Autor: Dr. Marcelo Bellini Dalio

  • Vasculite: o que é, sintomas e como é feito o tratamento da condição

    Vasculite: o que é, sintomas e como é feito o tratamento da condição

    A vasculite é uma inflamação que afeta os vasos sanguíneos, estruturas do sistema circulatório responsáveis por transportar o sangue por todo o corpo.

    Como elas estão presentes em praticamente todos os órgãos e tecidos, a condição pode se manifestar de formas diferentes. Por isso, os sintomas variam muito de uma pessoa para outra, indo de quadros leves até situações mais graves.

    Conversamos com o cirurgião vascular Marcelo Dalio para entender como ela afeta o organismo, os principais sintomas e como é feito o diagnóstico.

    O que é vasculite?

    A vasculite é uma condição caracterizada pela inflamação dos vasos sanguíneos. Quando isso acontece, as paredes dos vasos podem ficar mais espessas, estreitas ou até se fechar, dificultando a passagem do sangue, de acordo com Marcelo Dalio.

    Como os vasos sanguíneos estão distribuídos por todo o corpo, a vasculite pode atingir diferentes órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins, pulmões, nervos e cérebro. Isso explica porque os sintomas variam tanto de uma pessoa para outra, indo de quadros leves até situações mais graves.

    Como a vasculite afeta o corpo?

    A vasculite compromete o organismo por meio de um processo inflamatório que altera a estrutura física das paredes dos vasos sanguíneos, sejam eles artérias, veias ou capilares.

    Quando a parede vascular inflama, ela pode ficar mais grossa, diminuindo o espaço por onde o sangue passa, o que é conhecido como estenose.

    A obstrução parcial ou total restringe a passagem do fluxo sanguíneo, resultando em isquemia, que é a privação de oxigênio e nutrientes essenciais para a sobrevivência dos tecidos e órgãos.

    Se essa falta de circulação for intensa e durar muito tempo, pode ocorrer a morte do tecido, conhecida como necrose.

    Em outros casos, a inflamação pode levar ao enfraquecimento da parede do vaso sanguíneo, tornando-o vulnerável à pressão interna do sangue. O processo favorece a formação de aneurismas, dilatações anormais que apresentam risco elevado de ruptura e hemorragia.

    Quais os tipos de vasculite?

    A condição é classificada em dois grandes grupos: as vasculites primárias, que ocorrem de forma isolada, e as vasculites secundárias, que surgem como consequência de outros fatores ou doenças preexistentes.

    Vasculite primária

    As vasculites primárias são doenças raras em que o vaso sanguíneo é o principal alvo da inflamação, sem uma causa claramente definida. A classificação depende, principalmente, do tamanho do vaso acometido.

    De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, elas podem ocorrer de duas formas:

    • Localizadas, quando atingem apenas um órgão ou tecido, como pele, olhos ou sistema nervoso central;
    • Sistêmicas, quando afetam vários órgãos ao mesmo tempo ou em momentos diferentes.

    Entre os principais exemplos estão vasculites de vasos grandes, médios e pequenos, cada uma com características próprias.

    Vasculite secundário

    As vasculites secundárias acontecem quando a inflamação dos vasos está relacionada a outra condição, como doenças autoimunes, infecções, câncer, uso de medicamentos ou exposição a determinadas substâncias. Nesses casos, a vasculite surge como consequência de outro problema de saúde.

    Classificação pelo tamanho dos vasos

    As vasculites também são classificadas de acordo com o tamanho dos vasos afetados, segundo Marcelo:

    • Vasculites de pequenos vasos: geralmente se manifestam na pele, causando manchas, púrpura ou feridas;
    • Vasculites de vasos médios: podem atingir artérias importantes, como as coronárias ou as artérias das pernas;
    • Vasculites de grandes vasos: acometem artérias maiores, como a aorta.

    Um exemplo de vasculite de vasos médios é a tromboangeíte obliterante, uma doença autoimune em que o tabagismo atua como gatilho da inflamação.

    Já entre as vasculites de grandes vasos, destaca-se a arterite de Takayasu, que afeta a aorta e pode comprometer a circulação em várias partes do corpo.

    O que causa a vasculite?

    Na maioria das vezes, a vasculite está relacionada a uma reação inadequada do sistema imunológico, que passa a atacar estruturas do próprio corpo. Nesse processo, os vasos sanguíneos se tornam o alvo da inflamação, como se o organismo os reconhecesse de forma equivocada como uma ameaça.

    No entanto, ela também pode estar associada a outros fatores que funcionam como gatilhos para o processo inflamatório, especialmente em pessoas com predisposição, como:

    • Doenças autoimunes sistêmicas: a vasculite pode surgir como complicação de outras doenças em que o sistema imunológico já funciona de forma desregulada, como lúpus, artrite reumatoide ou síndrome de Sjögren;
    • Infecções: alguns vírus e bactérias podem desencadear inflamação nos vasos sanguíneos. Entre os exemplos mais conhecidos estão os vírus das hepatites B e C, o HIV e infecções bacterianas mais graves, como a endocardite;
    • Reações a medicamentos: certos remédios, como antibióticos, anti-inflamatórios ou anticonvulsivantes, podem provocar uma reação exagerada do sistema imunológico, levando à inflamação dos vasos;
    • Câncer: embora seja menos comum, alguns tipos de câncer, especialmente leucemias e linfomas, podem estar associados ao surgimento de vasculite. Nesses casos, a inflamação ocorre como uma reação indireta do organismo à doença;
    • Fatores genéticos e ambientais: a combinação entre predisposição genética e contato com poluentes, toxinas ou outras agressões ambientais pode facilitar o desenvolvimento da vasculite em pessoas mais suscetíveis.

    Sintomas da vasculite

    Os sintomas de vasculite podem variar bastante, porque a inflamação pode atingir vasos sanguíneos de diferentes partes do corpo. Normalmente, os sinais aparecem de forma gradual e costumam persistir por semanas.

    Antes de surgir um sintoma específico, o corpo costuma dar sinais de inflamação, como:

    • Febre persistente;
    • Cansaço intenso;
    • Mal-estar geral;
    • Perda de peso sem explicação;
    • Dores musculares e articulares.

    Quando a inflamação se concentra em determinados vasos, os órgãos correspondentes começam a apresentar sintomas, como:

    • Pele: sendo uma das partes mais afetadas pela vasculite, podem surgir manchas arroxeadas que não somem quando apertadas, lesões parecidas com alergia, feridas abertas que demoram a cicatrizar ou caroços doloridos sob a pele;
    • Sistema nervoso: podem aparecer dormência, formigamento, perda de sensibilidade ou fraqueza repentina em uma mão ou em um pé. Quando o cérebro é afetado, podem surgir dor de cabeça forte, confusão mental ou dificuldade para pensar com clareza;
    • Rins: no início, a inflamação dos vasos dos rins pode não causar sintomas. Com o tempo, podem surgir sinais como urina com sangue, urina espumosa ou aumento repentino da pressão arterial;
    • Aparelho respiratório: a pessoa pode sentir falta de ar, ter tosse que não melhora ou, em casos mais graves, tossir com presença de sangue;
    • Aparelho digestivo: podem ocorrer dores fortes na barriga, principalmente após as refeições, além de sangue nas fezes;
    • Olhos e ouvidos: é possível notar olhos vermelhos, visão embaçada, perda repentina da audição ou zumbido constante nos ouvidos.

    Diagnóstico de vasculite

    O diagnóstico começa com uma avaliação clínica cuidadosa, uma vez que a vasculite é uma doença rara e com sintomas variados. Segundo Marcelo, o médico observa os sinais apresentados pela pessoa e analisa quais vasos sanguíneos podem estar afetados, sejam vasos grandes, médios, pequenos ou microvasos.

    Durante o exame físico, o especialista pode identificar alterações importantes, como a diminuição ou ausência de pulso em algumas artérias, especialmente quando vasos grandes estão envolvidos.

    Já nos casos de vasculite de pequenos vasos da pele, Marcelo aponta que não há alteração do pulso, mas podem surgir manchas arroxeadas, púrpura, feridas ou outras lesões cutâneas, com padrões que ajudam a orientar o diagnóstico.

    Também podem ser necessários outros exames, como:

    • Exames de imagem, como tomografia, ressonância ou arteriografia, para visualizar estreitamentos ou inflamações nos vasos sanguíneos;
    • Exames laboratoriais, como a dosagem da proteína C-reativa (PCR) e do VHS, que costumam mostrar sinais de inflamação no organismo. Em alguns tipos de vasculite, existem exames específicos que ajudam a confirmar o diagnóstico.

    Nas vasculites que afetam apenas a pele, o diagnóstico muitas vezes é clínico, baseado nos sintomas e no aspecto das lesões, sem necessidade de exames de imagem.

    Como é feito o tratamento de vasculite?

    O tratamento inicial da vasculite costuma ser clínico, a fim de controlar a inflamação dos vasos sanguíneos, aliviar os sintomas e evitar danos aos órgãos. A escolha do tratamento depende do tipo de vasculite, dos vasos atingidos e da gravidade do quadro.

    Na maioria dos casos, o tratamento é clínico, feito com o uso dos seguintes medicamentos:

    • Corticoides, que reduzem rapidamente a inflamação e costumam ser a base do tratamento inicial;
    • Imunossupressores, usados quando a inflamação é mais intensa ou não responde apenas ao corticoide;
    • Medicamentos imunobiológicos, mais recentes, que ajudam a modular a resposta do sistema imunológico de forma mais direcionada.

    Se a vasculite for desencadeada por uma infecção (como a hepatite C) ou pelo uso de algum medicamento, o tratamento da infecção ou a suspensão da substância é necessária para a recuperação.

    Segundo Marcelo, o tratamento e o acompanhamento costumam ser feitos pelo reumatologista, especialista em doenças autoimunes.

    Com o controle da inflamação, os sintomas tendem a melhorar, as lesões de pele regridem, a dor nas articulações diminui e a progressão da doença é interrompida.

    Quando é necessário tratamento vascular?

    Em alguns casos, a vasculite pode causar sequelas nos vasos, como estreitamentos ou obstruções importantes. Quando isso acontece, o cirurgião vascular pode atuar para corrigir essas alterações, principalmente se houver risco de perda de função, dificuldade para andar, AVC ou comprometimento de órgãos como os rins.

    Marcelo explica que essas correções podem ser feitas por procedimentos cirúrgicos ou endovasculares, sempre após o controle da inflamação.

    Vasculite precisa de acompanhamento a longo prazo?

    Mesmo após a melhora dos sintomas, o acompanhamento continua sendo importante, já que a vasculite pode voltar em alguns casos e o controle precoce ajuda a evitar complicações.

    Algumas pessoas entram em remissão completa e conseguem suspender os medicamentos, mantendo apenas o seguimento regular. Outras, segundo Marcelo, podem precisar de tratamento contínuo ou intermitente ao longo da vida.

    Quando ir ao médico?

    A avaliação médica é importante sempre que surgirem sintomas persistentes ou sem causa aparente, principalmente quando envolvem mais de uma parte do corpo. Alguns sinais merecem atenção especial:

    • Febre que dura vários dias sem explicação;
    • Cansaço intenso e mal-estar constante;
    • Dores nas articulações ou músculos que não melhoram;
    • Manchas arroxeadas, feridas ou lesões na pele sem motivo claro;
    • Perda de peso sem mudança na alimentação;
    • Dormência, formigamento ou fraqueza em braços ou pernas;
    • Falta de ar, tosse persistente ou presença de sangue ao tossir;
    • Dor abdominal forte ou sangue nas fezes;
    • Inchaço, alterações na urina ou aumento repentino da pressão arterial.

    Também é importante procurar um médico se houver histórico de doenças autoimunes, uso recente de medicamentos novos ou infecções, já que essas situações podem estar relacionadas ao surgimento da vasculite.

    Leia mais: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Perguntas frequentes

    1. A vasculite é considerada um tipo de câncer?

    Não, a vasculite é uma doença inflamatória, normalmente de origem autoimune, e não uma neoplasia. Contudo, em casos raros, ela pode surgir como uma reação secundária a algum tipo de câncer.

    2. A vasculite é contagiosa?

    Não, a vasculite não é uma doença infectocontagiosa. Ela decorre de uma disfunção do sistema imunológico ou de reações internas do organismo.

    3. Existe cura para a vasculite?

    Muitas formas de vasculite podem entrar em remissão completa, onde o paciente fica livre de sintomas e pode levar uma vida normal. No entanto, em muitos casos, ela é tratada como uma condição crônica que exige monitoramento contínuo.

    4. É seguro praticar exercícios físicos?

    Durante a fase aguda de inflamação, o repouso é normalmente indicado. Após o controle da doença, a atividade física é recomendada para combater os efeitos colaterais dos medicamentos e melhorar a saúde vascular.

    5. A vasculite pode causar cegueira?

    Sim, particularmente na Arterite de Células Gigantes. A inflamação das artérias que suprem o nervo óptico pode causar perda de visão súbita e irreversível se não for tratada como uma emergência médica.

    6. Qual a relação entre a vasculite e o fumo?

    O tabagismo é um fator de risco crítico para a vasculite, especialmente para a Tromboangeíte Obliterante (Doença de Buerger), um tipo de vasculite que afeta as extremidades e está diretamente ligada ao consumo de tabaco, podendo levar à amputação se o hábito não for interrompido.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • 6 doenças vasculares mais comuns após os 60 anos (e como prevenir)

    6 doenças vasculares mais comuns após os 60 anos (e como prevenir)

    O processo de envelhecimento é um dos principais fatores de risco para uma série de doenças crônicas e degenerativas, incluindo as doenças vasculares, uma vez que, ao longo dos anos, os vasos sanguíneos passam por alterações estruturais e endoteliais progressivas que favorecem o surgimento de problemas na circulação.

    De acordo com o cirurgião vascular Marcelo Dalio, as doenças vasculares não surgem de forma repentina, mas se desenvolvem de maneira progressiva ao longo da vida.

    Muitas têm início por volta dos 40 ou 50 anos, mas costumam se manifestar entre os 60 e 70 anos, fase em que os sintomas passam a se tornar mais evidentes. Entenda mais, a seguir.

    Por que as doenças vasculares se tornam mais frequentes com o envelhecimento?

    Com o passar dos anos, os vasos sanguíneos vão perdendo elasticidade e a circulação fica mais lenta. Como resultado, o sangue circula com mais dificuldade, aumentando o risco de problemas nas artérias, veias e no sistema linfático.

    Para completar, fatores como pressão alta, colesterol elevado, diabetes, sedentarismo e hábitos mantidos ao longo da vida acabam sobrecarregando a circulação, fazendo com que doenças que começaram de forma silenciosa passem a dar sintomas após os 60 anos.

    Entre algumas das doenças arteriais, venosas e linfáticas mais frequentes nessa fase da vida, é possível destacar:

    Doenças arteriais

    As doenças arteriais acontecem quando as artérias, responsáveis por levar o sangue rico em oxigênio para todo o corpo, passam por alterações ao longo do tempo. A partir de certa idade, as estruturas tendem a ficar mais rígidas e estreitas, prejudicando a circulação.

    1. Aterosclerose

    A aterosclerose é uma doença que ocorre pelo acúmulo de placas de gordura na parede das artérias, o que reduz a passagem do sangue, sendo uma das mais comuns após os 60 anos de idade. Segundo Marcelo, o processo pode afetar a:

    • Artéria carótida: quando a aterosclerose afeta a artéria carótida, localizada no pescoço e responsável por levar sangue ao cérebro, o risco de AVC aumenta. Muitas vezes, a pessoa não sente sintomas até que o problema esteja mais avançado;
    • Artérias das pernas: nas artérias dos membros inferiores, a aterosclerose pode causar dor ao caminhar, sensação de peso nas pernas e dificuldade para andar longas distâncias. Em casos mais graves, surgem feridas de difícil cicatrização, que podem evoluir para complicações importantes;
    • Aorta e artérias abdominais: a aterosclerose também pode atingir a aorta e as artérias do abdômen, comprometendo o fluxo de sangue para órgãos vitais. As alterações costumam ser silenciosas e normalmente são detectadas em exames de rotina.

    O cirurgião vascular explica que a aterosclerose começa muito cedo, ainda na infância, com o acúmulo progressivo de gordura nas paredes das artérias. Ao longo dos anos, essas placas aumentam de forma lenta e contínua.

    Aos 60 ou 70 anos, muitas vezes já existe um estreitamento significativo das artérias, capaz de provocar sintomas.

    2. Aneurismas

    O aneurisma é uma dilatação anormal de uma artéria, causada pelo enfraquecimento da parede do vaso sanguíneo. Com o tempo, essa região dilatada pode aumentar de tamanho, tornando a artéria mais frágil e suscetível à ruptura.

    Segundo Marcelo, em algumas pessoas a parede do vaso é naturalmente mais frágil, mas, na juventude, ainda não houve tempo suficiente para que a dilatação se manifestasse. Com o avanço da idade, a artéria passa a se dilatar de forma lenta e progressiva, podendo se tornar perigosa após os 60 anos, devido ao risco de ruptura.

    Doenças venosas

    As doenças venosas estão relacionadas à dificuldade das veias em levar o sangue de volta ao coração, algo que tende a piorar com a idade.

    3. Varizes

    As varizes são veias dilatadas e tortuosas, comuns de surgirem nas pernas. Elas podem aparecer ainda na vida adulta e aumentar com o passar do tempo, principalmente quando não há tratamento adequado ou uso de meia de compressão.

    Além do desconforto estético, depois dos 60 anos, Marcelo aponta que o quadro pode evoluir para uma doença venosa mais avançada, com pernas inchadas, manchas na pele e até feridas, chamadas de úlceras venosas.

    4. Insuficiência venosa avançada

    Quando as varizes e a dificuldade de retorno do sangue não são tratadas, o quadro pode evoluir para insuficiência venosa crônica.

    Nessa fase, o inchaço passa a ser mais frequente, a pele das pernas pode ficar escurecida, mais dura e ressecada, além de surgir sensação constante de peso, cansaço e dor. Com o tempo, a circulação piora e o risco de complicações aumenta.

    5. Úlceras venosas

    As úlceras venosas são feridas abertas que aparecem, na maioria das vezes, nas pernas, perto do tornozelo, e demoram para cicatrizar. Elas surgem quando a doença venosa já está em estágio avançado e a circulação está bastante comprometida, e podem causar problemas como dor, desconforto e infecções.

    Doenças linfáticas

    As doenças linfáticas afetam o sistema linfático, responsável por drenar líquidos do organismo e ajudar na defesa do corpo.

    6. Linfedema

    O linfedema é caracterizado por inchaço persistente, normalmente em uma ou ambas as pernas, causado pela dificuldade de drenagem da linfa. Diferente do inchaço comum, o linfedema tende a não melhorar completamente com repouso.

    Com o avanço da idade, alterações no sistema linfático podem favorecer o aparecimento do problema, que exige acompanhamento e cuidados contínuos para controle dos sintomas.

    Quais sinais merecem atenção após os 60 anos?

    Alguns sinais merecem atenção especial e não devem ser atribuídos apenas à idade, como:

    • Inchaço nas pernas, principalmente quando é frequente ou persistente;
    • Dor nas pernas ou sensação de peso e cansaço ao longo do dia;
    • Desconforto ao caminhar ou dificuldade para andar por longas distâncias;
    • Mudanças na pele das pernas, como escurecimento, endurecimento ou ressecamento;
    • Feridas nas pernas que demoram a cicatrizar;
    • Cansaço excessivo sem causa aparente.

    Vale apontar que mesmo quando o tratamento é limitado, a avaliação médica continua sendo importante. Em muitos casos, medidas simples ajudam a aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

    O que fazer para prevenir ou controlar doenças vasculares na terceira idade?

    O foco deve ser o controle dos fatores de risco e a preservação de uma boa circulação sanguínea, por meio de medidas simples que ajudam a manter os vasos mais saudáveis, como:

    • Manter acompanhamento médico regular, mesmo na ausência de sintomas;
    • Investigar qualquer sinal persistente, como inchaço, dor ou cansaço nas pernas;
    • Praticar atividade física de forma regular, respeitando os limites do corpo;
    • Evitar longos períodos sentado ou em pé, movimentando as pernas ao longo do dia;
    • Manter uma alimentação equilibrada, com pouco sal e rica em alimentos naturais;
    • Controlar fatores de risco, como pressão alta, diabetes e colesterol elevado;
    • Beber água ao longo do dia para ajudar no equilíbrio dos líquidos do corpo;
    • Usar meias de compressão quando houver indicação médica;
    • Seguir corretamente o tratamento indicado pelo profissional de saúde.

    De acordo com Marcelo, o ideal é não esperar que a doença se torne mais grave e difícil de tratar. Ao menor sinal de alteração, a avaliação médica permite identificar o problema ainda no início e adotar medidas que ajudam a controlar os sintomas, evitar complicações e preservar a qualidade de vida ao longo dos anos.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

    Perguntas frequentes

    1. A genética influencia o surgimento dessas doenças na terceira idade?

    Sim, o histórico familiar de varizes, aneurismas ou aterosclerose precoce aumenta consideravelmente o risco, embora hábitos saudáveis possam retardar o aparecimento.

    2. Quais os sintomas de entupimento das artérias das pernas?

    O sintoma mais comum é a claudicação intermitente, caracterizada por dor, cãibra ou sensação de aperto na panturrilha que surge durante a caminhada e melhora poucos minutos após o repouso.

    O desconforto aparece porque o sangue não consegue chegar adequadamente aos músculos durante o esforço, sendo um sinal importante de comprometimento da circulação nas pernas.

    3. Qual a diferença entre inchaço comum e linfedema?

    O inchaço comum costuma melhorar com repouso. O linfedema é o acúmulo de linfa (líquido rico em proteínas) devido a falhas nos vasos linfáticos, resultando em um inchaço mais rígido e difícil de tratar.

    4. Como diferenciar uma dor muscular de uma dor vascular?

    As dores vasculares geralmente estão ligadas ao esforço (arterial) ou ao final do dia/calor (venosa). Já as dores musculares costumam estar relacionadas a movimentos específicos ou traumas.

    5. Meias de compressão podem ser usadas por qualquer idoso?

    Não. Idosos com doenças arteriais graves não devem usar meias de compressão, pois elas podem piorar a falta de sangue. O uso deve ser sempre prescrito por um médico.

    6. O consumo moderado de álcool ajuda ou atrapalha a circulação nesta idade?

    O excesso de álcool desidrata o corpo e pode inflamar os vasos. Embora se fale muito sobre o resveratrol no vinho, o benefício é pequeno comparado aos riscos do álcool para quem já toma remédios para pressão ou diabetes.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • Quer tratar varizes e vasinhos? Saiba qual a melhor época do ano para fazer isso

    Quer tratar varizes e vasinhos? Saiba qual a melhor época do ano para fazer isso

    Sabe aquelas veias dilatadas e tortuosas que ficam abaixo da pele, em especial nas pernas? Conhecidas como varizes, elas não são apenas problemas estéticos e, ao longo do tempo, podem causar sintomas como dor, sensação de peso, cansaço e inchaço — além de favorecer alterações na pele e o surgimento de feridas.

    Os vasinhos, que são microvarizes finais e superficiais, também merecem attention, uma vez que podem indicar alterações na circulação e tendem a aumentar com o passar dos anos, especialmente quando não há acompanhamento ou cuidados adequados.

    Mas afinal, será que existe uma melhor época do ano para fazer o tratamento de remoção de varizes e vasinhos? Conversamos com o cirurgião vascular Marcelo Dalio para responder essa dúvida. Confira!

    Existe uma época certa para tratar varizes e vasinhos?

    Não existe uma época obrigatória para tratar varizes e vasinhos. Segundo o especialista, o tratamento pode ser feito em qualquer período do ano, desde que sejam seguidas corretamente as orientações médicas. Quando há urgência ou necessidade clínica, qualquer época do ano é adequada.

    No entanto, muitas pessoas preferem o inverno porque o clima mais ameno facilita o uso de meias de compressão, o repouso e a proteção da pele do sol, cuidados que costumam fazer parte do pós-tratamento.

    O tratamento de varizes no verão é possível?

    Não existe nenhuma contraindicação para realizar o tratamento de varizes e vasinhos no verão, desde que a pessoa siga corretamente as orientações médicas.

    Nessa época do ano, o principal cuidado costuma ser evitar exposição ao sol após procedimentos como aplicações e laser, além de respeitar o período de repouso indicado.

    Quando há um ambiente mais fresco e a pessoa consegue manter os cuidados, o tratamento pode ser feito com segurança, mesmo nos dias mais quentes.

    Quais cuidados são necessários após o tratamento?

    Os cuidados pós-tratamento de varizes e vasinhos podem variar de acordo com o tipo de procedimento realizado, mas, de forma geral, seguem algumas orientações comuns, como:

    • Usar meia de compressão pelo período indicado pelo médico;
    • Evitar exposição direta ao sol, principalmente após aplicações e laser;
    • Respeitar o tempo de repouso recomendado, especialmente após procedimentos cirúrgicos;
    • Manter as pernas elevadas sempre que possível, principalmente no fim do dia;
    • Evitar atividades físicas intensas nas primeiras semanas;
    • Seguir corretamente o uso de medicamentos prescritos;
    • Retornar às consultas de acompanhamento para avaliar a evolução do tratamento.

    Por que as manchas podem surgir no pós-tratamento?

    A pele passa por um processo inflamatório após procedimentos como aplicações e laser. Durante a recuperação, pode ocorrer liberação de pigmentos na região tratada, principalmente quando há exposição ao sol ou quando a pele é mais sensível.

    Pequenos vasos tratados também podem deixar resíduos de sangue sob a pele, o que também contribui para o aparecimento de manchas temporárias.

    Na maioria dos casos, as manchas tendem a clarear com o tempo, especialmente quando os cuidados pós-tratamento são seguidos corretamente. Por isso, lembre-se sempre do protetor solar, mesmo quando não há exposição solar.

    O que esperar após os procedimentos vasculares

    Depois do tratamento, é comum o corpo passar por um período de adaptação e recuperação. Na maioria dos casos, as reações fazem parte do processo normal de cicatrização e tendem a melhorar com o passar dos dias ou semanas. Entre alguns dos sinais possíveis, estão:

    • Leve dor ou desconforto na região tratada;
    • Inchaço temporário nas pernas;
    • Pequenos hematomas ou manchas na pele;
    • Sensação de peso ou sensibilidade local;
    • Endurecimento passageiro ao longo das veias tratadas.

    As alterações costumam ser temporárias e melhoram gradualmente, especialmente quando as orientações médicas são seguidas corretamente.

    Quando o tratamento de varizes e vasinhos deve ser adiado?

    O tratamento de varizes e vasinhos deve ser adiado quando não é possível seguir corretamente os cuidados necessários no pós-procedimento. Por exemplo, situações como viagens com exposição intensa ao sol, dificuldade para realizar repouso, impossibilidade de usar meia de compressão ou ausência de acompanhamento médico adequado podem comprometer a recuperação.

    Além disso, em casos de infecções ativas, feridas abertas, alterações clínicas descompensadas ou outras condições de saúde que aumentem o risco do procedimento, o ideal é postergar o tratamento até que o quadro esteja controlado.

    A decisão deve ser tomada junto ao médico, avaliando os riscos e o momento mais seguro para realizar o procedimento.

    E quando ele é uma emergência?

    O tratamento de varizes é considerado uma emergência em situações como dor intensa, inchaço importante, inflamação, sangramento das varizes, feridas nas pernas ou risco de complicações. Nessas situações, é necessária uma avaliação e intervenção imediata, independentemente da época do ano.

    A prioridade é controlar o problema, aliviar os sintomas e evitar a piora do quadro. Os cuidados após o tratamento continuam sendo importantes, mas a necessidade de tratar vem antes da escolha do período do ano.

    Leia mais: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Perguntas frequentes

    1. Por que não posso tomar sol após as sessões de escleroterapia (aplicação)?

    O sol reage com os pequenos hematomas (roxos) ou com a inflamação do vaso tratado, fixando o pigmento do sangue na pele. Isso causa manchas escuras (hiperpigmentação) que podem demorar meses para sair.

    2. O protetor solar substitui a necessidade de evitar o sol?

    Não totalmente. O protetor ajuda, mas o calor excessivo do sol também causa dilatação dos vasos, o que pode atrapalhar o fechamento do vasinho que acabou de ser tratado.

    3. Se eu fizer cirurgia de varizes, quanto tempo fico longe da academia?

    Normalmente, de 7 a 15 dias para atividades leves (caminhadas) e até 30 dias para exercícios de alto impacto ou musculação pesada. No inverno, a pausa costuma ser menos frustrante para muitos pacientes.

    4. O laser transdérmico para vasinhos exige menos tempo de repouso?

    Sim, o laser é menos invasivo que a cirurgia convencional, mas ainda assim exige cuidados com o sol, pois a luz do laser sensibiliza a pele.

    5. Vasinhos tratados podem voltar?

    Os vasos tratados são eliminados, mas a predisposição genética continua. Por isso, tratar na “baixa temporada” (inverno) permite que você faça a manutenção anual necessária.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • Pernas inchadas no verão: por que acontece e como reduzir o desconforto

    Pernas inchadas no verão: por que acontece e como reduzir o desconforto

    Insolação, micoses e desidratação não são os únicos problemas que podem surgir durante os dias de verão. Com o calor intenso, o corpo precisa se adaptar para dar conta da temperatura alta — e uma delas é a dilatação dos vasos sanguíneos, o que pode favorecer o surgimento de inchaço nas pernas e nos pés.

    Com os vasos dilatados, a circulação fica mais lenta, principalmente quando a pessoa passa muito tempo em pé ou sentada. O resultado é aquela sensação de pernas inchadas, pesadas e apertadas, que normalmente piora ao longo do dia e melhora quando há descanso.

    Apesar de ser um incômodo comum e normalmente passageiro, é preciso ter atenção quando o inchaço é intenso ou frequente. Em alguns casos, ele pode indicar problemas circulatórios ou retenção de líquidos associada a outras condições de saúde. Vamos entender mais, a seguir.

    O que causa inchaço nas pernas no verão?

    O inchaço nas pernas é causado pela vasodilatação, um processo em que os vasos sanguíneos se dilatam para ajudar o corpo a dissipar o calor e manter a temperatura do corpo estável.

    Com os vasos mais dilatados, a circulação fica mais lenta — o que facilita o acúmulo de sangue e líquidos nas regiões mais baixas do corpo, de acordo com o cirurgião vascular Marcelo Dalio.

    Ainda, o calor aumenta a permeabilidade dos vasos, permitindo que parte do líquido presente no sangue extravase para os tecidos ao redor. O resultado é a sensação de peso, aberto e inchaço nas pernas.

    Alguns fatores também podem intensificar o problema, como ficar muito tempo em pé ou sentado, consumir sal em excesso, beber pouca água e usar roupas muito apertadas.

    Quem tem mais risco de ficar com as pernas inchadas

    Algumas pessoas podem sentir os efeitos do calor de maneira mais intensa, especialmente quando existem fatores que dificultam o retorno de sangue e líquidos para o coração ou que favorecem a retenção de líquidos.

    Entre os grupos que precisam ter atenção, destacamos:

    • Idosos: com o envelhecimento, os vasos sanguíneos e as válvulas das veias perdem parte da eficiência, o que dificulta o retorno venoso e aumenta a chance de inchaço nas pernas;
    • Pessoas que ficam muito tempo na mesma posição: quem passa horas em pé ou sentado, como profissionais que trabalham em escritório ou motoristas, tende a apresentar mais inchaço, uma vez que a circulação nas pernas fica prejudicada;
    • Pessoas com sobrepeso ou obesidade: o excesso de peso exerce maior pressão sobre as veias das pernas, dificultando a circulação e favorecendo o acúmulo de líquidos.
    • Mulheres: alterações hormonais ao longo do ciclo menstrual, uso de anticoncepcionais, gravidez e menopausa favorecem a retenção de líquidos e tornam o inchaço mais comum;
    • Quem tem problemas circulatórios: quadros como insuficiência venosa, varizes e histórico de trombose aumentam significativamente o risco de pernas inchadas, principalmente no calor.
    • Pessoas com doenças crônicas: condições como insuficiência cardíaca, doenças renais, hepáticas ou alterações da tireoide podem causar retenção de líquidos e edema persistente.

    Segundo Marcelo, pessoas jovens e saudáveis não costumam apresentar inchaço significativo, independentemente do clima.

    Quando o inchaço merece atenção médica?

    Na maioria das vezes, o inchaço nas pernas no verão é passageiro e melhora com medidas simples, como repouso, hidratação e elevação das pernas. Mesmo assim, algumas situações servem como sinal de alerta e merecem avaliação médica, como:

    • Quando o inchaço surge de forma súbita, sem causa aparente, principalmente em apenas uma perna, pode indicar problema circulatório;
    • Quando o inchaço surge acompanhado de dor, pele avermelhada, endurecida ou quente ao toque, pois pode estar relacionado à inflamação, infecção ou trombose;
    • Inchaço nas pernas associado a falta de ar, cansaço excessivo ou dor torácica exige atendimento médico imediato, já que pode indicar comprometimento cardíaco ou pulmonar;
    • Quando o inchaço não melhora após alguns dias, mesmo com repouso, elevação das pernas e boa hidratação;
    • Sensação de pele extremamente esticada, brilhante ou dolorosa pode indicar retenção de líquidos mais importante;
    • Pessoas com histórico de doenças cardíacas, renais, hepáticas ou problemas circulatórios devem procurar orientação médica sempre que perceberem piora do inchaço;
    • Se o inchaço surgir após iniciar uma medicação, a avaliação médica é necessária para ajuste do tratamento.

    O que ajuda a reduzir o inchaço nas pernas?

    Nos dias mais quentes, você pode adotar algumas medidas simples para melhorar a circulação e reduzir o inchaço nas pernas, como:

    • Manter as pernas elevadas por alguns minutos ao longo do dia, acima do nível do coração;
    • Fazer caminhadas leves, alongamentos e movimentar os pés e tornozelos quando estiver sentado;
    • Beber bastante água ao longo do dia, o que ajuda a regular a retenção de líquidos;
    • Reduzir o consumo de sal, priorizando alimentos in natura;
    • Usar roupas e sapatos confortáveis;
    • Usar meias de compressão, quando indicado por um médico.

    Marcelo ainda complementa que a meia de compressão é indicada principalmente para quem tem doença venosa. Em situações em que o inchaço tem origem cardíaca ou renal, o benefício é menor e pode aumentar o desconforto térmico.

    Elevar as pernas realmente funciona?

    Se o inchaço nas pernas estiver relacionado ao calor ou à má circulação, elevar as pernas é uma das medidas mais simples para aliviar o problema.

    Quando as pernas ficam elevadas acima do nível do coração, a gravidade passa a ajudar o retorno do sangue e dos líquidos acumulados para o centro do corpo. Isso reduz a pressão dentro das veias, facilita a drenagem do excesso de líquido dos tecidos e alivia a sensação de peso e cansaço nas pernas.

    O ideal é elevar as pernas por cerca de 15 a 30 minutos, uma ou mais vezes ao dia. Uma dica é deitar e apoiar as pernas em almofadas ou encostar os pés na parede, o que costuma trazer um alívio rápido.

    Como aliviar o desconforto durante viagens e longos períodos sentado?

    Durante viagens longas ou períodos prolongados sentado, o desconforto e o inchaço nas pernas são comuns, mas podem ser aliviados com medidas como:

    • Flexionar e estender os pés, girar os tornozelos e contrair a panturrilha várias vezes ao longo do dia;
    • Em viagens de carro, parar a cada duas horas para andar alguns minutos. Em voos ou ônibus, levantar e caminhar pelo corredor;
    • Evitar cruzar as pernas por muito tempo, e priorizar manter os pés apoiados no chão;
    • Beber água ao longo do trajeto, e evitar o consumo de bebidas alcoólicas e café;
    • Elevar os pés após a viagem por alguns minutos.

    O inchaço nas pernas desaparece sozinho?

    Se o inchaço for causado pelo calor e esforço do dia, ele tende a desaparecer após o repouso noturno, uma vez que o corpo reabsorve o líquido quando você fica na posição horizontal e a temperatura diminui.

    No entanto, se ele persistir mesmo em dias frescos ou após o descanso, ele é um sintoma, não o problema em si, e deve ser avaliado por um angiologista ou clínico geral.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

    Perguntas frequentes

    1. É normal o inchaço piorar ao final do dia?

    Sim, a gravidade empurra o sangue e os líquidos para baixo enquanto você está de pé ou sentado. Ao final do dia, o acúmulo de horas sob o efeito da gravidade e do calor atinge o seu ápice.

    2. Posso usar meias de compressão no calor?

    Sim, desde que indicadas por um médico. Existem modelos modernos e mais leves feitos para o verão que ajudam a “espremer” o líquido de volta para a circulação

    3. Banho frio nas pernas ajuda?

    Sim, a água fria promove a vasoconstrição (o oposto do que o calor faz), ajudando a fechar os vasos e diminuir o volume de líquido extravasado.

    4. Quando devo procurar um angiologista com urgência?

    Se o inchaço vier acompanhado de dor forte, vermelhidão, calor em uma das panturrilhas ou se você sentir falta de ar súbita.

    5. Remédios diuréticos são recomendados para inchaço no calor?

    Nunca tome diuréticos por conta própria. Eles podem causar desidratação grave e desequilíbrio de sais minerais. O uso deve ser estritamente sob prescrição médica.

    6. Por que o inchaço nas pernas às vezes vem acompanhado de coceira?

    O acúmulo de líquido estica a pele e causa um processo inflamatório leve. O sangue estagnado também libera substâncias que irritam os nervos da derme, provocando a vontade de coçar, o que deve ser evitado para não criar feridas.

    Leia mais: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

  • Trombose e embolia pulmonar são a mesma coisa? Conheça as diferenças

    Trombose e embolia pulmonar são a mesma coisa? Conheça as diferenças

    Ao contrário do que muitos pensam, a coagulação do sangue é um processo natural do organismo, responsável por conter sangramentos e permitir a cicatrização de ferimentos. Quando você corta o dedo, por exemplo, o corpo reage formando um coágulo que interrompe o sangramento. O problema é quando esse mecanismo ocorre sem motivo, dentro de uma veia saudável.

    De acordo com o cirurgião vascular Marcelo Dalio, quando o sangue coagula sem necessidade e bloqueia o vaso, ocorre um quadro de trombose, que pode provocar dor, inchaço e vermelhidão, principalmente nas pernas. E, em alguns casos, esse coágulo pode se soltar e seguir pela corrente sanguínea até o pulmão, onde bloqueia a passagem do sangue — é o que chamamos de embolia pulmonar.

    Apesar de estarem diretamente relacionadas, trombose e embolia pulmonar não são a mesma coisa e saber identificar as diferenças é importante para reconhecer os sinais de alerta e procurar ajuda a tempo. Entenda mais, a seguir!

    O que é trombose?

    A trombose ocorre quando um coágulo sanguíneo se forma em uma ou mais veias, impedindo o fluxo normal do sangue. O tipo mais comum é a Trombose Venosa Profunda (TVP), que costuma afetar as pernas, coxas e panturrilhas.

    Em alguns casos, o coágulo é pequeno e o próprio corpo consegue dissolvê-lo naturalmente. Mas, em situações mais sérias, o trombo pode crescer, causar inchaço, dor e até se desprender, viajando até órgãos vitais — o que resulta em uma embolia.

    A trombose costuma surgir após cirurgias, longos períodos de imobilização, gravidez, uso de anticoncepcionais hormonais ou presença de doenças crônicas. Ainda assim, qualquer pessoa pode desenvolver o problema quando existe predisposição genética ou a combinação de fatores de risco.

    Quais são os tipos de trombose?

    A trombose pode ser aguda ou crônica, dependendo da evolução do coágulo e da resposta do organismo:

    • Trombose aguda: ocorre de forma repentina e pode se resolver naturalmente, já que o corpo possui mecanismos para dissolver o trombo. Quando isso acontece sem sequelas, o paciente recupera a circulação normal;
    • Trombose crônica: acontece quando, durante a dissolução do coágulo, a estrutura das válvulas das veias é danificada. Isso compromete o retorno do sangue, gerando inchaço persistente, escurecimento da pele, varizes e, em casos mais avançados, feridas.

    Sintomas de trombose

    Em alguns casos, a trombose se desenvolve de forma silenciosa, sem sintomas, principalmente nas fases inicias. Mas quando os sintomas aparecem, é importante agir rápido. Os mais comuns incluem:

    • Dor ou sensação de peso na perna (geralmente em apenas um lado);
    • Calor e vermelhidão local;
    • Inchaço que piora com o passar do dia;
    • Endurecimento da musculatura da panturrilha.

    A condição também é conhecida como “trombose do viajante”, porque pode surgir após longos períodos sentado, como em viagens de avião, ônibus ou carro. Nessas situações, a falta de movimentação faz com que o sangue circule mais devagar nas pernas, favorecendo a formação de coágulos.

    Por isso, o problema é relativamente comum em pessoas que passam muitas horas em voos internacionais ou trabalham em posições fixas.

    O que é embolia pulmonar?

    A embolia pulmonar é uma condição potencialmente fatal que ocorre quando um coágulo bloqueia uma ou mais artérias do pulmão, dificultando a passagem do sangue e a oxigenação do corpo. Isso aumenta a pressão sobre o coração e pode levar à insuficiência cardíaca ou parada cardiorrespiratória.

    Na maioria dos casos, a embolia pulmonar ocorre como consequência direta da trombose venosa profunda — quando um coágulo se forma nas veias das pernas e, posteriormente, se desprende, migrando até os pulmões.

    O tromboembolismo venoso é a terceira principal causa de morte cardiovascular, ficando atrás apenas do infarto e do AVC. A gravidade da embolia depende do tamanho e da quantidade de artérias pulmonares obstruídas. Quando a obstrução é grande, a primeira manifestação pode ser parada cardíaca e morte súbita, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.

    Sintomas de embolia pulmonar

    Os sintomas da embolia pulmonar variam conforme a extensão do bloqueio, mas alguns sinais merecem atenção imediata, como:

    • Falta de ar súbita (mesmo em repouso);
    • Dor no peito, que piora ao tossir, espirrar ou inspirar fundo;
    • Tosse com sangue;
    • Tontura, palpitação e desmaio;
    • Batimentos acelerados;
    • Febre e suor excessivo;
    • Dor ou inchaço nas pernas (indicando trombose associada).

    Em 25% dos casos graves, a embolia pulmonar se manifesta diretamente como uma parada cardíaca — e, nesses casos, é muito importante que o atendimento médico seja imediato.

    O que aumenta os riscos de trombose e embolia pulmonar?

    Qualquer pessoa pode desenvolver coágulos, mas alguns fatores aumentam muito as chances. Entre os principais:

    • Ficar muito tempo parado (viagens longas, repouso hospitalar ou pós-cirurgia);
    • Cirurgias grandes, principalmente ortopédicas, ginecológicas ou oncológicas;
    • Uso de anticoncepcionais hormonais ou terapia de reposição hormonal;
    • Gravidez e pós-parto;
    • Varizes e insuficiência venosa;
    • Tabagismo;
    • Obesidade e sedentarismo;
    • Idade avançada;
    • Histórico familiar de trombose;
    • Câncer ou quimioterapia;
    • Doenças cardíacas e distúrbios de coagulação.

    Durante a gestação, por exemplo, o peso do bebê e as mudanças hormonais dificultam o retorno do sangue das pernas, favorecendo a formação de trombos. Já os anticoncepcionais aumentam o risco por alterarem a viscosidade do sangue.

    Trombose e embolia pulmonar: quais as diferenças?

    Trombose Embolia pulmonar
    Definição Formação de um coágulo sanguíneo (trombo) dentro de uma veia, normalmente nas pernas Bloqueio de uma ou mais artérias do pulmão causado por um coágulo que se desprendeu da trombose
    Causa principal Cirurgias, imobilização prolongada, uso de anticoncepcionais, gestação tabagismo e obesidade Deslocamento de um coágulo formado na trombose venosa profunda até o pulmão
    Local mais comum Veias profundas das pernas e coxas Artérias pulmonares
    Sintomas principais Dor, inchaço, calor e vermelhidão na perna (geralmente em apenas um lado) Falta de ar súbita, dor no peito, tosse com sangue, palpitação e tontura
    Risco imediato Pode evoluir para uma embolia se o coágulo se desprender Pode causar insuficiência respiratória e morte súbita

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico de trombose e embolia pulmonar começa com a avaliação dos sintomas e do histórico do paciente. No caso da trombose venosa profunda, o médico observa sinais como dor, inchaço, calor e vermelhidão na perna. Depois, costuma pedir um exame de ultrassom com doppler, de acordo com Marcelo, que mostra se há algum coágulo bloqueando a circulação nas veias.

    Já a embolia pulmonar é mais grave e costuma causar falta de ar repentina, dor no peito e sensação de desmaio. O diagnóstico envolve exames de imagem, como tomografia do tórax, que mostra se há um coágulo obstruindo as artérias do pulmão. De acordo com o cirurgião vascular, o ultrassom não é capaz de alcançar o pulmão.

    Tratamentos para trombose e embolia pulmonar

    O tratamento precisa começar imediatamente após o diagnóstico, pois quanto antes for iniciado, menores os riscos de complicações.

    Trombose

    No caso da trombose, o principal objetivo é impedir o crescimento do coágulo e evitar que ele se desprenda, o que poderia causar uma embolia pulmonar. Segundo Marcelo, é feito o uso de anticoagulantes, que impedem a formação de novos coágulos.

    Alguns pacientes podem precisar de filtros na veia cava, a principal veia do abdômen, que funcionam como uma barreira para evitar que coágulos das pernas cheguem aos pulmões. O uso de meias de compressão também é uma medida importante, pois melhora a circulação nas pernas, reduz o inchaço e ajuda no retorno venoso.

    Embolia pulmonar

    Quando o quadro evolui para uma embolia pulmonar, o tratamento se torna uma emergência. O uso de anticoagulantes continua sendo a principal abordagem, mas em doses mais altas, para impedir a formação de novos coágulos e facilitar a dissolução dos existentes.

    Em casos críticos, são usados trombolíticos, medicamentos capazes de dissolver o coágulo rapidamente, restabelecendo o fluxo de sangue para o pulmão. Em situações extremas, quando o trombo é volumoso e o paciente corre risco de vida, pode ser necessário realizar cateterismo ou cirurgia para remover o bloqueio.

    Em pacientes de alto risco, especialmente internados por longos períodos, os anticoagulantes podem ser administrados de forma profilática (ou seja, preventiva) para evitar a formação de trombos. No entanto, ele alerta que o uso desses medicamentos deve sempre ocorrer sob supervisão médica rigorosa, já que o uso inadequado pode causar sangramentos importantes.

    É possível prevenir?

    A melhor forma de evitar tanto a trombose quanto a embolia pulmonar é manter o corpo em movimento e cultivar hábitos saudáveis, como:

    • Levantar-se e andar a cada 1 hora se ficar muito tempo sentado;
    • Fazer alongamentos nas pernas, especialmente em viagens longas;
    • Usar meias elásticas, com orientação médica, para melhorar o retorno venoso;
    • Beber bastante água e evitar álcool em excesso;
    • Controlar o peso e parar de fumar;
    • Praticar atividades físicas regularmente.

    Por fim, é fundamental aprender a reconhecer sinais como dor repentina na perna, inchaço, calor local ou falta de ar súbita. Procurar ajuda médica imediata diante desses sintomas é a melhor forma de evitar que um quadro de trombose evolua para uma embolia pulmonar.

    Confira: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Perguntas frequentes

    A trombose pode acontecer em pessoas jovens e saudáveis?

    Sim! Apesar de ser mais comum em idosos, gestantes ou pessoas com doenças crônicas, a trombose também pode atingir jovens aparentemente saudáveis. O risco aumenta quando há longos períodos de imobilidade — como passar horas estudando ou jogando sentado, viagens longas, ou mesmo durante o uso de anticoncepcionais hormonais.

    Além disso, fatores genéticos, como a predisposição à hipercoagulabilidade (tendência do sangue a coagular mais facilmente), podem causar trombose em pessoas sem outros problemas de saúde.

    Uma trombose superficial pode virar uma embolia pulmonar?

    É bem raro, mas pode acontecer. A trombose superficial se forma em veias logo abaixo da pele, geralmente associada a varizes. Por estar mais próxima da superfície, ela costuma ter menor risco de gerar êmbolos (fragmentos de coágulo que se deslocam).

    No entanto, se a inflamação alcançar veias mais profundas e houver comunicação entre elas, o trombo pode migrar para o sistema venoso profundo e, dali, para o pulmão. Por isso, até tromboses aparentemente leves merecem avaliação médica.

    Viagens longas realmente causam trombose?

    Sim, podem causar trombose pois ficar sentado por muitas horas, especialmente com os joelhos dobrados e pouca movimentação, dificulta o retorno do sangue das pernas para o coração. A falta de mobilidade facilita a formação de coágulos — daí o nome “trombose do viajante”.

    O risco aumenta em voos internacionais, motoristas de longa distância e passageiros de ônibus ou carros que passam horas sem se levantar. O ideal é se movimentar a cada 1 ou 2 horas, fazer rotações nos tornozelos e manter boa hidratação durante o trajeto.

    O que é síndrome pós-trombótica?

    É uma complicação que pode surgir meses após uma trombose venosa profunda. Mesmo com o coágulo dissolvido, as válvulas das veias podem ficar danificadas, dificultando o retorno do sangue. O resultado é inchaço persistente, dor, sensação de peso nas pernas e escurecimento da pele.

    Em casos avançados, surgem feridas difíceis de cicatrizar. O uso de meias elásticas e o acompanhamento com angiologista ajudam a controlar o problema.

    Por que o anticoncepcional aumenta o risco de trombose?

    O anticoncepcional aumenta o risco de trombose principalmente por causa do estrogênio, um dos hormônios presentes na maioria das pílulas combinadas. Ele altera o equilíbrio natural do sangue, aumentando a produção de proteínas que favorecem a coagulação e reduzindo outras que ajudam a dissolver coágulos. O resultado é um sangue mais “espesso”, com maior tendência a formar trombos dentro das veias — especialmente nas pernas.

    Além disso, o estrogênio pode afetar as paredes dos vasos sanguíneos, deixando-as mais suscetíveis à inflamação e ao acúmulo de coágulos. Por isso, o uso de anticoncepcionais hormonais deve sempre ser avaliado de forma individual, levando em conta o histórico familiar, a idade e o estilo de vida da pessoa.

    Leia mais: Trombose do viajante: o que é, sintomas, causas e como evitar

  • Pé diabético: o que é, sintomas e como tratar

    Pé diabético: o que é, sintomas e como tratar

    Pessoas que convivem com o diabetes sabem da necessidade de manter alguns cuidados diários. O controle inadequado da glicose no sangue ao longo dos anos pode causar complicações em diferentes partes do corpo — especialmente nos membros inferiores.

    Uma das consequências mais conhecidas é o pé diabético, uma condição que deforma, altera a circulação e também a sensibilidade do pé. Isso favorece infecções e aumenta o risco de amputação, de acordo com o cirurgião vascular Marcelo Dalio. Vamos entender mais a fundo, a seguir!

    O que é pé diabético?

    O pé diabético é uma complicação que pode acontecer quando os níveis elevados de glicose no sangue afetam os nervos e os vasos sanguíneos dos pés, comprometendo a sensibilidade e a circulação. Com o tempo, pequenos machucados que passariam despercebidos em uma pessoa sem diabetes podem evoluir para feridas graves e até infecções.

    A condição é considerada uma das principais causas de amputação não traumática no mundo. Para se ter uma ideia, o Ministério da Saúde aponta que aproximadamente um quarto dos pacientes com diabetes desenvolvem úlceras nos pés e 85% das amputações de membros inferiores ocorrem em pacientes com diabetes.

    Vale apontar que pé diabético não se manifesta de um dia para o outro, sendo resultado de anos de glicemia alta, maus hábitos e falta de acompanhamento médico adequado. Isso reforça a importância do controle rigoroso do diabetes, o cuidado diário com os pés e o acompanhamento médico regular para prevenir complicações.

    Quais são as causas do pé diabético?

    O pé diabético é causado pela combinação de dois fatores principais, sendo eles:

    Neuropatia periférica

    A neuropatia periférica é o nome dado ao dano nos nervos que ligam o cérebro e a medula espinhal ao resto do corpo. Eles são responsáveis por controlar a sensibilidade, os movimentos e as funções automáticas, como a circulação e a digestão.

    No diabetes, o excesso de glicose no sangue agride os nervos com o tempo, principalmente os dos pés e das pernas — o que causa sintomas como formigamento, dormência, queimação, dor em pontadas e perda de sensibilidade.

    Quando a pessoa deixa de sentir dor nos pés, pequenos ferimentos passam despercebidos e podem evoluir para feridas graves e infecções.

    Má circulação (doença arterial obstrutiva)

    O diabetes favorece o acúmulo de gordura e inflamação nas paredes das artérias, formando placas que podem estreitar ou bloquear os vasos sanguíneos. Quando isso acontece, o sangue circula com dificuldade, especialmente nas pernas, no coração e no cérebro.

    Nos pés, a má circulação causa dor, feridas que demoram a cicatrizar e, em casos mais graves, pode levar à perda do membro — risco que aumenta ainda mais se houver infecção.

    Outros fatores

    O risco também pode ser maior devido a fatores como:

    • Uso de calçados inadequados, que causam atrito e pressionam áreas sensíveis dos pés;
    • Cortes malfeitos nas unhas, que podem gerar pequenas lesões e infecções;
    • Ressecamento da pele, que favorece rachaduras e feridas;
    • Tabagismo, que compromete a circulação e dificulta a cicatrização.

    Quais são os sintomas do pé diabético?

    Os sintomas de pé diabético variam conforme a gravidade, mas normalmente se desenvolvem de forma lenta e silenciosa. De acordo com Marcelo Dalio, o primeiro sintoma é a sensação de formigamento, que diminui conforme a pessoa perde a sensibilidade dos dedos dos pés — o que aumenta o risco de calos, deformidades e feridas.

    Outros sinais de alerta também podem ocorrer, como:

    • Pele seca, rachada ou com fissuras;
    • Feridas que demoram a cicatrizar, uma vez que a circulação sanguínea está prejudicada;
    • Inchaço e vermelhidão local;
    • Alterações na forma dos dedos ou no arco do pé;
    • Odor forte, secreção ou coloração escurecida na pele (sinais de infecção).

    Em casos mais graves, podem surgir úlceras abertas, infecções profundas e necrose. Nesses estágios, o risco de amputação é elevado.

    O pé diabético causa dor?

    Muitas pessoas costumam perder a sensibilidade, mas a dor pode aparecer em estágios iniciais da neuropatia ou quando há inflamação e infecção. Ela tende a surgir em forma de queimação, pontadas ou choques elétricos, principalmente à noite.

    A dor neuropática é causada por nervos lesionados e costuma ser persistente. Já a dor associada a feridas e infecções indica agravamento e exige tratamento médico urgente.

    Como é feito o diagnóstico do pé diabético?

    O diagnóstico é clínico e deve ser feito por um profissional de saúde, normalmente um endocrinologista, angiologista ou cirurgião vascular. O médico examina os pés em busca de feridas, calos, alterações de sensibilidade e sinais de má circulação.

    Em alguns casos, a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) aponta que podem ser realizados exames complementares, como:

    • Exames laboratoriais: avaliam os níveis de glicemia, identificam possíveis infecções associadas e investigam doenças correlacionadas, como insuficiência renal;
    • Índice tornozelo-braço (ITB): mede a gravidade da obstrução arterial, embora possa ser impreciso em pessoas com diabetes devido à calcificação (endurecimento) das paredes arteriais;
    • Radiografia simples: auxilia na detecção de deformidades ósseas e sinais de osteomielite (infecção óssea);
    • Tomografia computadorizada e ressonância magnética: permitem diagnóstico mais detalhado das alterações ósseas e dos tecidos moles;
    • Angiotomografia computadorizada: fornece uma avaliação precisa da circulação sanguínea, sendo especialmente útil em casos de obstrução arterial.

    Tratamento de pé diabetico

    Nos casos em que já existem feridas, deformidades ou alterações estruturais nos pés, o tratamento de pé diabetico envolve medidas como:

    • Manter as feridas sempre limpas e cobertas, com curativos trocados diariamente para evitar contaminações. As lesões nunca devem ficar expostas;
    • Usar antibióticos conforme prescrição médica, em caso de infecção;
    • Evitar apoiar o pé lesionado no chão, reduzindo o risco de piora e facilitando a cicatrização;
    • Manter acompanhamento médico rigoroso, com equipe multidisciplinar (endocrinologista, angiologista, podólogo e enfermeiro).

    Quando o tratamento clínico não é suficiente ou a ferida apresenta maior gravidade, pode ser necessária intervenção cirúrgica, apontada pela SBACV:

    • Revascularização do membro, indicada quando há obstrução arterial. Pode ser realizada por meio de pontes arteriais (cirurgia aberta) ou técnicas endovasculares, como angioplastia (dilatação da artéria com balão), com ou sem colocação de stent;
    • Remoção de tecido necrosado, eliminando partes mortas ou infeccionadas para permitir a recuperação dos tecidos saudáveis;
    • Correção cirúrgica de deformidades ósseas, em casos sem infecção ativa, para estabilizar o pé e prevenir novas lesões;
    • Amputação, indicada apenas em situações extremas, como infecção óssea grave (osteomielite) ou necrose extensa. Pode envolver desde a retirada de um único dedo até a amputação parcial do pé ou abaixo do joelho, dependendo da gravidade do quadro.

    Quando procurar atendimento médico?

    Pessoas com diabetes devem procurar atendimento médico ao primeiro sinal de alteração nos pés, mesmo que pareça algo simples, como bolhas ou calos que não cicatrizam. A avaliação precoce evita complicações graves e pode impedir a evolução para infecções profundas ou amputações.

    Pessoas com histórico de úlceras, infecções anteriores ou má circulação também devem manter acompanhamento periódico com o médico.

    Convivendo com o pé diabético

    Além do acompanhamento médico, existem alguns cuidados diários que ajudam a proteger os pés e evitar complicações, como:

    • Realizar avaliações periódicas dos pés, observando a presença de feridas, rachaduras, calos, mudanças de cor ou temperatura;
    • Utilizar sapatos adequados, confortáveis e sem costuras internas, que protejam o pé contra atritos e machucados;
    • Adotar uma alimentação equilibrada, rica em fibras, vegetais e proteínas magras, ajudando no controle da glicemia e do peso corporal;
    • Praticar atividade física regular, sempre com liberação médica, para melhorar a circulação e reduzir a resistência à insulina;
    • Controlar a pressão arterial e o colesterol, fatores que influenciam diretamente a saúde vascular;
    • Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, que prejudicam a circulação e retardam a cicatrização.

    Marcelo ainda ressalta que quem já apresenta complicações, perda de sensibilidade, calos ou feridas precisa de acompanhamento mais próximo, preferencialmente com profissional especializado em pé diabético ou cirurgião vascular.

    Atualmente, nesses casos, existem palmilhas e calçados adaptados que redistribuem a pressão e ajudam a reduzir o atrito, prevenindo novas lesões. Alguns cuidados diários de higiene também fazem diferença, como secar muito bem os espaços entre os dedos após o banho, evitar micoses e inspecionar os pés regularmente para identificar qualquer alteração de pele, calo ou início de ferida antes que evolua.

    Vale lembrar que pessoas com diabetes precisam ser orientadas sobre como cuidar dos pés diariamente, identificar feridas ou alterações logo no início e reconhecer sinais de alerta que exigem avaliação médica. A educação em saúde é a principal aliada na prevenção de complicações do diabetes.

    Veja mais: Diabetes autoimune latente do adulto (LADA): o ‘tipo 1,5’ do diabetes

    Perguntas frequentes

    O pé diabético tem cura?

    O pé diabético não tem cura definitiva, mas pode ser controlado e tratado. Com o controle rigoroso da glicemia, cuidados diários com os pés e acompanhamento médico multidisciplinar, é possível evitar novas feridas e impedir a progressão da doença.

    O tratamento adequado permite viver com segurança e conforto, reduzindo significativamente o risco de infecções e amputações.

    Por que pessoas com diabetes perdem a sensibilidade nos pés?

    A perda de sensibilidade ocorre por causa da neuropatia periférica diabética, resultado de danos aos nervos causados pelo excesso de glicose no sangue. Com o tempo, os nervos deixam de transmitir corretamente os estímulos de dor, calor e pressão.

    Assim, o paciente pode se machucar sem perceber — por exemplo, com um sapato apertado ou um corte ao aparar as unhas, e o ferimento evoluir para uma infecção grave.

    Tenho diabetes e surgiu uma ferida no pé, o que devo fazer?

    Qualquer ferida, por menor que pareça, deve ser tratada imediatamente por um profissional de saúde. É necessário manter a lesão limpa, coberta e trocada diariamente, além de evitar apoiar o pé machucado no chão. O uso de pomadas ou curativos caseiros sem orientação médica pode piorar o quadro, então não se automedique!

    Qual é o melhor sapato para quem tem pé diabético?

    O calçado ideal deve ser macio, sem costuras internas, com solado firme e bico arredondado. O objetivo é proteger o pé de traumas e evitar pontos de pressão.

    Sapatos ortopédicos sob medida, palmilhas anatômicas e meias de algodão sem costura também ajudam. Vale evitar o uso de saltos altos, sandálias abertas e chinelos, pois eles aumentam o risco de lesões.

    Quando é necessária a amputação no pé diabético?

    A amputação é indicada apenas em casos graves, quando há necrose extensa, infecção óssea irreversível (osteomielite) ou obstrução arterial severa sem possibilidade de revascularização, a fim de evitar que a infecção se espalhe para outras partes do corpo.

    Apesar de ser uma medida extrema, muitas amputações poderiam ser evitadas com diagnóstico precoce, tratamento adequado e controle do diabetes.

    Leia também: Sintomas silenciosos do diabetes: atenção aos sinais que podem passar despercebidos

  • Linfedema: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Linfedema: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Um inchaço persistente, que causa sensação de peso, rigidez e até dor leve, pode ser mais do que uma simples retenção de líquidos. Quando piora ao longo do dia, especialmente após longos períodos em pé ou sentado, pode indicar um quadro de linfedema — uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de líquido linfático nos tecidos do corpo.

    Normalmente, ela surge após algum tipo de dano ou obstrução no sistema linfático, que pode ocorrer depois de cirurgias, radioterapia, infecções ou traumas. Sendo um quadro crônico, que não tem cura, o linfedema exige cuidados contínuos mesmo após o tratamento para evitar que o líquido volte a se acumular e cause novas complicações. Vamos entender os detalhes, a seguir!

    O que é linfedema?

    O linfedema é um inchaço crônico que acontece quando o sistema linfático não consegue drenar o líquido linfático de forma adequada. A linfa começa a se acumular nos tecidos, principalmente em braços ou pernas, levando a aumento de volume, sensação de peso, desconforto e até alterações na pele — que pode ficar mais grossa e endurecida com o tempo.

    Mas afinal, o que é linfa? De forma geral, é um líquido claro que circula pelo sistema linfático, formado principalmente por água, proteínas, gorduras, células de defesa e resíduos metabólicos. Ela funciona como um filtro interno do corpo, recolhendo substâncias que não podem voltar diretamente para o sangue e levando para os gânglios linfáticos. Lá, o líquido é filtrado, removendo impurezas e ajudando no combate a infecções, antes de retornar ao sistema circulatório.

    O acúmulo pode acontecer por uma série de fatores, que impedem o fluxo normal do líquido. O corpo continua produzindo linfa, mas a via de drenagem não dá conta de transportar tudo, de modo que o excedente fica retido nos tecidos e provoca inchaço. Quanto mais tempo o líquido fica parado, maior o risco de inflamação local, endurecimento da pele e infecção.

    Causas de linfedema

    As causas do linfedema variam de acordo com o tipo da doença. No linfedema primário, o problema está no desenvolvimento insuficiente ou anômalo do sistema linfático. Ele pode aparecer na infância, adolescência ou na vida adulta sem causa aparente.

    O linfedema secundário, por outro lado, é o mais frequente e surge quando há uma lesão ou obstrução dos vasos linfáticos, o que pode ocorrer nas seguintes situações:

    • Cirurgias oncológicas, como retirada de linfonodos na mama, pelve ou abdômen;
    • Radioterapia, que pode causar fibrose e prejudicar os canais linfáticos;
    • Infecções, especialmente erisipela e celulite, que inflamam e danificam os vasos;
    • Traumas, queimaduras ou ferimentos que comprometem a drenagem linfática;
    • Doenças venosas, como insuficiência venosa crônica, que dificultam o retorno da linfa;
    • Obesidade e sedentarismo, que aumentam a sobrecarga no sistema linfático.

    Em regiões tropicais, há ainda a filariose linfática, uma infecção parasitária que pode causar linfedema grave. O Brasil foi certificado como livre da doença como problema de saúde pública em 2024, embora a transmissão ainda possa ser observada em áreas endêmicas restritas do país, como na Região Metropolitana do Recife.

    Qual a diferença entre linfedema e lipedema?

    É importante esclarecer que linfedema é diferente de lipedema. Enquanto o linfedema é causado por falha do sistema linfático que deixa de drenar o líquido de volta para o corpo, o lipedema está ligado ao acúmulo desproporcional de gordura no tecido, principalmente em coxas e pernas — e costuma provocar dor ao toque, aumento de sensibilidade e facilidade para hematomas.

    De acordo com o cirurgião vascular Marcelo Dalio, a ciência ainda não definiu a origem exata do lipedema, mas a condição, quando causa sintomas no paciente, é tratada a partir de medidas como redução de peso quando há obesidade, fortalecimento, exercício regular, controle de diabetes e tireoide, e compressão graduada em casos selecionados. Em alguns casos específicos, pode ser indicada uma lipoaspiração.

    Quais são os sintomas do linfedema?

    O principal sintoma do linfedema é o inchaço persistente em uma parte do corpo, normalmente em um braço ou perna. Ele pode variar de leve a intenso e tende a piorar ao longo do dia, especialmente após longos períodos em pé ou sentado.

    A condição também pode provocar os seguintes sinais:

    • Sensação de peso ou rigidez no membro afetado;
    • Dificuldade de movimentar a articulação próxima;
    • Pele mais espessa, endurecida ou brilhante;
    • Marcas de roupas ou meias mais visíveis na pele;
    • Maior propensão a infecções de pele, como erisipela;
    • Dor leve, formigamento ou sensação de calor local.

    Um ponto importante, apontado por Marcelo Dalio, é que o edema linfático tende a endurecer porque há acúmulo de proteínas no tecido, o que faz com que ele não deixe aquela marca do dedo após compressão (característica do edema venoso).

    Com o tempo, podem surgir pequenas vesículas na pele, criando um padrão de inchaço muito próprio, que não se confunde com edema provocado por outras condições, como trombose, insuficiência cardíaca, doença renal ou varizes.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico do linfedema é principalmente clínico, em que o médico avalia o padrão do inchaço, a textura da pele, o tempo de evolução e possíveis causas associadas, como cirurgias prévias ou infecções. Marcelo também aponta a verificação de sinais característicos, como o sinal de Stemmer — que é quando não se consegue pinçar a pele do dorso do dedo do pé ou da mão.

    Para confirmar o diagnóstico e descartar causas venosas, podem ser realizados exames complementares, como:

    • Ultrassom venoso: avalia trombose, refluxo e insuficiência venosa, sendo útil para excluir causa venosa, mas não mostra bem o sistema linfático;
    • Linfocintilografia: é o exame funcional mais clássico do sistema linfático, em que o profissional injeta um traçador radioativo no dorso do pé e acompanha sua progressão por horas, comparando um membro com o outro;
    • Ressonância magnética com linfangiografia: disponível em centros especializados, avalia detalhamento anatômico para casos selecionados;
    • Linfografia com verde de indocianina: mapeia trajetos linfáticos superficiais, útil no planejamento pré-operatório.

    De acordo com o cirurgião, a escolha dos exames depende de disponibilidade, indicação clínica e objetivo terapêutico.

    Tratamento de linfedema

    O tratamento do linfedema é contínuo e visa reduzir o inchaço, aliviar os sintomas e prevenir complicações. Ele deve ser individualizado, feito por uma equipe multidisciplinar, que pode incluir médicos, fisioterapeutas, enfermeiros e terapeutas ocupacionais.

    De acordo com Marcelo Dalio, o padrão-ouro do tratamento conservador é a Terapia Descongestiva Complexa (TDC), composta por várias etapas complementares:

    • Drenagem linfática manual: realizada por profissional especializado, estimula o fluxo da linfa e reduz o inchaço;
    • Compressão: uso de bandagens compressivas multicamadas na fase intensiva, seguidas de meias ou mangas de compressão sob medida na fase de manutenção;
    • Exercícios orientados: movimentos que ativam a bomba músculo-articular e favorecem o retorno linfático;
    • Cuidados com a pele: higiene e hidratação rigorosas para prevenir infecções e evitar portas de entrada de bactérias;
    • Bombas pneumáticas intermitentes: podem ser indicadas como terapia adjuvante em casos selecionados;
    • Controle de peso e atividade física regular: reduzem a sobrecarga linfática e auxiliam no controle do edema;
    • Educação do paciente: inclui orientação para reconhecer sinais precoces de infecção e manter adesão às medidas de manutenção.

    O uso de remédios antibióticos é indicado para tratar episódios de celulite ou erisipela e, em casos de recidivas frequentes, alguns protocolos consideram profilaxia antibiótica.

    Nos casos em que há fibrose e adiposidade secundária importantes, podem ser avaliadas opções cirúrgicas, sempre em centros especializados e com critérios rigorosos de seleção:

    • Anastomoses linfático-venulares (LVA): conectam vasos linfáticos a vênulas para drenar a linfa;
    • Transferência de linfonodos vascularizados (VLNT): transplante de linfonodos saudáveis para restaurar o fluxo linfático;
    • Lipoaspiração específica: indicada para remoção de tecido fibroso e gorduroso em estágios avançados, com compressão rigorosa no pós-operatório.

    Os resultados variam conforme o estágio do linfedema, a localização e a adesão do paciente às medidas de manutenção contínua.

    Cuidados após o tratamento

    Mesmo após o controle do inchaço e melhora dos sintomas, o linfedema exige cuidados contínuos para evitar que o líquido volte a se acumular e cause novas complicações. Algumas das medidas de cuidado incluem:

    Mantenha o uso da compressão elástica

    O uso diário de meias, braçadeiras ou bandagens compressivas contribui para manter o fluxo linfático equilibrado. Elas ajudam a evitar o retorno do inchaço e devem ser trocadas periodicamente, conforme orientação do fisioterapeuta ou médico. Nunca utilize compressão que cause dor, dormência ou marcas profundas na pele.

    Pratique exercícios físicos regularmente

    Só o hábito de movimentar o corpo já estimula a drenagem natural da linfa. Os mais indicados para a rotina são exercícios leves, como caminhada, natação, pilates e alongamentos. Ah, e evite atividades de alto impacto ou levantamento de peso sem orientação, pois podem sobrecarregar o membro afetado.

    Cuide da pele todos os dias

    A pele com linfedema é naturalmente mais sensível, frágil e propensa a infecções como erisipela e celulite bacteriana, já que o acúmulo de linfa compromete as defesas locais. Por isso, é fundamental manter uma rotina de cuidados diários que preserve a integridade da pele.

    Primeiro de tudo, a hidratação deve ser feita com cremes neutros ou hipoalergênicos, aplicados com movimentos suaves, sempre após o banho. Também é importante usar repelente para prevenir picadas de insetos, além de limpar e desinfetar imediatamente qualquer ferimento, corte ou arranhão.

    Controle o peso corporal

    O excesso de peso aumenta a pressão sobre os vasos linfáticos e dificulta o retorno da linfa, favorecendo o acúmulo de líquido e o agravamento do inchaço. Para evitar isso, recomenda-se uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes e proteínas magras, com baixo teor de sal e gordura.

    Beber água em quantidade adequada ao longo do dia também ajuda na eliminação de toxinas e melhora o funcionamento do sistema linfático.

    Evite calor excessivo

    As altas temperaturas dilatam os vasos e pioram o inchaço, então é necessário evitar banhos muito quentes, saunas, exposição prolongada ao sol e o uso de bolsas térmicas quentes na região afetada.

    Sempre que possível, é interessante escolher ambientes ventilados, roupas leves e tecidos naturais, que favorecem a transpiração e mantêm o corpo fresco. Em dias mais quentes, o uso de compressas frias pode trazer alívio e ajudar a reduzir o edema.

    Linfedema tem cura?

    O linfedema não tem cura definitiva, mas é possível viver bem com o diagnóstico e controlar o inchaço. Após a fase intensiva, Marcelo explica que há uma fase de manutenção, para manter o resultado do tratamento.

    Se o cuidado for interrompido, o inchaço tende a voltar, já que o tratamento atual controla os sintomas, mas ainda não consegue restaurar totalmente o sistema linfático.

    Como prevenir o linfedema?

    Nem sempre é possível prevenir o linfedema, especialmente quando ele é resultado de uma cirurgia ou tratamento de radioterapia. No entanto, algumas medidas podem reduzir o risco e evitar o agravamento do problema, como:

    • Evitar traumas, cortes e picadas na área afetada;
    • Não usar roupas ou acessórios apertados;
    • Manter a pele limpa e hidratada;
    • Evitar exposição prolongada ao calor;
    • Controlar o peso corporal;
    • Fazer exercícios regulares com orientação profissional;
    • Procurar atendimento médico diante de qualquer sinal de infecção ou aumento do inchaço.

    Mulheres que passaram por cirurgias de câncer de mama, por exemplo, devem receber orientações específicas sobre cuidados com o braço operado para evitar o desenvolvimento do linfedema.

    Quando procurar atendimento médico?

    Qualquer inchaço que persista por mais de alguns dias ou aumente progressivamente deve ser avaliado por um médico. O linfedema é uma condição crônica e, quanto antes for diagnosticado, melhor será o controle dos sintomas.

    Assim, procure atendimento quando apresentar:

    • Inchaço em um membro que não melhora com o repouso;
    • Sensação de peso, formigamento ou rigidez;
    • Alterações na pele, como vermelhidão, calor ou feridas;
    • Febre ou dor súbita no local afetado.

    O acompanhamento com um cirurgião vascular ou fisioterapeuta especializado em linfoterapia é necessário para definir o tratamento mais adequado e evitar complicações.

    Confira: Trombose do viajante: o que é, sintomas, causas e como evitar

    Perguntas frequentes sobre linfedema

    1. Qual é a diferença entre linfedema e inchaço comum?

    O inchaço comum (edema) costuma ser temporário e melhora com o repouso, a elevação dos membros ou a eliminação da causa, como o calor ou o uso de medicamentos.

    Já o linfedema é persistente e tende a progredir. Com o tempo, o tecido se torna mais endurecido, o inchaço não regride completamente e aparecem alterações na pele. Ainda, o linfedema normalmente começa de forma localizada (como no dorso do pé ou da mão) e pode evoluir para toda a extremidade.

    2. O que é o “sinal de Stemmer” e como ele ajuda no diagnóstico de linfedema?

    O sinal de Stemmer é um teste clínico simples usado para ajudar no diagnóstico do linfedema e consiste em tentar pinçar a pele na base do segundo dedo do pé ou da mão. Se for difícil ou impossível levantar uma prega de pele, o teste é considerado positivo, indicando comprometimento linfático.

    O sinal costuma estar presente em casos moderados ou avançados de linfedema e ajuda a diferenciá-lo de outros tipos de edema.

    3. O linfedema pode afetar apenas um lado do corpo?

    O linfedema normalmente é unilateral, afetando apenas um braço ou uma perna, dependendo da área onde houve obstrução linfática. No entanto, pode ocorrer de forma bilateral, principalmente nos casos de linfedema primário, quando há anormalidade genética generalizada do sistema linfático. Mesmo nesses casos, a gravidade costuma ser assimétrica.

    4. O uso de meias de compressão ajuda a aliviar o inchaço do linfedema?

    O uso de meias elásticas ou bandagens compressivas é fundamental no tratamento e manutenção do linfedema. A compressão ajuda a impedir que a linfa volte a se acumular, melhora a circulação e mantém o volume reduzido após a drenagem. As meias devem ser ajustadas sob medida, com orientação de um profissional, e usadas diariamente, principalmente durante o dia.

    5. Existem alimentos que ajudam a controlar o linfedema?

    Não há uma dieta específica para o linfedema, mas o ideal é manter o peso corporal adequado, evitar o consumo excessivo de sal, que retém líquidos, e incluir alimentos como frutas, legumes, verduras e peixes ricos em ômega-3.

    A ingestão adequada de água também é importante para manter o equilíbrio do organismo e facilitar o trabalho do sistema linfático.

    Veja mais: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

  • Trombose do viajante: o que é, sintomas, causas e como evitar

    Trombose do viajante: o que é, sintomas, causas e como evitar

    Você já ouviu falar em trombose do viajante? Antigamente conhecida como síndrome da classe econômica, ela acontece pela formação de coágulos sanguíneos nas pernas ou coxas durante viagens de longa duração — em especial em aviões.

    A condição, conhecida como trombose venosa profunda (TVP), costuma estar relacionada a fatores individuais, como obesidade, idade avançada, gravidez, uso de anticoncepcionais hormonais ou terapia de reposição hormonal. Normalmente, você só vai sentir os sintomas depois da viagem, como inchaço súbito, dor e rigidez nas pernas.

    O maior risco associado à trombose do viajante é que, em alguns casos, o trombo pode se desprender da veia e viajar até os pulmões, causando uma complicação grave e potencialmente fatal, conhecida como embolia pulmonar.

    Conversamos com o cirurgião vascular Marcelo Dalio para esclarecer as principais dúvidas sobre a condição, incluindo como ela se manifesta, quando procurar atendimento e medidas de prevenção. Confira!

    Afinal, o que é trombose venosa profunda?

    A trombose venosa profunda (TVP) é uma condição causada pela formação de coágulos sanguíneos (trombos) no interior das veias profundas, normalmente nas pernas, que podem obstruir o fluxo normal do sangue e causar dor, inchaço e sensação de peso no membro afetado.

    Durante uma viagem longa, o corpo passa muito tempo parado, de modo que a falta de movimento faz com que o sangue tenha mais dificuldade para retornar das pernas ao coração. Como resultado, ele pode se acumular nas veias — e, com o tempo, formar um coágulo.

    O problema ganhou o apelido de “trombose do viajante” justamente por ser comum em pessoas que passam muitas horas sentadas, especialmente em aviões. As poltronas apertadas, o ar seco e o baixo nível de oxigênio na cabine agravam a situação, aumentando a viscosidade do sangue e favorecendo a formação de trombos.

    Vale lembrar que a trombose não é exclusiva dos voos — longos trajetos de carro ou ônibus também podem favorecer o problema. Segundo Marcelo, em viagens terrestres é possível fazer pausas e se movimentar, o que reduz o risco; já em viagens aéreas longas, isso é mais difícil.

    Por que as viagens longas aumentam o risco de trombose?

    As viagens longas aumentam o risco porque o corpo fica parado por muito tempo, com as pernas dobradas e pouca movimentação. A imobilidade prolongada dificulta a circulação do sangue, favorecendo o acúmulo nas veias e a formação de trombos.

    No avião, há agravantes como:

    • Baixa umidade da cabine (favorece desidratação);
    • Pressão atmosférica reduzida (altera a fisiologia);
    • Pouco espaço, dificultando mexer panturrilhas e tornozelos.

    Quem está mais vulnerável à trombose do viajante?

    Condições que aumentam significativamente o risco:

    • História prévia de trombose ou embolia pulmonar;
    • Cirurgias recentes (especialmente ortopédicas e abdominais);
    • Câncer e tratamentos oncológicos;
    • Uso de anticoncepcionais hormonais ou terapia de reposição hormonal;
    • Gravidez e pós-parto;
    • Obesidade e sedentarismo;
    • Tabagismo;
    • Idade acima de 60 anos.

    Ainda assim, qualquer pessoa pode desenvolver o problema se permanecer tempo demais sem se movimentar.

    Quais os sintomas de trombose venosa?

    De acordo com Marcelo, os sintomas geralmente aparecem após o desembarque e podem piorar nas horas seguintes:

    • Inchaço súbito em uma perna (panturrilha ou coxa);
    • Dor ou sensibilidade na perna, pior ao caminhar ou ficar em pé;
    • Calor local e vermelhidão;
    • Rigidez ou sensação de peso nas pernas.

    Os sinais surgem porque o coágulo impede a passagem do sangue, causando inflamação e acúmulo de líquido.

    Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), o perigo aumenta quando o trombo se desprende e migra para os pulmões, provocando embolia pulmonar. Nesses casos, pode haver falta de ar, dor no peito, tosse com sangue, tontura e desmaios. Qualquer sinal diferente após uma longa viagem merece avaliação médica.

    Quando saber que é hora de procurar atendimento médico?

    Procure um profissional de saúde se, nas horas ou dias após a viagem, você apresentar:

    • Inchaço em apenas uma perna;
    • Dor persistente na panturrilha;
    • Sensação de calor, vermelhidão ou endurecimento local;
    • Dificuldade para andar por dor ou peso na perna.

    O médico poderá solicitar ultrassonografia com doppler venoso para detectar coágulos e avaliar o fluxo sanguíneo. Quanto mais cedo o diagnóstico, menores as chances de complicações (embolia pulmonar, progressão do trombo ou síndrome pós-trombótica).

    Após viagens longas, os sintomas podem surgir entre 24 e 72 horas (ou mais). Sinais sutis que evoluem merecem atenção, especialmente em quem tem fatores de risco.

    Qual a relação entre trombose e embolia pulmonar?

    A TVP ocorre quando se forma um coágulo nas veias (geralmente das pernas). Se o coágulo se desprende e viaja até os pulmões, pode bloquear uma artéria pulmonar, causando uma embolia pulmonar — condição potencialmente grave, com falta de ar, dor torácica e taquicardia. Tratar a trombose precocemente reduz o risco de embolia.

    Como é feito o tratamento de trombose venosa profunda?

    O objetivo é impedir o aumento do coágulo e evitar que ele se desprenda:

    • Anticoagulantes (orais ou injetáveis): reduzem a coagulação, previnem novos trombos e permitem que o organismo dissolva o existente. A duração depende da gravidade e do risco de recorrência;
    • Internação e procedimentos (em casos graves): trombólise, trombectomia ou filtro de veia cava;
    • Meias de compressão graduada: aliviam dor e inchaço e ajudam a prevenir síndrome pós-trombótica (sempre com orientação médica).

    É seguro usar anticoagulantes antes de viajar?

    Não. O uso preventivo de anticoagulantes sem prescrição não é indicado, pois aumenta o risco de sangramentos. A prevenção deve focar movimentação e hidratação, nunca automedicação.

    Como evitar a trombose venosa durante uma viagem longa?

    Dicas da SBACV e do cirurgião vascular Marcelo Dalio:

    • Movimente-se a cada ~2 horas: levante, ande, estique as pernas; sentado, gire os tornozelos e flexione os pés;
    • Use roupas confortáveis e evite peças apertadas;
    • Meias de compressão (média compressão) se prescritas, especialmente para quem tem varizes, histórico familiar ou TVP prévia;
    • Hidrate-se: beba água antes, durante e após a viagem; evite álcool e excesso de cafeína;
    • Evite álcool e sedativos (podem aumentar imobilidade e desidratação);
    • Prefira assentos no corredor para facilitar levantar e se movimentar.

    Pessoas com histórico de trombose, doenças cardíacas, câncer, varizes ou gravidez devem conversar com o médico antes de viagens longas para medidas personalizadas.

    Confira: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Perguntas frequentes sobre trombose do viajante

    1. Qual a diferença entre trombose venosa e trombose arterial?

    A trombose venosa ocorre nas veias (retorno do sangue ao coração), gerando inchaço, dor e calor local. A trombose arterial ocorre nas artérias (envio de sangue oxigenado aos tecidos) e é mais rara, porém grave, podendo causar infarto, AVC ou isquemia de membros.

    2. A trombose tem cura?

    Sim, com diagnóstico precoce e anticoagulação adequada. O tratamento costuma durar de 3 a 6 meses (ou mais, conforme o caso). Acompanhamento médico e prevenção reduzem recidivas.

    3. A trombose pode voltar depois do tratamento?

    Sim. Quem já teve TVP tem risco maior de novos episódios. Meias elásticas, controle de peso, hidratação e atividade física ajudam a reduzir a recorrência.

    4. Como é feito o diagnóstico da trombose?

    É clínico e confirmado por imagem. O principal exame é a ultrassonografia com doppler venoso. Em casos complexos, podem ser solicitados exames laboratoriais e tomografia.

    5. A trombose pode acontecer em qualquer parte do corpo?

    É mais comum nas veias profundas das pernas, mas pode ocorrer em braços, abdômen, cérebro e coração. Sintomas persistentes e atípicos devem ser investigados.

    6. Existe relação entre trombose e obesidade?

    Sim. A obesidade aumenta a pressão nas veias das pernas, dificulta o retorno venoso e altera fatores de coagulação. Manter peso saudável, praticar exercícios e ajustar a alimentação reduz o risco e melhora a saúde cardiovascular.

    Leia também: Qual a relação entre varizes e dor nas pernas?

  • Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Com a correria do dia a dia, muitas pessoas chegam em casa à noite com o mesmo incômodo: uma sensação de pernas pesadas, inchadas e cansadas, às vezes com formigamento. Apesar de comum, ela pode ser causada por uma série de fatores — desde má circulação até hábitos do cotidiano.

    Conversamos com o cirurgião vascular Marcelo Dalio para apontar as principais causas, como reduzir o peso nas pernas e evitar que o desconforto se torne rotina.

    O que pode causar as pernas pesadas?

    A sensação de pernas pesadas pode ser causada por uma série de fatores, como:

    • Varizes: são veias dilatadas e tortuosas que dificultam o retorno do sangue das pernas para o coração. É a causa mais frequente na população;
    • Insuficiência cardíaca: o coração não consegue bombear o sangue de forma adequada, provocando inchaço nas pernas, geralmente acompanhado de falta de ar;
    • Problemas renais: os rins não filtram corretamente, causando retenção de líquidos, com inchaço em duas pernas e até no rosto pela manhã;
    • Doenças do fígado: o mau funcionamento do fígado pode levar ao acúmulo de líquidos e inchaço;
    • Doenças reumatológicas: inflamações crônicas que afetam articulações e tecidos também podem causar inchaço e peso nas pernas;
    • Estilo de vida: ficar longos períodos sentado ou em pé, usar salto alto com frequência, sobrepeso, má alimentação e sedentarismo são fatores que favorecem a sensação de pernas cansadas.

    Como aliviar a sensação de peso nas pernas?

    Pernas acima do coração

    Uma das recomendações mais eficazes é colocar as pernas acima do nível do coração. Segundo Marcelo, não adianta apenas apoiar os pés em um puff: o ideal é deitar-se no sofá e apoiar as pernas no braço ou em almofadas, de forma que fiquem inclinadas para cima. A posição cria uma espécie de “via de drenagem” — facilitando o retorno do sangue e reduzindo o inchaço.

    Você pode incluir esse hábito na sua rotina ao chegar do trabalho ou antes de dormir. Cerca de 15 a 20 minutos já ajudam a sentir alívio.

    Movimentar a panturrilha

    A panturrilha desempenha um papel importante na circulação, pois contribui para impulsionar o sangue em direção ao coração. Quando a musculatura permanece sem movimento por longos períodos, a circulação fica prejudicada e o sangue acaba se acumulando nos membros inferiores — o que favorece o surgimento da sensação de peso e inchaço.

    Para ativar a circulação, é importante movimentar a panturrilha:

    • Fazer exercícios de flexão e extensão dos tornozelos (como se estivesse usando uma antiga máquina de costura);
    • Subir na ponta dos pés e descer devagar, repetindo várias vezes;
    • Alongar as pernas após longos períodos sentado.

    Os movimentos simples podem ser feitos em casa ou no trabalho, e ajudam a reduzir a sensação de peso.

    Evitar calor excessivo

    O calor pode piorar bastante a sensação de pernas pesadas, já que as altas temperaturas provocam dilatação das veias. Com isso, o sangue circula mais lentamente, aumentando o inchaço e a sensação de cansaço nas pernas.

    Por isso, segundo Marcelo, banhos muito quentes podem intensificar o problema, assim como ambientes abafados e verões intensos. O ideal é optar por duchas mornas ou frias, que ajudam a refrescar e estimular a circulação.

    Outra dica é evitar longas exposições ao sol sem hidratação adequada. Sempre que possível, mantenha as pernas frescas e hidratadas.

    Massagem e cremes

    A massagem nas pernas pode proporcionar alívio imediato, já que estimula a circulação sanguínea e linfática. Você pode fazer movimentos suaves de baixo para cima, ajudando o sangue a retornar ao coração. Existem também cremes refrescantes com ativos como mentol e cânfora que potencializam a sensação de leveza.

    Além de relaxar, a massagem pode ser um momento de autocuidado ao final do dia. No entanto, em situações como insuficiência cardíaca ou varizes, ela funciona apenas como forma de aliviar os sintomas, sem resolver a causa do problema. Nesses casos, procure a ajuda de um médico.

    Drenagem linfática

    A drenagem linfática é uma técnica de massagem que ajuda a reduzir o inchaço e melhorar a circulação. No entanto, Marcelo Dalio faz uma observação importante: ela é um movimento passivo, ou seja, depende de um profissional estimular a drenagem.

    Por isso, para pessoas ativas, a melhor opção continua sendo o exercício físico, que fortalece a panturrilha e melhora o retorno venoso. A drenagem é mais indicada para quem tem limitações de movimento, como idosos ou pessoas com restrições de saúde.

    Se você optar pelo procedimento, busque sempre um profissional qualificado para garantir que a técnica seja feita de forma segura e eficaz.

    Quando procurar atendimento médico?

    A sensação de pernas pesadas costuma ser uma consequência da rotina, mas em alguns casos, pode indicar problemas mais sérios. É importante procurar atendimento médico se você apresentar:

    • Inchaço persistente em uma ou ambas as pernas;
    • Dor intensa ou que não melhora com repouso;
    • Vermelhidão, calor local ou presença de feridas;
    • Falta de ar associada ao inchaço;
    • Sintomas que pioram com frequência.

    Dependendo do quadro, pode ser necessário o uso de meias de compressão, medicamentos ou até procedimentos específicos. Apenas um médico pode indicar o tratamento mais adequado, por isso, não se automedique!

    Veja também: Pés inchados no fim do dia podem indicar problema no coração, mas há outras causas

    Perguntas frequentes sobre pernas pesadas

    1. O que são varizes?

    As varizes são veias dilatadas e tortuosas que perdem a capacidade de levar o sangue das pernas de volta ao coração — de modo que o acúmulo provoca sensação de peso, dor, inchaço e até cãibras noturnas.

    Além do incômodo estético, as varizes são um problema de saúde que pode evoluir para complicações, como trombose e úlceras venosas. O tratamento varia desde o uso de meias de compressão e medicamentos até procedimentos como laser ou cirurgia, dependendo da gravidade.

    2. Uso de salto alto pode causar pernas pesadas?

    Pode sim. O salto alto reduz o movimento natural da panturrilha, prejudicando o retorno do sangue das pernas para o coração, o que favorece o inchaço e a sensação de peso. Para prevenir o problema, é importante alternar os tipos de calçados, optar por sapatos mais confortáveis no dia a dia e dar pausas no uso do salto sempre que possível.

    3. Pernas pesadas podem ser sinal de problemas no coração?

    Podem, sim. Problemas como a insuficiência cardíaca podem provocar acúmulo de líquidos nas pernas, normalmente acompanhado de falta de ar e limitação para atividades físicas.

    Quando o coração não consegue bombear o sangue de forma eficiente, o líquido se acumula nos membros inferiores. Nesse caso, não adianta apenas elevar as pernas: é fundamental procurar um cardiologista para uma avaliação completa.

    4. Quem fica muito tempo sentado pode sentir as pernas pesadas?

    Sim, ficar sentado por muitas horas diminui a movimentação da panturrilha, que é fundamental para bombear o sangue de volta ao coração. Isso favorece o acúmulo de sangue e líquidos nas pernas, gerando peso e inchaço.

    5. O uso de remédios pode causar pernas pesadas?

    Alguns medicamentos, como anticoncepcionais hormonais, corticoides e certos anti-hipertensivos, favorecem a retenção de líquidos e dificultam a circulação venosa. Se você percebeu que os sintomas começaram após o uso de algum remédio, converse com o médico. Nunca interrompa o tratamento por conta própria, mas é possível avaliar alternativas mais adequadas.

    6. Existe alguma posição ideal para dormir e evitar pernas pesadas?

    Dormir de barriga para cima com as pernas levemente elevadas pode ajudar bastante. Colocar um travesseiro ou almofada sob os pés estimula o retorno venoso durante a noite. Ah, e evite dormir de bruços, pois a posição comprime vasos e articulações, atrapalhando a circulação.

    Confira: Varizes: o que são e como tratar

  • Qual a relação entre varizes e dor nas pernas?

    Qual a relação entre varizes e dor nas pernas?

    A dor nas pernas é um dos incômodos mais frequentes do dia a dia, especialmente na rotina de pessoas que passam muito tempo em pé ou sentadas. Ela pode ser causada por uma série de fatores, variando desde uma sensação de peso, que aparece no fim do dia, até dores intensas que atrapalham atividades simples.

    No entanto, quando a dor vem acompanhada de sinais típicos de varizes, como inchaço, sensação de peso e veias azuladas saltadas, é um sinal de alerta de alterações na circulação venosa. As varizes, além da estética, podem trazer desconfortos significativos e até indicar complicações vasculares mais graves.

    Mas afinal, como saber quando a dor nas pernas é sinal de varizes? Para esclarecer as principais dúvidas sobre essa relação, conversamos com o cirurgião vascular Marcelo Dalio. Confira!

    Afinal, como surgem as varizes?

    As varizes aparecem quando há falhas no retorno do sangue das pernas para o coração. Enquanto as artérias enviam o sangue para todo o corpo, o caminho de volta acontece pelas veias, que dependem da contração da musculatura, principalmente da panturrilha, e de pequenas válvulas internas que direcionam o fluxo para cima.

    Quando o mecanismo não funciona de forma eficiente, o sangue se acumula nos membros inferiores, provocando inchaço, peso e cansaço. Com o tempo, a sobrecarga favorece a dilatação dos vasos e o aparecimento das varizes, como explica Marcelo.

    Qual a relação entre varizes e dor nas pernas?

    A dor causada pelas varizes costuma ser descrita como um peso ou um cansaço nas pernas. Ela aparece, na maioria das vezes, nas duas pernas e tende a piorar ao final da tarde ou no fim do dia, especialmente depois de longos períodos em pé.

    Marcelo explica que situações comuns, como passar horas em um show, numa balada ou em trabalhos que exigem permanecer em pé (como segurança, limpeza ou comércio) favorecem o aparecimento do desconforto. Mas, quando a pessoa deita e eleva os pés, os sintomas costumam melhorar — justamente porque o sangue consegue fluir com mais facilidade.

    Além da dor, outros sintomas podem estar relacionados a varizes, como:

    • Inchaço nos tornozelos e pés;
    • Sensação de calor na região das veias;
    • Coceira na pele sobre as varizes;
    • Escurecimento da pele em estágios mais avançados.

    Dor nas pernas: o que mais pode ser?

    A dor nas pernas pode ser causada por uma série de fatores, desde causas simples e temporárias até condições que exigem avaliação médica, como:

    • Esforço físico: excesso de exercícios ou ficar muito tempo em pé pode gerar dor muscular e cansaço;
    • Problemas ortopédicos: alterações nos pés, quadris ou coluna podem sobrecarregar as pernas e provocar dor;
    • Lesões musculares: distensões, câimbras ou inflamações (como tendinite) provocam dor localizada;
    • Doenças articulares: artrite e artrose afetam joelhos e quadris, irradiando dor para as pernas;
    • Compressão nervosa: hérnia de disco ou ciático inflamado podem causar uma dor que desce pela perna;
    • Condições circulatórias graves: trombose venosa profunda, por exemplo, exige atenção médica imediata;
    • Outros fatores: obesidade, gravidez, uso de salto alto constante, sedentarismo e até alguns medicamentos podem contribuir para a dor.

    Se a dor nas pernas aparece com frequência e já começa a atrapalhar o dia a dia, o recomendado é procurar atendimento médico. Apenas um especialista pode investigar a causa, pedir exames se necessário e indicar o tratamento mais adequado.

    Como identificar as varizes?

    Não é difícil identificar as varizes, já que elas costumam ser visíveis sob a pele, formando veias azuladas, arroxeadas ou esverdeadas, dilatadas e tortuosas. No entanto, nem sempre os sinais externos aparecem logo de início. Em fases mais precoces, os sintomas podem se manifestar apenas como dor, inchaço e sensação de peso.

    Alguns sinais importantes para identificar incluem:

    • Veias aparentes: salientes, dilatadas e em formato irregular;
    • Sensação de peso: especialmente no fim do dia ou após longos períodos em pé;
    • Inchaço nos tornozelos: que pode piorar com o calor;
    • Alterações na pele: manchas, escurecimento ou descamação na região das pernas;
    • Câimbras noturnas: são comuns em pessoas com insuficiência venosa.

    Vale lembrar que existem também os vasinhos, que são menores, finos e superficiais. Eles costumam causar menos dor, mas podem ser um sinal inicial de insuficiência venosa. “Começa com um vasinho, depois eles vão se multiplicando, proliferando, e aí podem surgir sintomas”, explica Marcelo.

    O diagnóstico definitivo deve ser feito por um médico angiologista ou cirurgião vascular, geralmente com o auxílio do exame de ultrassonografia Doppler, que avalia o fluxo sanguíneo e confirma a presença de refluxo venoso.

    Quando procurar atendimento médico?

    É importante procurar um angiologista ou cirurgião vascular assim que surgirem os primeiros sinais de varizes ou qualquer sintoma relacionado, como:

    • Veias salientes e tortuosas;
    • Dor ou sensação de peso nas pernas;
    • Inchaço frequente ao final do dia;
    • Cãibras noturnas;
    • Formigamento;
    • Coceira;
    • Alterações na textura da pele ou até o aparecimento de manchas escuras na região das pernas e tornozelos.

    As varizes, de acordo com Marcelo, nunca são um problema apenas estético e o ideal é não esperar o problema agravar para procurar ajuda médica. Quanto antes o tratamento for iniciado, menores as chances de complicações, como úlceras varicosas, sangramentos ou trombose venosa.

    Leia mais: Pés inchados no fim do dia podem indicar problema no coração, mas há outras causas

    Perguntas frequentes sobre varizes e dor nas pernas

    1. As varizes sempre causam dor nas pernas?

    Nem sempre. Na verdade, muitas pessoas têm varizes bem visíveis e nunca sentem dor, enquanto outras podem sentir desconforto mesmo em casos leves. A dor típica das varizes costuma ser descrita como peso, queimação ou cansaço, principalmente no fim do dia ou após ficar muito tempo em pé.

    Isso acontece porque as veias não conseguem bombear o sangue de volta ao coração de forma eficiente, causando acúmulo de sangue e aumento da pressão dentro delas.

    2. Relaxante muscular serve para dor nas pernas?

    O relaxante muscular pode aliviar a dor nas pernas se ela for causada por tensão ou espasmos musculares, como depois de muito esforço físico, má postura ou câimbras. Nesses casos, o remédio pode trazer alívio temporário, porque age diminuindo a contração involuntária dos músculos.

    Quando a dor está associada a problemas de circulação, como varizes, insuficiência venosa ou até trombose, o relaxante muscular não resolve. Na verdade, ele pode até mascarar o sintoma, atrasando o diagnóstico. Por isso, não utilize nenhum medicamento sem orientação médica.

    3. Sentir câimbras frequentes à noite pode ser sinal de varizes?

    Pode ser. As câimbras noturnas são comuns em quem tem insuficiência venosa, já que a má circulação prejudica a oxigenação dos músculos. Isso deixa a musculatura mais sensível e propensa a contrações involuntárias.

    No entanto, as câimbras também podem estar ligadas à falta de magnésio, potássio, desidratação ou uso de certos remédios. Se elas vierem acompanhadas de varizes visíveis, inchaço ou dor, vale procurar orientação de um médico.

    4. As varizes podem provocar feridas dolorosas nas pernas?

    Sim, quando a insuficiência venosa não é tratada, a pressão dentro das veias e o acúmulo de líquido nos tecidos prejudicam a oxigenação da pele. Isso pode levar à formação de úlceras varicosas, feridas abertas, dolorosas e de difícil cicatrização, geralmente localizadas nos tornozelos. Elas exigem tratamento médico especializado.

    5. Tenho varizes e dor nas pernas, posso fazer exercícios físicos?

    Sim, e é até recomendado. A prática regular de atividade física ajuda a melhorar a circulação sanguínea, fortalece a musculatura da panturrilha e reduz os sintomas de peso, dor e inchaço nas pernas.

    Atividades como caminhada, bicicleta ergométrica, pilates, yoga são algumas das mais recomendadas, porque estimulam a circulação sem sobrecarregar as veias.

    Saiba mais: Varizes: o que são e como tratar