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  • Lesão na medula espinhal: o que é, o que pode causar e se tem cura

    Lesão na medula espinhal: o que é, o que pode causar e se tem cura

    A medula espinhal é parte do sistema nervoso central e conecta o cérebro ao resto do corpo, levando, entre outros, os comandos de movimento e trazendo as informações de sensibilidade.

    Quando ocorre alguma lesão nessa estrutura, como em acidentes automobilísticos ou ferimentos por arma de fogo ou branca etc, a comunicação entre o cérebro e as partes do corpo abaixo do nível da lesão pode ficar prejudicada ou até mesmo interrompida.

    Afinal, o que é a lesão na medula espinhal?

    Uma lesão na medula espinhal acontece quando existe algum dano no tecido nervoso que fica dentro da coluna vertebral e que funciona como a principal ponte de comunicação entre o cérebro e o corpo.

    A medula espinhal é responsável por levar os comandos do cérebro para os músculos e outros órgãos, permitindo os movimentos, e também por trazer informações do corpo para o cérebro, como dor, temperatura, toque e posição do corpo.

    Quando existe alguma lesão nessa estrutura, a comunicação pode falhar ou até parar completamente, afetando o movimento, a sensibilidade e várias funções autônomas do organismo.

    Para se ter uma ideia, dependendo do local onde a lesão acontece, a pessoa pode apresentar fraqueza ou paralisia somente nas pernas, ou em ambos, além de perda parcial ou total da sensibilidade. Também podem surgir alterações no funcionamento da bexiga, do intestino, da função sexual e, nos casos mais altos da coluna, até dificuldades respiratórias.

    Quanto mais acima a lesão acontece, maior tende a ser o impacto no corpo, porque mais áreas ficam abaixo do ponto lesionado.

    Tipos de lesão medular

    De acordo com a neurocirurgiã Ana Gandolfi, existem dois tipos de lesão na medula espinhal, sendo elas:

    Lesão completa

    Na lesão completa, não existe nenhuma função preservada abaixo do nível da lesão. Isso inclui ausência total de movimento, sensibilidade e controle esfincteriano — tanto anal quanto vesical.

    A classificação é feita principalmente com base no exame neurológico, embora os exames de imagem também contribuam para a avaliação.

    Lesão incompleta

    Na lesão incompleta, ainda existe alguma preservação das funções abaixo do nível da lesão. Isso significa que a pessoa pode manter certo grau de movimento, sensibilidade ou controle de esfíncteres.

    O quadro pode variar bastante: desde uma perda parcial de força apenas nas pernas até comprometimento tanto dos braços quanto das pernas. É muito raro ocorrer prejuízo somente nos braços sem afetar as pernas, porque a medula primeiro libera nervos para os membros superiores e, mais abaixo, libera nervos para os membros inferiores.

    Por isso, quando a lesão acontece acima da saída dos nervos dos membros superiores, costuma haver repercussão tanto nos braços quanto nas pernas. Já quando a lesão ocorre abaixo da região, normalmente o impacto se limita aos membros inferiores. Além da localização, a intensidade da lesão também influencia diretamente o grau de comprometimento funcional.

    De acordo com Ana Gandolfi, qualquer função preservada abaixo do nível da lesão, mesmo que mínima, já caracteriza uma lesão incompleta.

    Quais são as causas mais comuns de lesão medular?

    As causas mais comuns de lesão medular estão relacionadas principalmente a traumas, segundo Ana, que podem ocorrer em situações como:

    • Acidentes automobilísticos;
    • Quedas;
    • Mergulho em águas rasas;
    • Ferimentos por arma de fogo;
    • Ferimentos por arma branca.

    Além dos traumas, existem causas não traumáticas, que são menos frequentes, como tumores na coluna ou na própria medula, infecções, doenças inflamatórias, alterações degenerativas da coluna e problemas vasculares que comprometem a circulação da medula.

    Quais os primeiros sintomas de lesão medular?

    Os primeiros sintomas de uma lesão medular podem variar conforme o local e a gravidade do dano, mas geralmente envolvem alterações no movimento, na sensibilidade e em algumas funções do corpo. Se ela foi causada por um trauma, os sintomas imediatos podem ser:

    • Fraqueza ou perda de força nos braços, nas pernas ou nos dois;
    • Dormência, formigamento ou perda de sensibilidade em alguma parte do corpo;
    • Dor intensa na coluna, no pescoço ou nas costas após trauma;
    • Dificuldade para andar ou perda do equilíbrio;
    • Paralisia parcial ou total abaixo do nível da lesão;
    • Perda do controle da bexiga ou do intestino;
    • Alterações na respiração (principalmente em lesões cervicais);
    • Sensação de choque ou queimação ao longo da coluna ou dos membros.

    Qualquer um dos sinais após um trauma deve ser avaliado com urgência, porque o atendimento rápido pode fazer diferença importante na evolução e na recuperação.

    No entanto, se a causa da lesão não foi traumática, os sintomas tendem a surgir de forma gradual, sendo eles:

    • Formigamento ou “choques”, com sensação de agulhadas que descem pela coluna ou irradiam para os braços e as pernas, podendo indicar compressão nervosa;
    • Perda de coordenação, como tropeçar com frequência, deixar objetos caírem das mãos ou ter dificuldade para abotoar uma camisa;
    • Alterações na bexiga e no intestino, incluindo urgência súbita para urinar, incontinência ou prisão de ventre persistente sem causa aparente;
    • Fraqueza progressiva, com sensação de pernas “pesadas” ou cansaço excessivo ao subir escadas;
    • Disfunção sexual, com mudanças repentinas na sensibilidade genital ou dificuldade de ereção.

    Como é feito o diagnóstico?

    Segundo a neurocirurgiã, o primeiro cuidado ao atender um paciente com suspeita de lesão medular é manter a coluna bem estabilizada, para evitar movimentos que possam agravar uma fratura ou piorar uma lesão que ainda não foi totalmente avaliada. Nesse momento, todo cuidado faz diferença para proteger a medula e reduzir possíveis complicações.

    Depois de estabilizar a pessoa, é importante realizar um exame neurológico completo. Nessa avaliação, os profissionais analisam a força muscular, a sensibilidade e o controle de funções como a bexiga e o intestino, porque as informações ajudam a entender a gravidade da lesão e orientar os próximos passos.

    Na sequência, são necessários exames de imagem, conforme Ana aponta:

    • Tomografia computadorizada, utilizada principalmente para identificar fraturas e alterações ósseas com rapidez;
    • Ressonância magnética, que avalia melhor as partes moles, como os ligamentos, a própria medula espinhal e as raízes nervosas.

    A ressonância é especialmente importante quando existe possibilidade de cirurgia, porque ajuda no planejamento do procedimento.

    Como é feito o tratamento da lesão medular?

    O tratamento começa já no atendimento inicial, com a estabilização da coluna para evitar que a lesão piore ou cause novos danos. Em muitos casos, Ana explica que é necessária uma cirurgia para descomprimir a medula, ou seja, retirar estruturas como fragmentos ósseos, discos ou outras estruturas que quando deslocadas podem estar pressionando o tecido nervoso.

    Em algumas situações, também é preciso estabilizar a coluna com parafusos e hastes, garantindo mais firmeza à estrutura e reduzindo o risco de novas lesões.

    Quando existe indicação cirúrgica, o ideal é que o procedimento seja realizado o mais rápido possível, porque a rapidez no tratamento pode influenciar diretamente nas chances de recuperação e no início mais precoce da reabilitação.

    Depois da fase inicial, são adotadas algumas medidas de tratamento, como:

    Fisioterapia intensiva

    A fisioterapia é uma das partes mais importantes do tratamento de lesão medular, e ajuda na recuperação da força muscular, na melhora da mobilidade e na prevenção de complicações, como rigidez das articulações, perda muscular e problemas respiratórios.

    O trabalho é feito de forma gradual e contínua, respeitando os limites da pessoa e estimulando ao máximo o potencial de recuperação. Para que o tratamento fisioterápico seja instituído, no entanto, se houver instabilidade na coluna pelao trauma, a mesma coluna já deve ter sido estabilizada cirurgicamente.

    Terapia ocupacional

    A terapia ocupacional tem como foco a adaptação às atividades do dia a dia. Basicamente, o profissional ajuda o paciente a reaprender tarefas como se vestir, se alimentar e realizar a higiene pessoal, além de orientar sobre adaptações no ambiente doméstico ou profissional.

    A terapia é importante para promover autonomia e independência, mesmo diante de limitações físicas.

    Acompanhamento médico multidisciplinar

    O tratamento da lesão medular envolve uma equipe de diferentes especialistas, e dependendo das necessidades, podem participar urologistas, fisiatras, psicólogos, entre outros profissionais.

    O acompanhamento contribui para cuidar de questões como controle da bexiga e do intestino, saúde emocional, dor crônica e prevenção de complicações clínicas.

    Reabilitação contínua

    A reabilitação precisa acontecer de forma contínua, principalmente durante o primeiro ano após a lesão, que costuma ser o período em que ocorre a maior parte da recuperação. É um processo que exige tempo, paciência e constância, tanto da equipe de saúde quanto da própria pessoa em tratamento.

    O acompanhamento regular e o envolvimento ativo no processo fazem muita diferença, porque ajudam a aproveitar ao máximo o potencial de recuperação e a melhorar a qualidade de vida no dia a dia.

