Categoria: Saúde Mental

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  • Anorexia nervosa: entenda o papel da nutrição na recuperação e na prevenção de recaídas 

    Anorexia nervosa: entenda o papel da nutrição na recuperação e na prevenção de recaídas 

    A anorexia nervosa é um dos transtornos alimentares mais graves e complexos, afetando não apenas a relação do paciente com a comida, mas também a sua saúde física, emocional e social. A perda significativa de peso, o medo intenso de engordar e a distorção da imagem corporal estão entre os sinais mais marcantes.

    Apesar de envolver diferentes áreas da saúde, como psiquiatria, psicologia e endocrinologia, a nutrição tem um papel central na recuperação. Segundo a nutricionista Fernanda Pacheco, a reconstrução da alimentação, feita de forma gradual e cuidadosa, é fundamental para restabelecer o equilíbrio, corrigir deficiências nutricionais e devolver qualidade de vida ao paciente com anorexia.

    Vamos entender nesta reportagem como é feito o tratamento da anorexia e como é a recuperação completa do quadro com a ajuda da nutrição.

    O que é anorexia nervosa

    A anorexia vai muito além de “comer pouco” ou “fazer dieta restritiva”. Trata-se de um transtorno alimentar reconhecido pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e marcado por três elementos principais:

    • Restrição alimentar severa;
    • Medo intenso de ganhar peso;
    • Distorção da autoimagem.

    “A pessoa pode se enxergar acima do peso, mesmo estando muito magra, e desenvolve comportamentos que levam a perdas importantes de nutrientes e energia, afetando todo o organismo”, enfatiza a nutricionista.

    Complicações da anorexia nervosa

    A anorexia impacta praticamente todos os sistemas do corpo. A falta de nutrientes compromete músculos, ossos, hormônios e até funções básicas, como a imunidade e o ciclo menstrual.

    • Desnutrição e perda de massa muscular;
    • Fraqueza óssea e risco de osteopenia/osteoporose;
    • Alterações hormonais, incluindo infertilidade temporária;
    • Problemas gastrointestinais, como constipação;
    • Queda da imunidade e maior suscetibilidade a infecções.

    Segundo Fernanda, o papel do atendimento de um nutricionista é corrigir as deficiências nutricionais. “A nutrição adequada ajuda a reverter a carência de vitaminas e minerais, restabelece o equilíbrio energético e contribui para a melhora de funções vitais, como o ciclo menstrual, a imunidade e a saúde óssea”.

    Porém, vale reforçar que o tratamento é multidisciplinar, sendo necessária também a consulta com psicólogos e médicos.

    Reintrodução alimentar: um processo gradual no tratamento da anorexia

    Um dos maiores desafios do tratamento nutricional é reintroduzir a alimentação de forma segura. Após longos períodos de restrição, o corpo não está preparado para receber grandes quantidades de comida de uma só vez.

    “A reintrodução é feita de forma gradual e planejada, respeitando a tolerância do paciente e evitando complicações metabólicas, como a síndrome da realimentação”, fala Fernanda.

    A síndrome da realimentação é uma complicação que pode surgir quando uma pessoa desnutrida retoma a alimentação de forma rápida e descontrolada. Nesses casos, a entrada súbita de nutrientes faz o corpo liberar insulina em excesso, o que pode reduzir drasticamente minerais importantes no sangue. Por isso, a reintrodução alimentar em pacientes com anorexia ou desnutrição deve ser sempre gradual e acompanhada por profissionais de saúde.

    O plano geralmente começa com pequenas porções de alimentos de fácil digestão, partindo do que o paciente já consegue comer. Aos poucos, a variedade e a quantidade vão aumentando até atingir um padrão alimentar balanceado.

    “Os nutrientes mais importantes são os que corrigem déficits graves e sustentam as funções vitais, como proteínas, carboidratos, além de vitaminas do complexo B, cálcio, ferro, zinco e eletrólitos, como potássio e magnésio”, completa a nutricionista.

    O medo de ganhar peso: um dos maiores desafios

    O processo de tratamento da anorexia vai além do físico. O medo intenso de engordar acompanha quase todos os pacientes e exige muita sensibilidade do nutricionista.

    “O nutricionista busca mostrar que recuperar o peso não significa perder o controle sobre o próprio corpo, mas sim conquistar de volta saúde, energia e qualidade de vida”, indica Fernanda.

    Ela explica que o acompanhamento é feito passo a passo, com metas realistas e alcançáveis, sempre explicando ao paciente que cada mudança é planejada de forma segura, o que ajuda a reduzir a sensação de ameaça.

    Entre as estratégias mais usadas:

    • Incluir calorias extras em alimentos já aceitos pelo paciente;
    • Priorizar alimentos mais calóricos em pequenas porções;
    • Ajustar preparações de forma individualizada.

    Além disso, a nutricionista acrescenta que o aumento de peso deve ser progressivo e planejado, evitando riscos metabólicos e diminuindo a ansiedade em torno da recuperação da anorexia nervosa.

    “O ganho de peso não deve ser brusco, mas progressivo, geralmente de 0,5 a 1 kg por semana, o que diminui riscos metabólicos e a ansiedade em torno da recuperação”, detalha Fernanda.

    Acompanhamento contínuo e suporte familiar: pilares contra recaídas

    A anorexia é um transtorno marcado por recaídas frequentes, o que torna essencial um acompanhamento nutricional constante.

    “O foco é ajudar o paciente a estruturar uma rotina alimentar regular e equilibrada, evitando novos ciclos de restrição”, fala Fernanda. Nesse processo, o nutricionista atua identificando gatilhos, corrigindo crenças distorcidas sobre comida e observando sinais precoces de recaída.

    O suporte familiar também se torna indispensável, já que os maiores desafios acontecem em ambiente familiar, especialmente nos momentos de refeição.

    “O processo de recuperação não acontece apenas no consultório, mas principalmente no dia a dia do paciente. Muitas vezes, os momentos de comer são carregados de tensão e resistência, e a presença de familiares preparados para lidar com essas situações torna o ambiente mais acolhedor e menos conflituoso”.

    Ou seja, o apoio familiar não é apenas um complemento, mas um elemento ativo no tratamento, capaz de sustentar o paciente nos momentos de fragilidade e aumentar significativamente as chances de recuperação da anorexia nervosa.

    Leia também: Qual o papel do nutricionista no tratamento de transtornos alimentares?

    Perguntas e respostas sobre anorexia nervosa

    1. O que é a anorexia nervosa?

    Anorexia nervosa é um transtorno alimentar grave caracterizado por restrição severa de alimentos, medo intenso de ganhar peso e distorção da autoimagem. A pessoa pode se enxergar acima do peso mesmo estando muito magra.

    2. Quais complicações a anorexia pode causar?

    A doença afeta praticamente todo o organismo. Entre as complicações estão desnutrição, perda muscular e óssea, alterações hormonais, problemas gastrointestinais e queda da imunidade.

    3. Como funciona a reintrodução alimentar?

    Ela deve ser gradual e planejada, com pequenas porções e alimentos de fácil digestão. Esse cuidado evita complicações como a síndrome da realimentação e ajuda a corrigir déficits de nutrientes essenciais.

    4. Quais nutrientes são prioritários no início do tratamento?

    Proteínas, carboidratos, vitaminas do complexo B, cálcio, ferro, zinco, potássio e magnésio, fundamentais para funções vitais como saúde óssea, imunidade e equilíbrio energético.

    5. Por que o medo de ganhar peso é um desafio na recuperação?

    Porque gera resistência ao tratamento. O nutricionista precisa mostrar que o ganho de peso significa recuperar saúde e qualidade de vida, e não perder o controle sobre o corpo.

    6. Quanto peso se recomenda ganhar por semana?

    O aumento deve ser gradual, entre 0,5 e 1 kg por semana, para reduzir riscos metabólicos e diminuir a ansiedade do paciente.

    7. Como o acompanhamento nutricional ajuda a evitar recaídas?

    Ele cria uma rotina alimentar equilibrada, identifica gatilhos emocionais e observa sinais precoces de recaída, permitindo intervenções rápidas.

    8. Qual é o papel da família no tratamento?

    Apoiar o paciente nas refeições, reduzir a tensão à mesa, incentivar a adesão ao plano alimentar e reconhecer sinais de recaída. Esse suporte aumenta significativamente as chances de recuperação.

    Leia também: Compulsão alimentar ou exagero pontual? Entenda as diferenças e quando procurar ajuda profissional

  • Compulsão alimentar ou exagero pontual? Entenda as diferenças e quando procurar ajuda profissional 

    Compulsão alimentar ou exagero pontual? Entenda as diferenças e quando procurar ajuda profissional 

    Comer mais do que o habitual em situações sociais é algo comum e faz parte da vida. Mas, quando a ingestão de grandes quantidades de comida acontece de forma repetida, rápida e acompanhada da sensação de perda de controle, o quadro pode ser bem diferente: trata-se da compulsão alimentar, um transtorno que vai além do exagero ocasional e que merece atenção profissional.

    De acordo com a nutricionista Fernanda Pacheco, é fundamental diferenciar os dois contextos. Segundo ela, a confusão é frequente, mas o impacto na vida de quem sofre com compulsão alimentar é muito maior, tanto do ponto de vista físico quanto emocional. Vamos entender.

    O que é compulsão alimentar e como é diagnosticada

    A compulsão alimentar é caracterizada por episódios em que a pessoa consome grandes quantidades de comida em um curto espaço de tempo.

    “Essa ingestão é equivalente à que uma pessoa com características físicas semelhantes não comeria em contexto similar, acompanhada da sensação de perda de controle, ou seja, a pessoa sente que não consegue parar de comer”, adiciona Fernanda.

    Além da perda de controle, outro ponto marcante é o sofrimento emocional. Esses episódios de compulsão geralmente são seguidos de culpa, vergonha e sofrimento intenso, diferentemente de um exagero pontual em um evento social.

    Por ser um transtorno alimentar, a compulsão precisa de diagnóstico clínico, feito por um médico com base em critérios estabelecidos pelo DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), que incluem:

    • Frequência: episódios ocorrem, em média, pelo menos uma vez por semana durante três meses;
    • Intensidade da ingestão: a quantidade de comida ingerida é significativamente maior do que o esperado para o contexto e vem acompanhada da sensação de perda de controle;
    • Impacto na vida pessoal, social e profissional: a compulsão não afeta apenas a relação com a comida, mas compromete rotinas, relacionamentos e até o desempenho no trabalho ou nos estudos.

    Esses três pontos mostram que a compulsão alimentar não é apenas um excesso pontual, mas um transtorno que causa sofrimento e exige acompanhamento especializado. Diferentemente de um exagero ocasional, a compulsão traz repercussões amplas e recorrentes, que vão além do ato de comer em si.

    Comer em excesso ocasionalmente é normal?

    É importante deixar claro que apenas “comer demais” não significa compulsão alimentar.

    “Comer em excesso em um evento social, como uma festa ou almoço de família, pode fazer parte da vida e não é considerado compulsão. A diferença central está no contexto: na compulsão, o ato de comer não está associado ao prazer social ou ao momento, mas a uma necessidade interna incontrolável.”

    Em situações sociais, exagerar pode acontecer, mas na maioria das vezes a rotina alimentar é retomada logo depois, sem impacto emocional relevante. Já no caso da compulsão, a pessoa carrega sentimentos de vergonha, tenta esconder o comportamento e, muitas vezes, se isola.

    Um bom critério é observar a proporção. Se todos à mesa estão comendo de forma semelhante, o exagero pode ser normal. Se a quantidade ingerida está muito além do padrão coletivo, é preciso atenção.

    Outro ponto central é a repetição. Enquanto comer em excesso em um jantar especial pode ser pontual, a compulsão se caracteriza por episódios que se repetem com frequência e que causam sofrimento significativo.

    “O comer em excesso ocasionalmente não tem essa frequência nem provoca o mesmo impacto”.

    Sintomas da compulsão alimentar: quando procurar ajuda profissional

    Nem sempre é fácil perceber que o que está acontecendo vai além de um simples exagero e passa a ser um transtorno alimentar. No entanto, alguns sintomas da compulsão alimentar são claros e devem acender o alerta:

    • Comer grandes quantidades mesmo sem sentir fome;
    • Vergonha do próprio comportamento e necessidade de comer escondido;
    • Sensação de perda de controle ao iniciar a refeição;
    • Esconder alimentos ou comer sozinho para que ninguém perceba;
    • Sofrimento emocional intenso após o episódio.

    “Esses sinais indicam que é hora de buscar ajuda profissional, pois a compulsão não é apenas falta de força de vontade, mas um transtorno de saúde”, explica Fernanda.

    Tratamento da compulsão alimentar: como é a abordagem do nutricionista?

    O tratamento da compulsão alimentar exige acolhimento e uma abordagem livre de julgamentos. O primeiro passo no atendimento é criar um espaço seguro para que o paciente consiga falar abertamente sobre suas dificuldades.

    “A partir daí, o profissional busca compreender os gatilhos que levam à compulsão, como situações emocionais ou padrões alimentares desorganizados”, acrescenta a especialista.

    Segundo ela, a estratégia não é impor restrições rígidas, mas ajudar a construir um padrão alimentar regular, com horários definidos e escolhas equilibradas, diminuindo os períodos de jejum que aumentam a vulnerabilidade a novos episódios.

    “Esse processo envolve também trabalhar a consciência alimentar e comer com atenção plena, estimulando o paciente a reconhecer sinais de fome e saciedade”.

    Entre as estratégias, estão:

    • Fracionamento das refeições ao longo do dia, evitando longos períodos em jejum;
    • Escolha de alimentos que promovem maior saciedade, como os ricos em fibras e proteínas;
    • Evitar dietas extremamente restritivas, que aumentam o risco de descontrole alimentar.

    “O objetivo é resgatar o prazer em comer, valorizando a experiência da refeição de forma consciente, o que ajuda a diminuir o comportamento automático de buscar comida como resposta imediata a tensões emocionais”, detalha a nutricionista.

    Para reduzir episódios de compulsão, é importante evitar dietas muito restritivas, que aumentam o risco de descontrole. Além disso, a base da alimentação deve incluir alimentos ricos em fibras, além de garantir boas fontes de proteína em cada refeição, o que contribui para maior saciedade e equilíbrio ao longo do dia.

    Fatores emocionais nem sempre são a causa da compulsão alimentar

    Embora os fatores emocionais sejam os mais evidentes, eles não são os únicos envolvidos. É fato que a compulsão alimentar está frequentemente associada a fatores emocionais, como ansiedade, tristeza, solidão ou estresse, que funcionam como gatilhos para os episódios.

    “No entanto, ela também pode estar relacionada a outros aspectos, como hábitos alimentares inadequados, longos períodos de jejum, desequilíbrios hormonais e até predisposição genética”, fala Fernanda

    Por isso, o tratamento desse transtorno alimentar é geralmente multidisciplinar, envolvendo nutricionistas, psicólogos e médicos. O objetivo é tratar tanto as consequências físicas quanto as origens emocionais do problema.

    Veja mais: Proteína para ganhar massa muscular: veja quanto você precisa por dia

    Perguntas e respostas sobre compulsão alimentar

    1. O que diferencia a compulsão alimentar de um simples exagero?

    A compulsão envolve episódios repetidos de ingestão de grandes quantidades de comida em pouco tempo, com perda de controle e sofrimento emocional. Já o comer em excesso ocasionalmente, como em festas, não tem essa frequência nem impacto.

    2. Quais critérios clínicos são usados para diagnosticar a compulsão alimentar?

    É considerado diagnóstico quando os episódios ocorrem ao menos uma vez por semana durante três meses, acompanhados de perda de controle e impacto na vida pessoal, social ou profissional.

    3. Quais sinais indicam que é hora de procurar ajuda profissional?

    Comer sem fome, sentir vergonha do comportamento, esconder alimentos, comer sozinho e sofrer emocionalmente após os episódios são sinais claros de alerta.

    4. Como o nutricionista atua no tratamento?

    O foco é acolher o paciente sem julgamentos, identificar gatilhos, organizar a rotina alimentar e trabalhar a consciência alimentar. O objetivo é reduzir o jejum prolongado, evitar restrições rígidas e resgatar uma relação saudável com a comida.

    5. Que ajustes alimentares ajudam a reduzir os episódios de compulsão?

    Manter refeições fracionadas ao longo do dia, incluir alimentos ricos em fibras, garantir boas fontes de proteína e evitar dietas muito restritivas, que aumentam o risco de descontrole.

