O aneurisma de aorta abdominal é uma doença que costuma passar despercebida por muito tempo. Muitas pessoas só descobrem a dilatação da principal artéria do corpo durante exames de rotina, já que os sintomas, quando aparecem, geralmente indicam que o aneurisma está maior ou crescendo rapidamente. Isso torna o diagnóstico precoce essencial, especialmente em grupos de risco, como fumantes e homens acima dos 65 anos.
Apesar de parecer assustador, hoje existem formas eficazes de monitoramento e tratamento, incluindo procedimentos minimamente invasivos que reduzem o risco de ruptura, uma emergência médica grave. Entender como a condição se desenvolve e quando é necessário intervir pode fazer toda a diferença.
O que é o aneurisma de aorta abdominal?
O aneurisma de aorta abdominal é uma dilatação da aorta na região abdominal que ultrapassa 50% do diâmetro normal da artéria. Ele costuma atingir a parte inferior da aorta, logo abaixo das artérias renais.
Algumas características importantes:
- O aneurisma cresce progressivamente ao longo do tempo
- A velocidade de crescimento varia: aneurismas grandes crescem mais rápido
- O risco de ruptura aumenta conforme o diâmetro aumenta
- Rupturas são situações graves e exigem atendimento emergencial.
Causas e fatores de risco
O aneurisma ocorre devido ao enfraquecimento da parede da artéria, tornando-a mais suscetível à dilatação.
Principais causas:
- Aterosclerose (acúmulo de placas de gordura): a causa mais comum
- Pressão alta
- Traumas
- Infecções da parede arterial
- Doenças autoimunes
Fatores de risco mais importantes:
- Idade entre 65 e 80 anos
- Sexo masculino
- Histórico familiar
- Tabagismo (um dos fatores mais determinantes)
- Presença de aneurismas em outras artérias
Maior risco de ruptura quando:
- O aneurisma ultrapassa 5,5 cm
- A pessoa é tabagista ativa
- Há pressão alta descontrolada
- O aneurisma cresce mais de 0,5 cm ao ano
Principais sintomas
A maioria dos aneurismas é assintomática.
Quando os sintomas aparecem, podem incluir:
- Massa pulsátil no abdome
- Dor abdominal profunda
- Dor irradiando para costas ou laterais do abdome
Em caso de ruptura:
- Dor abdominal ou lombar intensa e súbita
- Queda da pressão arterial
- Mal-estar importante
Essa é uma emergência médica com alto risco de morte e requer cirurgia imediata.
Rastreio: quem deve fazer?
Como muitos aneurismas não dão sintomas, o rastreio é fundamental para pessoas de maior risco.
A U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF) recomenda:
- Homens fumantes ou ex-fumantes entre 65 e 75 anos: realizar um ultrassom abdominal para rastreamento
Para mulheres, o rastreio não é de rotina devido à menor prevalência da doença, mas pode ser considerado caso exista:
- Histórico familiar
- Tabagismo
- Outras comorbidades associadas
A decisão deve ser compartilhada entre paciente e médico.
Diagnóstico
O diagnóstico pode ser feito:
- Casualmente: ao realizar exames de imagem por outros motivos.
- Em avaliação clínica: quando há sintomas como dor abdominal ou massa pulsátil.
Exames utilizados
- Ultrassonografia abdominal: primeira escolha para rastreio e acompanhamento
- Tomografia abdominal: detalha tamanho e forma do aneurisma, importante para planejamento cirúrgico
- Exames laboratoriais: podem indicar anemia em casos de ruptura
Sinal clássico de ruptura:
Tríade clínica:
- Dor abdominal/lombar intensa
- Queda da pressão arterial
- Massa pulsátil
Nesses casos, não é necessário aguardar exames: o tratamento é cirúrgico imediato.
Tratamento
O tratamento depende do tamanho, dos sintomas e da velocidade de crescimento.
Pacientes assintomáticos
Indicado para aneurismas menores que 5,5 cm:
- Acompanhamento regular com exames
- Aspirina e estatinas para controle do colesterol
- Controle rigoroso da pressão arterial
- Parar de fumar
- Incentivo à atividade física
Tratamento cirúrgico
Indicado para:
- Aneurismas maiores que 5,5 cm em homens
- Aneurismas maiores que 5,0 cm em mulheres
- Crescimento acelerado
- Aneurismas associados a outras dilatações arteriais
Opções cirúrgicas:
Cirurgia aberta:
- Reparo direto da aorta
- Realizada com anestesia geral
Endoprótese (EVAR):
- Menos invasiva
- Introdução da prótese pela região pélvica
- Geralmente indicada para pacientes com maior risco cirúrgico
Ruptura de aneurisma
- Cirurgia de emergência
- Pode ser aberta ou por endoprótese
- Prognóstico depende da rapidez do atendimento
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Perguntas frequentes sobre aneurisma de aorta abdominal
1. O aneurisma sempre rompe?
Não. Muitos permanecem estáveis por anos, desde que monitorados.
2. Quem fuma tem mais risco?
Sim. O tabagismo é um dos fatores mais importantes para formação e ruptura de aneurismas.
3. É possível sentir o aneurisma?
Às vezes. Alguns pacientes relatam sensação pulsátil no abdome.
4. Ultrassom detecta todos os casos?
Sim. É o exame ideal para rastreio e acompanhamento.
5. Após a cirurgia, o aneurisma pode voltar?
Pode ocorrer dilatação em outros segmentos, por isso o acompanhamento é contínuo.
6. Mulheres também podem ter aneurisma?
Sim, mas é menos comum. O limite para indicação cirúrgica é menor que o dos homens.
7. Aneurisma pequeno precisa de cirurgia?
Não. O acompanhamento periódico é suficiente na maioria dos casos.
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