Autor: Dra. Juliana Soares

  • Creatina: benefícios, como tomar e cuidados importantes

    Creatina: benefícios, como tomar e cuidados importantes

    Ela já foi vista como “coisa de marombeiro”, mas hoje a creatina é estudada até como parceira da saúde do cérebro e do envelhecimento saudável. Produzida pelo próprio corpo e encontrada em alimentos como carne e peixe, essa substância ganhou fama por melhorar a performance nos treinos, mas os efeitos vão além.

    A cardiologista Juliana Soares, do Hospital Albert Einstein, explica como a creatina age no organismo, quais são seus benefícios reais e o que você precisa saber antes de começar a suplementar.

    Como o corpo produz energia para se exercitar

    Para que a gente possa se mexer, pensar, respirar ou simplesmente existir, o corpo precisa de energia. Esse combustível vem dos alimentos: açúcares, proteínas e gorduras.

    “Os nutrientes provenientes da alimentação são transformados em pequenas moléculas no nosso organismo para que consigam ser absorvidos pelas células e se transformem em energia”, explica a cardiologista Juliana Soares.

    Durante o exercício, o que o corpo mais usa é o glicogênio, uma reserva de energia feita a partir da glicose, que é o açúcar presente nos alimentos. Ele é armazenado no fígado e nos músculos, e é essencial para atividades de intensidade alta, como correr ou levantar peso.

    “Estudos evidenciam que quanto maiores essas reservas, maior o tempo total de exercício até a exaustão”, afirma a cardiologista. E ela ainda reforça: é importante comer bem antes e depois do treino, combinando carboidratos com proteínas, para garantir energia e recuperar os músculos.

    O que é creatina e qual seu papel no corpo?

    A creatina é uma substância formada por três aminoácidos (metionina, glicina e arginina). Nosso corpo a produz naturalmente, principalmente no fígado, mas também conseguimos creatina ao comer carne vermelha, frango, peixe, ou por meio da suplementação.

    A creatina é importante no processo de geração de energia. “No processo de utilização do ATP (adenosina trifosfato) pelas células, a creatina atua ‘recarregando’ o ATP, permitindo que o músculo mantenha a energia e desempenhe suas funções”, explica a especialista.

    Portanto, o ATP é como uma bateria de energia das células, e a creatina ajuda a manter essa bateria sempre cheia. Isso, sem dúvida, faz diferença na performance física.

    “O corpo humano produz cerca de 1g de creatina diariamente, o que é uma quantidade considerada insuficiente para suprir as necessidades do organismo e permitir o seu pleno funcionamento”, conta a médica.

    “Para garantir níveis adequados e os benefícios da creatina é aconselhável seguir uma dieta que inclua diariamente alimentos e/ou suplementos ricos em creatina”, aconselha.

    Quais os benefícios da creatina?

    Além de aumentar a energia muscular, a creatina pode ser interessante para outras funcionalidades do organismo, inclusive para o cérebro.

    “Existe um outro tipo celular que muito se beneficia da creatina: os neurônios”, diz a médica. Os neurônios são células extremamente dinâmicas que demandam uma quantidade considerável de energia, que é fornecida na forma de ATP.

    “Quanto mais eficiente for o processo de utilização e reciclagem do ATP, maior será a ativação de funções neurais, como a cognição e a memória. Nesse contexto, a creatina desempenha um papel crucial na geração de energia cerebral, de forma semelhante ao que ocorre nos músculos”, detalha. “Além disso, tem ação antioxidante, podendo ter efeito neuroprotetor”.

    Outro benefício da creatina é para evitar a perda de músculos com a idade, a chamada sarcopenia. “Devido aos seus benefícios em relação à preservação da massa muscular, prevenção da sarcopenia e apoio às funções cognitivas, a população idosa também é aconselhada a utilizar, salvo contraindicações”, diz a médica.

    Como tomar creatina do jeito certo

    Aqui vai uma dúvida comum: tem jeito certo de tomar creatina? Tem, sim. A cardiologista orienta que a creatina, que geralmente é vendida em pó, seja diluída em alguma bebida com carboidrato, como um suco.

    “Estudos apontam que o consumo de creatina com glicose (proveniente carboidrato) eleva sua concentração nos músculos”. A dose ideal varia de 1,5 a 3 gramas por dia.

    E sobre o horário? “Estudos indicam que o horário em que o suplemento é consumido não influencia significativamente o desempenho físico ou a recuperação após os exercícios”.

    O segredo, segundo a médica, está na consistência. É o uso regular que faz efeito, e não o horário exato da ingestão.

    Quais são os riscos e efeitos colaterais da creatina?

    Embora seja um suplemento seguro, a creatina também pode causar efeitos colaterais, principalmente quando usada em doses altas.

    “Especialmente em doses elevadas, a ingestão de creatina pode causar náuseas e diarreia, bem como levar à retenção de líquido e inchaço, cãibras e desidratação”.

    O uso exagerado e prolongado pode sobrecarregar rins e fígado, e alguns grupos não devem usar esse suplemento:

    • Gestantes;
    • Mulheres que estão amamentando;
    • Crianças;
    • Pessoas com problemas nos rins.

    Por isso, é importante conversar com um médico ou nutricionista antes de começar a tomar o suplemento.

    Perguntas frequentes sobre creatina

    1. Quem pode tomar creatina?

    Adultos saudáveis que desejam melhorar o desempenho físico ou proteger os músculos, desde que não tenham contraindicações.

    2. Creatina engorda ou retém líquido?

    Pode causar retenção de líquidos, mas isso não significa acúmulo de gordura, ou seja, não engorda.

    3. Posso tomar creatina todos os dias?

    Sim. O efeito da creatina vem do uso diário e consistente, dentro da dose recomendada.

    4. Qual a melhor forma de tomar creatina?

    Diluída em bebida com carboidrato, como suco, para melhorar a absorção.

    5. Existe melhor horário para tomar creatina?

    Não. O mais importante é manter a regularidade no consumo.

    6. Creatina faz mal para os rins?

    Em excesso e por tempo prolongado, pode sobrecarregar os rins.

    7. Idosos podem tomar creatina?

    Sim, e podem se beneficiar bastante, desde que não tenham contraindicações e estejam acompanhados por um profissional de saúde.

  • Insônia: por que dormir mal afeta corpo e mente 

    Insônia: por que dormir mal afeta corpo e mente 

    Dormir virou quase um luxo nos dias de hoje. Entre o celular que não para de apitar, o trabalho que invade a madrugada e a cabeça que não desliga, muita gente já nem lembra como é acordar descansado. Mas o problema vai além do cansaço. A privação de sono pode desencadear problemas físicos, emocionais e até mesmo transtornos como a depressão.

    Hoje, estima-se que 72% dos brasileiros sofram com alterações no sono. Entenda mais sobre a relação entre insônia, depressão e outras doenças, e o que você pode fazer para ter boas noites de sono.

    Por que dormir bem é importante?

    O sono é um processo biológico essencial para a saúde. Enquanto você dorme, seu corpo trabalha e regula hormônios, equilibra o sistema imunológico, consolida memórias e faz até uma espécie de “faxina” no cérebro. Essa limpeza é feita pelo chamado sistema glinfático, que remove toxinas e proteínas associadas a doenças neurológicas, uma função descoberta só em 2012.

    Hoje, o sono é considerado o terceiro pilar da saúde, ao lado da alimentação equilibrada e da atividade física. “Reconhecer seus impactos profundos representa o primeiro passo para uma revolução nos cuidados pessoais e na saúde pública”, afirma a cardiologista Juliana Soares, do Hospital Israelita Albert Einstein.

    O impacto da insônia na saúde física

    O impacto do sono é brutal. Uma noite maldormida já bagunça o corpo todo. Estudos mostram que uma única noite de sono ruim pode reduzir a sensibilidade à insulina em até 25%, e isso é preocupante, pois deixa o corpo em um estado semelhante ao pré-diabetes. Não é exagero: dormir pouco aumenta a chance de ganhar peso, de obesidade e de diabetes tipo 2.

    Como se não bastasse, a falta de sono também afeta o coração. “Durante o sono, a pressão arterial tende a cair. Quando o sono é curto ou fragmentado, isso não acontece, e o risco de hipertensão e doenças cardíacas aumenta”, explica a cardiologista.

    Coração, pressão e sono andam juntos

    O sono é o momento em que o sistema cardiovascular relaxa. Quando esse descanso não acontece da melhor maneira, o corpo continua em alerta, com a pressão arterial e a frequência cardíaca elevadas, e tudo isso sobrecarrega o coração.

    Estudos também apontam que dormir mal aumenta em até 48% o risco de eventos cardíacos. O motivo é que a falta de sono interrompe processos de autorregulação do sistema nervoso e hormonal, o que deixa o corpo em um estado constante de tensão.

    Insônia e depressão: uma via de mão dupla

    A relação entre sono e saúde mental é mútua. Quem está deprimido tem mais chance de dormir mal, e quem dorme mal tem risco aumentado de desenvolver depressão.

    “A concomitância de insônia e depressão promove maior redução na qualidade de vida do que quando uma dessas condições ocorre isoladamente. Tal interação amplifica a importância do tratamento e da gestão conjunta dessas condições”, afirma Juliana.

    A explicação está no cérebro. Durante o sono, especialmente na fase REM, aquela dos sonhos, o cérebro processa emoções, regula neurotransmissores e se prepara para enfrentar um novo dia. Quando esse ciclo é interrompido, ficamos mais vulneráveis, ansiosos e emocionalmente instáveis.

    Quanto tempo devemos dormir por noite?

    A necessidade de sono muda conforme a idade. Mas, para adultos e idosos, a recomendação da National Sleep Foundation é de sete a nove horas por noite.

    Parece simples, mas a rotina moderna dificulta esse padrão. Trabalho em turnos, uso excessivo de telas, estresse crônico e até a alimentação influenciam na qualidade do sono. E não basta dormir muito, é preciso que o sono seja profundo e restaurador.

    E quando dormir mal vira hábito?

    A insônia crônica é um problema de saúde. Ela reduz a produtividade, afeta o humor, enfraquece o sistema imunológico e, com o tempo, pode aumentar o risco de doenças graves.

    “Um tratamento eficaz para distúrbios do sono pode incluir estratégias comportamentais, como a terapia cognitivo-comportamental para insônia, mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, medicação”, orienta Juliana.

    Alguns sinais para procurar ajuda são:

    • Dificuldade frequente para dormir;
    • Acordar várias vezes durante a noite;
    • Acordar cansado;
    • Ficar irritado;
    • Dificuldade de concentração.

    Sono ruim afeta a qualidade de vida

    Tanto a insônia quanto a depressão afetam o bem-estar de uma pessoa. Quem tem problema de sono relata menos satisfação com a vida, mais cansaço e menor disposição para as atividades do dia a dia.

    O tratamento de distúrbios do sono melhora o humor, a energia e o desempenho no trabalho. Não é exagero dizer que dormir bem muda a vida.

    O que a sociedade pode fazer pelo nosso sono?

    A culpa nem sempre é individual. O ritmo das cidades, a pressão por produtividade e o excesso de estímulos digitais criam um ambiente hostil ao descanso.

    “Políticas de saúde pública devem enfatizar a importância do sono e promover práticas que encorajem padrões de sono saudáveis, especialmente em uma era em que a tecnologia e o ritmo acelerado da vida moderna frequentemente o interrompem”, alerta Juliana.

    Entre as ações que ajudam estão campanhas educativas, inclusão da higiene do sono nas escolas e até programas corporativos que valorizem o bem-estar do trabalhador.

    Dicas práticas de higiene do sono para dormir melhor

    Criar uma rotina na hora de dormir ajuda bastante na qualidade do sono. Veja algumas dicas para dormir melhor:

    • Durma sempre no mesmo horário: tente dormir e acordar sempre nos mesmos horários, inclusive nos fins de semana. Isso ajuda a regular o relógio biológico.
    • Evite telas antes de dormir: celular, tablet e TV emitem luz azul, que atrapalha a produção de melatonina, o hormônio do sono.
    • Diminua o ritmo à noite: crie um ritual relaxante antes de se deitar, como tomar um banho morno, ouvir uma música tranquila ou ler um livro leve. Encontre o que é melhor para você.
    • Deixe o quarto confortável: o quarto precisa ser escuro, silencioso e com temperatura agradável.
    • Corte a cafeína à tarde: café, chá-preto, energéticos e até chocolate podem atrapalhar o sono se consumidos no fim do dia. Prefira consumir só de manhã.
    • Não faça refeições pesadas à noite: o correto é comer algo leve e pelo menos duas horas antes de se deitar.

    Dormir bem é prioridade, não luxo

    Dormir bem é tão importante quanto comer bem ou fazer exercícios. É durante o sono que o corpo se restaura, o coração descansa e o cérebro se organiza.

    Se você vive acordando cansado, tem dificuldade para dormir ou se sente irritado e sem foco durante o dia, vale a pena rever seus hábitos de sono. Priorize o descanso e procure ajuda médica caso não consiga dormir bem.

    Perguntas frequentes sobre insônia e depressão

    1. Quantas horas de sono são ideais por noite?

    Para adultos, o ideal é dormir entre:

    • 7 a 9 horas por noite, de forma regular
    • Dormir menos que 6 horas com frequência pode afetar a saúde
    • O sono insuficiente está ligado a problemas físicos e mentais, como depressão, ansiedade e doenças cardiovasculares

    2. A insônia pode causar depressão?

    Sim. A insônia crônica é um fator de risco para depressão e pode agravar uma depressão que já existe.

    3. Dormir pouco afeta o coração?

    Sim, sono e coração estão interligados. O sono ajuda a regular a pressão arterial e o funcionamento do coração. Dormir mal aumenta o risco de pressão alta e doenças cardíacas.

  • Microplásticos e doenças do coração: entenda os riscos

    Microplásticos e doenças do coração: entenda os riscos

    Você sabia que pode estar ingerindo plástico todos os dias, mesmo sem perceber? Os microplásticos estão em embalagens, cosméticos, alimentos e até na poeira da sua casa, e esse plástico microscópico está se acumulando nas suas artérias e pode aumentar em 4,5 vezes o risco de infarto.

    Neste artigo, explicamos como esses microplásticos afetam a saúde do coração e o que você pode fazer para se proteger.

    O que são microplásticos e como entram no corpo

    Microplásticos são fragmentos de plástico com menos de 5 milímetros de diâmetro. Eles surgem da degradação de plásticos maiores ou são produzidos propositalmente em tamanho reduzido para uso em cosméticos, produtos de higiene e outros itens.

    Por serem tão pequenos, podem ser facilmente inalados ou ingeridos. Estão na água, nos alimentos, no ar e até mesmo em ambientes internos, como dentro de casa. Isso torna praticamente inevitável a exposição constante a essas partículas. Estudos estimam que ingerimos entre 74 mil e 121 mil partículas de microplástico por ano.

    O que a ciência já descobriu sobre microplásticos no corpo humano

    Estudos recentes já encontraram microplásticos no corpo, inclusive em diversas partes, como sangue, pulmões, placenta e, mais recentemente, nas artérias.

    Um artigo publicado na revista New England Journal of Medicine identificou a presença dessas partículas em placas de gordura das artérias carótidas de pacientes que foram submetidos à cirurgia.

    Esses pacientes apresentaram um risco 4,5 vezes maior de ter infarto, AVC ou morrer em três anos, comparado àqueles que não tinham microplásticos nas artérias. Ou seja, os especialistas concluíram que os microplásticos afetam a saúde do coração.

    “O nosso estilo de vida moderno, repleto de conveniências como embalagens plásticas e roupas sintéticas, está liberando uma quantidade alarmante de microplásticos no ambiente que podem contribuir para o desenvolvimento de doenças do coração. É mais um fator de risco, como pressão alta, diabetes, cigarro, mostrando como o estilo de vida pode ter consequências muito mais profundas do que imaginamos”, explica a cardiologista Juliana Soares, do Hospital Israelita Albert Einstein.

    Microplásticos e riscos cardiovasculares

    Os cientistas sugerem que, nas artérias, esses microplásticos afetam a saúde do coração e podem provocar diversos problemas. Veja abaixo.

    Inflamação crônica

    As partículas de microplástico podem causar uma inflamação crônica no corpo. Isso pode facilitar a formação de placas de gordura nas artérias e aumenta o risco de essas placas se romperem, o que pode levar a problemas como infarto ou AVC.

    Estresse oxidativo

    Quando os microplásticos se acumulam no organismo, eles podem estimular a produção de radicais livres em excesso. Essas substâncias atacam as células saudáveis e enfraquecem a parede dos vasos sanguíneos e podem contribuir para o entupimento das artérias.

    Disfunção endotelial

    O endotélio é a camada que reveste o interior dos vasos sanguíneos. A presença de microplásticos pode comprometer esse revestimento, e isso dificulta a dilatação deles e pode aumentar o risco de desenvolver pressão alta e outras doenças do coração.

    “Nas artérias, onde já podem existir placas de gordura (aterosclerose), a presença dos microplásticos pode desencadear uma resposta inflamatória, crônica e silenciosa. O corpo tenta ‘combater’ as partículas de plástico, e essa batalha pode piorar as placas no organismo, aumentando o risco de infarto e AVC”, detalha a cardiologista.

    Tipos de plástico mais encontrados no organismo

    Entre os tipos de plástico mais encontrados nas artérias e em outras partes do corpo, estão:

    • Polietileno: usado em sacolas e embalagens;
    • Policloreto de vinila (PVC): presente em encanamentos e revestimentos;
    • Poliestireno: presente em copos e talheres descartáveis;
    • Polietileno tereftalato (PET): presente em garrafas de água, refrigerante, óleo, entre outros itens.

    Hoje, esses produtos de poluição plástica são ingeridos ou inalados através de água, poeira, alimentos embalados e produtos comuns de higiene.

    Como reduzir a exposição a microplásticos

    Ainda que seja impossível evitar totalmente os microplásticos, algumas atitudes podem reduzir a exposição:

    • Evitar o uso de plásticos descartáveis
    • Usar filtros de água com capacidade de reter microplásticos
    • Optar por alimentos frescos e não embalados
    • Arejar bem os ambientes internos

    “O estilo de vida moderno nos expõe a muitas fontes de microplásticos, desde as embalagens de alimentos até as roupas que vestimos. Pequenas mudanças nos hábitos diários podem reduzir o risco à saúde, como por exemplo reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, utilizar recipientes de vidro e filtrar a água”, explica a médica.

    A ciência ainda está investigando os efeitos dos microplásticos no organismo, mas os primeiros resultados já apontam para riscos cardiovasculares reais. Evitar o consumo excessivo de plástico e adotar hábitos saudáveis é, por enquanto, a melhor forma de prevenção.

    Perguntas frequentes sobre microplásticos e saúde do coração

    1. Microplásticos aumentam o risco de infarto?

    Sim, estudos mostram que microplásticos podem aumentar em 4,5 vezes o risco de infarto e AVC.

    2. Como os microplásticos entram no corpo?

    Podem ser ingeridos por meio de água, alimentos, poeira ou inalados no ar. Também estão em cosméticos e produtos de uso diário.

    3. Existe como eliminar microplásticos do organismo?

    Ainda não existe um método eficaz para eliminar essas partículas. A prevenção é a melhor estratégia.

    4. Todo mundo tem microplásticos no corpo?

    A maioria das pessoas está exposta em algum grau. A presença já foi detectada em sangue, órgãos e artérias.

    5. Filtros de água comuns ajudam?

    Alguns filtros podem reter parte dos microplásticos, mas é importante verificar se são certificados para isso.

  • Gravidez e coração: o que muda e quais são os riscos

    Gravidez e coração: o que muda e quais são os riscos

    Durante a gravidez, o corpo da mulher entra em um modo de trabalho intenso. O coração bate mais rápido, os vasos se adaptam, o volume de sangue aumenta, tudo para garantir que o bebê receba oxigênio e nutrientes. Essa maratona, porém, não acontece sem esforço: o coração precisa acompanhar o ritmo, e qualquer desequilíbrio pode gerar riscos.

    É por isso que é importante cuidar da saúde cardiovascular na gravidez. Venha entender o que muda durante a gestação e quais são os cuidados que você deve tomar quando estiver grávida.

    O que muda no coração durante a gestação

    A partir do segundo trimestre, o volume de sangue no corpo da gestante pode aumentar de 30% até 50%. Isso força o coração a bombear mais e mais rápido, por isso a saúde do coração na gravidez precisa estar em dia.

    A cardiologista Juliana Aparecida Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que, durante a gestação, o coração da mulher passa a trabalhar até 50% mais do que o normal. Isso acontece porque ele precisa bombear mais sangue a cada batida e também bate mais rápido.

    “Para acomodar esse aumento, a resistência dos vasos sanguíneos periféricos diminui, o que permite que a pressão arterial se mantenha relativamente estável, mesmo com mais sangue circulando pelo corpo”, descreve ela.

    Quando a pressão alta se torna um risco

    Em algumas mulheres, esse esforço todo pode sair do controle. A pressão sobe demais, surgem dores de cabeça, inchaços e outros sinais de alerta. A pressão alta gestacional e a pré-eclâmpsia são complicações sérias.

    “O tratamento envolve monitoramento rigoroso, medicação anti-hipertensiva segura e, em algumas situações, hospitalização para proteger a mamãe e o bebê”, diz Juliana.

    O que é pré-eclâmpsia e por que ela pode aumentar a pressão na gravidez

    A pré-eclâmpsia é uma complicação da gravidez caracterizada por pressão arterial elevada (acima de 140/90 mmHg) após a 20ª semana de gestação, frequentemente acompanhada de proteína na urina.

    De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), estima-se que a pré-eclâmpsia atinja 1,5% das gestantes no Brasil.

    Entendendo a síndrome HELLP

    A síndrome de HELLP é uma condição grave que pode surgir na gravidez, caracterizada por alterações no fígado e no sangue, e geralmente está ligada à pressão alta. Ela oferece riscos à mãe e ao bebê. Pode aparecer junto com a pré-eclâmpsia.

    De forma simples, ela acontece quando o corpo da gestante começa a destruir suas células do sangue, o fígado passa a funcionar mal e as plaquetas, que ajudam a estancar sangramentos, ficam muito baixas. Isso tudo deixa a gestante mais vulnerável a sangramentos, dores fortes e outros riscos sérios, exigindo cuidados médicos urgentes.

    Outro risco grave é o descolamento da placenta antes da hora, o que pode comprometer a oxigenação e a nutrição do bebê.

    Em alguns casos, o único jeito de proteger a saúde da gestante e do bebê é antecipar o parto. E quando a pré-eclâmpsia evolui para eclâmpsia, a gestante pode ter convulsões, o que representa uma emergência médica. Por isso, o acompanhamento do pré-natal e o controle da pressão são tão importantes.

    5 fatores de risco para doenças cardíacas na gravidez

    Algumas coisas aumentam o risco de problemas no coração durante e depois da gravidez:

    • Primeira gravidez após os 35 anos
    • Sobrepeso ou obesidade
    • Histórico familiar de hipertensão
    • Diabetes gestacional
    • Valvopatias, que são doenças nas válvulas do coração

    Mulheres que já têm doenças cardíacas antes de engravidar, como problemas nas válvulas, devem conversar com o cardiologista antes mesmo de engravidar. O risco de arritmia, insuficiência cardíaca e trombose é maior, e o acompanhamento precisa ser conjunto entre obstetra e cardiologista.

    Riscos que vão além da gravidez

    Os riscos cardíacos da gestação podem perdurar mesmo depois do bebê ter nascido. Quem teve pressão alta na gestação, por exemplo, precisa ficar atenta mesmo que a pressão volte ao normal após o parto. Mulheres que tiveram essa condição na gravidez têm mais chance de desenvolver pressão alta crônica, infarto e AVC no futuro.

