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  • Diabetes gestacional: por que ele aparece na gravidez? 

    Diabetes gestacional: por que ele aparece na gravidez? 

    O diabetes gestacional, caracterizado pelo aumento dos níveis de glicose no sangue, é uma condição relativamente comum durante a gravidez. No Brasil, a estimativa é que entre 14% e 18% das gestantes desenvolvem o problema ao longo da gestação.

    Ele acontece devido a uma reação natural do próprio organismo à gravidez, afetando inclusive mulheres que nunca tiveram problemas com a glicemia antes.

    A principal causa do diabetes gestacional está relacionada aos hormônios produzidos pela placenta. Para garantir o desenvolvimento saudável do bebê, a placenta libera substâncias que acabam bloqueando a ação da insulina no corpo da mãe.

    Na maioria das vezes, o pâncreas da gestante consegue compensar a mudança, mas, quando isso não acontece, o açúcar se acumula no sangue. “Na maioria das vezes, a mulher não sente nada. Por isso, o diagnóstico é feito por exames de rotina no pré-natal. Se não for controlado, pode trazer riscos para o bebê”, explica o endocrinologista André Colapietro.

    Por que o diabetes gestacional aparece na gravidez?

    O diabetes gestacional é causado principalmente pelas alterações hormonais que acontecem durante a gravidez. A placenta, órgão responsável por nutrir e proteger o bebê, também produz uma grande quantidade de hormônios essenciais para a manutenção da gravidez, como o lactogênio placentário, a progesterona e o cortisol.

    Os hormônios podem reduzir a ação da insulina, hormônio produzido pelo pâncreas que permite a entrada da glicose nas células para ser utilizada como fonte de energia. A condição é conhecida como resistência à insulina.

    Na prática, o organismo da gestante pelas seguintes mudanças:

    • Os hormônios da placenta dificultam a ação da insulina;
    • Para compensar essa resistência, o pâncreas aumenta a produção de insulina;
    • Em algumas mulheres, porém, o pâncreas não consegue produzir insulina suficiente para atender à demanda maior da gestação.

    Quando isso acontece, a glicose permanece em excesso na corrente sanguínea, levando ao desenvolvimento do diabetes gestacional.

    Principais fatores de risco do diabetes gestacional

    Qualquer mulher pode desenvolver o diabetes gestacional, mas algumas gestantes têm uma propensão maior a enfrentar essa sobrecarga no pâncreas, como aquelas que:

    • Estão acima do peso ou têm obesidade antes da gravidez;
    • Têm histórico familiar de diabetes tipo 2;
    • Já tiveram diabetes gestacional em uma gestação anterior;
    • Apresentaram pré-diabetes antes de engravidar;
    • Têm síndrome dos ovários policísticos (SOP);
    • Engravidaram após os 35 anos;
    • Já tiveram um bebê com peso elevado ao nascer (acima de 4 kg);
    • Apresentam hipertensão arterial ou outras alterações metabólicas.

    Vale destacar que a ausência dos fatores de risco não garante que a gestante não desenvolverá a condição. Por isso, o acompanhamento pré-natal e a realização dos exames de rotina são recomendados para todas.

    Quando o diabetes gestacional costuma surgir?

    Na maioria dos casos, o diabetes gestacional costuma surgir a partir da 24ª semana de gravidez, que corresponde ao final do quinto mês e início do sexto mês de gestação.

    Nessa fase, a placenta já atingiu um tamanho significativo e passa a produzir quantidades cada vez maiores dos hormônios responsáveis pela manutenção da gravidez.

    Até a metade da gestação, o pâncreas normalmente consegue compensar as mudanças sem grandes dificuldades, mas com o aumento da resistência à insulina no segundo trimestre, o organismo precisa produzir muito mais insulina para manter os níveis de glicose sob controle.

    Por isso, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) orienta a realização do rastreamento do diabetes gestacional entre a 24ª e a 28ª semana de gravidez. O principal exame utilizado é o teste oral de tolerância à glicose (TOTG), que avalia como o organismo da gestante reage após a ingestão de uma solução açucarada.

    Quando diagnosticado e tratado adequadamente, o diabetes gestacional pode ser controlado com mudanças na alimentação, prática de atividade física orientada e, em alguns casos, uso de medicamentos.

    Como saber se a causa é a gravidez ou pré-diabetes?

    Quando a gestante apresenta níveis elevados de glicose logo nos primeiros meses da gravidez, a causa normalmente não é a gravidez. Como a placenta ainda é muito pequena e produz poucos hormônios, o resultado indica que a mulher provavelmente já tinha pré-diabetes (ou diabetes tipo 2) antes de engravidar e não sabia.

    Por outro lado, quando os exames iniciais estão normais e a glicemia se altera apenas a partir da segunda metade da gravidez, especialmente após a 24ª semana, o quadro costuma estar mais relacionado ao diabetes gestacional provocado pelas mudanças hormonais da placenta.

    O que acontece depois do parto?

    Após o parto, a maioria das mulheres com diabetes gestacional volta a apresentar níveis normais de glicose. É recomendado repetir os exames entre 6 e 12 semanas após o nascimento do bebê.

    Se a glicemia permanecer alterada, isso pode indicar que a mulher já tinha pré-diabetes ou diabetes antes da gestação, ou que desenvolveu um risco maior para as condições.

    “Na maioria dos casos, o diabetes cede depois do parto, mas é um sinal de alerta para o futuro, já que as mulheres que tiveram diabetes gestacional têm risco aumentado de desenvolver diabetes ao longo da vida”, finaliza André.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

    Perguntas frequentes

    1. Qual o valor normal da glicose na gravidez?

    No exame de jejum feito no início da gestação, o valor considerado normal é abaixo de 92 mg/dL. Valores entre 92 mg/dL e 125 mg/dL já indicam diabetes gestacional.

    2. Como é feito o exame de curva glicêmica?

    Chamado de TOTG, a gestante colhe o sangue em jejum, toma um líquido extremamente doce (75g de glicose) e colhe o sangue novamente após 1 hora e 2 horas. Ele avalia a capacidade do corpo de processar o açúcar.

    3. O diabetes gestacional dá algum sintoma?

    Na grande maioria das vezes, ele é assintomático. É por isso que os exames de sangue são obrigatórios, já que a grávida costuma se sentir perfeitamente bem.

    4. Quais os riscos para o bebê se o diabetes não for controlado?

    O principal risco é a macrossomia (bebê nascer muito grande, acima de 4 kg), o que pode antecipar o parto, causar quedas de açúcar no bebê logo após o nascimento e desconforto respiratório.

    5. Posso praticar exercícios físicos tendo a condição?

    Se não houver nenhuma contraindicação médica, caminhadas leves e hidroginástica são excelentes, pois ajudam os músculos a gastar o açúcar do sangue de forma natural.

    6. Quem tem diabetes gestacional precisa fazer cesárea?

    Não obrigatoriamente. O tipo de parto depende das condições de saúde da mãe e do tamanho do bebê.

    7. Posso tomar remédios em comprimido para o diabetes na gravidez?

    Normalmente, o tratamento de escolha quando a dieta não funciona é a insulina. Alguns comprimidos, como a metformina, podem ser usados em casos muito específicos, mas sempre sob orientação médica.

    Leia mais: Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência

  • Sintomas de diabetes: conheça os principais sinais de cada tipo (e como identificar)

    Sintomas de diabetes: conheça os principais sinais de cada tipo (e como identificar)

    O diabetes é uma doença crônica que afeta mais de 13 milhões de pessoas no Brasil, o que representa 6,9% da população, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes. Os sintomas podem se manifestar de maneiras diferentes, dependendo do nível de glicose no sangue e o tipo da doença.

    Em alguns casos, especialmente no início, a condição pode ser assintomática, o que faz com que ela só seja percebida quando já está mais avançada.

    Por isso, é muito importante conhecer os sinais do corpo e ficar atento a qualquer mudança fora do padrão. A seguir, vamos conhecer os principais sintomas de diabetes de cada tipo e como é feito o diagnóstico da doença.

    Sintomas de diabetes tipo 1

    O diabetes tipo 1 é uma doença crônica e autoimune em que o próprio sistema imunológico do corpo ataca as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina, hormônio responsável por controlar os níveis de glicose no sangue.

    Ele tende a surgir na infância ou na adolescência, entre 10 e 14 anos de idade, mas também pode aparecer com menos frequência em adultos.

    Os sintomas do diabetes tipo 1 costumam aparecer de forma rápida, porque o corpo deixa de produzir insulina quase por completo. Os principais incluem:

    • Sede intensa, mesmo após beber água;
    • Vontade frequente de urinar, inclusive durante a noite;
    • Fome exagerada;
    • Perda de peso rápida, sem motivo aparente;
    • Cansaço e a fraqueza;
    • Visão embaçada.

    Em alguns casos, a pessoa com diabetes também pode apresentar náuseas e vômito, dor abdominal, hálito com odor de fruta, respiração rápida, sonolência ou confusão mental.

    Eles podem indicar uma complicação grave chamada cetoacidose diabética, que acontece porque, sem insulina, o corpo começa a queimar gordura para obter energia, gerando uma acumulação de ácidos (cetonas) no sangue. É uma emergência metabólica grave e precisa de atendimento médico imediato.

    Sintomas de diabetes tipo 2

    O diabetes tipo 1 é caracterizado pela resistência do organismo à insulina ou pela produção insuficiente do hormônio pelo pâncreas, o que impede que a glicose entre nas células e cause o acúmulo no sangue. É o tipo mais comum da doença, representando cerca de 90% a 95% dos casos de diabetes no mundo.

    Diferente do tipo 1, ele está muito relacionado a fatores como alimentação, sedentarismo, excesso de peso e também à genética.

    Frequentemente, o diabetes tipo 2 se desenvolve de forma lenta e silenciosa, podendo ficar anos sem causar sintomas evidentes. Quando aparecem, os sinais podem incluir:

    • Sede excessiva;
    • Vontade frequente de urinar;
    • Cansaço;
    • Visão embaçada;
    • Infecções frequentes;
    • Formigamento nos pés;
    • Cicatrização lenta.

    Sintomas de diabetes infantil

    Os sintomas de diabetes infantil, principalmente do tipo 1, costumam aparecer de forma rápida e podem evoluir em poucos dias ou semanas. É importante que os pais ou responsáveis fiquem atentos aos sinais, como:

    • Sede excessiva, com a criança pedindo água o tempo todo;
    • Vontade frequente de urinar (inclusive voltar a fazer xixi na cama);
    • Fome aumentada;
    • Perda de peso sem motivo aparente;
    • Cansaço, a fraqueza ou a falta de energia;
    • Irritação ou mudanças de comportamento;
    • Visão embaçada;
    • Infecções frequentes.

    Sintomas de diabetes gestacional

    O diabetes gestacional é um tipo de diabetes que surge durante a gravidez, quando o corpo da gestante passa a ter dificuldade para controlar os níveis de glicose no sangue. Ele acontece porque os hormônios da gestação podem dificultar a ação da insulina, levando ao aumento do açúcar no sangue.

    Na maioria dos casos, o diabetes gestacional não causa sintomas claros e é descoberto nos exames de rotina do pré-natal. Quando aparecem, os sinais podem ser parecidos com os de outros tipos de diabetes, como a sede aumentada, vontade frequente de urinar e cansaço.

    Sintomas de pré-diabetes

    O pré-diabetes é uma condição em que os níveis de açúcar no sangue estão mais altos do que o normal, mas ainda não são suficientes para caracterizar diabetes. Segundo o Ministério da Saúde, o quadro é um sinal de alerta do corpo, sendo importante porque pode ser revertido a partir de mudanças nos hábitos de vida.

    O pré-diabetes não causa sintomas, o que faz com que muitas pessoas só descubram a condição por meio de exames. Por isso, é recomendado que pessoas com mais de 45 anos e também pessoas mais jovens com sobrepeso associado a outros fatores de risco realizem avaliações periódicas.

    Como identificar o diabetes?

    Ao suspeitar de diabetes, o ideal é procurar um endocrinologista, clínico geral ou pediatra, em caso de crianças. O diagnóstico é feito por meio de exames de sangue que avaliam os níveis de glicose no organismo, sendo os principais:

    • Glicemia em jejum: mede a quantidade de açúcar no sangue após um período de jejum de pelo menos 8 horas;
    • Teste oral de tolerância à glicose (TOTG): avalia como o corpo reage após a ingestão de uma bebida com glicose, com medições feitas em intervalos de tempo;
    • Hemoglobina glicada (HbA1c): mostra a média dos níveis de glicose nos últimos 2 a 3 meses.

    Em geral, o diagnóstico é confirmado quando os resultados estão acima dos valores de referência em mais de um exame, ou quando há sintomas claros associados a uma glicemia elevada.

    Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre tipo 1 e tipo 2?

    O tipo 1 é uma doença autoimune onde o corpo para de produzir insulina (comum em jovens). O tipo 2 ocorre quando o corpo cria resistência à insulina, geralmente associado ao estilo de vida e idade.

    2. Por que o diabetes causa muita sede?

    Quando o açúcar sobra no sangue, os rins precisam de mais água para filtrá-lo e eliminá-lo pela urina, o que desidrata o corpo e gera sede.

    3. O que é hipoglicemia?

    É quando o nível de açúcar no sangue fica perigosamente baixo (abaixo de 70 mg/dL), podendo causar tontura, suor frio e desmaios.

    4. Quem tem mais risco de desenvolver diabetes tipo 2?

    Pessoas com sobrepeso, sedentarismo, histórico familiar da doença, pressão alta, colesterol alterado ou hábitos alimentares inadequados têm maior risco.

    5. Diabetes gestacional é perigoso?

    Quando não controlado, pode trazer riscos para a mãe e para o bebê, como aumento do peso do bebê e complicações no parto. Com acompanhamento adequado, a gestação tende a ser segura.

    6. Quem tem diabetes precisa usar insulina?

    Nem todos. O uso de insulina é obrigatório no diabetes tipo 1 e pode ser necessário em alguns casos de diabetes tipo 2, dependendo do controle da doença.

    7. Como prevenir o diabetes tipo 2?

    A prevenção envolve uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física, o controle do peso e o acompanhamento da saúde ao longo da vida.

    Leia mais: Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência

  • Como saber se eu estou com diabetes gestacional? 

    Como saber se eu estou com diabetes gestacional? 

    Embora na maior parte das vezes o diabetes gestacional desapareça depois do parto, ele exige atenção especial durante a gestação. Isso porque níveis elevados de glicose podem trazer riscos tanto para a mãe quanto para o bebê, muitos deles evitáveis com orientação médica, alimentação equilibrada e monitoramento regular.

    Venha entender mais sobre essa condição que atinge grávidas e como descobrir se você tem a doença.

    O que é diabetes gestacional?

    O diabetes gestacional acontece quando os níveis de açúcar no sangue ficam mais altos do que o esperado durante a gravidez.

    Ao contrário do diabetes tipo 1 ou tipo 2, que já existem antes da gestação, o diabetes gestacional surge apenas durante a gravidez e costuma desaparecer após o parto.

    Quando a mulher já tem diabetes antes de engravidar, o quadro é chamado de diabetes prévio ou pré-gestacional, e não diabetes gestacional.

    Por que o diabetes gestacional acontece?

    Durante a gestação, a placenta produz hormônios que dificultam a ação da insulina, fenômeno chamado de resistência à insulina. Essa resistência é normal, mas em algumas mulheres ela acontece de forma mais intensa.

    Quando o corpo não consegue compensar essa dificuldade, a glicose começa a se acumular no sangue, levando ao diabetes gestacional.

    Quem tem mais risco de desenvolver diabetes gestacional?

    Fatores de risco

    • Ter tido diabetes gestacional em outra gravidez;
    • Estar com sobrepeso ou obesidade;
    • Idade materna acima de 35 anos;
    • Histórico familiar de diabetes;
    • Outras doenças metabólicas (triglicérides altos, pressão alta);
    • Síndrome dos ovários policísticos (SOP).

    Alguns fatores são modificáveis; outros, não. Mas identificar o risco ajuda a planejar o acompanhamento adequado.

    Diagnóstico: como é feito?

    O diagnóstico ocorre durante o pré-natal.

    1. Primeira consulta (antes da 20ª semana)

    O médico solicita o exame de glicemia em jejum. Com esse resultado, é possível:

    • Diagnosticar diabetes prévio;
    • Diagnosticar diabetes gestacional;
    • Ou seguir avaliando até um exame confirmatório.

    2. Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) — 24ª a 28ª semana

    Indicado quando:

    • O pré-natal começou tardiamente;
    • A glicemia de jejum inicial foi normal.

    A gestante coleta o sangue em jejum, bebe uma solução de glicose, e novas coletas são feitas após 1h e 2h.

    Riscos para a mãe e para o bebê

    Riscos para a mãe

    • Pressão alta na gravidez (pré-eclâmpsia);
    • Parto prematuro;
    • Maior chance de cesariana;
    • Infecções urinárias e candidíase;
    • Risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro.

    Riscos para o bebê

    • Crescimento exagerado no útero (macrossomia), principalmente acima de 4.000 g;
    • Prematuridade;
    • Malformações congênitas;
    • Hipoglicemia ao nascer;
    • Maior risco de obesidade e diabetes na vida adulta.

    Tratamento e cuidados

    Mesmo sendo um quadro que exige atenção, o diabetes gestacional pode ser controlado.

    Alimentação equilibrada

    • Pequenas refeições ao longo do dia;
    • Priorizar frutas, legumes, verduras e integrais;
    • Evitar doces e alimentos gordurosos.

    Atividade física

    Com autorização do obstetra, atividades físicas leves ajudam a controlar a glicose.

    Monitoramento da glicose

    O médico pode orientar medições regulares em casa.

    Uso de insulina

    Pode ser necessário quando dieta e exercícios não são suficientes. Os remédios antidiabéticos orais são reservados apenas para casos específicos.

    O parto

    Diabetes gestacional controlado (sem insulina)

    • O parto pode ser normal;
    • Pode ocorrer até 40 semanas, se mãe e bebê estiverem bem;
    • Cesárea pode ser indicada se o bebê estiver muito grande.

    Uso de insulina durante a gestação

    O parto pode ser antecipado para entre 38 e 39 semanas.

    Cuidados após o parto

    • Manter alimentação saudável e rotina de exercícios;
    • Interromper o uso de insulina após o parto (quando usada apenas na gestação);
    • Aferir glicemia em jejum nas primeiras 24 a 72 horas;
    • Repetir o Teste Oral de Tolerância à Glicose entre 6 e 12 semanas;
    • Manter acompanhamento médico.

    O diabetes gestacional costuma desaparecer, mas há maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 futuramente.

    Importância do acompanhamento

    O pré-natal é essencial para:

    • Diagnosticar cedo;
    • Reduzir riscos para mãe e bebê;
    • Ajustar o tratamento;
    • Monitorar o crescimento fetal.

    Seguir as orientações médicas é a melhor forma de garantir uma gestação segura.

    Leia também: Toxoplasmose: entenda a importância de evitar a doença na gestação

    Perguntas frequentes sobre diabetes gestacional

    1. O diabetes gestacional sempre desaparece depois do parto?

    Na maioria das vezes, sim. Mas o risco de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro aumenta.

    2. Ter diabetes gestacional significa que terei diabetes para sempre?

    Não. Mas é importante fazer acompanhamento.

    3. Posso ter parto normal?

    Sim, se o diabetes estiver controlado e o bebê não estiver muito grande.

    4. É possível evitar o diabetes gestacional?

    Não totalmente, mas manter peso saudável e praticar exercícios reduz o risco.

    5. O bebê sente algo durante o exame de teste oral de tolerância à glicose?

    Não. O teste é seguro.

    6. Se eu precisar de insulina, significa que meu diabetes é grave?

    Não necessariamente. Muitas vezes é apenas o método mais seguro para controlar a glicose.

    7. O diabetes gestacional pode voltar em outra gravidez?

    Sim, especialmente se houve fatores de risco persistentes.

    Confira: Perda gestacional: causas, tipos e cuidados necessários

  • Tratamento de diabetes gestacional: como é feito?

    Tratamento de diabetes gestacional: como é feito?

    O diabetes gestacional é uma alteração que acontece durante a gravidez, quando o corpo da mulher não consegue produzir insulina suficiente para controlar os níveis de açúcar no sangue. Ele normalmente aparece no segundo ou terceiro trimestre e, apesar do diagnóstico assustar, a endocrinologista Denise Orlandi aponta que ele é um sinal de alerta para cuidar da saúde da mãe e do bebê e, claro, fazer o tratamento de diabetes gestacional.

    “Após o diagnóstico, a gestante passa a ter um acompanhamento mais próximo com a equipe médica (obstetra e endocrinologista), além de orientações com nutricionista e até educador físico”, aponta a especialista. Isso inclui monitorar os níveis de glicose no sangue, fazer ajustes na alimentação e adotar um estilo de vida mais saudável.

    Com isso, é possível manter a glicemia sob controle e ter uma gestação saudável. Na maioria dos casos, a condição desaparece após o parto, mas exige cuidados durante toda a gravidez para proteger tanto a mãe quanto o bebê. Entenda mais, a seguir.

    O que é o diabetes gestacional e por que precisa de tratamento?

    O diabetes gestacional é definido como uma condição temporária em que a gestante, que não tinha diabetes antes, desenvolve níveis elevados de glicose (açúcar) no sangue durante a gravidez.

    Ela acontece porque os hormônios produzidos pela placenta podem bloquear a ação da insulina, o hormônio que ajuda a glicose a entrar nas células para ser usada como energia. O corpo tenta compensar produzindo mais insulina, mas, se não consegue, o açúcar se acumula no sangue.

    Se não for tratado, a condição pode causar complicações sérias, como:

    • Para o bebê: macrossomia (bebê grande demais), hipoglicemia neonatal, desconforto respiratório e maior risco de obesidade e diabetes no futuro;
    • Para a mãe: risco de pré-eclâmpsia, cesárea, desenvolvimento de diabetes tipo 2 e complicações cardiovasculares a longo prazo.

    O diabetes gestacional pode surgir em qualquer mulher grávida, mas é mais comum em quem já tem fatores de risco como: sobrepeso, obesidade, histórico familiar de diabetes, idade materna acima de 30 anos ou gestações anteriores com complicações.

    Como é feito o tratamento de diabetes gestacional?

    O tratamento para o diabetes gestacional se baseia em quatro abordagens: mudanças no estilo de vida, que incluem alimentação equilibrada, a prática de exercícios, o monitoramento da glicemia e, quando necessário, o uso de medicamentos. O objetivo é manter a glicemia dentro dos níveis considerados seguros, reduzindo complicações para a mãe e o bebê.

    Alimentação saudável

    Manter uma alimentação equilibrada é o primeiro passo no tratamento do diabetes gestacional. Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e a Sociedade Brasileira de Diabetes, a rotina alimentar deve ser individualizada, respeitando o peso da gestante, o trimestre da gestação e suas necessidades calóricas.

    Por isso, não é necessário realizar uma dieta restritiva, mas priorizar o consumo de alimentos in natura e ricos em fibras, como:

    • Frutas frescas: banana, laranja, pera, maçã, kiwi, morango;
    • Carnes magras: peixes, frango, ovo;
    • Vegetais: alface, tomate, rúcula, brócolis, abobrinha;
    • Leguminosas: feijão, grão-de-bico, lentilha, ervilha;
    • Laticínios: leite semi ou desnatado, iogurte natural, queijo branco;
    • Oleaginosas: castanha de caju, amendoim, avelãs, nozes e amêndoas;
    • Cereais integrais: arroz integral, pão integral, quinoa, aveia.

    Também é importante reduzir ao máximo o consumo de açúcares, doces, refrigerantes e alimentos ultraprocessados, já que eles provocam picos rápidos de glicose no sangue, favorecem o ganho de peso excessivo e não oferecem nutrientes de qualidade para a mãe nem para o bebê.

    “Uma nutricionista pode ajudar a montar um plano alimentar equilibrado, com foco em alimentos que mantenham a glicose estável. Pequenas mudanças já fazem uma grande diferença — como reduzir o açúcar simples, preferir alimentos integrais e fracionar melhor as refeições ao longo do dia”, esclarece Denise.

    Atividades físicas

    O movimento ajuda o corpo a usar a glicose como fonte de energia, reduzindo os níveis de açúcar no sangue e aumentando a sensibilidade à insulina. Além disso, praticar atividades físicas contribui para reduzir o estresse, melhorar a circulação e manter um ganho de peso saudável durante a gestação.

    Entre as atividades mais indicadas para gestantes com diabetes gestacional, é possível destacar:

    • Caminhadas leves;
    • Hidroginástica;
    • Bicicleta ergométrica;
    • Yoga ou pilates adaptado para gestantes;
    • Alongamentos.

    A indicação é realizar as atividades entre 20 a 30 minutos por dia, pelo menos 5 vezes por semana. Também deve-se evitar exercícios de alto impacto, atividades que exigem muito equilíbrio ou posição deitada de barriga para cima.

    A prática deve ser acompanhada por profissionais de saúde e interrompida se houver sinais de alerta, como sangramento vaginal, dor abdominal ou tontura.

    Monitoramento da glicemia

    Acompanhar os níveis de glicose no sangue pode ser feito em casa com o uso de aparelhos portáteis, como os glicosímetros. É recomendado que a gestante meça a glicemia em jejum e após as principais refeições, o que ajuda a identificar como o corpo reage à alimentação e se o tratamento está funcionando.

    Os valores de referência para o acompanhamento do diabetes gestacional são, em geral:

    • Glicemia de jejum abaixo de 95 mg/dL;
    • 1 hora após a refeição: abaixo de 140 mg/dL;
    • 2 horas após a refeição: abaixo de 120 mg/dL.

    Uso de medicamentos

    Quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes para controlar a glicemia, pode ser necessário recorrer a medicamentos, que são indicados pelo médico de forma individualizada.

    O mais utilizado é a insulina, aplicada por meio de injeções. As doses são calculadas conforme o peso da gestante, e as aplicações normalmente são feitas 2 a 3 vezes ao dia, antes das refeições e à noite.

    “O uso de insulina é seguro na gestação e não traz riscos para o bebê — pelo contrário, ela ajuda a garantir que o desenvolvimento dele ocorra da melhor forma possível”, explica Denise.

    Em algumas situações específicas, como dificuldade de acesso ou recusa ao uso de insulina, o médico pode avaliar o uso de metformina. Ele é administrado por via oral e tem como vantagem o fato de não causar ganho de peso significativo. No entanto, como atravessa a placenta, os efeitos a longo prazo sobre a criança ainda estão sendo estudados.

    Por isso, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, a metformina não deve ser a primeira escolha quando há disponibilidade de insulina.

    Leia também: Bronquiolite em bebês: sintomas e quando procurar o médico

    Cuidados após o parto

    Após o nascimento, na maioria dos casos, os níveis de glicose da mulher voltam ao normal. Porém, ela apresenta risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro, o que torna importante alguns cuidados:

    • Reavaliação da glicemia: semanas após o parto, é importante realizar exames para verificar se os níveis de glicose voltaram ao normal;
    • Prevenção do diabetes tipo 2: mulheres que tiveram diabetes gestacional têm maior risco de desenvolver diabetes no futuro. Por isso, manter hábitos saudáveis de alimentação e atividade física continua sendo importante;
    • Atenção ao bebê: crianças de mães com diabetes gestacional podem nascer com peso maior que o esperado ou apresentar hipoglicemia nos primeiros dias de vida. Por isso, é recomendado manter o acompanhamento pediátrico;
    • Amamentação: além de todos os benefícios já conhecidos para o bebê, o aleitamento materno exclusivo nos primeiros meses ajuda a mãe a reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo 2 e contribui para a perda de peso após a gestação;
    • Sono e descanso: sempre que possível, aproveitar os momentos de sono do bebê para descansar ajuda na regulação hormonal, na cicatrização do corpo e também no equilíbrio emocional da mãe.

    O pós-parto também é um momento de adaptação emocional e física para a nova mamãe, então ter apoio familiar e acompanhamento médico contínuo ajuda a mulher a atravessar a fase com mais tranquilidade.

    “Manter hábitos saudáveis após a gestação pode ser uma grande oportunidade de cuidar da saúde para a vida toda”, finaliza Denise.

    Perguntas frequentes sobre tratamento de diabetes gestacional

    1. Quais são os sintomas do diabetes gestacional?

    Na maioria das vezes, o diabetes gestacional não causa sintomas visíveis, o que torna os exames de pré-natal tão necessários. Algumas mulheres podem sentir mais sede, urinar com frequência ou apresentar cansaço excessivo, mas são sinais comuns na gravidez e nem sempre estão ligados ao diabetes. Por isso, apenas os exames de sangue podem confirmar o diagnóstico.

    2. Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico geralmente acontece entre a 24ª e a 28ª semana de gestação, por meio do teste oral de tolerância à glicose (TOTG). No exame, a gestante bebe uma solução açucarada e faz coletas de sangue em diferentes momentos para verificar como o corpo reage à glicose.

    Se os valores estiverem acima do recomendado, o médico confirma o diabetes gestacional. Em alguns casos, a glicemia de jejum já pode indicar a condição.

    3. O bebê pode nascer com diabetes?

    Não, o bebê não nasce com diabetes por causa do diabetes gestacional da mãe. O que pode acontecer é o bebê apresentar hipoglicemia (níveis de açúcar baixos no sangue) logo após o parto, já que durante a gestação ele produziu mais insulina em resposta à glicemia elevada da mãe.

    Mas com acompanhamento adequado, a alteração é temporária e costuma ser corrigida sem maiores complicações.

    4. O diabetes gestacional desaparece depois do parto?

    Na maioria das vezes, sim. Após o nascimento do bebê, os hormônios da gestação diminuem e os níveis de glicose tendem a voltar ao normal.

    No entanto, é fundamental fazer exames algumas semanas depois do parto para confirmar. Mesmo que a glicemia normalize, ainda há um risco maior de diabetes tipo 2 no futuro.

    5. É possível evitar o diabetes gestacional?

    Não existe uma forma totalmente capaz de evitar o diabetes gestacional, já que ele está ligado também a fatores hormonais da gestação, mas adotar hábitos saudáveis antes e durante a gravidez reduz muito o risco, como:

    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes, verduras, grãos integrais e proteínas magras;
    • Evitar o consumo excessivo de açúcares, doces, refrigerantes e ultraprocessados;
    • Praticar atividade física regular antes e durante a gravidez, com exercícios leves e seguros;
    • Manter o peso adequado antes da gestação e controlar o ganho de peso durante os meses de gravidez;
    • Realizar o pré-natal corretamente, seguindo todas as orientações médicas e nutricionais;
    • Dormir bem e controlar o estresse, já que o excesso pode afetar o metabolismo;
    • Evitar o sedentarismo, procurando se movimentar ao longo do dia, mesmo que em pequenas caminhadas.

    6. O que causa diabetes gestacional?

    O diabetes gestacional é causado por uma combinação de fatores hormonais e predisposição individual. Durante a gravidez, a placenta produz hormônios que reduzem a ação da insulina no corpo, o que é chamado de resistência insulínica. Isso é natural e serve para garantir energia suficiente para o bebê em crescimento.

    Porém, em algumas mulheres, o pâncreas não consegue produzir insulina extra suficiente para compensar essa resistência — e, como consequência, os níveis de glicose no sangue aumentam.

    Além disso, fatores como excesso de peso, idade materna acima de 30 anos, histórico familiar de diabetes, síndrome dos ovários policísticos e gestações anteriores com complicações podem aumentar o risco de desenvolver a condição.

    Leia também: Diabetes gestacional: o que é, sintomas, o que causa e como evitar

  • Diabetes gestacional: o que é, sintomas, o que causa e como evitar 

    Diabetes gestacional: o que é, sintomas, o que causa e como evitar 

    Durante a gestação, o corpo da mulher passa por mudanças importantes, incluindo na forma como utiliza a glicose. Para ajudar no crescimento do bebê, a placenta libera hormônios que podem reduzir a ação da insulina, que é o hormônio responsável por controlar o açúcar no sangue.

    Como consequência, o pâncreas precisa produzir quantidades maiores de insulina para compensar essa resistência. Contudo, quando ele não consegue dar conta da demanda, a glicose começa a se acumular no sangue, resultando no diabetes gestacional, uma condição que exige atenção devido aos riscos que pode causar ao bebê e à mãe.

    “Ele acontece porque o corpo da mulher passa por muitas mudanças hormonais — além do ganho de peso e da tendência genética que elas podem ter para o diabetes. A gravidez é um momento de maior resistência à insulina para a mulher, o que dificulta o controle do açúcar no sangue”, explica a endocrinologista Denise Orlandi.

    Esclarecemos, a seguir, as principais dúvidas sobre o diabetes gestacional, desde os sintomas, tratamento e como prevenir. Confira!

    Afinal, o que é diabetes gestacional?

    O diabetes gestacional é uma condição caracterizada pelo aumento nos níveis de açúcar no sangue durante a gravidez.

    Normalmente, ela é diagnosticada a partir do segundo trimestre, que é quando os os hormônios produzidos pela placenta aumentam a resistência à insulina. É uma adaptação natural para garantir que o bebê receba glicose o suficiente para se desenvolver, no entanto, em algumas pessoas, o pâncreas não consegue produzir insulina em quantidade adequada, resultando no diabetes.

    A condição geralmente desaparece após o parto, mas representa um alerta importante para a saúde da mãe e do filho, já que ambos ficam mais propensos a desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida.

    Causas da diabetes gestacional

    A causa principal do diabetes gestacional está associada à resistência insulínica provocada pelos hormônios da gravidez, mas alguns outros fatores podem contribuir para o desenvolvimento da condição, como:

    • Mudanças hormonais da gravidez, uma vez que a placenta produz hormônios que dificultam a ação da insulina;
    • Predisposição genética, de modo que mulheres com histórico familiar de diabetes têm mais chance de desenvolver a condição;
    • Excesso de peso;
    • Condições de saúde pré-existentes, como síndrome dos ovários policísticos (SOP) e resistência à insulina

    Fatores de risco da diabetes gestacional

    De acordo com a endocrinologista Denise Orlandi, alguns dos fatores de risco que aumentam a chance de ter diabetes gestacional incluem:

    • Idade materna acima de 25 anos;
    • Sobrepeso ou obesidade antes da gestação;
    • Histórico familiar de diabetes (pai, mãe ou irmãos);
    • Ter tido diabetes gestacional em gravidez anterior.
    • Já ter tido um bebê com mais de 4 kg ao nascer;
    • Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP);
    • Histórico de parto prematuro, abortos ou complicações sem causa aparente.

    Quais os sintomas de diabetes gestacional?

    Na maioria dos casos, o diabetes gestacional não manifesta sintomas evidentes, então muitas mulheres só descobrem a condição em exames de rotina do pré-natal. Quando os sintomas aparecem, podem incluir:

    • Sede excessiva.
    • Aumento da frequência urinária.
    • Cansaço.
    • Visão embaçada.

    Uma vez que os sintomas podem ser confundidos com sinais comuns da gravidez, é fundamental manter um acompanhamento pré-natal adequado, para identificar a condição precocemente.

    Como é feito o diagnóstico?

    O rastreamento do diabetes gestacional faz parte do pré-natal e costuma ser realizado entre a 24ª e 28ª semanas de gestação. Os exames mais utilizados no diagnóstico incluem:

    Curva glicêmica: é capaz de medir a velocidade com que o corpo absorve a glicose após a ingestão. Nele, a gestante ingere uma solução açucarada e é feita uma nova coleta de sangue (normalmente após 1 ou duas horas) após a ingestão.

    Glicemia de jejum: é um exame de sangue feito após jejum de 8 horas. Ele mostra a quantidade de glicose circulando no sangue em repouso, sendo o primeiro passo para identificar alterações no metabolismo da gestante.

    Diabetes gestacional: valores de referência

    Os exames feitos no pré-natal têm limites específicos para indicar se a gestante apresenta ou não diabetes gestacional. Eles variam de acordo com o tipo de teste realizado.

    No teste de curva glicêmica, os valores de referência são:

    • Jejum: resultado deve ser menor que 92 mg/dL;
    • Após 1 hora da ingestão: deve estar abaixo de 180 mg/dL;
    • Após 2 horas: precisa estar inferior a 153 mg/dL.

    Se em qualquer momento os valores forem iguais ou superiores a 200 mg/dL, o quadro de diabetes gestacional já é confirmado.

    Já na glicemia de jejum isolada, os valores de referência são:

    • Entre 92 mg/dL e 100 mg/dL: resultado alterado, mas próximo ao limite, e exige repetição do exame;
    • Acima de 100 mg/dL: é fortemente sugestivo de diabetes, devendo também ser reavaliado em nova coleta.

    Tratamento de diabetes gestacional

    O tratamento do diabetes gestacional tem como principal objetivo manter a glicose dentro de níveis adequados, e envolve especialmente mudanças no estilo de vida:

    Dieta para diabetes gestacional

    Seguir uma dieta para diabetes gestacional adequada é uma das principais maneiras de controlar os níveis de glicose no sangue. O ideal é que a gestante priorize o consumo de alimentos in natura e ricos em fibras, como:

    • Frutas frescas (banana, laranja, pera, maçã, kiwi, morango);
    • Laticínios (leite semi ou desnatado, iogurte natural, queijo branco);
    • Oleaginosas (castanha de caju, amendoim, avelãs, nozes e amêndoas);
    • Leguminosas (feijão, grão-de-bico, lentilha, ervilha);
    • Carnes magras (peixes, frango, ovo);
    • Vegetais (alface, tomate, rúcula, brócolis, abobrinha);
    • Cereais integrais (arroz integral, pão integral, quinoa, aveia).

    Também é importante reduzir o consumo de açúcares, doces, refrigerantes e ultraprocessados, além de distribuir as refeições em pequenas porções ao longo do dia. Assim, é possível evitar picos de glicemia, controlar o peso e garantir energia constante para mãe e bebê.

    Exercícios físicos para diabetes gestacional

    A prática de atividade física, quando orientada pelo médico, contribui para para o bem-estar emocional, reduz o estresse e favorece o preparo do corpo para o parto.

    Caminhadas leves, hidroginástica e até mesmo aulas de yoga específicas para gestantes também podem ajudar a melhorar a sensibilidade à insulina e a manter o peso sob controle.

    Remédios para diabetes gestacional

    Na maioria dos casos, uma alimentação equilibrada e a prática de exercícios físicos são suficientes para manter a glicemia em níveis adequados. No entanto, quando isso não acontece, o médico pode prescrever o uso de insulina para baixar o açúcar no sangue.

    Em alguns casos, pode ser indicado o uso de medicamentos via oral, como hipoglicemiantes, mas apenas um especialista pode definir a abordagem mais segura para a mãe e o bebê.

    Monitoramento da glicemia

    A gestante precisa realizar exames de sangue periódicos ou até medir a glicose em casa, com glicosímetro, conforme a orientação médica. O ideal é que o nível de açúcar no sangue seja verificado de quatro a cinco vezes por dia, de manhã em jejum e após as refeições.

    Isso permite ajustes imediatos no plano alimentar ou no tratamento sempre que necessário.

    O diabetes gestacional some depois do parto?

    Na maioria dos casos, sim. Contudo, a endocrinologista Denise Orlandi aponta que o risco não acabou.

    “A mulher deve continuar monitorando seus níveis de açúcar com exames periódicos, pois existe uma chance maior de desenvolver diabetes tipo 2 mais adiante”, explica.

    Riscos da diabetes gestacional

    Se não diagnosticada e tratada adequadamente, o diabetes gestacional pode causar complicações para a mãe e o bebê.

    Entre os riscos para o bebê, Denise ressalta:

    • Macrossomia (bebê muito grande);
    • Maior risco de parto cesárea ou traumatismos no parto;
    • Hipoglicemia logo após o nascimento;
    • Prematuridade;
    • Maior risco de obesidade e diabetes tipo 2 na vida adulta.

    Já para a mãe, o diabetes gestacional pode aumentar o risco de:

    • Maior risco de pré-eclâmpsia (pressão alta grave);
    • Infecções urinárias e candidíase recorrente;
    • Necessidade de parto cesárea;
    • Maior chance de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro.

    “Por isso, é importante manter o acompanhamento médico mesmo depois da gestação”, complementa Denise.

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    Como evitar a diabetes gestacional?

    Nem sempre é possível prevenir, mas algumas atitudes no dia a dia contribuem para diminuir o risco, como:

    • Manter peso saudável antes da gestação;
    • Praticar atividade física regular;
    • Seguir uma alimentação equilibrada, rica em vegetais, frutas, grãos integrais e proteínas magras;
    • Evitar ganho de peso excessivo durante a gravidez;
    • Fazer acompanhamento médico regular e seguir todas as orientações do pré-natal.

    “Mulheres que tiveram diabetes gestacional têm um risco até 50% maior de desenvolver diabetes tipo 2 nos anos seguintes, especialmente se não adotarem hábitos saudáveis. Por isso, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas e ter acompanhamento médico regular são atitudes importantes para prevenir o problema”, finaliza Denise.

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    Perguntas frequentes sobre diabetes gestacional

    1. O diabetes gestacional pode acontecer em qualquer gravidez?

    Sim, qualquer gestante pode apresentar diabetes gestacional. Isso acontece porque, mesmo mulheres jovens, sem histórico familiar e com peso adequado, estão suscetíveis às alterações hormonais típicas da gestação que aumentam a resistência à insulina.

    Por isso, todas as grávidas devem passar pelos exames de rastreamento entre a 24ª e a 28ª semana, mesmo que não tenham risco aparente.

    2. Existe diferença entre diabetes gestacional e diabetes tipo 2?

    Apesar de ambos envolverem resistência à insulina e níveis elevados de açúcar no sangue, eles não são a mesma doença. O diabetes gestacional aparece apenas durante a gravidez e costuma desaparecer após o parto.

    Já o diabetes tipo 2 é uma condição crônica, permanente, que exige tratamento contínuo. No entanto, ter diabetes gestacional aumenta significativamente o risco de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida.

    3. O diabetes gestacional pode causar parto prematuro?

    Sim, pode. O excesso de glicose no sangue pode levar a complicações como polidrâmnio (aumento do líquido amniótico), que favorece a ruptura precoce da bolsa e, consequentemente, o parto prematuro.

    Além disso, a necessidade de antecipar o parto pode ser indicada pelo médico em casos de macrossomia ou de risco para a saúde materna.

    4. Mulheres magras também podem ter diabetes gestacional?

    Sim! A obesidade e o sobrepeso aumentam o risco de desenvolver diabetes gestacional, mas gestantes magras também estão suscetíveis, já que a condição não depende apenas do peso corporal, mas também de fatores hormonais e genéticos.

    Por isso, mesmo quem tem IMC considerado normal deve realizar os exames de rastreamento no pré-natal.

    5. Quem já teve diabetes gestacional pode ter novamente em outra gravidez?

    Sim. Mulheres que já tiveram diabetes gestacional em uma gravidez anterior têm mais chance de desenvolver o problema em outras gestações e também de apresentar diabetes tipo 2 no futuro.

    Nesse sentido, é importante manter hábitos saudáveis, priorizando uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física e o controle do peso.

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