Algumas pessoas conseguem dobrar os dedos para trás com facilidade, esticar os joelhos além do alinhamento normal ou encostar as mãos no chão sem dobrar as pernas. Para muitos, isso é apenas um sinal de flexibilidade. Para outros, pode ser fonte de dor, instabilidade e lesões repetidas.
A hipermobilidade articular é relativamente comum, e estudos apontam que pode atingir cerca de 10% a 20% da população, especialmente mulheres e crianças. Na maioria das vezes, não é uma doença. Mas quando causa sintomas e impacto na qualidade de vida, merece avaliação e acompanhamento.
O que é hipermobilidade articular
Hipermobilidade articular significa que as articulações se movimentam além do limite considerado típico para a maioria das pessoas.
Isso acontece porque os ligamentos, que são as estruturas que estabilizam as articulações, são mais elásticos. Essa característica está relacionada ao tecido conjuntivo, especialmente ao colágeno, proteína responsável por dar resistência e firmeza às estruturas.
Nem sempre isso representa um problema. Muitas pessoas hipermóveis:
- Não têm dor;
- Não apresentam lesões;
- Podem se beneficiar da flexibilidade em atividades como dança e ginástica.
Por que a hipermobilidade articular acontece?
A principal causa é genética. Algumas pessoas nascem com maior elasticidade dos ligamentos, condição chamada de frouxidão ligamentar.
Fatores associados incluem:
- Histórico familiar de hipermobilidade;
- Sexo feminino;
- Idade jovem (crianças tendem a ser mais flexíveis);
- Tônus muscular reduzido (menos força de sustentação);
- Alterações do tecido conjuntivo, como na síndrome de Ehlers-Danlos.
Com o passar dos anos, a flexibilidade costuma diminuir naturalmente.
Quando a hipermobilidade causa sintomas?
Muitas pessoas são hipermóveis e não apresentam qualquer incômodo.
Quando surgem sintomas, pode-se usar o termo síndrome de hipermobilidade articular, indicando que a flexibilidade aumentada está associada a queixas clínicas.
Os sintomas mais comuns são:
- Dor articular recorrente;
- Sensação de articulação “saindo do lugar”;
- Entorses frequentes;
- Luxações;
- Fadiga muscular;
- Tendinites;
- Dores musculoesqueléticas crônicas.
Alguns estudos também descrevem associação com:
- Ansiedade;
- Alterações do sistema nervoso autônomo.
Nem toda pessoa com hipermobilidade terá essas manifestações.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico, ou seja, feito com base na avaliação médica ou fisioterapêutica.
O método mais utilizado é o escore de Beighton, uma escala que avalia movimentos específicos das articulações, como:
- Dobrar o polegar em direção ao antebraço;
- Estender cotovelos ou joelhos além do alinhamento normal;
- Encostar as mãos no chão com joelhos estendidos.
Quanto maior a pontuação, maior a probabilidade de hipermobilidade.
Além disso, o profissional considera:
- História de dor;
- Frequência de lesões;
- Impacto nas atividades diárias;
- Presença de doenças associadas.
Tratamento e cuidados
Não existe tratamento para diminuir a elasticidade dos ligamentos. O foco é fortalecer as estruturas ao redor da articulação e reduzir sintomas.
As principais medidas são:
- Fortalecimento muscular, principalmente dos músculos estabilizadores;
- Fisioterapia para melhorar controle motor e propriocepção;
- Educação postural;
- Adaptação de atividades físicas;
- Uso de órteses em casos específicos;
- Analgésicos quando há dor, sob orientação médica.
Exercícios orientados são fundamentais. Alongamentos excessivos podem não ser indicados para quem já tem mobilidade aumentada.
Prognóstico
Na maioria dos casos, a hipermobilidade tem bom prognóstico.
Muitas pessoas apresentam melhora importante dos sintomas com:
- Fortalecimento adequado;
- Acompanhamento fisioterapêutico;
- Ajustes na rotina de exercícios.
O reconhecimento precoce ajuda a evitar lesões repetidas e complicações a longo prazo.
Quando procurar avaliação?
Procure orientação profissional se houver:
- Dor persistente;
- Lesões recorrentes;
- Sensação frequente de instabilidade;
- Limitação nas atividades do dia a dia;
- Suspeita de síndrome genética associada.
A avaliação individualizada é importante para definir a melhor abordagem.
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Perguntas frequentes sobre hipermobilidade articular
1. Hipermobilidade é doença?
Não necessariamente. Pode ser apenas uma característica do corpo. Torna-se síndrome quando causa sintomas.
2. Hipermobilidade causa dor?
Pode causar, especialmente quando há instabilidade e sobrecarga.
3. Crianças são mais hipermóveis?
Sim. A flexibilidade tende a ser maior na infância e diminuir com a idade.
4. Exercício ajuda ou piora?
Exercício orientado ajuda muito, principalmente fortalecimento e controle muscular.
5. Existe cura?
Não há cura, mas os sintomas podem ser controlados.
6. Aumenta o risco de lesão?
Sim. Entorses e luxações podem ser mais frequentes.
7. Quando suspeitar de síndrome de hipermobilidade?
Quando a flexibilidade aumentada vem acompanhada de dor, fadiga, instabilidade ou impacto funcional.
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