Autor: Dra. Juliana Soares

  • Como a doença de Chagas é transmitida e por que ainda preocupa

    Como a doença de Chagas é transmitida e por que ainda preocupa

    A doença de Chagas é uma daquelas condições que muita gente já ouviu falar, mas poucas pessoas realmente entendem como ela funciona. Descoberta há mais de um século, ela continua sendo um desafio de saúde pública em várias regiões das Américas, especialmente onde o inseto transmissor, o famoso barbeiro, ainda encontra condições favoráveis para viver.

    Apesar da imagem tradicional ligada ao inseto, hoje sabemos que a transmissão pode ocorrer de outras formas, como durante a gravidez, por alimentos contaminados (como caldo de cana ou açaí não pasteurizados) ou por transfusões de sangue não testadas.

    Com os avanços na medicina, ficou mais claro como o parasita Trypanosoma cruzi age no corpo e por que ele pode causar problemas tanto logo após a infecção quanto anos depois.

    O que é a doença de Chagas?

    A doença de Chagas, também chamada de tripanossomíase americana, é uma infecção causada pelo parasita Trypanosoma cruzi. A transmissão ocorre principalmente por meio do inseto barbeiro, mas pode acontecer também por alimentos contaminados, transfusão de sangue, transplante de órgãos ou da mãe para o bebê durante a gestação.

    Como a doença é transmitida

    Via tradicional: o barbeiro

    O barbeiro vive em frestas de casas de barro ou madeira, comuns em áreas rurais. Ele se alimenta de sangue, geralmente à noite. Após picar, costuma defecar perto da ferida; as fezes podem conter o parasita. Quando a pessoa coça o local, o T. cruzi entra no corpo pela pele, olhos ou boca.

    Outras formas de transmissão

    • Alimentos contaminados com fezes do barbeiro infectado
    • Transfusão de sangue ou transplante de órgãos de doadores infectados
    • Transmissão vertical, da mãe para o bebê durante a gravidez ou parto

    Como o parasita age no corpo

    Depois de entrar no organismo, o Trypanosoma cruzi invade células, multiplica-se e se espalha pelo sangue. Ele pode atingir vários órgãos, principalmente:

    • Coração, causando inflamações e alterações no ritmo cardíaco
    • Sistema digestivo, afetando esôfago e intestino

    Essas alterações explicam as complicações cardíacas e digestivas vistas na fase crônica.

    Fases da doença e sintomas

    A doença de Chagas tem duas fases principais: aguda e crônica.

    Fase aguda

    Dura semanas a alguns meses após a infecção. Em muitos casos passa despercebida, mas pode apresentar:

    • Febre prolongada (mais de 7 dias)
    • Cansaço e fraqueza
    • Dor de cabeça
    • Inchaço no rosto ou pernas
    • Mancha avermelhada no local da picada (chagoma)
    • Sinal de Romaña: inchaço de um dos olhos quando o parasita entra pela mucosa ocular

    Em alguns casos, há miocardite, inflamação no músculo cardíaco, que exige atenção médica imediata.

    Fase crônica

    Após a fase aguda, muitas pessoas entram na fase indeterminada, sem sintomas, que pode durar anos ou a vida toda. Entre 10% e 30% desenvolvem formas graves.

    Forma cardíaca

    • Palpitações
    • Tonturas e desmaios
    • Falta de ar
    • Aumento do coração e insuficiência cardíaca
    • Risco de arritmias e morte súbita

    Forma digestiva

    • Dificuldade para engolir (megaesôfago)
    • Prisão de ventre grave e aumento do intestino grosso (megacólon)
    • Dor abdominal e perda de peso

    Diagnóstico

    O diagnóstico varia conforme a fase:

    • Fase aguda: o parasita pode ser visto no exame de sangue.
    • Fase crônica: exames sorológicos detectam anticorpos anti–T. cruzi.

    Em situações específicas, exames de biologia molecular (PCR) podem ser utilizados para confirmar a infecção.

    Tratamento

    Existem dois medicamentos principais usados para tratar a doença de Chagas. Eles reduzem a duração e a gravidade da doença e aumentam a expectativa de vida.

    Na fase aguda, o tratamento é recomendado para todas as idades.

    Na fase crônica, o benefício varia e deve ser discutido entre médico e paciente, avaliando riscos e efeitos adversos.

    Além disso, complicações cardíacas e digestivas podem exigir:

    • Remédios específicos
    • Cirurgias
    • Transplante cardíaco, em casos graves

    Prevenção

    As principais recomendações incluem:

    • Melhorar condições de moradia, fechando rachaduras
    • Usar inseticidas residuais em áreas de risco
    • Evitar alimentos e bebidas de procedência duvidosa em regiões endêmicas
    • Testar sangue e órgãos doados
    • Fazer acompanhamento pré-natal em mulheres infectadas

    Prognóstico

    A maioria das pessoas se recupera bem na fase aguda, especialmente com tratamento precoce. Na fase crônica, a evolução é lenta e varia caso a caso. Mesmo quem não apresenta sintomas deve manter acompanhamento médico regular para identificar possíveis complicações.

    Veja também: Taquicardia sinusal: o que é, causas e se é perigoso

    Perguntas frequentes sobre Doença de Chagas

    1. Ainda existe doença de Chagas no Brasil?

    Sim. Embora o controle do barbeiro tenha avançado, ainda há transmissão, especialmente por alimentos contaminados, como açaí e caldo de cana.

    2. Posso pegar doença de Chagas ao conviver com alguém infectado?

    Não. A doença não é transmitida por contato pessoal, saliva ou relações cotidianas.

    3. Toda infecção evolui para problemas cardíacos?

    Não. A maioria das pessoas permanece assintomática, mas uma parte desenvolve complicações ao longo dos anos.

    4. Gestantes infectadas sempre passam a doença para o bebê?

    Não. A transmissão vertical pode acontecer, mas o acompanhamento pré-natal reduz o risco.

    5. A doença de Chagas tem cura?

    Os medicamentos podem eliminar o parasita, especialmente quando usados no início da infecção. Nos casos crônicos, o benefício depende de cada situação clínica.

    6. Existe vacina contra a doença de Chagas?

    Ainda não, mas há pesquisas em andamento.

    7. O barbeiro sempre transmite a doença?

    Não. Só os barbeiros infectados pelo T. cruzi transmitem a doença.

    Veja mais: Cardiopatia chagásica: saiba mais sobre a complicação provocada pela doença de chagas

  • Eritroblastose Fetal: entenda o que é e o que ela pode causar no bebê

    Eritroblastose Fetal: entenda o que é e o que ela pode causar no bebê

    A Eritroblastose Fetal, também chamada de Doença Hemolítica Perinatal, é uma condição que tem a atenção dos médicos justamente por envolver algo que parece simples, mas não é: a compatibilidade entre o sangue da mãe e do bebê. Ela começou a ser melhor compreendida quando se descobriu que algumas gestantes desenvolviam anticorpos capazes de atacar as células sanguíneas do feto, o que levava a complicações que vão de icterícia a anemia grave.

    Com o aprofundamento dos estudos sobre o sistema Rh, ficou claro por que isso acontece e, principalmente, como evitar. Hoje, sabemos que a prevenção depende de identificar gestantes com esse risco e agir no momento certo. Conhecer esse mecanismo não só ajuda a garantir uma gravidez mais segura, como também evita problemas em futuras gestações.

    O que é a Eritroblastose Fetal

    A Eritroblastose Fetal, também chamada de Doença Hemolítica do Recém-nascido, acontece quando o sangue da mãe e do bebê não são compatíveis e o organismo materno passa a produzir anticorpos que destroem os glóbulos vermelhos do feto. O tipo mais comum dessa incompatibilidade é o sistema Rh.

    Durante a gestação ou no momento do parto, pode ocorrer uma pequena mistura de sangue entre mãe e bebê. Se o organismo materno reconhecer esse sangue como estranho, ele produz anticorpos em um processo chamado aloimunização.

    Esses anticorpos atravessam a placenta e atacam as células vermelhas do bebê, causando anemia, icterícia e, nos casos mais graves, inchaço generalizado e complicações que podem colocar a vida em risco.

    Como funciona a incompatibilidade Rh

    O fator Rh é definido pela presença ou ausência do antígeno D na superfície das hemácias:

    • Rh positivo (Rh+): possui o antígeno D
    • Rh negativo (Rh−): não possui o antígeno D

    A forma mais comum da doença ocorre quando a mãe é Rh negativo e o bebê é Rh positivo.

    Por que isso acontece?

    Na primeira gestação, normalmente não há risco para o bebê. Nessa fase, o organismo da mãe produz anticorpos do tipo IgM, que não atravessam a placenta.

    O problema aparece nas gestações seguintes. Isso porque o corpo da mãe aprende a reconhecer o sangue Rh positivo e passa a produzir anticorpos IgG, que conseguem atravessar a placenta e destruir as hemácias do feto, desencadeando a eritroblastose fetal.

    Quais são os sintomas no bebê?