    É possível recuperar?

    A recuperação é possível, exceto nos casos de secção completa da medula, quando há interrupção total do tecido medular.

    Mesmo nos casos mais graves, Ana explica que o paciente deve ser tratado com a perspectiva de recuperação. Isso implica realizar a cirurgia o mais cedo possível, estabilizar a coluna quando necessário e iniciar a reabilitação intensiva o quanto antes.

    O tempo até a cirurgia e o início precoce da reabilitação influenciam diretamente no grau de recuperação.

    Lesão na medula tem cura?

    Atualmente, ainda não existe uma cura definitiva que regenere completamente os nervos da medula espinhal para devolver todas as funções perdidas. Diferente da pele ou dos ossos, as células do sistema nervoso central (neurônios) têm uma capacidade de regeneração extremamente limitada.

    Atualmente, um dos estudos mais promissores e recentes no Brasil para a reversão da lesão medular é o desenvolvimento da polilaminina, um medicamento experimental brasileiro que parece ter demonstrado potencial para regenerar conexões neurais e restaurar alguns movimentos. No entanto, ele ainda está em fases iniciais dos testes clínicos e serão necessários mais estudos para avaliar se realmente pode ajudar nesses casos.

    Veja também: Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta

    Perguntas frequentes

    1. Toda lesão na medula causa paralisia total?

    Não. Isso depende se a lesão é completa (interrupção total de sinais) ou incompleta (onde restam algumas vias nervosas). Em lesões incompletas, a pessoa pode manter parte dos movimentos e da sensibilidade

    2. Qual a diferença entre paraplegia e tetraplegia?

    A tetraplegia ocorre quando a lesão é na região cervical (pescoço), afetando braços, tronco e pernas. A paraplegia ocorre em lesões torácicas ou lombares, afetando apenas as pernas e a parte inferior do tronco.

    3. O que é o choque medular?

    É um estado temporário logo após o trauma, onde todas as funções abaixo da lesão param de funcionar (reflexos, sensibilidade e movimentos), como se houvesse uma desligamento da função medular Só após o fim do choque medular (horas ou dias) é que o médico consegue determinar a gravidade real da lesão.

    4. O que causa os espasmos nas pernas de quem não se move?

    Sem o controle do cérebro, os reflexos da medula ficam “exagerados”, fazendo com que os músculos se contraiam sozinhos diante de qualquer estímulo ou até por mudança de temperatura.

    5. Existe cirurgia para consertar a medula?

    As cirurgias atuais servem para estabilizar a coluna (com pinos e placas) ou descomprimir a medula. Ainda não existe uma cirurgia que “costure” os nervos rompidos para que voltem a funcionar.

    6. Como a lesão medular afeta a temperatura do corpo?

    A lesão pode interromper o controle do sistema nervoso sobre o suor e a dilatação dos vasos. Isso faz com que a pessoa tenha dificuldade em se resfriar no calor ou se aquecer no frio, ficando muito dependente da temperatura externa.

    Leia também: Polilaminina: o que se sabe sobre a substância que está sendo estudada para lesão medular?

  • Polilaminina: o que se sabe sobre a substância que está sendo estudada para lesão medular?

    Polilaminina: o que se sabe sobre a substância que está sendo estudada para lesão medular?

    Estudada no Brasil há quase três décadas, a polilaminina voltou a ganhar destaque como uma possível alternativa no tratamento de lesões medulares. Desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a partir da laminina, proteína encontrada naturalmente no corpo humano, a molécula recebeu autorização da Anvisa, no início do ano, para iniciar a fase 1 dos testes clínicos.

    Ainda em estágio inicial de pesquisa, a molécula retirada da placenta humana é modificada em laboratório e vem sendo investigada principalmente para casos de lesão medular completa recente, associados à perda de movimentos.

    Apesar da repercussão nas redes sociais e do interesse pela ciência nacional, a substância ainda precisa passar por etapas rigorosas para confirmar segurança e eficácia. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é a poliamina e qual sua relação com a medula?

    A laminina é um composto frequentemente encontrado em placentas humanas, uma proteína naturalmente produzida pelo organismo e envolvida na organização dos tecidos. A polilaminina é uma forma mais estável da proteína desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Sampaio, na UFRJ.

    De acordo com a neurocirurgiã Ana Gandolfi, a proposta terapêutica parte da ideia de que a substância possa funcionar como um suporte estrutural, capaz de criar um ambiente mais favorável para a regeneração neuronal, especialmente em áreas lesionadas do sistema nervoso.

    A estratégia da polilaminina, é ,no momento, está centrada nas lesões agudas, ou seja, que aconteceram recentemente, quando há rompimento do neurônio ou do axônio — a extensão responsável por conduzir o impulso nervoso.

    A proposta consiste em administrar a polilaminina para formar um arcabouço (estrutura de sustentação) que facilite o processo regenerativo. Vale destacar que a substância não regenera o neurônio por si só, ela apenas cria condições estruturais que podem permitir que a regeneração aconteça.

    Como a substância atua no corpo?

    Após uma lesão na medula espinhal, os axônios, que são prolongamentos dos neurônios responsáveis pela condução dos impulsos nervosos, podem se romper, e o próprio organismo forma uma cicatriz que dificulta a reconexão dessas estruturas.

    A proposta é que, quando aplicada diretamente no local da lesão medular, a substância forme uma estrutura de suporte que ajude a criar um ambiente mais favorável para a regeneração das fibras nervosas.

    O que os estudos sugerem até agora é apenas um potencial efeito de suporte ao processo regenerativo, algo que ainda precisa ser confirmado por pesquisas clínicas mais amplas e controladas em humanos.

    Como o estudo está sendo feito?

    A pesquisa sobre a polilaminina ainda está em fase inicial (chamado fase 1) e segue o caminho tradicional de desenvolvimento e testes de medicamentos. Ela é liderada pela professora, pesquisadora e bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com a parceria do laboratório farmacêutico brasileiro Cristália.

    Até o momento, os resultados disponíveis vieram principalmente de estudos experimentais (modelo animal) e de um número pequeno de pacientes, o que significa que ainda não é possível afirmar eficácia ou segurança de forma definitiva.

    O processo científico exige etapas progressivas, com avaliação rigorosa antes que qualquer substância possa se tornar um medicamento aprovado.

    Testes em cães

    Os primeiros resultados considerados promissores vieram de estudos em modelos animais, incluindo ratos e cães com lesão medular aguda.

    Nessas pesquisas, a substância foi aplicada diretamente na área lesionada com o objetivo de criar um suporte estrutural que facilitasse a regeneração das fibras nervosas. Parte dos animais apresentou melhora motora, o que motivou o avanço das investigações e a busca por testes em humanos.

    No entanto, vale apontar que os resultados não garantem que o mesmo efeito ocorra em pessoas. Muitos tratamentos funcionam em modelos animais e depois não demonstram eficácia clínica.

    Testes em voluntários

    Depois dos testes em animais, entre 2018 e 2023, um estudo preliminar foi realizado com oito pacientes com lesão medular aguda. Alguns apresentaram evolução funcional, enquanto outros tiveram recuperação mais significativa dos movimentos.

    No entanto, os dados ainda não passaram por revisão por pares, que é uma etapa fundamental para validação científica, e o número reduzido de participantes impede conclusões definitivas. Além disso, lesões medulares variam muito em gravidade e resposta individual, o que dificulta generalizações.

    Importante: como a pesquisa envolveu um número limitado de participantes e o artigo ainda não teve publicação definitiva, os resultados ainda não permitem concluir a segurança e/ou a eficácia da substância.

    Até o momento, também não há evidências científicas que sustentem o uso da polilaminina em lesões medulares crônicas, ou seja, em pacientes que convivem com a paralisia há mais tempo.

    O que diz a Anvisa?

    No início do ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o início da fase 1 dos ensaios clínicos com a polilaminina. A fase tem como principal objetivo avaliar a segurança da substância em humanos, normalmente com grupos pequenos e monitoramento rigoroso.

    Segundo Ana Gandolfi, o estudo de fase 1 contempla apenas pacientes com lesão aguda. A injeção deve ocorrer nas primeiras 72 horas após o trauma, e pacientes com lesão crônica não fazem parte do protocolo neste momento.

    Caso os resultados sejam positivos, a pesquisa ainda precisa avançar para as fases 2 e 3, que analisam eficácia, doses adequadas e possíveis efeitos adversos em populações maiores.

    O que ainda falta para virar medicamento?

    Para que a polilaminina possa ser considerada um tratamento estabelecido, será necessário concluir todas as fases dos ensaios clínicos:

    • Fase 1: avaliação inicial de segurança em pequeno grupo de pacientes;
    • Fase 2: análise preliminar de eficácia e definição de doses;
    • Fase 3: confirmação de eficácia e segurança em grupos maiores;
    • Registro sanitário: etapa final para liberação da comercialização.

    Somente após o processo completo será possível afirmar, com base científica sólida, se a substância pode ou não se tornar um tratamento eficaz para lesões medulares.

    Por que especialistas pedem cautela?

    Pesquisadores e médicos destacam que os achados atuais são promissores, porém ainda insuficientes para justificar o uso clínico da substância. Muitos tratamentos apresentam bons resultados iniciais em modelos experimentais, mas não se confirmam em estudos com humanos.

    De acordo com Ana, dos oito pacientes incluídos no estudo, três foram a óbito. Não se sabe se as mortes tiveram relação com a substância ou com outros fatores.

    Há também preocupação com a criação de expectativas irreais entre pacientes e familiares. A evolução após lesão medular depende de diversos fatores, como gravidade do trauma, tempo até a cirurgia, qualidade da reabilitação e resposta individual do organismo.

    É preciso manter cautela diante de qualquer proposta terapêutica que promete uma cura, independentemente da doença. Existe o chamado efeito placebo, como explica Ana: o simples fato de saber que está recebendo um tratamento pode gerar melhora subjetiva.

    Isso não significa que a substância tenha, de fato, provocado a recuperação, mas sim que fatores psicológicos e emocionais podem influenciar a percepção dos sintomas.

    Por isso, antes de atribuir a recuperação a uma nova terapia, é fundamental aguardar evidências científicas mais consistentes, por meio de pesquisas controladas e com acompanhamento ao longo do tempo.

    Veja mais: Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta

    Perguntas frequentes

    1. O tratamento com poliaminina já está disponível nos hospitais?

    Não, a polilaminina ainda está em fase de pesquisa e não foi aprovada como tratamento disponível nos hospitais.

    2. Qual a diferença entre poliamina e células-tronco?

    As células-tronco visam substituir células mortas ou criar novas células. Já a poliamina foca em dar arcabouço para que os neurônios que já existem regenerem..

    3. Ela funciona para lesões antigas?

    Até o momento, não há evidência científica de eficácia em lesões medulares crônicas.

    4. Por que algumas pessoas já estão usando a substância?

    Em alguns casos, houve acesso por decisões judiciais ou uso compassivo, fora de ensaios clínicos formais.

    5. Existe chance de recuperação após uma lesão medular?

    Sim, especialmente em lesões incompletas e quando há cirurgia precoce e reabilitação adequada. A recuperação varia de pessoa para pessoa.

    6. Por que a cirurgia precoce é importante?

    Porque pode reduzir a compressão da medula, limitar o dano e, estabilizar a coluna, e aumentando as chances de recuperação funcional.

    7. A medula espinhal se regenera naturalmente?

    A regeneração no sistema nervoso central é limitada. Por isso, a recuperação depende de diversos fatores, como extensão do dano e tratamento adequado.

    Confira: Transplante de medula óssea: como é feito e quando é indicado

  • Soluço que não passa: o que pode ser e como se livrar dele? 

    Soluço que não passa: o que pode ser e como se livrar dele? 

    Quase todo mundo já passou por isso: de repente, começa uma sequência de “hic, hic” que parece não ter hora para acabar. O soluço costuma surgir do nada, incomoda por alguns minutos e depois desaparece sozinho. Por ser tão comum, muitas vezes é tratado como algo sem importância.

    Na maioria das situações, realmente não há motivo para preocupação. Mas quando o soluço dura dias, interfere no sono ou na alimentação, pode ser sinal de que algo mais precisa ser investigado. Entender por que ele acontece ajuda a saber quando relaxar e quando procurar ajuda.

    O que é o soluço?

    O soluço é causado por uma contração involuntária e repetitiva do diafragma, o principal músculo da respiração.

    Quando o diafragma se contrai de forma brusca:

    • O ar entra rapidamente nos pulmões;
    • A glote (estrutura das cordas vocais) se fecha de forma súbita;
    • Surge o som característico “hic”.

    Esse mecanismo envolve um arco reflexo, um circuito automático do corpo que inclui:

    • Nervo frênico (estimula o diafragma);
    • Nervo vago (ligado ao sistema digestivo e respiratório);
    • Tronco cerebral (região do cérebro que controla a respiração).

    Na maioria dos episódios comuns, o lado esquerdo do diafragma costuma estar envolvido.

    Tipos de soluço

    O soluço pode ser classificado de acordo com a duração:

    • Agudo: dura minutos ou algumas horas (mais comum);
    • Persistente: dura mais de 48 horas e até um mês;
    • Intratável: dura mais de um mês.

    Quanto mais prolongado, maior o impacto na qualidade de vida. Pode afetar:

    • Alimentação;
    • Sono;
    • Fala;
    • Peso corporal;
    • Hidratação.

    Principais causas do soluço

    Episódios comuns (benignos)

    A maioria dos soluços breves acontece por estímulos simples, principalmente ligados ao estômago:

    • Comer em excesso;
    • Beber refrigerantes;
    • Engolir ar (mascar chiclete ou fumar);
    • Mudanças bruscas na temperatura de alimentos ou bebidas;
    • Consumo de álcool;
    • Estresse ou excitação emocional.

    Esses episódios geralmente duram menos de uma hora.

    Causas digestivas

    O soluço persistente pode estar relacionado à irritação do nervo vago ou do diafragma. Entre as causas mais comuns estão:

    • Refluxo gastroesofágico;
    • Gastrite;
    • Úlcera;
    • Distensão do estômago;
    • Doenças do esôfago.

    Outras condições abdominais também podem provocar soluço, como pancreatite, doenças da vesícula, hepatite e abscessos abdominais.

    Causas neurológicas

    Alterações no sistema nervoso central podem interferir no reflexo do soluço. Exemplos incluem:

    • AVC, especialmente no tronco cerebral;
    • Esclerose múltipla;
    • Tumores;
    • Infecções neurológicas;
    • Malformações vasculares.

    Nesses casos, o soluço pode ser persistente e servir como sinal clínico importante.

    Causas torácicas e cardíacas

    Problemas no tórax também podem irritar o nervo frênico:

    • Pneumonia;
    • Pleurite;
    • Bronquite;
    • Tumores no mediastino;
    • Trauma torácico;
    • Infarto ou pericardite;
    • Cirurgias torácicas ou abdominais recentes.

    Medicamentos e causas metabólicas

    Alguns medicamentos podem desencadear soluço, como:

    • Corticosteroides;
    • Sedativos;
    • Opioides;
    • Quimioterápicos.

    Alterações metabólicas também podem estar envolvidas:

    • Insuficiência renal;
    • Distúrbios de eletrólitos;
    • Consumo excessivo de álcool.

    Quando investigar?

    Na maioria das vezes, o soluço não precisa de exames.

    Mas é importante procurar avaliação médica quando:

    • Dura mais de 48 horas;
    • Interfere no sono ou na alimentação;
    • Está associado a sintomas neurológicos;
    • Surge após cirurgia;
    • É recorrente ou sem causa aparente.

    A investigação pode envolver história clínica detalhada, exame físico, exames laboratoriais e, quando necessário, exames de imagem.

    Como parar o soluço?

    Medidas simples

    Algumas manobras ajudam a interromper o reflexo do soluço:

    • Prender a respiração por alguns segundos;
    • Fazer a manobra de Valsalva;
    • Beber água gelada;
    • Gargarejar;
    • Engolir açúcar seco;
    • Puxar a língua suavemente;
    • Levar os joelhos ao peito;
    • Estimular o nervo vago, como chupar limão.

    Essas técnicas funcionam porque aumentam o dióxido de carbono no sangue ou estimulam reflexos que “reiniciam” o circuito do soluço.

    Tratamento médico

    Tratar a causa

    Sempre que possível, deve-se tratar o fator desencadeante:

    • Suspender medicamentos causadores;
    • Tratar refluxo;
    • Corrigir alterações metabólicas;
    • Tratar doenças de base.

    Medicamentos para soluço persistente

    Quando o soluço é prolongado ou incapacitante, podem ser utilizados medicamentos que atuam no sistema nervoso, sempre prescritos por um médico.

    Casos raros e refratários

    Em situações mais complexas, podem ser consideradas abordagens como acupuntura, bloqueio do nervo frênico ou técnicas específicas em cuidados paliativos. Esses casos são raros.

    Prognóstico

    O soluço comum tem excelente prognóstico e desaparece sozinho.

    Soluços persistentes também costumam melhorar quando a causa é identificada e tratada. No entanto, quando duram dias ou semanas, devem ser investigados, pois podem ser o primeiro sinal de uma condição clínica relevante.

    Confira: Dor abdominal do lado esquerdo? Veja se pode ser diverticulite

    Perguntas frequentes sobre soluço

    1. Soluço é perigoso?

    Na maioria das vezes, não. Torna-se preocupante quando é persistente.

    2. Comer rápido causa soluço?

    Sim. Comer em excesso e engolir ar são causas comuns.

    3. Soluço pode indicar doença grave?

    Pode, especialmente quando dura dias ou semanas.

    4. Água gelada funciona?

    Pode ajudar porque estimula reflexos que interrompem o soluço.

    5. Existe remédio específico?

    Há medicamentos usados em casos persistentes, mas geralmente não são necessários.

    6. Refluxo pode causar soluço?

    Sim. É uma das causas mais comuns de soluço prolongado.

    7. Quando devo procurar médico?

    Se durar mais de 48 horas ou interferir na alimentação e no sono.

    Veja também: Dor abdominal: quais podem ser as causas desse sintoma tão frequente?

  • Flexível demais? Entenda a hipermobilidade articular

    Flexível demais? Entenda a hipermobilidade articular

    Algumas pessoas conseguem dobrar os dedos para trás com facilidade, esticar os joelhos além do alinhamento normal ou encostar as mãos no chão sem dobrar as pernas. Para muitos, isso é apenas um sinal de flexibilidade. Para outros, pode ser fonte de dor, instabilidade e lesões repetidas.

    A hipermobilidade articular é relativamente comum, e estudos apontam que pode atingir cerca de 10% a 20% da população, especialmente mulheres e crianças. Na maioria das vezes, não é uma doença. Mas quando causa sintomas e impacto na qualidade de vida, merece avaliação e acompanhamento.

    O que é hipermobilidade articular

    Hipermobilidade articular significa que as articulações se movimentam além do limite considerado típico para a maioria das pessoas.

    Isso acontece porque os ligamentos, que são as estruturas que estabilizam as articulações, são mais elásticos. Essa característica está relacionada ao tecido conjuntivo, especialmente ao colágeno, proteína responsável por dar resistência e firmeza às estruturas.

    Nem sempre isso representa um problema. Muitas pessoas hipermóveis:

    • Não têm dor;
    • Não apresentam lesões;
    • Podem se beneficiar da flexibilidade em atividades como dança e ginástica.

    Por que a hipermobilidade articular acontece?

    A principal causa é genética. Algumas pessoas nascem com maior elasticidade dos ligamentos, condição chamada de frouxidão ligamentar.

    Fatores associados incluem:

    • Histórico familiar de hipermobilidade;
    • Sexo feminino;
    • Idade jovem (crianças tendem a ser mais flexíveis);
    • Tônus muscular reduzido (menos força de sustentação);
    • Alterações do tecido conjuntivo, como na síndrome de Ehlers-Danlos.

    Com o passar dos anos, a flexibilidade costuma diminuir naturalmente.

    Quando a hipermobilidade causa sintomas?

    Muitas pessoas são hipermóveis e não apresentam qualquer incômodo.

    Quando surgem sintomas, pode-se usar o termo síndrome de hipermobilidade articular, indicando que a flexibilidade aumentada está associada a queixas clínicas.

    Os sintomas mais comuns são:

    • Dor articular recorrente;
    • Sensação de articulação “saindo do lugar”;
    • Entorses frequentes;
    • Luxações;
    • Fadiga muscular;
    • Tendinites;
    • Dores musculoesqueléticas crônicas.

    Alguns estudos também descrevem associação com:

    • Ansiedade;
    • Alterações do sistema nervoso autônomo.

    Nem toda pessoa com hipermobilidade terá essas manifestações.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é clínico, ou seja, feito com base na avaliação médica ou fisioterapêutica.

    O método mais utilizado é o escore de Beighton, uma escala que avalia movimentos específicos das articulações, como:

    • Dobrar o polegar em direção ao antebraço;
    • Estender cotovelos ou joelhos além do alinhamento normal;
    • Encostar as mãos no chão com joelhos estendidos.

    Quanto maior a pontuação, maior a probabilidade de hipermobilidade.

    Além disso, o profissional considera:

    • História de dor;
    • Frequência de lesões;
    • Impacto nas atividades diárias;
    • Presença de doenças associadas.

    Tratamento e cuidados

    Não existe tratamento para diminuir a elasticidade dos ligamentos. O foco é fortalecer as estruturas ao redor da articulação e reduzir sintomas.

    As principais medidas são:

    • Fortalecimento muscular, principalmente dos músculos estabilizadores;
    • Fisioterapia para melhorar controle motor e propriocepção;
    • Educação postural;
    • Adaptação de atividades físicas;
    • Uso de órteses em casos específicos;
    • Analgésicos quando há dor, sob orientação médica.

    Exercícios orientados são fundamentais. Alongamentos excessivos podem não ser indicados para quem já tem mobilidade aumentada.

    Prognóstico

    Na maioria dos casos, a hipermobilidade tem bom prognóstico.

    Muitas pessoas apresentam melhora importante dos sintomas com:

    • Fortalecimento adequado;
    • Acompanhamento fisioterapêutico;
    • Ajustes na rotina de exercícios.

    O reconhecimento precoce ajuda a evitar lesões repetidas e complicações a longo prazo.

    Quando procurar avaliação?

    Procure orientação profissional se houver:

    • Dor persistente;
    • Lesões recorrentes;
    • Sensação frequente de instabilidade;
    • Limitação nas atividades do dia a dia;
    • Suspeita de síndrome genética associada.

    A avaliação individualizada é importante para definir a melhor abordagem.

    Veja mais: Dor e rigidez nas articulações? Pode ser artrite reumatoide

    Perguntas frequentes sobre hipermobilidade articular

    1. Hipermobilidade é doença?

    Não necessariamente. Pode ser apenas uma característica do corpo. Torna-se síndrome quando causa sintomas.

    2. Hipermobilidade causa dor?

    Pode causar, especialmente quando há instabilidade e sobrecarga.

    3. Crianças são mais hipermóveis?

    Sim. A flexibilidade tende a ser maior na infância e diminuir com a idade.

    4. Exercício ajuda ou piora?

    Exercício orientado ajuda muito, principalmente fortalecimento e controle muscular.

    5. Existe cura?

    Não há cura, mas os sintomas podem ser controlados.

    6. Aumenta o risco de lesão?

    Sim. Entorses e luxações podem ser mais frequentes.

    7. Quando suspeitar de síndrome de hipermobilidade?

    Quando a flexibilidade aumentada vem acompanhada de dor, fadiga, instabilidade ou impacto funcional.

    Confira: Rash no rosto e dor nas articulações: pode ser lúpus? Entenda mais

  • Tricomoníase: entenda essa infecção que causa corrimento e coceira 

    Tricomoníase: entenda essa infecção que causa corrimento e coceira 

    Coceira, corrimento diferente, desconforto na região íntima. Muitas vezes, esses sintomas são atribuídos apenas a uma infecção comum, mas podem indicar tricomoníase, uma infecção sexualmente transmissível (IST) bastante frequente.

    A boa notícia é que a tricomoníase tem cura. O problema é que, por ser muitas vezes silenciosa, pode permanecer sem diagnóstico, o que facilita a transmissão. Informar-se sobre como se pega, quando suspeitar e como tratar é essencial para cuidar da própria saúde e da saúde do parceiro.

    O que é tricomoníase?

    A tricomoníase é uma infecção causada por um protozoário chamado Trichomonas vaginalis.

    Diferentemente de outras ISTs causadas por vírus ou bactérias, ela é provocada por um micro-organismo unicelular que se instala principalmente:

    • Na vagina;
    • Na uretra (canal da urina);
    • No colo do útero.

    Nos homens, costuma afetar a uretra e, muitas vezes, não causa sintomas.

    Como se pega tricomoníase?

    A transmissão ocorre principalmente por:

    • Relação sexual vaginal sem preservativo;
    • Contato direto com secreções genitais infectadas.

    A infecção pode ser transmitida mesmo que a pessoa não apresente sintomas. A tricomoníase é considerada uma das ISTs não virais mais comuns no mundo.

    Quais são os sintomas?

    Sintomas em mulheres

    Quando aparecem, podem envolver:

    • Corrimento vaginal amarelado ou esverdeado;
    • Odor forte;
    • Coceira intensa;
    • Ardor ao urinar;
    • Dor durante a relação.

    Algumas mulheres também podem sentir irritação e vermelhidão na região íntima.

    Sintomas em homens

    Nos homens, muitas vezes não há sintomas. Quando surgem, costumam ser:

    • Ardor ao urinar;
    • Secreção uretral discreta;
    • Desconforto leve na região genital.

    A ausência de sintomas não impede a transmissão.

    Por que a tricomoníase merece atenção?

    Sem tratamento, a infecção pode:

    • Aumentar o risco de contrair ou transmitir HIV;
    • Provocar complicações na gravidez, como parto prematuro;
    • Causar inflamação persistente da região genital.

    Por isso, mesmo sendo tratável, não deve ser ignorada.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico pode ser feito por:

    • Avaliação clínica;
    • Exame da secreção vaginal;
    • Testes laboratoriais específicos, como PCR.

    Muitas vezes, o profissional de saúde também investiga outras ISTs associadas.

    Como tratar tricomoníase?

    A tricomoníase tem cura e o tratamento é feito com medicamentos antiparasitários, geralmente prescritos por médico.

    O tratamento pode ser feito em dose única ou por alguns dias, conforme orientação profissional.

    É muito importante:

    • Tratar o parceiro simultaneamente;
    • Evitar relações sexuais até o término do tratamento;
    • Não interromper o medicamento antes do prazo indicado.

    O consumo de álcool deve ser evitado durante o tratamento com metronidazol, pois pode causar reações desagradáveis.

    Como prevenir?

    • Uso de preservativo em todas as relações;
    • Testagem regular em caso de múltiplos parceiros;
    • Tratamento imediato ao surgimento de sintomas;
    • Comunicação aberta com parceiros.

    Quando procurar atendimento médico?

    Procure avaliação se houver:

    • Corrimento com odor forte;
    • Coceira intensa persistente;
    • Ardor ao urinar;
    • Sintomas após relação desprotegida;
    • Parceiro diagnosticado com IST.

    Confira: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

    Perguntas frequentes sobre tricomoníase

    1. Tricomoníase tem cura?

    Sim, com tratamento adequado, a infecção tem cura.

    2. Posso ter tricomoníase sem sintomas?

    Sim, especialmente homens podem não apresentar sintomas.

    3. Preciso tratar meu parceiro?

    Sim, mesmo que ele não tenha sintomas, o tratamento simultâneo é essencial.

    4. Posso pegar tricomoníase mais de uma vez?

    Sim, se houver nova exposição ao protozoário.

    5. Tricomoníase é a mesma coisa que candidíase?

    Não. São infecções diferentes, com causas distintas.

    6. Posso beber álcool durante o tratamento?

    Não é recomendado, especialmente se estiver usando metronidazol.

    7. A tricomoníase é comum?

    Sim, é uma das ISTs não virais mais frequentes no mundo.

    Veja mais: Sífilis: veja como prevenir e tratar essa infecção antiga que voltou a crescer

  • Herpes genital é comum, mas tem controle; veja o que fazer

    Herpes genital é comum, mas tem controle; veja o que fazer

    Coceira, ardor, pequenas bolhas dolorosas na região íntima. Muitas pessoas sentem esses sintomas e não sabem exatamente do que se trata, ou evitam procurar ajuda médica por vergonha. O problema é que pode ser herpes genital, uma infecção sexualmente transmissível (IST) bastante comum e ainda cercada de desinformação.

    Apesar de não ter cura definitiva, ela tem tratamento e controle eficaz. Saber reconhecer os sinais, entender como ocorre a transmissão e buscar acompanhamento médico são passos importantes para reduzir crises e evitar a disseminação do vírus.

    O que é herpes genital?

    A herpes genital é causada pelo vírus herpes simples (HSV), geralmente do tipo 2 (HSV-2), embora o tipo 1 (HSV-1), mais conhecido por causar herpes labial, também possa infectar a região genital.

    Após a infecção, o vírus permanece no organismo em estado latente. Isso significa que ele pode ficar “adormecido” e reativar em determinados momentos, provocando novas lesões.

    Como acontece a transmissão?

    A transmissão ocorre principalmente por:

    • Relação sexual vaginal, anal ou oral sem preservativo;
    • Contato direto com lesões ativas;
    • Contato pele a pele na região genital.

    É importante lembrar que a transmissão pode acontecer mesmo sem lesões visíveis, durante períodos de eliminação viral assintomática.

    Como desconfiar de herpes genital?

    Sintomas mais comuns

    • Pequenas bolhas dolorosas na região genital ou anal;
    • Feridas que evoluem a partir dessas bolhas;
    • Ardor ou dor ao urinar;
    • Coceira ou formigamento local.

    Sintomas gerais na primeira crise

    A primeira manifestação costuma ser mais intensa e pode incluir:

    • Febre;
    • Mal-estar;
    • Dores musculares;
    • Ínguas na virilha.

    Com o tempo, as crises tendem a ser mais leves e de menor duração.

    Toda lesão genital é herpes?

    Não. Outras condições podem causar sintomas semelhantes, como:

    • Sífilis;
    • Candidíase;
    • Dermatites;
    • Irritações por atrito.

    Por isso, o diagnóstico deve ser feito por profissional de saúde, que pode solicitar exames laboratoriais quando necessário.

    Como é feito o tratamento?

    Embora não exista cura definitiva para o herpes genital, o tratamento ajuda a:

    • Reduzir a duração dos sintomas;
    • Diminuir a intensidade das crises;
    • Reduzir o risco de transmissão.

    Os medicamentos antivirais mais utilizados são:

    • Aciclovir;
    • Valaciclovir;
    • Famciclovir.

    Eles podem ser usados:

    • Durante as crises;
    • De forma contínua (terapia supressiva), em casos de recorrência frequente.

    Esses medicamentos devem sempre ser prescritos por um médico.

    É possível prevenir novas crises?

    Alguns fatores podem desencadear reativações:

    • Estresse;
    • Queda da imunidade;
    • Privação de sono;
    • Infecções associadas.

    Manter hábitos saudáveis, usar preservativo e seguir a orientação médica ajudam a reduzir a frequência das crises.

    Herpes genital é perigosa?

    Na maioria das pessoas saudáveis, a infecção não causa complicações graves. No entanto, merece atenção especial em:

    • Gestantes (pelo risco de transmissão ao bebê);
    • Pessoas com imunidade baixa;
    • Pessoas com HIV.

    Nesses casos, o acompanhamento médico é fundamental.

    Quando procurar atendimento médico?

    Procure avaliação se houver:

    • Primeira crise com sintomas intensos;
    • Lesões dolorosas persistentes;
    • Febre associada;
    • Suspeita de IST;
    • Recorrências frequentes.

    Leia mais: IST ou infecção urinária? Saiba como diferenciar os sintomas

    Perguntas frequentes sobre herpes genital

    1. Herpes genital tem cura?

    Não há cura definitiva, mas existe controle eficaz com tratamento adequado.

    2. Posso ter herpes e nunca ter sintomas?

    Sim, muitas pessoas são assintomáticas e podem não saber que estão infectadas.

    3. Preservativo protege 100%?

    O preservativo reduz bastante o risco, mas não elimina totalmente, pois o vírus pode estar presente em áreas não cobertas.

    4. Posso ter filhos se tenho herpes genital?

    Sim, com acompanhamento médico adequado, especialmente durante a gestação.

    5. A herpes genital é comum?

    Sim, é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais prevalentes no mundo.

    6. Posso transmitir mesmo sem feridas?

    Sim, embora o risco seja maior durante as crises, a transmissão pode ocorrer sem lesões visíveis.

    7. Estresse pode desencadear crises?

    Sim, o estresse é um dos fatores mais frequentemente associados à reativação do vírus.

    Veja também: Sífilis: veja como prevenir e tratar essa infecção antiga que voltou a crescer

  • 5 fatores que levam ao desenvolvimento de obesidade (e quando intervir)

    5 fatores que levam ao desenvolvimento de obesidade (e quando intervir)

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que cerca de 650 milhões de pessoas em todo o mundo convivem com a obesidade, uma doença crônica e inflamatória caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal — capaz de comprometer a saúde e a qualidade de vida.

    Por ser uma condição multifatorial, a obesidade é influenciada por diversos fatores que interagem entre si. Para entender como ela se desenvolve, conversamos com a endocrinologista Denise Orlandi. Confira!

    Como o IMC classifica a obesidade?

    O Índice de Massa Corporal (IMC) classifica a obesidade em adultos a partir do cálculo do peso dividido pela altura ao quadrado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é definida por um IMC igual ou maior que 30 kg/m², sendo subdividida em graus conforme a gravidade:

    • Sobrepeso: entre 25 e 29,9 kg/m²;
    • Obesidade Grau I: entre 30 e 34,9 kg/m²;
    • Obesidade Grau II (moderada): entre 35 e 39,9 kg/m²;
    • Obesidade Grau III (grave ou mórbida): igual ou maior que 40 kg/m².

    Apesar de ser um método simples e bastante usado, o IMC não avalia a distribuição da gordura corporal nem diferencia a massa muscular de gordura. Uma avaliação clínica completa costuma incluir outras medidas, histórico de saúde e análise individual.

    Quais os fatores de risco da obesidade?

    Na maioria das vezes, diversos fatores de risco se combinam e influenciam o acúmulo de gordura corporal ao longo do tempo, sendo eles:

    1. Genética

    A herança familiar pode influenciar o metabolismo, o controle da fome, a sensação de saciedade e a forma como o corpo armazena a gordura. Quando existe um histórico familiar de obesidade, a probabilidade de desenvolver a condição pode ser maior.

    Ainda assim, mesmo com a influência genética, os hábitos de vida continuam tendo impacto importante na saúde.

    2. Ambiente

    O ambiente em que a pessoa vive favorece o ganho de peso em muitas situações, principalmente devido ao estilo de vida moderno. Segundo Denise, é o fator mais impactante hoje para o desenvolvimento de obesidade.

    • O consumo frequente de alimentos ultraprocessados ricos em gorduras, açúcares e calorias;
    • A rotina sedentária com pouca atividade física;
    • O tempo prolongado diante de telas, como celular, computador ou televisão;
    • A falta de tempo ou estrutura para preparar refeições equilibradas.

    As pequenas escolhas do dia a dia podem influenciar o peso ao longo do tempo, muitas vezes sem a pessoa perceber. A praticidade dos alimentos prontos, a correria da rotina e a diminuição da atividade física acabam favorecendo o consumo maior de calorias e um gasto menor de energia pelo corpo.

    3. Fatores emocionais

    As emoções, preocupações e situações difíceis no dia a dia podem mudar o apetite, a relação com a comida e até a forma como o corpo responde ao estresse. Muitas vezes, a alimentação deixa de atender apenas à fome física e passa a ter um papel emocional.

    Entre os principais fatores envolvidos, é possível destacar:

    • Ansiedade: que pode aumentar a vontade de comer mesmo sem fome, principalmente alimentos mais calóricos e açucarados;
    • Depressão: que pode alterar o apetite, a disposição e a motivação para cuidar da alimentação e da saúde;
    • Estresse crônico: que favorece o chamado comer emocional, situação em que a comida funciona como alívio ou conforto;
    • Busca por conforto na comida: comum em momentos difíceis, tristeza, frustração ou cansaço emocional.

    O acompanhamento com um profissional ajuda a entender melhor as emoções, a relação com a comida e a forma como cada pessoa enxerga o próprio corpo, tornando o processo de cuidado com a saúde mais consciente.

    4. Sono de má qualidade

    Além de manter o organismo em equilíbrio, o sono também pode impactar no controle do peso corporal. A privação ou a má qualidade do descanso interferem nos hormônios que regulam a fome, o metabolismo e os níveis de energia. O desequilíbrio ocorre, principalmente, devido aos seguintes fatores:

    • Privação de horas de descanso, quando a pessoa dorme menos do que o necessário de forma frequente;
    • Má qualidade do sono, com despertares noturnos ou sono leve e pouco reparador;
    • Alteração da grelina, hormônio que estimula a fome e pode aumentar quando o sono é insuficiente;
    • Redução da leptina, hormônio responsável pela sensação de saciedade.

    No geral, priorizar o descanso é uma parte importante do cuidado com a saúde e do equilíbrio do peso corporal. Se você é uma pessoa com dificuldade frequente para dormir ou apresenta sinais de insônia, vale procurar um profissional da saúde para iniciar o tratamento adequado.

    5. Fatores sociais e econômicos

    Os fatores sociais e econômicos interferem diretamente nos hábitos alimentares, na rotina e na qualidade de vida. A forma como cada pessoa vive, trabalha, se desloca e se alimenta pode influenciar bastante o peso corporal e a saúde ao longo do tempo.

    • Acesso limitado a alimentos frescos e nutritivos, situação que pode ocorrer quando frutas, verduras e alimentos naturais têm custo elevado ou pouca disponibilidade na região;
    • Ausência de espaços seguros para caminhar ou praticar exercícios, o que dificulta a prática regular de atividade física no dia a dia;
    • Rotina marcada por estresse constante ou excesso de trabalho, que reduz o tempo e a energia para cozinhar, se exercitar ou cuidar melhor da saúde;
    • Dificuldades financeiras, que muitas vezes levam à escolha de alimentos mais baratos, normalmente ultraprocessados e menos nutritivos.

    A realidade social pode facilitar ou dificultar a adoção de hábitos mais saudáveis, e nem sempre isso depende só da vontade da pessoa.

    Por isso, cuidar da saúde também significa olhar com compreensão para a rotina, as dificuldades e o contexto em que cada pessoa vive.

    Fases da vida em que o corpo fica mais suscetível ao ganho de peso

    Ao longo da vida, Denise explica que existem momentos em que o corpo fica mais suscetível ao ganho de peso, principalmente por causa de mudanças hormonais, emocionais e de estilo de vida. São eles:

    • Infância e adolescência: são fases em que os hábitos alimentares e o estilo de vida começam a se formar. Uma alimentação pouco equilibrada nesse período pode facilitar o aumento da gordura corporal e tornar o controle do peso mais difícil na vida adulta;
    • Gravidez: o ganho de peso faz parte de uma gestação saudável e é esperado. Porém, quando acontece acima do recomendado, pode ser mais difícil perder o peso depois do parto, aumentando o risco de obesidade para a mãe;
    • Menopausa: nessa fase ocorrem mudanças hormonais importantes, como a queda do estrogênio. Isso, junto com a perda natural de massa muscular com a idade, pode deixar o metabolismo mais lento e favorecer o acúmulo de gordura, principalmente na região da barriga.

    Quando o ganho de peso precisa de intervenção médica?

    De acordo com Denise, o ganho de peso passa a ser uma preocupação para a saúde quando começa a afetar o bem-estar e aumenta o risco de outras doenças.

    Além do IMC, a circunferência abdominal também é necessária para avaliar a quantidade de gordura na região da barriga, conhecida como gordura visceral, que está relacionada ao risco de problemas cardiovasculares e metabólicos.

    • Níveis de alerta para aumento do risco cardiovascular e diabetes: circunferência abdominal a partir de 94 cm em homens e 80 cm em mulheres;
    • Risco muito elevado (obesidade abdominal): circunferência acima de 102 cm em homens e 88 cm em mulheres.

    A presença de doenças associadas, como pré-diabetes, hipertensão, colesterol alto ou dores articulares, também são sinais claros de que uma intervenção médica é necessária.

    “O ideal é não esperar ‘passar do ponto’. Uma pessoa que sempre teve um peso estável e percebe um ganho de peso progressivo e não intencional — por exemplo, ganhar mais de 5% do seu peso em um período de 6 meses — já deve procurar orientação”, complementa Denise.

    Quais os benefícios de uma intervenção mais cedo?

    Ao intervir mais cedo, fica muito mais fácil ajustar pequenos hábitos agora do que tratar a obesidade e suas complicações mais adiante. Entre os principais benefícios, Denise aponta:

    • Prevenção de doenças: ajuda a reduzir o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer;
    • Mais facilidade no tratamento: pequenas mudanças de hábitos tendem a ser mais simples de manter ao longo do tempo;
    • Melhora da qualidade de vida: contribui para mais disposição, melhor mobilidade e bem-estar emocional;
    • Evita a adaptação do corpo ao peso mais alto: com o tempo, o organismo pode se adaptar ao peso elevado, tornando o emagrecimento mais difícil. A intervenção precoce pode evitar esse processo.

    Como é feito o tratamento de obesidade?

    O tratamento da obesidade costuma ser individualizado, adaptado à realidade, à saúde e às necessidades de cada pessoa. Normalmente, ele envolve mudanças no estilo de vida, acompanhamento profissional e, em alguns casos, medicamentos ou cirurgia:

    • Alimentação equilibrada: ajustes na rotina alimentar, com preferência por alimentos mais naturais e orientação nutricional quando possível;
    • Prática de atividade física: exercícios regulares, adaptados ao condicionamento físico e à rotina de cada pessoa;
    • Qualidade do sono: dormir bem ajuda a regular hormônios ligados à fome, energia e metabolismo;
    • Saúde emocional: acompanhamento psicológico pode ajudar na relação com a comida, no controle do estresse e no bem-estar geral;
    • Acompanhamento médico: avaliação periódica para monitorar a saúde e orientar o tratamento;
    • Uso de remédios: podem ser indicados para pessoas com IMC acima de 30 (ou 27 com comorbidades) que não respondem apenas às mudanças de estilo de vida, sempre com prescrição médica.

    De acordo com Denise, a cirurgia bariátrica costuma ser indicada em casos de obesidade mais grave, geralmente quando o IMC está acima de 40 kg/m², ou acima de 35 kg/m² na presença de comorbidades importantes, como diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono ou outras condições associadas.

    Antes da cirurgia, a pessoa passa por uma avaliação completa com uma equipe de saúde, que pode incluir médico, nutricionista, psicólogo e outros profissionais. Isso é importante para garantir que o procedimento seja seguro e que a pessoa esteja preparada para as mudanças que virão depois da cirurgia.

    Após o procedimento, o acompanhamento contínuo, a adaptação alimentar, a prática de atividade física e o cuidado com a saúde emocional ajudam a manter os resultados e a preservar a saúde ao longo do tempo.

    Leia mais: ‘Dietas da moda’ x alimentação equilibrada: o que realmente funciona a longo prazo

    Perguntas frequentes

    1. Quais são as principais doenças associadas à obesidade?

    Diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, apneia do sono, esteatose hepática (gordura no fígado) e problemas articulares.

    2. A obesidade aumenta o risco de câncer?

    Sim, a obesidade está associada a um risco aumentado de pelo menos 13 tipos de câncer, devido ao estado de inflamação crônica que o excesso de gordura causa no organismo.

    3. O que é o efeito sanfona e por que ele ocorre?

    É a recuperação rápida do peso após uma perda severa. Ocorre frequentemente em dietas muito restritivas, pois o corpo entende a restrição como uma “ameaça” e reduz o metabolismo para poupar energia.

    4. É possível prevenir a obesidade?

    Sim, a partir de medidas como alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado e cuidado com a saúde emocional.

    5. Como funciona a cirurgia bariátrica?

    É um procedimento que altera o sistema digestivo para limitar a quantidade de comida ingerida ou a absorção de nutrientes. É indicada para obesidade grau III ou grau II com doenças graves associadas, após falha do tratamento clínico.

    6. O que é comer emocional?

    É o hábito de usar a comida para aliviar sentimentos negativos (estresse, tristeza, tédio). Identificar os gatilhos é importante porque, nesses casos, a fome não é física, mas sim uma tentativa do cérebro de obter conforto imediato através da dopamina.

    7. Por que é tão difícil manter o peso após emagrecer?

    O corpo possui mecanismos de sobrevivência que tentam recuperar o peso perdido, aumentando a fome e reduzindo o gasto de energia. Por isso, o acompanhamento médico a longo prazo é essencial para “reprogramar” esses sinais.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

  • Adenovírus: conheça o vírus comum que preocupa na volta às aulas 

    Adenovírus: conheça o vírus comum que preocupa na volta às aulas 

    Febre, dor de garganta, olhos vermelhos ou diarreia. Em épocas de volta às aulas, esses sintomas costumam preocupar pais e responsáveis e, muitas vezes, o motivo é uma infecção por adenovírus. Trata-se de um vírus comum, especialmente em crianças, e que se espalha com facilidade em ambientes coletivos, como escolas e creches.

    Na maioria dos casos, a infecção é leve e autolimitada. Ainda assim, por ser um vírus capaz de causar sintomas respiratórios, gastrointestinais e até oculares, o adenovírus merece atenção.

    O que é o adenovírus

    O adenovírus é um grupo de vírus da família Adenoviridae, com dezenas de sorotipos diferentes. Eles têm a capacidade de infectar vários tecidos do corpo humano, principalmente:

    • Vias respiratórias;
    • Olhos (conjuntiva);
    • Trato gastrointestinal;
    • Trato urinário (mais raramente).

    A infecção por adenovírus é uma das causas mais frequentes de virose infantil, especialmente em crianças menores de 5 anos, embora adolescentes e adultos também possam ser infectados.

    Por que o adenovírus aumenta com a volta às aulas?

    A circulação do adenovírus tende a aumentar em períodos de maior convivência entre crianças. A volta às aulas cria um cenário ideal para transmissão porque envolve:

    • Contato próximo e prolongado;
    • Compartilhamento de brinquedos, materiais escolares e objetos;
    • Higiene das mãos nem sempre adequada;
    • Crianças pequenas levando as mãos à boca, nariz e olhos com frequência.

    Além disso, o adenovírus é resistente no ambiente e consegue sobreviver por horas em superfícies, o que facilita a disseminação em salas de aula.

    Como ocorre a transmissão

    A transmissão do adenovírus acontece de várias formas:

    • Contato direto com secreções respiratórias (tosse, espirro, saliva);
    • Contato com superfícies contaminadas, seguido de mãos nos olhos, nariz ou boca;
    • Via fecal-oral, especialmente nos quadros gastrointestinais;
    • Água contaminada, como piscinas sem cloração adequada.

    Por isso, surtos podem acontecer em escolas, creches, academias e até ambientes hospitalares.

    Principais sintomas do adenovírus

    Os sintomas variam conforme o sorotipo do vírus e o órgão mais afetado. Uma mesma criança pode apresentar mais de um tipo de manifestação.

    Sintomas respiratórios (os mais comuns)

    • Febre;
    • Coriza;
    • Tosse;
    • Dor de garganta;
    • Congestão nasal;
    • Rouquidão.

    Em alguns casos, pode causar quadros como faringite, amigdalite, bronquiolite ou pneumonia, especialmente em crianças pequenas.

    Sintomas oculares

    • Olhos vermelhos;
    • Ardor ou sensação de areia nos olhos;
    • Lacrimejamento;
    • Secreção ocular.

    O adenovírus é uma das principais causas de conjuntivite viral, que costuma ser altamente contagiosa.

    Sintomas gastrointestinais

    • Diarreia;
    • Dor abdominal;
    • Náuseas e vômitos;
    • Febre associada.

    Esses quadros são mais comuns em crianças menores e podem levar à desidratação se não houver atenção à hidratação.

    Outros sintomas possíveis

    • Mal-estar;
    • Dor no corpo;
    • Aumento de gânglios no pescoço;
    • Cansaço.

    Quando os pais devem ficar mais atentos

    Na maioria das vezes, a infecção por adenovírus evolui bem e melhora sozinha em alguns dias. No entanto, é importante procurar avaliação médica se a criança apresentar:

    • Febre alta persistente por mais de 3 dias;
    • Dificuldade para respirar ou respiração acelerada;
    • Recusa persistente de líquidos;
    • Sinais de desidratação (pouca urina, boca seca, sonolência excessiva);
    • Dor intensa nos olhos ou piora importante da conjuntivite;
    • Prostração ou piora do estado geral.

    Crianças pequenas, imunossuprimidas ou com doenças crônicas precisam de acompanhamento médico mais próximo.

    Diagnóstico

    O diagnóstico do adenovírus é, na maioria das vezes, clínico, baseado nos sintomas e no contexto epidemiológico (por exemplo, outros casos na escola).

    Em situações específicas, podem ser solicitados exames, como:

    • Testes virais em secreção respiratória;
    • Exames de fezes, nos quadros gastrointestinais;
    • Exames laboratoriais em casos mais graves ou hospitalizados.

    Na prática, a identificação exata do vírus nem sempre é necessária, pois não muda o tratamento na maioria dos casos.

    Tratamento: o que fazer em casa

    Não existe tratamento antiviral específico para adenovírus em pessoas saudáveis. O cuidado é sintomático, focado em aliviar os sintomas e evitar complicações.

    • Repouso;
    • Boa hidratação;
    • Controle de febre e dor, conforme orientação médica;
    • Lavagem nasal com soro fisiológico nos sintomas respiratórios;
    • Higiene ocular adequada nos casos de conjuntivite.

    Antibióticos não são indicados, pois o adenovírus é um vírus, e não uma bactéria.

    Prevenção: como reduzir o risco de transmissão

    • Lavar as mãos com água e sabão com frequência;
    • Ensinar as crianças a não levar as mãos aos olhos, boca e nariz;
    • Não compartilhar objetos pessoais;
    • Manter crianças sintomáticas em casa, quando possível;
    • Higienizar brinquedos e superfícies;
    • Evitar piscinas sem controle adequado de cloro.

    Essas medidas ajudam não só contra o adenovírus, mas contra várias viroses comuns da infância.

    Leia mais: Verminoses ainda são comuns no Brasil: veja como prevenir

    Perguntas frequentes sobre adenovírus

    1. Adenovírus é perigoso?

    Na maioria das crianças saudáveis, não. Geralmente causa infecção leve e autolimitada, mas pode ser mais grave em bebês, imunossuprimidos ou em casos raros de acometimento pulmonar.

    2. Adenovírus é o mesmo que gripe?

    Não. A gripe é causada pelo vírus Influenza. O adenovírus pode causar sintomas parecidos, mas é um vírus diferente.

    3. Adenovírus dá conjuntivite?

    Sim. Ele é uma das causas mais comuns de conjuntivite viral, geralmente muito contagiosa.

    4. Criança com adenovírus pode ir à escola?

    Em caso de febre, mal-estar importante, diarreia ou conjuntivite ativa, o ideal é manter a criança em casa para recuperação e para evitar transmissão.

    5. Existe vacina contra adenovírus?

    Não há vacina disponível para uso rotineiro na população geral. A prevenção depende principalmente de medidas de higiene.

    6. Quanto tempo duram os sintomas?

    Em geral, de 5 a 7 dias, podendo se estender um pouco mais em alguns casos.

    7. Adultos também pegam adenovírus?

    Sim. Adultos podem se infectar, geralmente com quadros mais leves, mas ainda assim podem transmitir o vírus.

    Confira: Mão-pé-boca: entenda mais sobre essa infecção comum na infância

  • 10 problemas de saúde causados pela poluição do ar

    10 problemas de saúde causados pela poluição do ar

    A poluição do ar não é só cheiro de fumaça ou aquela névoa cinza no horizonte. Por ser uma mistura de partículas e gases que entra pelo nariz, alcança os pulmões e, dependendo do tipo de poluente, consegue até chegar à corrente sanguínea, pode causar vários problemas à saúde.

    O resultado da exposição à poluição atmosférica aparece em vários lugares do corpo: mais crises respiratórias, maior risco cardiovascular e uma relação bem estabelecida com câncer de pulmão.

    Há também impactos menos óbvios, como piora de alergias e sinais de envelhecimento da pele. E o detalhe importante: nem sempre a exposição precisa ser gigante para fazer diferença; a repetição diária conta.

    10 problemas que a poluição pode causar na sua saúde

    1. Aumento do risco cardiovascular (infarto e AVC)

    Partículas finas podem inflamar vasos e aumentar o risco de alterações no funcionamento do sistema cardiovascular. Na prática, isso envolve maior risco de eventos como infarto e AVC, especialmente em pessoas com fatores de risco já presentes, como pressão alta, diabetes, tabagismo e idade avançada.

    2. Piora de arritmias e sobrecarga do coração

    Além de eventos agudos, a poluição pode contribuir para instabilidade do ritmo cardíaco e piora de condições cardiovasculares crônicas, aumentando a chance de descompensações em pessoas mais vulneráveis.

    3. Crises de asma e chiado no peito

    Em quem tem asma, dias de pior qualidade do ar costumam significar mais irritação das vias aéreas, mais sintomas e maior chance de precisar de medicamentos de resgate.

    4. Piora de DPOC

    A inflamação e irritação das vias respiratórias também pesam para quem tem DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), podendo aumentar falta de ar, tosse e risco de exacerbações.

    5. Mais infecções respiratórias e piora de sintomas em gripes

    A poluição do ar pode prejudicar as defesas locais do trato respiratório, facilitando piora de quadros infecciosos e aumentando a chance de complicações em grupos de risco.

    6. Câncer de pulmão

    A poluição do ar externa foi classificada como carcinogênica para humanos, com destaque para a relação com câncer de pulmão.

    7. Irritação nos olhos, nariz e garganta

    É o pacote clássico: ardor nos olhos, nariz escorrendo ou entupido, dor de garganta e tosse irritativa. Esses sintomas costumam piorar em dias secos, com fumaça, trânsito intenso ou queimadas.

    8. Piora de alergias

    A exposição a poluentes pode aumentar a irritação e tornar crises alérgicas mais frequentes ou intensas, principalmente em quem já tem histórico de rinite ou outros problemas respiratórios.

    9. Envelhecimento da pele e piora do aspecto de cansaço

    Há evidências de que a poluição pode contribuir para sinais de envelhecimento cutâneo, como manchas e perda de viço, por mecanismos ligados ao estresse oxidativo e à inflamação na pele.

