Categoria: Saúde Mental

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  • Distúrbio de atenção por telas ou TDAH: como é possível diferenciar? 

    Distúrbio de atenção por telas ou TDAH: como é possível diferenciar? 

    Em idades cada vez menores, as crianças e os adolescentes são expostos a uma grande quantidade de estímulos visuais e sonoros promovidos pelos celulares, tablets e televisões, as vezes durante várias horas por dia.

    Com o aumento da distração e da perda de interesse por atividades que precisam de mais concentração, os pais e os professores podem se perguntar se o comportamento indica um quadro de TDAH. Afinal, como diferenciar um transtorno do neurodesenvolvimento de um problema provocado pelo uso excessivo de telas?

    O transtorno de déficit de atenção é uma condição que afeta o funcionamento do cérebro e interfere na capacidade de manter o foco, controlar os impulsos e regular o nível de atividade. Ela costuma surgir ainda na infância, mas nem toda dificuldade de concentração ou comportamento agitado significa que a criança tenha o transtorno.

    No dia a dia, o consumo em excesso de vídeos curtos, cortes rápidos e jogos hiperestimulantes pode fazer com que o cérebro se acostume a receber estímulos intensos o tempo todo, funcionando de maneira acelerada, provocando sintomas que podem ser confundidos aos do TDAH, mas são resultado de um hábito digital inadequado.

    O que é o distúrbio de atenção causado por telas?

    O distúrbio de atenção causado pelas telas é uma condição comportamental que acontece quando o cérebro passa longos períodos exposto a estímulos intensos, rápidos e constantes, como vídeos curtos, jogos eletrônicos e conteúdos com mudanças frequentes de imagens e sons.

    Com o passar do tempo, a neuropediatra Bárbara Macedo explica que o cérebro se acostuma com o nível de estímulo e começa a preferir atividades que oferecem dopamina instantânea e sem esforço, como o deslizar de dedos em redes sociais de vídeos curtos, por exemplo. Fica muito mais difícil manter o foco em atividades que precisam de concentração prolongada, como estudar, ler, escrever ou até mesmo brincar de forma mais tranquila.

    O resultado é uma criança desatenta, inquieta, impaciente e que tende a perder rapidamente o interesse por tarefas consideradas menos estimulantes. Apesar da semelhança com os sintomas do TDAH, a origem do problema está relacionada principalmente aos hábitos digitais e ao excesso de exposição às telas.

    Segundo um levantamento do Datafolha com a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, 78% das crianças de 0 a 3 anos são expostas diariamente às telas, contrariando as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que orientam evitar completamente o uso de telas por crianças menores de 2 anos, com exceção das videochamadas com familiares.

    Principais diferenças entre distúrbio por telas e TDAH

    Apesar da desatenção, a impaciência e a agitação estarem presentes nas duas situações, a origem e as características de cada uma são completamente diferentes. O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, ou TDAH, é um transtorno do neurodesenvolvimento com base genética e biológica.

    Em outras palavras, a criança nasce com a condição, que está relacionada a alterações no funcionamento de áreas do cérebro responsáveis pela atenção, pelo controle dos impulsos e pela regulação da atividade. Os sintomas costumam acompanhar a pessoa em diferentes fases da vida e aparecem em vários ambientes, como a casa, a escola e os momentos de lazer, independentemente da presença das telas.

    Já o distúrbio de atenção causado pelo uso excessivo das telas é uma alteração comportamental adquirida ao longo do tempo, diretamente relacionada aos hábitos e ao ambiente.

    A condição surge após a exposição frequente a vídeos curtos, jogos eletrônicos e outros conteúdos altamente estimulantes, segundo Bárbara, que fazem o cérebro se acostumar a buscar recompensas rápidas e constantes.

    Por que crianças com TDAH são mais atraídas pelos celulares?

    O cérebro de uma criança com TDAH apresenta alterações no funcionamento de áreas responsáveis pela atenção, pelo planejamento, pelo controle dos impulsos e pela motivação, que influenciam a ação da dopamina, neurotransmissor ligado às sensações de prazer, recompensa e motivação.

    Por isso, a criança costuma ter mais dificuldade para manter o interesse em atividades que demandam esforço e cuja recompensa demora para chegar. Isso torna os celulares, videogames e as redes sociais extremamente atraentes, porque oferecem recompensas quase imediatas, com curtidas, fases dos jogos, mudanças rápidas de imagens, sons e vídeos curtos.

    Como explica Bárbara, quando o TDAH não está sendo tratado adequadamente, seja por meio de acompanhamento profissional, terapias ou, em alguns casos, medicamentos, o cérebro tende a procurar formas mais fáceis de obter a estimulação de que precisa.

    Como os dispositivos digitais fornecem recompensas imediatas, a criança pode desenvolver uma preferência cada vez maior pelas telas e perder o interesse por outras atividades do dia a dia, como ler e escrever, por exemplo.

    Sinais de alerta: como saber se a tela está prejudicando seu filho?

    Quando a tecnologia começa a afetar negativamente o neurodesenvolvimento e a saúde mental dos mais jovens, Bárbara aponta que eles podem apresentar:

    • Irritabilidade intensa ao desligar as telas: a criança apresenta crises de choro, explosões de raiva ou comportamentos agressivos quando o celular, o tablet ou a televisão são desligados;
    • Tentativas frequentes de negociar mais tempo: a criança ou o adolescente insiste em conseguir mais alguns minutos de tela, faz promessas como “amanhã eu não uso” ou “depois eu compenso” e demonstra dificuldade para aceitar os limites estabelecidos;
    • Uso escondido dos aparelhos: levar o celular ou o tablet escondido para a escola, usar os dispositivos durante a madrugada ou desrespeitar as regras da família para continuar conectado também pode indicar um problema;
    • Perda de interesse por outras atividades: brincadeiras, esportes, leitura, desenhos e momentos com a família passam a parecer sem graça quando comparados às telas. A criança perde o interesse por atividades que antes faziam parte da rotina;
    • Isolamento social: o adolescente prefere passar o tempo livre nas redes sociais ou em jogos online em vez de conversar, brincar ou conviver pessoalmente com amigos e familiares;
    • Alterações no sono: dormir cada vez mais tarde, demorar para pegar no sono ou acordar cansado pode ser consequência do uso das telas, principalmente quando os aparelhos são utilizados pouco antes de dormir;
    • Alimentação sempre acompanhada por telas: a criança só aceita comer assistindo a vídeos ou desenhos e deixa de prestar atenção na própria refeição. Com o tempo, ela pode comer mais do que precisa, sem perceber os sinais de fome e saciedade.

    Nas crianças pequenas, o excesso de telas pode reduzir as interações com os adultos. A falta de contato visual, a dificuldade para imitar gestos e sons e a demora para falar as primeiras palavras merecem atenção, já que o desenvolvimento da linguagem depende da convivência e da comunicação com outras pessoas.

    Como fazer o detox digital antes de buscar um diagnóstico?

    O detox digital, que consiste em desconectar temporariamente de celulares, videogames e computadores, ajuda a diminuir o excesso de estímulos e permite avaliar com mais clareza o funcionamento do cérebro e a verdadeira origem dos sintomas. Segundo Bárbara, a transição deve ser feita de maneira gradual e estruturada:

    1. Crie uma rotina previsível

    Se você desligar a tela de uma hora para outra, a criança pode ficar irritada e ter crises de choro. O ideal é combinar os horários com antecedência e avisar quando o tempo estiver acabando, para ajudá-la a se preparar para a mudança.

    2. Troque a tela por outras atividades

    Além de tirar o celular ou o tablet, a criança precisa encontrar outras formas de brincar e se divertir. Você pode investir em atividades que estimulam o corpo e os sentidos, como:

    • Pintura com tintas ou lápis de cor;
    • Massinha de modelar;
    • Blocos de montar;
    • Brincadeiras ao ar livre, como correr, andar de bicicleta ou brincar na grama.

    Com o passar dos dias, muitas crianças voltam a se interessar por brincadeiras que haviam sido deixadas de lado por causa do excesso de tempo em frente às telas.

    3. Leve opções para os passeios

    Os restaurantes, consultas e salas de espera costumam ser momentos em que o celular vira a solução mais fácil para entreter a criança. Para evitar isso, leve uma bolsa com livros de histórias, cadernos para desenhar, revistas de atividades, lápis de cor e cartelas de adesivos.

    4. Evite telas nas refeições e antes de dormir

    Segundo Bárbara, as refeições devem acontecer sem celulares, tablets ou televisão ligados. Comer prestando atenção na comida ajuda a criança a reconhecer os sinais de fome e saciedade e favorece a convivência com a família.

    Também é importante desligar os aparelhos entre uma e duas horas antes de dormir. A luz emitida pelas telas reduz a produção de melatonina, hormônio que prepara o organismo para o sono, dificultando o descanso.

    5. Dê o exemplo

    As crianças aprendem principalmente pelo exemplo. Quando pais e cuidadores passam boa parte do tempo no celular, fica mais difícil mostrar que existem outras formas de brincar, se divertir e passar o tempo.

    O recomendado é reservar momentos em que toda a família deixa os aparelhos de lado para conversar, brincar ou fazer as refeições juntos, o que ajuda a hábitos mais saudáveis e fortalece os vínculos entre todos.

    Quando ir ao pediatra?

    Se a criança apresentar os seguintes sintomas, vale agendar uma consulta com o pediatra:

    • Alterações no desenvolvimento ou no comportamento: dificuldade importante para se concentrar, agitação acima do esperado para a idade, atraso para começar a falar, andar ou interagir com outras crianças;
    • Sinais relacionados ao uso das telas: irritabilidade intensa quando os aparelhos são desligados, isolamento social ou crises frequentes de choro;
    • Sintomas físicos persistentes: tosse leve por mais de uma semana, coceira na pele, falta de apetite por vários dias ou dores recorrentes, como dor de cabeça ou dor na barriga;
    • Mudanças no sono ou no intestino: dificuldade para dormir, pesadelos frequentes, prisão de ventre ou diarreia leve que persiste por mais de três dias.

    Na consulta, o pediatra avaliará o histórico da criança, o tempo de duração dos sintomas e o impacto que eles estão causando na rotina. Também poderá investigar se as dificuldades estão relacionadas ao excesso de telas, a algum transtorno do neurodesenvolvimento ou a outro problema de saúde.

    Leia mais: Desenvolvimento infantil: como a percepção dos pais ajuda no diagnóstico precoce?

    Perguntas frequentes

    1. Como o excesso de telas prejudica o sono infantil?

    A luz azul emitida pelos aparelhos inibe a produção de melatonina (o hormônio do sono). Como resultado, a criança demora mais para dormir e tem um sono mais agitado e superficial.

    2. O uso de telas pode atrasar a fala do bebê?

    Sim, a fala é desenvolvida pela imitação e pela troca de afetos humana. A tela é um estímulo passivo onde o bebê apenas assiste, o que prejudica a aquisição da linguagem e do vocabulário.

    3. Por que as crianças têm crises de raiva quando os pais desligam o celular?

    Porque as telas atuais são hiperestimulantes (cortes rápidos e luzes). Ao desligá-las abruptamente, o cérebro sofre uma queda brusca de dopamina, gerando frustração e incapacidade de autorregulação.

    4. O videogame online substitui a socialização real dos adolescentes?

    Não. Nos jogos online atuais, os jovens jogam isolados em seus quartos, e isso não substitui a troca de olhares, o afeto e o aprendizado social que acontecem em interações presenciais.

    5. O que é considerado “tela” para as crianças?

    Qualquer dispositivo que emita luz azul e ofereça estímulos visuais ou sonoros, como smartphones, tablets, televisões, notebooks, videogames e até aparelhos usados para tarefas escolares digitais.

    6. Qual é o tempo de tela recomendado para bebês de até 2 anos?

    O recomendado é zero telas. A única exceção aberta pelos órgãos de saúde são as videochamadas de curta duração para falar com parentes distantes, pois envolvem interação social.

    Confira: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

  • O que é ansiedade e por que ela está aumentando

    O que é ansiedade e por que ela está aumentando

    Sentir ansiedade de vez em quando é normal, afinal, aquele frio na barriga antes de uma apresentação importante ou a preocupação com um problema do dia a dia fazem parte da vida. Mas quando esse sentimento vira uma constante, começa a atrapalhar o sono, a rotina e até a saúde, é hora de entender se tem alguma coisa errada e se pode ser algum transtorno de ansiedade.

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos de ansiedade afetam mais de 300 milhões de pessoas no mundo. E os números não param de crescer.

    O que é ansiedade, afinal?

    A ansiedade é uma reação natural do corpo a situações de estresse, incerteza ou perigo. Ela prepara o organismo para enfrentar ou fugir de uma ameaça, como é chamado o modo “luta ou fuga”. Isso envolve alterações no corpo, como aceleração dos batimentos do coração, respiração rápida, tensão nos músculos e aumento da atenção.

    Quando essa resposta acontece com frequência, de forma intensa e sem um motivo claro, ela deixa de ser útil e passa a ser ruim. Aí, estamos falando de um transtorno de ansiedade.

    “A ansiedade patológica é um estado de alerta que não desliga, dura ao menos duas semanas, atrapalha trabalho, estudos e relações, e costuma vir com sintomas como falta de ar, palpitações, tensão muscular”, explica o psiquiatra Luiz Dieckmann. “Já a ansiedade normal some quando o problema real passa”, conta.

    Tipos de transtornos de ansiedade

    Existem vários tipos de transtornos de ansiedade reconhecidos pela medicina. Cada um tem características próprias, mas todos têm em comum o medo ou a preocupação excessiva, que interferem na qualidade de vida da pessoa. Conheça os mais comuns.

    Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)

    O transtorno de ansiedade generalizada é caracterizado por uma preocupação constante e desproporcional com várias situações do cotidiano, mesmo quando não existe um motivo concreto para isso. A pessoa vive em estado de alerta, esperando que algo ruim aconteça.

    Síndrome do pânico

    Esse transtorno envolve crises súbitas e intensas de medo, chamadas também de ataques de pânico. Os sintomas costumam ser falta de ar, dor no peito, sensação de desmaio e medo de morrer. Muitas vezes, quem sofre de síndrome do pânico evita lugares ou situações por medo de ter uma nova crise.

    Fobias específicas

    Fobias são medos intensos e irracionais de objetos, animais ou situações. Pode ser medo de altura, de avião, de injeção ou de lugares fechados, mas sem uma real ameaça. Quando esse medo é tão forte que impede a pessoa de levar uma vida normal, ele é considerado um transtorno de ansiedade.

    As fobias mais comuns são:

    • Altura (acrofobia);
    • Voar;
    • Dirigir;
    • Injeções;
    • Lugares fechados;
    • Cães;
    • Aranhas.

    “Elas aparecem pela combinação de herança genética e experiências ruins. Viram transtorno de ansiedade quando a pessoa evita situações essenciais, por exemplo deixar de trabalhar por medo de elevador”, detalha o psiquiatra.

    Porém, em alguns casos, a pessoa pode ter apenas uma fobia e não ser considerada ansiosa. “Existe fobia específica isolada. Quem só teme avião, mas vive bem fora desse contexto, não recebe diagnóstico de transtorno de ansiedade generalizada”, conta Dieckmann.

    Por que a ansiedade está aumentando no mundo

    Não é apenas impressão, a ansiedade está mesmo em alta. Análises da OMS e da Associação Americana de Psiquiatria mostram que os transtornos ansiosos aumentaram nas últimas décadas, e há vários motivos para isso.

    Fatores sociais e tecnológicos

    Hoje, a maioria das pessoas vive conectada o tempo todo, bombardeada por informações, notícias ruins e cobranças de produtividade. As redes sociais também são ruins para a saúde mental: a comparação constante com a vida alheia pode alimentar sentimentos de inadequação e estresse.

    “Conexão constante a telas, pressão por responder mensagens fora do expediente, sono curto e poucas atividades de lazer de verdade somam forças para o crescimento da ansiedade”, explica o médico.

    Impacto da pandemia

    Quando a covid-19 virou o mundo de cabeça para baixo, além do medo do vírus, milhões de pessoas enfrentaram luto, desemprego, isolamento social e incertezas. Isso foi uma combinação perfeita para desencadear ou piorar quadros de ansiedade.

    Segundo dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), ligada à OMS, os atendimentos por transtornos mentais cresceram bastante durante e depois da pandemia.

    Pressões da vida moderna

    A pressão por sucesso, a sobrecarga de trabalho, a falta de tempo para lazer e descanso e o ritmo acelerado da vida moderna também são responsáveis pelo aumento da ansiedade. Em muitos casos, as pessoas não têm tempo nem para perceber que estão esgotadas.

    Sintomas físicos e psicológicos da ansiedade

    A ansiedade pode se manifestar de várias formas, e nem sempre de maneira óbvia. Veja alguns dos sintomas mais comuns:

    Sintomas físicos da ansiedade

    • Coração acelerado;
    • Falta de ar;
    • Suor em excesso;
    • Tensão nos músculos;
    • Dor no peito ou no estômago;
    • Boca seca;
    • Tontura ou sensação de desmaio;
    • Problemas para dormir.

    Sintomas emocionais e comportamentais da ansiedade

    • Medo constante de que algo ruim aconteça;
    • Irritação;
    • Pensamentos acelerados;
    • Dificuldade de concentração;
    • Sensação de que vai “perder o controle”;
    • Fuga de situações sociais ou mais difíceis.

    “Muitos sentem o pacote completo (preocupação, insônia, tensão), mas outros mostram só queixas físicas, como dor de estômago crônica sem motivo clínico detectável”, explica Dieckmann.

    Crise de ansiedade: o que é e o que fazer

    Uma crise de ansiedade pode surgir de repente, mesmo sem um motivo claro. O coração dispara, a respiração fica curta, pode faltar o ar, as mãos suam, e a sensação é de que algo muito ruim está para acontecer. Muita gente confunde esse momento com um infarto, de tão intensa que a reação do corpo pode ser.

    Essa é uma resposta exagerada do organismo a uma situação de estresse, medo ou preocupação. É como se o cérebro apertasse um alarme de emergência, mesmo quando não há um perigo real.

    “Taquicardia, dor no peito e sudorese podem, de fato, imitar infarto. Como o leigo não diferencia, a regra é procurar pronto-socorro se a dor for forte ou se houver histórico cardíaco”, aconselha o psiquiatra.

    O bom é que existem formas de controlar uma crise de ansiedade. Aprender a respirar profundamente, focar no momento presente e repetir frases de tranquilização mentalmente, como “isso vai passar” e “estou seguro”, podem ajudar durante a crise. Técnicas de respiração lenta e consciente costumam ser muito eficazes.

    Quando buscar ajuda médica

    Sentir ansiedade de vez em quando é normal. Mas se ela interfere nas suas atividades, relações ou qualidade de vida, é bem importante procurar ajuda. O tratamento para ansiedade pode envolver psicoterapia, remédios, mudanças no estilo de vida ou uma combinação dessas abordagens.

    Alguns sinais de alerta para procurar um médico são:

    • Ansiedade frequente sem motivo claro;
    • Crises intensas com sintomas físicos;
    • Dificuldade para dormir por causa da preocupação;
    • Evitar compromissos por medo ou vergonha;
    • Sentimento de que não consegue controlar o que sente;
    • Ter crises de ansiedade frequentes.

    “Se os sintomas durarem mais de duas semanas ou limitarem vida social, vale marcar consulta. Clínico geral e psicólogo podem ser a porta de entrada, mas o psiquiatra faz diagnóstico preciso e decide se há necessidade de remédio”, explica o psiquiatra.

    Confira: 9 sinais de que você está prestes a ter uma crise de ansiedade

    Perguntas frequentes sobre ansiedade

    1. Ansiedade tem cura?

    A ansiedade pode ser controlada com tratamento certo. Em muitos casos, os sintomas desaparecem por completo com acompanhamento médico e psicoterapia.

    2. Crianças e adolescentes também podem ter transtornos de ansiedade

    Sim, a ansiedade pode aparecer em qualquer idade. Em crianças, pode aparecer como medo constante, muita timidez ou recusa de frequentar a escola.

    3. Atividade física ajuda na ansiedade?

    Sim. Os exercícios físicos liberam substâncias que melhoram o humor, como a serotonina, e ajudam a diminuir o estresse e a tensão muscular.

    4. Medicamentos são sempre necessários?

    Não. Muitas pessoas conseguem ficar bem apenas fazendo psicoterapia. Em casos mais intensos, o uso de remédios pode ser indicado por um psiquiatra.

    5. Dormir mal pode piorar a ansiedade?

    Sim. Dormir pouco ou mal aumenta a irritação e diminui a capacidade do cérebro de lidar com o estresse.

    Veja mais: Tremor nas mãos: quando é apenas ansiedade e quando merece investigação?

  • Metas absurdas no trabalho? Como o excesso de cobrança afeta a saúde mental 

    Metas absurdas no trabalho? Como o excesso de cobrança afeta a saúde mental 

    Seja no trabalho, nos estudos ou na vida pessoal, é natural criar objetivos para guiar os próximos passos e continuar evoluindo. As metas nos ajudam a dar um rumo mais claro para as ações do dia a dia e aumentam a motivação, mas elas precisam ser realistas e compatíveis com a realidade de cada pessoa.

    Quando você estabelece metas muito difíceis ou até impossíveis de alcançar, a tendência é entrar em um ciclo de frustração e cobrança. Por mais que exista esforço e dedicação, nem sempre é possível cumprir as expectativas que estão além do que cabe na rotina, no tempo disponível ou nas circunstâncias do momento.

    Aos poucos, isso pode desencadear sentimentos constantes de insatisfação, ansiedade e esgotamento, já que a sensação de estar sempre ficando para trás ou de nunca fazer o suficiente acaba se tornando parte da rotina.

    Como a cobrança excessiva afeta a mente e o corpo?

    A sensação constante de que é preciso produzir mais, alcançar resultados exagerados ou atender a expectativas irreais mantém o organismo em um estado de alerta permanente, como se estivesse em uma situação de perigo.

    A reação ativa a liberação excessiva de hormônios do estresse, como o cortisol e a adrenalina, que, a longo prazo, podem desencadear:

    1. Ansiedade constante e medo de falhar

    Quando as metas parecem impossíveis de alcançar, é comum viver com uma sensação constante de preocupação. O medo de não conseguir cumprir tudo o que foi planejado faz com que a pessoa pense nos piores cenários e sinta que está sempre correndo o risco de decepcionar alguém ou fracassar.

    Com o tempo, a mente fica focada nos problemas e nas possíveis falhas, dificultando o relaxamento até mesmo nos momentos de descanso. A tensão constante pode aumentar os níveis de ansiedade e prejudicar a concentração no dia a dia.

    2. Esgotamento físico e mental (Burnout)

    O esforço frequente para atingir objetivos inalcançáveis pode levar a um desgaste profundo, tanto físico quanto emocional. Na tentativa de dar conta de todas as demandas, é comum ignorar os sinais de cansaço, como:

    • Falta de energia;
    • Desânimo;
    • Dificuldade para se concentrar;
    • Sensação de esgotamento.