    A intensidade dos sintomas depende do grau de destruição das hemácias. Os sinais mais comuns são:

    • Palidez, por causa da anemia
    • Icterícia (pele e olhos amarelados) nas primeiras 24 horas de vida
    • Aumento da frequência cardíaca e respiratória (taquicardia e taquipneia)
    • Inchaço generalizado (hidropisia fetal) nos casos graves
    • Aumento do fígado e do baço

    Quando o quadro é severo, o bebê pode precisar de tratamento imediato após o nascimento.

    Como é feito o diagnóstico?

    Durante o pré-natal, a gestante faz exames de sangue para identificar seu tipo sanguíneo e verificar se existe risco de incompatibilidade Rh.

    Se a mãe for Rh negativo e o pai Rh positivo, é necessário um acompanhamento mais detalhado para avaliar se houve produção de anticorpos. Em alguns casos, pode ser possível identificar o fator Rh do bebê ainda na gestação.

    O feto também pode ser monitorado por ultrassonografia com Doppler, exame que avalia o fluxo sanguíneo no cérebro e ajuda a detectar anemia.

    Após o nascimento, o bebê passa por exames que verificam:

    • Tipo sanguíneo
    • Presença de anticorpos
    • Níveis de bilirrubina (substância que causa icterícia)

    Qual é o tratamento?

    Casos leves

    Geralmente são tratados com fototerapia, um banho de luz especial que ajuda o corpo do bebê a eliminar o excesso de bilirrubina.

    Casos graves

    Podem exigir:

    • Transfusão de sangue após o nascimento
    • Transfusão intrauterina, realizada ainda durante a gestação para corrigir a anemia do feto

    Como prevenir a eritroblastose fetal

    A prevenção passa por um pré-natal regular, com realização dos exames indicados para identificar gestantes com risco de aloimunização.

    A principal medida preventiva é a aplicação da imunoglobulina anti-D (anti-Rh), que impede que o corpo da mãe desenvolva anticorpos contra o sangue do bebê.

    Ela deve ser aplicada:

    • Por volta da 28ª semana de gestação
    • Até 72 horas após o parto, caso o bebê seja Rh positivo

    Essa é a forma mais eficaz de garantir segurança para a gestação atual e para as próximas.

    Confira: Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer

    Perguntas frequentes sobre eritroblastose fetal

    1. A eritroblastose fetal pode aparecer na primeira gestação?

    Geralmente não. O risco é maior nas gestações seguintes, quando o corpo da mãe já produziu anticorpos capazes de atravessar a placenta.

    2. Toda mãe Rh negativo tem risco?

    O risco só existe se o bebê for Rh positivo. Por isso os exames de pré-natal são tão importantes.

    3. A imunoglobulina anti-D é segura?

    Sim. É um medicamento amplamente utilizado e considerado seguro para prevenir a doença.

    4. O bebê sempre desenvolve sintomas graves?

    Não. Há quadros leves que melhoram com fototerapia, mas casos graves exigem tratamento imediato.

    5. Como saber se o bebê está anêmico durante a gravidez?

    O médico pode avaliar o fluxo sanguíneo no cérebro do feto por meio de Doppler, que ajuda a identificar sinais de anemia.

    6. Se a mãe já recebeu imunoglobulina em uma gestação anterior, precisa repetir?

    Sim. A imunoglobulina deve ser aplicada em todas as gestações de risco.

    7. A doença pode ser totalmente evitada?

    Na maioria dos casos, sim, desde que a gestante faça pré-natal adequado e receba a imunoglobulina anti-D nos momentos indicados.

    Veja mais: Perda gestacional: causas, tipos e cuidados necessários

  • Dor de cabeça tensional: como aliviar o tipo mais comum de dor de cabeça

    Dor de cabeça tensional: como aliviar o tipo mais comum de dor de cabeça

    A dor de cabeça tensional, ou cefaleia tensional, é uma das dores mais comuns na população e uma das principais causas de desconforto no dia a dia. Ela costuma surgir em períodos de estresse, tensão muscular ou cansaço prolongado, e afeta até o humor e a produtividade. Apesar de não estar ligada a doenças graves, quem convive com esse tipo de dor sabe o quanto ela pode ser persistente e incômoda.

    Ao contrário da enxaqueca, a cefaleia tensional tem características próprias e não costuma vir acompanhada de náuseas, vômitos ou grande sensibilidade à luz e ao som.

    O que é a cefaleia tensional?

    A dor de cabeça tensional é uma cefaleia primária, ou seja, não é causada por outra condição médica. Ela surge quando há tensão muscular, estresse emocional ou fadiga, e pode ser episódica ou crônica. Há três subtipos:

    • Episódica infrequente: até 1 dia no mês
    • Episódica frequente: de 1 a 14 dias por mês
    • Crônica: 15 dias ou mais ao mês, por no mínimo 3 meses

    A dor costuma ter as mesmas características, mas a frequência define o impacto no cotidiano e o tipo de manejo indicado pelo médico.

    Como é a dor da cefaleia tensional

    A dor típica é descrita como pressão ou aperto, semelhante à sensação de um “capacete apertado” ao redor da cabeça. Geralmente acontece dos dois lados (bilateral), pode se espalhar ao longo da cabeça e tem intensidade leve a moderada.

    A duração varia de 30 minutos a vários dias. Diferente da enxaqueca, a cefaleia tensional não apresenta aura, que são aqueles sintomas visuais, de formigamento, entre outros.

    Além da dor em pressão, podem surgir sensibilidade no couro cabeludo, dor no pescoço e nos ombros, irritabilidade e dificuldade de concentração.

    Por que ela acontece?

    Os mecanismos exatos da dor de cabeça tensional ainda não são totalmente compreendidos, mas sabe-se que vários fatores contribuem para desencadear a cefaleia tensional.

    Alguns deles são:

    • Estresse emocional;
    • Ansiedade
    • Postura inadequada ao usar computador ou celular;
    • Noites mal dormidas;
    • Tensão nos músculos da mandíbula (como apertar os dentes);
    • Fadiga física ou mental.

    Na maior parte das vezes, há uma combinação de fatores atuando ao mesmo tempo.

    Sintomas mais comuns

    Os sintomas envolvem a dor em pressão, geralmente bilateral, acompanhada ou não de desconforto no pescoço e ombros.

    Ao contrário da enxaqueca, não há náuseas, vômitos ou sensibilidade intensa à luz ou ao som. Muitos pacientes relatam irritabilidade e sensação de peso na cabeça.

    A dor de cabeça tensional é perigosa?

    Na maioria dos casos, não. Trata-se de uma condição benigna, ainda que incômoda.

    Porém, dores de cabeça que mudam de padrão, se tornam muito intensas ou vêm acompanhadas de sinais neurológicos, como dificuldade para falar, fraqueza, febre alta, desmaio ou alteração de comportamento, devem ser avaliadas imediatamente por um médico.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é clínico, baseado na história da dor e no exame físico. Em geral, não são necessários exames complementares, a não ser que haja sinais de alerta ou suspeita de outra condição associada.

    Tratamento da cefaleia tensional

    O tratamento inclui medidas simples de autocuidado: descanso adequado, relaxamento dos músculos do pescoço e ombros, massagem, compressas mornas, correção da postura, hidratação e sono regular. A prática de atividade física também ajuda no controle das crises.

    Quando necessário, podem ser usados analgésicos simples, como dipirona ou paracetamol, sempre com orientação médica. O uso excessivo deve ser evitado para prevenir a cefaleia por abuso de medicação.

    Nos casos frequentes ou crônicos, o médico pode indicar tratamento preventivo com medicamentos, fisioterapia, técnicas de relaxamento ou manejo do estresse.

    Como prevenir novas crises

    Algumas medidas ajudam bastante a reduzir a frequência das dores: fazer pausas durante o trabalho, ajustar a postura, alongar pescoço e ombros, manter boa hidratação, praticar exercícios físicos e preservar uma rotina de sono estável. Reduzir o estresse cotidiano também é fundamental.

    Confira: Dor latejante e sensibilidade à luz? Pode ser enxaqueca

    Perguntas frequentes sobre dor de cabeça tensional

    1. Dor de cabeça tensional é o mesmo que enxaqueca?

    Não. Elas têm mecanismos diferentes. A cefaleia tensional causa dor em pressão, enquanto a enxaqueca envolve dor pulsátil e sintomas como náuseas e sensibilidade intensa à luz.

    2. Estresse causa dor de cabeça tensional?

    Sim. É um dos principais gatilhos, ao lado de postura inadequada e fadiga.

    3. Preciso fazer exames para confirmar o diagnóstico?

    Na maioria dos casos, não. O diagnóstico é clínico.

    4. A dor de cabeça tensional tem cura?

    Não existe cura definitiva, mas é possível controlar e prevenir as crises com hábitos saudáveis e orientações médicas.

    5. Analgésicos podem piorar a dor?

    Sim. O uso excessivo pode causar cefaleia por abuso de medicação.

    6. Dormir mal piora os episódios?

    Sim. Noites mal dormidas aumentam a tensão muscular e favorecem novas crises.

    7. É uma dor perigosa?

    Não costuma ser. Mas sinais de alerta devem ser avaliados por um médico.

    Leia mais: Dor de cabeça: quando é normal e quando é sinal de alerta

  • Bradicardia: o que é, sintomas, causas e o que fazer

    Bradicardia: o que é, sintomas, causas e o que fazer

    Você já sentiu o coração bater mais devagar? Durante o sono, após um treino intenso ou em momentos de relaxamento profundo, é normal que a frequência cardíaca diminua, uma condição conhecida como bradicardia. O corpo humano tem formas naturais de se adaptar, e o ritmo do coração muda conforme a quantidade de oxigênio e energia que o organismo precisa.

    No entanto, quando a lentidão acontece em situações inadequadas ou vem acompanhada de cansaço, tontura e desmaios, pode indicar alterações no sistema elétrico do coração, desequilíbrios hormonais (como o hipotireoidismo) ou efeitos colaterais de remédios. Nesses casos, ela é conhecida como bradicardia patológica e requer a avaliação de um médico.

    Mas como saber quando ela representa um risco? A seguir, explicamos por que a bradicardia acontece, quais são seus sintomas mais comuns e como é feito o diagnóstico.

    O que é bradicardia?

    O termo bradicardia é usado para descrever uma frequência cardíaca abaixo de 50-60 batimentos por minuto (bpm) em adultos. Em condições normais, o coração mantém um ritmo regular para bombear sangue adequadamente, mas quando o ritmo diminui demais, o fluxo sanguíneo pode ser insuficiente para atender às necessidades do corpo.

    Existem situações em que a bradicardia é considerada fisiológica e não indica qualquer problema de saúde. Ela pode ser comum, por exemplo, durante o sono ou em atletas bem condicionados, cujos corações são mais eficientes e conseguem bombear sangue com menos batimentos.

    Porém, em outras circunstâncias, a desaceleração pode ser patológica, indicando algum distúrbio no sistema elétrico do coração ou o efeito de doenças e medicamentos que interferem na condução dos impulsos elétricos responsáveis por coordenar as batidas cardíacas.

    Nesse caso, o coração pode não ser capaz de manter o fluxo sanguíneo adequado, comprometendo o fornecimento de oxigênio para órgãos vitais, como cérebro, rins e músculos.

    Por que atletas podem ter batimentos lentos sem risco?

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, o treinamento físico intenso e regular aumenta a eficiência do músculo cardíaco, permitindo que ele bombeie uma quantidade maior de sangue a cada batimento. Por conta disso, o coração consegue suprir as necessidades do organismo com um número menor de batimentos por minuto, o que demonstra uma importante adaptação cardiovascular.

    Assim, é comum que atletas, especialmente os de resistência (como maratonistas) e pessoas com excelente condicionamento físico apresentem bradicardia fisiológica, sem apresentar sintomas ou qualquer repercussão no organismo.

    O que causa bradicardia?

    A bradicardia pode ocorrer como uma resposta natural do organismo a determinadas situações, sem representar um problema de saúde. Isso acontece, por exemplo, durante o sono, quando o metabolismo fica mais lento e o corpo entra em estado de repouso, reduzindo naturalmente os batimentos cardíacos.

    Além disso, situações de relaxamento profundo ou exposição ao frio podem diminuir temporariamente a frequência cardíaca, como um mecanismo fisiológico de economia de energia.

    No entanto, em algumas circunstâncias, a bradicardia pode ser causada por doenças ou pelo uso de certos remédios. Entre as causas cardíacas, Juliana destaca:

    • Doenças do nó sinusal, estrutura responsável por gerar e comandar os impulsos elétricos que controlam os batimentos do coração;
    • Bloqueios cardíacos, que são interrupções ou atrasos na condução dos impulsos elétricos entre os átrios e os ventrículos;
    • Infarto prévio e doenças cardíacas congênitas, que podem causar danos ao tecido cardíaco e comprometer o sistema elétrico do coração.

    Entre as condições não cardíacas, também podem provocar bradicardia:

    • Hipotireoidismo, devido à baixa produção dos hormônios da tireoide, que desacelera o metabolismo;
    • Hipoglicemia, quando o nível de açúcar no sangue cai, afetando o funcionamento do sistema nervoso autônomo;
    • Desequilíbrio de eletrólitos, como alterações nos níveis de potássio e magnésio, que interferem na condução elétrica cardíaca;
    • Envelhecimento, que pode degenerar o sistema de condução elétrica natural do coração;
    • Hipotermia, quando a temperatura corporal cai excessivamente, reduzindo o ritmo cardíaco;
    • Miocardite, uma inflamação do músculo cardíaco que compromete a capacidade do coração de gerar impulsos elétricos adequados.

    Entre os medicamentos que podem reduzir o ritmo cardíaco, estão os betabloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio, antiarrítmicos e antidepressivos tricíclicos.

    Quais são os sintomas da bradicardia?

    Os sintomas de bradicardia variam conforme o grau de comprometimento da circulação sanguínea. Algumas pessoas permanecem assintomáticas (sem sintomas), enquanto outras apresentam sinais mais evidentes, como:

    • Cansaço excessivo, mesmo em atividades leves;
    • Tontura ou sensação de cabeça leve;
    • Falta de ar;
    • Dor ou pressão no peito;
    • Desmaios (síncope);
    • Confusão mental ou dificuldade de concentração;
    • Pele fria e pálida.

    Em casos mais graves, a bradicardia pode causar parada cardíaca, especialmente quando há falha total na condução elétrica.

    Como é feito o diagnóstico da bradicardia?

    O diagnóstico da bradicardia é realizado por meio de uma avaliação clínica e exames específicos. Segundo Juliana, o principal é o eletrocardiograma (ECG), que registra a atividade elétrica do coração e permite identificar a frequência e o ritmo dos batimentos.

    O médico também pode solicitar o Holter de 24 horas, que monitora o ritmo cardíaco continuamente ao longo de um dia inteiro, possibilitando detectar episódios de bradicardia que ocorrem durante o sono, o repouso ou as atividades cotidianas.

    Podem ser pedidos ainda o ecocardiograma (ultrassom do coração), que avalia a estrutura e a função cardíaca, e exames de sangue para investigar causas reversíveis, como alterações nos níveis de potássio, magnésio ou hormônios da tireoide.

    Como é feito o tratamento da bradicardia?

    O tratamento da bradicardia depende da causa e da presença de sintomas, pois nem toda frequência cardíaca lenta requer intervenção médica.

    Quando o ritmo reduzido é provocado por medicamentos, o médico pode ajustar a dose, trocar ou suspender o uso, caso seja seguro. Em situações em que a bradicardia está associada a doenças como hipotireodismo, desequilíbrios de eletrólitos ou apneia do sono, o foco é corrigir essas condições — o que normalmente leva à normalização do ritmo cardíaco.

    Além do tratamento médico, para manter o coração saudável e reduzir o risco de complicações relacionadas à bradicardia, alguns cuidados são recomendados:

    • Parar de fumar;
    • Evitar o consumo excessivo de álcool e cafeína;
    • Manter uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes;
    • Controlar o peso corporal;
    • Praticar atividade física regular, sempre com orientação profissional;
    • Realizar consultas periódicas com o cardiologista;
    • Monitorar a frequência cardíaca, especialmente em quem usa remédios que afetam o ritmo do coração;
    • Controlar doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e distúrbios da tireoide.

    Quando o marcapasso é necessário?

    Quando há falhas significativas no sistema de condução elétrica do coração, o tratamento pode exigir o implante de um marcapasso definitivo.

    O dispositivo, de tamanho reduzido, é colocado sob a pele e tem a função de emitir impulsos elétricos regulares que estimulam o coração a bater em uma frequência adequada e estável, prevenindo sintomas como tonturas, desmaios e fraqueza decorrentes da bradicardia.

    De acordo com Juliana, entre as principais indicações estão os bloqueios atrioventriculares avançados, como:

    • Bloqueio atrioventricular de segundo grau tipo Mobitz II, caracterizado por interrupções súbitas e imprevisíveis dos batimentos cardíacos;
    • Bloqueio atrioventricular de terceiro grau (bloqueio total), no qual há interrupção completa da comunicação elétrica entre átrios e ventrículos, fazendo com que o coração dependa de um ritmo de escape, muito lento e instável.

    Os bloqueios podem surgir em decorrência da degeneração natural pelo envelhecimento, doença arterial coronariana, infarto prévio, miocardites, doença de Chagas ou uso prolongado de determinados medicamentos.

    Quando o remédio responsável pela bradicardia é indispensável e não existe outra alternativa segura, o implante de marcapasso também pode ser necessário para garantir a frequência cardíaca adequada.

    Como prevenir a bradicardia patológica?

    O principal meio de reduzir os riscos é controlar os fatores de risco cardiovascular e manter hábitos saudáveis, como aponta Juliana:

    • Manter uma alimentação equilibrada e controlar o peso;
    • Praticar atividade física regularmente;
    • Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool;
    • Controlar doenças crônicas como hipertensão, diabetes e hipotireoidismo;
    • Seguir sempre as orientações médicas e não usar medicamentos sem prescrição.

    Com os cuidados e acompanhamento médico periódico, é possível detectar alterações precocemente e prevenir complicações associadas à bradicardia.

    Confira: Saiba quando os batimentos acelerados estão relacionados a uma arritmia cardíaca

    Perguntas frequentes

    A bradicardia é perigosa?

    A bradicardia nem sempre é sinal de problema, e existem casos em que o coração lento é apenas uma adaptação do organismo — como em atletas, pessoas com excelente condicionamento físico ou durante o sono. Nesses casos, o coração é mais eficiente e consegue bombear sangue suficiente com menos batimentos, sem causar sintomas.

    O problema ocorre quando a lentidão impede o corpo de receber oxigênio adequadamente, levando a tontura, fraqueza, falta de ar ou desmaios. É nessa situação que a bradicardia precisa ser investigada, pois pode indicar doenças cardíacas, distúrbios hormonais ou efeitos colaterais de medicamentos.

    A bradicardia pode causar morte súbita?

    Em situações extremas, sim. Quando o coração bate muito lentamente e o fluxo sanguíneo cai de forma acentuada, pode haver colapso circulatório e parada cardíaca. Isso é mais comum em bloqueios cardíacos graves ou em pacientes com doenças estruturais do coração.

    Porém, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, o risco de morte súbita é bem baixo. O acompanhamento médico regular é muito importante para prevenir complicações!

    Meus batimentos cardíacos estão lentos, quando devo procurar um médico?

    Procure um médico se notar os batimentos muito lentos, tontura, cansaço, falta de ar ou episódios de desmaio deve procurar um cardiologista. Mesmo que os sintomas sejam leves, é importante investigar a causa — e o diagnóstico precoce evita complicações e permite o tratamento adequado.

    Em casos de dor no peito, desmaio súbito ou falta de ar intensa, procure atendimento de emergência imediatamente, pois podem ser sinais de uma bradicardia grave ou de outro problema cardíaco.

    A bradicardia pode causar desmaios?

    A bradicardia pode diminuir o fluxo de sangue e oxigênio para o cérebro, provocando tontura, visão turva e desmaios súbitos (síncopes). Em casos leves, a pessoa apenas sente fraqueza, mas em situações mais graves, pode perder a consciência por alguns segundos. A repetição dos episódios é um sinal de alerta e requer investigação médica imediata, pois pode indicar bloqueio elétrico no coração.

    Quem tem bradicardia pode fazer atividade física?

    Depende! Se a bradicardia for fisiológica e a pessoa estiver sem sintomas, a prática de atividade física regular traz muitos benefícios e é recomendada. Já em casos patológicos, o médico deve avaliar o tipo e a intensidade do exercício mais seguros.

    Em pacientes com marcapasso, por exemplo, o treino deve ser monitorado e adaptado para evitar esforço excessivo. O importante é não se exercitar sem liberação médica quando há diagnóstico de bradicardia.

    Veja também: Arritmia cardíaca: quando os batimentos fora de ritmo merecem atenção

  • Sistema Rh: entenda o que significa ter sangue positivo ou negativo 

    Sistema Rh: entenda o que significa ter sangue positivo ou negativo 

    O sistema Rh é um dos mais importantes grupos sanguíneos é um dos mais importantes na medicina, logo depois do sistema ABO. Ele foi descoberto há cerca de 60 anos, quando médicos perceberam que algumas pessoas tinham reações graves ao receber sangue incompatível.

    Embora pareça simples, o sistema Rh é altamente complexo, formado por dezenas de antígenos diferentes e variações genéticas que explicam por que algumas pessoas têm tipos sanguíneos raros.

    Entender o fator Rh também ajuda a prevenir reações transfusionais graves e complicações na gravidez, como a doença hemolítica do recém-nascido.

    O que é o sistema sanguíneo Rh?

    Descoberto há cerca de 60 anos, o sistema Rh é composto por mais de 50 antígenos localizados na superfície dos glóbulos vermelhos. Os mais importantes são:

    • D (o mais relevante, define Rh+ ou Rh−)
    • C
    • c
    • E
    • e

    Dentre todos, o antígeno D é o mais importante, pois determina se uma pessoa é Rh positivo ou Rh negativo.

    O que significa ser Rh positivo ou Rh negativo?

    A diferença depende da presença de uma única proteína:

    Rh positivo (Rh+): tem o antígeno D nas hemácias.

    Rh negativo (Rh−): não tem o antígeno D.

    Essa distinção importa porque uma pessoa Rh− pode reagir de forma grave ao receber sangue Rh+, produzindo anticorpos contra esse antígeno.

    Como o sistema Rh funciona?

    Os antígenos Rh são produzidos a partir de genes específicos e dependem de proteínas de suporte para se manterem estáveis na superfície das hemácias. Juntos, formam o chamado complexo Rh, que ajuda a manter:

    • A estabilidade das hemácias;
    • Sua forma;
    • A troca de substâncias essenciais.

    A função exata dessas proteínas ainda é estudada, mas sabe-se que sua ausência ou alteração pode comprometer o funcionamento das células sanguíneas.

    Diversidade genética dentro do sistema Rh

    O sistema Rh é altamente variável. Existem mais de 45 antígenos conhecidos, e muitas diferenças vêm de:

    • Mutações genéticas;
    • Rearranjos entre genes;
    • Variantes raras, como D fraco ou D parcial.

    Essa diversidade explica por que algumas pessoas reagem de forma inesperada em transfusões e por que certos fenótipos são considerados raros.

    Como é feito o teste do fator Rh?

    O teste é simples e rápido, feito com uma amostra de sangue coletada em tubo com EDTA.

    Métodos mais utilizados

    • Aglutinação direta (anti-D): principal método.
    • Lâmina: simples, porém menos preciso.
    • Tubo de ensaio: mais confiável; usado em laboratórios.
    • Gel: tecnologia moderna, leitura automatizada.
    • Microplaca: muito usada em sistemas automatizados.

    Se houver aglutinação, o resultado é Rh positivo; se não houver, Rh negativo.

    Importância do fator Rh nas transfusões

    O antígeno D é altamente imunogênico. Por isso:

    Quem é Rh+: pode receber Rh+ ou Rh−.

    Quem é Rh−: deve receber apenas Rh−.

    Se uma pessoa Rh− receber sangue Rh+, o corpo pode atacar as hemácias transfundidas, o que provoca:

    • Febre;
    • Anemia;
    • Icterícia;
    • Insuficiência renal;
    • Risco de morte.

    Por isso, o exame de Rh é obrigatório antes de qualquer transfusão.

    O fator Rh na gravidez

    A incompatibilidade Rh é um tema clássico da obstetrícia.

    O problema ocorre quando:

    • Mãe Rh−
    • Bebê Rh+

    Durante a gestação ou no parto, pequenas quantidades de sangue fetal podem entrar na circulação materna, levando o corpo da mãe a produzir anticorpos contra o antígeno D.

    Em uma próxima gestação com bebê Rh+, esses anticorpos podem destruir as hemácias do feto, causando:

    • Anemia grave;
    • Icterícia;
    • Hidropisia;
    • Risco de morte.

    Prevenção

    Hoje, tudo isso é prevenido com imunoglobulina anti-D, aplicada:

    • Durante a gestação;
    • Após o parto;
    • Após sangramentos ou procedimentos (como amniocentese).

    A junção ABO + Rh: os 8 tipos sanguíneos

    Combinando os sistemas ABO e Rh, temos:

    • A+
    • A−
    • B+
    • B−
    • AB+
    • AB−
    • O+
    • O−

    Compatibilidade sanguínea: quem pode doar para quem?

    • O−: doador universal, recebe apenas O−.
    • O+: doa para O+, A+, B+, AB+; recebe O− e O+.
    • A+: doa para A+ e AB+; recebe A+, A−, O+, O−.
    • A−: doa para A+, A−, AB+, AB−; recebe A− e O−.
    • B+: doa para B+ e AB+; recebe B+, B−, O+, O−.
    • B−: doa para B+, B−, AB+, AB−; recebe B− e O−.
    • AB+: receptor universal; doa apenas para AB+.
    • AB−: doa para AB+ e AB−; recebe A−, B−, AB− e O−.

    Veja também: Exames de rotina para homens: como cuidar da saúde urológica?

    Perguntas frequentes sobre o sistema sanguíneo Rh

    1. Rh positivo é mais comum?

    Sim. Aproximadamente 85% da população é Rh+.

    2. Uma pessoa Rh− pode engravidar sem riscos?

    Sim, desde que receba o acompanhamento adequado e a imunoglobulina anti-D quando indicada.

    3. Ser Rh− significa ter sangue raro?

    Não necessariamente, mas é menos frequente do que Rh+.

    4. Rh e ABO são a mesma coisa?

    Não. São dois sistemas diferentes que juntos definem o tipo sanguíneo completo.

    5. Existe tratamento para incompatibilidade Rh na gravidez?

    Sim. A prevenção com imunoglobulina anti-D é altamente eficaz.

    6. Pessoas Rh− podem doar para Rh+?

    Sim. O problema é o contrário: Rh+ não deve ser dado a Rh−.

    7. Variantes como D fraco mudam o resultado?

    Podem alterar a classificação e exigem testes específicos para evitar erros de transfusão.

    Veja mais: O que você precisa saber sobre o seu tipo de sangue

  • Taquicardia sinusal: o que é, causas e se é perigoso 

    Taquicardia sinusal: o que é, causas e se é perigoso 

    Em situações do cotidiano, como durante a prática de atividade física ou em momentos de ansiedade, é normal que a frequência cardíaca aumente como resposta fisiológica do organismo. Esse tipo de aceleração é controlado pelo nó sinusal, o marca-passo natural do coração — sendo conhecido como taquicardia sinusal.

    No entanto, quando os batimentos permanecem acelerados por tempo prolongado, de forma desproporcional ao estímulo ou sem uma causa evidente, o quadro pode indicar uma taquicardia sinusal inapropriada (IST), que requer avaliação médica para investigação e acompanhamento.

    Ela nem sempre está associada a uma doença, mas pode indicar que o organismo está reagindo a algum estímulo interno ou externo, e compreender as causas é o primeiro passo para um diagnóstico adequado. Entenda mais, a seguir!

    O que é taquicardia sinusal?

    A taquicardia sinusal consiste no aumento do número de batimentos cardíacos por minuto, normalmente acima dos 100 batimentos por minuto (bpm), mas mantendo o ritmo normal do coração. O termo sinusal indica que os impulsos elétricos que controlam o batimento continuam partindo do nó sinusal, estrutura responsável por ditar o ritmo cardíaco.

    Em pessoas saudáveis, ela ocorre como uma resposta fisiológica do organismo, um mecanismo de adaptação para aumentar a quantidade de sangue bombeado e atender a uma maior demanda de oxigênio em situações como exercícios físicos, febre, ansiedade, estresse ou consumo de cafeína.

    No entanto, pode ser anormal quando ocorre de forma persistente e frequente, mesmo em repouso, ou quando é causada por outra doença, como anemia ou hipertireoidismo, conforme explica a cardiologista Juliana Soares.

    O que causa a taquicardia sinusal?

    A aceleração dos batimentos cardíacos é controlada pelo sistema nervoso autônomo, responsável por ajustar as funções involuntárias do corpo, como respiração e pressão arterial. Uma série de fatores pode ativar o mecanismo, como:

    • Atividade física;
    • Emoções fortes (medo, raiva, ansiedade);
    • Febre;
    • Uso de cafeína, nicotina ou álcool;
    • Uso de medicamentos como descongestionantes e broncodilatadores;
    • Gravidez;
    • Situações de dor intensa.

    Já a taquicardia sinusal inapropriada pode ter causas mais complexas, incluindo:

    • Alterações hormonais (hipertireoidismo, por exemplo);
    • Desidratação;
    • Anemia;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Doenças pulmonares;
    • Distúrbios do sistema nervoso autônomo.

    Juliana Soares ainda aponta que o uso de medicamentos como descongestionantes nasais e substâncias estimulantes como drogas ilícitas (cocaína, por exemplo), também podem provocar taquicardia.

    Taquicardia sinusal pode vir acompanhada de sintomas?

    Além dos batimentos cardíacos acelerados, quadros de taquicardia sinusal inapropriada podem causar:

    • Palpitações;
    • Falta de ar (dispneia);
    • Fadiga e cansaço;
    • Tontura ou sensação de desmaio;
    • Intolerância ao exercício;
    • Desconforto no peito.

    Quando há dor no peito, desmaio ou sensação de descontrole dos batimentos, é importante procurar atendimento médico, pois os sinais podem indicar uma arritmia mais grave.

    Taquicardia sinusal é perigoso?

    Na maioria dos casos, não é uma condição perigosa, especialmente quando está relacionada a estímulos fisiológicos como exercícios ou emoções. O coração acelera para atender à demanda de oxigênio e, depois, retorna ao normal.

    Contudo, o aumento da frequência cardíaca torna-se preocupante quando ocorre de forma persistente e em repouso, com frequência acima de 100 batimentos por minuto. Também é motivo de alerta quando surgem sintomas como falta de ar, dor no peito, tontura ou desmaio, de acordo com Juliana.

    Em pessoas com doenças cardíacas pré-existentes, como insuficiência cardíaca, o aumento da frequência pode sobrecarregar o coração e aumentar o risco de infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).

    Como é feito o diagnóstico da taquicardia sinusal?

    O diagnóstico de taquicardia sinusal é feito a partir de uma avaliação clínica feita pelo cardiologista, e depende da história do paciente e de exames complementares, como:

    • Eletrocardiograma (ECG): registra a atividade elétrica do coração e confirma se o ritmo acelerado tem origem no nó sinusal;
    • Holter 24 horas: monitora o ritmo cardíaco ao longo do dia, permitindo identificar variações e episódios de taquicardia;
    • Ecocardiograma: avalia a estrutura e a função do coração, identificando possíveis alterações anatômicas;
    • Exames laboratoriais: verificam a presença de anemia, hipertireoidismo e alterações nos níveis de potássio e magnésio.

    Em alguns casos, é necessário um teste ergométrico (teste de esforço), para observar como o coração reage durante a atividade física.

    Qual a diferença entre taquicardia sinusal e outros tipos de taquicardia?

    O termo “taquicardia” significa apenas que o coração está batendo rápido, mas existem vários tipos.

    A taquicardia sinusal é regular e com origem no nó sinusal, sendo considerada a forma mais comum e, na maioria das vezes, benigna. Já as taquicardias supraventriculares e ventriculares são mais perigosas, pois se originam em outras partes do coração e podem causar arritmias graves, levando até à parada cardíaca.

    No eletrocardiograma, o médico consegue diferenciar facilmente o tipo de taquicardia e indicar o tratamento adequado.

    É necessário tratar a taquicardia sinusal?

    De acordo com Juliana, o tratamento não é necessário quando a taquicardia sinusal é fisiológica, isto é, uma resposta normal do organismo ao esforço físico ou a emoções intensas. Quando há uma causa secundária, o tratamento deve ser direcionado a ela — tratar infecções em casos de febre, corrigir anemia ou disfunções da tireoide e manejar a ansiedade por meio de terapia ou medicação, por exemplo.

    Em situações raras, como na síndrome da taquicardia sinusal inapropriada, em que ocorre uma resposta exagerada e persistente, pode ser necessário o uso de medicamentos para reduzir a frequência cardíaca e prevenir sobrecarga ou danos ao coração a longo prazo.

    Como controlar a taquicardia sinusal sem remédios?

    Quando o aumento dos batimentos é fisiológico, pequenas mudanças de estilo de vida podem ajudar a controlar a taquicardia sinusal, como:

    • Controlar o estresse e a ansiedade com técnicas de respiração, meditação ou yoga;
    • Evitar o consumo de café, energéticos, nicotina e álcool;
    • Dormir bem todos os dias;
    • Beber bastante água para evitar desidratação;
    • Praticar atividade física leve e regular;
    • Manter uma alimentação equilibrada, com frutas, verduras e alimentos ricos em magnésio e potássio;
    • Fazer pausas durante o dia para respirar fundo e relaxar;
    • Realizar acompanhamento periódico com o cardiologista.

    Quando procurar atendimento médico?

    Procure um cardiologista quando a aceleração dos batimentos ocorrer em repouso, for frequente ou vier acompanhada de:

    • Dor ou aperto no peito;
    • Falta de ar;
    • Tontura ou desmaio;
    • Fadiga extrema;
    • Sensação de descompasso no ritmo cardíaco.

    Em emergências, como dor torácica intensa, falta de ar súbita ou desmaio, procure imediatamente um pronto-socorro.

    Confira: Por que o café acelera o coração? Veja quantas xícaras você pode tomar

    Perguntas frequentes

    Como diferenciar taquicardia sinusal de outras arritmias?

    Isso pode ser feito através de exames solicitados pelo médico, como o eletrocardiograma (ECG). Na taquicardia sinusal, o ritmo é regular e o impulso elétrico parte do nó sinusal, o que a torna mais previsível e geralmente benigna.

    Já em arritmias como a taquicardia supraventricular ou ventricular, o ritmo é desorganizado, podendo gerar palpitações súbitas e perigosas, com risco de desmaios e parada cardíaca. Por isso, o ECG é fundamental para identificar o tipo e a origem da aceleração.

    Taquicardia sinusal pode causar desmaios?

    Sim, embora seja pouco comum. Quando o coração bate rápido demais, pode haver redução do volume de sangue bombeado por batimento, diminuindo a oxigenação cerebral — o que provoca tontura e, em casos extremos, desmaio. Ah, e também pode ocorrer queda de pressão durante crises de taquicardia intensa.

    Qualquer episódio de desmaio associado a palpitações deve ser avaliado com urgência por um cardiologista, pois pode indicar risco de arritmia mais grave.

    Quando o tratamento de taquicardia sinusal com remédios é indicado?

    O uso de medicamentos é indicado em casos de sintomas intensos, taquicardia persistente ou taquicardia sinusal inapropriada (aceleração sem causa aparente). A escolha do tratamento deve ser feita pelo médico cardiologista, conforme o quadro clínico e a tolerância do paciente.

    Como diferenciar taquicardia sinusal inadequada de ansiedade?

    Na ansiedade, a aceleração dos batimentos resulta da descarga de adrenalina e ocorre em situações emocionais específicas, desaparecendo quando a pessoa se acalma. Na síndrome da taquicardia sinusal inadequada, porém, o aumento da frequência cardíaca pode ser contínuo ou ocorrer em repouso, sem necessariamente estar ligado a emoções.

    O diagnóstico é confirmado por avaliação clínica e eletrocardiograma, que mostram se o ritmo é de origem sinusal ou não.

    Quem tem taquicardia sinusal pode praticar esportes?

    Sim, desde que o quadro seja benigno e avaliado por um cardiologista. A prática regular de atividades físicas melhora a capacidade cardiovascular e ajuda a manter o ritmo cardíaco estável.

    O ideal é iniciar com exercícios leves, como caminhadas ou natação, e aumentar a intensidade de forma gradual. Pessoas com taquicardia sinusal inapropriada devem evitar esportes de alta exigência até liberação médica.

    Confira: Acordar com o coração acelerado é normal? Veja o que pode ser

  • Dor no ombro esquerdo pode ser infarto? Saiba como identificar

    Dor no ombro esquerdo pode ser infarto? Saiba como identificar

    A dor intensa no peito, descrita como um aperto, peso ou queimação, é um dos principais sintomas para identificar um infarto. Como as vias nervosas do coração se conectam à medula espinhal nos mesmos pontos que outras áreas do corpo, a dor pode ser percebida em regiões diferentes da sua origem, como o ombro esquerdo.

    Afinal, por que isso acontece? O fenômeno, conhecido como dor referida, acontece porque o cérebro, ao receber os sinais nervosos, pode confundir a origem da dor. Por isso, um problema cardíaco pode se manifestar com sintomas que lembram lesões musculares ou articulares — e ficar de olho nas diferenças ajuda a identificar o quadro.

    O que pode causar dor no ombro esquerdo?

    A dor no ombro esquerdo pode ter diversas causas e nem sempre está relacionada ao coração. Na verdade, o incômodo costuma ser consequência de condições musculoesqueléticas, neurológicas ou posturais, como:

    • Lesões musculares, como estiramentos, contraturas ou distensões;
    • Tendinites (inflamação nos tendões do ombro);
    • Bursites (inflamação na bursa, estrutura que reduz o atrito entre os tecidos);
    • Problemas articulares, como luxações, artrose ou instabilidade do ombro;
    • Hérnias cervicais (compressão dos nervos da coluna cervical que irradiam dor para o ombro);
    • Inflamações nos nervos periféricos, como neurites ou síndrome do desfiladeiro torácico;
    • Má postura prolongada, especialmente em ambientes de trabalho;
    • Esforço físico excessivo ou repetitivo, como levantar pesos ou movimentos repetidos;
    • Traumas diretos, como quedas, batidas ou pancadas na região;
    • Tensão emocional ou estresse, que pode gerar contraturas musculares reflexas.

    Em alguns casos, a dor pode ser reflexo de uma alteração no tórax, irradiando para o ombro esquerdo — o que inclui a possibilidade de um problema cardiovascular.

    Dor no ombro esquerdo é sintoma de infarto?

    A dor no ombro esquerdo pode ser sintoma de infarto, especialmente quando surge de forma súbita, sem causa muscular aparente, e vem acompanhada de outros sinais como desconforto no peito, falta de ar, suor frio, mal-estar, náusea, tontura ou sensação de desmaio.

    O coração e as fibras nervosas que o inervam atingem a medula espinhal na mesma região em que chegam as fibras nervosas do braço, do ombro esquerdo e da mandíbula.

    Juliana explica que quando o cérebro recebe essas informações, vindas de raízes nervosas que convergem em um mesmo ponto da medula, pode ocorrer uma interpretação errada da localização da dor — levando à sensação de que uma dor originada no coração vem, na verdade, de outra estrutura corporal.

    Por isso, a cardiologista aponta que é comum que o infarto se manifeste com dor no ombro, no braço esquerdo ou na mandíbula, devido à confusão das vias nervosas. O fenômeno é conhecido como dor referida, ou seja, ela é percebida em uma parte do corpo diferente de onde ela realmente se origina.

    Como diferenciar dor muscular de dor cardíaca?

    Existem algumas características que podem ajudar a diferenciar um desconforto muscular com o início de um infarto. Normalmente, a dor muscular está relacionada a esforço físico, má postura, traumas ou movimentos repetitivos, e costuma piorar com o movimento do corpo ou ao pressionar a região.

    A dor cardíaca, por outro lado, tem características diferentes: surge de forma súbita, não melhora com repouso e pode irradiar para outras áreas, como ombro, braço esquerdo, mandíbula ou costas.

    Confira as principais diferenças entre elas:

    Características Dor muscular Dor cardíaca
    Origem Musculatura, tendões ou articulações Coração (miocárdio)
    Tipo de dor Pontual, localizada, sensação de fisgada ou tensão Pressão, aperto, queimação ou peso no peito
    Localização Limitada ao músculo ou articulação Peito (normalmente no centro), com possível irradiação
    Irradiação É raro acontecer Pode irradiar para o ombro, braço esquerdo ou mandíbula
    Início Após esforço físico, má postura ou lesão Súbito, em repouso ou durante esforço físico
    Duração Pode durar algumas horas ou dias, dependendo da causa Pode durar mais de 20 minutos e aumentar com o tempo
    Sintomas associados Normalmente é uma dor isolada Falta de ar, suor frio, náusea, tontura e mal-estar
    Como melhorar Costuma melhorar com analgésicos, repouso, calor ou gelo Não melhora com repouso nem analgésicos, e precisa de atendimento médico imediato

    Quais outros sintomas acompanham um possível infarto?

    Além da dor torácica em forma de aperto, pressão ou queimação, que pode irradiar para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço, costas ou estômago, o infarto costuma vir acompanhado de outros sintomas sistêmicos, como:

    • Falta de ar (dispneia), mesmo em repouso ou durante esforço leve;
    • Suor frio e abundante, sem causa aparente;
    • Náusea e vômito, que podem ser confundidos com mal-estar gastrointestinal;
    • Tontura, sensação de desmaio ou desfalecimento;
    • Palidez súbita e pele úmida;
    • Ansiedade intensa, sensação de morte iminente ou angústia;
    • Fraqueza geral, especialmente em membros superiores.

    Algumas pessoas apresentam sinais atípicos, o que pode atrasar o diagnóstico — e isso é mais comum em mulheres, idosos e pessoas com diabetes, que podem relatar apenas cansaço extremo, dor nas costas, mal-estar difuso ou desconforto abdominal. Nesses casos, a ausência de dor torácica não exclui a possibilidade de um evento cardíaco.

    Em todos os casos, Juliana orienta que se a dor no ombro vier acompanhada de sintomas como aperto no peito, sudorese, falta de ar ou tontura, é preciso chamar ajuda imediatamente, ligando para o SAMU (192) ou para os bombeiros (193). Não é recomendado dirigir ou tentar chegar sozinho ao hospital. A pessoa deve permanecer em repouso até a chegada do socorro.

    Se o paciente já tiver diagnóstico de problema cardíaco e uso prescrito de ácido acetilsalicílico (AAS), ele pode tomá-lo enquanto aguarda o atendimento — desde que tenha orientação médica prévia.

    Quais exames ajudam a identificar um infarto?

    O diagnóstico do infarto agudo do miocárdio depende da análise clínica associada a exames que avaliam o funcionamento do coração e a presença de lesões no músculo cardíaco, como eletrocardiograma (ECG), ecocardiograma e exames de sangue (marcadores de lesão cardíaca).

    Em alguns casos, podem ser solicitados outros exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética.

    A escolha dos exames depende do que a pessoa está sentindo, há quanto tempo os sintomas começaram e dos recursos do local onde ela está sendo atendida. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de tratar o problema com sucesso e evitar danos ao coração.

    Veja também: Infarto ou angina? Saiba quais são os principais sinais e fique atento

    Perguntas frequentes sobre dor no ombro esquerdo

    A dor no ombro esquerdo pode ser o único sintoma do infarto?

    É mais raro, mas o infarto pode se manifestar de forma silenciosa ou com sintomas atípicos, principalmente em mulheres, pessoas com diabetes e idosos. Em alguns casos, a dor no ombro esquerdo pode ser o único sinal perceptível, especialmente se vier acompanhada de mal-estar leve ou cansaço inexplicável.

    Por isso, mesmo na ausência de dor torácica clássica, é importante ficar atento a qualquer desconforto incomum, especialmente em quem apresenta fatores de risco. A avaliação médica precoce pode evitar complicações graves.

    O que fazer diante de uma dor suspeita no ombro?

    O ideal é observar o contexto em que a dor apareceu, sua intensidade e os sintomas associados. Se a dor for leve, surgir após esforço físico ou movimento repetitivo e melhorar com repouso, gelo ou analgésicos comuns, provavelmente tem origem muscular.

    Por outro lado, se a dor surgir de forma repentina, for intensa, não melhorar com repouso e vier acompanhada de pressão no peito, suor frio, falta de ar ou tontura, é recomendável procurar atendimento de urgência. Em qualquer caso de dúvida, a melhor conduta é buscar avaliação médica.

