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  • Sempre adia tudo? Procrastinação pode estar ligada à ansiedade e depressão

    Sempre adia tudo? Procrastinação pode estar ligada à ansiedade e depressão

    A procrastinação é o hábito de adiar uma tarefa, mesmo sabendo que isso pode trazer consequências negativas depois. Mas, ao contrário do que você pode imaginar, o comportamento não está ligado a preguiça ou falta de organização, mas sim a uma dificuldade de lidar com as próprias emoções.

    Quando uma atividade causa desconforto, tédio, medo ou insegurança, o cérebro tenta buscar um alívio imediato, trocando aquela tarefa por algo mais prazeroso no curto prazo. Só que quando a procrastinação se torna frequente e começa a afetar a vida pessoal e profissional, ela deixa de ser apenas uma distração do dia a dia.

    Com o tempo, o hábito pode afetar a produtividade, os estudos, o trabalho e até a saúde mental, principalmente quando as tarefas acumuladas começam a gerar mais estresse e sobrecarga emocional.

    Qual é a relação entre procrastinação e ansiedade?

    A relação entre a procrastinação e a ansiedade não tem a ver com falta de vontade, mas com uma forma pouco saudável de lidar com o desconforto emocional. Em outras palavras, o cérebro adia a tarefa para tentar escapar da sensação ruim que ela provoca.

    Quando uma pessoa ansiosa precisa fazer alguma obrigação, a tarefa está acompanhada de pensamentos como insegurança, preocupação, tédio e até cobrança. A dinâmica costuma acontecer de três formas principais:

    • O ciclo da fuga emocional: quando o prazo se aproxima, surgem sentimentos como medo de errar, estresse ou insegurança. Para aliviar isso rapidamente, o cérebro procura distrações, como redes sociais, vídeos ou até arrumar a casa. Só que o alívio dura pouco e, depois, a culpa aumenta e a ansiedade volta ainda mais forte.
    • O perfeccionismo: muito comum em pessoas ansiosas, o perfeccionismo faz com que a pessoa ache que tudo precisa sair perfeito. Sem perceber, ela pensa que se não conseguir fazer direito, é melhor nem começar agora. Basicamente, o medo de falhar acaba atrapalhando a realização da tarefa.
    • A paralisia por excesso de pensamentos: quando a tarefa parece grande ou complicada, a mente tenta prever todos os problemas e possibilidades ao mesmo tempo, o que gera uma sobrecarga mental tão grande que a pessoa fica cansada antes mesmo de começar.

    Vale destacar que a procrastinação associada ao quadro de ansiedade quase nunca vem acompanhada de descanso de verdade. Mesmo adiando a tarefa, a pessoa continua pensando nela o tempo todo, sofrendo por antecipação e se sentindo pressionada mentalmente.

    Como a depressão afeta a produtividade e gera a procrastinação?

    Enquanto na ansiedade a procrastinação costuma acontecer por medo e excesso de preocupação, em quadros de depressão, o adiamento das tarefas está mais ligado ao esgotamento físico, mental e emocional.

    A doença afeta a química do cérebro e prejudica diretamente a energia, a motivação e a capacidade de concentração, de acordo com o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    Além do cansaço constante, também é comum perder a sensação de prazer e recompensa ao concluir atividades, o que diminui ainda mais a vontade de agir. A dificuldade de foco e organização também faz com que a pessoa não consiga saber por onde começar.

    Como consequência, até tarefas simples do dia a dia podem parecer pesadas e difíceis demais de realizar. Aos poucos, a pessoa começa a adiar compromissos, perde produtividade e sente culpa por não conseguir acompanhar a própria rotina.

    O ciclo pode aumentar ainda mais o desânimo, a sensação de incapacidade e o isolamento, agravando os sintomas da depressão.

    Como saber se o meu caso é ansiedade, depressão ou apenas um hábito?

    Para entender se a procrastinação está ligada à ansiedade, à depressão ou apenas a um mau hábito, vale observar o motivo do adiamento e como isso afeta o emocional no dia a dia.

    Na procrastinação comum, a pessoa adia a tarefa para fazer algo mais prazeroso no momento, como assistir a uma série ou mexer no celular. Pode existir uma culpa passageira, mas, no geral, ela consegue entregar o que precisa quando o prazo aperta, sem grandes problemas na autoestima ou na rotina.

    Quando o hábito está associado a um quadro de ansiedade, ele vem acompanhado de medo e preocupação excessiva. A pessoa até quer fazer a tarefa, mas trava por medo de errar, de ser julgada ou de não conseguir fazer tudo perfeitamente. Mesmo adiando, ela continua pensando no compromisso o tempo todo, muitas vezes com sintomas como insônia, batimentos acelerados e sensação de angústia.

    Já na depressão, a procrastinação costuma estar relacionada ao esgotamento físico e emocional. A pessoa sente um cansaço constante, falta de energia e dificuldade até para começar tarefas simples. Também é comum perder o interesse pelas atividades e sentir que nada faz sentido, o que aumenta ainda mais o desânimo e a sensação de incapacidade.

    Dicas práticas para vencer a procrastinação e acalmar a mente

    Para romper o ciclo da procrastinação e acalmar o fluxo de pensamentos que causa a paralisia, é preciso adotar medidas que reduzam a sobrecarga do cérebro e facilitem o primeiro passo, como:

    • Regra dos 5 minutos: combine com você mesmo que vai fazer a tarefa por apenas cinco minutos, pois o mais difícil costuma ser começar. Depois disso, fica mais fácil continuar;
    • Divida em pequenas etapas: em vez de pensar em uma tarefa enorme, quebre tudo em partes menores e mais simples. Por exemplo, foque em “organizar uma gaveta” em vez de “arrumar a casa inteira”;
    • Técnica Pomodoro: faça a atividade em períodos curtos, com pausas no meio. Um exemplo é trabalhar por 25 minutos e descansar por 5. Saber que terá uma pausa ajuda a diminuir a ansiedade;
    • Tire as distrações do ambiente: deixe o celular longe, feche abas desnecessárias e tente criar um espaço com menos estímulos para conseguir se concentrar melhor.

    No fim, também é importante ter mais gentileza com você mesmo. Se culpar o tempo todo só aumenta a ansiedade e a vontade de adiar as tarefas. Tente entender as suas dificuldades sem se cobrar de forma excessiva.

    Quando a procrastinação se torna um sinal de alerta para a saúde mental?

    A procrastinação passa a ser um sinal de alerta para a saúde mental quando deixa de acontecer de forma pontual e começa a prejudicar diferentes áreas da vida. Por isso, fique de olho em:

    • Dificuldade frequente para cumprir tarefas no trabalho, nos estudos ou na rotina;
    • Sensação constante de ansiedade, culpa ou angústia por adiar compromissos;
    • Cansaço mental intenso e dificuldade de concentração;
    • Perda de motivação até para atividades simples do dia a dia;
    • Medo excessivo de errar ou de ser julgado;
    • Sensação de incapacidade ou baixa autoestima;
    • Impacto no sono, nos relacionamentos e na qualidade de vida.

    “Quando a procrastinação é constante e começa a afetar, por exemplo, o trabalho e o estudo, vale muito a pena investigar e ver o que está por trás dela, porque tem como tratar”, finaliza o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    Leia mais: Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda

    Perguntas frequentes

    1. Por que nós procrastinamos mesmo sabendo que será ruim?

    Porque o nosso cérebro prioriza o alívio imediato. Diante de uma tarefa que gera estresse, tédio ou insegurança, o sistema límbico (focado no presente) vence o córtex pré-frontal (focado no futuro), fazendo a gente fugir do desconforto na hora.

    2. Existe procrastinação saudável ou positiva?

    Existe a chamada “procrastinação ativa”, que é quando você adia uma tarefa, mas usa esse tempo de forma produtiva para resolver outra urgência ou para amadurecer uma ideia. Ela só se torna um problema quando vira um hábito crônico que gera prejuízos.

    3. O que é a astenia na depressão e como ela afeta a produtividade?

    A astenia é a fadiga crônica provocada pela depressão, que não passa mesmo após uma noite de sono. Ela drena as forças do indivíduo, fazendo com que tarefas simples do cotidiano pareçam obstáculos intransponíveis.

    4. Qual profissional devo procurar para tratar a procrastinação crônica?

    O ideal é iniciar com um psicólogo. Se houver suspeita de que a causa seja um transtorno subjacente, como depressão, ansiedade ou TDAH, a consulta com um psiquiatra é fundamental para avaliação médica e possível tratamento medicamentoso.

    5. Existe relação entre a procrastinação e o relógio biológico?

    Sim. Pessoas que têm mais pico de energia à noite tendem a procrastinar mais durante o dia se forem forçadas a produzir logo cedo. Tentar lutar contra o próprio ritmo biológico aumenta o tédio e a resistência contra a tarefa.

    6. Por que temos a tendência de procrastinar mais as tarefas burocráticas?

    Porque atividades como declarar imposto de renda, pagar contas ou organizar papéis exigem esforço cognitivo, mas não oferecem nenhuma gratificação ou prazer imediato. O cérebro as classifica como “tédio puro” e tenta fugir delas a todo custo.

    7. Como a procrastinação afeta os relacionamentos amorosos e familiares?

    Quando alguém adia constantemente compromissos, tarefas domésticas ou conversas importantes, isso sobrecarrega o parceiro ou os familiares. O comportamento é frequentemente mal interpretado como egoísmo, desleixo ou falta de consideração, gerando crises e quebra de confiança.

    Leia mais: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

  • Dicas para equilibrar a vida pessoal e o trabalho

    Dicas para equilibrar a vida pessoal e o trabalho

    Ter uma vida equilibrada entre as responsabilidades profissionais e a vida pessoal parece um sonho distante para muita gente. A tecnologia trouxe flexibilidade, mas também a sensação de estar sempre disponível, e isso tem afetado a saúde física e mental de muitas pessoas.

    Equilibrar vida pessoal e trabalho, no entanto, é muito importante para viver bem e manter a mente em ordem. Veja como identificar os sinais de desequilíbrio e o que fazer para cuidar melhor de você.

    Por que é tão difícil separar trabalho e vida pessoal hoje em dia?

    A rotina acelerada, as metas apertadas e a cultura da hiperprodutividade criaram uma linha tênue entre o momento de trabalho e o de lazer. Com o celular ao alcance o tempo todo, fica difícil se desconectar, e o corpo e a mente sentem isso.

    Impacto do excesso de trabalho na saúde mental

    Trabalhar demais ou além dos próprios limites pode parecer sinal de dedicação, mas na verdade é um caminho perigoso para transtornos mentais, como ansiedade, estresse, depressão e burnout, como é chamada a síndrome do esgotamento profissional.

    Os números são altos no Brasil. A Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), por exemplo, estima que 30% dos trabalhadores brasileiros sofram com algum tipo de doença mental.

    “Trabalhar horas demais mantém o organismo sob descarga constante de cortisol, hormônio que prepara o corpo para situações de perigo. Quando o cortisol fica alto dia após dia, ele eleva a pressão arterial, piora a qualidade do sono e enfraquece o sistema imunológico, abrindo caminho para infecções e doenças cardiovasculares”, explica o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    “Além disso, o cérebro em modo ‘luta ou fuga’ sacrifica funções superiores, como memória e criatividade, em favor de tarefas básicas de sobrevivência, o que reduz produtividade e aumenta a chance de erros”, completa.

    Como o estresse crônico afeta o corpo e a mente

    Quando estamos sempre sob pressão, o corpo libera determinados hormônios, como o cortisol, de forma contínua. Isso pode desequilibrar o sono, a alimentação e o humor, além de aumentar o risco de doenças do coração, obesidade e questões mentais.

    “Reservar tempo para relaxar devolve o controle ao sistema parassimpático, o conjunto de nervos que age como freio e reduz batimentos cardíacos, diminui a tensão muscular e melhora a digestão”, explica o médico.

    “Esse estado de repouso favorece a liberação de substâncias como serotonina, ligadas ao bem-estar, e fortalece a consolidação das lembranças do dia, etapa essencial da memória. Sem esse intervalo, o cérebro continua a rodar em segundo plano, gastando energia e deixando a mente nublada”, detalha.

    Leia também: 7 dicas de um médico para ser mais produtivo e ter menos estresse

    Sinais de que sua vida está em desequilíbrio

    O corpo costuma dar alguns sinais de que está no limite físico ou emocional. Saber reconhecê-los é muito importante para fugir do esgotamento.

    Sintomas físicos e emocionais de estresse

    • Cansaço constante
    • Insônia ou sono agitado
    • Dores musculares
    • Falta de concentração nas atividades
    • Irritabilidade e alterações de humor
    • Ansiedade ou sensação de estar “no limite”

    Sintomas físicos e emocionais do burnout

    Os sinais iniciais de burnout, a síndrome de esgotamento profissional, incluem exaustão que não passa com o fim de semana, cinismo crescente em relação ao trabalho e sensação de ineficácia, como se nenhum esforço fosse suficiente.

    “Ao identificar esses sinais, a pessoa deve conversar com a liderança sobre ajustes de carga, procurar psicoterapia e rever hábitos de sono, exercício e alimentação”, explica o psiquiatra.

    Ele conta que o afastamento temporário do trabalho é indicado quando não há espaço para adaptar a rotina nem suporte adequado.

    “Mudar de emprego pode ajudar, mas só se acompanhada de tratamento, pois a raiz do esgotamento (padrão de perfeccionismo, incapacidade de dizer não ou falta de limites claros) pode acompanhar o profissional para o novo ambiente”, relata.

    Quando procurar ajuda profissional

    Se os sintomas persistem ou começam a atrapalhar sua rotina, é hora de buscar apoio. Psicólogos e psiquiatras podem ajudar a entender o que está acontecendo e indicar o melhor tratamento para reverter os problemas já causados pela rotina atribulada.

    H2 – Perguntas frequentes sobre equilíbrio entre vida pessoal e trabalho

    H3 – 1. Trabalhar demais pode causar problemas de saúde?

    Sim. O excesso de trabalho está associado a aumento do estresse, ansiedade, burnout, insônia e maior risco de doenças cardiovasculares.

    H3 – 2. Como saber se estou entrando em burnout?

    Alguns sinais comuns incluem cansaço extremo, irritabilidade, dificuldade de concentração, sensação de esgotamento constante e perda de motivação no trabalho.

    H3 – 3. O estresse crônico afeta o corpo?

    Sim. O estresse contínuo pode aumentar os níveis de cortisol, prejudicar o sono, elevar a pressão arterial e impactar o sistema imunológico.

    H3 – 4. Ansiedade pode surgir por excesso de trabalho?

    Sim. Rotinas muito intensas e pressão constante podem favorecer crises de ansiedade e sensação de estar sempre “no limite”.

    H3 – 5. Descansar realmente melhora a produtividade?

    Sim. Momentos de descanso ajudam o cérebro a recuperar energia, melhoram memória, concentração e criatividade.

    H3 – 6. Quando procurar ajuda profissional?

    Quando os sintomas começam a atrapalhar o trabalho, o sono, os relacionamentos ou a qualidade de vida, é importante buscar avaliação com psicólogo ou psiquiatra.

    H3 – 7. Mudar de emprego resolve o burnout?

    Nem sempre. Em alguns casos, mudanças no ambiente ajudam, mas o tratamento também envolve rever hábitos, limites e padrões de comportamento relacionados ao trabalho.

    H3 – 8. Atividade física ajuda a reduzir o estresse?

    Sim. Exercícios físicos ajudam a regular hormônios ligados ao estresse, melhoram o humor e contribuem para a saúde mental.

    H3 – 9. É normal se sentir cansado mesmo após o fim de semana?

    Cansaço persistente pode ser um sinal de sobrecarga emocional ou burnout, especialmente quando o descanso não traz sensação de recuperação.

    H3 – 10. Como começar a equilibrar melhor vida pessoal e trabalho?

    Pequenas mudanças já ajudam, como estabelecer horários, fazer pausas ao longo do dia, limitar notificações fora do expediente e reservar tempo para lazer e descanso.

    Veja também: Atividade física e produtividade: como mexer o corpo melhora o cérebro

  • Ruminação mental: o que é e como lidar com os pensamentos negativos no dia a dia? 

    Ruminação mental: o que é e como lidar com os pensamentos negativos no dia a dia? 

    Sabe aquele erro cometido no trabalho, aquela discussão com o parceiro ou uma preocupação com o futuro que simplesmente não sai da cabeça? O hábito de pensar demais, focando apenas no lado negativo, é conhecido como ruminação mental e pode afetar diretamente a saúde emocional, o sono, a concentração e até os relacionamentos.

    Quando a mente entra em um ciclo repetitivo de pensamentos ruins, algumas situações do dia a dia podem parecer maiores e mais difíceis do que realmente são, aumentando sentimentos de ansiedade, estresse e exaustão mental.

    Afinal, o que é ruminação mental?

    A ruminação mental é um padrão de pensamento repetitivo em que a pessoa fica presa em preocupações, erros do passado, inseguranças ou situações negativas, sem conseguir chegar a uma solução prática. Basicamente, o cérebro entra em um looping que costuma aumentar a angústia e a sensação de sobrecarga emocional.

    “São ideias que voltam várias vezes, geralmente sobre problemas, erros do passado, coisas que você fez ou não fez, ou preocupações com o futuro. É como se o cérebro ficasse ali rodando em círculos e não saísse do lugar”, explica o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    Diferente de um planejamento ou de uma reflexão produtiva, em que onde você pensa em um problema para encontrar uma saída, a ruminação é um processo passivo. Você gasta energia revirando o passado ou prevendo o futuro, o que sempre resulta em mais desgaste mental.

    Como saber se você está ruminando ou apenas pensando?

    Para ajudar a identificar se a mente está presa em um ciclo de ruminação, vale observar alguns sintomas físicos e comportamentais, como:

    • Pensamentos repetitivos e difíceis de desligar, com a mesma situação, conversa ou erro voltando à mente várias vezes ao longo do dia, como se o cérebro ficasse preso no mesmo assunto;
    • Foco apenas no problema, passando muito tempo pensando no que aconteceu e em tudo o que deu errado, mas sem conseguir encontrar uma solução prática;
    • Mais ansiedade e angústia depois de pensar demais, já que o excesso de pensamentos costuma aumentar a tensão, a irritação, a tristeza e a preocupação constante;
    • Dificuldade para dormir e descansar, principalmente na hora de deitar, quando a mente parece ficar ainda mais acelerada com preocupações e situações desconfortáveis;
    • Problemas de concentração no dia a dia, fazendo com que tarefas simples como trabalhar, estudar, ler ou assistir a algo se tornem mais cansativas;
    • Sensação constante de cansaço físico e mental, com tensão muscular, dores de cabeça e a impressão de que o corpo está sempre em alerta;
    • Distanciamento das pessoas e dos momentos do cotidiano, mesmo durante conversas e encontros, por não conseguir sair do looping de pensamentos.

    As causas por trás do looping de pensamentos

    A ruminação mental surge de uma combinação de fatores psicológicos, traços de personalidade e, muitas vezes, a forma como fomos ensinados a lidar com as emoções. Entre algumas das possíveis causas, é possível destacar:

    • Ansiedade e depressão, que podem alimentar o ciclo de pensamentos negativos;
    • Perfeccionismo excessivo, levando a uma autocobrança constante;
    • Necessidade de controlar tudo, criando a sensação de que pensar demais sobre um problema pode evitar sofrimento;
    • Baixa autoestima e insecurity, fazendo com que a pessoa duvide das próprias escolhas;
    • Experiências traumáticas ou períodos de estresse intenso, que podem deixar o cérebro em estado de alerta constante.

    A sobrecarga de informações e a pressa da rotina também funcionam como gatilhos. Quando o corpo está sob estresse crônico, o córtex pré-frontal, que é a área do cérebro responsável pelo pensamento lógico e pela tomada de decisões, fica menos ativo, dando total liberdade para que as áreas emocionais e reativas assumam o controle do fluxo de pensamentos.

    Quais são os impactos da ruminação na saúde física e mental?

    Quando a mente permanece presa em pensamentos negativos por muito tempo, sentimentos de tristeza, ansiedade e estresse tendem a ficar mais intensos, dificultando a regulação emocional e a capacidade de resolver problemas de forma saudável.

    Com o tempo, isso também pode provocar cansaço mental, dificuldade de concentração e perda do interesse em atividades do dia a dia.

    No corpo, o excesso de preocupação mantém o organismo em estado constante de alerta, aumentando a liberação de hormônios como cortisol e adrenalina. A longo prazo, o processo pode desencadear problemas como:

    • Dificuldade para dormir e sensação de cansaço constante, mesmo após uma noite inteira de sono;
    • Tensão muscular frequente, principalmente na região do pescoço, ombros e mandíbula;
    • Dores de cabeça relacionadas ao estresse e à sobrecarga mental;
    • Maior sensação de irritação, impaciência e esgotamento emocional;
    • Dificuldade de memória e concentração, prejudicando tarefas simples da rotina;
    • Sensação constante de sobrecarga mental, como se o cérebro nunca conseguisse realmente descansar.

    O estresse constante também pode elevar a pressão arterial, acelerar os batimentos cardíacos e enfraquecer o sistema imunológico. Algumas pessoas também apresentam sintomas físicos relacionados ao sistema digestivo, como desconfortos intestinais e dores abdominais, já que existe uma forte conexão entre o cérebro e o intestino.

    Como parar a ruminação mental?

    Para quebrar o ciclo de pensamentos repetitivos, é preciso adotar medidas que redirecionem o foco da mente. Como, por exemplo, se envolvendo em alguma atividade física ou manual que precise de atenção imediata, como praticar um esporte ou organizar um ambiente.

    Também pode ajudar fazer um questionamento racional, uma técnica usada na terapia cognitivo-comportamental (TCC). A ideia é parar por um momento e se perguntar se aqueles pensamentos negativos realmente fazem sentido ou se estão sendo aumentados pela ansiedade, pelo medo ou pela preocupação excessiva.

    Em quadros intensos de ruminação mental, o psiquiatra Luiz Dieckmann explica que algumas técnicas podem te ajudar a recuperar o equilíbrio, como o mindfulness, que contribui para trazer o foco para o momento presente e diminuir o ciclo constante de pensamentos negativos.

    A psicoterapia também pode ser necessária, ajudando na a identificação de padrões de pensamento que alimentam a ruminação mental

    Quando a ruminação está ligada a transtornos como ansiedade grave ou depressão, o uso de remédios prescritos por um psiquiatra é necessário para regular os neurotransmissores e devolver o equilíbrio ao cérebro.

    Quando é hora de buscar ajuda profissional?

    É hora de buscar a ajuda de um psicólogo ou psiquiatra quando:

    • A angústia, a ansiedade ou a tristeza causadas pelos pensamentos repetitivos persistem por semanas e não diminuem, mesmo após tentativas de distração;
    • O hábito de pensar demais sabota o desempenho no trabalho, dificulta os estudos ou gera problemas nos relacionamentos familiares e afetivos devido ao distanciamento mental;
    • A pessoa apresenta quadros crônicos de insônia, exaustão extrema sem causa aparente, dores de cabeça frequentes ou problemas digestivos ligados ao estresse;
    • Quando a pessoa se sente incapaz de tomar decisões simples ou de agir para resolver problemas práticos porque a mente fica presa nas consequências negativas hipotéticas.

    Como o hábito normalmente atua como um sintoma de transtornos como a ansiedade generalizada (TAG), o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e a depressão, o diagnóstico precoce é necessário para evitar que o sofrimento emocional se intensifique e passe a comprometer ainda mais a rotina e a qualidade de vida.

    Perguntas frequentes

    1. Pensar demais é uma doença?

    Não, o ato de pensar demais (overthinking) ou ruminar não é classificado como uma doença em si, mas sim como um sintoma ou comportamento comum em transtornos de saúde mental, como a ansiedade e a depressão.

    2. Qual é a diferença entre reflexão e ruminação?

    A reflexão é produtiva, focada na solução e leva à ação ou aceitação. A ruminação é passiva, focada no problema, repete os mesmos pensamentos e paralisa o indivíduo.

    3. A ruminação mental pode causar sintomas físicos?

    Sim. Ela ativa o sistema de estresse do corpo, gerando liberação contínua de cortisol. Isso se traduz em insônia, dores musculares (principalmente no pescoço e ombros), dores de cabeça, exaustão crônica e problemas gastrointestinais.

    4. Quem é mais propenso a ruminar pensamentos?

    Pessoas com perfil perfeccionista, que têm alta autocobrança, baixa tolerância à incerteza ou que sofrem de insegurança crônica tendem a desenvolver mais esse hábito.

    5. Existe remédio para parar de pensar demais?

    Não há um medicamento específico “para parar de pensar”, mas os antidepressivos e ansiolíticos prescritos por psiquiatras ajudam a regular os neurotransmissores, diminuindo a intensidade e a frequência dos pensamentos obsessivos causados por transtornos de base.

    6. Escrever ajuda a diminuir o looping de pensamentos?

    Sim, muito. O hábito de colocar as preocupações no papel ajuda a externalizar a angústia. Ver o problema escrito diminui a sensação de caos mental e ajuda o cérebro a entender que a informação já foi registrada.

    7. Como ajudar alguém que está preso em um looping de pensamentos?

    Evite frases clichês como “não pense nisso” ou “relaxe”. Em vez disso, ajude a pessoa a aterrar no momento presente validando o sentimento dela e, em seguida, mudando o foco com uma ação prática. Convide-a para caminhar, peça ajuda em uma tarefa manual ou mude de assunto de forma sutil para quebrar o ciclo verbalmente.

  • Noites mal dormidas podem aumentar o risco de ansiedade e depressão

    Noites mal dormidas podem aumentar o risco de ansiedade e depressão

    Uma noite mal dormida pode deixar qualquer pessoa mais irritada, cansada e sem paciência no dia seguinte. Só que, quando a privação de sono se torna frequente, ela pode afetar diretamente o funcionamento do cérebro, alterar o equilíbrio hormonal e interferir na regulação das emoções — aumentando o risco de ansiedade, estresse e até depressão.

    Para se ter uma ideia, a relação entre sono e saúde mental é profunda e bidirecional: pessoas ansiosas ou deprimidas costumam dormir pior, mas dormir mal também pode favorecer o surgimento ou a piora de transtornos emocionais.

    Em muitos casos, a dificuldade para dormir aparece antes mesmo dos sintomas psicológicos mais intensos, funcionando como um sinal de alerta do organismo.

    Durante o sono, o cérebro regula emoções e substâncias ligadas ao humor, como serotonina e cortisol. Quando o descanso é insuficiente, o corpo entra em um estado de maior tensionamento físico e mental, aumentando a vulnerabilidade emocional.

    A relação entre o sono e a saúde mental

    Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, o sono não é apenas um período de repouso, mas o momento em que o cérebro realiza a regulação de emoções e memórias, além de promover uma verdadeira limpeza de resíduos e informações desnecessárias.

    Quando o processo é interrompido por noites mal dormidas ou por um sono fragmentado, o equilíbrio biológico se perde, elevando significativamente o risco de desenvolver sintomas psiquiátricos. A privação de sono interfere diretamente no funcionamento de áreas cerebrais responsáveis pelo controle emocional, pela atenção e pela resposta ao estresse.

    Com o passar do tempo, o organismo passa a produzir mais cortisol, conhecido como hormônio do estresse, enquanto substâncias relacionadas ao bem-estar e à estabilidade do humor podem sofrer alterações. Como consequência, a pessoa pode se sentir mais ansiosa, irritada, desmotivada, impulsiva e emocionalmente vulnerável.

    Afinal, dormir mal pode causar ansiedade?

    A privação de sono é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da ansiedade. A amígdala, região do cérebro responsável por processar o medo e as ameaças, fica mais ativa quando a pessoa não dorme o suficiente.

    Com isso, o cérebro passa a interpretar situações comuns do dia a dia como perigos maiores do que realmente são, mantendo o organismo em um estado constante de alerta e preocupação. Além disso, é durante o sono profundo que o cérebro processa experiências, organiza memórias e reduz a intensidade emocional acumulada ao longo do dia.

    Sem um descanso adequado, o córtex pré-frontal, área ligada ao raciocínio lógico e ao controle emocional, perde parte da capacidade de regular impulsos e reações emocionais. Consequentemente, é comum apresentar menor tolerância ao estresse, irritabilidade e sensação constante de estar emocionalmente sobrecarregada.

    A ligação entre a insônia e a depressão

    No caso da depressão, o sono de qualidade contribui para manter o equilíbrio de substâncias químicas como a serotonina, que regula o humor, e a dopamina, ligada à motivação e ao prazer. Quando uma pessoa convive com insônia crônica, a produção e a recepção das substâncias ficam prejudicadas, o que pode gerar apatia, desânimo e a perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas.

    Para completar, o sono REM, fase em que acontecem os sonhos mais intensos, é necessária para que o cérebro consiga processar emoções, organizar memórias e aliviar parte do estresse acumulado ao longo do dia.

    Como pessoas com insônia ou sono de má qualidade costumam ter a fase fragmentada, as emoções negativas não são bem elaboradas, o que pode aumentar os pensamentos pessimistas e a sensação de tristeza constante, algo muito comum em quadros de depressão.

    Assim, ela entra em uma espécie de efeito dominó: durante a noite, a dificuldade para dormir causa frustração, preocupação e pensamentos negativos sobre como será o dia seguinte. Já ao longo do dia, o cansaço excessivo pode provocar isolamento social, falta de energia para realizar atividades físicas, dificuldade de concentração e queda na produtividade.

    Com o tempo, isso aumenta a sensação de incapacidade, desânimo e tristeza, aumentando os sintomas depressivos e fazendo com que o sono da noite seguinte fique ainda mais difícil.

    Sinais de que o sono está afetando seu humor

    Quando o sono começa a afetar a saúde emocional, o corpo e a mente costumam dar alguns sinais importantes no dia a dia, como:

    • Irritabilidade e impaciência frequentes;
    • Sensação constante de cansaço, mesmo após dormir;
    • Ansiedade ou preocupação excessiva;
    • Desânimo e perda de interesse por atividades antes prazerosas;
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória;
    • Oscilações de humor ao longo do dia;
    • Maior sensibilidade emocional e vontade de chorar facilmente;
    • Falta de motivação para tarefas simples;
    • Pensamentos negativos repetitivos;
    • Dificuldade para relaxar ou desacelerar a mente antes de dormir.

    Muitas vezes, a pessoa acredita que está apenas cansada ou passando por uma fase estressante, mas a privação de sono pode estar por trás das mudanças de humor e do sofrimento emocional.

    Riscos a longo prazo da privação de sono

    Quando o corpo é privado do descanso necessário por meses ou anos, ele passa a viver em um estado de estresse biológico permanente, o que pode causar:

    • Desenvolvimento de transtornos de ansiedade;
    • Surgimento de quadros de depressão crônica;
    • Aumento das chances de infarto e AVC;
    • Elevação do risco de pressão alta;
    • Maior probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2;
    • Ganho de peso e obesidade por desregulação hormonal;
    • Enfraquecimento severo do sistema imunológico;
    • Declínio cognitivo e perda de memória;
    • Aumento do risco de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer;
    • Diminuição da libido e problemas de fertilidade.

    Dicas de higiene do sono para reduzir a ansiedade

    No dia a dia, pequenas mudanças nos hábitos diários podem ajudar o cérebro a entender que é hora de desacelerar, facilitando o relaxamento e melhorando a qualidade do descanso. Algumas delas incluem:

    • Mantenha horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos finais de semana;
    • Evite o uso de celular, televisão e computador pelo menos uma hora antes de dormir;
    • Reduza o consumo de cafeína, energéticos e bebidas estimulantes no fim do dia;
    • Desenvolva uma rotina relaxante antes de dormir, como ler, ouvir música calma ou tomar um banho morno;
    • Evite trabalhar ou resolver problemas na cama para que o cérebro associe o ambiente ao descanso;
    • Tente não dormir durante muitas horas ao longo do dia, principalmente no fim da tarde;
    • Crie um ambiente confortável, silencioso e escuro para dormir;
    • Evite refeições muito pesadas próximo ao horário de deitar;
    • Pratique atividades físicas regularmente, mas evite exercícios intensos à noite;
    • Técnicas de respiração, meditação e relaxamento podem ajudar a desacelerar a mente antes de dormir.

    Quando a dificuldade para dormir persiste por semanas ou começa a afetar a saúde emocional, o ideal é buscar ajuda profissional para investigar possíveis causas e receber o tratamento adequado.

    Leia mais: Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda

    Perguntas frequentes

    1. Qual é o tempo mínimo de sono para evitar a depressão?

    A recomendação geral para adultos é de 7 a 9 horas por noite. Dormir menos de 6 horas regularmente está fortemente associado a um risco maior de sintomas depressivos.

    2. O uso de telas antes de dormir realmente afeta o humor?

    Sim. A luz azul inibe a melatonina (hormônio do sono). Sem melatonina, o sono é superficial e não restaura o cérebro, o que prejudica a regulação emocional e aumenta a ansiedade.

    3. Tomar café à tarde pode causar uma crise de ansiedade à noite?

    Em pessoas sensíveis, a cafeína (que tem meia-vida de até 6 horas) pode manter o sistema nervoso em alerta, dificultando o relaxamento e servindo de gatilho para a agitação mental noturna.

    4. Dormir demais também pode ser sinal de depressão?

    Sim. A hipersonia (dormir mais de 10 horas e ainda sentir cansaço) é um sintoma comum em certos tipos de depressão, como a depressão atípica.

    5. Chás naturais ajudam a controlar a ansiedade noturna?

    Sim, opções como camomila, valeriana e passiflora possuem propriedades sedativas leves que auxiliam o sistema nervoso a relaxar, facilitando a transição para o sono.

    6. Cochilar durante o dia ajuda a recuperar a saúde mental?

    Cochilos curtos (até 20 minutos) ajudam no alerta, mas cochilos longos podem atrapalhar o sono noturno, piorando a insônia e o humor a longo prazo.

    7. Quando devo procurar um psiquiatra por causa do sono?

    Quando a dificuldade de dormir ocorre pelo menos 3 vezes por semana, por mais de um mês, e começa a afetar seu trabalho, humor ou relacionamentos.

    Confira: Falta de sono pode te deixar mais doente

  • Como criar uma rotina previsível para reduzir a ansiedade? 

    Como criar uma rotina previsível para reduzir a ansiedade? 

    A sensação de estar sempre correndo atrás do tempo ou de ser pego de surpresa pelas responsabilidades do dia a dia é um dos principais gatilhos para o aumento do estresse e da ansiedade. Nesses casos, o cérebro permanece em estado de alerta constante, o que pode intensificar sintomas como palpitações, pensamentos acelerados e cansaço mental.

    Mas como criar uma rotina previsível pode ajudar? Ao estabelecer uma estrutura mínima para o dia, é possível reduzir a carga cognitiva (isto é, a quantidade de decisões que você precisa tomar), permitindo que a mente relaxe e foque no que realmente importa. Vamos entender mais, a seguir.

    Por que a rotina ajuda a controlar a ansiedade?

    A ansiedade é, basicamente, uma resposta do organismo ao que é desconhecido ou interpretado como ameaça. Quando uma pessoa vive sem uma estrutura mínima, o cérebro precisa tomar decisões constantes e lidar com imprevistos o tempo todo, o que mantém o corpo em um estado de alerta máximo (a resposta de luta ou fuga).

    Com uma rotina mais equilibrada, é possível:

    • Reduzir a sobrecarga mental: a organização do dia diminui a quantidade de decisões repetitivas, o que poupa energia mental e evita a sensação de esgotamento ao longo do dia;
    • Regular o funcionamento do corpo: horários consistentes para dormir, acordar e se alimentar ajudam a estabilizar o ritmo circadiano, favorecendo o equilíbrio dos hormônios ligados ao estresse e ao sono;
    • Aumentar a sensação de previsibilidade: saber o que esperar ao longo do dia reduz a percepção de ameaça e ajuda o cérebro a sair do modo de alerta constante;
    • Fortalecer a sensação de controle: uma rotina estruturada traz a percepção de que a pessoa tem mais domínio sobre a própria vida, o que diminui o sentimento de desamparo;
    • Criar pontos de estabilidade ao longo do dia: pequenos hábitos fixos funcionam como âncoras, oferecendo segurança mesmo em dias mais difíceis ou imprevisíveis.

    Vale destacar que a rotina deve servir apenas como um guia, não uma regra rígida da vida. Ser excessivamente perfeccionista com horários pode gerar mais estresse do que alívio. O ideal é manter a constância nas atividades principais, mas ter flexibilidade para lidar com imprevistos sem culpa.

    Como criar uma rotina previsível para reduzir a ansiedade?

    Criar uma rotina não significa planejar cada minuto do dia, mas sim estabelecer uma estrutura que traga conforto visual e mental. Veja algumas dicas para começar:

    1. Liste as suas atividades fixas

    Primeiro, comece anotando os compromissos que costumam ter um horário fixo, como a jornada de trabalho, as aulas ou o momento de levar os filhos à escola, por exemplo. A partir disso, é possível entender como o restante do dia será organizado.

    2. Defina os blocos de tempo

    Em vez de uma lista de tarefas interminável, trabalhe com os blocos temáticos (por exemplo, um bloco da manhã para o foco total e um bloco da tarde para as reuniões e as pendências leves). Isso evita a sensação de urgência constante e ajuda a focar em uma coisa de cada vez.

    3. Priorize o ritual de início e fim

    A ansiedade costuma ser maior ao acordar e ao deitar, já que são momentos de transição em que a mente tende a antecipar preocupações ou a revisitar o que aconteceu ao longo do dia. Uma dica é estabelecer uma sequência simples para os momentos, como:

    • Pela manhã: evite checar o celular logo ao despertar, pois o excesso de informações pode ativar o estado de alerta logo no início do dia. Prefira começar de forma mais tranquila, bebendo um copo de água, alongando o corpo ou tomando um café com calma;
    • Durante a noite: desligue as telas cerca de 30 minutos antes de dormir, já que a luz dos dispositivos interfere na produção de melatonina. Aproveite o tempo para desacelerar, reduzir os estímulos e preparar o ambiente para o descanso, com uma iluminação mais suave e atividades relaxantes.

    4. Inclua as pausas obrigatórias

    O cérebro precisa de intervalos ao longo do dia para processar as informações e se recuperar do esforço mental contínuo. Sem as pausas, a tendência é que você apresente fadiga, irritação e dificuldade de concentração.

    Por isso, programe pausas de 5 a 10 minutos entre as tarefas maiores para respirar com mais calma, caminhar um pouco ou simplesmente se afastar do computador. Os pequenos intervalos ajudam a manter a produtividade e evitam a sobrecarga.

    5. Prepare o dia seguinte na noite anterior

    Antes de dormir, reserve alguns minutos para organizar o próximo dia de forma simples: separe a roupa que vai usar, revise a tarefa principal ou faça uma lista curta de prioridades. O hábito reduz a quantidade de decisões logo pela manhã, o que diminui a sensação de pressa e desorganização, além de contribuir para a sensação de que o dia seguinte já está encaminhado e sob controle.

    Como manter a constância no dia a dia e evitar frustrações?

    É comum ter dificuldades no início, mas algumas dicas podem te ajudar a manter a constância:

    • Comece com apenas uma ou duas mudanças pequenas por semana;
    • Adote a regra de nunca pular o novo hábito por dois dias seguidos;
    • Planeje margens de tempo no dia para lidar com imprevistos inevitáveis;
    • Utilize um calendário visual para marcar os dias em que cumpriu suas metas;
    • Foque no progresso realizado em vez de buscar a perfeição total;
    • Ajuste a programação conforme a sua realidade e nível de energia do dia;
    • Comemore cada vez que conseguir manter uma atividade da sua lista.

    O ideal é criar um sistema que funcione para a sua realidade e que você consiga manter sem se desgastar.

    Quando procurar ajuda profissional?

    Apesar de importante para a organização, a rotina sozinha pode não ser suficiente para tratar transtornos de ansiedade diagnosticados. Por isso, vale buscar a orientação de um psicólogo ou psiquiatra quando:

    • A ansiedade impede a realização de tarefas básicas, como trabalhar ou estudar;
    • O medo e a preocupação são persistentes e difíceis de controlar;
    • Surgem sintomas físicos frequentes, como taquicardia, falta de ar ou tonturas;
    • O sono é constantemente interrompido por pensamentos acelerados ou pesadelos;
    • Existe a sensação de “paralisia” diante de decisões simples;
    • O isolamento social se torna uma forma frequente de evitar o desconforto;
    • O uso da rotina se torna obsessivo ou gera sofrimento quando algo sai do plano.

    O acompanhamento ajuda a identificar as causas da ansiedade e oferece medidas mais personalizadas, que podem incluir psicoterapia e, em alguns casos, o uso de medicamentos para equilibrar as funções neurotransmissoras, como a serotonina e a noradrenalina, além da dopamina em algumas situações.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

    Perguntas frequentes

    1. Quando a ansiedade deixa de ser normal?

    Ela se torna patológica quando é desproporcional ao evento, dura muito tempo e interfere na qualidade de vida ou na realização de tarefas simples.

    2. Quais são os principais sintomas físicos da ansiedade?

    Os sintomas comuns incluem batimentos cardíacos acelerados, sudorese, tremores, falta de ar, tensão muscular e sensação de nó na garganta.

    3. Qual a diferença entre ansiedade e estresse?

    O estresse é uma resposta a uma pressão externa imediata, enquanto a ansiedade é uma preocupação persistente que permanece mesmo após o fim do fator estressante

    4. Quanto tempo leva para uma rotina virar hábito?

    Em média 21 a 66 dias, dependendo da complexidade da atividade e da persistência individual.

    5. O que fazer quando um imprevisto quebra minha rotina?

    Aceite o imprevisto, resolva o que for urgente e retome a próxima atividade planejada assim que possível.

    6. A rotina deve ser igual nos finais de semana?

    Não precisa ser idêntica, mas manter horários próximos de acordar e comer ajuda a não desregular o organismo.

    7. Exercícios físicos devem ser feitos todos os dias?

    O ideal é manter a constância, mas três vezes por semana já trazem benefícios significativos para a saúde mental.

    8. Como a higiene do sono ajuda na rotina?

    Ao preparar o corpo para dormir, você garante um descanso de qualidade, o que melhora o humor no dia seguinte.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

  • Como largar o vício em redes sociais? 7 medidas práticas para retomar o controle

    Como largar o vício em redes sociais? 7 medidas práticas para retomar o controle

    Você já sentiu aquela necessidade quase instintiva de checar o celular assim que acorda ou percebeu que passou horas rolando o feed sem sequer notar o tempo passar? O comportamento, que é comum especialmente entre jovens, é o principal sinal do vício em redes sociais.

    Ele afeta o cérebro de forma semelhante a outras dependências, estimulando a liberação constante de dopamina e criando um ciclo de busca por aprovação e entretenimento infinito. Além de comprometer a produtividade no dia a dia, a dependência digital aumenta o risco de ansiedade, depressão, alterações no sono e problemas de autoestima.

    Como identificar o vício em redes sociais?