    “O período entre o final da atenção obstétrica e o início de sintomas de hipertensão crônica representa uma janela crítica de oportunidade para intervenções preventivas, e isso é frequentemente negligenciado”, alerta a médica.

    Ao longo da gestação, a pressão arterial pode diminuir nos dois primeiros trimestres e voltar a subir no terceiro.

    A recomendação atual é de que essas mulheres façam acompanhamento anual com cardiologista, meçam pressão, colesterol, glicemia e recebam orientações sobre alimentação, atividade física e controle do peso.

    Como prevenir complicações cardiovasculares na gravidez

    Para manter o coração saudável durante e após a gravidez, vale seguir essas dicas:

    • Tenha uma alimentação equilibrada;
    • Mantenha o peso adequado;
    • Faça exercícios físicos regulares, com orientação médica;
    • Controle a pressão arterial;
    • Não fume ou beba bebida alcoólica;
    • Não ignore sintomas como dores de cabeça, visão turva, falta de ar ou inchaço excessivo.

    Por que a atenção continua após o parto

    Muita gente acha que os cuidados terminam com o nascimento do bebê, mas não é bem assim. Estudos mostram que o número de filhos, por exemplo, pode influenciar o risco de problemas cardíacos. Ter muitos filhos (cinco ou mais) ou nenhum pode aumentar as chances de infarto e AVC.

    A infertilidade também entra na conta, pois pode estar ligada a condições como a síndrome dos ovários policísticos (SOP), que aumentam o risco de doenças cardíacas.

    Amamentar protege o coração

    Amamentar não é só bom para o bebê. O aleitamento materno prolongado ajuda a proteger o coração da mãe. Ele está associado a menor risco de hipertensão e diabetes tipo 2 no futuro.

    Perguntas frequentes sobre saúde cardiovascular na gravidez

    1. É normal a pressão cair nos primeiros meses da gestação?

    Sim. Nos dois primeiros trimestres, a pressão tende a baixar um pouco, mas volta a normalizar no final da gravidez. Se ficar alta, porém, é preciso fazer acompanhamento médico específico para pressão alta.

    2. Ter hipertensão na gravidez significa que terei pressão alta para sempre?

    Nem sempre, mas a hipertensão gestacional aumenta bastante o risco. Por isso, o acompanhamento deve continuar mesmo após o parto.

    3. Toda mulher com pressão alta na gravidez desenvolve pré-eclâmpsia?

    Não, mas é um risco real. Por isso, o pré-natal é tão importante para monitorar e intervir quando necessário.

    4. É perigoso engravidar com problema no coração?

    Depende do tipo e do controle da doença. É essencial conversar com o médico antes de engravidar.

    5. Posso continuar a praticar exercícios na gravidez?

    Sim, mas sempre com liberação médica. Atividades leves e regulares ajudam a manter o coração saudável.

  • Colesterol alto tem solução! Veja como é o tratamento 

    Colesterol alto tem solução! Veja como é o tratamento 

    O colesterol alto é um dos principais fatores de risco para doenças do coração, como infarto e AVC. Quando está em excesso, pode se depositar nas paredes das artérias, dificultar a passagem do sangue e aumentar o risco de entupimentos. Por isso, seguir o tratamento para colesterol corretamente é fundamental para prevenir complicações graves e proteger o coração.

    Se os níveis estiverem elevados, portanto, é preciso agir logo. O tratamento envolve mudanças no estilo de vida e, se necessário, o uso de medicamentos. A boa notícia? Com acompanhamento e disciplina, é possível reverter o quadro e prevenir complicações.

    Como tratar colesterol alto: 3 métodos comprovados

    Em primeiro lugar, é necessário saber se o colesterol está alto. Isso é feito por meio de exames de sangue simples que medem os níveis de colesterol total, LDL (também conhecido por colesterol “ruim”), HDL (colesterol “bom”) e triglicerídeos, um tipo de gordura também prejudicial ao coração.

    Se identificado o problema, é hora de saber o que fazer para tratar. Conheça os três pilares do tratamento para colesterol alto.

    1. Alimentação saudável: o combustível do coração

    A base de como baixar o colesterol começa no prato. Uma alimentação equilibrada pode reduzir o LDL entre 10% e 30%.

    “Uma alimentação cardioprotetora prioriza o consumo de fibras solúveis, que estão, por exemplo, presentes na aveia, na cevada, nas frutas cítricas e nas leguminosas e formam um gel no intestino que se liga ao colesterol, reduzindo sua absorção. O consumo diário de 5 a 10 g de fibras solúveis pode reduzir o LDL em 5% a 10%”, explica a cardiologista Juliana Aparecida Soares.

    Além das fibras, outros alimentos também são bons para o controle do colesterol:

    • Gorduras boas: azeite extravirgem, abacate, castanhas e peixes como salmão e sardinha.
    • Esteróis vegetais: substâncias presentes em vegetais, oleaginosas, sementes e alimentos funcionais e que ajudam a bloquear a absorção do colesterol no intestino. Dois gramas por dia podem reduzir o LDL em até 10%.

    Evitar alimentos ultraprocessados, como salgadinhos, macarrão instantâneo, fast-food, embutidos, frituras e excesso de carnes gordurosas também é muito importante para cuidar do coração. Comer em horários certos, com porções equilibradas, ajuda o corpo a funcionar melhor.

    2. Atividade física: o exercício que vale ouro

    Mexer o corpo é tão importante quanto cuidar da alimentação. A atividade física ajuda a:

    • Aumentar colesterol bom
    • Reduzir o colesterol ruim e os triglicerídeos
    • Melhorar a circulação e o funcionamento das artérias

    A recomendação é praticar pelo menos 150 minutos por semana de atividades aeróbicas, como caminhada rápida, ciclismo ou natação. Também é importante fazer exercícios com pesos de duas a três vezes por semana, como a musculação, por exemplo.

    E se você está começando agora, não se preocupe com a intensidade. É mais importante fazer sempre. “A constância supera a intensidade”, lembra a médica.

    Leia mais: Pressão alta: como controlar com a alimentação

    3. Remédios para colesterol: quando são necessários?

    Nem sempre o estilo de vida é suficiente para controlar o colesterol, especialmente em casos em que o colesterol alto tem base genética ou quando a pessoa já tem histórico de doença cardiovascular. Nesses casos, os remédios entram em cena, sempre indicados por um médico. Conheça quais são os melhores tratamentos para colesterol alto.

    Principais classes de remédios:

    • Estatinas (as mais utilizadas)
    • Fibratos
    • Ezetimibe
    • Terapias mais recentes, como anticorpos monoclonais

    “As estatinas são as mais comuns. Estima-se que cerca de 200 milhões de pessoas usem essa classe de medicamento para reduzir o colesterol ruim (LDL) em até 50%”, afirma Juliana.

    Estatinas para colesterol: como funcionam e efeitos colaterais

    Elas atuam no fígado, bloqueando uma enzima chamada HMG-CoA redutase, que é essencial na produção de colesterol. Também têm efeito anti-inflamatório e ajudam a estabilizar as placas de gordura nas artérias, o que reduz o risco de infarto e AVC.

    E os efeitos colaterais?

    A maioria das pessoas tolera bem as estatinas. Os efeitos colaterais mais comuns são:

    • Dores musculares leves (em até 5% dos casos);
    • Alterações nos exames de fígado (raras);
    • Pequeno aumento no açúcar do sangue.

    Alguns fatores aumentam o risco de efeitos adversos: idade avançada, uso de vários remédios, consumo de bebida alcoólica e doenças no fígado ou rins. Por isso, o acompanhamento médico é indispensável.

    Vale a pena seguir o tratamento para colesterol?

    “Os benefícios são muito maiores do que os riscos”, garante Juliana. As estatinas, por exemplo, não apenas reduzem o colesterol como também prolongam a vida em pessoas que já tiveram infarto ou AVC. E mais: não se deve interromper o tratamento por conta própria sem a orientação do médico.

    Com alimentação balanceada, exercício regular e, se necessário, remédio na dose certa, é possível manter o colesterol sob controle e proteger o coração.

    Perguntas frequentes sobre tratamento para colesterol alto

    1. Todo mundo com colesterol alto precisa tomar estatina?

    Não. Em casos leves, mudanças na alimentação e atividade física podem ser suficientes. O uso de remédios é decidido pelo médico com base no risco cardiovascular.

    2. As estatinas fazem mal para o fígado?

    Elas podem alterar exames do fígado, mas efeitos graves são raros. O médico sempre monitora os resultados.

    3. Quanto tempo leva para baixar o colesterol com remédio?

    Os efeitos das estatinas geralmente começam a ser percebidos em 4 a 6 semanas. O acompanhamento médico com exames é essencial.

    4. Posso parar o remédio se o colesterol baixar?

    Não. O controle depende da continuidade do tratamento. Só o médico pode avaliar se é possível ajustar ou suspender o remédio.

    5. Qual o melhor exercício para baixar o colesterol?

    Caminhada, corrida, natação, bicicleta e dança são ótimas opções. Exercícios com peso também ajudam, principalmente quando combinados com atividades aeróbicas. Antes de começar, porém, é sempre bom consultar um médico para uma avaliação de saúde.

    Leia mais: Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

  • Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

    Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

    O colesterol é muito importante para o corpo, mas em excesso pode ser perigoso. Quando está bem equilibrado, ajuda o organismo a funcionar direito, mas o colesterol alto aumenta o risco de doenças bem graves, como infarto e AVC.

    Neste texto, você vai entender o que é colesterol, os tipos e os principais fatores que contribuem para que ele fique alto, além de aprender o que fazer para resolver esse problema.

    O que é colesterol e por que ele é importante?

    O colesterol é um tipo de gordura produzido pelo próprio organismo e também obtido pela alimentação. Apesar da fama ruim, ele é fundamental: está presente nas membranas das células, participa da produção de hormônios e é necessário para a saúde do corpo. No entanto, é preciso evitar a todo custo o colesterol alto.

    Tipos de colesterol: LDL, HDL e VLDL explicado

    Colesterol LDL: por que é considerado ruim?

    Quando está em excesso, o LDL se acumula nas artérias e pode formar placas que dificultam a passagem do sangue. Quando essas placas bloqueiam a passagem total do sangue é que acontecem infartos e AVC.

    Colesterol HDL: o protetor do coração

    Nem todo colesterol é ruim. O colesterol HDL tem o papel de “limpar” o excesso de colesterol nas artérias e ajudar a proteger o coração.

    VLDL

    O colesterol VLDL transporta triglicerídeos, outra gordura que faz mal ao coração. Quando há VLDL em excesso, sobram triglicérides circulando, o que predispõe ao acúmulo de gordura nas artérias e aumenta o risco cardiovascular.

    Valores de referência para colesterol

    Exame Desejável para população geral Desejável para alto risco cardiovascular Desejável para risco muito alto
    Colesterol Total Menor que 190 mg/dL Menor que 190 mg/dL Menor que 190 mg/dL
    LDL (colesterol “ruim”) Menor que 100 mg/dL Menor que 70 mg/dL Menor que 50 mg/dL
    HDL (colesterol “bom”) ≥ 40 mg/dL (homens) / ≥ 50 mg/dL (mulheres) Igual Igual
    Triglicerídeos Menor que 150 mg/dL Menor que 150 mg/dL Menor que 150 mg/dL
    Não-HDL Menor que 130 mg/dL Menor que 100 mg/dL Menor que 80 mg/dL

    O que causa o colesterol alto?

    As causas do colesterol alto são várias. O problema pode acontecer tanto por maus hábitos de saúde ou por fatores genéticos. Entenda.

    Fatores genéticos

    Algumas pessoas nascem com maior tendência ao colesterol alto, mesmo estando dentro do peso ideal e fazendo uma alimentação saudável. Essa condição é uma herança genética chamada de hipercolesterolemia familiar e afeta cerca de 1 em cada 250 brasileiros.

    Dieta rica em gordura saturada e trans

    Alimentos como fast-food, frituras, carnes gordurosas e produtos industrializados são grandes problemas, pois uma alimentação ruim pode aumentar o LDL em até 25%. E os riscos do colesterol alto são muitos, por isso é importante manter uma boa alimentação.

    Sedentarismo

    A falta de atividade física reduz o HDL, que é o colesterol bom, e dificulta o controle do colesterol ruim. Apenas 150 minutos de exercício de intensidade moderada por semana já fazem diferença.

    Tabagismo e álcool em excesso

    Fumar danifica as artérias e reduz o colesterol bom. O excesso de bebida alcoólica também aumenta os triglicérides, que é péssimo para o coração.

    Envelhecimento e hormônios

    Com o passar dos anos, o corpo tende a produzir mais colesterol. Após a menopausa, muitas mulheres apresentam aumento do LDL.

    Veja também: Pressão alta: como controlar com a alimentação

    Doenças associadas

    Diabetes tipo 2, hipotireoidismo e doenças renais ou hepáticas alteram o metabolismo e aumentam a chance de ter colesterol alto.

    Estresse

    O estresse crônico aumenta o cortisol, um hormônio que interfere no metabolismo das gorduras e pode aumentar os níveis de colesterol.

    Uso de remédios

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, alguns remédios, como corticóides, anticoncepcionais, diuréticos e betabloqueadores, podem contribuir para alterações do colesterol. “É fundamental informar ao médico todos os medicamentos em uso ao investigar causas de colesterol alto”, alerta.

    Como prevenir o colesterol alto?

    O controle do colesterol começa com hábitos saudáveis. Veja os três pilares de prevenção do colesterol alto:

    • Alimentação balanceada: frutas, verduras, grãos integrais, azeite de oliva e peixes são ótimos para ajudar a manter o colesterol sob controle. Evite frituras, embutidos e alimentos industrializados.
    • Exercício físico: caminhar, pedalar, nadar ou dançar ajuda a melhorar os níveis de HDL e controlar o LDL. Lembre-se de ser constante na atividade física.
    • Acompanhamento médico: em alguns casos, pode ser necessário o uso de remédios (como as estatinas), sempre com orientação profissional. Se for o caso do colesterol por herança genética, outros remédios ainda mais específicos também podem ser usados.

    Manter o colesterol em ordem é um passo muito importante para uma vida longa e saudável. O colesterol e o estilo de vida estão muito relacionados.

    Perguntas frequentes sobre colesterol alto

    1. Colesterol alto tem sintomas?

    Na maioria dos casos, não. O colesterol alto é silencioso. Só exames de sangue podem identificar o problema.

    2. Colesterol alto sempre precisa de remédio?

    Nem sempre. Mudanças na alimentação e no estilo de vida muitas vezes são suficientes, mas em alguns casos o médico pode indicar medicamentos.

    3. Qual o nível ideal de colesterol?

    Depende do histórico de saúde da pessoa. Em geral, o LDL deve ficar abaixo de 100 mg/dL. Mas para pessoas com risco cardíaco mais alto, esse número pode ser bem menor. O médico saberá dizer o melhor para cada caso.

    4. Crianças e adolescentes também podem ter colesterol alto?

    Sim. Por isso, é importante criar bons hábitos desde cedo e, quando necessário, fazer exames de rotina.

    5. O que comer para baixar o colesterol?

    Alimentos ricos em fibras (aveia, frutas, leguminosas), ômega-3 (peixes, linhaça) e gorduras boas (abacate, azeite) ajudam no controle do colesterol.

    Leia mais: Como tratar o colesterol alto

  • Dieta mediterrânea para pressão alta: como funciona 

    Dieta mediterrânea para pressão alta: como funciona 

    Você sabia que um estilo de alimentação que vem lá da região do Mar Mediterrâneo pode ajudar a controlar a pressão alta? Esse padrão alimentar que tem como base frutas, legumes, grãos integrais, azeite e peixes ajuda a manter a pressão arterial sob controle e protege o coração.

    Mesmo que o Brasil esteja longe do Mediterrâneo, é possível adaptar essa dieta ao jeitinho brasileiro, com ingredientes simples, fáceis de encontrar e bem saborosos.

    O que é a dieta mediterrânea?

    A dieta mediterrânea surgiu na Grécia, Itália e outros países banhados pelo Mar Mediterrâneo. Ela valoriza comidas frescas, preparadas com azeite, ervas e ingredientes naturais, com pouca carne vermelha e ultraprocessados. O modelo ideal é:

    • Muita fruta e verdura
    • Grãos integrais e leguminosas, como feijão, lentilha, grão‑de‑bico
    • Oleaginosas, como nozes e amêndoas
    • Azeite de oliva como principal fonte de gordura
    • Peixes e aves como fonte de proteína
    • Laticínios leves e pouca carne vermelha

    Por que a dieta mediterrânea ajuda a baixar a pressão

    O efeito positivo da dieta mediterrânea na pressão alta vem dos nutrientes dos alimentos, como explica a cardiologista Juliana Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.

    “Elementos como ácidos graxos ômega 3 (encontrados em peixes gordurosos como salmão e o atum), polifenóis, nitratos e agentes antioxidantes (presentes no azeite, nas frutas em especial as vermelhas e uvas, nos vegetais, nas oleaginosas como as nozes), atuam diretamente na dilatação dos vasos sanguíneos e na redução das reações inflamatórias e comprovadamente auxiliam no controle da pressão alta”.

    Além disso, a dieta também pode promover perda de peso, o que ajuda ainda mais no controle da pressão arterial, explica a médica.

    Benefícios da dieta mediterrânea para quem tem pressão alta

    Além de ajudar no controle da pressão alta, a dieta mediterrânea é muito saudável e traz os principais nutrientes para uma vida longa e com bastante saúde.

    Como adaptar a dieta mediterrânea para a realidade brasileira

    Não precisa fazer um prato grego. Dá para adaptar a dieta mediterrânea para o Brasil, usando o nosso arroz com feijão. O segredo está em fazer trocas espertas e no uso de temperos naturais.

    Substituições inteligentes de ingredientes

    • Arroz integral e feijão no lugar do arroz branco ou farinha refinada
    • Azeite de oliva no lugar de óleos comuns ou manteiga
    • Legumes e verduras à vontade, como abobrinha, tomate, brócolis e couve
    • Frutas da estação, como banana, mamão, laranja
    • Peixes como atum, sardinha e salmão, ou frango com moderação
    • Oleaginosas como lanche, e aí entram castanhas, nozes e amêndoas com moderação
    • Temperos naturais, como alho, cebola, ervas e limão, e menos sal

    Para seguir as receitas mediterrâneas aqui no Brasil sem gastar muito, a ideia é preservar os principais nutrientes, que são as gorduras boas, as fibras e os minerais, mas buscá-los em ingredientes fáceis de encontrar por aqui.

    Dicas para começar a seguir a dieta mediterrânea

    • Troque o arroz branco por integral em algumas refeições;
    • Inclua uma porção extra de verduras e legumes no almoço e jantar;
    • Use azeite para temperar saladas ou para refogar;
    • Aproveite frutas como sobremesa ou lanche;
    • Substitua frituras por grelhados ou assados;
    • Prefira peixe a carnes vermelhas.

    São pequenas mudanças, é uma forma de como fazer a dieta mediterrânea e que já traz benefícios para a pressão arterial e o coração.

    “Ao contrário de grande parte das dietas, a dieta mediterrânea apresenta uma grande variedade de alimentos, com muitas possibilidades, especialmente quando temos grande variedade de verduras e legumes disponíveis. Além disso, os pratos feitos com alimentos deste tipo de dieta são muito saborosos”, diz Juliana.

    Cardápio da dieta mediterrânea brasileira

    Veja um exemplo de um dia da dieta mediterrânea e inspire-se.

    Café da manhã: frutas frescas, iogurte natural, aveia, pão integral com azeite ou pasta de abacate, café sem açúcar ou chá de ervas.

    Lanche da manhã ou tarde: castanhas, nozes, amêndoas, frutas da estação (como banana, mamão, laranja), ou um pedaço pequeno de queijo branco.

    Almoço: arroz integral, feijão, legumes cozidos ou refogados (como abobrinha, couve e cenoura), salada de folhas com azeite, frango grelhado ou peixe assado.

    Jantar: sopa de legumes, omelete com espinafre, pão integral com pastas naturais (como homus ou patê de atum com azeite), salada com tomate e azeite.

    Alimentos permitidos e proibidos na dieta mediterrânea

    Permitidos:

    • Frutas, legumes, verduras, grãos integrais, leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico), oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas), azeite de oliva, peixes, aves, laticínios com pouca gordura e temperos naturais.

    Proibidos (consuma só de vez em quando):

    • Carne vermelha, embutidos, frituras, produtos ultraprocessados (aqui entram salgadinhos, refrigerantes, bolachas recheadas, macarrão instantâneo), muito sal, manteiga, margarina, doces industrializados.

    Leia mais: Pressão alta: como controlar com a alimentação

    Receitas mediterrâneas adaptadas para o Brasil

    Com um pouco de criatividade, dá para adaptar as receitas ao estilo bem brasileiro, só que com mais saúde.

    Arroz integral com legumes e sardinha no azeite

    Refogue cebola, alho e tomate no azeite de oliva. Acrescente arroz integral cozido, abobrinha em cubos e cenoura ralada. Finalize com sardinha desfiada por cima e salsinha fresca.

    Salada de grão-de-bico com legumes e limão

    Misture grão-de-bico cozido, pepino picado em cubos, tomate picado, cebola roxa e hortelã. Tempere com azeite de oliva, limão e uma pitada de sal. Coma fria como entrada ou acompanhamento.

    Perguntas frequentes sobre dieta mediterrânea e pressão alta

    1. A dieta mediterrânea realmente baixa a pressão arterial?

    Sim, quando feita consumindo pouco sal, a dieta mediterrânea pode ajudar a reduzir a pressão arterial, especialmente quando combinada com outros hábitos saudáveis como exercícios e sono de qualidade.

    2. Posso seguir a dieta mediterrânea sendo vegetariano?

    Sim. A dieta mediterrânea é rica em alimentos vegetais como frutas, legumes, grãos integrais, castanhas e azeite de oliva, e pode ser facilmente adaptada para quem não consome carne, frango ou peixe.

    3. Qual a quantidade ideal de azeite por dia?

    A recomendação geral é de 2 a 3 colheres de sopa (cerca de 30 a 45 ml) de azeite de oliva extravirgem por dia, usadas para temperar saladas ou preparar alimentos.

    4. A dieta mediterrânea é cara no Brasil?

    Depende do que você consome. De forma geral, ela pode ter um valor acessível, sim. Se você priorizar alimentos locais, como arroz integral, feijão, frutas da estação, legumes variados e peixes como sardinha, dá para montar refeições saudáveis e que não pesam no bolso.

    Estilo de vida e pressão alta

    Quem tem pressão alta precisa acompanhar a condição com um médico cardiologista e usar remédios, se essa for a indicação do especialista. Porém, no dia a dia, dá para ajudar o corpo a funcionar melhor com um bom estilo de vida, pois isso colabora bastante para o controle da pressão arterial.

    A atividade física, por exemplo, é uma grande amiga do coração e da pressão arterial. De quebra, ajuda também a diminuir o estresse do cotidiano. Por sua vez, uma boa alimentação, como a dieta mediterrânea ou a dieta DASH são importantes para manter a saúde em dia e a pressão mais bem controlada.

    O mais importante é não encarar a dieta mediterrânea como algo restritivo, punitivo ou impositivo, mas sim como uma mudança boa de hábitos. Descobrir o uso de temperos naturais, novas formas de preparo e até como apresentar o prato faz até aquela pessoa que costuma torcer o nariz para legumes se esbaldar com vegetais.

    “Entender que a alimentação é parte fundamental do cuidado à saúde, pilar para longevidade e qualidade de vida e muitas vezes capaz de solucionar ou ao menos minimizar muitas questões de saúde é fundamental. Além disso, é algo que somente cada pessoa pode fazer por si”, aconselha a cardiologista.

    Leia mais: Dieta DASH: como fazer a dieta que ajuda baixar sua pressão