Síndrome do Impostor: eu sou uma fraude ou é apenas ansiedade? 

Mulher sentada em uma mesa de escritório com a cabeça apoiada nas mãos, demonstrando estresse, ansiedade e insegurança no ambiente de trabalho, ilustrando a síndrome do impostor.

Você já recebeu um elogio no trabalho, foi aprovado em uma seleção ou conquistou uma promoção e, mesmo assim, teve a sensação de que não merecia nada daquilo? Em vez de comemorar, algumas pessoas podem acreditar que o sucesso aconteceu por sorte e vivem com medo de que alguém descubra que elas são uma fraude.

O comportamento, conhecido como síndrome do impostor, pode afetar profissionais, estudantes e até pessoas com anos de experiência na carreira. Como sentimentos parecidos também podem aparecer em quadros de ansiedade ou depressão, o psiquiatra Luiz Dieckmann explica que a síndrome não é classificada como uma doença ou um diagnóstico psiquiátrico formal.

“Ela é um padrão de pensamento, um comportamento muito comum pelo qual as pessoas passam. São pessoas que são boas, mas que têm medo de falhar, apesar de serem muito melhores do que imaginam. Quando esse medo começa a paralisar, atrapalhar o trabalho e gerar sofrimento intenso, pode ser que ele esteja representando um transtorno de ansiedade”, explica o especialista.

Afinal, o que é a síndrome do impostor?

A síndrome da impostora é uma desordem psicológica que afeta especialmente mulheres, marcada por uma dificuldade constante de reconhecer o próprio valor e acreditar nas próprias conquistas.

Mesmo profissionais qualificados costumam sentir que não merecem o sucesso e vivem com medo de que, em algum momento, as pessoas descubram que ela não é tão inteligente, competente ou preparada quanto aparenta.

No dia a dia, receber elogios, conquistar uma promoção, terminar uma faculdade ou alcançar um objetivo importante não é suficiente para fazer desaparecer o sentimento de que tudo aconteceu por sorte ou por acaso, e não pelo próprio esforço.

“A pessoa tem capacidade, estudo e resultados, mas sente que chegou até ali por sorte, enganando os outros ou apenas por causa da ajuda de alguém. O problema é que isso pode acabar gerando ansiedade, autocobrança e, muitas vezes, um medo constante de falhar e do que os outros vão pensar. E isso não faz nada bem para a saúde mental”, destaca Luiz.

A síndrome não não é considerada uma doença mental ou um transtorno psiquiátrico. Ela não consta no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) nem na Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial da Saúde, mas é estudada como um padrão comportamental que pode desencadear ou agravar quadros como ansiedade e depressão.

É síndrome do impostor ou apenas ansiedade?

A síndrome do impostor e a ansiedade costumam aparecer juntas, mas não significam a mesma coisa. A ansiedade faz a pessoa viver preocupada com o futuro, imaginando que alguma coisa pode dar errado e provocando sintomas como coração acelerado, tensão muscular, dificuldade para relaxar e sensação constante de preocupação.

Por outro lado, a síndrome do impostor faz a pessoa duvidar da própria capacidade. Mesmo quando tudo está dando certo, ela acredita que não merece o reconhecimento recebido e tem medo de que os outros descubram uma suposta falta de competência.

Em muitos casos, quando a pessoa acredita que não é boa o suficiente, a preocupação em errar ou decepcionar os outros aumenta, o que favorece o surgimento de crises de ansiedade.

Sinais de que você está enfrentando a síndrome do impostor

A síndrome do impostor costuma aparecer por meio de pensamentos e comportamentos que diminuem a autoconfiança, como:

1. Perfeccionismo exagerado

A pessoa cria metas muito difíceis de alcançar e acredita que qualquer pequeno erro significa um grande fracasso. Mesmo quando entrega um bom trabalho e recebe elogios, continua com a sensação de que poderia ter feito mais ou feito melhor. Em vez de comemorar os resultados, o foco fica apenas nos detalhes que poderiam ser diferentes.

2. Acreditar que tudo aconteceu por sorte

Depois de conquistar uma promoção, receber um elogio ou concluir um projeto importante, a pessoa costuma acreditar que tudo aconteceu por sorte, coincidência ou porque outras pessoas ajudaram mais do que ela. O próprio esforço, a dedicação e o conhecimento quase nunca são reconhecidos, como se o sucesso nunca fosse realmente merecido.

3. Medo constante de ser “descoberto”

Existe um receio permanente de que colegas, professores, chefes ou familiares percebam uma suposta falta de capacidade. Para tentar evitar a situação, é comum trabalhar ou estudar muito mais do que o necessário, revisar tarefas várias vezes e viver com a sensação de que precisam provar o tempo todo que não são uma fraude.

4. Comparação com os outros

Quem enfrenta a síndrome do impostor costuma olhar apenas para as qualidades e conquistas das outras pessoas, enquanto enxerga somente os próprios defeitos e dificuldades. Consequentemente, surge a impressão de estar sempre atrás dos demais, mesmo quando existem bons resultados, elogios e reconhecimento pelo trabalho realizado.

Como lidar com o sentimento de ser uma fraude?

Lidar com a síndrome do impostor não acontece de um dia para o outro, mas pequenas mudanças de hábito ajudam a diminuir a autocrítica e a desenvolver mais confiança nas próprias capacidades, como:

  • Anote as suas conquistas: faça uma lista com projetos concluídos, metas alcançadas, elogios recebidos e desafios que você conseguiu superar. Sempre que a dúvida aparecer, releia para se lembrar que os resultados foram conquistados com esforço e dedicação;
  • Aprenda a aceitar elogios: quando alguém reconhecer o seu trabalho, procure apenas agradecer. Evite responder que foi sorte ou diminuir a importância do que você fez;
  • Converse sobre o que está sentindo: compartilhar a insegurança com amigos, familiares ou colegas de confiança ajuda a perceber que muitas pessoas também passam pela mesma situação;
  • Aceite que errar faz parte do aprendizado: ninguém sabe tudo o tempo todo. Cometer erros ou ter dúvidas não significa falta de capacidade, mas faz parte do processo de crescimento e desenvolvimento;

Com o tempo e a prática, as atitudes ajudam a reduzir as cobranças internas e permitem que você reconheça as próprias conquistas de uma forma mais realista.

Quando procurar ajuda de um psicólogo?

Vale procurar ajuda psicológica quando o medo de falhar ou de não ser bom o suficiente provoca sofrimento, aumenta a ansiedade, prejudica o sono, afeta a autoestima ou interfere no trabalho, nos estudos e nos relacionamentos.

É normal sentir insegurança ao começar um novo emprego ou enfrentar um desafio diferente, mas o sentimento não pode fazer parte da rotina e impedir a pessoa de aproveitar oportunidades ou reconhecer as próprias conquistas.

A psicoterapia, principalmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), ajuda a identificar os pensamentos negativos que alimentam a síndrome do impostor e ensina formas mais equilibradas de enxergar as próprias capacidades, permitindo que a pessoa desenvolva mais confiança e segurança ao longo do tempo.

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Perguntas frequentes

1. A síndrome do impostor tem cura?

Como não é uma doença, não existe uma cura. Com psicoterapia e mudanças na forma de pensar, é possível reduzir a autocrítica e superar o sentimento ao longo do tempo.

2. Como diferenciar a síndrome do impostor de uma incompetência real?

Quem tem a síndrome do impostor costuma apresentar bons resultados, receber elogios e cumprir suas responsabilidades, mas ainda assim acredita que não é capaz. A sensação de incompetência não corresponde à realidade.

3. Homens também têm a síndrome do impostor?

Sim, homens e mulheres podem desenvolver a síndrome do impostor. A diferença é que muitos homens costumam falar menos sobre o assunto e demoram mais para buscar ajuda.

4. A síndrome do impostor pode causar depressão?

Sim. A autocobrança excessiva, o medo constante de falhar e o esgotamento mental gerados pelo fenômeno podem, com o tempo, desencadear episódios de depressão e transtornos de ansiedade mais graves.

5. Como as redes sociais influenciam esse problema?

As redes sociais pioram o sentimento de impostor porque estimulam a comparação constante. O usuário tende a comparar a sua rotina real, cheia de falhas e cansaço, com os recortes perfeitos e de sucesso absoluto postados pelos outros.

6. O que é autossabotagem e como ela se relaciona com a síndrome?

A autossabotagem acontece quando a própria pessoa adota comportamentos que prejudicam os seus resultados, como procrastinar, evitar desafios ou desistir de oportunidades por acreditar que não será capaz.

7. O que fazer na hora em que o pensamento de “sou uma fraude” surgir?

Pare por alguns minutos e pergunte a si mesmo quais são as provas reais de que esse pensamento é verdadeiro. Na maioria das vezes, a resposta estará baseada no medo e na insegurança, e não nos fatos ou nas suas conquistas.

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