    6. A compulsão alimentar sempre tem origem emocional?

    Não. Embora fatores como ansiedade, tristeza e estresse sejam comuns, o problema também pode estar ligado a hábitos alimentares inadequados, desequilíbrios hormonais ou predisposição genética.

    Leia também: Lanches práticos para levar para a academia: saiba como escolher os melhores

  • TOC não é só mania de limpeza: veja os sintomas reais do transtorno 

    TOC não é só mania de limpeza: veja os sintomas reais do transtorno 

    Quando você escuta alguém dizer “acho que tenho TOC porque gosto de tudo limpinho”, provavelmente essa pessoa está usando a expressão de forma equivocada. O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é um problema de saúde mental sério, que gera sofrimento intenso e vai muito além da busca por organização.

    A neurologista Paula Dieckmann explica que TOC não é apenas gostar de tudo limpinho e organizado. “Muitas vezes as pessoas sabem que os comportamentos não fazem sentido algum, mas elas não conseguem parar”, conta.

    O que é TOC?

    O TOC é um transtorno psiquiátrico caracterizado por obsessões (pensamentos recorrentes, indesejados e intrusivos) e compulsões (rituais ou comportamentos repetitivos que a pessoa sente que precisa realizar).

    Embora as compulsões tragam um alívio temporário, logo toda aquela ansiedade retorna e gera um ciclo difícil de interromper. Esse transtorno afeta o dia a dia, os relacionamentos e a qualidade de vida da pessoa.

    Exemplos de rituais do TOC

    A neurologista explica que nem sempre o TOC se apresenta da mesma forma. Os rituais e pensamentos obsessivos variam de pessoa para pessoa, mas alguns exemplos são comuns:

    • Verificação exagerada: checar se a porta está trancada 10, 20 ou até 50 vezes;
    • Lavagem compulsiva: lavar as mãos repetidamente, muito além do necessário, por medo de contaminação;
    • Contagem e simetria: tocar ou contar objetos em ordem específica;
    • Rituais mentais: repetir frases ou pensamentos para evitar que algo ruim aconteça.

    O psiquiatra Luiz Dieckmann reforça que os conteúdos das obsessões podem variar.

    “Podem ser sobre infecção, simetria, medo de agir e machucar alguém ou a si mesmo. Mas o ponto central é que tudo isso gera sofrimento importante para a pessoa”.

    TOC não é exagero

    Chamar o TOC de “mania” ou “exagero” é não reconhecer a gravidade do problema.

    “TOC não é exagero, nem mania de organização. É um transtorno que gera sofrimento real, com pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos difíceis de controlar”, explica a neurologista.

    Confira: Psicoterapia: entenda quando é hora de começar

    Tratamento do TOC

    A boa notícia é que o TOC tem tratamento. As abordagens geralmente são:

    • Psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que ajuda a reduzir obsessões e compulsões;
    • Remédios, como antidepressivos específicos, que podem equilibrar neurotransmissores e ajudar nas obsessões e compulsões;
    • Apoio familiar e social, fundamentais para acolher a pessoa e ajudar no processo de recuperação.

    Falar sobre o TOC é essencial para quebrar preconceitos e encorajar quem sofre a procurar ajuda. Quanto mais cedo o diagnóstico, menor é o sofrimento.

    Assista ao vídeo em que os especialistas contam mais sobre a condição: ver no Instagram

    Perguntas frequentes sobre TOC

    1. TOC é o mesmo que mania de limpeza?

    Não. O TOC pode até envolver comportamentos ligados à limpeza, mas é muito mais amplo. Envolve obsessões e compulsões que geram sofrimento e atrapalham a vida.

    2. Quem tem TOC percebe que algo está errado?

    Na maioria das vezes, sim. Muitas pessoas sabem que seus rituais são irracionais, mas não conseguem parar de repeti-los.

    3. O TOC tem cura?

    Não se fala em cura definitiva, mas o tratamento pode reduzir drasticamente os sintomas e melhorar muito a qualidade de vida.

    4. Crianças também podem ter TOC?

    Sim. O transtorno pode aparecer ainda na infância ou adolescência, e deve ser tratado desde cedo.

    5. O TOC é comum?

    Estima-se que entre 1% e 3% da população tenha TOC em algum momento da vida.

    6. O que acontece se o TOC não for tratado?

    Sem tratamento, os sintomas tendem a se agravar, causando maior sofrimento, prejuízo social, profissional e emocional.

    7. Quando procurar ajuda médica?

    Se obsessões e compulsões estão ocupando muito tempo do seu dia ou causando sofrimento intenso, é hora de buscar atendimento com um psiquiatra ou psicólogo.

    Leia mais: Depressão não é frescura ou falta de fé: veja mitos sobre a doença

  • TDAH em adultos: 7 dicas para viver com mais foco

    TDAH em adultos: 7 dicas para viver com mais foco

    O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição que afeta a capacidade de concentração, organização e controle da impulsividade. Ele pode se manifestar desde a infância e seguir pela vida adulta, e isso impacta aspectos como estudos, carreira e relacionamentos.

    De acordo com a neurologista Paula Dieckmann, no adulto o TDAH pode se manifestar de forma diferente da infância: em vez da hiperatividade física, é comum ter dificuldades em se organizar, em manter o foco em tarefas prolongadas e em lembrar de compromissos.

    “Nos adultos, a hiperatividade pode ser mais sutil – como uma sensação de ansiedade, impaciência ou necessidade de estar sempre ocupado”, complementa a especialista.

    Mas, apesar dos desafios, com mudanças de hábitos e acompanhamento médico, é possível viver bem com TDAH e tornar o dia a dia mais leve e produtivo. Confira!

    Quais os sintomas de TDAH em adultos?

    Identificar o TDAH na vida adulta pode ser difícil, já que muitos sintomas se confundem com estresse, cansaço ou excesso de demandas da rotina. Segundo Paula, os sinais mais comuns incluem:

    • Facilidade em se distrair com estímulos ao redor;
    • Esquecimento frequente de tarefas, compromissos ou datas;
    • Dificuldade em concluir projetos iniciados;
    • Tendência a procrastinar, adiando tarefas importantes;
    • Tomar decisões sem pensar nas consequências (como compras por impulso ou comentários inadequados);
    • Dificuldade em esperar a sua vez em conversas ou filas;
    • Mudança repentina de planos ou atitudes sem planejamento;
    • Sensação interna de inquietude, como se “não conseguisse desligar”;
    • Necessidade constante de movimento, como balançar pernas, roer unhas ou mexer no cabelo;
    • Dificuldade em relaxar mesmo em momentos de descanso.

    Além disso, mudanças de humor podem ocorrer, como irritabilidade e ansiedade, especialmente quando a pessoa se sente sobrecarregada tentando manter a concentração.

    É importante destacar que cada indivíduo pode apresentar uma combinação diferente desses sintomas, em intensidades variadas. Ter apenas um ou outro sinal não significa necessariamente ter TDAH. O diagnóstico deve ser feito por psiquiatra ou neurologista, por meio de entrevistas clínicas, questionários e histórico pessoal. O mais importante é não se autodiagnosticar.

    TDAH em adultos: como manter o foco?

    Em pessoas que convivem com TDAH, o cérebro tende a buscar estímulos o tempo todo, o que torna complicado manter a atenção em atividades mais monótonas.

    Por isso, é necessário adaptação: além do acompanhamento médico, mudanças no estilo de vida e psicoterapia, o ideal é organizar o dia a dia com técnicas práticas que ajudam a treinar o foco e organizar a rotina.

    Técnica de pomodoro

    O método Pomodoro é simples: divida o tempo em blocos de foco total e pausas curtas. Tradicionalmente, são 25 minutos de concentração intensa seguidos de 5 minutos de descanso. Após quatro ciclos, faça uma pausa mais longa, de 15 a 30 minutos.

    A técnica ajuda porque o cérebro com TDAH costuma operar melhor em curtos períodos de atenção. Paula explica que funciona como um jogo contra o relógio, tornando as tarefas menos assustadoras e aumentando a motivação. Além disso, saber que haverá uma pausa logo em seguida acalma a ansiedade de “estar perdendo algo”.

