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  • Laqueadura tubária: o que você precisa saber antes de optar pelo método definitivo 

    Laqueadura tubária: o que você precisa saber antes de optar pelo método definitivo 

    A laqueadura tubária é um dos métodos contraceptivos mais conhecidos e procurados pelas mulheres. Durante muito tempo foi considerada definitiva, já que o procedimento interrompe a passagem dos óvulos pelas tubas uterinas e impede a fecundação. Apesar da alta eficácia, relatos de falhas e casos de gravidez após a cirurgia ainda levantam dúvidas e geram desconfiança sobre sua real segurança.

    É justamente nesse ponto que a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza faz um alerta: “Nenhum método é 100% eficaz. Nem a laqueadura, nem a vasectomia”. Nesta reportagem, a especialista esclarece os principais pontos sobre o tema, explicando quais são as técnicas mais usadas, as diferenças em relação ao passado e os riscos associados.

    Laqueadura é 100% eficaz?

    Segundo a ginecologista, é importante desfazer um mito bastante difundido: nenhum método contraceptivo é absolutamente infalível. “Existem casos que são raros, anedóticos, mas acontecem. É a mesma coisa que engravidar com o DIU bem colocado: é incomum, mas não impossível”, explica.

    Na prática, isso significa que, embora a laqueadura apresente uma eficácia muito alta, ainda há pequenas chances de falha. Esses casos estão geralmente associados ao fenômeno da recanalização espontânea das tubas uterinas, quando, após o procedimento, o organismo cria uma nova passagem que permite a comunicação entre os óvulos e o útero. Esse processo é raro, mas documentado em diferentes estudos.

    Além da recanalização, falhas também podem ocorrer quando a técnica não é executada de forma adequada, reforçando a importância de que o procedimento seja feito por profissionais experientes e com técnicas seguras. Ainda assim, o consenso médico é claro: a laqueadura continua sendo uma das opções mais eficazes entre os métodos contraceptivos disponíveis.

    Técnicas mais comuns de laqueadura

    A laqueadura pode ser feita em diferentes momentos: isoladamente, como uma cirurgia eletiva, ou em associação ao parto, seja cesariana, seja logo após um parto normal. Nesses casos, aproveita-se a condição em que o útero ainda está aumentado para facilitar o acesso às tubas.

    Entre as principais técnicas, estão:

    • Pomeroy (clássica): corte, amarração e cauterização da tuba uterina. É altamente eficaz, mas pode comprometer um pequeno vaso sanguíneo próximo, alterando a irrigação do ovário;
    • Técnicas que preservam a irrigação: em vez de cortar junto com o vaso, isolam apenas a tuba uterina. Têm ligeiramente maior chance de recanalização, mas menor impacto hormonal;
    • Periumbilical: indicada para pacientes que tiveram parto normal. É feita por uma pequena incisão no umbigo, para acessar e interromper as tubas;
    • Vaginal (fimbrectomia): realizada cerca de 45 dias após o parto vaginal, quando o útero já voltou ao tamanho normal. A ponta final da tuba é cortada e amarrada.

    Nas diferentes técnicas de laqueadura, a escolha do método está diretamente ligada ao tipo de parto realizado e ao momento em que a cirurgia será feita. “Em termos de eficácia, todas são muito parecidas”, explica Andreia.

    Impacto no ciclo menstrual

    Um ponto importante levantado pela médica é que a técnica clássica, ao cortar o vaso sanguíneo que acompanha a tuba, pode alterar a irrigação do ovário. Isso não compromete totalmente o fornecimento de sangue, já que há outro vaso responsável, mas pode modificar a produção hormonal.

    “É frequente em mulheres que fizeram laqueadura ter um certo aumento do fluxo menstrual ou irregularidade do ciclo. Isso acontece por conta da alteração na irrigação do ovário”, destaca. Esse efeito, no entanto, não é regra e pode variar bastante de paciente para paciente.

    Gravidez após laqueadura: por que acontece?

    Apesar de ser um método altamente eficaz, com taxa de falha estimada em menos de 1%, a gravidez após laqueadura é possível. O principal motivo é a recanalização tubária, quando os fragmentos da tuba encontram uma forma de se reconectar.

    Essa possibilidade é rara, mas explica casos de mulheres que engravidam anos após o procedimento. Além disso, se a técnica for mal executada ou se a paciente tiver condições anatômicas específicas, o risco pode aumentar.

    Quando a laqueadura é indicada

    A laqueadura é considerada uma forma de contracepção definitiva e, por isso, só deve ser indicada em situações bem avaliadas. No Brasil, a legislação estabelece critérios:

    • A idade mínima para laqueadura voluntária passou de 25 para 21 anos;
    • Pessoas com capacidade civil plena precisam ter pelo menos 21 anos, ou então pelo menos 2 filhos vivos, para poderem solicitar o procedimento;
    • Não é mais exigido o consentimento do cônjuge, algo que era necessário antes da lei ser alterada;
    • No caso de laqueadura no momento do parto, é necessário manifestar a vontade com antecedência mínima de 60 dias.

    Segundo Andreia, o ideal é que a laqueadura seja feita quando há clareza na decisão, afinal, com tantas opções de métodos de longa duração e reversíveis, como DIU e implantes, a laqueadura é menos usada atualmente.

    Alternativas à laqueadura

    Antes de optar pela cirurgia, é fundamental conhecer outros métodos contraceptivos eficazes e de longa duração:

    • DIU de cobre ou hormonal: podem durar de 5 a 10 anos;
    • Implantes subcutâneos: liberam hormônio e funcionam por até 3 anos;
    • Injetáveis ou anticoncepcionais orais: opções reversíveis, embora dependam de uso contínuo.

    Essas alternativas oferecem alta eficácia e a vantagem da reversibilidade, o que pode ser importante caso a paciente mude de ideia sobre ter filhos no futuro.

    Leia também: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

    Perguntas e respostas sobre laqueadura tubária

    1. A laqueadura é 100% eficaz?

    Não. Apesar de ser altamente eficaz, existe uma pequena chance de falha, principalmente devido à recanalização espontânea das tubas uterinas ou a erros técnicos durante a cirurgia.

    2. Quais são as técnicas mais comuns de laqueadura?

    As principais são a técnica de Pomeroy (corte, amarração e cauterização da tuba), técnicas que preservam a irrigação, a periumbilical (pelo umbigo) e a vaginal (fimbrectomia). Todas têm eficácia semelhante, e a escolha depende do momento e do tipo de parto.

    3. A laqueadura pode alterar o ciclo menstrual?

    Sim. Em alguns casos, pode haver aumento do fluxo ou irregularidade do ciclo, geralmente associada à alteração da irrigação do ovário. Porém, isso não acontece em todas as mulheres.

    4. É possível engravidar após a laqueadura?

    Sim, embora seja raro. Isso pode ocorrer por recanalização das tubas ou se a técnica não tiver sido bem executada. A taxa de falha é estimada em menos de 1%.

    5. Quem pode fazer laqueadura no Brasil hoje?

    Desde 2023, mulheres com 21 anos ou mais, ou aquelas que têm pelo menos dois filhos vivos, podem solicitar a cirurgia. Não é mais necessário o consentimento do cônjuge, mas a paciente deve assinar um termo de consentimento reconhecendo que se trata de um método definitivo.

    6. A laqueadura pode ser feita junto com o parto?

    Sim, mas a paciente deve manifestar sua vontade com pelo menos 60 dias de antecedência da data provável do parto. Essa exigência existe para garantir reflexão e segurança na decisão.

    7. Existem alternativas à laqueadura?

    Sim. Métodos reversíveis e de longa duração, como DIU (cobre ou hormonal), implantes subcutâneos e anticoncepcionais injetáveis ou orais, podem ser opções eficazes e permitem reconsiderar a decisão sobre ter filhos no futuro.

    Veja mais: Métodos contraceptivos: existe um mais eficaz? Saiba os riscos de falha em cada opção

  • Esportes de contato: pancadas repetitivas na cabeça fazem mal?

    Esportes de contato: pancadas repetitivas na cabeça fazem mal?

    Divertido, saudável e perfeito para fazer amigos, a prática de esportes contribui com uma série de benefícios para o desenvolvimento físico, emocional e social — especialmente na infância e adolescência. Futebol, judô, taekwondo, boxe, vôlei, basquete, skate e até ginástica são atividades que ajudam a melhorar a disciplina, a coordenação motora e o trabalho em equipe.

    No entanto, quando se fala em esportes de contato, como artes marciais, é preciso ter atenção: pancadas repetitivas na cabeça, mesmo que leves, podem trazer riscos à saúde neurológica a longo prazo.

    Nos últimos anos, médicos e pesquisadores vêm alertando para os efeitos cumulativos desses traumas. Ainda que um impacto isolado nem sempre cause danos graves, a repetição frequente de pequenas concussões pode gerar consequências sérias e permanentes. Isso vale não apenas para atletas profissionais, mas também para jovens em formação, cujos cérebros ainda estão em desenvolvimento.

    Para esclarecer os principais riscos, conversamos com a neurocirurgiã Ana Gandolfi.

    O que são esportes de contato (e por que causam preocupação)?

    Os esportes de contato são modalidades em que há choque físico entre os participantes — seja por colisões diretas, quedas, golpes ou disputas de bola. Isso inclui esportes de combate, como boxe, judô e artes marciais, e esportes coletivos, como futebol, basquete, rúgbi e hóquei.

    O problema não está no contato em si, mas na frequência e intensidade dos impactos na cabeça. Enquanto uma pancada ocasional dificilmente causa dano duradouro, a repetição constante pode provocar alterações cerebrais sutis e cumulativas. Isso vale mesmo quando não há perda de consciência ou sinais visíveis de trauma.

    De acordo com Ana Gandolfi, os impactos repetidos podem causar sérios danos cerebrais — não apenas em esportistas, mas também em qualquer pessoa sob risco de trauma, como motoqueiros ou profissionais que sofrem acidentes frequentes.

    Quando a pancada na cabeça é perigosa?

    O impacto repetitivo na cabeça é definido como qualquer série de choques, pancadas ou vibrações que atingem o crânio, mesmo que de baixa intensidade — e que, somados ao longo do tempo, podem causar microlesões.

    Diferentemente dos traumas moderados e graves, que têm quadro clínico mais exuberante, os impactos repetitivos na cabeça nem sempre geram sintomas claros imediatos.

    Mas, vale apontar que a ausência de sintomas imediatos não significa ausência de risco! Mesmo lesões leves, quando ocorrem várias vezes, podem provocar microlesões e outras alterações metabólicas no cérebro. Com o tempo, o processo pode levar ao desenvolvimento de doenças neurológicas, como a encefalopatia traumática crônica (ETC).

    Em esportes como futebol, por exemplo, cabecear a bola centenas de vezes ao longo de um ano já é considerado uma forma de impacto repetitivo. O mesmo vale para atletas de judô, que sofrem quedas constantes, ou para jovens que praticam boxe recreativo e recebem golpes leves, mas frequentes, na região da cabeça.

    No caso de crianças e adolescentes, a preocupação é maior porque seus cérebros ainda estão em fase de maturação. O tecido cerebral é mais vulnerável e as conexões nervosas estão em desenvolvimento. Logo, qualquer lesão repetida pode interferir na formação dessas estruturas, com possíveis reflexos em atenção, memória, comportamento e desempenho escolar.

    Por que o cérebro infantil é mais vulnerável?

    Crianças e adolescentes não estão necessariamente mais expostos a traumas, mas o cérebro em desenvolvimento é naturalmente mais sensível aos impactos.

    Isso acontece porque, segundo Ana Gandolfi, a cabeça das crianças é proporcionalmente maior em relação ao corpo, o que favorece desequilíbrios e quedas. Além disso, o pescoço ainda é frágil e os músculos, em processo de fortalecimento, não conseguem amortecer bem os choques.

    Para complementar, em adolescentes, o sistema nervoso ainda está em fase de amadurecimento. Por isso, a recuperação após uma concussão tende a ser mais lenta — e, se um novo trauma ocorrer nesse intervalo, a probabilidade de causar danos duradouros aumenta de forma significativa.

    Também não é incomum que, nessa faixa etária, os sintomas neurológicos passem despercebidos pelos pais ou responsáveis. As crianças muitas vezes não conseguem descrever bem o que sentem — podem apenas parecer irritadas, cansadas ou distraídas.

    Já os adolescentes, por medo de se afastar dos treinos ou das competições, costumam minimizar os sintomas e seguir jogando, o que pode agravar ainda mais o quadro.

    Riscos do impacto repetitivo na cabeça

    Os principais riscos envolvem danos neurológicos progressivos, que podem surgir mesmo após traumas leves e aparentemente inofensivos.

    Síndrome do segundo impacto

    A síndrome do segundo impacto acontece quando uma pessoa sofre um novo trauma na cabeça antes de estar completamente recuperada de uma concussão anterior. O segundo impacto, mesmo que seja leve, pode desencadear um inchaço cerebral rápido e desproporcional, levando a um quadro de edema cerebral difuso, perda de consciência e, em muitos casos, risco de morte.

    A síndrome afeta principalmente jovens atletas, cujos cérebros ainda estão em desenvolvimento, mas pode ocorrer em qualquer pessoa submetida a traumas repetidos na cabeça.

    Os sinais de alerta podem incluir dor de cabeça persistente, tontura, irritabilidade, distúrbios do sono e dificuldade de concentração após o primeiro impacto — sintomas que indicam que o cérebro ainda está vulnerável e precisa de tempo para se recuperar.

    Encefalopatia traumática crônica (ETC)

    Quando os traumas na cabeça se repetem ao longo do tempo, o quadro se torna ainda mais preocupante. Isso porque as lesões acumuladas podem evoluir para a encefalopatia traumática crônica (ETC) — uma doença neurodegenerativa progressiva, causada por impactos repetidos, mesmo que leves.

    Ao longo dos anos, muitos pacientes com histórico de impactos sucessivos desenvolvem demência precoce, geralmente entre os 40 e 45 anos, além de alterações motoras semelhantes às observadas na doença de Parkinson e transtornos psiquiátricos variados, conforme explica Ana Gandolfi.

    Como se trata de uma condição irreversível, os sintomas podem demorar anos para aparecer, surgindo muitas vezes após o fim da carreira esportiva ou da exposição aos traumas. Por esse motivo, como a ETC não tem cura, é muito importante prevenir impactos repetidos e reconhecer sinais precocemente.

    Distúrbios cognitivos

    Os impactos repetitivos também podem gerar dificuldade de concentração, lapsos de memória e lentidão no raciocínio — sintomas que se refletem no desempenho escolar e nas atividades diárias, afetando a aprendizagem, a atenção e o rendimento geral.

    Mesmo quando não há lesão visível nos exames, as microlesões cerebrais alteram a comunicação entre os neurônios, comprometendo funções mentais básicas. Com o tempo, essas alterações podem se tornar permanentes, especialmente se os traumas ocorrerem em períodos próximos.

    Problemas emocionais e comportamentais

    As pancadas na cabeça não afetam apenas o funcionamento cognitivo, mas também o comportamento e o equilíbrio emocional. É comum o surgimento de irritabilidade, impulsividade, crises de raiva e mudanças bruscas de humor, que muitas vezes são confundidas com questões psicológicas isoladas.

    Alterações no sono

    A insônia e a sonolência diurna estão entre os sintomas mais relatados após traumas repetidos. O cérebro lesionado apresenta dificuldade para manter o ritmo normal do ciclo do sono, o que prejudica o descanso e a recuperação.

    Em crianças e adolescentes, o sono de má qualidade impacta diretamente o crescimento, a aprendizagem e o humor, gerando um ciclo de fadiga e irritabilidade que interfere na rotina escolar e esportiva.

    Qual é a diferença entre concussões leves e lesões acumuladas?

    A concussão é uma forma “leve” de traumatismo cranioencefálico. A pessoa pode ter uma breve perda de consciência ou apenas sentir tontura, dor de cabeça, enjoo, confusão mental ou visão turva. Os exames de imagem, como tomografia ou ressonância, costumam não mostrar lesões visíveis, já que o dano é funcional, e não estrutural.

    Contudo, isso não significa que ela seja inofensiva. O problema surge quando há múltiplas concussões ao longo do tempo, mesmo que pequenas. Cada episódio gera pequenas alterações químicas e inflamatórias microestruturais no cérebro, e a repetição contínua pode levar a uma lesão neurodegenerativa.

    De acordo com Ana Gandolfi, os traumas de crânio são classificados em três graus:

    • Leve: o paciente desperta logo após o impacto, sem rebaixamento de consciência;
    • Moderado: há algum rebaixamento, com sonolência ou confusão mental mais intensa;
    • Grave: ocorre perda prolongada de consciência ou coma.

    Portanto, apesar da concussão ser considerada leve, o acúmulo de lesões ao longo dos anos pode provocar danos comparáveis aos de um único impacto grave.

    Os sintomas podem desaparecer em poucos dias, criando a falsa impressão de que tudo está bem, mas as sequelas microscópicas se acumulam silenciosamente, sobretudo quando não há afastamento adequado nem acompanhamento médico.

    Pancada na cabeça: quanto tempo de observação é necessário?

    O período de observação após uma pancada na cabeça deve durar pelo menos 48 horas, intervalo considerado crítico para o surgimento de sintomas de alerta, como sonolência intensa, vômitos, perda de equilíbrio, fala arrastada, confusão mental ou dificuldade para acordar.

    Durante as primeiras horas, é fundamental que a pessoa não permaneça sozinha, evite longos períodos de sono e, sempre que possível, conte com o acompanhamento de um familiar ou profissional de saúde.

    Em crianças e idosos, a atenção deve ser ainda maior, pois os sinais costumam aparecer de forma mais discreta. Diante de qualquer indício de piora, a orientação é buscar atendimento médico imediatamente.

    Como identificar sinais de alerta em crianças e adolescentes?

    Nem sempre uma pancada na cabeça causa sintomas imediatos, mas alguns sinais devem ser observados com muita atenção nas horas e dias seguintes ao trauma, como:

    • Dor de cabeça persistente ou que piora com o tempo;
    • Tontura ou perda de equilíbrio;
    • Náusea ou vômitos;
    • Visão turva ou dupla;
    • Sonolência excessiva ou dificuldade para acordar;
    • Irritabilidade, agitação ou comportamento fora do comum;
    • Dificuldade de concentração ou esquecimento;
    • Alterações no sono;
    • Confusão mental, fala arrastada ou desorientação;
    • Convulsões (em casos graves).

    Crianças pequenas podem apresentar sinais mais sutis, como choro excessivo, recusa para comer ou sono irregular. Em adolescentes, é comum surgirem queixas de dor de cabeça e fadiga que parecem inofensivas, mas indicam a necessidade de avaliação.

    Pais, técnicos e professores devem estar atentos e não subestimar sintomas aparentemente leves. Mesmo que a criança pareça bem, se houver qualquer dúvida, o ideal é procurar avaliação médica.

    Veja também: Cirurgia de coluna: 5 condições em que ela pode ser necessária

    Perguntas frequentes

    1. Uma pancada leve na cabeça pode causar danos ao cérebro?

    Sim, mesmo um trauma leve pode causar alterações temporárias na função cerebral. A pessoa pode sentir tontura, dor de cabeça, enjoo ou ficar confusa por alguns instantes — isso já é suficiente para caracterizar uma concussão.

    Quando esse tipo de impacto se repete, mesmo em baixa intensidade, há risco de acúmulo de lesões microscópicas, que podem afetar o equilíbrio, a memória e a capacidade de concentração. Por isso, não existe “pancada leve” quando se trata da cabeça.

    2. Como saber se uma criança ou adolescente teve uma concussão?

    Os sinais podem variar, mas normalmente incluem dor de cabeça persistente, tontura, sonolência, enjoo, confusão mental, fala arrastada, dificuldade para lembrar ou se concentrar. Em crianças pequenas, pode haver irritabilidade, choro constante, recusa para comer ou sono irregular.

    Nem sempre os sintomas aparecem na hora, alguns surgem horas depois do impacto. Então, após qualquer pancada significativa, é importante observar o comportamento da criança e buscar avaliação médica se algo parecer diferente.

    3. Quanto tempo é necessário para se recuperar de uma concussão?

    O tempo de recuperação varia conforme a gravidade da concussão e a idade do paciente. Em geral, o repouso total dura de 7 a 14 dias, mas, em crianças e adolescentes, pode levar mais tempo.

    Durante o período de recuperação, é importante evitar atividades físicas intensas, uso excessivo de telas, falta de sono e situações estressantes. O retorno deve ser gradual e supervisionado, com aumento progressivo da carga de esforço.

    4. O que acontece no cérebro depois de uma pancada?

    Quando ocorre um impacto, o cérebro se move dentro do crânio, podendo esticar ou romper pequenas conexões entre neurônios. Isso altera temporariamente a função cerebral, provocando confusão, dor de cabeça, tontura e desequilíbrio.

    Com o tempo e o repouso adequado, o cérebro tende a se recuperar. No entanto, se o trauma se repete antes da cicatrização completa, essas conexões se tornam cada vez mais frágeis, levando à perda de neurônios e ao risco de doenças degenerativas.

    5. Quais exames podem ser feitos após um trauma craniano?

    O primeiro passo é a avaliação clínica, que envolve perguntas sobre o trauma, observação de sintomas e testes neurológicos. Em casos de suspeita de lesão mais grave, o médico pode solicitar tomografia computadorizada ou ressonância magnética para descartar sangramentos ou fraturas.

    Contudo, em concussões leves, os exames normalmente não mostram alterações, porque o dano é funcional, e não estrutural.

    Em casos específicos, podem ser realizados testes cognitivos e de equilíbrio para acompanhar a evolução do paciente. O acompanhamento contínuo é mais importante do que o exame isolado.

    6. O uso de capacetes evita os riscos de impacto na cabeça?

    O capacete é uma medida importante de proteção, mas não elimina completamente o risco. Ele reduz a força do impacto e protege contra lesões externas, como fraturas e cortes, mas não impede que o cérebro se mova dentro do crânio durante uma colisão.

    Ou seja, mesmo usando o equipamento adequado, ainda pode ocorrer uma concussão. Por isso, o uso deve ser acompanhado de técnica correta, supervisão e respeito aos limites do corpo. O equipamento é uma barreira importante, mas a prevenção vai muito além dele.

    Veja também: Hérnia de disco: o que é, causas, sintomas e como tratar

  • Canetas emagrecedoras: saiba como evitar a perda de massa muscular

    Canetas emagrecedoras: saiba como evitar a perda de massa muscular

    A perda de massa muscular é um processo que acontece quando o corpo reduz a quantidade de músculos, normalmente por falta de proteínas e energia suficientes na alimentação. No caso do tratamento com agonistas GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, que atuam no corpo diminuindo o apetite, o organismo pode começar a usar o tecido muscular como fonte de energia — já que recebe menos calorias do que precisa.

    Isso faz com que o metabolismo fique mais lento, a força diminua e o gasto calórico diário caia, dificultando a manutenção do peso a longo prazo. Para completar, a perda de massa muscular afeta a postura, o equilíbrio e até o funcionamento de órgãos vitais. Vamos entender mais, a seguir.

    Por que a perda de massa muscular pode acontecer?

    Os agonistas de GLP-1, como semaglutida (Ozempic, Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro), atuam imitando a ação de um hormônio natural produzido no intestino, que regula o apetite e o metabolismo da glicose. Eles enviam sinais ao cérebro indicando saciedade e retardam o esvaziamento do estômago, fazendo com que a pessoa sinta menos fome e permaneça satisfeita por mais tempo.

    Logo, com a redução significativa da ingestão de alimentos, o corpo precisa encontrar outras maneiras de produzir energia para manter as funções vitais. Quando o aporte calórico é muito baixo, o organismo passa a quebrar proteínas dos músculos para gerar energia — processo conhecido como catabolismo.

    “Sem a devida ingestão das proteínas, a pessoa fica carente dos aminoácidos que são essenciais no processo de construção do músculo, e o organismo passa a usar a massa muscular como fonte de energia, resultando na perda de massa muscular. A perda dessa massa reduz o metabolismo basal, tornando mais difícil a manutenção do emagrecimento no longo prazo”, explica a nutricionista Bárbara Yared.

    As proteínas são responsáveis por sustentar o tecido magro, manter a força e garantir que o corpo utilize preferencialmente a gordura como fonte de energia. Elas também ajudam na saciedade e na estabilidade glicêmica, fatores essenciais para um emagrecimento saudável.

    Como evitar a perda de massa muscular?

    A principal medida para evitar a perda de massa muscular durante o uso de agonistas de GLP-1 é manter uma alimentação rica em proteínas e ajustar a dieta conforme o novo ritmo alimentar. Veja algumas dicas:

    Consumir proteína em todas as refeições

    As proteínas fornecem os aminoácidos usados na construção e na manutenção dos músculos. O ideal é distribuí-las ao longo do dia (no café da manhã, almoço, jantar e lanches intermediários) para garantir uma absorção contínua. As melhores fontes incluem:

    • Ovos;
    • Carnes magras;
    • Frango;
    • Peixe;
    • Iogurtes;
    • Queijos brancos;
    • Tofu;
    • Leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico).

    “Embora as proteínas de origem vegetal sejam ricas em aminoácidos essenciais, algumas são limitantes em alguns deles, mas quando combinadas, elas se complementam”, complementa Bárbara.

    A nutricionista ainda aponta que a quantidade ideal de proteína varia conforme fatores como idade, peso, nível de atividade física e presença de condições metabólicas. Uma vez que cada organismo tem demandas diferentes, ajustar as porções de proteína sem orientação pode levar a excessos ou deficiências. Por isso, consulte um nutricionista!

    Fracionar as refeições

    Com o estômago esvaziando mais devagar, comer grandes quantidades de uma vez pode causar enjoo, azia ou sensação de estufamento.

    O fracionamento, que consiste em fazer de cinco a seis pequenas refeições ao dia, ajuda o corpo a digerir melhor os alimentos e absorver os nutrientes de forma mais eficiente. O hábito também mantém os níveis de energia estáveis, evita longos períodos de jejum e reduz o risco de o organismo usar os músculos como fonte de energia, prevenindo o catabolismo.

    Praticar exercícios de força

    A prática de atividades físicas é praticamente indispensável no processo de emagrecimento, e quando o assunto é massa muscular, eles são ainda mais necessários para estimular o crescimento e a manutenção dos músculos — mesmo em períodos de restrição calórica.

    Os treinos de força, como musculação e pilates, ajudam o corpo a direcionar a queima de energia para a gordura em vez de utilizar o tecido muscular, além de manter o metabolismo ativo e prevenir a perda de massa magra.

    O recomendado é combinar os treinos de força com atividades aeróbicas leves a moderadas, como caminhadas, bicicleta ou natação, que favorecem a queima de gordura e melhoram a resistência física.

    Priorizar o sono e o descanso

    Durante o sono profundo, o organismo libera hormônios importantes, como o GH (hormônio do crescimento), que ajudam na regeneração muscular e no equilíbrio do metabolismo. Quando a pessoa dorme mal, todo o processo é prejudicado e os músculos não conseguem se recuperar direito.

    Por outro lado, uma rotina de sono regular, com horários definidos e um ambiente tranquilo, ajuda o corpo a se regenerar, melhora o desempenho nos treinos e mantém o metabolismo ativo e equilibrado.

    Ajustar o plano alimentar com acompanhamento nutricional

    O acompanhamento com médico e nutricionista permite avaliar a evolução corporal e ajustar o cardápio de acordo com as necessidades de cada fase do tratamento. Quando a pessoa tem dificuldade para atingir as metas proteicas apenas com alimentos, podem ser recomendadas vitaminas proteicas, shakes ou sopas enriquecidas com proteína.

    No geral, Bárbara explica que é possível atingir a meta diária de proteínas por meio da alimentação, mas há situações em que o uso de suplementação pode ser necessário — algo que deve ser avaliado individualmente por um nutricionista.

    Confira: ‘Bebês Ozempic’: como os análogos do GLP-1 impactam a fertilidade?

    Como saber se o corpo está perdendo massa muscular?

    A perda de massa muscular nem sempre é perceptível de imediato, mas o corpo costuma dar sinais de que algo está errado, como:

    • Fraqueza e cansaço frequente;
    • Dificuldade para realizar atividades simples, como subir escadas;
    • Queda no desempenho nos treinos;
    • Estagnação do emagrecimento;
    • Braços, pernas e glúteos mais flácidos;
    • Recuperação lenta após o exercício;
    • Sensação de fraqueza ao acordar;
    • Metabolismo mais lento;
    • Menor disposição no dia a dia.

    Ao perceber os sinais, a orientação é procurar um nutricionista ou médico para avaliar a composição corporal e ajustar o plano alimentar.

    Leia também: Ozempic, Mounjaro: como evitar o efeito rebote no emagrecimento?

    Perguntas frequentes sobre perda de massa muscular

    1. O que é a perda de massa muscular?

    A perda de massa muscular acontece quando o corpo reduz a quantidade de músculos, geralmente por falta de proteínas ou energia suficientes. Durante o emagrecimento com canetas emagrecedoras, o apetite diminui, e muitas pessoas acabam comendo pouco.

    Quando o organismo não recebe combustível adequado, ele começa a quebrar o tecido muscular para produzir energia. Isso deixa o corpo mais fraco, desacelera o metabolismo e dificulta a manutenção do peso a longo prazo.

    2. O que significa catabolismo?

    O catabolismo é o processo em que o corpo quebra moléculas grandes, como proteínas dos músculos, para obter energia — e acontece quando há falta de nutrientes ou calorias suficientes. Durante o emagrecimento, o objetivo é que o corpo use gordura como combustível, não músculo. A presença de proteína na alimentação e a prática de exercícios evitam que o organismo entre nesse modo de economia extrema.

    3. Como saber se a perda de peso é de gordura ou de músculo?

    A melhor forma é acompanhar a composição corporal por meio de exames, como bioimpedância. Eles mostram quanto do peso vem de gordura, músculo e água. Se o número na balança cai rapidamente, mas há perda de força e energia, o emagrecimento provavelmente está vindo do tecido muscular. O acompanhamento com um nutricionista ajuda a ajustar o cardápio e preservar a massa magra.

    4. A perda de massa muscular tem reversão?

    Sim! Com a ingestão adequada de proteínas, a prática regular de exercícios de força e o descanso necessário, o corpo consegue reconstruir o tecido muscular perdido. O processo leva tempo e exige constância, mas com acompanhamento profissional e alimentação equilibrada, o organismo retoma o equilíbrio e volta a manter o metabolismo em bom funcionamento.

    5. Como os agonistas de GLP-1 influenciam no metabolismo?

    Os agonistas de GLP-1 tornam o metabolismo mais eficiente no controle da glicose e na saciedade, mas também o deixam um pouco mais “econômico” no gasto calórico. Como o corpo passa a receber menos alimento, ele reduz o ritmo natural de queima de energia.

    Por isso, manter músculos ativos com treinos de resistência contribui para evitar que o metabolismo desacelere demais durante o tratamento.

    6. A alimentação vegetariana prejudica o ganho de massa muscular?

    Não, desde que ela seja bem planejada. A dieta vegetariana pode fornecer todos os aminoácidos necessários ao corpo, desde que combine diferentes fontes de proteína vegetal, como leguminosas, cereais integrais e sementes.

    O nutricionista pode ajudar a equilibrar as porções e, quando necessário, indicar suplementação específica para garantir os nutrientes ausentes em maior quantidade nas proteínas vegetais.

    Veja mais: Sem tempo para treinar? Veja como criar uma rotina de exercícios

  • Espirometria: para que serve esse exame dos pulmões 

    Espirometria: para que serve esse exame dos pulmões 

    A espirometria é um exame simples, rápido e importante para avaliar como os pulmões estão funcionando. Ele mede o volume de ar que entra e sai dos pulmões e a velocidade dessa respiração e ajuda o médico a entender se há alguma alteração na função respiratória.

    Por ser não invasivo e indolor, é considerado um dos principais testes para investigar e acompanhar doenças pulmonares, como asma, bronquite crônica e enfisema. Entenda mais.

    O que é a espirometria e para que serve

    A espirometria é um teste que registra a capacidade pulmonar e o fluxo de ar durante a respiração. Durante o exame, a pessoa sopra com força em um aparelho chamado espirômetro, que analisa a quantidade e a velocidade do ar.

    Com esses dados, o médico consegue avaliar se os pulmões estão funcionando dentro do esperado ou se há redução na capacidade respiratória.

    A espirometria é indicada para:

    • Ajudar no diagnóstico de doenças respiratórias (como asma, bronquite crônica e enfisema pulmonar);
    • Avaliar o grau de comprometimento dos pulmões em quem já tem uma doença respiratória;
    • Acompanhar o tratamento e verificar se ele está sendo eficaz;
    • Avaliar o risco pré-operatório antes de cirurgias;
    • Fazer parte de exames ocupacionais, especialmente em profissões com exposição a poeira, gases ou produtos químicos.

    Como o exame de espirometria é feito

    Antes do exame, a pessoa deverá responder a um questionário sobre sintomas e histórico de saúde, o que ajuda na interpretação dos resultados.

    Durante o teste:

    • O paciente geralmente fica sentado, usando um bocal conectado ao espirômetro e um clipe no nariz, para evitar a saída de ar.
    • Ele respira normalmente no início e, depois, realiza inspirações e expirações profundas e rápidas, conforme orientação do profissional.
    • O exame depende da colaboração do paciente, que deve seguir as instruções à risca para que o resultado seja confiável.
    • O procedimento dura poucos minutos e é feito sob supervisão de um técnico treinado.

    Espirometria com prova broncodilatadora

    Em muitos casos, o exame é realizado em duas etapas:

    • Antes do uso de medicamentos broncodilatadores;
    • Depois da inalação do medicamento, com um intervalo para que ele faça efeito.

    Essa comparação ajuda o médico a identificar se há melhora na função pulmonar após o uso do remédio, o que é importante no diagnóstico de doenças como asma e DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica).

    Cuidados e limitações do exame

    A espirometria é segura e bem tolerada, mas pode ser difícil para pessoas que não conseguem colaborar com o teste, como crianças pequenas ou pacientes com problemas cognitivos.

    O exame é contraindicado em algumas situações específicas, como:

    • Infarto do miocárdio recente (até uma semana);
    • Síncope (desmaio) relacionada à expiração forçada;
    • Hipertensão pulmonar não controlada;
    • Cirurgia ocular, cerebral ou torácica recente;
    • Infecções respiratórias em fase transmissível;
    • Cirurgias abdominais recentes, por aumento da pressão dentro do tórax e abdômen.

    Essas condições elevam o risco de complicações e devem ser informadas ao médico antes do exame.

    Resultados da espirometria

    Após o exame, os resultados são analisados por um especialista, geralmente um pneumologista, que interpreta os gráficos e índices obtidos pelo espirômetro.

    Os principais parâmetros avaliados são:

    • CVF (Capacidade Vital Forçada): volume total de ar expirado após uma inspiração profunda;
    • VEF1 (Volume Expiratório Forçado no 1º segundo): quantidade de ar eliminada no primeiro segundo de expiração;
    • Relação VEF1/CVF: ajuda a identificar obstruções nas vias aéreas.

    Essas medidas permitem distinguir se há alteração obstrutiva (como na asma e DPOC) ou restritiva (como em fibrose pulmonar). Os resultados devem sempre ser interpretados pelo médico que solicitou o exame, junto com o histórico clínico e outros testes complementares.

    Leia mais: Asma alérgica: o que é, sintomas, tratamentos e remédios

    Perguntas frequentes sobre espirometria

    1. O que é espirometria?

    É um exame que mede o volume e o fluxo de ar que entra e sai dos pulmões, ajudando a avaliar sua função.

    2. Para que serve o exame de espirometria?

    Serve para diagnosticar e acompanhar doenças respiratórias, como asma, bronquite e enfisema.

    3. A espirometria dói?

    Não. É um exame simples e indolor, que exige apenas esforço respiratório.

    4. É preciso algum preparo antes do exame?

    Evite fumar, praticar exercícios intensos ou usar broncodilatadores antes do exame, a menos que o médico autorize.

    5. Quanto tempo dura o exame?

    Em média, de 15 a 30 minutos, dependendo da colaboração do paciente e da necessidade de fazer a prova broncodilatadora.

    6. Crianças podem fazer espirometria?

    Sim, desde que consigam seguir as orientações do técnico. O exame é seguro, mas pode ser difícil para os menores de 5 anos.

    7. Quem não pode fazer espirometria?

    Pessoas que tiveram infarto, cirurgias recentes ou estão com infecções respiratórias transmissíveis devem evitar o exame até liberação médica.

    Veja também: Câncer: quais os principais fatores de risco?

  • Conheça usos além da estética para a toxina botulínica 

    Conheça usos além da estética para a toxina botulínica 

    A toxina botulínica, também conhecida pelo nome comercial de Botox, é uma substância produzida pela bactéria Clostridium botulinum. Curiosamente, essa é a mesma bactéria que causa o botulismo, uma doença rara e grave ligada a alimentos mal conservados.

    A descoberta científica que transformou essa toxina em tratamento começou justamente a partir da observação de casos de botulismo. Pesquisadores perceberam que, em doses controladas e muito pequenas, a toxina poderia ser usada de forma segura e terapêutica, tanto para fins médicos quanto estéticos.

    Hoje, a toxina botulínica é uma das substâncias mais estudadas e aplicadas da medicina moderna, capaz de unir ciência, saúde e estética em um mesmo tratamento.

    Como a toxina botulínica age no corpo

    A toxina botulínica age bloqueando a liberação de uma substância chamada acetilcolina, responsável por transmitir o comando de contração do nervo para o músculo.

    Quando aplicada em uma região específica, essa comunicação é temporariamente interrompida, fazendo o músculo relaxar.

    Esse efeito explica por que a toxina botulínica serve tanto para suavizar rugas e linhas de expressão quanto para tratar doenças relacionadas a contrações musculares involuntárias.

    Os efeitos começam a aparecer entre 3 e 7 dias após a aplicação e duram, em média, de 3 a 6 meses, variando de acordo com o local e o organismo de cada pessoa.

    Uso estético da toxina botulínica

    A toxina botulínica ficou mundialmente conhecida pelo seu uso na estética facial, pois ajuda a suavizar rugas e dar uma aparência mais leve ao rosto, sem eliminar completamente as expressões naturais.

    As aplicações mais comuns incluem:

    • Rugas da testa, formadas ao levantar as sobrancelhas;
    • Rugas entre as sobrancelhas (“rugas de bravo”);
    • Pés de galinha, ao redor dos olhos;
    • Linhas ao redor da boca e pescoço;
    • Sobrancelhas caídas, que podem ser levemente elevadas;
    • Sorriso gengival, para reduzir a exposição da gengiva.

    O objetivo do tratamento é relaxar os músculos, não “congelar” o rosto. Quando aplicado por um profissional qualificado, o resultado é natural e harmonioso.

    Usos médicos da toxina botulínica

    Além da estética, a toxina botulínica tem importantes aplicações médicas. Ela é usada em várias especialidades, principalmente para tratar contrações musculares exageradas ou distúrbios neurológicos.

    Entre as principais indicações médicas estão:

    • Espasmos musculares, como torcicolo espasmódico e blefaroespasmo (contração involuntária das pálpebras);
    • Distonias, que causam movimentos e posturas anormais;
    • Espasticidade após AVC, reduzindo a rigidez muscular;
    • Hiperidrose, para controlar o excesso de suor em axilas, mãos ou pés;
    • Bexiga hiperativa, pois diminui a urgência e frequência urinária;
    • Enxaqueca crônica, pois é capaz de reduzir a sensibilidade dos nervos ligados à dor;
    • Distúrbios gastrointestinais, como acalasia (problema de contração no esôfago);
    • Bruxismo, para aliviar o ranger dos dentes.

    Em todos esses casos, o objetivo é melhorar a qualidade de vida e reduzir sintomas incômodos.

    Contraindicações e cuidados

    Embora seja um tratamento seguro quando realizado por médicos habilitados, a toxina botulínica não é indicada para:

    • Gestantes e mulheres que estão amamentando;
    • Pessoas com infecções no local da aplicação;
    • Pacientes com doenças neuromusculares, como miastenia gravis;
    • Quem tem alergia conhecida à toxina botulínica.

    É importante lembrar que o efeito da toxina botulínica é temporário, dura de 3 a 6 meses, e o resultado depende de técnica, dose e resposta individual. Por isso, a aplicação deve sempre ser feita por um profissional médico, para maior segurança e naturalidade.

    Efeitos e duração do tratamento

    Os efeitos da toxina botulínica não são permanentes. Após alguns meses, o corpo reabsorve a toxina e os músculos voltam a se movimentar normalmente. Com aplicações periódicas, é possível manter o efeito e, em alguns casos, reduzir a intensidade das rugas ao longo do tempo.

    O intervalo ideal entre as aplicações deve ser avaliado pelo médico, considerando o tipo de pele, a idade e o objetivo do tratamento.

    Confira: 7 dicas de um médico para ser mais produtivo e ter menos estresse

    Perguntas frequentes sobre toxina botulínica

    1. O que é o Botox?

    É um nome comercial da toxina botulínica, uma substância que bloqueia temporariamente a contração dos músculos, sendo usada para fins estéticos e médicos.

    2. Como a toxina botulínica funciona?

    Ela impede que os nervos liberem a substância responsável por contrair o músculo (acetilcolina), e isso faz com que a região relaxe.

    3. Quanto tempo dura o efeito da toxina botulínica?

    Em média, de 3 a 6 meses. Depois disso, o efeito desaparece gradualmente.

    4. A toxina botulínica deixa o rosto sem expressão?

    Não, quando aplicado corretamente. O objetivo é suavizar as rugas e preservar a naturalidade.

    5. Quais são os riscos da toxina botulínica?

    Quando realizado por profissionais qualificados, o procedimento é seguro. Efeitos adversos são raros e geralmente leves, como dor local ou pequenos hematomas.

    6. A toxina botulínica pode ser usada em tratamentos médicos?

    Sim. Ela é utilizada para tratar enxaqueca crônica, hiperidrose, distonias, espasmos e outras condições musculares.

    7. Quem não pode aplicar toxina botulínica?

    Gestantes, lactantes, pessoas com infecções locais ou doenças neuromusculares devem evitar o procedimento.

    Leia também: Fome emocional: o que é, sintomas e como controlar

  • Botulismo: o que é e por que é uma emergência médica

    Botulismo: o que é e por que é uma emergência médica

    O botulismo é uma doença rara, grave e não contagiosa, causada por uma substância chamada toxina botulínica, produzida pela bactéria Clostridium botulinum. Essa toxina é extremamente potente e, mesmo em quantidades pequenas, pode causar paralisia muscular e até morte se o tratamento não for feito rapidamente.

    Por isso, o botulismo é considerado uma emergência médica e deve ser tratado de forma imediata em ambiente hospitalar.

    Como a doença pode ser adquirida

    Existem diferentes tipos de botulismo, de acordo com a forma como ocorre o contato com a toxina.

    1. Botulismo alimentar

    Acontece quando a pessoa consome alimentos contaminados com a toxina, geralmente mal conservados ou armazenados sem higiene adequada. Entre os alimentos mais envolvidos estão vegetais em conserva, carnes curadas, pescados defumados e produtos enlatados.

    O período de incubação varia de poucas horas a alguns dias, dependendo da quantidade de toxina ingerida.

    2. Botulismo infantil

    Acontece em bebês, geralmente entre 3 e 26 semanas de vida, quando os esporos da bactéria se multiplicam no intestino e produzem a toxina. Está frequentemente associado ao consumo de mel, por isso não se deve oferecer mel a bebês menores de 1 ano.

    3. Botulismo intestinal (em adultos)

    Ocorre quando os esporos da bactéria se instalam no intestino e passam a produzir a toxina dentro do corpo. Fatores de risco incluem o uso prolongado de antibióticos, cirurgias intestinais e doenças como Crohn.

    4. Botulismo de ferida

    Surge quando a bactéria entra em uma ferida aberta e começa a produzir a toxina. É mais comum em pessoas que usam drogas injetáveis.

    5. Botulismo inalatório

    É extremamente raro e ocorre apenas em situações muito específicas, como acidentes laboratoriais ou bioterrorismo.

    6. Botulismo iatrogênico

    Pode ocorrer, de forma excepcional, após erros na aplicação da toxina botulínica em doses muito altas em tratamentos estéticos ou médicos (como o Botox).

    Por que o botulismo é tão perigoso

    A toxina botulínica impede que os sinais nervosos cheguem aos músculos, causando uma paralisia progressiva. Os sintomas costumam começar na face e podem se espalhar para o corpo todo, inclusive para os músculos da respiração.

    Se o paciente não for tratado a tempo, pode parar de respirar e precisar de aparelhos para sobreviver. Além disso, cada caso exige internação e suporte intensivo, o que faz do botulismo uma emergência de saúde pública, mesmo em pequenos surtos.

    Sintomas do botulismo

    Os sintomas geralmente aparecem de algumas horas a poucos dias após a exposição à toxina e podem ser:

    • Visão dupla ou embaçada;
    • Pálpebras caídas;
    • Dificuldade para falar ou engolir;
    • Boca seca;
    • Voz fraca ou rouca;
    • Náuseas, vômitos e dor abdominal (mais comuns no botulismo alimentar);
    • Fraqueza muscular que começa na cabeça e desce para o corpo.

    Nos casos graves, a pessoa pode desenvolver paralisia dos braços, pernas e músculos respiratórios, exigindo internação imediata e suporte ventilatório.

    Diagnóstico do botulismo

    O diagnóstico é feito com base nos sintomas clínicos e em um exame neurológico detalhado. Como o botulismo é uma doença rara e pode se confundir com outras condições neurológicas, o médico precisa estar atento aos sinais característicos.

    Podem ser solicitados exames laboratoriais e de imagem para confirmar a presença da toxina e descartar outras doenças.

    Tratamento do botulismo

    O tratamento deve começar o mais rápido possível, preferencialmente em um hospital com UTI. O principal recurso terapêutico é a antitoxina botulínica, que bloqueia a ação da toxina ainda presente no corpo.

    Mesmo após o tratamento, a recuperação pode ser lenta, pois os nervos precisam se regenerar gradualmente, o que pode levar semanas ou meses.

    Durante a recuperação, o paciente pode precisar de:

    • Ventilação mecânica (suporte respiratório);
    • Fisioterapia respiratória e motora;
    • Acompanhamento multiprofissional, com nutricionista e fisioterapeuta.

    Como prevenir o botulismo

    A prevenção depende principalmente de cuidados com a manipulação e conservação dos alimentos, além de evitar situações de risco.

    Dicas de prevenção

    • Evite conservas caseiras sem garantia de esterilização adequada;
    • Descarte alimentos com cheiro, aparência alterada ou tampa estufada;
    • Mantenha boa higiene das mãos, utensílios e alimentos;
    • Nunca ofereça mel a bebês menores de 1 ano;
    • Procure atendimento médico em caso de feridas profundas ou se houver uso de drogas injetáveis;
    • Diante de sintomas suspeitos, procure um hospital imediatamente.

    Leia mais: Toxina botulínica: os usos além da estética

    Perguntas frequentes sobre botulismo

    1. O que é o botulismo?

    É uma doença rara e grave causada pela toxina botulínica, produzida pela bactéria Clostridium botulinum. Essa toxina bloqueia a comunicação entre os nervos e os músculos, provocando fraqueza e paralisia.

    2. O botulismo é contagioso?

    Não. O botulismo não passa de pessoa para pessoa. Ele ocorre apenas quando alguém entra em contato direto com a toxina, seja por ingestão, ferimento ou, em casos raros, inalação.

    3. Quais são os primeiros sintomas do botulismo?

    Os sintomas surgem de algumas horas a poucos dias após a exposição e incluem visão dupla, dificuldade para engolir, fala enrolada, boca seca e fraqueza que começa na face e desce pelo corpo.

    4. O botulismo pode causar paralisia?

    Sim. A toxina impede a contração dos músculos, podendo causar paralisia progressiva, inclusive dos músculos responsáveis pela respiração, o que torna a doença uma emergência médica.

    5. O que causa o botulismo alimentar?

    O tipo mais comum é o botulismo alimentar, causado pelo consumo de alimentos contaminados com a toxina, especialmente conservas, enlatados e carnes mal armazenadas.

    6. É verdade que o mel pode causar botulismo em bebês?

    Sim. O mel pode conter esporos da bactéria, por isso não deve ser oferecido a crianças menores de 1 ano.

    7. Como o botulismo é tratado?

    O tratamento é feito com antitoxina botulínica, que bloqueia a ação da toxina ainda circulante, além de suporte respiratório e fisioterapia durante a recuperação. O atendimento deve ser imediato.

    8. O que fazer para prevenir o botulismo?

    Evite conservas caseiras sem esterilização adequada, não consuma alimentos com tampas estufadas ou cheiro alterado, mantenha a higiene no preparo dos alimentos e nunca ofereça mel a bebês.

    Veja também: Insuficiência cardíaca: o que é, sintomas, causas e tratamento

  • Chiado ou zumbido no ouvido: por que você ouve sons que ninguém mais ouve

    Chiado ou zumbido no ouvido: por que você ouve sons que ninguém mais ouve

    Quem nunca sentiu um leve apito no ouvido depois de um show ou de um dia barulhento? Em muitos casos, o sintoma desaparece sozinho. Mas quando esse som persiste, é sinal de que algo pode estar acontecendo com a audição. O zumbido no ouvido, também conhecido como tinnitus, é uma condição que afeta milhões de pessoas no mundo e pode se manifestar em diferentes intensidades.

    Embora não seja uma doença, o zumbido é um sintoma que pode ter várias causas, desde a exposição a ruídos altos até problemas auditivos, vasculares ou neurológicos.

    O que é o zumbido no ouvido

    O zumbido é a percepção de um som sem que exista uma fonte sonora real. É uma espécie de ilusão auditiva, que pode ser descrita como:

    • Apito
    • Chiado
    • Campainha
    • Ronco

    Ele não é uma doença em si, mas sim um sintoma que pode estar ligado a diversas causas. Na maioria das vezes, não é grave, mas pode atrapalhar o sono, a concentração e o humor.

    Quem pode ter zumbido

    O zumbido é mais comum entre pessoas de 60 a 69 anos, embora possa aparecer em qualquer idade. Frequentemente está associado à perda auditiva neurossensorial, que é a perda da audição relacionada ao envelhecimento ou à exposição prolongada a sons altos.

    Tipos de zumbido

    Existem duas categorias principais:

    1. Zumbido primário (mais comum)

    Geralmente está relacionado à perda auditiva, mas sem uma causa específica identificável.

    2. Zumbido secundário (mais raro, menos de 1%)

    Surge quando há uma causa clara, como alterações vasculares, neurológicas, uso de certos medicamentos ou doenças como a Doença de Ménière.

    Quando é importante investigar rapidamente

    Alguns sinais exigem avaliação médica urgente, pois podem indicar algo mais sério:

    • Zumbido pulsátil (como batida de coração);
    • Zumbido em apenas um ouvido;
    • Zumbido acompanhado de perda auditiva súbita;
    • Presença de outros sintomas neurológicos (tontura intensa, desequilíbrio, fraqueza em parte do corpo).

    Avaliação médica

    O diagnóstico começa com uma consulta detalhada, em que o médico investiga quando o zumbido começou, se é constante ou intermitente, e se afeta um ou ambos os ouvidos.

    Principais etapas da investigação:

    • Histórico clínico completo;
    • Exame físico da cabeça, ouvidos, pescoço e sistema cardiovascular;
    • Audiometria: exame auditivo recomendado para todos os pacientes com zumbido;
    • Exames de imagem (ressonância magnética ou tomografia): indicados em casos de zumbido de apenas um lado, pulsátil ou com sintomas neurológicos;
    • Exames laboratoriais: usados quando há suspeita de doenças associadas, como problemas da tireoide, deficiência de vitamina B12 ou infecções.

    Possíveis causas do zumbido

    O zumbido pode ter origens diversas, e em muitos casos mais de um fator pode estar envolvido. Entre os mais comuns:

    • Perda auditiva por idade (presbiacusia);
    • Exposição prolongada a sons altos (shows, fones de ouvido, máquinas);
    • Medicamentos ototóxicos, como alguns antibióticos, diuréticos e quimioterápicos;
    • Doenças neurológicas;
    • Doenças metabólicas, como diabetes;
    • Alterações vasculares;
    • Problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão, que podem agravar o sintoma.

    Tratamento do zumbido

    O tratamento depende da causa identificada. Em alguns casos, o zumbido melhora quando o problema de base é tratado.

    Principais abordagens:

    1. Correção do que está causando o zumbido

    Tratar doenças associadas (vasculares, metabólicas ou neurológicas) ou suspender o uso de medicamentos que prejudiquem a audição.

    2. Aparelhos auditivos

    Podem melhorar a audição e reduzir a percepção do zumbido, mesmo em perdas auditivas leves.

    3. Terapia sonora

    Uso de sons externos, como música suave ou ruído branco, para “mascarar” o zumbido e reduzir o incômodo.

    4. Terapia cognitivo-comportamental (TCC)

    Ajuda o paciente a lidar com a ansiedade e a insônia causadas pelo sintoma, o que melhora a qualidade de vida.

    5. Apoio multiprofissional

    O tratamento ideal costuma envolver uma equipe formada por otorrinolaringologista, fonoaudiólogo e psicólogo.

    Prevenção

    Algumas coisas simples ajudam a proteger a audição e evitar o aparecimento do zumbido:

    • Evite exposição prolongada a ruídos intensos;
    • Use protetores auriculares em locais barulhentos;
    • Tome cuidado com o uso de medicamentos que fazem mal para os ouvidos (ototóxicos). Use sempre com orientação médica;
    • Procure um médico ao primeiro sinal de perda auditiva súbita ou zumbido em um único ouvido.

    Leia mais: Teste da orelhinha: para que serve e como é feito

    Perguntas frequentes sobre zumbido no ouvido

    1. O zumbido no ouvido tem cura?

    Nem sempre tem cura definitiva, mas existem tratamentos eficazes para reduzir o incômodo e melhorar a qualidade de vida.

    2. O zumbido pode indicar perda auditiva?

    Sim. Em muitos casos, o zumbido é o primeiro sinal de perda auditiva neurossensorial.

    3. É perigoso ter zumbido pulsátil?

    Sim. Esse tipo de zumbido pode estar relacionado a problemas vasculares e deve ser investigado com urgência.

    4. Zumbido pode piorar com ansiedade?

    Pode. O estresse e a ansiedade aumentam a percepção do zumbido, criando um ciclo difícil de romper sem tratamento.

    5. Fone de ouvido causa zumbido?

    O uso prolongado e em volume alto pode danificar as células auditivas, levando à perda de audição e zumbido.

    6. Qual o especialista certo para tratar zumbido?

    O otorrinolaringologista é o médico indicado, e pode trabalhar junto a fonoaudiólogo e psicólogo, dependendo do caso.

    Veja também: Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB): o que é, sintomas e como tratar

  • Por que o café acelera o coração? Veja quantas xícaras você pode tomar

    Por que o café acelera o coração? Veja quantas xícaras você pode tomar

    Para muitos brasileiros, é quase impossível começar o dia sem o tradicional cafezinho e a disposição que ele traz. A bebida age de forma rápida no organismo, e bastam poucos minutos depois do primeiro gole para que o corpo sinta os efeitos estimulantes da cafeína.

    Um deles, em especial, é o aumento da frequência cardíaca, algo que pode ser percebido como uma leve aceleração dos batimentos do coração logo depois do consumo. Você já se perguntou por que o café acelera o coração? O processo é natural e faz parte do modo como o corpo reage ao estímulo da cafeína. Vem entender mais, a seguir!

    O que acontece no corpo depois de tomar café

    A cafeína entra na corrente sanguínea poucos minutos depois de ser consumida. O estômago e o intestino absorvem a substância rapidamente, e ela atinge o ponto máximo no sangue entre 15 e 45 minutos.

    No organismo, a cafeína é responsável por bloquear a ação da adenosina, um neurotransmissor que atua como um calmante natural do corpo, reduzindo a atividade cerebral e promovendo relaxamento — e que possui uma estrutura molecular bem parecida com a cafeína, segundo a cardiologista Juliana Soares.

    Ao mesmo tempo, a substância aumenta a liberação de adrenalina, hormônio responsável por preparar o corpo para situações de luta ou fuga. Ela ativa o sistema nervoso simpático, provocando aumento da frequência cardíaca, contração dos vasos sanguíneos e leve elevação da pressão arterial.

    Por que o café acelera o coração?

    A aceleração dos batimentos acontece porque o coração responde à ação da adrenalina. Quando há uma quantidade maior do hormônio circulando, o coração precisa trabalhar com mais intensidade para distribuir oxigênio e nutrientes pelo corpo.

    Nesse processo, os vasos sanguíneos se contraem, o sangue passa a fluir com mais velocidade e o volume bombeado a cada batida aumenta, o que explica a sensação de pulsação mais forte e rápida após o consumo de cafeína.

    Na maioria das pessoas, o aumento dos batimentos é temporário e desaparece conforme a cafeína é metabolizada pelo fígado, processo que pode levar algumas horas.

    A intensidade da resposta pode variar bastante. Segundo Juliana, o impacto do café em cada pessoa depende principalmente de fatores genéticos, pois cada pessoa metaboliza a cafeína de forma diferente.

    “Existem pessoas que metabolizam o café de uma forma mais lenta — e aí os efeitos estimulantes do café podem ficar mais evidentes em comparação a pessoas que metabolizam de uma maneira mais rápida”, explica a cardiologista.

    O aumento dos batimentos depois do café é perigoso?

    De acordo com Juliana, a aceleração dos batimentos cardíacos provocada pelo café não é perigosa para a maioria das pessoas saudáveis e que não apresentam doenças cardíacas. O corpo é capaz de lidar bem com doses moderadas de cafeína, e o efeito é temporário.

    No caso de pessoas que têm problemas cardíacos, como arritmia, Juliana aponta que o consumo exagerado pode ser prejudicial — já que o excesso da bebida tende a estimular o coração e alterar o ritmo dos batimentos.

    O ideal é que o uso seja feito com atenção e moderação, observando como o corpo reage após a ingestão e se surgem sinais como palpitações, sensação de coração acelerado ou qualquer tipo de desconforto. Pessoas com arritmias ou outras condições cardíacas devem consultar um cardiologista para uma avaliação individual e, assim, definir a quantidade segura de café por dia.

    Além do café, o que mais pode acelerar o coração?

    Qualquer alimento e bebida que contêm cafeína ou outras substâncias estimulantes podem acelerar o coração, como:

    • Chás escuros: como chá-mate, chá-preto e chá-verde, contêm cafeína e teína, que têm efeito semelhante;
    • Chocolate: possui teobromina, outro estimulante do sistema nervoso central;
    • Refrigerantes à base de cola e bebidas energéticas: carregam altas doses de cafeína e açúcar, potencializando o aumento da frequência cardíaca;
    • Suplementos pré-treino: muitos têm concentrações elevadas de cafeína para aumentar o desempenho físico.

    O consumo combinado de café com energéticos ou suplementos não é recomendado, pois a soma das doses de cafeína pode ultrapassar facilmente o limite diário seguro e causar taquicardia, ansiedade, tontura e até crises hipertensivas.

    Quantas xícaras de café pode tomar por dia?

    Não é um problema tomar café todos os dias, desde que o consumo seja equilibrado. A quantidade pode variar de acordo com a idade e sensibilidade de cada pessoa, mas de forma geral, Juliana orienta:

    • Adulto saudável: de 300 a 400 miligramas de cafeína (cerca de quatro xícaras de café coado);
    • Crianças (a partir de 2 anos) e adolescentes: até 100 miligramas de cafeína (cerca de 1 xícara de café coado);
    • Gestantes e lactantes: até 200 miligramas de cafeína (cerca de 2 xícaras de café coado).

    Vale apontar que o café expresso concentra mais cafeína — uma dose de 30 ml pode ter quase o mesmo que meia xícara de café coado. Por isso, vale fazer as contas ao longo do dia e lembrar que a cafeína também está em chás, chocolates, refrigerantes de cola, guaraná e bebidas energéticas.

    Quem deve maneirar na dose de café?

    O consumo de café deve ser moderado para os seguintes grupos:

    • Gestantes e mulheres que estão amamentando;
    • Crianças e adolescentes;
    • Pessoas com doenças cardíacas, como arritmia e hipertensão;
    • Pessoas mais sensíveis à cafeína;
    • Quem usa suplementos com cafeína ou bebidas energéticas.

    Quais os sinais de que o café está prejudicando o corpo?

    O organismo costuma dar sinais claros quando o consumo de café ultrapassa o limite ideal, como:

    • Palpitação ou batimentos acelerados;
    • Ansiedade ou agitação;
    • Tremores nas mãos;
    • Insônia;
    • Dor de cabeça;
    • Tontura;
    • Dor no peito (em casos mais graves).

    Ao perceber os sintomas, o ideal é reduzir gradualmente a bebida, porque a interrupção abrupta pode causar dor de cabeça (cefaleia) de abstinência, irritabilidade e fadiga. O melhor método é diminuir a quantidade aos poucos, substituindo algumas xícaras por bebidas sem cafeína.

    Veja também: Arritmia cardíaca: quando os batimentos fora de ritmo merecem atenção

    Perguntas frequentes

    1. Tomar café faz mal para o coração?

    O café, quando consumido de forma moderada, não faz mal para o coração. Na verdade, vários estudos indicam que o consumo controlado pode trazer benefícios, como melhora da circulação e redução do risco de doenças cardiovasculares.

    O problema aparece quando o consumo é exagerado, pois a cafeína em excesso pode aumentar a pressão arterial, acelerar o ritmo cardíaco e causar palpitações. A resposta depende muito da sensibilidade individual e da quantidade ingerida por dia.

    2. A sensação de coração acelerado depois do café é perigosa?

    Em pessoas saudáveis, a sensação de coração acelerado não é perigosa. O aumento da frequência cardíaca após o café é uma resposta natural à cafeína e tende a desaparecer em poucas horas.

    No entanto, quando a sensação é muito forte e vem acompanhada de tontura, falta de ar ou dor no peito, pode indicar sensibilidade à substância ou alguma condição cardíaca preexistente. Nesses casos, é importante investigar e ajustar o consumo.

    3. Tomar café faz mal para quem tem ansiedade?

    A cafeína pode intensificar sintomas de ansiedade, pois aumenta a liberação de adrenalina e deixa o corpo em estado de alerta. Pessoas que convivem com a condição costumam perceber palpitações, tremores e agitação depois de tomar café. Isso não significa que elas precisam cortar totalmente a bebida, mas devem reduzir as doses e optar por versões descafeinadas ou chás suaves.

    4. É verdade que o café corta o efeito de remédios?

    Em alguns casos, sim. A cafeína pode interferir na absorção ou na ação de certos medicamentos, principalmente os que afetam o sistema nervoso e o coração. Remédios para dormir, calmantes e alguns antibióticos podem ter o efeito reduzido se tomados junto com café.

    O ideal é respeitar o intervalo de pelo menos duas horas entre o medicamento e a bebida, a menos que o médico oriente de outra forma.

    5. O café pode causar tremores nas mãos?

    Quando o consumo é alto, sim. A cafeína estimula o sistema nervoso e aumenta a liberação de adrenalina, o que deixa o corpo em estado de alerta. Em algumas pessoas, isso se manifesta como tremores leves, mãos suadas ou agitação, mas o sintoma desaparece quando a cafeína é eliminada do organismo. Para evitar, basta reduzir a dose ou espaçar mais as xícaras durante o dia.

    Leia também: Saiba quando os batimentos acelerados estão relacionados a uma arritmia cardíaca

  • Linfedema: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Linfedema: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Um inchaço persistente, que causa sensação de peso, rigidez e até dor leve, pode ser mais do que uma simples retenção de líquidos. Quando piora ao longo do dia, especialmente após longos períodos em pé ou sentado, pode indicar um quadro de linfedema — uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de líquido linfático nos tecidos do corpo.

    Normalmente, ela surge após algum tipo de dano ou obstrução no sistema linfático, que pode ocorrer depois de cirurgias, radioterapia, infecções ou traumas. Sendo um quadro crônico, que não tem cura, o linfedema exige cuidados contínuos mesmo após o tratamento para evitar que o líquido volte a se acumular e cause novas complicações. Vamos entender os detalhes, a seguir!

    O que é linfedema?

    O linfedema é um inchaço crônico que acontece quando o sistema linfático não consegue drenar o líquido linfático de forma adequada. A linfa começa a se acumular nos tecidos, principalmente em braços ou pernas, levando a aumento de volume, sensação de peso, desconforto e até alterações na pele — que pode ficar mais grossa e endurecida com o tempo.

    Mas afinal, o que é linfa? De forma geral, é um líquido claro que circula pelo sistema linfático, formado principalmente por água, proteínas, gorduras, células de defesa e resíduos metabólicos. Ela funciona como um filtro interno do corpo, recolhendo substâncias que não podem voltar diretamente para o sangue e levando para os gânglios linfáticos. Lá, o líquido é filtrado, removendo impurezas e ajudando no combate a infecções, antes de retornar ao sistema circulatório.

    O acúmulo pode acontecer por uma série de fatores, que impedem o fluxo normal do líquido. O corpo continua produzindo linfa, mas a via de drenagem não dá conta de transportar tudo, de modo que o excedente fica retido nos tecidos e provoca inchaço. Quanto mais tempo o líquido fica parado, maior o risco de inflamação local, endurecimento da pele e infecção.

    Causas de linfedema

    As causas do linfedema variam de acordo com o tipo da doença. No linfedema primário, o problema está no desenvolvimento insuficiente ou anômalo do sistema linfático. Ele pode aparecer na infância, adolescência ou na vida adulta sem causa aparente.

    O linfedema secundário, por outro lado, é o mais frequente e surge quando há uma lesão ou obstrução dos vasos linfáticos, o que pode ocorrer nas seguintes situações:

    • Cirurgias oncológicas, como retirada de linfonodos na mama, pelve ou abdômen;
    • Radioterapia, que pode causar fibrose e prejudicar os canais linfáticos;
    • Infecções, especialmente erisipela e celulite, que inflamam e danificam os vasos;
    • Traumas, queimaduras ou ferimentos que comprometem a drenagem linfática;
    • Doenças venosas, como insuficiência venosa crônica, que dificultam o retorno da linfa;
    • Obesidade e sedentarismo, que aumentam a sobrecarga no sistema linfático.

    Em regiões tropicais, há ainda a filariose linfática, uma infecção parasitária que pode causar linfedema grave. O Brasil foi certificado como livre da doença como problema de saúde pública em 2024, embora a transmissão ainda possa ser observada em áreas endêmicas restritas do país, como na Região Metropolitana do Recife.

    Qual a diferença entre linfedema e lipedema?

    É importante esclarecer que linfedema é diferente de lipedema. Enquanto o linfedema é causado por falha do sistema linfático que deixa de drenar o líquido de volta para o corpo, o lipedema está ligado ao acúmulo desproporcional de gordura no tecido, principalmente em coxas e pernas — e costuma provocar dor ao toque, aumento de sensibilidade e facilidade para hematomas.

    De acordo com o cirurgião vascular Marcelo Dalio, a ciência ainda não definiu a origem exata do lipedema, mas a condição, quando causa sintomas no paciente, é tratada a partir de medidas como redução de peso quando há obesidade, fortalecimento, exercício regular, controle de diabetes e tireoide, e compressão graduada em casos selecionados. Em alguns casos específicos, pode ser indicada uma lipoaspiração.

    Quais são os sintomas do linfedema?

    O principal sintoma do linfedema é o inchaço persistente em uma parte do corpo, normalmente em um braço ou perna. Ele pode variar de leve a intenso e tende a piorar ao longo do dia, especialmente após longos períodos em pé ou sentado.

    A condição também pode provocar os seguintes sinais:

    • Sensação de peso ou rigidez no membro afetado;
    • Dificuldade de movimentar a articulação próxima;
    • Pele mais espessa, endurecida ou brilhante;
    • Marcas de roupas ou meias mais visíveis na pele;
    • Maior propensão a infecções de pele, como erisipela;
    • Dor leve, formigamento ou sensação de calor local.

    Um ponto importante, apontado por Marcelo Dalio, é que o edema linfático tende a endurecer porque há acúmulo de proteínas no tecido, o que faz com que ele não deixe aquela marca do dedo após compressão (característica do edema venoso).

    Com o tempo, podem surgir pequenas vesículas na pele, criando um padrão de inchaço muito próprio, que não se confunde com edema provocado por outras condições, como trombose, insuficiência cardíaca, doença renal ou varizes.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico do linfedema é principalmente clínico, em que o médico avalia o padrão do inchaço, a textura da pele, o tempo de evolução e possíveis causas associadas, como cirurgias prévias ou infecções. Marcelo também aponta a verificação de sinais característicos, como o sinal de Stemmer — que é quando não se consegue pinçar a pele do dorso do dedo do pé ou da mão.

    Para confirmar o diagnóstico e descartar causas venosas, podem ser realizados exames complementares, como:

    • Ultrassom venoso: avalia trombose, refluxo e insuficiência venosa, sendo útil para excluir causa venosa, mas não mostra bem o sistema linfático;
    • Linfocintilografia: é o exame funcional mais clássico do sistema linfático, em que o profissional injeta um traçador radioativo no dorso do pé e acompanha sua progressão por horas, comparando um membro com o outro;
    • Ressonância magnética com linfangiografia: disponível em centros especializados, avalia detalhamento anatômico para casos selecionados;
    • Linfografia com verde de indocianina: mapeia trajetos linfáticos superficiais, útil no planejamento pré-operatório.

    De acordo com o cirurgião, a escolha dos exames depende de disponibilidade, indicação clínica e objetivo terapêutico.

    Tratamento de linfedema

    O tratamento do linfedema é contínuo e visa reduzir o inchaço, aliviar os sintomas e prevenir complicações. Ele deve ser individualizado, feito por uma equipe multidisciplinar, que pode incluir médicos, fisioterapeutas, enfermeiros e terapeutas ocupacionais.

    De acordo com Marcelo Dalio, o padrão-ouro do tratamento conservador é a Terapia Descongestiva Complexa (TDC), composta por várias etapas complementares:

    • Drenagem linfática manual: realizada por profissional especializado, estimula o fluxo da linfa e reduz o inchaço;
    • Compressão: uso de bandagens compressivas multicamadas na fase intensiva, seguidas de meias ou mangas de compressão sob medida na fase de manutenção;
    • Exercícios orientados: movimentos que ativam a bomba músculo-articular e favorecem o retorno linfático;
    • Cuidados com a pele: higiene e hidratação rigorosas para prevenir infecções e evitar portas de entrada de bactérias;
    • Bombas pneumáticas intermitentes: podem ser indicadas como terapia adjuvante em casos selecionados;
    • Controle de peso e atividade física regular: reduzem a sobrecarga linfática e auxiliam no controle do edema;
    • Educação do paciente: inclui orientação para reconhecer sinais precoces de infecção e manter adesão às medidas de manutenção.

    O uso de remédios antibióticos é indicado para tratar episódios de celulite ou erisipela e, em casos de recidivas frequentes, alguns protocolos consideram profilaxia antibiótica.

    Nos casos em que há fibrose e adiposidade secundária importantes, podem ser avaliadas opções cirúrgicas, sempre em centros especializados e com critérios rigorosos de seleção:

    • Anastomoses linfático-venulares (LVA): conectam vasos linfáticos a vênulas para drenar a linfa;
    • Transferência de linfonodos vascularizados (VLNT): transplante de linfonodos saudáveis para restaurar o fluxo linfático;
    • Lipoaspiração específica: indicada para remoção de tecido fibroso e gorduroso em estágios avançados, com compressão rigorosa no pós-operatório.

    Os resultados variam conforme o estágio do linfedema, a localização e a adesão do paciente às medidas de manutenção contínua.

    Cuidados após o tratamento

    Mesmo após o controle do inchaço e melhora dos sintomas, o linfedema exige cuidados contínuos para evitar que o líquido volte a se acumular e cause novas complicações. Algumas das medidas de cuidado incluem:

    Mantenha o uso da compressão elástica

    O uso diário de meias, braçadeiras ou bandagens compressivas contribui para manter o fluxo linfático equilibrado. Elas ajudam a evitar o retorno do inchaço e devem ser trocadas periodicamente, conforme orientação do fisioterapeuta ou médico. Nunca utilize compressão que cause dor, dormência ou marcas profundas na pele.

    Pratique exercícios físicos regularmente

    Só o hábito de movimentar o corpo já estimula a drenagem natural da linfa. Os mais indicados para a rotina são exercícios leves, como caminhada, natação, pilates e alongamentos. Ah, e evite atividades de alto impacto ou levantamento de peso sem orientação, pois podem sobrecarregar o membro afetado.

    Cuide da pele todos os dias

    A pele com linfedema é naturalmente mais sensível, frágil e propensa a infecções como erisipela e celulite bacteriana, já que o acúmulo de linfa compromete as defesas locais. Por isso, é fundamental manter uma rotina de cuidados diários que preserve a integridade da pele.

    Primeiro de tudo, a hidratação deve ser feita com cremes neutros ou hipoalergênicos, aplicados com movimentos suaves, sempre após o banho. Também é importante usar repelente para prevenir picadas de insetos, além de limpar e desinfetar imediatamente qualquer ferimento, corte ou arranhão.

    Controle o peso corporal

    O excesso de peso aumenta a pressão sobre os vasos linfáticos e dificulta o retorno da linfa, favorecendo o acúmulo de líquido e o agravamento do inchaço. Para evitar isso, recomenda-se uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes e proteínas magras, com baixo teor de sal e gordura.

    Beber água em quantidade adequada ao longo do dia também ajuda na eliminação de toxinas e melhora o funcionamento do sistema linfático.

    Evite calor excessivo

    As altas temperaturas dilatam os vasos e pioram o inchaço, então é necessário evitar banhos muito quentes, saunas, exposição prolongada ao sol e o uso de bolsas térmicas quentes na região afetada.

    Sempre que possível, é interessante escolher ambientes ventilados, roupas leves e tecidos naturais, que favorecem a transpiração e mantêm o corpo fresco. Em dias mais quentes, o uso de compressas frias pode trazer alívio e ajudar a reduzir o edema.

    Linfedema tem cura?

    O linfedema não tem cura definitiva, mas é possível viver bem com o diagnóstico e controlar o inchaço. Após a fase intensiva, Marcelo explica que há uma fase de manutenção, para manter o resultado do tratamento.

    Se o cuidado for interrompido, o inchaço tende a voltar, já que o tratamento atual controla os sintomas, mas ainda não consegue restaurar totalmente o sistema linfático.

    Como prevenir o linfedema?

    Nem sempre é possível prevenir o linfedema, especialmente quando ele é resultado de uma cirurgia ou tratamento de radioterapia. No entanto, algumas medidas podem reduzir o risco e evitar o agravamento do problema, como:

    • Evitar traumas, cortes e picadas na área afetada;
    • Não usar roupas ou acessórios apertados;
    • Manter a pele limpa e hidratada;
    • Evitar exposição prolongada ao calor;
    • Controlar o peso corporal;
    • Fazer exercícios regulares com orientação profissional;
    • Procurar atendimento médico diante de qualquer sinal de infecção ou aumento do inchaço.

    Mulheres que passaram por cirurgias de câncer de mama, por exemplo, devem receber orientações específicas sobre cuidados com o braço operado para evitar o desenvolvimento do linfedema.

    Quando procurar atendimento médico?

    Qualquer inchaço que persista por mais de alguns dias ou aumente progressivamente deve ser avaliado por um médico. O linfedema é uma condição crônica e, quanto antes for diagnosticado, melhor será o controle dos sintomas.

    Assim, procure atendimento quando apresentar:

    • Inchaço em um membro que não melhora com o repouso;
    • Sensação de peso, formigamento ou rigidez;
    • Alterações na pele, como vermelhidão, calor ou feridas;
    • Febre ou dor súbita no local afetado.

    O acompanhamento com um cirurgião vascular ou fisioterapeuta especializado em linfoterapia é necessário para definir o tratamento mais adequado e evitar complicações.

    Confira: Trombose do viajante: o que é, sintomas, causas e como evitar

    Perguntas frequentes sobre linfedema

    1. Qual é a diferença entre linfedema e inchaço comum?

    O inchaço comum (edema) costuma ser temporário e melhora com o repouso, a elevação dos membros ou a eliminação da causa, como o calor ou o uso de medicamentos.

    Já o linfedema é persistente e tende a progredir. Com o tempo, o tecido se torna mais endurecido, o inchaço não regride completamente e aparecem alterações na pele. Ainda, o linfedema normalmente começa de forma localizada (como no dorso do pé ou da mão) e pode evoluir para toda a extremidade.

    2. O que é o “sinal de Stemmer” e como ele ajuda no diagnóstico de linfedema?

    O sinal de Stemmer é um teste clínico simples usado para ajudar no diagnóstico do linfedema e consiste em tentar pinçar a pele na base do segundo dedo do pé ou da mão. Se for difícil ou impossível levantar uma prega de pele, o teste é considerado positivo, indicando comprometimento linfático.

    O sinal costuma estar presente em casos moderados ou avançados de linfedema e ajuda a diferenciá-lo de outros tipos de edema.

    3. O linfedema pode afetar apenas um lado do corpo?

    O linfedema normalmente é unilateral, afetando apenas um braço ou uma perna, dependendo da área onde houve obstrução linfática. No entanto, pode ocorrer de forma bilateral, principalmente nos casos de linfedema primário, quando há anormalidade genética generalizada do sistema linfático. Mesmo nesses casos, a gravidade costuma ser assimétrica.

    4. O uso de meias de compressão ajuda a aliviar o inchaço do linfedema?

    O uso de meias elásticas ou bandagens compressivas é fundamental no tratamento e manutenção do linfedema. A compressão ajuda a impedir que a linfa volte a se acumular, melhora a circulação e mantém o volume reduzido após a drenagem. As meias devem ser ajustadas sob medida, com orientação de um profissional, e usadas diariamente, principalmente durante o dia.

    5. Existem alimentos que ajudam a controlar o linfedema?

    Não há uma dieta específica para o linfedema, mas o ideal é manter o peso corporal adequado, evitar o consumo excessivo de sal, que retém líquidos, e incluir alimentos como frutas, legumes, verduras e peixes ricos em ômega-3.

    A ingestão adequada de água também é importante para manter o equilíbrio do organismo e facilitar o trabalho do sistema linfático.

    Veja mais: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

  • Como começar a correr? Veja 8 dicas práticas para iniciantes

    Como começar a correr? Veja 8 dicas práticas para iniciantes

    A corrida é uma das atividades mais acessíveis do esporte. Além de acolher pessoas de todas as idades, ela não exige equipamentos caros nem um local específico para começar — podendo ser praticada na rua, na praça, na praia ou em trilhas. Cada pessoa encontra o próprio ritmo e, no processo, ainda pode fazer novas amizades, como em grupos de treino, eventos ou até encontros casuais entre corredores.

    Mas, apesar da facilidade (e benefícios), são necessários alguns cuidados antes de começar para prevenir lesões e garantir que a prática seja segura, como em toda atividade física. A seguir, listamos algumas dicas que podem te ajudar antes de começar a correr. Confira!

    Antes de tudo, faça uma avaliação médica

    A avaliação médica é o primeiro passo para quem deseja começar a correr. Ela permite identificar condições que podem interferir na prática, como problemas cardíacos, articulares ou respiratórios. O especialista pode solicitar testes laboratoriais, eletrocardiograma e exames ortopédicos para garantir que o corpo esteja preparado para o esforço físico.

    Apesar disso, o profissional de educação física Álvaro Menezes lembra que a consulta médica ainda não é acessível para grande parte da população. Por isso, ele orienta que, sempre que possível, seja feita ao menos uma avaliação com um profissional de educação física.

    O acompanhamento permite realizar testes físicos básicos e coletar informações sobre o estado de saúde, o que ajuda a planejar os treinos de forma segura e individualizada.

    Invista em um tênis adequado para correr

    Para pessoas que estão iniciando, investir em um tênis confortável e adequado para a corrida é importante para evitar lesões ou dores nos joelhos, tornozelos e quadris. O calçado adequado absorve o impacto, estabiliza o pé e protege articulações, que sofrem bastante com o movimento repetitivo da corrida.

    O ideal é escolher um modelo leve, com solado flexível e boa ventilação. A escolha deve considerar também o tipo de pisada (neutra, pronada ou supinada), já que isso influencia diretamente na forma como o pé toca o solo. Uma visita a uma loja especializada pode ajudar, pois muitos estabelecimentos oferecem análise de passada gratuita e orientações sobre o modelo mais apropriado.

    Álvaro complementa que, quanto ao terreno, correr em pisos regulares promove mais estabilidade e segurança para quem está começando, sendo o mais indicado inicialmente.

    Use roupas confortáveis

    A escolha de roupa vai influenciar diretamente o desempenho e o conforto durante uma corrida. Por isso, é recomendado o uso de um tecido leve, respirável e de secagem rápida, que ajuda a manter o corpo fresco e evita irritações na pele. O algodão, apesar de confortável, retém o suor e pode causar atrito em regiões sensíveis.

    Uma dica é investir em roupas esportivas com tecnologia “dry fit”, que facilitam a evaporação do suor e mantêm a pele seca durante a prática de atividades físicas. Lembre-se que as peças devem permitir liberdade de movimento, sem apertar ou limitar o corpo.

    Faça aquecimento antes e depois de correr

    O aquecimento é importante para que os músculos, articulações e o sistema cardiovascular estejam preparados para o esforço. Um erro comum entre iniciantes é começar a correr de forma abrupta, com o corpo ainda frio, o que aumenta o risco de distensões e lesões musculares.

    Um aquecimento adequado deve durar entre cinco e dez minutos e pode incluir uma caminhada leve, pequenos trotes, movimentos de rotação dos tornozelos e dos quadris e alongamentos dinâmicos que aumentam a temperatura corporal e a mobilidade.

    “O ideal é realizar movimentos dinâmicos, com intensidade progressiva, a fim de preparar o corpo para uma atividade de maior esforço físico”, complementa Álvaro.

    Alterne corrida e caminhada no início

    Para quem nunca correu, alternar a corrida e caminhada no início é uma das melhores estratégias porque permite que o corpo se adapte ao impacto sem sofrer sobrecarga excessiva. Afinal, músculos, articulações e tendões precisam de tempo para se fortalecer e ganhar resistência.

    Álvaro ainda aponta que estipular pequenas metas pode ajudar ainda mais na motivação. “Por exemplo: caminhada rápida por 2 minutos e corrida 1, repete essa sequência por 6 vezes — dará o total de 18 minutos, mais o aquecimento de 12 minutos de caminhada em ritmo leve, fecha 30 minutos”, exemplifica o profissional.

    Não esqueça a hidratação!

    Durante a corrida, o corpo perde líquidos e sais minerais através do suor, o que pode causar câimbras, tontura e queda de desempenho. O recomendado é beber água cerca de 30 minutos antes da corrida, e continuar durante o exercício, com pequenos goles a cada 15 ou 20 minutos. Por isso, não esqueça de levar a garrafinha com você!

    Depois da corrida, também é necessário fazer a reposição de líquidos, o que ajuda na recuperação muscular e na regulação da temperatura corporal. Uma água de coco é uma excelente opção natural para repor eletrólitos, e frutas ricas em água, como melancia, laranja e abacaxi, também contribuem para manter o organismo hidratado.

    Mantenha uma boa postura

    A postura correta influencia diretamente a mecânica do movimento e a distribuição do impacto. Na corrida, a coluna deve permanecer ereta, o olhar voltado para frente e os ombros relaxados — permitindo uma respiração mais fluida e natural. Manter a inclinação exagerada para frente ou ombros tensos consome mais energia e aumenta o risco de desconfortos no pescoço e nas costas.

    O movimento dos braços deve acompanhar o ritmo das pernas, partindo dos ombros, sem ultrapassar a linha da cintura. Por fim, o pé deve tocar o solo de maneira leve, com o impacto distribuído entre calcanhar e meio do pé, evitando batidas bruscas que podem causar inflamações e dores nas articulações.

    Ah, e a respiração durante a prática ajuda a manter o ritmo da corrida, sendo recomendado inspirar pelo nariz e expirar pela boca. Uma respiração profunda e cadenciada melhora a oxigenação dos músculos, reduzindo a fadiga e tornando o exercício mais eficiente e prazeroso.

    Inicie aos poucos

    Para quem quer transformar a corrida em um hábito duradouro, é importante ter paciência, pois o corpo precisa de tempo para se adaptar às novas demandas. De acordo com Álvaro, querer correr todos os dias sem nunca ter feito isso e aumentar a distância sem planejamento adequado são alguns dos erros mais comuns de quem começa a correr por conta própria.

    Por isso, comece aos poucos. O aumento de intensidade ou de distância deve ser feito de maneira gradual, respeitando o limite natural de cada pessoa.

    A recuperação entre os treinos é igualmente importante, já que é durante o descanso que o corpo se fortalece, regenera microlesões musculares e melhora o desempenho. O excesso de treino, ao contrário do que muitos pensam, não acelera o progresso, mas causa fadiga e queda de rendimento.

    Como saber que o corpo precisa de descanso?

    A percepção de que o corpo está cansado é um sinal de alerta que não deve ser ignorado, porque indica que a recuperação está incompleta e o risco de lesão aumentou. Álvaro aponta alguns dos principais sinais para ficar de olho:

    • Cansaço que não melhora mesmo com uma boa noite de sono;
    • Dores de cabeça constantes, vindas principalmente de tensões na região dos trapézios (ombros);
    • Dificuldade de treinar com carga habitual;
    • Sono constante.

    O corpo precisa de períodos de pausa para reparar microlesões musculares e reabastecer as reservas de energia, garantindo que o desempenho continue evoluindo. O ideal é alternar dias de corrida com dias de descanso ativo, como caminhadas leves, alongamentos ou atividades de baixo impacto.

    Importante: ter um sono reparador é fundamental para que o corpo se recupere após qualquer atividade física. Caso você tenha dificuldade para dormir, como insônia ou sono interrompido, é recomendável buscar orientação médica para identificar a causa e receber o tratamento adequado.

    Pessoas com sobrepeso podem correr?

    A corrida é uma atividade acessível a pessoas com diferentes tipos de corpo, incluindo aquelas com sobrepeso, desde que iniciada com cuidado, orientação médica e acompanhamento profissional. A prática é totalmente possível, mas deve ser introduzida de forma gradual, respeitando o impacto nas articulações e priorizando o fortalecimento muscular.

    Segundo Álvaro, a adaptação de maneira gradativa para quem tem sobrepeso contribui à redução das cargas articulares, ajudando-os a correr com mais segurança e até menos impacto que uma pessoa com peso normal.

    A alimentação saudável e a boa hidratação também ajudam no processo, ajudando o corpo a se adaptar, facilitando a perda de peso aos poucos e deixando o treino mais leve.

    Veja também: Sem tempo para treinar? Veja como criar uma rotina de exercícios

    Perguntas frequentes sobre como começar a correr

    1. A corrida ajuda a emagrecer?

    A corrida é uma das atividades físicas mais eficazes para quem quer emagrecer, pois acelera o metabolismo e faz o corpo queimar calorias mesmo depois do treino. A perda de peso acontece quando há um equilíbrio entre o gasto e o consumo de energia, então correr ajuda a criar esse déficit calórico de forma natural. Uma pessoa que corre por 30 a 40 minutos pode gastar de 300 a 600 calorias, dependendo da intensidade e do peso corporal.

    No entanto, o emagrecimento saudável também depende da alimentação, da qualidade do sono e da constância nos treinos. O ideal é manter uma rotina equilibrada!

    2. A corrida pode prejudicar os joelhos?

    A corrida não prejudica os joelhos quando é feita corretamente. O que causa dor ou lesões normalmente é o excesso de carga, o uso de tênis inadequado ou o aumento rápido da intensidade dos treinos. O joelho é uma articulação forte e capaz de suportar impactos, desde que os músculos das pernas e do core estejam fortalecidos.

    O recomendado é correr em superfícies mais macias, como terra batida ou pista de atletismo, especialmente para iniciantes. Uma boa postura e o respeito aos limites do corpo são as principais formas de proteger as articulações.

    3. Qual a melhor hora do dia para correr?

    A melhor hora para correr é aquela que se encaixa na sua rotina e permite constância.

    Correr de manhã, por exemplo, é ótimo para quem quer começar o dia com energia, pois o exercício libera endorfinas e desperta o corpo. Já à noite, a temperatura costuma estar mais amena e o corpo mais aquecido, o que melhora o desempenho.

    O importante é escolher o horário que se consegue manter com regularidade, respeitando sempre o descanso e a alimentação adequada antes e depois do treino.

    4. A corrida em jejum é indicada para perder peso?

    A corrida em jejum pode aumentar a queima de gordura em algumas pessoas, mas não é recomendada para iniciantes ou quem tem problemas de glicose, pois correr sem se alimentar pode causar tontura, fraqueza e até desmaios — especialmente em treinos mais longos. O ideal é ingerir algo leve antes de correr, como uma banana, uma torrada integral ou um iogurte.

    5. A corrida pode ser feita todos os dias?

    A corrida diária só é indicada para quem já tem bom condicionamento físico e experiência. O corpo precisa de tempo para se recuperar, especialmente os músculos e articulações. Para iniciantes, o ideal é correr três a quatro vezes por semana, intercalando com dias de descanso ativo.

    6. A corrida é indicada para todas as idades?

    A corrida pode fazer parte da vida em diferentes idades, desde que seja ajustada à condição física e à saúde de cada pessoa. Crianças podem correr de forma leve e brincando, como parte das atividades do dia a dia, enquanto adultos e idosos precisam ter mais cuidado e buscar orientação médica antes de começar.

    Para quem está na terceira idade, a corrida moderada pode trazer muitos benefícios, como melhora do equilíbrio, da circulação e da mobilidade. O mais importante é que a intensidade seja adequada ao condicionamento de cada um, e que haja acompanhamento de um profissional de educação física para garantir segurança e evolução gradual.

    7. Quem tem diabetes pode correr?

    Sim, pessoas com diabetes podem correr, desde que tenham acompanhamento médico e sigam alguns cuidados. A corrida ajuda a controlar o açúcar no sangue, melhora a sensibilidade à insulina e fortalece o coração, mas é importante monitorar a glicemia antes e depois do treino para evitar quedas bruscas de glicose — além de manter uma alimentação e hidratação adequada.

    Veja também: Correr desgasta o joelho? Saiba quando a corrida pode ser prejudicial e como evitar problemas