o nome de falência ovariana precoce, popularmente conhecida como menopausa precoce.

    Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a menopausa precoce acomete cerca de 1% das mulheres antes dos 40 anos e pode trazer impactos significativos para a saúde física e emocional. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é menopausa precoce?

    A menopausa precoce precoce é a interrupção definitiva da menstruação antes dos 40 anos de idade. Ela acontece quando ovários reduzem de forma progressiva a produção de hormônios femininos, especialmente o estrogênio e a progesterona, que regulam o ciclo menstrual e diversas funções do organismo.

    Em condições habituais, a menopausa surge entre 45 e 55 anos, mas nos quadros precoces, a falência ovariana ocorre antes do esperado, resultando na perda da função reprovutiva e em alterações hormonais semelhantes às observadas na menopausa que surge na idade considerada habitual.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a principal preocupação da menopausa precoce é a redução dos hormônios femininos, que também exercem função protetora sobre a saúde óssea e cardiovascular, muitas vezes uma década antes do esperado.

    De acordo com a SBEM, mulheres com falência ovariana precoce apresentam risco quatro vezes maior de doenças cardíacas e sete vezes maior de osteoporose.

    O que causa a menopausa precoce?

    As causas podem variar bastante e, em muitos casos, não são completamente identificadas. Entre alguns dos fatores associados, é possível destacar:

    • Predisposição genética, quando há histórico familiar: se a mãe ou irmãs entraram na menopausa cedo, o risco é significativamente maior, sugerindo mutações em genes que controlam a reserva de óvulos;
    • Alterações cromossômicas: condições congênitas, como a síndrome de Turner (onde falta um cromossomo X total ou parcialmente) ou a síndrome do X Frágil, podem causar o desenvolvimento incompleto dos ovários ou a perda acelerada de folículos;
    • Doenças autoimunes: o sistema imunológico pode, por erro, produzir anticorpos que atacam o tecido ovariano. Isso é frequentemente observado em mulheres que já possuem outras condições, como tireoidite de Hashimoto, vitiligo ou lúpus;
    • Tratamentos oncológicos, como quimioterapia e radioterapia: quimioterapia e a radioterapia (especialmente na região pélvica) são gonadotóxicas, ou seja, podem “matar” os folículos ovarianos durante o combate às células cancerígenas, resultando em uma menopausa imediata ou acelerada;
    • Cirurgias ginecológicas: a remoção cirúrgica dos dois ovários (ooforectomia bilateral) causa a chamada menopausa cirúrgica. No entanto, mesmo cirurgias que preservam os ovários, mas interferem na irrigação sanguínea da região, podem antecipar a falência do órgão;
    • Tabagismo intenso e prolongado: é o fator de risco evitável mais comum, uma vez que substâncias presentes no cigarro têm efeito tóxico direto nos ovários;
    • Em algumas mulheres, mesmo após investigação detalhada, não é possível apontar uma causa específica.

      Sintomas da menopausa precoce

      Os sintomas da menopausa precoce são semelhantes aos da menopausa em idade regular, mas tendem a ser mais severos e abruptos em algumas mulheres, já que o corpo não teve tempo de se adaptar à queda hormonal gradual.

      Entre os mais comuns, é possível destacar:

      • Ondas de calor e suor noturno;
      • Irregularidade menstrual antes da parada definitiva;
      • Alterações de humor, irritabilidade e ansiedade;
      • Insônia e sono fragmentado;
      • Ressecamento vaginal e desconforto nas relações;
      • Redução da libido;
      • Ganho de peso e mudanças na distribuição de gordura;
      • Queda de cabelo e pele mais ressecada;
      • Dores articulares e musculares;
      • Dificuldade de concentração e lapsos de memória.

      Como a menopausa é diagnosticada?

      O diagnóstico da menopausa precoce começa com uma avaliação clínica detalhada, levando em conta a idade da mulher, o histórico menstrual e a presença de sintomas compatíveis com queda hormonal. A partir dessa suspeita inicial, são solicitados exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico e, em seguida, investigar a causa.

      O principal teste é o exame de sangue de FSH (hormônio folículo-estimulante), que avalia os níveis produzidos pela hipófise. Segundo Andréia, valores elevados de FSH, geralmente acima de 30, associados a níveis baixos de estrogênio e estradiol, confirmam o diagnóstico de falência ovariana.

      Também pode ser solicitada a avaliação do hormônio anti-mülleriano, utilizado para analisar a reserva ovariana. A partir do valor encontrado, é possível estimar se essa reserva está dentro do esperado, reduzida ou mais comprometida.

      Após a confirmação, é necessário uma investigação para identificar o motivo da perda precoce da função dos ovários, a partir de diferentes exames, como exames genéticos, ultrassom e pesquisa de autoanticorpos, para investigação de doenças autoimunes.

      É possível reverter a menopausa precoce?

      Não é possível reverter o processo de falência ovariana, já que a perda da função dos ovários tende a ser permanente. Na maioria dos casos, os ovários deixam de responder de forma adequada aos estímulos hormonais, o que impede a retomada regular da ovulação e da produção hormonal.

      Quem tem menopausa precoce pode engravidar?

      A impossibilidade de reverter a menopausa precoce não significa que uma gravidez não seja possível. Em alguns casos, Andréia explica que a mulher ainda possui alguns óvulos viáveis, que podem ser estimulados e utilizados por meio de técnicas de reprodução assistida.

      Quando não há mais óvulos disponíveis, a doação de óvulos surge como uma alternativa viável para quem deseja engravidar.

      No caso de pessoas que vão entrar em tratamento oncológico e desejam engravidar, existe um protocolo para congelamento de óvulos ou embriões antes da quimioterapia. Assim, mesmo que ela perca a função ovariana depois, ainda terá essa possibilidade no futuro.

      Como é feito o tratamento de menopausa precoce?

      Se a paciente com menopausa precoce não deseja ter filhos, o tratamento é semelhante ao realizado na menopausa que ocorre na idade habitual. Ele é feito para repor os hormônios que o organismo deixou de produzir, aliviando os sintomas e protegendo a saúde a longo prazo.

      A terapia de reposição hormonal, quando não há contraindicações, costuma ser indicada até a idade em que a menopausa ocorreria naturalmente. Ela ajuda a controlar ondas de calor, alterações do sono, ressecamento vaginal e oscilações de humor, além de reduzir riscos como perda de massa óssea e alterações cardiovasculares.

      Além da reposição hormonal, o acompanhamento médico pode incluir orientações sobre alimentação, prática regular de atividade física, suplementação de cálcio e vitamina D, cuidados com a saúde óssea e avaliação periódica do coração.

      Cuidados na menopausa precoce

      Como a queda hormonal acontece mais cedo do que o esperado, alguns cuidados são necessários para preservar a saúde e a qualidade de vida ao longo dos anos, como:

      1. Acompanhamento médico regular

      O acompanhamento com ginecologista é necessário para avaliar sintomas, ajustar a terapia hormonal quando indicada e monitorar possíveis impactos da deficiência hormonal. As consultas periódicas permitem prevenir complicações e adaptar o tratamento conforme as necessidades de cada mulher.

      2. Cuidado com a saúde óssea

      A redução do estrogênio acelera a perda de massa óssea, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose. Por isso, pode ser necessário realizar exames específicos, além de avaliar a necessidade de suplementação de cálcio e vitamina D, sempre com orientação médica.

      3. Atenção à saúde cardiovascular

      Como o estrogênio atua como um escudo protetor para o sistema cardiovascular, auxiliando na manutenção da elasticidade dos vasos e no equilíbrio lipídico, a queda antecipada acende um alerta para a saúde do coração.

      A menopausa precoce pode aumentar o risco de doenças coronárias, tornando importante o controle constante da pressão arterial, dos níveis de colesterol e de outros fatores de risco metabólicos

      4. Alimentação equilibrada

      Com uma alimentação saudável e equilibrada no dia a dia, é possível reduzir parte dos impactos da queda hormonal e proteger a saúde a longo prazo. Uma dieta adequada contribui para a manutenção da massa óssea, do equilíbrio metabólico e da saúde cardiovascular, além de auxiliar no controle do peso e da disposição física.

      O ideal é apostar em alimentos ricos em cálcio, proteínas, fibras, vitaminas e minerais, que ajudam a minimizar os efeitos da deficiência hormonal e a manter o organismo mais estável.

      Também é importante manter uma boa hidratação e evitar o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, açúcares e gorduras em excesso, que podem aumentar o risco de alterações metabólicas e cardiovasculares.

      5. Prática regular de atividade física

      A prática regular de atividade física contribui para preservar a densidade óssea e a força muscular. Além dos benefícios físicos, o movimento libera endorfinas que estabilizam o humor e melhoram a arquitetura do sono.

      O ideal é uma rotina personalizada, que combine treinos de resistência (musculação) com atividades aeróbicas, respeitando as condições individuais. Uma profissional pode te ajudar nesse processo!

      6. Cuidados com a saúde vaginal e sexual

      O ressecamento vaginal e o desconforto íntimo podem surgir com mais intensidade. Existem tratamentos locais e orientações específicas que ajudam a aliviar os sintomas e a manter o bem-estar e a vida sexual confortável.

      7. Atenção à saúde emocional

      Com a falência ovariana precoce, alterações de humor, ansiedade e irritabilidade podem surgir ao longo do processo. O acompanhamento psicológico é importante para ajudar a mulher a compreender as mudanças hormonais, lidar com o impacto emocional do diagnóstico e desenvolver estratégias para manter o equilíbrio emocional.

      Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

      Perguntas frequentes

      1. Qual é a diferença entre menopausa e climatério?

      O climatério é o período de transição que antecede a menopausa, onde os hormônios começam a oscilar. A menopausa, tecnicamente, é apenas a data da última menstruação, confirmada após 12 meses consecutivos sem sangramento.

      2. Com que idade a menopausa é considerada precoce?

      A menopausa é considerada precoce quando ocorre antes dos 40 anos. Se acontecer entre os 40 e 45 anos, é chamada de menopausa antecipada.

      3. O uso de anticoncepcionais pode causar menopausa precoce?

      Não. Os anticoncepcionais “poupam” a ovulação, mas não impedem o envelhecimento natural dos folículos ovarianos, nem antecipam esse processo.

      4. Ter tido a primeira menstruação muito cedo antecipa a menopausa?

      Não há uma relação direta comprovada. A reserva ovariana é determinada geneticamente e por outros fatores ambientais, não apenas pela data da primeira menstruação.

      5. O que é o “rejuvenescimento ovariano”?

      É um termo usado para técnicas experimentais (como a injeção de plasma rico em plaquetas nos ovários) que tentam “reativar” folículos dormentes. No entanto, ainda não possuem comprovação científica robusta para serem indicadas como tratamento padrão.

      6. O consumo de álcool interfere nos sintomas da menopausa?

      Sim. O álcool pode atuar como um gatilho para os fogachos (ondas de calor) e piorar a qualidade do sono, que já costuma estar fragmentado nessa fase.

      Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Gravidez silenciosa: por que acontece, sintomas e riscos da falta de acompanhamento pré-natal

    Gravidez silenciosa: por que acontece, sintomas e riscos da falta de acompanhamento pré-natal

    Conhecida como gravidez oculta, a gravidez silenciosa é uma situação rara em que a mulher não percebe que está grávida, ou porque não apresenta os sintomas mais típicos, como náuseas, ou porque eles são tão leves que acabam sendo confundidos com outras condições.

    Diferente do que se imagina, o corpo costuma dar diversos sinais quando uma gravidez está acontecendo. No entanto, uma combinação de fatores hormonais, ausência de sintomas clássicos e o estado emocional da gestante pode dificultar o descobrimento da gravidez, principalmente nos primeiros meses.

    A situação pode ser um risco tanto para a mãe quanto para o bebê, uma vez que não há um acompanhamento pré-natal adequado para avaliar a saúde dos dois.

    “Gravidez silenciosa” não existe na medicina

    O termo se tornou popular nas redes sociais e em relatos de casos curiosos, mas, segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, academicamente ele não é reconhecido.

    Na prática clínica, quando uma gestação chega próxima ao parto sem que a mulher tenha consciência dela, os médicos tratam o evento sob uma perspectiva emocional e psicológica.

    Na maioria dos casos, Andreia aponta que ocorre um quadro de negação da gravidez. Não é um transtorno psiquiátrico, mas uma forma de defesa da mente diante de uma gestação não planejada, não desejada ou que provoca conflitos profundos em relação ao parceiro.

    Nesses casos, o corpo pode até indicar uma gravidez, mas o cérebro “bloqueia” a percepção deles, sendo um quadro que deve ser trabalhado em psicoterapia.

    O que pode dificultar o descobrimento da gravidez?

    A gravidez silenciosa se manifesta de formas diferentes em cada mulher. Apesar de incomum, a condição pode estar relacionada a fatores individuais que acabam mascarando sinais comuns da gestação, como enjoos, sensibilidade nas mamas e cólicas abdominais.

    De acordo com Andreia, o bebê humano é grande em relação ao corpo da mãe, então é muito raro que ele não seja perceptível fisicamente. Ainda assim, alguns fatores podem contribuir para que a gravidez passe despercebida por um período, como:

    1. Primeira gravidez

    Em mulheres na primeira gravidez, a percepção dos movimentos do bebê costuma demorar mais, já que ainda não existe familiaridade com as sensações provocadas pelo feto em desenvolvimento.

    Nos primeiros meses, os movimentos podem ser leves e facilmente confundidos com gases, contrações intestinais ou cólicas, o que dificulta o reconhecimento da gestação.

    2. Ciclos menstruais irregulares

    A ausência de menstruação é um dos principais sintomas de gravidez. O sangramento acontece quando o útero elimina o revestimento interno preparado para receber um embrião que não foi fecundado.

    Quando a gestação acontece, o processo é interrompido, pois o organismo passa a manter a produção hormonal necessária até a formação completa da placenta, geralmente ao fim do primeiro trimestre.

    No entanto, mulheres que convivem com ciclos irregulares podem não estranhar a ausência de sangramento e demorar a suspeitar da gravidez. A condição, conhecida como amenorreia secundária, por ser causada por ansiedade e estresse, uso inadequado de anticoncepcionais ou condições hormonais, como síndrome dos ovários policísticos.

    3. Presença de sangramento

    Em alguns casos, a mulher pode apresentar sangramentos recorrentes e confundir com a menstruação. Porém, durante a gestação, a perda de sangue podem acontecer por diferentes razões e não indicam a presença de um ciclo menstrual ativo:

    • Sangramento de nidação: surge no início da gestação, quando o embrião se fixa na parede do útero. o processo pode provocar um pequeno sangramento, geralmente leve e de curta duração;
    • Gravidez ectópica: ocorre quando o óvulo fecundado se desenvolve fora do útero, mais frequentemente nas trompas. Além de sangramento, pode causar dor e requer acompanhamento médico;
    • Hematoma subcoriônico: acontece quando há um acúmulo de sangue entre o saco gestacional e a parede do útero, provocando sangramentos leves ou moderados. Na maioria dos casos, o hematoma é reabsorvido com o tempo e a gestação segue normalmente;
    • Hematoma placentário: ocorre quando há um pequeno descolamento entre a placenta e o útero, formando uma área de sangramento. Dependendo do tamanho e da localização, pode causar desde sangramentos leves até quadros que exigem maior atenção;
    • Placenta de inserção baixa: acontece quando a placenta se fixa em uma região mais baixa do útero, próxima ao colo. A posição pode favorecer episódios de sangramento ao longo da gestação, especialmente no segundo e terceiro trimestres, já que o útero cresce e essa área sofre mais tensão.

    Segundo Andreia, para que exista menstruação, é necessário que o ciclo hormonal esteja ativo, algo que não ocorre fisiologicamente durante a gravidez.

    Mesmo nos raros casos em que surgem sangramentos ao longo da gestação, eles normalmente não seguem um padrão regular. Quando há relatos de sangramento mensal, isso deve ser considerado um sinal de alerta.

    4. Sintomas típicos ausentes ou confundidos

    Quanto maior a produção do hormônio beta-hCG pela placenta, maior tende a ser a intensidade dos sintomas da gravidez. Contudo, algumas mulheres produzem quantidades menores desse hormônio ou reagem de forma diferente às alterações hormonais, o que faz com que sinais comuns sejam mais leves.

    Quando isso acontece, os sintomas podem ser facilmente confundidos com estresse, cansaço, mudanças na rotina ou outros problemas de saúde, atrasando a suspeita da gestação.

    De forma inconsciente, negar a possibilidade da gravidez também pode influenciar no processo — ainda mais se a gestação não foi planejada ou desejada.

    Vale apontar que isso não significa que o bebê não esteja se desenvolvendo. Na verdade, o organismo apenas reage de forma diferente às alterações hormonais da gestação.

    Sintomas de gravidez silenciosa (que você não deve ignorar)

    Mesmo pequenos sinais devem levantar suspeita de gravidez, segundo Andreia, especialmente:

    • Atraso menstrual, mesmo em mulheres com ciclos irregulares;
    • Sensibilidade ou aumento das mamas;
    • Náuseas leves ou desconforto no estômago;
    • Sonolência excessiva ou cansaço fora do habitual;
    • Alterações no apetite ou no paladar;
    • Inchaço abdominal persistente;
    • Mudanças de humor sem causa aparente

    Na presença de qualquer um dos sinais, vale fazer um teste de gravidez para esclarecer a situação e, em caso de resultado positivo, procurar atendimento médico o quanto antes.

    O pré-natal é muito importante para avaliar a saúde da mulher e do bebê ao longo da gestação.

    Riscos de não perceber a gravidez no início

    Quando a gravidez não é identificada logo nos primeiros meses, a rotina costuma seguir normalmente, o que pode incluir hábitos e situações que não são indicados, como:

    • Uso de medicamentos que não são indicados durante a gravidez;
    • Consumo de álcool, cigarro ou outras substâncias sem saber da gestação;
    • Falta de exames importantes para avaliar o desenvolvimento do bebê;
    • Não uso de suplementos indicados, como o ácido fólico;
    • Maior risco de complicações que poderiam ser prevenidas com orientação médica.

    Para completar, quando o pré-natal não é feito, a mulher não recebe informações importantes sobre alimentação, uso de vitaminas, vacinas e cuidados do dia a dia, além de perder a chance de acompanhar de perto a saúde do bebê ao longo da gravidez.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. É possível estar grávida e a barriga não crescer?

    Sim, em casos muito raros. Isso depende da estrutura física da mulher, da posição do útero e do bebê, e também de fatores psicológicos que influenciam a postura e a percepção do corpo.

    2. O teste de farmácia ou de sangue pode falhar nesses casos?

    Os testes de gravidez, tanto o de farmácia quanto o de sangue, costumam ser confiáveis quando realizados no momento adequado, mas podem falhar se forem feitos muito cedo, antes de o organismo produzir quantidade suficiente do hormônio beta-hCG.

    3. Posso menstruar durante a gravidez?

    Não é possível menstruar durante a gravidez, pois, do ponto de vista fisiológico, a menstruação corresponde à descamação do endométrio, que é o revestimento interno do útero.

    Quando a gestação acontece, o tecido é mantido justamente para proteger e sustentar o desenvolvimento do bebê, o que impede a ocorrência da menstruação.

    4. Por que algumas mulheres não sentem enjoos?

    A sensibilidade ao hormônio beta-hCG pode variar, de modo que algumas produzem menos hormônio ou simplesmente têm um organismo que reage de forma mais discreta à gestação.

    5. O que é a “pseudociese” e como ela se diferencia da gravidez silenciosa?

    A pseudociese é a gravidez psicológica, onde a mulher apresenta sintomas sem estar grávida. A gravidez silenciosa é o oposto: há um feto, mas a mulher não percebe os sintomas. Ambas envolvem componentes emocionais profundos.

    6. O que causa sangramento na gravidez se não é menstruação?

    Pode ser o sangramento de nidação (implantação do embrião), hematomas no útero ou problemas na placenta. Qualquer sangramento deve ser relatado ao médico.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

    Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

    O consumo de álcool, mesmo em situações sociais, pode atrapalhar os planos de quem está planejando ter filhos. Isso acontece porque o álcool interfere no equilíbrio hormonal, pode afetar a ovulação e dificultar a regularidade do ciclo menstrual — que são fatores importantes para a fertilidade feminina.

    E as bebidas alcóolicas não afetam apenas as mulheres, sabia? O consumo também pode impactar a fertilidade dos homens, interferindo na produção e na qualidade dos espermatozoides.

    Mas será que existe uma quantidade segura de álcool quando a ideia é engravidar? Para tirar essa dúvida, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Confira!

    Como o álcool afeta a fertilidade?

    O consumo de álcool pode interferir na fertilidade tanto de mulheres quanto de homens, especialmente quando acontece de forma frequente ou em grandes quantidades.

    Na fertilidade feminina

    Nas mulheres, o álcool pode afetar diretamente o equilíbrio hormonal, necessário para a ovulação e para a regularidade do ciclo menstrual. O consumo frequente pode aumentar o número de ciclos sem ovulação, reduzindo as chances de gravidez.

    Além disso, o álcool pode prejudicar a qualidade do endométrio, tecido responsável por receber o embrião. Quando esse tecido não está saudável, a implantação se torna mais difícil, mesmo quando a ovulação ocorre normalmente.

    Na fertilidade masculina

    Nos homens, o álcool interfere na produção de testosterona e pode reduzir a quantidade e a qualidade dos espermatozoides. Isso inclui diminuição da concentração, da motilidade e alterações na forma dos espermatozoides, fatores importantes para a fecundação.

    O consumo excessivo também pode afetar a função sexual, levando a dificuldades de ereção e redução da libido, o que pode dificultar ainda mais a concepção.

    Período pré-concepcional e gestação

    Durante a metabolização no fígado, o álcool libera toxinas e radicais livres, substâncias que, segundo Andreia, causam danos às células e comprometem o funcionamento normal do organismo.

    Elas interferem no desenvolvimento adequado dos tecidos, prejudicam processos celulares importantes e aceleram o envelhecimento celular, o que pode impactar diretamente a saúde reprodutiva e outras funções do corpo.

    No período pré-concepcional, o consumo de álcool pode desregular hormônios, aumentar a chance de ciclos sem ovulação e comprometer a qualidade do endométrio, que é o tecido responsável por receber o embrião. Isso reduz as chances de a gravidez acontecer de forma natural.

    Já durante a gestação, os riscos são ainda maiores, uma vez que tudo que a gestante consome também chega ao bebê. Mesmo pequenas doses de álcool podem afetar o desenvolvimento fetal, especialmente do sistema nervoso central.

    Por isso, a orientação durante a gravidez é evitar completamente o consumo de álcool, priorizando a saúde da mãe e do bebê desde o início.

    Quais os riscos do consumo de álcool na gravidez?

    Durante a gravidez, o álcool é capaz de atravessar a placenta, fazendo com que o feto seja exposto às mesmas substâncias ingeridas pela mãe, inclusive toxinas que podem prejudicar o desenvolvimento.

    Um dos principais riscos é a síndrome alcoólica fetal, condição associada ao consumo frequente e elevado de álcool. Ela pode causar problemas como:

    • Alterações no desenvolvimento do sistema nervoso central;
    • Atraso no crescimento físico do bebê;
    • Dificuldades de aprendizagem ao longo da infância;
    • Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor;
    • Alterações comportamentais e cognitivas.

    Além disso, o consumo de álcool durante a gestação também está associado a maior risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e outras complicações que podem afetar a saúde do bebê a curto e longo prazo.

    Existe quantidade segura de álcool?

    Não existe uma quantidade segura de álcool, especialmente durante a gravidez. As evidências científicas mostram que qualquer quantidade pode oferecer riscos, já que o álcool atravessa a placenta e chega diretamente ao bebê, podendo afetar o desenvolvimento, principalmente do sistema nervoso.

    De acordo com Andreia, no período de planejamento da gravidez, o efeito do álcool é considerado dose-dependente, ou seja, quanto maior a quantidade e a frequência do consumo, maior o risco para a fertilidade.

    Mesmo assim, não há um limite totalmente seguro estabelecido, de modo que a recomendação mais prudente para quem deseja engravidar é reduzir ao máximo ou suspender o consumo de álcool.

    E depois da gravidez?

    Durante a amamentação, o álcool ingerido pela mãe passa para o leite materno e pode ser consumido pelo bebê, já que o organismo do recém-nascido ainda não consegue metabolizar a substância de forma adequada.

    O consumo frequente ou em grandes quantidades pode interferir no sono, no comportamento e no desenvolvimento do bebê, além de reduzir a produção de leite em algumas mulheres, de acordo com estudos. Por isso, a orientação geral é evitar o consumo de álcool durante a amamentação.

    Quando suspender o álcool ao planejar uma gestação?

    Se você planeja engravidar, a recomendação é suspender o consumo de álcool pelo menos três meses antes de engravidar, segundo Andreia.

    O período é importante porque permite que o organismo se recupere dos efeitos do álcool, ajudando a regular os hormônios, melhorar a qualidade dos óvulos e favorecer um ambiente uterino mais saudável para a implantação do embrião.

    Na maioria dos casos, os impactos do álcool sobre a fertilidade tendem a ser reversíveis após a interrupção do consumo, principalmente quando não há uso frequente ou em grandes quantidades. Ainda assim, a ginecologista aponta que podem existir sequelas irreversíveis em uma parcela pequena das pacientes.

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    Perguntas frequentes

    Como o álcool interfere no ciclo menstrual?

    O álcool pode elevar os níveis de estrogênio e testosterona, o que desregula os picos de LH e FSH, importantes para a ovulação, podendo causar ciclos anovulatórios (sem óvulo).

    Parei de beber hoje, quanto tempo leva para o corpo “limpar”?

    Para os homens, o ciclo de produção de novos espermatozoides leva cerca de 72 a 90 dias. Para as mulheres, o impacto hormonal pode começar a ser revertido no ciclo seguinte à abstinência.

    Qual o efeito do álcool no leite materno?

    O álcool passa livremente do sangue para o leite materno, mantendo concentrações semelhantes em ambos. Ele pode alterar o odor e o sabor do leite, levando à rejeição pelo bebê, além de reduzir a produção de leite ao inibir o reflexo de ejeção (ocitocina).

    No pequeno, pode causar sonolência excessiva, irritabilidade e até atrasos no desenvolvimento motor.

    Quanto tempo o álcool leva para sair do leite materno?

    O tempo de eliminação depende do peso da mãe e da quantidade ingerida. Em média, o organismo leva de 2 a 3 horas para eliminar uma dose padrão (uma taça de vinho ou uma lata de cerveja).

    O nível de álcool no leite cai conforme o nível no sangue diminui; portanto, “bombear e descartar” o leite não acelera a saída do álcool do organismo.

    Beber durante a amamentação pode afetar o ganho de peso do bebê?

    Sim, o consumo regular de álcool pela lactante pode reduzir a ingestão de leite pelo bebê em até 20% em cada mamada, o que pode comprometer o ganho de peso e o crescimento saudável.

    O álcool ajuda o bebê a dormir melhor?

    Não. Embora o álcool tenha efeito sedativo inicial, ele fragmenta o sono do bebê. O lactente acorda mais vezes, tem um sono de menor qualidade e pode apresentar sonolência excessiva de forma perigosa (letargia).

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