    “Também é útil priorizar as tarefas do dia logo pela manhã, escolhendo 2 ou 3 mais importantes para fazer primeiro, antes que a mente se canse ou apareçam imprevistos”, sugere a especialista.

    Ambiente minimalista

    O excesso de estímulos visuais e digitais pode intensificar a dispersão em pessoas com TDAH, tornando ainda mais difícil manter o foco. Nesse sentido, organizar um ambiente de estudo ou trabalho mais minimalista e limpo faz toda a diferença nas atividades do cotidiano. Algumas dicas simples incluem:

    • Deixar apenas o que é necessário sobre a mesa;
    • Fechar abas e programas não relacionados à tarefa;
    • Silenciar notificações do celular;
    • Usar cores neutras e organização simples para reduzir distrações.

    Segundo Paula, quanto menos estímulos competindo pela atenção, mais fácil manter a mente alinhada à tarefa principal.

    Bloqueadores de sites e distrações

    Os bloqueadores de sites são ferramentas (aplicativos, extensões ou programas) criadas para ajudar a manter o foco, restringindo o acesso a páginas, apps ou conteúdos que tiram a atenção.

    Na prática, eles funcionam assim: você configura quais sites ou aplicativos quer bloquear (geralmente redes sociais, jogos online ou até plataformas de vídeo) e define por quanto tempo ficará sem acesso. Alguns bloqueadores permitem até criar janelas de produtividade, liberando o uso só em horários específicos.

    “Para quem tem dificuldade em controlar o impulso de, no meio do trabalho, abrir o Instagram ou notícias, esses apps são ótimos porque criam uma barreira extra. É como se você estivesse tornando o estímulo inacessível temporariamente”, explica Paula.

    Técnica dos fones de ouvido

    Se o ambiente é barulhento ou cheio de conversas paralelas, como pode ser comum em escritórios de trabalho, usar um bom fone (com música instrumental, barulhos da natureza ou ruído branco, por exemplo) pode ajudar a abafar os estímulos externos e facilitar a concentração.

    Para quem prefere silêncio absoluto, os tampões de ouvido também são uma alternativa eficaz. O importante é reduzir interferências para manter a linha de raciocínio.

    Tempo e local determinados para distrações

    Pode parecer contraditório, mas a neurologista Paula Dieckmann explica que reservar momentos específicos para se distrair ajuda o cérebro a não buscar estímulos na hora errada.

    Uma estratégia prática é negociar consigo mesmo: “Vou estudar por 1 hora e, depois, tiro 15 minutos para ver vídeos ou redes sociais.”

    “Ao ter essa promessa de recompensa, às vezes fica mais fácil segurar a onda durante a atividade. É uma negociação com o cérebro: ‘fique quieto agora, que depois eu te dou estímulos’. E cumprir essa recompensa depois reforça o acordo”, esclarece.

    Mindfulness

    O mindfulness, ou atenção plena, é uma prática que consiste em treinar a mente para estar totalmente presente no momento. Ele pode ser exercitado de várias formas: por meio de meditação, respiração consciente, caminhadas atentas ou até em atividades cotidianas, como comer ou tomar banho, prestando atenção nos detalhes da experiência.

    “Isso acalma a mente e melhora a capacidade de voltar a atenção para onde queremos quando ela desvia. Com o tempo e prática consistente, muitas pessoas com TDAH relatam ganhos em consciência do próprio pensamento”, conta Paula.

    Monotarefa

    A monotarefa é a prática de focar em uma atividade por vez, evitando alternar constantemente entre diferentes tarefas. No caso de pessoas com TDAH, ela é especialmente útil porque reduz a dispersão, evita a frustração e aumenta a produtividade. Algumas dicas incluem:

    • Finalize ou avance bastante uma tarefa antes de começar outra;
    • Agrupe atividades semelhantes no mesmo bloco de tempo;
    • Evite alternar constantemente entre e-mails, mensagens e projetos.

    De acordo com Paula, cada troca de contexto custa energia mental e aumenta a chance de erros ou procrastinação. A monotarefa ajuda a manter a clareza e a sensação de progresso.

    Confira: TDAH: o que é, como diferenciar e tratar

    TDAH: como equilibrar a vida pessoal e o trabalho?

    Para pessoas com TDAH, conciliar a vida profissional e pessoal pode ser ainda mais complexa devido a dificuldades como desatenção, impulsividade e hiperfoco. No entanto, com organização e estratégias adequadas, é possível alcançar maior equilíbrio entre as duas áreas. A neurologista Paula Dieckmann aponta:

    • Defina limites claros entre trabalho e descanso: estabeleça horário para encerrar o expediente e crie um ritual de transição, como fechar o laptop ou dar uma volta. Desligue notificações fora do horário;
    • Agende momentos pessoais: marque na agenda compromissos de lazer e família, tratando-os como reuniões importantes;
    • Aprenda a dizer “não” (ou “não agora”): evite aceitar mais tarefas do que consegue cumprir; negociar prazos ajuda a proteger seu tempo pessoal;
    • Use o hiperfoco com hora marcada: aproveite a produtividade intensa, mas coloque alarmes para não ultrapassar o limite do expediente;
    • No lazer, desligue do trabalho: evite checar e-mails e mensagens fora do horário. Se necessário, use aplicativos separados ou silenciados;
    • Invista em hobbies e atividade física: escolha atividades prazerosas, como esportes, música ou culinária, que ajudem a relaxar e recarregar;
    • Converse com a família sobre o TDAH: compartilhar sua realidade ajuda no apoio e na criação de soluções conjuntas, como momentos “sem telas”;
    • Pratique autocompaixão: equilíbrio não é perfeição, e haverá dias em que o trabalho exigirá mais e outros em que a vida pessoal será prioridade. O importante é manter constância e ajustes contínuos.

    Hábitos saudáveis numa rotina com TDAH

    Além das técnicas de organização e foco, adotar hábitos saudáveis é indispensável para controlar os sintomas do TDAH, como:

    • Alimentação balanceada: evite excesso de açúcar e cafeína, que podem intensificar a agitação. Prefira refeições ricas em proteínas e fibras;
    • Exercícios físicos: a atividade física libera neurotransmissores ligados ao bem-estar e melhora a capacidade de concentração;
    • Sono regular: dormir bem é fundamental para a memória e o foco, então o ideal é criar uma rotina de sono consistente;
    • Acompanhamento profissional: o tratamento do TDAH pode incluir psicoterapia e, em alguns casos, medicação prescrita por especialistas.

    Perguntas frequentes sobre TDAH em adultos

    1. Como é feito o diagnóstico de TDAH em adultos?

    Não existe exame de sangue ou de imagem que detecte o TDAH. O diagnóstico é clínico e feito por psiquiatras ou neurologistas, que realizam entrevistas detalhadas para entender os sintomas atuais e o histórico de vida.

    É importante avaliar se os sinais já estavam presentes na infância, além de descartar outras condições como depressão, ansiedade, distúrbios do sono ou problemas hormonais. Questionários específicos e relatos de familiares podem ajudar a complementar a avaliação.

    2. O TDAH pode aparecer apenas na vida adulta?

    Segundo a neurologista Paula Dieckmann, o TDAH geralmente começa na infância, mesmo que os sintomas sejam mais sutis e só se tornem evidentes na vida adulta.

    O que acontece muitas vezes é que a criança desenvolve estratégias de compensação ou tem ambientes que mascaram as dificuldades. Com as demandas mais complexas da vida adulta, como trabalho e estudos, responsabilidades, os sinais ficam mais evidentes.

    3. O TDAH tem cura?

    Não, o TDAH não tem cura, mas pode ser controlado com uma combinação de medicamentos, psicoterapia, mudanças de estilo de vida e técnicas de organização. O objetivo não é eliminar totalmente os sintomas, mas sim reduzir o impacto negativo deles e ensinar a pessoa a conviver com o transtorno de forma equilibrada e produtiva.

    4. A atividade física realmente ajuda quem tem TDAH?

    Sim! A prática de exercícios físicos é considerada uma das melhores aliadas no controle dos sintomas. Atividades como corrida, caminhada, natação ou dança liberam dopamina, noradrenalina e endorfina — os mesmos neurotransmissores que a medicação busca regular.

    O resultado é mais clareza mental, melhora do humor, redução da ansiedade e aumento da capacidade de concentração. Além disso, a prática regular ajuda a estruturar uma rotina mais estável.

    5. O sono influencia no TDAH?

    Bastante! O sono funciona como um “carregador de bateria” do cérebro. Em pessoas com TDAH, dormir mal piora consideravelmente a atenção, a impulsividade e o humor. A falta de sono de qualidade também pode gerar sensação de confusão mental, aumentar a irritabilidade e reduzir a memória de curto prazo.

    Por outro lado, noites bem dormidas (de 7 a 9 horas, em horários regulares) melhoram significativamente a capacidade de foco e de autocontrole.

    6. Mindfulness realmente funciona para TDAH?

    Sim. O mindfulness é uma prática de atenção plena que ajuda a perceber quando a mente se distrai e a trazê-la de volta ao presente.

    Técnicas simples de respiração, meditação guiada ou até mesmo atenção plena em atividades cotidianas (como comer ou tomar banho) podem treinar o cérebro a aumentar o controle sobre a atenção. No início pode parecer difícil, mas até 5 minutos por dia já fazem diferença no dia a dia.

    Leia mais: TDAH em adultos: saiba mais sobre os sintomas e como descobrir se você tem

  • Autismo em adultos: sinais que você pode não saber e quando buscar diagnóstico 

    Autismo em adultos: sinais que você pode não saber e quando buscar diagnóstico 

    O Transtorno do Espectro Autista (TEA) costuma ser associado à infância, mas ele não desaparece com o tempo. Muitas pessoas só identificam características autísticas na vida adulta, porque os sinais foram sutis ou confundidos com timidez, introversão ou “manias”.

    A neurologista Paula Dieckmann explica: “O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento, o que significa que está presente desde a infância, mesmo que não tenha sido identificado nessa época”.

    Em outras palavras, o cérebro da pessoa autista funciona de forma característica desde cedo. Vamos entender!

    O autismo em adultos sem diagnóstico precoce

    Quando o diagnóstico não acontece na infância, geralmente é porque os sinais eram discretos. Muitos adultos aprenderam a “camuflar” comportamentos ou criar estratégias de compensação.

    Segundo Paula: “Podem ter desenvolvido roteiros de conversação, imitado comportamentos de pessoas sociáveis ou evitado eventos difíceis. O autismo estava presente, mas foi invisibilizado”.

    Isso traz sofrimento e sensação de “não pertencimento”. Alguns relatam desde cedo dificuldades em fazer amigos, incômodo exagerado com estímulos sensoriais, apego a rotinas ou interesses muito específicos.

    Leia também: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

    Sinais de autismo em adultos

    Alguns sinais passam despercebidos porque se confundem com características de personalidade. Entre os mais comuns estão:

    • Dificuldade em entender ironias, sarcasmo e entrelinhas sociais;
    • Preferência por rotinas rígidas e ansiedade com mudanças;
    • Hiperfoco em interesses específicos, que podem parecer apenas hobbies intensos;
    • Cansaço após interações sociais;
    • Sensibilidade a luzes, sons ou texturas;
    • Dificuldade em manter conversas longas;
    • Sensação constante de “não pertencer”.

    “Essas manifestações podem não ser óbvias para os outros, mas são muito significativas para a própria pessoa”, reforça a médica.

    Autismo, introversão e timidez: como diferenciar

    Muitos acreditam ser apenas tímidos ou introvertidos, mas existem diferenças claras:

    • Introversão: preferência por menos estímulo social, mas entendimento das regras sociais.
    • Timidez: desejo de interagir, mas com ansiedade em iniciar contatos.
    • Autismo: diferenças qualitativas na socialização, dificuldades em decodificar sinais sociais, interesses restritos, padrões repetitivos e sensibilidades sensoriais.

    Paula exemplifica: “Um introvertido percebe que o outro está entediado, mas continua falando. Já um autista pode não perceber esse sinal. A pessoa tímida quer se enturmar, mas fica nervosa. O autista, muitas vezes, não sabe como se enturmar ou não vê sentido em certas convenções”.

    Veja mais: Crise de ansiedade: o que fazer e como controlar os sintomas

    Diagnóstico de autismo na vida adulta

    O diagnóstico em adultos é cada vez mais comum, muitas vezes após episódios de esgotamento ou pela percepção de um padrão de dificuldades ao longo da vida.

    O processo inclui entrevistas clínicas detalhadas, análise de histórico desde a infância, aplicação de questionários como o Autism Quotient (AQ) e o SRS-2, e, sempre que possível, a participação de familiares. O médico deve diferenciar o TEA de outras condições, como ansiedade, depressão ou TDAH.

    “Às vezes, testes neuropsicológicos aprofundados são solicitados, avaliando habilidades cognitivas e de comunicação. Mesmo na vida adulta, o diagnóstico traz autoconhecimento, reduz culpa e melhora a autoestima”, diz Paula.

    Tratamentos de autismo e terapias para adultos

    Não existe cura para o autismo, mas há apoios eficazes para promover autonomia e qualidade de vida. Entre eles:

    • Psicoterapia adaptada: especialmente Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), voltada para habilidades sociais e manejo da ansiedade.
    • Terapia ocupacional: ajuda na organização prática e na adaptação sensorial.
    • Grupos de habilidades sociais: para treinar conversas e interações.
    • Medicação: apenas para condições associadas, como depressão, ansiedade ou TDAH.
    • Psicoeducação: acesso a grupos de apoio e troca com autistas adultos.
    • Hábitos saudáveis: sono, alimentação equilibrada e atividade física regular.

    “A saúde física impacta diretamente a saúde mental. Dormir bem, se exercitar e manter alimentação equilibrada também beneficiam pessoas autistas”, reforça a médica.

    Perguntas e respostas sobre autismo em adultos

    1. O autismo pode surgir na vida adulta?

    Não. Ele está presente desde a infância, mas pode ser diagnosticado tardiamente.

    2. Quais os sinais mais comuns em adultos?

    Dificuldade em compreender sinais sociais sutis, preferência por rotinas, hiperfoco, fadiga após interações, sensibilidade sensorial e sensação de não pertencimento.

    3. Como diferenciar autismo de timidez ou introversão?

    Timidez e introversão envolvem preferência ou ansiedade, mas preservam o entendimento social. No autismo, há dificuldade em decodificar interações e presença de padrões repetitivos e sensibilidades.

    4. Como é feito o diagnóstico?

    Com entrevistas clínicas, questionários padronizados (AQ, SRS-2), análise de histórico desde a infância e diferenciação de outras condições.

    5. O diagnóstico tardio traz benefícios?

    Sim. Ele promove autoconhecimento, melhora autoestima, facilita acesso a terapias e adaptações no trabalho e amplia redes de apoio.

    6. Existe cura?

    Não. O autismo não tem cura, mas terapias e estratégias ajudam a melhorar autonomia e bem-estar.

    7. Medicamentos fazem parte do tratamento?

    Não há remédios específicos para o TEA, mas eles podem ser usados para tratar condições associadas, como depressão, ansiedade ou TDAH.

    Leia também: Psicoterapia: entenda quando é hora de começar

    Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Para diagnóstico ou tratamento do TEA, procure acompanhamento especializado.

  • TDAH em adultos: saiba mais sobre os sintomas e como descobrir se você tem 

    TDAH em adultos: saiba mais sobre os sintomas e como descobrir se você tem 

    O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é geralmente lembrado como um diagnóstico da infância, mas o TDAH em adultos também é comum. Muitos convivem com sintomas sem saber, o que afeta trabalho, relacionamentos e qualidade de vida.

    A neurologista Paula Dieckmann explica: “Trata-se de um transtorno neurobiológico, que se inicia na infância e pode persistir na vida adulta”.

    A seguir, veja como o TDAH se manifesta em adultos, como é diagnosticado e quais tratamentos e estratégias ajudam a lidar com os sintomas.

    O que é o TDAH na vida adulta

    Nos adultos, o TDAH se apresenta de forma diferente da infância. Em vez de hiperatividade física, predomina uma inquietação interna, descrita como a sensação de “não conseguir desligar a mente”.

    Segundo Paula: “No adulto, o TDAH se manifesta principalmente por dificuldades persistentes de atenção, concentração e controle de impulsos. Muitas vezes a agitação é interna, mesmo sem movimentos físicos evidentes”.

    Isso interfere na organização pessoal, na capacidade de manter foco em tarefas prolongadas e na memória de compromissos.

    Principais sintomas de TDAH em adultos

    Os sintomas se agrupam em três eixos: desatenção, impulsividade e hiperatividade interna. Entre eles:

    • Desatenção: distração fácil, esquecimento frequente, dificuldade em concluir projetos, procrastinação.
    • Impulsividade: decisões precipitadas, compras por impulso, falar sem filtrar, mudanças de planos repentinas.
    • Hiperatividade interna: inquietude constante, balançar pernas, roer unhas, mexer no cabelo.

    “Mudanças de humor, irritabilidade ou ansiedade podem ocorrer quando a pessoa se sente sobrecarregada. É a persistência do conjunto de sinais, e não sintomas isolados, que caracteriza o transtorno”, reforça a neurologista.

    Veja também: Psicoterapia: entenda quando é hora de começar

    Como é feito o diagnóstico de TDAH em adultos

    O diagnóstico é clínico — não há exame de sangue ou imagem que confirme a condição. O processo envolve:

    • Entrevista clínica detalhada (sintomas atuais e histórico desde a infância).
    • Exclusão de outras condições (ansiedade, depressão, distúrbios de sono, alterações da tireoide).
    • Questionários padronizados para mapear frequência e intensidade dos sintomas.
    • Conversa com familiares ou pessoas próximas (com consentimento).

    “O diagnóstico é feito pela conversa e observação clínica, aplicando critérios formais e descartando outras doenças”, resume Paula.

    Impacto do TDAH no trabalho e nos relacionamentos

    No trabalho, o desempenho pode ser inconsistente: picos de alta produtividade em tarefas estimulantes seguidos de quedas de concentração em atividades repetitivas.

    Nos relacionamentos, a impulsividade pode gerar discussões, e a desatenção pode ser interpretada como falta de interesse. Pesquisas mostram maior taxa de conflitos conjugais e divórcios entre pessoas com TDAH, mas o tratamento adequado reduz esses impactos.

    Tratamento de TDAH: abordagem multidisciplinar

    O tratamento combina estratégias médicas e comportamentais. As principais incluem:

    • Medicação: estimulantes (metilfenidato, lisdexanfetamina) e não estimulantes (atomoxetina, antidepressivos específicos).
    • Terapia: especialmente Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que ensina técnicas de organização, gestão de tempo e autoestima.
    • Educação e suporte: grupos de apoio e orientação familiar.
    • Estilo de vida saudável: sono adequado, exercícios físicos e alimentação equilibrada.

    “A escolha depende da intensidade dos sintomas, das atividades do paciente e até do acesso a tratamentos. Casos leves podem ser controlados apenas com terapia e mudanças de rotina. Já quadros mais intensos podem se beneficiar da combinação com medicação”, explica Paula.

    Hábitos e estratégias que ajudam no dia a dia

    Além do tratamento formal, rotinas práticas trazem ganhos significativos. Algumas recomendações:

    • Estabelecer rotina fixa (horários regulares para acordar, trabalhar, dormir).
    • Usar ferramentas de organização (agendas, aplicativos, lembretes).
    • Quebrar tarefas grandes em partes menores.
    • Reduzir distrações no ambiente de estudo ou trabalho.
    • Manter hábitos saudáveis: sono regular, exercícios, alimentação equilibrada.
    • Aplicar técnicas de gestão do tempo (ex.: método Pomodoro).

    No trabalho, vale conversar com colegas ou gestores de confiança para estabelecer prazos claros e lembretes. Em casa, dividir responsabilidades e pedir apoio em lembretes também pode ajudar.

    Leia também: Depressão não é frescura ou falta de fé: veja mitos sobre a doença

    Perguntas e respostas sobre TDAH em adultos

    1. O que é o TDAH em adultos?

    É um transtorno neurobiológico que afeta atenção, concentração e impulsividade, manifestando-se mais como inquietação mental do que hiperatividade física.

    2. Quais são os principais sintomas de TDAH em adultos?

    Incluem distração fácil, esquecimento, procrastinação, impulsividade e sensação constante de inquietude interna.

    3. Como é feito o diagnóstico de TDAH em adultos?

    É clínico, baseado em entrevistas, questionários e exclusão de outras condições. Deve ser feito por neurologista ou psiquiatra.

    4. O TDAH pode impactar trabalho e relacionamentos?

    Sim. No trabalho, pode gerar dificuldades com prazos e organização. Nos relacionamentos, pode causar conflitos por impulsividade ou distração.

    5. Quais são os principais tratamentos de TDAH em adultos?

    Medicação (quando indicada), terapia cognitivo-comportamental, suporte familiar e mudanças de estilo de vida.

    6. A medicação é sempre necessária?

    Não. Casos leves podem ser controlados com terapia e hábitos saudáveis. Casos intensos geralmente exigem medicação.

    7. Quais hábitos ajudam no dia a dia?

    Rotina estruturada, ferramentas de organização, divisão de tarefas, sono regular, exercícios físicos e técnicas de gestão do tempo.

    Leia também: TDAH: o que é, como diferenciar e tratar

    Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Se houver suspeita de TDAH, procure acompanhamento especializado.

  • Testes genéticos para remédios contra depressão: saiba o que são e como funcionam 

    Testes genéticos para remédios contra depressão: saiba o que são e como funcionam 

    Encontrar o antidepressivo adequado costuma ser um caminho de tentativas e erros. Para muitos pacientes, o processo exige semanas até que a resposta clínica seja avaliada — período em que podem surgir efeitos colaterais, ajustes de dose e, às vezes, troca do medicamento. Com o avanço da medicina de precisão, surgiram os testes genéticos para antidepressivos, que prometem encurtar esse percurso.

    Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, a ideia é analisar previamente como o organismo do paciente metaboliza e responde a diferentes remédios. “Esses testes funcionam como um mapa: mostram não só como o corpo processa o medicamento, mas também dão pistas de como o cérebro pode reagir”.

    Testes genéticos para antidepressivos: farmacocinéticos e farmacodinâmicos

    A farmacogenética estuda a relação entre genes e resposta a medicamentos. Na psiquiatria, o foco recai especialmente sobre os antidepressivos, usados em depressão, transtornos de ansiedade e outros quadros.

    Nesse contexto, avaliam-se dois conjuntos de genes:

    • Genes farmacocinéticos (metabolismo do fármaco);
    • Genes farmacodinâmicos (alvos e efeito do fármaco no sistema nervoso).

    A maior parte dos testes disponíveis hoje enfatiza os farmacocinéticos, pois analisam como o fígado “quebra” e elimina as substâncias. Os mais estudados são:

    • CYP2D6 e CYP2C19: codificam enzimas hepáticas que metabolizam muitos antidepressivos.

    Pessoas com variantes que aceleram o metabolismo podem eliminar o remédio rápido demais, reduzindo o efeito. Já variantes que lentificam o metabolismo elevam o risco de acúmulo e efeitos colaterais.

    Há também os farmacodinâmicos, que não tratam da metabolização, mas da ação no sistema nervoso, por exemplo:

    • SLC6A4 (transportador de serotonina);
    • HTR2A (receptor de serotonina).

    Esses marcadores ajudam a explicar por que algumas pessoas respondem melhor a certos fármacos ou têm maior propensão a determinados efeitos.

    Diretrizes internacionais e evidências de testes genéticos para antidepressivos

    De acordo com diretrizes do Clinical Pharmacogenetics Implementation Consortium (CPIC), já há recomendações claras para o uso clínico de resultados relacionados a genes de metabolismo (farmacocinéticos). Já os farmacodinâmicos exigem cautela porque:

    • O metabolismo se relaciona diretamente às concentrações do fármaco no sangue (mensuráveis);
    • O efeito cerebral envolve múltiplos mecanismos, ambiente e interação de vários genes simultaneamente.

    Assim, os achados farmacodinâmicos devem ser interpretados de forma complementar e sempre no contexto clínico.

    Leia mais: Tratamento da depressão em 2025: o que tem de novo

    Como funcionam os testes na prática

    Os testes genéticos para antidepressivos basicamente funcionam da seguinte forma:

    • Coleta: geralmente por saliva com swab bucal (ou sangue, quando indicado);
    • Análise: o laboratório pesquisa variantes nos genes de interesse;
    • Laudo: classifica fármacos e orienta ajustes que o médico irá interpretar.

    Relatórios comerciais costumam agrupar medicamentos em categorias:

    • Uso normal: sem variantes relevantes;
    • Uso com cautela: possível baixa eficácia ou maior risco de efeitos, exigindo ajuste de dose/monitorização;
    • Uso não recomendado: alta chance de ineficácia ou toxicidade.

    Exemplo: se um paciente é metabolizador ultrarrápido para um antidepressivo, a probabilidade de benefício é baixa — o que permite ajustar a escolha logo no início e evitar tentativas infrutíferas.

    Conclusão do especialista: “Os testes não dão uma resposta definitiva, mas encurtam o caminho até um tratamento mais eficaz, com menos tentativas frustradas e menos efeitos indesejados”.

    Perguntas e respostas sobre testes genéticos para antidepressivos

    1. O que são testes genéticos para antidepressivos?

    Exames que avaliam variações no DNA para entender como o corpo metaboliza e responde aos medicamentos. Ajudam a personalizar o tratamento e podem acelerar a escolha do antidepressivo mais eficaz.

    2. Quais genes costumam ser avaliados?

    Principalmente CYP2D6 e CYP2C19 (metabolismo) e marcadores como SLC6A4 e HTR2A (ação no sistema nervoso).

    3. Qual a diferença entre farmacocinéticos e farmacodinâmicos?

    Farmacocinéticos: mostram como e quão rápido o organismo metaboliza o fármaco.
    Farmacodinâmicos: indicam como o cérebro e os neurotransmissores reagem ao medicamento.

    4. Esses testes já são recomendados em diretrizes?

    orientações consolidadas para genes de metabolismo. Para os farmacodinâmicos, o uso é mais cauteloso e complementar.

    5. Como é feito o exame?

    Coleta simples e pouco invasiva, geralmente por saliva com cotonete estéril (ou por sangue, quando necessário).

    6. Qual o principal benefício para o paciente?

    Reduzir tentativas e erros, evitar longos períodos sem resposta, minimizar efeitos colaterais e chegar mais rápido ao tratamento adequado.

    Leia mais: Depressão não é frescura ou falta de fé: veja mitos sobre a doença

  • Café: amigo do foco ou vilão da ansiedade? Descubra os efeitos no cérebro 

    Café: amigo do foco ou vilão da ansiedade? Descubra os efeitos no cérebro 

    Amado por uns e ignorado por outros, o café é uma das bebidas mais consumidas do mundo. Para muitos, é indispensável para começar o dia ou enfrentar a fadiga da tarde. Mas afinal: o café faz bem ou mal para a saúde mental? Dois especialistas ajudam a responder.

    A neurologista Paula Dieckmann explica que a cafeína atua bloqueando os receptores de adenosina — uma molécula que induz sono e relaxamento.

    “Quando a adenosina se liga aos seus receptores, você se sente relaxado e cansado. A cafeína, por sua vez, se encaixa nesses receptores, mas não os ativa — e ainda impede que a adenosina aja. Como resultado, há redução da sensação de fadiga, aumento do estado de alerta e maior disposição”, explica a médica.

    É por isso que, depois de um café, você pode se sentir mais focado, desperto e até de melhor humor.

    Leia também: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

    Quando o café pode virar problema

    O psiquiatra Luiz Dieckmann lembra que o excesso pode trazer efeitos indesejados.

    “O consumo excessivo de café pode levar a efeitos adversos, que chamamos de cafeinismo: ansiedade, insônia e irritabilidade. E, com o uso contínuo, o cérebro pode acabar desenvolvendo tolerância, ou seja, você vai precisar de mais e mais cafeína para sentir o mesmo efeito de antes”, explica.

    Ou seja, se o café atrapalha o sono, aumenta a ansiedade ou causa irritação, pode ser hora de rever a quantidade consumida.

    Hoje, recomenda-se não ultrapassar 400 mg/dia de cafeína, que equivale a cerca de 3–5 xícaras de café filtrado.

    Café não é a única fonte de cafeína

    Quem resolve diminuir o café para evitar efeitos negativos deve ficar atento a outras fontes de cafeína.

    “Muita gente coloca toda a culpa no cafezinho, mas a cafeína está presente em mais de 60 plantas diferentes”, afirma o psiquiatra.

    Ele reforça: “Chá preto, chá mate, chá verde e várias outras bebidas também contêm cafeína. Então, não coloque a culpa só no cafezinho”, brinca o Dr. Dieckmann.

    Ou seja, mesmo sem café, é possível ingerir cafeína em quantidades significativas por meio de chás, refrigerantes e energéticos.

    Assista ao vídeo com a explicação dos médicos.

    Equilíbrio é o melhor caminho

    O café pode ser tanto amigo quanto inimigo. Em doses moderadas, melhora foco, disposição e humor. Em excesso, prejudica o sono, aumenta a ansiedade e pode causar tolerância.

    “Tudo o que é moderado pode ser bom. O café pode melhorar o humor e a atenção”, resume o psiquiatra.

    Perguntas frequentes sobre café e saúde mental

    1. O café pode ajudar na concentração?

    Sim, a bebida pode ajudar a pessoa a se concentrar melhor. A cafeína bloqueia a adenosina e aumenta o estado de alerta e favorece o foco e a disposição.

    2. Beber muito café pode causar ansiedade?

    Sim. O consumo exagerado pode gerar sintomas como ansiedade, irritabilidade e insônia.

    3. Só o café contém cafeína?

    Não. Chás como mate, verde e preto, além de refrigerantes e energéticos, também contêm cafeína.

    4. O café vicia?

    O café pode levar à tolerância — o organismo se acostuma e precisa de doses maiores para o mesmo efeito. Mas isso não equivale à dependência de drogas ilícitas.

    Leia mais: Tratamento da depressão em 2025: o que tem de novo

  • Depressão não é frescura ou falta de fé: veja mitos sobre a doença 

    Depressão não é frescura ou falta de fé: veja mitos sobre a doença 

    Você já ouviu algo como “depressão é frescura” ou “é só ter força de vontade”? Frases assim não apenas machucam, como também não têm qualquer fundamento científico. A neurociência desmonta esses preconceitos e mostra que a depressão é uma condição real, com alterações cerebrais e biológicas bem documentadas.

    Depressão não é tristeza passageira, não é preguiça e definitivamente não é frescura”, afirma o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a depressão como a principal causa de incapacidade no mundo, afetando quase 300 milhões de pessoas. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que 15,5% da população terá depressão ao longo da vida.

    Por que os mitos sobre depressão fazem tanto mal

    Quando alguém diz que a depressão é “frescura” ou “falta de Deus”, ignora todos os mecanismos biológicos envolvidos e desvaloriza o sofrimento de quem passa por isso. Esse preconceito aumenta o isolamento, dificulta a busca por ajuda e atrasa o tratamento — o que pode agravar os sintomas.

    O psiquiatra Luiz Dieckmann faz uma comparação: “Você não diria para uma pessoa com asma: ‘nossa, tem tanto ar para você respirar e você está aí com falta de ar’, certo?”.

    Na depressão, há desequilíbrio em diversos neurotransmissores, como serotonina, dopamina, noradrenalina e glutamato. “Os estudos mostram que pessoas com depressão têm inflamação crônica de baixo grau no cérebro, alteração no sistema imunológico e até mudanças na expressão genética”, detalha o médico especialista.

    Por que quebrar o preconceito sobre depressão é essencial

    O preconceito faz com que muitos não procurem tratamento, o que pode agravar o quadro. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) considera a psicofobia um crime. “Temos que quebrar esse preconceito”, alerta Dieckmann.

    Quanto antes a depressão é diagnosticada e tratada, melhores os resultados: menos sofrimento, menor risco de agravamento e recuperação mais rápida. A empatia, a informação correta e o acolhimento são fundamentais desde o início.

    Veja também: Depressão adolescente: sinais e como ajudar com empatia

    Perguntas frequentes sobre depressão

    1. A depressão é só tristeza?

    Não. A tristeza pode ser um dos sintomas, mas a depressão envolve alterações bioquímicas, genéticas, imunológicas e ainda influencia o sono, o apetite e o funcionamento no dia a dia.

    2. Depressão é preguiça ou falta de força de vontade?

    Não. Esses mitos não têm base científica. A depressão é uma condição médica real, com causas neurobiológicas e fatores de risco complexos.

    3. Quantas pessoas no Brasil têm depressão?

    Segundo o Ministério da Saúde, 15,5% dos brasileiros terão depressão ao longo da vida. Isso é um número bem alto, considerando o volume da população brasileira.

    4. Por que só algumas pessoas com depressão recebem diagnóstico?

    Por causa de barreiras como estigma, falta de informação, dificuldade de reconhecer sintomas, acesso limitado a serviços de saúde e desigualdades regionais.

    5. Se a depressão tem componentes biológicos, significa que não há tratamento?

    Pelo contrário. Entender os aspectos biológicos orienta o tratamento adequado, que pode incluir medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida. A genética mostra caminhos, mas não define o destino.

    6. Vale a pena procurar ajuda médica mesmo que os sintomas pareçam leves?

    Sim. Buscar apoio desde o início ajuda a evitar agravamentos e facilita encontrar o tratamento certo.

    7. Como posso ajudar alguém que está sofrendo?

    Sem julgamentos: ouça, demonstre compreensão, incentive a busca por ajuda profissional e evite reforçar mitos como “isso é frescura” ou “é só ter força de vontade”.

    Leia também: Tratamento da depressão em 2025: o que tem de novo

  • Psicoterapia: entenda quando é hora de começar

    Psicoterapia: entenda quando é hora de começar

    Em um mundo cada vez mais acelerado, exigente e conectado, os sinais de esgotamento emocional têm se tornado cada vez mais comuns. Buscar apoio psicológico não precisa (e nem deve) ser o último recurso.

    Em vez de esperar o sofrimento chegar ao limite, cada vez mais pessoas têm entendido que a psicoterapia pode ser uma ferramenta poderosa de autoconhecimento, equilíbrio emocional e prevenção de doenças mentais.

    Sinais de que é hora de buscar ajuda psicológica

    Para o psicólogo Bruno Sini Scarpato, professor de pós-graduação do Instituto de Ensino Superior Albert Einstein, cuidar da saúde mental não é luxo, mas sim uma prioridade.

    “Estudos apontam que 1 a cada 4 pessoas será afetada por algum transtorno mental ao longo da vida”, afirma. “Quanto maior for a demora no início do tratamento, maior será a perda de funcionalidade e o risco de adoecimento físico.”

    Sintomas que indicam a necessidade de apoio psicológico:

    • Tristeza persistente;
    • Irritabilidade constante;
    • Ansiedade fora do controle;
    • Alterações no sono ou apetite;
    • Cansaço sem causa aparente;
    • Dificuldade de concentração;
    • Isolamento social;
    • Comportamentos autodestrutivos;
    • Uso abusivo de substâncias;
    • Pensamentos sobre desaparecer.

    “É possível buscar terapia mesmo quando se está apenas enfrentando dúvidas sobre um relacionamento, carreira ou tomada de decisões”, acrescenta Bruno.

    O que é a terapia cognitivo-comportamental (TCC)?

    Entre as abordagens mais procuradas de psicoterapia, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) se destaca pela praticidade e foco em soluções no presente.

    “A TCC parte da ideia de que pensamentos, emoções e comportamentos estão interligados. Ao identificar e modificar padrões de pensamento distorcidos, conseguimos reduzir o sofrimento emocional e mudar comportamentos disfuncionais”, explica o psicólogo.

    Diferente de abordagens voltadas ao passado, como a psicanálise, a TCC tem sessões estruturadas e metas claras.

    “As sessões são estruturadas, com uso de técnicas ativas e tarefas entre os encontros”, completa Bruno.

    Benefícios da psicoterapia no dia a dia

    A psicoterapia não é apenas para quem tem um diagnóstico. De acordo com Bruno, todos podem se beneficiar. “Não é preciso esperar por um diagnóstico para começar o acompanhamento terapêutico”, afirma.

    De acordo com o psicólogo, a psicoterapia pode ajudar a:

    • Lidar melhor com emoções;
    • Melhorar o autoconhecimento;
    • Aumentar a autoestima;
    • Ajudar a tomar decisões com mais clareza;
    • Construir limites saudáveis;
    • Fortalecer a comunicação;
    • Contribuir para enfrentar desafios do dia a dia, como trabalho, estudos e relações.

    Em casos de transtornos mentais, o acompanhamento também ajuda a reconhecer padrões e manejar os sintomas.

    Como encontrar psicoterapia gratuita ou acessível

    A questão financeira ainda é uma das maiores barreiras, mas há alternativas. “Muitas universidades oferecem atendimento gratuito ou a preços simbólicos em clínicas-escola. O SUS também disponibiliza apoio psicológico nas UBS e nos CAPS”, orienta Bruno.

    Durante a pandemia, surgiram plataformas online que democratizaram ainda mais o acesso. Além disso, planos de saúde são obrigados a cobrir sessões de psicoterapia se houver pedido médico, conforme resolução atual da ANS.

    Quanto tempo dura uma terapia?

    A duração de uma sessão de terapia varia conforme a abordagem, os objetivos e o ritmo da pessoa.

    “Saber se é hora de encerrar envolve avaliar se os sintomas diminuíram, se os objetivos foram alcançados e se a pessoa se sente mais preparada para lidar com os desafios sozinha”, explica o psicólogo.

    Algumas terapias duram entre 12 e 20 sessões, enquanto outras podem durar meses ou até anos. Não existe um tempo certo, cada jornada é única.

    Medos e resistências: o que trava o início?

    “Muitas pessoas não sabem o que esperar ou têm crenças negativas sobre a terapia. Algumas resistem à mudança mesmo que estejam em sofrimento”, comenta Bruno.

    Medo de se expor, insegurança com o processo e desinformação são barreiras comuns. O crescimento da terapia online, porém, tem ajudado a romper esses obstáculos.

    Terapia online ou presencial: qual escolher?

    A pandemia digitalizou o cuidado com a saúde mental. Hoje, é já dá para escolher entre atendimento online ou presencial, conforme a preferência e necessidade.

    “A terapia online ganhou força e ampliou o acesso, além de facilitar o contato com conteúdos sobre saúde emocional nas redes”, afirma o especialista.

    O mais importante é criar vínculo com o profissional. Se não houver conexão, vale tentar com outro. “Isso não é sinal de fracasso. O vínculo terapêutico é construído com tempo, empatia e confiança”, reforça.

    Psicoterapia é um gesto de coragem

    “Muitas pessoas associam o sofrimento emocional à fraqueza, loucura ou instabilidade. Isso gera vergonha e medo de julgamento”, explica Bruno.

    Além disso, o preconceito muitas vezes impede que os transtornos mentais sejam reconhecidos como questões de saúde, como se não merecessem o mesmo cuidado que um diagnóstico de diabetes ou arritmia cardíaca, por exemplo.

    Portanto, cuidar da mente com a mesma seriedade com que cuidamos do corpo é uma atitude importante e, por que não, corajosa. “A psicoterapia não é apenas tratamento. É também prevenção, fortalecimento e investimento em si mesmo”, diz Bruno.

    Perguntas frequentes sobre psicoterapia

    1. Como saber se está na hora de procurar um psicólogo?

    Sinais como tristeza constante, ansiedade, insônia, irritabilidade ou dificuldade de lidar com desafios são indicativos importantes para fazer psicoterapia.

    2. Psicoterapia é só para quem tem transtorno mental?

    Não. Qualquer pessoa pode se beneficiar da terapia, mesmo sem um diagnóstico clínico.

    3. O que é TCC e como ela funciona?

    A terapia cognitivo-comportamental ajuda a modificar pensamentos e comportamentos que causam sofrimento por meio de técnicas práticas e objetivos claros.

    4. Existe atendimento psicológico gratuito?

    Sim. Universidades, UBS, CAPS e algumas plataformas online oferecem serviços gratuitos ou a preços reduzidos.

    5. A psicoterapia online funciona?

    Sim. É uma alternativa válida, segura e eficaz, especialmente para quem tem dificuldades de deslocamento ou horários restritos.

    6. Quanto tempo dura a terapia?

    Depende do caso. Pode durar algumas sessões ou se estender por meses ou anos, de acordo com os objetivos e o progresso do paciente.

    7. E se eu não me sentir confortável com o terapeuta?

    Trocar de profissional é comum. A relação terapêutica precisa ser baseada em confiança e empatia.