Manchas roxas na pele de idosos: o que pode causar e quando são um sinal de alerta? 

Mãos de idosa com pele fragilizada pelo envelhecimento, condição que favorece manchas roxas e hematomas frequentes.

Você já ouviu falar no termo púrpura senil? A condição é bastante comum em pessoas idosas e costuma aparecer como manchas roxas na pele, principalmente nos braços e nas mãos, mesmo depois de pequenos impactos ou sem uma batida muito evidente.

Com o passar dos anos, a pele passa por um processo natural de afinamento. A perda de colágeno e da camada de gordura faz com que os vasos sanguíneos fiquem mais expostos e desprotegidos.

Por isso, qualquer esbarrão ou até mesmo o simples ato de coçar a pele pode romper os vasos, resultando em hematomas ou roxos que demoram mais para desaparecer.

Mas será que as manchas são apenas uma consequência estética do envelhecimento ou podem indicar algo mais sério, como o efeito colateral de um medicamento ou uma deficiência vitamínica? Conversamos com o cirurgião vascular Marcelo Dalio e esclarecemos tudo que você precisa saber, a seguir.

O que é a púrpura senil (manchas roxas)?

A púrpura senil, também conhecida como púrpura de Bateman, é uma condição benigna caracterizada pelo surgimento de manchas roxas ou avermelhadas na pele de pessoas idosas, principalmente em áreas que ficaram muito expostas ao sol ao longo da vida, como o dorso das mãos, os antebraços e, ocasionalmente, o rosto e o pescoço.

Com o processo natural de envelhecimento, a pele se torna mais fina, sensível e frágil. Além da redução do colágeno, também ocorre uma diminuição da gordura subcutânea que protege os vasos sanguíneos.

Como consequência, Marcelo explica que os pequenos vasos capilares ficam mais vulneráveis e podem se romper com facilidade após mínimos traumas do dia a dia, o que pode causar uma equimose, uma mancha roxa plana, ou um hematoma, quando há acúmulo de sangue e relevo.

A exposição solar acumulada ao longo da vida também contribui bastante para o problema, porque acelera o desgaste da pele e das fibras de sustentação. Por isso, a púrpura senil costuma aparecer principalmente em áreas mais expostas ao sol, como braços, antebraços e mãos.

Na maioria dos casos, a púrpura senil é apenas uma questão estética e não indica uma doença grave.

O que pode causar hematomas em idosos?

No caso dos idosos, o surgimento de hematomas ou equimoses pode ser desencadeado por diversos fatores que vão além da idade, como:

1. Fragilidade capilar e atrofia da pele

A perda de colágeno e gordura subcutânea é uma das principais causas do surgimento de hematomas em idosso, uma vez que os vasos sanguíneos ficam mais vulneráveis e podem se romper com facilidade após pequenos impactos, como um aperto de mão mais firme ou um esbarrão em um móvel.

2. Uso de medicamentos

O uso de alguns medicamentos contínuos interferem na resistência da pele ou na coagulação do sangue. Por exemplo, Marcelo explica que os anticoagulantes e antiagregantes plaquetários, como AAS e clopidogrel, dificultam a formação de coágulos. Com isso, pequenos rompimentos dos vasos podem provocar manchas roxas maiores e mais aparentes.

Já o uso prolongado de corticoides, seja por via oral ou em pomadas, pode causar afinamento da pele, deixando a região mais sensível e suscetível a sangramentos.

3. Exposição solar acumulada

As décadas de exposição solar sem proteção aceleram o desgaste das fibras de sustentação da pele, processo conhecido como fotoenvelhecimento. Por isso, os hematomas e as manchas arroxeadas costumam surgir principalmente nos antebraços e no dorso das mãos, áreas mais expostas à radiação ultravioleta ao longo da vida.

4. Deficiências vitamínicas

A falta de algumas vitaminas também pode aumentar a fragilidade dos vasos sanguíneos e favorecer o aparecimento de manchas roxas. A vitamina C, por exemplo, é importante para a produção de colágeno e, quando está em níveis baixos, os vasos podem se tornar mais frágeis. Já a vitamina K participa diretamente do processo de coagulação do sangue.

5. Doenças sistêmicas

Em situações menos frequentes, o surgimento de manchas roxas pode ser um sinal de alerta para algumas condições de saúde que afetam a coagulação ou a produção das células sanguíneas.

As doenças hepáticas podem reduzir a produção de proteínas importantes para a coagulação. Além disso, alterações nas plaquetas, células responsáveis por ajudar a conter sangramentos, também podem facilitar o aparecimento de hematomas espontâneos.

Quando as manchas roxas são um sinal de alerta?

É importante observar se o idoso apresenta outros sinais além das manchas roxas na pele, principalmente quando os hematomas começam a surgir com frequência, aumentam de tamanho ou aparecem sem nenhuma explicação aparente. Por isso, fique atento a:

  • Sangramentos recorrentes na gengiva ou nariz;
  • Presença de sangue na urina ou nas fezes;
  • Manchas roxas que surgem em áreas que não tomam sol (como barriga e costas) sem motivo aparente;
  • Hematomas que causam muita dor, calor local ou inchaço excessivo.

Segundo Marcelo, nesses casos, a intervenção médica é necessária para ajustar a medicação ou realizar o diagnóstico de alguma doença de coagulação.

Como prevenir e proteger a pele frágil do idoso?

No dia a dia, alguns cuidados ajudam bastante a reduzir a fragilidade dos vasos sanguíneos e prevenir o aparecimento frequente de manchas roxas, como:

  • Manter a pele sempre hidratada, usando cremes hidratantes regularmente;
  • Evitar banhos muito quentes e demorados, que aumentam o ressecamento;
  • Utilizar protetor solar diariamente, principalmente nos braços e nas mãos;
  • Preferir roupas leves com mangas compridas em ambientes externos para proteger a pele de pequenos traumas e da exposição solar;
  • Manter uma alimentação equilibrada, rica em proteínas, vitamina C e outros nutrientes importantes para a saúde da pele;
  • Beber bastante água ao longo do dia;
  • Evitar coçar a pele com força;
  • Redobrar o cuidado com batidas em móveis e objetos da casa;
  • Revisar regularmente os medicamentos com o médico, principalmente anticoagulantes e corticoides.

Em alguns casos, o profissional pode investigar deficiências vitamínicas, alterações na coagulação ou ajustar medicamentos que estejam aumentando o risco de sangramentos.

Como tratar as manchas roxas em casa?

Na maioria dos casos, as manchas roxas da púrpura senil melhoram sozinhas com o passar dos dias ou semanas. Como a pele do idoso é mais delicada, o cuidado em casa deve ser suave, evitando medidas agressivas ou produtos irritantes.

Mas, no processo, algumas atitudes podem ajudar na recuperação da pele, como aplicar compressas frias nas primeiras 24 a 48 horas após o surgimento da mancha, manter a pele hidratada diariamente e, se o médico indicar, utilizar pomadas que ajudem na cicatrização e na proteção da pele fragilizada.

Em geral, as manchas mudam de cor ao longo dos dias, passando do roxo para tons esverdeados e amarelados, até desaparecerem completamente.

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Perguntas frequentes

1. Por que essas manchas aparecem mesmo sem eu ter batido em nada?

Com o envelhecimento avançado, a pele perde sua “almofada” de gordura e colágeno. Por isso, atos simples como coçar a pele, secar-se com uma toalha áspera ou um aperto de mão podem ser suficientes para romper os vasinhos.

2. As manchas roxas podem ser câncer?

Geralmente, não, pois a púrpura senil é benigna. No entanto, manchas roxas que não cicatrizam, que mudam de cor de forma estranha ou que apresentam feridas devem ser avaliadas por um dermatologista para descartar lesões pré-cancerígenas causadas pelo sol.

3. Por que as manchas aparecem mais nos braços e mãos?

Porque essas são as áreas que mais receberam sol ao longo da vida. A radiação solar destrói as fibras de sustentação da pele, deixando-a com aspecto de “papel de seda” e muito vulnerável.

4. Quanto tempo demora para uma mancha roxa de idoso sumir?

Em média, de 1 a 3 semanas. Diferente dos jovens, nos idosos o processo de reabsorção do sangue é mais lento.

5. Como prevenir o surgimento das manchas?

A melhor forma é manter a pele muito bem hidratada com cremes à base de ureia ou óleos corporais, usar protetor solar diariamente e evitar traumas, como esbarrões em móveis.

6. Existe algum exame de sangue para investigar isso?

Sim. O médico pode solicitar um hemograma para verificar as plaquetas e um coagulograma para avaliar o tempo que o sangue leva para estancar.

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