Genética, hormônios ou estresse: o que faz uma pessoa ser mais ansiosa que outra?

Mulher com expressão de ansiedade e preocupação sentada no sofá com a mão no rosto.

Você já se perguntou por que algumas pessoas parecem lidar bem com situações estressantes, enquanto outras ficam preocupadas, tensas ou apreensivas com mais facilidade? A ansiedade acontece por uma série de fatores genéticos, psicológicos e ambientais, que influenciam a maneira como cada pessoa percebe e reage aos acontecimentos do cotidiano.

O medo e a preocupação são reações naturais do corpo humano, só que a intensidade com que cada pessoa vivencia as emoções pode variar significativamente.

Isso não significa que uma pessoa seja mais forte ou mais fraca do que a outra. Na verdade, a diferença está relacionada à forma como o cérebro processa as emoções, às características individuais e às vivências acumuladas ao longo dos anos.

O que determina a ansiedade?

A ansiedade não costuma ter uma causa única e, normalmente, surge a partir de uma combinação de diferentes fatores, como:

Fatores genéticos e biológicos

A predisposição hereditária é um fator determinante para o desenvolvimento de ansiedade, e estudos apontam que pessoas que têm familiares próximos com transtornos de ansiedade ou depressão apresentam um risco maior de desenvolver o problema.

Além da influência genética, a presença de oscilações nos níveis de hormônios no sangue têm impacto direto nas regiões cerebrais que controlam o humor e o medo.

Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, isso pode ser observado principalmente nas mulheres durante a fase reprodutiva, momentos como o ciclo menstrual, a gestação, o pós-parto e a transição para a menopausa provocam oscilações hormonais importantes, que podem atuar como gatilho para sintomas de ansiedade and depressão.

Fatores médicos

Em alguns casos, problemas de saúde e alterações no funcionamento do organismo podem contribuir para o surgimento ou agravamento dos sintomas. Segundo Luiz, distúrbios do sono, doenças crônicas, dores persistentes e até o uso de determinados remédios podem afetar o equilíbrio físico e mental, tornando a pessoa mais vulnerável à ansiedade.

Fatores ambientais

A ansiedade é fortemente moldada pela interação entre o meio em que vivemos e as vivências passadas. De acordo com pesquisas, os fatores ambientais e o histórico de vida não são apenas gatilhos, mas agentes estruturais que determinam como o cérebro processa o estresse e a ameaça.

Mesmo pessoas com boa saúde física e sem predisposição genética podem desenvolver ansiedade quando expostas a níveis elevados de estresse por longos períodos. O cérebro aprende a permanecer em estado de alerta constante, mesmo quando não existe um perigo real e imediato.

Além dos traumas, crescer em um ambiente familiar marcado por excesso de críticas, cobranças constantes, ou mesmo experiências difíceis na vida adulta podem sobrecarregar os mecanismos naturais de adaptação do organismo.

Com o tempo, a exposição contínua ao estresse aumenta o risco de desenvolver sintomas de ansiedade ou agravar quadros que já existiam.

Como saber se a ansiedade é normal ou excessiva?

A diferença entre a ansiedade normal e a ansiedade excessiva está principalmente na intensidade dos sintomas, no tempo que eles duram e no impacto que causam na vida da pessoa.

Quando a ansiedade é normal

A ansiedade saudável funciona como um mecanismo de proteção do corpo e ajuda a manter a atenção, a preparar o organismo para desafios e a reagir diante de situações importantes.

Normalmente, ela aparece em resposta a um motivo específico, como uma entrevista de emprego, uma prova, uma apresentação ou uma mudança importante na vida. Além disso, tende a ser passageira, diminuindo ou desaparecendo quando a situação é resolvida.

Quando a ansiedade se torna excessiva

A ansiedade passa a ser considerada um problema quando o estado de alerta permanece ativado por longos períodos ou surge de forma intensa mesmo sem uma ameaça real. Entre alguns dos principais sinais, é possível destacar:

  • Preocupação excessiva ou sensação constante de que algo ruim vai acontecer, mesmo sem um motivo claro;
  • Ansiedade que persiste por semanas ou meses e não desaparece quando a situação estressante termina;
  • Sintomas físicos frequentes, como coração acelerado, falta de ar, aperto no peito, tremores, tensão muscular, tonturas ou desconfortos digestivos;
  • Evitação de lugares, situações ou eventos sociais por medo de sentir ansiedade ou ter uma crise;
  • Dificuldade para realizar atividades do dia a dia devido ao excesso de preocupação;
  • Prejuízo no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos ou em outras áreas importantes da vida;
  • Alterações no sono, como dificuldade para dormir, despertares frequentes ou sensação de cansaço ao acordar.

Quando a ansiedade interfere no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos, no sono ou em outras áreas importantes da vida, é um indicativo de que ela ultrapassou o limite considerado saudável e merece atenção profissional.

O que fazer para controlar a ansiedade no dia a dia?

Para controlar a ansiedade, é preciso adotar medidas que acalmem o sistema nervoso de forma imediata e na construção de hábitos que reduzam o estresse a longo prazo, como:

  • Respiração quadrada: inspire pelo nariz durante 4 segundos, segure o ar por 4 segundos, expire lentamente pela boca durante 4 segundos e permaneça sem ar por mais 4 segundos. Repita o ciclo de 3 a 5 vezes;
  • Técnica do aterramento (5-4-3-2-1): observe 5 coisas que você consegue ver, 4 que pode tocar, 3 sons que consegue ouvir, 2 cheiros que percebe e 1 sabor que sente naquele momento;
  • Prática de exercícios físicos: atividades como caminhada, corrida, dança ou musculação ajudam a reduzir os níveis de estresse e estimulam a liberação de substâncias associadas ao bem-estar;
  • Redução de estimulantes: procure moderar o consumo de cafeína, energéticos, nicotina e bebidas muito açucaradas, pois eles podem aumentar a sensação de agitação e ansiedade;
  • Higiene do sono: evite o uso de celular, tablet e televisão pelo menos uma hora antes de dormir e procure manter o quarto escuro, silencioso e confortável;
  • Escrita terapêutica: anote as suas preocupações e tente separá-las entre aquilo que você pode resolver e aquilo que está fora do seu controle, pois isso ajuda a organizar os pensamentos e reduzir a sobrecarga mental;
  • Pausas ao longo do dia: reserve alguns minutos para se alongar, beber água, respirar profundamente ou simplesmente descansar a mente. Pequenas pausas podem ajudar a diminuir a tensão acumulada na rotina.

As medidas ajudam a controlar os sintomas leves e moderados do dia a dia, mas se a ansiedade persistir ou se tornar paralisante, o tratamento com psicoterapia e o acompanhamento médico são importantes para tratar as causas da condição.

Confira: O que você não deve dizer para alguém com depressão

Perguntas frequentes

1. Quem tem ansiedade já nasce com ela?

Não necessariamente. A pessoa nasce com uma predisposição genética (um sistema nervoso mais sensível), mas o desenvolvimento do transtorno de ansiedade depende de como essa genética interage com o ambiente, traumas na infância, estilo de vida e nível de estresse acumulado ao longo da vida.

2. Qual é a diferença entre ansiedade e ataque de pânico?

A ansiedade é um estado de preocupação ou tensão que vai crescendo gradualmente e pode durar dias ou semanas. Já o ataque de pânico é uma onda repentina e avassaladora de medo intenso que atinge o pico em poucos minutos, acompanhada de sintomas físicos severos, como a sensação de que vai morrer ou perder o controle.

3. Como a ansiedade afeta o estômago e o intestino?

O sistema digestivo é considerado o “segundo cérebro” e está diretamente conectado ao sistema nervoso. Quando estamos ansiosos, o corpo libera cortisol e adrenalina, substâncias que alteram a motilidade intestinal, reduzem o fluxo sanguíneo no estômago e podem causar queimação, refluxo, gases, dor de estômago ou crises de diarreia.

4. Por que a ansiedade costuma piorar à noite?

À noite, os estímulos externos diminuem: o barulho do dia cessa, o trabalho acaba e as distrações somem. Sem outras coisas para focar, a mente vazia ganha espaço para remoer preocupações e antecipar problemas do dia seguinte, o que eleva a ansiedade e gera insônia.

5. Quando é necessário tomar remédio para ansiedade?

O uso de remédios para ansiedade, como ansiolíticos ou antidepressivos, é indicado quando a ansiedade se torna paralisante, ou seja, quando o paciente já não consegue trabalhar, estudar, dormir ou se socializar, mesmo tentando mudar seus hábitos.

6. O que é a ansiedade social e como ela se manifesta?

A ansiedade social é o medo intenso e persistente de ser julgado, avaliado negativamente, humilhado ou rejeitado em situações sociais. Quem convive com isso sente um nervosismo extremo ao falar em público, comer perto de outras pessoas, ir a festas ou até mesmo iniciar conversas com desconhecidos.

7. Crianças e adolescentes também podem ter transtornos de ansiedade?

Sim, mas a ansiedade em crianças e adolescentes costuma se manifestar de forma diferente dos adultos. Em jovens, ela aparece frequentemente através de dores de estômago ou de cabeça constantes, recusa em ir à escola, irritabilidade excessiva, choro fácil, medo exagerado de ficar longe dos pais (ansiedade de separação) e distúrbios do sono.

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