    Em casos mais graves, o processo pode contribuir para o desenvolvimento da síndrome de Burnout, uma condition caracterizada pelo esgotamento físico e emocional causado pelo estresse crônico, especialmente quando está relacionado ao trabalho.

    No quadro, você pode sentir um cansaço intenso que não melhora mesmo após períodos de descanso, além de perder a motivação, ter dificuldade para se concentrar e passar a enxergar as atividades do dia a dia com desânimo e falta de envolvimento.

    3. Queda na autoestima e sentimento de incompetência

    Quando os resultados nunca parecem suficientes, fica mais difícil reconhecer as próprias conquistas. Você passa a olhar apenas para aquilo que não conseguiu fazer e esquece todo o esforço, aprendizado e dedicação envolvidos no processo.

    Pouco a pouco, isso pode provocar sentimentos de incapacidade, insegurança e falta de confiança, mesmo quando existem muitas razões para se orgulhar do próprio desempenho.

    4. Distúrbios do sono e alterações no apetite

    Com o excesso de preocupações, diversas pessoas apresentam dificuldade para desligar os pensamentos na hora de dormir, o que favorece a insônia e um sono de pior qualidade.

    Em alguns casos, o estresse também pode causar alterações no apetite: algumas pessoas perdem a vontade de comer, enquanto outras sentem mais vontade de consumir alimentos calóricos e ricos em açúcar como forma de aliviar o desconforto emocional.

    5. Isolamento social e irritabilidade

    Quando alguém está muito sobrecarregado, até as pequenas dificuldades do dia a dia podem parecer maiores do que realmente são, tornando frequente a impaciência, a irritação e as mudanças de humor.

    Ao mesmo tempo, o cansaço e a sensação de estar sempre ocupado podem levar ao afastamento de amigos, familiares e momentos de lazer. Como resultado, você perde oportunidades importantes de descanso, apoio emocional e convivência social, que são necessários para o bem-estar mental.

    Como definir metas realistas para proteger a mente?

    Para que uma meta seja saudável, ela precisa levar em consideração a realidade de cada pessoa, incluindo o tempo disponível, os recursos existentes e os desafios que podem surgir ao longo do caminho. Veja algumas dicas:

    • Divida os grandes objetivos em pequenas etapas: quando uma meta parece muito distante, ela pode gerar ansiedade e fazer a motivação diminuir. Por isso, vale a pena quebrar o objetivo em passos menores e mais fáceis de cumprir. Cada etapa concluída traz uma sensação de conquista e mostra que você está avançando;
    • Estabeleça prazos flexíveis: imprevistos acontecem e nem sempre tudo sai conforme o planejado. Deixar espaço para ajustes no cronograma ajuda a reduzir a pressão e evita frustrações quando algo foge do controle;
    • Defina expectativas compatíveis com a realidade: as metas precisam levar em conta a sua rotina, o tempo disponível e os recursos que você tem no momento. Os objetivos realistas são mais fáceis de alcançar e ajudam a evitar a sobrecarga;
    • Valorize o processo, não apenas o resultado: alcançar um objetivo é importante, mas o aprendizado, o esforço e a dedicação ao longo do caminho também têm valor. Reconhecer os pequenos avanços ajuda a manter a motivação e a desenvolver uma relação mais saudável com as próprias metas.

    Se a autocobrança estiver causando sofrimento, ansiedade ou esgotamento frequente, conversar com um psicólogo pode ser uma boa alternativa.

    O acompanhamento profissional ajuda a desenvolver uma visão mais equilibrada sobre desempenho, limites e expectativas na vida, além de contribuir para uma relação mais saudável com o trabalho e com a vida pessoal.

    Leia mais: Sempre adia tudo? Procrastinação pode estar ligada à ansiedade e depressão

    Perguntas frequentes

    1. Quais são os primeiros sinais de que o trabalho está afetando a saúde mental?

    Os sinais iniciais incluem o cansaço que não passa após o descanso, as alterações no sono e a irritabilidade constante. A perda do prazer nas atividades diárias também indica um esgotamento mental.

    2. Como identificar que a ansiedade profissional virou um problema grave?

    A gravidade da ansiedade se manifesta quando os sintomas físicos começam a surgir antes mesmo de chegar ao trabalho. As palpitações, os tremores, o suor frio e o pavor de abrir o e-mail indicam que o limite saudável foi ultrapassado.

    3. Qual é a relação entre o estresse das metas e a insônia?

    A insônia acontece porque os pensamentos sobre o trabalho continuam acelerados durante a noite. O excesso de cortisol no organismo impede o relaxamento necessário para o início do sono profundo.

    4. O que fazer quando as metas da empresa são abusivas?

    O funcionário deve expor as dificuldades e apresentar dados reais sobre a viabilidade das entregas aos superiores. A busca por um diálogo claro ajuda a reajustar as expectativas de forma saudável.

    5. O que são micro-metas e qual é a sua utilidade?

    As micro-metas são pequenos passos diários ou semanais extraídos de um objective maior. A conclusão de cada etapa gera a sensação de vitória e reduz o peso psicológico do projeto principal.

    6. Como os líderes podem proteger a saúde mental das equipes?

    Os gestores devem definir metas baseadas no histórico real de produtividade do setor. O acolhimento dos feedbacks dos funcionários e o incentivo às pausas também preservam o bem-estar do grupo.

    7. É possível manter a produtividade sem abrir mão do bem-estar?

    O equilíbrio entre o rendimento e a saúde é alcançado por meio de uma rotina com limites claros. A definição de horários para o trabalho e para o descanso melhora a produtividade a longo prazo.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

  • Antidepressivo e perda de libido: como lidar com o efeito colateral?

    Antidepressivo e perda de libido: como lidar com o efeito colateral?

    Quando bem indicados, os antidepressivos são importantes para o tratamento de transtornos como depressão e ansiedade, mas como qualquer medicamento, eles não estão livres de efeitos colaterais.

    Um dos mais comuns é a perda de libido, que costuma se manifestar como dificuldade para sentir excitação, atraso ou ausência do orgasmo e, em alguns casos, dificuldade de ereção ou de lubrificação vaginal.

    Apesar do desconforto no dia a dia, você não deve interromper o uso do medicamento por conta própria. O mais indicado é conversar com o médico responsável pelo tratamento para avaliar a situação e buscar alternativas.

    Como os antidepressivos afetam a função sexual?

    A maioria dos antidepressivos aumenta os níveis de serotonina no cérebro, uma substância que ajuda a regular o humor e promove a sensação de bem-estar. Em algumas pessoas, o aumento pode diminuir a ação da dopamina e da noradrenalina, neurotransmissores importantes para o desejo, a excitação e o prazer sexual.

    Como consequência, podem surgir alterações como:

    1. Redução da libido

    Com a diminuição da atividade da dopamina, o cérebro pode apresentar mais dificuldade para despertar o interesse sexual e a sensação de prazer, o que leva à queda do desejo.

    2. Alteração da resposta física ao estímulo sexual

    O equilíbrio entre os neurotransmissores também influencia a resposta dos órgãos genitais, de modo que algumas mulheres podem apresentar redução da lubrificação vaginal, enquanto alguns homens podem ter mais dificuldade para obter ou manter a ereção.

    3. Dificuldade para atingir o orgasmo

    Os antidepressivos podem tornar mais lenta a comunicação entre os circuitos cerebrais envolvidos na resposta sexual. Por isso, a pessoa pode precisar de mais estímulo e mais tempo para atingir o orgasmo ou, em alguns casos, não conseguir alcançá-lo.

    Principais sintomas de disfunção sexual por antidepressivos

    A disfunção sexual relacionada ao uso de antidepressivos pode causar:

    • Diminuição da libido ou perda do interesse sexual;
    • Menor frequência de pensamentos e fantasias sexuais;
    • Dificuldade para sentir excitação durante o contato íntimo;
    • Redução da sensibilidade nos órgãos genitais;
    • Diminuição da lubrificação vaginal;
    • Dificuldade para obter ou manter a ereção;
    • Atraso para atingir o orgasmo;
    • Incapacidade de alcançar o orgasmo;
    • Orgasmos menos intensos ou menos prazerosos;
    • Sensação de desconexão emocional durante a atividade sexual.

    “Muitas vezes o companheiro ou a companheira podem começar a imaginar coisas que não têm nada a ver: ‘Será que ele ou ela perdeu o desejo por mim?’, ‘Será que ele não se interessa mais?’, ‘Será que está acontecendo alguma coisa de errado com o meu corpo?’. E não é nada disso”, explica o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    Quais antidepressivos causam mais perda de libido?

    Segundo o especialista, diversos antidepressivos podem causar alterações na função sexual, como diminuição da libido e dificuldade para atingir o orgasmo, tanto em homens quanto em mulheres.

    No entanto, os efeitos não ocorrem em todos os pacientes e podem variar de acordo com o medicamento, a dose utilizada e as características individuais de cada pessoa.

    As classes de medicamentos mais frequentemente associadas aos efeitos colaterais são os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS), como fluoxetina, sertralina e escitalopram, e os Antidepressivos Tricíclicos (ADT), como amitriptilina e clomipramina.

    O que fazer para melhorar a libido durante o tratamento?

    Se você está convivendo com a perda de libido durante o tratamento, o primeiro passo é perder a vergonha e contar ao médico na próxima consulta. O psiquiatra pode, dependendo do caso, trocar o medicamento, ajustar a dose ou até associar outro remédio para amenizar o efeito colateral.

    Ao mesmo tempo, também vale a pena adotar hábitos que favorecem a saúde física e emocional, como:

    • Praticar atividade física regularmente: exercícios ajudam a melhorar a circulação sanguínea, aumentam a disposição e estimulam a liberação de substâncias relacionadas ao prazer e ao bem-estar, o que pode favorecer a libido;
    • Manter uma boa rotina de sono: dormir entre sete e nove horas por noite contribui para o equilíbrio hormonal, reduz o cansaço e melhora a energia física e mental necessária para o interesse sexual;
    • Controlar os níveis de estresse: técnicas de relaxamento, momentos de lazer e atividades prazerosas ajudam a diminuir a produção de cortisol, hormônio que, quando está elevado por longos períodos, pode reduzir o desejo sexual;
    • Investir em uma alimentação equilibrada: uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, proteínas magras e gorduras saudáveis contribui para a saúde cardiovascular e hormonal, fatores importantes para a libido e para a resposta sexual.

    Importante: nunca interrompa o tratamento por conta própria. Além de aumentar o risco de recaída da depressão ou da ansiedade, a sensação de suspensão repentina pode causar sintomas de abstinência e outros desconfortos. Qualquer mudança deve ser feita apenas com orientação médica.

    A libido volta ao normal depois de parar o antidepressivo?

    Na maioria dos casos, a libido tende a voltar ao normal após o término do tratamento e a eliminação do medicamento do organismo. Como as alterações na função sexual geralmente estão relacionadas à ação do antidepressivo sobre os neurotransmissores cerebrais, o desejo sexual e as respostas físicas costumam melhorar gradualmente após a suspensão da medicação.

    O tempo para a recuperação varia de pessoa para pessoa, mas costuma levar de 2 a 4 semanas após a última dose.

    Veja também: O que você não deve dizer para alguém com depressão

    Perguntas frequentes

    1. Qual médico devo procurar se tiver problemas sexuais com o remédio?

    O próprio médico psiquiatra que receitou o antidepressivo é a pessoa ideal para avaliar a situação e ajustar a medicação.

    2. Quanto tempo depois de começar o remédio a libido cai?

    Normalmente, as alterações na função sexual começam a aparecer entre as primeiras 2 a 6 semanas de uso, que é o período em que o medicamento atinge sua concentração ideal no organismo.

    3. Por que sinto menos sensibilidade nos órgãos genitais?

    O excesso de serotonina causado pelo remédio altera os receptores nervosos periféricos, o que pode anestesiar levemente a sensibilidade física da região pélvica e genital.

    4. O que é a anorgasmia causada por antidepressivos?

    É a grande dificuldade ou a incapacidade total de atingir o orgasmo, mesmo que haja disposição física e excitação adequados.

    5. O uso de lubrificante é indicado nesses casos?

    Sim. Como os antidepressivos reduzem a lubrificação natural das mulheres, o uso de lubrificantes à base de água reduz o desconforto e facilita a relação.

    6. Se eu reduzir a dose do remédio por conta própria a libido volta mais rápido?

    Não faça isso. Diminuir a dose por conta própria não garante a volta imediata da libido e coloca você em alto risco de sofrer recaídas graves do seu transtorno psicológico.

    Leia mais: Sempre adia tudo? Procrastinação pode estar ligada à ansiedade e depressão

  • Fadiga mental: como ela afeta o desempenho no trabalho? 

    Fadiga mental: como ela afeta o desempenho no trabalho? 

    Dificuldade de concentração, esquecimentos frequentes e queda na produtividade são apenas alguns dos sinais que podem indicar um estado de esgotamento extremo da mente, chamado de fadiga mental, que acontece após longos períodos de esforço cognitivo, estresse ou excesso de preocupações.

    Diferente do cansaço físico comum, que costuma melhorar depois de uma boa noite de sono, a exaustão mental afeta diretamente a capacidade de pensar, focar e tomar decisões.

    No ambiente profissional, você pode perceber que tarefas simples passam a exigir mais tempo e esforço do que o normal, além de sentir dificuldade para organizar ideias, cumprir prazos ou manter a atenção durante reuniões e atividades rotineiras.

    Se você sente que a mente está sempre sobrecarregada e que a produtividade diminuiu, vale entender os principais sinais de alerta da fadiga mental e o que você pode fazer para recuperar a energia no dia a dia.

    Afinal, o que é a fadiga mental?

    A fadiga mental é uma resposta do corpo a um esforço cognitivo prolongado e intenso. De maneira geral, ela acontece quando o cérebro recebe mais estímulos, problemas e informações do que é capaz de processar, levando a um esgotamento das funções mentais superiores, como a atenção, a memória e o raciocínio lógico.

    Ao contrário do cansaço físico, que aparece após uma noite ruim de sono ou atividades que precisam de evolução muscular, a fadiga mental está relacionada ao excesso de demandas emocionais e intelectuais.

    Ela pode surgir depois de períodos de trabalho intenso, jornadas longas de estudo, excesso de responsabilidades, preocupações constantes ou situações de estresse prolongado.

    Quando isso acontece, o cérebro passa a ter mais dificuldade para manter o foco, processar informações e tomar decisões no cotidiano. É comum você sentir que está constantemente cansado, mesmo sem ter realizado nenhum esforço físico intenso. Também é normal ter a sensação de que a mente está lenta, confusa ou sobrecarregada.

    O que causa o esgotamento mental no trabalho?

    Na maioria das vezes, o esgotamento mental no trabalho aparece pelo acúmulo de situações que aumentam a pressão e demandam um esforço constante da mente por longos períodos, como:

    • Jornadas de trabalho muito longas, com poucas oportunidades para descanso;
    • Acúmulo de tarefas e responsabilidades, gerando sensação constante de sobrecarga;
    • Prazos apertados e pressão por resultados, que aumentam os níveis de estresse;
    • Excesso de reuniões, e-mails e notificações, exigindo mudanças frequentes de atenção;
    • Falta de pausas durante o expediente, dificultando a recuperação mental;
    • Conflitos com colegas, gestores ou clientes, que podem causar desgaste emocional;
    • Falta de reconhecimento profissional, levando à desmotivação e à frustração;
    • Ambiente de trabalho muito competitivo ou tóxico, que favorece o estresse crônico;
    • Insegurança no emprego ou medo de demissão, gerando preocupação constante;
    • Dificuldade para separar trabalho e vida pessoal, especialmente no home office;
    • Poucas horas de sono e descanso inadequado, que reduzem a capacidade de recuperação do cérebro;
    • Excesso de preocupações pessoais associado às demandas profissionais, aumentando a carga emocional diária.

    Principais sintomas de fadiga mental

    Os sintomas de fadiga mental costumam surgir de forma gradual e, muitas vezes, são negligenciados ou confundidos com preguiça ou falta de motivação. Entre os mais comuns, é possível destacar:

    • Dificuldade extrema para manter a atenção em uma leitura, reunião ou tarefa simples por mais de alguns minutos;
    • Esquecer compromissos, prazos, onde guardou objetos ou o que acabou de ler ou ouvir;
    • Baixa tolerância à frustração, impaciência com colegas de trabalho ou familiares e choro fácil;
    • Sentir um peso desproporcional ou incapacidade para tomar decisões simples do dia a dia, como escolher o que comer ou o que vestir;
    • Adiar constantemente o início de tarefas por sentir que a mente não tem energia para processá-las;
    • Percepção de que os pensamentos estão lentos, confusos ou distantes (brain fog).

    A fadiga mental pode causar sintomas físicos?

    Como o sistema nervoso está ligado ao funcionamento de todo o corpo, o estresse mental prolongado também pode causar sintomas físicos, como:

    • Cansaço constante, mesmo após dormir ou sem ter feito esforço físico;
    • Dificuldade para dormir ou despertares frequentes durante a noite;
    • Dores de cabeça frequentes, especialmente na testa, nuca ou com sensação de pressão na cabeça;
    • Tensão e dores musculares, principalmente nos ombros, pescoço e mandíbula;
    • Alterações no apetite, com aumento ou diminuição da fome;
    • Problemas digestivos, como azia, má digestão, prisão de ventre ou diarreia.

    Como a fadiga mental afeta o trabalho e o rendimento?

    No ambiente de trabalho, a fadiga mental pode comprometer a produtividade, a qualidade das entregas e até os relacionamentos profissionais, causando:

    1. Aumento de erros e esquecimentos

    Com a atenção reduzida, fica mais difícil perceber detalhes e manter o foco nas tarefas, então você pode cometer erros em atividades rotineiras, esquecer compromissos, perder prazos ou ter dificuldade para lembrar informações importantes.

    2. Dificuldade para tomar decisões

    A fadiga mental também afeta a capacidade de analisar situações e fazer escolhas, de modo que decisões simples podem parecer mais difíceis do que o normal, o que aumenta a indecisão e deixa a execução das tarefas mais lenta.

    3. Procrastinação e queda na produtividade

    Quando o cérebro está sobrecarregado, iniciar ou concluir tarefas pode exigir um esforço muito maior. Por isso, é comum adiar atividades importantes, ter dificuldade para manter o ritmo de trabalho e sentir que a produtividade está diminuindo.

    4. Redução da criatividade e da capacidade de resolver problemas

    A exaustão mental pode deixar o raciocínio mais lento e menos flexível, o que dificulta a busca por novas ideias, a resolução de problemas e a adaptação a situações inesperadas.

    4. Irritabilidade e dificuldades nos relacionamentos

    O esgotamento também pode afetar o humor e a inteligência emocional. Você pode ficar mais impaciente, reagir de maneira exagerada a situações do dia a dia ou ter mais dificuldade para lidar com os colegas, clientes e gestores.

    Qual a diferença entre fadiga mental e Burnout?

    As principais diferenças entre a fadiga mental e a síndrome de Burnout estão na intensidade dos sintomas, no tempo que eles duram e no quanto afetam a vida e o bem-estar da pessoa.

    A fadiga mental é um tipo de esgotamento que acontece quando você passa muito tempo lidando com pressão, preocupações ou atividades que demandam concentração. Ela funciona como um alerta de que a mente precisa desacelerar e descansar. Na maioria dos casos, os sintomas melhoram com boas noites de sono, pausas na rotina e momentos de lazer.

    Já a síndrome de Burnout é um problema mais sério, causado pelo estresse crônico relacionado ao trabalho. Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ela costuma se desenvolver quando a sobrecarga profissional se mantém por muito tempo sem o descanso ou o suporte necessários.

    No Burnout, o cansaço é mais intenso e duradouro e não desaparece apenas depois de um fim de semana de descanso ou alguns dias de férias. Além da exaustão, você pode perder o interesse pelo trabalho, sentir-se desmotivada, irritada, distante emocionalmente e ter a sensação constante de que nada do que faz é suficiente ou traz resultados.

    Como combater a fadiga mental?

    No dia a dia, pequenos hábitos podem fazer uma grande diferença na disposição, na concentração e no bem-estar, como:

    • Fazer pausas ao longo do dia: passar horas seguidas trabalhando ou estudando pode aumentar a sensação de esgotamento. Por isso, tente fazer pequenas pausas para levantar, beber água, alongar o corpo ou simplesmente descansar a mente por alguns minutos;
    • Cuidar da qualidade do sono: uma boa noite de sono é necessário para a recuperação do cérebro. Tente manter horários regulares para dormir, reduzir o uso de telas antes de deitar e criar um ambiente confortável para o descanso;
    • Praticar atividade física regularmente: caminhar, correr, pedalar, nadar ou fazer musculação ajuda a aliviar o estresse, melhora o humor e aumenta a sensação de energia ao longo do dia;
    • Evitar fazer várias coisas ao mesmo tempo: alternar constantemente entre tarefas pode deixar o cérebro ainda mais cansado. Sempre que possível, concentre-se em uma atividade de cada vez para melhorar o foco e reduzir a sobrecarga mental;
    • Reservar momentos para relaxar: ler, ouvir música, cozinhar, passear ao ar livre ou praticar um hobby são formas de desacelerar a mente e recuperar as energias. Ter momentos de lazer não é perda de tempo, mas uma parte importante do cuidado com a saúde mental;
    • Estabelecer limites entre trabalho e vida pessoal: sempre que possível, evite responder mensagens ou resolver demandas profissionais fora do horário de trabalho. Ter momentos de desconexão ajuda o cérebro a descansar e se recuperar.

    Se o cansaço mental persistir por semanas ou começar a afetar a rotina, o desempenho no trabalho ou seus relacionamentos, vale a pena buscar orientação de um psicólogo ou médico para avaliar a situação e receber o suporte adequado.

    Leia mais: Falta de sono pode te deixar mais doente

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo dura a fadiga mental?

    Se for um quadro inicial e a pessoa conseguir descansar, tirar alguns dias de folga e melhorar o sono, a recuperação pode acontecer em poucos dias ou semanas.

    2. Qual a diferença entre fadiga mental e preguiça?

    A preguiça é uma falta de vontade momentânea de fazer uma tarefa, que passa quando há um estímulo ou urgência. A fadiga mental é a incapacidade real do cérebro de processar informações, acompanhada de sintomas físicos, como dor de cabeça e insônia.

    3. Tomar café ajuda a melhorar a fadiga mental?

    O café funciona apenas como um alívio temporário, pois a cafeína mascara o cansaço ao bloquear os receptores de adenosina, que indicam o sono. No entanto, o uso excessivo de café pode piorar a ansiedade, prejudicar o sono e aumentar o esgotamento quando o efeito passa.

    4. A falta de vitaminas pode piorar o cansaço mental?

    Sim, a deficiência de algumas vitaminas e minerais afeta diretamente o sistema nervoso. A falta de vitamina B12, vitamina D, ferro e magnésio costuma causar cansaço extremo, falhas de memória, desânimo e piora da fadiga mental.

    5. Tirar férias resolve a fadiga mental crônica?

    As férias ajudam a aliviar os sintomas e dão um descanso necessário, mas não resolvem o problema sozinhas se o profissional voltar para a mesma rotina esgotante.

    6. Qual o papel da organização do ambiente na saúde mental?

    Um ambiente de trabalho bagunçado atua como um estímulo visual constante. O cérebro gasta energia inconsciente tentando ignorar a distração ao redor, o que acelera o processo de exaustão cognitiva ao longo do dia.

    7. Como a fadiga mental afeta a memória de curto prazo?

    Para fixar uma nova informação, como um recado ou um número de telefone, o cérebro precisa gastar energia na fase de atenção. Como a mente não consegue focar adequadamente, a informação simplesmente não é processada nem armazenada, gerando os lapsos de memória.

    Leia mais: Sempre adia tudo? Procrastinação pode estar ligada à ansiedade e depressão

  • Peso do mundo nas costas? Veja como o excesso de responsabilidade pode esgotar o seu cérebro

    Peso do mundo nas costas? Veja como o excesso de responsabilidade pode esgotar o seu cérebro

    Dar conta do trabalho, cuidar da família, pagar as contas em dia e ainda tentar manter a vida social são desafios comuns no dia a dia da maioria das pessoas. Mas, com tantas responsabilidades e estímulos ao mesmo tempo, é comum sentir que a mente está sempre ligada e processando informações sem parar.

    Quando você mantém um ritmo intenso por muito tempo sem um período de descanso, o estresse crônico pode alterar o funcionamento cerebral, afetando desde a memória até a capacidade de tomar decisões simples.

    Como consequência, você pode notar sinais como dificuldade para se concentrar, lapsos de memória, irritabilidade e até sensação constante de cansaço. O quadro, conhecido como fadiga mental, pode prejudicar a produtividade, os relacionamentos e a qualidade de vida.

    O que acontece no cérebro sob pressão constante?

    Quando você vive sobrecarregado por responsabilidades, como no trabalho ou nos estudos, o cérebro pode interpretar a situação como um estado de ameaça constante. Para ajudar o organismo a lidar com a pressão, ele ativa o sistema de resposta ao estresse e aumenta a liberação de hormônios como o cortisol e a adrenalina.

    Eles são importantes para enfrentar desafios e situações de emergência, mas níveis elevados por períodos prolongados podem provocar alterações no funcionamento do cérebro, como:

    1. Prejudica o raciocínio e a tomada de decisões

    O excesso de cortisol afeta o córtex pré-frontal, região responsável pelo raciocínio lógico, planejamento, organização e tomada de decisões. Por isso, sob muito estresse, é comum ter dificuldade para pensar com clareza, resolver problemas ou manter o foco nas tarefas.

    2. Afeta a memória e o aprendizado

    O estresse crônico também pode prejudicar o funcionamento do hipocampo, área cerebral relacionada à formação de memórias e ao aprendizado. Como resultado, esquecimentos frequentes, dificuldade para reter informações e sensação de confusão mental podem se tornar mais comuns.

    3. Aumenta a sensação de ansiedade e alerta

    Ao mesmo tempo, a amígdala, estrutura ligada ao processamento das emoções e das respostas de medo, tende a ficar mais ativa. Isso faz com que você se torne mais sensível ao estresse, aumentando sentimentos de ansiedade, irritabilidade e a sensação de estar sempre em alerta, mesmo quando não existe um perigo real.

    Sinais de que a mente está sobrecarregada

    Como o desgaste mental acontece aos poucos, é comum ignorar os primeiros sintomas, mas é importante ficar atento aos seguintes sinais:

    • Lapsos de memória frequentes: esquecer onde deixou objetos, perder compromissos ou não conseguir lembrar o que ia dizer durante uma conversa;
    • Dificuldade de concentração: sentir a mente confusa, ter dificuldade para manter o foco e precisar de mais tempo para realizar tarefas simples;
    • Irritabilidade e impaciência: ficar estressado com facilidade, perder a paciência por pequenos motivos e apresentar mudanças de humor mais frequentes;
    • Cansaço que não melhora com o descanso: acordar cansado mesmo após uma noite de sono ou sentir falta de energia ao longo de todo o dia;
    • Dificuldade para relaxar: continuar pensando em problemas, tarefas e preocupações mesmo nos momentos de descanso ou na hora de dormir;
    • Indecisão em tarefas simples: ter dificuldade para fazer escolhas do dia a dia, como decidir o que comer, vestir ou qual tarefa realizar primeiro.

    Vale lembrar que a sobrecarga mental prolongada afeta o sistema imunológico, deixando o corpo mais vulnerável a infecções, dores de cabeça frequentes e problemas digestivos.

    Consequências do excesso de responsabilidade para a saúde

    O acúmulo de funções e a autocobrança excessiva podem desencadear problemas de saúde físicos e emocionais graves, como:

    1. Síndrome de Burnout

    A síndrome de Burnout, também chamada de síndrome do esgotamento profissional, é considerada o estágio mais avançado do esgotamento profissional e mental, e costuma surgir após longos períodos de estresse crônico, excesso de responsabilidades e falta de tempo para descanso e recuperação.

    No quadro, as atividades que antes pareciam simples passam a exigir um esforço enorme, e a sensação de cansaço permanece mesmo após períodos de descanso. Também é comum surgir um sentimento de incapacidade, como se nenhum esforço fosse suficiente para dar conta das demandas do dia a dia.

    Além dos impactos emocionais, o burnout também pode provocar sintomas físicos, como:

    • Dores de cabeça frequentes;
    • Alterações no sono;
    • Tensão muscular;
    • Problemas gastrointestinais;
    • Sensação persistente de esgotamento.

    Sem tratamento adequado, a condição pode afetar significativamente a saúde mental, os relacionamentos e a qualidade de vida.

    2. Transtornos de ansiedade e a depressão

    A dificuldade constante de relaxar ou o medo de cometer erros podem causar alterações significativas no funcionamento cerebral, aumentando o risco de desenvolver problemas como:

    • Transtornos de ansiedade, que provocam preocupação excessiva e sensação constante de tensão;
    • Crises de pânico, caracterizadas por episódios intensos de medo acompanhados de sintomas físicos, como falta de ar, palpitações e tontura;
    • Ansiedade generalizada, marcada por preocupações pós-persistentes e dificuldade para controlar pensamentos negativos;
    • Episódios de depressão, que podem causar tristeza prolongada, perda de interesse pelas atividades do dia a dia, falta de energia e alterações no sono e no apetite.

    Além de afetar a saúde mental, os transtornos podem prejudicar os relacionamentos, o desempenho profissional, os estudos e a qualidade de vida.

    3. Insônia crônica

    O excesso de cortisol dificulta a entrada do corpo em um estado de relaxamento adequado para o sono profundo. Como consequência, o sono se torna mais leve e fragmentado, prejudicando a recuperação física, a consolidação da memória e o equilíbrio emocional.

    4. Baixa imunidade

    O estresse prolongado afeta o funcionamento do sistema imunológico e reduz a capacidade do corpo de se defender contra agentes infecciosos. Por isso, resfriados frequentes, infecções recorrentes e crises de herpes podem se tornar mais comuns.

    5. Problemas cardiovasculares e gastrointestinais

    A tensão constante aumenta a pressão arterial e acelera os batimentos cardíacos, o que pode elevar o risco de doenças cardiovasculares ao longo do tempo. O estresse também influencia diretamente o funcionamento do sistema digestivo, favorecendo o surgimento ou agravamento de problemas como refluxo, gastrite e síndrome do intestino irritável.

    Como aliviar a sobrecarga mental?

    Nem sempre é possível eliminar todas as responsabilidades do dia a dia, mas algumas estratégias podem ajudar a diminuir o estresse e recuperar o equilíbrio mental, como:

    • Faça pausas durante o dia: pequenas pausas entre as tarefas ajudam o cérebro a descansar, recuperar o foco e evitar o esgotamento mental;
    • Organize as suas prioridades: criar listas e definir o que é mais importante reduz a sensação de excesso de tarefas e facilita a rotina;
    • Reduza o tempo de exposição às telas: limitar o uso do celular, do computador e das redes sociais ajuda a diminuir a quantidade de estímulos que o cérebro precisa processar;
    • Cuide da qualidade do sono: dormir bem é fundamental para a recuperação física e mental, além de melhorar a memória, a concentração e o humor;
    • Pratique atividade física regularmente: os exercícios ajudam a aliviar o estresse, melhorar a disposição e aumentar a sensação de bem-estar;
    • Reserve momentos para atividades prazerosas: ler, ouvir música, passear ou dedicar tempo a um hobby pode ajudar a aliviar a tensão acumulada;
    • Respeite os seus limites: evitar assumir mais compromissos do que consegue cumprir é uma forma importante de prevenir a sobrecarga mental;
    • Pratique técnicas de relaxamento: exercícios de respiração, meditação e mindfulness ajudam a desacelerar os pensamentos e reduzir a ansiedade;
    • Converse com pessoas de confiança: compartilhar preocupações e dificuldades pode aliviar a carga emocional e trazer novas perspectivas para os problemas;
    • Se os sintomas persistirem ou estiverem prejudicando a rotina, procure acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre estresse comum e sobrecarga mental?

    O estresse comum geralmente tem um gatilho específico, como uma reunião importante, e passa quando a situação se resolve. A sobrecarga mental é contínua: a pessoa sente que a lista de obrigações nunca acaba, gerando um estresse crônico.

    2. Por que o excesso de responsabilidade causa esquecimentos?

    Porque o cortisol em excesso prejudica o hipocampo, a região do cérebro responsável por armazenar e buscar memórias. Além disso, a falta de foco impede que o cérebro registre a informação direito.

    3. O que é a “névoa cerebral” ou brain fog?

    É aquela sensação de confusão mental, lentidão no raciocínio e falta de clareza para pensar. É o cérebro operando de forma lenta porque gastou toda a sua energia tentando gerenciar o estresse e o excesso de tarefas.

    4. Como o estresse por responsabilidade afeta o estômago e o intestino?

    O cérebro e o sistema digestivo estão conectados. O excesso de hormônios do estresse altera a microbiota intestinal, acelera ou desacelera os movimentos do intestino e aumenta a acidez estomacal, causando gastrite, refluxo ou diarreia.

    5. Por que sinto cansaço mesmo depois de dormir 8 horas?

    Porque o estresse crônico prejudica a qualidade do sono. Você pode até passar 8 horas na cama, mas o cérebro não atinge as fases de sono profundo (sono REM), que são as responsáveis por restaurar a energia da mente.

    6. Como diferenciar o esgotamento mental da depressão?

    No esgotamento mental, a pessoa geralmente melhora quando é afastada da fonte de estresse (como tirar férias). Na depressão, a tristeza profunda, a falta de prazer e o desânimo persistem mesmo quando as responsabilidades diminuem.

    7. Quando devo procurar ajuda médica ou psicológica?

    Procure um médico quando os sintomas começarem a atrapalhar sua vida diária, quando o sono sumir de vez ou se você sentir que perdeu completamente o controle sobre suas emoções.

  • Pessimismo ou depressão? Saiba identificar os sinais de distimia (e como tratar)

    Pessimismo ou depressão? Saiba identificar os sinais de distimia (e como tratar)

    Sabe aquela pessoa que está sempre de mau humor, reclama de tudo e parece enxergar o mundo sob uma lente cinzenta? No dia a dia, é normal rotular a postura como pessimismo ou temperamento difícil, mas o psiquiatra Luiz Dieckmann alerta que o comportamento pode indicar um quadro de distimia, também conhecido como transtorno depressivo persistente.

    A distimia é uma forma de depressão crônica leve que provoca uma sensação persistente de tristeza, desânimo e falta de energia, mesmo quando não existe um motivo claro para isso.

    Diferente dos episódios de depressão mais intensos, os sintomas costumam ser mais sutis e podem permanecer por anos, fazendo com que algumas pessoas acreditem que o jeito de pensar, sentir e agir faz parte da personalidade.

    E, apesar dos sinais mais leves, o quadro provoca um desgaste profundo na qualidade de vida, nos relacionamentos e no trabalho e precisa de atenção de um profissional da saúde.

    Afinal, o que é a distimia?

    A distimia é uma forma crônica de depressão em que a pessoa apresenta um um estado constante de desânimo, irritabilidade, baixa autoestima e falta de energia por longos períodos, normalmente por pelo menos dois anos.

    Como os sintomas não costumam ser tão paralisantes quanto os de um episódio de depressão maior, quem convive com distimia costuma acreditar que os sinais fazem parte da própria personalidade, e não de um transtorno que precisa de tratamento.

    “São pessoas que não tinham essa característica e passam a olhar o mundo de uma forma negativa, como se tudo fosse dar errado, nada fosse funcionar e tudo tendesse ao pior cenário possível”, explica Luiz.

    Qual a diferença entre pessimismo e distimia?

    O pessimismo é uma forma de enxergar as situações de maneira mais negativa, mas não é considerado um transtorno mental. Uma pessoa pessimista pode ter uma visão mais crítica da vida e, ainda assim, sentir prazer nas atividades do dia a dia, manter a energia, a autoestima e o funcionamento normal da rotina.

    A distimia, por outro lado, é um transtorno depressivo em que há um sofrimento emocional contínuo que a pessoa não consegue simplesmente mudar o pensamento para resolver. Ela costuma conviver com fadiga crônica, alterações no sono, oscilações no apetite, baixa autoestima profunda e uma incapacidade persistente de sentir alegria.

    “Nem todo pessimista está deprimido, mas pessoas muito pessimistas têm uma chance maior de serem diagnosticadas com um quadro depressivo leve, moderado ou mais grave. Portanto, vale sempre avaliar a situação”, esclarece o especialista.

    Principais sintomas de distimia

    Os sintomas da distimia costumam ser mais leves do que os da depressão maior, mas ainda afetam a qualidade de vida, sendo eles:

    • Tristeza ou desânimo frequente;
    • Mau humor e irritabilidade constante;
    • Visão negativa sobre si mesmo, sobre os outros e sobre o futuro;
    • Baixa autoestima;
    • Falta de energia e cansaço persistente;
    • Dificuldade de concentração;
    • Falta de motivação para realizar atividades do dia a dia;
    • Perda de interesse ou prazer em atividades que antes eram agradáveis;
    • Sensação de incapacidade ou inadequação;
    • Alterações no sono, como dormir demais ou ter dificuldade para dormir;
    • Alterações no apetite, para mais ou para menos;
    • Sentimento frequente de desesperança.

    No quadro, os sintomas são persistentes e tendem a durar, pelo menos, dois anos.

    O que causa a distimia?

    A distimia é causada por uma série de fatores biológicos, genéticos, psicológicos e ambientais. Como é um transtorno crônico, ele é influenciado ao longo dos anos por diferentes experiências e condições que afetam a saúde mental.

    • Alterações químicas no cérebro: pessoas com distimia podem apresentar alterações em substâncias químicas do cérebro, como serotonina, noradrenalina e dopamina, que ajudam a regular o humor, o sono, o apetite, a motivação e os níveis de energia;
    • Fatores genéticos: ter pais, irmãos ou outros familiares próximos com histórico de depressão ou distimia pode aumentar o risco de desenvolver o transtorno. A genética influencia a forma como cada pessoa lida com o estresse e processa as emoções;
    • Estresse prolongado e experiências difíceis: passar por períodos longos de estresse, como problemas financeiros, conflitos familiares, pressão constante no trabalho ou a responsabilidade de cuidar de um familiar doente, pode favorecer o surgimento da condição;
    • Padrões de pensamento e características emocionais: baixa autoestima, autocrítica excessiva, necessidade constante de aprovação e dificuldade para lidar com frustrações podem tornar algumas pessoas mais vulneráveis ao desenvolvimento da distimia.

    Em muitos casos, a distimia começa de forma discreta ainda na infância ou na adolescência.

    Como é feito o diagnóstico de distimia?

    O diagnóstico de distimia é clínico, feito por um médico psiquiatra ou psicólogo, a partir de uma avaliação dos sintomas, histórico de vida e na duração da condição, normalmente seguindo os critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5).

    Durante a consulta, o profissional busca entender há quanto tempo a pessoa apresenta sinais como tristeza persistente, irritabilidade, falta de energia, baixa autoestima e perda de interesse pelas atividades do dia a dia. Um dos critérios mais importantes é que os sintomas estejam presentes na maior parte do tempo por pelo menos dois anos em adultos.

    Além de confirmar o diagnóstico, a consulta também ajuda a identificar outras condições que podem estar associadas, como ansiedade e episódios de depressão maior, permitindo que o tratamento seja planejado de forma individualizada e mais eficaz.

    Como é feito o tratamento de distimia?

    Por ser uma condição de longa duração, o tratamento da distimia involves especialmente o uso de medicamentos, orientado pelo médico, e a terapia.

    Os medicamentos antidepressivos podem auxiliar no equilíbrio das substâncias químicas relacionadas à regulação das emoções, enquanto a psicoterapia ajuda a pessoa a entender os padrões de pensamento negativos, desenvolver medidas para lidar com as dificuldades do cotidiano e fortalecer a autoestima.

    Além do tratamento profissional, alguns hábitos também podem contribuir para o controle dos sintomas, como praticar atividade física regularmente, manter uma rotina de sono adequada, ter momentos de lazer, cultivar relações sociais saudáveis e evitar o consumo excessivo de álcool e outras substâncias.

    Leia mais: O que você não deve dizer para alguém com depressão

    Perguntas frequentes

    1. Quem tem distimia pode ter crises de depressão grave?

    Sim, acontece quando uma pessoa que já vive com o desânimo crônico da distimia passa por um período de piora severa, desenvolvendo um episódio de depressão maior.

    2. Como a distimia afeta a memória e a concentração?

    O cérebro sob o peso da distimia funciona em um ritmo de lentidão, o que prejudica as funções executivas, tornando comum que a pessoa se queixe de esquecimentos, mente “enevoada” e dificuldade de foco no trabalho.

    3. Quanto tempo dura o tratamento com remédios?

    Por ser uma doença crônica, o uso de antidepressivos costuma ser mantido por alguns anos e retirado de forma muito gradual pelo psiquiatra após a estabilização completa do paciente.

    4. Como ajudar um familiar que tem distimia?

    Evite frases motivacionais vazias como “reaja” ou “veja o lado bom”. Em vez disso, valide o cansaço dele, ofereça suporte prático em tarefas diárias e incentive, sem pressionar, a busca por uma consulta médica.

    5. A distimia pode surgir após a menopausa?

    O pico de surgimento costuma ser mais jovem, mas as oscilações hormonais da menopausa afetam diretamente o humor e podem, sim, atuar como um gatilho biológico para a manifestação tardia da distimia.

    6. Como diferenciar mau humor de distimia?

    O mau humor comum é passageiro e motivado por fatos. Na distimia, a irritabilidade e o desânimo são constantes e duram anos, sem um motivo aparente.

    7. Quem tem distimia consegue trabalhar normalmente?

    Sim, a pessoa normalmente continua funcional e cumpre suas obrigações, mas faz isso sob um esforço exaustivo e sem sentir prazer nas atividades.

    8. Exercício físico realmente ajuda no tratamento?

    Sim, a atividade física regular libera neurotransmissores como endorfina e dopamina, que combatem diretamente o cansaço crônico e melhoram o humor.

    Leia mais: Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda

  • 9 sinais de que você está prestes a ter uma crise de ansiedade 

    9 sinais de que você está prestes a ter uma crise de ansiedade 

    Se você é uma pessoa que convive com ansiedade, já deve saber que o corpo costuma dar pequenos sinais de alerta antes de uma crise acontecer. O coração pode acelerar, a respiração ficar mais curta, os músculos se tensionarem ou surgir uma sensação repentina de inquietação.

    Só que, na correria do dia a dia, é comum ignorar os primeiros sintomas ou confundir com um cansaço passageiro. Mas quando você entende o que está acontecendo com o corpo, fica muito mais fácil aplicar técnicas simples de relaxamento e impedir que a ansiedade evolua para um momento de desespero.

    A seguir, listamos alguns dos principais sinais físicos e psicológicos e o que você pode fazer para desacelerar a mente antes que a crise se instale.

    Principais sinais de uma crise de ansiedade iminente

    1. Sensação de distanciamento do mundo ao redor (desrealização)

    De acordo com o psiquiatra Luiz Dieckmann, a desrealização é uma sensação de estranhamento em relação ao ambiente onde você está e pode ser um dos principais sinais de crise de ansiedade, antes mesmo do coração acelerado e do mal-estar.

    Durante um pico de ansiedade, o cérebro pode entrar em um modo de defesa que faz com que o ambiente ao seu redor pareça artificial, estranho ou completamente surreal. Você olha para lugares familiares, como a sua própria casa ou o seu local de trabalho, e eles parecem distantes, bidimensionais (como um cenário de filme) ou de alguma forma errados.

    É muito comum sentir distorções visuais ou auditivas, como se o espaço estivesse maior ou menor do que realmente é, ou como se as pessoas estivessem falando muito longe.

    2. Estranhamento de si mesmo (despersonalização)

    A despersonalização afeta como você percebe a si mesmo, segundo Luiz. É uma das sensações mais desconfortáveis da crise de ansiedade, pois gera uma quebra temporária na percepção da própria identidade.

    De maneira geral, você sente como se estivesse flutuando no teto ou assistindo à sua própria vida em terceira pessoa, como se o seu corpo pertencesse a outra pessoa. É um sinal que pode assustar, mas é uma resposta biológica que diminui gradativamente conforme os níveis de adrenalina e ansiedade voltam ao normal.

    3. Palpitações ou coração acelerado

    A aceleração dos batimentos cardíacos, conhecido como taquicardia, acontece devido à liberação repentina de adrenalina na corrente sanguínea. O hormônio estimula o músculo cardíaco a bombear sangue mais rapidamente para os músculos, preparando o corpo para uma reação de fuga ou defesa, mesmo que não exista um perigo real.

    4. Sensação de falta de ar

    A ansiedade altera o padrão respiratório, tornando a respiração rápida e superficial. Como consequência, o processo diminui os níveis de gás carbônico no sangue e você pode ter a sensação de sufocamento ou de que o ar não chega totalmente aos pulmões, embora as vias aéreas estejam livres.

    5. Tremores nas mãos ou no corpo

    Os tremores começam de forma involuntária, sendo mais comuns nas mãos, nas pernas ou nas pálpebras. Eles são o resultado do excesso de tensão acumulada nos músculos e da descarga de hormônios do estresse na corrente sanguínea, que deixam o corpo em um estado de alta sensibilidade.

    6. Suor frio ou os calafrios

    Você pode começar a suar intensamente nas palmas das mãos, nos pés ou na testa, mesmo em um ambiente frio. Em contrapartida, também é comum sentir arrepios e calafrios pelo corpo, porque o sistema nervoso desregula temporariamente o controle da temperatura corporal devido ao estresse extremo.

    7. Aperto ou a dor no peito

    A tensão muscular provocada pela ansiedade faz com que os músculos da região do tórax se contraiam com força, o que causa uma sensação de aperto, peso ou pontadas no peito. É um dos sinais que mais pode assustar, pois o desconforto pode ser facilmente confundido com um problema cardíaco.

    8. Tontura ou sensação de desmaio

    Você pode sentir a cabeça leve, uma sensação de instabilidade ao andar ou a impressão de que tudo ao redor está rodando. O sintoma acontece por dois motivos: a respiração errada, que altera o oxigênio no cérebro, e o desvio do fluxo de sangue para os músculos principais do corpo.

    9. Náusea ou o desconforto no estômago

    O sistema digestivo é extremamente sensível às emoções. Quando a crise de ansiedade está para começar, o cérebro envia sinais que desaceleram a digestão, o que pode causar uma sensação de nó no estômago, enjoos, queimação, estufamento e até episódios repentinos de diarreia.

    O que fazer ao notar os sinais de crise?

    Quando você perceber que a crise de ansiedade está se aproximando, o recomendado é tentar interromper a escalada dos sintomas o mais cedo possível. Para isso, vale tentar algumas medidas:

    Controle a sua respiração (técnica dos 4 segundos)

    A respiração curta é o que mais alimenta os sintomas físicos da ansiedade. Para reverter isso, use a técnica da respiração diafragmática:

    • Puxe o ar pelo nariz lentamente contando até 4, enchendo a barriga e não o peito;
    • Segure o ar nos pulmões por 2 segundos;
    • Solte o ar pela boca devagar, como se estivesse soprando uma vela, contando até 4;
    • Você pode repetir o ciclo pelo menos cinco vezes até o coração começar a desacelerar.

    Use a técnica 5-4-3-2-1 para ancorar a mente

    Os pensamentos catastróficos costumam levar a mente para preocupações sobre o futuro e para os piores cenários possíveis. Para interromper esse ciclo, observe o ambiente ao seu redor e identifique mentalmente:

    • 5 coisas que você consegue ver no ambiente;
    • 4 coisas que você consegue tocar ou sentir o tato (o chão sob os pés, a textura da calça);
    • 3 sons que você consegue ouvir ao fundo;
    • 2 cheiros que você consegue sentir no momento;
    • 1 gosto que você consegue sentir na boca.

    O exercício ajuda a direcionar a atenção para o presente, reduzindo a intensidade da ansiedade e a sensação de estar sendo dominado pelos pensamentos.

    Relaxe os músculos conscientemente

    Como a ansiedade costuma deixar o corpo inteiro em estado de tensão, faça uma rápida checagem corporal. Relaxe os ombros, que muitas vezes ficam elevados e rígidos, afaste os dentes para aliviar a tensão na mandíbula e abra as mãos caso estejam fechadas.

    De maneira geral, permitir que o corpo fique mais relaxado envia ao cérebro a mensagem de que não há um perigo imediato.

    Jogue água fria no rosto

    Se sentir que a ansiedade está aumentando rapidamente, experimente jogar água fria no rosto ou segurar uma pedra de gelo nas mãos. O contato com o frio pode estimular respostas do organismo que ajudam a reduzir a ativação do sistema nervoso, favorecendo uma sensação de calma e ajudando a diminuir sintomas como o coração acelerado.

    Quando procurar ajuda médica?

    É muito importante saber diferenciar uma ansiedade comum do dia a dia de um quadro que precisa de suporte profissional. Por isso, fique atento aos seguintes sinais de alerta:

    • As crises de ansiedade começam a acontecer com frequência ou sem um motivo aparente;
    • O medo de ter uma nova crise passa a controlar a sua rotina e impede você de sair de casa ou trabalhar;
    • Os sintomas físicos, como falta de ar e dor no peito, são tão intensos que geram idas constantes ao pronto-socorro;
    • As estratégias que você usa para se acalmar já não funcionam mais;
    • A ansiedade prejudica o sono, causando insônia persistente ou pesadelos frequentes;
    • O rendimento no trabalho, nos estudos ou a sua relação com a família e amigos começa a piorar;
    • Você passa a evitar ativamente lugares, conversas ou pessoas por medo de passar mal;
    • O sentimento de tristeza, esgotamento ou desesperança permanece mesmo após a crise passar.

    O acompanhamento psicológico oferece um espaço seguro para que você entenda os próprios gatilhos e desenvolva estratégias para lidar melhor com as emoções.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

    Perguntas frequentes

    1. Uma crise de ansiedade pode matar?

    Não, a crise de ansiedade não causa a morte e nem danifica os órgãos do corpo. Ela é uma resposta temporária de estresse que passa após alguns minutos.

    2. Quanto tempo dura uma crise de ansiedade?

    Em média, o pico de uma crise dura entre 10 e 20 minutos. Depois desse período, o corpo começa a reabsorver os hormônios do estresse e os sintomas diminuem gradativamente.

    3. Qual é a diferença entre crise de ansiedade e ataque de pânico?

    A crise de ansiedade geralmente tem um gatilho identificável (como um problema no trabalho) e os sintomas vão crescendo aos poucos. O ataque de pânico acontece de forma repentina, sem motivo aparente, com uma sensação avassaladora de morte iminente.

    4. Como diferenciar a dor no peito da ansiedade de um infarto?

    Na ansiedade, a dor costuma ser em pontadas, piora ao respirar fundo e vem acompanhada de respiração rápida. No infarto, a dor é um aperto forte que irradia para o braço esquerdo, mandíbula ou costas, e não melhora com técnicas de relaxamento. Na dúvida, busque sempre o pronto-socorro.

    5. É normal sentir vontade de chorar durante a crise?

    Sim, é perfeitamente normal. O choro é uma forma natural do organismo liberar a tensão acumulada e aliviar a sobrecarga emocional.

    6. Chás naturais ajudam a prevenir as crises?

    Chás como camomila, passiflora, cidreira e valeriana têm propriedades relaxantes leves que ajudam a acalmar o dia a dia. No entanto, eles funcionam como um suporte para a rotina e não substituem o tratamento médico nas crises intensas.

    7. Posso ter uma crise de ansiedade dormindo?

    Sim, existem as chamadas crises de ansiedade noturnas. A pessoa acorda de repente já com o coração acelerado, suor frio e falta de ar. Elas acontecem porque o cérebro continua processando o estresse do dia a dia mesmo durante o sono.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

  • Por que o exercício físico funciona como um antidepressivo natural?

    Por que o exercício físico funciona como um antidepressivo natural?

    Não é segredo que a prática regular de atividades físicas contribui para a perda de peso, a melhora da saúde do coração e o ganho de massa muscular, mas você sabia que ela também pode trazer benefícios importantes para a saúde mental?

    Ao estimular a liberação de substâncias relacionadas à sensação de bem-estar, como as endorfinas e a serotonina, o movimento ajuda a melhorar o humor, aumentar a disposição e promover uma melhor qualidade de vida. Além disso, os exercícios podem contribuir para um sono mais reparador, reduzir os níveis de estresse e ansiedade e favorecer a concentração e o equilíbrio emocional.

    Inclusive, para pessoas que convivem com o diagnóstico de depressão ou transtorno de ansiedade, ela pode complementar o tratamento e favorecer o controle dos sintomas no dia a dia, como a tristeza persistente, a irritabilidade, a preocupação excessive, a tensão muscular e a dificuldade para dormir.

    O que acontece no cérebro quando nos exercitamos?

    Durante a prática de atividade física, seja caminhada ou musculação, o cérebro passa por uma série de reações químicas e biológicas imediatas e de longo prazo que alteram a maneira como ele funciona.

    Primeiro, o aumento dos batimentos cardíacos durante a atividade física eleva o fluxo sanguíneo para o cérebro, melhorando a oxigenação e o fornecimento de glicose para os neurônios. Por consequência, as células nervosas passam a funcionar de forma mais eficiente, favorecendo processos como a memória, a concentração e o raciocínio.

    Ao mesmo tempo, o sistema nervoso central aumenta a síntese e a liberação de neurotransmissores que atuam na regulação do humor e das funções cognitivas:

    • Endorfina: atua nos receptores opioides do cérebro, ajudando a reduzir a percepção da dor e promovendo sensações de prazer, relaxamento e bem-estar;
    • Serotonina: participa da regulação do humor, do sono, do apetite e da estabilidade emocional;
    • Dopamina: está relacionada aos circuitos de recompensa, motivação, prazer e sensação de realização;
    • Noradrenalina: contribui para o estado de alerta, a atenção, a concentração e a capacidade de resposta diante dos desafios do dia a dia.

    Os exercícios imitam o mecanismo de ação de alguns medicamentos antidepressivos, que buscam justamente aumentar a disponibilidade das substâncias entre os neurônios.

    Além da resposta neuroquímica, a prática regular também estimula a produção de uma proteína chamada BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro), que favorece a formação de novas conexões entre os neurônios e ajuda a proteger as células cerebrais.

    Por isso, pessoas fisicamente ativas costumam apresentar melhor memória, concentração e capacidade de aprendizado.

    Atividade física como tratamento complementar

    Apesar de não substituir o acompanhamento médico, psicológico e o uso de medicamentos quando necessário, o psiquiatra Luiz Dieckmann explica que a atividade física é uma das principais recomendações para complementar o tratamento de transtornos como a ansiedade e a depressão.

    • Ela potencializa os efeitos dos medicamentos ao estimular a produção natural de substâncias como serotonina e dopamina;
    • Ajuda a reduzir o risco de recaídas e o retorno dos sintomas depressivos;
    • Pode amenizar alguns efeitos colaterais dos medicamentos, como fadiga e ganho de peso;
    • Melhora a qualidade do sono e ajuda a regular o relógio biológico;
    • Aumenta a disposição e ajuda a combater o cansaço e a falta de energia;
    • Favorece a autoestima e a autoconfiança ao estimular a sensação de conquista e autonomia;
    • Contribui para uma maior sensação de controle sobre a própria vida e a rotina;
    • Promove mais bem-estar físico e emocional no dia a dia.

    Se você está em tratamento, o exercício não deve ser visto como uma obrigação de desempenho, mas sim como uma parte da receita médica para recuperar a qualidade de vida e o bem-estar no dia a dia.

    “Incentive as pessoas que estão com um quadro psiquiátrico a fazer atividade física, porque elas terão tratamentos mais eficazes, às vezes mais curtos e com menor associação de medicamentos”, recomenda Luiz.

    Qual é o melhor exercício para quem está deprimido?

    Não existe um exercício que seja considerado o melhor para todas as pessoas que estão deprimidas. O mais importante é encontrar uma atividade de que você goste, que respeite os seus limites e que consiga fazer com frequência. Algumas dicas podem ser:

    • Exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, ciclismo e natação): ajudam a aumentar a oxigenação do cérebro e estimulam a liberação de substâncias relacionadas ao bem-estar, como a endorfina e a serotonina. As caminhadas ao ar livre ainda oferecem o benefício do contato com a luz solar, que contribui para a regulação do sono;
    • Treinos de força (musculação, pilates e treinos funcionais): precisam de concentração nos movimentos e na execução dos exercícios, ajudando a desviar a atenção de pensamentos negativos. A evolução gradual do desempenho também pode aumentar a autoestima, a autoconfiança e a sensação de conquista.

    Se você convive com um quadro depressivo, ansiedade ou outro transtorno, o ideal é começar aos poucos. Mesmo poucos minutos de exercício todos os dias já contribui para estimular a liberação de neurotransmissores como dopamina e serotonina.

    Como começar a se mover mesmo sem energia ou motivação?

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que os adultos realizem entre 150 e 300 minutos de atividade física moderada por semana, como caminhada rápida ou ciclismo, ou entre 75 e 150 minutos de atividades mais intensas, como corrida.

    Mas, para quem está começando, pode ser difícil atingir a meta logo de início, especialmente durante períodos de desânimo, falta de energia ou sintomas depressivos. Nesses casos, algumas dicas para começar podem ajudar:

    • Comece com metas pequenas e realistas, como 10 a 15 minutos de atividade por dia;
    • Escolha uma atividade de que você goste para aumentar as chances de manter a rotina;
    • Respeite os limites do seu corpo e evite exageros no início;
    • Aumente a duração e a intensidade dos exercícios de forma gradual;
    • Tente criar horários fixos para se exercitar ao longo da semana;
    • Convide um amigo ou familiar para se exercitar junto, se isso ajudar na motivação;
    • Valorize cada progresso, mesmo que pareça pequeno;
    • Não se cobre por perfeição; o importante é manter a regularidade;
    • Aproveite oportunidades para se movimentar no dia a dia, como caminhar mais ou usar escadas;
    • Procure orientação de um profissional de saúde ou educação física, se necessário.

    Com o tempo, à medida que o corpo se adapta e a disposição aumenta, você pode ampliar gradualmente a frequência e a duração das atividades.

    Leia mais: O que você não deve dizer para alguém com depressão

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo de exercício é necessário para sentir o efeito antidepressivo?

    De acordo com estudos, cerca de 20 a 30 minutos de atividade moderada já são suficientes para liberar endorfina e dopamina, gerando bem-estar imediato após o treino. Para melhorias de longo prazo na estrutura cerebral, os efeitos consolidados começam a aparecer entre 4 e 8 semanas de prática regular.

    2. Como o exercício auxilia no controle da irritabilidade e dos impulsos?

    A atividade física regula os níveis de noradrenalina e dopamina, além de descarregar a tensão muscular acumulada. Isso ajuda a equilibrar o córtex pré-frontal, região cerebral responsável pelo autocontrole e pela modulação das emoções.

    3. É melhor fazer exercício ao ar livre ou na academia para a depressão?

    Ambos funcionam, mas os exercícios ao ar livre (como caminhadas em parques) oferecem o benefício extra do contato com a natureza e com a luz solar. A exposição ao sol ajuda a regular a produção de melatonina, melhorando diretamente a qualidade do sono e o humor.

    4. O exercício ajuda na perda de interesse pelas coisas (anedonia)?

    Sim, pois a anedonia ocorre devido a uma disfunção no sistema de recompensa do cérebro. Como o exercício físico estimula a liberação de dopamina (ligada à motivação e prazer), ele ajuda gradativamente o cérebro a recuperar a capacidade de sentir satisfação em outras atividades.

    5. Atividades de baixa intensidade, como alongamento ou ioga, funcionam?

    Sim! As práticas como ioga e alongamento combinam movimento com foco na respiração e meditação, o que reduz os níveis de estresse e melhora a consciência corporal.

    6. Exercício físico reduz a necessidade de aumentar a dose do antidepressivo?

    Pode reduzir. Ao atuar como um reforço natural na regulação dos neurotransmissores, a atividade física frequente ajuda a estabilizar o quadro clínico, evitando reajustes de dosagem para cima.

    Leia mais: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

  • K9: por que a chamada ‘droga zumbi’ preocupa tanto os médicos? 

    K9: por que a chamada ‘droga zumbi’ preocupa tanto os médicos? 

    Nos últimos anos, a K9 ganhou destaque em reportagens e registros de intoxicações graves em diferentes regiões do Brasil. Popularmente conhecida como “droga zumbi”, ela está associada a alterações importantes do comportamento, episódios de agitação intensa e quadros potencialmente fatais.

    Embora muitas vezes seja comparada à maconha, a K9 é uma droga muito mais imprevisível e perigosa. Isso acontece porque ela pertence ao grupo dos canabinoides sintéticos, substâncias produzidas em laboratório que podem provocar efeitos muito mais intensos do que os observados com a cannabis natural.

    O que é a K9?

    A K9 não é uma substância única. Ela faz parte de um grupo de drogas conhecidas como canabinoides sintéticos, frequentemente chamadas de “drogas K”, que incluem compostos como K2, K4 e K9.

    Essas substâncias são produzidas em laboratório e podem ser vendidas de diferentes formas:

    • Como produto químico puro;
    • Misturadas a ervas secas;
    • Aplicadas sobre materiais vegetais para simular produtos naturais.

    Um dos principais problemas é que a composição pode variar muito entre diferentes lotes, tornando imprevisíveis tanto os efeitos quanto os riscos de intoxicação.

    Por que a K9 é considerada tão perigosa?

    Ao contrário de drogas cuja composição é relativamente conhecida, a K9 pode conter substâncias extremamente potentes. Além disso:

    • A concentração dos compostos varia amplamente;
    • Diferentes substâncias podem ser misturadas;
    • Pode haver contaminação por produtos tóxicos;
    • Nem sempre o usuário sabe exatamente o que está consumindo.

    Essa imprevisibilidade aumenta significativamente o risco de intoxicações graves.

    Como a K9 age no cérebro?

    Os canabinoides sintéticos atuam sobre receptores do sistema endocanabinoide, presentes em diversas regiões do cérebro. Esses receptores também são ativados pela cannabis natural.

    A diferença é que muitas substâncias presentes na K9 possuem ação muito mais intensa do que o THC, principal composto psicoativo da maconha.

    Como consequência, podem ocorrer:

    • Alterações importantes da percepção;
    • Confusão mental;
    • Alterações do comportamento;
    • Episódios de agitação intensa;
    • Alterações da consciência.

    Quais são os efeitos mais comuns?

    Os sintomas variam conforme a composição da droga e a quantidade consumida.

    Entre os efeitos mais relatados estão:

    • Agitação intensa;
    • Ansiedade;
    • Confusão mental;
    • Sonolência;
    • Alteração da consciência;
    • Comportamento desorganizado;
    • Alucinações;
    • Paranoia.

    A intensidade dos sintomas pode variar bastante de uma pessoa para outra.

    Por que algumas pessoas parecem “desligadas” ou “zumbis”?

    Diversos relatos de intoxicação por K9 mostram usuários com comportamento extremamente alterado. Entre os sinais observados estão:

    • Lentidão extrema;
    • Dificuldade para responder a estímulos;
    • Movimentos anormais;
    • Alterações importantes do estado mental;
    • Perda de contato com o ambiente.

    Foi justamente por causa dessas manifestações que a droga passou a ser popularmente chamada de “droga zumbi”.

    Esses quadros refletem uma intoxicação significativa do sistema nervoso central.

    Quais complicações graves podem ocorrer?

    Em intoxicações mais severas, podem surgir complicações potencialmente fatais. Entre elas estão:

    • Convulsões;
    • Psicose aguda;
    • Coma;
    • Alterações importantes do comportamento;
    • Depressão respiratória;
    • Insuficiência respiratória;
    • Rabdomiólise (destruição de fibras musculares);
    • Lesão renal aguda;
    • Alterações graves da pressão arterial.

    O risco de complicações aumenta porque muitas vezes não é possível saber exatamente quais substâncias estão presentes na droga.

    A K9 pode afetar o coração?

    Sim. Os canabinoides sintéticos podem provocar alterações cardiovasculares importantes.

    Entre elas:

    • Taquicardia;
    • Bradicardia;
    • Aumento da pressão arterial;
    • Queda da pressão arterial;
    • Arritmias cardíacas.

    Essas alterações podem ser especialmente perigosas em pessoas com doenças cardiovasculares prévias.

    A K9 pode causar morte?

    Sim. Existem relatos de mortes associadas ao uso de canabinoides sintéticos em diferentes países.

    As principais causas incluem:

    • Arritmias cardíacas graves;
    • Convulsões;
    • Depressão respiratória;
    • Falência de órgãos;
    • Traumas decorrentes de alterações do comportamento.

    Por isso, a K9 é considerada uma das drogas sintéticas mais perigosas atualmente.

    Como é feito o atendimento médico?

    Quando uma pessoa chega ao pronto-socorro com suspeita de intoxicação por K9, a prioridade é estabilizar as funções vitais. Os médicos avaliam:

    • Nível de consciência;
    • Respiração;
    • Frequência cardíaca;
    • Pressão arterial;
    • Oxigenação.

    Como muitas vezes não é possível identificar exatamente qual substância foi utilizada, o tratamento costuma ser baseado em suporte clínico.

    Existe antídoto para a K9?

    Não. Atualmente não existe um antídoto específico para a maioria dos canabinoides sintéticos. Por isso, o tratamento é direcionado às complicações apresentadas pelo paciente.

    Dependendo da situação, podem ser necessários:

    • Medicamentos para controlar convulsões;
    • Sedação;
    • Oxigenoterapia;
    • Hidratação venosa;
    • Monitorização intensiva.

    Por que essas drogas são tão difíceis de controlar?

    Os fabricantes frequentemente modificam a estrutura química dos compostos para criar novas versões das drogas. Isso dificulta:

    • A identificação em exames laboratoriais;
    • A regulamentação pelos órgãos de saúde;
    • O monitoramento pelas autoridades.

    Além disso, novos compostos podem surgir rapidamente, tornando o controle ainda mais complexo.

    O consumo de canabinoides sintéticos está aumentando?

    Em diversos países, os canabinoides sintéticos têm sido motivo de preocupação devido ao elevado potencial de intoxicação.

    Curiosamente, estudos realizados nos Estados Unidos observaram redução do consumo dessas substâncias em alguns locais após a ampliação do acesso legal à cannabis entre 2016 e 2019.

    Ainda assim, a K9 continua associada a episódios graves de intoxicação e atendimentos de emergência.

    Quando procurar atendimento de emergência?

    Procure ajuda médica imediatamente se uma pessoa apresentar, após o uso de substâncias desconhecidas:

    • Confusão mental importante;
    • Convulsões;
    • Perda de consciência;
    • Dificuldade para respirar;
    • Agitação intensa;
    • Dor no peito;
    • Alterações importantes do comportamento.

    Esses sinais podem indicar intoxicação grave.

    Veja também: Epilepsia em adultos: como ela se manifesta e quem está em risco

    Perguntas frequentes sobre a K9

    1. A K9 é a mesma coisa que maconha?

    Não. Embora atue em receptores semelhantes, seus efeitos costumam ser muito mais intensos e imprevisíveis.

    2. O que são canabinoides sintéticos?

    São substâncias produzidas em laboratório para agir nos mesmos receptores estimulados pela cannabis.

    3. Por que a K9 é chamada de “droga zumbi”?

    Porque pode provocar lentidão extrema, confusão mental e alterações importantes do comportamento.

    4. A K9 pode causar convulsões?

    Sim. Convulsões estão entre as complicações graves já descritas.

    5. Pode causar problemas cardíacos?

    Sim. Pode provocar taquicardia, alterações da pressão arterial e arritmias.

    6. Existe antídoto para a K9?

    Não. O tratamento é baseado no controle dos sintomas e das complicações.

    7. Quando procurar ajuda médica?

    Sempre que houver alteração importante da consciência, convulsões, dificuldade respiratória ou qualquer sinal de intoxicação grave.

    Confira: Drogas e coração: os riscos reais que você precisa conhecer