Autor: Dr. Marcelo Bellini Dalio

  • Manchas roxas na pele de idosos: o que pode causar e quando são um sinal de alerta? 

    Manchas roxas na pele de idosos: o que pode causar e quando são um sinal de alerta? 

    Você já ouviu falar no termo púrpura senil? A condição é bastante comum em pessoas idosas e costuma aparecer como manchas roxas na pele, principalmente nos braços e nas mãos, mesmo depois de pequenos impactos ou sem uma batida muito evidente.

    Com o passar dos anos, a pele passa por um processo natural de afinamento. A perda de colágeno e da camada de gordura faz com que os vasos sanguíneos fiquem mais expostos e desprotegidos.

    Por isso, qualquer esbarrão ou até mesmo o simples ato de coçar a pele pode romper os vasos, resultando em hematomas ou roxos que demoram mais para desaparecer.

    Mas será que as manchas são apenas uma consequência estética do envelhecimento ou podem indicar algo mais sério, como o efeito colateral de um medicamento ou uma deficiência vitamínica? Conversamos com o cirurgião vascular Marcelo Dalio e esclarecemos tudo que você precisa saber, a seguir.

    O que é a púrpura senil (manchas roxas)?

    A púrpura senil, também conhecida como púrpura de Bateman, é uma condição benigna caracterizada pelo surgimento de manchas roxas ou avermelhadas na pele de pessoas idosas, principalmente em áreas que ficaram muito expostas ao sol ao longo da vida, como o dorso das mãos, os antebraços e, ocasionalmente, o rosto e o pescoço.

    Com o processo natural de envelhecimento, a pele se torna mais fina, sensível e frágil. Além da redução do colágeno, também ocorre uma diminuição da gordura subcutânea que protege os vasos sanguíneos.

    Como consequência, Marcelo explica que os pequenos vasos capilares ficam mais vulneráveis e podem se romper com facilidade após mínimos traumas do dia a dia, o que pode causar uma equimose, uma mancha roxa plana, ou um hematoma, quando há acúmulo de sangue e relevo.

    A exposição solar acumulada ao longo da vida também contribui bastante para o problema, porque acelera o desgaste da pele e das fibras de sustentação. Por isso, a púrpura senil costuma aparecer principalmente em áreas mais expostas ao sol, como braços, antebraços e mãos.

    Na maioria dos casos, a púrpura senil é apenas uma questão estética e não indica uma doença grave.

    O que pode causar hematomas em idosos?

    No caso dos idosos, o surgimento de hematomas ou equimoses pode ser desencadeado por diversos fatores que vão além da idade, como:

    1. Fragilidade capilar e atrofia da pele

    A perda de colágeno e gordura subcutânea é uma das principais causas do surgimento de hematomas em idosso, uma vez que os vasos sanguíneos ficam mais vulneráveis e podem se romper com facilidade após pequenos impactos, como um aperto de mão mais firme ou um esbarrão em um móvel.

    2. Uso de medicamentos

    O uso de alguns medicamentos contínuos interferem na resistência da pele ou na coagulação do sangue. Por exemplo, Marcelo explica que os anticoagulantes e antiagregantes plaquetários, como AAS e clopidogrel, dificultam a formação de coágulos. Com isso, pequenos rompimentos dos vasos podem provocar manchas roxas maiores e mais aparentes.

    Já o uso prolongado de corticoides, seja por via oral ou em pomadas, pode causar afinamento da pele, deixando a região mais sensível e suscetível a sangramentos.

    3. Exposição solar acumulada

    As décadas de exposição solar sem proteção aceleram o desgaste das fibras de sustentação da pele, processo conhecido como fotoenvelhecimento. Por isso, os hematomas e as manchas arroxeadas costumam surgir principalmente nos antebraços e no dorso das mãos, áreas mais expostas à radiação ultravioleta ao longo da vida.

    4. Deficiências vitamínicas

    A falta de algumas vitaminas também pode aumentar a fragilidade dos vasos sanguíneos e favorecer o aparecimento de manchas roxas. A vitamina C, por exemplo, é importante para a produção de colágeno e, quando está em níveis baixos, os vasos podem se tornar mais frágeis. Já a vitamina K participa diretamente do processo de coagulação do sangue.

    5. Doenças sistêmicas

    Em situações menos frequentes, o surgimento de manchas roxas pode ser um sinal de alerta para algumas condições de saúde que afetam a coagulação ou a produção das células sanguíneas.

    As doenças hepáticas podem reduzir a produção de proteínas importantes para a coagulação. Além disso, alterações nas plaquetas, células responsáveis por ajudar a conter sangramentos, também podem facilitar o aparecimento de hematomas espontâneos.

    Quando as manchas roxas são um sinal de alerta?

    É importante observar se o idoso apresenta outros sinais além das manchas roxas na pele, principalmente quando os hematomas começam a surgir com frequência, aumentam de tamanho ou aparecem sem nenhuma explicação aparente. Por isso, fique atento a:

    • Sangramentos recorrentes na gengiva ou nariz;
    • Presença de sangue na urina ou nas fezes;
    • Manchas roxas que surgem em áreas que não tomam sol (como barriga e costas) sem motivo aparente;
    • Hematomas que causam muita dor, calor local ou inchaço excessivo.

    Segundo Marcelo, nesses casos, a intervenção médica é necessária para ajustar a medicação ou realizar o diagnóstico de alguma doença de coagulação.

    Como prevenir e proteger a pele frágil do idoso?

    No dia a dia, alguns cuidados ajudam bastante a reduzir a fragilidade dos vasos sanguíneos e prevenir o aparecimento frequente de manchas roxas, como:

    • Manter a pele sempre hidratada, usando cremes hidratantes regularmente;
    • Evitar banhos muito quentes e demorados, que aumentam o ressecamento;
    • Utilizar protetor solar diariamente, principalmente nos braços e nas mãos;
    • Preferir roupas leves com mangas compridas em ambientes externos para proteger a pele de pequenos traumas e da exposição solar;
    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em proteínas, vitamina C e outros nutrientes importantes para a saúde da pele;
    • Beber bastante água ao longo do dia;
    • Evitar coçar a pele com força;
    • Redobrar o cuidado com batidas em móveis e objetos da casa;
    • Revisar regularmente os medicamentos com o médico, principalmente anticoagulantes e corticoides.

    Em alguns casos, o profissional pode investigar deficiências vitamínicas, alterações na coagulação ou ajustar medicamentos que estejam aumentando o risco de sangramentos.

    Como tratar as manchas roxas em casa?

    Na maioria dos casos, as manchas roxas da púrpura senil melhoram sozinhas com o passar dos dias ou semanas. Como a pele do idoso é mais delicada, o cuidado em casa deve ser suave, evitando medidas agressivas ou produtos irritantes.

    Mas, no processo, algumas atitudes podem ajudar na recuperação da pele, como aplicar compressas frias nas primeiras 24 a 48 horas após o surgimento da mancha, manter a pele hidratada diariamente e, se o médico indicar, utilizar pomadas que ajudem na cicatrização e na proteção da pele fragilizada.

    Em geral, as manchas mudam de cor ao longo dos dias, passando do roxo para tons esverdeados e amarelados, até desaparecerem completamente.

    Leia mais: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Perguntas frequentes

    1. Por que essas manchas aparecem mesmo sem eu ter batido em nada?

    Com o envelhecimento avançado, a pele perde sua “almofada” de gordura e colágeno. Por isso, atos simples como coçar a pele, secar-se com uma toalha áspera ou um aperto de mão podem ser suficientes para romper os vasinhos.

    2. As manchas roxas podem ser câncer?

    Geralmente, não, pois a púrpura senil é benigna. No entanto, manchas roxas que não cicatrizam, que mudam de cor de forma estranha ou que apresentam feridas devem ser avaliadas por um dermatologista para descartar lesões pré-cancerígenas causadas pelo sol.

    3. Por que as manchas aparecem mais nos braços e mãos?

    Porque essas são as áreas que mais receberam sol ao longo da vida. A radiação solar destrói as fibras de sustentação da pele, deixando-a com aspecto de “papel de seda” e muito vulnerável.

    4. Quanto tempo demora para uma mancha roxa de idoso sumir?

    Em média, de 1 a 3 semanas. Diferente dos jovens, nos idosos o processo de reabsorção do sangue é mais lento.

    5. Como prevenir o surgimento das manchas?

    A melhor forma é manter a pele muito bem hidratada com cremes à base de ureia ou óleos corporais, usar protetor solar diariamente e evitar traumas, como esbarrões em móveis.

    6. Existe algum exame de sangue para investigar isso?

    Sim. O médico pode solicitar um hemograma para verificar as plaquetas e um coagulograma para avaliar o tempo que o sangue leva para estancar.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • Manchas roxas pelo corpo sem motivo: quando podem indicar um problema de saúde?

    Manchas roxas pelo corpo sem motivo: quando podem indicar um problema de saúde?

    Você já acordou, notou uma mancha roxa na perna ou no braço e tentou lembrar onde teria batido? Na maioria das vezes, os hematomas surgem após pequenos traumas do dia a dia que passam despercebidos.

    No entanto, quando surgem com frequência, em grandes quantidades ou acompanhadas de outros sintomas, elas podem ser um sinal de alerta do corpo para deficiências vitamínicas, efeitos colaterais de medicamentos ou até doenças que afetam a coagulação do sangue.

    Conversamos com o cirurgião vascular Marcelo Dalio para entender quando as manchas roxas são consideradas normais, quais podem ser as causas mais comuns e em quais situações é importante procurar avaliação médica.

    Afinal, o que são as manchas roxas que surgem do nada?

    As manchas roxas, conhecidas como equimoses, surgem quando pequenos vasos sanguíneos se rompem e o sangue se espalha sob a pele.

    Na maioria das vezes, a causa é um trauma simples do dia a dia, como uma pancada, um tropeço ou até um movimento mais brusco. Depois, o próprio organismo vai absorvendo aquele sangue aos poucos, fazendo com que a mancha desapareça espontaneamente.

    De acordo com Marcelo, pequenos microtraumas podem passar despercebidos. Em pessoas mais jovens, os vasos são mais firmes e a coagulação funciona melhor, fazendo com que o corpo repare rapidamente os pequenos sangramentos.

    Com o envelhecimento, a pele e a camada de gordura abaixo dela ficam mais finas e frágeis, o que faz com que os vasos se rompam com mais facilidade, favorecendo o aparecimento das manchas roxas, mesmo após pequenos impactos.

    Também existem pessoas mais jovens que apresentam a chamada fragilidade capilar, uma característica normalmente ligada à genética e à constituição do colágeno da pele e dos vasos. Nesses casos, a pessoa tende a ter manchas roxas desde cedo. Quando isso acontece de forma habitual e sem outros sintomas associados, normalmente não indica uma doença grave.

    Qual a diferença entre equimose e hematoma?

    A equimose é a mancha roxa mais superficial, causada pelo rompimento de pequenos vasos sanguíneos com espalhamento do sangue sob a pele. Ela costuma ser plana, sem relevo, e muda de cor ao longo dos dias até desaparecer.

    Já o hematoma, segundo Marcelo, acontece quando há um sangramento maior, geralmente envolvendo vasos mais calibrosos. Nesse caso, o sangue se acumula em uma região específica, formando um inchaço ou uma área elevada e dolorida.

    Principais causas de roxos espontâneos

    Na maioria das vezes, o surgimento de manchas roxas não indica uma doença grave, mas sim uma característica da estrutura dos seus vasos sanguíneos ou hábitos de vida. As causas mais comuns incluem:

    • Fragilidade capilar: algumas pessoas possuem vasos sanguíneos naturalmente mais sensíveis, então qualquer pressão mínima, como o peso de uma bolsa ou um toque um pouco mais forte, é suficiente para romper os capilares e gerar uma pequena equimose;
    • Envelhecimento cutâneo: com o passar dos anos, a pele fica mais fina e perde a camada de gordura que protege os vasos. Assim, os vasos ficam expostos e se rompem com facilidade, algo muito comum em idosos;
    • Deficiência de vitamina C: a falta da vitamina compromete a produção de colágeno, que mantém os vasos firmes. Quando os níveis estão muito baixos, quadro conhecido como escorbuto, os sangramentos espontâneos na pele e na gengiva se tornam frequentes;
    • Efeito colateral de medicamentos: o uso de remédios como aspirina, anticoagulantes ou de corticoides por tempo prolongado pode deixar os vasos mais finos ou dificultar o fechamento de micro-rompimentos, facilitando as manchas;
    • Microtraumas do dia a dia: muitas vezes batemos em móveis ou objetos enquanto estamos distraídos. Como a coagulação é eficiente, o roxo só aparece horas depois, quando já esquecemos o pequeno incidente.

    Doenças que podem causar manchas roxas

    Quando as manchas surgem de forma súbita, em locais incomuns ou acompanhadas de outros sinais, elas podem indicar condições que precisam de investigação médica, como:

    • Alterações nas plaquetas (púrpuras): as plaquetas são células responsáveis por interromper sangramentos. Se o número de plaquetas está muito baixo ou se elas não funcionam corretamente, o sangue extravasa para a pele sem motivo aparente;
    • Distúrbios de coagulação: doenças genéticas ou adquiridas que afetam a cascata de coagulação impedem que o corpo estanque pequenos rompimentos internos, levando ao surgimento de manchas maiores e persistentes;
    • Leucemia: algumas doenças hematológicas graves comprometem a produção de células saudáveis no sangue. Nesses casos, o surgimento de manchas roxas costuma vir acompanhado de cansaço extremo, palidez e perda de peso;
    • Vasculites: é uma inflamação na parede dos vasos sanguíneos. Quando o vaso inflama, ele pode se romper, causando manchas roxas que, normalmente, são acompanhadas de dores nas articulações, febre ou mal-estar generalizado;
    • Doenças hepáticas: como o fígado é responsável pela produção de várias proteínas que ajudam na coagulação, problemas graves no órgão (como a cirrose) podem aumentar a tendência a sangramentos e equimoses.

    Quando o roxo é sinal de alerta?

    As manchas roxas merecem atenção quando aparecem com muita frequência, surgem sem nenhum trauma aparente ou aumentam de tamanho rapidamente. O sinal de alerta também existe quando elas vêm acompanhadas de outros sintomas, como:

    • Sangramentos no nariz ou gengiva;
    • Cansaço excessivo;
    • Febre;
    • Perda de peso;
    • Manchas espalhadas pelo corpo.

    Também é importante observar se os hematomas demoram muito para desaparecer ou aparecem em locais incomuns, como costas, abdômen e rosto, principalmente sem explicação clara.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico de manchas roxas que aparecem sem motivo aparente começa com a avaliação clínica e o histórico da pessoa, em que o médico investiga há quanto tempo eles aparecem, se existe histórico familiar, uso de medicamentos, presença de sangramentos e outros sintomas associados.

    Depois, podem ser solicitados exames de sangue para avaliar a coagulação, a quantidade de plaquetas, possíveis anemias e deficiências vitamínicas. Em alguns casos, também é necessário investigar doenças hepáticas, vasculares ou hematológicas.

    Se os exames estiverem normais e não houver sinais de alerta, o quadro é normalmente diagnosticado como fragilidade capilar, uma característica constitucional que não representa um risco à saúde.

    Como tratar as manchas roxas?

    O tratamento das manchas roxas depende diretamente da causa do problema. Quando elas surgem após pequenos traumas do dia a dia e não estão relacionadas a nenhuma doença, normalmente desaparecem sozinhas ao longo de alguns dias ou semanas, conforme o organismo absorve o sangue acumulado sob a pele.

    Nesses casos, algumas medidas podem ajudar a diminuir o sangramento local, o inchaço e o desconforto, como:

    • Fazer compressas frias nas primeiras 24 horas;
    • Evitar massagear o local;
    • Manter a região elevada, quando possível;
    • Evitar novos traumas na área machucada;
    • Descansar a região afetada;
    • Usar roupas mais confortáveis para não pressionar o local;
    • Manter uma boa hidratação.

    Já quando os hematomas aparecem com frequência, sem motivo aparente ou estão associados ao uso de medicamentos, deficiências vitamínicas ou alterações na coagulação, é importante investigar.

    Dependendo da causa, o médico pode recomendar ajustes em medicamentos, suplementação de vitaminas, mudanças na alimentação ou exames complementares para avaliar possíveis problemas de saúde relacionados à coagulação ou à fragilidade dos vasos sanguíneos.

    Leia mais: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Perguntas frequentes

    1. É normal aparecerem roxos sem eu ter batido em nada?

    Sim, em muitos casos. Pode ser causado por fragilidade capilar, onde pequenos vasos se rompem com movimentos simples, ou por microtraumas do dia a dia que acabamos esquecendo.

    2. O estresse pode causar manchas roxas na pele?

    Indiretamente, sim. O estresse crônico pode fragilizar o sistema imunológico e afetar a saúde dos vasos, mas não é uma causa direta comum como traumas ou medicamentos.

    3. Quando devo me preocupar com uma mancha roxa?

    Se surgirem em grandes quantidades, em locais como tronco e rosto, se não sumirem após duas semanas ou se vierem acompanhadas de dor intensa e febre.

    4. Anticoncepcional pode causar manchas roxas?

    Embora raro, algumas mulheres podem notar maior fragilidade vascular ou alterações na circulação devido aos hormônios, mas deve-se investigar outras causas primeiro.

    5. Quanto tempo demora para uma mancha roxa sumir?

    Em média, uma equimose comum leva de 7 a 14 dias para ser totalmente absorvida pelo corpo, dependendo do tamanho da lesão.

    6. Exercícios físicos intensos podem causar roxos?

    Sim. O esforço extremo ou o levantamento de muito peso pode causar o rompimento de pequenos vasos devido à pressão aumentada, especialmente nos braços e pernas.

    7. O que pode ser mancha roxa na perna de quem tem varizes?

    Quem tem varizes possui uma circulação venosa deficiente. Isso aumenta a pressão nos vasos, facilitando o extravasamento de sangue para a pele, o que causa manchas roxas ou acastanhadas (dermatite de estase).

    8. Por que aparecem roxos após exames de sangue?

    Isso acontece quando o sangue extravasa pelo furo da agulha antes de o vaso cicatrizar. Pressionar o local por alguns minutos após a coleta e não carregar peso com aquele braço ajuda a evitar.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • Estalar o pescoço faz mal? Veja os riscos da manipulação cervical

    Estalar o pescoço faz mal? Veja os riscos da manipulação cervical

    Você já sentiu aquele alívio imediato ao estalar o pescoço ou ao passar por uma sessão de quiropraxia para aliviar a tensão do dia a dia? A prática, chamada de manipulação cervical, é comum para reduzir dores musculares e melhorar a sensação de rigidez, principalmente após longos períodos na mesma posição.

    Mas, apesar do alívio quase instantâneo, a região do pescoço possui estruturas importantes, como as artérias carótidas e vertebrais, responsáveis por levar sangue ao cérebro. Em alguns casos mais raros, a manipulação inadequada pode causar condições sérias, como a dissecção arterial e até mesmo ao risco de um AVC.

    Mas por que isso acontece e quem deve ter mais cautela? Conversamos com o cirurgião Marcelo Dálio para entender como os movimentos impactam a saúde vascular.

    O que é manipulação cervical?

    A manipulação cervical é um procedimento feito na região do pescoço, realizado por profissionais como fisioterapeutas, quiropraxistas ou médicos especializados.

    Ela envolve movimentos aplicados nas articulações da coluna cervical, que podem ser mais lentos e suaves ou mais rápidos, dependendo da técnica utilizada. Eles contribuem para melhorar a mobilidade do pescoço, aliviar dores e diminuir a tensão muscular.

    Em alguns casos, eles podem até produzir um estalo no pescoço, que muitas pessoas acreditam ser o “osso saindo do lugar”, mas consiste apenas na liberação de gás dentro da articulação.

    A manipulação cervical costuma ser indicada para pessoas com dor no pescoço, sensação de rigidez, tensão acumulada no dia a dia e até para alguns tipos de dor de cabeça que têm relação com a musculatura da região.

    Estalar o pescoço é perigoso?

    Na maioria dos casos, a manipulação cervical não é perigosa quando é feita por um profissional qualificado e com técnica adequada, mas não é um procedimento totalmente livre de riscos. De acordo com Marcelo, o principal ponto de atenção está nos movimentos muito bruscos ou rápidos.

    Em casos raros, esse tipo de movimento afeta estruturas importantes do pescoço, como as artérias responsáveis por levar sangue para o cérebro, e interfere no fluxo sanguíneo. Quando isso acontece, pode haver uma alteração na circulação, o que, em situações mais graves, pode comprometer a oxigenação do cérebro e levar a complicações neurológicas.

    Marcelo também explica que, se a pessoa tiver uma fragilidade nos tecidos, o problema pode acontecer em outras situações do dia a dia, como andar de moto, fazer uma freada brusca, sofrer um acidente de carro ou até durante a prática de alguns esportes.

    Os riscos para as artérias

    Diferente de outras partes do corpo, o pescoço possui artérias importantes para a irrigação do cérebro: a carótida e a vertebral. Os movimentos súbitos podem levar a uma condição chamada dissecção arterial, que ocorre quando a camada interna do vaso sanguíneo sofre um pequeno rasgo.

    Segundo Marcelo, as artérias do pescoço são formadas por três camadas sobrepostas, sendo elas:

    • Camada interna (íntima), que é o revestimento liso por onde o sangue desliza;
    • Camada média, composta por músculos que controlam a abertura do vaso;
    • Camada externa (adventícia), que funciona como uma capa de proteção.

    Quando acontece um movimento muito rápido ou com força, como em uma manipulação cervical, um acidente ou até durante um esporte, a camada interna pode se soltar da camada do meio, o que cria um pequeno espaço dentro da parede da artéria e permite que o sangue entre, criando um volume onde não deveria existir nada.

    Como consequência, podem acontecer duas complicações:

    • O sangue acumulado pode formar coágulos. Se um deles se soltar, pode seguir pela circulação até o cérebro e bloquear a passagem do sangue, causando um AVC isquêmico;
    • O acúmulo de sangue dentro da parede pode apertar a artéria por dentro, diminuindo ou até interrompendo o fluxo sanguíneo.

    Vale destacar que nem toda dissecção resulta em sequelas. Marcelo explica que, em situações leves, o paciente pode sentir apenas dor local intensa no pescoço ou na base da cabeça, e o próprio organismo consegue cicatrizar a lesão em alguns dias.

    No entanto, como não há como prever a evolução do quadro sem exames médicos, qualquer sintoma neurológico após um estalo ou movimento brusco deve ser tratado como emergência.

    Quem tem mais risco de ter lesões no pescoço?

    Qualquer pessoa pode sofrer uma dissecção arterial após um movimento brusco, mas alguns grupos possuem uma predisposição maior devido a fatores genéticos ou condições de saúde que fragilizam a estrutura dos vasos sanguíneos, como Marcelo aponta:

    • Doenças do colágeno: condições como a Síndrome de Ehlers-Danlos ou a Síndrome de Marfan tornam os tecidos e os vasos sanguíneos mais elásticos e propensos a rasgos;
    • Fragilidade arterial não diagnosticada: muitas pessoas possuem uma fraqueza estrutural nas artérias que não se manifesta em exames de rotina, sendo descoberta apenas após um evento súbito;
    • Hipertensão (pressão alta): a pressão constante contra as paredes das artérias pode enfraquecê-las ao longo do tempo;
    • Envelhecimento: naturalmente, as artérias perdem parte da sua elasticidade e resistência com o passar dos anos.

    Na prática, o cirurgião explica que é muito difícil saber quem tem mais risco. Muitas vezes, quem sofre esse tipo de lesão são pessoas jovens e consideradas saudáveis. Elas fazem um movimento comum ou passam por uma manipulação no pescoço e acabam tendo o problema por causa de uma fragilidade que não dava sinais antes.

    Sinais de alerta após manipular o pescoço

    Se a manipulação causar uma dissecção arterial, os sintomas podem surgir imediatamente ou algumas horas depois. Procure um pronto-socorro se apresentar qualquer um dos seguintes sinais:

    • Perda de força em um dos braços, pernas ou em apenas um lado do corpo;
    • Desvio da boca (boca torta) ou dificuldade para sorrir;
    • Fala enrolada, confusa ou incapacidade de articular palavras;
    • Visão embaçada, dupla ou perda súbita de parte do campo de visão;
    • Perda de equilíbrio ou coordenação motora.

    Nem toda dor após a manipulação no pescoço indica algo grave, mas também é importante ficar atento se a dor é súbita, muito intensa e persistente, localizada na lateral do pescoço ou na base da cabeça (nuca). Ela pode ser o primeiro sinal de que a camada da artéria sofreu um rasgo.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da dissecção arterial é feito com base na avaliação clínica e na realização de exames de imagem, como ultrassom, tomografia computadorizada e ressonância magnética, que permitem visualizar o fluxo sanguíneo e as camadas das artérias.

    O tratamento depende da gravidade, mas, em geral, Marcelo aponta que são utilizados remédios anticoagulantes por um período de três a seis meses, para evitar a formação de coágulos enquanto o corpo cicatriza a artéria.

    Em situações mais leves, o corpo consegue se recuperar sozinho com o suporte do tratamento clínico. Já em casos mais graves, pode ser necessário um acompanhamento mais próximo e, em raras situações, outros tipos de intervenção.

    Recomendações para evitar complicações

    A principal recomendação para evitar a dissecção arterial e outras lesões graves é evitar movimentos bruscos e de grande amplitude no pescoço. Como não é possível saber antecipadamente quem tem artérias mais frágeis, o ideal é que todos tenham cautela.

    Segundo Marcelo, não é preciso descartar as terapias, mas é importante reconhecer que existe um risco. Alguns profissionais trabalham de forma mais cuidadosa e optam por evitar manobras mais intensas.

    Se você já sofreu uma dissecção arterial, o cuidado deve ser ainda mais rigoroso para permitir que a artéria cicatrize completamente e para evitar novas lesões:

    • Evitar esportes de impacto, como lutas, futebol e basquete, que podem causar trancos no pescoço;
    • Preferir atividades leves, como caminhada, natação ou ciclismo, que são mais seguras para a região cervical;
    • Seguir corretamente o uso dos medicamentos prescritos, sem interromper por conta própria;
    • Realizar os exames de acompanhamento nos prazos indicados para avaliar a recuperação das artérias.

    No dia a dia, priorize uma rotina com movimentos mais suaves, boa postura e alongamentos leves, sem forçar a região. Sempre que houver dor persistente ou qualquer sintoma diferente, o ideal é procurar avaliação médica.

    Leia mais: Alongamentos simples para aliviar dores musculares: veja quando e como praticar

    Perguntas frequentes

    1. Estalar o pescoço sozinho pode causar um AVC?

    Embora seja raro, estalos feitos de forma brusca, rápida e com muita força podem causar um rasgo na artéria (dissecção), o que pode levar à formação de um coágulo e, consequentemente, a um AVC.

    2. Quais são as artérias que passam pelo pescoço?

    As principais são as artérias carótidas (na frente) e as artérias vertebrais (que passam por dentro das vértebras da coluna cervical). Elas são responsáveis por levar sangue ao cérebro.

    3. Quanto tempo depois de um estalo no pescoço pode ocorrer um AVC?

    O AVC pode ser imediato ou ocorrer horas e até dias depois, conforme o coágulo se forma e se desloca para o cérebro.

    4. É seguro fazer massagem no pescoço?

    Massagens relaxantes e superficiais são seguras. O risco está em manobras de “ajuste” que envolvem movimentos rápidos, secos e de grande amplitude.

    5. Problemas na fala podem indicar um AVC?

    Sim. A dificuldade para articular palavras (fala “bolada”), usar palavras que não fazem sentido ou a incapacidade total de falar são sinais graves de que o cérebro não está recebendo sangue adequadamente.

    6. Qual é o teste mais rápido para identificar um AVC em casa?

    Use a regra do SAMU: sorriso (peça para sorrir e veja se a boca entorta), abraço (veja se a pessoa consegue levantar os dois braços), música (peça para repetir uma frase ou música e note se a fala está enrolada) e urgência (se houver alteração, ligue 192).

    Veja também: Ataque Isquêmico Transitório: o ‘mini-AVC’ que não pode ser ignorado

  • Meia de compressão: diferenças entre os tipos e como acertar na escolha

    Meia de compressão: diferenças entre os tipos e como acertar na escolha

    A meia de compressão, também conhecida como meia elástica, é um tipo de meia terapêutica feita para apertar de forma controlada as pernas, ajudando a melhorar a circulação do sangue.

    Ela pode ser indicada para diferentes condições, desde varizes até durante a gravidez, além de ser útil na prevenção de trombose e no alívio de sintomas como inchaço, dor e sensação de peso nas pernas.

    Como existem diferentes níveis de compressão, a escolha adequada deve levar em consideração a necessidade de cada pessoa, sempre com orientação de um profissional de saúde. Vamos entender mais, a seguir.

    Como a meia compressão age na circulação?

    As meias elásticas funcionam por meio de uma compressão graduada, um aperto que é mais forte no tornozelo e vai diminuindo ao subir pela perna. Segundo o cirurgião vascular Marcelo Dalio, isso ajuda o sangue a subir de volta para o coração com mais facilidade, melhorando a circulação.

    A meia também ajuda no funcionamento das válvulas das veias, que são responsáveis por impedir que o sangue volte para baixo. Quando as válvulas não funcionam bem, como nos casos de varizes, o sangue pode se acumular. A compressão da meia dá suporte para que as válvulas fechem melhor, melhorando a circulação e aliviando sintomas como dor e sensação de peso.

    Para completar, a meia contribui para reduzir o inchaço, pois facilita a reabsorção do líquido que fica acumulado nos tecidos, ajudando o organismo a eliminar o excesso com mais facilidade.

    Quando a meia de compressão é indicada?

    A meia elástica é indicada quando existe alguma dificuldade na circulação das pernas ou quando há risco de problemas circulatórios, como:

    • Varizes;
    • Inchaço nas pernas e nos pés;
    • Sensação de peso ou cansaço ao final do dia;
    • Má circulação (insuficiência venosa);
    • Gravidez;
    • Pós-operatório, principalmente de cirurgias nas pernas;
    • Prevenção de trombose, como em viagens longas ou períodos de imobilidade;
    • Pessoas que ficam muito tempo sentadas ou em pé, como em alguns tipos de trabalho.

    Apesar de ser bastante útil, a escolha da meia precisa ser individualizada e sempre com orientação de um médico.

    Quais os tipos de meia de compressão?

    Segundo Marcelo, as meias de compressão são classificadas de acordo com a intensidade da pressão que exercem:

    • Compressão leve (15 a 20 mmHg): indicada para prevenção e para desconfortos leves, como inchaço ao final do dia ou durante viagens, e pode ser usada por pessoas sem doença venosa. Ela costuma ser vendida sem prescrição médica, em farmácias e lojas, e normalmente não oferece riscos para a circulação;
    • Compressão moderada (20 a 30 mmHg): indicada para quem já apresenta algum problema venoso, como varizes, vasinhos ou inchaço mais persistente. Nesse caso, é importante ter orientação médica, pois nem todas as pessoas podem usar esse tipo de compressão;
    • Compressão alta (30 a 40 mmHg): utilizada em casos mais graves, como doenças venosas avançadas ou presença de feridas. Deve ser usada apenas com indicação e acompanhamento médico, já que exige uma avaliação criteriosa.

    A orientação médica é importante porque algumas condições podem contraindicar o uso da meia, como doenças arteriais, alergias ao material ou outros problemas circulatórios. O uso inadequado pode não trazer benefício ou até piorar o quadro, segundo o profissional.

    Modelos de meias de compressão

    Além do nível de compressão, Marcelo explica existem diferentes modelos disponíveis de meia, como:

    • Meia até o joelho (3/4);
    • Meia até a coxa (7/8);
    • Meia-calça (até a cintura);
    • Modelos específicos para gestantes.

    Também existem variações no tipo de tecido e na forma de fabricação, como malha circular ou plana, além de modelos específicos para condições como linfedema e lipedema.

    Como usar a meia de compressão adequadamente?

    A meia de compressão deve ser colocada preferencialmente no início do dia, quando as pernas ainda estão menos inchadas. Marcelo explica que não é necessário colocar antes de levantar da cama, mas o ideal é usar logo pela manhã, depois de acordar.

    Se você só conseguir colocar mais tarde, o melhor é elevar as pernas por alguns minutos antes, para reduzir o inchaço. O uso noturno só é indicado em situações específicas, com orientação médica, como na prevenção de trombose ou em alguns casos de linfedema.

    O cirurgião ainda destaca que, para situações simples, como viagens longas ou inchaço leve, a meia de compressão leve pode ser usada sem grandes riscos. Em todos os outros casos, especialmente durante a gravidez ou quando há doenças venosas, apenas um médico pode indicar o melhor tipo de meia.

    Quando desconfiar de problemas circulatórios?

    As doenças vasculares costumam ser silenciosas em algumas pessoas e apresentam sintomas que muitas vezes passam despercebidos, mas alguns sinais no dia a dia, especialmente quando frequentes, precisam de mais atenção:

    • Inchaço nas pernas ou nos pés, com sapatos apertando no fim do dia ou marcas profundas das meias no tornozelo, além de pele que fica marcada ao pressionar;
    • Mudanças na cor ou na temperatura, como pés arroxeados, azulados, muito pálidos, frios demais ou com sensação de queimação;
    • Presença de varizes ou vasinhos aparentes, com veias mais grossas, tortuosas ou agrupamentos avermelhados;
    • Sensação de peso e cansaço nas pernas, que melhora ao elevar os membros;
    • Cãibras frequentes ou formigamento, especialmente à noite;
    • Dor na panturrilha ao caminhar, que melhora após alguns minutos de descanso;
    • Pele mais seca, fina, brilhante ou com manchas escuras na região das pernas;
    • Feridas que demoram para cicatrizar, mesmo quando são pequenas;

    Se houver inchaço repentino em apenas uma das pernas, acompanhado de dor forte, calor localizado e vermelhidão, procure um pronto-atendimento imediatamente.

    Leia mais: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre meia de compressão e meia esportiva?

    A meia de compressão medicinal tem pressão graduada (mais forte no tornozelo). Já as esportivas focam na redução da vibração muscular e na recuperação após o treino, nem sempre seguindo a graduação médica rigorosa.

    2. Posso dormir de meia de compressão?

    Não sem indicação médica. Ao deitar, a gravidade deixa de ser um problema e o retorno venoso flui naturalmente. Dormir com ela pode restringir o fluxo arterial desnecessariamente, a menos que haja uma recomendação médica específica (como pós-operatório imediato).

    3. Como saber o tamanho ideal?

    É preciso medir a circunferência do tornozelo, da panturrilha e, se for o caso, da coxa, de preferência logo ao acordar, quando as pernas estão menos inchadas. Cada fabricante possui uma tabela de medidas específica.

    4. Quanto tempo dura uma meia elástica?

    Em média, de 4 a 6 meses. Após esse período e com as lavagens constantes, o elastano perde a memória e a compressão deixa de ser eficaz, mesmo que a meia pareça inteira.

    5. Como lavar as meias para que durem mais?

    Lave à mão com sabão neutro e seque à sombra. Nunca use amaciante, não torça e não use máquina de secar, pois o calor e os produtos químicos destroem as fibras elásticas.

    6. A meia elástica emagrece as pernas?

    Ela reduz o inchaço causado pela retenção de líquidos, o que pode dar a impressão visual de pernas mais finas, mas ela não elimina gordura.

    7. É normal sentir a perna coçar ao usar a meia?

    A coceira pode ocorrer por dois motivos: a pele muito seca ou uma reação leve ao material da meia. O ideal é manter a pele hidratada (passando creme na noite anterior) e garantir que a meia não tenha resíduos de sabão da lavagem. Se houver vermelhidão, suspenda o uso e fale com um médico.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • Massagem melhora a circulação das pernas? Saiba o que esperar da técnica e quando é indicada

    Massagem melhora a circulação das pernas? Saiba o que esperar da técnica e quando é indicada

    A sensação de peso, inchaço ou cansaço nas pernas costuma aparecer após longos períodos em pé, horas sentada ou até em fases de maior estresse físico.

    No final do dia, muitas pessoas percebem que os sapatos ficam mais apertados, a pele parece mais esticada e surge aquela vontade quase imediata de elevar as pernas ou procurar algum tipo de alívio, como uma massagem.

    Além de relaxante, será que os movimentos suaves e direcionados podem estimular o fluxo sanguíneo, favorecer a drenagem de líquidos e proporcionar relaxamento muscular? E será que toda massagem realmente melhora a circulação das pernas? E quando ela é, de fato, indicada?

    Conversamos com o cirurgião vascular Marcelo Dalio para esclarecer todas as principais dúvidas. Confira!

    Afinal, a massagem realmente melhora a circulação das pernas?

    Quando realizada dentro dos limites fisiológicos e com a pressão adequada, a massagem pode ajudar na circulação das pernas — aliviando o cansaço, diminuindo o inchaço leve e dando aquela sensação boa de pernas mais leves.

    No entanto, é importante entender que a melhora costuma ser temporária e limitada. A circulação das pernas depende principalmente do movimento ativo do corpo. Quando a musculatura se contrai durante a caminhada, a prática de exercícios ou até pequenas mudanças de posição ao longo do dia, ela funciona como uma bomba natural que impulsiona o sangue de volta ao coração.

    Como a massagem age no sistema circulatório e linfático?

    Os movimentos aplicados sobre a pele e a musculatura ajudam a mobilizar os líquidos do corpo e a relaxar a região, o que costuma diminuir a sensação de peso e inchaço.

    Mas, no sistema circulatório, Marcelo explica que o mecanismo do retorno venoso precisa ser ativo. A musculatura funciona como uma espécie de bomba que impulsiona o sangue das pernas de volta ao coração.

    A massagem atua como um mecanismo passivo: ela pode até ajudar um pouco no retorno venoso, mas de forma bem mais limitada quando comparada ao movimento ativo do corpo.

    Já no sistema linfático, técnicas específicas, como a drenagem linfática manual, podem estimular o deslocamento da linfa — um líquido ligado à eliminação de toxinas e ao controle do inchaço. Quando a técnica é bem aplicada e feita por um profissional, ela pode ajudar a reduzir a retenção de líquidos e a sensação de pernas cansadas.

    Quais os benefícios da massagem para a circulação?

    A prática regular de massagens pode contribuir com benefícios como:

    • Redução do inchaço (edema): pode ajudar o organismo a mobilizar o líquido acumulado nos tornozelos e nas panturrilhas, contribuindo para diminuir o desconforto;
    • Alívio do peso e do cansaço: o estímulo local favorece a sensação de relaxamento muscular e pode melhorar a percepção de leveza nas pernas ao final do dia;
    • Auxílio no retorno venoso: a massagem pode favorecer temporariamente o fluxo sanguíneo, reduzindo a sensação de pernas cansadas. Porém, não previne varizes nem substitui o papel do movimento corporal na saúde vascular;
    • Estímulo ao sistema linfático: técnicas específicas, como a drenagem linfática, podem auxiliar no deslocamento da linfa, contribuindo para o controle do inchaço e para o equilíbrio dos líquidos do organismo.

    Para a circulação especificamente, Marcelo explica que a massagem tem efeito inferior ao da movimentação ativa, mas ela ainda ajuda e pode aliviar sintomas, reduzir dor e estimular discretamente o retorno venoso.

    Mesmo com os benefícios, vale sempre lembrar: a massagem não deve ser considerada um tratamento de problemas circulatórios. Em situações como trombose, inflamações ou doenças vasculares, a avaliação profissional é fundamental para garantir segurança e indicar a melhor forma de cuidado.

    Quando a massagem é indicada?

    A massagem costuma ser indicada quando existe desconforto leve nas pernas, sensação de peso, tensão muscular e após uma atividade física, e quando não há contraindicações médicas. A prática pode complementar cuidados com a circulação, sempre com técnica adequada e profissional capacitado.

    Na presença de dor intensa, suspeita de trombose, inflamações, infecções ou doenças vasculares diagnosticadas, a avaliação médica deve vir antes de qualquer massagem.

    Qual a diferença entre massagem e drenagem linfática?

    A principal diferença entre a massagem comum e a drenagem linfática está no objetivo e na forma como cada técnica é feita.

    A massagem relaxante é focada especialmente no conforto e no relaxamento muscular. Os movimentos costumam ser mais firmes e ajudam a aliviar o cansaço, a tensão e aquela sensação de pernas pesadas. Ela pode até ajudar um pouco na circulação e no inchaço leve, mas não é um tratamento para problemas circulatórios.

    A drenagem linfática, por outro lado, é feita por um profissional capacitado, com movimentos bem suaves e direcionados, para estimular o sistema linfático e ajudar o corpo a eliminar o excesso de líquidos. Segundo Marcelo, ela costuma ser indicada em casos de retenção de líquido, pós-operatório ou doenças como o linfedema.

    No geral, a massagem comum é mais voltada ao relaxamento e ao bem-estar, enquanto a drenagem linfática tem um objetivo terapêutico específico e exige técnica adequada.

    O que é melhor para a circulação: massagem ou caminhada?

    A caminhada é mais eficaz para a circulação das pernas do que a massagem, porque o movimento ativo da musculatura funciona como uma espécie de bomba natural, ajudando o sangue a subir das pernas de volta ao coração.

    Durante a caminhada, os músculos da panturrilha se contraem repetidamente, estimulando o retorno venoso e melhorando a circulação de forma mais consistente. O hábito regular de se movimentar também contribui para a saúde vascular no longo prazo.

    Na prática, o ideal costuma ser a combinação de bons hábitos: manter o corpo em movimento no dia a dia e recorrer à massagem como complemento para relaxamento e bem-estar.

    Existem contraindicações para massagem?

    A massagem é segura na maioria dos casos, mas alguns quadros de saúde podem tornar o procedimento inadequado ou até arriscado, como:

    • Trombose ou suspeita de trombose;
    • Infecções ou inflamações na região;
    • Feridas, lesões ou doenças de pele;
    • Varizes dolorosas ou doenças vasculares importantes;
    • Febre ou infecção sistêmica;
    • Pós-operatório recente sem liberação médica.

    Na dúvida, sempre procure a orientação de um profissional de saúde, principalmente quando existem doenças circulatórias, dor persistente ou inchaço fora do comum.

    Leia mais: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Perguntas frequentes

    1. A massagem pode substituir o uso de meias de compressão?

    Não. A massagem é um estímulo pontual, enquanto as meias de compressão oferecem uma pressão constante durante todo o dia. Elas são tratamentos complementares e um não substitui o outro.

    2. É normal sentir dor durante uma massagem para circulação?

    Não é normal sentir dor intensa. Se for uma drenagem linfática, o toque deve ser muito leve. Se for uma massagem relaxante, pode haver um leve desconforto em pontos de tensão, mas dor forte é um sinal de que a pressão está excessiva e pode lesionar os vasos.

    3. Grávidas podem fazer massagem nas pernas para o inchaço?

    Sim. No entanto, deve ser feita por profissionais especializados em gestantes e geralmente após o primeiro trimestre, com autorização do obstetra.

    4. Qual a melhor direção para fazer a massagem em casa?

    A direção deve ser sempre em direção ao coração. Comece pelos pés e suba em direção aos tornozelos, panturrilhas e coxas. Nunca massageie de cima para baixo.

    5. A massagem ajuda a evitar câimbras?

    Sim. Ao melhorar a circulação, o sangue leva mais oxigênio e nutrientes para os músculos, além de ajudar a remover o ácido lático, o que reduz a frequência de câimbras e espasmos.

    6. O uso de massageadores elétricos funciona para a circulação?

    Sim, os massageadores que utilizam vibração ou compressão pneumática podem ajudar a relaxar os músculos e estimular o fluxo sanguíneo. No entanto, eles não substituem a precisão das mãos de um profissional, que consegue identificar pontos de maior tensão ou edema.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • Como o uso de roupas muito apertadas pode prejudicar a circulação no corpo

    Como o uso de roupas muito apertadas pode prejudicar a circulação no corpo

    Seja por estética, tendência ou até sensação de conforto, é fato que muitas pessoas gostam de manter roupas apertadas no guarda-roupa, como calças justas, cintas modeladoras, leggings compressivas e até sapatos muito fechados. Mas, apesar de parte da rotina, o uso frequente pode afetar o funcionamento natural do corpo, especialmente a circulação.

    A circulação depende de um mecanismo equilibrado entre vasos, músculos e movimento. Quando há compressão excessiva ou contínua em determinadas regiões, o retorno do sangue ao coração pode ser dificultado. Vamos entender mais, a seguir!

    Como a roupa apertada afeta o corpo?

    O cirurgião vascular, Marcelo Dalio, explica que sangue chega aos pés pelas artérias, impulsionado pelo coração. Para retornar ao músculo cardíaco, depende principalmente da contração muscular e do movimento do corpo, especialmente das pernas.

    O pé funciona como uma espécie de bomba: ao caminhar e apoiar o pé no chão, ocorre compressão dos vasos, o que ajuda o sangue a subir em direção ao coração.

    Quando a pessoa utiliza roupas muito apertadas, como calças justas, cintas ou espartilhos, pode haver compressão excessiva dos vasos sanguíneos, prejudicando o retorno venoso. Como consequência, podem surgir sensação de peso nas pernas, inchaço e desconforto.

    Em situações prolongadas, especialmente em pessoas predispostas, o hábito pode até contribuir para o aumento do risco de trombose, que é a formação de um coágulo sanguíneo dentro de um vaso, normalmente em uma veia, que pode dificultar ou até bloquear a passagem do sangue.

    Impacto no sistema linfático

    O sistema linfático é responsável por drenar o excesso de líquidos e resíduos do organismo. Quando roupas muito apertadas comprimem a região de forma constante, a drenagem pode ficar prejudicada, favorecendo o aparecimento do inchaço, especialmente nas pernas, tornozelos e pés.

    Além da questão estética, o inchaço costuma trazer desconforto, sensação de pernas pesadas e até cansaço ao longo do dia, o que pode afetar a disposição e o bem-estar nas atividades do dia a dia.

    E qual a diferença das roupas apertadas para a meia elástica?

    A meia elástica funciona de maneira diferente das roupas comuns apertadas. Segundo Marcelo, ela é desenvolvida com compressão graduada, ou seja, exerce maior pressão no tornozelo e vai diminuindo progressivamente em direção à panturrilha e à coxa.

    A distribuição da compressão favorece o retorno venoso, ajudando o sangue a subir das pernas em direção ao coração e reduzindo o risco de inchaço, sensação de peso e desconforto.

    Além disso, as meias elásticas são produzidas com indicação médica específica, respeitando níveis de compressão adequados para cada necessidade. Por isso, são frequentemente recomendadas para pessoas com varizes, insuficiência venosa, longos períodos em pé ou sentadas, viagens prolongadas ou situações em que há maior risco de problemas circulatórios.

    Já roupas comuns muito apertadas costumam comprimir regiões de forma irregular, muitas vezes com maior pressão na cintura, quadril ou coxa, sem seguir um padrão fisiológico. Em vez de ajudar, a compressão pode dificultar o retorno venoso, favorecer inchaço nas pernas e gerar desconforto ao longo do dia.

    Principais problemas causados pela má circulação

    A compressão contínua causada por calças muito justas, cintas modeladoras ou elásticos apertados pode dificultar o funcionamento do sistema circulatório. Quando o sangue e a linfa não circulam adequadamente, alguns sinais e desconfortos podem surgir:

    • Trombose: em pessoas predispostas, a compressão prolongada pode favorecer a lentificação do fluxo sanguíneo, aumentando o risco de formação de coágulos nas veias, especialmente nas pernas;
    • Aparecimento ou piora de varizes: as veias das pernas possuem válvulas que ajudam o sangue a subir em direção ao coração. A compressão excessiva aumenta a pressão nessas veias e, com o tempo, pode favorecer a dilatação, levando ao surgimento ou agravamento de varizes e de vasinhos;
    • Edema e retenção de líquidos: a compressão também pode prejudicar o sistema linfático, responsável por drenar líquidos entre as células. Isso pode resultar em inchaço, principalmente nos tornozelos e pés ao final do dia;
    • Sensação de pernas pesadas e cansaço: a circulação mais lenta pode reduzir a oxigenação dos músculos, gerando sensação de peso, fadiga e desconforto nas pernas, mesmo sem esforço físico intenso;
    • Formigamento ou dormência: a pressão excessiva pode atingir não apenas vasos sanguíneos, mas também nervos periféricos, causando formigamento, dormência ou sensação de agulhadas, especialmente nas coxas;
    • Possível agravamento da celulite: embora tenha causas variadas, a circulação prejudicada pode dificultar a eliminação de líquidos e toxinas, favorecendo o aspecto irregular da pele;
    • Meralgia parestésica: é uma condição causada pela compressão do nervo cutâneo femoral lateral, comum em quem usa roupas muito apertadas na região da cintura ou do quadril, podendo provocar dor, queimação ou dormência na parte externa da coxa.

    Quais os sinais de que roupa está prejudicando a circulação?

    Os principais sinais de alerta de que a roupa apertada está prejudicando a circulação são:

    • Inchaço nos pés, tornozelos ou pernas;
    • Sensação de peso nas pernas;
    • Dor ou desconforto ao final do dia;
    • Marcas profundas da roupa na pele;
    • Formigamento ou dormência nas coxas ou pernas.

    Se os sintomas forem frequentes, vale reavaliar o uso de peças muito apertadas e, se necessário, buscar orientação médica.

    Como escolher roupas que não prejudicam a saúde?

    Primeiro de tudo, antes de adicionar novas peças ao guarda-roupa, é importante considerar que a roupa não deve limitar movimentos nem causar compressão excessiva, principalmente quando o uso é prolongado. Veja algumas dicas:

    • Escolha o tamanho adequado, sem apertar excessivamente;
    • Prefira peças que permitam movimento confortável;
    • Evite compressão contínua na cintura, coxas e pernas;
    • Dê preferência a tecidos leves e respiráveis;
    • Não use cintas ou roupas muito justas por longos períodos;
    • Observe sinais como inchaço, dor ou formigamento após o uso;
    • Utilize meias de compressão apenas com orientação profissional.

    Vale ressaltar que o uso de roupas mais justas não é proibido e, na maioria dos casos, pode fazer parte do dia a dia sem causar problemas. A questão principal está na frequência e no tempo de uso.

    Por isso, o ideal é usar roupas mais ajustadas de forma ocasional, alternando com peças mais confortáveis e que permitam melhor mobilidade e ventilação. Também fique de olho nos sinais do corpo, que ajudam a identificar quando é hora de priorizar o conforto.

    Leia mais: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Perguntas frequentes

    1. Como saber se a minha roupa está apertada demais?

    Se ao tirar a roupa você notar marcas profundas na pele, vermelhidão, sentir formigamento ou se houver inchaço nos pés e tornozelos ao final do dia, a peça está prejudicando a sua circulação.

    2. Por que sinto formigamento nas pernas ao usar certas roupas?

    O formigamento ocorre devido à compressão dos nervos periféricos e da microcirculação. O fluxo sanguíneo reduzido impede que os nervos recebam oxigênio e nutrientes adequadamente, causando a sensação de dormência.

    3. Além das roupas, o que mais prejudica a circulação?

    Os principais fatores que afetam a circulação são o sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de sal, obesidade, ficar em pé ou sentado por muitas horas seguidas e o envelhecimento natural das veias.

    4. O uso de sutiã muito apertado prejudica a circulação?

    Sim, sutiãs com aros ou alças muito estreitas e apertadas podem comprimir os linfonodos da região das axilas e tórax, além de causar dores nos ombros e má postura.

    5. O que fazer para aliviar a má circulação após usar roupa justa?

    Após tirar a roupa, deite-se com as pernas elevadas acima do nível do coração por 15 a 20 minutos. Isso facilita o retorno venoso por gravidade e ajuda a reduzir o inchaço acumulado.

    6. Existe relação entre roupas justas e pressão alta?

    Não diretamente, mas a compressão abdominal excessiva (como em cintas muito apertadas) pode causar desconforto e estresse ao sistema cardiovascular, o que pode gerar picos temporários de pressão em pessoas sensíveis.

    7. Quais são os melhores exercícios para quem sofre de má circulação?

    Atividades como caminhada, natação, ciclismo e hidroginástica são ótimos, pois estimulam o fluxo sanguíneo sem causar impacto excessivo ou compressão mecânica nas articulações e vasos.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • Erisipela: veja o que é, sintomas e como é feito o tratamento

    Erisipela: veja o que é, sintomas e como é feito o tratamento

    Vermelhidão intensa na pele, dor, inchaço e febre alta são apenas alguns dos sintomas da erisipela, uma infecção bacteriana da pele que afeta principalmente as pernas, mas que também pode surgir no rosto, nos braços ou em outras partes do corpo.

    A doença costuma aparecer de forma rápida e bem visível, por isso a procura por atendimento médico deve acontecer o quanto antes, para evitar que a infecção aumente ou se espalhe. Para entender como é causada, se é contagiosa e tratamento, conversamos com o cirurgião vascular Marcelo Dalio. Confira, a seguir.

    O que é erisipela?

    A erisipela é uma infecção bacteriana da pele que atinge as camadas mais superficiais, além dos vasos linfáticos. Ela é normalmente causada pela bactéria Streptococcus pyogenes, que entra no organismo através de pequenas aberturas na pele, muitas vezes quase imperceptíveis, como:

    • Micoses entre os dedos (frieiras);
    • Cortes ou arranhões;
    • Picadas de insetos;
    • Úlceras nas pernas.

    A infecção pode surgir em qualquer parte do corpo, mas aparece com mais frequência nas pernas devido aos problemas de circulação, ao inchaço ou às pequenas lesões que costumam ocorrer nessa região. Em alguns casos, ela também pode afetar o rosto ou membros superiores, de acordo com Marcelo.

    Quem tem mais risco de ter erisipela?

    As causas da erisipela estão relacionadas principalmente à entrada de bactérias na pele, normalmente através de pequenas lesões que muitas vezes passam despercebidas. Além das lesões na pele e micoses (especialmente nos pés), os fatores que facilitam o surgimento da erisipela incluem:

    • Problemas de circulação, pois a má circulação sanguínea e o inchaço nas pernas aumentam o risco, uma vez que dificultam a defesa natural do organismo na região;
    • Diabetes, que pode prejudicar a cicatrização e a imunidade, favorecendo o desenvolvimento da infecção;
    • Sistema imunológico enfraquecido, seja por doenças crônicas, uso de alguns medicamentos ou situações que reduzem a imunidade;
    • Sobrepeso e obesidade, que podem favorecer o inchaço nas pernas e a dificuldade de circulação, aumentando o risco.

    Em pessoas com diabetes, imunidade baixa ou flora bacteriana alterada, Marcelo explica que os quadros tendem a ser mais graves.

    Quais os sintomas da erisipela?

    Os sintomas da erisipela costumam aparecer de forma rápida e podem causar bastante desconforto. Como se trata de uma infecção bacteriana da pele, os sinais geralmente são visíveis e acompanhados de sintomas gerais no corpo. No início, a pessoa pode apresentar:

    • Febre alta (acima de 38°C);
    • Calafrios e tremores;
    • Mal-estar intenso, náuseas ou vômitos;
    • Sudorese;
    • Aumento dos gânglios da virilha (as chamadas ínguas);
    • Dor de cabeça.

    Depois, conforme a infecção evolui, aparecem sintomas mais específicos no local afetado, como:

    • Vermelhidão na pele, que fica brilhante, quente ao toque e com bordas;
    • Dor e sensibilidade;
    • Inchaço na pele, causando sensação de peso ou pressão;
    • Sensação de calor na região;
    • Bolhas ou manchas escuras.

    Se houver suspeita de erisipela, a procura por atendimento médico deve ser rápida, pois o tratamento precoce com antibióticos ajuda a evitar a piora da infecção e possíveis complicações.

    Erisipela é contagiosa?

    A erisipela não costuma ser contagiosa. Apesar de ser causada por uma bactéria, a infecção normalmente surge quando o microrganismo entra na pele por meio de um corte, uma rachadura, uma frieira ou qualquer outra pequena lesão. Não é comum desenvolver erisipela apenas por estar próximo ou conviver com alguém que esteja com o problema.

    O que acontece, na maioria das vezes, é que a própria bactéria, que já pode estar presente na pele, aproveita uma porta de entrada para causar a infecção. Por isso, o foco maior deve ser o cuidado com a pele e com pequenas lesões, e não com o afastamento da pessoa com erisipela.

    Diagnóstico da erisipela

    O diagnóstico da erisipela é feito, na maioria das vezes, por meio da avaliação clínica. O médico observa os sinais na pele, como a vermelhidão intensa, o inchaço, o calor local e as bordas bem definidas da lesão, além de considerar sintomas como febre, calafrios e mal-estar.

    Durante a consulta, também são feitas perguntas sobre o início dos sintomas, a presença de feridas, micoses, cortes recentes ou doenças como diabetes e problemas de circulação, que podem aumentar o risco da infecção.

    Na maioria das vezes, não são necessários exames de sangue ou de imagem para diagnosticar a erisipela simples. No entanto, o médico pode solicitá-los quando o quadro está mais grave ou quando o paciente apresenta outras condições de saúde, como diabetes.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento da erisipela é feito principalmente com o uso de antibióticos por via oral e, na maioria dos casos, pode ser realizado em casa, com acompanhamento médico e atenção aos sintomas. Em situações mais graves, especialmente em idosos ou pacientes com doenças associadas, Marcelo explica que pode ser necessário antibiótico injetável.

    Para aliviar os sintomas, o médico também pode prescrever o uso de analgésicos e antitérmicos, para controlar a dor e a febre, e anti-inflamatórios, para reduzir o inchaço mais rápido, dependendo da avaliação médica.

    Importante: nunca interrompa o tratamento antes do prazo indicado, mesmo que a mancha desapareça, pois isso ajuda a evitar o retorno da infecção e o agravamento do quadro.

    Cuidados com o local da infecção

    Os cuidados com a região afetada pela erisipela ajudam a aliviar a dor, reduzir o inchaço e favorecer a recuperação. Além do uso do antibiótico indicado pelo médico, algumas medidas simples fazem bastante diferença no dia a dia, como:

    • Evitar esforços e caminhadas prolongadas, principalmente quando a infecção está nas pernas. O excesso de movimento pode aumentar o inchaço e a inflamação;
    • Manter a perna elevada, acima do nível do coração, sempre que possível. A posição ajuda o sistema linfático a drenar o excesso de líquido, diminuindo o inchaço e a dor latejante;
    • Lavar a área afetada com água e sabão neutro, sem esfregar ou fazer pressão;
    • Quando indicadas, as compressas frias com soro fisiológico podem aliviar a sensação de calor e o desconforto local.

    Também é necessário cuidar de frieiras, cortes, rachaduras ou feridas com pomadas adequadas, como antifúngicas ou cicatrizantes, para evitar que a bactéria volte a penetrar na pele.

    Quando é necessário cirurgia de erisipela?

    A maioria dos casos de erisipela pode ser tratada apenas com antibiótico e repouso, mas quando a infecção se espalha ou causa danos graves aos tecidos, pode ser necessária uma cirurgia para remover e drenar grandes áreas necróticas e com pus, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia.

    Se você ou alguém próximo estiver tratando uma erisipela, fique alerta aos sinais de alerta, como:

    • Aparecimento de bolhas com sangue ou de cor arroxeada;
    • Pele ficando preta ou acinzentada;
    • Dor que não melhora nem um pouco com analgésicos fortes;
    • Sensação de “estalo” ou crepitação ao apertar a pele (como se houvesse ar por baixo).

    É possível prevenir a erisipela?

    A prevenção da erisipela envolve principalmente cuidados com a pele, controle de doenças associadas e atenção a fatores que facilitam a entrada de bactérias. Algumas medidas importantes incluem:

    • Manter a pele limpa e bem cuidada;
    • Evitar feridas, cortes, traumas e picadas de insetos;
    • Tratar micoses e problemas de pele, como o pé de atleta;
    • Cuidar da circulação e reduzir o inchaço nas pernas;
    • Manter o diabetes bem controlado;
    • Seguir orientação médica para descolonização da pele, quando indicado;
    • Em casos de erisipela repetição, pode ser indicada penicilina benzatina intramuscular a cada 21 dias, conforme avaliação médica. Nunca tome remédios sem orientação de um profissional!

    Complicações da erisipela

    A falta de tratamento ou o atraso no diagnóstico pode levar a complicações sérias da erisipela, pois a infecção pode se espalhar rapidamente e atingir camadas mais profundas da pele.

    Quando não tratada de forma adequada, a condição pode evoluir com aumento da área de vermelhidão, dor mais intensa e inchaço acentuado. Em alguns casos, pode ocorrer a formação de bolhas ou abscessos, além do comprometimento dos vasos linfáticos, o que favorece o surgimento de inchaço crônico na região afetada.

    Em situações mais graves, a bactéria pode alcançar a corrente sanguínea, provocando um quadro de infecção generalizada, conhecida como sepse, que exige atendimento médico imediato.

    Por isso, o tratamento da erisipela deve começar o quanto antes para garantir que a bactéria seja eliminada antes de causar danos irreversíveis.

    Veja também: Antibióticos: por que não devem ser usados sem prescrição médica?

    Perguntas frequentes

    1. Erisipela e celulite infecciosa são a mesma coisa?

    Não. A erisipela atinge as camadas mais superficiais da pele e tem bordas bem definidas, enquanto a celulite atinge a gordura profunda e é mais espalhada.

    2. Quanto tempo dura o tratamento?

    Normalmente entre 7 a 14 dias de antibiótico. A melhora dos sintomas costuma vir em 48h, mas o remédio deve ser tomado até o fim.

    3. O que acontece se eu não tratar?

    A infecção pode se espalhar para o sangue (septicemia), causar abscessos ou destruir os vasos linfáticos, deixando a perna permanentemente inchada (elefantíase).

    4. Existe algum alimento que ajuda ou piora a erisipela?

    Não há um alimento que cause a doença, mas recomenda-se uma dieta com pouco sal para não aumentar a retenção de líquidos e o inchaço.

    5. A erisipela deixa cicatrizes ou manchas?

    Em casos leves, a pele apenas descama e volta ao normal. Em casos com bolhas ou feridas, pode haver escurecimento da pele (hiperpigmentação) ou cicatrizes. Hidratar bem a pele após a cura ajuda a minimizar esses efeitos.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • Vasculite: o que é, sintomas e como é feito o tratamento da condição

    Vasculite: o que é, sintomas e como é feito o tratamento da condição

    A vasculite é uma inflamação que afeta os vasos sanguíneos, estruturas do sistema circulatório responsáveis por transportar o sangue por todo o corpo.

    Como elas estão presentes em praticamente todos os órgãos e tecidos, a condição pode se manifestar de formas diferentes. Por isso, os sintomas variam muito de uma pessoa para outra, indo de quadros leves até situações mais graves.

    Conversamos com o cirurgião vascular Marcelo Dalio para entender como ela afeta o organismo, os principais sintomas e como é feito o diagnóstico.

    O que é vasculite?

    A vasculite é uma condição caracterizada pela inflamação dos vasos sanguíneos. Quando isso acontece, as paredes dos vasos podem ficar mais espessas, estreitas ou até se fechar, dificultando a passagem do sangue, de acordo com Marcelo Dalio.

    Como os vasos sanguíneos estão distribuídos por todo o corpo, a vasculite pode atingir diferentes órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins, pulmões, nervos e cérebro. Isso explica porque os sintomas variam tanto de uma pessoa para outra, indo de quadros leves até situações mais graves.

    Como a vasculite afeta o corpo?

    A vasculite compromete o organismo por meio de um processo inflamatório que altera a estrutura física das paredes dos vasos sanguíneos, sejam eles artérias, veias ou capilares.

    Quando a parede vascular inflama, ela pode ficar mais grossa, diminuindo o espaço por onde o sangue passa, o que é conhecido como estenose.

    A obstrução parcial ou total restringe a passagem do fluxo sanguíneo, resultando em isquemia, que é a privação de oxigênio e nutrientes essenciais para a sobrevivência dos tecidos e órgãos.

    Se essa falta de circulação for intensa e durar muito tempo, pode ocorrer a morte do tecido, conhecida como necrose.

    Em outros casos, a inflamação pode levar ao enfraquecimento da parede do vaso sanguíneo, tornando-o vulnerável à pressão interna do sangue. O processo favorece a formação de aneurismas, dilatações anormais que apresentam risco elevado de ruptura e hemorragia.

    Quais os tipos de vasculite?

    A condição é classificada em dois grandes grupos: as vasculites primárias, que ocorrem de forma isolada, e as vasculites secundárias, que surgem como consequência de outros fatores ou doenças preexistentes.

    Vasculite primária

    As vasculites primárias são doenças raras em que o vaso sanguíneo é o principal alvo da inflamação, sem uma causa claramente definida. A classificação depende, principalmente, do tamanho do vaso acometido.

    De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, elas podem ocorrer de duas formas:

    • Localizadas, quando atingem apenas um órgão ou tecido, como pele, olhos ou sistema nervoso central;
    • Sistêmicas, quando afetam vários órgãos ao mesmo tempo ou em momentos diferentes.

    Entre os principais exemplos estão vasculites de vasos grandes, médios e pequenos, cada uma com características próprias.

    Vasculite secundário

    As vasculites secundárias acontecem quando a inflamação dos vasos está relacionada a outra condição, como doenças autoimunes, infecções, câncer, uso de medicamentos ou exposição a determinadas substâncias. Nesses casos, a vasculite surge como consequência de outro problema de saúde.

    Classificação pelo tamanho dos vasos

    As vasculites também são classificadas de acordo com o tamanho dos vasos afetados, segundo Marcelo:

    • Vasculites de pequenos vasos: geralmente se manifestam na pele, causando manchas, púrpura ou feridas;
    • Vasculites de vasos médios: podem atingir artérias importantes, como as coronárias ou as artérias das pernas;
    • Vasculites de grandes vasos: acometem artérias maiores, como a aorta.

    Um exemplo de vasculite de vasos médios é a tromboangeíte obliterante, uma doença autoimune em que o tabagismo atua como gatilho da inflamação.

    Já entre as vasculites de grandes vasos, destaca-se a arterite de Takayasu, que afeta a aorta e pode comprometer a circulação em várias partes do corpo.

    O que causa a vasculite?

    Na maioria das vezes, a vasculite está relacionada a uma reação inadequada do sistema imunológico, que passa a atacar estruturas do próprio corpo. Nesse processo, os vasos sanguíneos se tornam o alvo da inflamação, como se o organismo os reconhecesse de forma equivocada como uma ameaça.

    No entanto, ela também pode estar associada a outros fatores que funcionam como gatilhos para o processo inflamatório, especialmente em pessoas com predisposição, como:

    • Doenças autoimunes sistêmicas: a vasculite pode surgir como complicação de outras doenças em que o sistema imunológico já funciona de forma desregulada, como lúpus, artrite reumatoide ou síndrome de Sjögren;
    • Infecções: alguns vírus e bactérias podem desencadear inflamação nos vasos sanguíneos. Entre os exemplos mais conhecidos estão os vírus das hepatites B e C, o HIV e infecções bacterianas mais graves, como a endocardite;
    • Reações a medicamentos: certos remédios, como antibióticos, anti-inflamatórios ou anticonvulsivantes, podem provocar uma reação exagerada do sistema imunológico, levando à inflamação dos vasos;
    • Câncer: embora seja menos comum, alguns tipos de câncer, especialmente leucemias e linfomas, podem estar associados ao surgimento de vasculite. Nesses casos, a inflamação ocorre como uma reação indireta do organismo à doença;
    • Fatores genéticos e ambientais: a combinação entre predisposição genética e contato com poluentes, toxinas ou outras agressões ambientais pode facilitar o desenvolvimento da vasculite em pessoas mais suscetíveis.

    Sintomas da vasculite

    Os sintomas de vasculite podem variar bastante, porque a inflamação pode atingir vasos sanguíneos de diferentes partes do corpo. Normalmente, os sinais aparecem de forma gradual e costumam persistir por semanas.

    Antes de surgir um sintoma específico, o corpo costuma dar sinais de inflamação, como:

    • Febre persistente;
    • Cansaço intenso;
    • Mal-estar geral;
    • Perda de peso sem explicação;
    • Dores musculares e articulares.

    Quando a inflamação se concentra em determinados vasos, os órgãos correspondentes começam a apresentar sintomas, como:

    • Pele: sendo uma das partes mais afetadas pela vasculite, podem surgir manchas arroxeadas que não somem quando apertadas, lesões parecidas com alergia, feridas abertas que demoram a cicatrizar ou caroços doloridos sob a pele;
    • Sistema nervoso: podem aparecer dormência, formigamento, perda de sensibilidade ou fraqueza repentina em uma mão ou em um pé. Quando o cérebro é afetado, podem surgir dor de cabeça forte, confusão mental ou dificuldade para pensar com clareza;
    • Rins: no início, a inflamação dos vasos dos rins pode não causar sintomas. Com o tempo, podem surgir sinais como urina com sangue, urina espumosa ou aumento repentino da pressão arterial;
    • Aparelho respiratório: a pessoa pode sentir falta de ar, ter tosse que não melhora ou, em casos mais graves, tossir com presença de sangue;
    • Aparelho digestivo: podem ocorrer dores fortes na barriga, principalmente após as refeições, além de sangue nas fezes;
    • Olhos e ouvidos: é possível notar olhos vermelhos, visão embaçada, perda repentina da audição ou zumbido constante nos ouvidos.

    Diagnóstico de vasculite

    O diagnóstico começa com uma avaliação clínica cuidadosa, uma vez que a vasculite é uma doença rara e com sintomas variados. Segundo Marcelo, o médico observa os sinais apresentados pela pessoa e analisa quais vasos sanguíneos podem estar afetados, sejam vasos grandes, médios, pequenos ou microvasos.

    Durante o exame físico, o especialista pode identificar alterações importantes, como a diminuição ou ausência de pulso em algumas artérias, especialmente quando vasos grandes estão envolvidos.

    Já nos casos de vasculite de pequenos vasos da pele, Marcelo aponta que não há alteração do pulso, mas podem surgir manchas arroxeadas, púrpura, feridas ou outras lesões cutâneas, com padrões que ajudam a orientar o diagnóstico.

    Também podem ser necessários outros exames, como:

    • Exames de imagem, como tomografia, ressonância ou arteriografia, para visualizar estreitamentos ou inflamações nos vasos sanguíneos;
    • Exames laboratoriais, como a dosagem da proteína C-reativa (PCR) e do VHS, que costumam mostrar sinais de inflamação no organismo. Em alguns tipos de vasculite, existem exames específicos que ajudam a confirmar o diagnóstico.

    Nas vasculites que afetam apenas a pele, o diagnóstico muitas vezes é clínico, baseado nos sintomas e no aspecto das lesões, sem necessidade de exames de imagem.

    Como é feito o tratamento de vasculite?

    O tratamento inicial da vasculite costuma ser clínico, a fim de controlar a inflamação dos vasos sanguíneos, aliviar os sintomas e evitar danos aos órgãos. A escolha do tratamento depende do tipo de vasculite, dos vasos atingidos e da gravidade do quadro.

    Na maioria dos casos, o tratamento é clínico, feito com o uso dos seguintes medicamentos:

    • Corticoides, que reduzem rapidamente a inflamação e costumam ser a base do tratamento inicial;
    • Imunossupressores, usados quando a inflamação é mais intensa ou não responde apenas ao corticoide;
    • Medicamentos imunobiológicos, mais recentes, que ajudam a modular a resposta do sistema imunológico de forma mais direcionada.

    Se a vasculite for desencadeada por uma infecção (como a hepatite C) ou pelo uso de algum medicamento, o tratamento da infecção ou a suspensão da substância é necessária para a recuperação.

    Segundo Marcelo, o tratamento e o acompanhamento costumam ser feitos pelo reumatologista, especialista em doenças autoimunes.

    Com o controle da inflamação, os sintomas tendem a melhorar, as lesões de pele regridem, a dor nas articulações diminui e a progressão da doença é interrompida.

    Quando é necessário tratamento vascular?

    Em alguns casos, a vasculite pode causar sequelas nos vasos, como estreitamentos ou obstruções importantes. Quando isso acontece, o cirurgião vascular pode atuar para corrigir essas alterações, principalmente se houver risco de perda de função, dificuldade para andar, AVC ou comprometimento de órgãos como os rins.

    Marcelo explica que essas correções podem ser feitas por procedimentos cirúrgicos ou endovasculares, sempre após o controle da inflamação.

    Vasculite precisa de acompanhamento a longo prazo?

    Mesmo após a melhora dos sintomas, o acompanhamento continua sendo importante, já que a vasculite pode voltar em alguns casos e o controle precoce ajuda a evitar complicações.

    Algumas pessoas entram em remissão completa e conseguem suspender os medicamentos, mantendo apenas o seguimento regular. Outras, segundo Marcelo, podem precisar de tratamento contínuo ou intermitente ao longo da vida.

    Quando ir ao médico?

    A avaliação médica é importante sempre que surgirem sintomas persistentes ou sem causa aparente, principalmente quando envolvem mais de uma parte do corpo. Alguns sinais merecem atenção especial:

    • Febre que dura vários dias sem explicação;
    • Cansaço intenso e mal-estar constante;
    • Dores nas articulações ou músculos que não melhoram;
    • Manchas arroxeadas, feridas ou lesões na pele sem motivo claro;
    • Perda de peso sem mudança na alimentação;
    • Dormência, formigamento ou fraqueza em braços ou pernas;
    • Falta de ar, tosse persistente ou presença de sangue ao tossir;
    • Dor abdominal forte ou sangue nas fezes;
    • Inchaço, alterações na urina ou aumento repentino da pressão arterial.

    Também é importante procurar um médico se houver histórico de doenças autoimunes, uso recente de medicamentos novos ou infecções, já que essas situações podem estar relacionadas ao surgimento da vasculite.

    Leia mais: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Perguntas frequentes

    1. A vasculite é considerada um tipo de câncer?

    Não, a vasculite é uma doença inflamatória, normalmente de origem autoimune, e não uma neoplasia. Contudo, em casos raros, ela pode surgir como uma reação secundária a algum tipo de câncer.

    2. A vasculite é contagiosa?

    Não, a vasculite não é uma doença infectocontagiosa. Ela decorre de uma disfunção do sistema imunológico ou de reações internas do organismo.

    3. Existe cura para a vasculite?

    Muitas formas de vasculite podem entrar em remissão completa, onde o paciente fica livre de sintomas e pode levar uma vida normal. No entanto, em muitos casos, ela é tratada como uma condição crônica que exige monitoramento contínuo.

    4. É seguro praticar exercícios físicos?

    Durante a fase aguda de inflamação, o repouso é normalmente indicado. Após o controle da doença, a atividade física é recomendada para combater os efeitos colaterais dos medicamentos e melhorar a saúde vascular.

    5. A vasculite pode causar cegueira?

    Sim, particularmente na Arterite de Células Gigantes. A inflamação das artérias que suprem o nervo óptico pode causar perda de visão súbita e irreversível se não for tratada como uma emergência médica.

    6. Qual a relação entre a vasculite e o fumo?

    O tabagismo é um fator de risco crítico para a vasculite, especialmente para a Tromboangeíte Obliterante (Doença de Buerger), um tipo de vasculite que afeta as extremidades e está diretamente ligada ao consumo de tabaco, podendo levar à amputação se o hábito não for interrompido.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • 6 doenças vasculares mais comuns após os 60 anos (e como prevenir)

    6 doenças vasculares mais comuns após os 60 anos (e como prevenir)

    O processo de envelhecimento é um dos principais fatores de risco para uma série de doenças crônicas e degenerativas, incluindo as doenças vasculares, uma vez que, ao longo dos anos, os vasos sanguíneos passam por alterações estruturais e endoteliais progressivas que favorecem o surgimento de problemas na circulação.

    De acordo com o cirurgião vascular Marcelo Dalio, as doenças vasculares não surgem de forma repentina, mas se desenvolvem de maneira progressiva ao longo da vida.

    Muitas têm início por volta dos 40 ou 50 anos, mas costumam se manifestar entre os 60 e 70 anos, fase em que os sintomas passam a se tornar mais evidentes. Entenda mais, a seguir.

    Por que as doenças vasculares se tornam mais frequentes com o envelhecimento?

    Com o passar dos anos, os vasos sanguíneos vão perdendo elasticidade e a circulação fica mais lenta. Como resultado, o sangue circula com mais dificuldade, aumentando o risco de problemas nas artérias, veias e no sistema linfático.

    Para completar, fatores como pressão alta, colesterol elevado, diabetes, sedentarismo e hábitos mantidos ao longo da vida acabam sobrecarregando a circulação, fazendo com que doenças que começaram de forma silenciosa passem a dar sintomas após os 60 anos.

    Entre algumas das doenças arteriais, venosas e linfáticas mais frequentes nessa fase da vida, é possível destacar:

    Doenças arteriais

    As doenças arteriais acontecem quando as artérias, responsáveis por levar o sangue rico em oxigênio para todo o corpo, passam por alterações ao longo do tempo. A partir de certa idade, as estruturas tendem a ficar mais rígidas e estreitas, prejudicando a circulação.

    1. Aterosclerose

    A aterosclerose é uma doença que ocorre pelo acúmulo de placas de gordura na parede das artérias, o que reduz a passagem do sangue, sendo uma das mais comuns após os 60 anos de idade. Segundo Marcelo, o processo pode afetar a:

    • Artéria carótida: quando a aterosclerose afeta a artéria carótida, localizada no pescoço e responsável por levar sangue ao cérebro, o risco de AVC aumenta. Muitas vezes, a pessoa não sente sintomas até que o problema esteja mais avançado;
    • Artérias das pernas: nas artérias dos membros inferiores, a aterosclerose pode causar dor ao caminhar, sensação de peso nas pernas e dificuldade para andar longas distâncias. Em casos mais graves, surgem feridas de difícil cicatrização, que podem evoluir para complicações importantes;
    • Aorta e artérias abdominais: a aterosclerose também pode atingir a aorta e as artérias do abdômen, comprometendo o fluxo de sangue para órgãos vitais. As alterações costumam ser silenciosas e normalmente são detectadas em exames de rotina.

    O cirurgião vascular explica que a aterosclerose começa muito cedo, ainda na infância, com o acúmulo progressivo de gordura nas paredes das artérias. Ao longo dos anos, essas placas aumentam de forma lenta e contínua.

    Aos 60 ou 70 anos, muitas vezes já existe um estreitamento significativo das artérias, capaz de provocar sintomas.

    2. Aneurismas

    O aneurisma é uma dilatação anormal de uma artéria, causada pelo enfraquecimento da parede do vaso sanguíneo. Com o tempo, essa região dilatada pode aumentar de tamanho, tornando a artéria mais frágil e suscetível à ruptura.

    Segundo Marcelo, em algumas pessoas a parede do vaso é naturalmente mais frágil, mas, na juventude, ainda não houve tempo suficiente para que a dilatação se manifestasse. Com o avanço da idade, a artéria passa a se dilatar de forma lenta e progressiva, podendo se tornar perigosa após os 60 anos, devido ao risco de ruptura.

    Doenças venosas

    As doenças venosas estão relacionadas à dificuldade das veias em levar o sangue de volta ao coração, algo que tende a piorar com a idade.

    3. Varizes

    As varizes são veias dilatadas e tortuosas, comuns de surgirem nas pernas. Elas podem aparecer ainda na vida adulta e aumentar com o passar do tempo, principalmente quando não há tratamento adequado ou uso de meia de compressão.

    Além do desconforto estético, depois dos 60 anos, Marcelo aponta que o quadro pode evoluir para uma doença venosa mais avançada, com pernas inchadas, manchas na pele e até feridas, chamadas de úlceras venosas.

    4. Insuficiência venosa avançada

    Quando as varizes e a dificuldade de retorno do sangue não são tratadas, o quadro pode evoluir para insuficiência venosa crônica.

    Nessa fase, o inchaço passa a ser mais frequente, a pele das pernas pode ficar escurecida, mais dura e ressecada, além de surgir sensação constante de peso, cansaço e dor. Com o tempo, a circulação piora e o risco de complicações aumenta.

    5. Úlceras venosas

    As úlceras venosas são feridas abertas que aparecem, na maioria das vezes, nas pernas, perto do tornozelo, e demoram para cicatrizar. Elas surgem quando a doença venosa já está em estágio avançado e a circulação está bastante comprometida, e podem causar problemas como dor, desconforto e infecções.

    Doenças linfáticas

    As doenças linfáticas afetam o sistema linfático, responsável por drenar líquidos do organismo e ajudar na defesa do corpo.

    6. Linfedema

    O linfedema é caracterizado por inchaço persistente, normalmente em uma ou ambas as pernas, causado pela dificuldade de drenagem da linfa. Diferente do inchaço comum, o linfedema tende a não melhorar completamente com repouso.

    Com o avanço da idade, alterações no sistema linfático podem favorecer o aparecimento do problema, que exige acompanhamento e cuidados contínuos para controle dos sintomas.

    Quais sinais merecem atenção após os 60 anos?

    Alguns sinais merecem atenção especial e não devem ser atribuídos apenas à idade, como:

    • Inchaço nas pernas, principalmente quando é frequente ou persistente;
    • Dor nas pernas ou sensação de peso e cansaço ao longo do dia;
    • Desconforto ao caminhar ou dificuldade para andar por longas distâncias;
    • Mudanças na pele das pernas, como escurecimento, endurecimento ou ressecamento;
    • Feridas nas pernas que demoram a cicatrizar;
    • Cansaço excessivo sem causa aparente.

    Vale apontar que mesmo quando o tratamento é limitado, a avaliação médica continua sendo importante. Em muitos casos, medidas simples ajudam a aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

    O que fazer para prevenir ou controlar doenças vasculares na terceira idade?

    O foco deve ser o controle dos fatores de risco e a preservação de uma boa circulação sanguínea, por meio de medidas simples que ajudam a manter os vasos mais saudáveis, como:

    • Manter acompanhamento médico regular, mesmo na ausência de sintomas;
    • Investigar qualquer sinal persistente, como inchaço, dor ou cansaço nas pernas;
    • Praticar atividade física de forma regular, respeitando os limites do corpo;
    • Evitar longos períodos sentado ou em pé, movimentando as pernas ao longo do dia;
    • Manter uma alimentação equilibrada, com pouco sal e rica em alimentos naturais;
    • Controlar fatores de risco, como pressão alta, diabetes e colesterol elevado;
    • Beber água ao longo do dia para ajudar no equilíbrio dos líquidos do corpo;
    • Usar meias de compressão quando houver indicação médica;
    • Seguir corretamente o tratamento indicado pelo profissional de saúde.

    De acordo com Marcelo, o ideal é não esperar que a doença se torne mais grave e difícil de tratar. Ao menor sinal de alteração, a avaliação médica permite identificar o problema ainda no início e adotar medidas que ajudam a controlar os sintomas, evitar complicações e preservar a qualidade de vida ao longo dos anos.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

    Perguntas frequentes

    1. A genética influencia o surgimento dessas doenças na terceira idade?

    Sim, o histórico familiar de varizes, aneurismas ou aterosclerose precoce aumenta consideravelmente o risco, embora hábitos saudáveis possam retardar o aparecimento.

    2. Quais os sintomas de entupimento das artérias das pernas?

    O sintoma mais comum é a claudicação intermitente, caracterizada por dor, cãibra ou sensação de aperto na panturrilha que surge durante a caminhada e melhora poucos minutos após o repouso.

    O desconforto aparece porque o sangue não consegue chegar adequadamente aos músculos durante o esforço, sendo um sinal importante de comprometimento da circulação nas pernas.

    3. Qual a diferença entre inchaço comum e linfedema?

    O inchaço comum costuma melhorar com repouso. O linfedema é o acúmulo de linfa (líquido rico em proteínas) devido a falhas nos vasos linfáticos, resultando em um inchaço mais rígido e difícil de tratar.

    4. Como diferenciar uma dor muscular de uma dor vascular?

    As dores vasculares geralmente estão ligadas ao esforço (arterial) ou ao final do dia/calor (venosa). Já as dores musculares costumam estar relacionadas a movimentos específicos ou traumas.

    5. Meias de compressão podem ser usadas por qualquer idoso?

    Não. Idosos com doenças arteriais graves não devem usar meias de compressão, pois elas podem piorar a falta de sangue. O uso deve ser sempre prescrito por um médico.

    6. O consumo moderado de álcool ajuda ou atrapalha a circulação nesta idade?

    O excesso de álcool desidrata o corpo e pode inflamar os vasos. Embora se fale muito sobre o resveratrol no vinho, o benefício é pequeno comparado aos riscos do álcool para quem já toma remédios para pressão ou diabetes.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • Quer tratar varizes e vasinhos? Saiba qual a melhor época do ano para fazer isso

    Quer tratar varizes e vasinhos? Saiba qual a melhor época do ano para fazer isso

    Sabe aquelas veias dilatadas e tortuosas que ficam abaixo da pele, em especial nas pernas? Conhecidas como varizes, elas não são apenas problemas estéticos e, ao longo do tempo, podem causar sintomas como dor, sensação de peso, cansaço e inchaço — além de favorecer alterações na pele e o surgimento de feridas.

    Os vasinhos, que são microvarizes finais e superficiais, também merecem attention, uma vez que podem indicar alterações na circulação e tendem a aumentar com o passar dos anos, especialmente quando não há acompanhamento ou cuidados adequados.

    Mas afinal, será que existe uma melhor época do ano para fazer o tratamento de remoção de varizes e vasinhos? Conversamos com o cirurgião vascular Marcelo Dalio para responder essa dúvida. Confira!

    Existe uma época certa para tratar varizes e vasinhos?

    Não existe uma época obrigatória para tratar varizes e vasinhos. Segundo o especialista, o tratamento pode ser feito em qualquer período do ano, desde que sejam seguidas corretamente as orientações médicas. Quando há urgência ou necessidade clínica, qualquer época do ano é adequada.

    No entanto, muitas pessoas preferem o inverno porque o clima mais ameno facilita o uso de meias de compressão, o repouso e a proteção da pele do sol, cuidados que costumam fazer parte do pós-tratamento.

    O tratamento de varizes no verão é possível?

    Não existe nenhuma contraindicação para realizar o tratamento de varizes e vasinhos no verão, desde que a pessoa siga corretamente as orientações médicas.

    Nessa época do ano, o principal cuidado costuma ser evitar exposição ao sol após procedimentos como aplicações e laser, além de respeitar o período de repouso indicado.

    Quando há um ambiente mais fresco e a pessoa consegue manter os cuidados, o tratamento pode ser feito com segurança, mesmo nos dias mais quentes.

    Quais cuidados são necessários após o tratamento?

    Os cuidados pós-tratamento de varizes e vasinhos podem variar de acordo com o tipo de procedimento realizado, mas, de forma geral, seguem algumas orientações comuns, como:

    • Usar meia de compressão pelo período indicado pelo médico;
    • Evitar exposição direta ao sol, principalmente após aplicações e laser;
    • Respeitar o tempo de repouso recomendado, especialmente após procedimentos cirúrgicos;
    • Manter as pernas elevadas sempre que possível, principalmente no fim do dia;
    • Evitar atividades físicas intensas nas primeiras semanas;
    • Seguir corretamente o uso de medicamentos prescritos;
    • Retornar às consultas de acompanhamento para avaliar a evolução do tratamento.

    Por que as manchas podem surgir no pós-tratamento?

    A pele passa por um processo inflamatório após procedimentos como aplicações e laser. Durante a recuperação, pode ocorrer liberação de pigmentos na região tratada, principalmente quando há exposição ao sol ou quando a pele é mais sensível.

    Pequenos vasos tratados também podem deixar resíduos de sangue sob a pele, o que também contribui para o aparecimento de manchas temporárias.

    Na maioria dos casos, as manchas tendem a clarear com o tempo, especialmente quando os cuidados pós-tratamento são seguidos corretamente. Por isso, lembre-se sempre do protetor solar, mesmo quando não há exposição solar.

    O que esperar após os procedimentos vasculares

    Depois do tratamento, é comum o corpo passar por um período de adaptação e recuperação. Na maioria dos casos, as reações fazem parte do processo normal de cicatrização e tendem a melhorar com o passar dos dias ou semanas. Entre alguns dos sinais possíveis, estão:

    • Leve dor ou desconforto na região tratada;
    • Inchaço temporário nas pernas;
    • Pequenos hematomas ou manchas na pele;
    • Sensação de peso ou sensibilidade local;
    • Endurecimento passageiro ao longo das veias tratadas.

    As alterações costumam ser temporárias e melhoram gradualmente, especialmente quando as orientações médicas são seguidas corretamente.

    Quando o tratamento de varizes e vasinhos deve ser adiado?

    O tratamento de varizes e vasinhos deve ser adiado quando não é possível seguir corretamente os cuidados necessários no pós-procedimento. Por exemplo, situações como viagens com exposição intensa ao sol, dificuldade para realizar repouso, impossibilidade de usar meia de compressão ou ausência de acompanhamento médico adequado podem comprometer a recuperação.

    Além disso, em casos de infecções ativas, feridas abertas, alterações clínicas descompensadas ou outras condições de saúde que aumentem o risco do procedimento, o ideal é postergar o tratamento até que o quadro esteja controlado.

    A decisão deve ser tomada junto ao médico, avaliando os riscos e o momento mais seguro para realizar o procedimento.

    E quando ele é uma emergência?

    O tratamento de varizes é considerado uma emergência em situações como dor intensa, inchaço importante, inflamação, sangramento das varizes, feridas nas pernas ou risco de complicações. Nessas situações, é necessária uma avaliação e intervenção imediata, independentemente da época do ano.

    A prioridade é controlar o problema, aliviar os sintomas e evitar a piora do quadro. Os cuidados após o tratamento continuam sendo importantes, mas a necessidade de tratar vem antes da escolha do período do ano.

    Leia mais: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Perguntas frequentes

    1. Por que não posso tomar sol após as sessões de escleroterapia (aplicação)?

    O sol reage com os pequenos hematomas (roxos) ou com a inflamação do vaso tratado, fixando o pigmento do sangue na pele. Isso causa manchas escuras (hiperpigmentação) que podem demorar meses para sair.

    2. O protetor solar substitui a necessidade de evitar o sol?

    Não totalmente. O protetor ajuda, mas o calor excessivo do sol também causa dilatação dos vasos, o que pode atrapalhar o fechamento do vasinho que acabou de ser tratado.

    3. Se eu fizer cirurgia de varizes, quanto tempo fico longe da academia?

    Normalmente, de 7 a 15 dias para atividades leves (caminhadas) e até 30 dias para exercícios de alto impacto ou musculação pesada. No inverno, a pausa costuma ser menos frustrante para muitos pacientes.

    4. O laser transdérmico para vasinhos exige menos tempo de repouso?

    Sim, o laser é menos invasivo que a cirurgia convencional, mas ainda assim exige cuidados com o sol, pois a luz do laser sensibiliza a pele.

    5. Vasinhos tratados podem voltar?

    Os vasos tratados são eliminados, mas a predisposição genética continua. Por isso, tratar na “baixa temporada” (inverno) permite que você faça a manutenção anual necessária.

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