Autor: Dr. Gabriel Bordim Collaço Simomura

  • DPOC: sinais de que é hora de procurar um pronto-atendimento 

    DPOC: sinais de que é hora de procurar um pronto-atendimento 

    A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma doença respiratória progressiva caracterizada pela obstrução persistente das vias aéreas, dificultando a passagem do ar pelos pulmões. Ela está muito associada ao tabagismo e engloba condições como bronquite crônica e enfisema pulmonar.

    Muitas pessoas convivem durante anos com sintomas relativamente estáveis. Em determinados momentos, no entanto, podem ocorrer pioras agudas chamadas de exacerbações da DPOC, que frequentemente levam pacientes ao pronto-atendimento e, em alguns casos, exigem internação.

    Reconhecer esses sinais precocemente é muito importante para começar o tratamento rapidamente e reduzir o risco de insuficiência respiratória e outras complicações.

    O que é uma exacerbação da DPOC?

    A exacerbação é uma piora aguda dos sintomas respiratórios habituais da doença.

    Ela pode ser desencadeada por diversos fatores, como:

    • Infecções respiratórias virais;
    • Pneumonia;
    • Infecções bacterianas;
    • Poluição ambiental;
    • Exposição à fumaça;
    • Mudanças climáticas;
    • Outras doenças cardíacas ou pulmonares.

    Nem toda piora representa uma emergência, mas algumas situações precisam de avaliação médica imediata.

    Quais são os sintomas habituais da DPOC?

    Pacientes com DPOC costumam apresentar sintomas persistentes, como:

    • Falta de ar aos esforços;
    • Tosse crônica;
    • Produção de catarro;
    • Chiado no peito;
    • Sensação de aperto no tórax.

    O mais importante é perceber quando esses sintomas mudam de forma significativa em relação ao padrão habitual.

    Falta de ar piorando rapidamente

    A piora da falta de ar é um dos principais sinais de alerta.

    Procure atendimento se:

    • A falta de ar estiver muito mais intensa que o habitual;
    • Atividades simples passarem a causar grande dificuldade;
    • Houver dificuldade para falar frases completas;
    • A sensação de sufocamento aumentar progressivamente;
    • O uso da medicação de alívio não produzir melhora.

    Essa é uma das principais causas de procura por pronto-atendimento em pessoas com DPOC.

    Queda da oxigenação

    Pacientes que utilizam oxímetro em casa podem perceber redução da saturação em relação aos valores habituais.

    A queda da oxigenação pode indicar:

    • Exacerbação da DPOC;
    • Pneumonia;
    • Insuficiência respiratória.

    Mesmo pessoas que normalmente apresentam saturação um pouco reduzida devem procurar avaliação quando houver queda importante em relação ao seu padrão habitual ou aparecimento de sintomas.

    Mudança importante no catarro

    Alterações no escarro frequentemente sugerem infecção respiratória.

    Os principais sinais são:

    • Aumento da quantidade de catarro;
    • Mudança da cor para amarelada ou esverdeada;
    • Catarro mais espesso;
    • Presença de sangue.

    Essas alterações podem indicar uma exacerbação infecciosa e justificar tratamento específico.

    Febre em pacientes com DPOC

    A febre não faz parte dos sintomas habituais da DPOC.

    Quando está presente, pode sugerir:

    • Infecção respiratória;
    • Pneumonia;
    • Exacerbação causada por vírus ou bactérias.

    Quando a febre vem acompanhada de piora da respiração, a avaliação médica torna-se ainda mais importante.

    Uso excessivo da medicação de resgate

    Outro sinal de alerta é a necessidade crescente de broncodilatadores de alívio rápido. Se o paciente percebe que precisa utilizar a bombinha muito mais vezes do que o habitual para conseguir respirar, isso pode indicar descompensação da doença.

    Nesses casos, é importante procurar avaliação médica para ajustar o tratamento.

    Sinais de insuficiência respiratória

    Alguns sintomas indicam maior gravidade da exacerbação.

    Procure atendimento imediatamente se houver:

    • Respiração muito acelerada;
    • Uso da musculatura do pescoço ou das costelas para respirar;
    • Sensação intensa de sufocamento;
    • Incapacidade de permanecer deitado devido à falta de ar;
    • Coloração arroxeada dos lábios ou das unhas.

    Esses sinais podem indicar insuficiência respiratória e exigem atendimento urgente.

    Confusão mental ou sonolência

    Nos casos mais graves, a redução da oxigenação ou o aumento do gás carbônico no sangue podem afetar o funcionamento do cérebro.

    Os sintomas são:

    • Confusão mental;
    • Sonolência excessiva;
    • Dificuldade para responder perguntas;
    • Redução do nível de consciência.

    Esses sinais representam uma emergência médica.

    Dor no peito merece atenção

    Dor no peito não deve ser atribuída automaticamente à DPOC.

    Ela pode indicar outras condições importantes, como:

    • Pneumonia;
    • Infarto;
    • Embolia pulmonar;
    • Pneumotórax.

    Sempre que surgir dor torácica associada à piora da respiração, é muito importante procurar atendimento.

    Inchaço nas pernas pode indicar complicações

    O aparecimento ou piora do inchaço nas pernas pode sugerir:

    • Insuficiência cardíaca;
    • Sobrecarga do lado direito do coração;
    • Agravamento da doença pulmonar.

    Esse sintoma deve ser comunicado ao médico, especialmente quando acompanhado de piora da falta de ar.

    Como é o tratamento no pronto-atendimento?

    O tratamento depende da gravidade da exacerbação e da causa da piora. Veja o que pode ser feito no pronto-atendimento.

    1. Oxigenoterapia

    Indicada para pacientes com redução da oxigenação, sempre com monitorização adequada.

    2. Broncodilatadores

    Medicamentos inalados para aliviar a obstrução das vias aéreas e facilitar a passagem do ar.

    3. Corticoides

    Frequentemente utilizados para reduzir a inflamação das vias respiratórias durante a exacerbação.

    4. Antibióticos

    Indicados quando existe suspeita de infecção bacteriana.

    5. Ventilação não invasiva

    Pode ser necessária em pacientes com insuficiência respiratória, ajudando a evitar a necessidade de intubação em muitos casos.

    Como prevenir exacerbações?

    Algumas medidas reduzem significativamente o risco de novas crises:

    • Parar de fumar;
    • Manter a vacinação em dia (gripe, pneumococo e covid-19 quando indicada);
    • Utilizar corretamente as medicações prescritas;
    • Evitar exposição à fumaça e à poluição;
    • Tratar infecções respiratórias precocemente;
    • Participar de programas de reabilitação pulmonar quando indicados;
    • Realizar acompanhamento regular com o pneumologista.

    Quando procurar atendimento imediatamente?

    Procure um pronto-atendimento se ocorrer:

    • Piora importante da falta de ar;
    • Queda da saturação de oxigênio;
    • Dificuldade para falar devido à falta de ar;
    • Confusão mental;
    • Sonolência excessiva;
    • Dor no peito;
    • Lábios arroxeados;
    • Falta de melhora com a medicação de resgate.

    Esses sinais podem indicar uma exacerbação grave da DPOC.

    Veja também: Enfisema pulmonar: quando respirar se torna um esforço

    Perguntas frequentes sobre DPOC e pronto-atendimento

    1. Quando a falta de ar da DPOC é preocupante?

    Quando piora significativamente em relação ao padrão habitual ou impede atividades simples.

    2. Catarro amarelado significa infecção?

    Pode indicar uma exacerbação infecciosa, principalmente quando acompanhado de piora da falta de ar e febre.

    3. Febre é comum na DPOC?

    Não. Quando presente, costuma sugerir infecção associada.

    4. Confusão mental pode ocorrer?

    Sim. Casos graves podem provocar redução da oxigenação ou aumento do gás carbônico, causando alterações do estado mental.

    5. Queda da saturação é um sinal de alerta?

    Sim. Principalmente quando acompanhada de piora da respiração ou sintomas importantes.

    6. Toda exacerbação precisa de internação?

    Não. Casos leves podem ser tratados ambulatorialmente, enquanto os mais graves necessitam de hospitalização.

    7. Quando procurar atendimento urgente?

    Quando houver piora importante da falta de ar, queda da oxigenação, confusão mental, dor no peito ou sinais de insuficiência respiratória.

    Veja também: Doenças do inverno: quais mais lotam os hospitais e como se proteger

  • Dor na panturrilha que não melhora? Saiba quais sinais são preocupantes 

    Dor na panturrilha que não melhora? Saiba quais sinais são preocupantes 

    A dor na panturrilha é comum e, na maioria das vezes, está ligada a lesões musculares, cãibras ou esforço excessivo após atividades físicas. Quando a dor surge de forma intensa, sem uma explicação clara, ou vem acompanhada de sinais como inchaço, vermelhidão ou falta de ar, é importante considerar outras causas além de problemas musculares.

    Em algumas situações, a dor pode estar relacionada a alterações na circulação sanguínea, incluindo a trombose venosa profunda (TVP), uma condição que exige diagnóstico e tratamento precoces para evitar complicações.

    Lesão muscular é a causa mais comum

    A maior parte dos episódios de dor na panturrilha está relacionada a alterações musculares.

    As causas mais frequentes são:

    • Distensão muscular;
    • Contraturas;
    • Sobrecarga após atividade física;
    • Cãibras;
    • Microlesões associadas ao exercício.

    Normalmente existe uma relação temporal entre a dor e algum esforço físico recente.

    Como costuma ser a dor muscular?

    A dor muscular geralmente apresenta características bastante típicas.

    Ela costuma:

    • Surgir após exercícios ou esforço físico;
    • Piorar ao movimentar o músculo;
    • Melhorar com repouso;
    • Estar associada à sensibilidade local;
    • Apresentar melhora gradual ao longo dos dias.

    Em muitos casos, a pessoa consegue identificar exatamente quando ocorreu o esforço que desencadeou o sintoma.

    Quando a dor merece maior atenção?

    Alguns sinais sugerem que a dor pode não ser apenas muscular. Os principais sinais de alerta são:

    • Início súbito sem esforço aparente;
    • Inchaço importante da perna;
    • Vermelhidão;
    • Sensação de calor local;
    • Dor progressivamente pior;
    • Diferença de volume entre as pernas;
    • Falta de ar associada.

    Nessas situações, a avaliação médica é recomendada.

    Trombose venosa profunda: uma das principais preocupações

    Uma das causas mais importantes de dor intensa na panturrilha é a trombose venosa profunda (TVP).

    Essa condição acontece quando um coágulo se forma em uma veia profunda da perna, dificultando o retorno do sangue para o coração.

    Além da dor, podem surgir:

    • Inchaço em apenas uma perna;
    • Sensação de peso;
    • Vermelhidão;
    • Calor local;
    • Sensibilidade ao toque.

    Nem todos os pacientes apresentam todos os sintomas, o que pode dificultar o reconhecimento da doença.

    Por que a trombose é perigosa?

    O principal risco da trombose venosa profunda é que parte do coágulo se desprenda e viaje pela circulação. Quando isso acontece, o trombo pode atingir os pulmões e provocar uma embolia pulmonar.

    Essa complicação pode causar:

    • Falta de ar súbita;
    • Dor no peito;
    • Tosse com sangue;
    • Tontura;
    • Desmaio.

    Por esse motivo, suspeitas de trombose devem ser avaliadas rapidamente.

    Quem tem maior risco de trombose?

    Diversos fatores aumentam o risco de desenvolver trombose venosa profunda.

    Entre eles:

    • Cirurgias recentes;
    • Imobilização prolongada;
    • Viagens longas;
    • Internações hospitalares;
    • Gravidez e pós-parto;
    • Uso de anticoncepcionais hormonais;
    • Terapia hormonal;
    • Histórico prévio de trombose;
    • Câncer;
    • Trombofilias hereditárias.

    A presença desses fatores aumenta a suspeita quando existe dor importante na panturrilha.

    Problemas arteriais também podem causar dor

    Nem toda dor vascular está relacionada às veias. Problemas nas artérias também podem provocar dor na panturrilha.

    Entre os sintomas que podem sugerir comprometimento arterial estão:

    • Dor ao caminhar que melhora com repouso;
    • Sensação de perna fria;
    • Pele mais pálida;
    • Diminuição dos pulsos da perna;
    • Alteração da coloração dos pés.

    Nos casos de obstrução arterial aguda, a dor costuma ser intensa e representa uma emergência médica.

    Ruptura muscular pode acontecer?

    Sim. Em algumas situações ocorre ruptura parcial ou completa das fibras musculares da panturrilha. Esse problema costuma surgir durante:

    • Corridas;
    • Saltos;
    • Mudanças bruscas de direção;
    • Atividades esportivas intensas.

    Os sintomas são:

    • Dor súbita e intensa;
    • Sensação de estalo;
    • Dificuldade para caminhar;
    • Hematoma local;
    • Fraqueza da perna.

    Cisto de Baker roto pode simular trombose

    O cisto de Baker é uma bolsa preenchida por líquido localizada atrás do joelho.

    Quando ele se rompe, pode causar:

    • Dor na panturrilha;
    • Inchaço;
    • Sensação de pressão;
    • Vermelhidão.

    Como os sintomas podem ser muito semelhantes aos da trombose venosa profunda, frequentemente é necessário realizar exames para diferenciar os dois quadros.

    Quando a falta de ar associada é um sinal de alerta?

    A associação entre dor na panturrilha e sintomas respiratórios merece atenção imediata.

    Procure atendimento urgente se surgirem:

    • Falta de ar súbita;
    • Dor no peito;
    • Tosse com sangue;
    • Tontura;
    • Desmaio;
    • Palpitações.

    Esses sintomas podem indicar embolia pulmonar, uma complicação potencialmente grave da trombose.

    Como os médicos investigam a dor na panturrilha?

    A investigação depende das características da dor e dos sintomas associados.

    Os exames mais utilizados são os abaixo.

    1. Ultrassom Doppler

    É o principal exame para investigação de trombose venosa profunda.

    Permite avaliar o fluxo sanguíneo nas veias e identificar a presença de coágulos.

    2. Ultrassonografia musculoesquelética

    Pode ajudar na identificação de:

    • Distensões;
    • Rupturas musculares;
    • Hematomas.

    3. Avaliação vascular

    Quando existe suspeita de comprometimento arterial, exames específicos da circulação podem ser necessários.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende diretamente da causa identificada.

    Lesões musculares

    Podem ser tratadas com:

    • Repouso;
    • Aplicação de gelo;
    • Fisioterapia;
    • Analgésicos;
    • Retorno gradual às atividades.

    Trombose venosa profunda

    O tratamento geralmente envolve:

    • Anticoagulantes;
    • Acompanhamento médico especializado;
    • Monitorização clínica.

    Problemas arteriais

    Podem exigir:

    • Avaliação vascular urgente;
    • Procedimentos para restaurar a circulação;
    • Internação em alguns casos.

    Quando procurar atendimento imediatamente?

    Procure atendimento médico urgente se houver:

    • Inchaço importante em apenas uma perna;
    • Dor intensa sem causa aparente;
    • Vermelhidão e calor local;
    • Falta de ar associada;
    • Dor no peito;
    • Alteração da cor da perna;
    • Sensação de perna fria;
    • Incapacidade súbita de caminhar.

    Esses sinais podem indicar comprometimento vascular que necessita de avaliação rápida.

    Veja também: Trombose Venosa Profunda (TVP): entenda mais sobre a condição

    Perguntas frequentes sobre dor na panturrilha

    1. Toda dor na panturrilha é muscular?

    Não. Embora seja a causa mais comum, problemas vasculares e outras condições também podem provocar o sintoma.

    2. Como suspeitar de trombose?

    Dor associada a inchaço, calor, vermelhidão e aumento do volume de uma perna são sinais sugestivos.

    3. Trombose sempre causa inchaço?

    Não. Embora seja frequente, alguns pacientes podem apresentar poucos sintomas.

    4. Exercício pode causar dor intensa?

    Sim. Distensões e rupturas musculares podem provocar dor importante.

    5. Falta de ar associada é preocupante?

    Sim. Pode indicar embolia pulmonar e exige avaliação imediata.

    6. Qual exame detecta trombose?

    O ultrassom Doppler venoso é o principal exame utilizado.

    7. Quando procurar um médico?

    Sempre que houver suspeita de trombose, dor intensa sem explicação clara ou sinais de comprometimento vascular.

    Veja também: Essas 10 situações aumentam o risco de trombose e embolia pulmonar

  • Pressão muito baixa pode ser perigosa? Entenda quando é um problema 

    Pressão muito baixa pode ser perigosa? Entenda quando é um problema 

    A pressão arterial baixa, também chamada de hipotensão arterial, é uma condição que pode ocorrer tanto em pessoas saudáveis quanto em indivíduos com determinadas doenças.

    Muitas pessoas convivem com níveis de pressão naturalmente mais baixos sem apresentar qualquer sintoma ou prejuízo à saúde.

    Por outro lado, quando a pressão cai de forma significativa ou repentina, a circulação sanguínea pode ficar comprometida, o que reduz a chegada de oxigênio e nutrientes a órgãos importantes como cérebro, coração e rins. Nessas situações, é fundamental identificar a causa e avaliar a gravidade do quadro.

    O que é considerado pressão baixa?

    A pressão arterial é medida por dois valores:

    • Pressão sistólica (valor mais alto);
    • Pressão diastólica (valor mais baixo).

    De forma geral, valores abaixo de 90/60 mmHg costumam ser classificados como hipotensão.

    No entanto, o número isolado nem sempre determina se existe um problema.

    O mais importante é avaliar:

    • A presença de sintomas;
    • O padrão habitual da pessoa;
    • A velocidade da queda da pressão;
    • O contexto clínico.

    Uma pessoa que sempre teve pressão baixa pode estar perfeitamente saudável, enquanto outra pode apresentar sintomas importantes com valores semelhantes.

    Algumas pessoas têm pressão baixa naturalmente

    Sim. É relativamente comum encontrar pessoas, especialmente jovens, magras e fisicamente ativas, com pressão naturalmente mais baixa.

    Nesses casos:

    • Não há sintomas;
    • A circulação permanece adequada;
    • Não existe comprometimento dos órgãos;
    • Geralmente não é necessário tratamento.

    Por isso, pressão baixa nem sempre significa doença.

    Quais sintomas podem ocorrer?

    Quando a pressão arterial cai além da capacidade de adaptação do organismo, podem surgir sintomas como:

    • Tontura;
    • Sensação de desmaio;
    • Fraqueza;
    • Visão escurecida;
    • Suor frio;
    • Palidez;
    • Náuseas;
    • Sensação de cabeça leve.

    A intensidade dos sintomas costuma depender da rapidez e da magnitude da queda da pressão.

    Por que a pressão baixa causa tontura?

    O cérebro necessita de fluxo sanguíneo constante para funcionar adequadamente.

    Quando a pressão arterial cai muito, pode ocorrer uma redução temporária da quantidade de sangue que chega ao cérebro.

    Isso pode provocar:

    • Tontura;
    • Escurecimento da visão;
    • Sensação de desequilíbrio;
    • Sensação de desmaio;
    • Perda temporária da consciência.

    Esse mecanismo explica por que algumas pessoas desmaiam após quedas importantes da pressão arterial.

    Quais são as causas mais comuns?

    As causas da hipotensão variam desde situações simples até condições potencialmente graves.

    1. Desidratação

    Uma das causas mais frequentes.

    Pode ocorrer devido a:

    • Vômitos;
    • Diarreia;
    • Febre;
    • Excesso de suor;
    • Baixa ingestão de líquidos.

    Quando o organismo perde muito líquido, o volume de sangue circulante diminui e a pressão pode cair.

    2. Hipotensão ortostática

    Algumas pessoas apresentam queda da pressão ao mudar rapidamente de posição.

    Isso costuma acontecer ao passar da posição deitada ou sentada para a posição em pé.

    Os sintomas costumam ser:

    • Tontura;
    • Visão escurecida;
    • Sensação de fraqueza;
    • Desmaios em alguns casos.

    3. Medicamentos

    Diversos medicamentos podem reduzir a pressão arterial.

    Veja alguns:

    • Anti-hipertensivos;
    • Diuréticos;
    • Alguns antidepressivos;
    • Medicamentos para Parkinson;
    • Vasodilatadores.

    Em alguns casos, pode ser necessário ajustar a dose ou reavaliar o tratamento.

    Quando a pressão baixa pode ser perigosa?

    A preocupação aumenta quando a queda da pressão compromete a circulação de órgãos vitais.

    Isso pode ocorrer em situações como:

    • Hemorragias;
    • Infecções graves (sepse);
    • Problemas cardíacos;
    • Reações alérgicas graves (anafilaxia);
    • Desidratação intensa.

    Nesses cenários, a pressão baixa pode ser um importante sinal de alerta.

    Choque: a forma mais grave de hipotensão

    O choque ocorre quando a circulação sanguínea se torna insuficiente para fornecer oxigênio adequado aos órgãos. Trata-se de uma emergência médica.

    Os sinais podem incluir:

    • Confusão mental;
    • Sonolência excessiva;
    • Extremidades frias;
    • Respiração acelerada;
    • Queda importante da pressão arterial;
    • Diminuição da produção de urina;
    • Pele fria e pálida.

    Sem tratamento rápido, o choque pode levar à falência de órgãos.

    Pressão baixa em idosos merece mais atenção?

    Sim. Nos idosos, a hipotensão pode aumentar significativamente o risco de:

    • Quedas;
    • Fraturas;
    • Desmaios;
    • Traumatismos;
    • Internações.

    Além disso, pode ser consequência de doenças cardíacas, neurológicas ou do uso de múltiplos medicamentos. Por isso, quedas recorrentes de pressão nessa faixa etária merecem investigação.

    O que os médicos investigam?

    A avaliação depende da situação clínica e dos sintomas apresentados. Os médicos costumam investigar:

    • Histórico clínico;
    • Uso de medicamentos;
    • Episódios recentes de vômitos ou diarreia;
    • Doenças cardíacas;
    • Sinais de infecção;
    • Possíveis sangramentos.

    Entre os exames que podem ser solicitados estão:

    • Exames de sangue;
    • Eletrocardiograma;
    • Ecocardiograma;
    • Avaliação da função renal;
    • Exames de imagem quando indicados.

    O objetivo é identificar a causa da hipotensão e tratar o problema de base.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende diretamente da causa.

    1. Hidratação

    É uma das principais medidas quando a hipotensão está relacionada à perda de líquidos. Pode ser feita por via oral ou intravenosa, dependendo da gravidade.

    2. Ajuste de medicamentos

    Quando a pressão baixa está associada ao uso de remédios, pode ser necessário reavaliar doses ou esquemas terapêuticos.

    3. Tratamento da doença de base

    Em casos relacionados a infecções, sangramentos, problemas cardíacos e distúrbios hormonais, o tratamento da causa é fundamental para normalizar a pressão.

    O que fazer durante uma queda de pressão?

    Se a pessoa apresentar sintomas de hipotensão:

    • Sente-se ou deite-se imediatamente;
    • Eleve as pernas, se possível;
    • Afrouxe roupas apertadas;
    • Ofereça água, caso a pessoa esteja consciente;
    • Evite levantar-se rapidamente.

    Se os sintomas forem intensos, persistentes ou acompanhados de sinais de gravidade, procure atendimento médico.

    Quando procurar atendimento urgente?

    Procure atendimento imediatamente se a pressão baixa estiver associada a:

    • Desmaio;
    • Dor no peito;
    • Falta de ar;
    • Confusão mental;
    • Sangramento importante;
    • Fraqueza intensa;
    • Alteração do nível de consciência;
    • Palidez intensa.

    Esses sintomas podem indicar uma emergência médica.

    Confira: Isotônico ajuda na pressão baixa? Saiba quando funciona

    Perguntas frequentes sobre pressão baixa

    1. Pressão baixa sempre é perigosa?

    Não. Muitas pessoas têm pressão naturalmente baixa e permanecem completamente saudáveis.

    2. Qual o principal sintoma da pressão baixa?

    A tontura é um dos sintomas mais frequentes.

    3. Desidratação pode causar queda de pressão?

    Sim. A perda de líquidos é uma das causas mais comuns de hipotensão.

    4. Pressão baixa pode causar desmaio?

    Sim. Quando a circulação cerebral fica temporariamente reduzida, pode ocorrer perda de consciência.

    5. Idosos precisam de mais atenção?

    Sim. A hipotensão aumenta o risco de quedas, fraturas e outras complicações nessa faixa etária.

    6. Quando a pressão baixa é uma emergência?

    Quando está associada a sinais de choque, desmaio, dor no peito, falta de ar ou alteração do estado mental.

    7. O que fazer diante de uma queda de pressão?

    Sentar ou deitar a pessoa, elevar as pernas quando possível e procurar avaliação médica se os sintomas forem importantes ou persistentes.

    Veja também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Pneumonia em idosos: sintomas podem ser diferentes e atrasar o diagnóstico 

    Pneumonia em idosos: sintomas podem ser diferentes e atrasar o diagnóstico 

    A pneumonia é uma infecção que afeta os pulmões e representa uma das principais causas de hospitalização e complicações em pessoas idosas.

    Ela pode acontecer em qualquer idade, mas o envelhecimento traz alterações naturais do sistema imunológico e da função respiratória que aumentam a vulnerabilidade às infecções pulmonares.

    Além disso, os sintomas nem sempre são os mesmos observados em adultos jovens, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento.

    Reconhecer os sinais precocemente é extremamente importante para reduzir o risco de complicações.

    O que é pneumonia?

    A pneumonia ocorre quando microrganismos infectam os pulmões e provocam inflamação dos alvéolos, pequenas estruturas responsáveis pelas trocas gasosas.

    Durante a infecção, esses alvéolos podem ficar preenchidos por secreções e células inflamatórias, dificultando a passagem do oxigênio para o sangue.

    Dependendo da extensão do acometimento, a doença pode variar de quadros leves a situações potencialmente graves.

    Por que idosos têm mais risco de pneumonia?

    Com o envelhecimento, diversas mudanças fisiológicas aumentam a suscetibilidade às infecções respiratórias.

    Entre elas estão:

    • Redução da eficiência do sistema imunológico;
    • Menor capacidade de eliminar secreções das vias respiratórias;
    • Redução da força muscular respiratória;
    • Presença de doenças crônicas;
    • Maior risco de aspiração de alimentos, líquidos ou saliva.

    Esses fatores facilitam tanto o surgimento da pneumonia quanto o desenvolvimento de complicações.

    Quais são as principais causas de pneumonia em idosos?

    A pneumonia pode ser causada por diferentes tipos de microrganismos ou situações que favorecem a infecção pulmonar.

    1. Bactérias

    As bactérias estão entre as causas mais frequentes.

    O principal agente é o Streptococcus pneumoniae, conhecido popularmente como pneumococo.

    Outras bactérias também podem estar envolvidas, especialmente em idosos com doenças crônicas ou que tiveram contato recente com serviços de saúde.

    2. Vírus

    Diversos vírus respiratórios podem causar pneumonia, incluindo:

    • Influenza (gripe);
    • Vírus sincicial respiratório (VSR);
    • SARS-CoV-2 (covid-19);
    • Metapneumovírus;
    • Outros vírus respiratórios sazonais.

    Em muitos casos, infecções virais podem abrir caminho para infecções bacterianas secundárias.

    3. Pneumonia aspirativa

    Idosos com alterações da deglutição apresentam maior risco de aspirar alimentos, líquidos ou saliva para os pulmões.

    Essa situação favorece o desenvolvimento da chamada pneumonia aspirativa, especialmente em pessoas com doenças neurológicas, demência ou sequelas de AVC.

    Quais são os sintomas mais comuns?

    Os sintomas clássicos da pneumonia incluem:

    • Tosse;
    • Febre;
    • Falta de ar;
    • Produção de catarro;
    • Dor no peito ao respirar;
    • Cansaço importante.

    Entretanto, em idosos, os sinais podem ser diferentes e menos evidentes.

    Pneumonia em idosos pode ocorrer sem febre?

    Sim. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, idosos podem desenvolver pneumonia sem apresentar febre alta. Isso acontece porque o envelhecimento pode alterar a resposta inflamatória do organismo.

    Em alguns casos, a febre é discreta ou sequer está presente. Por esse motivo, a ausência de febre não exclui a possibilidade de pneumonia.

    Sintomas que podem ser diferentes nos idosos

    Além dos sintomas respiratórios tradicionais, a pneumonia em idosos pode provocar manifestações menos específicas.

    Entre elas:

    • Confusão mental;
    • Sonolência excessiva;
    • Fraqueza importante;
    • Quedas sem explicação aparente;
    • Redução do apetite;
    • Piora repentina do estado geral;
    • Diminuição da disposição para atividades habituais.

    Em algumas situações, esses sintomas podem ser os primeiros sinais da infecção.

    Quando a pneumonia pode ser grave?

    A pneumonia pode se tornar mais grave quando compromete significativamente a capacidade de oxigenação do organismo.

    Alguns sinais de gravidade incluem:

    • Falta de ar importante;
    • Queda da saturação de oxigênio;
    • Respiração acelerada;
    • Confusão mental intensa;
    • Pressão arterial baixa;
    • Infecção disseminada (sepse).

    Idosos com doenças cardíacas, pulmonares, renais ou neurológicas apresentam maior risco de evolução desfavorável.

    Como os médicos fazem o diagnóstico?

    O diagnóstico costuma envolver a combinação da avaliação clínica com exames complementares.

    1. Avaliação clínica

    O médico investiga os sintomas, realiza exame físico e avalia sinais de comprometimento respiratório.

    2. Radiografia de tórax

    É um dos exames mais utilizados para confirmar a presença de áreas inflamadas ou infectadas nos pulmões.

    3. Exames laboratoriais

    Podem ajudar a identificar sinais de infecção, avaliar a gravidade do quadro e orientar o tratamento. Em alguns casos, outros exames de imagem ou testes microbiológicos também podem ser necessários.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende da causa da pneumonia e da gravidade dos sintomas.

    Pode incluir:

    • Antibióticos, quando a infecção é bacteriana;
    • Hidratação adequada;
    • Controle da febre e do desconforto;
    • Oxigenoterapia quando necessária;
    • Fisioterapia respiratória em casos selecionados.

    Pacientes com quadros mais graves podem necessitar de internação hospitalar para monitorização e suporte intensivo.

    Como prevenir a pneumonia em idosos?

    Algumas medidas ajudam a reduzir significativamente o risco da doença.

    1. Manter a vacinação em dia

    As vacinas contra gripe, pneumococo e outras doenças respiratórias reduzem o risco de infecções graves.

    2. Controlar doenças crônicas

    Pressão alta, diabetes, insuficiência cardíaca e doenças pulmonares devem permanecer bem controladas.

    3. Higienizar as mãos regularmente

    Essa medida simples reduz a transmissão de diversos microrganismos.

    4. Avaliar dificuldades para engolir

    Pacientes com engasgos frequentes ou problemas de deglutição podem precisar de avaliação especializada.

    5. Manter atividade física e boa alimentação

    Esses fatores contribuem para a manutenção da imunidade e da função respiratória.

    Quando procurar atendimento médico?

    Procure avaliação médica se o idoso apresentar:

    • Falta de ar;
    • Tosse persistente;
    • Febre;
    • Confusão mental súbita;
    • Sonolência excessiva;
    • Queda da saturação de oxigênio;
    • Piora rápida do estado geral.

    Quanto mais cedo a pneumonia for diagnosticada e tratada, menores tendem a ser os riscos de complicações.

    Confira: Pneumonia por pneumococo: o que é e quando suspeitar dessa bactéria

    Perguntas frequentes sobre pneumonia em idosos

    1. Pneumonia em idosos sempre causa febre?

    Não. Em muitos casos, a febre pode ser discreta ou até estar ausente.

    2. Confusão mental pode ser sinal de pneumonia?

    Sim. Em idosos, a confusão mental pode ser um dos primeiros sintomas da infecção.

    3. Qual a principal causa de pneumonia nessa faixa etária?

    As infecções bacterianas, especialmente pelo pneumococo, estão entre as causas mais comuns.

    4. Todo idoso com pneumonia precisa internar?

    Não. A necessidade de internação depende da gravidade do quadro e das condições clínicas do paciente.

    5. A vacina ajuda a prevenir?

    Sim. A vacinação reduz o risco de pneumonia e de complicações associadas.

    6. Pneumonia pode ser grave?

    Sim. Especialmente em idosos com outras doenças ou fragilidade clínica.

    7. Quando procurar atendimento urgente?

    Quando houver falta de ar, confusão mental, queda da oxigenação ou piora rápida do estado geral.

    Veja também: 7 sintomas que mostram que a gripe evoluiu para pneumonia (e quando ir ao médico)

  • Voz rouca há semanas? Saiba quando procurar avaliação médica

    Voz rouca há semanas? Saiba quando procurar avaliação médica

    A rouquidão é uma alteração da voz que pode deixá-la mais áspera, fraca, abafada ou com falhas. Na maioria das vezes, ela surge após gripes, resfriados ou períodos de uso intenso da voz e melhora espontaneamente em poucos dias.

    No entanto, quando a rouquidão persiste por várias semanas, especialmente sem uma causa aparente, é importante procurar avaliação médica.

    Embora muitas causas sejam benignas, algumas doenças mais importantes podem se manifestar inicialmente apenas por alterações da voz.

    O que causa a rouquidão?

    A voz é produzida pelas cordas vocais, estruturas localizadas na laringe.

    Qualquer condição que provoque inflamação, irritação, inchaço ou alteração do movimento dessas estruturas pode causar rouquidão.

    A alteração pode variar desde uma leve mudança no timbre até perda importante da qualidade vocal.

    Principais causas de rouquidão temporária

    As causas mais comuns incluem:

    • Gripes e resfriados;
    • Laringites virais;
    • Uso excessivo da voz;
    • Gritar ou falar por longos períodos;
    • Irritação causada por fumaça;
    • Exposição a ambientes muito secos.

    Nessas situações, a melhora costuma ocorrer espontaneamente em alguns dias ou semanas.

    Quando a rouquidão é considerada persistente?

    De forma geral, considera-se que a rouquidão merece investigação quando:

    • Dura mais de duas a quatro semanas;
    • Não apresenta melhora progressiva;
    • Surge sem uma causa evidente;
    • Retorna repetidamente.

    Atualmente, diversas sociedades médicas recomendam avaliação especializada quando a alteração vocal persiste por mais de quatro semanas.

    Refluxo pode causar rouquidão?

    Sim. O refluxo laringofaríngeo é uma das causas mais comuns de rouquidão crônica.

    Nesse quadro, pequenas quantidades de conteúdo do estômago alcançam a região da laringe, provocando irritação persistente.

    Além da alteração da voz, podem surgir:

    • Pigarro frequente;
    • Sensação de algo preso na garganta;
    • Tosse seca persistente;
    • Necessidade constante de limpar a garganta.

    Muitas pessoas com refluxo laringofaríngeo não apresentam azia, o que pode dificultar o reconhecimento do problema.

    Uso excessivo da voz pode provocar lesões?

    Sim. Pessoas que utilizam a voz intensamente têm maior risco de desenvolver alterações nas cordas vocais.

    Entre os grupos mais afetados estão:

    • Professores;
    • Cantores;
    • Locutores;
    • Palestrantes;
    • Operadores de telemarketing.

    O esforço vocal repetitivo pode favorecer o surgimento de:

    • Nódulos vocais;
    • Pólipos;
    • Edema das cordas vocais;
    • Lesões inflamatórias crônicas.

    Tabagismo e rouquidão

    O cigarro é uma das principais causas de irritação crônica da laringe.

    Além de provocar inflamação persistente, o tabagismo aumenta significativamente o risco de:

    • Lesões pré-cancerosas;
    • Câncer de laringe;
    • Alterações permanentes da voz.

    Por esse motivo, fumantes que apresentam rouquidão persistente devem procurar avaliação médica sem demora.

    Quando a rouquidão pode indicar algo mais sério?

    Alguns sinais de alerta merecem investigação mais rápida.

    Procure avaliação médica se houver:

    • Rouquidão persistente por mais de quatro semanas;
    • Dificuldade para engolir;
    • Dor ao engolir;
    • Falta de ar;
    • Tosse com sangue;
    • Dor persistente na garganta;
    • Perda de peso sem explicação;
    • Caroços no pescoço.

    A presença desses sintomas não significa necessariamente uma doença grave, mas aumenta a necessidade de investigação.

    Câncer de laringe pode causar rouquidão?

    Sim. A rouquidão persistente é um dos sintomas mais frequentes do câncer de laringe.

    O risco é maior em:

    • Fumantes;
    • Pessoas que consomem álcool em excesso;
    • Indivíduos acima dos 40 anos;
    • Pessoas com exposição prolongada ao tabaco.

    Apesar disso, é importante lembrar que a maioria dos casos de rouquidão persistente não está relacionada ao câncer.

    Ainda assim, o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de tratamento bem-sucedido.

    Como é feita a investigação?

    A avaliação geralmente começa com uma consulta médica detalhada.

    O profissional irá analisar:

    • Tempo de duração dos sintomas;
    • Hábitos vocais;
    • Histórico de tabagismo;
    • Presença de refluxo;
    • Sintomas associados.

    O principal exame utilizado é a laringoscopia.

    Laringoscopia

    A laringoscopia permite visualizar diretamente a laringe e as cordas vocais.

    Com esse exame, é possível identificar:

    • Inflamações;
    • Nódulos;
    • Pólipos;
    • Paralisias das cordas vocais;
    • Tumores.

    Dependendo dos achados, outros exames podem ser necessários.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende da causa identificada.

    As opções podem incluir:

    • Repouso vocal;
    • Tratamento do refluxo;
    • Fonoaudiologia;
    • Suspensão do tabagismo;
    • Controle de alergias;
    • Cirurgia em casos específicos.

    O tratamento adequado costuma proporcionar melhora importante da qualidade vocal.

    Como proteger a voz?

    Algumas medidas simples ajudam a prevenir problemas vocais:

    • Manter boa hidratação;
    • Evitar gritar frequentemente;
    • Fazer pausas durante uso prolongado da voz;
    • Não fumar;
    • Tratar refluxo quando presente;
    • Evitar pigarrear repetidamente.

    Esses cuidados são especialmente importantes para profissionais que dependem da voz no trabalho.

    Quando procurar atendimento médico?

    É recomendável procurar avaliação médica quando:

    • A rouquidão dura mais de duas a quatro semanas;
    • Existe piora progressiva da voz;
    • Há dificuldade para engolir;
    • Surgem falta de ar ou dor;
    • A pessoa é fumante e apresenta alteração persistente da voz.

    A investigação precoce ajuda a identificar tanto causas benignas quanto condições que exigem tratamento específico.

    Veja mais: Riscos do HPV e como a vacina protege contra câncer

    Perguntas frequentes sobre rouquidão persistente

    1. Rouquidão após gripe é normal?

    Sim. É comum que a voz permaneça alterada por alguns dias após infecções respiratórias.

    2. Quanto tempo de rouquidão merece investigação?

    Em geral, alterações que persistem por mais de duas a quatro semanas devem ser avaliadas.

    3. Refluxo pode causar alteração da voz?

    Sim. O refluxo laringofaríngeo é uma das causas mais frequentes de rouquidão crônica.

    4. Fumar aumenta o risco de rouquidão?

    Sim. O tabagismo causa irritação da laringe e aumenta o risco de doenças mais graves.

    5. Toda rouquidão persistente é câncer?

    Não. A maioria dos casos está relacionada a causas benignas, como refluxo ou uso excessivo da voz.

    6. Qual exame avalia as cordas vocais?

    A laringoscopia é o principal exame para avaliação direta das cordas vocais.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando a rouquidão persiste por semanas ou está associada a sintomas como dificuldade para engolir, falta de ar ou perda de peso.

    Veja também: Dificuldade para engolir: quando o sintoma merece investigação?

  • Ebola: o que é, como se transmite e por que o risco de pandemia é considerado baixo 

    Ebola: o que é, como se transmite e por que o risco de pandemia é considerado baixo 

    O Ebola é uma doença viral grave causada por vírus do gênero Ebolavirus. A infecção ganhou notoriedade mundial durante os grandes surtos registrados na África Ocidental entre 2014 e 2016, quando milhares de pessoas foram infectadas e mais de 11 mil morreram.

    Embora apresente elevada letalidade em alguns contextos, o comportamento epidemiológico do Ebola é bastante diferente de doenças respiratórias altamente transmissíveis, como a covid-19. Isso faz com que o risco de uma pandemia global seja considerado significativamente menor pelos especialistas.

    Ainda assim, surtos localizados continuam ocorrendo e exigem vigilância constante das autoridades sanitárias.

    O que é o Ebola?

    O Ebola é uma doença infecciosa que pode causar febre hemorrágica grave e comprometimento de múltiplos órgãos. O vírus foi identificado pela primeira vez em 1976, próximo ao Rio Ebola, na atual República Democrática do Congo.

    Desde então, surtos esporádicos foram registrados principalmente em países da África Central e Ocidental.

    Como acontece a transmissão?

    A transmissão ocorre por contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados. Entre os principais meios de transmissão estão:

    • Sangue;
    • Saliva;
    • Vômitos;
    • Fezes;
    • Urina;
    • Secreções corporais;
    • Tecidos de pessoas ou animais infectados.

    O vírus também pode ser transmitido por objetos contaminados por esses fluidos.

    Ebola não é transmitido pelo ar

    Uma das características que diferenciam o Ebola de vírus com potencial pandêmico elevado é a forma de transmissão. O Ebola não apresenta transmissão aérea eficiente entre humanos, como ocorre com:

    • Covid-19;
    • Influenza;
    • Sarampo.

    Por isso, sua disseminação depende de contato próximo e direto com pessoas infectadas ou seus fluidos corporais. Essa característica limita significativamente sua capacidade de espalhamento global.

    Quais são os sintomas do Ebola?

    Os sintomas costumam surgir entre 2 e 21 dias após a exposição ao vírus.

    Os sinais iniciais geralmente são:

    • Febre alta;
    • Dor de cabeça intensa;
    • Dores musculares;
    • Fraqueza importante;
    • Dor de garganta;
    • Mal-estar geral.

    Nos primeiros dias, o quadro pode ser confundido com outras infecções virais.

    Como a doença pode evoluir?

    Com a progressão da infecção, podem surgir:

    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Diarreia intensa;
    • Dor abdominal;
    • Desidratação;
    • Alterações hepáticas e renais.

    Nos casos mais graves, ocorre comprometimento de múltiplos órgãos.

    O Ebola sempre causa hemorragias?

    Não. Embora seja conhecido como uma febre hemorrágica viral, nem todos os pacientes apresentam sangramentos.

    Quando eles ocorrem, podem incluir:

    • Sangramento das gengivas;
    • Sangramento gastrointestinal;
    • Sangramento nasal;
    • Hemorragias internas.

    Essas manifestações costumam estar associadas às formas mais graves da doença.

    Qual é a taxa de mortalidade?

    A mortalidade varia conforme diversos fatores, como:

    • A espécie do vírus;
    • O acesso ao atendimento médico;
    • A rapidez do diagnóstico;
    • A disponibilidade de tratamento especializado.

    Historicamente, alguns surtos apresentaram mortalidade superior a 50%, embora esse percentual varie amplamente.

    Existe tratamento para Ebola?

    Sim. Nas últimas décadas houve avanços importantes no manejo da doença.

    O tratamento inclui:

    • Hidratação intensiva;
    • Correção de distúrbios metabólicos;
    • Controle das complicações;
    • Suporte respiratório quando necessário.

    Além disso, terapias com anticorpos monoclonais passaram a ser utilizadas em alguns cenários, reduzindo a mortalidade.

    Existe vacina contra Ebola?

    Sim, mas não para todas as cepas do vírus. Vacinas eficazes foram desenvolvidas e são utilizadas principalmente durante surtos para conter a disseminação do vírus.

    Essas estratégias ajudaram a controlar surtos recentes em diferentes países africanos.

    O Ebola pode causar uma pandemia atualmente?

    Segundo o conhecimento científico atual, o potencial pandêmico do Ebola é considerado muito menor do que o observado em vírus respiratórios.

    Isso acontece porque:

    • A transmissão exige contato direto;
    • Pessoas geralmente não transmitem antes dos sintomas;
    • Casos tendem a ser identificados e isolados mais facilmente;
    • Medidas de controle costumam ser bastante eficazes.

    Por outro lado, surtos regionais continuam sendo uma preocupação relevante para a saúde pública.

    Por que os surtos continuam ocorrendo?

    Os surtos geralmente estão relacionados ao contato inicial com animais infectados e à posterior transmissão entre pessoas.

    Entre os fatores que favorecem a disseminação estão:

    • Sistemas de saúde fragilizados;
    • Diagnóstico tardio;
    • Dificuldade de acesso ao atendimento;
    • Falhas nas medidas de controle de infecção.

    Quando suspeitar de Ebola?

    Fora das áreas onde existem surtos ativos, o Ebola é extremamente raro.

    A suspeita geralmente envolve:

    • Viagem recente para regiões afetadas;
    • Contato com casos confirmados;
    • Exposição a fluidos corporais infectados;
    • Sintomas compatíveis com a doença.

    Confira: Hantavírus: como se pega a cepa que se transmite entre humanos?

    Perguntas frequentes sobre Ebola

    1. O Ebola é transmitido pelo ar?

    Não. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com fluidos corporais contaminados.

    2. Todo paciente com Ebola apresenta sangramentos?

    Não. As hemorragias costumam ocorrer nos casos mais graves.

    3. Existe vacina contra Ebola?

    Sim. Atualmente existem vacinas eficazes utilizadas para conter surtos.

    4. O Ebola ainda existe?

    Sim. Surtos esporádicos continuam sendo registrados em algumas regiões da África.

    5. O Ebola é mais letal que a covid-19?

    Historicamente, sim. A taxa de mortalidade do Ebola costuma ser muito maior.

    6. O Ebola pode causar uma pandemia global como a covid-19?

    Atualmente, esse risco é considerado muito menor por conta da forma de transmissão do vírus.

    7. Existe tratamento para Ebola?

    Sim. O tratamento de suporte e as terapias específicas melhoraram significativamente o prognóstico da doença.

    Veja também: Como diferenciar dengue de gripe e covid-19?

  • Tremor nas mãos: quando é apenas ansiedade e quando merece investigação? 

    Tremor nas mãos: quando é apenas ansiedade e quando merece investigação? 

    Ansiedade, excesso de cafeína e falta de sono podem causar tremores temporários, mas alguns casos podem estar relacionados a doenças neurológicas ou alterações hormonais.

    Perceber as mãos tremendo costuma gerar preocupação imediata, principalmente pelo receio de doenças neurológicas como a doença de Parkinson.

    No entanto, a realidade é que muitos tremores são benignos e podem ocorrer em pessoas saudáveis. Situações como estresse, ansiedade, noites mal dormidas, febre ou consumo excessivo de cafeína estão entre as causas mais frequentes.

    Por outro lado, quando o tremor se torna persistente, progressivo ou começa a interferir nas atividades do dia a dia, pode ser necessário investigar condições neurológicas, hormonais ou até efeitos colaterais de medicamentos.

    O que é o tremor?

    O tremor é um movimento involuntário, rítmico e repetitivo de uma parte do corpo.

    Embora possa acometer diversas regiões, as mãos são o local mais frequentemente afetado.

    A intensidade varia bastante. Em alguns casos, o tremor é tão discreto que passa despercebido. Em outros, pode dificultar atividades simples, como:

    • Escrever;
    • Segurar um copo;
    • Usar talheres;
    • Digitar;
    • Abotoar roupas.

    A avaliação médica leva em consideração não apenas a intensidade, mas também o momento em que o tremor aparece e sua evolução ao longo do tempo.

    Tremor fisiológico: o tipo mais comum

    Todas as pessoas apresentam um pequeno tremor fisiológico natural.

    Normalmente ele é tão discreto que não é percebido.

    No entanto, algumas situações podem torná-lo mais evidente:

    • Estresse;
    • Ansiedade;
    • Privação de sono;
    • Excesso de cafeína;
    • Exercício físico intenso;
    • Febre;
    • Hipoglicemia.

    Nesses casos, o tremor costuma ser temporário e melhora quando o fator desencadeante é corrigido.

    Tremor essencial: uma das causas mais frequentes

    O tremor essencial é uma das doenças mais comuns associadas ao tremor persistente.

    Suas principais características incluem:

    • Tremor predominante nas mãos;
    • Piora durante movimentos voluntários;
    • Dificuldade para escrever ou segurar objetos;
    • Evolução lenta ao longo dos anos;
    • Frequente histórico familiar.

    Embora não seja uma doença degenerativa grave, o tremor essencial pode impactar significativamente a qualidade de vida.

    Em alguns pacientes, o tremor também pode afetar:

    • Cabeça;
    • Voz;
    • Mandíbula.

    Problemas hormonais podem causar tremor?

    Sim. Algumas alterações hormonais podem provocar ou intensificar os tremores.

    Hipertireoidismo

    Quando a glândula tireoide produz hormônios em excesso, podem surgir sintomas como:

    • Tremor fino nas mãos;
    • Perda de peso;
    • Palpitações;
    • Ansiedade;
    • Sudorese excessiva;
    • Intolerância ao calor.

    Nesses casos, tratar a doença de base costuma melhorar o tremor.

    Medicamentos podem causar tremor?

    Sim. Diversos medicamentos podem provocar tremores como efeito colateral.

    Entre os principais estão:

    • Broncodilatadores usados na asma;
    • Alguns antidepressivos;
    • Estimulantes;
    • Certos medicamentos neurológicos;
    • Epinefrina;
    • Medicamentos contendo cafeína.

    Por isso, uma das etapas da investigação é revisar todos os medicamentos utilizados pelo paciente.

    Quando pensar em doença de Parkinson?

    A doença de Parkinson possui características diferentes das observadas no tremor essencial.

    Os sinais mais comuns incluem:

    • Tremor em repouso;
    • Lentidão dos movimentos;
    • Rigidez muscular;
    • Alteração da marcha;
    • Diminuição do balanço dos braços ao caminhar.

    Outra característica importante é que o tremor costuma começar de forma assimétrica, afetando inicialmente apenas uma das mãos ou uma das pernas. Com o passar do tempo, o quadro pode se tornar bilateral.

    É importante lembrar que nem todo tremor significa Parkinson. Na verdade, a maioria dos tremores tem outras causas.

    Ansiedade pode causar tremor?

    Sim. A ansiedade é uma das causas mais frequentes de tremor em pessoas jovens e adultos saudáveis.

    Durante períodos de estresse, o organismo libera substâncias como adrenalina e noradrenalina, que podem provocar:

    • Tremor nas mãos;
    • Sensação de inquietação;
    • Palpitações;
    • Sudorese;
    • Tensão muscular.

    Nesses casos, o tremor costuma piorar em situações emocionalmente desafiadoras.

    Quando o tremor deixa de ser algo benigno?

    O tremor merece investigação médica quando:

    • Surge sem explicação aparente;
    • Está piorando progressivamente;
    • Interfere nas atividades diárias;
    • Surge após os 50 anos sem histórico prévio;
    • É acompanhado de outros sintomas neurológicos;
    • Afeta significativamente a qualidade de vida.

    A avaliação precoce ajuda a identificar causas tratáveis e a reduzir o impacto funcional do problema.

    Quais sintomas associados merecem atenção?

    Alguns sinais podem indicar que o tremor faz parte de uma condição mais complexa.

    Procure avaliação médica se houver:

    • Fraqueza muscular;
    • Alterações de equilíbrio;
    • Dificuldade para caminhar;
    • Rigidez muscular;
    • Alterações da fala;
    • Quedas frequentes;
    • Lentidão dos movimentos;
    • Alterações cognitivas.

    Como os médicos investigam o tremor?

    A investigação geralmente começa com uma avaliação clínica detalhada.

    O médico costuma analisar:

    • Quando o tremor começou;
    • Em quais situações ele aparece;
    • Histórico familiar;
    • Uso de medicamentos;
    • Presença de outras doenças.

    Além disso, podem ser realizados:

    • Exame neurológico;
    • Exames laboratoriais;
    • Avaliação da função da tireoide;
    • Exames de imagem quando indicados.

    Na maioria dos casos, o diagnóstico é baseado principalmente na história clínica e no exame físico.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende da causa identificada.

    As opções podem incluir:

    Controle de fatores desencadeantes

    • Redução da cafeína;
    • Melhora da qualidade do sono;
    • Controle da ansiedade.

    Ajuste de medicamentos

    Quando o tremor está relacionado a remédios, pode ser necessário revisar o tratamento.

    Tratamento de doenças hormonais

    Como nos casos de hipertireoidismo.

    Medicamentos específicos

    Alguns pacientes com tremor essencial podem se beneficiar de medicamentos que ajudam a reduzir os sintomas.

    Tratamento neurológico especializado

    Quando existe uma doença neurológica associada.

    Quando procurar atendimento médico?

    É recomendável procurar avaliação médica quando:

    • O tremor persiste por semanas ou meses;
    • Está piorando progressivamente;
    • Interfere em atividades do cotidiano;
    • Surge associado a outros sintomas neurológicos;
    • Aparece sem causa aparente.

    Embora muitos casos sejam benignos, uma avaliação adequada ajuda a identificar precocemente condições que necessitam de tratamento.

    Confira: Você sente tontura ao se levantar? Entenda o que são as disautonomias

    Perguntas frequentes sobre tremor nas mãos

    1. Tremor nas mãos sempre indica uma doença?

    Não. Muitas vezes está relacionado a fatores temporários, como ansiedade, estresse ou excesso de cafeína.

    2. Ansiedade pode causar tremor?

    Sim. O aumento da adrenalina pode provocar tremores, especialmente em situações de estresse.

    3. Café pode piorar o tremor?

    Sim. A cafeína pode intensificar tremores em pessoas predispostas.

    4. Tremor essencial é perigoso?

    Geralmente não. No entanto, pode causar limitações funcionais importantes em alguns pacientes.

    5. Todo tremor é doença de Parkinson?

    Não. A maioria dos tremores tem causas diferentes da doença de Parkinson.

    6. Quando devo procurar um médico?

    Quando o tremor é persistente, progressivo ou interfere nas atividades do dia a dia.

    7. Medicamentos podem causar tremores?

    Sim. Diversos medicamentos podem desencadear ou agravar o problema.

    Veja também: 6 sinais de alerta da doença de Parkinson

  • Recebeu diagnóstico de embolia pulmonar? Entenda o que acontece após a internação

    Recebeu diagnóstico de embolia pulmonar? Entenda o que acontece após a internação

    A embolia pulmonar, também conhecida como tromboembolismo pulmonar (TEP), ocorre quando um coágulo sanguíneo bloqueia uma ou mais artérias dos pulmões. A gravidade pode variar desde quadros leves até situações que colocam a vida em risco.

    Na maioria dos casos, o trombo se forma nas veias profundas das pernas ou da pelve, condição conhecida como trombose venosa profunda (TVP), e posteriormente se desloca pela corrente sanguínea até os pulmões.

    O tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível para reduzir a obstrução da circulação pulmonar e diminuir o risco de complicações.

    O que acontece durante uma embolia pulmonar

    Quando um coágulo chega aos pulmões, ele bloqueia parte do fluxo sanguíneo para determinadas regiões pulmonares.

    Como consequência, ocorre um desequilíbrio entre ventilação e circulação, prejudicando as trocas gasosas e a oxigenação do sangue.

    Dependendo do tamanho do trombo e da extensão da obstrução, podem surgir sintomas como:

    • Falta de ar;
    • Dor no peito;
    • Queda da saturação de oxigênio;
    • Tosse;
    • Palpitações;
    • Sobrecarga do coração.

    Nos casos mais graves, pode ocorrer instabilidade circulatória, choque e risco de morte.

    O tratamento começa ainda no hospital

    Após a confirmação ou forte suspeita diagnóstica, o tratamento geralmente é iniciado imediatamente.

    Os principais objetivos são:

    • Impedir o crescimento do coágulo;
    • Evitar a formação de novos trombos;
    • Reduzir o risco de complicações;
    • Permitir que o organismo dissolva gradualmente a obstrução.

    A estratégia terapêutica depende da gravidade do quadro e das condições clínicas do paciente.

    Anticoagulantes: a base do tratamento

    Os anticoagulantes são o principal tratamento da embolia pulmonar.

    Embora sejam popularmente chamados de “afinadores do sangue”, eles não dissolvem diretamente o coágulo já formado.

    Sua função é:

    • Impedir o crescimento do trombo;
    • Reduzir a formação de novos coágulos;
    • Diminuir o risco de recorrência.

    Dessa forma, o próprio organismo consegue remover gradualmente o trombo ao longo do tempo.

    Quais anticoagulantes podem ser utilizados?

    A escolha do medicamento deve ser individualizada, sempre indicada pelo médico.

    Entre as opções mais utilizadas estão:

    • Heparinas;
    • Rivaroxabana;
    • Apixabana;
    • Edoxabana;
    • Dabigatrana;
    • Varfarina em situações específicas.

    A decisão leva em consideração fatores como:

    • Idade;
    • Função renal;
    • Presença de câncer;
    • Risco de sangramento;
    • Outras doenças associadas.

    Quanto tempo dura o tratamento?

    A duração da anticoagulação depende da causa da embolia pulmonar e do risco de recorrência.

    Casos associados a fatores temporários

    Quando a embolia está relacionada a fatores transitórios, como:

    • Cirurgias recentes;
    • Imobilização prolongada;
    • Traumas.

    O tratamento costuma durar cerca de três meses, podendo variar conforme a avaliação médica.

    Casos sem causa identificada

    Quando não é encontrada uma causa evidente, o tratamento pode ser prolongado e reavaliado periodicamente.

    Casos de alto risco de recorrência

    Alguns pacientes podem necessitar anticoagulação por tempo indeterminado, especialmente aqueles com:

    • Trombofilias;
    • Episódios recorrentes de trombose;
    • Alguns tipos de câncer;
    • Fatores permanentes de risco.

    Quando a internação é necessária?

    Muitos pacientes permanecem internados nos primeiros dias para monitorização e estabilização clínica.

    A internação costuma ser indicada quando existe:

    • Falta de ar importante;
    • Baixa oxigenação;
    • Pressão arterial baixa;
    • Frequência cardíaca muito elevada;
    • Sinais de sobrecarga cardíaca;
    • Maior risco de complicações.

    Em casos selecionados e de menor gravidade, o tratamento pode ser realizado em regime ambulatorial.

    Casos graves podem exigir tratamentos mais agressivos

    Pacientes classificados como de alto risco podem precisar de intervenções adicionais.

    Trombólise

    Consiste no uso de medicamentos capazes de dissolver o coágulo de forma mais rápida.

    É um tratamento reservado para situações graves, devido ao maior risco de sangramento.

    Trombectomia por cateter

    Em alguns casos, procedimentos minimamente invasivos podem ser utilizados para remover ou fragmentar o trombo.

    Essa abordagem costuma ser reservada para pacientes selecionados.

    Oxigênio pode ser necessário?

    Sim. Pacientes com queda da oxigenação podem precisar de suporte respiratório, como:

    • Cateter nasal;
    • Máscara de oxigênio;
    • Ventilação não invasiva;
    • Suporte respiratório avançado nos casos mais graves.

    A necessidade depende da extensão da embolia e da repercussão clínica.

    Como os médicos investigam a causa?

    Após a estabilização do quadro, é importante identificar o fator que favoreceu a formação do coágulo.

    A investigação pode incluir:

    • Cirurgias recentes;
    • Internações prolongadas;
    • Imobilização;
    • Uso de anticoncepcionais ou terapia hormonal;
    • Gravidez e puerpério;
    • Câncer;
    • Trombofilias;
    • Histórico familiar de trombose.

    Essa etapa ajuda a definir a duração do tratamento e a prevenir novos episódios.

    Como é a recuperação?

    A recuperação varia de acordo com a gravidade da embolia pulmonar.

    Muitos pacientes apresentam melhora significativa nas primeiras semanas, mas alguns sintomas podem persistir temporariamente, como:

    • Cansaço;
    • Falta de ar aos esforços;
    • Menor capacidade física;
    • Sensação de recuperação lenta.

    A maioria das pessoas consegue retomar suas atividades habituais gradualmente.

    Existe risco de uma nova embolia?

    Sim. O risco é maior nos primeiros meses após o episódio inicial e depende da causa que levou à formação do trombo.

    Por isso, é fundamental:

    • Utilizar corretamente os anticoagulantes;
    • Comparecer às consultas de acompanhamento;
    • Controlar fatores de risco;
    • Seguir as orientações médicas.

    O que fazer após a alta hospitalar?

    Após a alta, os cuidados costumam ser os abaixo.

    1. Uso correto dos anticoagulantes

    A medicação deve ser tomada exatamente como prescrita.

    2. Comparecer às consultas de acompanhamento

    O acompanhamento permite avaliar a evolução e ajustar o tratamento quando necessário.

    3. Retomar atividades gradualmente

    O retorno ao trabalho e aos exercícios deve ocorrer de forma progressiva.

    4. Controlar fatores de risco

    Parar de fumar, manter peso adequado e tratar doenças associadas ajuda a reduzir novas tromboses.

    5. Reconhecer sinais de alerta

    Conhecer os sintomas de recorrência pode acelerar a busca por atendimento médico.

    Quando procurar atendimento urgente?

    Procure atendimento imediatamente se ocorrer:

    • Falta de ar súbita;
    • Dor no peito;
    • Tosse com sangue;
    • Desmaio;
    • Queda importante da oxigenação;
    • Inchaço ou dor em uma das pernas.

    Esses sintomas podem indicar recorrência da trombose ou outras complicações.

    Confira: Trombose na gravidez afeta o bebê? Conheça os sintomas, os cuidados e como evitar

    Perguntas frequentes sobre embolia pulmonar

    1. O principal tratamento da embolia pulmonar é a anticoagulação?

    Sim. Os anticoagulantes são a base do tratamento na maioria dos casos.

    2. Os anticoagulantes dissolvem o coágulo?

    Não diretamente. Eles impedem a formação de novos trombos enquanto o organismo remove gradualmente o coágulo existente.

    3. Toda embolia pulmonar precisa de internação?

    Não necessariamente. Alguns pacientes de baixo risco podem ser tratados em casa, mas muitos necessitam monitorização inicial.

    4. Quanto tempo dura o tratamento?

    O período varia conforme a causa e o risco de recorrência, podendo durar meses ou ser prolongado por tempo indeterminado.

    5. Existe risco de uma nova embolia pulmonar?

    Sim. Por isso é fundamental seguir corretamente o tratamento e o acompanhamento médico.

    6. Pode ser necessário usar oxigênio?

    Sim. Pacientes com baixa oxigenação podem necessitar suporte respiratório temporário.

    7. É possível voltar a ter uma vida normal após uma embolia pulmonar?

    Na maioria dos casos, sim. Com tratamento adequado e acompanhamento médico, muitos pacientes retomam suas atividades habituais.

    Veja mais: Essas 10 situações aumentam o risco de trombose e embolia pulmonar

  • Pessoa ficou confusa de repente: o que pode estar acontecendo?

    Pessoa ficou confusa de repente: o que pode estar acontecendo?

    As disautonomias são um grupo de condições caracterizadas por alterações no funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar diversas funções involuntárias do organismo.

    Esse sistema regula atividades essenciais para a sobrevivência, como a frequência cardíaca, a pressão arterial, a digestão, a temperatura corporal e a produção de suor. Quando ocorre uma falha nesse mecanismo de regulação, podem surgir sintomas variados, muitas vezes difíceis de explicar e que afetam significativamente a qualidade de vida.

    Embora sejam menos conhecidas do que outras doenças neurológicas ou cardiovasculares, as disautonomias podem causar grande impacto no dia a dia e, em alguns casos, levar anos até serem corretamente diagnosticadas.

    O que é o sistema nervoso autônomo?

    O sistema nervoso autônomo funciona de forma automática, sem que a pessoa precise controlar conscientemente suas ações.

    Ele é responsável por ajustar continuamente funções importantes do organismo, como:

    • Frequência cardíaca;
    • Pressão arterial;
    • Respiração;
    • Digestão;
    • Temperatura corporal;
    • Produção de suor;
    • Funcionamento da bexiga.

    Por exemplo, quando uma pessoa se levanta da cama, o organismo precisa ajustar rapidamente a circulação sanguínea para garantir que o cérebro continue recebendo sangue adequadamente. Nas disautonomias, esse mecanismo pode não funcionar como deveria.

    O que são as disautonomias?

    O termo disautonomia engloba diversas doenças e síndromes que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo.

    Dependendo do tipo e da gravidade, a alteração pode comprometer apenas uma função específica ou afetar vários sistemas do organismo simultaneamente.

    É por isso que pacientes com disautonomia podem apresentar sintomas muito diferentes entre si.

    Quais são os sintomas mais comuns?

    Os sintomas variam bastante de uma pessoa para outra.

    Entre os mais frequentes estão:

    • Tontura ao levantar;
    • Sensação de desmaio;
    • Fraqueza;
    • Fadiga intensa;
    • Palpitações;
    • Intolerância ao exercício;
    • Visão escurecida ao ficar em pé;
    • Sensação de “cabeça leve”;
    • Dificuldade de concentração.

    Muitos pacientes relatam piora dos sintomas após permanecerem em pé por períodos prolongados.

    Por que ocorre tontura ao levantar?

    Uma das manifestações mais comuns das disautonomias é a chamada intolerância ortostática.

    Normalmente, quando a pessoa passa da posição deitada para a posição em pé, os vasos sanguíneos se contraem e a frequência cardíaca aumenta discretamente para manter o fluxo sanguíneo cerebral.

    Nas disautonomias, esse ajuste pode falhar.

    Como consequência, podem surgir:

    • Tontura;
    • Visão escurecida;
    • Fraqueza súbita;
    • Sensação de desmaio;
    • Mal-estar importante.

    Em alguns casos, a pessoa pode realmente perder a consciência.

    A fadiga pode ser intensa?

    Sim. A fadiga é um dos sintomas mais frequentes e incapacitantes em muitas formas de disautonomia.

    Os pacientes frequentemente descrevem:

    • Cansaço desproporcional ao esforço realizado;
    • Sensação de energia reduzida ao longo do dia;
    • Piora após atividades físicas;
    • Dificuldade para retomar atividades habituais.

    Em alguns casos, a fadiga se torna mais limitante do que a própria tontura.

    Quais outros sintomas podem ocorrer?

    Como o sistema nervoso autônomo participa do funcionamento de diversos órgãos, os sintomas podem atingir vários sistemas do organismo.

    Sistema digestivo

    Podem ocorrer:

    • Náuseas;
    • Sensação de estômago cheio rapidamente;
    • Constipação;
    • Diarreia;
    • Distensão abdominal.

    Controle da temperatura corporal

    Alguns pacientes apresentam:

    • Sensação excessiva de calor;
    • Intolerância ao calor;
    • Diminuição da transpiração;
    • Sudorese excessiva.

    Sistema urinário

    Podem surgir:

    • Urgência urinária;
    • Aumento da frequência urinária;
    • Dificuldade para esvaziar completamente a bexiga.

    O que é a síndrome de taquicardia postural ortostática (POTS)?

    Uma das formas mais conhecidas de disautonomia é a Síndrome da Taquicardia Postural Ortostática (POTS).

    Nessa condição, ao assumir a posição em pé ocorre um aumento exagerado da frequência cardíaca, acompanhado de sintomas como:

    • Tontura;
    • Palpitações;
    • Fraqueza;
    • Fadiga;
    • Sensação de desmaio.

    O POTS é mais comum em mulheres jovens, mas pode ocorrer em qualquer faixa etária. Nos últimos anos, ganhou maior visibilidade devido ao aumento de casos observados após algumas infecções virais.

    Quando as disautonomias podem surgir?

    As causas são variadas e nem sempre podem ser identificadas. Entre as situações associadas estão as abaixo.

    1. Após infecções

    Alguns pacientes desenvolvem sintomas após doenças infecciosas.

    Isso foi observado após:

    • Mononucleose;
    • Influenza;
    • Covid-19;
    • Outras infecções virais.

    2. Doenças autoimunes

    Algumas doenças autoimunes podem afetar estruturas relacionadas ao sistema nervoso autônomo.

    3. Diabetes

    O diabetes de longa duração pode provocar lesão dos nervos autonômicos, condição conhecida como neuropatia autonômica diabética.

    4. Síndromes de hipermobilidade

    Condições como a síndrome de hipermobilidade articular e algumas formas da síndrome de Ehlers-Danlos podem estar associadas a disautonomias, especialmente ao POTS.

    5. Sem causa identificada

    Em muitos pacientes, não é possível determinar uma causa específica.

    As disautonomias podem ser confundidas com ansiedade?

    Sim. Muitos sintomas das disautonomias se sobrepõem aos de transtornos ansiosos, incluindo:

    • Palpitações;
    • Tontura;
    • Sensação de mal-estar;
    • Tremores;
    • Sensação de desmaio.

    Por isso, alguns pacientes recebem inicialmente diagnóstico de ansiedade antes que a alteração autonômica seja identificada.

    Entretanto, as duas condições podem coexistir ou ocorrer de forma independente.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é baseado principalmente na história clínica e no exame físico.

    A avaliação costuma incluir:

    • Medição da pressão arterial;
    • Avaliação da frequência cardíaca;
    • Investigação dos sintomas relacionados à postura;
    • Exclusão de outras doenças que podem causar sintomas semelhantes.

    Em alguns casos, exames específicos são necessários.

    Teste de inclinação (Tilt Test)

    O Tilt Test é um dos exames mais utilizados para investigar disautonomias.

    Durante o exame, a pessoa é colocada em diferentes posições enquanto a pressão arterial e a frequência cardíaca são monitoradas continuamente.

    O objetivo é avaliar como o organismo responde às mudanças de postura.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento varia conforme o tipo de disautonomia e a intensidade dos sintomas.

    Medidas não medicamentosas

    Frequentemente incluem:

    • Aumento da ingestão de líquidos;
    • Maior consumo de sal em casos selecionados, somente quando indicado pelo médico;
    • Uso de meias de compressão;
    • Exercícios físicos supervisionados;
    • Mudanças graduais de posição.

    Medicamentos

    Alguns pacientes podem necessitar de medicamentos para ajudar a controlar sintomas relacionados à pressão arterial, frequência cardíaca ou intolerância ortostática.

    O tratamento deve sempre ser individualizado.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure avaliação médica se houver:

    • Tonturas frequentes ao levantar;
    • Episódios de desmaio;
    • Palpitações recorrentes;
    • Fadiga incapacitante;
    • Intolerância ao exercício;
    • Sintomas persistentes sem explicação aparente.

    Quanto mais cedo a condição for identificada, maiores as chances de controle dos sintomas.

    Leia mais: Flexível demais? Entenda a hipermobilidade articular

    Perguntas frequentes sobre disautonomias

    1. O que é uma disautonomia?

    É um grupo de condições que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar funções involuntárias do organismo.

    2. Disautonomia causa tontura?

    Sim. A tontura ao levantar é um dos sintomas mais comuns.

    3. Pode causar fadiga intensa?

    Sim. Em muitos pacientes, a fadiga é um dos sintomas mais limitantes.

    4. O que é POTS?

    É uma forma de disautonomia caracterizada pelo aumento exagerado da frequência cardíaca ao assumir a posição em pé.

    5. Pode surgir após infecções?

    Sim. Casos podem surgir após infecções virais como influenza, mononucleose e covid-19.

    6. Disautonomia é a mesma coisa que ansiedade?

    Não. Embora alguns sintomas sejam semelhantes, tratam-se de condições diferentes.

    7. Quando devo procurar um médico?

    Quando houver tonturas frequentes, desmaios, palpitações, fadiga persistente ou dificuldade para permanecer em pé sem mal-estar.

    Veja também: Síndrome de Ehlers-Danlos: entenda a doença que afeta articulações e pele

  • Você sente tontura ao se levantar? Entenda o que são as disautonomias

    Você sente tontura ao se levantar? Entenda o que são as disautonomias

    As disautonomias são um grupo de condições caracterizadas por alterações no funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar diversas funções involuntárias do organismo.

    Esse sistema regula atividades essenciais para a sobrevivência, como a frequência cardíaca, a pressão arterial, a digestão, a temperatura corporal e a produção de suor. Quando ocorre uma falha nesse mecanismo de regulação, podem surgir sintomas variados, muitas vezes difíceis de explicar e que afetam significativamente a qualidade de vida.

    Embora sejam menos conhecidas do que outras doenças neurológicas ou cardiovasculares, as disautonomias podem causar grande impacto no dia a dia e, em alguns casos, levar anos até serem corretamente diagnosticadas.

    O que é o sistema nervoso autônomo?

    O sistema nervoso autônomo funciona de forma automática, sem que a pessoa precise controlar conscientemente suas ações.

    Ele é responsável por ajustar continuamente funções importantes do organismo, como:

    • Frequência cardíaca;
    • Pressão arterial;
    • Respiração;
    • Digestão;
    • Temperatura corporal;
    • Produção de suor;
    • Funcionamento da bexiga.

    Por exemplo, quando uma pessoa se levanta da cama, o organismo precisa ajustar rapidamente a circulação sanguínea para garantir que o cérebro continue recebendo sangue adequadamente. Nas disautonomias, esse mecanismo pode não funcionar como deveria.

    O que são as disautonomias?

    O termo disautonomia engloba diversas doenças e síndromes que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo.

    Dependendo do tipo e da gravidade, a alteração pode comprometer apenas uma função específica ou afetar vários sistemas do organismo simultaneamente.

    É por isso que pacientes com disautonomia podem apresentar sintomas muito diferentes entre si.

    Quais são os sintomas mais comuns?

    Os sintomas variam bastante de uma pessoa para outra.

    Entre os mais frequentes estão:

    • Tontura ao levantar;
    • Sensação de desmaio;
    • Fraqueza;
    • Fadiga intensa;
    • Palpitações;
    • Intolerância ao exercício;
    • Visão escurecida ao ficar em pé;
    • Sensação de “cabeça leve”;
    • Dificuldade de concentração.

    Muitos pacientes relatam piora dos sintomas após permanecerem em pé por períodos prolongados.

    Por que ocorre tontura ao levantar?

    Uma das manifestações mais comuns das disautonomias é a chamada intolerância ortostática.

    Normalmente, quando a pessoa passa da posição deitada para a posição em pé, os vasos sanguíneos se contraem e a frequência cardíaca aumenta discretamente para manter o fluxo sanguíneo cerebral.

    Nas disautonomias, esse ajuste pode falhar.

    Como consequência, podem surgir:

    • Tontura;
    • Visão escurecida;
    • Fraqueza súbita;
    • Sensação de desmaio;
    • Mal-estar importante.

    Em alguns casos, a pessoa pode realmente perder a consciência.

    A fadiga pode ser intensa?

    Sim. A fadiga é um dos sintomas mais frequentes e incapacitantes em muitas formas de disautonomia.

    Os pacientes frequentemente descrevem:

    • Cansaço desproporcional ao esforço realizado;
    • Sensação de energia reduzida ao longo do dia;
    • Piora após atividades físicas;
    • Dificuldade para retomar atividades habituais.

    Em alguns casos, a fadiga se torna mais limitante do que a própria tontura.

    Quais outros sintomas podem ocorrer?

    Como o sistema nervoso autônomo participa do funcionamento de diversos órgãos, os sintomas podem atingir vários sistemas do organismo.

    Sistema digestivo

    Podem ocorrer:

    • Náuseas;
    • Sensação de estômago cheio rapidamente;
    • Constipação;
    • Diarreia;
    • Distensão abdominal.

    Controle da temperatura corporal

    Alguns pacientes apresentam:

    • Sensação excessiva de calor;
    • Intolerância ao calor;
    • Diminuição da transpiração;
    • Sudorese excessiva.

    Sistema urinário

    Podem surgir:

    • Urgência urinária;
    • Aumento da frequência urinária;
    • Dificuldade para esvaziar completamente a bexiga.

    O que é a síndrome de taquicardia postural ortostática (POTS)?

    Uma das formas mais conhecidas de disautonomia é a Síndrome da Taquicardia Postural Ortostática (POTS).

    Nessa condição, ao assumir a posição em pé ocorre um aumento exagerado da frequência cardíaca, acompanhado de sintomas como:

    • Tontura;
    • Palpitações;
    • Fraqueza;
    • Fadiga;
    • Sensação de desmaio.

    O POTS é mais comum em mulheres jovens, mas pode ocorrer em qualquer faixa etária. Nos últimos anos, ganhou maior visibilidade devido ao aumento de casos observados após algumas infecções virais.

    Quando as disautonomias podem surgir?

    As causas são variadas e nem sempre podem ser identificadas. Entre as situações associadas estão as abaixo.

    1. Após infecções

    Alguns pacientes desenvolvem sintomas após doenças infecciosas.

    Isso foi observado após:

    • Mononucleose;
    • Influenza;
    • Covid-19;
    • Outras infecções virais.

    2. Doenças autoimunes

    Algumas doenças autoimunes podem afetar estruturas relacionadas ao sistema nervoso autônomo.

    3. Diabetes

    O diabetes de longa duração pode provocar lesão dos nervos autonômicos, condição conhecida como neuropatia autonômica diabética.

    4. Síndromes de hipermobilidade

    Condições como a síndrome de hipermobilidade articular e algumas formas da síndrome de Ehlers-Danlos podem estar associadas a disautonomias, especialmente ao POTS.

    5. Sem causa identificada

    Em muitos pacientes, não é possível determinar uma causa específica.

    As disautonomias podem ser confundidas com ansiedade?

    Sim. Muitos sintomas das disautonomias se sobrepõem aos de transtornos ansiosos, incluindo:

    • Palpitações;
    • Tontura;
    • Sensação de mal-estar;
    • Tremores;
    • Sensação de desmaio.

    Por isso, alguns pacientes recebem inicialmente diagnóstico de ansiedade antes que a alteração autonômica seja identificada.

    Entretanto, as duas condições podem coexistir ou ocorrer de forma independente.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é baseado principalmente na história clínica e no exame físico.

    A avaliação costuma incluir:

    • Medição da pressão arterial;
    • Avaliação da frequência cardíaca;
    • Investigação dos sintomas relacionados à postura;
    • Exclusão de outras doenças que podem causar sintomas semelhantes.

    Em alguns casos, exames específicos são necessários.

    Teste de inclinação (Tilt Test)

    O Tilt Test é um dos exames mais utilizados para investigar disautonomias.

    Durante o exame, a pessoa é colocada em diferentes posições enquanto a pressão arterial e a frequência cardíaca são monitoradas continuamente.

    O objetivo é avaliar como o organismo responde às mudanças de postura.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento varia conforme o tipo de disautonomia e a intensidade dos sintomas.

    Medidas não medicamentosas

    Frequentemente incluem:

    • Aumento da ingestão de líquidos;
    • Maior consumo de sal em casos selecionados, somente quando indicado pelo médico;
    • Uso de meias de compressão;
    • Exercícios físicos supervisionados;
    • Mudanças graduais de posição.

    Medicamentos

    Alguns pacientes podem necessitar de medicamentos para ajudar a controlar sintomas relacionados à pressão arterial, frequência cardíaca ou intolerância ortostática.

    O tratamento deve sempre ser individualizado.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure avaliação médica se houver:

    • Tonturas frequentes ao levantar;
    • Episódios de desmaio;
    • Palpitações recorrentes;
    • Fadiga incapacitante;
    • Intolerância ao exercício;
    • Sintomas persistentes sem explicação aparente.

    Quanto mais cedo a condição for identificada, maiores as chances de controle dos sintomas.

    Leia mais: Flexível demais? Entenda a hipermobilidade articular

    Perguntas frequentes sobre disautonomias

    1. O que é uma disautonomia?

    É um grupo de condições que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar funções involuntárias do organismo.

    2. Disautonomia causa tontura?

    Sim. A tontura ao levantar é um dos sintomas mais comuns.

    3. Pode causar fadiga intensa?

    Sim. Em muitos pacientes, a fadiga é um dos sintomas mais limitantes.

    4. O que é POTS?

    É uma forma de disautonomia caracterizada pelo aumento exagerado da frequência cardíaca ao assumir a posição em pé.

    5. Pode surgir após infecções?

    Sim. Casos podem surgir após infecções virais como influenza, mononucleose e covid-19.

    6. Disautonomia é a mesma coisa que ansiedade?

    Não. Embora alguns sintomas sejam semelhantes, tratam-se de condições diferentes.

    7. Quando devo procurar um médico?

    Quando houver tonturas frequentes, desmaios, palpitações, fadiga persistente ou dificuldade para permanecer em pé sem mal-estar.

    Veja também: Síndrome de Ehlers-Danlos: entenda a doença que afeta articulações e pele