Categoria: Saúde Mental

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  • O que acontece na fase de mania do transtorno bipolar? Veja sintomas e como você deve agir

    O que acontece na fase de mania do transtorno bipolar? Veja sintomas e como você deve agir

    O transtorno bipolar é uma condição psiquiátrica em que acontece a alternância entre episódios de depressão e momentos de euforia ou de aceleração intensa, conhecidos como mania. Durante a fase depressiva, a pessoa pode sentir tristeza profunda, desânimo, perda de interesse pelas atividades do dia a dia e falta de energia.

    Já na fase de mania, pode acontecer o oposto: a pessoa fica com muita disposição, dorme pouco, fala mais do que o habitual, tem os pensamentos acelerados e pode agir por impulso, sem perceber os riscos das próprias atitudes.

    Apesar de ser um dos sintomas mais conhecidos do transtorno bipolar, a mania ainda é pouco compreendida e, em vários casos, pode ser confundida com felicidade, excesso de energia, produtividade ou uma personalidade naturalmente mais extrovertida.

    Consequentemente, várias pessoas demoram para procurar ajuda e só recebem o diagnóstico depois que os sintomas já começaram a causar prejuízos na vida pessoal, profissional, financeira ou nos relacionamentos.

    O que é a fase de mania no transtorno bipolar?

    Diferente do que diz o senso comum, o episódio de mania não deve ser confundido com traços de temperamento ou apenas com um momento de extroversão momentânea. Na verdade, a mania é uma alteração neurobiológica grave que modifica profundamente a percepção e o comportamento da pessoa.

    Segundo explica o psiquiatra Luiz Dieckmann, a fase de mania precisa de uma avaliação médica cuidadosa para não ser banalizada.

    “Na fase da mania do transtorno bipolar, a pessoa não está apenas animada. Ela pode ficar com uma energia muito alta, dormir pouco, não sentir cansaço, falar mais rápido, ter pensamentos muito acelerados e tomar decisões impulsivas e colocá-la em risco”.

    A mania representa um estado de hiperativação do cérebro e, durante o episódio, a pessoa pode perder a capacidade de avaliar os riscos das próprias atitudes, o que pode gerar consequências importantes para a vida pessoal, financeira e social.

    Quais são os principais sintomas da mania?

    Os sintomas da fase de mania afetam o sono, o humor, o pensamento e o controle dos impulsos. Luiz esclarece que a aceleração mental costuma aparecer junto com comportamentos impulsivos, além de aumento da irritabilidade ou de uma sensação exagerada de grandiosidade. As principais manifestações incluem:

    • Privação de sono sem cansaço: a pessoa dorme poucas horas, ou até mesmo não dorme, e acorda com a sensação de energia renovada;
    • Logorreia e taquipsiquismo: a fala fica muito rápida e difícil de interromper, acompanhada por um fluxo intenso de pensamentos;
    • Impulsividade financeira e sexual: podem ocorrer compras compulsivas, dívidas inesperadas e comportamentos sexuais de risco, sem a proteção ou os cuidados habituais;
    • Mudanças bruscas de humor: a euforia pode dar lugar a uma irritabilidade intensa em poucos segundos quando a pessoa é contrariada.

    “É comum aparecer e acontecer um aumento grande dos gastos, um comportamento sexual de risco, irritabilidade muito forte ou sensação exagerada de poder, de confiança”, aponta o psiquiatra.

    Sinais de gravidade: quando a pessoa perde o contato com a realidade?

    Quando a mania evolui sem o tratamento adequado, a pessoa pode perder o contato com a realidade. Em alguns casos surgem delírios e ideias grandiosas, fazendo com que a pessoa acredite, por exemplo, que tem poderes especiais, que é um profeta ou que consegue curar outras pessoas.

    Luiz explica que também podem acontecer comportamentos de grande exposição social, como sair sem roupa na rua, o que mostra a gravidade da crise e a necessidade de atendimento médico imediato.

    Após a recuperação, muitas pessoas sentem vergonha ou constrangimento ao lembrar das atitudes que tiveram durante o episódio. Por isso, o acolhimento da família e a proteção da pessoa durante a crise são muito importantes.

    O que fazer durante uma crise de mania de um familiar ou amigo?

    Lidar com uma pessoa em crise de mania pode ser muito difícil para familiares e amigos. Normalmente, a primeira reação é tentar convencer a pessoa de que as ideias dela não fazem sentido, mas confrontos diretos costumam aumentar o estresse e podem intensificar a irritação.

    De acordo com Luiz, a prioridade deve ser reduzir os estímulos ao redor e preservar a segurança da pessoa. “O conselho que eu te dou é: não confronte a pessoa de forma agressiva. Reduz o estímulo, tenta manter a segurança e você tem que procurar um atendimento médico psiquiátrico rapidamente, muito rapidamente, para evitar uma exposição”.

    Antes do atendimento médico, medidas como apagar a televisão, afastar a pessoa de ambientes muito barulhentos e cheios, guardar cartões de crédito e evitar discussões podem ajudar.

    Quando a crise de mania é considerada emergência médica?

    Quando a pessoa apresenta perda importante do controle do comportamento, risco de agressividade, gastos impulsivos muito elevados ou sintomas psicóticos, como delírios e perda do contato com a realidade, a situação deve ser avaliada imediatamente em um pronto-socorro.

    De acordo com Luiz Dieckmann, todos os sinais podem indicar uma emergência médica que precisa de atendimento rápido.

    Em alguns casos, o médico pode indicar uma internação temporária para ajustar a medicação com segurança, proteger a pessoa de prejuízos físicos, emocionais e financeiros e controlar a crise o mais rápido possível.

    A fase de mania passa?

    Apesar do grande impacto que a mania pode causar na vida da pessoa e da família, a fase é temporária e pode ser tratada com medicamentos específicos, como estabilizadores do humor e antipsicóticos, sempre prescritos pelo psiquiatra.

    O acompanhamento médico regular também ajuda a reduzir o risco de novas crises e a manter o transtorno bipolar controlado.

    É importante lembrar que a mania não faz parte da personalidade da pessoa e não significa que ela tenha um jeito de ser mais intenso ou uma personalidade forte, mas sim uma fase do transtorno bipolar que precisa de tratamento e acompanhamento médico.

    Com o uso correto da medicação e os cuidados ao longo do tempo, é possível controlar as crises, recuperar o equilíbrio e ter uma boa qualidade de vida.

    Leia mais: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

    Perguntas frequentes

    1. Transtorno bipolar é o mesmo que mudar de humor do nada?

    Não, as mudanças comuns de humor duram minutos ou horas e reagem aos acontecimentos do dia. No transtorno bipolar, as fases (mania ou depressão) duram dias, semanas ou meses e afetam gravemente o funcionamento da pessoa.

    2. O que é a hipomania?

    É uma versão mais branda da mania. A pessoa fica mais ativa, comunicativa e produtiva do que o normal, mas sem prejuízo grave ou sintomas psicóticos.

    3. O que acontece na fase de depressão bipolar?

    A pessoa sente tristeza profunda, falta de energia, perda de interesse em atividades, alterações no sono e apetite, sentimentos de inutilidade e, em casos graves, pensamentos suicidas.

    4. O que causa o transtorno bipolar?

    A causa é multifatorial, envolvendo forte predisposição genética, alterações na química cerebral (neurotransmissores) e gatilhos ambientais, como estresse extremo ou traumas.

    5. Como é feito o tratamento do transtorno bipolar?

    O tratamento combina medicamentos (como estabilizadores de humor e antipsicóticos) prescritos pelo psiquiatra com psicoterapia e mudanças no estilo de vida.

    6. O que é a eutimia no transtorno bipolar?

    É o período de estabilidade. Na eutimia, o paciente não está nem em mania e nem em depressão, mantendo o humor neutro e equilibrado.

    7. Álcool e drogas interferem no transtorno bipolar?

    Sim, e gravemente. Substratos químicos alteram a química cerebral, desestabilizam o humor, diminuem a eficácia dos remédios e aumentam o risco de comportamentos impulsivos e crises.

    8. O transtorno bipolar é hereditário?

    Existe um forte componente genético. Ter um parente de primeiro grau (pai, mãe ou irmão) com o transtorno aumenta consideravelmente as chances de desenvolvê-lo, embora não seja uma regra absoluta.

    Leia mais: O que você não deve dizer para alguém com depressão

  • Como sair do modo trabalho e descansar de verdade?

    Como sair do modo trabalho e descansar de verdade?

    Você fecha o notebook, responde à última mensagem do dia e até sai do escritório, mas a cabeça continua funcionando como se o expediente ainda não tivesse terminado. Ao realizar outras tarefas do dia a dia, os pensamentos voltam para a reunião de amanhã, para o prazo que está chegando ou para aquele problema que ainda não foi resolvido.

    Com o passar do tempo, a sensação é de que o trabalho nunca acaba, o que dificulta o relaxamento, prejudica o descanso e pode até afetar a qualidade do sono. Sem um sinal claro de que o expediente terminou, o cérebro continua em estado de alerta, como se ainda fosse necessário resolver pendências, tomar decisões e permanecer disponível o tempo todo.

    Mas, então, como fazer o cérebro entender que chegou a hora de descansar? Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, uma das estratégias mais simples é criar um ritual para marcar o fim do expediente. Mesmo pequenos hábitos ajudam o cérebro a perceber que o período de trabalho terminou e que agora começa outro momento do dia.

    Por que o cérebro continua trabalhando mesmo depois do expediente?

    Mesmo depois do fim do expediente, o cérebro pode continuar em estado de alerta, principalmente quando o dia foi cheio de cobranças, prazos, decisões ou tarefas que ficaram pendentes. Apesar de você parar de trabalhar fisicamente, a mente não muda imediatamente para o estado de descanso.

    Um dos motivos é que as tarefas inacabadas tendem a permanecer mais presentes na memória. O cérebro continua voltando aos problemas que ainda precisam de solução, como uma reunião do dia seguinte, um e-mail que precisa ser respondido ou uma entrega que não foi feita.

    Por isso, os pensamentos relacionados ao trabalho podem surgir mesmo durante o jantar, o banho ou na hora de dormir.

    Inclusive, a situação pode ser ainda mais comum no home office, já que não existe o deslocamento entre o trabalho e a casa para marcar fisicamente o fim da jornada. Quando o computador, o celular e as notificações continuam por perto, a divisão entre o período profissional e o pessoal pode ficar menos clara.

    A importância de criar um ritual de encerramento

    O cérebro responde aos hábitos e, com o tempo, aprende a relacionar determinadas ações aos diferentes momentos do dia. Quando você estabelece uma sequência previsível de atividades no final da jornada, cria um sinal de que o trabalho terminou por hoje.

    A rotina também ajuda a diminuir a sensação de que ainda existe alguma coisa para fazer, permitindo que você deixe as preocupações profissionais de lado e volte a dedicar a atenção à família, aos amigos, ao lazer ou simplesmente a um momento só seu.

    O trabalho pode contribuir para o bem-estar e para a realização pessoal quando ocupa um espaço equilibrado na rotina, mas precisa ter limites claros para não prejudicar os momentos de descanso.

    4 rituais simples para encerrar a rotina de trabalho

    Para sinalizar ao cérebro que chegou a hora de descansar, mais importante é criar uma rotina consistente e usar estímulos físicos ou sensoriais que ajudem a marcar o fim do expediente:

    1. Faça uma caminhada de 10 minutos

    O hábito de caminhar por alguns minutos depois do expediente ajuda a criar uma separação entre o período de trabalho e o momento de descanso. Além de movimentar o corpo depois de várias horas sentado, sair de casa permite mudar de ambiente, respirar um pouco e direcionar a atenção para algo que não esteja relacionado às tarefas profissionais.

    Para quem trabalha em home office, a caminhada pode ser ainda mais interessante, já que funciona como uma espécie de deslocamento de volta para casa. O simples ato de sair, dar uma volta pelo bairro e retornar ajuda a marcar o encerramento da jornada e cria um intervalo antes do início da noite.

    2. Tome um banho e troque de roupa

    O banho também pode fazer parte do ritual de encerramento do expediente. O ato de tirar a roupa usada durante o trabalho, tomar um banho e vestir uma roupa confortável cria uma mudança física que ajuda a marcar a passagem entre os dois momentos do dia.

    Mesmo para quem trabalha em casa, manter uma roupa para o expediente e trocá-la ao terminar pode reforçar a sensação de que a jornada acabou. Com a repetição diária, a rotina passa a funcionar como um sinal de que as obrigações profissionais ficaram para trás e que chegou a hora de descansar.

    3. Guarde o computador e ligue uma música

    O computador aberto sobre a mesa pode funcionar como um lembrete constante das tarefas que ainda precisam ser resolvidas. Por isso, ao terminar o expediente, procure fechar a tela e guardar o notebook em uma gaveta, mochila ou em algum lugar fora do campo de visão, principalmente quando o espaço de trabalho também faz parte da sala ou do quarto.

    4. Escreva a lista de pendências do dia seguinte

    As tarefas que ficaram inacabadas podem continuar aparecendo nos pensamentos mesmo depois do fim do expediente. A preocupação de esquecer uma reunião, um prazo ou uma atividade importante, por exemplo, faz com que a mente continue revisando mentalmente tudo o que ainda precisa ser feito.

    O hábito de anotar as pendências antes de fechar o computador ajuda a organizar o próximo dia e evita a necessidade de ficar tentando lembrar de cada compromisso durante a noite. O ideal é fazer uma lista simples com o que ficou pendente e, se possível, determine quais atividades serão prioridade.

    Assim, você encerra o expediente sabendo que as informações importantes estão registradas e poderão ser retomadas no momento adequado.

    Riscos de não se desconectar do trabalho

    Quando você permanece constantemente em estado de alerta, o organismo continua respondendo como se estivesse diante de uma situação de estresse, o que pode aumentar o cansaço e contribuir para:

    • Insônia e alterações do sono: a mente agitada e os pensamentos constantes sobre o trabalho podem dificultar o relaxamento necessário para adormecer e prejudicar a qualidade do sono;
    • Sintomas de Burnout: a exposição prolongada ao estresse ocupacional sem períodos adequados de recuperação pode favorecer o esgotamento físico e emocional, além de reduzir a produtividade e a satisfação com o trabalho;
    • Problemas de relacionamento: a dificuldade de se desligar mentalmente do trabalho pode diminuir a atenção disponível para os momentos de convivência com a família, os amigos e o parceiro;
    • Sintomas físicos do estresse: as dores de cabeça, a tensão muscular nos ombros e no pescoço e as alterações gastrointestinais podem aparecer ou piorar durante períodos prolongados de estresse.

    Quando ir ao médico?

    Vale procurar um médico ou psicólogo quando surgirem sinais como:

    • Dificuldade frequente para dormir ou acordar várias vezes durante a noite pensando no trabalho;
    • Cansaço intenso que não melhora mesmo após os períodos de descanso;
    • Irritabilidade, ansiedade ou angústia frequentes;
    • Dificuldade de concentração e queda no rendimento;
    • Perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas;
    • Dores de cabeça, tensão muscular ou problemas digestivos frequentes;
    • Sensação de esgotamento físico e emocional;
    • Dificuldade de aproveitar os momentos de lazer sem pensar nas obrigações profissionais.

    A avaliação profissional ajuda a entender se os sintomas estão relacionados ao estresse do trabalho ou se podem indicar problemas como a ansiedade, a depressão ou a síndrome de Burnout, além de orientar o tratamento mais adequado.

    Leia também: Dicas para equilibrar a vida pessoal e o trabalho

    Perguntas frequentes

    1. Qual é o limite saudável de horas de trabalho por dia?

    O limite legal e recomendado para a maioria dos adultos é de 8 horas diárias, garantindo tempo suficiente para sono, lazer e descanso.

    2. É normal sentir culpa por não trabalhar no fim de semana?

    Sim, é um sintoma comum do perfeccionismo e da cultura da hiperprodutividade, mas o descanso é essencial para manter a saúde e o próprio rendimento.

    3. Como parar de checar o e-mail do trabalho no celular pessoal?

    O ideal é remover as contas profissionais do dispositivo pessoal ou desativar todas as notificações fora do horário de expediente.

    4. O que é a Síndrome de Burnout e quais são seus primeiros sinais?

    É o esgotamento profissional extremo. Os primeiros sinais incluem cansaço constante, cinismo em relação ao trabalho e queda na eficácia.

    5. Como falar com o gestor sobre sobrecarga de trabalho?

    Agende uma conversa privada, apresente sua lista atual de tarefas e solicite ajuda para priorizar o que é realmente urgente.

    6. Quantas horas de sono são necessárias para recuperar o cérebro?

    A maioria dos adultos precisa de 7 a 9 horas de sono de qualidade por noite para restaurar as funções cognitivas e emocionais.

    7. Como evitar que os problemas do trabalho afetem o relacionamento amoroso?

    Pratique a escuta ativa com seu parceiro e reserve os primeiros 30 minutos em casa para transições pessoais, sem pautar a conversa em estresse profissional.

    Leia mais: Burnout pode causar infarto? Veja como o desgaste emocional afeta o coração

  • Perfeccionismo: é uma virtude ou sintoma de ansiedade?

    Perfeccionismo: é uma virtude ou sintoma de ansiedade?

    No trabalho, nos estudos e até na vida pessoal, é comum ouvir que o perfeccionismo é um defeito produtivo ou até uma qualidade para destacar em uma entrevista de emprego.

    Mas, do ponto de vista da saúde mental, existe uma diferença importante entre fazer as coisas com cuidado e viver preso à necessidade de acertar sempre. Quando a busca pela perfeição começa a causar sofrimento, ela deixa de ser uma qualidade e passa a se tornar um problema que pode comprometer o bem-estar, a produtividade e a qualidade de vida.

    Afinal, o perfeccionismo é uma qualidade ou um problema?

    Para entender a diferença, vale observar a intenção por trás do comportamento.

    Primeiro de tudo, ser uma pessoa cuidadosa é uma característica positiva, ligada ao capricho, à dedicação e ao desejo de fazer um bom trabalho. Ela costuma revisar o que faz, procurar aprender com os próprios erros e buscar melhorar continuamente, sem deixar que a busca pela qualidade atrapalhe a própria rotina ou o bem-estar.

    Já no perfeccionismo, a busca por resultados impecáveis passa a impedir você de tentar coisas novas, concluir tarefas, evoluir profissionalmente ou até descansar. Em vez de funcionar como uma motivação saudável, a autocobrança gera medo de errar, insegurança e uma sensação constante de que nada do que você faz está bom o suficiente.

    Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, ser cuidadoso é uma qualidade, mas o perfeccionismo funciona de outra forma. A pessoa não procura apenas fazer um bom trabalho, ela sente que não pode errar de jeito nenhum. É justamente a cobrança constante que transforma a busca por bons resultados em uma prisão psicológica.

    Quando a busca pela perfeição se torna um sintoma de ansiedade?

    À primeira vista, o perfeccionismo pode parecer apenas um cuidado maior com a qualidade ou uma preocupação em fazer tudo da melhor forma possível. Afinal, dedicar atenção aos detalhes e querer entregar um bom resultado costuma ser visto como uma característica positiva, especialmente no ambiente de trabalho.

    Mas, em vez de sentir satisfação ao concluir uma tarefa, a pessoa vive preocupada com críticas, julgamentos ou com a possibilidade de cometer qualquer falha. Quando isso acontece, o perfeccionismo pode estar relacionado à ansiedade e, em alguns casos, fazer parte de um transtorno de ansiedade.

    Segundo Luiz, o cérebro da pessoa perfeccionista tenta controlar todos os detalhes como uma forma de proteção, para evitar erros, críticas, a sensação de fracasso ou a rejeição. Por causa disso, a pessoa sente necessidade de revisar tudo várias vezes, conferir tarefas repetidamente e só consegue parar quando acredita que está tudo perfeito.

    Como identificar se você é perfeccionista?

    Os sinais do perfeccionismo aparecem no trabalho, nos estudos e até nos relacionamentos, a partir de:

    • Revisão compulsiva: a necessidade de conferir a mesma tarefa ou o mesmo documento inúmeras vezes antes de considerar o trabalho concluído;
    • Procrastinação por medo: o hábito de adiar o início ou a entrega de uma atividade por medo de que o resultado não fique perfeito;
    • Hipersensibilidade às críticas: um sofrimento muito intenso diante de observações ou críticas pequenas;
    • Sensação de insuficiência: a impressão constante de que nada do que foi feito é bom o bastante.

    O comportamento vai muito além da organização e pode prejudicar a produtividade, a autoestima e o bem-estar.

    Quais são os impactos do perfeccionismo na saúde mental?

    A tentativa de controlar todos os detalhes para evitar erros tem um custo emocional muito alto e, com o passar do tempo, a cobrança constante pode desgastar a saúde mental e dificultar até mesmo os momentos de descanso.

    Segundo Luiz, o padrão de comportamento perfeccionista pode provocar exaustão, insegurança e uma sensação permanente de insatisfação. Como a mente permanece focada em encontrar defeitos, a pessoa tem dificuldade para reconhecer as próprias conquistas e aproveitar os resultados do próprio esforço.

    Quando procurar ajuda profissional?

    Se você percebe que a autocobrança está atrapalhando a sua rotina, causando sofrimento, impedindo a realização das tarefas ou dificultando os momentos de descanso, vale procurar ajuda profissional. O perfeccionismo merece atenção quando deixa de incentivar o crescimento e passa a provocar esgotamento.

    A avaliação do psiquiatra e o acompanhamento com um psicólogo podem ajudar a identificar e tratar a ansiedade que está por trás do comportamento. Durante o tratamento, a pessoa aprende a reconhecer padrões de pensamento, desenvolver uma relação mais saudável com os próprios erros e reduzir a autocobrança.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

    Perguntas frequentes

    1. O perfeccionismo é genético ou aprendido?

    É uma mistura dos dois. Existe uma predisposição temperamental para a ansiedade, mas a criação em ambientes de muita cobrança, críticas constantes ou onde o afeto dependia do desempenho escolar/profissional influencia fortemente o desenvolvimento desse traço.

    2. Qual é a diferença entre perfeccionismo e TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo)?

    No perfeccionismo, a exigência está ligada a metas, padrões de qualidade e medo do julgamento social. No TOC, as repetições e checagens ocorrem para neutralizar pensamentos obsessivos e aliviar medos irracionais de tragédias ou contaminação.

    3. Como o perfeccionismo afeta os relacionamentos amorosos?

    Ele gera atritos porque a pessoa perfeccionista costuma projetar suas altas exigências no parceiro, gerando críticas constantes, ou esconde suas vulnerabilidades por medo de mostrar defeitos e ser rejeitada.

    5. O perfeccionismo pode causar sintomas físicos?

    Sim. A ansiedade contínua e a incapacidade de relaxar manifestam-se frequentemente como dores de cabeça, tensão muscular crônica, bruxismo, insônia e problemas gastrointestinais.

    6. O perfeccionismo pode levar ao Burnout?

    Sim, é um dos principais fatores de risco internos. Como o perfeccionista não sabe impor limites para si mesmo e não se permite descansar, o estresse crônico no trabalho evolui frequentemente para a Síndrome de Burnout.

    7. Qual é a melhor abordagem terapêutica para o perfeccionismo?

    A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a mais indicada, pois ajuda a identificar e reestruturar os pensamentos distorcidos de “tudo ou nada” e a flexibilizar os padrões de exigência.

    8. Como diferenciar uma crítica construtiva de um ataque quando se é perfeccionista?

    Separe o resultado do seu valor como pessoa. O perfeccionista sente a crítica como um ataque ao seu caráter, mas ela é apenas um comentário pontual sobre uma tarefa específica.

    Leia mais: Sempre adia tudo? Procrastinação pode estar ligada à ansiedade e depressão

  • Como cuidar da saúde mental pode ajudar na vida profissional (e quando procurar um médico)

    Como cuidar da saúde mental pode ajudar na vida profissional (e quando procurar um médico)

    O ambiente de trabalho vive em um ritmo acelerado, com prazos curtos, muitas responsabilidades e mudanças o tempo todo. No meio de tanta pressão, não é raro tentar seguir em frente mesmo estando emocionalmente esgotado, por medo de que um diagnóstico ou um tratamento psiquiátrico possa prejudicar a carreira.

    A preocupação faz com que muitas pessoas não procurem ajuda, mesmo quando os sintomas já prejudicam o desempenho no trabalho, a concentração e a qualidade de vida. Mas, na prática, iniciar o tratamento pode aliviar os sintomas, melhorar o bem-estar, favorecer a produtividade e evitar que o quadro piore.

    O tratamento psiquiátrico prejudica o rendimento no trabalho?

    Uma das maiores dúvidas de quem pensa em procurar ajuda é acreditar que o tratamento vai deixar o raciocínio mais lento ou reduzir o desempenho no trabalho. Na verdade, o que costuma prejudicar a produtividade é continuar convivendo com um problema de saúde mental sem acompanhamento.

    Quando você passa o dia inteiro tentando esconder o sofrimento emocional ou fazendo um esforço enorme para dar conta de tarefas simples, acaba gastando quase toda a energia apenas para conseguir manter a rotina. Com o passar do tempo, o cansaço aumenta, o foco diminui, os esquecimentos ficam mais frequentes e o trabalho começa a render cada vez menos.

    Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, os transtornos psiquiátricos são doenças como qualquer outra e podem causar prejuízos reais para a saúde e para a vida profissional. A ansiedade intensa e a depressão sem acompanhamento costumam comprometer funções importantes do cérebro, como a memória, a concentração, a criatividade e a capacidade de tomar decisões.

    Os remédios psiquiátricos deixam a pessoa dopada?

    A resposta é não. Os medicamentos psiquiátricos usados para tratar a depressão, a ansiedade e outros transtornos mentais ajudam o cérebro a voltar a funcionar de forma mais equilibrada, reduzindo os sintomas da doença para que a pessoa consiga retomar a rotina com mais disposição, concentração e qualidade de vida.

    Durante os primeiros dias de uso, podem aparecer alguns efeitos colaterais, como um pouco de sonolência, boca seca ou desconforto no estômago, mas eles diminuem conforme o organismo se adapta ao medicamento.

    De acordo com Luiz, ajustar a dose ou trocar o remédio faz parte da rotina do acompanhamento médico até encontrar a opção mais adequada para cada pessoa. Durante as consultas, o psiquiatra conversa sobre os possíveis efeitos colaterais, avalia como o organismo está respondendo ao tratamento e faz os ajustes necessários para que o processo seja seguro e confortável.

    Quando o tratamento é bem acompanhado, a tendência é que a pessoa se sinta mais disposta, consiga pensar com mais clareza e recupere a capacidade de trabalhar, estudar e realizar as atividades do dia a dia, sem perder a própria personalidade ou a capacidade intelectual.

    Quais sinais de que a saúde mental está afetando sua carreira?

    No dia a dia de trabalho, os principais sinais de que a saúde mental está prejudicando a carreira incluem:

    • Perda de foco e esquecimentos frequentes: dificuldade para acompanhar reuniões, esquecer prazos simples ou precisar ler o mesmo texto várias vezes para conseguir entender o conteúdo;
    • Indecisão e dificuldade para agir: sentir dificuldade para tomar decisões simples ou ficar paralisado diante de tarefas do dia a dia;
    • Queda da criatividade e do planejamento: dificuldade para criar soluções, organizar projetos ou pensar em estratégias para o futuro;
    • Irritabilidade e conflitos no trabalho: perder a paciência com facilidade, responder de forma ríspida para colegas ou clientes e preferir se afastar das pessoas;
    • Procrastinação por cansaço mental: deixar atividades importantes para depois porque falta energia para começar, mesmo sabendo que elas precisam ser feitas.

    Em várias situações, o cérebro começa a dar pequenos sinais que acabam sendo confundidos com falta de atenção, preguiça ou desorganização. Quando os sintomas começam a atrapalhar a rotina de trabalho, vale a pena procurar ajuda.

    Como o acompanhamento psiquiátrico ajuda a recuperar o desempenho?

    Quando um quadro como depressão, ansiedade, transtorno bipolar ou TDAH é tratado de maneira adequada, o cérebro volta a funcionar de forma mais equilibrada, o que melhora a concentração, a memória, a organização, a capacidade de tomar decisões e o controle das emoções.

    O tratamento pode incluir o uso de remédios, quando existe indicação, além de orientações sobre o sono, a alimentação, a prática de atividade física e outros hábitos que também influenciam a saúde mental.

    Em alguns casos, o psiquiatra ainda recomenda o acompanhamento com um psicólogo, que pode ajudar que pode ajudar a pessoa a entender os próprios pensamentos e comportamentos, aprender a lidar melhor com o estresse e a ansiedade e desenvolver medidas para conviver com os desafios do cotidiano de forma mais saudável.

    Com a melhora dos sintomas, a pessoa costuma perceber que consegue manter o foco por mais tempo, sente menos cansaço mental, comete menos erros, rende mais durante o expediente e deixa de depender do esforço constante para dar conta das próprias atividades.

    Quando é o momento de procurar ajuda de um médico?

    O melhor momento para marcar uma consulta é quando os sintomas começam a atrapalhar a rotina, o sono, os relacionamentos ou o trabalho. Não vale a pena esperar uma crise intensa ou um esgotamento completo para procurar ajuda.

    Quanto mais cedo começa o acompanhamento, maiores costumam ser as chances de recuperação e menor tende a ser o impacto da doença na vida pessoal e profissional.

    Perguntas frequentes

    1. Tomar medicação psiquiátrica exige afastamento do trabalho?

    Na maioria das situações, não. O tratamento é planejado para que a pessoa continue a rotina normalmente. O afastamento costuma acontecer apenas durante crises graves, quando o repouso é necessário.

    2. Devo avisar meu chefe ou o RH que estou fazendo tratamento psiquiátrico?

    Não. Contar ou não é uma decisão pessoal. As informações sobre a sua saúde são confidenciais.

    3. Os remédios psiquiátricos causam dependência química?

    Na maior parte das situações, não. Os antidepressivos e estabilizadores do humor não causam dependência. Alguns ansiolíticos e sedativos precisam de mais cuidado e só devem ser usados conforme a orientação médica.

    4. Quanto tempo leva para a medicação começar a fazer efeito?

    Em geral, os primeiros resultados aparecem entre duas e quatro semanas. Nos primeiros dias, o organismo passa por um período de adaptação.

    5. Posso tomar café ou energéticos durante o tratamento psiquiátrico?

    O uso deve ser moderado. O excesso de cafeína e estimulantes pode aumentar os batimentos cardíacos e a ansiedade, além de prejudicar o sono, atrapalhando a ação dos medicamentos.

    6. Posso dirigir ou operar máquinas no início do tratamento?

    Depende da reação do organismo. Se houver sonolência ou redução da atenção nos primeiros dias, o ideal é evitar dirigir ou operar máquinas até a adaptação ao medicamento.

    7. O que acontece se eu esquecer de tomar o remédio em um dia de trabalho?

    Não tome uma dose dupla para compensar. Siga a orientação do seu médico ou da bula e retome o horário habitual.

    8. Como organizar os horários das doses na rotina corrida de trabalho?

    Vale a pena usar alarmes no celular, organizadores de comprimidos ou associar a medicação a um hábito diário, como escovar os dentes ou tomar o café da manhã.

  • Workaholism: o vício em trabalho é um transtorno?  

    Workaholism: o vício em trabalho é um transtorno?  

    Você já foi chamado de workaholic? O apelido pode até parecer um elogio, já que trabalhar muitas horas costuma ser associado ao comprometimento, à dedicação e ao sucesso profissional. No entanto, existe uma diferença (enorme!) entre gostar do próprio trabalho e sentir uma necessidade incontrolável de trabalhar e produzir o tempo todo.

    O vício em trabalho, frequentemente chamado pelo termo em inglês workaholism, é caracterizado por uma compulsão para trabalhar que faz a pessoa colocar a carreira acima do descanso, da família, dos amigos e até da própria saúde.

    Aos poucos, a dificuldade para se desligar das responsabilidades profissionais pode provocar ansiedade, esgotamento físico e mental, problemas nos relacionamentos e aumentar o risco de desenvolver a síndrome de Burnout e outros transtornos psicológicos.

    O que é o vício em trabalho (workaholism)?

    O vício em trabalho é uma necessidade compulsiva e difícil de controlar de trabalhar o tempo todo. Como o trabalho ocupa o primeiro lugar e deixa pouco espaço para o descanso e os momentos de lazer, ele acaba comprometendo a saúde física e mental, prejudicando os relacionamentos e reduzindo a qualidade de vida.

    O nome surgiu da união das palavras work (trabalho) e alcoholism (alcoolismo), justamente para mostrar que o excesso de trabalho pode funcionar de maneira parecida com uma dependência.

    A pessoa sente uma necessidade constante de produzir, cumprir tarefas e permanecer ocupada, além de experimentar culpa, ansiedade ou sensação de inutilidade sempre que tenta descansar.

    O vício em trabalho é considerado um transtorno mental?

    Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, o vício em trabalho não é classificado como um transtorno mental oficial no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) nem na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Mesmo assim, ele é reconhecido como um problema como um comportamento prejudicial para a saúde.

    Em muitos casos, a dedicação exagerada ao trabalho também pode estar relacionada a outros problemas de saúde mental ou funcionar como uma forma de evitar sentimentos difíceis e conflitos pessoais, como depressão, transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

    Como saber se sou viciado em trabalho?

    Uma boa forma de identificar o vício em trabalho é observar se alguns comportamentos fazem parte da rotina, como:

    • Dificuldade para relaxar: sentir culpa ou ansiedade intensa sempre que não está trabalhando, inclusive durante fins de semana, feriados ou férias;
    • Pensamentos constantes sobre o trabalho: continuar pensando ou falando sobre tarefas profissionais durante momentos de lazer ou encontros com a família;
    • Isolamento social: reduzir o contato com amigos, familiares e atividades de lazer para dedicar mais tempo ao trabalho;
    • Negligência com a própria saúde: pular refeições, dormir poucas horas ou deixar de cuidar da alimentação para conseguir realizar mais tarefas;
    • Uso do trabalho como forma de fugir dos problemas: manter uma rotina cheia de compromissos para evitar lidar com frustrações, dificuldades emocionais ou sentimentos de tristeza.

    Quando três ou mais comportamentos aparecem com frequência e começam a afetar a qualidade de vida, vale a pena procurar ajuda profissional para avaliar a situação.

    Consequências para a saúde física e mental

    No dia a dia, a mente e o corpo não podem viver em constante estado de alerta, e precisam de períodos de descanso para funcionar corretamente. Quando a rotina de trabalho ocupa praticamente todo o tempo e a energia, diversos problemas podem surgir:

    Saúde mental

    • Síndrome de Burnout: esgotamento profissional caracterizado por cansaço físico e mental intenso, perda de motivação e sensação de baixa capacidade para realizar as tarefas;
    • Crises de ansiedade e pânico: resultado da pressão constante e da necessidade de manter um alto nível de produtividade;
    • Depressão: favorecida pelo isolamento social, pela redução dos momentos de lazer e pela perda de interesse por atividades que antes davam prazer.

    Saúde física

    • Insônia crônica: dificuldade para iniciar o sono ou permanecer dormindo, já que a mente continua focada nas obrigações profissionais;
    • Problemas cardíacos: níveis elevados de cortisol, conhecido como hormônio do estresse, aumentam o risco de hipertensão, arritmias e infarto;
    • Baixa imunidade: maior frequência de gripes, resfriados e outras infecções por causa do desgaste contínuo do organismo;
    • Dores crônicas: dor de cabeça tensional, dores nas costas, no pescoço e nos ombros aparecem com frequência devido à tensão muscular e ao excesso de horas de trabalho.

    Como tratar o vício no trabalho?

    Para lidar com o workaholism, o primeiro passo é reconhecer que a dedicação excessiva deixou de ser saudável e passou a causar prejuízos na vida pessoal, nos relacionamentos e na saúde. A recuperação envolve mudanças na rotina, na forma de lidar com a produtividade e, muitas vezes, o acompanhamento de um profissional de saúde mental.

    A psicoterapia, principalmente a terapia cognitivo-comportamental (TCC), costuma ser uma das abordagens mais indicadas para o tratamento. Durante as sessões, a pessoa aprende a identificar os pensamentos e comportamentos que alimentam a necessidade constante de trabalhar, desenvolve formas mais saudáveis de lidar com a ansiedade e diminui a sensação de culpa ao descansar.

    Também é importante estabelecer limites claros entre a vida profissional e a vida pessoal, a partir de medidas como:

    • Defina um horário para começar e terminar o expediente e procure respeitá-lo todos os dias;
    • Desligue o computador e o celular corporativo ao fim do trabalho sempre que possível;
    • Evite responder e-mails, mensagens ou ligações profissionais fora do horário de expediente;
    • Faça pausas ao longo do dia para descansar, levantar da cadeira e se alimentar com calma;
    • Reserve momentos da semana para atividades de lazer, exercícios físicos e encontros com amigos ou familiares;
    • Tire férias e folgas sem permanecer conectado às demandas do trabalho;
    • Aprenda a dizer “não” quando a carga de trabalho ultrapassar os seus limites;
    • Evite assumir mais tarefas do que consegue realizar de forma saudável.

    Em casos onde o vício está associado à depressão crônica ou crises graves de ansiedade, o médico psiquiatra pode avaliar a necessidade do uso temporário de medicamentos para equilibrar os sintomas.

    Leia mais: Sempre adia tudo? Procrastinação pode estar ligada à ansiedade e depressão

    Perguntas frequentes

    1. O que causa o vício em trabalho?

    O vício em trabalho pode surgir por vários motivos, como perfeccionismo, necessidade de aprovação, medo de perder o emprego, pressão por resultados e o hábito de usar o trabalho para fugir de problemas emocionais.

    2. O vício em trabalho dá direito a afastamento pelo INSS?

    O vício em trabalho, por si só, não garante afastamento pelo INSS. Porém, doenças relacionadas à sobrecarga, como síndrome de Burnout, depressão ou transtornos de ansiedade, podem justificar o afastamento após avaliação médica.

    3. Qual é a diferença entre workaholism e work engagement?

    A pessoa engajada gosta do trabalho, mas consegue descansar e aproveitar o tempo livre. Já quem tem vício no trabalho sente necessidade de trabalhar o tempo todo e costuma sentir culpa ou ansiedade quando para.

    4. Quem trabalha em home office tem mais chance de desenvolver o vício?

    Sim. Como não existe uma separação física entre o trabalho e a vida pessoal, fica mais fácil prolongar o expediente e continuar conectado fora do horário.

    5. Quem é mais propenso a se tornar viciado em trabalho?

    Pessoas perfeccionistas, muito competitivas, controladoras ou que dependem do sucesso profissional para se sentirem valorizadas têm maior risco.

    6. Como ajudar alguém que é viciado em trabalho?

    Converse sem julgamentos, explique como o excesso de trabalho tem afetado a saúde e os relacionamentos e incentive a procura por ajuda profissional.

    7. Como estabelecer limites saudáveis trabalhando em home office?

    Defina um horário rígido de início e término das tarefas, tenha um espaço físico exclusivo para trabalhar (evite trabalhar na cama) e guarde ou cubra o computador logo após o encerramento do expediente.

    Leia mais: Burnout pode causar infarto? Veja como o desgaste emocional afeta o coração

  • Crise de ansiedade: o que fazer e como controlar os sintomas

    Crise de ansiedade: o que fazer e como controlar os sintomas

    Você está em casa, tudo parece normal. De repente, o coração dispara, a respiração fica curta, a mente corre sem parar e parece que algo muito ruim vai acontecer. Essa sensação intensa e repentina pode ser uma crise de ansiedade.

    Se você já passou por isso ou convive com alguém que sofre com isso, saiba que não está sozinho e, mais importante, que é possível lidar com essa situação.

    Hoje você vai entender o que é uma crise de ansiedade, quais são os sintomas mais comuns, o que fazer na hora da crise e como cuidar da sua saúde mental no dia a dia com hábitos que ajudam a reduzir a ansiedade.

    O que é uma crise de ansiedade

    Uma crise de ansiedade é um episódio súbito e intenso de muito medo ou desconforto, geralmente sem causa aparente, que provoca sintomas físicos como falta de ar, coração acelerado, tontura, suor em excesso e sensação de perda de controle.

    O psiquiatra Luiz Dieckmann explica que a crise começa no cérebro, quando a amígdala, estrutura pequena em formato de amêndoa que vigia perigos, aperta o botão de alarme sem existir ameaça real.

    “Pensamentos catastróficos como ‘vou desmaiar’ ou ‘vou enlouquecer’ criam um circuito fechado entre cérebro racional e emocional, mantendo o disparo. Quanto mais a pessoa tenta ‘não pensar’, maior o foco no medo, reforçando o ciclo”, detalha.

    A crise de ansiedade costuma durar alguns minutos e pode parecer, para quem sente, uma emergência médica, embora não ofereça risco real à vida.

    “Assim que esse alarme cerebral dispara, o corpo despeja adrenalina, hormônio que deixa coração e respiração mais rápidos, mãos úmidas, visão embaçada, nó na garganta, dor de barriga, náusea e tremor”, conta o médico.

    “Esse combo faz sentido se precisássemos correr de um predador, só que hoje o ‘leão’ pode ser um e-mail inesperado ou uma notificação de mensagem fora de horário. A descarga dura minutos e se dissipa, mas a lembrança do susto alimenta o medo de uma nova crise”, conta.

    Sintomas de uma crise de ansiedade

    Nem todo mundo sente uma crise de ansiedade da mesma forma. Mas os sintomas mais comuns são:

    • Coração acelerado ou palpitações;
    • Falta de ar ou sensação de sufocamento;
    • Tremores, formigamento ou mãos suadas;
    • Dor ou aperto no peito;
    • Sensação de desmaio ou tontura;
    • Medo intenso de perder o controle ou “ficar louco”;
    • Vontade de fugir do local;
    • Sensação de que algo muito ruim vai acontecer.

    O que fazer durante uma crise de ansiedade

    Técnicas de respiração

    Respirar devagar e profundamente é uma das melhores maneiras de interromper uma crise de ansiedade. Uma dica é inspirar pelo nariz contando até 4, segurar o ar por 4 segundos e expirar lentamente pela boca contando até 6. Repetir isso por alguns minutos ajuda a desacelerar os batimentos do coração e diminuir a sensação de sufocamento.

    Primeiros socorros emocionais

    • Focar em objetos ao redor (prestar atenção em cores, formas e texturas);
    • Lembrar-se de que é só uma crise e que vai passar;
    • Repetir mentalmente frases de tranquilidade (“estou em segurança” ou “isso é só ansiedade”);
    • Se possível, sair do ambiente que provocou o estresse e buscar um lugar mais calmo;
    • Pedir apoio a alguém de confiança.

    7 técnicas práticas para domar uma crise de ansiedade

    1. Respiração diafragmática 4-2-6: respirar durante 4 segundos, segurar a respiração por 2 segundos e soltar o ar durante 6 segundos. Essa respiração que expande o abdômen ajuda a baixar a frequência cardíaca.
    2. Checagem dos cinco sentidos: nomear algo que você vê, ouve, toca, cheira e prova, trazendo a mente para o presente.
    3. Relaxamento muscular progressivo: contrair por cinco segundos e soltar grupos musculares da testa aos pés.
    4. Auto-fala racional: lembrar que o pico de adrenalina dura em média dez minutos e não causa danos permanentes.
    5. Movimento leve: caminhar devagar ou alongar ombros e pescoço ativa o sistema parassimpático, o “freio” fisiológico.
    6. Temperatura fria: lavar rosto ou mãos em água fria reduz atividade do nervo vago e acalma.
    7. Diário de gatilhos: anotar horário, local e pensamentos para mapear padrões e planejar enfrentamento.

    7 maneiras de diminuir a ansiedade e evitar crises

    1. Exercícios físicos regulares

    Movimentar o corpo libera endorfinas, substâncias que melhoram o humor e reduzem a tensão. Pode ser caminhada, dança, natação, corrida etc. O importante é achar algo que você goste.

    2. Técnicas de mindfulness e meditação

    Meditação guiada, respiração consciente e atenção plena (mindfulness) ajudam a manter o foco no momento presente e a controlar os pensamentos acelerados da ansiedade.

    3. Alimentação saudável

    Alimentar-se com vegetais, frutas, grãos e proteínas leves ajuda no funcionamento do cérebro e na regulação das emoções.

    4. Sono de qualidade

    Dormir mal piora a ansiedade. Criar uma rotina de sono e evitar telas antes de dormir ajuda o corpo a descansar.

    5. Menos café

    Bebidas com cafeína estimulam o sistema nervoso e podem aumentar a ansiedade. Observe sua reação e, se necessário, reduza o consumo.

    6. Psicoterapia (TCC e ACT)

    A TCC ensina a identificar pensamentos distorcidos e substituí-los por interpretações mais realistas. Já a ACT trabalha aceitação dos sintomas e foco em ações alinhadas aos valores pessoais.

    7. Apoio de amigos e família

    Conversar com pessoas de confiança pode trazer acolhimento e ajudar a lidar com as emoções difíceis.

    Quando procurar tratamento médico

    Se as crises de ansiedade são frequentes, intensas ou atrapalham sua vida, procure ajuda médica. Psicólogos e psiquiatras podem orientar o tratamento, que pode incluir terapia, mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, medicação.

    Confira: Pessimismo ou depressão? Saiba identificar os sinais de distimia (e como tratar)

    Perguntas frequentes sobre crise de ansiedade

    1. A crise de ansiedade pode levar à morte?

    Não. Apesar dos sintomas intensos, a crise de ansiedade não é fatal. Mas ela precisa de cuidado para não se tornar frequente e incapacitante.

    2. Existe remédio para crise de ansiedade?

    Sim. Em alguns casos, o médico pode indicar remédios de uso pontual ou contínuo. Mas nem todo mundo precisa de remédio.

    3. Crianças podem ter crise de ansiedade?

    Sim. Crianças e adolescentes também podem sofrer com ansiedade, embora os sintomas possam se manifestar de forma diferente.

    4. A crise de ansiedade tem cura?

    A crise de ansiedade pode ser controlada e, em muitos casos, não se manifestar mais. A melhor coisa a se fazer é buscar ajuda e manter bons hábitos de vida.

    5. O que fazer se alguém próximo estiver em crise?

    Fique ao lado da pessoa, converse com calma, incentive a respiração lenta e leve-a para um ambiente tranquilo. Evite minimizar o que ela está sentindo.

    Veja também: Síndrome do Impostor: eu sou uma fraude ou é apenas ansiedade?

  • Você trabalha na cama? Saiba como isso pode prejudicar a sua saúde

    Você trabalha na cama? Saiba como isso pode prejudicar a sua saúde

    No conforto de casa, trabalhar na cama parece ser uma das maiores vantagens do home office, ainda mais nos dias frios. Afinal, quem não gostaria de responder e-mails ou participar de reuniões sem sair do colchão? Mas, apesar da praticidade, o hábito pode trazer uma série de problemas para o corpo e para a mente, desde dores nas costas até dificuldades para dormir.

    Por que trabalhar na cama faz mal para a saúde?

    Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, o cérebro aprende por associação: como a cama é um ambiente destinado ao descanso e aos momentos de intimidade, trabalhar, participar de reuniões ou resolver problemas naquele espaço faz com que a mente deixe de relacioná-lo apenas ao relaxamento, dificultando o processo de desligar e descansar.

    Além disso, como o colchão não oferece o apoio necessário para a coluna, o pescoço e os braços, o corpo acaba ficando em posições desconfortáveis durante horas.

    Com o passar do tempo, podem aparecer dores, cansaço e até dificuldade para dormir, já que o cérebro continua em estado de alerta mesmo na hora de descansar.

    Quais os riscos de trabalhar na cama?

    Além de prejudicar o rendimento no trabalho, o hábito de passar muitas horas sentado na cama pode causar problemas como:

    1. Dor nas costas e má postura

    É muito difícil manter a coluna alinhada enquanto se trabalha na cama e, na maioria das vezes, a pessoa fica com a coluna curvada, a lombar sem apoio, os ombros projetados para a frente e o pescoço inclinado para olhar a tela do notebook.

    Como o colchão é macio e não oferece a sustentação adequada, o corpo precisa fazer mais esforço para permanecer na mesma posição durante várias horas.

    Gradualmente, a sobrecarga pode provocar dores nas costas, no pescoço e nos ombros, além de aumentar o risco de tensão muscular, dores de cabeça frequentes e outros problemas na coluna.

    2. Insônia e sono de pior qualidade

    Quando a cama passa a fazer parte da rotina de trabalho, o cérebro deixa de associar aquele ambiente apenas ao descanso e começa a relacioná-lo com reuniões, prazos, cobranças e preocupações. Fica mais difícil relaxar no fim do dia, pegar no sono rapidamente ou dormir de forma profunda.

    Não é incomum acordar durante a madrugada ou levantam pela manhã com a sensação de que não descansaram o suficiente.

    3. Lesões por esforço repetitivo

    Na cama, os punhos, os braços e os ombros dificilmente permanecem na posição correta para usar o notebook por várias horas. Sem uma mesa e uma cadeira adequadas, as articulações ficam sobrecarregadas e os músculos trabalham de forma constante para compensar a falta de apoio.

    Com o uso repetitivo nessa postura, aumenta o risco de desenvolver problemas como tendinite, dores nos punhos, inflamações nos ombros e síndrome do túnel do carpo.

    4. Menos foco e produtividade

    A cama foi feita para o descanso, por isso o cérebro entende que aquele ambiente é um lugar para relaxar. Quando você tenta trabalhar ali, precisa fazer muito mais esforço para manter a concentração e a atenção nas tarefas.

    Ao longo do dia, o cansaço mental aparece mais cedo, a produtividade diminui e aumenta a sensação de que o trabalho demora muito mais para render.

    5. Alergias e irritações na pele

    O contato com ácaros, poeira, suor e resíduos acumulados aumenta quando você passa muitas horas na cama. Em pessoas mais sensíveis, a exposição pode piorar crises de rinite e asma, além de favorecer o aparecimento de coceira, irritações e inflamações na pele, principalmente quando a roupa de cama não é trocada com frequência.

    O que fazer se não tiver outro lugar para trabalhar?

    Se você mora em um espaço pequeno ou divide a casa com outras pessoas e a cama é a única opção de escritório temporário, é fundamental adotar medidas de redução de danos para proteger o corpo, como:

    • Coloque almofadas firmes atrás das costas para dar mais apoio à coluna e evitar que o corpo fique curvado durante o trabalho;
    • Apoie o notebook em uma bandeja, mesa portátil ou suporte, evitando deixá-lo diretamente no colo, já que isso faz o pescoço permanecer inclinado por muito tempo;
    • Tente manter a tela o mais próximo possível da altura dos olhos, reduzindo a tensão na região do pescoço e dos ombros;
    • Mantenha os braços apoiados sempre que possível, para diminuir a sobrecarga nos punhos e nos ombros durante a digitação;
    • Evite permanecer na mesma posição por muito tempo, mudando a postura ao longo do dia para aliviar a pressão sobre a coluna;
    • Levante pelo menos uma vez a cada 50 ou 60 minutos para caminhar pela casa, beber água e fazer alongamentos para o pescoço, as costas, os ombros e os punhos.

    Assim que você terminar o expediente, lembre-se de guardar o notebook e os materiais de trabalho, deixando a cama livre novamente para o descanso e ajudando o cérebro a separar o momento de trabalhar do momento de dormir.

    Como acostumar o cérebro a não trabalhar na cama?

    No cotidiano, o ideal é ajudar o cérebro a separar os momentos de trabalho dos momentos de descanso, a partir de atitudes como:

    • Escolha um local fixo para trabalhar, mesmo que seja a mesa da cozinha ou um canto da sala;
    • Evite abrir o notebook na cama, reservando o colchão apenas para dormir e descansar;
    • Crie uma rotina para começar e terminar o expediente, como trocar de roupa, organizar o espaço e guardar os materiais de trabalho ao final do dia;
    • Desligue as notificações e o celular corporativo quando o horário de trabalho acabar, sempre que possível;
    • Evite usar o computador na cama antes de dormir, dando preferência a atividades relaxantes, como ler um livro, ouvir uma música tranquila ou tomar um banho morno;
    • Mantenha horários regulares para dormir e acordar, pois uma rotina consistente ajuda o cérebro a reconhecer quando é hora de descansar e quando é hora de trabalhar.

    Com pequenas mudanças feitas todos os dias, o cérebro volta a associar a cama ao sono e ao relaxamento, o que melhora tanto a qualidade do descanso quanto a concentração durante o expediente.

    Leia mais: Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Perguntas frequentes

    1. Trabalhar na cama pode causar hérnia de disco?

    Sim, a falta de apoio adequado para a coluna lombar e cervical aumenta a pressão sobre os discos intervertebrais. Com o tempo e a repetição, o desgaste pode favorecer o surgimento de uma hérnia de disco.

    2. Usar suporte de notebook para cama resolve o problema?

    Ajuda, mas não resolve totalmente. O suporte melhora a altura da tela (evitando dor no pescoço) e serve de apoio para os braços, mas não corrige a falta de suporte adequado que o colchão macio gera para a sua coluna lombar.

    3. Trabalhar deitado de bruços faz mal?

    Sim, muito. A posição força o pescoço a ficar virado para o lado por horas e hiperestende a coluna lombar, o que costuma causar dores agudas no pescoço (torcicolo) e na parte inferior das costas.

    4. Quantas horas posso trabalhar na cama sem prejudicar a saúde?

    O ideal é não passar de 1 hora por dia nessa situação. Se precisar usar a cama, faça pausas de 5 minutos a cada meia hora para levantar, caminhar e alongar o corpo.

    5. O que é melhor: trabalhar na cama ou no sofá?

    O sofá é ligeiramente melhor, desde que você consiga apoiar os pés no chão e usar almofadas nas costas. No entanto, nenhum dos dois substitui o conjunto de mesa e cadeira ergonômica.

    6. Quando as dores nas costas causadas pela cama se tornam preocupantes?

    Quando a dor dura mais de uma semana, não melhora com repouso, é acompanhada de formigamento ou dormência nos braços e pernas, ou quando impede você de realizar movimentos simples do dia a dia.

    7. Como saber se a dor nas costas é causada por trabalhar na cama?

    Se a dor melhora significativamente nos dias de folga ou em períodos em que você evita o notebook no quarto, ou se o incômodo surge logo após as primeiras horas de trabalho na cama, a culpa é muito provavelmente da postura adotada no colchão.

    Leia mais: Sempre adia tudo? Procrastinação pode estar ligada à ansiedade e depressão

  • É possível investigar TDAH em crianças bem pequenas?

    É possível investigar TDAH em crianças bem pequenas?

    Mudanças rápidas de humor, agitação intensa e falta de concentração são só alguns dos sintomas que costumam surgir na primeira infância, quando o cérebro da criança ainda está em desenvolvimento e ela está aprendendo, aos poucos, a controlar as próprias emoções.

    Apesar de completamente normal para a fase, alguns pais podem se perguntar se o comportamento agitado pode ser um sinal de transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).

    A linha entre a energia natural da infância, especialmente na fase do famoso ‘terrible two’, e os primeiros indícios de um transtorno podem parecer muito semelhantes, mas será que é possível fechar um diagnóstico quando o bebê ou a criança ainda é tão pequena?

    O diagnóstico de TDAH costuma ser mais seguro e preciso entre os 5 e 6 anos de idade, mas a investigação e o olhar atento dos pais e especialistas podem (e devem) começar bem antes.

    O diagnóstico de TDAH é possível antes dos 4 anos?

    Segundo a neuropediatra Bárbara Macedo, o diagnóstico de TDAH ainda não é possível em crianças abaixo de 4 anos de idade. A região do cérebro diretamente ligada ao TDAH é o córtex pré-frontal, responsável pelas chamadas funções executivas: o controle dos impulsos, a capacidade de focar a atenção, a organização e a regulação emocional.

    Em crianças abaixo dos 4 anos, a especialista explica que a estrutura neurológica está apenas iniciando o processo de maturação.

    “Comportamentos como agitação, impulsividade e dificuldade de atenção fazem parte do desenvolvimento normal nessa idade. Não é à toa que todos os pais já falam sobre o terrible two, que na verdade vai até os 4 anos”, explica a especialista.

    Como os comportamentos se sobrepõem bastante aos sintomas do TDAH, é clinicamente muito difícil diferenciar o que faz parte de uma fase normal do desenvolvimento infantil do que realmente representa um transtorno do neurodesenvolvimento.

    Importante: não ser possível fechar o diagnóstico não significa que os pais devam ignorar os sinais. Se a agitação for totalmente desproporcional ou se houver prejuízo no desenvolvimento, a criança já pode entrar em acompanhamento preventivo com um neuropediatra ou psicólogo infantil.

    Sintomas normais da infância vs. Sinais de alerta de TDAH

    Como o cérebro infantil ainda está em desenvolvimento, a diferença entre um comportamento esperado para a idade e um sinal de alerta costuma estar em três fatores principais: a intensidade, a frequência e o impacto que esse comportamento causa no dia a dia da criança.

    O que é esperado no desenvolvimento infantil

    • Distração é seletiva: a criança perde o foco em atividades de que não gosta, mas consegue ficar concentrada por vários minutos brincando, ouvindo uma história ou assistindo a um desenho de que gosta;
    • Muita energia, mas com controle: ela corre, pula e brinca bastante, porém consegue diminuir o ritmo por alguns minutos quando a situação exige, como durante uma refeição ou no colo dos pais;
    • Birras fazem parte da idade: quando é contrariada, pode chorar, gritar ou fazer uma birra, mas costuma se acalmar após receber acolhimento ou quando a atenção é direcionada para outra atividade;
    • Comportamento semelhante ao de outras crianças: o nível de agitação, curiosidade e teimosia é compatível com o esperado para a idade e parecido com o dos colegas da escola ou do parquinho.

    Sinais de alerta para TDAH

    • Não consegue manter a atenção nem em atividades de que gosta: a criança troca de brinquedo ou de atividade o tempo todo, sem conseguir permanecer concentrada por mais do que alguns segundos ou poucos minutos, mesmo quando a brincadeira é nova e divertida;
    • Agitação muito acima do esperado para a idade: parece estar em movimento o tempo inteiro, não consegue ficar sentada nem durante as refeições, corre, sobe em móveis e se movimenta sem parar, mesmo em momentos que demandam calma;
    • Impulsividade que coloca a segurança em risco: age sem pensar nas consequências, podendo correr para a rua, pular de lugares altos ou mexer em objetos perigosos. Também pode apresentar comportamentos agressivos frequentes, como morder, empurrar ou bater sem um motivo claro;
    • Grande dificuldade para seguir a rotina: tarefas simples, como guardar os brinquedos, tomar banho, comer ou ir dormir, geram resistência intensa todos os dias, tornando qualquer mudança de atividade muito difícil e desgastante para a criança e para a família.

    “Se a criança apresenta um nível de agitação muito acima do esperado para a idade, ou uma dificuldade extrema de se concentrar dentro do esperado para a idade, não conseguindo permanecer sentada por mais do que 3 segundos, já é possível acompanhar de perto”, destaca Bárbara.

    Como funciona a investigação do TDAH na infância?

    O diagnóstico do TDAH em crianças pequenas é um processo clínico e multidisciplinar, feito por médicos, psicólogos e, quando necessário, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e outros profissionais da saúde.

    Como não existem exames de laboratório capazes de identificar a condição, a avaliação é baseada na observação detalhada do comportamento da criança, no histórico de desenvolvimento, nos relatos da família e da escola, além da exclusão de outras condições que podem provocar sintomas semelhantes, como ansiedade e transtornos do sono.

    Além disso, os sintomas precisam estar presentes em diferentes ambientes, como em casa e na escola, persistir por um período prolongado e causar prejuízos reais na aprendizagem, na socialização ou na rotina da criança. Só depois de uma investigação cuidadosa é que a equipe pode confirmar ou descartar o diagnóstico de TDAH.

    Por que começar o acompanhamento médico mesmo sem um diagnóstico fechado?

    Mesmo quando ainda não é possível confirmar o TDAH, o acompanhamento médico consegue monitorar o desenvolvimento da criança ao longo do tempo e identificar precocemente qualquer alteração que precise de atenção.

    Quanto mais cedo os profissionais acompanham a evolução dos sintomas, mais fácil é diferenciar o que faz parte do desenvolvimento normal do que realmente indica um transtorno.

    Durante o período, a família também recebe orientações sobre estratégias para lidar com os comportamentos da criança, melhorar a rotina, estabelecer limites e estimular o desenvolvimento de habilidades importantes, como atenção, linguagem e autorregulação.

    Se os sintomas diminuírem com o amadurecimento, provavelmente faziam parte de uma fase do desenvolvimento. Caso eles persistam ou fiquem mais intensos, a criança já estará sendo acompanhada e pode iniciar o tratamento adequado.

    Leia mais: Distúrbio de atenção por telas ou TDAH: como é possível diferenciar?

    Perguntas frequentes

    1. O que causa o TDAH na infância?

    É um transtorno neurobiológico de forte base genética. Alterações na regulação de neurotransmissores (como a dopamina) e fatores ambientais na gestação também podem influenciar.

    2. Existe exame de sangue ou de imagem para detectar o TDAH?

    Não. O diagnóstico é 100% clínico, baseado na observação do comportamento da criança em diferentes ambientes e no relato de pais e professores.

    3. Qual é a diferença entre birra normal e sintoma de TDAH?

    A birra comum cede após o acolhimento ou distração. No TDAH, a impulsividade e a desregulação emocional são extremas, frequentes e muito difíceis de conter.

    4. Crianças com TDAH demoram mais para falar?

    Não necessariamente, mas atrasos na fala podem coexistir com o TDAH. A dificuldade de comunicação também pode gerar uma agitação parecida com o transtorno.

    5. Qual a diferença entre TDAH e autismo (TEA)?

    No TDAH, o foco principal é a desatenção e a hiperatividade. No autismo, o foco está em dificuldades de comunicação social, interesses restritos e comportamentos repetitivos. Uma criança pode ter ambos.

    6. O TDAH tem cura?

    Não tem cura, pois é uma condição neurobiológica que acompanha a pessoa ao longo da vida. No entanto, com o tratamento adequado, a criança aprende a controlar os sintomas e tem uma vida normal.

    Confira: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

  • 8 sinais de que o trabalho está fazendo mal para a sua saúde

    8 sinais de que o trabalho está fazendo mal para a sua saúde

    Independentemente do tipo de trabalho, é normal vivenciar algum nível de cobrança, pressão e estresse no dia a dia, já que todos precisam lidar com responsabilidades, prazos, metas e desafios profissionais. Só que o desgaste não deve ser permanente nem continuar mesmo após os momentos de descanso, como depois do fim de semana, do feriado ou das férias.

    Quando o estresse do trabalho se torna crônico e ultrapassa os limites do ambiente profissional, invadindo os momentos de lazer, o convívio familiar e até o sono, ele deixa de ser uma resposta natural às demandas e passa a representar um importante sinal de alerta para a saúde física e mental.

    “Nem sempre o problema é falta de resiliência no trabalho. Às vezes, o ambiente realmente está adoecendo a pessoa”, complementa o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a síndrome de Burnout é uma condição relacionada ao estresse crônico no trabalho que não foi administrado de forma adequada.

    Além do Burnout, ambientes profissionais marcados por excesso de cobranças, metas inalcançáveis, conflitos constantes, assédio moral, jornadas prolongadas e falta de reconhecimento também aumentam o risco de desenvolver ansiedade, depressão e outras doenças relacionadas ao estresse.

    Como saber se o ambiente de trabalho está me deixando doente?

    1. Ansiedade extrema aos domingos

    Se a simples chegada do domingo à noite ou a perspectiva de que a segunda-feira está se aproximando causa aperto no peito, taquicardia ou uma angústia profunda, é importante ficar atento.

    O quadro, conhecido popularmente como Sunday Scaries, pode indicar que o cérebro passou a associar o ambiente de trabalho a uma ameaça, e não a um local saudável de produtividade.

    2. Exaustão que o descanso não cura

    Se mesmo após um fim de semana de descanso ou um período de férias, você continuar acordando sem energia e com a sensação de que a bateria está sempre no fim, o ambiente de trabalho pode estar consumindo as suas reservas físicas e emocionais.

    3. Dores físicas sem uma causa aparente

    Quando a sobrecarga emocional se mantém por muito tempo, podem surgir sintomas físicos mesmo sem uma doença que explique os sinais, como:

    • Dores de cabeça ou crises frequentes de enxaqueca;
    • Tensão muscular nos ombros, no pescoço e nas costas;
    • Gastrite, refluxo, dor de estômago ou alterações no intestino;
    • Resfriados e infecções frequentes devido à queda da imunidade.

    Os sintomas acontecem porque o organismo permanece em estado de alerta por longos períodos, liberando hormônios como o cortisol e a adrenalina de forma contínua.

    Aos poucos, o desequilíbrio sobrecarrega diversos sistemas do corpo, favorecendo inflamações, aumentando a tensão muscular, prejudicando a digestão e enfraquecendo o sistema imunológico.

    4. Mudanças no sono e no apetite

    A dificuldade para dormir, acordar várias vezes durante a madrugada ou passar a noite pensando em problemas do trabalho podem indicar que o estresse está ultrapassando a jornada de trabalho e interferindo no funcionamento normal do organismo.

    Com o tempo, a falta de um sono reparador aumenta o cansaço, reduz a concentração, prejudica a memória e dificulta o controle das emoções.

    5. Dificuldade para se concentrar e vontade de adiar tudo

    Se tarefas simples passaram a exigir muito esforço, você demora para responder mensagens, esquece compromissos ou sente dificuldade para manter o foco, pode ser consequência do esgotamento mental e não apenas falta de organização.

    6. Irritabilidade constante

    Quando o estresse do trabalho já está afetando o controle das emoções e os relacionamentos, você costuma perder a paciência com facilidade, responder de forma mais ríspida, se irritar por motivos pequenos ou levar a tensão do escritório para dentro de casa.

    Os familiares, amigos e até colegas de trabalho podem perceber mudanças no seu comportamento antes mesmo de você notar que está emocionalmente sobrecarregado.

    7. Falta de interesse pelo trabalho

    Quando tudo passa a parecer sem importância e você deixa de se importar com os resultados ou perde o entusiasmo por atividades que antes gostava de fazer, pode estar surgindo um dos principais sinais da síndrome de Burnout: o distanciamento emocional.

    8. Vontade de se isolar

    A necessidade de evitar o contato com as pessoas também pode indicar que o ambiente de trabalho está causando sofrimento emocional. Você passa a evitar conversas com os colegas, deixa de participar de almoços e confraternizações, mantém a câmera desligada em reuniões sem necessidade ou reduz ao máximo qualquer interação com a equipe.

    Em muitos casos, o isolamento acontece porque o cérebro tenta se proteger de um ambiente que passou a ser associado ao estresse e ao desgaste constante.

    Como saber se é síndrome de Burnout?

    A síndrome de Burnout é um estado de esgotamento físico e emocional causado pelo estresse crônico no trabalho. Diferentemente de um período de cansaço comum, os sintomas persistem por semanas ou meses e continuam mesmo depois do descanso, afetando o desempenho profissional, a saúde e a vida pessoal.

    O diagnóstico deve ser feito por um psicólogo ou psiquiatra, que avaliará o histórico do paciente, os sintomas e o impacto deles na rotina. Como o Burnout pode apresentar sinais semelhantes aos da ansiedade e da depressão, a avaliação profissional é necessária para identificar a causa do problema e indicar o tratamento mais adequado.

    Quando procurar ajuda psicológica?

    Vale a pena buscar acompanhamento psicológico quando você perceber:

    • Tristeza, ansiedade, medo ou irritabilidade intensos e frequentes;
    • Queda no rendimento no trabalho ou nos estudos;
    • Dificuldade para se concentrar e realizar tarefas simples;
    • Isolamento de amigos e familiares;
    • Conflitos frequentes nos relacionamentos;
    • Insônia, cansaço constante ou fadiga que não melhora com o descanso;
    • Dores de cabeça, dores no estômago ou mudanças no apetite sem causa médica;
    • Dificuldade para lidar com perdas, mudanças ou momentos difíceis da vida;
    • Aumento do consumo de álcool, automedicação, compras compulsivas ou outros comportamentos de risco;
    • Perda de interesse por atividades que antes davam prazer;
    • Vontade de se conhecer melhor, fortalecer a autoestima e aprender a estabelecer limites.

    A terapia também pode ser indicada para quem deseja desenvolver o autoconhecimento, fortalecer a autoestima, aprender a impor limites, melhorar os relacionamentos e encontrar formas mais saudáveis de lidar com as emoções.

    Veja também: Muito estressado? Veja o que o estresse prolongado faz com o corpo?

    Perguntas frequentes

    1. Como a postura no trabalho afeta a saúde a longo prazo?

    Ficar várias horas sentado ou em pé, sem uma postura adequada, pode causar dores nas costas, no pescoço e nos ombros, além de aumentar o risco de lesões por esforço repetitivo (LER/DORT), problemas na coluna, má circulação e varizes.

    2. O que é a síndrome do “presenteísmo”?

    É quando o funcionário continua indo ao trabalho, mas não consegue render como antes porque está com problemas de saúde física ou mental, muitas vezes provocados pelo próprio ambiente de trabalho.

    3. Como o trabalho em turnos ou noturno afeta o relógio biológico?

    Trabalhar à noite ou em turnos altera o relógio biológico do corpo e prejudica a produção de melatonina, o hormônio do sono. Com o tempo, isso pode causar insônia, cansaço constante e aumentar o risco de doenças cardiovasculares.

    4. O plano de saúde corporativo cobre tratamentos de saúde mental?

    Sim, os planos de saúde devem cobrir consultas com psiquiatras e sessões de psicoterapia quando previstas no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Além disso, algumas empresas também oferecem programas de apoio psicológico e telemedicina.

    5. O estresse no trabalho pode causar queda de cabelo?

    Sim, o estresse prolongado pode provocar o eflúvio telógeno, uma condição que aumenta a queda de cabelo. Em algumas pessoas, também pode favorecer o surgimento da alopecia areata.

    6. O que é a “síndrome do impostor” desenvolvida no trabalho?

    É a sensação constante de não ser bom o suficiente, mesmo tendo bons resultados. A pessoa acredita que as próprias conquistas aconteceram por sorte e vive com medo de ser considerada uma fraude, situação que pode ser agravada em ambientes muito competitivos ou com pouca valorização profissional.

    Leia mais: Burnout pode causar infarto? Veja como o desgaste emocional afeta o coração

  • Síndrome do Impostor: eu sou uma fraude ou é apenas ansiedade? 

    Síndrome do Impostor: eu sou uma fraude ou é apenas ansiedade? 

    Você já recebeu um elogio no trabalho, foi aprovado em uma seleção ou conquistou uma promoção e, mesmo assim, teve a sensação de que não merecia nada daquilo? Em vez de comemorar, algumas pessoas podem acreditar que o sucesso aconteceu por sorte e vivem com medo de que alguém descubra que elas são uma fraude.

    O comportamento, conhecido como síndrome do impostor, pode afetar profissionais, estudantes e até pessoas com anos de experiência na carreira. Como sentimentos parecidos também podem aparecer em quadros de ansiedade ou depressão, o psiquiatra Luiz Dieckmann explica que a síndrome não é classificada como uma doença ou um diagnóstico psiquiátrico formal.

    “Ela é um padrão de pensamento, um comportamento muito comum pelo qual as pessoas passam. São pessoas que são boas, mas que têm medo de falhar, apesar de serem muito melhores do que imaginam. Quando esse medo começa a paralisar, atrapalhar o trabalho e gerar sofrimento intenso, pode ser que ele esteja representando um transtorno de ansiedade”, explica o especialista.

    Afinal, o que é a síndrome do impostor?

    A síndrome da impostora é uma desordem psicológica que afeta especialmente mulheres, marcada por uma dificuldade constante de reconhecer o próprio valor e acreditar nas próprias conquistas.

    Mesmo profissionais qualificados costumam sentir que não merecem o sucesso e vivem com medo de que, em algum momento, as pessoas descubram que ela não é tão inteligente, competente ou preparada quanto aparenta.

    No dia a dia, receber elogios, conquistar uma promoção, terminar uma faculdade ou alcançar um objetivo importante não é suficiente para fazer desaparecer o sentimento de que tudo aconteceu por sorte ou por acaso, e não pelo próprio esforço.

    “A pessoa tem capacidade, estudo e resultados, mas sente que chegou até ali por sorte, enganando os outros ou apenas por causa da ajuda de alguém. O problema é que isso pode acabar gerando ansiedade, autocobrança e, muitas vezes, um medo constante de falhar e do que os outros vão pensar. E isso não faz nada bem para a saúde mental”, destaca Luiz.

    A síndrome não não é considerada uma doença mental ou um transtorno psiquiátrico. Ela não consta no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) nem na Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial da Saúde, mas é estudada como um padrão comportamental que pode desencadear ou agravar quadros como ansiedade e depressão.

    É síndrome do impostor ou apenas ansiedade?

    A síndrome do impostor e a ansiedade costumam aparecer juntas, mas não significam a mesma coisa. A ansiedade faz a pessoa viver preocupada com o futuro, imaginando que alguma coisa pode dar errado e provocando sintomas como coração acelerado, tensão muscular, dificuldade para relaxar e sensação constante de preocupação.

    Por outro lado, a síndrome do impostor faz a pessoa duvidar da própria capacidade. Mesmo quando tudo está dando certo, ela acredita que não merece o reconhecimento recebido e tem medo de que os outros descubram uma suposta falta de competência.

    Em muitos casos, quando a pessoa acredita que não é boa o suficiente, a preocupação em errar ou decepcionar os outros aumenta, o que favorece o surgimento de crises de ansiedade.

    Sinais de que você está enfrentando a síndrome do impostor

    A síndrome do impostor costuma aparecer por meio de pensamentos e comportamentos que diminuem a autoconfiança, como:

    1. Perfeccionismo exagerado

    A pessoa cria metas muito difíceis de alcançar e acredita que qualquer pequeno erro significa um grande fracasso. Mesmo quando entrega um bom trabalho e recebe elogios, continua com a sensação de que poderia ter feito mais ou feito melhor. Em vez de comemorar os resultados, o foco fica apenas nos detalhes que poderiam ser diferentes.

    2. Acreditar que tudo aconteceu por sorte

    Depois de conquistar uma promoção, receber um elogio ou concluir um projeto importante, a pessoa costuma acreditar que tudo aconteceu por sorte, coincidência ou porque outras pessoas ajudaram mais do que ela. O próprio esforço, a dedicação e o conhecimento quase nunca são reconhecidos, como se o sucesso nunca fosse realmente merecido.

    3. Medo constante de ser “descoberto”

    Existe um receio permanente de que colegas, professores, chefes ou familiares percebam uma suposta falta de capacidade. Para tentar evitar a situação, é comum trabalhar ou estudar muito mais do que o necessário, revisar tarefas várias vezes e viver com a sensação de que precisam provar o tempo todo que não são uma fraude.

    4. Comparação com os outros

    Quem enfrenta a síndrome do impostor costuma olhar apenas para as qualidades e conquistas das outras pessoas, enquanto enxerga somente os próprios defeitos e dificuldades. Consequentemente, surge a impressão de estar sempre atrás dos demais, mesmo quando existem bons resultados, elogios e reconhecimento pelo trabalho realizado.

    Como lidar com o sentimento de ser uma fraude?

    Lidar com a síndrome do impostor não acontece de um dia para o outro, mas pequenas mudanças de hábito ajudam a diminuir a autocrítica e a desenvolver mais confiança nas próprias capacidades, como:

    • Anote as suas conquistas: faça uma lista com projetos concluídos, metas alcançadas, elogios recebidos e desafios que você conseguiu superar. Sempre que a dúvida aparecer, releia para se lembrar que os resultados foram conquistados com esforço e dedicação;
    • Aprenda a aceitar elogios: quando alguém reconhecer o seu trabalho, procure apenas agradecer. Evite responder que foi sorte ou diminuir a importância do que você fez;
    • Converse sobre o que está sentindo: compartilhar a insegurança com amigos, familiares ou colegas de confiança ajuda a perceber que muitas pessoas também passam pela mesma situação;
    • Aceite que errar faz parte do aprendizado: ninguém sabe tudo o tempo todo. Cometer erros ou ter dúvidas não significa falta de capacidade, mas faz parte do processo de crescimento e desenvolvimento;

    Com o tempo e a prática, as atitudes ajudam a reduzir as cobranças internas e permitem que você reconheça as próprias conquistas de uma forma mais realista.

    Quando procurar ajuda de um psicólogo?

    Vale procurar ajuda psicológica quando o medo de falhar ou de não ser bom o suficiente provoca sofrimento, aumenta a ansiedade, prejudica o sono, afeta a autoestima ou interfere no trabalho, nos estudos e nos relacionamentos.

    É normal sentir insegurança ao começar um novo emprego ou enfrentar um desafio diferente, mas o sentimento não pode fazer parte da rotina e impedir a pessoa de aproveitar oportunidades ou reconhecer as próprias conquistas.

    A psicoterapia, principalmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), ajuda a identificar os pensamentos negativos que alimentam a síndrome do impostor e ensina formas mais equilibradas de enxergar as próprias capacidades, permitindo que a pessoa desenvolva mais confiança e segurança ao longo do tempo.

    Leia mais: Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Perguntas frequentes

    1. A síndrome do impostor tem cura?

    Como não é uma doença, não existe uma cura. Com psicoterapia e mudanças na forma de pensar, é possível reduzir a autocrítica e superar o sentimento ao longo do tempo.

    2. Como diferenciar a síndrome do impostor de uma incompetência real?

    Quem tem a síndrome do impostor costuma apresentar bons resultados, receber elogios e cumprir suas responsabilidades, mas ainda assim acredita que não é capaz. A sensação de incompetência não corresponde à realidade.

    3. Homens também têm a síndrome do impostor?

    Sim, homens e mulheres podem desenvolver a síndrome do impostor. A diferença é que muitos homens costumam falar menos sobre o assunto e demoram mais para buscar ajuda.

    4. A síndrome do impostor pode causar depressão?

    Sim. A autocobrança excessiva, o medo constante de falhar e o esgotamento mental gerados pelo fenômeno podem, com o tempo, desencadear episódios de depressão e transtornos de ansiedade mais graves.

    5. Como as redes sociais influenciam esse problema?

    As redes sociais pioram o sentimento de impostor porque estimulam a comparação constante. O usuário tende a comparar a sua rotina real, cheia de falhas e cansaço, com os recortes perfeitos e de sucesso absoluto postados pelos outros.

    6. O que é autossabotagem e como ela se relaciona com a síndrome?

    A autossabotagem acontece quando a própria pessoa adota comportamentos que prejudicam os seus resultados, como procrastinar, evitar desafios ou desistir de oportunidades por acreditar que não será capaz.

    7. O que fazer na hora em que o pensamento de “sou uma fraude” surgir?

    Pare por alguns minutos e pergunte a si mesmo quais são as provas reais de que esse pensamento é verdadeiro. Na maioria das vezes, a resposta estará baseada no medo e na insegurança, e não nos fatos ou nas suas conquistas.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo