Com cerca de quatro mil casos confirmados por ano no Brasil, a leptospirose é uma infecção febril aguda potencialmente grave, causada pela bactéria Leptospira. A transmissão ocorre principalmente por meio do contato com água, lama ou solo contaminados pela urina de animais infectados, especialmente de ratos.
No Brasil, a doença costuma surgir com maior frequência após períodos de chuvas intensas e enchentes. Durante alagamentos, a água contaminada pode entrar em contato com a pele, especialmente quando há cortes ou feridas, facilitando a entrada da bactéria no organismo.
Após a entrada no organismo, a bactéria pode se espalhar pela corrente sanguínea e provocar uma série de sintomas, que podem variar de intensidade de acordo com cada caso. Vamos entender mais, a seguir.
Quais os sintomas da leptospirose?
Os sintomas de leptospirose podem ser divididos entre duas fases, a fase precoce e a fase tardia.
Sintomas de leptospirose na fase precoce
A fase inicial da leptospirose costuma surgir entre sete e quatorze dias após o contato com água ou lama contaminadas. Durante o período, os sintomas podem se parecer com os de outras infecções febris, como gripe, dengue ou viroses, o que pode dificultar o reconhecimento da doença nos primeiros dias.
Entre os principais sintomas, é possível destacar:
1. Febre alta
A febre costuma ser um dos primeiros sintomas da leptospirose. A temperatura corporal pode ultrapassar 38°C e surgir de forma repentina, muitas vezes acompanhada de calafrios e sensação de mal-estar. A febre é resultado da resposta do organismo à presença da bactéria na corrente sanguínea.
2. Dores musculares
A dor muscular é bastante característica da doença e costuma atingir principalmente a região das panturrilhas e das costas. Em alguns casos, a dor pode ser intensa e dificultar a realização de atividades simples, como caminhar ou subir escadas. A inflamação provocada pela infecção contribui para o surgimento do desconforto.
3. Falta de apetite
Muitas pessoas relatam diminuição do interesse por alimentos, sensação de estômago cheio ou dificuldade para se alimentar. A falta de apetite pode contribuir para a sensação de fraqueza, cansaço e perda de energia ao longo do dia.
4. Náuseas e vômitos
Os sintomas gastrointestinais ocorrem com frequência na fase precoce da leptospirose. Os episódios de vômito podem levar à desidratação se não forem controlados, e muitas vezes estão associados a uma sensação de estômago pesado e dores abdominais difusas.
5. Dor de cabeça
A dor de cabeça costuma ser intensa, latejante e localizada principalmente na região frontal ou atrás dos olhos. Ela pode ser confundida com a dor de cabeça da dengue ou da gripe, mas, na leptospirose, frequentemente vem acompanhada de olhos avermelhados sem secreção.
Sintomas da leptospirose na fase tardia
Em aproximadamente 15% dos pacientes, a leptospirose pode evoluir para uma fase mais grave da doença, conhecida como fase tardia ou fase grave.
O estágio costuma surgir alguns dias após o início dos primeiros sintomas e pode envolver o comprometimento de órgãos importantes, como o fígado, os rins e os pulmões.
Nessa fase, os sintomas podem se manifestar da seguinte forma:
6. Síndrome de Weil
A síndrome de Weil é uma das formas mais graves da leptospirose e envolve principalmente alterações no fígado e nos rins. Os sintomas mais comuns incluem:
- Pele e olhos amarelados (icterícia);
- Diminuição da quantidade de urina;
- Dor abdominal;
- Náuseas e vômitos;
- Fraqueza intensa;
- Alterações na função dos rins.
7. Síndrome de hemorragia pulmonar
A síndrome de hemorragia pulmonar ocorre quando há sangramento nos pulmões provocado pela infecção. Os principais sinais incluem:
- Tosse com sangue;
- Falta de ar;
- Dor ou pressão no peito;
- Respiração acelerada;
- Cansaço intenso.
8. Comprometimento pulmonar
Em alguns casos, a leptospirose pode afetar diretamente o funcionamento dos pulmões, o que pode causar dificuldade para respirar, respiração acelerada e sensação de cansaço intenso. O comprometimento pulmonar ocorre devido à inflamação provocada pela infecção e pode variar de intensidade.
9. Síndrome da angústia respiratória aguda (SARA)
A síndrome da angústia respiratória aguda é uma complicação grave caracterizada por inflamação intensa dos pulmões, que dificulta a troca de oxigênio no organismo. A pessoa pode apresentar falta de ar intensa, respiração rápida e queda da oxigenação do sangue, podendo precisar de suporte respiratório em ambiente hospitalar.
10. Sintomas hemorrágicos
A leptospirose também pode provocar alterações na coagulação do sangue, levando ao surgimento de sangramentos. Os sintomas mais comuns incluem:
- Sangramento pelo nariz;
- Sangue na urina;
- Sangue nas fezes;
- Sangue no vômito;
- Manchas roxas ou avermelhadas na pele;
- Pequenos pontos de sangramento na pele (petéquias).
Quando buscar ajuda médica?
O momento ideal para buscar ajuda médica é imediatamente após o surgimento dos primeiros sintomas, especialmente se você teve contato com água de enchentes, lama ou esgoto nos últimos 30 dias. A leptospirose é uma doença que pode evoluir rapidamente, e o diagnóstico é fundamental para prevenir complicações mais graves.
O diagnóstico da leptospirose é feito por meio de um exame de sangue, capaz de identificar se o organismo produziu anticorpos contra a bactéria, o que indica que houve infecção, ou detectar a presença da própria bactéria no sangue.
O tipo de exame realizado depende da fase da doença em que a pessoa se encontra, já que a bactéria e os anticorpos aparecem no organismo em momentos diferentes da infecção.
Como prevenir a leptospirose?
Como a leptospirose costuma ocorrer com mais frequência após enchentes e alagamentos, alguns cuidados simples podem ajudar a reduzir o risco de infecção, como:
- Evitar o contato direto com água de enchentes ou locais alagados;
- Usar botas de borracha e luvas ao limpar áreas que tiveram contato com água de enchente;
- Manter os alimentos armazenados em recipientes fechados para evitar a presença de roedores;
- Manter o lixo bem fechado e descartado corretamente;
- Evitar o acúmulo de entulho e objetos que possam servir de abrigo para ratos;
- Manter caixas d’água, ralos e reservatórios sempre bem fechados;
- Lavar bem as mãos após contato com lama, água suja ou locais potencialmente contaminados.
Em caso de enchentes, também é recomendado higienizar os ambientes que tiveram contato com a água contaminada. A limpeza pode ser feita com água sanitária diluída em água, ajudando a reduzir a presença de microrganismos que possam causar doenças.
Lembre-se: a bactéria não precisa de uma ferida aberta para entrar no corpo. Ela pode penetrar através da pele íntegra se esta ficar imersa na água contaminada por um período prolongado, ou através das mucosas (olhos, boca e nariz).
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Perguntas frequentes
1. Qual é o tratamento para a leptospirose?
O tratamento é feito com o uso de antibióticos (como a doxiciclina ou penicilina). Em casos graves, a internação hospitalar é necessária para suporte, incluindo hidratação venosa e, às vezes, diálise.
2. Como ocorre a transmissão para humanos?
A forma mais comum é o contato da pele (especialmente se houver cortes) ou mucosas (olhos, nariz, boca) com a urina de animais infectados, geralmente ratos, ou com água e lama contaminadas por essa urina, como em enchentes.
3. Qual o período de incubação?
O tempo entre o contato com a bactéria e o surgimento dos primeiros sintomas varia de 1 a 30 dias, mas na maioria dos casos os sintomas aparecem entre 7 e 14 dias.
4. A leptospirose pode ser transmitida de uma pessoa para outra?
A transmissão interpessoal é extremamente rara e não é considerada relevante do ponto de vista epidemiológico. O risco real está no ambiente contaminado.
5. A leptospirose tem cura?
Sim, a leptospirose tem cura, especialmente quando o tratamento é iniciado nos primeiros dias de sintomas. O atraso na busca por ajuda médica é o principal fator de risco para complicações graves.
6. Existe vacina para humanos?
Não há uma vacina contra a leptospirose em humanos. O foco deve ser o controle de roedores e o saneamento básico.
7. Quem teve leptospirose uma vez fica imune para sempre?
Não necessariamente, pois existem diversos sorotipos (variantes) da bactéria Leptospira. A pessoa desenvolve imunidade específica para aquele sorotipo que a infectou, mas ainda pode adoecer se entrar em contato com um tipo diferente da bactéria.
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