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  • Como identificar sinais de desidratação mesmo quando você acha que bebe água suficiente 

    Como identificar sinais de desidratação mesmo quando você acha que bebe água suficiente 

    Em dias quentes, durante a rotina corrida ou até no trabalho em ambientes climatizados, muitas pessoas acreditam que estão bebendo água o suficiente, mas o corpo pode estar dizendo o contrário. O problema é que nem todo mundo ouve esse pedido do organismo, pois a desidratação nem sempre dá sinais óbvios.

    A desidratação leve pode passar despercebida, mas já é capaz de causar tonturas, dor de cabeça, cansaço e queda na concentração. Em níveis mais graves, pode levar à queda de pressão, confusão mental e risco aumentado de arritmias. Por isso, entender o que o corpo está sinalizando é bem importante para evitar problemas.

    Por que você pode estar desidratado mesmo bebendo água?

    Existem várias razões:

    • Você perde mais água do que imagina, e isso pode ser pelo suor, respiração ou urina;
    • O consumo de água não acompanha essas perdas;
    • Café, chá preto e bebidas alcoólicas aumentam a diurese, favorecendo a eliminação de líquidos;
    • Exercícios físicos, clima seco e ar-condicionado aceleram a desidratação, mesmo sem suor visível;
    • Pessoas idosas têm menor sensação de sede, o que dificulta perceber a necessidade de se hidratar.

    Ou seja, aquela sensação de que você bebeu bastante água hoje pode ser traiçoeira, pois nem sempre corresponde ao que o corpo realmente precisa.

    Sinais de desidratação que passam despercebidos

    1. Urina muito amarela ou com cheiro forte

    É um dos primeiros sinais. A urina saudável tende a ser amarelo-clara. Se estiver escura ou reduzida, é sinal de pouca ingestão de líquidos.

    2. Dor de cabeça e dificuldade de concentração

    A desidratação reduz o fluxo sanguíneo cerebral e afeta o funcionamento do cérebro. Isso pode causar:

    • Dor de cabeça;
    • Lentidão de raciocínio;
    • Sensação de mente cansada.

    3. Cansaço exagerado, mesmo sem esforço

    Quando falta água, o sangue fica mais concentrado, o coração trabalha mais e o corpo produz menos energia. Isso gera:

    • Fraqueza;
    • Indisposição;
    • Sonolência ao longo do dia.

    4. Tonturas ou sensação de “escurecimento” ao se levantar

    A desidratação pode reduzir o volume sanguíneo, o que aumenta o risco de quedas de pressão (hipotensão postural). É um dos sinais mais importantes para avaliação médica.

    5. Pele seca e com pouca elasticidade

    Um teste simples: belisque suavemente a pele no dorso da mão. Se ela demorar a voltar ao lugar, faltam líquidos.

    6. Boca seca, lábios rachados e saliva grossa

    São sinais clássicos de que a produção de saliva diminuiu. Em desidratações mais intensas, também aparece mau hálito.

    7. Aumento da frequência cardíaca

    Quando falta líquido no corpo, o coração pode bater mais rápido para manter o fluxo sanguíneo adequado. Isso pode aumentar o risco cardiovascular em pessoas vulneráveis.

    Quem tem mais risco de desidratação?

    • Idosos;
    • Crianças;
    • Pessoas com diarreia ou vômitos;
    • Quem faz exercícios intensos;
    • Quem trabalha em ambientes quentes;
    • Usuários frequentes de diuréticos, laxantes ou certos medicamentos;
    • Gestantes e lactantes.

    Como garantir hidratação adequada na prática

    Algumas recomendações são:

    • Observe a urina, que deve estar clara na maior parte do dia;
    • Distribua a ingestão ao longo do dia, não de uma vez só;
    • Aposte em alimentos ricos em água, como frutas, vegetais e sopas;
    • Aumente o consumo de água ao praticar atividades físicas;
    • Evite excesso de álcool e modere o café;
    • Use garrafinhas de fácil acesso para criar hábito.

    Lembre-se que a sede é um sinal tardio de desidratação. Não espere sentir sede para beber água.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

    Perguntas frequentes sobre desidratação

    1. Quanto de água eu devo beber por dia?

    Não existe um número único. A recomendação geral é entre 30–35 ml/kg/dia, e isso é ajustado conforme o clima e o nível de atividade física.

    2. Água com gás hidrata?

    Sim, hidrata da mesma forma que água normal, desde que seja realmente água e não tenha açúcar.

    3. Beber muita água de uma vez só resolve?

    Não. O corpo absorve água melhor quando o consumo é distribuído ao longo do dia.

    4. Chá e café contam como hidratação?

    Contam, mas em excesso podem aumentar a urina e favorecer desidratação.

    5. Desidratação pode causar arritmia?

    Sim. A queda de eletrólitos e de volume sanguíneo pode afetar o ritmo cardíaco.

    6. Quando devo procurar um médico?

    Se houver tontura, confusão mental, pouca urina ou sinais de desidratação em crianças, idosos ou gestantes.

    Confira: Pedra nos rins: descubra como é feito o tratamento

  • Canetas emagrecedoras e colesterol: o que muda nos níveis de gordura no sangue?

    Canetas emagrecedoras e colesterol: o que muda nos níveis de gordura no sangue?

    Os benefícios dos agonistas do GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, podem ir muito além da perda de peso e do controle do açúcar no sangue.

    De acordo com estudos recentes, as canetas emagrecedoras apresentam impacto no perfil lipídico, reduzindo principalmente os níveis de triglicerídeos e do colesterol ruim (LDL), além de ajudarem na manutenção ou até em um leve aumento do colesterol bom (HDL).

    Mas afinal, como isso acontece? Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para explicar como essas medicações influenciam o metabolismo das gorduras e qual é o papel da perda de peso nesse processo. Confira!

    Canetas emagrecedoras e colesterol: como elas melhoram o perfil lipídico?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, os agonistas do GLP-1 atuam em diferentes frentes do metabolismo, envolvendo tanto o fígado quanto o intestino.

    No fígado, a medicação reduz a produção de VLDL, uma lipoproteína de muito baixa densidade responsável pelo transporte de triglicerídeos, o que diminui a quantidade de gordura liberada na circulação.

    No intestino, o retardo do esvaziamento gástrico e da absorção de gorduras após as refeições ajuda a evitar picos de gordura no sangue.

    Juliana explica que a melhora do perfil lipídico acontece, principalmente, como consequência da perda de peso. Com o emagrecimento, ocorre melhora da resistência à insulina, tornando o metabolismo das gorduras mais eficiente.

    Contudo, também existem evidências de que os agonistas do GLP-1 exercem um efeito direto na redução do processo inflamatório do organismo e da inflamação do endotélio, a camada interna dos vasos sanguíneos, o que contribui de forma adicional para a melhora dos níveis de colesterol.

    As canetas emagrecedoras substituem os remédios para colesterol?

    Os agonistas do GLP-1 podem ajudar a melhorar os exames de colesterol, mas não substituem os medicamentos usados no tratamento.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, as estatinas, que são os remédios específicos para controlar o colesterol, têm um efeito muito mais efetivo. Em alguns casos, conseguem reduzir até 50% dos níveis de colesterol ruim, enquanto os agonistas do GLP-1 promovem uma redução em torno de 10%.

    No caso dos triglicerídeos, as canetas emagrecedoras costumam ter um efeito mais significativo. Mesmo assim, as estatinas continuam sendo a principal opção para o tratamento do colesterol.

    Por isso, é necessário manter o uso das estatinas sempre que houver indicação médica, mesmo durante o tratamento com agonistas do GLP-1.

    Quem tem colesterol normal também se beneficia?

    Mesmo em pacientes com colesterol normal e em uso de estatinas, a adição dos agonistas do GLP-1 demonstrou impacto na redução do risco de infarto e AVC.

    Segundo Juliana, isso acontece principalmente devido à ação anti-inflamatória, à melhora da função do endotélio, que corresponde à parede interna dos vasos sanguíneos, e à melhora da pressão arterial.

    Tudo isso contribui para um benefício cardiovascular positivo, mesmo quando os níveis de colesterol já estão controlados.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Perguntas frequentes

    Por que emagrecer melhora o colesterol?

    A perda de peso melhora a resistência à insulina e torna o metabolismo das gorduras mais eficiente.

    É seguro usar GLP-1 junto com estatina?

    Sim, quando indicado pelo médico. As medicações atuam por mecanismos diferentes e podem se complementar.

    Quanto tempo leva para notar melhora nos exames?

    As mudanças costumam aparecer de forma gradual, acompanhando a perda de peso ao longo dos meses.

