A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma doença respiratória progressiva caracterizada pela obstrução persistente das vias aéreas, dificultando a passagem do ar pelos pulmões. Ela está muito associada ao tabagismo e engloba condições como bronquite crônica e enfisema pulmonar.
Muitas pessoas convivem durante anos com sintomas relativamente estáveis. Em determinados momentos, no entanto, podem ocorrer pioras agudas chamadas de exacerbações da DPOC, que frequentemente levam pacientes ao pronto-atendimento e, em alguns casos, exigem internação.
Reconhecer esses sinais precocemente é muito importante para começar o tratamento rapidamente e reduzir o risco de insuficiência respiratória e outras complicações.
O que é uma exacerbação da DPOC?
A exacerbação é uma piora aguda dos sintomas respiratórios habituais da doença.
Ela pode ser desencadeada por diversos fatores, como:
- Infecções respiratórias virais;
- Pneumonia;
- Infecções bacterianas;
- Poluição ambiental;
- Exposição à fumaça;
- Mudanças climáticas;
- Outras doenças cardíacas ou pulmonares.
Nem toda piora representa uma emergência, mas algumas situações precisam de avaliação médica imediata.
Quais são os sintomas habituais da DPOC?
Pacientes com DPOC costumam apresentar sintomas persistentes, como:
- Falta de ar aos esforços;
- Tosse crônica;
- Produção de catarro;
- Chiado no peito;
- Sensação de aperto no tórax.
O mais importante é perceber quando esses sintomas mudam de forma significativa em relação ao padrão habitual.
Falta de ar piorando rapidamente
A piora da falta de ar é um dos principais sinais de alerta.
Procure atendimento se:
- A falta de ar estiver muito mais intensa que o habitual;
- Atividades simples passarem a causar grande dificuldade;
- Houver dificuldade para falar frases completas;
- A sensação de sufocamento aumentar progressivamente;
- O uso da medicação de alívio não produzir melhora.
Essa é uma das principais causas de procura por pronto-atendimento em pessoas com DPOC.
Queda da oxigenação
Pacientes que utilizam oxímetro em casa podem perceber redução da saturação em relação aos valores habituais.
A queda da oxigenação pode indicar:
- Exacerbação da DPOC;
- Pneumonia;
- Insuficiência respiratória.
Mesmo pessoas que normalmente apresentam saturação um pouco reduzida devem procurar avaliação quando houver queda importante em relação ao seu padrão habitual ou aparecimento de sintomas.
Mudança importante no catarro
Alterações no escarro frequentemente sugerem infecção respiratória.
Os principais sinais são:
- Aumento da quantidade de catarro;
- Mudança da cor para amarelada ou esverdeada;
- Catarro mais espesso;
- Presença de sangue.
Essas alterações podem indicar uma exacerbação infecciosa e justificar tratamento específico.
Febre em pacientes com DPOC
A febre não faz parte dos sintomas habituais da DPOC.
Quando está presente, pode sugerir:
- Infecção respiratória;
- Pneumonia;
- Exacerbação causada por vírus ou bactérias.
Quando a febre vem acompanhada de piora da respiração, a avaliação médica torna-se ainda mais importante.
Uso excessivo da medicação de resgate
Outro sinal de alerta é a necessidade crescente de broncodilatadores de alívio rápido. Se o paciente percebe que precisa utilizar a bombinha muito mais vezes do que o habitual para conseguir respirar, isso pode indicar descompensação da doença.
Nesses casos, é importante procurar avaliação médica para ajustar o tratamento.
Sinais de insuficiência respiratória
Alguns sintomas indicam maior gravidade da exacerbação.
Procure atendimento imediatamente se houver:
- Respiração muito acelerada;
- Uso da musculatura do pescoço ou das costelas para respirar;
- Sensação intensa de sufocamento;
- Incapacidade de permanecer deitado devido à falta de ar;
- Coloração arroxeada dos lábios ou das unhas.
Esses sinais podem indicar insuficiência respiratória e exigem atendimento urgente.
Confusão mental ou sonolência
Nos casos mais graves, a redução da oxigenação ou o aumento do gás carbônico no sangue podem afetar o funcionamento do cérebro.
Os sintomas são:
- Confusão mental;
- Sonolência excessiva;
- Dificuldade para responder perguntas;
- Redução do nível de consciência.
Esses sinais representam uma emergência médica.
Dor no peito merece atenção
Dor no peito não deve ser atribuída automaticamente à DPOC.
Ela pode indicar outras condições importantes, como:
- Pneumonia;
- Infarto;
- Embolia pulmonar;
- Pneumotórax.
Sempre que surgir dor torácica associada à piora da respiração, é muito importante procurar atendimento.
Inchaço nas pernas pode indicar complicações
O aparecimento ou piora do inchaço nas pernas pode sugerir:
- Insuficiência cardíaca;
- Sobrecarga do lado direito do coração;
- Agravamento da doença pulmonar.
Esse sintoma deve ser comunicado ao médico, especialmente quando acompanhado de piora da falta de ar.
Como é o tratamento no pronto-atendimento?
O tratamento depende da gravidade da exacerbação e da causa da piora. Veja o que pode ser feito no pronto-atendimento.
1. Oxigenoterapia
Indicada para pacientes com redução da oxigenação, sempre com monitorização adequada.
2. Broncodilatadores
Medicamentos inalados para aliviar a obstrução das vias aéreas e facilitar a passagem do ar.
3. Corticoides
Frequentemente utilizados para reduzir a inflamação das vias respiratórias durante a exacerbação.
4. Antibióticos
Indicados quando existe suspeita de infecção bacteriana.
5. Ventilação não invasiva
Pode ser necessária em pacientes com insuficiência respiratória, ajudando a evitar a necessidade de intubação em muitos casos.
Como prevenir exacerbações?
Algumas medidas reduzem significativamente o risco de novas crises:
- Parar de fumar;
- Manter a vacinação em dia (gripe, pneumococo e covid-19 quando indicada);
- Utilizar corretamente as medicações prescritas;
- Evitar exposição à fumaça e à poluição;
- Tratar infecções respiratórias precocemente;
- Participar de programas de reabilitação pulmonar quando indicados;
- Realizar acompanhamento regular com o pneumologista.
Quando procurar atendimento imediatamente?
Procure um pronto-atendimento se ocorrer:
- Piora importante da falta de ar;
- Queda da saturação de oxigênio;
- Dificuldade para falar devido à falta de ar;
- Confusão mental;
- Sonolência excessiva;
- Dor no peito;
- Lábios arroxeados;
- Falta de melhora com a medicação de resgate.
Esses sinais podem indicar uma exacerbação grave da DPOC.
Veja também: Enfisema pulmonar: quando respirar se torna um esforço
Perguntas frequentes sobre DPOC e pronto-atendimento
1. Quando a falta de ar da DPOC é preocupante?
Quando piora significativamente em relação ao padrão habitual ou impede atividades simples.
2. Catarro amarelado significa infecção?
Pode indicar uma exacerbação infecciosa, principalmente quando acompanhado de piora da falta de ar e febre.
3. Febre é comum na DPOC?
Não. Quando presente, costuma sugerir infecção associada.
4. Confusão mental pode ocorrer?
Sim. Casos graves podem provocar redução da oxigenação ou aumento do gás carbônico, causando alterações do estado mental.
5. Queda da saturação é um sinal de alerta?
Sim. Principalmente quando acompanhada de piora da respiração ou sintomas importantes.
6. Toda exacerbação precisa de internação?
Não. Casos leves podem ser tratados ambulatorialmente, enquanto os mais graves necessitam de hospitalização.
7. Quando procurar atendimento urgente?
Quando houver piora importante da falta de ar, queda da oxigenação, confusão mental, dor no peito ou sinais de insuficiência respiratória.
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