    Quem tem mais risco de infarto?

    O risco é maior em pessoas com histórico familiar de doença cardíaca, hipertensão, diabetes, colesterol alto, obesidade, sedentarismo ou tabagismo. Além disso, pode ocorrer em homens a partir dos 45 anos e mulheres após a menopausa, e em pessoas com estresse crônico ou que possuem uma má alimentação.

    Em pessoas com os fatores de risco, uma dor no ombro de início súbito, especialmente quando acompanhada de outros sintomas cardiovasculares, deve ser investigada com atenção.

    Quanto tempo dura a dor de um infarto?

    A dor do infarto geralmente dura mais de 15–20 minutos e não melhora com repouso ou uso de analgésicos. Ela pode começar de forma leve e piorar progressivamente, e também pode ser intermitente, com períodos de melhora e piora, o que confunde o paciente. Assim, qualquer dor torácica persistente deve ser avaliada com urgência.

    Como saber se a dor é do coração ou da ansiedade?

    A dor causada pela ansiedade costuma ser pontual, em forma de fisgada, e tende a aparecer em momentos de estresse emocional. Muitas vezes, ela vem acompanhada de hiperventilação, sensação de aperto na garganta e formigamento nas mãos.

    Já a dor cardíaca costuma ser mais difusa, contínua e vem com sinais físicos como suor frio, palidez e cansaço. Em caso de dúvida, é melhor procurar atendimento médico.

    Veja também: Suspeita de infarto: conheça os erros que colocam vidas em risco e saiba como agir

  • Trombose Venosa Profunda (TVP): entenda mais sobre a condição 

    Trombose Venosa Profunda (TVP): entenda mais sobre a condição 

    A trombose venosa profunda (TVP) é uma condição séria, mas muitas vezes silenciosa, em que um coágulo de sangue se forma dentro de uma veia profunda, principalmente nas pernas. Ela preocupa porque pode evoluir para uma embolia pulmonar, complicação grave que acontece quando parte do coágulo se solta e migra para os pulmões.

    Apesar de ser mais frequente em pessoas com fatores de risco específicos, a trombose venosa profunda pode acontecer em qualquer idade e costuma aparecer após períodos prolongados de imobilidade, cirurgias, viagens longas, uso de hormônios ou condições que favorecem a coagulação. Reconhecer os sinais e buscar ajuda rápida reduz o risco de complicações.

    O que é trombose venosa profunda (TVP)?

    A trombose venosa profunda é a formação de um coágulo (trombo) dentro de uma veia profunda. Geralmente afeta:

    • Panturrilha;
    • Coxa;
    • Pelve.

    O trombo dificulta a circulação do sangue e, nos casos mais graves, pode se desprender e causar embolia pulmonar, situação potencialmente fatal.

    Por que a trombose venosa profunda acontece?

    Três mecanismos explicam a formação dos coágulos, conhecidos como Tríade de Virchow:

    1. Estase sanguínea

    Quando o sangue circula muito devagar, como em:

    • Longas viagens sentado;
    • Pós-operatório;
    • Longos períodos acamado.

    2. Lesão na parede do vaso

    Pode acontecer por traumas, cirurgias ou inflamação da veia.

    3. Hipercoagulabilidade

    Quando o sangue coagula com mais facilidade, por motivos como:

    • Trombofilias herdadas;
    • Câncer;
    • Gravidez;
    • Uso de hormônios;
    • Doenças que alteram a coagulação.

    Geralmente, mais de um fator atua ao mesmo tempo.

    Quem tem mais risco de trombose venosa profunda?

    Algumas situações aumentam significativamente o risco:

    • Idade acima dos 40 anos (risco aumenta ainda mais após os 60);
    • Imobilidade prolongada;
    • Cirurgias extensas;
    • Histórico pessoal ou familiar de trombose;
    • Varizes;
    • Obesidade;
    • Câncer e quimioterapia;
    • Gravidez e pós-parto;
    • Uso de anticoncepcionais ou reposição hormonal;
    • Trombofilias;
    • Tabagismo.

    Quais são os sintomas?

    A trombose venosa profunda pode passar despercebida, mas alguns sinais são clássicos:

    • Inchaço em apenas uma perna (edema unilateral);
    • Dor na panturrilha ou coxa;
    • Sensação de endurecimento no músculo;
    • Aumento da temperatura local;
    • Pele arroxeada;
    • Diferença perceptível de tamanho entre as pernas.

    Ao notar esses sinais, procure atendimento imediatamente.

    Como é feito o diagnóstico?

    O médico avalia a história clínica, o exame físico e solicita exames para confirmação. Veja quais.

    Ultrassom com Doppler venoso

    É o exame principal, seguro e não invasivo.

    Exames de sangue

    Podem ajudar a descartar a trombose em casos de baixo risco, mas não confirmam sozinhos.

    Outros exames podem ser feitos em situações específicas.

    Principais complicações da trombose venosa profunda

    1. Embolia pulmonar

    Ocorre quando parte do coágulo se solta e chega aos pulmões. Pode causar:

    • Falta de ar súbita;
    • Dor no peito;
    • Palpitações;
    • Tosse com sangue;
    • Risco de morte.

    2. Síndrome pós-trombótica

    A longo prazo, a circulação fica prejudicada, levando a:

    • Inchaço crônico;
    • Escurecimento da pele;
    • Dor persistente;
    • Feridas de difícil cicatrização.

    Como é o tratamento da trombose venosa profunda?

    O objetivo é evitar que o coágulo cresça ou se desprenda e aliviar os sintomas.

    Anticoagulantes

    São o tratamento principal e mais utilizado. Duram, em média, 3 a 6 meses, podendo ser prolongados ou até contínuos em alguns casos.

    A escolha depende de fatores como:

    • Outras doenças do paciente;
    • Possibilidade de reversão do efeito;
    • Familiaridade com a medicação;
    • Disponibilidade e custo.

    Meias elásticas de compressão

    Ajudam a melhorar a circulação e prevenir complicações.

    Fibrinolíticos

    Usados raramente, apenas em casos graves, pois dissolvem o coágulo.

    Cirurgia ou cateterismo

    Indicados em situações específicas, como trombos muito extensos.

    Como prevenir a trombose venosa profunda?

    • Evite ficar parado muito tempo — movimente-se sempre que possível;
    • Em viagens longas, levante-se e caminhe a cada 1–2 horas;
    • Mantenha as pernas elevadas quando puder;
    • Hidrate-se bem;
    • Use meias elásticas se houver indicação médica;
    • Trate condições associadas (obesidade, varizes, trombofilias);
    • Não fume.

    Leia também: Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo: a doença autoimune que aumenta o risco de trombose

    Perguntas frequentes sobre trombose venosa profunda

    1. A trombose venosa profunda só acontece em pessoas idosas?

    Não. Pode ocorrer em qualquer idade, mas o risco aumenta com o envelhecimento.

    2. Posso ter trombose venosa profunda mesmo sem sintomas?

    Sim. Alguns casos são silenciosos, mas o risco ainda existe.

    3. Anticoncepcional aumenta o risco?

    Sim. Hormônios com estrogênio elevam o risco de trombose em algumas mulheres.

    4. Trombose venosa profunda e varizes são a mesma coisa?

    Não. Varizes aumentam o risco de TVP, mas são condições diferentes.

    5. A trombose volta?

    Pode voltar, especialmente em pessoas com fatores de risco persistentes. Por isso, o acompanhamento médico é essencial.

    6. Quanto tempo dura o tratamento?

    Em média 3 a 6 meses, podendo ser mais longo dependendo do caso.

    7. Caminhar ajuda a prevenir?

    Sim. Movimentar as pernas melhora a circulação e reduz muito o risco.

    Confira: Trombose do viajante: o que é, sintomas, causas e como evitar

  • Hepatite A: o que é, como se transmite e como prevenir 

    Hepatite A: o que é, como se transmite e como prevenir 

    A hepatite A é uma infecção causada pelo vírus HAV, também chamado de hepatite infecciosa. A doença afeta principalmente o fígado e, na maioria dos casos, tem curso leve e com recuperação completa, especialmente em crianças.

    Em adultos e idosos, porém, os sintomas podem ser mais intensos e, raramente, causar complicações graves, especialmente em pessoas que já têm doenças hepáticas.

    Por ser altamente transmissível e bastante presente em regiões com saneamento inadequado, entender como a infecção acontece e como preveni-la é importante para proteger a saúde individual e coletiva.

    Como acontece a transmissão

    A hepatite A é transmitida principalmente pela via fecal-oral, ou seja, quando o vírus presente nas fezes de uma pessoa infectada entra em contato com a boca de outra. Isso pode ocorrer por:

    • Água ou alimentos contaminados;
    • Má higiene das mãos;
    • Falta de saneamento básico;
    • Contato direto entre pessoas (casas, creches, escolas, instituições);
    • Práticas sexuais com contato oral-anal ou uso de acessórios contaminados.

    A transmissão por sangue é rara, pois o vírus prefere o trato digestivo. O vírus HAV é muito resistente no ambiente e pode sobreviver por longos períodos fora do corpo.

    Outro ponto importante: crianças podem eliminar o vírus nas fezes por até 5 meses, mesmo após estarem recuperadas.

    Sinais e sintomas

    Muitas pessoas, sobretudo crianças, não apresentam sintomas. Quando surgem, geralmente entre 15 e 50 dias após o contágio, eles incluem:

    • Cansaço e mal-estar;
    • Febre baixa;
    • Dores musculares;
    • Enjoo, vômitos e dor abdominal;
    • Prisão de ventre ou diarreia.

    Sinais característicos

    • Urina escura, muitas vezes o primeiro sinal visível;
    • Icterícia, quando pele e olhos ficam amarelados.

    Gravidade por faixa etária

    • Crianças menores de 6 anos: quadros leves e assintomáticos.
    • Adultos e idosos: maior chance de sintomas intensos.
    • Casos raros: hepatite fulminante (falência do fígado).

    Diagnóstico

    O diagnóstico é feito por exame de sangue, que identifica anticorpos específicos:

    Exames de sangue (marcadores sorológicos)

    • Anti-HAV IgM: indica infecção recente ou atual.
    • Anti-HAV IgG: indica proteção; aparece após a infecção ou após vacina.

    Quem já teve hepatite A ou já foi vacinado não pega a doença novamente, pois adquire imunidade duradoura.

    Tratamento

    Não existe tratamento antiviral específico para hepatite A. A recuperação ocorre naturalmente, e o manejo é baseado em cuidados gerais:

    • Repouso adequado;
    • Alimentação equilibrada;
    • Hidratação abundante;
    • Evitar automedicação, especialmente analgésicos e remédios que sobrecarregam o fígado.

    Casos graves com sinais de insuficiência hepática podem exigir internação.

    Como prevenir

    A prevenção da hepatite A está diretamente ligada à higiene e ao saneamento.

    Cuidados diários essenciais

    • Lavar as mãos após usar o banheiro e antes de preparar ou consumir alimentos;
    • Higienizar frutas, verduras e legumes com água corrente e solução de água sanitária (10 ml por litro);
    • Cozinhar bem carnes, peixes, frutos do mar e mariscos;
    • Lavar mamadeiras, utensílios e louças com atenção;
    • Evitar contato com água de enchentes, valas e locais próximos a esgoto;
    • Evitar fossas próximas a poços ou nascentes;
    • Usar preservativo e higienizar mãos, genitália e região anal antes e depois do sexo.

    Vacina: a principal forma de proteção

    A vacina contra hepatite A é segura, eficaz e altamente recomendada. Ela faz parte do calendário nacional de vacinação.

    Esquema vacinal

    • Crianças: 1 dose aos 15 meses (pode ser aplicada dos 12 meses a 4 anos e 11 meses).
    • Grupos especiais: pessoas com doenças hepáticas, HIV, imunossupressão, uso de PrEP, fibrose cística, trissomias, coagulopatias e outras condições podem receber 2 doses com intervalo mínimo de 6 meses, nos CRIE.

    Prognóstico

    A hepatite A costuma ter evolução benigna e não se torna crônica. A maioria das pessoas se recupera totalmente.

    Complicações graves, embora raras, são mais frequentes em:

    • Adultos;
    • Idosos;
    • Pessoas com doenças no fígado.

    Leia também: Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer

    Perguntas frequentes sobre Hepatite A

    1. A hepatite A pode virar hepatite crônica?

    Não. Diferente das hepatites B e C, ela não se torna crônica.

    2. Quem já teve hepatite A pode pegar de novo?

    Não. A pessoa adquire imunidade permanente.

    3. Hepatite A pega pelo ar?

    Não. A transmissão é fecal-oral.

    4. Posso pegar hepatite A em um restaurante?

    Sim, se alimentos forem manipulados sem higiene adequada.

    5. Crianças podem ter hepatite A grave?

    É raro. Normalmente, apresentam sintomas leves ou nenhum.

    6. A vacina é realmente eficaz?

    Sim. É a forma mais segura e efetiva de prevenção.

    7. Quanto tempo o vírus fica no corpo?

    A eliminação total costuma ocorrer em semanas, mas a recuperação clínica pode levar meses.

    Veja mais: Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger

  • Doença de Crohn: entenda de forma simples 

    Doença de Crohn: entenda de forma simples 

    A Doença de Crohn faz parte do grupo das Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), condições crônicas que provocam inflamação contínua no sistema digestivo. Embora seja frequentemente confundida com a retocolite ulcerativa, essas doenças têm comportamentos diferentes: enquanto a retocolite afeta apenas o intestino grosso, a Doença de Crohn pode comprometer qualquer trecho do tubo digestivo, da boca ao ânus.

    Por ser crônica, ter sintomas variáveis e, muitas vezes, silenciosos nos estágios iniciais, a Doença de Crohn ainda gera muitas dúvidas e pode demorar a ser diagnosticada. Hoje você vai entender o que é a doença, por que acontece, os sinais de alerta e como é feito o tratamento.

    O que é a Doença de Crohn?

    A Doença de Crohn é uma inflamação profunda e persistente nas paredes intestinais. Ela pode causar:

    • Feridas (úlceras);
    • Estreitamentos (estenoses);
    • Fístulas (comunicações anormais entre partes do intestino ou entre intestino e outros órgãos).

    A causa exata ainda não é totalmente conhecida, mas a ciência aponta para uma combinação de fatores:

    Fatores que contribuem para o desenvolvimento da doença

    • Genética: polimorfismos específicos e associação com síndromes como Turner e Hermansky-Pudlak;
    • História familiar: parentes com DII aumentam o risco;
    • Disfunção imunológica: resposta inflamatória exagerada ou desregulada;
    • Ambiente: tabagismo, dieta industrializada e estresse agravam o quadro;
    • Microbiota desequilibrada: alterações na flora intestinal favorecem inflamação.

    Sintomas mais comuns

    Os sintomas variam conforme a área inflamada. Entre os mais frequentes:

    • Dor abdominal tipo cólica, principalmente no lado direito;
    • Diarreia persistente (às vezes com muco ou sangue);
    • Perda de peso;
    • Falta de apetite;
    • Cansaço intenso;
    • Febre baixa e mal-estar.

    Complicações possíveis

    Em crises mais intensas, podem surgir:

    • Abscessos;
    • Fístulas;
    • Estenoses (estreitamento do intestino).

    Esses quadros exigem acompanhamento médico intensivo.

    Outros sintomas além do intestino

    A Doença de Crohn é sistêmica e pode afetar outras partes do corpo:

    • Articulações: artrite;
    • Pele: eritema nodoso;
    • Olhos: uveíte;
    • Fígado e vias biliares: inflamações diversas.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico combina sinais clínicos, exames laboratoriais e exames de imagem. O médico pode solicitar:

    Exames laboratoriais

    • Hemograma e marcadores de inflamação;
    • Exames de fezes para descartar infecções;
    • Sorologia: cerca de 60 a 70% dos pacientes têm positividade para ASCA.

    Exames endoscópicos

    Colonoscopia e endoscopia: observam lesões e coletam biópsias.

    Avaliação do intestino delgado

    Enteroscopia ou cápsula endoscópica.

    Exames de imagem

    Tomografia ou ressonância de abdome, úteis para detectar inflamações e complicações.

    O diagnóstico pode levar tempo porque os sintomas se assemelham aos de outras doenças gastrointestinais.

    Tratamento

    A Doença de Crohn não tem cura, mas é possível controlá-la e reduzir crises.

    Opções de tratamento incluem

    • Anti-inflamatórios e imunossupressores: reduzem a inflamação.
    • Medicamentos biológicos: indicados nos casos moderados a graves.
    • Antibióticos: quando há infecções ou fístulas.
    • Cirurgia: necessária em casos de obstrução, estenose severa ou partes muito danificadas.

    Cuidados complementares

    • Alimentação equilibrada;
    • Controle do estresse;
    • Parar de fumar;
    • Acompanhamento regular com gastroenterologista.

    Vivendo com a doença

    Embora seja crônica, muitas pessoas com Doença de Crohn vivem normalmente com o tratamento certo. Apoio psicológico, grupos de pacientes e acompanhamento contínuo ajudam a lidar com o impacto físico e emocional da condição.

    Leia mais: Dor abdominal: quais podem ser as causas desse sintoma tão frequente?

    Perguntas frequentes sobre Doença de Crohn

    1. A Doença de Crohn tem cura?

    Não, mas pode ser controlada com tratamento contínuo.

    2. Crohn e retocolite são a mesma coisa?

    Não. São doenças diferentes dentro das DII.

    3. A alimentação causa a doença?

    Não causa, mas pode piorar crises se não for equilibrada.

    4. Estresse desencadeia Crohn?

    Não é causa direta, mas pode agravar os sintomas.

    5. Qual médico trata a Doença de Crohn?

    O gastroenterologista.

    6. É possível ter longos períodos sem sintomas?

    Sim. Com tratamento, muitas pessoas ficam em remissão.

    7. Fumantes têm mais risco?

    Sim. O tabagismo é um dos fatores mais fortemente associados à piora da doença.

    Confira: Colonoscopia: o exame que avalia o intestino