    Qual a diferença entre colesterol LDL e HDL?

    O LDL é conhecido como colesterol ruim, pois pode se acumular nas artérias. O HDL é chamado de colesterol bom, pois ajuda a remover o excesso de gordura da circulação.

    A alimentação influencia muito nos níveis de colesterol?

    Sim, o consumo excessivo de gorduras saturadas, ultraprocessados e açúcar pode elevar os níveis de colesterol e triglicerídeos.

    Com que frequência o colesterol deve ser avaliado?

    A periodicidade depende do perfil de risco, mas geralmente a avaliação ocorre pelo menos uma vez por ano ou conforme orientação médica.

    Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

  • Bulimia nervosa: quais cuidados nutricionais podem ajudar no tratamento?

    Bulimia nervosa: quais cuidados nutricionais podem ajudar no tratamento?

    Com impacto no comportamento alimentar e na saúde emocional, a bulimia nervosa é um transtorno em que a pessoa costuma passar por episódios de compulsão alimentar, nos quais come grandes quantidades de comida em pouco tempo, sentindo perda de controle.

    Depois disso, surge um sentimento intenso de culpa, vergonha ou medo de ganhar peso, o que leva a comportamentos compensatórios, como provocar vômitos, usar laxantes, jejuar por longos períodos ou praticar exercícios físicos de forma excessiva.

    Mas afinal, como a condição é tratada? Além do acompanhamento psicológico, a alimentação tem um papel fundamental no tratamento da bulimia.

    As estratégias nutricionais ajudam a organizar a rotina alimentar, reduzir os episódios de compulsão e os comportamentos compensatórios.

    Como a bulimia nervosa se manifesta?

    A bulimia nervosa pode se manifestar por sinais físicos, emocionais e comportamentais, como:

    • Episódios frequentes de compulsão alimentar, com ingestão de grandes quantidades de comida em pouco tempo;
    • Sensação de perda de controle durante a compulsão;
    • Comportamentos compensatórios após comer, como vômitos autoinduzidos, uso de laxantes ou diuréticos;
    • Períodos de jejum prolongado ou prática excessiva de exercícios físicos;
    • Preocupação intensa com peso, forma corporal e aparência;
    • Sentimentos recorrentes de culpa, vergonha ou arrependimento após comer;
    • Oscilações de humor, ansiedade e irritabilidade;
    • Dor de garganta frequente, desgaste do esmalte dos dentes e mau hálito;
    • Inchaço abdominal, alterações intestinais e desconforto gastrointestinal.

    Os sinais podem variar entre as pessoas e, muitas vezes, passam despercebidos, o que torna fundamental a atenção aos sintomas e o diagnóstico precoce.

    Quais as complicações nutricionais da bulimia?

    A bulimia nervosa pode causar várias complicações nutricionais, devido à combinação de compulsão alimentar com comportamentos compensatórios, como vômitos, uso de laxantes ou exercícios em excesso, conforme explica a nutricionista Fernanda Pacheco.

    Isso pode levar à perda de nutrientes importantes, à desidratação e a desequilíbrios eletrolíticos, como alterações nos níveis de potássio, fósforo e magnésio, afetando diretamente o funcionamento do coração, dos músculos e do sistema nervoso.

    “Além disso, é comum haver deficiências de vitaminas e minerais, queda de cabelo, fragilidade nas unhas, alterações de pele e problemas gastrointestinais. Em casos mais graves, as alterações metabólicas podem colocar a vida do paciente em risco”, explica Fernanda.

    Como as carências nutricionais são identificadas?

    As carências nutricionais são identificadas por meio da avaliação clínica e da análise de exames laboratoriais. O profissional de saúde observa sinais físicos, sintomas relatados pelo paciente e resultados de exames de sangue que mostram alterações nos níveis de vitaminas, minerais e outros nutrientes.

    Além disso, o nutricionista analisa o padrão alimentar, a frequência das refeições e a presença de comportamentos compensatórios, o que ajuda a entender quais nutrientes podem estar em falta e a definir a melhor medida de tratamento.

    A partir disso, Fernanda explica que o nutricionista orienta uma alimentação equilibrada, com foco em alimentos ricos em vitaminas, minerais e proteínas. Quando necessário, a suplementação pode ser indicada de forma individualizada.

    “O objetivo é reconstruir o equilíbrio nutricional de maneira gradual, respeitando as limitações do paciente e evitando que a recuperação cause desconfortos físicos ou emocionais”, complementa a nutricionista.

    Cuidados nutricionais no tratamento de bulimia

    No tratamento da bulimia, o foco está em reduzir os gatilhos, diminuir a ansiedade em torno da comida e ajudar o paciente a reconstruir uma relação mais estável e segura com a alimentação. Entre algumas das estratégias, é possível destacar:

    • Evitar longos períodos de jejum, já que a fome intensa aumenta o risco de compulsão e de vômitos;
    • Fracionar as refeições ao longo do dia, ajudando a manter a fome mais controlada;
    • Priorizar alimentos que causem menos desconforto gástrico, principalmente no início do tratamento;
    • Estimular a regularidade alimentar, com horários mais previsíveis para comer;
    • Orientar sobre a importância da hidratação, reduzindo riscos de desidratação e perda de eletrólitos;
    • Monitorar, quando necessário, alterações nutricionais com apoio médico.

    “O objetivo é diminuir a urgência de usar métodos compensatórios, fortalecendo gradualmente a confiança do paciente na alimentação”, complementa Fernanda.

    Para reduzir a ansiedade relacionada à comida, a nutricionista esclarece que também podem ser usadas estratégias como:

    • Comer de forma fracionada ao longo do dia, evitando longos períodos sem se alimentar;
    • Incluir alimentos que promovem maior saciedade;
    • Estimular o comer consciente, com mais atenção aos sinais de fome e saciedade;
    • Desconstruir crenças rígidas sobre “alimentos proibidos”;
    • Mostrar que o equilíbrio alimentar é possível sem restrições extremas;
    • Criar um ambiente alimentar previsível e sem julgamentos;
    • Reduzir a pressão emocional associada às refeições.

    Durante o tratamento de bulimia, é necessário restringir algum alimento?

    A restrição de alimentos não é indicada, pois a proibição tende a aumentar a ansiedade e manter o ciclo de compulsão e comportamentos compensatórios. Segundo Fernanda, o foco é ampliar a variedade alimentar e mostrar que todos os alimentos podem fazer parte de uma rotina equilibrada.

    Assim, o medo e a culpa em relação à comida diminuem, favorecendo uma relação mais leve e saudável com a alimentação.

    “A reconstrução da rotina alimentar é feita de maneira progressiva. O primeiro passo é organizar horários regulares para comer, evitando jejuns prolongados. Em seguida, o nutricionista introduz gradualmente alimentos de todos os grupos, sempre considerando preferências e tolerâncias do paciente”, explica a nutricionista.

    Com o tempo, a pessoa aprende a se alimentar em diferentes situações, como sozinho, com a família ou em eventos sociais, sem recorrer a comportamentos compensatórios.

    Quando a suplementação é indicada?

    A suplementação é indicada quando os exames mostrarem falta de vitaminas, minerais ou outros nutrientes, ou quando a alimentação sozinha não consegue suprir as necessidades.

    Muitos pacientes apresentam deficiências de ferro, vitaminas do complexo B, vitamina D, cálcio e magnésio, devido à purgação frequente e à alimentação irregular, segundo Fernanda.

    “No entanto, a indicação é sempre individualizada e baseada em exames laboratoriais, evitando a automedicação e garantindo segurança”, complementa Fernanda.

    O tratamento de bulimia nervosa é multidisciplinar

    Uma vez que a bulimia nervosa envolve fatores emocionais, comportamentais e físicos, o tratamento precisa contar com diferentes profissionais.

    De acordo com Fernanda, o médico acompanha possíveis complicações, como alterações no coração, no sistema digestivo ou nos hormônios. Já o psicólogo ou psiquiatra atua nos aspectos emocionais e comportamentais, ajudando o paciente a lidar com ansiedade, culpa e baixa autoestima.

    “Essa integração garante que o paciente receba um cuidado completo, aumentando muito as chances de recuperação duradoura”, finaliza a especialista.

    Veja também: Qual o papel do nutricionista no tratamento de transtornos alimentares?

    Perguntas frequentes

    Como é feito o diagnóstico de bulimia?

    O diagnóstico da bulimia nervosa é feito a partir da conversa com o profissional de saúde, que avalia os comportamentos alimentares e os episódios de compulsão seguidos de práticas compensatórias. Também é observado o impacto desses comportamentos na saúde física e emocional.

    A bulimia pode causar problemas de saúde?

    Sim, a condição pode levar a desidratação, desequilíbrios de eletrólitos, alterações cardíacas, problemas gastrointestinais, desgaste dos dentes, inflamação na garganta e alterações hormonais.

    Vômitos frequentes fazem mal ao coração?

    Sim, a perda de eletrólitos, como potássio e magnésio, pode interferir diretamente no ritmo cardíaco, aumentando o risco de arritmias e outras complicações.

    A bulimia pode voltar após o tratamento?

    A condição pode apresentar recaídas, principalmente em períodos de estresse emocional. Por isso, o acompanhamento contínuo e o suporte psicológico são fundamentais para manter a recuperação.

    Exercício físico em excesso pode fazer parte da bulimia?

    Sim, a prática excessiva de exercícios pode ser usada como forma de compensação após comer. No tratamento, a relação com o exercício também é trabalhada para que ele volte a ser saudável.

    O uso de laxantes pode prejudicar o intestino?

    Sim, o uso frequente de laxantes pode causar dependência intestinal, desidratação e alterações no funcionamento do intestino ao longo do tempo.

    Leia mais: Anorexia nervosa: entenda o papel da nutrição na recuperação e na prevenção de recaídas

  • Câncer de boca e garganta tem cura? Conheça os sintomas e como é feito o tratamento

    Câncer de boca e garganta tem cura? Conheça os sintomas e como é feito o tratamento

    O câncer de boca e garganta, também conhecido como câncer de cavidade oral ou câncer de lábio, é um dos principais tipos de câncer de cabeça e pescoço. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para 2025 era de mais de 15 mil novos casos no Brasil.

    Apesar de mais frequente em homens acima dos 40 anos, a doença pode acometer pessoas de todos os gêneros e idades, especialmente quando há exposição prolongada a fatores de risco conhecidos — como o tabagismo, consumo de álcool e infecção pelo papilomavírus humano (HPV).

    O que é o câncer de boca e garganta?

    O câncer de boca e garganta é um tipo de câncer que se desenvolve nas células que revestem a cavidade oral e a orofaringe. Ele faz parte do grupo dos cânceres de cabeça e pescoço e pode acometer diferentes estruturas, como lábios, gengivas, língua, assoalho da boca, céu da boca, amígdalas, faringe e parte posterior da língua.

    Na maioria dos casos, o tumor se origina nas células da mucosa, sendo classificado como carcinoma espinocelular, responsável por cerca de 90% dos diagnósticos. Ele tende a se desenvolver de forma silenciosa no início, o que contribui para o diagnóstico tardio em muitas pessoas.

    Tipos de câncer de boca e garganta

    Os cânceres de boca e garganta podem se manifestar de diferentes formas, sendo classificados de acordo com a origem das células, as características do tumor e a região afetada. Entre eles, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica aponta:

    Carcinoma de células escamosas

    O carcinoma de células escamosas é o tipo mais comum, responsável por cerca de 95% dos casos de câncer de cavidade oral e orofaringe. Ele tem origem nas células escamosas, células planas que revestem a boca e a garganta.

    Nos estágios iniciais, recebe o nome de carcinoma in situ, quando as células cancerígenas estão restritas à camada superficial do epitélio. Quando ocorre invasão das camadas mais profundas da mucosa, passa a ser classificado como carcinoma de células escamosas invasivo, condição associada a maior agressividade e risco de disseminação.

    Câncer de boca relacionado ao HPV

    Também classificado como carcinoma de células escamosas, esse tipo de câncer está associado à infecção por determinados subtipos do papilomavírus humano (HPV), pertencentes ao grupo HPV positivo.

    Ele ocorre com mais frequência em pessoas mais jovens, muitas vezes sem histórico de tabagismo ou consumo excessivo de álcool — e acomete principalmente a orofaringe, como amígdalas e base da língua.

    Carcinoma verrucoso

    O carcinoma verrucoso é uma forma rara de carcinoma de células escamosas, normalmente encontrada na gengiva ou na mucosa da bochecha. Ele apresenta crescimento lento e pode surgir inicialmente como uma lesão aparentemente benigna.

    Apesar de representar menos de 5% dos casos, ele costuma ser menos agressivo e raramente produz metástases. Ainda assim, pode se expandir localmente, atingindo tecidos vizinhos, o que torna necessária a remoção cirúrgica.

    Carcinoma das glândulas salivares menores

    O carcinoma das glândulas salivares menores se desenvolve nas pequenas glândulas salivares distribuídas pela mucosa da boca e da região próxima à garganta. Existem diferentes subtipos, entre eles:

    • Carcinoma adenoide cístico, de crescimento lento, com tendência a se disseminar ao longo dos nervos e apresentar recidivas tardias;
    • Carcinoma mucoepidermoide, o mais comum entre os tumores das glândulas salivares, geralmente originado nas parótidas, podendo variar de baixo a alto grau;
    • Adenocarcinoma, originado nas células glandulares. Quando acomete glândulas salivares menores, costuma ser de baixo grau e apresenta altas taxas de cura.

    Linfomas

    Os linfomas são cânceres que se originam nos glóbulos brancos e afetam o sistema linfático, componente essencial da defesa do organismo. Como estruturas como as amígdalas e a base da língua fazem parte do tecido linfóide, esse tipo de câncer também pode se iniciar nessas regiões da boca e da garganta.

    Quais os fatores de risco do câncer de boca e garganta?

    O tabagismo é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de boca e garganta. O uso de cigarros, charutos, cachimbos ou qualquer produto derivado do tabaco provoca uma agressão contínua à mucosa da boca e da garganta.

    Quanto maior o tempo de exposição e a quantidade consumida ao longo dos anos, maior é o risco. Mesmo após a interrupção do hábito, o risco não desaparece imediatamente, diminuindo de forma gradual com o passar do tempo.

    Entre outros fatores de risco, é possível destacar:

    • Consumo frequente e excessivo de álcool: a ingestão regular de bebidas alcoólicas, principalmente em grande volume e por longos períodos, aumenta significativamente a chance de desenvolver a doença, sobretudo quando associada ao tabagismo;
    • Infecção pelo HPV (papilomavírus humano): o HPV tem se tornado um fator de risco cada vez mais importante, especialmente para os cânceres de orofaringe. Está relacionado principalmente à prática de sexo oral sem proteção e ao maior número de parceiros sexuais;
    • Obesidade: o excesso de peso está associado a alterações metabólicas e inflamatórias que podem aumentar o risco de diversos tipos de câncer, incluindo os de boca e garganta;
    • Exposição solar excessiva sem proteção: a exposição constante e prolongada ao sol, sem o uso de protetor solar labial, é o principal fator de risco para o câncer de lábio, especialmente o lábio inferior.

    De acordo com o oncologista Thiago Chadid, o câncer de boca e garganta sempre esteve, historicamente, ligado ao tabagismo e ao consumo de álcool, que continuam sendo as principais causas da doença em grande parte do mundo.

    No entanto, em países como Estados Unidos e nações do norte da Europa, a infecção pelo papilomavírus humano (HPV) passou a ser o principal fator de risco, superando o cigarro e o álcool. A estimativa é que cerca de 70% da população norte-americana já tenha tido contato com o vírus.

    No Brasil, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool ainda são os fatores de risco mais comuns, devido à alta exposição da população. Ainda assim, o HPV tende a ganhar espaço nos próximos anos, especialmente se não houver políticas eficazes de vacinação durante a infância e a adolescência.

    O uso de enxaguante bucal com álcool aumenta o risco?

    Ainda não há evidências suficientes de que o uso de enxaguantes bucais à base de álcool seja um fator de risco independente para o câncer de boca ou orofaringe.

    No entanto, Thiago Chadid explica que o principal problema, nesse contexto, está no contato direto do álcool com a mucosa oral, que atua como um agente irritante. O uso diário pode causar irritação contínua e favorecer o agravamento de lesões precursoras.

    Por isso, o recomendado é evitar enxaguantes bucais com álcool, especialmente quando utilizados com frequência. Existem versões sem álcool, consideradas menos agressivas, mas esse tipo de produto não é indispensável para a higiene bucal diária quando a escovação adequada e o uso regular do fio dental são mantidos.

    Quais os sintomas do câncer de boca e garganta?

    Os sintomas do câncer de boca e garganta podem variar conforme o tipo, a localização e o estágio do tumor. Em muitos casos, eles surgem de forma discreta no início, o que pode atrasar o diagnóstico.

    Entre os principais sintomas, estão:

    • Dor na boca ou na garganta que não melhora com o tempo;
    • Ferida ou lesão que sangra e não cicatriza;
    • Nódulo ou inchaço na parte interna da bochecha;
    • Manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na língua, gengivas, amígdalas, céu da boca ou mucosa oral;
    • Dificuldade para mastigar ou movimentar a mandíbula;
    • Dificuldade para movimentar a língua, falar ou engolir;
    • Dormência na língua ou em outras áreas da boca;
    • Inchaço na mandíbula, que pode causar desconforto ao usar próteses dentárias;
    • Enfraquecimento ou dor nos dentes sem causa aparente;
    • Rouquidão persistente ou mudanças no tom de voz;
    • Presença de caroço ou nódulo no pescoço.

    Diante dos sinais de alerta, Thiago orienta procurar um otorrinolaringologista, um cirurgião de cabeça e pescoço ou um cirurgião bucomaxilofacial, profissionais capazes de avaliar as lesões e indicar uma biópsia quando necessário.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico do câncer de boca e garganta é feito principalmente por meio da avaliação clínica e da observação direta das lesões, já que não existe um exame de rastreamento de rotina para a população geral.

    O primeiro passo é o exame físico detalhado da cavidade oral e do pescoço, em que o especialista observa a presença de feridas que não cicatrizam, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, úlceras, nódulos e assimetrias — além de palpar o pescoço em busca de linfonodos aumentados.

    Quando há suspeita da doença, alguns exames podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão do tumor, como:

    • Exame clínico da boca e do pescoço, com inspeção visual das mucosas e palpação dos linfonodos cervicais;
    • Nasofibrolaringoscopia, exame feito com um aparelho fino e flexível introduzido pelo nariz, que permite visualizar a garganta, a laringe e a base da língua;
    • Biópsia, procedimento fundamental para a confirmação do diagnóstico, no qual um fragmento da lesão é retirado para análise em laboratório;
    • Tomografia computadorizada, utilizada para avaliar a extensão do tumor e o comprometimento de estruturas vizinhas;
    • Ressonância magnética, indicada para uma análise mais detalhada dos tecidos moles;
    • PET-CT, exame que ajuda a identificar metástases e a atividade do tumor no organismo.

    Rastreamento do câncer de boca e garganta

    Para pessoas consideradas de maior risco, como tabagistas, o oncologista Thiago Chadid orienta a realização de uma avaliação anual de cabeça e pescoço. A consulta inclui exame clínico detalhado da cavidade oral, da garganta e do pescoço e, quando necessário, a nasofibrolaringoscopia.

    Os exames de imagem, como tomografia computadorizada, ressonância magnética ou PET-CT, não são indicados para rastreamento, pois não conseguem identificar lesões muito iniciais. O diagnóstico precoce depende, principalmente, da observação direta das mucosas e da avaliação clínica criteriosa.

    Tratamento de câncer de boca e pescoço

    O tratamento depende do tipo de lesão, do estágio da doença e da profundidade do tumor. Quando uma lesão pré-maligna é identificada, a cirurgia costuma ser a base do tratamento, especialmente nos casos diagnosticados em fases iniciais. Thiago explica que a conduta indicada é a ressecção completa da lesão, com margens adequadas, sempre que possível.

    A boca e o pescoço são regiões delicadas, ricas em vasos sanguíneos e nervos. Mesmo cirurgias consideradas pequenas podem causar impacto funcional e estético.

    Em algumas situações, não é possível fechar a área operada com pontos, sendo necessário recorrer a enxertos ou permitir a cicatrização por segunda intenção, um processo mais lento e, muitas vezes, doloroso.

    Quando a lesão pré-maligna é removida de forma completa, o tratamento cirúrgico costuma ser suficiente, sem necessidade de quimioterapia ou radioterapia. Após a retirada, realiza-se o estadiamento, uma etapa para avaliar a profundidade do tumor, a qualidade das margens cirúrgicas e o risco de disseminação da doença.

    Quando o tumor cresce mais profundamente, não é retirado por completo ou apresenta risco de espalhamento para outras partes do corpo, o médico pode indicar tratamentos complementares, como radioterapia — sozinha ou em conjunto com a quimioterapia, para reduzir a chance da doença voltar.

    Em casos mais avançados, a imunoterapia pode ser usada no tratamento. Ela ajuda o próprio sistema de defesa do corpo a reconhecer e combater as células do câncer, aumentando as chances de controlar a doença.

    Câncer de boca e garganta tem cura?

    Quando a doença é identificada precocemente, as chances de cura costumam ser elevadas, e os tratamentos tendem a ser menos agressivos. No entanto, o câncer de boca e garganta pode se tornar bastante agressivo quando o diagnóstico ocorre em fases mais avançadas.

    Tumores mais profundos ou extensos apresentam maior risco de metástases, principalmente para os linfonodos do pescoço, além de órgãos como pulmões, ossos, fígado e pele, o que torna o tratamento mais complexo e pode comprometer o prognóstico. Isso ressalta a importância do diagnóstico precoce.

    É possível prevenir o câncer de boca e garganta?

    A maior parte dos casos pode ser prevenida com mudanças de hábitos e cuidados simples no dia a dia, como:

    • Evitar o tabagismo, em qualquer forma, incluindo cigarro, charuto, cachimbo e fumo sem combustão;
    • Reduzir ou evitar o consumo de bebidas alcoólicas, especialmente quando associado ao tabaco;
    • Manter boa higiene bucal e realizar acompanhamento odontológico regular;
    • Usar preservativo durante as relações sexuais, reduzindo o risco de infecção pelo HPV;
    • Vacinar-se contra o HPV, conforme orientação médica e faixa etária;
    • Proteger os lábios da exposição solar excessiva, utilizando protetor labial com filtro solar;
    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e legumes;
    • Procurar avaliação médica ou odontológica diante de feridas na boca, rouquidão ou dor persistente que não cicatrizam em até duas semanas.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

    Perguntas frequentes

    Qual a população de risco para câncer de boca e garganta?

    A população de maior risco inclui pessoas que fumam ou já fumaram, consomem álcool com frequência, especialmente de forma associada ao tabagismo, e pessoas infectadas pelo HPV, principalmente os subtipos oncogênicos. A exposição solar crônica sem proteção, má higiene bucal e histórico familiar também elevam o risco.

    Como funciona o tratamento cirúrgico?

    A cirurgia busca remover completamente o tumor com margens de segurança. Dependendo da extensão, pode envolver estruturas importantes da boca ou garganta. Em alguns casos, é necessária reconstrução para preservar funções como fala, mastigação e deglutição.

    O câncer de boca e garganta pode causar caroço no pescoço?

    Sim, o surgimento de caroços endurecidos no pescoço pode indicar comprometimento dos linfonodos, um dos primeiros sinais de disseminação da doença. Todo nódulo persistente deve ser investigado.

    Quando a radioterapia é indicada?

    A radioterapia pode ser utilizada como tratamento principal ou complementar à cirurgia. É indicada quando há risco de recidiva, margens comprometidas ou tumores mais avançados. O tratamento é realizado ao longo de várias semanas.

    O tratamento afeta a fala e a alimentação?

    Pode afetar, dependendo do local e da extensão do tumor. Por isso, o acompanhamento com fonoaudiólogo e nutricionista é fundamental para recuperação funcional e qualidade de vida.

    Quando procurar um médico ou dentista?

    Sempre que houver feridas na boca, dor, rouquidão, dificuldade para engolir ou caroços no pescoço que persistam por mais de duas semanas. O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento e o prognóstico.

    Leia mais: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

  • Tiques motores e vocais: o que está por trás da síndrome de Tourette

    Tiques motores e vocais: o que está por trás da síndrome de Tourette

    Movimentos involuntários, sons repetitivos e comportamentos que surgem sem controle consciente ainda são, muitas vezes, cercados por estigma e desinformação. Em casos mais visíveis, essas manifestações podem gerar constrangimento social, isolamento e até interpretações equivocadas sobre o comportamento de crianças e adultos.

    A síndrome de Tourette é uma condição neurológica que costuma começar na infância e se manifesta principalmente por tiques motores e vocais. Apesar de relativamente conhecida, ainda é pouco compreendida fora do meio médico, o que reforça a importância da informação correta para reduzir preconceitos e ajudar no diagnóstico e o acompanhamento adequados.

    O que é a síndrome de Tourette?

    A síndrome de Tourette é uma condição neurológica caracterizada pela presença de tiques motores e vocais, que surgem de forma involuntária e geralmente se iniciam na infância. Esses tiques podem persistir até a vida adulta e, em alguns casos, causar prejuízos significativos à vida social, emocional e funcional dos indivíduos afetados.

    Trata-se de um transtorno do neurodesenvolvimento, com evolução variável ao longo da vida. Embora muitas pessoas apresentem melhora dos sintomas com o passar dos anos, a condição pode gerar morbidade relevante, especialmente quando associada a outras alterações psiquiátricas.

    Principais sintomas

    Os sintomas centrais da síndrome de Tourette são os tiques, que se dividem em motores e vocais.

    Tiques motores

    Os tiques motores consistem em movimentos involuntários e repetitivos, como:

    • Piscar excessivamente os olhos;
    • Caretas ou sorrisos involuntários;
    • Movimentos do pescoço ou dos ombros.

    Em casos mais graves, podem surgir tiques motores complexos, como pulos, gestos abruptos ou movimentos que parecem agressivos.

    Tiques vocais

    Os tiques vocais incluem sons ou vocalizações involuntárias, como:

    • Gritos ou sons guturais;
    • Latidos ou pigarros repetidos;
    • Repetição de palavras ou frases;
    • Emissão de palavras socialmente inadequadas.

    Os tiques costumam ser precedidos por uma sensação de desconforto ou inquietação interna e são seguidos por alívio temporário após sua execução.

    Idade de início e evolução

    Os sintomas geralmente surgem antes dos 18 anos, com pico entre 2 e 15 anos. A idade média de início é em torno dos 6 anos, e cerca de 96% dos pacientes apresentam tiques até os 11 anos.

    Na maioria dos casos, os tiques tendem a diminuir em intensidade durante a adolescência e a vida adulta, embora possam persistir em parte dos pacientes.

    Causas

    A síndrome de Tourette apresenta um forte componente genético. Pessoas com familiares afetados têm maior risco de desenvolver a condição, embora ainda não tenha sido identificada uma mutação genética específica responsável.

    Do ponto de vista neurológico, os sintomas estão relacionados a uma redução da atividade de áreas cerebrais responsáveis por inibir estímulos repetitivos. Essa falha no controle inibitório leva à liberação inadequada de sinais para os músculos, resultando nos tiques motores e vocais característicos.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da síndrome de Tourette é clínico, baseado na história do paciente, na evolução dos sintomas e na presença de tiques motores e vocais, conforme os critérios estabelecidos pelo DSM-5, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

    Exames de imagem, como tomografia ou ressonância magnética, geralmente não mostram alterações estruturais e não são utilizados para confirmar o diagnóstico.

    É fundamental também realizar uma avaliação psiquiátrica, já que a síndrome de Tourette frequentemente está associada a comorbidades, como:

    • Ansiedade;
    • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC);
    • Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).

    Tratamento

    O tratamento da síndrome de Tourette tem como objetivo controlar os tiques e tratar condições associadas, quando presentes.

    Quando não tratar

    Tiques leves, que não causam prejuízo funcional ou social, geralmente não exigem tratamento específico, sendo suficiente a orientação ao paciente e à família sobre a natureza da condição.

    Abordagens terapêuticas

    Nos casos em que os tiques são mais intensos ou interferem na qualidade de vida, a terapia comportamental é a primeira linha de tratamento. Essa abordagem ajuda o paciente a reconhecer e manejar os impulsos relacionados aos tiques.

    Quando não há controle adequado com terapia, pode ser necessário o uso de medicações para reduzir a intensidade e a frequência dos tiques, sempre com acompanhamento especializado.

    Prognóstico

    O prognóstico da síndrome de Tourette é, em geral, favorável.

    • Cerca de um terço dos pacientes apresenta resolução completa dos tiques na vida adulta;
    • Outro um terço apresenta melhora significativa, mas com sintomas residuais;
    • O terço restante mantém os tiques de forma persistente, geralmente associado a maior prevalência de comorbidades psiquiátricas.

    O acompanhamento adequado contribui para melhor adaptação social e qualidade de vida.

    Leia também: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

    Perguntas frequentes sobre a síndrome de Tourette

    1. A síndrome de Tourette é uma doença rara?

    Não é considerada rara, mas é subdiagnosticada, especialmente em casos leves.

    2. Toda pessoa com Tourette fala palavrões involuntariamente?

    Não. Esse tipo de tique vocal ocorre apenas em uma minoria dos pacientes.

    3. Os tiques são voluntários?

    Não. Eles são involuntários, embora possam ser temporariamente suprimidos com esforço.

    4. A síndrome de Tourette tem cura?

    Não há cura, mas muitos pacientes apresentam melhora significativa com o tempo.

    5. É comum haver outras condições associadas?

    Sim. Ansiedade, TOC e TDAH são comorbidades frequentes.

    Confira: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

  • Osteomielite tem cura? Saiba mais sobre a infecção que atinge os ossos 

    Osteomielite tem cura? Saiba mais sobre a infecção que atinge os ossos 

    A osteomielite é uma infecção óssea que, apesar de menos comum do que outras infecções, pode causar complicações graves quando não diagnosticada e tratada corretamente. A condição pode afetar pessoas de diferentes idades e está frequentemente associada a doenças crônicas, cirurgias ortopédicas ou situações que comprometem a imunidade.

    Dependendo da forma como se manifesta, a osteomielite pode evoluir de maneira rápida, com sintomas intensos, ou de forma lenta e silenciosa, tornando o diagnóstico mais desafiador. Reconhecer os sinais precocemente é essencial para evitar a destruição do osso e a progressão da infecção.

    O que é a osteomielite?

    A osteomielite é uma infecção do osso causada por microrganismos, que podem incluir bactérias, fungos ou micobactérias. Entre os principais fatores de risco estão idade avançada, diabetes, doenças vasculares e condições de imunossupressão, como câncer ou HIV/AIDS.

    Pessoas submetidas a cirurgias ortopédicas, colocação de próteses ou que sofreram traumas importantes, como acidentes automobilísticos, também apresentam maior risco.

    A osteomielite pode ocorrer de forma aguda, com instalação rápida dos sintomas, ou crônica, com evolução lenta ao longo de meses ou anos. Sem tratamento adequado, a infecção pode levar à necrose do osso, o que agrava o problema.

    Principais sintomas

    Osteomielite aguda

    A forma aguda costuma evoluir ao longo de dias a semanas e apresenta:

    • Dor local;
    • Inchaço;
    • Calor e vermelhidão na região afetada;
    • Febre e mal-estar.

    Quando a infecção atinge uma articulação próxima, pode ocorrer artrite séptica.

    Osteomielite crônica

    A forma crônica evolui de maneira mais lenta, com sintomas persistindo por mais de duas semanas.

    • Dor, inchaço e vermelhidão podem estar presentes;
    • Sintomas sistêmicos, como febre e mal-estar, costumam ser leves ou ausentes.

    Causas

    A osteomielite pode surgir por diferentes mecanismos de infecção do osso.

    Principais vias de infecção

    • Disseminação do microrganismo pela corrente sanguínea;
    • Propagação de infecções da pele ou dos músculos para o osso;
    • Contato direto do microrganismo após cirurgias ou acidentes.

    Microrganismos envolvidos

    • Bactérias: estafilococos, estreptococos e enterococos;
    • Fungos: principalmente Candida;
    • Micobactérias: a mais comum é a causadora da tuberculose, que geralmente acomete a coluna vertebral, levando ao chamado mal de Pott.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da osteomielite é baseado na avaliação clínica, associada a exames laboratoriais e de imagem.

    Exames de sangue

    Podem indicar infecção e inflamação, além de culturas sanguíneas positivas nos casos de disseminação hematogênica.

    Exames de imagem

    São fundamentais para o diagnóstico e incluem radiografia e ressonância magnética.

    Esses exames permitem identificar edema dos tecidos ao redor do osso, perda de massa óssea e sinais de necrose em estágios mais avançados.

    Cultura do osso

    Quando há necessidade de cirurgia para remoção de tecido necrosado, a cultura dos fragmentos auxilia na identificação do microrganismo e na escolha do antibiótico mais adequado.

    Tratamento

    O tratamento da osteomielite baseia-se principalmente no uso de antibióticos.

    Abordagem inicial

    • Início com antibióticos de amplo espectro;
    • Ajuste do tratamento conforme o microrganismo identificado e sua sensibilidade.

    Cirurgia

    Em casos com grande quantidade de tecido necrosado, pode ser necessária intervenção cirúrgica para remover áreas infectadas e facilitar a ação dos antibióticos.

    O que esperar

    O prognóstico da osteomielite é geralmente favorável quando o diagnóstico é feito precocemente e o tratamento é instituído de forma adequada.

    No entanto, casos associados a próteses ortopédicas costumam ser mais complexos e podem exigir estratégias terapêuticas adicionais.

    Leia mais: Cálcio: saiba o que esse mineral faz no seu corpo

    Perguntas frequentes sobre osteomielite

    1. O que é osteomielite?

    É uma infecção do osso causada por bactérias, fungos ou micobactérias.

    2. A osteomielite pode ser aguda ou crônica?

    Sim. A forma aguda tem início rápido, enquanto a crônica evolui lentamente ao longo de meses ou anos.

    3. Quais são os principais sintomas da osteomielite?

    Dor, inchaço, vermelhidão local, podendo haver febre e mal-estar, especialmente na forma aguda.

    4. A osteomielite sempre precisa de cirurgia?

    Não. Muitos casos são tratados apenas com antibióticos, mas a cirurgia pode ser necessária quando há tecido ósseo necrosado.

    5. O tratamento precoce melhora o prognóstico?

    Sim. O diagnóstico e o tratamento precoces aumentam significativamente as chances de recuperação.

    Confira: Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

  • Sífilis: veja como prevenir e tratar essa infecção antiga que voltou a crescer 

    Sífilis: veja como prevenir e tratar essa infecção antiga que voltou a crescer 

    Apesar de ser uma infecção conhecida há séculos e contar com diagnóstico simples e tratamento eficaz, a sífilis voltou a crescer de forma preocupante nos últimos anos. A doença, que é sexualmente transmissível e também pode ser passada da mãe para o bebê durante a gestação, continua representando um desafio importante para a saúde pública.

    Fatores como a percepção inadequada do risco, o estigma associado às infecções sexualmente transmissíveis e a desigualdade no acesso a testes e tratamento ajudam a explicar o aumento dos casos. Curiosamente, o período da pandemia de covid-19 marcou uma redução temporária nos registros, atribuída ao aumento da testagem e do diagnóstico.

    O que é a sífilis?

    A sífilis é uma doença bacteriana causada pela bactéria Treponema pallidum, tendo o ser humano como seu único hospedeiro. Trata-se de uma infecção sexualmente transmissível, que também pode ser transmitida de mãe para filho durante a gravidez.

    Atualmente, a sífilis é prevenível, tratável e rastreada rotineiramente no pré-natal, o que torna o diagnóstico precoce uma ferramenta fundamental para evitar complicações, especialmente na gestação.

    Principais sintomas

    A sífilis pode se manifestar de diferentes formas ao longo do tempo, sendo classificada em quatro fases principais.

    Sífilis primária

    Caracteriza-se pelo surgimento do cancro duro, uma úlcera indolor na região genital, geralmente acompanhada de linfonodos aumentados próximos ao local da lesão.

    Sífilis secundária

    Surge cerca de 6 a 8 semanas após a fase primária e pode causar:

    • Lesões cutâneas;
    • Alopecia;
    • Sintomas sistêmicos, como febre e fraqueza.

    Sífilis terciária

    Pode ocorrer anos após a infecção inicial e apresentar manifestações graves, incluindo:

    • Sintomas neurológicos;
    • Comprometimento ósseo;
    • Aneurismas.

    Sífilis latente e neurossífilis

    A fase latente é assintomática. A sífilis também pode evoluir para neurossífilis, que varia desde formas assintomáticas até quadros graves, como demência.

    Sífilis congênita

    Em gestantes não tratadas adequadamente, pode ocorrer sífilis congênita, resultando em anormalidades no recém-nascido.

    Causas

    A sífilis é causada pela infecção pelo Treponema pallidum, que se multiplica no organismo após a transmissão.

    Formas de transmissão

    • Relações sexuais desprotegidas;
    • Transmissão vertical (da mãe para o bebê durante a gestação).

    A infecção pode ocorrer mesmo em pessoas com histórico prévio de sífilis, especialmente quando associada a fatores de risco como múltiplos parceiros sexuais e condições que comprometem o sistema imunológico.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da sífilis é realizado por meio de exames de sangue que detectam a presença de anticorpos contra a bactéria.

    Exames laboratoriais

    • Testes sorológicos para detecção de anticorpos;
    • Recomenda-se a confirmação com mais de um teste positivo.

    Outros métodos diagnósticos

    A bacterioscopia de campo escuro pode identificar diretamente a bactéria. Em casos de suspeita de neurossífilis, é indicada a punção liquórica para análise do líquor.

    A história clínica e a avaliação de fatores de risco são fundamentais para interpretação adequada dos exames.

    Tratamento

    O tratamento da sífilis é realizado, na maioria dos casos, com penicilina, sendo a Benzetacil a medicação mais utilizada.

    Tratamento conforme a fase

    A quantidade de doses e a duração do tratamento variam conforme o estágio da infecção.

    Nos casos de comprometimento do sistema nervoso, pode ser necessária a penicilina cristalina, que apresenta melhor penetração no sistema nervoso central.

    Prevenção

    A prevenção da sífilis envolve:

    • Uso de preservativos nas relações sexuais;
    • Testagem regular em grupos de risco;
    • Acompanhamento pré-natal adequado para gestantes.

    Essas medidas são fundamentais para reduzir a transmissão e evitar complicações, especialmente a sífilis congênita.

    O que esperar

    Quando tratada adequadamente, a sífilis apresenta bom prognóstico, com altas taxas de cura e ausência de sequelas na maioria dos casos.

    Porém, a falta de tratamento pode levar a complicações graves e comprometer significativamente a qualidade de vida, podendo causar sequelas permanentes. O acompanhamento periódico após o tratamento é essencial para avaliar a resposta terapêutica e a necessidade de retratamento.

    Veja também: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

    Perguntas frequentes sobre sífilis

    1. A sífilis tem cura?

    Sim. Quando tratada corretamente, a sífilis apresenta alta taxa de cura.

    2. A sífilis pode voltar após o tratamento?

    A infecção pode ocorrer novamente se houver nova exposição ao Treponema pallidum.

    3. Toda sífilis apresenta sintomas?

    Não. A fase latente é assintomática e pode passar despercebida sem testagem.

    4. Gestantes devem fazer teste para sífilis?

    Sim. O rastreio é realizado rotineiramente no pré-natal.

    5. A sífilis não tratada pode causar sequelas?

    Sim. A evolução para formas terciárias ou neurossífilis pode causar danos permanentes.

    Confira: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados

  • O que é febre reumática? Cardiologista explica os sintomas, tratamentos e se tem cura

    O que é febre reumática? Cardiologista explica os sintomas, tratamentos e se tem cura

    Comum em crianças e adolescentes, a amigdalite bacteriana é uma infecção de garganta causada pela bactéria Streptococcus do grupo A, sendo transmitida através de gotículas respiratórias, como tosse e espirro, compartilhamento de alimentos e bebidas, além do contato com superfícies contaminadas.

    Como os sintomas tendem a melhorar em poucos dias, é frequente que a infecção seja tratada apenas com remédios para dor e febre. Porém, sem o uso adequado de antibióticos, a bactéria não é completamente eliminada do organismo e pode causar complicações sérias, como a febre reumática.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender como a complicação se manifesta, as formas de tratamento e as principais medidas para prevenir. Confira!

    O que é febre reumática?

    A febre reumática aguda (FRA) é uma doença inflamatória autoimune que surge como complicação de uma infecção de garganta (como a amigdalite bacteriana) causada por uma bactéria chamada Streptococcus do grupo A, conhecida como estreptococo.

    De acordo com Juliana, quando a infecção não recebe tratamento correto com antibióticos, o organismo pode reagir de forma inadequada e passar a atacar partes do próprio corpo, principalmente o coração, as articulações, a pele e o sistema nervoso.

    Vale ressaltar que ela não é uma infecção que atinge diretamente o coração. Ela se desenvolve porque o sistema imunológico, ao tentar eliminar a bactéria da garganta, produz anticorpos que confundem estruturas do próprio organismo com o microrganismo — o que é conhecido como mimetismo molecular.

    Como consequência, ocorre a inflamação em tecidos saudáveis, principalmente nas válvulas do coração, podendo causar lesões permanentes.

    Qualquer criança que tem infecção de garganta pode ter febre reumática?

    A resposta é não. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, apenas algumas pessoas têm predisposição para desenvolver a doença.

    Muitas crianças apresentem infecções de garganta com frequência, especialmente nos primeiros anos de vida, mas isso, por si só, não significa que irão desenvolver febre reumática.

    Para que a doença apareça, é necessário existir uma predisposição, que é herdada dos pais e já está presente desde o nascimento da criança.

    Segundo Juliana, a doença acomete principalmente crianças e adolescentes na faixa etária dos 5 aos 15 anos de idade. Ela é mais rara em adultos e também em crianças muito pequenas, menores de 3 anos.

    Quais os sintomas da febre reumática?

    A febre reumática costuma aparecer semanas depois da dor de garganta, quando a infecção já até melhorou. Os principais sintomas incluem:

    • Febre;
    • Dores e inchaço nas articulações;
    • Cansaço;
    • Dor no peito;
    • Falta de ar;
    • Batimentos irregulares;
    • Movimentos involuntários do corpo;
    • Manchas ou caroços na pele.

    Vale destacar que nem todos os sintomas aparecem juntos. Algumas pessoas só percebem quando o coração já está comprometido.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da febre reumática é feito por uma combinação de avaliação clínica e exames, com base nos critérios diagnósticos conhecidos como critérios de Jones, conforme explica Juliana.

    A cardiologista explica que eles consideram sinais e sintomas da doença, como comprometimento do coração, presença de sopro cardíaco, artrite, coreia, nódulos subcutâneos e eritema marginado.

    Além da avaliação clínica, alguns exames ajudam a confirmar o diagnóstico e a avaliar a gravidade da doença, como:

    • VHS e PCR, que indicam a presença de inflamação no organismo;
    • ASLO (antiestreptolisina O), que mostra se houve infecção recente pelo estreptococo;
    • Ecocardiograma, usado para avaliar se existem lesões nas válvulas do coração.

    A presença da bactéria não é obrigatória para fechar o diagnóstico, mas os exames ajudam a confirmar a infecção prévia e a identificar possíveis complicações no coração.

    Tratamentos da febre reumática

    O tratamento da febre reumática envolve controlar a inflamação, aliviar os sintomas e, principalmente, evitar danos permanentes ao coração.

    Primeiro de tudo, é necessário eliminar a bactéria estreptococo do organismo, mesmo quando a dor de garganta já desapareceu.

    Para isso, são utilizados antibióticos, principalmente a penicilina benzatina (benzetacil), aplicada por injeção. Em pessoas alérgicas à penicilina, podem ser usados antibióticos por via oral.

    Para controlar a inflamação e a dor, são usados remédios anti-inflamatórios, como o ácido acetilsalicílico ou outros anti-inflamatórios. Em casos com comprometimento cardíaco mais importante, o médico pode indicar corticoides para reduzir a inflamação do coração.

    Juliana ainda ressalta que uma parte fundamental do tratamento é a prevenção secundária. Quem já teve febre reumática apresenta alto risco de desenvolver novas crises após outra infecção de garganta pelo estreptococo.

    Por isso, é indicado o uso regular de antibiótico por longo período, normalmente a penicilina benzatina aplicada a cada 21 ou 28 dias.

    Febre reumática tem cura?

    A febre reumática pode ser controlada e, em muitos casos, os sintomas desaparecem completamente com o tratamento correto. Portanto, a doença em si pode ser considerada curável quando o quadro inflamatório é tratado de forma adequada e não ocorrem novos surtos.

    Porém, quando há comprometimento do coração, especialmente das válvulas cardíacas, as lesões podem ser permanentes. A inflamação pode cicatrizar deixando as válvulas deformadas, o que pode causar problemas cardíacos ao longo da vida, como sopros, insuficiência cardíaca ou necessidade de cirurgia no futuro.

    Por que a febre reumática é tão perigosa?

    A febre reumática é perigosa porque pode causar danos que acompanham a pessoa por toda a vida, principalmente no coração. Entre os riscos, é possível destacar:

    • Lesões nas válvulas do coração, que podem ficar deformadas e não funcionar corretamente;
    • Dificuldade na circulação do sangue, levando a cansaço, falta de ar e inchaço;
    • Risco de insuficiência cardíaca, quando o coração não consegue bombear sangue de forma eficiente;
    • Possibilidade de novos surtos, já que cada nova infecção de garganta pelo estreptococo pode reativar a doença;
    • Agravamento progressivo das lesões cardíacas, pois cada crise pode danificar ainda mais as válvulas.

    Além do coração, a febre reumática também pode causar dor intensa nas articulações, alterações na pele e movimentos involuntários, o que prejudica a qualidade de vida. Sem tratamento e acompanhamento adequados, a doença pode evoluir para complicações graves.

    A febre reumática pode ser evitada?

    A prevenção da febre reumática depende principalmente do cuidado correto com as infecções de garganta, segundo Juliana. As principais medidas incluem:

    • Procurar atendimento médico sempre que houver dor de garganta acompanhada de febre, pus nas amígdalas ou ínguas no pescoço;
    • Realizar o tratamento com antibiótico quando houver indicação médica para infecção por estreptococo;
    • Usar o antibiótico pelo tempo completo, mesmo quando os sintomas melhorarem antes do fim do tratamento;
    • Não interromper o tratamento por conta própria;
    • Manter boa higiene, como lavar as mãos com frequência e evitar contato próximo com pessoas com infecção de garganta;
    • Evitar ambientes muito fechados e com aglomeração, que facilitam a transmissão da bactéria;
    • Manter acompanhamento médico em crianças e adolescentes com infecções de garganta frequentes.

    Confira: Vacinação infantil: proteção que começa cedo e dura a vida toda

    Perguntas frequentes

    1. A febre reumática ainda é comum hoje em dia?

    Isso depende muito do acesso ao tratamento da infecção de garganta. Em países mais desenvolvidos, a febre reumática é rara, porque as pessoas conseguem atendimento médico e antibióticos com rapidez.

    No Brasil e em outros países em desenvolvimento, a doença ainda aparece com frequência. Muitas vezes, a pessoa não consegue atendimento a tempo, não inicia o antibiótico corretamente ou interrompe o tratamento antes do fim, o que aumenta o risco de desenvolver febre reumática.

    2. Quanto tempo depois da infecção aparecem os sintomas?

    Os sintomas da febre reumática costumam surgir de uma a três semanas depois da infecção de garganta. Nesse período, a dor na garganta já pode ter sumido, o que faz muita gente nem desconfiar da relação. Mesmo sem dor na garganta, a inflamação já está acontecendo dentro do corpo.

    3. Por que o coração é o órgão mais afetado?

    As válvulas cardíacas possuem proteínas muito parecidas com as do estreptococo. Por causa disso, os anticorpos produzidos contra a bactéria também atacam essas estruturas, provocando inflamação e cicatrização. O processo pode comprometer o funcionamento do coração de forma permanente.

    4. A febre reumática pode matar?

    Em casos graves, principalmente quando há comprometimento intenso do coração, a doença pode levar a insuficiência cardíaca, arritmias e outras complicações que colocam a vida em risco.

    5. A febre reumática passa de uma pessoa para outra?

    A febre reumática não é contagiosa, mas a bactéria da garganta é. Por isso, uma criança infectada pode transmitir o estreptococo para outra, que pode desenvolver a doença se não houver tratamento.

    6. A febre reumática pode causar necessidade de cirurgia no coração?

    Em casos graves, sim. Quando as válvulas ficam muito deformadas, pode ser necessário realizar cirurgia para corrigir ou trocar a válvula afetada.

    Leia mais: Meningite bacteriana: veja tipos, sintomas e como se prevenir

  • Dor de cabeça, febre e rigidez no pescoço: saiba mais sobre a meningite viral 

    Dor de cabeça, febre e rigidez no pescoço: saiba mais sobre a meningite viral 

    Febre, dor de cabeça intensa e rigidez no pescoço costumam acender um alerta imediato para uma condição grave: a meningite. Embora a forma bacteriana seja mais conhecida pela gravidade, existe um tipo mais frequente e, na maioria dos casos, menos agressivo, que é a meningite viral.

    Com o avanço dos programas de vacinação e a consequente redução da meningite bacteriana, a meningite viral passou a ser a principal causa de inflamação das meninges. Ainda assim, seus sintomas exigem atenção e avaliação médica, já que o quadro inicial pode se confundir com outras formas da doença.

    O que é a meningite viral?

    A meningite viral é a infecção da meninge, a membrana que envolve e protege o sistema nervoso central, causada por diferentes tipos de vírus, levando à inflamação dessas estruturas.

    As meninges desempenham um papel essencial na proteção do cérebro e da medula espinhal, formando um espaço preenchido por um líquido chamado líquor, que ajuda a amortecer impactos e proteger o sistema nervoso. A inflamação desse espaço é responsável pelos sintomas característicos da meningite.

    Principais sintomas

    Os sintomas da meningite viral são semelhantes aos da meningite bacteriana, embora, em geral, apresentem evolução mais lenta.

    Sintomas mais comuns

    • Febre;
    • Dor de cabeça;
    • Enjoo;
    • Vômitos;
    • Rigidez no pescoço.

    Diferenças em relação à meningite bacteriana

    Ao contrário da forma bacteriana, alterações importantes do estado mental, como sonolência extrema e coma, são menos frequentes na meningite viral.

    Durante a avaliação clínica, é comum o paciente relatar contato com pessoas infectadas, viagens recentes ou outras situações associadas a infecções virais.

    Causas

    Os vírus mais frequentemente associados à meningite viral são os enterovírus, mas outros agentes também podem estar envolvidos.

    Vírus que podem causar meningite viral

    • Enterovírus;
    • Vírus do herpes;
    • Varicela zoster;
    • HIV;
    • Citomegalovírus.

    Formas de transmissão

    A infecção pode ocorrer por diferentes vias, dependendo do vírus envolvido, como:

    • Picadas de insetos;
    • Contato com gotículas respiratórias;
    • Relações sexuais.

    Após a infecção inicial, o vírus pode alcançar o sistema nervoso pela corrente sanguínea ou por nervos, atingindo o espaço subaracnóide, onde circula o líquor, desencadeando a inflamação das meninges.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da meningite viral é suspeitado a partir dos sintomas associados ao histórico de possíveis exposições virais.

    Avaliação inicial

    Exames de sangue, incluindo culturas, são realizados inicialmente para excluir meningite bacteriana, que precisa ser descartada com rapidez.

    Punção liquórica

    A punção liquórica é um exame fundamental, realizado com anestesia local, que permite a coleta do líquor para análise.

    • O líquor normal é transparente;
    • Na meningite bacteriana, o líquor costuma ter aspecto purulento;
    • Na meningite viral, o líquor geralmente permanece mais claro.

    A análise do líquor avalia a proporção de células, níveis de proteínas e sinais inflamatórios, além de testes complementares conforme a suspeita clínica.

    Tratamento

    O tratamento da meningite viral é, na maioria dos casos, sintomático e de suporte.

    Medidas de suporte

    • Medicamentos para dor e febre, como dipirona;
    • Antieméticos para controle de enjoo;
    • Hidratação endovenosa, quando necessário.

    A maior parte dos pacientes apresenta resolução espontânea dos sintomas em 1 a 2 semanas, sem necessidade de tratamento específico.

    Uso inicial de antibióticos

    No início do quadro, devido ao risco de meningite bacteriana, é comum iniciar antibioticoterapia empírica até que essa causa seja descartada.

    Antivirais

    Nos casos de meningite causada por herpes ou varicela zoster, pode ser indicado o uso do antiviral aciclovir.

    Confira: Vacinação infantil: proteção que começa cedo e dura a vida toda

    Perguntas frequentes sobre meningite viral

    1. A meningite viral é menos grave que a bacteriana?

    Em geral, sim. A meningite viral costuma ter evolução mais lenta e menos complicações graves.

    2. Os sintomas são diferentes da meningite bacteriana?

    São semelhantes, mas alterações graves do estado mental são menos comuns na forma viral.

    3. A meningite viral precisa de antibiótico?

    Inicialmente, antibióticos podem ser usados até que a meningite bacteriana seja excluída.

    4. Quanto tempo dura a meningite viral?

    Na maioria dos casos, os sintomas melhoram em 1 a 2 semanas.

    5. Sempre é necessário usar antivirais?

    Não. Antivirais são indicados apenas em casos específicos, como infecção por herpes ou varicela zoster.

    Leia mais: Meningite bacteriana: veja tipos, sintomas e como se prevenir

  • Cotovelo de tenista (epicondilite lateral): a lesão afeta também quem não joga tênis 

    Cotovelo de tenista (epicondilite lateral): a lesão afeta também quem não joga tênis 

    Dor persistente no lado externo do cotovelo, dificuldade para segurar objetos simples e incômodo ao realizar movimentos repetitivos são queixas comuns no consultório médico. Embora muita gente associe esses sintomas apenas à prática esportiva, especialmente ao tênis, a epicondilite lateral pode afetar também pessoas que nunca pegaram em uma raquete.

    Conhecida popularmente como cotovelo de tenista, essa condição está relacionada ao uso excessivo e repetitivo do braço e do antebraço, seja no esporte, no trabalho ou em atividades do dia a dia. Apesar de não ser uma lesão grave, pode causar dor significativa e limitar a rotina se não for tratada da maneira certa.

    O que é a epicondilite lateral?

    A epicondilite lateral, comumente chamada de cotovelo de tenista, é uma lesão do tendão localizado próximo ao epicôndilo lateral do cotovelo.

    Essa condição surge devido ao esforço repetido e frequente, o que leva a um processo de inflamação crônica e fibrose local. O epicôndilo lateral é a região do cotovelo onde tendões e nervos se conectam.

    Embora seja mais conhecida entre praticantes de esportes que exigem movimentos repetitivos do cotovelo, como o tênis, outros fatores de risco também estão associados, como tabagismo, obesidade e a faixa etária entre 40 e 50 anos.

    Principais sintomas

    O quadro clínico da epicondilite lateral é caracterizado principalmente por dor localizada, que costuma ser progressiva.

    Como a dor se manifesta

    • Dor na parte lateral do cotovelo;
    • Início geralmente de 1 a 3 dias após atividades repetitivas;
    • Intensidade variável, de leve a intensa;
    • Piora com esforço físico;
    • Melhora com repouso.

    A dor pode interferir nas atividades diárias, como segurar objetos, escrever ou realizar tarefas manuais.

    O que geralmente não ocorre

    Na maioria dos casos, a dor não é acompanhada de sintomas neurológicos, como formigamento ou perda de força, o que ajuda a diferenciar a epicondilite de outras condições do cotovelo.

    Causas

    A principal causa da epicondilite lateral é a sobrecarga frequente do tendão, provocada por movimentos repetitivos.

    Esses movimentos geram microlesões no tendão, que, ao longo do tempo, comprometem sua função. Como consequência, podem ocorrer:

    • Alterações estruturais do tendão;
    • Endurecimento;
    • Perda de elasticidade;
    • Formação de calcificações.

    Esse processo explica por que a dor tende a ser persistente quando o estímulo repetitivo não é interrompido.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da epicondilite lateral é clínico, baseado na avaliação médica.

    Avaliação durante a consulta

    O médico realiza manobras específicas que reproduzem a dor e ajudam a identificar a tendinopatia, além de considerar o histórico de sobrecarga ou movimentos repetitivos.

    Exames de imagem

    • Ultrassonografia: avalia as condições anatômicas do tendão;
    • Radiografia: útil para excluir alterações ósseas, como artrite ou fraturas;
    • Ressonância magnética: indicada em casos de dor crônica, especialmente para avaliar necessidade de cirurgia.

    Tratamento

    O tratamento da epicondilite lateral começa, na maioria dos casos, de forma conservadora.

    Medidas iniciais

    • Redução ou interrupção temporária da atividade que causa dor;
    • Fisioterapia;
    • Compressas geladas após o exercício.

    Uso de medicamentos

    • Analgésicos;
    • Anti-inflamatórios, quando indicados.

    Se não houver melhora com essas medidas, pode-se considerar:

    • Otimização do uso de anti-inflamatórios;
    • Injeções locais de corticoides.

    Cirurgia

    A cirurgia é reservada para casos com perda significativa de função ou falha do tratamento conservador.

    Retorno ao esporte

    O principal objetivo do tratamento é permitir o retorno às atividades esportivas sem dor e sem limitações.

    O paciente deve receber orientação sobre:

    • Respeitar limites durante a recuperação;
    • Corrigir a técnica dos movimentos;
    • Adotar medidas preventivas durante a prática esportiva.

    Essas estratégias ajudam a reduzir o risco de novas lesões.

    Confira: 5 sinais de que sua dor nas costas não é normal e pode ser hérnia de disco

    Perguntas frequentes sobre epicondilite lateral

    1. Epicondilite lateral só ocorre em quem joga tênis?

    Não. Apesar do nome “cotovelo de tenista”, a condição pode acontecer em qualquer pessoa que realize movimentos repetitivos com o braço.

    2. A dor aparece imediatamente após o esforço?

    Geralmente, a dor surge de 1 a 3 dias após atividades repetitivas.

    3. A epicondilite causa formigamento ou perda de força?

    Normalmente não. A ausência de sintomas neurológicos é uma característica comum.

    4. O diagnóstico precisa de exames de imagem?

    Nem sempre. O diagnóstico é clínico, mas exames podem ser usados para complementar a avaliação ou excluir outras causas.

    5. Sempre é necessário cirurgia?

    Não. A maioria dos casos melhora com tratamento conservador. A cirurgia é indicada apenas em situações específicas.

    6. É possível voltar ao esporte após o tratamento?

    Sim. Com tratamento adequado e orientação correta, o retorno ao esporte costuma acontecer sem dor.

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