O diabetes é uma doença crônica que afeta mais de 13 milhões de pessoas no Brasil, o que representa 6,9% da população, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes. Os sintomas podem se manifestar de maneiras diferentes, dependendo do nível de glicose no sangue e o tipo da doença.
Em alguns casos, especialmente no início, a condição pode ser assintomática, o que faz com que ela só seja percebida quando já está mais avançada.
Por isso, é muito importante conhecer os sinais do corpo e ficar atento a qualquer mudança fora do padrão. A seguir, vamos conhecer os principais sintomas de diabetes de cada tipo e como é feito o diagnóstico da doença.
Sintomas de diabetes tipo 1
O diabetes tipo 1 é uma doença crônica e autoimune em que o próprio sistema imunológico do corpo ataca as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina, hormônio responsável por controlar os níveis de glicose no sangue.
Ele tende a surgir na infância ou na adolescência, entre 10 e 14 anos de idade, mas também pode aparecer com menos frequência em adultos.
Os sintomas do diabetes tipo 1 costumam aparecer de forma rápida, porque o corpo deixa de produzir insulina quase por completo. Os principais incluem:
- Sede intensa, mesmo após beber água;
- Vontade frequente de urinar, inclusive durante a noite;
- Fome exagerada;
- Perda de peso rápida, sem motivo aparente;
- Cansaço e a fraqueza;
- Visão embaçada.
Em alguns casos, a pessoa com diabetes também pode apresentar náuseas e vômito, dor abdominal, hálito com odor de fruta, respiração rápida, sonolência ou confusão mental.
Eles podem indicar uma complicação grave chamada cetoacidose diabética, que acontece porque, sem insulina, o corpo começa a queimar gordura para obter energia, gerando uma acumulação de ácidos (cetonas) no sangue. É uma emergência metabólica grave e precisa de atendimento médico imediato.
Sintomas de diabetes tipo 2
O diabetes tipo 1 é caracterizado pela resistência do organismo à insulina ou pela produção insuficiente do hormônio pelo pâncreas, o que impede que a glicose entre nas células e cause o acúmulo no sangue. É o tipo mais comum da doença, representando cerca de 90% a 95% dos casos de diabetes no mundo.
Diferente do tipo 1, ele está muito relacionado a fatores como alimentação, sedentarismo, excesso de peso e também à genética.
Frequentemente, o diabetes tipo 2 se desenvolve de forma lenta e silenciosa, podendo ficar anos sem causar sintomas evidentes. Quando aparecem, os sinais podem incluir:
- Sede excessiva;
- Vontade frequente de urinar;
- Cansaço;
- Visão embaçada;
- Infecções frequentes;
- Formigamento nos pés;
- Cicatrização lenta.
Sintomas de diabetes infantil
Os sintomas de diabetes infantil, principalmente do tipo 1, costumam aparecer de forma rápida e podem evoluir em poucos dias ou semanas. É importante que os pais ou responsáveis fiquem atentos aos sinais, como:
- Sede excessiva, com a criança pedindo água o tempo todo;
- Vontade frequente de urinar (inclusive voltar a fazer xixi na cama);
- Fome aumentada;
- Perda de peso sem motivo aparente;
- Cansaço, a fraqueza ou a falta de energia;
- Irritação ou mudanças de comportamento;
- Visão embaçada;
- Infecções frequentes.
Sintomas de diabetes gestacional
O diabetes gestacional é um tipo de diabetes que surge durante a gravidez, quando o corpo da gestante passa a ter dificuldade para controlar os níveis de glicose no sangue. Ele acontece porque os hormônios da gestação podem dificultar a ação da insulina, levando ao aumento do açúcar no sangue.
Na maioria dos casos, o diabetes gestacional não causa sintomas claros e é descoberto nos exames de rotina do pré-natal. Quando aparecem, os sinais podem ser parecidos com os de outros tipos de diabetes, como a sede aumentada, vontade frequente de urinar e cansaço.
Sintomas de pré-diabetes
O pré-diabetes é uma condição em que os níveis de açúcar no sangue estão mais altos do que o normal, mas ainda não são suficientes para caracterizar diabetes. Segundo o Ministério da Saúde, o quadro é um sinal de alerta do corpo, sendo importante porque pode ser revertido a partir de mudanças nos hábitos de vida.
O pré-diabetes não causa sintomas, o que faz com que muitas pessoas só descubram a condição por meio de exames. Por isso, é recomendado que pessoas com mais de 45 anos e também pessoas mais jovens com sobrepeso associado a outros fatores de risco realizem avaliações periódicas.
Como identificar o diabetes?
Ao suspeitar de diabetes, o ideal é procurar um endocrinologista, clínico geral ou pediatra, em caso de crianças. O diagnóstico é feito por meio de exames de sangue que avaliam os níveis de glicose no organismo, sendo os principais:
- Glicemia em jejum: mede a quantidade de açúcar no sangue após um período de jejum de pelo menos 8 horas;
- Teste oral de tolerância à glicose (TOTG): avalia como o corpo reage após a ingestão de uma bebida com glicose, com medições feitas em intervalos de tempo;
- Hemoglobina glicada (HbA1c): mostra a média dos níveis de glicose nos últimos 2 a 3 meses.
Em geral, o diagnóstico é confirmado quando os resultados estão acima dos valores de referência em mais de um exame, ou quando há sintomas claros associados a uma glicemia elevada.
Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?
Perguntas frequentes
1. Qual a diferença entre tipo 1 e tipo 2?
O tipo 1 é uma doença autoimune onde o corpo para de produzir insulina (comum em jovens). O tipo 2 ocorre quando o corpo cria resistência à insulina, geralmente associado ao estilo de vida e idade.
2. Por que o diabetes causa muita sede?
Quando o açúcar sobra no sangue, os rins precisam de mais água para filtrá-lo e eliminá-lo pela urina, o que desidrata o corpo e gera sede.
3. O que é hipoglicemia?
É quando o nível de açúcar no sangue fica perigosamente baixo (abaixo de 70 mg/dL), podendo causar tontura, suor frio e desmaios.
4. Quem tem mais risco de desenvolver diabetes tipo 2?
Pessoas com sobrepeso, sedentarismo, histórico familiar da doença, pressão alta, colesterol alterado ou hábitos alimentares inadequados têm maior risco.
5. Diabetes gestacional é perigoso?
Quando não controlado, pode trazer riscos para a mãe e para o bebê, como aumento do peso do bebê e complicações no parto. Com acompanhamento adequado, a gestação tende a ser segura.
6. Quem tem diabetes precisa usar insulina?
Nem todos. O uso de insulina é obrigatório no diabetes tipo 1 e pode ser necessário em alguns casos de diabetes tipo 2, dependendo do controle da doença.
7. Como prevenir o diabetes tipo 2?
A prevenção envolve uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física, o controle do peso e o acompanhamento da saúde ao longo da vida.
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