Categoria: Saúde Mental

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  • ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade 

    ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade 

    O executivo comercial Gabriel Fernandes tinha 32 anos quando, pela primeira vez, entendeu que seu problema não era apenas estresse ou nervosismo. Durante a recuperação da covid-19, começou a ter dificuldade para dormir, dificuldade que veio acompanhada de sintomas assustadores, como taquicardia, tremores e sensação de morte iminente. Era ansiedade.

    “Percebi que estava tendo uma crise de ansiedade quando o problema começou a afetar drasticamente meu sono. Toda vez que eu pegava no sono, acordava com a sensação de que não conseguia respirar. Isso durou cerca de três noites seguidas, nas quais eu praticamente não dormia”, lembra.

    Sem saber o que estava acontecendo, ele entrou em pânico. “Meus pensamentos aceleravam, sentia tremores, sudorese, taquicardia e, mesmo extremamente exausto, o sono simplesmente não vinha”.

    Quando o corpo grita o que a mente já sente

    A experiência mais marcante, no entanto, veio algum tempo depois, quando Gabriel se tornou pai. Seu filho nasceu com alguns problemas de saúde, e a ansiedade voltou com força total. Embora a falta de ar não se repetisse, a mente não dava trégua.

    “Voltei a não conseguir dormir. Embora não tivesse mais a falta de ar como antes, ao deitar, minha mente disparava pensamentos negativos sobre o que poderia acontecer. Fiquei muitas noites sem dormir.”

    Na tentativa de aliviar o sofrimento, ele recorreu ao uso diário de um medicamento, porém sem indicação médica, por cerca de um mês. “Esse remédio me fazia dormir porque eu literalmente ‘apagava’. Até que, um dia, tive uma crise psicótica — perdi completamente o senso de realidade e entrei em um estado de pânico profundo.”

    Esse episódio se tornou um divisor de águas. “Foi nesse momento que decidi, definitivamente, buscar ajuda médica.”

    Sintomas que se repetem

    Hoje, depois de anos de terapia, Gabriel consegue perceber alguns sinais da ansiedade se aproximando. “Fica muito claro para mim quando uma crise está prestes a começar”, conta.

    Entre os sintomas físicos, estão sudorese nas mãos, boca seca, dificuldade para dormir, náuseas e taquicardia. “Quando começo a pegar no sono, acordo subitamente — é uma sensação parecida com quando somos crianças e lutamos contra o sono. Em seguida, vêm os pensamentos acelerados, geralmente envolvendo medo de morrer ou de ter um ataque cardíaco.”

    O que vem depois da crise de ansiedade

    O fim da crise traz alívio, mas também um certo esgotamento. “É um misto de sensações. Primeiro vem o alívio por ter conseguido controlar a crise. Depois, surge um sentimento de fragilidade emocional. Fico mais triste, emotivo ou, em alguns casos, mais irritado e impaciente. Mas a constante é a sensação de insegurança”.

    Para ele, situações ligadas à saúde, relacionamentos, trabalho e dinheiro são os maiores gatilhos. E sim, a ansiedade já o impediu de aproveitar momentos importantes.

    “Já perdi momentos importantes com minha família, especialmente com minha esposa e meu filho. Também já precisei me ausentar do trabalho por conta de crises.”

    Como Gabriel fez o tratamento

    Gabriel fez tratamento com psiquiatra por cerca de dois anos. Hoje, usa medicamentos apenas em situações mais intensas, mas mantém a terapia semanal. “Faço terapia há quatro anos e não penso em parar”.

    Ele também colocou novos hábitos na rotina, como exercícios físicos, leitura, técnicas de respiração (como a 4-7-8) e caminhadas. “Mudar o foco da crise me ajuda muito. Ler, caminhar ou conversar com alguém costuma aliviar os sintomas”.

    O que ele gostaria que o mundo entendesse sobre ansiedade

    Um dos maiores desafios, segundo Gabriel, é o julgamento. “Gostaria que as pessoas entendessem que a ansiedade pode afetar qualquer um. Não é frescura”.

    A ansiedade, em níveis moderados, faz parte da vida, mas pode se tornar problemática quando paralisa ou provoca sofrimento intenso. “Em muitos casos, ela faz parte da nossa vida de forma natural, é uma emoção importante. Mas quando passa a gerar reações físicas intensas e crises de pânico, torna-se uma doença”.

    Ao longo da vida, ouviu frases como “isso é coisa de gente fraca” ou “você pensa muito negativo”. Para ele, esses comentários vêm da ignorância. “Acho que esse tipo de julgamento acontece por falta de vivência ou conhecimento sobre o tema. Quando não passamos por algo ou não convivemos com alguém que passou, é fácil minimizar a dor do outro”.

    O que fazer para tratar ansiedade

    A ansiedade e as crises de ansiedade (ou ataques de pânico) podem ser tratadas com uma combinação de estratégias, que envolvem cuidados com o estilo de vida, psicoterapia e, em alguns casos, medicação prescrita por um profissional de saúde mental.

    Segundo o psiquiatra Luiz Dieckman, as crises de ansiedade não são algo que começaram a acontecer apenas nas últimas décadas. “Ataques de pânico são citados em textos médicos desde o século XIX. O termo ‘pânico’ vem do deus Pan da mitologia greco-romana, uma figura que assustava viajantes em florestas escuras”, conta.

    “A questão é que vida moderna não tem florestas sombrias, porém soma pequenos gatilhos o dia inteiro: sobrecarga de tarefas, estímulos digitais, falta de sono. O organismo interpreta esse estresse contínuo como perigo constante, elevando a frequência das crises”, explica.

    Por isso, o tratamento também envolve reduzir esses gatilhos diários, cuidar da saúde do sono, diminuir o consumo de cafeína e buscar momentos de pausa.

    A psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental, ajuda a identificar padrões de pensamento que alimentam a ansiedade e ensina formas práticas de enfrentamento. Em quadros mais intensos, o uso de medicamentos pode ser indicado pelo médico.

    *Cada caso é único. Consulte sempre um médico.

  • O que é depressão e quais são os principais sintomas 

    O que é depressão e quais são os principais sintomas 

    Sentir tristeza de vez em quando faz parte da vida. Quem nunca passou por dias difíceis, se sentiu para baixo ou sem vontade de fazer nada? Quando essa sensação se prolonga por semanas, interfere na rotina, nos relacionamentos e até na saúde do corpo, pode ser sinal de algo mais sério: a depressão.

    A depressão é uma condição de saúde mental comum, mas ainda cercada de preconceitos. No Brasil, por exemplo, estima-se que 15,5% das pessoas tenham depressão, o que equivale a aproximadamente 31,5 milhões de pessoas.

    Entender o que é depressão, como se manifesta e quais os caminhos para o tratamento é muito importante para ajudar quem está sofrendo, seja você ou alguém próximo.

    Depressão: definição médica e tipos

    A depressão é um transtorno mental caracterizado por tristeza persistente, perda de interesse em atividades do dia a dia e outros sintomas que afetam a vida da pessoa. Ela não é frescura, preguiça ou fraqueza, mas uma condição clínica que exige atenção e tratamento adequado.

    Existem diferentes tipos de depressão, que variam em intensidade, duração e causa.

    Episódio depressivo maior

    É o tipo mais conhecido. “A depressão maior acontece quando a tristeza profunda ou a perda de prazer, chamada anedonia, dominam por no mínimo duas semanas e se somam a sinais como alteração de sono, apetite, energia e pensamento”, explica o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    Transtorno depressivo persistente ou distimia

    O psiquiatra explica que a distimia, hoje chamada transtorno depressivo persistente, mantém humor baixo de maneira mais branda, porém contínua, durante dois anos ou mais, gerando cansaço crônico e baixa autoestima.

    Depressão sazonal

    Costuma acontecer em determinadas épocas do ano, especialmente no outono e inverno, quando há menos exposição à luz do sol. Pode causar alterações de humor, cansaço e isolamento.

    “A forma sazonal surge entre o fim do outono e o inverno, período com menos luz natural, o que bagunça o relógio biológico e eleva a melatonina, hormônio que induz sono”, detalha o médico.

    Depressão pós-parto

    O especialista explica que a depressão pós-parto aparece até quatro semanas depois do nascimento do bebê, momento de queda brusca dos hormônios da gravidez, poucas horas de sono e forte responsabilidade emocional.

    Principais sintomas da depressão

    A depressão pode se manifestar de várias formas. Os sinais podem ser emocionais, físicos ou comportamentais, e nem sempre são fáceis de identificar.

    Sintomas emocionais da depressão

    • Tristeza profunda e persistente;
    • Perda de interesse ou prazer nas atividades do dia a dia;
    • Sensação de vazio ou desesperança;
    • Sentimento de culpa ou inutilidade;
    • Irritabilidade ou crises de choro.

    Sintomas físicos da depressão

    • Fadiga o tempo todo;
    • Dores no corpo sem explicação médica;
    • Alterações no sono (insônia ou sono excessivo);
    • Mudança no apetite e no peso;
    • Problemas gastrointestinais, como indigestão, dor abdominal, náuseas ou diarreia.

    Sintomas comportamentais da depressão

    • Vontade de ficar isolado;
    • Dificuldade de se concentrar;
    • Desempenho ruim no trabalho ou nos estudos;
    • Falta de cuidado com a própria aparência;
    • Pensamentos de morte ou suicídio.

    “Existem quadros de depressão sem tristeza declarada. A pessoa relata desânimo, irritabilidade, dores de cabeça, problemas gastrointestinais e sensação de vazio, mas diz não estar triste”, explica o médico.

    “Esse tipo de depressão ‘mascarada’ confunde familiares e até profissionais de saúde porque se apresenta como queixas físicas ou mau humor constante”.

    Diferença entre tristeza e depressão

    Estar triste por um motivo específico, como o fim de um relacionamento ou a perda de um emprego, é uma reação emocional esperada. A tristeza geralmente tem um motivo claro, é passageira e não impede a pessoa de seguir com a vida.

    Já a depressão é persistente, mais intensa e pode surgir mesmo sem um motivo aparente. Ela afeta o funcionamento do corpo e da mente, e costuma durar semanas ou até meses, e precisa de ajuda de um médico ou psicólogo para o tratamento.

    Avalie o que você sente com um médico para entender se é tristeza ou depressão.

    Causas da depressão

    A depressão pode ser causada por uma combinação de coisas, entre elas fatores biológicos, genéticos, ambientais e psicológicos. Não existe uma causa de depressão única, e é por isso que o tratamento deve ser personalizado.

    Fatores genéticos

    Pessoas com histórico familiar de depressão têm mais chance de desenvolver a doença, mas isso não significa que seja inevitável.

    “Quem tem pai, mãe ou irmãos com depressão diminui o próprio risco ao adotar três pilares: sono regular de sete a oito horas, atividade física aeróbica que libera endorfinas protetoras e uma rede de apoio de amigos ou família para dividir preocupações. Essas medidas modulam o eixo cortisol, principal via de resposta ao estresse”, aconselha o psiquiatra.

    Fatores ambientais

    Estresse constante, traumas, violência, perdas e até condições ruins de vida podem estar ligados ao desenvolvimento da depressão.

    “Experiências adversas, violência cotidiana e isolamento social elevam o cortisol, hormônio que prepara o corpo para lutar ou fugir. Em doses altas e prolongadas o cortisol inflama o cérebro, prejudica a formação de novas conexões neurais e aumenta vulnerabilidade à depressão”, conta Dieckmann.

    “Algumas pessoas carregam variantes genéticas que reforçam a proteção dos neurônios, resultado em maior resiliência, enquanto outras nascem com variantes que amplificam o impacto do estresse”.

    Desequilíbrios químicos

    Alterações nos neurotransmissores do cérebro, como serotonina e dopamina, também estão relacionadas ao aparecimento da depressão.

    O psiquiatra explica que a serotonina, noradrenalina e dopamina são mensageiros químicos que regulam humor, motivação e energia.

    “Seus níveis variam em resposta a gatilhos como alterações hormonais da tireoide, uso de certas medicações, inflamações sistêmicas e sobrecarga emocional. Esses gatilhos desajustam os circuitos cerebrais ligados à recompensa, causando apatia ou tristeza”, diz.

    Diagnóstico da depressão

    O diagnóstico da depressão é feito por um médico psiquiatra ou outro profissional de saúde mental. Ele considera os sintomas, a duração e o impacto na vida da pessoa.

    Não existem exames laboratoriais que comprovem a depressão, mas testes e conversas com o médico ajudam a avaliar o problema. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de recuperação e menor o tempo de sofrimento da pessoa.

    “Deixar de tratar a depressão permite que sintomas se prolonguem e se tornem mais resistentes. Estudos mostram risco dobrado de infarto e derrame, piora de memória e concentração, maior probabilidade de abuso de álcool ou drogas e aumento expressivo da chance de suicídio”, diz o médico.

    “Além disso, a doença rouba anos de vida produtiva e prejudica relações pessoais”.

    Quando buscar ajuda para depressão

    O psiquiatra recomenda buscar ajuda médica se os sintomas durarem mais de duas semanas e começarem a atrapalhar a vida, como o trabalho, os estudos, ou se surgirem pensamentos de morte ou incapacidade de cuidar de si.

    “Um clínico, psicólogo ou psiquiatra consegue confirmar o diagnóstico e iniciar tratamento que abrange psicoterapia, ajustes no estilo de vida e, quando necessário, medicação. Quanto mais cedo o cuidado, maior a chance de remissão completa”, diz.

    Perguntas frequentes sobre depressão

    1. Depressão tem cura?

    Sim. Com o tratamento adequado, é possível controlar os sintomas e ter qualidade de vida.

    2. O que fazer quando um amigo está com depressão?

    Ouça sem julgar, incentive a buscar ajuda profissional e esteja presente.

    3. Remédio para depressão vicia?

    Não. Antidepressivos não causam dependência química, mas devem ser usados somente com orientação médica.

    4. Posso tratar a depressão só com terapia?

    Em alguns casos leves, sim. Em outros, pode ser necessário combinar terapia e medicamentos.

    5. Crianças e adolescentes podem ter depressão?

    Sim. E o diagnóstico precoce é ainda mais importante nessa fase.

    Leia Mais: Depressão adolescente: sinais e como ajudar com empatia

    6. Existe depressão pós-parto?

    Sim. Ela pode surgir alguns dias após o parto ou até semanas depois e precisa de atenção médica.

    7. Atividades físicas ajudam na depressão?

    Sim. Elas liberam substâncias que melhoram o humor e reduzem a ansiedade.

    8. Como diferenciar preguiça de depressão?

    A depressão vai muito além da falta de vontade. Ela afeta o corpo e a mente, e precisa de tratamento.

  • Síndrome do pânico: saiba o que é e como tratar

    Síndrome do pânico: saiba o que é e como tratar

    Palpitações, tontura, suor frio, sensação de morte iminente. Para quem já viveu uma crise de pânico, esses sintomas não são exagero. Mas o que acontece no cérebro durante esse episódio intenso? E por que ele reage com tanta força mesmo quando não há perigo real?

    O psiquiatra Luiz Antonio Vesco Gaiotto, referência em transtornos de ansiedade e autor das diretrizes brasileiras sobre o tema, explica como o cérebro dispara alarmes falsos e quais caminhos a ciência oferece para o controle das crises.

    Diferença entre medo, ansiedade e pânico

    Antes de tudo, é importante entender a diferença entre essas três reações.

    “O medo é uma reação instintiva e saudável diante de um perigo real e imediato. A ansiedade é um estado de alerta útil para lidar com desafios. Já o ataque de pânico é uma reação súbita, intensa e desproporcional, sem ameaça real presente”, esclarece o médico.

    Quando as crises se tornam frequentes e causam medo constante de novos episódios, pode-se falar em transtorno de pânico, ou síndrome do pânico, como a condição é popularmente conhecida.

    Como o cérebro dispara alarmes falsos

    Na síndrome do pânico, o cérebro se comporta como um alarme exageradamente sensível. Estímulos inofensivos, como uma leve aceleração dos batimentos cardíacos, ambientes fechados ou uma respiração mais curta podem ser interpretados como ameaças graves.

    “É como se o cérebro ligasse o modo emergência sem necessidade, gerando reações intensas e desproporcionais”, explica Luiz Antonio.

    Fatores de risco para síndrome do pânico

    A chance de ter síndrome do pânico vem, muitas vezes, da genética.

    “Cerca de 40% da vulnerabilidade ao transtorno do pânico é de origem genética, especialmente em genes ligados à serotonina e noradrenalina. Um temperamento mais ansioso desde a infância também pode predispor ao transtorno”, explica Luiz Antonio.

    Estudos recentes mostraram que pessoas com transtorno do pânico apresentam maior sensibilidade ao gás carbônico, o que explica crises que acontecem por alterações na respiração. Elas também podem ter alterações em substâncias do cérebro que faz com que tenham mais dificuldade na regulação das emoções.

    Tratamentos para síndrome do pânico

    O tratamento do transtorno de pânico envolve várias especialidades médicas e deve ser tratado caso a caso. As formas mais comuns de tratar são:

    Psicoterapia

    Com destaque para a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que ajuda a pessoa a identificar e modificar pensamentos distorcidos e padrões de comportamento.

    Remédios

    Especialmente antidepressivos como os ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina), IRSN (inibidores seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina) e, em alguns casos, antidepressivos tricíclicos. A classe de remédios benzodiazepínicos também pode ser usada em curto prazo com indicação e supervisão médica.

    Educação sobre o transtorno do pânico

    Muito importante para que a pessoa entenda o que está acontecendo durante uma crise de pânico. Isso reduz o medo e melhora a adesão ao tratamento.

    Dicas práticas para crises de pânico

    Além das abordagens clínicas, algumas outras mudanças de vida podem reduzir os gatilhos:

    • Evitar excesso de cafeína, bebidas alcoólicas e cigarro (nicotina);
    • Reduzir o estresse;
    • Dormir bem;
    • Fazer atividade física regularmente;
    • Reconhecer que os sintomas, embora intensos, não representam um risco real.

    Perguntas frequentes sobre síndrome do pânico

    1. O que é uma crise de pânico?

    É uma reação súbita e intensa do organismo que simula uma emergência, com sintomas físicos como taquicardia, suor, tontura e sensação de morte iminente, mesmo sem ameaça real.

    2. Crise de pânico é o mesmo que ansiedade?

    Não. A ansiedade é uma resposta a situações estressantes, enquanto a crise de pânico é uma reação extrema e desproporcional, muitas vezes sem gatilho claro.

    3. Como saber se tive um ataque de pânico?

    Se você teve sintomas físicos intensos e repentinos, acompanhados de medo intenso, e não havia um perigo real, é possível que tenha sido uma crise de pânico.

    4. O transtorno do pânico tem cura?

    Com o tratamento certo, como psicoterapia, remédios indicados pelo médico e mudança de hábitos, dá para controlar os sintomas e ter mais qualidade de vida.

    5. Quem tem transtorno do pânico precisa tomar remédio para sempre?

    Nem sempre. O uso de medicação varia conforme o caso e deve ser avaliado pelo médico. Em muitos casos, pode ser temporário.

    6. Estímulos como cafeína e redes sociais podem piorar as crises?

    Sim. Estímulos excessivos, privação de sono e hábitos como o consumo de cafeína podem agravar os sintomas e aumentar a frequência das crises.

    7. Onde buscar ajuda se eu tiver crises de pânico?

    O ideal é procurar um psiquiatra ou psicólogo com experiência em transtornos de ansiedade. Em caso de urgência, um pronto atendimento pode acolher e orientar os primeiros cuidados.

  • TDAH: o que é, como diferenciar e tratar 

    TDAH: o que é, como diferenciar e tratar 

    No mundo acelerado em que vivemos, é comum se sentir distraído, esquecer compromissos ou ter dificuldade para manter o foco. Mas quando isso passa do limite e começa a atrapalhar a vida pessoal, profissional ou emocional, pode ser sinal de algo mais sério: o TDAH, ou Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade.

    Segundo a neurologista Paula Dieckmann, distração e procrastinação são comportamentos comuns, especialmente em contextos com excesso de estímulos. “No TDAH, no entanto, esses sintomas são intensos, frequentes, começam na infância e causam prejuízos reais na vida da pessoa”, explica.

    O que é TDAH? Principais sintomas e características

    O TDAH é um transtorno neurobiológico que afeta funções cerebrais relacionadas à atenção, ao controle da impulsividade, ao planejamento e à regulação emocional. Estima-se que o TDAH afete entre 5% e 8% da população mundial, segundo dados da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA).

    Ele pode se manifestar de três formas:

    • Desatenção;
    • Hiperatividade;
    • Impulsividade.

    Os principais sintomas de TDAH, segundo a médica, são:

    • Desatenção: dificuldade de manter o foco, cometer erros por descuido, perder objetos, esquecer compromissos;
    • Hiperatividade: inquietação motora, sensação de “motor ligado”, falar demais;
    • Impulsividade: interromper conversas, agir sem pensar, dificuldade de esperar.

    “Esses sintomas precisam durar pelo menos seis meses, ocorrer em diferentes contextos — como escola, trabalho e casa — e causar prejuízo significativo”.

    Como diferenciar TDAH da distração normal

    Nem toda distração é sinal de TDAH. A diferença está na intensidade, na frequência e no impacto na vida da pessoa.

    “Uma pessoa com TDAH enfrenta uma dificuldade real e persistente de autorregulação, o que afeta o desempenho escolar ou profissional, a autoestima e os relacionamentos”, afirma Paula.

    O transtorno começa na infância, mesmo que o diagnóstico de TDAH só venha mais tarde — como na adolescência ou na vida adulta.

    Diagnóstico de TDAH: processo e profissionais indicados

    O diagnóstico do TDAH é clínico e deve ser feito por profissionais capacitados, como neurologistas, psiquiatras ou psicólogos.

    “Não existe um exame de sangue ou uma ressonância que confirme o TDAH. A avaliação precisa ser criteriosa, porque outras condições, como ansiedade, depressão ou problemas de sono, podem ter sintomas parecidos”, alerta a médica.

    A jornada para o diagnóstico de TDAH pode usar:

    • Entrevistas estruturadas;
    • Questionários validados (como ASRS, SNAP-IV, DIVA-5);
    • Histórico de vida;
    • Testes neuropsicológicos (quando necessários).

    “Sem uma avaliação adequada, a pessoa pode mascarar outros problemas, usar medicamentos de forma incorreta ou deixar de buscar o tratamento mais adequado”, explica.

    E mais: o diagnóstico correto pode trazer alívio. “A pessoa entende que não é preguiça, mas um funcionamento neurológico que pode ser tratado”, complementa a especialista.

    TDAH em adultos: sinais e peculiaridades

    O TDAH começa na infância, mas pode persistir na vida adulta em até 70% dos casos.

    “A hiperatividade visível da infância muitas vezes se transforma em inquietação interna ou dificuldade de relaxar. Muitos adultos só descobrem que têm o transtorno ao buscar ajuda para si ou ao acompanharem os filhos em um diagnóstico semelhante”, explica a Dra. Paula.

    Na vida adulta, o impacto pode aparecer de várias formas:

    • Dificuldade de concentração no trabalho;
    • Falta de organização;
    • Procrastinação constante;
    • Ansiedade, baixa autoestima e frustração.

    Tratamento de TDAH: abordagens e medicamentos

    O tratamento de TDAH envolve várias estratégias combinadas:

    • Psicoeducação: para entender o funcionamento do cérebro com TDAH;
    • Terapia cognitivo-comportamental: estratégias práticas para organização e regulação emocional;
    • Apoio escolar ou profissional: adaptações na rotina para facilitar o dia a dia;
    • Medicação: estimulantes (como metilfenidato e lisdexanfetamina) ou não-estimulantes (como atomoxetina) podem ser indicados pelo médico quando necessário.

    “A medicação não cura, mas reduz sintomas como desatenção e impulsividade, facilitando o uso das estratégias aprendidas”, esclarece a médica.

    Redes sociais pioram os sintomas de TDAH?

    Segundo a neurologista Paula Dieckmann, o uso constante de celular e redes sociais pode, sim, agravar os sintomas do TDAH. Isso porque reforça um padrão de busca por recompensas rápidas, com liberação de dopamina a cada nova curtida, notificação ou estímulo.

    “Isso não causa TDAH, mas pode agravar os sintomas e dificultar o diagnóstico. Parte do tratamento, inclusive, envolve mudanças no estilo de vida e reeducação digital”, explica a médica.

    Como buscar ajuda profissional para TDAH

    Se você desconfia que tem TDAH, o primeiro passo é procurar um profissional com experiência em transtornos do neurodesenvolvimento.

    “Em crianças, o pediatra pode fazer o encaminhamento. Evite se autodiagnosticar ou seguir receitas prontas da internet. Cada caso é único e merece avaliação cuidadosa”, recomenda a psiquiatra.

    E o recado final da médica: “Se a desatenção, a impulsividade ou a desorganização estão atrapalhando sua vida, autoestima ou relações, vale investigar. O diagnóstico pode ser o começo de uma virada. Buscar ajuda não é fraqueza — é coragem”.

    Perguntas frequentes sobre TDAH

    1. Como saber se tenho TDAH?

    Se os sintomas como distração, impulsividade ou desorganização são frequentes, intensos e atrapalham sua vida, vale procurar avaliação especializada.

    2. Qual a diferença entre TDAH e distração comum?

    A distração comum é ocasional. No TDAH, os sintomas são persistentes desde a infância e causam problemas no dia a dia.

    3. Quais são os sintomas de TDAH em adultos?

    Dificuldade de concentração, desorganização, atraso em tarefas, ansiedade, impulsividade e baixa autoestima são comuns.

    4. Como é feito o diagnóstico do TDAH?

    A partir de entrevistas, questionários e, às vezes, testes neuropsicológicos. Não existe um exame único para confirmar.

    5. O TDAH tem cura?

    Não, mas tem tratamento eficaz que ajuda a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

    6. Quais são os remédios usados para TDAH?

    Os mais comuns são estimulantes como metilfenidato e lisdexanfetamina, além de não-estimulantes como atomoxetina, mas sempre indicados por um médico.

    7. Celular e redes sociais pioram o TDAH?

    Sim, o uso excessivo reforça padrões de distração e pode piorar os sintomas.