    10. Maior carga de doença na população

    Quando se olha o impacto global, a poluição do ar está associada a milhares de mortes prematuras e a um peso importante de doenças não transmissíveis, especialmente cardiovasculares e câncer de pulmão.

    Como reduzir a exposição no dia a dia

    Medidas simples que ajudam

    • Evitar exercício ao ar livre em horários ou locais de tráfego intenso;
    • Preferir rotas com menos carros quando for caminhar;
    • Manter ambientes ventilados, mas considerar fechar janelas em episódios de fumaça intensa;
    • Redobrar a atenção com crianças, idosos e pessoas com doenças cardíacas ou respiratórias.

    Confira: Câncer de pulmão: sintomas, tipos e como é feito o tratamento

    Perguntas frequentes sobre poluição e saúde

    1. Poluição do ar afeta só quem tem problema respiratório?

    Não. Há impacto também no sistema cardiovascular e em outros desfechos de saúde.

    2. Existe relação entre poluição e câncer de pulmão?

    Sim. A poluição do ar externa foi classificada como carcinogênica para humanos e está associada ao câncer de pulmão.

    3. Por que o coração entra nessa história?

    Porque partículas finas podem gerar inflamação sistêmica e aumentar o risco cardiovascular, especialmente em pessoas vulneráveis.

    4. A poluição pode piorar asma e bronquite?

    Pode. Ela irrita as vias aéreas e aumenta a chance de crises e exacerbações.

    5. Quais são os sintomas mais comuns em dias ruins de qualidade do ar?

    Ardor nos olhos, tosse, garganta irritada, nariz entupido ou escorrendo e piora da falta de ar em quem já tem doença respiratória.

    6. Poluição pode envelhecer a pele?

    Há evidências que associam poluentes ao envelhecimento cutâneo e a alterações como manchas e perda de viço.

    7. Crianças e idosos sofrem mais?

    Em geral, sim. São grupos mais sensíveis a descompensações respiratórias e cardiovasculares quando a exposição aumenta.

    Veja também: Tempo seco pode piorar as alergias? Saiba o que fazer para se proteger

  • ‘Tinha 34 anos e descobri num exame de rotina’: uma jornada contra o câncer de mama

    ‘Tinha 34 anos e descobri num exame de rotina’: uma jornada contra o câncer de mama

    O diagnóstico de câncer de mama em mulheres com menos de 40 anos ainda é considerado raro, correspondendo a cerca de 10% dos casos registrados no Brasil. Por isso, muitas vezes o susto é ainda maior — afinal, é uma fase da vida em que a rotina, os planos e o corpo estão em plena atividade.

    Foi nesse cenário que Rebeca Torres, aos 34 anos, descobriu o câncer de mama durante um exame de rotina, algo que ela sempre manteve por precaução, já que sua avó também havia enfrentado a doença.

    Ela fazia acompanhamentos regulares com o ginecologista e, em uma consulta de rotina, a médica identificou uma alteração no ultrassom. O pedido de uma mamografia imediata revelou um tumor de apenas um centímetro, imperceptível ao toque.

    “Isso é algo que eu sempre falo para as mulheres que eu conheço, as minhas amigas, da importância do exame e de ir ao médico — e não só do autoexame. Porque, no meu caso, mesmo diagnosticada, não dava para saber. Então o exame foi essencial”, conta Rebeca.

    O autoexame das mamas é uma prática simples em que a mulher observa e toca os próprios seios para conhecer melhor o corpo e perceber possíveis alterações, como nódulos, retrações ou secreções. Apesar de ser importante para o autoconhecimento, ele não substitui os exames de rastreamento, como a mamografia, já que nem sempre um tumor é palpável, especialmente nos estágios iniciais.

    O tratamento de câncer de mama e o recomeço

    A partir do diagnóstico, Rebeca iniciou um plano de tratamento completo. Foi submetida a uma cirurgia conservadora, na qual retirou o quadrante da mama afetada, seguida por quatro sessões de quimioterapia e 25 sessões de radioterapia.

    A quimioterapia é um tratamento realizado com medicamentos que circulam pelo sangue e ajudam a eliminar possíveis células cancerígenas remanescentes após a cirurgia. Já a radioterapia utiliza radiação em doses controladas para destruir células doentes que ainda possam estar presentes na região da mama, reduzindo o risco de recidiva.

    O processo foi desgastante, mas Rebeca encontrou formas de lidar com os efeitos colaterais, como a queda de cabelo.

    “Eu não perdi 100% do cabelo porque fiz a crioterapia, aquela touca geladinha. Dói muito, é um processo bem desgastante, mas foi tudo bem”, relata.

    A crioterapia consiste em resfriar o couro cabeludo durante a quimioterapia. O frio provoca contração dos vasos sanguíneos, reduzindo a quantidade de medicamento que chega aos folículos capilares e diminuindo a queda de cabelo.

    Entendendo o tipo de câncer

    Rebeca foi diagnosticada com o tipo Luminal A — um subtipo considerado menos agressivo, por ser hormonalmente dependente. Isso significa que o crescimento do tumor estava relacionado aos hormônios femininos, como estrogênio e progesterona.

    É um tipo que costuma responder bem aos tratamentos hormonais, especialmente quando descoberto precocemente.

    Ela iniciou o uso de medicamentos como o Zoladex já no primeiro dia da quimioterapia. O fármaco bloqueia a ação dos hormônios e impede que substâncias do próprio corpo estimulem o crescimento das células tumorais. Aos 34 anos, entrou em menopausa induzida.

    “Os médicos falam: se você entrar na menopausa por conta da quimioterapia, não retorna mais [o ciclo menstrual], mesmo depois que parar o tratamento. Se você ficar menopausada por conta da medicação, há uma chance de voltar depois”, conta.

    Antes de iniciar o tratamento, Rebeca congelou os óvulos como medida de preservação da fertilidade.

    “Eu não queria ter filhos antes, mas eles recomendaram, é importante. A gente não sabe o dia de amanhã”, diz.

    Um grande milagre (e vitória) na vida de Rebeca

    Depois de concluir o tratamento e seguir com medicação contínua, Rebeca se casou e, com orientação médica, fez uma pausa temporária para tentar engravidar.

    “Eu parei a medicação por um tempo de pelo menos 6 meses, sem o tamoxifeno, para poder tirar do corpo e começar o processo para engravidar. Acabou que eu não precisei fazer fertilização, e engravidei naturalmente. Foi uma super vitória para mim”, relata.

    A gestação foi saudável, acompanhada de perto pelos médicos. Rebeca deu à luz um menino, que hoje tem dois anos. Ela conseguiu amamentar por seis meses com a mama que não foi operada.

    Após esse período, retomou o tratamento com tamoxifeno e Zoladex, agora associado a um inibidor de aromatase.

    Os desafios da menopausa precoce (e do tratamento)

    No tratamento de câncer de mama, a combinação de medicamentos pode levar o corpo a um estado semelhante à menopausa. Sintomas como ondas de calor, insônia, irritabilidade e alterações de humor tornam-se frequentes.

    “A mulher que teve tumor ginecológico, que tem a menopausa precoce, passa por uma série de desafios. Nada é mais desafiador que o câncer, mas a qualidade de vida muda — o sono, a vida, o humor, a disposição, tudo”, explica Rebeca.

    Durante a quimioterapia, ela enfrentou dores ósseas e fraqueza. Com o tempo, retomou gradualmente suas atividades.

    “Ficar um ano em tratamento, para mim, foi bem desafiador. Tinha dias bons, tinha ruins, tinha dias sem sintomas, dias com sintoma. É muito comum você ouvir um paciente de câncer falar que a vida é outra”, conta.

    Por fim, a vontade de viver e aproveitar cada momento

    Rebeca afirma que o diagnóstico mudou sua forma de enxergar a vida. Passou a valorizar mais o tempo, a família e as experiências.

    “Cada paciente pode ver de uma forma, mas me trouxe muito mais alegria em viver e muito mais disposição para aproveitar tudo o que ainda tenho”, relata.

    Durante o tratamento, fez uma lista de sonhos e experiências que gostaria de viver. Muitos já foram realizados — e novos continuam sendo adicionados.

    Leia também: Câncer de mama: o que é, sintomas, causa e como identificar

    Quando o rastreamento de câncer de mama deve começar?

    A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda mamografia anual a partir dos 40 anos. Já o Ministério da Saúde orienta:

    • 40 a 49 anos: exame disponível mediante solicitação médica;
    • 50 a 74 anos: mamografia a cada dois anos, mesmo sem sintomas;
    • Acima de 74 anos: decisão individualizada.

    Quando há alterações suspeitas (como BI-RADS 3), pode ser indicada repetição do exame em seis meses para acompanhamento.

    Mulheres com histórico familiar de primeiro grau devem iniciar o rastreamento dez anos antes da idade em que o familiar recebeu o diagnóstico.

    Quanto tempo deve durar o acompanhamento?

    Após o tratamento, o tempo de acompanhamento depende do subtipo do tumor.

    Casos HER2 positivo ou triplo negativo costumam ser monitorados por cerca de cinco anos. Já tumores com receptores hormonais positivos podem exigir acompanhamento prolongado, pois o risco de recidiva pode existir mesmo após 10 ou 20 anos.

    Consultas regulares e exames periódicos são fundamentais para garantir controle e qualidade de vida.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos