Autor: Dra. Andreia Sapienza

  • Dor na relação sexual: o que pode ser e quando ir ao médico

    Dor na relação sexual: o que pode ser e quando ir ao médico

    Você já ouviu falar em dispareunia? O termo é usado para descrever a dor que surge durante a relação sexual, podendo aparecer no início da penetração ou mais profundamente, dependendo da causa.

    É um problema relativamente comum, mas que precisa ser avaliado por um profissional da saúde, uma vez que pode estar relacionado a diferentes alterações do organismo, desde alterações hormonais e infecções até condições ginecológicas mais complexas.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender as principais causas, como é feito o diagnóstico e quando procurar um médico.

    Quais os tipos de dor na relação sexual?

    A dor na relação sexual pode se manifestar de formas diferentes, variando conforme a região afetada e a causa do problema. Segundo Andreia, os tipos de dispareunia mais comuns são:

    Dispareunia de superfície

    A dispareunia de superfície é um tipo de dor na relação sexual que ocorre no início da penetração ou logo ao toque na entrada da vagina. A mulher costuma relatar ardor, queimação, incômodo, sensação de ferimento ou dor localizada na região mais externa da vagina durante a penetração.

    Dispareunia de profundidade

    A dispareunia de profundidade é a dor que surge durante a penetração profunda, normalmente sentida no fundo da vagina, e não no início da relação sexual.

    Muitas mulheres descrevem a dor como uma cólica, pressão ou desconforto interno, que pode piorar em determinadas posições.

    Ela acontece devido à movimentação dos órgãos pélvicos durante a penetração profunda. Quando existe alguma alteração nesses órgãos, uma movimentação que normalmente seria indolor passa a causar dor.

    A dispareunia de profundidade sempre deve ser investigada, especialmente quando é intensa, frequente ou acontece em qualquer posição.

    O que pode ser a dor na relação sexual?

    A dor na relação sexual pode acontecer por diferentes questões, dependendo do tipo.

    Segundo Andreia, as causas de dispareunia de superfície estão relacionadas a fatores que afetam a mucosa da vagina. A dor pode surgir desde a entrada da vagina ou durante a penetração inicial, devido a:

    • Fissuras na entrada da vagina;
    • Lesões traumáticas locais;
    • Verrugas ou outras lesões que causem atrito ou machucado;
    • Inflamação da mucosa vaginal por infecções vaginais;
    • Redução dos níveis de estrogênio, como ocorre na pós-menopausa;
    • Atrofia genital, com perda da elasticidade e do turgor da mucosa vaginal.

    Nesses casos, o exame físico costuma ser suficiente para identificar ao menos uma causa sindrômica da dor, o que orienta a investigação e o tratamento.

    Por outro lado, a dispareunia de profundidade está relacionada a alterações nos órgãos internos da pelve, como colo do útero, útero e ovários. As causas mais frequentes incluem:

    • Infecções ou inflamações pélvicas, como a doença inflamatória pélvica;
    • Tumorações;
    • Endometriose;
    • Miomatose uterina;
    • Cisto de ovário;
    • Abscesso de ovário.

    Existem ainda as causas funcionais de dor na relação sexual, como o vaginismo, caracterizado por uma hipercontratura muscular que provoca dor intensa durante a penetração. Também há pacientes com hipersensibilidade na região.

    Segundo Andreia, essas alterações podem estar relacionadas a aspectos traumáticos ou psíquicos, que precisam ser consideradas.

    Quando procurar um médico?

    O médico deve ser procurado sempre que a dor durante a relação sexual for frequente, persistente ou causar desconforto significativo. A dor no sexo não deve ser considerada normal, mesmo quando ocorre apenas em algumas posições ou em momentos específicos.

    A avaliação médica é especialmente importante quando a dor surge de forma repentina, piora com o tempo, acontece em qualquer posição, vem acompanhada de sangramento, corrimento, ardor intenso, cólicas persistentes ou alterações no ciclo menstrual.

    Ela também merece atenção quando a dor interfere no desejo sexual, provoca medo da relação ou impacta a qualidade de vida e o bem-estar emocional.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da dispareunia é feito por meio de avaliação clínica e conversa sobre os sintomas. O médico procura entender quando a dor surge, se aparece no início ou na penetração profunda, além da intensidade, frequência, posições que pioram ou aliviam o desconforto e a presença de outros sintomas associados.

    Em seguida, é realizado o exame ginecológico, que permite avaliar a região da vulva, da vagina e do colo do útero, identificando sinais de inflamação, infecção, lesões, ressecamento ou alterações da mucosa. No caso da dispareunia de superfície, muitas vezes o exame físico já ajuda a identificar a causa.

    Quando há suspeita de dispareunia de profundidade ou de alterações nos órgãos internos, o diagnóstico pode incluir exames complementares, como ultrassom pélvico transvaginal ou ressonância magnética da pelve.

    Em algumas situações, também pode ser necessário investigar fatores funcionais ou emocionais, como alterações musculares, hipersensibilidade ou impacto psicológico, garantindo uma avaliação completa e um diagnóstico mais preciso.

    Tratamento da dor na relação sexual

    O tratamento da dor na relação sexual depende diretamente da causa do problema, que é identificada durante a avaliação médica. Entre algumas abordagens, é possível destacar:

    • Uso de medicamentos ou cremes vaginais específicos para tratar infecções vaginais e reduzir inflamações;
    • Tratamentos voltados ao ressecamento ou à atrofia vaginal, como o uso de estrogênio local para melhorar a elasticidade da mucosa;
    • Cremes cicatrizantes e regeneradores indicados para fissuras, irritações ou lesões traumáticas;
    • Medicamentos hormonais ou tratamento cirúrgico em casos de endometriose, miomas uterinos ou cistos ovarianos;
    • Fisioterapia do assoalho pélvico para tratar alterações musculares, como o vaginismo e a dor associada à contração involuntária;
    • Acompanhamento psicológico quando a dor está relacionada a fatores emocionais, traumáticos ou ao impacto na vida sexual.

    Com o tratamento adequado, é possível reduzir a dor, melhorar a função sexual e preservar a qualidade de vida.

    A importância de procurar ajuda médica

    Antes de tudo, vale ressaltar que a dor durante a relação sexual não é normal e não deve fazer parte da vida íntima. Diversas mulheres sentem desconforto ou vergonha de falar sobre o assunto e, em alguns casos, a dor é normalizada, ignorada ou suportada em silêncio por medo, culpa ou falta de informação.

    No entanto, a dor costuma ser um sinal de que algo não está bem no organismo, seja por alterações físicas, hormonais, inflamatórias ou emocionais. Quando não investigada, além de persistir, pode impactar o desejo, a autoestima, os relacionamentos e a saúde emocional.

    Por isso, não hesite em procurar um médico para entender o que está acontecendo. O sexo deve ser uma experiência de prazer, conexão e bem-estar, nunca de dor ou sofrimento.

    Confira: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. O que é vaginismo e como ele causa dor?

    O vaginismo é uma contração involuntária dos músculos da vagina, que dificulta ou impede a penetração, causando dor intensa. Ele pode estar relacionado a fatores físicos, emocionais ou traumáticos e costuma exigir abordagem multidisciplinar.

    2. Aspectos emocionais podem causar dor na relação sexual?

    Sim. Ansiedade, medo, experiências traumáticas, histórico de abuso ou conflitos emocionais podem aumentar a tensão muscular e a sensibilidade, contribuindo para a dor durante a relação sexual.

    3. Quando a dor na relação sexual se torna um sinal de alerta?

    A dor se torna um sinal de alerta quando é intensa, frequente, piora com o tempo, ocorre em qualquer posição ou vem acompanhada de sangramento, corrimento anormal, febre ou alterações menstruais.

    4. Lubrificantes ajudam a aliviar a dor?

    Podem ajudar, especialmente quando a causa está relacionada ao ressecamento vaginal. No entanto, o uso de lubrificantes não substitui a investigação da causa da dor e não resolve problemas mais complexos.

    5. Qual remédio tomar quando sente dor na relação?

    Não existe um único remédio indicado para todos os casos de dor na relação sexual, e o tratamento depende da causa. Em algumas situações, podem ser usados cremes vaginais, antibióticos, antifúngicos, hormônios locais ou medicamentos para controle da dor, mas apenas com a orientação de um médico. Não se automedique!

    6. Quem tem endometriose pode ter relação sexual?

    Sim, pode. No entanto, muitas mulheres com endometriose sentem dor durante a relação sexual, especialmente na penetração profunda. O tratamento adequado da doença ajuda a reduzir a dor e a melhorar a qualidade da vida sexual, permitindo relações mais confortáveis.

    Leia mais: 7 fatores que podem afetar a fertilidade da mulher (e quando investigar)

  • Puberdade precoce: o que é, por que acontece e os sintomas (em meninos e meninas)

    Puberdade precoce: o que é, por que acontece e os sintomas (em meninos e meninas)

    A puberdade é uma fase natural do desenvolvimento em que o corpo da criança passa por mudanças hormonais que levam à maturação física e sexual, preparando o organismo para a vida adulta.

    Nesse período, costumam aparecer sinais como crescimento dos seios, aparecimento de pelos, mudança da voz e crescimento acelerado — além de alterações emocionais que são próprias da fase de amadurecimento.

    Normalmente, as mudanças acontecem entre 8 e 13 anos em meninas e entre 9 e 14 anos em meninos. Contudo, quando surgem antes da idade considerada esperada, o quadro é conhecido como puberdade precoce e precisa de acompanhamento médico especializado.

    Afinal, o que é puberdade precoce?

    A puberdade precoce é a situação em que os sinais da puberdade surgem antes do esperado, ocorrendo antes dos 8 anos em meninas e antes dos 9 anos em meninos, segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    Para que o quadro seja classificado como puberdade precoce, é fundamental que as mudanças ocorram antes desses limites. Por isso, situações como menstruação aos 9 ou quase 10 anos podem parecer precoces, por exemplo, mas ainda estão dentro da normalidade.

    Como o corpo inicia as mudanças da puberdade

    A puberdade envolve o amadurecimento e a modificação da produção hormonal, responsáveis pelas transformações corporais. O processo é controlado por um sistema chamado eixo hipotálamo-hipófise-glândulas.

    O hipotálamo, localizado no cérebro, se comunica com a hipófise, uma glândula situada na base do cérebro, que libera hormônios na corrente sanguínea para estimular outras glândulas do corpo.

    Entre as principais glândulas envolvidas estão a tireoide, a suprarrenal e as gônadas — testículos nos meninos e ovários nas meninas. Segundo Andreia, apesar de existirem outros hormônios com funções gerais no organismo, esses são os principais responsáveis pelas mudanças da puberdade.

    O papel dos hormônios no desenvolvimento

    Os hormônios já são produzidos desde a infância, mas durante a puberdade ocorre uma mudança na frequência e na intensidade de sua liberação.

    A alteração leva ao amadurecimento do eixo neuroendócrino, resultando em maior produção hormonal, principalmente pelas glândulas suprarrenais e pelas gônadas, que são responsáveis pelos hormônios sexuais.

    Andreia aponta que os hormônios determinam o chamado fenótipo, que corresponde às características externas do corpo feminino e masculino na vida adulta.

    Quais os principais sintomas da puberdade precoce?

    Em meninas

    Nas meninas, os hormônios sexuais desencadeiam uma série de transformações físicas antes dos 8 anos de idade, como:

    • Desenvolvimento das mamas;
    • Surgimento de pelos nas axilas e na região genital;
    • Estirão puberal, com crescimento acelerado em altura.

    De acordo com Andreia, o desenvolvimento puberal feminino é dividido em fases para facilitar o acompanhamento médico. É utilizada a letra M para classificar o desenvolvimento das mamas e a letra P para o desenvolvimento dos pelos.

    A primeira mudança observada costuma ser o crescimento das mamas, conhecido como telarca, classificado em estágios que vão do M0 a M4.

    À medida que a puberdade avança, outras mudanças se tornam mais evidentes, como:

    • Aumento progressivo das mamas, estimulado principalmente pelo estrogênio;
    • Aparecimento e evolução dos pelos pubianos, que se tornam mais espessos e distribuídos;
    • Surgimento de odor corporal nas axilas e na região da virilha, devido à ativação das glândulas sudoríparas.

    A menstruação costuma ocorrer quando as mamas já apresentam desenvolvimento mais avançado, pois o estrogênio também promove o crescimento do útero, tornando-o funcional para o ciclo menstrual.

    Em meninos

    Nos meninos, a puberdade normalmente começa com alterações que nem sempre são facilmente percebidas, como:

    • Aumento do volume dos testículos, considerado o primeiro sinal puberal;
    • Crescimento do pênis;
    • Surgimento de pelos pubianos e axilares;
    • Engrossamento da voz;
    • Desenvolvimento do pomo de Adão.

    Assim como ocorre nas meninas, os meninos também passam pelo estirão puberal, caracterizado por um crescimento em altura mais rápido e, em geral, mais intenso.

    Causas da puberdade precoce

    A puberdade precoce pode ter diversas causas, principalmente quando os sinais surgem muito cedo, como em crianças pequenas que apresentam crescimento das mamas ou até menstruação. Entre algumas das possíveis causas, Andreia destaca:

    • Ativação precoce do eixo neuroendócrino, sem causa aparente;
    • Tumores no hipotálamo ou na hipófise, embora sejam raros;
    • Lesões ou malformações no sistema nervoso central;
    • Outros distúrbios hormonais;
    • Contato com hormônios utilizados por adultos, como cremes ou adesivos hormonais;
    • Consumo excessivo de alimentos ricos em fitohormônios, como produtos à base de soja;
    • Excesso de peso e obesidade, já que o tecido adiposo também produz hormônios femininos.

    O excesso de gordura corporal aumenta a produção hormonal, favorecendo o desequilíbrio e a antecipação da puberdade. Já a exposição a hormônios externos pode ocorrer por contato direto com a pele, reforçando a importância de cuidados no uso dos produtos perto de crianças.

    Em muitos casos, Andreia explica que não é possível identificar um motivo específico do motivo pelo qual o sistema hormonal da criança se ativa antes do tempo esperado.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da puberdade precoce é feito a partir da avaliação clínica e de exames que ajudam a confirmar se as mudanças do corpo estão acontecendo antes do tempo esperado.

    O médico analisa os sinais físicos, o ritmo de crescimento e a idade da criança, além de solicitar exames para entender como o organismo está produzindo hormônios, como:

    • Exames hormonais, para avaliar os níveis dos hormônios relacionados à puberdade;
    • Avaliação da hipófise, dos ovários e das glândulas suprarrenais;
    • Radiografia de punho e mão, utilizada para análise da idade óssea;
    • Ultrassom pélvico, no caso das meninas, para observar o desenvolvimento do útero e dos ovários;
    • Exames de imagem do cérebro, como tomografia ou ressonância magnética, para descartar a presença de tumores.

    Com isso, o médico consegue confirmar o diagnóstico, identificar possíveis causas e decidir se há necessidade de tratamento ou apenas acompanhamento.

    Como é feito o tratamento de puberdade precoce?

    Nem sempre a puberdade precoce exige tratamento, mas todos os casos devem ser avaliados por um médico. A indicação depende da idade da criança, da rapidez das mudanças, do avanço da idade óssea e do impacto físico e emocional.

    Em situações leves e de evolução lenta, apenas o acompanhamento pode ser suficiente. Já quando a puberdade avança rapidamente, o tratamento costuma ser indicado para proteger o crescimento e o bem-estar.

    O tratamento pode variar de acordo com a causa do quadro, podendo incluir:

    • Uso de injeções hormonais mensais ou trimestrais, que interrompem temporariamente a progressão da puberdade e ajudam a preservar a estatura final;
    • Cirurgia, em casos específicos em que há uma causa identificável;
    • Acompanhamento médico regular, quando não há indicação de intervenção imediata.

    De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, quando há indicação do uso de injeções, a expectativa é manter o tratamento até cerca de 12 anos de idade óssea e, após a suspensão, permitir que o corpo volte a se desenvolver — desta vez, no momento adequado.

    Puberdade precoce é grave?

    A puberdade precoce nem sempre é grave, mas merece atenção e acompanhamento médico.

    Quando não é avaliada por um profissional, ela pode levar a consequências como crescimento interrompido mais cedo, resultando em estatura final mais baixa — além de impactos emocionais, como insegurança, ansiedade e dificuldade de adaptação social.

    Com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado, a maioria dos casos evolui bem e a criança consegue se desenvolver de forma saudável.

    Impacto emocional e físico da puberdade precoce

    A puberdade precoce pode ser uma experiência difícil tanto para a criança quanto para a família, pois o corpo começa a mudar em um momento em que o desenvolvimento emocional ainda está em formação, o que pode causar dúvidas, insegurança e sofrimento que nem sempre são percebidos no início.

    Do ponto de vista físico, alguns impactos merecem atenção especial, como:

    • Crescimento acelerado no início, seguido pelo fechamento mais rápido dos ossos, o que pode resultar em estatura final mais baixa;
    • Alterações hormonais intensas para a idade, que podem provocar desconfortos físicos e mudanças corporais difíceis de compreender;
    • Desenvolvimento corporal precoce, que faz com que a criança tenha um corpo diferente do esperado para sua faixa etária.

    Já no aspecto emocional, os efeitos podem ser ainda mais delicados, especialmente porque a criança ainda não possui maturidade para lidar com as transformações:

    • Sentimentos de vergonha e estranhamento em relação ao próprio corpo, que muda antes do corpo dos colegas;
    • Isolamento social, dificuldade de interação e sensação de não pertencimento;
    • Exposição à sexualização precoce, muitas vezes sem preparo emocional para lidar com olhares, comentários ou expectativas externas;
    • Aumento do estresse, da ansiedade e da confusão emocional, já que o amadurecimento psíquico não acompanha o ritmo das mudanças físicas.

    Por isso, além do acompanhamento médico, o apoio emocional da família e, quando necessário, o suporte psicológico são fundamentais para que a criança se sinta acolhida, compreendida e segura durante todo o processo.

    Leia mais: 7 fatores que podem afetar a fertilidade da mulher (e quando investigar)

    Perguntas frequentes

    1. Puberdade precoce é mais comum em meninas ou meninos?

    A puberdade precoce ocorre com muito mais frequência em meninas do que em meninos, sendo estimada de cinco a dez vezes mais comum no sexo feminino. Mesmo assim, na maior parte dos casos, não se consegue identificar um fator desencadeante claro, caracterizando o quadro conhecido como puberdade precoce idiopática.

    2. A obesidade pode causar puberdade precoce?

    Sim, pois o excesso de gordura corporal favorece a produção de hormônios femininos a partir do colesterol, o que pode desequilibrar o sistema hormonal e antecipar o início da puberdade, especialmente em meninas.

    3. Puberdade precoce acelera o amadurecimento emocional?

    Não necessariamente. O corpo pode amadurecer mais rápido, mas a mente da criança continua compatível com a idade cronológica, o que aumenta o risco de conflitos emocionais e dificuldades de compreensão do próprio corpo.

    4. A puberdade precoce tem cura?

    Em muitos casos, o tratamento controla bem a progressão da puberdade, permitindo um desenvolvimento mais equilibrado. Mesmo quando não há uma causa identificável, o acompanhamento médico ajuda a reduzir riscos e impactos a longo prazo.

    5. Quando os pais devem procurar um médico?

    Sempre que surgirem sinais de puberdade antes da idade esperada, como crescimento das mamas, pelos ou crescimento acelerado em crianças pequenas. A avaliação precoce faz diferença tanto no crescimento quanto no bem-estar emocional da criança.

    6. Puberdade precoce pode regredir sozinha?

    Em alguns casos, especialmente quando os sinais são leves e isolados, o desenvolvimento pode estabilizar sem necessidade de intervenção. Por isso, o acompanhamento médico é importante para observar a evolução antes de definir o tratamento.

    7. A puberdade precoce pode afetar a fertilidade no futuro?

    Na maioria dos casos, não. Com acompanhamento e tratamento adequados, a função reprodutiva costuma se desenvolver normalmente na vida adulta.

    8. O tratamento da puberdade precoce é seguro?

    Sim, os medicamentos utilizados são estudados há muitos anos e considerados seguros quando indicados corretamente. O bloqueio hormonal é reversível, e o desenvolvimento puberal retoma após a suspensão do tratamento.

    Confira: Comer em frente a telas faz mal? Conheça os riscos e como diminuir o hábito

  • 7 fatores que podem afetar a fertilidade da mulher (e quando investigar)

    7 fatores que podem afetar a fertilidade da mulher (e quando investigar)

    Desde a saúde hormonal até o estilo de vida do casal, a gravidez é um processo que depende de uma série de fatores para acontecer de forma natural e segura — incluindo idade, equilíbrio hormonal, qualidade dos óvulos e espermatozoides e hábitos do dia a dia, como alimentação, sono e consumo de álcool.

    Quando algo não vai bem em algum desses pontos, as chances de engravidar podem diminuir, o que torna importante entender quais fatores podem atrapalhar a fertilidade. Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas. Confira!

    O que pode prejudicar a fertilidade da mulher?

    1. Idade

    Com o passar dos anos, ocorre uma redução natural da quantidade e da qualidade dos óvulos, o que diminui progressivamente as chances de engravidar e aumenta o risco de complicações durante a gestação, como abortamentos e dificuldades no desenvolvimento fetal, segundo Andreia.

    2. Infecções sexualmente transmissíveis

    As infecções sexualmente transmissíveis podem causar inflamações e lesões nas tubas uterinas ou no útero, dificultando o encontro do óvulo com o espermatozoide e reduzindo as chances de gravidez.

    3. Hábitos de vida prejudiciais

    O consumo frequente de bebidas alcoólicas, o tabagismo, a privação de sono, o estresse intenso e outros hábitos prejudiciais aumentam a produção de radicais livres no organismo. Isso favorece inflamações e o desgaste das células.

    Com o tempo, esse processo pode comprometer a qualidade dos óvulos, alterar o equilíbrio hormonal e reduzir as chances de engravidar, afetando diretamente a fertilidade feminina.

    4. Doenças crônicas

    A presença de condições como pressão alta e diabetes nem sempre dificultam o engravidar, mas podem interferir no andamento da gestação.

    Elas aumentam o risco de abortos, perdas fetais e outras complicações durante a gravidez, o que acaba impactando a fertilidade de forma mais ampla e a chance de levar a gestação até o final de maneira saudável.

    5. Doenças autoimunes

    As doenças autoimunes são condições em que o sistema imunológico, responsável por defender o corpo contra vírus, bactérias e outros agentes externos, passa a atacar por engano células e tecidos saudáveis do próprio organismo.

    Elas podem interferir na fertilidade feminina, principalmente por aumentar o risco de abortamento. Em alguns casos, também podem reduzir o potencial de engravidar.

    6. Peso corporal em excesso

    O excesso de peso pode interferir diretamente na fertilidade feminina, especialmente quando está associado à síndrome dos ovários policísticos.

    O aumento da gordura corporal favorece alterações hormonais, como maior resistência à insulina e elevação de hormônios androgênicos, o que pode desregular o ciclo menstrual e dificultar ou até impedir a ovulação.

    Com isso, as chances de engravidar diminuem e aumentam os riscos de ciclos menstruais irregulares e dificuldade para engravidar, o que faz do controle do peso um ponto importante para quem deseja planejar uma gestação.

    7. Baixo peso extremo

    O baixo peso extremo também pode prejudicar a fertilidade feminina, pois a falta de gordura corporal compromete a produção adequada de hormônios essenciais para o ciclo menstrual e a ovulação.

    Quando o organismo não dispõe de energia suficiente, ele pode “desligar” funções consideradas não prioritárias, como a reprodução, levando à ausência ou irregularidade da menstruação.

    Anticoncepcionais prejudicam a fertilidade?

    De acordo com Andreia, o uso de anticoncepcionais não prejudica a fertilidade. Após parar o método, a mulher volta ao nível de fertilidade esperado para a idade e para o momento hormonal em que se encontra.

    A principal exceção pode ocorrer com o anticoncepcional injetável trimestral, que, por ser um método de depósito, pode levar mais tempo para ser totalmente metabolizado pelo organismo.

    Nesses casos, o retorno da ovulação e da fertilidade pode demorar alguns meses, mas de forma temporária, sem impacto permanente na capacidade de engravidar.

    Quando é importante investigar a fertilidade?

    A investigação da fertilidade é indicada quando a gravidez não acontece após um período de tentativas regulares. Para mulheres com menos de 35 anos, Andreia recomenda procurar avaliação após um ano tentando engravidar sem sucesso. Já para mulheres com 35 anos ou mais, esse período diminui para seis meses.

    A investigação também pode ser indicada antes do prazo em casos de ciclos menstruais irregulares, histórico de doenças ginecológicas, infecções, abortos repetidos ou quando o casal apresenta fatores de risco conhecidos.

    Como é feita a investigação da fertilidade?

    A investigação da fertilidade é feita de forma gradual e sempre considerando o casal. Cerca de 40% dos casos envolvem fatores femininos e masculinos ao mesmo tempo, segundo Andreia, por isso a avaliação de ambos é importante.

    No homem, a investigação costuma ser mais simples e começa, na maioria das vezes, com o espermograma, exame que analisa a quantidade, a mobilidade e a qualidade dos espermatozoides.

    Na mulher, a avaliação acontece passo a passo, observando o canal cervical, a cavidade uterina, as tubas e a ovulação. Entre os exames mais utilizados, estão:

    • Dosagem do hormônio anti-mülleriano, para avaliar a reserva folicular;
    • Ultrassonografia, para acompanhar a ovulação e o funcionamento dos ovários;
    • Histerossalpingografia, para analisar a forma da cavidade uterina e a permeabilidade das tubas.

    Como parte da avaliação envolve procedimentos mais invasivos, o processo não começa de imediato. Primeiro, é orientado um período de tentativas de gravidez e, apenas quando a infertilidade é confirmada, a investigação completa é iniciada.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. O ciclo menstrual irregular pode dificultar engravidar?

    Sim, os ciclos irregulares costumam indicar alterações hormonais ou falhas na ovulação, o que reduz as chances de concepção natural.

    2. Infecções ginecológicas podem afetar a fertilidade?

    Sim, algumas infecções, especialmente infecções sexualmente transmissíveis, podem causar inflamações e cicatrizes nas tubas uterinas ou no útero, dificultando a gravidez.

    3. É possível melhorar a fertilidade com mudanças no estilo de vida?

    Sim, a alimentação equilibrada, o sono adequado, o controle do peso, a redução do álcool e do estresse contribuem para melhorar a saúde reprodutiva e aumentar as chances de gravidez.

    4. É possível engravidar mesmo com ovulação irregular?

    Sim, é possível, mas as chances costumam ser menores. Com acompanhamento médico e ajuste do tratamento, muitas mulheres conseguem regular a ovulação e engravidar.

    5. Quanto tempo leva para engravidar após parar o anticoncepcional?

    Na maioria dos casos, a ovulação retorna nos primeiros meses após a suspensão, permitindo tentativa de gravidez logo em seguida.

    6. Quando procurar ajuda especializada?

    É indicado procurar um especialista quando a gravidez não ocorre dentro do período esperado de tentativas ou quando há histórico de ciclos irregulares, doenças ginecológicas ou abortos repetidos.

    7. O uso de medicamentos contínuos pode afetar a fertilidade?

    Alguns medicamentos podem interferir no ciclo menstrual ou na ovulação, por isso é importante informar o médico sobre o uso contínuo de qualquer medicação.

    8. É possível engravidar após os 40 anos?

    Sim, é possível, mas as chances são menores e os riscos aumentam, tornando o acompanhamento médico ainda mais importante.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    A menopausa é uma fase biológica que representa a última menstruação, confirmada após doze meses consecutivos sem sangramento menstrual. Ela indica o encerramento da fase reprodutiva e costuma ocorrer, na maioria dos casos, entre os 45 e 55 anos.

    Mas você conhece a fase que antecede a última menstruação? Antes da menopausa propriamente dita, o corpo passa por um período de transição chamado perimenopausa. A fase, que pode começar anos antes do fim definitivo dos ciclos menstruais, é caracterizada por oscilações hormonais importantes. Vamos entender mais, a seguir.

    Afinal, o que é a perimenopausa?

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o climatério é o período de transição da vida reprodutiva para a menopausa e se divide em três fases: perimenopausa, menopausa propriamente dita e pós-menopausa.

    A perimenopausa corresponde a todo o intervalo que antecede a cessação definitiva da menstruação e é marcada, principalmente, por alterações hormonais e irregularidade dos ciclos menstruais.

    A fase funciona como um período de preparação do organismo para o fim da vida reprodutiva e também tem um papel importante no diagnóstico da menopausa.

    Quando, após a perimenopausa, ocorre a ausência completa da menstruação por doze meses consecutivos, é confirmado, de forma retrospectiva, que o último sangramento marcou a menopausa.

    Quais os sintomas da perimenopausa?

    Os sintomas da perimenopausa estão associados às oscilações hormonais que ocorrem na fase. O sinal mais comum é a irregularidade menstrual, com ciclos que podem ficar mais curtos ou mais longos, além de variações no fluxo e na duração da menstruação.

    A mulher também pode apresentar os seguintes sintomas:

    • Ondas de calor e suores noturnos;
    • Distúrbios do sono, como dificuldade para dormir ou sono não reparador;
    • Alterações de humor, incluindo irritabilidade, ansiedade e variações emocionais;
    • Cansaço e redução da energia;
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória;
    • Sensibilidade ou dor nas mamas;
    • Dores de cabeça;
    • Inchaço e desconforto articular;
    • Diminuição da libido;
    • Ressecamento vaginal;
    • Alterações na pele e nos cabelos.

    A intensidade e a combinação dos sintomas variam de mulher para mulher. Para algumas, eles se manifestam de forma mais leve, enquanto para outras podem ser mais intensos, o que mostra a importância de uma avaliação individual durante a fase.

    Quanto tempo dura a perimenopausa?

    De acordo com Andreia, a duração da perimenopausa pode variar bastante. Em algumas mulheres, a fase dura apenas alguns meses, enquanto em outras pode se estender por vários anos.

    Em média, a perimenopausa dura de quatro a oito anos, estendendo-se até a confirmação da menopausa, que ocorre após doze meses consecutivos sem menstruação. Nesse período, é comum que os sintomas se tornem mais intensos nos anos que antecedem a última menstruação.

    É possível engravidar na perimenopausa?

    É possível engravidar durante a perimenopausa, mas a chance é bem menor, segundo Andreia. Isso acontece porque o número de óvulos disponíveis já é reduzido, mas ainda podem ocorrer ciclos menstruais com ovulação. Eles se tornam menos frequentes e mais irregulares, porém não desaparecem completamente.

    Por isso, o uso de métodos contraceptivos continua sendo importante nessa fase. Andreia explica que algumas mulheres engravidam perto da menopausa justamente por acreditarem que não há mais risco e acabam relaxando nos cuidados.

    Como a perimenopausa afeta a saúde?

    As oscilações do estrogênio durante a perimenopausa afetam o ciclo menstrual, o humor, o sono e a regulação da temperatura corporal, favorecendo sintomas como irregularidade menstrual, ondas de calor, irritabilidade e cansaço.

    Além disso, a queda gradual do estrogênio pode impactar a saúde dos ossos, aumentando o risco de perda óssea, e influenciar o metabolismo, facilitando o ganho de peso e alterações no colesterol. Algumas mulheres também notam mudanças na saúde cardiovascular, na pele, nos cabelos e na lubrificação vaginal.

    O acompanhamento médico ajuda a identificar essas mudanças logo no começo, orientar os cuidados certos e indicar tratamentos quando necessário, ajudando no controle dos sintomas e a manter a qualidade de vida durante a perimenopausa.

    Cuidados durante a perimenopausa

    Os cuidados na perimenopausa ajudam a aliviar os sintomas e a manter a saúde durante essa fase de transição, sendo os principais:

    • Acompanhamento médico regular, para avaliar os sintomas e orientar o tratamento;
    • Alimentação equilibrada, com nutrientes importantes para o corpo e para os hormônios;
    • Prática de atividade física, que ajuda no controle do peso, no humor, na saúde dos ossos e na redução das ondas de calor;
    • Atenção ao sono, buscando manter uma rotina que favoreça um descanso de qualidade;
    • Controle do estresse, com atividades que promovam bem-estar e relaxamento;
    • Uso de métodos contraceptivos, enquanto ainda houver chance de ovulação.

    A reposição hormonal pode ser considerada para aliviar sintomas como ondas de calor e fogachos, além de contribuir para a proteção da saúde óssea.

    Contudo, a indicação depende de uma avaliação médica cuidadosa, na qual a ginecologista analisa o histórico clínico e os possíveis riscos antes de definir o tratamento mais adequado.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

    Perguntas frequentes

    Qual a diferença entre perimenopausa e menopausa?

    A perimenopausa ocorre antes da menopausa e é marcada por ciclos menstruais irregulares. Já a menopausa é a última menstruação, confirmada após doze meses seguidos sem menstruar. A perimenopausa ajuda a identificar que a menopausa está se aproximando.

    Com que idade a perimenopausa costuma começar?

    A perimenopausa normalmente começa entre os 40 e 50 anos, mas pode surgir um pouco antes ou depois, dependendo de fatores genéticos, estilo de vida e condições de saúde.

    A menstruação para completamente na perimenopausa?

    Não. Durante a perimenopausa, a menstruação ainda acontece, mas de forma irregular. A parada definitiva só ocorre na menopausa.

    Exames são necessários para diagnosticar a perimenopausa?

    Na maioria dos casos, o diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e na idade. Os exames podem ser solicitados em situações específicas, mas não são obrigatórios.

    A perimenopausa pode causar ganho de peso?

    Sim, as mudanças hormonais afetam o metabolismo, facilitando o acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal. Além disso, a perda de massa muscular e a redução do gasto energético contribuem para esse ganho.

    Toda mulher precisa fazer reposição hormonal na menopausa?

    Não, a reposição hormonal não é indicada para todas. A decisão depende dos sintomas, do histórico de saúde e da avaliação médica individual.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

  • TDPM: entenda o transtorno disfórico pré-menstrual e como identificar os sintomas

    TDPM: entenda o transtorno disfórico pré-menstrual e como identificar os sintomas

    Você já ouviu falar em transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM)? Considerada uma forma mais grave da tensão pré-menstrual (TPM), ela é marcada por sintomas que podem interferir de forma significativa na rotina, nos relacionamentos pessoais, na vida social e no desempenho profissional.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender o que diferencia o TDPM da TPM comum, quais são os principais sinais de alerta, como o diagnóstico é feito e quais são as opções de tratamento disponíveis para aliviar os sintomas.

    O que é transtorno disfórico pré-menstrual?

    O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é uma condição caracterizada por sintomas emocionais e psicológicos intensos que estão diretamente relacionados ao ciclo menstrual. Ele surge na fase final do ciclo, após a ovulação, período conhecido como fase lútea, e desaparece com o início da menstruação ou nos primeiros dias do sangramento.

    No TDPM, as alterações de humor são mais marcantes e podem incluir irritabilidade extrema, tristeza profunda, ansiedade, sensação de perda de controle emocional, dificuldade de concentração e impacto importante na vida social, profissional e nos relacionamentos.

    Qual a diferença entre a TDPM e TPM?

    A principal diferença entre a TPM comum e o Transtorno Disfórico Pré-Menstrual está na gravidade, na frequência e no impacto dos sintomas na vida da mulher, segundo Andreia.

    Na TPM, os sintomas físicos costumam ser mais predominantes, embora os emocionais também possam estar presentes. Já no transtorno disfórico, os sintomas emocionais e psicológicos são mais intensos do que os físicos e podem ser incapacitantes.

    Andreia aponta que ele é reconhecido como um diagnóstico psiquiátrico e faz parte do manual que classifica os transtornos mentais. Nesses casos, os sintomas vão além de um simples desconforto e causam sofrimento importante.

    Fatores de risco para a TDPM

    Os principais fatores de risco associados ao transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) incluem:

    • Maior sensibilidade hormonal: mulheres com TDPM tendem a reagir de forma mais intensa às oscilações hormonais naturais do ciclo menstrual;
    • Predisposição genética: histórico familiar de TDPM pode elevar o risco;
    • Histórico de transtornos de humor: depressão, ansiedade ou outros transtornos emocionais, pessoais ou familiares, aumentam a vulnerabilidade;
    • Alterações na serotonina: níveis reduzidos desse neurotransmissor, ligado ao humor e à sensação de bem-estar, estão associados ao surgimento dos sintomas;
    • Tabagismo: embora as evidências não sejam conclusivas, fumar pode contribuir para o risco;
    • Disforia de gênero: mulheres com disforia de gênero apresentam risco aumentado para o desenvolvimento do transtorno.

    Quais os sintomas do TDPM?

    Os sintomas do transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) são, em geral, mais emocionais e psicológicos do que físicos e costumam surgir na fase que antecede a menstruação, desaparecendo com o início do sangramento. Os principais incluem:

    • Irritabilidade intensa ou explosões de raiva;
    • Tristeza profunda, sensação de vazio ou desesperança;
    • Ansiedade acentuada ou tensão constante;
    • Mudanças bruscas de humor;
    • Sensação de perda de controle emocional;
    • Dificuldade de concentração;
    • Cansaço intenso ou falta de energia;
    • Alterações do sono, como insônia ou sono excessivo;
    • Diminuição do interesse por atividades do dia a dia;
    • Sensação de sobrecarga emocional.

    Também podem ocorrer sintomas físicos, como inchaço, sensibilidade nas mamas, dores de cabeça e alterações do apetite, mas eles costumam ser secundários em relação aos sintomas emocionais.

    Como é feito o diagnóstico de TDPM?

    O diagnóstico do transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é clínico, ou seja, feito a partir da conversa detalhada com a paciente, sem necessidade de exames laboratoriais. O principal critério é a relação dos sintomas com o ciclo menstrual.

    Para confirmar o diagnóstico, é observado se os sintomas surgem de forma repetida na fase que antecede a menstruação e melhoram ou desaparecem com o início do sangramento. Também é avaliada a intensidade dos sintomas e o impacto na rotina, nos relacionamentos e na vida profissional.

    Tratamento de transtorno disfórico pré-menstrual

    O tratamento do transtorno disfórico pré-menstrual depende da intensidade dos sintomas e do impacto na vida da mulher. Em muitos casos, Andreia aponta que ele envolve o uso de antidepressivos e outras medicações que ajudam a controlar os sintomas emocionais, como irritabilidade intensa, ansiedade e tristeza profunda.

    Além dos medicamentos, é importante adotar algumas mudanças no estilo de vida, como:

    • Manter uma alimentação equilibrada;
    • Ter uma rotina de sono adequada e regular;
    • Praticar atividade física de forma regular;
    • Reduzir o estresse no dia a dia;
    • Observar o próprio ciclo menstrual para identificar períodos de maior sensibilidade;
    • Evitar situações ou hábitos que piorem os sintomas nesse período.

    Segundo Andreia, existem casos extremos em que mulheres apresentam ideação suicida associada ao período pré-menstrual, o que exige intervenção imediata e, em situações específicas, até internação.

    Quando procurar ajuda médica?

    É importante procurar ajuda de um médico quando os sintomas começam a atrapalhar a rotina e a qualidade de vida. Assim, fique atenta especialmente se você perceber:

    • Irritabilidade muito intensa ou crises de raiva;
    • Tristeza profunda ou sensação constante de desânimo;
    • Ansiedade forte ou sensação de tensão o tempo todo;
    • Mudanças de humor que afetam os relacionamentos;
    • Dificuldade para trabalhar, estudar ou manter a rotina;
    • Sensação de perda de controle emocional;
    • Pensamentos de autolesão ou suicídio.

    O acompanhamento ajuda a identificar o problema, orientar o tratamento correto e oferecer suporte para atravessar o período com mais bem-estar.

    Perguntas frequentes

    Quais remédios podem ser usados no tratamento?

    Em muitos casos, são utilizados antidepressivos e outras medicações voltadas para o controle dos sintomas emocionais, sempre com acompanhamento médico.

    O TDPM pode surgir em qualquer idade?

    O TDPM costuma aparecer durante a vida reprodutiva, após o início dos ciclos menstruais. Ele pode se manifestar ainda na juventude ou surgir mais tarde, dependendo da sensibilidade individual às oscilações hormonais.

    O uso de anticoncepcional ajuda no TDPM?

    Em alguns casos, o anticoncepcional pode ajudar ao reduzir as oscilações hormonais do ciclo. No entanto, a resposta varia de mulher para mulher, e a indicação deve ser avaliada individualmente.

    Psicoterapia ajuda no tratamento do TDPM?

    Ajuda, sim. A psicoterapia pode auxiliar no controle emocional, na identificação de gatilhos e no desenvolvimento de estratégias para lidar melhor com os sintomas.

    O TDPM tem cura?

    O TDPM não tem uma cura definitiva, mas tem tratamento. Com acompanhamento adequado, é possível controlar os sintomas e melhorar muito a qualidade de vida.

    A TPM é considerada uma doença?

    Não, a TPM não é uma doença, mas um conjunto de sintomas ligados às mudanças hormonais do ciclo menstrual. Ela só se torna um problema quando os sintomas passam a causar sofrimento importante.

    Quando a TPM merece atenção médica?

    Quando os sintomas são muito intensos, persistentes ou começam a atrapalhar a rotina, o trabalho ou os relacionamentos, é importante procurar avaliação médica.

  • Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda

    Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda

    As mudanças hormonais intensas que acontecem após o parto, junto com a privação de sono e as exigências constantes do cuidado com o recém-nascido, podem favorecer o surgimento da depressão pós-parto — uma condição que afeta diretamente o bem-estar da mãe, o vínculo com o bebê e a rotina familiar.

    Ela pode se manifestar nas primeiras semanas após o parto ou aparecer de forma mais tardia, de acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o que torna importante ficar atento aos principais sintomas. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é depressão pós-parto e por que acontece?

    A depressão pós-parto é um transtorno de saúde mental que pode surgir após o nascimento do bebê e se caracteriza por tristeza persistente, desânimo, perda de interesse pelas atividades do dia a dia e sensação de culpa.

    A condição pode ser causada por uma combinação de fatores, como:

    • Queda abrupta dos hormônios após o parto, como estrogênio e progesterona
    • Privação de sono e cansaço físico intenso;
    • Sobrecarga emocional e exigências constantes do cuidado com o recém-nascido;
    • Histórico de depressão, ansiedade ou outros transtornos psiquiátricos;
    • Episódios de tristeza ou depressão durante a gestação;
    • Falta de apoio familiar ou do parceiro/parceira;
    • Conflitos conjugais ou familiares;
    • Gestação não planejada ou não desejada;
    • Dificuldades financeiras ou situações de vulnerabilidade social;
    • Experiências difíceis durante a gravidez, parto traumático ou complicações obstétricas;
    • Problemas de saúde do bebê após o nascimento.

    Vale lembrar que a depressão pós-parto não é sinal de fraqueza, falta de amor ou incapacidade como mãe. É uma condição de saúde real, que pode afetar qualquer mulher, independentemente de preparo, desejo pela maternidade ou apoio das pessoas ao redor.

    Por isso, é fundamental procurar ajuda o quanto antes, o que permite aliviar os sintomas, cuidar da própria saúde emocional e viver o vínculo com o bebê de forma mais leve e segura.

    Fatores de risco para a depressão pós-parto

    Segundo Andreia, os principais fatores de risco para a depressão pós-parto são:

    • Histórico prévio de depressão;
    • Episódios depressivos durante a gestação;
    • Presença de outros transtornos psiquiátricos;
    • Gestação não planejada ou não desejada;
    • Ausência de rede de apoio familiar ou do parceiro;
    • Situações de maior vulnerabilidade social.

    O histórico de depressão anterior é considerado o fator de risco mais importante para o desenvolvimento da depressão pós-parto.

    Quais os principais sintomas de depressão pós-parto?

    Os sintomas da depressão pós-parto vão além de uma tristeza comum, e podem incluir uma melancolia intensa, desânimo profundo, falta de energia para lidar com a rotina diária e uma tristeza constante, muitas vezes acompanhada de angústia e sensação de desespero.

    Além disso, a presença dos sinais abaixo também pode indicar depressão pós-parto:

    • Perda de interesse ou prazer nas atividades do dia a dia;
    • Falta de interesse por atividades, pessoas ou situações que antes traziam prazer;
    • Pensamentos sobre morte ou suicídio;
    • Pensamentos ou impulsos de machucar o bebê;
    • Perda ou ganho de peso sem motivo aparente;
    • Aumento ou diminuição do apetite;
    • Dormir demais ou dificuldade para dormir;
    • Insônia frequente;
    • Inquietação ou sensação constante de indisposição;
    • Cansaço intenso, mesmo sem esforço físico;
    • Sentimento excessivo de culpa;
    • Dificuldade de concentração e para tomar decisões;
    • Ansiedade e preocupação excessiva.

    Diante de qualquer um dos sinais, especialmente quando persistem ou ficam intensos, é fundamental buscar ajuda médica e apoio emocional.

    Como diferenciar o baby blues da depressão pós-parto?

    O baby blues é um quadro leve e transitório, caracterizado por tristeza passageira, que costuma surgir entre a primeira semana e cerca de 7 a 10 dias após o parto. Segundo Andreia, o período coincide com as intensas alterações hormonais do puerpério.

    A tristeza aparece e desaparece espontaneamente e, na maioria dos casos, se resolve até aproximadamente 40 a 42 dias após o parto, acompanhando o fim do puerpério, que pode se estender até cerca de 60 dias.

    Apesar de lembrar um quadro depressivo, o baby blues é leve, autolimitado e não exige tratamento medicamentoso. O apoio da família, uma rede de suporte adequada e, em alguns casos, acompanhamento psicológico costumam ser suficientes.

    A depressão pós-parto costuma aparecer mais tarde, geralmente a partir de três semanas após o parto. Diferente do baby blues, os sintomas são mais intensos e bem definidos. Em vez de melhorar com o tempo, eles tendem a continuar ou até piorar após o fim do puerpério.

    Quando procurar ajuda?

    A ajuda médica deve ser procurada quando surgirem sinais como:

    • Tristeza intensa ou persistente por mais de duas semanas;
    • Choro frequente e sem motivo aparente;
    • Desânimo profundo e falta de energia para a rotina;
    • Ansiedade excessiva ou sensação constante de angústia;
    • Sentimento de culpa intenso ou sensação de incapacidade;
    • Dificuldade para dormir ou se alimentar;
    • Isolamento e afastamento de familiares e amigos;
    • Falta de interesse pelas atividades do dia a dia;
    • Dificuldade de criar vínculo com o bebê;
    • Sensação de não conseguir cuidar de si ou do recém-nascido;
    • Pensamentos de machucar a si mesma ou ao bebê.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da depressão pós-parto é feito a partir da conversa com a mãe e da avaliação dos sintomas. Durante as consultas após o parto, o médico pergunta sobre o humor, o sono, o apetite, o nível de cansaço, a presença de tristeza constante, ansiedade, culpa e dificuldade de se conectar com o bebê.

    Também podem ser usados questionários simples, que ajudam a identificar sinais de depressão. O mais importante é observar se os sintomas duram mais de duas semanas e se estão atrapalhando a rotina e os cuidados com o bebê.

    Diferente do baby blues, que melhora sozinho com o tempo, a depressão pós-parto tende a persistir ou piorar. Quando há suspeita, o médico orienta o acompanhamento adequado para que o tratamento seja iniciado o quanto antes.

    Como é feito o tratamento de depressão pós-parto?

    O tratamento da depressão depende da intensidade dos sintomas e das necessidades de cada mulher, mas, na maioria dos casos, envolve uma combinação de:

    • Psicoterapia: ajuda a mulher a entender e lidar com os sentimentos do pós-parto, como culpa, medo, insegurança e cansaço emocional, além de auxiliar na adaptação à nova rotina. Pode ser indicada sozinha ou junto a outros tratamentos;
    • Uso de antidepressivos: em casos moderados ou mais intensos, a medicação pode ser necessária. Existem antidepressivos considerados seguros na gestação e na amamentação, como fluoxetina e sertralina, sempre com acompanhamento médico;
    • Rede de apoio e suporte familiar: o apoio do parceiro, da família e de pessoas próximas ajuda a reduzir a sobrecarga, oferecendo ajuda prática com o bebê e apoio emocional no dia a dia;
    • Acompanhamento médico regular: consultas periódicas permitem avaliar a evolução dos sintomas, ajustar o tratamento e oferecer suporte contínuo, conforme a necessidade;
    • Cuidados com o descanso e a rotina: dormir sempre que possível, aceitar ajuda e diminuir a sobrecarga diária contribuem para o bem-estar emocional, mesmo não substituindo o tratamento médico;
    • Apoio psicológico no pós-parto: grupos de apoio e acompanhamento psicológico específico ajudam a mulher a se sentir acolhida, diminuem o isolamento e fortalecem a recuperação.

    Quando há o diagnóstico, Andreia explica que o tratamento é importante tanto durante a gestação quanto no puerpério e na amamentação. Manter a depressão sem tratamento costuma representar um risco maior do que o uso de medicações adequadas nesse período.

    A ginecologista destaca que muitas mulheres interrompem o tratamento por medo de usar medicamentos durante a gravidez, mas isso aumenta de forma significativa o risco de recaída depressiva. Por isso, o acompanhamento médico e o uso das medicações devem ser mantidos pelo tempo indicado pelo profissional de saúde.

    Importância do acompanhamento pós-parto

    Após o parto, é comum que a mulher esteja envolvida em tantas mudanças físicas e emocionais que acaba não percebendo o que está acontecendo, o que torna importante o acompanhamento médico para realizar o diagnóstico da depressão.

    Segundo Andreia, as consultas de revisão pós-parto, geralmente realizadas por volta de 15 e 42 dias após o nascimento, são importantes para avaliar a recuperação física e emocional.

    Além disso, manter uma comunicação próxima entre a equipe de saúde, a mulher e a pessoa que convive mais de perto com ela ajuda a perceber mudanças de comportamento, como tristeza constante, dificuldade para amamentar, falta de apetite, isolamento ou dificuldade para cuidar do bebê.

    Embora muitas mulheres que desenvolvem depressão pós-parto já tenham tido episódios anteriores, a condição também pode surgir sem nenhum histórico. Por isso, atenção, conversa aberta e uma rede de apoio presente fazem diferença para identificar o problema mais cedo e iniciar o tratamento adequado.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. A depressão pós-parto pode afetar o bebê?

    Quando não tratada, a condição pode interferir no vínculo entre mãe e bebê e dificultar os cuidados diários. Com tratamento adequado, é possível proteger a saúde emocional da mãe e o desenvolvimento do bebê.

    2. É seguro usar antidepressivos durante a amamentação?

    Existem antidepressivos considerados seguros durante a gestação e a amamentação, quando usados com orientação médica. O risco de não tratar a depressão costuma ser maior do que o risco do uso adequado da medicação.

    3. Por quanto tempo dura o tratamento?

    O tempo de tratamento varia para cada mulher. Algumas precisam de acompanhamento por alguns meses, enquanto outras podem necessitar de tratamento por mais tempo, conforme orientação médica.

    4. É normal sentir culpa durante a depressão pós-parto?

    Sim, o sentimento de culpa é muito comum e pode aparecer como a sensação de não estar sendo uma boa mãe ou de não conseguir dar conta da rotina. Contudo, o sentimento faz parte do quadro e não reflete a realidade.

    5. A depressão pós-parto pode surgir meses depois do nascimento?

    Sim, o quadro pode aparecer meses depois, especialmente quando a mulher passa a enfrentar cansaço acumulado, sobrecarga emocional e falta de apoio.

    6. Mudanças bruscas de humor são normais no pós-parto?

    Algumas mudanças leves podem ocorrer devido às alterações hormonais, mas oscilações intensas e persistentes, com sofrimento emocional importante, merecem avaliação médica.

    7. A depressão pós-parto pode causar sintomas físicos?

    Além dos sintomas emocionais, podem surgir dores no corpo, falta de energia, alterações no apetite, sensação constante de cansaço e mal-estar sem causa aparente.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Posição da placenta: como ela pode afetar a via de parto e quando é preocupante

    Posição da placenta: como ela pode afetar a via de parto e quando é preocupante

    A placenta é um órgão temporário que se forma durante a gravidez, responsável por conectar o feto ao organismo materno por meio do cordão umbilical, permitindo a troca de substâncias entre mãe e filho ao longo da gravidez.

    A posição da placenta é avaliada rotineiramente durante o pré-natal e, na grande maioria dos casos, não representa qualquer risco. Mas, em situações específicas, a posição pode influenciar diretamente a evolução da gestação, a escolha do tipo de parto e as chances de complicações tanto para a mãe quanto para o bebê.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender as posições da placenta e quando essa localização merece maior atenção.

    O que é placenta e para que ela serve?

    A placenta é um órgão que se desenvolve no útero durante a gravidez e conecta o bebê ao organismo da mãe por meio do cordão umbilical. Ela permite a passagem de oxigênio e nutrientes do sangue materno para o bebê e, ao mesmo tempo, ajuda a eliminar substâncias que o feto não precisa.

    A placenta também produz hormônios que ajudam a manter a gravidez e a preparar o corpo da mulher durante a gestação. Ela funciona como uma proteção parcial, mas não bloqueia totalmente a passagem de medicamentos, álcool ou outras substâncias. Após o nascimento do bebê, a placenta se desprende do útero e é eliminada.

    De acordo com Andreia, por reunir tantas funções essenciais, a placenta pode ser considerada um verdadeiro órgão multifuncional — e alterações em suas características podem estar associadas a diversas condições clínicas.

    Quais as posições possíveis da placenta?

    No início da gestação, quando o útero ainda é pequeno, não é possível definir com precisão a posição final da placenta, segundo Andreia. Isso porque a placenta não se desloca após a implantação, permanecendo fixada no local de inserção. O que muda ao longo da gravidez é o crescimento do útero.

    No início da gestação, o útero é pequeno, com volume em torno de 70 cm³, mas pode chegar a quase 5 litros ao final da gravidez. Com esse crescimento, a placenta também aumenta de tamanho e pode parecer mudar de posição no ultrassom, mesmo permanecendo fixada no local onde se implantou.

    Entre as posições que a placenta pode assumir estão:

    Placenta baixa (placenta prévia)

    A placenta baixa ocorre quando a placenta se implanta próxima ao colo do útero. Durante o início da gestação, a localização pode ser temporária, pois o crescimento do útero pode afastar a placenta do colo ao longo do tempo. Por isso, até cerca de 28 semanas, utiliza-se o termo placenta baixa.

    Quando a placenta permanece na posição após o período e passa a atingir ou cobrir o orifício interno do colo do útero, recebe o nome de placenta prévia. A condição pode aumentar o risco de sangramentos durante a gravidez e interferir na via de parto, exigindo acompanhamento mais cuidadoso.

    No geral, ela é classificada de acordo com a relação da placenta com o orifício interno do colo do útero:

    • Placenta prévia centro total: a placenta recobre completamente o orifício interno do colo uterino. Nessa situação, o parto vaginal é contraindicado, e a cesariana é normalmente indicada;
    • Placenta prévia centro parcial: a placenta cobre apenas parte do orifício interno do colo. Ainda assim, há risco elevado de sangramento com a dilatação cervical, sendo a cesariana geralmente recomendada;
    • Placenta prévia marginal: a placenta encosta na borda do orifício interno, sem recobri-lo. Dependendo da evolução da gestação e da ausência de sangramentos, o parto vaginal pode ser considerado em agora selecionados;
    • Placenta prévia lateral: a placenta está próxima ao orifício interno, mantendo uma distância de até cerca de 7 cm. Em muitos casos, a posição permite parto vaginal, desde que não haja sangramento e o acompanhamento seja rigoroso.

    Segundo Andreia, o principal risco da placenta prévia é o sangramento. Quando isso acontece, o fornecimento de oxigênio para o bebê pode ser prejudicado, tornando a situação grave.

    O cuidado pode incluir repouso, de acordo com a intensidade do sangramento, e, em alguns casos, internação. O exame de toque vaginal não é indicado quando há diagnóstico de placenta prévia, pois pode provocar o descolamento da placenta.

    Placenta anterior

    A placenta anterior está localizada na parede frontal do útero, mais próxima da parede abdominal da gestante. Em geral, não causa complicações, mas pode atrasar a percepção inicial dos movimentos fetais e, em alguns casos, exigir maior cuidado durante a cesárea.

    Placenta posterior

    Na placenta posterior, a inserção ocorre na parede de trás do útero. A posição costuma permitir que os movimentos fetais sejam percebidos mais precocemente e, na maioria das vezes, não está associada a riscos adicionais.

    Placenta fúndica

    A placenta fúndica está inserida no fundo do útero, considerado um local habitual e favorável. Normalmente, não interfere na evolução da gestação nem no tipo de parto, sendo associada a baixo risco de complicações.

    Como ocorre o descolamento de placenta?

    O descolamento de placenta ocorre quando a placenta se separa, total ou parcialmente, da parede uterina antes do nascimento do bebê. É considerada uma condição grave, que pode causar sangramento intenso e comprometer o fornecimento de oxigênio ao feto, exigindo avaliação e intervenção imediatas.

    Quais exames avaliam a placenta durante a gravidez?

    A avaliação da placenta durante a gravidez é feita principalmente por exames de imagem realizados ao longo do pré-natal, como a ultrassonografia. Durante o exame, Andreia explica que são avaliados aspectos como a localização, a espessura, o grau de maturidade e a presença de calcificações.

    Quando se identifica placenta prévia centro total ou centro parcial, a gestação passa a ser considerada de alto risco, já que a condição está entre as principais causas de sangramento no segundo e no terceiro trimestres da gravidez.

    Quando a condição da placenta representa risco para o bebê?

    A condição da placenta pode representar risco para o bebê quando dificulta a passagem de oxigênio e nutrientes ou aumenta o risco de sangramentos durante a gravidez ou o parto. As situações podem comprometer o crescimento fetal, o bem-estar do bebê e a segurança do nascimento.

    O risco costuma ser maior nos casos de placenta prévia, quando a placenta fica próxima ou cobre o colo do útero, facilitando sangramentos que podem reduzir o oxigênio que chega ao bebê. O descolamento de placenta também é grave, pois a placenta se solta antes do nascimento, interrompendo a troca de oxigênio e nutrientes.

    Por isso, o acompanhamento pré-natal e a avaliação da placenta ao longo da gestação são importantes para identificar problemas cedo e reduzir riscos para o bebê.

    Como a posição da placenta pode afetar a via de parto?

    A posição da placenta define se o colo do útero estará livre para a passagem do bebê no momento do nascimento. Na maioria das gestações, a placenta se insere em regiões altas do útero e não interfere na possibilidade de parto vaginal.

    Porém, nos casos de placenta prévia, especialmente quando a placenta recobre parcial ou totalmente o orifício interno do colo uterino, o parto vaginal pode provocar sangramento importante — sendo normalmente indicado o parto cesárea.

    Segundo Andreia, a cesariana costuma ser programada entre 37 e 39 semanas de gestação, quando o risco de a gestante entrar em trabalho de parto espontaneamente e apresentar sangramentos é menor. Ainda assim, o momento ideal pode variar, pois a decisão depende de como cada gestação evolui ao longo do pré-natal.

    Quais sinais de alerta relacionados à posição da placenta?

    Os principais sinais de alerta relacionados a posições anormais da placenta:

    • Sangramento vaginal, especialmente indolor, no segundo ou terceiro trimestre da gestação;
    • Sangramentos recorrentes ou em grande quantidade;
    • Diminuição ou alteração dos movimentos fetais;
    • Dor abdominal intensa ou dor súbita associada a sangramento;
    • Contrações uterinas associadas a sangramento.

    Diante de qualquer sangramento durante a gravidez, especialmente após a metade da gestação, é fundamental procurar atendimento médico.

    É possível prevenir problemas relacionados à posição da placenta?

    Na maioria das vezes, não é possível prevenir alterações na posição da placenta, pois a implantação ocorre de forma natural no início da gravidez. Ainda assim, alguns cuidados ajudam a reduzir riscos e a identificar problemas precocemente, como:

    • Realizar o pré-natal regularmente;
    • Fazer os exames de ultrassom nas datas indicadas;
    • Procurar atendimento médico diante de qualquer sangramento vaginal;
    • Evitar o tabagismo durante a gestação;
    • Seguir orientações médicas sobre repouso, quando indicado;
    • Evitar esforços físicos excessivos em casos de placenta baixa ou prévia;
    • Manter acompanhamento próximo com o obstetra ao longo da gravidez.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    Em que momento a posição da placenta começa a ser avaliada?

    A posição da placenta costuma ser observada desde os primeiros exames de ultrassom. No entanto, no início da gravidez, o útero ainda é pequeno, o que impede uma definição precisa da localização final. A avaliação se torna mais confiável conforme a gestação avança.

    A placenta pode mudar de lugar durante a gravidez?

    A placenta não se desloca depois de se implantar. O que acontece é o crescimento do útero, que altera a relação da placenta com o colo uterino. Por isso, uma placenta considerada baixa no início pode deixar de ocupar uma posição preocupante ao longo da gestação.

    Quais são as posições normais da placenta?

    As posições mais comuns e seguras da placenta incluem a placenta anterior, posterior, fúndica e lateral, desde que estejam em regiões altas do útero e longe do colo uterino. Nessas situações, a gravidez costuma evoluir normalmente, sem problemas relacionados à placenta.

    Placenta prévia sempre exige cesariana?

    Na maioria dos casos, principalmente quando há recobrimento parcial ou total do colo uterino. Em formas laterais ou marginais, o parto vaginal pode ser considerado em situações selecionadas, desde que não haja sangramentos e o acompanhamento seja cuidadoso.

    Gestantes com placenta prévia podem ter relação sexual?

    Em casos de placenta prévia, o médico pode orientar a suspensão das relações sexuais, especialmente se houver histórico de sangramento. A recomendação varia conforme cada situação.

    A posição da placenta interfere nos movimentos do bebê?

    A posição da placenta pode influenciar a forma como a gestante sente os movimentos do bebê. Quando a placenta fica na parte da frente do útero, os movimentos podem ser percebidos mais tarde ou de maneira mais suave. Com o passar da gravidez, essa diferença costuma diminuir.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Congelamento de óvulos: o que é, como funciona e quando é indicado

    Congelamento de óvulos: o que é, como funciona e quando é indicado

    No Brasil e no mundo, cada vez mais mulheres estão escolhendo esperar mais alguns anos para viver a maternidade.

    Para se ter uma ideia, dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados Estatísticos (Seade) mostram que a quantidade de gestações em mulheres com mais de 40 anos aumentou 64% entre 2010 e 2022.

    Como parte do planejamento familiar, que ajuda a mulher a decidir com mais calma quando deseja engravidar, é comum considerar alternativas para preservar a fertilidade ao longo do tempo, e uma delas é o congelamento de óvulos.

    Ela permite guardar óvulos em uma fase de maior qualidade, aumentando as chances de uma gestação futura. Para entender como o procedimento funciona, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Confira!

    Afinal, o que é o congelamento de óvulos?

    O congelamento de óvulos, também chamado de criopreservação de oócitos, é um procedimento médico que permite preservar a fertilidade feminina para o futuro. A técnica consiste em coletar e congelar óvulos em uma fase em que ainda apresentam boa qualidade, para que possam ser utilizados no futuro.

    A opção é usada tanto por mulheres que desejam adiar a maternidade por motivos pessoais ou profissionais quanto por aquelas que precisam passar por tratamentos médicos que podem afetar a fertilidade.

    Segundo Andreia, a decisão pode partir da própria mulher ou surgir após orientação médica, a depender do contexto clínico e dos objetivos reprodutivos.

    Com o passar do tempo, a quantidade e a qualidade dos óvulos diminuem de forma natural. A mulher já nasce com um número limitado de óvulos e, ao longo dos anos, a reserva vai sendo reduzida, especialmente após os 35 anos, o que pode dificultar uma gravidez futura.

    Com o congelamento, é possível preservar óvulos em uma fase mais favorável da vida reprodutiva, reduzindo os impactos do envelhecimento natural sobre a fertilidade

    Como funciona o congelamento de óvulos?

    O processo do congelamento de óvulos é dividido em etapas bem definidas, como:

    1. Estimulação ovariana

    Durante cerca de 10 a 14 dias, a mulher utiliza medicamentos hormonais, normalmente injetáveis, para estimular os ovários a produzirem mais óvulos no mesmo ciclo. Nesse período, são realizados exames de sangue e ultrassons para acompanhar o crescimento dos folículos e ajustar as doses dos hormônios.

    Segundo Andreia, é um tratamento de alto custo e que exige acompanhamento rigoroso por equipe especializada.

    2. Acompanhamento médico

    Ao longo da estimulação, o médico avalia a resposta do organismo, garantindo que os óvulos estejam se desenvolvendo adequadamente e que o procedimento ocorra com segurança. Isso é feito por meio de exames de ultrassom e testes hormonais, o que permite avaliar o crescimento dos folículos e ajustar as doses dos medicamentos quando necessário.

    3. Coleta dos óvulos

    Quando os óvulos atingem o tamanho e a maturidade ideais, a coleta é realizada por meio de um procedimento invasivo, com aspiração guiada por ultrassonografia, como explica Andreia.

    Caso a resposta ovariana seja muito baixa, o procedimento pode ser cancelado, pois a coleta de poucos óvulos não justifica os riscos envolvidos. Em geral, a mulher recebe alta no mesmo dia.

    4. Avaliação em laboratório

    Após a coleta, os óvulos são encaminhados ao laboratório, onde passam por uma análise criteriosa. Os especialistas avaliam quais óvulos estão maduros e em condições adequadas para serem congelados, assegurando maior qualidade no armazenamento.

    5. Congelamento dos óvulos

    Os óvulos selecionados são congelados por meio de uma técnica chamada vitrificação. O método utiliza temperaturas extremamente baixas e um congelamento rápido, o que ajuda a preservar a estrutura e a qualidade das células.

    6. Armazenamento

    Depois de congelados, os óvulos são armazenados em tanques de nitrogênio líquido, em condições controladas e seguras. Eles podem permanecer preservados por muitos anos, até que a mulher decida utilizá-los para tentar engravidar.

    Quantos óvulos costumam ser coletados no procedimento?

    A quantidade de óvulos coletados no procedimento pode variar bastante de uma mulher para outra. Em média, costumam ser coletados entre 8 e 15 óvulos por ciclo, mas esse número depende de fatores como idade, reserva ovariana, resposta aos hormônios e condições de saúde.

    Em mulheres mais jovens, geralmente a resposta à estimulação é melhor, o que pode resultar em um número maior de óvulos. Já em idades mais avançadas, a quantidade pode ser menor, e em alguns casos pode ser indicado realizar mais de um ciclo de estimulação para aumentar as chances de sucesso no futuro.

    Quando o congelamento de óvulos é indicado?

    O congelamento de óvulos é indicado em diferentes situações, principalmente quando há o desejo de preservar a fertilidade para o futuro. Entre as principais, Andreia destaca:

    • Desejo de adiar a maternidade por razões pessoais, profissionais ou financeiras, sem abrir mão da possibilidade de engravidar no futuro;
    • Ausência de um parceiro no momento, apesar do desejo de ter filhos em outra fase da vida;
    • Necessidade de iniciar tratamentos médicos, como quimioterapia, radioterapia ou cirurgias ginecológicas, que podem comprometer a função ovariana;
    • Diminuição da reserva ovariana identificada em exames, mesmo em mulheres mais jovens;
    • Histórico familiar de menopausa precoce, o que pode indicar risco aumentado de perda antecipada da fertilidade;
    • Doenças ginecológicas, como endometriose, que podem afetar a qualidade ou a quantidade dos óvulos ao longo do tempo.

    Efeitos colaterais do congelamento de óvulos

    Podem surgir alguns efeitos colaterais, principalmente durante a fase de estimulação dos ovários. Nesse período, a mulher pode sentir dor de cabeça, inchaço na barriga e nos membros, além de uma sensação de peso ou desconforto no baixo ventre.

    Após a coleta dos óvulos, esse inchaço costuma diminuir aos poucos e, na maioria dos casos, desaparece entre cinco e 14 dias, especialmente após a chegada do próximo ciclo menstrual.

    Existe limite de idade para congelar os óvulos?

    Não existe um limite de idade fixo para realizar o congelamento de óvulos, segundo Andreia, mas é fundamental considerar que a resposta ovariana diminui progressivamente com o passar dos anos. A mulher nasce com um número limitado de óvulos, que já começa a reduzir ainda durante a vida intrauterina.

    Portanto, quanto mais jovem a mulher, melhor costuma ser a qualidade dos óvulos. De modo geral, o recomendado é realizar o congelamento até os 35 anos de idade.

    Após essa idade, o procedimento ainda pode ser realizado, mas a quantidade e a qualidade dos óvulos tendem a diminuir com o tempo, o que pode reduzir as chances de sucesso. Por isso, a avaliação médica individual é fundamental para orientar sobre o melhor momento e as reais possibilidades de cada mulher.

    Quais as taxas de sucesso do congelamento de óvulos?

    Diversos fatores podem influenciar nas taxas de sucesso, segundo Andreia. Quando há um parceiro fixo, é possível realizar a fertilização e optar pelo congelamento do embrião.

    Na ausência de parceiro, os óvulos são criopreservados e a fertilização ocorre apenas no futuro. Durante os processos de congelamento e descongelamento, parte dos óvulos pode não sobreviver, embora as técnicas atuais apresentem índices elevados de preservação.

    Vale destacar que o congelamento de óvulos não garante uma gravidez futura. O caminho até a gestação envolve várias etapas, cada uma com suas próprias taxas de sucesso, incluindo a coleta dos óvulos, a fertilização, a implantação do embrião no útero e a evolução da gravidez.

    Mesmo após um teste positivo, ainda existe risco de aborto espontâneo, que ocorre em cerca de 25% das gestações, inclusive em mulheres sem fatores de risco conhecidos.

    Riscos do congelamento de óvulos

    Os riscos do congelamento de óvulos são considerados baixos, principalmente quando o procedimento é realizado por uma equipe especializada. Ainda assim, como qualquer tratamento médico, podem existir alguns pontos de atenção:

    • Inchaço abdominal, dor de cabeça e sensação de peso no baixo ventre durante a estimulação dos ovários;
    • Desconforto após a coleta dos óvulos;
    • Pequeno risco de sangramento ou infecção após a punção;
    • Em casos raros, síndrome de hiperestimulação ovariana, condição potencialmente grave, caracterizada por aumento exagerado dos ovários.

    Por isso, é importante que o procedimento seja realizado em uma clínica especializada, com equipe médica experiente e acompanhamento adequado em todas as etapas, garantindo mais segurança para a paciente

    Existem contraindicações?

    Não existem contraindicações absolutas para o congelamento de óvulos, mas algumas situações exigem uma avaliação médica mais cuidadosa antes do procedimento, como:

    • Gravidez em curso;
    • Condições de saúde que estejam descompensadas;
    • Presença de cistos ovarianos de grande volumes;
    • Casos de reserva ovariana muito baixa.

    Além disso, mulheres que precisam iniciar com urgência um tratamento oncológico podem não ter tempo suficiente para realizar a estimulação hormonal necessária para a coleta dos óvulos. Por isso, a decisão deve sempre ser individualizada, considerando o estado de saúde, o momento de vida e a orientação de uma equipe médica especializada.

    Quanto custa o congelamento de óvulos?

    O custo do congelamento de óvulos no Brasil varia bastante, podendo ficar entre R$ 10 mil e R$ 30 mil, além da taxa anual de manutenção, que costuma girar em torno de R$ 1,5 mil. O valor final depende da clínica escolhida e dos medicamentos hormonais necessários para o procedimento.

    De acordo com Andreia, o processo inclui despesas com hormônios, exames, acompanhamento médico, procedimento de coleta e taxa de manutenção mensal dos óvulos congelados, que ficam armazenados em clínicas especializadas.

    Todos os fatores devem ser discutidos de forma detalhada antes da decisão, permitindo uma escolha consciente e alinhada às expectativas reais.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Como é feita a seleção do óvulo para uma tentativa de engravidar?

    Quando a mulher decide utilizar os óvulos congelados, eles são descongelados em laboratório e avaliados pelos embriologistas. Apenas os óvulos que sobrevivem bem ao descongelamento e apresentam boa aparência celular são utilizados.

    Em seguida, ocorre a fertilização em laboratório, normalmente por técnica de fertilização in vitro, e os embriões formados passam por nova avaliação antes da transferência para o útero.

    2. Congelar os óvulos muito jovem aumenta o risco de menopausa precoce?

    Não, o congelamento de óvulos não acelera a menopausa nem reduz de forma significativa a reserva ovariana. Os óvulos coletados seriam naturalmente perdidos ao longo do tempo, pois a mulher perde óvulos todos os meses, mesmo sem ovular. O procedimento apenas aproveita óvulos que já seriam descartados pelo organismo.

    3. Por quantos anos os óvulos podem ficar congelados?

    Com a técnica de vitrificação, os óvulos podem permanecer congelados por muitos anos, sem que exista um prazo máximo estabelecido pela ciência. O armazenamento em nitrogênio líquido mantém as células preservadas, conservando suas características e qualidade mesmo após décadas.

    4. O procedimento exige afastamento do trabalho?

    Na maioria dos casos, não. Durante a estimulação, a rotina pode ser mantida normalmente. No dia da coleta, costuma ser indicado repouso, mas muitas mulheres retomam atividades leves no dia seguinte.

    5. É possível congelar óvulos mais de uma vez?

    Sim, algumas mulheres realizam mais de um ciclo de congelamento para aumentar o número de óvulos armazenados, especialmente quando a resposta ovariana é menor.

    6. O que acontece se a mulher decidir não usar os óvulos congelados?

    A mulher pode optar por continuar armazenando, descartar os óvulos ou, em alguns casos, doá-los para pesquisa ou para outras pessoas, conforme permitido pela legislação e pelas normas éticas.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

    Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

    Você sabia que o segundo trimestre de gravidez é conhecido como a lua de mel da gestação? Isso porque vários dos sintomas intensos do primeiro trimestre, como náuseas, vômitos e cansaço extremo, tendem a diminuir. O corpo já se adaptou às primeiras mudanças hormonais e a placenta está plenamente formada — então o período costuma ser mais tranquilo.

    Mas isso não significa que os cuidados devem diminuir! O bebê continua crescendo de forma acelerada e o organismo materno atravessa alguns ajustes importantes, como maior circulação sanguínea, alteração da postura e aumento gradual do peso uterino.

    Vamos entender mais, a seguir, o que muda no segundo trimestre, os exames mais importantes e quais cuidados merecem atenção.

    Quando começa o segundo trimestre de gravidez?

    O segundo trimestre de gravidez começa a partir da 13ª semana completa e segue até o final da 27ª semana. É o período intermediário da gestação, marcado por uma maior estabilidade física e emocional, já que o corpo se adapta aos hormônios produzidos no início da gravidez e a placenta assume totalmente as funções.

    O que acontece no segundo trimestre de gravidez?

    No segundo trimestre de gravidez, o corpo entra em uma fase de maior estabilidade. A placenta assume totalmente as funções e os sintomas intensos do início tendem a diminuir.

    Além disso, Andreia aponta que, como o bebê ainda não está tão grande, a gestante costuma ter mais conforto ao se movimentar e sente menos impacto na postura e no equilíbrio. A barriga cresce, mas ainda não pesa o suficiente para causar limitações — o que favorece as atividades cotidianas e até a prática de exercícios leves.

    No período, o útero aumenta de tamanho, projetando o abdômen para frente e abrindo mais espaço para o crescimento fetal. Com isso, os movimentos do bebê começam a ser percebidos com nitidez, primeiro como pequenas “borboletas” no baixo-ventre e, depois, como chutes e giros mais evidentes.

    A circulação sanguínea também se intensifica para sustentar o desenvolvimento fetal, o que pode levar ao surgimento de varizes, sensação de peso nas pernas e aumento natural da vontade de urinar. O apetite tende a crescer, já que o metabolismo se ajusta para suprir as necessidades energéticas da gestação, e as mamas continuam se preparando para a amamentação e podem ficar mais sensíveis.

    Ganho de peso no segundo trimestre

    No segundo trimestre, o bebê cresce mais rápido, e o corpo da gestante passa por mudanças mais visíveis, o que resulta em aumento gradual do peso. Para quem iniciou o pré-natal com IMC dentro da faixa considerada adequada, o ganho costuma ficar em torno de 300 g por semana. O ritmo é compatível com o desenvolvimento do bebê, do útero, da placenta e do volume de líquido amniótico.

    Vale apontar que aumentos muito rápidos de peso, como 1 kg por semana, acendem sinal de alerta para retenção exagerada de líquidos ou mudanças bruscas na alimentação. Nesses casos, é necessário informar o médico.

    Sintomas do segundo trimestre de gravidez

    No segundo trimestre, os sintomas tendem a ser mais leves, mas o corpo continua passando por mudanças importantes, que podem causar:

    • Aumento do apetite;
    • Maior energia e disposição;
    • Redução de náuseas e vômitos;
    • Aumento da sensibilidade nas mamas;
    • Surgimento de varizes ou sensação de peso nas pernas;
    • Aumento da vontade de urinar;
    • Congestão nasal;
    • Sensação clara dos movimentos fetais;
    • Dores lombares leves, devido ao crescimento do útero;
    • Azia ocasional, relacionada ao relaxamento dos esfíncteres digestivos.

    Alterações na pele, como estrias, escurecimento da aréola e uma linha escura na barriga, também são comuns nessa fase.

    Síndrome do túnel do carpo

    A síndrome do túnel do carpo é uma condição relativamente comum na gravidez, especialmente no segundo e no terceiro trimestres. Ela ocorre quando o nervo mediano, que passa por um pequeno canal no punho chamado túnel do carpo, sofre compressão devido ao aumento de líquido e inchaço típicos da gestação.

    Durante a gestação, o corpo tende a reter mais líquido, o volume de sangue aumenta e os hormônios passam por mudanças que facilitam o aparecimento de inchaço. Como o túnel do carpo é uma estrutura rígida, qualquer aumento de volume no local comprime o nervo mediano, causando sintomas como:

    • Formigamento nas mãos, especialmente à noite;
    • Dormência nos dedos polegar, indicador, médio e metade do anelar;
    • Dor que pode irradiar para o antebraço;
    • Dificuldade para segurar objetos ou fraqueza ao pinçar;
    • Sensação de “choque” no punho ou nos dedos;

    Algumas medidas podem ajudar a aliviar os sintomas, como compressas frias, alongamentos leves e o uso de talas noturnas, orientadas pelo médico. Normalmente, a síndrome melhora espontaneamente após o parto, quando a retenção de líquido diminui.

    Se houver dor intensa, perda de força ou agravamento rápido, é importante consultar o médico para avaliação e condutas específicas.

    Como está o bebê no segundo trimestre?

    O segundo trimestre é um período marcado por amadurecimento dos órgãos, ganho de peso e muita movimentação dentro do útero. Entre as principais mudanças, destacamos:

    • O sistema nervoso avança, coordenando melhor os movimentos;
    • Os pulmões evoluem estruturalmente, embora ainda não funcionem para respirar ar;
    • O sistema digestivo inicia seu funcionamento básico;
    • Sobrancelhas, cílios, cabelos e unhas começam a se formar;
    • Movimentos coordenados surgem, percebidos como chutes, estiramentos e giros;
    • A audição amadurece, permitindo que o bebê reaja a sons externos;
    • A força muscular aumenta, deixando os movimentos mais firmes e perceptíveis;
    • As glândulas sebáceas produzem o vérnix, camada que protege a pele delicada.

    No começo do segundo trimestre, o bebê costuma medir em torno de 10 centímetros e pesar pouco mais de 20 gramas, ainda muito pequeno e leve. Conforme as semanas avançam, o ritmo de crescimento se intensifica e, ao final do trimestre, ele pode chegar a cerca de 35 centímetros de comprimento e pesar entre 1 e 2 quilos.

    Exames recomendados no primeiro segundo de gravidez

    No segundo trimestre, o acompanhamento inclui exames simples, como urina tipo I, urocultura e hemograma, que ajudam a identificar infecções urinárias, anemia e outras alterações frequentes na gestação.

    De acordo com Andreia, o ponto central da fase é o ultrassom morfológico de segundo trimestre, realizado entre 20 e 24 semanas. Diferente do morfológico inicial, ele avalia a anatomia detalhada do bebê, permitindo observar cérebro, coluna, coração, rins, face, membros e outros órgãos com nitidez. Como o feto ainda não ocupa toda a tela do exame, essa é a melhor janela para identificar possíveis malformações estruturais.

    No final do segundo trimestre, a ginecologista aponta que também é feito o rastreamento do diabetes gestacional por meio do teste oral de tolerância à glicose (TOTG). Nele, a gestante ingere um líquido concentrado em açúcar e, em seguida, são medidas as glicemias em intervalos específicos para avaliar como o organismo lida com a sobrecarga de glicose.

    A investigação é importante porque, nessa fase, a placenta já está maior e produz hormônios que aumentam a resistência à insulina, elevando o risco de diabetes gestacional. Por isso, mesmo mulheres com exames normais no início da gravidez podem apresentar alterações apenas agora, quando o impacto hormonal se torna mais significativo.

    Em alguns casos, outros exames sorológicos (como toxoplasmose, rubéola, HIV e hepatite) também podem ser solicitados. A indicação exata varia conforme o histórico da gestante, sintomas apresentados e resultados dos exames anteriores.

    Cuidados no segundo trimestre de gravidez

    As recomendações para o segundo trimestre seguem as mesmas, e como muitas gestantes sentem mais energia e conforto no período, é mais fácil manter hábitos saudáveis de forma regular, como:

    • Fracionar as refeições, evitando longos períodos em jejum;
    • Priorizar alimentos naturais, ricos em fibras, vitaminas e proteínas;
    • Beber entre 2 e 3 litros de água por dia para auxiliar a digestão e a circulação;
    • Manter caminhadas, alongamentos e exercícios leves orientados pelo médico;
    • Incluir atividades físicas leves, como hidroginástica ou yoga, para aliviar dores lombares;
    • Dormir preferencialmente de lado, com apoio de travesseiros entre as pernas;
    • Criar uma rotina de sono com horários estáveis;
    • Evitar ficar muito tempo sentada ou muito tempo em pé;
    • Elevar as pernas ao final do dia para diminuir o inchaço;
    • Usar roupas confortáveis e sutiãs adequados, evitando peças apertadas;
    • Manter cuidados com a pele, hidratando áreas mais suscetíveis a estrias;
    • Reservar momentos para descanso, leitura ou atividades relaxantes.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Planejamento do parto e amamentação

    De acordo com Andreia, a preparação para o parto já pode começar no segundo trimestre. O médico verifica se há alguma contraindicação para parto vaginal e, se estiver tudo bem, inicia a conversa sobre preferências da mãe: desejo pela via vaginal, possibilidade de indução e escolha da maternidade. Isso ajuda a organizar o plano de parto com calma, tirar dúvidas e alinhar expectativas desde cedo.

    Ao mesmo tempo, também começa a preparação para a amamentação. Apesar do bebê ter reflexo de sucção, isso não garante uma pega correta — que exige que o mamilo e parte da aréola alcancem o fundo do palato.

    Como cada gestante tem necessidades diferentes, é importante esclarecer dúvidas e confirmar todas as orientações com a equipe de pré-natal, que pode avaliar o formato da aréola, orientar posições e indicar cuidados adequados para prevenir dor e fissuras quando o aleitamento começar.

    Sinais que exigem atenção médica no segundo trimestre

    Os principais sinais de alerta que exigem atendimento imediato incluem qualquer sangramento, indícios de trabalho de parto prematuro e ruptura da bolsa.

    Também existem casos raros de hiperêmese, em que a gestante continua vomitando durante toda a gravidez; embora não seja comum, pode se estender até o segundo trimestre. O mesmo vale para doenças pré-existentes, que precisam de acompanhamento contínuo ao longo de toda a gestação.

    Veja mais: Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer

    Perguntas frequentes

    Quando os movimentos do bebê começam a ser percebidos?

    A percepção dos primeiros movimentos do bebê, chamados de “quickening”, normalmente surge entre a 18ª e a 22ª semana, embora mulheres que já tiveram filhos possam identificar movimentos mais cedo.

    No início, a sensação se parece com pequenas bolhas ou leves toques internos. Com o passar das semanas, os movimentos ganham força e se tornam uma parte importante do vínculo emocional e da avaliação da vitalidade fetal.

    Por que a fome aumenta tanto durante o segundo trimestre?

    A demanda energética cresce porque o bebê se desenvolve em ritmo acelerado, a placenta se torna mais ativa e o corpo materno trabalha intensamente na produção de novos tecidos.

    A sensação de fome mais frequente é natural, mas a orientação é priorizar refeições equilibradas e fracionadas, com alimentos ricos em fibras, proteínas e nutrientes que contribuem para a saciedade sem causar desconforto.

    O segundo trimestre de gravidez é mais tranquilo?

    Muitas mulheres relatam mais disposição e bem-estar por causa da redução das náuseas, melhora do humor e adaptação do organismo ao novo estado fisiológico. Ainda assim, podem surgir sintomas como prisão de ventre, congestão nasal, dores lombares e azia, que resultam do crescimento do útero e da ação dos hormônios na musculatura lisa.

    O que muda nos exames durante o segundo trimestre?

    A fase inclui avaliação detalhada do desenvolvimento fetal, especialmente por meio da ultrassonografia morfológica, que examina órgãos internos, coluna, medidas de membros, formato craniano e quantidade de líquido amniótico. Os exames laboratoriais complementares avaliam anemia, glicemia e possíveis infecções, garantindo que a gestação siga em condições adequadas.

    Como aliviar a prisão de ventre do segundo trimestre?

    A constipação está relacionada à ação da progesterona e ao suplemento de ferro, de modo que aumentar fibras na alimentação, priorizar frutas ricas em água, manter hidratação abundante e caminhar diariamente favorece o funcionamento intestinal. Em alguns casos, ajustes no tipo de ferro ou uso de probióticos são indicados pelo médico.

    Veja também: Eritroblastose Fetal: entenda o que é e o que ela pode causar no bebê

  • Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    O primeiro trimestre da gravidez é o período mais delicado do desenvolvimento do bebê e, logo depois do resultado positivo, existem vários cuidados que precisam integrar na rotina da futura mamãe.

    O organismo passa por mudanças rápidas que exigem atenção constante, alimentação equilibrada, exames em dia, hidratação adequada e acompanhamento médico regular para garantir que tudo ocorra de forma segura. Mas, com as alterações hormonais intensas, os sintomas físicos variados e as dúvidas que surgem, algumas mães de primeira viagem podem se sentir um pouco perdidas.

    Pensando nisso, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza e reunimos as principais informações sobre o que esperar do primeiro trimestre e os cuidados no início da gestação. Confira!

    Quando começa o primeiro trimestre de gravidez?

    O primeiro trimestre de gravidez começa no primeiro dia da última menstruação, data usada como referência para calcular a idade gestacional, porque a concepção nem sempre ocorre em um dia conhecido. A partir desse dia, contam-se as semanas até completar doze semanas de gestação, período que corresponde ao primeiro trimestre.

    O que acontece no primeiro trimestre de gravidez?

    Nas primeiras semanas, o corpo inicia uma adaptação acelerada para sustentar o desenvolvimento do embrião. A placenta começa a se desenvolver, o volume de sangue aumenta e hormônios como progesterona e hCG se elevam rapidamente, o que ajuda a explicar as náuseas mais frequentes, maior sensibilidade nas mamas, cansaço que parece não passar e uma vontade constante de urinar.

    À medida que as semanas avançam, o útero cresce de forma progressiva, ligamentos se tornam mais flexíveis e o metabolismo passa a trabalhar em ritmo intensificado para garantir energia suficiente para a formação dos órgãos do bebê, processo que exige grande demanda do organismo materno.

    Por isso, a gestante deve realizar as consultas regulares, manter a suplementação indicada pelo médico, alimentação equilibrada e ter atenção aos sinais do corpo — pois são medidas que ajudam a atravessar o início da gravidez com mais segurança.

    Ganho de peso no primeiro trimestre

    A recomendação de ganho de peso na gravidez depende do peso inicial da gestante, calculado a partir do IMC no começo do pré-natal, como explica Andreia. Cada faixa exige metas diferentes:

    • Baixo peso (IMC abaixo de 18,5): recomendação de ganho maior, entre 12 e 15 kg, para recuperar o déficit prévio e sustentar o crescimento fetal;
    • Peso adequado (IMC entre 18,5 e 24,9): ganho médio em torno de 9 kg, podendo variar entre 7 e 11 kg;
    • Sobrepeso (IMC acima de 25 até cerca de 30): a orientação é não ultrapassar 7 kg;
    • Obesidade (grau 1, 2 ou 3): objetivo de ganhar o mínimo de peso possível; algumas gestantes podem até perder um pouco, pois parte do excesso acumulado antes da gestação é mobilizado durante a gravidez.

    Vale apontar que a gestante deve sempre seguir a orientação do médico ou nutricionista, pois o acompanhamento é individualizado.

    Sintomas do primeiro trimestre de gravidez

    Os primeiros sintomas de gravidez, que costumam aparecer entre a 4ª e a 8ª semana, podem variar bastante entre as mulheres. Enquanto algumas apresentam sinais marcantes logo no início, outras percebem transformações mais discretas.

    Mas, de forma geral, Andreia Sapienza e o Ministério da Saúde apontam os principais sintomas:

    • Sensibilidade mamária, aumento do volume das mamas e dor local;
    • Vulva mais sensível e inchada devido ao aumento da vascularização;
    • Surgimento de varizes pélvicas e piora de hemorroidas em mulheres predispostas;
    • Estômago mais lento, com sensação de estufamento e digestão pesada;
    • Redução do ácido gástrico, com preferência por alimentos e bebidas cítricas;
    • Náuseas frequentes, sobretudo pela manhã;
    • Vômitos ocasionais (geralmente leves);
    • Constipação intestinal;
    • Aumento do corrimento vaginal;
    • Vontade de comer substâncias não alimentares (síndrome de pica), mas é raro;
    • Vontade de urinar com maior frequência, mesmo sem infecção urinária.

    Alterações emocionais são muito comuns durante o primeiro trimestre. A retenção de líquido no organismo, inclusive em estruturas neurológicas e articulares, deixa o humor mais sensível. Muitas gestantes relatam choro fácil, irritabilidade e impulsividade, sem que isso indique qualquer problema mais grave, segundo Andreia.

    Mas, quando existe um histórico de depressão ou ansiedade, os sintomas podem ser mais intensos. Nesses casos, não é recomendado suspender tratamentos de forma abrupta. O ideal é ajustar doses ou realizar substituições por opções consideradas seguras durante a gestação, sempre com orientação médica.

    Cansaço e sonolência no primeiro trimestre é normal?

    Com a gravidez, o organismo passa a trabalhar em ritmo acelerado e exige mais pausas para recuperação, o que torna a sonolência um sintoma totalmente esperado nessa fase.

    Segundo Andreia, muitas mulheres relatam um cansaço intenso no fim da tarde, por volta de 18h ou 19h, a ponto de precisarem de um cochilo para conseguir seguir o dia. Depois disso, costumam voltar a dormir mais tarde, mantendo dois períodos de descanso.

    Sangramento no início da gravidez

    Quando o embrião se fixa na parede do útero, processo que costuma acontecer entre o sexto e o décimo dia após a fecundação, pode acontecer um pequeno sangramento, com coloração rosada, avermelhada bem clara ou amarronzada. É um processo normal, conhecido como sangramento de nidação, e costuma durar poucas horas ou até dois dias, sem provocar dor significativa.

    Diferentemente de um sangramento menstrual, o fluxo é leve, intermitente e não vem acompanhado de cólicas intensas. Muitas mulheres só percebem ao limpar o papel higiênico ou notar uma pequena mancha na calcinha, acontecendo antes da data prevista para a menstruação.

    Por outro lado, sangramentos mais fortes, persistentes, acompanhados de dor abdominal ou aumento gradual do fluxo requerem avaliação médica, porque podem indicar problemas que precisam ser investigados durante o primeiro trimestre.

    Como está o bebê no primeiro trimestre?

    O primeiro trimestre é a fase mais sensível da formação do bebê, em que o corpo e os sistemas internos estão começando a tomar forma:

    • Batimentos cardíacos detectáveis por volta da 7-8ª semana;
    • Fechamento inicial do tubo neural, que dará origem ao cérebro e à medula espinhal;
    • Surgimento dos brotos dos braços e das pernas;
    • Formação inicial dos olhos, nariz e boca;
    • Transformação de embrião para feto ao final da 8ª semana;
    • Desenvolvimento dos órgãos internos, como fígado, rins e intestino;
    • Separação dos dedos das mãos e dos pés;
    • Início de movimentos espontâneos, ainda imperceptíveis para a mãe;
    • Crescimento acelerado do cérebro e amadurecimento das primeiras funções vitais.

    Ao longo do primeiro trimestre, o bebê passa de milímetros nas primeiras semanas, menor que um grão de arroz, para cerca de dez centímetros ao completar doze semanas, alcançando aproximadamente vinte e oito gramas de peso.

    Exames recomendados no primeiro trimestre de gravidez

    O pré-natal deve começar assim que a gravidez for confirmada, pois os primeiros meses são decisivos para acompanhar a saúde da gestante e assegurar o desenvolvimento inicial do bebê.

    No início da gestação, alguns exames são necessários para identificar condições que precisam de acompanhamento mais próximo, orientar cuidados e estabelecer a idade gestacional com precisão. Entre os principais, destacamos:

    • Hemograma completo;
    • Tipagem sanguínea e fator Rh;
    • Glicemia de jejum;
    • Testes para HIV, sífilis, hepatites B e C;
    • Exame de urina (EAS);
    • Toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus (conforme orientação médica);
    • Ultrassom transvaginal inicial;
    • Triagem do primeiro trimestre (translucência nucal).

    Os exames ajudam a mapear fatores de risco logo no começo da gestação, contribuindo para um acompanhamento mais seguro ao longo dos meses seguintes.

    Cuidados do primeiro trimestre de gravidez

    Alguns cuidados ajudam a melhorar o conforto da gestante, reduzir desconfortos físicos e promover uma rotina mais tranquila enquanto o corpo se prepara para o parto, como:

    • Manter hidratação adequada, ingerindo entre 2 e 3 litros de água por dia, o que ajuda a melhorar a circulação, reduzir inchaço, evitar quedas de pressão e favorecer o funcionamento intestinal;
    • Fazer refeições leves, variadas e fracionadas, distribuindo alimentos ao longo do dia para diminuir azia, refluxo, estufamento e digestão lenta, muito comuns nessa fase;
    • Praticar atividade física segura, como caminhadas regulares, yoga prenatal, hidroginástica ou alongamentos orientados, que aliviam dores lombares, melhoram a mobilidade e reduzem sensação de peso nos quadris;
    • Dormir preferencialmente do lado esquerdo, posição que facilita o fluxo sanguíneo para o útero e melhora o retorno venoso, ajudando a diminuir inchaço e desconforto respiratório;
    • Usar roupas confortáveis e sapatos estáveis, evitando peças apertadas que aumentam a sensação de calor ou pressão e prevenindo quedas, que se tornam mais comuns com a alteração do centro de gravidade;
    • Alongar durante o dia, especialmente região lombar, quadris e pernas, para aliviar tensão muscular e rigidez decorrente do aumento do peso abdominal;
    • Elevar as pernas ao final do dia, usando travesseiros ou apoio para reduzir o inchaço e melhorar a circulação, principalmente em dias mais quentes ou de longos períodos em pé;
    • Não consumir nenhuma quantidade de álcool e não fumar;
    • Acompanhar o pré-natal rigorosamente, mantendo controle de pressão arterial, glicemia, crescimento fetal e posição do bebê, além de esclarecer dúvidas sobre sinais de trabalho de parto;
    • Praticar respiração profunda e técnicas de relaxamento, que ajudam a controlar a ansiedade, melhorar o sono e preparar o corpo para o processo do parto;
    • Organizar pausas ao longo do dia, respeitando limites do corpo e evitando longos períodos em pé ou esforços excessivos, que aumentam cansaço e pioram dores nas costas.

    Se a gestante perceber sintomas muito intensos, persistentes ou que atrapalham as atividades diárias, é importante comunicar ao médico imediatamente, porque sinais mais fortes podem indicar necessidade de acompanhamento mais próximo ou ajustes no plano de cuidados.

    Gestante pode fazer atividade física?

    A prática de atividades físicas está liberada durante a gravidez, desde que não seja exaustiva, segundo Andreia. Fazer exercícios moderados, como caminhadas, alongamentos e hidroginástica, ajuda na circulação, reduz desconfortos musculares, melhora o humor e favorece a qualidade do sono.

    O mais importante é respeitar os limites do corpo, evitar treinos de alta intensidade e suspender qualquer prática que provoque dor, falta de ar exagerada, tontura ou sangramento. O acompanhamento de um profissional também é recomendado para adaptar cargas e posturas conforme a gestação avança.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

    Suplementação na gravidez

    Com a gravidez, a demanda por vitaminas e minerais aumenta para sustentar o desenvolvimento do bebê e manter o equilíbrio metabólico materno. Mesmo com alimentação adequada, nem sempre é possível atingir a quantidade ideal de micronutrientes apenas por meio da dieta, o que exige o uso de suplementos, indicados por um médico.

    Segundo Andreia, o ácido fólico deve ser iniciado idealmente três meses antes da gravidez, mas, se não ela não foi planejada, é iniciado no começo da gestação e mantido até o final do primeiro trimestre. Ele é importante para reduzir o risco de malformações do tubo neural, estrutura que dará origem ao cérebro e à coluna vertebral do feto.

    Apesar da alimentação ser fundamental, o aumento das demandas metabólicas na gestação faz com que, em alguns casos, seja difícil atingir todas as necessidades apenas pela dieta. Por isso, polivitamínicos podem ser utilizados como suporte adicional, sempre em doses baixas. Outras vitaminas, como vitamina D e vitamina B12, só são suplementadas quando exames apontam alguma deficiência.

    Sinais que exigem atenção médica no primeiro trimestre

    Nem toda gestante experimenta a gravidez da mesma forma, mas é importante procurar atendimento médico se notar:

    • Sangramento vaginal em qualquer quantidade;
    • Vômitos intensos, contínuos e incapacitantes, com dificuldade para se alimentar ou perda de peso;
    • Febre acima de 38ºC;
    • Dor ou queimação ao urinar, que pode indicar infecção urinária;
    • Corrimento com odor forte, coloração incomum ou coceira intensa;
    • Diminuição súbita dos sintomas típicos da gravidez acompanhada de mal-estar importante;
    • Palpitações, falta de ar que não melhora ou sensação de aperto no peito.

    Em gestantes que já apresentam condições de saúde pré-existentes, o aumento natural do volume sanguíneo durante a gravidez pode representar sobrecarga para órgãos que não estão funcionando plenamente. Por isso, o acompanhamento precisa ser mais frequente, garantindo segurança tanto para a mãe quanto para o feto.

    Veja mais: Toxoplasmose: entenda a importância de evitar a doença na gestação

    Perguntas frequentes sobre o primeiro trimestre de gravidez

    É normal sentir cólicas ou desconforto abdominal no começo da gravidez?

    As cólicas leves são muito comuns no primeiro trimestre de gravidez, pois o útero começa a se expandir, a musculatura se adapta e os ligamentos pélvicos se tornam mais elásticos.

    O incômodo costuma aparecer como uma pressão baixa no ventre, semelhante ao período menstrual. O que merece atenção é uma dor intensa, que impede os movimentos ou vem acompanhada de sangramento. Nesses casos, a orientação é procurar avaliação médica para descartar complicações.

    Por que o cansaço é tão intenso nas primeiras semanas?

    A fadiga das primeiras semanas acontece porque o metabolismo acelera para alimentar o embrião em formação, o volume sanguíneo começa a aumentar e a produção de hormônios atinge níveis muito altos.

    Tudo isso exige energia e faz com que atividades simples se tornem cansativas, então é comum muitas gestantes gostarem de um cochilo à tarde. O corpo redireciona prioridades biológicas e coloca o desenvolvimento fetal em primeiro lugar, o que explica a sensação constante de exaustão.

    Qual é o momento certo para iniciar o pré-natal?

    O pré-natal deve começar logo após o teste positivo, pois quanto mais cedo a primeira consulta ocorrer, melhor será o acompanhamento de exames, suplementação, investigação de doenças prévias e orientação sobre hábitos saudáveis. A fase inicial é decisiva, pois define parâmetros importantes como pressão, peso, exames laboratoriais e histórico de saúde.

    É normal não sentir sintomas nas primeiras semanas?

    Muitas mulheres passam o início da gestação sem sintomas marcantes, e a ausência de enjoo, dor mamária ou cansaço não indica problemas. Cada organismo reage de maneira diferente as mudanças hormonais — o que realmente importa é manter o acompanhamento pré-natal e realizar os exames solicitados.

    A partir de quando a barriga começa a aparecer?

    O crescimento abdominal varia bastante, mas no início da gestação o útero ainda está pequeno e protegido dentro da pelve. A maioria das mulheres nota apenas um inchaço discreto no baixo ventre, relacionado a retenção de líquidos e alterações intestinais.

    O aumento visível costuma surgir apenas no segundo trimestre, quando o útero ultrapassa a altura do osso púbico e começa a projetar o abdômen de forma mais evidente.

    Posso manter relações sexuais no início da gravidez?

    Se a gestação estiver evoluindo normalmente e o obstetra não tiver indicado restrições, a atividade sexual está liberada, desde que não haja dor, sangramento ou desconforto significativo.

    Em alguns casos, a oscilação hormonal pode aumentar a libido, mas em outros ela pode reduzi-la. Tudo depende da resposta individual e do bem-estar da gestante.

    O que fazer quando as náuseas atrapalham a alimentação?

    Quando as náuseas impedem a ingestão adequada de alimentos, a orientação é fracionar as refeições, preferir opções leves, evitar odores fortes e manter hidratação constante. Caso os vômitos sejam frequentes e causem perda de peso, o obstetra pode prescrever medicações seguras, ajustadas para cada quadro.

    Leia mais: Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer