Tentando engravidar há meses? Saiba quando você deve investigar a infertilidade

Mulher segurando teste de gravidez negativo enquanto enfrenta dificuldade para engravidar e investiga infertilidade.

Sabia que a chance de gravidez natural é de cerca de 20% a 25% por ciclo menstrual? Mesmo entre casais saudáveis e sem alterações conhecidas, engravidar pode levar alguns meses, uma vez que a gestação depende de uma combinação de fatores hormonais, qualidade dos óvulos e dos espermatozoides, frequência das relações sexuais e até da idade.

No entanto, se quando a gravidez não acontece após um determinado período de tentativas, pode ser importante investigar possíveis causas de infertilidade, tanto femininas quanto masculinas, para identificar dificuldades precocemente e aumentar as chances de tratamento e sucesso reprodutivo. Vamos entender mais, a seguir.

Quando investigar a infertilidade?

A investigação da infertilidade costuma levar em consideração, principalmente, a idade da paciente e o tempo de tentativas para engravidar.

Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, para mulheres com menos de 35 anos, a recomendação é aguardar até 12 meses de relações sexuais frequentes, sem uso de métodos contraceptivos, antes de iniciar uma investigação. Mesmo em pessoas férteis e sem alterações aparentes, a chance de gravidez natural por ciclo menstrual gira em torno de 20% a 25%.

A partir dos 35 anos, o ideal é procurar avaliação médica após 6 meses de tentativas sem sucesso, porque a fertilidade tende a diminuir progressivamente com a idade.

Já após os 40 anos, muitos especialistas recomendam que a investigação seja iniciada imediatamente, devido à queda mais acelerada da reserva ovariana e da qualidade dos óvulos. Andreia explica que alguns profissionais ainda podem considerar um período curto de espera, de até 6 meses, dependendo de cada caso, mas a avaliação não deve ser adiada por muito tempo.

Exames para investigar a dificuldade de engravidar

Durante a investigação, o médico ginecologista ou especialista em reprodução humana pede uma série de exames para avaliar tanto a saúde da mulher quanto a do homem, dependendo do histórico clínico de cada casal. Alguns deles incluem:

1. Exames de sangue e hormonais

Os exames hormonais são necessários para avaliar o funcionamento do eixo neuroendócrino, a ovulação e a reserva ovariana. Os principais hormônios analisados incluem:

  • FSH e o estradiol, que ajudam a entender a função dos ovários e a qualidade da ovulação;
  • LH, que auxilia na identificação do pico hormonal que antecede a liberação do óvulo;
  • TSH e a prolactina, já que alterações da tireoide ou níveis elevados de prolactina podem dificultar ou impedir a ovulação;
  • Hormônio antimulleriano (AMH), considerado atualmente um dos exames mais importantes para estimar a reserva ovariana, ou seja, o estoque de óvulos da mulher.

Em muitos casos, a dosagem hormonal precisa ser realizada em dias específicos do ciclo menstrual para que os resultados sejam interpretados corretamente. O FSH, o LH e o estradiol, por exemplo, costumam ser avaliados no início do ciclo, normalmente entre o segundo e o quinto dia da menstruação, enquanto outros hormônios podem ser coletados em diferentes momentos.

2. Ultrassom transvaginal

O ultrassom transvaginal permite observar detalhadamente a anatomia do útero e dos ovários, sendo um dos exames mais importantes na investigação da infertilidade feminina. Por meio dele, o médico consegue avaliar possíveis alterações que podem dificultar a gravidez, como:

  • Momas;
  • Pólipos endometriais;
  • Malformações uterinas;
  • Cistos ovarianos;
  • Sinais compatíveis com a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).

O ultrassom também ajuda a avaliar a espessura do endométrio, camada interna do útero onde ocorre a implantação do embrião, e pode ser utilizado para acompanhar o crescimento e o amadurecimento dos folículos durante o ciclo menstrual, permitindo identificar se a ovulação está acontecendo adequadamente.

3. Histerossalpingografia

A histerossalpingografia é um exame realizado com contraste e raio-X para avaliar se as tubas uterinas estão desobstruídas. Durante o procedimento, o contraste é introduzido pelo colo do útero e percorre as tubas.

Quando o líquido não consegue passar adequadamente, isso pode indicar uma obstrução tubária, dificultando o encontro entre o óvulo e o espermatozoide e, em alguns casos, indicando a necessidade de tratamentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV).

4. Espermograma

A investigação da infertilidade não deve avaliar apenas a mulher, já que os fatores masculinos representam cerca de 50% dos casos de dificuldade de concepção. O espermograma é um exame capaz de analisar a quantidade, a motilidade e a morfologia dos espermatozoides, ajudando a identificar possíveis alterações que possam interferir na fertilidade masculina e direcionando o tratamento mais adequado.

5. Monitoramento da temperatura e testes de ovulação

Após a ovulação, a temperatura corporal costuma aumentar discretamente, enquanto os testes de LH ajudam a identificar o pico hormonal que antecede a liberação do óvulo. Isso permite confirmar se o ciclo é ovulatório e se o período das relações sexuais está adequado para aumentar as chances de gravidez.

Como é feito o tratamento para infertilidade?

O tratamento para a infertilidade depende da causa identificada durante a investigação, da idade do casal, do tempo de tentativas e das condições de saúde envolvidas. De forma geral, os tratamentos são divididos em baixa e alta complexidade.

Baixa complexidade

Os tratamentos de baixa complexidade são aqueles em que a fecundação (o encontro do óvulo com o espermatozoide) acontece dentro do corpo da mulher. Como explica Andreia, as técnicas incluem:

  • Coito programado: com o auxílio de ultrassonografias e testes de farmácia (LH urinário), o médico identifica exatamente quando a mulher vai ovular. O casal é orientado a ter relações sexuais na janela fértil de 4 dias, aumentando as chances de sucesso;
  • Indução da ovulação: indicada para mulheres que não ovulam regularmente (como na SOP). São usados medicamentos (comprimidos como o clomifeno ou injeções) para estimular o crescimento dos folículos ovarianos, garantindo que o óvulo seja liberado;
  • Inseminação artificial (intrauterina): o médico seleciona os melhores espermatozoides do parceiro em laboratório e os introduz diretamente dentro do útero através de um cateter fino, no momento da ovulação. É ideal para casos de fator masculino leve ou quando o muco do colo do útero dificulta a passagem dos espermatozoides.

Os tratamentos de baixa complexidade normalmente são menos agressivos, mais acessíveis e apresentam menor custo quando comparados às técnicas de alta complexidade.

Alta complexidade

Os tratamentos de alta complexidade em fertilidade são indicados quando existem dificuldades mais importantes para a gravidez natural ou quando os tratamentos de baixa complexidade não apresentaram resultado. Nestas técnicas, a fecundação é realizada em laboratório, fora do corpo da mulher.

O principal tratamento de alta complexidade é a fertilização in vitro (FIV), em que a mulher utiliza medicamentos hormonais para estimular os ovários a produzirem múltiplos óvulos. Depois, os óvulos são coletados por punção ovariana e fertilizados em laboratório com os espermatozoides. Após a formação dos embriões, um ou mais são transferidos para o útero.

Em alguns casos, pode ser necessária a ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide), uma técnica realizada durante a FIV em que um único espermatozoide é injetado diretamente dentro do óvulo. Ela costuma ser indicada principalmente em situações de infertilidade masculina grave ou quando houve falha de fertilização prévia.

Os tratamentos de alta complexidade normalmente são recomendados em casos de obstrução das tubas uterinas, endometriose avançada, baixa reserva ovariana, idade materna mais avançada, alterações importantes no espermograma ou infertilidade sem causa definida após múltiplas tentativas.

Quando a doação de gametas é indicada?

Quando a reserva ovariana está esgotada, como em casos de menopausa precoce, ou os óvulos/espermatozoides não têm qualidade genética para gerar um embrião saudável, o casal pode recorrer à ovodoação (óvulos doados) ou à doação de sêmen.

As técnicas permitem que a mulher vivencie a gestação, utilizando material genético de doadores anônimos.

Quais as taxas de sucesso do tratamento?

As taxas de sucesso dos tratamentos para infertilidade variam de acordo com diversos fatores, principalmente a técnica utilizada, a idade da paciente, a reserva ovariana, a causa da infertilidade e a qualidade dos espermatozoides.

Normalmente, os índices costumam ficar entre 15% e 25% por tentativa, especialmente nos tratamentos de baixa complexidade, como a indução da ovulação e a inseminação intrauterina.

Já em clínicas especializadas e em casos considerados mais favoráveis, especialmente em mulheres mais jovens e sem alterações importantes, as taxas podem chegar a 40% por ciclo em técnicas como a fertilização in vitro (FIV).

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Perguntas frequentes

1. Quanto tempo é normal demorar para engravidar?

Para casais com menos de 35 anos e sem problemas de saúde conhecidos, é considerado normal aguardar até 12 meses de tentativas frequentes.

2. É verdade que a ansiedade atrapalha a gravidez?

Sim. O estresse e o fator emocional afetam os estímulos neurológicos que regulam a pulsação dos hormônios, o que pode interferir na ovulação e na receptividade do útero.

3. Qual a diferença entre infertilidade e esterilidade?

A infertilidade é a dificuldade em levar uma gestação até o fim (incluindo abortos de repetição), enquanto a esterilidade é a incapacidade total de engravidar naturalmente.

4. Para que serve o exame de hormônio antimulleriano?

Ele serve para medir a reserva ovariana da mulher, ou seja, a quantidade de folículos (ovos) que ela ainda possui disponíveis.

5. Ter ciclos menstruais irregulares é sinal de infertilidade?

Ciclos irregulares costumam indicar distúrbios hormonais ou falta de ovulação constante, o que dificulta a gravidez, mas pode ser tratado com indução medicamentosa.

6. Quem já teve um filho pode ser infértil?

Sim, isso se chama infertilidade secundária. Pode ocorrer devido a novas condições de saúde, idade avançada ou mudanças no parceiro.

7. Abortos de repetição são considerados infertilidade?

Sim. Quando a mulher engravida, mas não consegue manter a gestação até o nascimento de um bebê saudável, isso é classificado como um tipo de infertilidade.

8. É possível engravidar com as trompas obstruídas?

Se a obstrução for bilateral (nas duas trompas), a gravidez natural é impossível. Nesses casos, a indicação costuma ser a fertilização in vitro.

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