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  • Vitamina D em excesso pode fazer mal? Entenda 

    Vitamina D em excesso pode fazer mal? Entenda 

    A vitamina D é amplamente conhecida por seu papel essencial na saúde óssea e no metabolismo do cálcio. Nos últimos anos, a suplementação dessa vitamina se popularizou, muitas vezes sem acompanhamento médico adequado. O que pouca gente sabe é que o uso indiscriminado pode levar a uma condição potencialmente grave: a hipervitaminose D, ou excesso de vitamina D no corpo.

    Embora seja menos comum do que a deficiência, o excesso de vitamina D pode provocar alterações importantes no organismo, principalmente por aumentar de forma perigosa os níveis de cálcio no sangue.

    O que é o excesso de vitamina D?

    O excesso de vitamina D, condição chamada de hipervitaminose D, é uma condição resultante da acumulação excessiva de vitamina D no organismo, que alcança níveis considerados tóxicos. A vitamina D é uma vitamina lipossolúvel, o que significa que seu excesso se acumula no corpo ao longo do tempo, especialmente em casos de suplementação inadequada.

    Diferentemente das vitaminas hidrossolúveis, como a vitamina C — que são eliminadas pela urina —, as vitaminas lipossolúveis permanecem armazenadas no organismo, o que aumenta o risco de intoxicação.

    A vitamina D é muito importante para manter níveis adequados de cálcio no sangue e regular o metabolismo ósseo, e é obtida tanto pela alimentação quanto pela síntese na pele após exposição ao sol.

    Principais sintomas do excesso de vitamina D

    Os sintomas do excesso de vitamina D estão diretamente relacionados ao aumento dos níveis de cálcio no sangue, condição conhecida como hipercalcemia.

    Sintomas mais comuns

    Entre os sintomas mais frequentes estão:

    • Confusão mental;
    • Aumento da frequência urinária;
    • Sede excessiva;
    • Perda de apetite;
    • Enjoo e vômitos;
    • Fraqueza muscular.

    Complicações associadas

    O excesso de cálcio pode levar a complicações importantes, como:

    • Formação de pedras nos rins;
    • Osteoporose;
    • Dor nos membros;
    • Alterações na função renal.

    Em casos mais graves, níveis elevados de cálcio podem provocar arritmias cardíacas, representando risco à vida.

    Causas do excesso de vitamina D

    As principais causas da hipervitaminose D estão relacionadas ao uso inadequado de suplementos.

    Suplementação excessiva

    A condição ocorre, principalmente, quando há:

    • Uso de doses elevadas de vitamina D sem acompanhamento médico;
    • Prescrição inadequada ou manutenção prolongada de doses altas.

    Grupos mais suscetíveis incluem pessoas com deficiência prévia de vitamina D que iniciam reposição, além de indivíduos com doenças que afetam a absorção da vitamina, como má absorção intestinal, osteoporose e psoríase.

    É importante destacar que a exposição excessiva ao sol não causa excesso de vitamina D em níveis tóxicos, pois o organismo possui mecanismos de autorregulação da produção cutânea da vitamina.

    Diagnóstico

    O diagnóstico do excesso de vitamina D deve ser considerado em pacientes que apresentam sintomas de hipercalcemia, especialmente naqueles com histórico recente de reposição de vitamina D.

    Exames laboratoriais

    Os exames de sangue costumam mostrar:

    • Níveis de vitamina D superiores a 100 ng/dL, considerados indicativos de toxicidade;
    • Elevação do cálcio sérico;
    • Avaliação de outros eletrólitos;
    • Análise da função renal.

    Em situações de hipercalcemia mais grave, um eletrocardiograma pode ser solicitado para monitorar possíveis alterações no ritmo cardíaco.

    Tratamento

    O primeiro passo no tratamento do excesso de vitamina D é interromper imediatamente a suplementação, caso o paciente esteja em uso.

    A abordagem terapêutica inclui:

    • Estabilização clínica do paciente;
    • Correção dos níveis elevados de cálcio;
    • Monitoramento laboratorial frequente.

    Em casos mais graves, podem ser utilizados medicamentos que ajudam a reduzir o cálcio no sangue, como os bifosfonatos, conforme a avaliação médica.

    Prevenção

    A prevenção do excesso de vitamina D depende principalmente de acompanhamento médico regular durante a reposição da vitamina.

    Medidas importantes incluem:

    • Realização de exames periódicos de sangue;
    • Ajuste individualizado das doses;
    • Evitar o uso de vitamina D sem prescrição ou orientação profissional.

    Pacientes que fazem uso contínuo de suplementos sem supervisão adequada apresentam maior risco de desenvolver a condição.

    Confira: Vitamina K: importante para coagulação do sangue e ossos fortes

    Perguntas frequentes sobre excesso de vitamina D

    Tomar vitamina D em excesso faz mal?

    Sim. O excesso de vitamina D pode levar à hipervitaminose D, uma condição que aumenta os níveis de cálcio no sangue e pode causar sintomas como enjoo, confusão mental, fraqueza muscular, pedras nos rins e alterações cardíacas.

    A hipervitaminose D acontece por tomar sol demais?

    Não. A exposição ao sol não causa excesso de vitamina D em níveis tóxicos. O excesso ocorre principalmente pelo uso inadequado de suplementos de vitamina D, especialmente em doses altas e sem acompanhamento médico.

    Quais são os primeiros sintomas do excesso de vitamina D?

    Os sintomas iniciais costumam estar relacionados à hipercalcemia e incluem sede excessiva, aumento da urina, enjoo, perda de apetite, fraqueza e confusão mental.

    Qual nível de vitamina D é considerado tóxico?

    Em geral, níveis de vitamina D acima de 100 ng/dL no sangue são considerados indicativos de toxicidade e devem ser avaliados por um médico.

    Quem tem mais risco de desenvolver hipervitaminose D?

    Pessoas que usam suplementos sem orientação médica, indivíduos com deficiência prévia que iniciam reposição em doses elevadas e pacientes com doenças que alteram a absorção da vitamina D apresentam maior risco.

    Como é feito o tratamento da hipervitaminose D?

    O tratamento começa com a suspensão imediata da suplementação de vitamina D. Em seguida, é feita a correção dos níveis de cálcio e o monitoramento clínico e laboratorial. Casos graves podem exigir medicamentos específicos para reduzir o cálcio no sangue.

    É possível prevenir a hipervitaminose D?

    Sim. A prevenção envolve o uso de vitamina D apenas com prescrição ou orientação médica, além de exames periódicos para ajuste da dose conforme a necessidade individual.

    Leia mais: Cálcio: saiba o que esse mineral faz no seu corpo

  • Síndrome de Cushing: entenda quando o excesso de cortisol vira um problema sério

    Síndrome de Cushing: entenda quando o excesso de cortisol vira um problema sério

    Ganho de peso concentrado no abdômen, rosto mais arredondado, fraqueza muscular e manchas roxas que surgem sem motivo aparente. Esses sinais, quando aparecem juntos, podem indicar algo além de mudanças no estilo de vida. Em alguns casos, eles fazem parte de uma condição hormonal chamada síndrome de Cushing.

    Embora seja considerada rara, a síndrome de Cushing é potencialmente grave e pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, infecções e complicações metabólicas. Por isso, reconhecer os sintomas e buscar diagnóstico precoce faz toda a diferença.

    O que é a síndrome de Cushing?

    A síndrome de Cushing é um conjunto de sinais e sintomas causado pelo excesso de hormônios corticóides, especialmente o cortisol, no organismo. Esse excesso pode ocorrer de duas formas:

    • Produção aumentada pelo próprio corpo (endógena);
    • Uso excessivo de corticóides como medicamentos (exógena).

    Um dos cenários mais conhecidos é a doença de Cushing, que é uma causa específica da síndrome. Nela, ocorre produção excessiva do hormônio ACTH (hormônio adrenocorticotrófico) pela hipófise, estimulando as glândulas adrenais a produzirem cortisol em excesso.

    Na maioria dos casos, isso acontece por causa de um adenoma hipofisário, um tumor benigno da hipófise.

    Principais sintomas da síndrome de Cushing

    Os sintomas costumam se desenvolver de forma progressiva, acompanhando o aumento dos níveis de corticoides no sangue.

    Alterações físicas mais comuns

    • Fraqueza muscular, principalmente em braços e pernas;
    • Vermelhidão facial (pletora);
    • Aumento de gordura abdominal, com acúmulo também na parte posterior do pescoço;
    • Estrias violáceas, mais largas e arroxeadas, especialmente no abdômen;
    • Hematomas frequentes, mesmo sem trauma aparente.

    Outros sintomas associados

    Com a progressão da doença, podem surgir:

    • Irregularidades menstruais;
    • Acne e pele mais oleosa;
    • Queda de cabelo e sinais de virilização em mulheres;
    • Glicemia alta e maior risco de diabetes;
    • Apneia do sono;
    • Aumento do risco cardiovascular, com pressão alta e eventos trombóticos.

    Quais são as causas da síndrome de Cushing?

    As causas variam conforme o mecanismo que leva ao excesso de cortisol.

    Excesso de ACTH (dependente de ACTH)

    • Doença de Cushing (65–70% dos casos), causada por adenoma da hipófise;
    • Produção de ACTH (hormônio adrenocorticotrófico) por tumores fora da hipófise (produção ectópica).

    Excesso de corticóides independente de ACTH

    • Uso excessivo de corticoides como medicamentos (causa mais comum no dia a dia);
    • Doenças das glândulas adrenais que levam à produção excessiva de cortisol.

    Nessas situações, o ACTH costuma estar baixo, pois o organismo reduz sua produção em resposta ao excesso de corticoides circulantes.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da síndrome de Cushing começa pela suspeita clínica, a partir dos sintomas e do exame físico.

    Etapa inicial: excluir uso de corticoides

    Antes de qualquer investigação, é fundamental confirmar se o paciente faz uso de medicamentos corticoides, pois essa é uma causa frequente.

    Exames utilizados

    Para confirmar o excesso de cortisol, podem ser solicitados:

    • Dosagem de cortisol urinário;
    • Cortisol salivar;
    • Teste de supressão com dexametasona.

    Após confirmar o hipercortisolismo, exames adicionais ajudam a identificar a causa:

    • Dosagem de ACTH;
    • Exames de imagem da hipófise;
    • Avaliação das glândulas adrenais.

    Tratamento da síndrome de Cushing

    O tratamento depende diretamente da causa identificada.

    Retirada gradual de corticoides

    Indicada quando a síndrome é causada pelo uso excessivo de medicamentos corticoides. A retirada deve ser lenta e supervisionada, para evitar insuficiência adrenal.

    Cirurgia

    • Remoção do adenoma hipofisário, nos casos de doença de Cushing;

    Em geral, resulta em resolução ou grande melhora do quadro.

    Medicamentos

    Usados quando a cirurgia não é possível ou não foi eficaz, com o objetivo de reduzir os níveis de cortisol no sangue.

    Remoção das glândulas adrenais

    Indicada em casos refratários, quando outras abordagens não controlam a doença.

    O que esperar

    Sem tratamento, a síndrome de Cushing pode ser fatal, principalmente por complicações cardiovasculares, trombóticas e infecciosas.

    Quando tratada, a doença pode ser curável, mas o prognóstico é mais grave em pacientes com tumores associados devido à natureza desses tumores. Em casos mais graves, a redução importante da imunidade pode levar a infecções oportunistas.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

    Perguntas frequentes sobre síndrome de Cushing

    1. Síndrome de Cushing é a mesma coisa que doença de Cushing?

    Não. A doença de Cushing é uma causa específica da síndrome.

    2. Corticoide pode causar síndrome de Cushing?

    Sim. É a causa mais comum da síndrome no dia a dia.

    3. A síndrome de Cushing tem cura?

    Em muitos casos, sim, especialmente quando a causa é tratável.

    4. Ganho de peso sempre significa Cushing?

    Não. O padrão de distribuição da gordura e outros sintomas ajudam na suspeita.

    5. É uma doença rara?

    Sim, mas o uso de corticoides torna a forma exógena relativamente frequente.

    6. Pode causar diabetes e pressão alta?

    Sim. Essas são complicações comuns.

    7. O diagnóstico é rápido?

    Nem sempre. Os sintomas podem ser confundidos com outras condições.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

  • Ômega-3: o que é, para que serve, benefícios e alimentos

    Ômega-3: o que é, para que serve, benefícios e alimentos

    Conhecido por ser uma “gordura saudável”, o ômega-3 é um tipo de ácido graxo essencial que participa de diversas funções importantes do organismo, ajudando a cuidar do coração, a manter os processos inflamatórios sob controle e a garantir o bom funcionamento do sistema nervoso.

    Uma vez que o corpo não é capaz de produzir o ômega-3 em quantidade suficiente, a nutricionista Fernanda Pacheco explica que é necessário obtê-lo por meio da alimentação, principalmente a partir de peixes de água fria, sementes e oleaginosas.

    A presença regular dos alimentos na dieta contribui para a prevenção de doenças cardiovasculares, auxilia na saúde cerebral e pode trazer benefícios ao controle da inflamação no dia a dia. Entenda mais, a seguir!

    O que é ômega-3?

    O ômega-3 é um tipo de gordura poli-insaturada que pertence ao grupo dos ácidos graxos essenciais. De modo geral, é uma molécula de gordura que faz parte da estrutura das células do corpo humano e participa diretamente de processos vitais do organismo.

    “Ele participa de processos como a formação das membranas das células, comunicação entre neurônios e equilíbrio de respostas inflamatórias. Por isso, níveis adequados podem contribuir para o bom funcionamento do cérebro, do sistema cardiovascular e da saúde geral”, aponta Fernanda.

    Existem três principais tipos de ômega-3 importantes para a saúde: o ALA, presente em alimentos de origem vegetal; o EPA e o DHA, encontrados principalmente em peixes e frutos do mar.

    O corpo consegue produzir ômega-3 sozinho?

    O corpo humano não consegue produzir ômega-3 sozinho em quantidade suficiente. Por esse motivo, o nutriente é classificado como um ácido graxo essencial, o que significa que precisa ser obtido por meio da alimentação ou, em alguns casos, da suplementação.

    De acordo com Fernanda, existe um tipo de ômega-3 vegetal chamado ALA, presente em sementes como chia e linhaça, e em oleaginosas como nozes. O organismo consegue converter uma parte desse ALA nas formas EPA e DHA, que são as mais ativas biologicamente e estão naturalmente presentes nos peixes.

    “Porém, essa conversão é bem limitada — em muitas pessoas, menos de 5% do ALA vira EPA, e uma porcentagem ainda menor se transforma em DHA. Isso significa que, mesmo consumindo fontes vegetais, o corpo ainda depende do consumo direto de EPA e DHA (via peixes ou suplementos, quando necessário)”, esclarece a nutricionista.

    Além disso, fatores como estresse, idade, consumo de ômega-6, estado hormonal e até características genéticas podem influenciar a capacidade de cada pessoa converter o ALA em EPA e DHA, tornando o processo ainda menos eficiente em algumas pessoas.

    Para que serve o ômega-3?

    O ômega-3 participa da estrutura das células, especialmente no cérebro e nos vasos sanguíneos, e contribui para a comunicação adequada entre elas. Entre as principais funções, é possível destacar:

    • Contribuição para a saúde do coração, auxiliando na redução dos triglicerídeos e na proteção dos vasos sanguíneos;
    • Participação no controle de processos inflamatórios;
    • Apoio ao funcionamento do cérebro, favorecendo memória, concentration e equilíbrio do humor;
    • Papel estrutural nas membranas das células;
    • Contribuição para a saúde da visão;
    • Auxílio no equilíbrio metabólico e na função do sistema nervoso.

    Benefícios do ômega-3 para a saúde

    Segundo Fernanda, os benefícios do ômega-3 variam de indivíduo para indivíduo e dependem da quantidade e do tipo de ômega-3 consumido. Mas, de maneira geral, pode trazer benefícios como:

    • Redução do risco de doenças cardiovasculares;
    • Diminuição dos níveis de triglicerídeos no sangue;
    • Menor inflamação no organismo;
    • Melhora da memória e da concentração;
    • Maior proteção da saúde cerebral ao longo da vida;
    • Contribuição para a saúde da visão;
    • Alívio de dores e desconfortos articulares em algumas pessoas;
    • Auxílio no equilíbrio do humor;
    • Apoio à saúde metabólica;
    • Contribuição para o bem-estar geral.

    Quais os alimentos com ômega-3?

    As principais fontes de ômega-3 são os peixes de água fria, como salmão, sardinha, atum, cavalinha e arenque, que fornecem principalmente as formas EPA e DHA, consideradas as mais ativas no organismo, segundo Fernanda.

    Entre os alimentos de origem vegetal, é possível destacar a linhaça, a chia e as nozes, que oferecem o ALA, uma forma de ômega-3 diferente da encontrada nos peixes.

    No organismo, o ALA pode ser convertido em EPA e DHA, porém a conversão ocorre de maneira limitada, o que torna importante a combinação de fontes vegetais e, quando possível, fontes marinhas na alimentação.

    Como inserir o ômega-3 no dia a dia?

    É possível aumentar o consumo de ômega-3 com pequenas escolhas no dia a dia. Os peixes ricos em ômega-3 podem ser incluídos na alimentação duas a três vezes por semana, segundo Fernanda, enquanto as sementes, como chia e linhaça, podem ser adicionadas com facilidade a iogurtes, frutas, vitaminas e saladas.

    A suplementação também pode ajudar a atingir a quantidade adequada, mas a necessidade e indicação deve ser avaliada por um profissional da saúde.

    Quando a suplementação é necessária?

    A suplementação pode ser considerada quando a pessoa não consome regularmente as principais fontes de ômega-3, quando existe necessidade clínica de elevar os níveis no organismo ou quando o profissional de saúde identifica que a ingestão alimentar não é suficiente.

    A suplementação também pode ser útil em pessoas com maior demanda metabólica ou condições específicas, desde que orientado por nutricionista ou médico.

    “Quanto à proporção ideal no suplemento, isso varia conforme o objetivo e a condição individual. Algumas pessoas podem se beneficiar de proporções mais altas de EPA, outras de DHA, e isso costuma ser ajustado caso a caso por um profissional”, complementa Fernanda.

    O excesso de ômega-3 faz mal?

    O uso exagerado de ômega-3 pode fazer mal, especialmente quando ocorre por meio de suplementação sem orientação profissional.

    Em quantidades muito elevadas, Fernanda explica que ele pode causar desconfortos gastrointestinais, aumentar o risco de sangramentos em pessoas predispostas e, embora seja menos comum, pode interagir com alguns medicamentos.

    Por isso, mesmo sendo um nutriente importante, a suplementação deve ser feita com cuidado e acompanhada por um profissional de saúde.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Perguntas frequentes

    O ômega-3 influencia a saúde mental?

    O ômega-3 participa da estrutura das células cerebrais e da comunicação entre neurônios. Estudos associam níveis adequados a melhor equilíbrio do humor, menor inflamação cerebral e possível apoio em quadros de ansiedade e depressão, sempre como complemento ao acompanhamento profissional.

    Existe diferença entre ômega-3 de cápsula e de alimentos?

    O ômega-3 obtido por alimentos vem acompanhado de outros nutrientes benéficos, como proteínas, vitaminas e minerais. A suplementação oferece doses mais concentradas e padronizadas, úteis quando a alimentação não supre as necessidades. Ambos podem ser eficazes, desde que bem indicados.

    O ômega-3 pode ajudar quem pratica atividade física?

    O consumo adequado pode auxiliar na recuperação muscular, no controle da inflamação causada pelo exercício e na saúde das articulações. Em atletas ou praticantes frequentes, pode contribuir para melhor adaptação ao treino e menor desconforto pós-atividade.

    Crianças precisam consumir ômega-3 regularmente?

    Durante a infância, o ômega-3 é importante para o desenvolvimento cerebral e visual. A inclusão de fontes adequadas na alimentação contribui para aprendizado, atenção e desenvolvimento neurológico saudável.

    Pessoas com problemas digestivos absorvem bem o ômega-3?

    Algumas condições intestinais podem interferir na absorção de gorduras, incluindo o ômega-3. Nesses casos, a forma de consumo e a necessidade de suplementação devem ser avaliadas por um profissional.

    Gestantes precisam de mais ômega-3?

    Durante a gestação, especialmente no terceiro trimestre, o DHA é importante para o desenvolvimento cerebral e visual do feto. A necessidade pode aumentar, exigindo orientação de um profissional para ajuste alimentar ou suplementação.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Pouca dor, muito risco: o perigo da hepatite C

    Pouca dor, muito risco: o perigo da hepatite C

    A hepatite C é uma doença silenciosa. Em muitos casos, a pessoa convive com o vírus por anos sem apresentar sintomas e descobre a infecção apenas quando já existem danos no fígado. Apesar disso, trata-se hoje de uma doença com tratamento eficaz e altas taxas de cura, desde que diagnosticada a tempo.

    Entender como ocorre a transmissão, quais sinais merecem atenção e quando procurar avaliação médica é muito importante para evitar complicações como cirrose e câncer de fígado.

    O que é a hepatite C?

    A hepatite C é uma infecção do fígado causada pelo vírus da hepatite C (HCV). A transmissão ocorre principalmente pelo contato com sangue contaminado, como:

    • Transfusões de sangue ou hemoderivados (principalmente antes de 1993, quando não havia ainda testes para hepatite C);
    • Uso de drogas injetáveis com compartilhamento de seringas;
    • Transplantes de órgãos;
    • Hemodiálise;
    • Acidentes com material biológico entre profissionais de saúde.

    Também pode ocorrer:

    • Transmissão perinatal (próximo ao parto);
    • Transmissão sexual, embora menos frequente.

    Entre os principais fatores de risco estão: uso de drogas injetáveis, pessoas privadas de liberdade, coinfecção pelo HIV, pacientes em hemodiálise, exposição ocupacional e consumo excessivo de álcool.

    Como a hepatite C afeta o fígado?

    Após a infecção, o vírus da hepatite C se instala nas células do fígado. Embora não destrua diretamente essas células, ele provoca uma resposta inflamatória crônica, que ao longo do tempo leva à fibrose hepática, um processo de cicatrização progressiva.

    Com a evolução da doença, essa fibrose pode se tornar extensa, resultando em:

    • Cirrose hepática;
    • Redução importante da função do fígado;
    • Falência hepática;
    • Maior risco de câncer de fígado.

    Principais sintomas da hepatite C

    Fase aguda

    A fase aguda dura, em média, de 2 a 12 semanas após a infecção. A maioria dos pacientes é assintomática.

    Quando presentes, os sintomas podem incluir:

    • Icterícia (pele e olhos amarelados);
    • Náuseas e vômitos;
    • Urina escura;
    • Dor no lado direito do abdômen.

    Apesar de existir a possibilidade de cura espontânea, a maioria dos casos evolui para infecção crônica.

    Infecção crônica

    Cerca de 80 a 85% dos pacientes desenvolvem hepatite C crônica. Os sintomas costumam ser inespecíficos, como:

    • Náuseas;
    • Dor abdominal;
    • Diarreia;
    • Perda de apetite e de peso;
    • Dor muscular e nas articulações;
    • Coceira na pele;
    • Icterícia.

    Em fases avançadas, surgem sinais de cirrose:

    • Varizes esofágicas (com risco de sangramento);
    • Ascite (barriga inchada por líquido);
    • Encefalopatia hepática (confusão mental);
    • Maior risco de câncer de fígado.

    Como é feito o diagnóstico?

    Como muitos pacientes não apresentam sintomas, recomenda-se que todos os adultos a partir de 18 anos façam rastreio pelo menos uma vez na vida.

    Exames utilizados

    • Teste de anticorpos contra o vírus da hepatite C (rastreamento inicial);
    • Detecção do RNA do vírus para confirmar infecção ativa;
    • Exames de sangue para avaliar função hepática.

    Na fase aguda, o diagnóstico deve ser suspeitado em pessoas com exposição recente de risco.

    Tratamento e acompanhamento

    Após o diagnóstico, o tratamento deve ser iniciado com antivirais específicos para hepatite C. O esquema terapêutico e o tempo de uso variam conforme características do paciente e do vírus.

    Acompanhamento

    • Monitorar resposta ao tratamento;
    • Avaliar possíveis efeitos colaterais;
    • Ajustar doses, se necessário.

    Pacientes não vacinados devem receber vacinas contra hepatite A e B, pois a coinfecção pode agravar a evolução da doença.

    Quando já existe fibrose avançada ou cirrose, o acompanhamento médico contínuo é essencial para:

    • Prevenir descompensações;
    • Monitorar risco de câncer de fígado;
    • Avaliar função hepática periodicamente.

    Prevenção da hepatite C

    Atualmente, não existe vacina contra hepatite C. A prevenção baseia-se em:

    • Uso de preservativos;
    • Não compartilhar seringas ou objetos perfurocortantes;
    • Cuidados rigorosos em procedimentos de saúde.

    A transmissão por transfusões e transplantes caiu drasticamente com os testes de triagem atuais.

    Prognóstico

    Cerca de 10 a 15% dos casos agudos podem se resolver espontaneamente. A progressão para cirrose é mais comum em pessoas que:

    • Consomem álcool em excesso;
    • Têm coinfecção por hepatite B ou HIV.

    Com tratamento adequado, a maioria dos pacientes alcança cura virológica, com grande melhora da expectativa e qualidade de vida.

    Leia mais: Hepatite A: o que é, como se transmite e como prevenir

    Perguntas frequentes sobre hepatite C

    1. Hepatite C tem cura?

    Sim. Os tratamentos atuais apresentam altas taxas de cura.

    2. Hepatite C sempre causa sintomas?

    Não. Muitas pessoas permanecem assintomáticas por anos.

    3. Existe vacina contra hepatite C?

    Não. A prevenção depende de medidas de proteção.

    4. Álcool piora a hepatite C?

    Sim. O álcool acelera a progressão da doença hepática.

    5. Hepatite C pode virar câncer?

    Pode, especialmente quando evolui para cirrose.

    6. Quem deve fazer o teste?

    Todos os adultos ao menos uma vez e pessoas com fatores de risco.

    Confira: Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger

  • Pneumotórax: entenda a condição que causa falta de ar repentina

    Pneumotórax: entenda a condição que causa falta de ar repentina

    Uma dor súbita no peito, acompanhada de falta de ar inesperada, pode ser assustadora, especialmente quando surge em pessoas jovens e aparentemente saudáveis. Em alguns casos, esses sintomas estão ligados ao pneumotórax espontâneo, uma condição em que o pulmão perde parte de sua capacidade de expansão de forma abrupta.

    Embora muitas vezes tenha boa evolução, o pneumotórax é considerado uma situação potencialmente grave e que exige avaliação médica rápida, já que o colapso pulmonar pode se agravar se não for tratado adequadamente.

    O que é o pneumotórax espontâneo?

    O pneumotórax é uma condição caracterizada pelo acúmulo de ar no espaço pleural, que é o espaço existente entre o pulmão e a pleura — a membrana que reveste o pulmão e a parte interna da caixa torácica.

    Quando esse ar se acumula nesse espaço, ele impede que o pulmão se expanda corretamente durante a respiração, podendo levar a um colapso parcial ou total do pulmão.

    O pneumotórax é chamado de espontâneo quando ocorre sem trauma direto no tórax, como acidentes ou perfurações. Trata-se geralmente de um quadro agudo, que pode variar desde formas leves até situações que exigem intervenção imediata.

    Principais sintomas do pneumotórax espontâneo

    Os sintomas costumam surgir de forma repentina e variam conforme a quantidade de ar acumulado e a condição pulmonar do paciente.

    Falta de ar súbita

    É um dos sintomas mais comuns e pode variar de leve a intensa.

    Dor no peito

    • Geralmente em pontada;
    • Piora ao respirar fundo, tossir ou espirrar;
    • Costuma ocorrer do lado do pulmão afetado.

    Outros possíveis sinais

    • Respiração acelerada;
    • Sensação de aperto no tórax;
    • Cansaço súbito.

    Em pneumotórax pequenos, o paciente pode não apresentar sintomas importantes, e o diagnóstico pode ocorrer apenas em exames de imagem feitos por outro motivo. Em quadros mais arrastados ou crônicos, os sinais podem ser menos evidentes.

    Quais são as causas do pneumotórax espontâneo?

    O pneumotórax espontâneo é classificado em primário ou secundário, de acordo com a presença ou não de doença pulmonar prévia.

    Pneumotórax espontâneo primário

    Ocorre sem doença pulmonar conhecida, sendo mais comum em:

    • Pessoas jovens;
    • Indivíduos altos e magros;
    • Tabagistas.

    Está frequentemente associado à presença de blebs, que são pequenas bolhas de ar na superfície do pulmão. Essas bolhas podem se romper espontaneamente, permitindo a saída de ar para o espaço pleural.

    Fatores que aumentam o risco:

    • Tabagismo;
    • Predisposição genética;
    • Mudanças bruscas de pressão atmosférica.

    Pneumotórax espontâneo secundário

    Ocorre como complicação de doenças pulmonares já existentes, como:

    • Enfisema pulmonar;
    • Fibrose cística;
    • Câncer de pulmão;
    • Infecções pulmonares.

    Nesses casos, o pulmão apresenta áreas fragilizadas que podem se romper com mais facilidade.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é suspeitado diante de falta de ar e dor torácica de início súbito.

    Radiografia de tórax

    É o exame inicial mais utilizado e costuma evidenciar a presença de ar no espaço pleural.

    Tomografia de tórax

    Mais sensível, permite:

    • Avaliar melhor o tecido pulmonar;
    • Identificar blebs;
    • Estimular o tamanho do pneumotórax.

    Ultrassonografia à beira do leito

    Em situações de emergência, pode confirmar rapidamente o diagnóstico.

    Exames de sangue geralmente não são úteis para confirmar o pneumotórax, pois apresentam alterações inespecíficas.

    Tratamento do pneumotórax espontâneo

    O tratamento depende de:

    • Intensidade dos sintomas;
    • Tamanho do pneumotórax;
    • Presença de doença pulmonar associada.

    Tratamento conservador

    Indicado em pneumotórax pequenos e pacientes estáveis:

    • Observação clínica;
    • Oxigenoterapia;
    • Acompanhamento com exames de imagem.

    Dreno torácico

    Se houver:

    • Aumento do pneumotórax;
    • Piora da falta de ar;
    • Instabilidade clínica.

    É necessário inserir um dreno no tórax para remover o ar acumulado e permitir a reexpansão do pulmão.

    O foco do tratamento é sempre garantir a estabilidade do paciente e corrigir a causa do colapso pulmonar.

    O que esperar

    O prognóstico do pneumotórax espontâneo é, em geral, bom, especialmente nos casos primários, com baixa mortalidade e alta taxa de recuperação completa.

    Já o pneumotórax secundário costuma ter evolução mais complexa, pois ocorre em pacientes com doenças pulmonares prévias, o que pode dificultar a recuperação e aumentar o risco de recorrência.

    Leia mais: Câncer de pulmão: sintomas, tipos e como é feito o tratamento

    Perguntas frequentes sobre pneumotórax espontâneo

    1. Pneumotórax espontâneo é grave?

    Pode ser. Muitos casos são leves, mas alguns exigem tratamento imediato.

    2. Pneumotórax pode acontecer mais de uma vez?

    Sim. Há risco de recorrência, especialmente em fumantes.

    3. Quem já teve pneumotórax pode praticar exercícios?

    Depende do caso. A liberação deve ser feita pelo médico.

    4. Voar de avião aumenta o risco?

    Mudanças de pressão podem ser um fator de risco, principalmente logo após um episódio.

    5. Pneumotórax é a mesma coisa que embolia pulmonar?

    Não. São condições diferentes, com causas e tratamentos distintos.

    6. Tabagismo influencia?

    Sim. Fumar aumenta o risco de pneumotórax e de recorrência.

    7. Quando procurar emergência?

    Sempre que houver dor no peito súbita e falta de ar inesperada.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Enfisema pulmonar: quando respirar se torna um esforço 

    Enfisema pulmonar: quando respirar se torna um esforço 

    A falta de ar que começa aos poucos, primeiro durante esforços e depois até em tarefas simples do dia a dia, é um dos sinais mais comuns do enfisema pulmonar. Muitas vezes, esses sintomas são atribuídos ao cansaço por conta da idade ou ao sedentarismo, o que pode atrasar o diagnóstico.

    O enfisema é uma doença crônica, progressiva e sem cura, mas que pode ser controlada. Quanto mais cedo for identificada, maiores são as chances de preservar a função pulmonar, reduzir crises e melhorar a qualidade de vida.

    O que é enfisema pulmonar?

    O enfisema pulmonar é uma forma progressiva de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Ele se caracteriza pela destruição dos alvéolos, que são pequenas estruturas do pulmão responsáveis pela troca de oxigênio e gás carbônico.

    Com a destruição desses alvéolos:

    • O ar entra, mas tem dificuldade para sair dos pulmões;
    • O fluxo de ar fica reduzido;
    • A oxigenação do sangue é prejudicada.

    O enfisema costuma se desenvolver em pessoas expostas por longos períodos a gases tóxicos, especialmente:

    • Fumaça do cigarro;
    • Exposição ocupacional (como mineração);
    • Histórico de infecções pulmonares repetidas.

    O uso de cigarro eletrônico também tem sido associado ao desenvolvimento da doença. Além disso, existe uma causa genética rara: a deficiência de alfa-1 antitripsina, que pode provocar enfisema em pessoas jovens, mesmo que nunca tenham fumado.

    Principais sintomas do enfisema pulmonar

    Os sintomas não são exclusivos da doença, mas seguem um padrão bastante característico.

    Falta de ar

    • É o principal sintoma;
    • Inicialmente aparece apenas durante exercícios;
    • Com o tempo, passa a ocorrer em atividades simples;
    • Em fases avançadas, pode surgir até em repouso.

    Tosse crônica

    • Pode ser seca no início;
    • Com a progressão da doença, torna-se mais frequente;
    • Pode vir acompanhada de secreção espessa.

    Exacerbações

    São pioras súbitas do quadro respiratório, geralmente causadas por:

    • Infecções respiratórias;
    • Mudanças ambientais.

    Durante as exacerbações, a falta de ar e a tosse se intensificam e podem exigir atendimento de urgência.

    Perda de peso

    Em estágios mais avançados, é comum ocorrer emagrecimento progressivo, devido ao aumento do gasto energético do organismo para respirar.

    Baqueteamento digital

    Caracteriza-se pelo arredondamento das pontas dos dedos, deixando-os com aspecto de “baqueta”. Esse sinal está relacionado à redução crônica da oxigenação do sangue.

    Quais são as causas do enfisema pulmonar?

    O enfisema ocorre pela destruição progressiva dos alvéolos, causada por um desequilíbrio entre:

    • Enzimas que protegem o tecido pulmonar;
    • Enzimas que degradam esse tecido.

    A exposição prolongada à fumaça do cigarro e a poluentes ambientais provoca inflamação contínua nos pulmões, levando à destruição dos alvéolos e à redução da área disponível para troca gasosa.

    Outras causas importantes

    • Exposição ocupacional a substâncias químicas;
    • Poluição do ar;
    • Deficiência de alfa-1 antitripsina (causa genética rara).

    Como é feito o diagnóstico do enfisema pulmonar?

    O diagnóstico é baseado na história clínica, nos sintomas e na exposição a fatores de risco, especialmente o tabagismo.

    Exame físico

    O médico pode identificar sinais como:

    • Respiração dificultada;
    • Uso de musculatura acessória;
    • Baqueteamento digital.

    Gasometria arterial

    Avalia os níveis de oxigênio e gás carbônico no sangue, podendo mostrar baixa oxigenação.

    Espirometria

    É o exame mais importante para o diagnóstico, pois ele avalia:

    • Fluxo de ar;
    • Função pulmonar;
    • Resposta aos broncodilatadores.

    O exame também ajuda a definir a gravidade da doença.

    Radiografia de tórax

    Não confirma o diagnóstico isoladamente, mas ajuda a excluir outras doenças e identificar infecções associadas.

    Em casos selecionados, pode ser solicitada a dosagem da alfa-1 antitripsina, especialmente em pacientes jovens ou com histórico familiar.

    Tratamento do enfisema pulmonar

    O tratamento tem como objetivos:

    • Aliviar sintomas;
    • Melhorar a qualidade de vida;
    • Retardar a progressão da doença.

    Mudanças no estilo de vida

    • Parar de fumar é a medida mais importante;
    • Reduz a progressão da doença e as exacerbações.

    Terapia medicamentosa

    • Broncodilatadores;
    • Corticosteroides inalados, quando indicados.

    Oxigenoterapia

    Indicada em fases avançadas, quando os níveis de oxigênio no sangue estão persistentemente baixos.

    Fisioterapia respiratória

    A reabilitação pulmonar inclui exercícios e técnicas respiratórias que ajudam a melhorar a tolerância ao esforço.

    Cirurgia ou transplante pulmonar

    Em casos graves e selecionados, há a possibilidade de cirurgia de redução de volume pulmonar ou transplante pulmonar.

    Prevenção do enfisema pulmonar

    • Cessar o tabagismo;
    • Evitar exposição a poluentes;
    • Manter vacinação em dia, especialmente contra pneumococos e Haemophilus influenzae.

    Essas medidas reduzem o risco de infecções e exacerbações.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

    Perguntas frequentes sobre enfisema pulmonar

    1. Enfisema tem cura?

    Não. É uma doença crônica, mas pode ser controlada.

    2. Enfisema e DPOC são a mesma coisa?

    O enfisema é uma das formas de DPOC.

    3. Quem nunca fumou pode ter enfisema?

    Sim, especialmente em casos genéticos ou exposição ocupacional.

    4. O cigarro eletrônico causa enfisema?

    Há associação crescente entre seu uso e doenças pulmonares.

    5. Oxigênio vicia?

    Não. Ele é um tratamento necessário quando indicado.

    6. Exercício físico faz mal?

    Não. Quando orientado, faz parte do tratamento.

    7. Quando procurar um médico?

    Ao perceber falta de ar progressiva, tosse crônica ou piora respiratória.

    Confira: Pedra nos rins: descubra como é feito o tratamento

  • Canetas emagrecedoras e apneia do sono: como a perda de peso melhora a respiração noturna?

    Canetas emagrecedoras e apneia do sono: como a perda de peso melhora a respiração noturna?

    Não é apenas a obesidade e a resistência à insulina que estão associadas ao uso das canetas emagrecedoras (agonistas do GLP-1), como Ozempic e Mounjaro. Com o emagrecimento, ocorrem mudanças importantes no funcionamento do sistema respiratório, especialmente durante o sono, período em que a musculatura relaxa naturalmente.

    No caso de pessoas que convivem com apneia do sono, a perda de peso pode ajudar a melhorar a respiração durante a noite, já que a redução do acúmulo de gordura na região do pescoço, da língua e da garganta aumenta o espaço disponível para a passagem do ar.

    Isso reduz a chance de a via aérea se fechar durante o sono, fase em que os músculos ficam naturalmente mais relaxados. Vamos entender mais essa relação, a seguir.

    Afinal, o que é apneia do sono?

    A apneia do sono é um distúrbio em que a respiração para ou fica muito fraca várias vezes enquanto a pessoa dorme. Isso acontece porque a garganta se fecha parcial ou totalmente, dificultando a entrada de ar nos pulmões.

    Quando a oxigenação cai, o cérebro entra em alerta e provoca pequenos despertares para que a respiração volte ao normal, mesmo que a pessoa não acorde de forma consciente. Ao longo da noite, esse ciclo se repete muitas vezes, o que quebra o sono e impede um descanso profundo e reparador.

    Entre alguns dos principais sinais da condição, é possível destacar o ronco alto e frequente, sensação de cansaço ao acordar, sono excessivo durante o dia, dor de cabeça pela manhã e dificuldade de concentração costumam fazer parte do quadro.

    Qual a relação entre obesidade e apneia do sono?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, o excesso de peso aumenta a quantidade de tecido e de gordura em regiões estratégicas do corpo, como a garganta e a base da língua, o que interfere diretamente na passagem do ar durante o sono.

    Com o relaxamento natural da musculatura enquanto a pessoa dorme, o acúmulo de gordura na faringe facilita o fechamento da via aérea, bloqueando parcial ou totalmente a entrada de ar e provocando as pausas respiratórias típicas da apneia do sono.

    Para complementar, o excesso de gordura abdominal faz pressão sobre o diafragma, empurrando-o para cima e reduzindo a capacidade dos pulmões de se expandirem adequadamente.

    A limitação da respiração favorece ainda mais o colapso da via aérea durante a noite, contribuindo para o aparecimento e a piora da apneia do sono.

    O emagrecimento pode melhorar a respiração durante o sono?

    Quando ocorre a perda de peso e a redução da gordura na região do pescoço, o espaço da via aérea por onde o ar passa aumenta, facilitando a respiração. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, é como um encanamento que estava entupido e volta a permitir o fluxo normal de ar.

    Além disso, com menos gordura na região do pescoço, a faringe, que faz parte da via aérea, fica menos propensa a se fechar durante o relaxamento dos músculos ao longo do sono.

    Dessa forma, ocorre não apenas o aumento do diâmetro da via aérea e a redução do risco de colapso durante o relaxamento muscular, como também a diminuição da gordura abdominal contribui para uma melhor expansão pulmonar. Isso favorece a oxigenação do organismo e melhora a respiração durante o sono.

    O uso de canetas emagrecedoras pode reduzir o quadro de apneia do sono?

    O principal fator associado à melhora da apneia com o uso dos agonistas de GLP-1 é a perda de peso. Como as canetas emagrecedoras podem levar a uma perda de peso de até 20%, segundo Juliana, ocorre uma redução importante do índice de apneia e hipopneia em pessoas com sobrepeso.

    A cardiologista explica que, conforme estudos, a obesidade está associada a um estado inflamatório crônico nos tecidos do organismo, incluindo a região da garganta e a musculatura respiratória, o que contribui para a piora da apneia do sono.

    Como as medicações agonistas de GLP-1 também ajudam a reduzir esse processo inflamatório sistêmico, pode haver melhora da inflamação das vias aéreas e da apneia, mesmo quando a perda de peso não é tão expressiva.

    Contudo, são necessários mais estudos para esclarecer se existem efeitos diretos dos medicamentos sobre a apneia do sono que vão além do emagrecimento.

    Dormir bem protege o coração

    O sono de qualidade é fundamental para a saúde do coração, enquanto a apneia do sono atua como um fator de sobrecarga para o sistema cardiovascular.

    Durante os episódios de apneia, a respiração é interrompida, a oxigenação do organismo cai e o cérebro entra em estado de alerta, liberando grandes quantidades de adrenalina e cortisol.

    Juliana explica que o mecanismo leva ao aumento da frequência dos batimentos cardíacos, favorece a ocorrência de taquicardia e eleva a pressão arterial durante o sono. Com o passar do tempo, o processo pode causar problemas ao sistema cardiovascular.

    Quando o sono é contínuo e reparador, ocorrem menos picos de adrenalina, o que ajuda a reduzir a frequência cardíaca, a pressão arterial e o risco de infarto e AVC.

    Sinais de alerta durante o tratamento de apneia do sono

    À medida que a medicação com GLP-1 é usada e ocorre a perda de peso, alguns sinais precisam ser observados em pessoas com apneia do sono.

    Com o emagrecimento, a máscara do CPAP pode deixar de se ajustar bem ao rosto, causando vazamento de ar e redução da eficácia do tratamento. O CPAP, usado no tratamento da condição, funciona enviando uma pressão positiva para manter a via aérea aberta durante a noite.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, outro ponto de atenção é a sensação de que o ar do CPAP está vindo muito forte. Isso pode causar desconforto e até inchaço na barriga, como se o ar estivesse sendo engolido.

    O retorno do ronco ou da sonolência durante o dia também é um sinal importante. Muitas vezes, o tratamento é interrompido por impressão de melhora, mas a volta dos sintomas indica que a apneia do sono ainda precisa de acompanhamento médico.

    Veja também: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Perguntas frequentes

    Quais são os principais sintomas da apneia do sono?

    Os principais sintomas incluem ronco alto e frequente, pausas na respiração durante o sono, sono não reparador, cansaço ao acordar, sonolência durante o dia e dificuldade de concentração.

    Quem tem mais risco de desenvolver apneia do sono?

    Pessoas com excesso de peso, circunferência do pescoço aumentada, histórico familiar, uso de álcool à noite e alterações anatômicas da garganta.

    A apneia do sono é uma doença grave?

    Sim, pois quando não tratada, a apneia do sono aumenta o risco de pressão alta, infarto, AVC, arritmias cardíacas e diabetes.

    A apneia do sono pode desaparecer com a perda de peso?

    Em alguns casos, ocorre melhora importante. Mesmo assim, o acompanhamento médico continua sendo necessário para avaliar a evolução do quadro.

    O que é o CPAP?

    O CPAP é um aparelho que envia ar sob pressão para manter a via aérea aberta durante o sono, evitando as pausas respiratórias.

    Como a apneia do sono é diagnosticada?

    O diagnóstico é feito por meio da polissonografia, exame que avalia a respiração, a oxigenação e o sono durante a noite.

    Quando procurar ajuda médica para a apneia do sono?

    Sempre que houver ronco intenso, pausas respiratórias observadas por outra pessoa, cansaço excessivo ao acordar ou sonolência durante o dia. O diagnóstico precoce evita complicações.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

  • Posição da placenta: como ela pode afetar a via de parto e quando é preocupante

    Posição da placenta: como ela pode afetar a via de parto e quando é preocupante

    A placenta é um órgão temporário que se forma durante a gravidez, responsável por conectar o feto ao organismo materno por meio do cordão umbilical, permitindo a troca de substâncias entre mãe e filho ao longo da gravidez.

    A posição da placenta é avaliada rotineiramente durante o pré-natal e, na grande maioria dos casos, não representa qualquer risco. Mas, em situações específicas, a posição pode influenciar diretamente a evolução da gestação, a escolha do tipo de parto e as chances de complicações tanto para a mãe quanto para o bebê.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender as posições da placenta e quando essa localização merece maior atenção.

    O que é placenta e para que ela serve?

    A placenta é um órgão que se desenvolve no útero durante a gravidez e conecta o bebê ao organismo da mãe por meio do cordão umbilical. Ela permite a passagem de oxigênio e nutrientes do sangue materno para o bebê e, ao mesmo tempo, ajuda a eliminar substâncias que o feto não precisa.

    A placenta também produz hormônios que ajudam a manter a gravidez e a preparar o corpo da mulher durante a gestação. Ela funciona como uma proteção parcial, mas não bloqueia totalmente a passagem de medicamentos, álcool ou outras substâncias. Após o nascimento do bebê, a placenta se desprende do útero e é eliminada.

    De acordo com Andreia, por reunir tantas funções essenciais, a placenta pode ser considerada um verdadeiro órgão multifuncional — e alterações em suas características podem estar associadas a diversas condições clínicas.

    Quais as posições possíveis da placenta?

    No início da gestação, quando o útero ainda é pequeno, não é possível definir com precisão a posição final da placenta, segundo Andreia. Isso porque a placenta não se desloca após a implantação, permanecendo fixada no local de inserção. O que muda ao longo da gravidez é o crescimento do útero.

    No início da gestação, o útero é pequeno, com volume em torno de 70 cm³, mas pode chegar a quase 5 litros ao final da gravidez. Com esse crescimento, a placenta também aumenta de tamanho e pode parecer mudar de posição no ultrassom, mesmo permanecendo fixada no local onde se implantou.

    Entre as posições que a placenta pode assumir estão:

    Placenta baixa (placenta prévia)

    A placenta baixa ocorre quando a placenta se implanta próxima ao colo do útero. Durante o início da gestação, a localização pode ser temporária, pois o crescimento do útero pode afastar a placenta do colo ao longo do tempo. Por isso, até cerca de 28 semanas, utiliza-se o termo placenta baixa.

    Quando a placenta permanece na posição após o período e passa a atingir ou cobrir o orifício interno do colo do útero, recebe o nome de placenta prévia. A condição pode aumentar o risco de sangramentos durante a gravidez e interferir na via de parto, exigindo acompanhamento mais cuidadoso.

    No geral, ela é classificada de acordo com a relação da placenta com o orifício interno do colo do útero:

    • Placenta prévia centro total: a placenta recobre completamente o orifício interno do colo uterino. Nessa situação, o parto vaginal é contraindicado, e a cesariana é normalmente indicada;
    • Placenta prévia centro parcial: a placenta cobre apenas parte do orifício interno do colo. Ainda assim, há risco elevado de sangramento com a dilatação cervical, sendo a cesariana geralmente recomendada;
    • Placenta prévia marginal: a placenta encosta na borda do orifício interno, sem recobri-lo. Dependendo da evolução da gestação e da ausência de sangramentos, o parto vaginal pode ser considerado em agora selecionados;
    • Placenta prévia lateral: a placenta está próxima ao orifício interno, mantendo uma distância de até cerca de 7 cm. Em muitos casos, a posição permite parto vaginal, desde que não haja sangramento e o acompanhamento seja rigoroso.

    Segundo Andreia, o principal risco da placenta prévia é o sangramento. Quando isso acontece, o fornecimento de oxigênio para o bebê pode ser prejudicado, tornando a situação grave.

    O cuidado pode incluir repouso, de acordo com a intensidade do sangramento, e, em alguns casos, internação. O exame de toque vaginal não é indicado quando há diagnóstico de placenta prévia, pois pode provocar o descolamento da placenta.

    Placenta anterior

    A placenta anterior está localizada na parede frontal do útero, mais próxima da parede abdominal da gestante. Em geral, não causa complicações, mas pode atrasar a percepção inicial dos movimentos fetais e, em alguns casos, exigir maior cuidado durante a cesárea.

    Placenta posterior

    Na placenta posterior, a inserção ocorre na parede de trás do útero. A posição costuma permitir que os movimentos fetais sejam percebidos mais precocemente e, na maioria das vezes, não está associada a riscos adicionais.

    Placenta fúndica

    A placenta fúndica está inserida no fundo do útero, considerado um local habitual e favorável. Normalmente, não interfere na evolução da gestação nem no tipo de parto, sendo associada a baixo risco de complicações.

    Como ocorre o descolamento de placenta?

    O descolamento de placenta ocorre quando a placenta se separa, total ou parcialmente, da parede uterina antes do nascimento do bebê. É considerada uma condição grave, que pode causar sangramento intenso e comprometer o fornecimento de oxigênio ao feto, exigindo avaliação e intervenção imediatas.

    Quais exames avaliam a placenta durante a gravidez?

    A avaliação da placenta durante a gravidez é feita principalmente por exames de imagem realizados ao longo do pré-natal, como a ultrassonografia. Durante o exame, Andreia explica que são avaliados aspectos como a localização, a espessura, o grau de maturidade e a presença de calcificações.

    Quando se identifica placenta prévia centro total ou centro parcial, a gestação passa a ser considerada de alto risco, já que a condição está entre as principais causas de sangramento no segundo e no terceiro trimestres da gravidez.

    Quando a condição da placenta representa risco para o bebê?

    A condição da placenta pode representar risco para o bebê quando dificulta a passagem de oxigênio e nutrientes ou aumenta o risco de sangramentos durante a gravidez ou o parto. As situações podem comprometer o crescimento fetal, o bem-estar do bebê e a segurança do nascimento.

    O risco costuma ser maior nos casos de placenta prévia, quando a placenta fica próxima ou cobre o colo do útero, facilitando sangramentos que podem reduzir o oxigênio que chega ao bebê. O descolamento de placenta também é grave, pois a placenta se solta antes do nascimento, interrompendo a troca de oxigênio e nutrientes.

    Por isso, o acompanhamento pré-natal e a avaliação da placenta ao longo da gestação são importantes para identificar problemas cedo e reduzir riscos para o bebê.

    Como a posição da placenta pode afetar a via de parto?

    A posição da placenta define se o colo do útero estará livre para a passagem do bebê no momento do nascimento. Na maioria das gestações, a placenta se insere em regiões altas do útero e não interfere na possibilidade de parto vaginal.

    Porém, nos casos de placenta prévia, especialmente quando a placenta recobre parcial ou totalmente o orifício interno do colo uterino, o parto vaginal pode provocar sangramento importante — sendo normalmente indicado o parto cesárea.

    Segundo Andreia, a cesariana costuma ser programada entre 37 e 39 semanas de gestação, quando o risco de a gestante entrar em trabalho de parto espontaneamente e apresentar sangramentos é menor. Ainda assim, o momento ideal pode variar, pois a decisão depende de como cada gestação evolui ao longo do pré-natal.

    Quais sinais de alerta relacionados à posição da placenta?

    Os principais sinais de alerta relacionados a posições anormais da placenta:

    • Sangramento vaginal, especialmente indolor, no segundo ou terceiro trimestre da gestação;
    • Sangramentos recorrentes ou em grande quantidade;
    • Diminuição ou alteração dos movimentos fetais;
    • Dor abdominal intensa ou dor súbita associada a sangramento;
    • Contrações uterinas associadas a sangramento.

    Diante de qualquer sangramento durante a gravidez, especialmente após a metade da gestação, é fundamental procurar atendimento médico.

    É possível prevenir problemas relacionados à posição da placenta?

    Na maioria das vezes, não é possível prevenir alterações na posição da placenta, pois a implantação ocorre de forma natural no início da gravidez. Ainda assim, alguns cuidados ajudam a reduzir riscos e a identificar problemas precocemente, como:

    • Realizar o pré-natal regularmente;
    • Fazer os exames de ultrassom nas datas indicadas;
    • Procurar atendimento médico diante de qualquer sangramento vaginal;
    • Evitar o tabagismo durante a gestação;
    • Seguir orientações médicas sobre repouso, quando indicado;
    • Evitar esforços físicos excessivos em casos de placenta baixa ou prévia;
    • Manter acompanhamento próximo com o obstetra ao longo da gravidez.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    Em que momento a posição da placenta começa a ser avaliada?

    A posição da placenta costuma ser observada desde os primeiros exames de ultrassom. No entanto, no início da gravidez, o útero ainda é pequeno, o que impede uma definição precisa da localização final. A avaliação se torna mais confiável conforme a gestação avança.

    A placenta pode mudar de lugar durante a gravidez?

    A placenta não se desloca depois de se implantar. O que acontece é o crescimento do útero, que altera a relação da placenta com o colo uterino. Por isso, uma placenta considerada baixa no início pode deixar de ocupar uma posição preocupante ao longo da gestação.

    Quais são as posições normais da placenta?

    As posições mais comuns e seguras da placenta incluem a placenta anterior, posterior, fúndica e lateral, desde que estejam em regiões altas do útero e longe do colo uterino. Nessas situações, a gravidez costuma evoluir normalmente, sem problemas relacionados à placenta.

    Placenta prévia sempre exige cesariana?

    Na maioria dos casos, principalmente quando há recobrimento parcial ou total do colo uterino. Em formas laterais ou marginais, o parto vaginal pode ser considerado em situações selecionadas, desde que não haja sangramentos e o acompanhamento seja cuidadoso.

    Gestantes com placenta prévia podem ter relação sexual?

    Em casos de placenta prévia, o médico pode orientar a suspensão das relações sexuais, especialmente se houver histórico de sangramento. A recomendação varia conforme cada situação.

    A posição da placenta interfere nos movimentos do bebê?

    A posição da placenta pode influenciar a forma como a gestante sente os movimentos do bebê. Quando a placenta fica na parte da frente do útero, os movimentos podem ser percebidos mais tarde ou de maneira mais suave. Com o passar da gravidez, essa diferença costuma diminuir.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência 

    Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência 

    Enjoo persistente, dor abdominal, respiração ofegante e um hálito com cheiro de acetona podem parecer sintomas desconectados à primeira vista. No entanto, quando surgem em pessoas com diabetes, esses sinais podem indicar uma emergência médica grave: a cetoacidose diabética.

    Essa condição exige diagnóstico rápido e tratamento imediato. Quando não reconhecida a tempo, pode evoluir para coma e até levar à morte. Por isso, entender como ela surge, quais são os sintomas e quando procurar ajuda faz toda a diferença para salvar vidas.

    O que é a cetoacidose diabética?

    A cetoacidose diabética é uma complicação grave que afeta pessoas com diabetes mellitus, sendo mais comum em indivíduos com diabetes tipo 1, embora também possa ocorrer no diabetes tipo 2.

    Ela é caracterizada por três alterações principais:

    • Níveis muito elevados de glicose no sangue;
    • Aumento de corpos cetônicos;
    • Redução do pH sanguíneo, deixando o sangue ácido.

    A condição acontece quando há deficiência de insulina. Sem insulina suficiente, a glicose não consegue entrar nas células para ser usada como energia. O corpo, então, passa a quebrar gordura como alternativa, produzindo cetonas, substâncias ácidas que se acumulam no sangue e levam ao desequilíbrio metabólico.

    Principais sintomas da cetoacidose diabética

    Os sintomas costumam surgir de forma rápida e progridem em poucas horas ou dias.

    Sintomas iniciais (típicos do diabetes)

    • Sede excessiva;
    • Aumento da frequência urinária;
    • Perda de peso.

    Sintomas associados à cetoacidose

    • Enjoo e vômitos;
    • Dor abdominal;
    • Fadiga intensa;
    • Confusão mental;
    • Hálito cetônico, com odor semelhante ao de acetona.

    Em quadros mais graves, podem ocorrer:

    • Sonolência excessiva;
    • Lentificação;
    • Coma;
    • Necessidade de suporte ventilatório.

    Alterações nos níveis de potássio também são comuns e podem levar a arritmias cardíacas, aumentando a gravidade do quadro.

    Quais são as causas da cetoacidose diabética?

    A cetoacidose diabética pode ocorrer tanto em pessoas já diagnosticadas com diabetes quanto ser a primeira manifestação da doença.

    Principais fatores desencadeantes

    • Infecções, especialmente urinárias e pulmonares;
    • Uso inadequado ou interrupção da insulina;
    • Falha no tratamento medicamentoso.

    A base do problema é sempre a deficiência de insulina, que pode ser:

    • Completa, no diabetes tipo 1;
    • Parcial, no diabetes tipo 2.

    Sem insulina suficiente, o organismo entra em um estado de descompensação metabólica grave.

    Como é feito o diagnóstico da cetoacidose diabética?

    O diagnóstico é baseado em critérios laboratoriais bem definidos.

    Critérios diagnósticos

    • Glicose no sangue maior que 250 mg/dL;
    • pH sanguíneo reduzido (acidose);
    • Presença de cetonas no sangue ou na urina.

    Exames laboratoriais também costumam mostrar:

    • Alterações nos níveis de sódio e potássio;
    • Sinais de desidratação;
    • Redução da função renal em casos mais graves.

    Tratamento da cetoacidose diabética

    A cetoacidose diabética é uma emergência médica e deve ser tratada em ambiente hospitalar.

    Primeira etapa: hidratação

    A hidratação endovenosa vigorosa (soro na veia) é sempre a primeira medida após o diagnóstico, independentemente da gravidade inicial.

    Uso de insulina

    A insulina intravenosa só deve ser iniciada se os níveis de potássio estiverem adequados.

    Se o potássio estiver abaixo de 3,5 mEq/L, ele deve ser corrigido antes da insulina.

    Outras medidas importantes

    • Reposição de bicarbonato e fosfato, quando indicado;
    • Monitorização rigorosa dos sinais vitais;
    • Exames laboratoriais frequentes;
    • Gasometria a cada 2 horas, para acompanhar o equilíbrio metabólico.

    Após a resolução da crise:

    • Reintrodução da dieta;
    • Retorno ao esquema de insulina subcutânea.

    Como prevenir a cetoacidose diabética?

    A prevenção está diretamente ligada ao controle adequado do diabetes.

    Medidas essenciais

    • Uso regular das medicações prescritas;
    • Acompanhamento médico periódico;
    • Ajuste adequado das doses de insulina;
    • Vacinação em dia, para reduzir o risco de infecções;
    • Evitar consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

    Reconhecer precocemente os sintomas e buscar atendimento rápido é fundamental para evitar complicações.

    Prognóstico da cetoacidose diabética

    A taxa de mortalidade varia entre 0,2% e 2,5%.

    O prognóstico é pior em:

    • Idosos;
    • Pacientes com comorbidades importantes;
    • Pessoas com alterações neurológicas graves.

    Por outro lado, pacientes que recebem tratamento precoce costumam apresentar boa recuperação, sem sequelas permanentes.

    Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

    Perguntas frequentes sobre cetoacidose diabética

    1. Cetoacidose diabética é a mesma coisa que glicemia alta?

    Não. A glicemia alta é um dos critérios, mas a cetoacidose envolve acidose e produção de cetonas.

    2. Só quem tem diabetes tipo 1 pode ter cetoacidose?

    Não. É mais comum no tipo 1, mas pode ocorrer no tipo 2.

    3. Hálito com cheiro de acetona é sempre sinal de cetoacidose?

    Não sempre, mas é um sinal de alerta importante em pessoas com diabetes.

    4. A cetoacidose pode ser a primeira manifestação do diabetes?

    Sim. Em alguns casos, o diagnóstico do diabetes acontece durante a crise.

    5. Cetoacidose tem cura?

    Sim. Com tratamento adequado e rápido, a crise é revertida.

    6. Dá para prevenir completamente?

    Nem sempre, mas o bom controle do diabetes reduz muito o risco.

    7. Quando procurar atendimento médico?

    Ao surgirem enjoo, vômitos, dor abdominal, confusão mental ou hálito cetônico.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

  • Paciente oncológico em casa: como adaptar o ambiente durante o tratamento?

    Paciente oncológico em casa: como adaptar o ambiente durante o tratamento?

    Durante o tratamento oncológico, seja com quimioterapia ou radioterapia, a rotina do paciente e de toda a família passa por algumas mudanças. A casa, que antes seguia um funcionamento habitual, precisa se adaptar para oferecer mais conforto, segurança e apoio físico e emocional a quem está em tratamento.

    Mas afinal, quais ajustes são realmente necessários nesse período para receber um paciente oncológico em casa? Conversamos com o oncologista Thiago Chadid e listamos, a seguir, as adaptações que ajudam a prevenir complicações, reduzir efeitos colaterais do tratamento e tornar o dia a dia mais leve. Confira!

    1. Alimentação leve e adequada

    A alimentação deve ser um dos principais fatores de cuidado em casa. Segundo Thiago, pacientes em quimioterapia costumam apresentar náuseas e vômitos, principalmente após refeições pesadas ou de difícil digestão.

    Por isso, a orientação é priorizar alimentos leves, de fácil digestão, como frutas, verduras, legumes, carnes magras e preparações simples, evitando excesso de gordura e condimentos.

    Além disso, podem ocorrer algumas alterações intestinais durante o tratamento, desde prisão de ventre até quadros de diarreia.

    Na constipação, o recomendado é aumentar a ingestão de fibras e líquidos. Em casos de diarreia, a alimentação deve ser ajustada com alimentos mais constipantes e cuidados adicionais com hidratação.

    Ingestão adequada de proteínas

    A perda de massa muscular é frequente durante o tratamento oncológico e pode evoluir para sarcopenia. Por isso, é recomendado uma ingestão de aproximadamente 1 a 1,5 g de proteína por quilo de peso corporal por dia.

    Quando a alimentação sólida não é bem tolerada, podem ser utilizados suplementos proteicos, como whey protein, ou outras fontes que o paciente aceite melhor.

    2. Hidratação no dia a dia

    Independentemente do tipo de tratamento, a hidratação deve ser constante no dia a dia. Segundo Thiago, é recomendado a ingestão de cerca de 2 a 3 litros de água por dia, pois muitos quimioterápicos são eliminados pela urina.

    Alterações no cheiro e na coloração da urina são comuns e não costumam indicar problemas, desde que o paciente esteja bem hidratado.

    3. Uso compartilhado do banheiro

    Não é necessário isolar o banheiro do paciente, de modo que a principal recomendação é manter medidas básicas de higiene, como dar descarga com a tampa do vaso fechada e manter o ambiente limpo. Seguindo as orientações, o risco de exposição para outros moradores é mínimo.

    4. Período de queda da imunidade

    A maior queda da imunidade costuma ocorrer entre o sétimo e o décimo dia após a quimioterapia, podendo se estender até o décimo quarto dia. Nesse período, Thiago orienta evitar visitas, aglomerações e possíveis fontes de infecção.

    O uso de máscara pode ser indicado, assim como cuidados rigorosos com a alimentação, evitando alimentos crus e refeições fora de casa.

    Vale apontar que, durante a fase de baixa imunidade, é comum o paciente apresentar fraqueza intensa, dores no corpo, dor óssea e cansaço, semelhantes a um quadro de gripe. O ideal é priorizar o repouso, evitar atividades físicas intensas e respeitar os limites do corpo.

    5. Proteção solar

    Alguns quimioterápicos interagem com a radiação solar, aumentando o risco de manchas na pele, tonturas e até desmaios. Por isso, o ideal é evitar a exposição solar direta. Quando for necessário, é recomendado uso de protetor solar no rosto e corpo, chapéu, roupas com proteção UV e permanência em locais com sombra.

    6. Cuidados com as veias

    Quando a quimioterapia é realizada por acesso venoso periférico, pode ocorrer inflamação e endurecimento das veias, segundo Thiago.

    Para preparar o braço, é recomendado o uso de compressas mornas, como chá de camomila, nos dias que antecedem a infusão. A hidratação adequada também contribui para facilitar o acesso venoso.

    7. Atividades físicas

    A atividade física pode e deve fazer parte da rotina, desde que seja leve e respeite os limites do corpo. Por exemplo, caminhadas curtas, alongamentos e pilates costumam ser bem tolerados e ajudam no bem-estar físico e emocional.

    Piscina, hidroginástica e até praia também podem ser opções, desde que o paciente não tenha feridas abertas, esteja em fase recente de cirurgia, com colostomia, lesões na pele ou realizando radioterapia com a pele muito sensível.

    8. Cuidados com cabelos e procedimentos estéticos

    Durante o tratamento, Thiago aponta que deve-se evitar produtos agressivos e procedimentos invasivos, como tinturas, alisamentos, peelings e outros tratamentos químicos. A pele e o couro cabeludo ficam mais sensíveis, e essas associações podem aumentar a queda de cabelo ou causar lesões.

    9. Contato com animais domésticos

    O contato com animais de estimação é permitido, desde que sejam mantidos cuidados básicos de higiene e que o contato mais próximo seja evitado durante o período de baixa imunidade. Não é necessário o afastamento definitivo dos pets.

    10. Consumo de álcool durante a quimioterapia

    A recomendação geral é evitar bebidas alcoólicas durante o tratamento oncológico. O álcool pode interferir no metabolismo dos quimioterápicos, aumentar a toxicidade, intensificar náuseas, causar desidratação e sobrecarregar fígado e rins. Em eventos sociais, uma alternativa é apostar em bebidas sem álcool.

    Acompanhamento médico durante o tratamento

    Cada paciente reage de forma diferente à quimioterapia ou à radioterapia, e sintomas, efeitos colaterais ou dúvidas podem surgir a qualquer momento.

    Por isso, é importante lembrar que nenhuma orientação geral substitui o acompanhamento direto e individualizado com o médico que conhece a história e as necessidades do paciente.

    Sempre que houver qualquer mudança no estado geral, aparecimento de novos sintomas, dificuldade para se alimentar, sinais de infecção, dor persistente ou mesmo insegurança em relação aos cuidados em casa, o ideal é procurar orientação profissional. Isso ajuda a evitar complicações e trazer mais segurança para a família e o paciente.

    Confira: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

    Perguntas frequentes

    O que é o tratamento oncológico e quais são os tipos mais comuns?

    O tratamento oncológico envolve todas as terapias utilizadas para controlar, reduzir ou eliminar o câncer. Os tipos mais comuns incluem quimioterapia, radioterapia, cirurgia, imunoterapia, terapia-alvo e hormonioterapia.

    Em muitos casos, mais de um tipo é combinado, de acordo com o tipo de câncer, estágio da doença e condições clínicas do paciente.

    Por que o tratamento oncológico diminui a imunidade?

    A quimioterapia e alguns outros tratamentos atuam sobre células que se multiplicam rapidamente. Isso inclui as células do câncer, mas também células saudáveis da medula óssea, responsáveis pela produção dos glóbulos brancos, que defendem o organismo contra infecções.

    Com a redução dessas células, o sistema imunológico fica temporariamente enfraquecido, aumentando o risco de infecções, especialmente em determinados períodos do ciclo do tratamento.

    É normal sentir muito cansaço durante o tratamento oncológico?

    Sim, a fadiga relacionada ao câncer é um dos sintomas mais comuns e pode ser diferente do cansaço habitual. Ela não melhora apenas com descanso e pode estar relacionada à própria doença, aos tratamentos, à anemia, às alterações do sono e ao impacto emocional.

    A radioterapia também causa efeitos colaterais?

    Sim, mas normalmente localizados na área tratada, em que pode surgir vermelhidão na pele, cansaço, ressecamento e sensibilidade. Os efeitos costumam ser progressivos ao longo das sessões e tendem a melhorar após o término do tratamento. A equipe médica pode orientar cuidados específicos com a pele.

    É seguro usar medicamentos naturais ou suplementos durante o tratamento?

    Nem sempre, pois alguns produtos naturais podem interagir com a quimioterapia ou radioterapia, reduzindo a eficácia ou aumentando efeitos colaterais. Por isso, qualquer suplemento, chá ou medicamento alternativo deve ser discutido com o médico antes de ser utilizado.

    O paciente pode viajar durante o tratamento oncológico?

    Em alguns casos, sim. Viagens curtas podem ser permitidas, desde que o paciente esteja se sentindo bem, fora do período de baixa imunidade e com autorização médica. É importante planejar com cuidado, considerar acesso a serviços de saúde e evitar locais com grande aglomeração ou condições sanitárias inadequadas.

    Por que a quimioterapia pode causar queda de cabelo?

    Os folículos capilares têm células que se dividem rapidamente, assim como as células tumorais. A quimioterapia não diferencia essas células e acaba afetando o crescimento do cabelo.

    A queda é, na maioria das vezes, temporária, e os fios tendem a voltar após o término do tratamento, podendo inclusive nascer com textura ou cor diferentes.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos