O diabetes gestacional, caracterizado pelo aumento dos níveis de glicose no sangue, é uma condição relativamente comum durante a gravidez. No Brasil, a estimativa é que entre 14% e 18% das gestantes desenvolvem o problema ao longo da gestação.
Ele acontece devido a uma reação natural do próprio organismo à gravidez, afetando inclusive mulheres que nunca tiveram problemas com a glicemia antes.
A principal causa do diabetes gestacional está relacionada aos hormônios produzidos pela placenta. Para garantir o desenvolvimento saudável do bebê, a placenta libera substâncias que acabam bloqueando a ação da insulina no corpo da mãe.
Na maioria das vezes, o pâncreas da gestante consegue compensar a mudança, mas, quando isso não acontece, o açúcar se acumula no sangue. “Na maioria das vezes, a mulher não sente nada. Por isso, o diagnóstico é feito por exames de rotina no pré-natal. Se não for controlado, pode trazer riscos para o bebê”, explica o endocrinologista André Colapietro.
Por que o diabetes gestacional aparece na gravidez?
O diabetes gestacional é causado principalmente pelas alterações hormonais que acontecem durante a gravidez. A placenta, órgão responsável por nutrir e proteger o bebê, também produz uma grande quantidade de hormônios essenciais para a manutenção da gravidez, como o lactogênio placentário, a progesterona e o cortisol.
Os hormônios podem reduzir a ação da insulina, hormônio produzido pelo pâncreas que permite a entrada da glicose nas células para ser utilizada como fonte de energia. A condição é conhecida como resistência à insulina.
Na prática, o organismo da gestante pelas seguintes mudanças:
- Os hormônios da placenta dificultam a ação da insulina;
- Para compensar essa resistência, o pâncreas aumenta a produção de insulina;
- Em algumas mulheres, porém, o pâncreas não consegue produzir insulina suficiente para atender à demanda maior da gestação.
Quando isso acontece, a glicose permanece em excesso na corrente sanguínea, levando ao desenvolvimento do diabetes gestacional.
Principais fatores de risco do diabetes gestacional
Qualquer mulher pode desenvolver o diabetes gestacional, mas algumas gestantes têm uma propensão maior a enfrentar essa sobrecarga no pâncreas, como aquelas que:
- Estão acima do peso ou têm obesidade antes da gravidez;
- Têm histórico familiar de diabetes tipo 2;
- Já tiveram diabetes gestacional em uma gestação anterior;
- Apresentaram pré-diabetes antes de engravidar;
- Têm síndrome dos ovários policísticos (SOP);
- Engravidaram após os 35 anos;
- Já tiveram um bebê com peso elevado ao nascer (acima de 4 kg);
- Apresentam hipertensão arterial ou outras alterações metabólicas.
Vale destacar que a ausência dos fatores de risco não garante que a gestante não desenvolverá a condição. Por isso, o acompanhamento pré-natal e a realização dos exames de rotina são recomendados para todas.
Quando o diabetes gestacional costuma surgir?
Na maioria dos casos, o diabetes gestacional costuma surgir a partir da 24ª semana de gravidez, que corresponde ao final do quinto mês e início do sexto mês de gestação.
Nessa fase, a placenta já atingiu um tamanho significativo e passa a produzir quantidades cada vez maiores dos hormônios responsáveis pela manutenção da gravidez.
Até a metade da gestação, o pâncreas normalmente consegue compensar as mudanças sem grandes dificuldades, mas com o aumento da resistência à insulina no segundo trimestre, o organismo precisa produzir muito mais insulina para manter os níveis de glicose sob controle.
Por isso, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) orienta a realização do rastreamento do diabetes gestacional entre a 24ª e a 28ª semana de gravidez. O principal exame utilizado é o teste oral de tolerância à glicose (TOTG), que avalia como o organismo da gestante reage após a ingestão de uma solução açucarada.
Quando diagnosticado e tratado adequadamente, o diabetes gestacional pode ser controlado com mudanças na alimentação, prática de atividade física orientada e, em alguns casos, uso de medicamentos.
Como saber se a causa é a gravidez ou pré-diabetes?
Quando a gestante apresenta níveis elevados de glicose logo nos primeiros meses da gravidez, a causa normalmente não é a gravidez. Como a placenta ainda é muito pequena e produz poucos hormônios, o resultado indica que a mulher provavelmente já tinha pré-diabetes (ou diabetes tipo 2) antes de engravidar e não sabia.
Por outro lado, quando os exames iniciais estão normais e a glicemia se altera apenas a partir da segunda metade da gravidez, especialmente após a 24ª semana, o quadro costuma estar mais relacionado ao diabetes gestacional provocado pelas mudanças hormonais da placenta.
O que acontece depois do parto?
Após o parto, a maioria das mulheres com diabetes gestacional volta a apresentar níveis normais de glicose. É recomendado repetir os exames entre 6 e 12 semanas após o nascimento do bebê.
Se a glicemia permanecer alterada, isso pode indicar que a mulher já tinha pré-diabetes ou diabetes antes da gestação, ou que desenvolveu um risco maior para as condições.
“Na maioria dos casos, o diabetes cede depois do parto, mas é um sinal de alerta para o futuro, já que as mulheres que tiveram diabetes gestacional têm risco aumentado de desenvolver diabetes ao longo da vida”, finaliza André.
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Perguntas frequentes
1. Qual o valor normal da glicose na gravidez?
No exame de jejum feito no início da gestação, o valor considerado normal é abaixo de 92 mg/dL. Valores entre 92 mg/dL e 125 mg/dL já indicam diabetes gestacional.
2. Como é feito o exame de curva glicêmica?
Chamado de TOTG, a gestante colhe o sangue em jejum, toma um líquido extremamente doce (75g de glicose) e colhe o sangue novamente após 1 hora e 2 horas. Ele avalia a capacidade do corpo de processar o açúcar.
3. O diabetes gestacional dá algum sintoma?
Na grande maioria das vezes, ele é assintomático. É por isso que os exames de sangue são obrigatórios, já que a grávida costuma se sentir perfeitamente bem.
4. Quais os riscos para o bebê se o diabetes não for controlado?
O principal risco é a macrossomia (bebê nascer muito grande, acima de 4 kg), o que pode antecipar o parto, causar quedas de açúcar no bebê logo após o nascimento e desconforto respiratório.
5. Posso praticar exercícios físicos tendo a condição?
Se não houver nenhuma contraindicação médica, caminhadas leves e hidroginástica são excelentes, pois ajudam os músculos a gastar o açúcar do sangue de forma natural.
6. Quem tem diabetes gestacional precisa fazer cesárea?
Não obrigatoriamente. O tipo de parto depende das condições de saúde da mãe e do tamanho do bebê.
7. Posso tomar remédios em comprimido para o diabetes na gravidez?
Normalmente, o tratamento de escolha quando a dieta não funciona é a insulina. Alguns comprimidos, como a metformina, podem ser usados em casos muito específicos, mas sempre sob orientação médica.
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