Se você é uma pessoa que convive com ansiedade, já deve saber que o corpo costuma dar pequenos sinais de alerta antes de uma crise acontecer. O coração pode acelerar, a respiração ficar mais curta, os músculos se tensionarem ou surgir uma sensação repentina de inquietação.
Só que, na correria do dia a dia, é comum ignorar os primeiros sintomas ou confundir com um cansaço passageiro. Mas quando você entende o que está acontecendo com o corpo, fica muito mais fácil aplicar técnicas simples de relaxamento e impedir que a ansiedade evolua para um momento de desespero.
A seguir, listamos alguns dos principais sinais físicos e psicológicos e o que você pode fazer para desacelerar a mente antes que a crise se instale.
Principais sinais de uma crise de ansiedade iminente
1. Sensação de distanciamento do mundo ao redor (desrealização)
De acordo com o psiquiatra Luiz Dieckmann, a desrealização é uma sensação de estranhamento em relação ao ambiente onde você está e pode ser um dos principais sinais de crise de ansiedade, antes mesmo do coração acelerado e do mal-estar.
Durante um pico de ansiedade, o cérebro pode entrar em um modo de defesa que faz com que o ambiente ao seu redor pareça artificial, estranho ou completamente surreal. Você olha para lugares familiares, como a sua própria casa ou o seu local de trabalho, e eles parecem distantes, bidimensionais (como um cenário de filme) ou de alguma forma errados.
É muito comum sentir distorções visuais ou auditivas, como se o espaço estivesse maior ou menor do que realmente é, ou como se as pessoas estivessem falando muito longe.
2. Estranhamento de si mesmo (despersonalização)
A despersonalização afeta como você percebe a si mesmo, segundo Luiz. É uma das sensações mais desconfortáveis da crise de ansiedade, pois gera uma quebra temporária na percepção da própria identidade.
De maneira geral, você sente como se estivesse flutuando no teto ou assistindo à sua própria vida em terceira pessoa, como se o seu corpo pertencesse a outra pessoa. É um sinal que pode assustar, mas é uma resposta biológica que diminui gradativamente conforme os níveis de adrenalina e ansiedade voltam ao normal.
3. Palpitações ou coração acelerado
A aceleração dos batimentos cardíacos, conhecido como taquicardia, acontece devido à liberação repentina de adrenalina na corrente sanguínea. O hormônio estimula o músculo cardíaco a bombear sangue mais rapidamente para os músculos, preparando o corpo para uma reação de fuga ou defesa, mesmo que não exista um perigo real.
4. Sensação de falta de ar
A ansiedade altera o padrão respiratório, tornando a respiração rápida e superficial. Como consequência, o processo diminui os níveis de gás carbônico no sangue e você pode ter a sensação de sufocamento ou de que o ar não chega totalmente aos pulmões, embora as vias aéreas estejam livres.
5. Tremores nas mãos ou no corpo
Os tremores começam de forma involuntária, sendo mais comuns nas mãos, nas pernas ou nas pálpebras. Eles são o resultado do excesso de tensão acumulada nos músculos e da descarga de hormônios do estresse na corrente sanguínea, que deixam o corpo em um estado de alta sensibilidade.
6. Suor frio ou os calafrios
Você pode começar a suar intensamente nas palmas das mãos, nos pés ou na testa, mesmo em um ambiente frio. Em contrapartida, também é comum sentir arrepios e calafrios pelo corpo, porque o sistema nervoso desregula temporariamente o controle da temperatura corporal devido ao estresse extremo.
7. Aperto ou a dor no peito
A tensão muscular provocada pela ansiedade faz com que os músculos da região do tórax se contraiam com força, o que causa uma sensação de aperto, peso ou pontadas no peito. É um dos sinais que mais pode assustar, pois o desconforto pode ser facilmente confundido com um problema cardíaco.
8. Tontura ou sensação de desmaio
Você pode sentir a cabeça leve, uma sensação de instabilidade ao andar ou a impressão de que tudo ao redor está rodando. O sintoma acontece por dois motivos: a respiração errada, que altera o oxigênio no cérebro, e o desvio do fluxo de sangue para os músculos principais do corpo.
9. Náusea ou o desconforto no estômago
O sistema digestivo é extremamente sensível às emoções. Quando a crise de ansiedade está para começar, o cérebro envia sinais que desaceleram a digestão, o que pode causar uma sensação de nó no estômago, enjoos, queimação, estufamento e até episódios repentinos de diarreia.
O que fazer ao notar os sinais de crise?
Quando você perceber que a crise de ansiedade está se aproximando, o recomendado é tentar interromper a escalada dos sintomas o mais cedo possível. Para isso, vale tentar algumas medidas:
Controle a sua respiração (técnica dos 4 segundos)
A respiração curta é o que mais alimenta os sintomas físicos da ansiedade. Para reverter isso, use a técnica da respiração diafragmática:
- Puxe o ar pelo nariz lentamente contando até 4, enchendo a barriga e não o peito;
- Segure o ar nos pulmões por 2 segundos;
- Solte o ar pela boca devagar, como se estivesse soprando uma vela, contando até 4;
- Você pode repetir o ciclo pelo menos cinco vezes até o coração começar a desacelerar.
Use a técnica 5-4-3-2-1 para ancorar a mente
Os pensamentos catastróficos costumam levar a mente para preocupações sobre o futuro e para os piores cenários possíveis. Para interromper esse ciclo, observe o ambiente ao seu redor e identifique mentalmente:
- 5 coisas que você consegue ver no ambiente;
- 4 coisas que você consegue tocar ou sentir o tato (o chão sob os pés, a textura da calça);
- 3 sons que você consegue ouvir ao fundo;
- 2 cheiros que você consegue sentir no momento;
- 1 gosto que você consegue sentir na boca.
O exercício ajuda a direcionar a atenção para o presente, reduzindo a intensidade da ansiedade e a sensação de estar sendo dominado pelos pensamentos.
Relaxe os músculos conscientemente
Como a ansiedade costuma deixar o corpo inteiro em estado de tensão, faça uma rápida checagem corporal. Relaxe os ombros, que muitas vezes ficam elevados e rígidos, afaste os dentes para aliviar a tensão na mandíbula e abra as mãos caso estejam fechadas.
De maneira geral, permitir que o corpo fique mais relaxado envia ao cérebro a mensagem de que não há um perigo imediato.
Jogue água fria no rosto
Se sentir que a ansiedade está aumentando rapidamente, experimente jogar água fria no rosto ou segurar uma pedra de gelo nas mãos. O contato com o frio pode estimular respostas do organismo que ajudam a reduzir a ativação do sistema nervoso, favorecendo uma sensação de calma e ajudando a diminuir sintomas como o coração acelerado.
Quando procurar ajuda médica?
É muito importante saber diferenciar uma ansiedade comum do dia a dia de um quadro que precisa de suporte profissional. Por isso, fique atento aos seguintes sinais de alerta:
- As crises de ansiedade começam a acontecer com frequência ou sem um motivo aparente;
- O medo de ter uma nova crise passa a controlar a sua rotina e impede você de sair de casa ou trabalhar;
- Os sintomas físicos, como falta de ar e dor no peito, são tão intensos que geram idas constantes ao pronto-socorro;
- As estratégias que você usa para se acalmar já não funcionam mais;
- A ansiedade prejudica o sono, causando insônia persistente ou pesadelos frequentes;
- O rendimento no trabalho, nos estudos ou a sua relação com a família e amigos começa a piorar;
- Você passa a evitar ativamente lugares, conversas ou pessoas por medo de passar mal;
- O sentimento de tristeza, esgotamento ou desesperança permanece mesmo após a crise passar.
O acompanhamento psicológico oferece um espaço seguro para que você entenda os próprios gatilhos e desenvolva estratégias para lidar melhor com as emoções.
Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade
Perguntas frequentes
1. Uma crise de ansiedade pode matar?
Não, a crise de ansiedade não causa a morte e nem danifica os órgãos do corpo. Ela é uma resposta temporária de estresse que passa após alguns minutos.
2. Quanto tempo dura uma crise de ansiedade?
Em média, o pico de uma crise dura entre 10 e 20 minutos. Depois desse período, o corpo começa a reabsorver os hormônios do estresse e os sintomas diminuem gradativamente.
3. Qual é a diferença entre crise de ansiedade e ataque de pânico?
A crise de ansiedade geralmente tem um gatilho identificável (como um problema no trabalho) e os sintomas vão crescendo aos poucos. O ataque de pânico acontece de forma repentina, sem motivo aparente, com uma sensação avassaladora de morte iminente.
4. Como diferenciar a dor no peito da ansiedade de um infarto?
Na ansiedade, a dor costuma ser em pontadas, piora ao respirar fundo e vem acompanhada de respiração rápida. No infarto, a dor é um aperto forte que irradia para o braço esquerdo, mandíbula ou costas, e não melhora com técnicas de relaxamento. Na dúvida, busque sempre o pronto-socorro.
5. É normal sentir vontade de chorar durante a crise?
Sim, é perfeitamente normal. O choro é uma forma natural do organismo liberar a tensão acumulada e aliviar a sobrecarga emocional.
6. Chás naturais ajudam a prevenir as crises?
Chás como camomila, passiflora, cidreira e valeriana têm propriedades relaxantes leves que ajudam a acalmar o dia a dia. No entanto, eles funcionam como um suporte para a rotina e não substituem o tratamento médico nas crises intensas.
7. Posso ter uma crise de ansiedade dormindo?
Sim, existem as chamadas crises de ansiedade noturnas. A pessoa acorda de repente já com o coração acelerado, suor frio e falta de ar. Elas acontecem porque o cérebro continua processando o estresse do dia a dia mesmo durante o sono.
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