    Para identificar se o uso das plataformas digitais se tornou uma dependência, vale observar tanto o comportamento físico quanto o estado emocional:

    • Perda da noção de tempo ao navegar de forma passiva e adiar tarefas essenciais como trabalho, estudos ou refeições;
    • Sintomas de ansiedade ou irritabilidade sempre que o acesso à internet é interrompido ou quando não há possibilidade de checar o celular;
    • Necessidade crescente de conexão para obter o mesmo nível de satisfação ou distração que antes era alcançado em poucos minutos;
    • Dificuldade para dormir e insônia causadas pelo uso excessivo de telas antes de deitar, o que prejudica a produção de melatonina;
    • Desinteresse por atividades sociais e hobbies que antes eram prazerosos, preferindo o isolamento para permanecer online;
    • Uso das plataformas como mecanismo de fuga para evitar lidar com sentimentos negativos, frustrações ou problemas da vida real;
    • Checagem compulsiva de notificações mesmo quando não há um motivo específico ou necessidade imediata de comunicação.

    Nem todas que passam muito tempo online são, necessariamente, viciadas. A dependência digital acontece quando a pessoa não consegue controlar o tempo que passa online, mesmo percebendo que aquilo já está atrapalhando o sono, a saúde mental, a rotina ou até os relacionamentos.

    Como se livrar do vício em redes sociais?

    1. Desative as notificações que não são essenciais

    Cada alerta sonoro ou vibração do celular é um gatilho que libera dopamina e força o cérebro a interromper o que está fazendo. Por isso, desative todas as notificações, especialmente de aplicativos como Instagram e TikTok, exceto chamadas telefônicas ou mensagens de trabalho urgentes. Sem o estímulo visual e sonoro, a vontade de checar o aparelho diminui bastante.

    2. Estabeleça janelas de uso

    Em vez de entrar nas redes a todo momento, tente separar períodos específicos do dia para isso. Pode ser, por exemplo:

    • 30 minutos após o almoço;
    • 20 minutos no fim da tarde;
    • Alguns minutos antes do jantar.

    Fora dos horários, o ideal é evitar abrir os aplicativos sem necessidade. Aos poucos, o hábito compulsivo diminui e a relação com o celular se torna menos automática.

    3. Retire o celular do quarto ao dormir

    A luz azul das telas prejudica a qualidade do sono e a proximidade do aparelho facilita a checagem compulsiva ao acordar. O ideal é deixar o celular carregando em outro cômodo e utilizar um despertador comum, o que ajuda a quebrar o ciclo de ansiedade matinal. Se não for possível, vale ao menos evitar mexer no aparelho cerca de uma hora antes de dormir.

    4. Remova aplicativos da tela inicial

    Quando os aplicativos ficam visíveis o tempo inteiro na tela inicial do celular, o acesso acontece de forma impulsiva. Muitas vezes, você abre a rede social por puro reflexo, sem nem perceber o motivo.

    Por isso, uma dica simples é mover os aplicativos para pastas menos acessíveis ou deixá-los longe da primeira página do aparelho. Outra medida é sair das contas após o uso, exigindo login sempre que quiser entrar novamente.

    Em casos mais intensos, também pode valer a pena desinstalar temporariamente os aplicativos e acessar as redes apenas pelo computador ou navegador.

    5. Faça um detox digital de forma gradual

    Você até pode tentar cortar completamente o uso das redes sociais de uma vez só, mas mudanças radicais costumam gerar frustração e dificuldade de manter a rotina.

    O detox digital funciona melhor quando acontece aos poucos: em vez de abandonar o celular totalmente, tente reservar pequenos períodos offline durante a semana. Pode ser uma manhã de domingo, algumas horas à noite ou até um período específico do dia sem redes sociais.

    6. Substitua o hábito por atividades que gerem bem-estar

    Em muitos casos, o celular também se torna uma forma de aliviar o tédio, fugir da ansiedade, ocupar silêncios ou escapar de emoções desconfortáveis. Então, quando surgir aquela vontade automática de abrir o Instagram ou o TikTok, tente substituir o impulso por outra atividade simples:

    • Tomar água;
    • Ouvir música;
    • Fazer uma caminhada;
    • Conversar com alguém;
    • Fazer exercícios físicos;
    • Respirar profundamente por alguns minutos.

    Com o tempo, o cérebro aprende que existem outras fontes de prazer além das telas.

    7. Use ferramentas de controle de tempo

    Hoje, a maioria dos smartphones possui funções nativas de monitoramento, como o ‘Tempo de Uso’ no iOS e o ‘Bem-estar Digital’ no Android, que auxiliam na criação de limites mais saudáveis.

    O primeiro passo é observar quanto tempo é gasto diariamente nas redes sociais para, então, estabelecer metas de uso. Quando o período definido termina, o dispositivo pode bloquear o acesso automaticamente ou enviar alertas avisando que o limite planejado foi atingido.

    Quando é necessário procurar ajuda profissional?

    Em alguns casos, a tentativa de reduzir o uso das redes sociais por conta própria pode não ser suficiente, especialmente quando a dependência já está muito presente na rotina.

    É importante procurar psicólogo ou psituatria quando o uso digital passa a gerar sofrimento ou prejuízos funcionais, como:

    • Quando o uso excessivo causa dores crônicas (como na coluna ou punhos), problemas de visão ou privação de sono severa que afeta o sistema imunológico;
    • Se você está perdendo prazos, rendendo menos no trabalho ou deixando de estudar para ficar conectado;
    • Quando a pessoa prefere interações digitais a encontros presenciais com amigos e familiares, ou sente-se incapaz de manter uma conversa sem checar o celular;
    • Se a ausência de internet ou a falta de curtidas causa sentimentos de profunda tristeza, baixa autoestima ou ataques de pânico;
    • Quando hábitos básicos, como higiene pessoal, alimentação adequada e prática de exercícios, são negligenciados em favor do tempo online;
    • Se você já tentou diversas vezes reduzir o uso, mas sentiu que não tem controle emocional sobre o impulso de acessar as redes.

    O tratamento normalmente envolve a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que ajuda a identificar os gatilhos emocionais que levam ao uso compulsivo e a desenvolver medidas para enfrentar o tédio ou a ansiedade sem recorrer às telas.

    Em alguns casos, o médico pode avaliar a necessidade de remédios para tratar condições preexistentes, como transtornos de ansiedade ou TDAH.

    Confira: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

    Perguntas frequentes

    1. O vício em redes sociais é considerado uma doença?

    Embora não esteja em todos os manuais médicos como uma patologia isolada, é tratado clinicamente como uma “dependência tecnológica” ou transtorno de controle de impulsos, similar ao vício em jogos.

    2. Quantas horas de uso por dia indicam um vício?

    Não há um número exato de horas, mas sim o impacto funcional. Se o uso interfere no sono, trabalho ou relações, independentemente do tempo, pode ser considerado dependência.

    3. O que é a síndrome de FOMO?

    O termo vem do inglês Fear of Missing Out (medo de estar perdendo algo). É a ansiedade de sentir que todos estão vivendo experiências incríveis, menos você, o que gera a checagem compulsiva do feed.

    4. Por que as redes sociais viciam tanto?

    Elas são projetadas para liberar dopamina através de recompensas variáveis (curtidas, comentários e rolagem infinita), criando um ciclo de busca por prazer imediato.

    5. O que é “phubbing”?

    É o ato de ignorar a pessoa ao seu lado para mexer no celular. É um sinal claro de que a dependência digital está prejudicando as relações sociais.

    6. Como saber se meu filho está viciado?

    Observe se ele se torna agressivo ao ficar sem internet, se as notas caíram ou se ele perdeu o interesse por amigos e atividades presenciais.

    7. O que fazer se o meu trabalho depende das redes sociais?

    Nesse caso, a separação deve ser técnica. Use o computador em vez do celular para trabalhar, estabeleça horários de log-off rigorosos e utilize contas profissionais separadas das pessoais para evitar distrações.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

  • Suor noturno excessivo: o que pode ser e quando você deve se preocupar? 

    Suor noturno excessivo: o que pode ser e quando você deve se preocupar? 

    Você já ouviu falar em sudorese noturna? O termo é usado para descrever aquele suor intenso que aparece durante a noite, a ponto de molhar a roupa de dormir e até os lençois.

    Diferente da transpiração que ocorre por causa de um ambiente abafado ou de um cobertor mais pesado, o sintoma aparece mesmo em temperaturas amenas e, normalmente, de forma repentina.

    A seguir, esclarecemos o que pode estar causando o suor noturno excessivo e quando é importante ir ao médico.

    O que pode causar o suor noturno excessivo?

    O suor noturno não é uma doença em si, mas um sintoma que pode estar relacionado a diversos processos do corpo.

    Quando o sistema nervoso percebe que a temperatura interna está subindo, ele ativa as glândulas sudoríparas para resfriar o organismo. No entanto, várias condições podem desregular o termostato natural durante o sono, como:

    1. Alterações hormonais

    As alterações hormonais são as principais causas do suor noturno excessivo, especialmente em mulheres. A queda nos níveis de estrogênio durante a menopausa ou no período pré-menstrual interfere na regulação térmica do cérebro, provocando as famosas ondas de calor (fogachos) que também ocorrem à noite.

    2. Ansiedade e estresse

    O estado de alerta constante provocado pela ansiedade mantém o sistema nervoso simpático ativado por mais tempo do que o ideal, o que resulta em um aumento da frequência cardíaca, maior liberação de hormônios como o cortisol e elevação da temperatura corporal.

    Consequentemente, é comum ter episódios de suor frio durante a noite, muitas vezes acompanhados de sensação de inquietação e dificuldade para voltar a dormir. Em casos mais intensos, a pessoa pode acordar com a sensação de tensão no corpo, respiração acelerada e até palpitações.

    3. Infecções

    O aumento da temperatura corporal é um dos mecanismos de defesa do organismo durante quadros de infecção, como a gripe ou o resfriado, pois dificulta a multiplicação de vírus e bactérias. Quando a temperatura começa a cair, é comum ocorrer a sudorese, especialmente durante a noite, como uma forma de regular o calor interno.

    O processo faz parte da resposta do sistema imunológico e, normalmente, o sintoma desaparece conforme a infecção é tratada.

    4. Apneia obstrutiva do sono

    A pessoa com apneia do sono apresenta pausas na respiração durante a noite, muitas vezes sem perceber. A cada pausa, o nível de oxigênio cai, e o corpo precisa fazer um esforço extra para normalizar a respiração.

    Assim, o processo é interpretado pelo organismo como um estado de alerta, ativando o sistema nervoso e liberando hormônios como a adrenalina, o que gera um intenso estresse físico.

    Como consequência, pode ocorrer uma sudorese excessiva, principalmente na região do pescoço, do tórax e da cabeça. Além do suor, você pode acordar cansado, com dor de cabeça, boca seca e sensação de sono não reparador.

    5. Hipoglicemia

    A queda do nível de açúcar no sangue durante a noite é mais comum em pessoas que usam insulina ou medicamentos para diabetes. O organismo reage a essa queda liberando hormônios como a adrenalina, como se estivesse diante de uma situação de perigo, o que também pode causar tremores, coração acelerado e até confusão ao acordar.

    6. Uso de medicamentos

    O suor noturno excessivo é um efeito colateral que pode surgir com o uso de alguns medicamentos, em especial os que interferem em áreas do cérebro responsáveis pela regulação da temperatura corporal. Alguns exemplos incluem:

    • Antidepressivos;
    • Antitérmicos, como o paracetamol e a aspirina;
    • Medicamentos para reposição hormonal;
    • Remédios para o tratamento da pressão alta.

    Nesses casos, o suor tende a aparecer de forma recorrente após o início do uso do remédio. Quando o sintoma causa desconforto ou afeta a qualidade do sono, vale conversar com o médico para avaliar possíveis ajustes na dose ou alternativas de tratamento.

    7. Problemas na tireoide

    Os distúrbios da tireoide estão entre as causas mais frequentes de suor noturno, especialmente o hipertireoidismo. Quando a glândula produz hormônios em excesso, ela acelera o metabolismo basal, como se o termostato natural do corpo estivesse ajustado para uma temperatura muito alta.

    O estado de hiperatividade faz com que o organismo produza mais calor interno e tenha dificuldade para se resfriar, provocando o suor intenso mesmo em ambientes frescos.

    Além da sudorese, o quadro costuma vir acompanhado de outros sinais de alerta, como batimentos cardíacos acelerados, tremores nas mãos, irritabilidade e perda de peso sem causa aparente.

    O suor noturno pode ser sinal de câncer?

    Em casos raros, quando o suor excessivo está associado ao câncer, ele costuma aparecer em quadros como linfomas, que são cânceres do sistema linfático, e algumas leucemias. Nesses casos, o suor tende a ser intenso, frequente e persistente, a ponto de encharcar roupas e lençois com regularidade, independentemente da temperatura do quarto.

    No entanto, é importante ter atenção quando o suor noturno vem acompanhado de outros sinais, como:

    • A perda de peso sem explicação;
    • A febre persistente;
    • O cansaço excessivo;
    • O aumento de gânglios (ínguas), principalmente no pescoço, nas axilas ou na virilha.

    Se o suor noturno frequente estiver associado a qualquer um dos sinais, é fundamental buscar uma avaliação médica para uma investigação mais detalhada.

    Como aliviar o suor excessivo à noite?

    Se a causa do suor noturno não for uma condição de saúde, algumas mudanças no ambiente e nos hábitos podem reduzir drasticamente o desconforto, como:

    • Use tecidos de algodão ou linho, que permitem que a pele respire, e evite materiais sintéticos como poliéster;
    • Mantenha o ambiente bem ventilado, usando ventiladores ou ar-condicionado em temperaturas amenas;
    • Prefira usar várias mantas leves em vez de um único edredom pesado, facilitando o ajuste durante a noite;
    • Evite jantares pesados e alimentos termogênicos, como pimenta, gengibre e cafeína, antes de dormir;
    • Evite o consumo de álcool à noite, pois ele dilata os vasos sanguíneos e aumenta o calor corporal;
    • Beba um copo de água fresca antes de deitar e mantenha uma garrafa ao lado da cama;
    • Tome um banho em temperatura agradável (nem quente, nem frio) para ajudar o corpo a relaxar e resfriar;
    • Pratique técnicas de respiração ou meditação para evitar que o estresse ative o suor por nervosismo.

    Além das medidas práticas, é importante observar o horário em que o suor ocorre. Se a transpiração for persistente mesmo após você ajustar o ambiente e trocar os tecidos da cama, pode ser um sinal de que o corpo não está conseguindo realizar a termorregulação sozinho.

    Quando ir ao médico?

    Procure um profissional de saúde nas seguintes situações:

    • Persistência do suor noturno por mais de duas ou três semanas seguidas;
    • Interrupção do sono para trocar roupas ou lençois;
    • Presença de febre, mesmo que baixa e recorrente;
    • Perda de peso sem mudança na rotina;
    • Presença de outros sinais, como cansaço, tosse, dor ou ínguas;
    • Início do suor após mudança de medicação.

    Como o suor noturno pode ser um sintoma silencioso de várias questões de saúde, o acompanhamento médico é recomendado sempre que ele for persistente.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

    Perguntas frequentes

    1. O que é considerado suor noturno excessivo?

    É a transpiração intensa que ocorre durante o sono, a ponto de molhar as roupas de dormir e os lençóis, mesmo quando o ambiente não está excessivamente quente.

    2. Suor noturno em homens é sinal de quê?

    Pode indicar baixos níveis de testosterona (andropausa), apneia do sono, estresse ou até consumo excessivo de álcool.

    3. Refluxo pode causar transpiração à noite?

    Embora menos comum que a azia, o estresse físico causado pelo retorno do ácido ao esôfago pode desencadear sudorese em algumas pessoas.

    4. O que é “suor frio” ao dormir?

    É o suor que ocorre sem o aumento da temperatura corporal, normalmente ligado a quedas de pressão, hipoglicemia ou crises de pânico.

    5. Qual o melhor tecido para quem sua muito?

    O algodão e o linho são os melhores, pois absorvem a umidade e permitem que a pele respire. Evite tecidos sintéticos como o poliéster.

    6. Tomar banho gelado antes de dormir ajuda?

    O ideal é o banho morno. O banho gelado pode causar um efeito rebote, fazendo o corpo trabalhar para se aquecer logo em seguida.

    7. É normal suar apenas na cabeça durante o sono?

    Em adultos, isso pode estar ligado ao estresse, apneia do sono ou problemas na tireoide. Se for em crianças, frequentemente é normal devido ao amadurecimento do sistema de regulação térmica, mas deve ser avaliado se houver febre.

    8. O que é a hiperidrose idiopática?

    É uma condição onde a pessoa apresenta suor excessivo sem uma causa médica aparente. Nesses casos, as glândulas sudoríparas são apenas hiperativas por questões genéticas ou constitucionais.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Por que os transtornos mentais causam ganho de peso? 

    Por que os transtornos mentais causam ganho de peso? 

    A presença de transtornos como ansiedade, depressão e transtorno bipolar pode afetar diretamente o funcionamento do organismo e a forma como o corpo regula o metabolismo. Por isso, não é incomum perceber alterações no peso ao longo do tratamento ou durante períodos de maior instabilidade emocional.

    A variação acontece devido a uma combinação de fatores biológicos, como o desequilíbrio de neurotransmissores e hormônios, e fatores comportamentais, como a alteração nos hábitos alimentares e nos níveis de energia para atividades físicas.

    Para completar, o uso de certas medicações para o controle dos sintomas também pode influenciar o apetite e o armazenamento de gordura. Entenda mais, a seguir.

    Por que os transtornos mentais causam ganho de peso?

    O aumento de peso em pacientes com transtornos mentais acontece por uma combinação de alterações hormonais, uso de medicamentos e mudanças no estilo de vida.

    1. Alterações na fome e na saciedade

    Transtornos como depressão e ansiedade afetam neurotransmissores importantes, como serotonina e dopamina. Quando acontece um desequilíbrio nas substâncias, o cérebro tende a buscar formas rápidas de prazer e conforto, aumentando a vontade de comer alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar e gordura.

    2. O papel do cortisol (hormônio do estresse)

    Em quadros de ansiedade constante ou estresse prolongado, o psiquiatra Michel Haddad explica que o organismo eleva a produção de cortisol. O hormônio favorece o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal, o que dificulta o controle do peso mesmo quando há uma alimentação equilibrada.

    3. Efeitos colaterais dos medicamentos

    De acordo com Michel, alguns medicamentos utilizados no tratamento de transtornos mentais, como antidepressivos, antipsicóticos e estabilizadores de humor, podem favorecer o ganho de peso por diferentes mecanismos.

    Receptores como os de histamina e serotonina, incluindo o 5-HT2C, por exemplo, participam da regulação da saciedade. Além disso, esses mecanismos também se conectam a hormônios metabólicos, como leptina e grelina. O resultado pode ser aumento do apetite e redução da sensação de saciedade.

    4. Cansaço e falta de energia (anedonia)

    A depressão e outros transtornos podem causar fadiga intensa e perda de interesse em atividades do dia a dia. Com menos disposição para se movimentar e praticar exercícios, o gasto calórico diminui, o que pode contribuir para o aumento de peso.

    5. Fome emocional

    Em muitos casos, a comida acaba sendo usada como uma forma de aliviar emoções difíceis, como tristeza, ansiedade, vazio ou angústia. O ato de comer pode trazer uma sensação momentânea de conforto, mas isso pode criar um ciclo de compensação alimentar difícil de interromper sem apoio profissional.

    “Quando o prazer basal diminui, o cérebro tende a buscar recompensas rápidas, açúcar, ultraprocessados, carboidratos simples. Não é apenas comportamento, é uma tentativa de autorregulação biológica”, explica Michel.

    Os riscos do aumento de peso

    As células de gordura produzem e liberam uma série de substâncias inflamatórias e hormônios no organismo, chamados de adipocinas. Quando há excesso de gordura, o corpo entra em um estado de inflamação crônica de baixa intensidade, o que pode desencadear diversos problemas:

    • Resistência à insulina: a gordura dificulta a ação da insulina, o que aumenta os níveis de açúcar no sangue e eleva o risco de diabetes tipo 2;
    • Sobrecarga cardiovascular: o aumento de peso eleva a pressão arterial e os níveis de colesterol LDL e triglicerídeos, aumentando as chances de infarto e AVC;
    • Alterações hormonais: como a gordura é ativa, ela pode interferir na produção de outros hormônios, afetando desde o ciclo menstrual até a qualidade do sono e a disposição física.

    O aumento rápido de peso pode afetar a autoestima e a imagem corporal do paciente, o que, em muitos casos, causa um ciclo vicioso: a pessoa se sente pior emocionalmente devido ao corpo, o que aumenta a ansiedade ou a tristeza, podendo levar ao abandono do tratamento medicamentoso sem orientação médica.

    Como evitar o ganho de peso durante o tratamento?

    Com ajustes no cotidiano e acompanhamento médico profissional, é possível controlar o peso corporal enquanto se cuida da saúde da mente.

    • Priorize o consumo de fibras nas grandes refeições para aumentar o tempo de digestão e garantir que o estômago envie sinais de saciedade ao cérebro de forma mais duradoura;
    • Inclua uma fonte de proteína magra em todos os lanches para evitar picos de insulina e reduzir aquela fome súbita que costuma aparecer entre as refeições principais;
    • Estabeleça horários fixos para o repouso noturno ajudando a regular os hormônios grelina e leptina que controlam diretamente o apetite e a queima de gordura;
    • Beba água em pequenos goles ao longo do dia para não confundir a sensação de sede com a vontade de comer e para aliviar a boca seca causada por alguns remédios;
    • Pratique a alimentação consciente sem distrações externas permitindo que você perceba o momento em que está satisfeito e evite o consumo excessivo por impulso ou tédio;
    • Realize caminhadas curtas ou atividades leves regularmente com o objetivo de melhorar a resposta do corpo à insulina e liberar neurotransmissores que estabilizam o humor;
    • Evite restrições alimentares severas ou dietas da moda pois a falta de carboidratos complexos pode reduzir a produção de serotonina e agravar os sintomas de ansiedade ou depressão;
    • Mantenha um diário simples de sensações e fome para identificar se a vontade de comer está ligada a um sentimento específico ou a uma necessidade física real.

    Se notar um aumento súbito de apetite após iniciar uma nova medicação, converse com seu médico. Em alguns casos, é possível ajustar a dose, trocar o horário da tomada ou até substituir o remédio por outro com perfil metabólico mais neutro.

    Quando procurar ajuda especializada?

    É recomendado procurar avaliação médica ou psicológica quando houver:

    • Ganho de peso rápido e superior a 5% do seu peso corporal total em um curto intervalo de tempo após o início de uma nova medicação;
    • Aumento descontrolado do apetite ou episódios de compulsão alimentar que provocam sentimento de culpa ou angústia constante após as refeições;
    • Alterações nos exames de sangue como aumento do colesterol, triglicerídeos ou glicemia em jejum identificados em rotinas médicas;
    • Surgimento de dores articulares ou cansaço excessivo, que dificultam a realização de tarefas simples do dia a dia devido ao novo peso;
    • Desejo de interromper o uso do remédio por conta própria devido ao medo de engordar ou por insatisfação com a própria imagem corporal;
    • Dificuldade em diferenciar a fome física da fome emocional mesmo aplicando técnicas de atenção plena e mantendo uma rotina alimentar;
    • Sensação de que o peso está agravando os sintomas do transtorno como isolamento social por baixa autoestima ou aumento da ansiedade e desânimo;
    • Presença de roncos ou pausas na respiração durante o sono que podem indicar o desenvolvimento de apneia relacionada ao acúmulo de gordura corporal.

    “A saúde mental não envolve apenas pensamentos, ela envolve inflamação, hormônios, circuitos cerebrais e comportamento. Por isso, tratar transtornos mentais não é apenas uma questão psicológica, é também uma forma de restaurar o equilíbrio também metabólico do nosso corpo”, finaliza Michel.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

    Perguntas frequentes

    1. Todo antidepressivo causa ganho de peso?

    Não, pois existem classes diferentes e cada organismo reage de uma forma, sendo que alguns medicamentos são considerados metabolicamente neutros ou podem até reduzir o apetite.

    2. Posso parar o remédio se perceber que estou engordando?

    A interrupção brusca nunca é recomendada pois pode causar o efeito rebote, fazendo com que os sintomas do transtorno mental voltem muito mais intensos e perigosos.

    3. Como diferenciar a fome física da vontade de comer?

    A fome física surge gradualmente e é saciada com qualquer alimento, enquanto a vontade de comer é súbita e direcionada a um alimento específico.

    4. A prática de exercícios atrapalha o efeito do remédio?

    Pelo contrário, a atividade física potencializa o tratamento psiquiátrico ao liberar endorfina e dopamina de forma natural e saudável.

    5. Por que sinto mais vontade de comer doce à noite?

    Muitas vezes isso ocorre pela queda nos níveis de serotonina ao fim do dia, levando o cérebro a buscar energia rápida para tentar melhorar o humor.

    6. Existe algum suplemento que ajude a evitar esse ganho de peso?

    O uso de qualquer suplemento deve ser aprovado pelo médico, pois algumas substâncias naturais podem interagir negativamente com a medicação psiquiátrica.

    7. Pode usar remédios para emagrecer junto com o tratamento psiquiátrico?

    A combinação é perigosa e só deve ser feita sob rigoroso acompanhamento médico, pois muitos inibidores de apetite causam irritabilidade e ansiedade

    Leia mais: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

  • Antidepressivos: o que são, como funcionam e quando são indicados

    Antidepressivos: o que são, como funcionam e quando são indicados

    Você já deve ter ouvido falar nos antidepressivos, mas sabe como eles realmente agem no corpo? Usados no tratamento de depressão, crises de ansiedade, pânico ou dores crônicas, os medicamentos atuam regulando substâncias químicas no cérebro que controlam as emoções, o sono e até a disposição para o dia a dia.

    A seguir, vamos entender quando eles são indicados, os principais tipos de antidepressivos e os possíveis efeitos colaterais do tratamento. Confira!

    O que são os antidepressivos?

    Os antidepressivos são uma classe de medicamentos desenvolvidos para atuar diretamente no sistema nervoso central, a fim de normalizar as funções químicas do cérebro que foram alteradas.

    Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, eles atuam no cérebro regulando a ação de neurotransmissores, principalmente a serotonina, a noradrenalina e a dopamina, que são responsáveis por transmitir sinais entre os neurônios.

    Ao ajudar a equilibrar as substâncias, os antidepressivos melhoram a comunicação entre os neurônios, o que contribui para estabilizar o humor e reduzir os sintomas ao longo do tempo. Com o uso contínuo e orientado, você costuma sentir mais disposição, uma melhor qualidade do sono e maior controle sobre as emoções.

    Quando são indicados?

    Os antidepressivos são indicados quando os sintomas, sejam de um transtorno mental ou de uma condição física, passam a atrapalhar de forma importante a qualidade de vida, o trabalho ou os relacionamentos.

    O uso é recomendado quando o médico identifica que existe um desequilíbrio químico ou uma necessidade de modulação neurológica que não pode ser resolvida apenas com mudanças no estilo de vida. Entre as principais indicações, é possível destacar:

    • Depressão: tanto em episódios mais intensos quanto na depressão persistente (distimia), os antidepressivos ajudam a melhorar o humor, reduzir a sensação de vazio e recuperar o interesse por atividades do dia a dia. Também podem contribuir para melhorar o sono, o apetite e a energia;
    • Transtornos de ansiedade: são a base do tratamento para condições como o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), crises de pânico e fobia social. Os medicamentos ajudam a diminuir a preocupação excessiva, a tensão constante e os sintomas físicos, como falta de ar, coração acelerado e inquietação;
    • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC): atuam reduzindo os pensamentos intrusivos e a necessidade de realizar comportamentos repetitivos. Com o tempo, ajudam a pessoa a ter mais controle sobre os rituais e a diminuir o sofrimento causado pelo transtorno;
    • Controle da dor crônica: em quadros como fibromialgia, dores neuropáticas ou enxaquecas frequentes, alguns antidepressivos ajudam a regular a forma como o cérebro percebe a dor, diminuindo a intensidade e melhorando a qualidade de vida;
    • Transtornos alimentares: podem ser usados como parte do tratamento, especialmente na bulimia nervosa, ajudando a controlar episódios de compulsão alimentar, ansiedade associada à comida e alterações de humor;
    • Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT): ajudam a reduzir sintomas como lembranças invasivas, pesadelos, irritabilidade e estado de alerta constante, facilitando o processo de lidar com o trauma e recuperar o equilíbrio emocional.

    Vale lembrar que a decisão de iniciar o uso é sempre médica, baseada na avaliação do quadro, da intensidade dos sintomas e do impacto na rotina.

    Como os antidepressivos funcionam no cérebro?

    O cérebro funciona por meio de uma rede de neurônios que se comunicam o tempo todo, e isso acontece através das sinapses, que são pequenos espaços entre as células nervosas, onde atuam os neurotransmissores.

    Quando um neurônio libera substâncias como a serotonina, a noradrenalina ou a dopamina, elas atravessam esse espaço e se ligam a receptores no próximo neurônio, transmitindo a mensagem. Logo depois, parte dessas substâncias é reabsorvida pelo neurônio de origem ou degradada.

    Em quadros de depressão ou ansiedade, os neurotransmissores podem estar em menor quantidade ou sendo receptados rápido demais pelo neurônio de origem, o que reduz o tempo de ação nas sinapses e prejudica a comunicação entre as células nervosas.

    Os antidepressivos funcionam, basicamente, impedindo que os mensageiros sejam recolhidos ou destruídos rápido demais:

    • O medicamento aumenta a quantidade de substâncias como serotonina, noradrenalina e dopamina, fazendo com que elas fiquem mais tempo atuando entre os neurônios;
    • Com mais desses mensageiros em ação, a comunicação entre as células do cérebro melhora, ajudando a regular as emoções e funções do dia a dia;
    • Com o uso contínuo, o cérebro passa a se adaptar melhor, criando novas conexões e protegendo áreas ligadas à memória e ao aprendizado.

    É importante apontar que, diferente de outros medicamentos, os antidepressivos precisam de um tempo para fazer efeito no organismo. Em geral, como explica Luiz, os efeitos positivos começam a aparecer entre 2 e 4 semanas. Na maioria dos casos, isso acontece por volta de 21 dias.

    Principais tipos de antidepressivos

    Existem diferentes classes de antidepressivos, e a escolha do médico leva em conta os sintomas, o histórico de saúde e a forma como o corpo de cada pessoa costuma reagir aos medicamentos.

    Cada classe age de um jeito específico nas substâncias do cérebro, por isso a indicação é sempre individualizada. Hoje, os principais tipos utilizados são:

    • Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS): são os mais prescritos atualmente por apresentarem menos efeitos colaterais, sendo focados exclusivamente na serotonina. Como exemplos, estão fluoxetina, sertralina e escitalopram;
    • Inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN): conhecidos como duais, atuam em dois neurotransmissores importantes, sendo muito usados também para dores crônicas. Exemplos incluem venlafaxina e duloxetina;
    • Antidepressivos tricíclicos: são medicamentos mais antigos e bastante eficazes, porém costumam causar mais efeitos como boca seca e sonolência. Alguns exemplos incluem amitriptilina e clomipramina;
    • Antidepressivos atípicos: eles recebem o nome porque não se encaixam nas outras categorias, agindo de formas únicas. A bupropiona, por exemplo, foca mais na dopamina e é muito usada para ajudar a parar de fumar. Outro exemplo é a mirtazapina;
    • Inibidores da monoaminoxidase (IMAO): são usados em casos muito específicos e resistentes a outros tratamentos, pois exigem restrições alimentares rigorosas devido à interação com certas substâncias.

    Quais os efeitos colaterais dos antidepressivos?

    Os efeitos colaterais dos antidepressivos variam de pessoa para pessoa e também dependem do tipo de medicamento usado, mas os mais comuns incluem:

    • Náusea e desconforto no estômago;
    • Boca seca, devido a diminuição da produção de saliva;
    • Sonolência ou insônia;
    • Tontura ou sensação de cabeça leve, mais comum ao levantar rápido ou nos primeiros dias;
    • Alterações no apetite e no peso, podendo haver aumento ou diminuição da fome;
    • Diminuição da libido;
    • Em alguns casos, pode ocorrer uma leve piora da ansiedade nos primeiros dias.

    No geral, eles são mais comuns nas primeiras semanas de uso, enquanto o organismo ainda está se adaptando, mas costumam melhorar com o tempo. Mesmo assim, é importante conversar com o médico caso eles incomodem muito ou não desapareçam, pois pode ser necessário ajustar a dose ou trocar o medicamento.

    Quem não pode tomar antidepressivos?

    Os antidepressivos são seguros quando bem indicados pelo médico, mas existem algumas situações específicas em que o uso precisa de mais cuidado ou até deve ser evitado. De forma geral, é preciso ter atenção em casos como:

    • Pessoas com alergia ao medicamento;
    • Uso de antidepressivos da classe IMAOs, que não podem ser misturados com outros tipos;
    • Problemas cardíacos;
    • Glaucoma de ângulo fechado;
    • Crianças e adolescentes.

    Além disso, existem situações em que o uso é possível, mas exige um acompanhamento mais próximo:

    • Gestantes e mulheres que amamentam;
    • Idosos;
    • Pessoas com transtorno bipolar;
    • Doenças no fígado ou nos rins.

    Lembre-se: apenas um profissional de saúde pode determinar se você está apto a iniciar o tratamento após uma avaliação completa dos seus exames e histórico clínico. Não se automedique!

    Leia mais: Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda

    Perguntas frequentes

    1. Quem toma antidepressivo pode doar sangue?

    Depende do medicamento. A maioria dos antidepressivos comuns (como Sertralina ou Fluoxetina) não impede a doação, desde que você esteja estável e sem sintomas da doença. No entanto, o triador do hemocentro avaliará a dosagem e o tipo de fármaco. Sempre informe o nome do remédio na entrevista.

    2. Quem toma antidepressivo pode tomar cerveja?

    O ideal é evitar. O álcool é um depressor do sistema nervoso e pode anular o efeito do remédio, além de sobrecarregar o fígado. Em alguns casos, a mistura causa sonolência excessiva, tontura e perda de coordenação. Converse com seu médico sobre exceções eventuais.

    3. Qual o melhor antidepressivo?

    O melhor antidepressivo é aquele que funciona para o seu organismo com o mínimo de efeitos colaterais. O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para você, pois a escolha depende do seu tipo de sintoma (se há insônia, falta de energia ou ansiedade).

    4. Qual antidepressivo emagrece?

    Alguns medicamentos podem causar perda de apetite como efeito colateral inicial, levando à perda de peso. Porém, eles não são remédios para emagrecer e nunca devem ser usados com esse objetivo exclusivo.

    5. Grávidas podem tomar antidepressivos?

    Sim, mas com orientação. O médico avaliará o risco de deixar a mãe sem tratamento em contrapartida ao risco do medicamento para o bebê. Existem opções consideradas mais seguras para a gestação e amamentação que não prejudicam o desenvolvimento da criança.

    6. Posso parar de tomar o remédio quando me sentir bem?

    Nunca. A melhora acontece justamente porque o remédio está agindo. Parar por conta própria pode causar recaídas graves e sintomas de descontinuação, como tonturas e irritabilidade.

    7. Quanto tempo dura o tratamento?

    O tempo é bastante individual, mas costuma durar no mínimo de 6 meses a 1 ano após o desaparecimento total dos sintomas, para garantir que o cérebro se estabilizou e evitar recaídas.

    8. Posso dirigir tomando antidepressivo?

    No início do tratamento, você deve observar se o remédio causa tontura ou sonolência. Se você se sentir alerta e bem, pode dirigir normalmente.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

  • Técnicas de respiração ajudam mesmo a aliviar a ansiedade? 

    Técnicas de respiração ajudam mesmo a aliviar a ansiedade? 

    A sensação de aperto no peito, o batimento acelerado e a falta de ar são apenas alguns dos sintomas da ansiedade, que podem surgir a qualquer momento do dia e causar um grande desconforto físico e emocional. Mas, apesar das sensações intensas, o corpo já tem um mecanismo natural que contribui para reverter o estado de alerta: a respiração.

    Quando estamos ansiosos, a respiração costuma ficar curta e rápida, o que faz o cérebro entender que existe um perigo, mantendo o corpo em um estado de estresse. Com algumas técnicas de respiração, especialmente a diafragmática, é possível aliviar a crise e desacelerar o organismo aos poucos. Entenda mais, a seguir.

    Como a respiração influencia a ansiedade?

    Segundo o neurologista Luiz Dieckmann, quando o cérebro interpreta uma situação como ameaçadora, ele aciona o sistema nervoso responsável pela resposta de luta ou fuga. Isso faz com que a respiração se torne curta, rápida e concentrada na parte superior do peito.

    O problema é que a respiração superficial mantém o corpo em estado de alerta constante, criando um ciclo em que a ansiedade altera a respiração, e a respiração rápida diz ao cérebro que ele deve continuar ansioso.

    Ao praticar técnicas de respiração consciente, é possível interromper o ciclo da ansiedade com a ajuda do nervo vago, que percorre o corpo do tronco cerebral até o abdômen. Quando a respiração fica mais lenta e profunda, ocorrem os seguintes efeitos:

    • O nervo vago é estimulado e ativa o sistema nervoso parassimpático, que funciona como um freio para o estresse;
    • A oxigenação do corpo melhora, o que contribui para reduzir os níveis de cortisol, o hormônio ligado ao estresse;
    • O ritmo cardíaco começa a desacelerar gradualmente, acompanhando o padrão mais calmo da respiração.

    A diferença entre respiração torácica e diafragmática

    A maioria das pessoas com ansiedade respira de forma mais superficial, usando principalmente o peito, o que é menos eficiente e pode aumentar o gasto de energia. O efeito positivo na ansiedade aparece quando a respiração passa a ser diafragmática, mais profunda e com o movimento do abdômen.

    Nesse tipo de respiração, o diafragma se movimenta melhor e permite que os pulmões se encham mais de ar, principalmente na parte de baixo, onde a troca de oxigênio é maior. Isso envia um sinal de segurança para o cérebro e ajuda a diminuir a sensação de alerta constante que acontece na ansiedade.

    Quais técnicas de respiração ajudam a controlar a ansiedade?

    Existem diversas formas de utilizar a respiração para acalmar a mente. Algumas são ideais para momentos de crise aguda, enquanto outras funcionam melhor como um treino diário para manter o equilíbrio. Veja algumas delas:

    1. Respiração diafragmática (abdominal)

    A respiração diafragmática é a base das outras técnicas porque ensina o corpo a respirar de forma mais eficiente. Em vez de usar apenas o peito, você passa a usar o diafragma, um músculo que fica abaixo dos pulmões. Quando ele se movimenta bem, a respiração fica mais profunda e o corpo recebe mais oxigênio, o que ajuda a acalmar o sistema nervoso.

    Como fazer: sente-se ou deite-se com conforto. Coloque uma mão no peito e a outra na barriga. Inspire pelo nariz e observe a barriga subir, enquanto o peito fica quase parado. Depois, solte o ar devagar pela boca, sentindo a barriga descer.

    2. Técnica 4-7-8

    A técnica 4-7-8 ajuda a desacelerar o corpo rapidamente porque aumenta o tempo de expiração. Quando você solta o ar por mais tempo do que inspira, o organismo entende que pode relaxar, o que reduz o ritmo do coração e diminui a agitação mental.

    Como fazer: inspire pelo nariz contando até 4, depois segura o ar por 7 segundos e, por fim, solte o ar pela boca contando até 8.

    3. Respiração quadrada (box breathing)

    A respiração quadrada cria um ritmo constante para a respiração, o que ajuda a organizar o corpo e a mente. O padrão equilibrado entre inspirar, segurar e soltar o ar traz mais controle em momentos de tensão.

    Como fazer: inspire pelo nariz contando até quatro, segure o ar por quatro segundos, depois solte o ar lentamente também em quatro segundos e permaneça mais quatro segundos sem respirar. Em seguida, repita o ciclo por alguns minutos, mantendo o ritmo constante.

    4. Respiração com lábios franzidos

    A respiração com lábios franzidos ajuda a prolongar a saída do ar, o que desacelera a respiração e melhora a sensação de falta de ar. Ela também facilita o controle do ritmo respiratório em momentos de ansiedade.

    Como fazer: inspire pelo nariz normalmente. Ao soltar o ar, feche levemente os lábios, como se fosse apagar uma vela, e expire mais devagar do que inspirou.

    Quanto tempo demora para fazer efeito?

    Na maioria dos casos, o alívio dos sintomas físicos da ansiedade pode ser sentido em apenas 2 a 5 minutos de prática contínua. Segundo Luiz, elas atuam ainda mais rápido que os próprios medicamentos calmantes, utilizados para tratar a condição.

    Logo nos primeiros ciclos respiratórios, o cérebro começa a receber sinais de que o ambiente é seguro. Em poucos minutos, é comum notar a diminuição da frequência cardíaca, o relaxamento da tensão muscular e a redução da sensação de tontura.

    Importante: em um ataque de pânico, pode ser difícil contar os segundos, e o efeito pode demorar um pouco mais. O mais importante é não resistir à ansiedade e focar em soltar o ar mais devagar do que inspirar.

    Quando procurar ajuda médica?

    As técnicas de respiração podem ajudar a aliviar a ansiedade e o estresse no dia a dia, mas elas não substituem o tratamento médico ou psicológico quando a ansiedade se torna crônica ou incapacitante. Por isso, procure a orientação de um profissional nos seguintes casos:

    • A ansiedade é constante, dura mais de seis meses e começa a atrapalhar a rotina do dia a dia;
    • Você passa a evitar compromissos, trabalho ou interações sociais por medo de ter uma crise;
    • Surgem sintomas físicos intensos, como dor no peito frequente, problemas digestivos ou insônia persistente;
    • Aparece a sensação de perda de controle, com crises de pânico mais frequentes e dificuldade para se acalmar apenas com respiração;
    • Surgem pensamentos intrusivos, com preocupações excessivas que dominam a mente e dificultam a concentração.

    Se você sentir uma dor súbita no peito que se irradia para o braço ou mandíbula, acompanhada de suor frio, procure uma emergência médica imediatamente para descartar problemas cardíacos, pois os sintomas podem ser confundidos com uma crise de ansiedade intensa.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

    Perguntas frequentes

    1. Por que sinto que não consigo respirar fundo quando estou ansioso?

    Isso acontece devido à tensão nos músculos do peito e das costas. A ansiedade faz a respiração ficar curta, dando a falsa sensação de sufocamento.

    2. Qual a melhor posição para praticar?

    No início, deitar-se de costas ajuda a sentir melhor o movimento do diafragma. Com a prática, você conseguirá o mesmo efeito sentado com as costas retas.

    3. Respirar em um saco de papel ajuda?

    Embora popular em filmes, essa técnica não é mais a primeira recomendação médica para crises, pois pode causar queda de oxigênio.

    4. Quanto tempo devo dedicar por dia?

    Cerca de 5 a 10 minutos diários já são suficientes para “treinar” o sistema nervoso e reduzir a ansiedade basal.

    5. A respiração substitui o remédio para ansiedade?

    Não, ela é uma técnica complementar. Nunca interrompa o uso de medicamentos prescritos pelo seu médico sem orientação.

    6. Praticar meditação ou ioga ajuda a respirar melhor?

    Sim, ambas as práticas ensinam o controle consciente do fôlego (pranayamas), o que fortalece o diafragma e aumenta a capacidade pulmonar a longo prazo.

    7. Qual a diferença entre ansiedade comum e transtorno de ansiedade?

    A ansiedade comum é uma reação passageira a um evento (como uma prova). O transtorno acontece quando a preocupação é excessiva, desproporcional e persistente, impedindo a pessoa de realizar tarefas simples do dia a dia.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade