Blog

  • Hanseníase: o que é, sintomas, transmissão e tratamento

    Hanseníase: o que é, sintomas, transmissão e tratamento

    Com sintomas que acometem principalmente a pele e os nervos periféricos, a hanseníase é uma doença infecciosa e crônica que afeta cerca de 30 mil brasileiros por ano, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

    Apesar do histórico de preconceito e estigmas, a hanseníase é uma doença curável, cujo tratamento está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). Quando iniciado logo nos primeiros sintomas, ele interrompe a transmissão e evita sequelas permanentes — de modo que a pessoa pode levar uma vida normal, trabalhar, estudar e manter suas relações sociais plenamente.

    Para entender os principais detalhes sobre a doença, conversamos com a médica de família e comunidade, Lilian Ramaldes. Confira, a seguir.

    O que é hanseníase?

    A hanseníase é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae, também chamada de bacilo de Hansen. O microrganismo atinge principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo causar alterações na sensibilidade, na força muscular e, em casos avançados, deformidades físicas.

    Ela é uma condição de evolução lenta, com um período de incubação que pode variar de dois a sete anos — em alguns casos, ultrapassando uma década. Por isso, o diagnóstico pode ser tardio, especialmente quando os sintomas iniciais são sutis e confundidos com outras condições dermatológicas e neurológicas.

    Aliás, a hanseníase não afeta apenas a pele: o comprometimento dos nervos pode provocar dormência, formigamento, perda de sensibilidade ao calor, ao toque ou à dor, o que aumenta o risco de ferimentos e infecções secundárias.

    Atenção ao nome

    Apesar de ter sido conhecida historicamente como “lepra”, termo que carregou forte conotação discriminatória ao longo dos séculos, o nome oficial adotado no Brasil é hanseníase, em referência ao médico norueguês Gerhard Armauer Hansen, que descobriu o agente causador da doença em 1873.

    O que causa a hanseníase?

    O agente responsável pela hanseníase é o Mycobacterium leprae, uma bactéria de crescimento lento e que tem predileção por áreas do corpo mais frias, como mãos, pés, orelhas, nariz e rosto. A infecção ocorre quando o bacilo penetra no organismo e se instala na pele ou nos nervos periféricos.

    Vale apontar que qualquer pessoa pode entrar em contato com a bactéria, mas nem todo mundo adoece, uma vez que o desenvolvimento da hanseníase depende da resposta imunológica individual.

    Apenas uma parte das pessoas expostas desenvolve a infecção, e o risco aumenta diante de fatores genéticos, condições de vida precárias, desnutrição e baixa imunidade.

    Tipos de hanseníase

    A hanseníase é classificada de acordo com a forma como o sistema imunológico reage à infecção pelo Mycobacterium leprae:

    • Hanseníase paucibacilar (PB): é a forma inicial e mais leve da doença, em que o paciente apresenta até cinco lesões de pele, normalmente com diminuição da sensibilidade no local, e os exames baciloscópicos são negativos (ou seja, há poucos ou nenhum bacilo visível). O organismo consegue controlar parcialmente a infecção;
    • Hanseníase multibacilar (MB): é a forma mais avançada e contagiosa, caracterizada por mais de cinco lesões na pele, comprometimento de nervos periféricos e exames baciloscópicos positivos (com grande quantidade de bacilos). As lesões tendem a ser mais extensas, simétricas e podem causar deformidades se não tratadas precocemente.

    Como ocorre a transmissão da hanseníase?

    A transmissão da hanseníase acontece por meio das vias aéreas superiores, quando uma pessoa doente, na forma contagiante da doença e ainda sem tratamento, elimina o bacilo ao tossir, espirrar ou falar.

    Contudo, Lilian esclarece que não é fácil pegar hanseníase: é necessário contato próximo e prolongado com uma pessoa não tratada, normalmente dentro do mesmo domicílio.

    Assim, familiares e conviventes diretos de pacientes com hanseníase multibacilar (forma em que há grande quantidade de bacilos) são considerados o principal grupo de risco.

    Já os pacientes com forma paucibacilar, que apresentam poucos bacilos, não representam risco de transmissão significativa. A partir do início do tratamento, o paciente deixa de transmitir a doença, tornando-se não contagiante.

    O M. leprae sobrevive pouco tempo fora do corpo humano, e não há evidências de transmissão por insetos, água, solo ou objetos. Além disso, a doença também não é transmitida por toque, abraço, aperto de mão, nem por compartilhamento de roupas, pratos ou talheres. Logo, não há risco no convívio social, escolar ou profissional com alguém que já esteja em tratamento.

    Sintomas de hanseníase

    Os sintomas da hanseníase variam de acordo com a forma clínica e a resposta imunológica de cada pessoa, mas alguns sinais são comuns e devem ser observados com atenção, como aponta o Ministério da Saúde:

    • Manchas na pele (brancas, avermelhadas, acastanhadas ou amarronzadas), com alteração da sensibilidade ao calor, ao frio, à dor ou ao tato;
    • Áreas com diminuição de pelos e suor, especialmente nas regiões das manchas;
    • Formigamento, dormência ou fisgadas em mãos, pés, orelhas e rosto;
    • Diminuição ou ausência de força muscular, dificultando segurar objetos ou caminhar;
    • Nódulos ou caroços avermelhados e dolorosos;
    • Espessamento de nervos periféricos, perceptível ao toque;
    • Ferimentos ou queimaduras sem dor, devido à perda de sensibilidade.

    Os sintomas normalmente aparecem de forma lenta e progressiva. De acordo com Lilian, a falta de sensibilidade é um sinal de alerta: “a pele pode ter uma aparência simples, mas perde a capacidade de sentir calor, frio ou dor”, complementa a médica.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da hanseníase é clínico e deve ser feito por um dermatologista. Durante o exame físico, ele realiza uma avaliação completa, examinando cuidadosamente a pele e testando a sensibilidade térmica, tátil e dolorosa nas áreas suspeitas de lesão.

    Além disso, o profissional também verifica o espessamento dos nervos periféricos e possíveis sinais de comprometimento motor. Quando há dúvida, podem ser solicitados exames complementares, como:

    • Baciloscopia: análise de amostras da pele para detectar a presença do bacilo;
    • Histopatologia: biópsia de pele ou nervo para avaliar alterações características;
    • Exames eletrofisiológicos: indicados para investigar o comprometimento neural.

    O diagnóstico em crianças requer uma atenção especial, pois os sintomas podem ser sutis e difíceis de interpretar. A identificação de casos infantis costuma indicar transmissão ativa dentro do ambiente familiar — o que reforça a importância da investigação dos contatos.

    Como é feito o tratamento da hanseníase?

    O tratamento da hanseníase é gratuito e está disponível em todas as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele é feito com um conjunto de medicamentos conhecido como Poliquimioterapia Única (PQT-U), que combina rifampicina, dapsona e clofazimina.

    O tratamento varia de acordo com o tipo de hanseníase, de modo que a hanseníase paucibacilar normalmente tem duração de 6 meses de tratamento, enquanto a multibacilar dura cerca de 12 meses.

    As doses são administradas mensalmente sob supervisão de um profissional de saúde, e as demais tomadas são realizadas em casa. Com o início do tratamento, a pessoa deixa de transmitir a doença imediatamente, podendo levar vida normal — trabalhar, estudar e conviver socialmente sem nenhuma restrição.

    Durante o acompanhamento, o profissional de saúde também orienta sobre cuidados com a pele, prevenção de ferimentos e exercícios simples que ajudam a preservar a força muscular e a sensibilidade.

    Hanseníase tem cura?

    Sim, a hanseníase tem cura. Segundo Lilian, com o início do tratamento, a pessoa deixa de transmitir a doença imediatamente — e é possível evitar sequelas irreversíveis nos nervos e deformidades físicas.

    Após a cura, o paciente pode levar uma vida normal, mas é importante manter o acompanhamento para prevenir complicações, especialmente nas pessoas que já apresentaram algum grau de comprometimento neural.

    Complicações da hanseníase

    Quando não tratada precocemente, a hanseníase pode evoluir para complicações graves. As principais estão relacionadas ao dano neural e às reações imunológicas inflamatórias:

    • Complicações diretas: ocorrem devido à presença do bacilo em grandes quantidades, especialmente em pacientes multibacilares, resultando em lesões extensas na pele e em outros tecidos;
    • Complicações neurais: surgem da lesão dos nervos periféricos, levando à perda de sensibilidade, deformidades nas mãos e nos pés e limitação funcional;
    • Complicações reacionais: são respostas inflamatórias do sistema imunológico, que podem provocar dor, inchaço e vermelhidão, geralmente durante o tratamento.

    As alterações, quando não tratadas, podem comprometer atividades básicas da vida diária e impactar o bem-estar emocional e social.

    É possível prevenir a hanseníase?

    Sim, é possível prevenir a hanseníase por meio do diagnóstico precoce e do tratamento imediato das pessoas infectadas, o que ajuda a interromper a cadeia de transmissão.

    Além disso, a vacinação com a BCG em contatos próximos e a busca por atendimento médico ao notar manchas na pele com perda de sensibilidade são medidas fundamentais para evitar novos casos e controlar a disseminação da doença.

    Estigma e preconceito

    Por muitos anos, a hanseníase foi cercada por medo e exclusão. Pacientes eram submetidos ao isolamento compulsório, afastados da família, do trabalho e da vida em comunidade.

    Apesar de a ciência já ter provado que a hanseníase tem cura, não é transmitida por contato simples e o tratamento é gratuito e eficaz, o estigma e o preconceito ainda provocam sofrimento, vergonha e, consequentemente, atraso no diagnóstico, afastando as pessoas do convívio social, da escola e do emprego.

    É fundamental compreender que, durante o tratamento, a pessoa com hanseníase não transmite mais o bacilo e pode levar uma vida completamente normal — trabalhar, estudar, conviver socialmente e manter seus relacionamentos sem qualquer restrição.

    Em qualquer situação, o foco deve estar no acolhimento, na informação e no respeito, jamais em atitudes discriminatórias que violem direitos do outro.

    O Brasil é uma referência mundial no controle da hanseníase e possui legislação que proíbe linguagem discriminatória contra pessoas que possuem hanseníase. Casos de preconceito podem ser denunciados à ouvidoria do SUS ou pelo Disque Saúde 136.

    Confira: Qual a relação entre varizes e dor nas pernas?

    Perguntas frequentes sobre hanseníase

    1. Quanto tempo demora para a hanseníase aparecer depois da infecção?

    O período entre o contato com o bacilo e o aparecimento dos primeiros sintomas é longo. Na maioria dos casos, a hanseníase leva de dois a sete anos para se manifestar, mas há registros de períodos mais curtos (menos de dois anos) e mais longos (acima de dez).

    A variação depende da resposta do sistema imunológico de cada pessoa e da carga de bacilos a que foi exposta. Como o Mycobacterium leprae se multiplica muito lentamente, a doença pode permanecer silenciosa por vários anos antes de causar manchas ou alterações de sensibilidade.

    Assim, a vigilância constante e o exame de contatos próximos de pessoas doentes são medidas fundamentais para o diagnóstico precoce.

    2. Como saber se a mancha na pele é hanseníase ou outro problema?

    A principal diferença para ficar atento é a alteração de sensibilidade, pois nas áreas afetadas pela hanseníase, a pessoa não sente calor, dor ou toque. Além disso, as manchas geralmente têm bordas nítidas, podem ser esbranquiçadas, avermelhadas ou acastanhadas e não coçam.

    Já alergias, micoses e outras doenças de pele costumam causar coceira, descamação e incômodo, o que não ocorre nas lesões hansênicas.

    O ideal é procurar uma unidade de saúde para avaliação clínica. O exame é rápido, indolor e fundamental para confirmar ou descartar o diagnóstico.

    3. Uma pessoa com hanseníase precisa se afastar do trabalho ou da escola?

    Não, quem está em tratamento pode continuar suas atividades normalmente. Logo após a primeira dose dos medicamentos, a pessoa deixa de transmitir a doença e não há risco para colegas, professores, amigos ou familiares.

    O afastamento só é indicado quando há complicações físicas que impeçam o desempenho das atividades, e mesmo nesses casos o suporte médico e social busca manter a inclusão e o retorno rápido à rotina. A hanseníase (e nenhuma outra condição de saúde) não deve ser motivo de exclusão, pois é tratável e não se transmite por contato cotidiano.

    4. A hanseníase pode voltar depois da cura?

    Quando o tratamento é realizado corretamente, a hanseníase não volta. O que pode acontecer em alguns casos são reações hansênicas, que são respostas do sistema imunológico aos restos do bacilo morto. Elas não indicam retorno da doença, mas sim uma inflamação passageira.

    As reações podem ocorrer durante o tratamento ou até meses depois da alta e precisam ser acompanhadas por profissionais de saúde, pois podem causar dor, febre, vermelhidão e nódulos dolorosos. O controle é simples e não há necessidade de reiniciar o esquema de poliquimioterapia.

    5. Como cuidar da pele durante o tratamento da hanseníase?

    Durante o tratamento, a pele pode ficar mais seca e sensível, então é importante aplicar cremes ou óleos neutros logo após o banho, quando a pele ainda está úmida, para ajudar a reter a umidade.

    É recomendável evitar produtos com álcool, perfumes fortes ou corantes, que podem irritar a pele. Banhos muito quentes também devem ser evitados, pois ressecam ainda mais. Nas áreas com perda de sensibilidade, deve-se observar atentamente se há ferimentos, bolhas ou queimaduras, já que a pessoa pode se machucar sem perceber.

    Leia também: ‘Doença do beijo’: sintomas e tratamento da mononucleose infecciosa

  • Teste da orelhinha: para que serve e como é feito

    Teste da orelhinha: para que serve e como é feito

    Com a chegada de um recém-nascido, há uma série de exames que devem ser realizados nos primeiros dias de vida para garantir que o bebê esteja saudável. Um deles é o teste da orelhinha, também conhecido como triagem auditiva neonatal (TAN), que ajuda a identificar precocemente possíveis alterações na audição.

    Segundo a Academia Americana de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço, cerca de 1 em cada 1.000 crianças já nasce com surdez ou com algum grau severo de perda auditiva, caracterizada como congênita. O número pode ser ainda maior em crianças prematuras ou que apresentaram complicações durante a gestação ou o parto.

    Com a orientação de um especialista, reunimos as principais informações sobre o exame e como ele é feito, além de outros testes obrigatórios para recém-nascidos no Brasil.

    Para que serve o teste da orelhinha?

    O teste da orelhinha serve para verificar se o bebê apresenta algum grau de perda auditiva já nos primeiros dias de vida, o que permite identificar possíveis alterações de forma precoce.

    Quando isso acontece, os profissionais de saúde podem iniciar o acompanhamento e, se necessário, o tratamento ainda nos primeiros meses, fase em que o desenvolvimento da audição e da fala é mais intenso.

    Quando a deficiência auditiva não é diagnosticada logo cedo, a criança pode apresentar atrasos no desenvolvimento da fala, dificuldades de aprendizagem e até impacto na vida social e emocional.

    Afinal, o bebê começa a ouvir ainda na barriga da mãe, por volta do quinto mês de gestação. Desde cedo, os sons ajudam no seu desenvolvimento, especialmente na construção da linguagem.

    Quando existe alguma perda auditiva, mesmo que pequena, o bebê deixa de receber estímulos sonoros importantes — o que pode atrapalhar o aprendizado da fala e da comunicação.

    Como é feito o teste da orelhinha?

    O teste da orelhinha é feito por profissionais capacitados, geralmente fonoaudiólogos, ainda na maternidade. De acordo com o otorrinolaringologista Giuliano Bongiovanni, é um exame indolor, rápido, a criança mal percebe que está sendo feito e não depende da colaboração dela.

    No teste, uma pequena sonda, que parece um fone de ouvido macio, é colocada delicadamente na entrada do canal auditivo do recém-nascido — e é conectada a um aparelho que emite sons de baixa intensidade.

    O aparelho emite sons suaves e a sonda capta a resposta do ouvido interno do bebê (a cóclea). O ouvido de uma criança com audição normal, ao receber esses sons, produz um eco que o aparelho consegue registrar. Se a resposta for captada pelo aparelho, indica que a audição do pequeno está funcionando bem.

    E quando o teste apresenta alteração?

    Quando o teste aponta alguma alteração, Giuliano aponta que pode ser necessário a realização do Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE), também conhecido como BERA, um exame complementar que verifica como o nervo auditivo e o cérebro respondem a estímulos sonoros, fornecendo dados mais precisos sobre o tipo e o grau da perda.

    Nessa etapa, também é feita a diferenciação entre crianças de baixo e alto risco. Nos bebês de baixo risco, em geral, Giuliano explica que as emissões otoacústicas (teste da orelhinha) já são suficientes.

    Já em crianças consideradas de alto risco (como as que tiveram complicações perinatais ou precisaram de internação em UTI), o BERA deve ser realizado desde o início, independentemente do resultado da triagem inicial.

    Uma vez identificado o tipo e o grau da perda, a criança é direcionada para um programa de intervenção precoce. O acompanhamento inclui a orientação da família, a adaptação ao uso de aparelhos auditivos ou implante coclear, quando indicado, e o início da terapia fonoaudiológica.

    Confira: Janela imunológica: como prevenir alergia alimentar em bebês

    Quando fazer o teste da orelhinha?

    O ideal é que o teste da orelhinha seja feito ainda na maternidade, antes da alta hospitalar. Isso costuma acontecer entre as primeiras 24 e 48 horas de vida.

    Se por algum motivo o bebê não fizer o teste ainda na maternidade, os pais ou responsáveis podem e devem procurar um serviço de saúde do SUS ou clínica especializada para realizar o exame gratuitamente até os 30 primeiros dias de vida.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria reforçam o protocolo conhecido como 1-3-6:

    1. 1 mês: o teste inicial de audição deve ser feito preferencialmente nas primeiras 24 a 48 horas de vida do bebê, ainda na maternidade, ou no máximo até o 1º mês de vida. Isso ajuda a identificar rapidamente se há alguma alteração auditiva;
    2. 3 meses: se houver alteração, um diagnóstico completo e aprofundado deve ser realizado por um fonoaudiólogo até os 3 meses de vida;
    3. 6 meses: se a perda auditiva for confirmada, o processo de intervenção, que pode incluir o uso de aparelhos auditivos ou implante coclear, deve ser iniciado o quanto antes, idealmente até os 6 meses de vida.

    O protocolo garante que, mesmo em casos de perda auditiva, a criança tenha tempo de iniciar a intervenção precoce e desenvolver fala e linguagem sem grandes prejuízos.

    É um teste obrigatório?

    Sim, a triagem auditiva neonatal é considerada um exame obrigatório em todo o Brasil, garantido por lei e pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Dessa forma, todos os hospitais e maternidades devem oferecer gratuitamente o exame a todos os recém-nascidos antes da alta hospitalar.

    Perguntas frequentes sobre teste da orelhinha

    1. O que os pais devem fazer se a maternidade não oferecer os testes?

    Se algum dos exames obrigatórios não for realizado na maternidade, os pais devem procurar imediatamente uma unidade de saúde do SUS para agendar.

    O sistema público garante todos esses testes de forma gratuita, e é um direito da criança recebê-los. Caso haja negativa do hospital, os responsáveis podem exigir a realização com base na legislação vigente.

    2. O bebê precisa de algum preparo para fazer os testes obrigatórios?

    Não, nenhum dos testes neonatais exige preparo especial. O bebê pode estar mamando, dormindo ou até mesmo chorando durante a realização. Para o teste do pezinho, a recomendação é apenas que ele seja feito entre o 3º e o 5º dia de vida, porque nesse período as doenças rastreadas ficam mais fáceis de identificar.

    3. O teste da orelhinha dói?

    Não, o exame é completamente indolor, não exige picadas, agulhas ou cortes. O bebê pode até estar dormindo durante o procedimento, que dura em torno de 5 a 10 minutos.

    4. Qual o valor do teste da orelhinha?

    O teste da orelhinha é gratuito em todo o Brasil porque é garantido por lei desde 2010. Todos os hospitais e maternidades, sejam públicos ou privados, devem realizar o exame sem custo para a família.

    5. O teste da orelhinha pode ser feito em crianças maiores?

    Sim, mas nesse caso já não é considerado triagem neonatal e pode exigir outros exames auditivos complementares. O recomendado é que todos os bebês façam até o primeiro mês de vida. Depois disso, existem outros métodos de avaliação da audição infantil, indicados pelo pediatra ou pelo otorrino.

    6. O que é o exame PEATE e quando ele é indicado?

    O Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE) é um exame complementar usado quando o teste da orelhinha apresenta alteração ou quando o bebê tem fatores de risco. Ele avalia como o nervo auditivo e o cérebro respondem aos estímulos sonoros, oferecendo informações mais detalhadas sobre o grau e o tipo de perda auditiva. É seguro, indolor e pode ser feito em bebês pequenos.

    Leia mais: Criptorquidia: o que é, causas, fatores de risco e cirurgia

  • Cansaço, dor e nevoeiro mental: como reconhecer a fibromialgia 

    Cansaço, dor e nevoeiro mental: como reconhecer a fibromialgia 

    Cansaço constante, dores espalhadas pelo corpo e noites mal dormidas são queixas comuns de quem vive com fibromialgia, uma condição crônica que afeta milhões de pessoas, principalmente mulheres. Mais do que uma simples dor muscular, trata-se de uma síndrome complexa, que interfere no sono, na memória e no bem-estar.

    Apesar de ainda não ter uma cura específica, a boa notícia é que há tratamento. Com diagnóstico correto e um plano de cuidado que combina exercícios, apoio psicológico e acompanhamento médico, é possível reduzir a dor, recuperar a energia e melhorar a qualidade de vida.

    O que é fibromialgia

    A fibromialgia (FM) é uma síndrome caracterizada por dor muscular crônica e difusa, que afeta diversas partes do corpo. É mais frequente em mulheres e costuma vir acompanhada de fadiga intensa, sono não reparador, dificuldades de memória e concentração (chamadas de “nevoeiro mental”), ansiedade e depressão.

    Esses sintomas podem dificultar as tarefas rotineiras e atrapalhar a vida profissional e social.

    Quais são as causas da fibromialgia

    Ainda não existe uma única causa identificada, mas a fibromialgia parece acontecer quando o sistema nervoso central amplifica os sinais de dor — ou seja, estímulos leves passam a ser percebidos como dolorosos.

    Entre os fatores que participam desse processo estão:

    • Alterações nos neurotransmissores, substâncias que transmitem sinais no cérebro;
    • Predisposição genética;
    • Estresse prolongado;
    • Infecções;
    • Problemas hormonais;
    • Lesões ou doenças inflamatórias prévias.

    Como a fibromialgia se manifesta

    Os sintomas variam, mas os mais comuns são:

    • Dor generalizada e contínua, em forma de dor muscular ou sensação de “queimação”;
    • Fadiga intensa, mesmo após dormir por longas horas;
    • Sono não reparador, com sensação de cansaço ao acordar;
    • Dificuldade de memória e concentração (“nevoeiro mental”);
    • Alterações de humor, como ansiedade e depressão;
    • Sensibilidade aumentada ao toque, com pontos dolorosos espalhados pelo corpo.

    A condição pode surgir gradualmente ou após um fator desencadeante, como trauma físico, infecção ou estresse intenso.

    Problemas associados

    A fibromialgia frequentemente aparece junto com outras síndromes de sensibilidade aumentada, como:

    • Síndrome do intestino irritável;
    • Bexiga hiperativa;
    • Enxaqueca crônica;
    • Dores na face (ATM);
    • Sensibilidade a cheiros fortes ou produtos químicos.

    Também é comum a associação com transtornos de humor, como ansiedade e depressão.

    Diagnóstico da fibromialgia

    O diagnóstico é clínico, feito pelo médico com base nos sintomas e no exame físico.

    De modo geral, considera-se fibromialgia quando há:

    • Dor difusa em várias regiões do corpo por mais de três meses;
    • Sensibilidade aumentada ao toque em diferentes áreas (os chamados tender points).

    Os exames de sangue e imagem costumam ser normais. O médico, no entanto, pode solicitar alguns testes para descartar outras doenças, como:

    • Exames de tireoide;
    • Marcadores de inflamação;
    • Dosagem de cálcio;
    • Avaliação da força muscular e, em alguns casos, pesquisa de infecções relacionadas.

    Tratamento: como aliviar os sintomas

    Não existe uma cura única para a fibromialgia, mas há muitas formas de controle. O tratamento é individualizado e combina medidas não medicamentosas, uso criterioso de medicamentos e apoio psicológico.

    1. Medidas não medicamentosas (fundamentais)

    • Educação sobre a doença: entender o que é a fibromialgia ajuda a lidar melhor com os sintomas;
    • Exercícios regulares: atividades leves, como caminhada, hidroginástica, alongamentos e exercícios aeróbicos, trazem grande alívio. O ideal é começar devagar e aumentar aos poucos;
    • Fisioterapia e reabilitação: ajudam a melhorar o movimento e a força muscular;
    • Tratamento do sono: manter rotinas fixas e adotar higiene do sono; o médico pode orientar ajustes ou terapias complementares;
    • Terapias psicológicas: a terapia cognitivo-comportamental (TCC) e técnicas de manejo do estresse reduzem o sofrimento emocional e melhoram o funcionamento;
    • Pacing (ritmo): aprender a dosar as atividades e intercalar períodos de descanso ajuda a evitar pioras bruscas de dor e cansaço.

    2. Medicamentos

    O uso de medicamentos deve sempre ser feito com orientação médica, avaliando benefícios e riscos. Podem ser indicadas:

    • Analgésicos;
    • Antidepressivos, que ajudam na regulação da dor e do humor;
    • Relaxantes musculares, para aliviar a rigidez.

    A escolha depende do perfil e das necessidades do paciente.

    Dicas práticas para o dia a dia

    • Mantenha horários regulares de sono e evite telas antes de dormir;
    • Faça atividade física regular, mesmo que leve;
    • Pratique relaxamento, como respiração, alongamento ou meditação;
    • Divida as tarefas e respeite os limites do corpo;
    • Busque apoio psicológico e, se possível, participe de grupos de apoio;
    • Converse com o médico sobre todos os sintomas e medicamentos usados.

    Confira: Alongamentos simples para aliviar dores musculares: veja quando e como praticar

    Perguntas frequentes sobre fibromialgia

    1. Fibromialgia é uma doença reumatológica ou psicológica?

    É uma síndrome de amplificação da dor, com origem no sistema nervoso central. Pode ter impacto físico e emocional, mas não é apenas psicológica.

    2. Quem tem fibromialgia sente dor o tempo todo?

    A dor costuma ser constante, mas varia de intensidade conforme o estresse, o sono e o nível de atividade física.

    3. A fibromialgia tem cura?

    Não existe cura definitiva, mas com tratamento adequado é possível controlar os sintomas e viver bem.

    4. O exercício físico piora a fibromialgia?

    Não. Quando feito de forma leve e progressiva, o exercício reduz a dor e melhora o sono e o humor.

    5. É possível trabalhar com fibromialgia?

    Sim, com ajustes de rotina e acompanhamento médico, a maioria das pessoas pode manter suas atividades normais.

    6. Remédios para depressão ajudam na fibromialgia?

    Sim. Alguns antidepressivos atuam também nos mecanismos da dor, melhorando o controle dos sintomas.

    7. O que piora a fibromialgia?

    Estresse, sono ruim, sedentarismo e excesso de esforço estão entre os principais fatores de piora.

    Leia também: Fisioterapia preventiva: cuidar antes da dor aparecer pode mudar sua saúde

  • Libido na menopausa: é possível recuperar?

    Libido na menopausa: é possível recuperar?

    Ondas de calor, alterações de humor, insônia e ressecamento vaginal estão entre os sintomas mais comuns da menopausa, fase que marca o fim definitivo da menstruação. O período está diretamente ligado à queda na produção dos hormônios estrogênio e progesterona, responsáveis por diversas funções de equilíbrio no corpo feminino — incluindo o desejo sexual.

    A falta de libido na menopausa é uma das questões mais frequentes do período, e envolve uma série de aspectos físicos e hormonais, que podem impactar na autoestima, qualidade de vida e bem-estar emocional da mulher. Entenda mais!

    O que é a libido e por que ela diminui na menopausa?

    A libido é o desejo sexual, um impulso natural que envolve o corpo e a mente. Na menopausa, ela é impactada principalmente pela queda dos níveis de estrogênio e testosterona — hormônios responsáveis por manter a lubrificação vaginal, a elasticidade dos tecidos e a sensibilidade sexual.

    Com a redução hormonal, o corpo passa a apresentar sinais que dificultam a resposta ao estímulo, como:

    • Ressecamento vaginal e dor durante a relação;
    • Alterações no humor e aumento da ansiedade;
    • Redução da lubrificação natural;
    • Diminuição da sensibilidade genital;
    • Fadiga e alterações no sono.

    Além disso, fatores como estresse, problemas de sono e autoestima abalada também contribuem para a diminuição do interesse sexual.

    Como aumentar a libido na menopausa?

    A queda da libido é muito comum na menopausa, mas existem formas de melhorar o desejo sexual e tornar a vida íntima mais prazerosa. Veja algumas medidas:

    Terapia de reposição hormonal

    A queda do estrogênio é uma das principais causas da baixa libido na menopausa, de modo que a terapia de reposição hormonal (TRH) pode contribuir para aumentar seus níveis hormonais, seja por comprimidos, adesivos, géis, implantes ou injeções.

    Além do estrogênio, a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza explica que existe a tibolona, uma molécula que já mostrou, em estudos, melhora na libido de mulheres na menopausa. Ela atua de forma ampla, ajudando não apenas no desejo, mas também em sintomas como ondas de calor e alterações de humor.

    É importante lembrar que a reposição hormonal deve sempre ser indicada e acompanhada por um médico, já que cada caso é único.

    Hormônios e a libido feminina

    O hormônio feminino (estrogênio) é o principal responsável pela libido da mulher. Quando usado na reposição hormonal, ele ajuda a recuperar o desejo sexual e a qualidade da vida íntima. No entanto, existe um mito de que o hormônio masculino (testosterona) aumentaria a libido feminina. Na prática, Andreia Sapienza aponta que não é verdade.

    Isso acontece porque boa parte da testosterona no corpo da mulher passa por um processo chamado aromatização, que a transforma em estrogênio. Isto é, o que realmente faz diferença para a libido feminina é o hormônio feminino, e não a testosterona ou outros andrógenos.

    No Brasil, não existem produtos de testosterona registrados para uso feminino — e nenhuma sociedade médica recomenda o uso rotineiro. Andreia explica que, em casos muito específicos, quando todos os recursos já foram tentados sem resultado, o médico pode avaliar a testosterona como opção para tratar o desejo sexual hipoativo (falta persistente de desejo).

    Tratamento da secura vaginal

    Um dos fatores que mais prejudicam a vida sexual na menopausa é a secura vaginal, que, como explica Andreia, faz parte da chamada síndrome geniturinária da menopausa.

    A queda do estrogênio afina o tecido vaginal e reduz a lubrificação natural, o que pode causar dor e desconforto durante a relação sexual. Isso provoca um ciclo negativo: a mulher sente dor, antecipa que vai sofrer de novo — e acaba perdendo ainda mais o desejo.

    Nesse caso, o tratamento mais indicado é a estrogenização local, que consiste no uso de estrogênio aplicado diretamente na vagina (em forma de creme, gel ou óvulos). O método melhora a lubrificação, a elasticidade e o conforto durante o sexo.

    Para mulheres que não podem usar hormônio, como pacientes que tiveram câncer de mama, existem outras alternativas, como lubrificantes, hidratantes vaginais e até tecnologias como laser, radiofrequência ou ultrassom microfocado, que estimulam a produção de colágeno e melhoram a lubrificação.

    Psicoterapia

    Além do aspecto hormonal, o lado emocional e afetivo desempenha um peso enorme na vida sexual da mulher. Muitas vezes, a queda do desejo está ligada a inseguranças, estresse, baixa autoestima ou até a dificuldades no relacionamento.

    Nesses casos, a terapia cognitivo-comportamental pode contribuir para devolver a confiança, melhorar a resposta sexual e tornar a intimidade mais prazerosa. Ela consiste em um tipo de psicoterapia focada e de curta duração, que ajuda a mudar padrões de pensamento e comportamento que atrapalham a vida sexual.

    Estilo de vida saudável

    De acordo com Andreia, a função sexual também está relacionada a mudanças no estilo de vida. Isso envolve uma série de hábitos, como:

    • Prática regular de exercícios físicos: além de aumentar a disposição no dia a dia, os exercícios melhoram a circulação sanguínea e a oxigenação dos tecidos, o que favorece a sensibilidade genital e a resposta sexual. Também estimulam a liberação de endorfinas e serotonina, neurotransmissores ligados ao prazer, ao bem-estar e ao controle da ansiedade;
    • Controle de doenças crônicas: condições como diabetes e hipertensão podem comprometer a vascularização da região genital, reduzindo a sensibilidade e dificultando o prazer. Mantê-las sob controle ajuda a preservar a saúde sexual e geral;
    • Sono de qualidade: dormir bem restaura a energia física, equilibra os hormônios e mantém a disposição. O descanso adequado previne a fadiga e a falta de motivação para a intimidade, funcionando como um aliado natural da libido;
    • Alimentos para aumentar a libido na menopausa: a dieta tem papel central na regulação hormonal e no bom funcionamento do organismo. Incluir alimentos ricos em vitaminas, minerais e antioxidantes ajuda a reduzir inflamações, manter o equilíbrio metabólico e favorecer a produção adequada de hormônios.

    Comunicação e estímulo adequado

    A libido também envolve fatores psicológicos, afetivos e emocionais, principalmente no caso das mulheres. Segundo Andreia, a forma de estímulo sexual feminino é diferente da masculina: é preciso que o aspecto emocional e afetivo esteja bem trabalhado.

    Enquanto algumas mulheres sentem o chamado desejo espontâneo, em que a vontade de intimidade surge de forma natural e frequente, outras possuem um perfil mais responsivo. Ou seja, elas não sentem vontade no primeiro momento, mas, quando recebem atenção, carinho e estímulo adequados, acabam entrando no clima e aproveitando a relação de forma positiva e prazerosa.

    Por isso, conversar abertamente com o parceiro (a) faz muita diferença no dia a dia. Falar sobre desejos, inseguranças e limites fortalece a confiança e aproxima o casal. Além disso, buscar novas formas de carinho, investir em preliminares mais longas, experimentar diferentes estímulos e valorizar pequenos gestos de afeto ajudam a manter o interesse sexual vivo e presente na rotina.

    Quando procurar ajuda médica?

    As alterações na libido que ocorrem na menopausa são comuns, mas quando elas afetam o bem-estar e a qualidade de vida, é fundamental procurar ajuda médica. Marque uma consulta com o ginecologista se você apresentar:

    • Dor ou desconforto frequente durante as relações sexuais;
    • Ressecamento vaginal persistente, mesmo com uso de lubrificantes;
    • Queda acentuada no desejo sexual que afeta a autoestima ou o relacionamento;
    • Alterações emocionais importantes, como tristeza, irritabilidade ou falta de interesse pela vida íntima;
    • Sintomas de insônia, ondas de calor e fadiga intensa que comprometem o bem-estar geral;
    • Histórico de doenças crônicas (como hipertensão ou diabetes), que exigem acompanhamento no ajuste dos tratamentos.

    O especialista poderá avaliar de forma individualizada se a paciente precisa de reposição hormonal, uso de estrogênio local, psicoterapia ou outras abordagens complementares.

    Vale lembrar que cada mulher vive a menopausa de forma única, então buscar acompanhamento médico não é apenas para tratar sintomas, mas também para prevenir complicações, melhorar a qualidade de vida e resgatar a confiança no próprio corpo.

    Confira: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

    Perguntas frequentes sobre libido na menopausa

    1. Como o ressecamento vaginal afeta a vida sexual?

    O ressecamento vaginal é um dos sintomas mais incômodos da menopausa e ocorre porque a queda de estrogênio afina as paredes vaginais, reduz a lubrificação natural e aumenta a sensibilidade à dor. Isso pode tornar a relação sexual desconfortável ou até dolorosa, fazendo com que a mulher evite a relação sexual.

    2. O que é menopausa precoce?

    A menopausa precoce ocorre quando os ciclos menstruais cessam antes dos 40 anos. Isso pode acontecer de forma espontânea, por falência ovariana, ou induzida, após cirurgias que retiram os ovários ou tratamentos como quimioterapia e radioterapia.

    A menopausa precoce exige atenção especial, já que aumenta os riscos de osteoporose e doenças cardiovasculares em idade mais jovem. O tratamento geralmente envolve reposição hormonal e acompanhamento multidisciplinar.

    3. Existe idade certa para entrar na menopausa?

    Não há uma idade exata, mas a média é de 51 anos. Algumas mulheres podem entrar na menopausa mais cedo, antes dos 40 anos, como é o caso da menopausa precoce. Já outras podem manter ciclos menstruais até os 55 anos ou mais. Fatores como genética, histórico familiar, tabagismo, cirurgias ginecológicas e certas doenças podem antecipar o início da menopausa.

    4. Como diferenciar menopausa de climatério?

    O climatério é o período de transição que antecede a menopausa, geralmente começando a partir dos 40 anos. Nele, os ciclos menstruais se tornam irregulares e os sintomas começam a aparecer devido às oscilações hormonais. Já a menopausa é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruação.

    5. O que é a síndrome geniturinária da menopausa?

    A síndrome geniturinária da menopausa é um conjunto de sinais e sintomas que surgem devido à queda dos níveis de estrogênio após a menopausa e que afetam a região genital, urinária e sexual da mulher. Eles incluem ressecamento vaginal, coceira, dor durante a relação sexual, urgência urinária e infecções recorrentes.

    6. Toda mulher precisa de reposição hormonal?

    Não, a reposição hormonal deve ser individualizada. Nem todas as mulheres apresentam sintomas que justifiquem seu uso.

    Além disso, existem algumas contraindicações importantes, como histórico de câncer de mama, trombose ou doenças cardíacas graves. O médico avalia os riscos e benefícios antes de prescrever o tratamento. Muitas vezes, mudanças no estilo de vida e tratamentos não hormonais já trazem resultados positivos no dia a dia.

    Leia também: Saúde do coração após a menopausa: conheça os cuidados nessa fase da vida

  • Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

    Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

    Causada por alterações no sistema imunológico ou um quadro infeccioso, a artrite reumatoide é uma doença crônica que afeta mais de 2 milhões de brasileiros, segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Nos casos mais graves, pode haver perda de mobilidade e até o comprometimento de órgãos como pulmões, coração e vasos sanguíneos.

    Conversamos com a reumatologista Flavia Alexandra Guerrero para entender como a doença se manifesta, os primeiros sintomas e os principais meios de tratamento disponíveis atualmente.

    O que é artrite reumatoide?

    A artrite reumatoide é uma doença autoimune inflamatória crônica em que o próprio sistema imunológico, que deveria proteger o corpo contra infecções, passa a atacar tecidos saudáveis — em especial as articulações.

    De acordo com Flávia, o processo começa com a produção de autoanticorpos, que desencadeiam uma inflamação persistente. Ela, por sua vez, provoca sintomas como dor, inchaço e, ao longo do tempo, pode levar à deformidade articular.

    Além disso, vale apontar que a artrite reumatoide é caracterizada por uma evolução crônica. Ela não se manifesta de maneira súbita, como ocorre em uma lesão, mas se desenvolve progressivamente ao longo de semanas ou meses.

    As articulações mais afetadas costumam ser as das mãos, punhos e pés, com um padrão específico de simetria — ou seja, geralmente ambos os lados do corpo são comprometidos.

    Existem fatores de risco para a artrite reumatoide?

    A artrite reumatoide surge da interação entre predisposição genética e fatores ambientais. De acordo com Flávia, o principal fator de risco ambiental é o tabagismo, uma vez que o cigarro modifica o sistema imunológico, favorecendo a produção de autoanticorpos que desencadeiam a inflamação articular.

    Outros fatores também podem estar relacionados, como:

    • Histórico familiar da doença;
    • Infecções prévias que estimulam o sistema imunológico;
    • Exposição a substâncias tóxicas;
    • Alterações hormonais (a doença é mais comum em mulheres).

    Nem todos os fatores de risco podem ser controlados, mas parar de fumar é uma das estratégias mais eficazes para reduzir a probabilidade da doença e melhorar a resposta ao tratamento.

    Quais são os sintomas da artrite reumatoide?

    Os sintomas da artrite reumatoide são discretos e podem ser confundidos com outras condições de saúde, então é necessário ter atenção. Segundo Flávia, os primeiros sinais costumam ser:

    • Dor persistente nas articulações das mãos, punhos e pés;
    • Inchaço (edema) articular;
    • Rigidez matinal que dura mais de 30 minutos;
    • Dificuldade para fechar as mãos ou realizar tarefas simples.

    A dor da artrite reumatoide é inflamatória, ou seja, piora quando a pessoa está em repouso por longos períodos. É comum acordar pela manhã com rigidez articular e dificuldade para movimentar os dedos. Após algumas horas de atividade, os sintomas tendem a melhorar, mas retornam no dia seguinte.

    A especialista ainda alerta que a artrite reumatoide, apesar de acometer principalmente as articulações, também pode atingir outros órgãos — como pulmão e nervos periféricos, provocando sintomas como fadiga intensa, febre baixa e perda de peso não intencional.

    Como é feito o diagnóstico da artrite reumatoide?

    O diagnóstico da artrite reumatoide é feito por um médico reumatologista, a partir de uma avaliação clínica, que inclui uma análise detalhada das queixas do paciente e um exame físico. Para confirmar o quadro, o médico pode solicitar alguns exames, como:

    • Exames de sangue: que procuram marcadores específicos, como fator reumatoide e anticorpo anti-CCP;
    • Exames de imagem: como radiografia, ultrassonografia, tomografia ou ressonância magnética, que permitem visualizar inflamação e erosões articulares.

    O processo também é importante para diferenciar a artrite reumatoide de outras doenças reumatológicas, como lúpus, gota ou espondiloartrites.

    Tratamento da artrite reumatoide

    O tratamento da artrite reumatoide varia de acordo com o estágio da doença, a atividade e gravidade.

    De acordo com Flávia, a abordagem é feita com remédios imunossupressores, que reduzem a atividade do sistema imunológico, controlando a inflamação. Em alguns casos, também podem ser indicados medicamentos biológicos, que atuam de forma mais direcionada no processo autoimune.

    No caso dos corticoides, a reumatologista explica que eles geralmente são indicados no início do tratamento ou durante recaídas da doença, sendo utilizados até que o imunossupressor comece a fazer efeito.

    Em alguns casos, pode haver indicação de tratamento cirúrgico. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, as opções incluem a sinovectomia, indicada quando a sinovite persiste mesmo após o tratamento clínico, além de procedimentos como artrodese ou artroplastia total, usados quando as articulações já estão mais comprometidas.

    Mudanças na rotina

    Além da medicação, o tratamento deve envolver algumas mudanças no estilo de vida, como:

    • Atividade física regular: ajuda a controlar a inflamação, fortalece a musculatura ao redor das articulações e contribui para preservar a mobilidade;
    • Alimentação equilibrada: o recomendado é reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e priorizar opções ricas em nutrientes com efeito anti-inflamatório, como frutas, verduras, peixes e oleaginosas;
    • Fisioterapia e terapia ocupacional: fundamentais para preservar a função articular, melhorar a postura, ensinar estratégias de proteção das articulações e adaptar atividades do dia a dia, evitando sobrecarga;
    • Parar de fumar: já que o cigarro está diretamente associado ao agravamento dos sintomas e pode comprometer a eficácia dos medicamentos.

    O acompanhamento médico também deve ser constante para ajustar a medicação e o tratamento conforme a evolução de cada paciente.

    Como prevenir a artrite reumatoide?

    Por se tratar de uma doença autoimune, a artrite reumatoide não pode ser totalmente prevenida. Ainda assim, adotar um estilo de vida saudável ajuda a reduzir o risco de agravamento e, sobretudo, a melhorar o controle da doença. Algumas medidas importantes incluem:

    • Não fumar;
    • Manter uma rotina de atividades físicas, como natação, hidroginástica, pilates e alongamentos;
    • Ter uma alimentação balanceada, com menor consumo de ultraprocessados, dando preferência a alimentos naturais e ricos em nutrientes;
    • Controlar fatores de estresse, através de técnicas de relaxamento, sono adequado e equilíbrio emocional.

    Existe cura para artrite reumatoide?

    Não existe cura definitiva para a artrite reumatoide, mas com tratamento adequado, é possível alcançar a chamada remissão da doença — quando o paciente não apresenta sintomas, não tem sinais de inflamação e pode levar uma vida normal.

    Complicações da artrite reumatoide

    A artrite reumatoide não tratada pode trazer consequências graves para a saúde e para a qualidade de vida do paciente. Por ser uma doença inflamatória crônica, o processo evolui de forma progressiva, causando danos permanentes às articulações.

    De acordo com Flávia, quando a doença não é tratada desde o início, ela pode levar à destruição irreversível das articulações, deformidades e perda de função. Isso significa dificuldade para realizar tarefas simples do dia a dia, como segurar objetos, caminhar ou até mesmo vestir uma roupa sozinho.

    “Então, quanto mais precoce for o início desse tratamento, maior a chance de eu garantir que o meu paciente vai ter uma preservação da funcionalidade daquela articulação no futuro”, finaliza a reumatologista.

    Leia também: Alongamentos simples para aliviar dores musculares: veja quando e como praticar

    Perguntas frequentes sobre artrite reumatoide

    1. Artrite reumatoide e artrose são a mesma coisa?

    Não. A artrite reumatoide é uma doença autoimune inflamatória, em que o sistema imunológico ataca o próprio corpo, provocando uma inflamação crônica.

    Já a artrose, também chamada de osteoartrite, é um desgaste mecânico da cartilagem articular, que geralmente ocorre com o envelhecimento ou com sobrecarga repetitiva das articulações.

    2. A artrite reumatoide só atinge pessoas idosas?

    Não. Ao contrário da artrose, que é mais comum em pessoas acima dos 50 anos, a artrite reumatoide pode surgir em qualquer fase da vida adulta. Na maioria dos casos, ela aparece entre os 30 e 50 anos, e é mais frequente em mulheres.

    3. Artrite reumatoide pode afetar órgãos além das articulações?

    Sim! Apesar de afetar principalmente as articulações, a artrite reumatoide pode comprometer outros órgãos em casos avançados, como pulmões, coração, nervos periféricos, olhos e vasos sanguíneos.

    Isso aumenta o risco de complicações graves, como doenças cardiovasculares e problemas respiratórios. Por isso, o acompanhamento médico deve ser contínuo e integral.

    4. Crianças podem ter artrite reumatoide?

    Quando ocorre em crianças e adolescentes, a condição recebe o nome de artrite idiopática juvenil. Ela compartilha características semelhantes à artrite reumatoide em adultos, como inflamação e rigidez articular, mas possui particularidades no diagnóstico e no tratamento. A causa é desconhecida, mas há uma predisposição genética e uma alteração no sistema imune.

    Nesses casos, é fundamental o acompanhamento especializado, pois o impacto sobre o crescimento e o desenvolvimento físico pode ser significativo.

    5. A artrite reumatoide é hereditária?

    A doença não é herdada diretamente, mas existe uma predisposição genética. Isso significa que pessoas com histórico familiar de artrite reumatoide têm maior risco de desenvolver a condição, principalmente se houver fatores ambientais associados, como o tabagismo.

    Confira: 5 atividades físicas para quem tem problemas na coluna

  • Dor de cabeça: quando é normal e quando é sinal de alerta 

    Dor de cabeça: quando é normal e quando é sinal de alerta 

    Quem nunca sentiu dor de cabeça depois de um dia estressante ou de horas olhando para uma tela? A cefaleia, como é chamada pelos médicos, é um sintoma extremamente comum e, na maioria das vezes, benigno. Mesmo assim, é importante entender que nem toda dor é igual e que, em algumas situações, ela pode ser sinal de algo mais grave.

    Aprender a reconhecer os tipos de dor de cabeça e identificar os sinais de alerta ajuda a evitar preocupações desnecessárias e, ao mesmo tempo, garante que casos graves sejam detectados e tratados a tempo.

    Tipos de dor de cabeça

    As dores de cabeça se dividem em dois grandes grupos:

    • Cefaleias primárias: quando não há uma causa grave por trás. Essas são as mais comuns.
    • Cefaleias secundárias: quando a dor é consequência de outra condição, como infecção, trauma ou sangramento.

    A seguir, conheça os principais tipos de cefaleia primária, que representam a maioria dos casos.

    1. Cefaleia tensional

    É o tipo mais frequente de dor de cabeça e pode durar horas. Os sintomas são:

    • Dor dos dois lados da cabeça, em aperto ou pressão;
    • Intensidade leve a moderada;
    • Constante, mas não incapacitante;
    • Não piora com esforço físico;
    • Costuma aparecer no fim do dia, após estresse ou cansaço.

    Subtipos:

    • Episódica infrequente: menos de 1 dia por mês;
    • Episódica frequente: de 1 a 14 dias por mês;
    • Crônica: 15 dias ou mais por mês, e pode afetar bastante a qualidade de vida.

    2. Enxaqueca (ou migrânea)

    É menos comum, mas muito mais incapacitante. Veja os sintomas:

    • Dor geralmente de um lado só da cabeça, pulsátil ou latejante;
    • Intensidade moderada a forte;
    • Pode vir com náuseas, vômitos, sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia);
    • Piora com esforço físico;
    • Dura entre 4 e 72 horas quando não tratada.

    As principais causas são histórico familiar, ciclo menstrual, cheiros fortes ou mudanças hormonais.

    Aura na enxaqueca

    Algumas pessoas sentem sintomas de aviso antes da dor, chamados de aura:

    • Pontos ou luzes brilhantes, visão borrada ou em zigue-zague;
    • Formigamento, dormência ou dificuldade para falar.

    Esses sinais costumam durar de 5 a 60 minutos e desaparecem antes do início da dor.

    3. Cefaleia em salvas

    É uma forma rara, mas extremamente dolorosa. Os principais sintomas são:

    • Dor muito forte, sempre de um lado só da cabeça, geralmente ao redor do olho;
    • Pode vir acompanhada de olho vermelho, lacrimejamento e nariz entupido ou escorrendo;
    • As crises são intensas e em série, deixando a pessoa agitada e inquieta;
    • Dura de 15 a 180 minutos;
    • Mais comum em homens, mas pode afetar mulheres.

    Esse tipo de dor de cabeça exige acompanhamento com neurologista.

    Diagnóstico das cefaleias

    O primeiro passo do médico é descartar causas secundárias, como infecções, trauma, sangramento ou uso excessivo de medicamentos. Quando nenhuma causa é identificada, define-se o tipo de cefaleia primária.

    O diagnóstico é baseado em:

    • História clínica detalhada: isso leva em conta características da dor, sintomas associados, histórico familiar;
    • Exame físico neurológico.

    Em casos típicos de cefaleias primárias, não é necessário realizar exames complementares. Exames como tomografia ou ressonância magnética são indicados apenas quando há sinais de alerta ou dúvidas diagnósticas.

    Tratamento das cefaleias primárias

    O tratamento varia conforme o tipo de dor e pode ter objetivo abortivo, que é o de aliviar a crise, ou preventivo, quando busca-se evitar a recorrência da dor.

    • Cefaleia tensional: uso de analgésicos ou anti-inflamatórios prescritos pelo médico;
    • Enxaqueca: além dos analgésicos, pode ser necessário tratamento dos sintomas associados (como náusea) e uso de medicações específicas. Se as crises forem frequentes, o médico pode indicar tratamento profilático para prevenção;
    • Cefaleia em salvas: o tratamento é feito com oxigênio e acompanhamento neurológico especializado.

    Leia mais: Exercícios para fortalecer a coluna: o guia completo para proteger sua postura e prevenir dores

    Quando a dor de cabeça pode ser grave

    As cefaleias secundárias são menos comuns, mas podem ser sinais de doenças sérias e até fatais. Procure atendimento médico imediato se houver:

    • Dor súbita e intensa, que atinge o auge em segundos (cefaleia em trovoada);
    • Dor acompanhada de febre, perda de peso ou rigidez no pescoço;
    • Início após os 50 anos;
    • Ocorrência em gestantes, mulheres no pós-parto ou pessoas com baixa imunidade;
    • Dor que piora com tosse, esforço ou mudança de posição;
    • Alterações visuais, confusão mental ou perda de consciência.

    Nesses casos, o médico pode solicitar exames de imagem, como ressonância magnética ou tomografia, para identificar a causa.

    Perguntas frequentes sobre dor de cabeça

    1. Toda dor de cabeça é perigosa?

    Não. A maioria é benigna e se enquadra nas cefaleias primárias, como a tensional ou a enxaqueca.

    2. Posso tratar a dor de cabeça em casa?

    Sim, quando o diagnóstico é de cefaleia primária. O médico pode indicar analgésicos simples e medidas de repouso e hidratação.

    3. O que fazer quando o remédio não alivia a dor?

    Se os sintomas persistirem ou piorarem, é importante consultar um neurologista para reavaliar o tipo de cefaleia e ajustar o tratamento.

    4. Existe cura para enxaqueca?

    Não há cura definitiva, mas existem tratamentos preventivos que reduzem a frequência e a intensidade das crises.

    5. Dor de cabeça com aura é perigosa?

    Nem sempre. A aura é um sintoma comum da enxaqueca, mas se for nova, intensa ou vier acompanhada de confusão ou perda de força, procure um médico.

    6. É normal ter dor de cabeça todos os dias?

    Não. Cefaleias diárias podem indicar forma crônica ou uso excessivo de medicamentos e precisam ser avaliadas.

    7. Quando devo procurar o hospital?

    Procure urgência médica se a dor for súbita, intensa ou vier acompanhada de febre, rigidez no pescoço, perda de visão ou desmaios.

    Leia também: 5 atividades físicas para quem tem problemas na coluna

  • Tem insônia? Veja o que fazer para voltar a dormir bem 

    Tem insônia? Veja o que fazer para voltar a dormir bem 

    Dormir é, talvez, a coisa mais importante para o equilíbrio físico e mental. Para muita gente, porém, essa tarefa se transforma em um desafio. Virar na cama, olhar o relógio e sentir o cansaço crescer sem conseguir pegar no sono é a realidade de quem sofre com insônia, o distúrbio do sono mais comum no mundo.

    Mais do que dormir mal de vez em quando, a insônia é uma condição clínica que pode comprometer o humor, a memória e até aumentar o risco de doenças como pressão alta, diabetes e depressão. Mas calma: ela tem tratamento. Entender as causas da insônia é o primeiro passo para recuperar noites tranquilas.

    O que é insônia

    A insônia acontece quando a pessoa tem dificuldade para adormecer, manter o sono ou quando acorda e não consegue dormir de novo. Ela se torna um problema de saúde quando ocorre pelo menos três vezes por semana, por três meses ou mais, mesmo com condições adequadas para dormir.

    Tipos de insônia

    • Insônia de curto prazo: dura algumas semanas e costuma surgir após situações de estresse, doenças ou mudanças importantes na vida. Pode desaparecer espontaneamente.
    • Insônia crônica: persiste por meses, sem estar ligada a um evento específico.

    Quem é mais afetado pela insônia

    A insônia pode atingir qualquer pessoa, mas é mais comum em:

    • Mulheres, principalmente após os 45 anos;
    • Pessoas com ansiedade, depressão ou dor crônica;
    • Quem consome muito café, álcool, cigarro ou faz uso de certos medicamentos;
    • Idosos, devido a doenças associadas e à redução da atividade física e social.

    Por que a insônia acontece

    A insônia geralmente resulta da combinação de três fatores:

    • Predisponentes: características pessoais, como tendência à preocupação, histórico familiar de sono ruim ou fatores genéticos;
    • Precipitantes: situações estressantes, doenças, uso de medicamentos ou mudanças bruscas de rotina;
    • Perpetuantes: hábitos que mantêm o problema, como passar muito tempo na cama sem dormir, cochilar demais durante o dia ou ficar ansioso pensando que não vai dormir.

    Como funciona o sono

    O sono é composto por ciclos que se repetem ao longo da noite:

    • W: vigília (quando ainda estamos acordados);
    • N1: início do sono, fase leve;
    • N2: sono mais estável;
    • N3: sono profundo, essencial para o descanso do corpo;
    • REM: fase dos sonhos, com atividade cerebral intensa.

    Quem sofre de insônia muitas vezes não consegue alcançar os estágios mais profundos e reparadores, o que compromete o descanso.

    Leia também: Como controlar o sono depois do almoço?

    Consequências da insônia

    Dormir mal afeta muito mais do que o humor. A insônia está associada a:

    • Maior risco de depressão e ansiedade;
    • Problemas de memória e concentração;
    • Doenças cardiovasculares, como hipertensão, infarto e derrame;
    • Aumento do risco de recaídas em pessoas com dependência de álcool.

    Diagnóstico da insônia

    Não existe um exame único para diagnosticar a insônia. O médico avalia o quadro por meio de entrevista clínica e análise de hábitos de sono, investigando:

    • Como e quando o sono é interrompido;
    • Consumo de cafeína, álcool ou medicamentos;
    • Presença de doenças associadas;
    • Consequências diurnas, como cansaço, irritação ou sonolência.

    Diários do sono e questionários específicos podem ajudar na avaliação. Em alguns casos, o médico solicita polissonografia para descartar outros distúrbios, como a apneia do sono.

    Tratamento da insônia

    O tratamento da insônia depende da causa, mas, na maioria das vezes, o primeiro passo não envolve remédios. O foco está em mudanças de comportamento e terapias.

    1. Higiene do sono

    • Ter horários regulares para dormir e acordar;
    • Evitar café, álcool e nicotina à noite;
    • Reduzir o uso de telas antes de dormir;
    • Manter o quarto escuro, silencioso e confortável.

    2. Terapia cognitivo-comportamental (TCC)

    • É o tratamento mais eficaz para a insônia;
    • Ajuda a mudar pensamentos negativos sobre o sono e criar novos hábitos.

    3. Técnicas específicas

    • Restrição do sono: limitar o tempo na cama para aumentar a pressão de sono;
    • Controle de estímulos: usar a cama apenas para dormir ou atividade sexual;
    • Técnicas de relaxamento: como respiração, meditação e relaxamento muscular.

    4. Medicamentos

    Há medicamentos que ajudam em quadros de insônia, mas devem ser usados somente com prescrição médica e são indicados por tempo limitado, quando outras medidas não bastam.

    Perguntas frequentes sobre insônia

    1. Dormir mal uma noite significa ter insônia?

    Não. A insônia é diagnosticada apenas quando as dificuldades para dormir acontecem três ou mais vezes por semana, por pelo menos três meses.

    2. Tomar remédio para dormir é perigoso?

    Pode ser, se usado sem orientação médica. Alguns medicamentos causam dependência e devem ser usados por tempo limitado.

    3. A insônia tem cura?

    Sim, especialmente quando o tratamento envolve mudanças de hábitos e terapia cognitivo-comportamental.

    4. Café e celular atrapalham o sono?

    Sim. A cafeína e a luz azul das telas reduzem a produção de melatonina, dificultando o adormecer.

    5. Idosos dormem menos porque querem?

    Não. O padrão de sono muda com a idade, e problemas médicos ou uso de remédios podem piorar a qualidade do sono.

    6. Exercício físico ajuda quem tem insônia?

    Sim. A prática regular de atividade física melhora a qualidade do sono, mas deve ser feita longe do horário de dormir.

    7. Quando procurar um especialista do sono?

    Se a dificuldade para dormir dura semanas ou meses e começa a prejudicar o dia a dia, é hora de buscar ajuda médica.

    Leia também: Higiene do sono: guia prático para dormir melhor e cuidar da saúde

  • Dor latejante e sensibilidade à luz? Pode ser enxaqueca

    Dor latejante e sensibilidade à luz? Pode ser enxaqueca

    Aquela dor forte de um lado da cabeça, que lateja e parece piorar a cada movimento, não é apenas uma dor de cabeça comum. Pode tratar-se de enxaqueca, um distúrbio neurológico que afeta milhões de pessoas, principalmente mulheres, e pode ser incapacitante.

    Caracterizada por crises intensas, náuseas, sensibilidade à luz, ao som e até aos cheiros, a enxaqueca interfere nas tarefas mais simples da rotina. Apesar de não ter cura definitiva, hoje existem tratamentos eficazes e medidas preventivas que ajudam a reduzir a frequência e a intensidade das crises.

    O que é enxaqueca

    A enxaqueca é uma dor de cabeça crônica e recorrente, considerada um distúrbio neurológico. Diferentemente das dores comuns, ela costuma ser intensa, pulsátil, afeta apenas um lado da cabeça e vem acompanhada de náuseas, vômitos, sensibilidade à luz (fotofobia), a sons (fonofobia) e até a cheiros fortes (osmofobia).

    É uma das queixas neurológicas mais frequentes nos consultórios e tem forte relação familiar, afetando frequentemente mais de uma pessoa na mesma família.

    Como acontecem as crises de enxaqueca

    As crises podem durar de 4 a 72 horas e costumam seguir quatro fases principais:

    1. Fase premonitória (ou pródromo)

    Surge horas ou dias antes da dor e pode incluir:

    • Bocejos repetidos;
    • Alterações de humor;
    • Dificuldade de concentração;
    • Rigidez na nuca;
    • Fadiga;
    • Desejo por certos alimentos.

    2. Aura (nem todos apresentam)

    Cerca de 1 em cada 3 pessoas com enxaqueca tem aura, um fenômeno neurológico temporário que ocorre antes ou durante a dor.

    • O tipo mais comum é a aura visual, com pontos brilhantes, linhas em zigue-zague, borrões ou visão turva;
    • Também pode acontecer formigamento, dormência, dificuldade para falar ou desequilíbrio;
    • Dura de 5 a 60 minutos e desaparece completamente.

    3. Cefaleia (fase da dor)

    É a fase mais marcante:

    • Dor forte e latejante, geralmente em um lado da cabeça;
    • Piora com esforço físico ou movimentos da cabeça;
    • Costuma vir acompanhada de náuseas, vômitos, sensibilidade à luz, sons e cheiros fortes;
    • Em crises intensas, a pessoa pode não conseguir fazer tarefas diárias.

    4. Pósdromo (a “ressaca” da enxaqueca)

    Após a dor, é comum sentir:

    • Cansaço;
    • Dificuldade de concentração;
    • Sonolência;
    • Sensibilidade a barulhos.

    Quanto mais intensa a crise, mais evidentes tendem a ser esses sintomas.

    O que causa a enxaqueca

    A enxaqueca é causada pela ativação do sistema trigeminovascular, um conjunto de terminações nervosas ao redor dos vasos sanguíneos e das meninges, as membranas que envolvem o cérebro.

    Quando ativadas, essas estruturas enviam sinais de dor desencadeados por fatores mecânicos, químicos ou inflamatórios.

    Isso gera a dor latejante característica, frequentemente acompanhada de náusea, sensibilidade à luz e ao som. A história familiar é comum, e a enxaqueca tem base genética — geralmente herdada por múltiplos genes.

    Diagnóstico da enxaqueca

    O diagnóstico da enxaqueca é clínico, ou seja, feito a partir da história e dos sintomas relatados pelo paciente.

    Para confirmar enxaqueca sem aura, geralmente é necessário ter pelo menos cinco crises com características típicas:

    • Dor com duas ou mais das seguintes características:
      • Unilateral;
      • Pulsátil;
      • Intensidade moderada a forte;
      • Piora com esforço físico.
    • Duração: de 4 a 72 horas (sem tratamento ou sem resposta ao tratamento);
    • Presença de pelo menos um dos sintomas:
      • Náusea e/ou vômitos;
      • Sensibilidade à luz e/ou ao som.

    Em casos atípicos, como primeira crise intensa, crises diferentes das habituais, sintomas neurológicos persistentes ou enxaqueca após trauma, o médico pode solicitar ressonância magnética ou outros exames para descartar outras causas secundárias.

    Fatores que pioram ou melhoram a enxaqueca

    Fatores que podem desencadear ou agravar as crises

    • Estresse e ansiedade;
    • Jejum prolongado;
    • Alterações hormonais (em mulheres);
    • Mudanças de sono (poucas horas ou horários irregulares);
    • Alimentos e bebidas específicos, como álcool, excesso de cafeína ou adoçante aspartame.

    Fatores que ajudam na prevenção

    • Dormir bem e em horários regulares;
    • Manter boa hidratação;
    • Praticar atividade física regularmente;
    • Alimentar-se de forma equilibrada.

    Veja também: Fisioterapia preventiva: cuidar antes da dor aparecer pode mudar sua saúde

    Tratamento da enxaqueca

    Embora não tenha cura definitiva, a enxaqueca pode ser controlada. O tratamento combina medidas não medicamentosas e remédios.

    1. Medidas não medicamentosas

    • Ter rotina regular de sono, refeições e exercícios;
    • Evitar jejum;
    • Praticar técnicas de relaxamento, atenção plena ou ioga;
    • Controlar o consumo de cafeína, evitando tanto o excesso quanto a abstinência brusca.

    2. Tratamento das crises

    O tratamento das crises é feito durante a dor, geralmente com:

    • Analgésicos comuns e anti-inflamatórios;
    • Medicações específicas para enxaqueca;
    • Antieméticos, que ajudam a aliviar náuseas e vômitos.

    3. Tratamento preventivo (profilático)

    Indicado quando:

    • Há três ou mais crises por mês por pelo menos três meses;
    • As crises são muito incapacitantes;
    • As medicações não trazem alívio ou causam efeitos colaterais.

    Os medicamentos usados na prevenção podem incluir fármacos para pressão arterial, antidepressivos ou anticonvulsivantes, sempre com prescrição médica.

    Novos tratamentos, como injeções mensais de anticorpos monoclonais ou o uso de toxina botulínica em pontos específicos da cabeça e pescoço, também podem ser considerados.

    Perguntas frequentes sobre enxaqueca

    1. Enxaqueca é uma doença hereditária?

    Sim. Existe forte componente genético, e muitas vezes mais de uma pessoa da mesma família apresenta o problema.

    2. Toda dor de cabeça forte é enxaqueca?

    Não. A enxaqueca tem características específicas, como dor pulsátil, em um lado da cabeça, e acompanhada de náuseas e sensibilidade à luz ou ao som.

    3. Enxaqueca tem cura?

    Não existe cura definitiva, mas há tratamentos eficazes que reduzem a frequência e a intensidade das crises.

    4. Quem tem enxaqueca pode usar analgésicos comuns?

    Sim, mas o uso frequente sem orientação médica pode causar cefaleia por abuso de analgésicos. O ideal é seguir tratamento personalizado.

    5. O que é enxaqueca com aura?

    É quando surgem sintomas neurológicos antes da dor, como visão borrada, luzes piscando ou formigamento.

    6. Exercício físico ajuda ou piora a enxaqueca?

    Durante a crise pode piorar, mas a prática regular ajuda a prevenir novas crises.

    7. Quando procurar um neurologista?

    Se as dores forem frequentes, muito intensas ou não melhorarem com os medicamentos usuais, é hora de buscar avaliação especializada.

    Leia mais: Como evitar dores ao usar computador e celular: um guia prático de ajustes na rotina

  • Anemia carencial: o que acontece quando faltam nutrientes no sangue 

    Anemia carencial: o que acontece quando faltam nutrientes no sangue 

    Cansaço sem explicação, palidez e tontura são sinais comuns da anemia, uma condição que reduz a capacidade do sangue de levar oxigênio ao corpo. Em muitos casos, o problema tem origem simples, mas impacta profundamente a saúde — trata-se da anemia carencial, causada pela falta de nutrientes essenciais.

    Ela é mais frequente em crianças pequenas, mulheres em idade fértil e gestantes, e pode provocar consequências sérias, como fraqueza intensa, dificuldades na gravidez, atraso no crescimento infantil e até problemas de memória e aprendizado.

    O que é anemia

    A anemia acontece quando o sangue tem menos glóbulos vermelhos ou hemoglobina do que o normal.

    A hemoglobina é a proteína que dá a cor vermelha ao sangue e transporta oxigênio para todas as partes do corpo. Quando ela está baixa, os tecidos não recebem oxigênio suficiente, e o organismo começa a dar sinais de alerta.

    O que é anemia carencial

    A anemia carencial ocorre quando falta algum nutriente essencial para a produção de glóbulos vermelhos. Os principais são:

    • Ferro;
    • Vitamina B12;
    • Ácido fólico (vitamina B9).

    Cada tipo tem causas, sintomas e tratamentos diferentes, mas todas têm em comum a redução da oxigenação do corpo.

    Tipos de anemia carencial

    1. Anemia ferropriva (falta de ferro)

    É o tipo mais comum de anemia no mundo. O ferro é indispensável para formar a hemoglobina — sem ele, o sangue não consegue transportar oxigênio adequadamente.

    Causas mais comuns:

    • Dieta pobre em ferro: como em casos de desnutrição ou vegetarianismo sem orientação;
    • Perdas de sangue: menstruação intensa, sangramentos no estômago ou intestino;
    • Gravidez e crescimento infantil: maior demanda de ferro;
    • Má absorção intestinal: em doenças como gastrite atrófica, doença celíaca ou após cirurgia bariátrica.

    Sintomas:

    • Palidez;
    • Cansaço e fraqueza;
    • Tontura e dor de cabeça;
    • Alterações nas unhas (em formato de colher);
    • Inflamação nos cantos da boca.

    2. Anemia por deficiência de vitamina B12

    A vitamina B12 é encontrada apenas em alimentos de origem animal (carne, ovos, leite, fígado). Ela é fundamental para a formação do DNA das células do sangue e para o bom funcionamento do sistema nervoso.

    Causas mais comuns:

    • Dieta sem produtos animais: veganismo sem suplementação adequada;
    • Problemas de absorção: gastrite atrófica, cirurgia bariátrica ou anemia perniciosa, doença autoimune;
    • Envelhecimento: idosos têm menor acidez estomacal e absorvem menos vitamina B12.

    Sintomas:

    • Palidez e cansaço;
    • Dormência ou formigamento em mãos e pés;
    • Alterações de memória e humor;
    • Língua lisa e dolorida.

    3. Anemia por deficiência de ácido fólico (vitamina B9)

    O ácido fólico, ou folato, é encontrado em vegetais verde-escuros, feijões, frutas cítricas e cereais fortificados. Assim como a B12, ele é importante para a formação do DNA e das células do sangue.

    A falta é mais comum em:

    • Gestantes (maior necessidade de folato durante a gravidez);
    • Pessoas com dieta pobre em verduras e legumes;
    • Quem consome álcool em excesso.

    Sintomas:

    • Palidez, cansaço e falta de ar;
    • Irritabilidade;
    • Em gestantes, aumenta o risco de malformações do tubo neural nos bebês.

    Como é feito o diagnóstico

    O exame mais comum para detectar anemia é o hemograma, que mostra:

    • Nível de hemoglobina;
    • Número e tamanho dos glóbulos vermelhos;
    • Alterações que indicam qual nutriente pode estar em falta.

    Outros exames complementares ajudam a confirmar o tipo de deficiência:

    • Ferritina: mede as reservas de ferro no corpo;
    • Vitamina B12 e ácido fólico: avaliam os níveis dessas vitaminas no sangue.

    Tratamento da anemia carencial

    O tratamento depende do nutriente em falta:

    • Ferro: suplementação oral com comprimidos ou, nos casos graves, aplicação intravenosa;
    • Vitamina B12: suplementação oral ou por injeções, conforme a causa;
    • Ácido fólico (B9): comprimidos diários de suplementação.

    Além disso, é essencial tratar a causa da deficiência, como sangramentos, problemas de absorção intestinal ou dieta inadequada.

    Leia mais: Deficiências nutricionais em adultos: aprenda a identificar sinais no dia a dia e prevenir riscos

    Como prevenir a anemia carencial

    A boa notícia é que a maioria dos casos pode ser evitada com alimentação equilibrada:

    • Fontes de ferro: carnes, feijão, lentilha e folhas verdes;
    • Fontes de vitamina B12: carnes, ovos e leite;
    • Fontes de folato: verduras, frutas cítricas e leguminosas.

    Outras recomendações importantes:

    • Gestantes devem receber suplementação de ferro e ácido fólico conforme orientação médica;
    • Pessoas veganas precisam suplementar vitamina B12 obrigatoriamente.

    Confira: Vitamina B12: o que é, para que serve e como identificar carência ou excesso

    Perguntas frequentes sobre anemia carencial

    1. A anemia carencial é grave?

    Depende do grau e da causa. Quando tratada precocemente, tem boa recuperação, mas, sem tratamento, pode causar complicações sérias.

    2. É possível ter anemia mesmo comendo bem?

    Sim. Problemas de absorção intestinal, cirurgias ou doenças crônicas podem dificultar o aproveitamento dos nutrientes.

    3. Qual é o exame que detecta anemia?

    O hemograma é o principal exame, mas pode ser complementado com dosagens de ferro, ferritina, B12 e ácido fólico.

    4. A anemia causa tontura e falta de ar?

    Sim. A falta de oxigênio nos tecidos faz o corpo trabalhar mais, o que pode causar cansaço, tontura e falta de ar.

    5. Crianças podem ter anemia carencial?

    Sim. É comum em crianças pequenas devido ao rápido crescimento e à necessidade aumentada de ferro.

    6. Vegetarianos sempre têm anemia?

    Não necessariamente. Com uma dieta bem planejada e suplementação de vitamina B12, é possível evitar deficiências.

    Leia também: Delivery saudável: nutricionista dá dicas para escolher bem

  • Infecção urinária: sintomas, causas e tratamento 

    Infecção urinária: sintomas, causas e tratamento 

    Uma ardência toda vez que vai ao banheiro, uma vontade constante de urinar mesmo com a bexiga quase vazia e aquela sensação incômoda de que algo não vai bem é um sinal de alerta. Esses são alguns dos sintomas mais comuns da infecção urinária, uma condição que afeta milhões de pessoas todos os anos e que, embora seja tratável, pode se tornar grave se não for identificada a tempo.

    Mais frequente em mulheres, mas também presente em homens, idosos e crianças, a infecção do trato urinário (ITU) ocorre quando bactérias indesejadas invadem o sistema urinário.

    O problema pode atingir diferentes partes do corpo — da bexiga aos rins — e exige atenção médica para evitar complicações. Com diagnóstico correto e alguns cuidados, dá para tratar e até prevenir novos episódios.

    O que é infecção urinária

    A infecção do trato urinário acontece quando microrganismos — principalmente bactérias — invadem o sistema urinário, que inclui uretra, bexiga, rins e próstata.

    É uma das infecções mais comuns na prática médica e pode variar de quadros leves a infecções graves, dependendo da região afetada.

    Tipos de infecção urinária

    As infecções urinárias são divididas em dois grandes grupos:

    • Trato urinário baixo: inclui cistites (bexiga), uretrites (uretra) e prostatites (próstata);
    • Trato urinário alto: envolve pielonefrites (infecções nos rins) e abscessos ao redor dos rins.

    Quem tem mais risco de infecção urinária

    A infecção urinária pode afetar qualquer pessoa, mas é mais frequente em alguns grupos:

    • Mulheres jovens: quase 50% terão ao menos um episódio de ITU ao longo da vida. Isso ocorre por causa da uretra curta e da proximidade com a região genital;
    • Idosos: têm risco aumentado, especialmente se usam sondas urinárias ou apresentam alterações anatômicas;
    • Gestantes: as mudanças hormonais e anatômicas durante a gravidez favorecem o surgimento da infecção;
    • Crianças: até 1 ano de idade, é mais comum em meninos por malformações congênitas. Depois, passa a ser mais frequente em meninas;
    • Pessoas com cateteres urinários: o uso prolongado de sondas vesicais facilita a entrada de microrganismos.

    Como a infecção acontece

    Na maioria dos casos, a bactéria Escherichia coli — que vive naturalmente no intestino — é a principal responsável. Ela pode migrar da região anal para a uretra, subir até a bexiga e, em casos mais graves, alcançar os rins.

    Outros microrganismos também podem causar infecção urinária, principalmente em quem usa cateteres ou tem obstruções no trato urinário.

    Sintomas da infecção urinária

    Os sinais variam conforme a região afetada:

    Infecção do Trato Urinário baixa (cistite)

    • Ardência ou dor ao urinar;
    • Vontade de urinar várias vezes;
    • Urgência para urinar;
    • Dor na parte baixa do abdômen;
    • Urina com sangue em alguns casos.

    Infecção do Trato Urinário alta (pielonefrite)

    • Febre alta;
    • Calafrios;
    • Dor nas costas ou na lombar;
    • Náuseas e vômitos;
    • Pode ocorrer junto com sintomas de cistite.

    Em crianças

    A dor abdominal pode ser o principal sintoma.

    Em pessoas com cateteres

    A infecção pode ser assintomática ou apresentar sinais discretos, como febre sem causa aparente, urina turva ou queda no estado geral.

    Diagnóstico da infecção urinária

    O diagnóstico é feito pelo médico com base em sinais, sintomas e exames de urina:

    • Urina tipo I e fita reagente (dipstick): mostram aumento de leucócitos, nitrito positivo e presença de bactérias;
    • Urocultura: confirma a infecção e identifica qual bactéria está causando o problema;
    • Antibiograma: mostra a quais antibióticos a bactéria é sensível, garantindo melhor resposta ao tratamento.

    Em casos complicados ou de repetição, podem ser solicitados exames de imagem, como ultrassom ou tomografia.

    Tratamento da infecção urinária

    A base do tratamento é o uso de antibióticos, escolhidos de acordo com cada caso e com o resultado dos exames.

    • Em infecções leves ou não complicadas, o tratamento pode ser feito em casa, com melhora dos sintomas em até 48 horas;
    • Se não houver melhora, ou se os sintomas forem graves, pode ser necessária internação hospitalar, especialmente em pielonefrites complicadas;
    • Em pacientes com cateteres, é essencial retirar ou trocar o dispositivo, além de tratar com antibióticos.

    Quando não tratar

    Existe uma condição chamada bacteriúria assintomática, em que há bactérias na urina, mas sem sintomas. Nesses casos, o tratamento geralmente não é necessário, exceto em situações especiais, como:

    • Gestantes;
    • Antes de cirurgias urológicas;
    • Pacientes com imunidade muito baixa;
    • Transplantados recentes.

    Como prevenir a infecção urinária

    Alguns hábitos ajudam a reduzir o risco de infecção urinária, principalmente em mulheres com episódios recorrentes:

    • Beber bastante líquido;
    • Urinar com frequência e não segurar a urina;
    • Urinar logo após a relação sexual;
    • Evitar espermicidas como método contraceptivo;
    • Manter boa higiene íntima, lavando sempre de frente para trás;
    • Evitar o uso desnecessário de sondas urinárias.

    Em casos de infecções repetidas, o médico pode indicar antibióticos em doses preventivas ou estratégias comportamentais específicas.

    Leia mais: Delivery saudável: nutricionista dá dicas para escolher bem

    Perguntas frequentes sobre infecção urinária

    1. Infecção urinária passa de uma pessoa para outra?

    Não. A infecção urinária não é contagiosa, mas pode surgir após relações sexuais devido à contaminação local.

    2. Beber muita água ajuda a curar a infecção?

    A hidratação ajuda a eliminar bactérias pela urina e aliviar sintomas, mas não substitui o uso de antibióticos.

    3. Posso tratar infecção urinária com remédio natural?

    Não é recomendado. Somente antibióticos indicados pelo médico tratam efetivamente a infecção.

    4. Toda dor ao urinar é infecção urinária?

    Nem sempre. Outras condições, como cálculos renais ou irritações vaginais, podem causar sintomas parecidos.

    5. Infecção urinária pode causar febre?

    Sim, especialmente nas pielonefrites (infecção nos rins), que costumam provocar febre alta e dor nas costas.

    6. É normal a infecção urinária voltar com frequência?

    Reinfecções são comuns, principalmente em mulheres. O médico pode investigar fatores anatômicos ou comportamentais e indicar tratamento preventivo.

    7. Como saber se a infecção urinária chegou aos rins?

    Quando há febre alta, calafrios e dor lombar intensa, é sinal de que a infecção pode ter atingido os rins. Nesse caso, procure atendimento médico imediato.

    Veja também: Pedra nos rins (cálculo renal): quando os sintomas preocupam e como se prevenir