Autor: Dra. Juliana Soares

  • MAPA: o exame que analisa a pressão arterial por um dia inteiro 

    MAPA: o exame que analisa a pressão arterial por um dia inteiro 

    A pressão arterial pode se comportar de maneiras bem diferentes ao longo do dia. Em alguns momentos, ela sobe; em outros, volta ao normal. No consultório, a medição dura poucos segundos, e isso nem sempre reflete a realidade dos outros momentos.

    É aí que entra o MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial), um exame que acompanha a pressão durante 24 horas e registra as variações em atividades comuns e até durante o sono.

    Cada vez mais solicitado pelos cardiologistas, o MAPA é considerado um excelente exame para entender se a pressão alta aparece apenas em situações específicas, como no consultório médico, ou se realmente está elevada durante todo o dia.

    O que é o exame MAPA?

    O MAPA é um exame que mede e registra a pressão arterial ao longo de 24 horas. A pessoa usa um aparelho preso à cintura, conectado a uma braçadeira no braço. Em intervalos programados (geralmente a cada 15 a 30 minutos durante o dia e a cada 30 a 60 minutos à noite), o aparelho infla automaticamente e mede a pressão arterial.

    Leia também: Pressão alta: como controlar com a alimentação

    Para que serve o MAPA?

    O exame é muito útil para diversas situações, como:

    • Confirmar diagnóstico de pressão alta;
    • Avaliar o efeito de remédios para pressão alta;
    • Detectar hipertensão do avental branco: quando a pressão sobe apenas no consultório do médico;
    • Identificar pressão alta mascarada: parece normal no consultório, mas está elevada no dia a dia;
    • Avaliar se a pressão cai adequadamente durante o sono.

    Como o MAPA é feito na prática?

    • A pessoa vai ao consultório ou laboratório para colocar o equipamento;
    • Durante as 24 horas, ela segue a rotina normal e anota em um diário as atividades, horários de sono e sintomas;
    • No dia seguinte, retorna para retirar o aparelho e entregar o diário.

    O exame não dói, não é invasivo, mas pode causar algum incômodo por conta do enchimento frequente da braçadeira, que gera pressão no braço, inclusive durante o sono.

    Confira: Como controlar pressão alta com mudanças no estilo de vida

    Quem deve fazer o MAPA?

    O médico pode indicar o exame para:

    • Pessoas com suspeita de pressão alta;
    • Quem está em tratamento para pressão alta, para avaliar se os medicamentos estão funcionando;
    • Indivíduos com variações de pressão ainda sem explicação;
    • Casos de sintomas como tontura, palpitação ou dor de cabeça que podem estar relacionados à pressão arterial.

    Perguntas frequentes sobre o exame MAPA

    1. O exame MAPA dói?

    Não, o exame MAPA não dói. Ele pode causar um incômodo leve na hora da braçadeira inflar, pois aperta o braço, mas não causa dor.

    2. Preciso ficar internado para fazer o exame?

    Não é necessário ficar internado para fazer o exame. A pessoa pode manter a rotina normalmente, apenas usando o aparelho durante as 24 horas.

    3. Posso tomar banho durante o exame?

    Não é permitido molhar o equipamento, logo, não se deve tomar banho durante o uso do MAPA 24h. O banho deve ser feito antes da colocação ou depois da retirada do aparelho.

    4. O MAPA substitui as medições de pressão em casa?

    Não. Ele complementa as medições de pressão arterial. As medições caseiras também são importantes no acompanhamento.

    5. O resultado sai na hora?

    Não. Os dados precisam ser analisados pelo médico, que gera um relatório detalhado e só depois apresenta o resultado.

    Leia também: Teste ergométrico: o exame da esteira que coloca o coração à prova 

  • Teste ergométrico: o exame da esteira que coloca o coração à prova 

    Teste ergométrico: o exame da esteira que coloca o coração à prova 

    O teste ergométrico, popularmente conhecido como exame da esteira, é um dos recursos mais utilizados pelos cardiologistas para avaliar como o coração se comporta diante do esforço físico. Ao contrário dos exames em repouso, ele coloca o organismo em movimento e pode revelar alterações que passariam despercebidas em condições normais.

    Por conta disso, esse exame se tornou muito importante no diagnóstico precoce de doenças cardíacas e no acompanhamento de quem já tem fatores de risco.

    O que é o teste ergométrico?

    O teste ergométrico é um exame que avalia o funcionamento do coração durante o esforço físico. Ele registra a atividade elétrica do coração, a frequência e a pressão arterial enquanto a pessoa caminha ou corre em uma esteira ou pedala em bicicleta ergométrica.

    A intenção do exame é identificar alterações que só aparecem quando o coração precisa trabalhar mais.

    Como o exame é feito?

    • A pessoa fica com eletrodos colados no peito, ligados a um aparelho de eletrocardiograma;
    • Caminha em uma esteira que vai aumentando a velocidade e a inclinação em etapas programadas, respeitando o cansaço de cada um;
    • Durante todo o exame, a pressão arterial também é monitorada;
    • O médico interrompe o teste caso a pessoa sinalize cansaço extremo, dor no peito, ou o profissional identifique arritmias ou outros indícios preocupantes.

    Em média, o exame dura 15 a 20 minutos, contando já com o aquecimento e a recuperação.

    Confira: Como o estresse afeta o coração e o que fazer para proteger a saúde cardiovascular

    Para que serve o teste ergométrico?

    O exame pode identificar:

    • Isquemia cardíaca: quando falta oxigênio no músculo do coração;
    • Arritmias desencadeadas pelo esforço físico;
    • Capacidade física e condicionamento;
    • Resposta da pressão arterial ao exercício.

    Quem deve fazer o teste ergométrico?

    O médico pode solicitar o exame para:

    • Pessoas com dor no peito, palpitações ou falta de ar;
    • Avaliar o risco em pacientes com fatores como pressão alta, diabetes, colesterol alto ou histórico de infarto na família;
    • Atletas ou praticantes de atividade física que precisam de liberação para esportes de alta intensidade;
    • Pacientes em acompanhamento após infarto ou cirurgia cardíaca.

    Veja mais: Trabalha sentado o dia todo? Conheça os riscos para o coração e o que fazer

    Quem não deve fazer?

    O teste pode não ser indicado em casos de doenças cardíacas graves, limitações físicas ou quando existe um risco considerável de complicações. Nessas situações, o cardiologista pode escolher outros exames para avaliar o coração.

    Perguntas frequentes sobre teste ergométrico

    1. Precisa de preparo para o teste ergométrico?

    Sim. É importante usar roupas leves e tênis para o exame. Alguns remédios ou alimentos podem precisar ser ajustados ou suspensos antes, mas tudo conforme orientação médica.

    2. O teste ergométrico detecta infarto?

    Ele não mostra se a pessoa já teve um infarto antigo, mas pode indicar risco de um infarto futuro se aparecerem sinais de isquemia durante o esforço.

    3. Todo mundo pode fazer o exame?

    Não. Pessoas com doenças cardíacas graves ou problemas ortopédicos importantes geralmente não fazem o exame, e o médico substitui o teste por outra avaliação cardiológica.

    4. É possível fazer o teste ergométrico pelo SUS?

    Sim, o teste ergométrico está disponível no SUS, mas pode ter fila de espera em algumas regiões.

    5. Crianças ou idosos podem fazer o teste?

    Sim, desde que o médico tenha indicado e seja feito um acompanhamento também.

    6. O resultado sai na hora?

    O traçado é registrado no momento, mas o cardiologista precisa interpretá-lo para fazer o laudo, e isso pode demorar algum tempo.

    7. O teste ergométrico é o mesmo que ergometria?

    Sim, são nomes diferentes para o mesmo exame.

    O teste ergométrico dói?

    Não. O que pode acontecer é a pessoa sentir cansaço ou falta de ar, pois o esforço é parte do exame. Mas tudo é feito de forma controlada e segura, com o acompanhamento do cardiologista.

    Leia também: Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico

  • Apneia do sono e a saúde do coração: uma conexão perigosa 

    Apneia do sono e a saúde do coração: uma conexão perigosa 

    Acordar cansado mesmo depois de uma noite inteira de sono pode ser sinal de algo mais sério do que simplesmente dormir pouco. A apneia do sono é uma condição que interrompe a respiração diversas vezes durante a noite, prejudicando a oxigenação do corpo e roubando a qualidade do descanso.

    Muito além do ronco alto e da sonolência diurna, a apneia tem impactos que preocupam os médicos, afinal, ela pode alterar o funcionamento do coração, elevar a pressão arterial e aumentar as chances de doenças mais sérias, como infarto e AVC.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares, integrante do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, que explicou como a apneia do sono interfere na saúde do coração e por que merece tanta atenção.

    O que é apneia do sono

    A cardiologista explica que a apneia do sono é uma condição em que a respiração é interrompida durante o sono, o que leva a uma queda na oxigenação do organismo. Essas pausas podem acontecer várias vezes por noite e prejudicam profundamente a qualidade do descanso.

    “A fragmentação do sono também não permite com que os estágios mais profundos do sono sejam atingidos, levando a cansaço excessivo, fadiga e sonolência durante o dia”, conta a médica.

    Segundo a especialista, existem três tipos principais de apneia do sono:

    • Apneia obstrutiva do sono: a mais comum, causada pelo relaxamento dos músculos da garganta, que bloqueiam a passagem do ar.
    • Apneia central do sono: mais rara, ocorre quando o cérebro não envia os sinais corretos para a respiração.
    • Apneia mista do sono: mistura das duas situações.

    “Embora possa atingir qualquer idade, ela é mais frequente em homens acima dos 40 anos, especialmente quando há obesidade”, diz a médica.

    Como a apneia afeta o coração

    A cada pausa na respiração, o corpo entende que está sob estresse. “Essas paradas na respiração promovem liberação dos hormônios do estresse, como a adrenalina e o cortisol, aumentando a pressão arterial e podendo levar a aumento da frequência cardíaca”, detalha a cardiologista.

    Com o tempo e o ciclo se repetindo noite após noite, acontece uma sobrecarga contínua no coração. Isso aumenta o risco de pressão alta, arritmias, aterosclerose (formação de placas de gordura nas artérias), resistência à insulina, diabetes, infarto e AVC.

    “Além disso, as pausas respiratórias demandam um esforço maior do coração podendo levar a ao enfraquecimento do músculo cardíaco e consequentemente a insuficiência cardíaca, condição na qual o coração não consegue bombear sangue suficiente para atender as necessidades do organismo”, detalha a especialista.

    “Como esse processo se repete dezenas de vezes durante a noite em quem tem apneia do sono, isso promove uma sobrecarga contínua no coração”.

    Esse processo ajuda a entender por que a apneia está tão ligada a doenças cardíacas graves.

    Leia também: Trabalha sentado o dia todo? Conheça os riscos para o coração e o que fazer

    Sinais de alerta da apneia do sono

    Como desconfiar, afinal, da apneia do sono? Muitas vezes, quem nota primeiro os sintomas é quem dorme ao lado. “Pausas na respiração durante a noite, ronco alto e frequente, sono agitado e despertar várias vezes são alguns dos sinais”, afirma a especialista.

    Durante o dia, os sintomas também aparecem:

    • Acordar cansado;
    • Sonolência excessiva;
    • Dor de cabeça ao acordar;
    • Irritabilidade;
    • Dificuldade de concentração.

    Diagnóstico de apneia do sono: como fazer

    O diagnóstico começa pela história clínica, associada a relatos de quem convive com a pessoa. O exame principal é a polissonografia, que avalia funções do organismo durante o sono, como atividade cerebral, respiração, nível de oxigênio, batimentos cardíacos e intensidade do ronco.

    “Como na maior parte das condições de saúde, quanto mais precoce o tratamento, melhores os resultados”, reforça a cardiologista.

    “Além do tratamento diminuir o risco de doenças cardiovasculares e melhorar a qualidade de vida, ele também ajuda na prevenção de acidentes, visto que a sonolência excessiva durante o dia pode aumentar esse risco”.

    Leia também: Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico

    Tratamento de apneia do sono

    Hoje, pode-se usar alguns aparelhos ou dispositivos para tratar a apneia do sono, como o CPAP, que é um aparelho que envia ar sob pressão através de uma máscara nasal e mantém as vias aéreas sempre abertas. Há também outros aparelhos que podem ajudar, mas somente um médico pode indicar para cada caso.

    “Tratar a apneia ajuda a estabilizar a pressão arterial e a frequência cardíaca, diminuindo risco cardiovascular”, afirma a médica.

    Outra forma de tratar apneia é diminuir os fatores de risco para ela. Um dos principais é a obesidade.

    “O excesso de gordura na região do pescoço pode provocar obstrução das vias respiratórias durante o sono”, explica a especialista. Por isso, perder peso ajuda a controlar a apneia e a saúde cardiovascular.

    Além disso, a médica recomenda:

    • Praticar atividade física regularmente;
    • Diminuir o consumo de álcool (que relaxa a garganta e piora a apneia);
    • Parar de fumar, já que o cigarro inflama as vias aéreas.

    Perguntas frequentes sobre apneia do sono e coração

    1. Todo ronco é sinal de apneia?

    Não. Porém, quando o ronco vem acompanhado de pausas respiratórias, merece investigação.

    2. A apneia pode causar pressão alta?

    Sim. As pausas respiratórias ativam hormônios do estresse que elevam a pressão arterial.

    3. Quem tem apneia sempre precisa usar CPAP?

    O CPAP é um dos tratamentos mais comuns, mas a escolha depende de uma avaliação médica. Em alguns casos, mudanças no estilo de vida já ajudam.

    4. Apneia pode levar a insuficiência cardíaca?

    Sim. O esforço extra exigido do coração ao longo do tempo pode enfraquecer o músculo cardíaco.

    5. Existe cura para a apneia do sono?

    Não há uma cura definitiva, mas o tratamento controla os sintomas e previne complicações.

    6. Perder peso melhora a apneia do sono?

    De forma geral, sim. O emagrecimento reduz a obstrução das vias aéreas e pode diminuir muito os episódios.

    Confira: Como o estresse afeta o coração e o que fazer para proteger a saúde cardiovascular

  • Como o estresse afeta o coração e o que fazer para proteger a saúde cardiovascular 

    Como o estresse afeta o coração e o que fazer para proteger a saúde cardiovascular 

    Viver sob pressão constante virou quase regra no mundo moderno. Trabalho, boletos, responsabilidades, problemas familiares e outras demandas. A questão é que tudo isso ativa no corpo uma espécie de modo de alerta, que pode até ajudar em situações de emergência, mas se mantido por muito tempo cobra um preço alto.

    Além de afetar humor e sono, o estresse crônico mexe com o coração e os vasos sanguíneos, e isso aumenta a pressão arterial, as inflamações e o risco de doenças mais graves, como infarto e AVC. Ou seja, estresse e coração não combinam.

    O que acontece com o corpo quando estamos estressados

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein, o estresse ativa uma resposta conhecida como “luta ou fuga”, liberando hormônios como adrenalina e cortisol.

    “Esses hormônios promovem de forma imediata a contração dos vasos sanguíneos e o aumento da frequência dos batimentos do coração. A longo prazo, essa situação pode levar à pressão alta, danos nos vasos sanguíneos e ao aumento do processo inflamatório no organismo, favorecendo a formação de placas de gordura dentro das artérias”, explica a médica.

    Estresse e coração: existe mesmo risco de infarto?

    Infelizmente, sim. “As alterações hormonais promovidas pelo estresse fazem com que o coração e os vasos sanguíneos trabalhem em uma situação de sobrecarga, levando a consequências graves como pressão alta, arritmias, alterações metabólicas e maior risco de infarto e acidente vascular cerebral”, afirma Juliana.

    Além disso, ela conta que o estresse crônico aumenta a chance de formação de coágulos no sangue, deixando a pessoa ainda mais vulnerável a AVC e infarto.

    Em outras palavras, não é apenas nervoso. O estresse pode desencadear processos fisiológicos que literalmente sobrecarregam o coração.

    O papel dos hormônios e do sistema nervoso

    O corpo humano é completamente conectado, e o estresse mexe com diversos sistemas ao mesmo tempo.

    “O estresse ativa uma parte do sistema nervoso chamada simpático, que libera adrenalina e noradrenalina. Esses hormônios aumentam a frequência cardíaca, a força de contração do coração e a pressão arterial. Já o sistema parassimpático, responsável por ‘acalmar’ o organismo, fica menos ativo durante o estresse”, explica a cardiologista.

    Outro ponto importante é a liberação contínua de cortisol. “Esse hormônio aumenta os níveis de açúcar no sangue, eleva o colesterol ruim (LDL), promove inflamação e retenção de líquidos. Esses fatores contribuem para hipertensão, diabetes, aterosclerose e, consequentemente, risco de infarto e AVC”.

    Quem é mais vulnerável?

    Embora o estresse seja prejudicial a todos, alguns grupos estão mais expostos. “Estudos mostram que as mulheres podem ser altamente impactadas pelo estresse em relação à saúde cardiovascular. Flutuações hormonais, dupla jornada de trabalho e pressão social aumentam esse risco”, explica a especialista.

    Também entram na lista pessoas com doenças crônicas, como pressão alta e diabetes, indivíduos com depressão ou ansiedade e aqueles em situações de vulnerabilidade social. “O estresse constante pela falta de acesso a serviços de saúde, moradia e alimentação adequada aumenta ainda mais o risco de doenças cardíacas”, acrescenta a médica.

    Sinais de que o estresse já está prejudicando o coração

    Segundo a cardiologista, é preciso prestar bastante atenção em sintomas como:

    • Pressão alta;
    • Batimentos cardíacos acelerados;
    • Sensação de cansaço constante.

    “O estresse crônico nos deixa em constante estado de alerta, e essa desregulação hormonal que ele provoca pode afetar diretamente o sistema cardiovascular”, alerta a especialista.

    Leia também: Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico

    Como reduzir os efeitos do estresse no coração

    Embora não seja possível eliminar completamente o estresse, dá, sim, para reduzir o impacto dele.

    “Hábitos simples, como alimentação adequada, prática regular de atividade física, rotina de sono de qualidade e momentos para atividades relaxantes, ajudam a minimizar os efeitos do estresse no coração”, explica a cardiologista.

    Ela destaca ainda a importância de evitar álcool em excesso, parar de fumar e priorizar momentos de descanso.

    Meditação, sono e exercício são amigos do coração

    A tríade sono de qualidade, exercício físico e técnicas de relaxamento pode ser poderosa.

    “O exercício físico fortalece a musculatura cardiovascular, controla pressão arterial, colesterol e açúcar no sangue, além de liberar endorfinas, que promovem bem-estar”, diz a médica.

    Sobre meditação, ela destaca que a prática reduz a liberação de hormônios do estresse e melhora a capacidade do organismo em lidar com situações estressantes.

    E não dá para esquecer do sono. “Durante o sono ocorre parte da regulação da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, fundamental para a saúde do coração”.

    Perguntas frequentes sobre o impacto do estresse no coração

    1. Estresse pode causar infarto?

    Sim. O estresse crônico favorece aumento da pressão arterial, arritmias e inflamações, e tudo isso aumenta o risco de infarto.

    2. Estresse momentâneo também faz mal ao coração?

    O estresse pontual pode acelerar os batimentos e a pressão, mas o risco maior vem da exposição contínua, ou o chamado estresse crônico.

    3. Mulheres correm mais risco de problemas cardíacos relacionados ao estresse?

    Sim. Segundo a cardiologista Juliana Soares, fatores hormonais e sociais aumentam a vulnerabilidade feminina, bem como o excesso de trabalho.

    4. O estresse pode causar diabetes?

    Indiretamente, sim. O cortisol em excesso aumenta a resistência à insulina, e isso aumenta o risco de diabetes tipo 2.

    5. Dormir mal aumenta os efeitos do estresse no coração?

    Sim. O sono ruim impede a regulação da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, e isso aumenta o risco para o coração.

    6. Quais hábitos ajudam a controlar o estresse e proteger o coração?

    Alimentação equilibrada, exercícios físicos, sono de qualidade, meditação e diminuir ou abandonar álcool e cigarro.

    7. Quem já tem pressão alta deve se preocupar ainda mais com o estresse?

    Com certeza. O estresse descontrolado pode piorar a pressão arterial e aumentar o risco de complicações no coração.

    Saiba mais: Trabalha sentado o dia todo? Conheça os riscos para o coração e o que fazer

  • Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico 

    Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico 

    Sentir o coração acelerar, bater mais forte ou até parecer que está “tremendo” dentro do peito é algo que quase todo mundo já viveu em algum momento. Uma corrida para pegar o ônibus, uma notícia inesperada, um café forte ou até mesmo uma noite mal dormida podem acelerar os batimentos e causar aquela sensação estranha no peito: as palpitações.

    Na maioria dos casos, as palpitações são benignas e passageiras, ligadas a situações de ansiedade ou estresse. Mas se vierem acompanhadas de falta de ar ou dor no peito, podem indicar arritmias e exigem avaliação médica.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein, para esclarecer as principais dúvidas sobre o sintoma e quando procurar atendimento médico.

    Afinal, o que são palpitações no coração?

    As palpitações não são uma doença em si, mas um sintoma percebido pela pessoa. Normalmente elas surgem em situações cotidianas, como após atividade física, em momentos de estresse ou até após o consumo de bebidas com cafeína. Nesses casos, o coração apenas responde a um estímulo externo e volta ao normal em seguida.

    As palpitações podem se manifestar de várias maneiras:

    • Coração batendo mais rápido;
    • Coração batendo mais forte;
    • Sensação de vibração na região do peito ou até mesmo no pescoço.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, muitas vezes a sensação é benigna, ou seja, não indica um problema de saúde. “Porém, se a sensação de palpitação vier acompanhada de outros sintomas como falta de ar, tontura, desmaio, dor no peito ou suor frio, ela pode ser decorrente de uma arritmia, sendo necessária avaliação médica imediata”, afirma a especialista.

    O que pode causar palpitação no coração?

    A principal causa das palpitações é a taquicardia sinusal, um aumento normal da frequência cardíaca que ocorre em resposta a estímulos cotidianos. Entre os principais desencadeadores, Juliana aponta:

    • Atividade física;
    • Estresse e ansiedade;
    • Cafeína em excesso;
    • Febre e desidratação.

    Normalmente, os fatores não representam risco, mas podem causar desconforto significativo no dia a dia. Contudo, quando vêm acompanhados de sintomas como falta de ar, dor no peito ou desmaios, é necessário procurar atendimento médico imediato, pois podem indicar quadros mais sérios, como:

    • Arritmias cardíacas: como taquicardia supraventricular, fibrilação atrial ou taquicardia ventricular;
    • Alterações nos minerais do sangue: como potássio e magnésio em níveis anormais;
    • Doenças cardíacas: insuficiência cardíaca, cardiopatias estruturais ou doença arterial coronariana;
    • Outros fatores clínicos: anemia, distúrbios da tireoide ou uso de determinados medicamentos.

    Quando as palpitações são sinais de alerta?

    De acordo com Juliana, os sintomas que exigem atenção imediata são:

    • Falta de ar;
    • Dor, pressão ou desconforto no peito;
    • Suor frio;
    • Tontura ou sensação de desmaio;
    • Desmaio efetivo;
    • Náusea;
    • Batimentos muito rápidos (acima de 120 batimentos por minuto [bpm] em repouso) ou muito baixos (abaixo de 45 bpm).

    Se o coração disparado vier acompanhado de algum desses sintomas, é importante procurar atendimento médico imediatamente.

    Confira: Saúde do coração após a menopausa: conheça os cuidados nessa fase da vida

    Como é feito o diagnóstico das palpitações no coração?

    Quando uma pessoa procura o médico relatando episódios de palpitações, a investigação costuma incluir diferentes exames para entender o que está acontecendo. Os mais solicitados são:

    • Eletrocardiograma (ECG): registra a atividade elétrica do coração em repouso;
    • Holter de 24 horas: monitora o ritmo cardíaco durante um dia inteiro, captando alterações que ocorrem ao longo das atividades normais;
    • Ecocardiograma: avalia a estrutura e o funcionamento do coração;
    • Teste ergométrico (teste de esforço): analisa o comportamento cardíaco durante atividade física.

    Além disso, os exames de sangue são muito importantes para verificar se há um desequilíbrio de minerais como potássio e magnésio, checar distúrbios hormonais ou identificar condições como anemia, que também podem estar relacionadas às palpitações.

    Como prevenir ou reduzir as palpitações no dia a dia

    Nem sempre é possível evitar as palpitações, contudo, adotar hábitos de vida mais saudáveis ajuda a reduzir os episódios e melhora a saúde do coração como um todo. Veja o que fazer:

    • Evite refeições muito pesadas, principalmente à noite;
    • Beba bastante água para manter-se hidratado;
    • Reduza ou evite o consumo de álcool e cafeína;
    • Durma bem, buscando manter horários regulares;
    • Pratique exercícios físicos regularmente, respeitando seus limites e sob orientação médica;
    • Encontre formas de controlar o estresse, como meditação, respiração profunda, yoga ou caminhadas.

    Leia também: Falta de ar: quando pode ser problema do coração

    Ansiedade, estresse e palpitações: qual a relação?

    Primeiro, é importante entender que o coração é sensível ao estado emocional. Em momentos de estresse, ansiedade ou até mesmo após um susto, o corpo libera hormônios como adrenalina e cortisol, que aceleram os batimentos cardíacos. Isso explica por que tantas pessoas sentem palpitações em dias de nervosismo ou pressão emocional.

    Por outro lado, a própria palpitação pode gerar ansiedade, criando um ciclo vicioso: quanto mais a pessoa se preocupa, mais palpitações sente. Nesse sentido, buscar apoio psicológico, adotar técnicas de relaxamento e praticar atividades que proporcionem prazer e bem-estar são igualmente importantes para manter a qualidade de vida.

    Perguntas frequentes sobre palpitações no coração

    1. Quem tem palpitações no coração pode praticar exercícios físicos?

    Sim! A atividade física pode trazer diversos benefícios para o coração e pode ser praticada por pessoas com palpitações — desde que devidamente avaliadas por um médico. A escolha do tipo e da intensidade do treino deve respeitar a condição individual de cada pessoa. Alguns exercícios que costumam ser bem tolerados incluem:

    • Caminhadas leves ou moderadas;
    • Yoga e alongamentos;
    • Musculação em intensidade controlada.

    Durante a prática, é fundamental estar atento a sinais como dor no peito, tontura ou falta de ar. Caso eles surjam, a atividade deve ser interrompida imediatamente e o médico deve ser consultado.

    2. Palpitação é o mesmo que arritmia?

    Não. Palpitação é apenas a sensação do batimento cardíaco alterado, percebida pela própria pessoa. A arritmia, por sua vez, é um diagnóstico médico: significa que há uma alteração real no ritmo do coração.

    Nem toda palpitação corresponde a uma arritmia. Muitas vezes, o coração está batendo normalmente, mas o indivíduo o percebe de forma mais intensa. Apenas exames, como o eletrocardiograma e o Holter de 24h, podem confirmar a presença de arritmia.

    3. Ansiedade pode causar palpitações no coração?

    Sim. A ansiedade é uma das causas mais comuns de palpitações benignas. Em momentos de nervosismo, o corpo libera adrenalina, que acelera os batimentos cardíacos. Isso pode gerar a sensação de coração disparado, mesmo sem uma arritmia real. Técnicas de respiração, meditação e terapia podem ajudar a aliviar os episódios.

    4. Palpitações podem acontecer durante o sono?

    Sim, e isso é relativamente comum. Elas podem ocorrer por ansiedade, apneia do sono, refluxo gastroesofágico, consumo de estimulantes antes de dormir ou até alterações hormonais. Se forem frequentes, atrapalharem o descanso ou vierem acompanhadas de sintomas como falta de ar noturna e despertares súbitos, é fundamental investigar com um médico.

    5. Palpitações são mais comuns em alguma faixa etária?

    As palpitações podem aparecer em qualquer idade. Em jovens, costumam estar ligadas a ansiedade, desidratação ou consumo de bebidas estimulantes, como energéticos. Já em adultos de meia-idade e idosos, a chance de que estejam relacionadas a arritmias e doenças cardíacas é maior.

    Por isso, em pessoas acima dos 40 anos, principalmente com histórico familiar ou fatores de risco cardiovascular, é recomendada avaliação médica mesmo em palpitações aparentemente benignas.

    6. Palpitações no coração podem estar ligadas ao uso de medicamentos?

    Sim. Alguns medicamentos, como broncodilatadores (usados em crises de asma), antidepressivos e alguns remédios para tireoide, podem provocar palpitações como efeito colateral. Se o sintoma surge após iniciar um novo medicamento, é importante relatar ao médico, que poderá ajustar a dose ou substituir o tratamento.

    7. Quem tem palpitações precisa tomar remédio?

    Nem sempre. Muitas vezes, a palpitação não exige tratamento medicamentoso, apenas mudanças de hábitos. O uso de remédios é indicado apenas quando há diagnóstico de arritmia ou outra doença cardíaca. Nesses casos, o médico pode prescrever antiarrítmicos, betabloqueadores ou outros medicamentos específicos.

    8. Existe exame caseiro para identificar palpitações perigosas?

    Não existe um exame caseiro confiável. Algumas pessoas usam relógios inteligentes e pulseiras fitness para monitorar os batimentos, mas os dispositivos não substituem exames médicos. Eles podem ajudar a registrar a frequência cardíaca e mostrar irregularidades, mas apenas o cardiologista poderá interpretar corretamente e indicar o tratamento adequado.

    9. Quando devo marcar consulta com cardiologista por causa de palpitações?

    Sempre que as palpitações forem frequentes, atrapalharem a qualidade de vida ou vierem acompanhadas de sintomas como dor no peito, falta de ar, tontura ou desmaio. Mesmo sem sintomas associados, se o episódio se repete com frequência ou causa ansiedade, vale marcar uma consulta para investigar e ter tranquilidade sobre a saúde do coração.

    Leia também: Trabalha sentado o dia todo? Conheça os riscos para o coração e o que fazer

  • Wegovy e Ozempic: como funcionam para perda de peso

    Wegovy e Ozempic: como funcionam para perda de peso

    Nos últimos anos, os remédios Ozempic e Wegovy ganharam as manchetes e as redes sociais por um motivo: a promessa de ajudar na perda de peso. Desenvolvidos originalmente para tratar diabetes tipo 2, esses remédios à base de semaglutida vêm sendo cada vez mais usados por quem busca emagrecer com apoio médico.

    Mas, afinal, o que eles têm de tão especial? Qual a diferença entre Ozempic e Wegovy? Funcionam mesmo? E será que todo mundo pode usar?

    O que são Wegovy e Ozempic

    Tanto Wegovy quanto Ozempic têm como princípio ativo a semaglutida, um medicamento que imita o hormônio GLP-1, naturalmente produzido pelo nosso corpo. “Essa substância atua regulando os níveis de açúcar no sangue e também o apetite”, explica a cardiologista Juliana Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein.

    Quando a glicose (açúcar) no sangue está alta, a semaglutida estimula a liberação de insulina (hormônio que ajuda a reduzir a glicose) e inibe a produção de glucagon (hormônio que aumenta a glicose). Além disso, ela age em áreas do cérebro que controlam fome e saciedade, fazendo com que a pessoa se sinta satisfeita com pequenas porções. Também retarda o esvaziamento do estômago, prolongando a saciedade.

    A diferença entre eles está na indicação:

    • Ozempic: aprovado para tratar diabetes tipo 2.
    • Wegovy: aprovado para tratar sobrepeso e obesidade, junto com dieta e exercícios.

    Como esses medicamentos ajudam a emagrecer

    Agem no cérebro e no apetite

    Segundo a cardiologista, a semaglutida atua no cérebro, especialmente no hipotálamo e no tronco cerebral, que controlam a fome e a saciedade. Isso reduz a vontade de comer, especialmente alimentos ricos em gordura e açúcar.

    Têm efeito no esvaziamento do estômago

    Ela também retarda o esvaziamento do estômago, o que prolonga a sensação de saciedade após as refeições.

    Qual a diferença entre Wegovy e Ozempic

    Embora tenham o mesmo princípio ativo, as dosagens são diferentes. Wegovy contém doses maiores de semaglutida e é aprovado especificamente para o tratamento da obesidade.

    Já Ozempic, mesmo sendo usado por muitos para emagrecer, ainda é aprovado apenas para o tratamento do diabetes tipo 2 no Brasil.

    Quem pode usar Wegovy ou Ozempic para emagrecer

    Esses medicamentos não são para todo mundo. São indicados principalmente para:

    • Pessoas com IMC acima de 30, que indica obesidade;
    • Ou com IMC acima de 27 e doenças associadas (como pressão alta, apneia do sono ou colesterol alto)

    É sempre o médico quem deve avaliar os riscos e benefícios antes de indicar o uso.

    Apesar de o princípio ativo ser o mesmo para Ozempic e Wegovy, os critérios estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são diferentes.

    “O Ozempic é aprovado para o tratamento do diabetes tipo 2, indicado nos casos em que não é possível controlar os níveis de açúcar no sangue apenas com dieta e atividade física, quando o uso de outros remédios para diabetes não estão sendo suficientes para o controle a doença ou quando outras medicações para o diabetes são mal toleradas ou contraindicadas”, detalha a médica.

    “O emagrecimento, com o uso do Ozempic é um efeito adicional, não o objetivo principal”.

    No caso do Wegovy, explica ela, os critérios para indicação são o sobrepeso, quando o índice de massa corpórea (IMC) está entre 27 kg/m² e 30 kg/m² e o paciente apresenta pelo menos uma outra doença relacionada ao excesso de peso. “Diabetes, pressão alta, alteração de colesterol, apneia do sono, doenças cardiovasculares, ou adultos com obesidade (IMC acima de 30 kg/m²), por exemplo”, explica a especialista. “A perda de peso é a principal indicação do Wegovy e ele deve ser usado juntamente com dieta e prática regular de atividade física”.

    Efeitos colaterais mais comuns

    Como qualquer medicamento, Ozempic e Wegovy podem causar efeitos colaterais. Por conta do mecanismo de ação, a maioria desses efeitos atinge o sistema digestivo, especialmente no início ou quando a dose aumenta. Os mais comuns são:

    • Enjoos;
    • Vômitos;
    • Diarreia;
    • Prisão de ventre;
    • Dor de cabeça.

    A médica recomenda refeições menores e mais frequentes, mastigar bem, evitar comidas gordurosas e manter boa hidratação. “Outro ponto importante é evitar perda excessiva de massa muscular com a ingestão adequada de proteínas, além de treino de força, como musculação, e exercícios de resistência, como pilates e calistenia”.

    Resultados: quanto peso é possível perder?

    “A perda de peso vai variar conforme cada pessoa e também vai estar relacionada com o estilo de vida adotado com alimentação adequada e prática regular de atividade física”, diz a médica.

    Ela conta que os estudos mostram que o Wegovy pode levar à perda média de 15% do peso inicial, enquanto o Ozempic costuma gerar cerca de 7%.

    Wegovy e Ozempic substituem dieta e exercício?

    Não. Esses medicamentos são uma ferramenta a mais no tratamento da obesidade. Sem mudanças no estilo de vida, os resultados são limitados.

    A boa notícia é que, ao controlar o apetite, eles podem ajudar as pessoas a adotarem uma rotina mais saudável com mais facilidade.

    Posso usar Ozempic ou Wegovy por conta própria?

    A resposta é não. “A semaglutida exige supervisão rigorosa para que o tratamento seja seguro e eficaz”, afirma Juliana Soares.

    Os riscos incluem pancreatite, pedras na vesícula, complicações em cirurgias (por retardar o esvaziamento do estômago) e contraindicações específicas, como histórico de carcinoma medular de tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2.

    Por isso, é muito importante só usar o remédio com indicação médica.

    Perguntas frequentes sobre Wegovy e Ozempic

    1. Ozempic e Wegovy são a mesma coisa?

    Não exatamente. Os dois são feitos com semaglutida, mas Wegovy tem doses maiores e é aprovado para emagrecimento.

    2. Posso usar Ozempic para emagrecer mesmo sem diabetes?

    Somente com prescrição médica e se houver indicação clínica, como obesidade ou sobrepeso com doenças associadas.

    3. Quanto tempo leva para começar a emagrecer com Ozempic?

    Muitas pessoas notam perda de peso nas primeiras semanas, mas os resultados variam de pessoa para pessoa.

    4. O uso desses remédios é para sempre?

    Não necessariamente. O tempo de uso depende da resposta da pessoa ao remédio e da orientação médica.

    5. Os efeitos colaterais desaparecem?

    Na maioria dos casos, sim. O corpo costuma se adaptar ao Ozempic ou Wegovy após algumas semanas.

    6. É verdade que o medicamento pode causar flacidez?

    A flacidez é consequência comum de perda de peso rápida, não do remédio em si. Pode acontecer com ou sem semaglutida.

    7. Pode causar perda de massa muscular?

    Sim, se a pessoa não ingerir proteínas e fizer exercícios de força adequadamente.

  • Ozempic protege o coração? Veja como a semaglutida age

    Ozempic protege o coração? Veja como a semaglutida age

    Remédio da moda, o Ozempic (semaglutida) foi originalmente desenvolvido para tratar diabetes tipo 2 e atualmente é muito prescrito pelos médicos para ajudar as pessoas a perderem peso. Além da fama de emagrecedor, porém, há um detalhe que merece atenção: esse remédio também pode também proteger o coração.

    O que é o Ozempic (semaglutida)

    O Ozempic e o Wegovy são remédios que têm como princípio ativo a semaglutida, e fazem parte de um grupo chamado agonistas do GLP-1. O GLP-1 é um hormônio que nosso corpo produz naturalmente e que ajuda a controlar o açúcar no sangue.

    Quando os níveis de açúcar estão altos, ele manda um recado para o pâncreas liberar insulina, aquele hormônio que coloca a glicose dentro das células para virar energia.

    Ao mesmo tempo, reduz a ação do glucagon, um hormônio que libera glicose do fígado para o sangue. Como se não bastasse, o GLP-1 também ajuda no cérebro para diminuir o apetite e retardar o esvaziamento do estômago, evitando picos de glicose.

    Como o Ozempic pode proteger o coração

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein, os agonistas do GLP-1 podem reduzir o risco de eventos cardiovasculares como infarto e AVC e até morte por causas cardiovasculares.

    “A ação no controle dos níveis de açúcar e no peso são, por si, fatores protetores e que reduzem o risco cardiovascular”, conta a médica.

    “Isso acontece por meio da melhora metabólica, da diminuição dos níveis de colesterol e do controle mais efetivo da pressão arterial. Além disso, os estudos mostram que essas medicações melhoram a função da camada interna dos vasos sanguíneos (conhecida por endotélio) e podem diminuir a inflamação vascular, tendo um efeito protetor no sistema cardiovascular”.

    Diabetes e risco cardíaco: qual a relação?

    Infelizmente, quem tem diabetes carrega um risco maior de desenvolver doenças do coração. “Os níveis de açúcar elevados promovem danos ao organismo, como acúmulo de gordura e formação de placas nas artérias”, explica a médica.

    Além disso, o diabetes altera os vasos sanguíneos, piora a pressão arterial e pode desregular o colesterol. “Essas alterações contribuem para o aumento do risco de condições como infarto e AVC”, conta a especialista.

    Semaglutida é para todo tipo de problema do coração?

    Não. “A semaglutida não foi desenvolvida para tratar doenças cardíacas diretamente”, lembra Juliana Soares. O principal alvo sempre foi o controle do diabetes tipo 2 e, posteriormente, a perda de peso.

    Saiba Mais: Wegovy e Ozempic: como funcionam para perda de peso

    Ela explica, porém, que os estudos mostram benefícios importantes em quem tem insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, uma condição em que o coração até contrai normalmente, mas não consegue bombear o sangue de forma eficiente.

    “O impacto nesta condição vem da perda de peso, do aumento da capacidade física e de exercícios e reduçao nos sintomas”.

    Perguntas frequentes sobre Ozempic e o coração

    1. O Ozempic é só para diabetes?

    Não. Ele foi criado para tratar o diabetes tipo 2, depois foi aprovado também para perda de peso (Wegovy) e descobriu-se que a melhora metabólica causada pelo remédio pode trazer benefícios cardiovasculares.

    2. Posso usar Ozempic só para proteger o coração?

    Não, ele não é indicado como tratamento exclusivo para o coração.

    3. O Ozempic ajuda a prevenir infarto?

    Estudos mostram redução no risco de infarto e AVC em pessoas com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular.

    4. O Ozempic ajuda na pressão alta?

    Indiretamente, sim. Ao melhorar o peso e o metabolismo, também pode contribuir para o controle da pressão.

    5. O Ozempic emagrece mesmo?

    Sim, um dos efeitos é a redução do apetite e, consequentemente, da ingestão calórica.

    6. A semaglutida tem efeitos colaterais?

    Sim. Náuseas, vômitos e diarreia são os efeitos colaterais mais comuns, principalmente quando se começa a usar o remédio.

    7. Existe diferença entre Ozempic e Wegovy em relação ao coração?

    Os dois têm o mesmo princípio ativo (semaglutida), mas indicações diferentes. Ozempic é indicado para diabetes tipo 2, e Wegovy para perda de peso. A ação cardiovascular está sendo estudada nos dois.

     

  • Diabetes: por que controlar é tão importante para o coração 

    Diabetes: por que controlar é tão importante para o coração 

    Você provavelmente já ouviu falar de diabetes, mas talvez não saiba exatamente o que é ou por que os médicos batem tanto na tecla da importância de controlar a glicemia. O fato é que a doença pode afetar toda a saúde, inclusive o coração.

    Apesar de muita gente associar o diabetes apenas ao açúcar alto no sangue, ele é bem mais complexo. A condição mexe com todo o metabolismo, pode afetar órgãos importantes e, quando não controlada, abrir caminho para problemas sérios.

    O que é diabetes

    Quando comemos alimentos que contêm carboidratos, como pães, massas, arroz, frutas e doces, eles são digeridos e transformados em glicose, um tipo de açúcar que serve de combustível para as células do corpo.

    Em condições normais, a glicose passa do intestino para a corrente sanguínea e, com a ajuda da insulina (um hormônio produzido pelo pâncreas), entra nas células para ser usada como energia.

    Quando a pessoa tem diabetes, esse processo é prejudicado. Ou o corpo não produz insulina suficiente, ou a insulina não consegue fazer o seu papel direito. Como resultado, a glicose não consegue entrar nas células e se acumula no sangue. Esse excesso, com o tempo, pode danificar vasos sanguíneos, nervos e órgãos.

    Tipos de diabetes

    Existem diferentes tipos de diabetes, mas todos exigem cuidado e acompanhamento médico.

    • Diabetes tipo 1: de origem autoimune, costuma aparecer na infância ou adolescência, embora também possa surgir em adultos.
    • Diabetes tipo 2: mais comum em adultos, mas está cada vez mais frequente em jovens por conta de hábitos ruins de vida;
    • Diabetes gestacional: aparece durante a gravidez e exige atenção redobrada.

    Por que controlar o diabetes é tão importante para o coração

    O diabetes não tratado, segundo a cardiologista Juliana Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein, é um grande problema.

    “Ele aumenta consideravelmente o risco do desenvolvimento de outras condições de saúde, em especial as doenças cardiovasculares. A doença cardiovascular ainda é a principal causa de morte nos pacientes diabéticos”, conta a especialista.

    Quando o açúcar no sangue fica alto por muito tempo, ele favorece o acúmulo de gordura e placas nas artérias, processo conhecido como aterosclerose, que pode levar a infarto e AVC.

    “Além disso, o diabetes não tratado pode levar a alterações nos nervos e vasos sanguíneos com diminuição de sensibilidade, um processo chamado neuropatia, e que pode inclusive dificultar a percepção de infarto, pois o paciente com diabetes pode ter um infarto sem dor”, detalha a médica.

    Quem tem diabetes tipo 1 precisa ainda ficar mais atento. Além do endocrinologista, Juliana Soares recomenda acompanhamento com:

    • Nefrologista: para a saúde dos rins;
    • Oftalmologista: para prevenir retinopatia diabética que pode provocar perda de visão;
    • Cardiologista: para avaliar e proteger o coração;
    • Nutricionista: para ajustar a alimentação.

    A médica explica que portadores de diabetes tipo 1 têm mais risco de desenvolver doenças cardiovasculares, principalmente quando os controles dos níveis de glicose são inadequados.

    “Isso leva ao aumento do processo de formação das placas nas artérias e a lesão nos vasos sanguíneos e nervos. A doença cardiovascular é a principal causa de morte em adultos com diabetes tipo 1”, alerta.

    E o pré-diabetes?

    Se o diabetes é o sinal vermelho, o pré-diabetes é o sinal amarelo. Os níveis de açúcar já estão acima do normal, mas ainda não chegaram ao ponto de ser diabetes.

    A boa notícia, segundo Juliana Soares, é que mudanças no estilo de vida como melhora da alimentação, prática de atividade física e perda de peso são altamente eficazes.

    “Em algumas situações o uso de remédios, em especial a metformina, é muito benéfico e ajuda a conter a evolução para o diabetes”.

    Novos remédios: os agonistas do GLP-1

    Hoje há novos remédios que podem tratar diabetes, sendo que o mais falado atualmente é a semaglutida (Ozempic). Esse remédio pertence ao grupo dos agonistas do GLP-1, um hormônio que, como explica Juliana Soares, estimula a liberação de insulina quando o açúcar no sangue está alto, reduz o apetite e retarda o esvaziamento do estômago, evitando picos de glicose no sangue.

    Esses remédios também ajudam a reduzir risco de infarto e AVC, melhorando colesterol, pressão arterial e até a saúde dos vasos sanguíneos.

    Novos remédios: os agonistas do GLP-1

    Nos últimos anos, uma classe de remédios ganhou destaque no tratamento do diabetes tipo 2: os agonistas do GLP-1, como a semaglutida (Ozempic). O GLP-1 é um hormônio que o próprio corpo produz e que ajuda a regular a glicose no sangue de forma inteligente.

    A cardiologista explica que, quando os níveis de açúcar estão altos, os remédios agonistas do GLP-1 estimulam a liberação de insulina pelo pâncreas e, ao mesmo tempo, inibem a liberação de um hormônio chamado glucagon, que atua na liberação de glicose pelo fígado. Ou seja, eles não só ajudam a colocar a glicose para dentro das células, mas também evitam que o fígado jogue mais açúcar na corrente sanguínea.

    Esse tipo de remédio também age no cérebro. Eles diminuem o apetite, aumentam a sensação de saciedade e ainda reduzem a velocidade com que o estômago esvazia após as refeições. Esse conjunto de ações faz com que a glicose seja absorvida mais devagar e evita picos de açúcar no sangue.

    “Os agonistas do GLP-1 podem reduzir o risco de eventos cardiovasculares como infarto e AVC e até mesmo morte por causas cardiovasculares”, conta a médica. “A ação no controle dos níveis de açúcar e no peso são, por si, fatores protetores e que reduzem o risco cardiovascular através da melhora metabólica”.

    Como viver bem com diabetes tipo 2

    O diagnóstico de diabetes não precisa ser sinônimo de uma qualidade de vida ruim. “A vida do portador de diabetes pode ser saudável desde que um estilo de vida adequado e os cuidados necessários sejam seguidos. O foco no autocuidado, no tratamento adequado e na prevenção das complicações é fundamental”, reforça Juliana Soares.

    O tratamento conta com:

    • Alimentação equilibrada;
    • Atividade física regular;
    • Controle do colesterol e da pressão;
    • Monitoramento da glicemia;
    • Uso correto dos remédios;
    • Exames regulares.

    Perguntas frequentes sobre diabetes

    1. O diabetes pode ser curado?

    Não, mas pode ser controlado com tratamento e mudanças no estilo de vida.

    2. O que é hipoglicemia?

    É quando o açúcar no sangue fica muito baixo. Isso pode causar tontura, suor frio, desmaio e, se a queda de açúcar for muito intensa e não for revertida a tempo, pode levar até à morte.

    3. Como prevenir o diabetes tipo 2?

    Mantendo um peso saudável, fazendo exercícios e comendo de forma equilibrada.

    5. O que é pré-diabetes?

    É quando a glicose está acima do normal, mas ainda não ao ponto de ser caracterizada diabetes.

    6. Diabetes afeta só o açúcar no sangue?

    Não, pode atingir coração, rins, olhos e nervos, por isso é importante tratar a doença.

    7. O que é resistência à insulina?

    É quando o corpo não consegue usar a insulina de forma eficiente, e isso faz com que o açúcar no sangue fique mais alto.

    8. Quem tem diabetes pode comer doce?

    Sim, mas com moderação e dentro de um plano alimentar equilibrado.

  • Desmaio: causas, o que fazer e quando procurar o médico

    Desmaio: causas, o que fazer e quando procurar o médico

    O desmaio costuma assustar tanto quem passa pela situação quanto quem presencia. Ele pode acontecer em consequência de algo simples, como um susto, mas também ser sinal de problemas sérios de saúde. Por isso, saber identificar as possíveis causas e agir diante delas faz toda a diferença.

    A cardiologista Juliana Soares, do Hospital Albert Einstein, explica que o desmaio é a perda súbita e transitória da consciência e da sustentação do corpo, o que provoca a queda. “Pode afetar tanto o homem como a mulher, e a incidência de desmaios aumenta com a idade”.

    O que é desmaio (síncope)?

    O desmaio não é uma doença, mas um sintoma. Na maior parte das vezes, ele acontece quando o fluxo de sangue para o cérebro cai, mesmo que por alguns segundos. Geralmente, é rápido e a recuperação é completa, sem sequelas.

    Alguns sinais podem aparecer antes do episódio, como:

    • Palidez;
    • Tontura;
    • Náusea;
    • Visão turva.

    Principais causas de desmaio

    Segundo a cardiologista, o desmaio pode estar associado a uma variedade grande de causas. Veja abaixo as mais comuns.

    Causas benignas (mais frequentes)

    • Síndrome vasovagal: quando o nervo vago é ativado por dor intensa, calor, tosse, evacuação, emoção súbita;
    • Hipotensão ortostática: queda rápida da pressão arterial ao se levantar de repente;
    • Desidratação: quando a pessoa não se hidrata corretamente;
    • Hipoglicemia: queda de açúcar no sangue;
    • Anemia intensa: quando há poucos glóbulos vermelhos no sangue, o transporte de oxigênio para o cérebro diminui e pode causar desmaios;
    • Hemorragias: perda abrupta de sangue.

    Causas cardiovasculares

    • Arritmias: batimento irregular do coração;
    • Cardiomiopatias: doenças estruturais do coração;
    • Isquemia: obstrução das artérias coronárias.

    Causas neurológicas

    • Epilepsia;
    • Acidente vascular cerebral (AVC).

    Primeiros socorros: o que fazer em um desmaio

    1. Se você sentir que vai desmaiar

    “Primeiramente, caso você apresente sintomas como palidez, sudorese, sensação de fraqueza, o importante é rapidamente avisar quem estiver por perto do seu mal-estar, apoiar-se em algum lugar e, se possível, deitar e elevar as pernas.”, orienta a cardiologista.

    2. Se presenciar alguém desmaiando

    • Proteja a cabeça da pessoa;
    • Afrouxe roupas apertadas e retire acessórios no pescoço;
    • Eleve as pernas;
    • Se a consciência não voltar rapidamente, acione o atendimento médico.

    Quando procurar ajuda médica urgente

    É fundamental investigar a causa do desmaio, especialmente se:

    • Os episódios forem recorrentes;
    • Houver dor no peito, palpitações ou falta de ar;
    • O desmaio causar quedas ou traumas;
    • Acontecer com portadores de doenças cardíacas ou neurológicas.

    “Os desmaios podem ter riscos relacionados ao próprio evento, como quedas e traumas, ou à atividade que a pessoa estava realizando no momento, como dirigir ou operar máquinas”, alerta a cardiologista Juliana Soares.

    Como prevenir desmaios

    • Mantenha-se hidratado;
    • Evite ficar longos períodos sem comer;
    • Levante-se devagar após estar deitado ou sentado;
    • Vá ao médico para identificar e tratar condições de saúde associadas;
    • Converse com seu médico se os episódios forem frequentes.

    Perguntas frequentes sobre desmaio

    1. Desmaio é sempre perigoso?

    Não. Muitas vezes é causado por situações benignas, mas é importante investigar.

    2. Quanto tempo dura um desmaio?

    Normalmente, segundos ou poucos minutos, com recuperação completa.

    3. Posso morrer de desmaio?

    O desmaio em si não mata, mas pode ser sinal de doenças graves ou causar acidentes.

    4. Quando o desmaio indica problema no coração?

    Quando vem acompanhado de dor no peito, palpitações ou falta de ar.

    5. Desmaio e epilepsia são a mesma coisa?

    Não. A epilepsia é uma condição neurológica específica que pode causar perda de consciência, mas desmaio não é a mesma coisa que epilepsia.

  • Infarto em mulheres: sintomas silenciosos para ficar atenta

    Infarto em mulheres: sintomas silenciosos para ficar atenta

    O infarto ainda é visto, no imaginário popular, como um problema masculino. Mas a realidade é bem diferente e preocupante. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres no mundo. E o mais grave é que o infarto nelas pode se manifestar de forma diferente, com sinais discretos que passam despercebidos e atrasam o socorro.

    “O infarto em mulheres apresenta peculiaridades significativas que o diferenciam do infarto em homens, desde os sintomas até os impactos e desfechos”, explica a cardiologista Juliana Soares, do Hospital Albert Einstein. Entender essas diferenças é muito importante para agir rápido e salvar vidas.

    Por que o infarto em mulheres é diferente?

    Enquanto nos homens o sintoma mais típico é a dor intensa no peito irradiando para o braço esquerdo, nas mulheres os sinais podem ser mais discretos, e podem ser facilmente confundidos com ansiedade, indigestão ou cansaço.

    “Uma das distinções mais marcantes entre o infarto em mulheres e homens reside na apresentação dos sintomas”, explica a cardiologista. Isso ajuda a entender por que tantas mulheres demoram a buscar atendimento.

    Os 7 sintomas silenciosos do infarto feminino

    Mesmo que não haja dor forte no peito, as mulheres precisam ficar atentas a outros sinais. Conheça os mais comuns:

    • Fadiga persistente;
    • Desconforto na região do tórax;
    • Falta de ar;
    • Náuseas e vômitos;
    • Tontura.

    “Esses sintomas menos proeminentes e muitas vezes pouco valorizados podem levar a um atraso significativo no diagnóstico e tratamento”, reforça a médica.

    Fatores de risco específicos para mulheres

    Alguns riscos são compartilhados com os homens, como pressão alta, colesterol alto, obesidade e tabagismo, mas outros afetam mais as mulheres ou têm impacto diferente nelas.

    • Diabetes: essa doença aumenta o risco cardiovascular de forma mais intensa nas mulheres.
    • Estresse e depressão: mais comuns nas mulheres, essas condições estão ligadas a um risco maior de infarto.
    • Doenças autoimunes: o lúpus e a artrite reumatoide, por exemplo, são mais comuns em mulheres e podem aumentar o risco de infarto.
    • Complicações na gravidez: pré-eclâmpsia, eclâmpsia, diabetes gestacional e parto prematuro são fatores que aumentam o risco de doenças cardiovasculares em mulheres.
    • Menopausa: a queda nos níveis de estrogênio aumenta o risco cardiovascular.

    Diferença no infarto em mulheres e homens

    Nos homens, o infarto costuma ocorrer pelo rompimento de uma placa de gordura em uma grande artéria do coração, levando à formação de um coágulo.

    “Já nas mulheres, é mais comum haver problemas nos pequenos vasos sanguíneos do coração ou mesmo um infarto causado por uma condição chamada dissecção espontânea da artéria coronária, um ‘rasgo’ na parede da artéria que, embora rara, é mais frequente em mulheres jovens e de meia-idade”, explica a cardiologista.

    Por que o prognóstico pode ser pior nas mulheres?

    A médica explica que quatro fatores principais contribuem para a gravidade do infarto nas mulheres:

    • Atraso no diagnóstico: devido aos sintomas atípicos, o diagnóstico pode demorar a acontecer.
    • Maior número de comorbidades: mulheres tendem a ser mais velhas e ter mais doenças associadas no momento do infarto, e isso pode complicar o tratamento e a recuperação.
    • Baixa adesão à reabilitação cardíaca: menos mulheres são encaminhadas e participam desses programas de reabilitação cardíaca, que são essenciais para a recuperação.
    • Padrão de vida pós-infarto: as mulheres podem enfrentar mais desafios em retomar suas atividades diárias ou profissionais por conta de sequelas físicas e emocionais do infarto.

    Prevenção: o que você pode fazer

    As mulheres precisam conhecer seus fatores de risco e manter um estilo de vida saudável. Isso inclui alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do estresse e acompanhamento médico. E, sobretudo, não ignorar sinais incomuns que possam indicar problemas no coração.

    “Aumentar a conscientização sobre os sintomas atípicos, a importância do diagnóstico precoce e a necessidade de uma abordagem personalizada no tratamento e prevenção é fundamental para mudar essa realidade”, conclui a cardiologista Juliana Soares.

    Perguntas frequentes sobre infarto em mulheres

    1. Quais são os sintomas mais comuns de infarto em mulheres?

    Fadiga, falta de ar, desconforto no peito, náuseas, tontura são os principais sinais.

    2. É verdade que mulheres têm menos dor no peito durante o infarto?

    Sim. Muitas não apresentam a dor clássica, o que dificulta o reconhecimento imediato.

    3. Mulheres jovens podem ter infarto?

    Sim, especialmente em casos de dissecção espontânea da artéria coronária (o “rasgo” na artéria) ou fatores de risco como estresse, depressão, diabetes e doenças autoimunes.

    4. O que devo fazer se sentir sintomas suspeitos?

    Procure atendimento médico imediato ou acione o SAMU pelo número 192.

    5. Menopausa aumenta o risco de infarto?

    Sim. A queda no estrogênio após a menopausa está associada a maior risco de problemas no coração.

    6. Quais fatores de risco são exclusivos das mulheres?

    Complicações na gravidez e impacto hormonal da menopausa.

    7. Como prevenir o infarto feminino?

    Manter hábitos saudáveis, controlar doenças crônicas, fazer check-ups regulares e conhecer os sinais de alerta.