Autor: Dra. Juliana Soares

  • ‘Segundo cérebro’: entenda melhor o funcionamento do seu intestino 

    ‘Segundo cérebro’: entenda melhor o funcionamento do seu intestino 

    Nos últimos anos, a medicina tem olhado para o intestino com outros olhos. Aquilo que antes era visto apenas como um órgão digestivo, hoje é reconhecido como um sistema complexo, cheio de neurônios, neurotransmissores e uma comunicação intensa com o cérebro. Não por acaso, passou a ser chamado de “segundo cérebro”.

    A saúde intestinal não afeta apenas a digestão, mas também a imunidade, o humor, o sono, a inflamação do corpo e até o risco cardiovascular. Quanto mais entendemos essa conexão, mais percebemos que cuidar do intestino é cuidar do corpo como um todo.

    Por que o intestino tem esse apelido de segundo cérebro?

    O intestino ganhou o nome de “segundo cérebro” porque possui um sistema nervoso próprio, chamado sistema nervoso entérico, formado por mais de 100 milhões de neurônios, mais até do que a medula espinhal.

    Ele consegue:

    • Enviar informações para o cérebro;
    • Produzir neurotransmissores;
    • Regular emoções;
    • Influenciar o estresse;
    • Até interferir no sistema cardiovascular.

    Isso mostra que o intestino não apenas “responde” ao cérebro, mas também inicia conversas.

    O eixo intestino-cérebro: uma via de mão dupla

    O intestino e o cérebro se comunicam o tempo todo através de alguns mecanismos.

    Nervos (especialmente o nervo vago)

    É a principal rodovia entre os dois sistemas. Quando a microbiota está equilibrada, os sinais enviados ao cérebro tendem a ser positivos. Quando há inflamação ou desequilíbrio, o cérebro recebe sinais de estresse.

    Hormônios e neurotransmissores

    O intestino produz:

    • 90% da serotonina, o neurotransmissor ligado ao bem-estar;
    • Dopamina;
    • GABA;
    • Substâncias que influenciam humor, ansiedade e sono.

    Sistema imunológico

    Cerca de 70% das células de defesa estão no intestino. Quando o intestino sofre, a inflamação aumenta, e isso reflete no corpo inteiro. Manter uma boa saúde intestinal também faz você ficar mais forte contra infecções.

    A microbiota intestinal: uma comunidade que comanda muita coisa

    A microbiota é o conjunto de trilhões de microrganismos que vivem no intestino. Ela ajuda a:

    • Regular o açúcar no sangue;
    • Controlar a inflamação;
    • Modular o colesterol;
    • Fortalecer a imunidade;
    • Influenciar humor e energia.

    Quando essa comunidade está desequilibrada, podem surgir:

    • Inchaço, gases, constipação ou diarreia;
    • Baixa imunidade;
    • Cansaço persistente;
    • Piora da ansiedade;
    • Alterações do sono;
    • Aumento do risco de doenças metabólicas e cardiovasculares.

    Como o intestino influencia o humor e o estresse

    O intestino responde diretamente às emoções. Situações de medo, ansiedade ou estresse ativam o eixo intestino-cérebro, acelerando ou travando o funcionamento intestinal.

    Da mesma forma, alterações no intestino podem desregular o humor, porque:

    • Diminuem neurotransmissores positivos;
    • Aumentam a inflamação;
    • Ativam respostas de estresse,
    • Prejudicam o sono.

    Não é coincidência que pessoas com intestino desequilibrado frequentemente relatam irritabilidade, ansiedade ou sensação maior de cansaço mental.

    O impacto do intestino na saúde cardiovascular

    Manter um intestino saudável também faz parte dos cuidados da saúde cardiovascular, porque o desequilíbrio intestinal aumenta inflamação sistêmica, pode ter impacto na resistência à insulina, no metabolismo de gorduras e substâncias produzidas por bactérias (como TMAO) podem aumentar risco cardiovascular. Ou seja, um intestino saudável protege o coração.

    Como cuidar bem do seu segundo cérebro

    Não é preciso fazer nada mirabolante para cuidar do intestino. Pequenas mudanças fazem uma grande diferença.

    1. Alimentação rica em fibras

    Frutas, legumes, verduras, sementes e grãos integrais alimentam as boas bactérias.

    2. Probióticos e prebióticos naturais

    Iogurte, kefir, kombucha, banana, aveia e alho ajudam a equilibrar a microbiota.

    3. Evite ultraprocessados

    Eles aumentam inflamação e prejudicam a flora intestinal.

    4. Hidrate-se bem

    A água melhora o trânsito intestinal.

    5. Movimento diário

    Atividade física estimula a microbiota e melhora o humor.

    6. Sono adequado

    Sono ruim altera hormônios que afetam tanto o cérebro quanto a digestão.

    7. Controle do estresse

    Técnicas como respiração, meditação e pausas ao longo do dia ajudam a regular a comunicação intestino-cérebro.

    Leia mais: Por que o intestino é chamado de ‘segundo cérebro’?

    Perguntas frequentes sobre intestino como segundo cérebro

    1. Todo mundo sente alterações no intestino quando está ansioso?

    Sim. O intestino é muito sensível às emoções e responde rapidamente ao estresse.

    2. O intestino realmente produz serotonina?

    A maior parte, cerca de 90%, é produzida ali, não no cérebro.

    3. A microbiota influencia o sistema imunológico?

    Sim, a maior parte das células de defesa está no intestino.

    4. Quem tem constipação pode ter alterações de humor?

    Pode. O intestino preso afeta neurotransmissores e aumenta o estresse do corpo.

    5. Probióticos ajudam sempre?

    Eles podem ajudar, mas devem ser usados com orientação médica.

    Veja também: Comer muito tarde pode causar diabetes? Saiba os riscos de comer perto da hora de dormir

  • Gripe A e B: entenda a diferença o que você precisa fazer para se proteger 

    Gripe A e B: entenda a diferença o que você precisa fazer para se proteger 

    A gripe é uma das infecções respiratórias mais comuns no mundo e, apesar de muitas vezes ser encarada como algo simples, pode trazer riscos importantes à saúde. Em períodos de maior circulação do vírus, especialmente em estações mais frias ou chuvosas, os casos aumentam e sobrecarregam os serviços de saúde.

    Embora a maioria das pessoas se recupere sem complicações, alguns grupos são mais vulneráveis à evolução grave da doença. Reconhecer os sintomas, entender as formas de transmissão e saber quando buscar atendimento médico é fundamental para reduzir riscos e evitar desfechos mais graves.

    O que é a gripe?

    A infecção provocada pelos vírus do gênero Influenza, comumente conhecida como gripe, é uma infecção altamente contagiosa das vias aéreas. Embora a infecção ocorra principalmente em humanos, algumas cepas também podem infectar animais.

    A transmissão do vírus acontece por meio de gotículas expelidas de indivíduos infectados ao espirrar, tossir ou conversar. Os portadores do vírus podem transmiti-lo de 5 a 7 dias antes de apresentarem sintomas.

    Na maioria dos casos, os pacientes se recuperam completamente dentro de alguns dias, sem necessidade de intervenções específicas.

    No entanto, em grupos de risco, como idosos, imunossuprimidos, crianças pequenas e gestantes, a gripe pode levar a complicações sérias, como pneumonia e outras infecções pulmonares, podendo resultar em morte.

    Epidemias de gripe tendem a ocorrer em períodos de clima mais frio e chuvoso em países tropicais e durante o inverno em regiões de clima temperado.

    Principais sintomas

    A gripe normalmente se inicia com:

    • Febre;
    • Nariz escorrendo;
    • Tosse;
    • Dor de garganta;
    • Calafrios;
    • Mal-estar;
    • Dores no corpo;
    • Dor de cabeça.

    Os sintomas costumam durar de 1 a 2 semanas, e a maioria das pessoas se recupera dentro desse período.

    Sinais de gravidade

    Os sinais que indicam gravidade incluem:

    • Falta de ar;
    • Aumento da frequência respiratória;
    • Esforço para respirar;
    • Febre persistente;
    • Alterações no estado mental;
    • Pressão arterial baixa;
    • Redução do volume de urina;
    • Desidratação;
    • Diminuição da função renal.

    Causas

    A infecção gripal é causada principalmente pelos vírus Influenza A e B.

    O vírus Influenza A é classificado em subtipos com base em duas proteínas presentes em sua superfície: hemaglutinina (H) e neuraminidase (N). Existem 18 tipos diferentes de H e 11 tipos de N. Entre os subtipos mais comuns em humanos estão o H1N1, responsável pela pandemia de 2009, e o H3N2.

    O Influenza B é dividido em duas linhagens e apresenta menor capacidade de mutação em comparação ao Influenza A.

    Animais também desempenham papel importante na transmissão de determinados tipos de influenza. Os porcos atuam como reservatórios do H3N2, enquanto aves podem ser infectadas por subtipos como H5N1 e H7N9.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da gripe é baseado nos sintomas apresentados e no exame físico do paciente. Para confirmação, podem ser solicitadas sorologias ou testes rápidos para influenza.

    Exames de sangue e radiografias de tórax são importantes para avaliar a presença de complicações ou sinais de gravidade, especialmente em pacientes de risco.

    Tratamento

    A maioria das infecções por gripe varia de leve a moderada e se resolve espontaneamente, com tratamento sintomático.

    O antiviral oseltamivir (Tamiflu) é eficaz quando iniciado nas primeiras 48 horas de sintomas, especialmente em pacientes com fatores de risco para complicações, como:

    • Gestantes;
    • Idosos;
    • Crianças menores de 5 anos;
    • Imunossuprimidos;
    • Pessoas com doenças cardíacas ou pulmonares;
    • Pacientes com doenças hepáticas, diabetes ou obesidade.

    Casos mais graves, com comprometimento pulmonar significativo, podem necessitar de intubação e uso de ventilador mecânico.

    Prevenção

    As medidas básicas de prevenção da gripe incluem:

    • Cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar;
    • Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
    • Usar máscara quando estiver com sintomas;
    • Evitar tocar olhos, boca e nariz.

    A vacinação é a principal estratégia para prevenir casos graves da doença e é especialmente recomendada para os grupos de risco.

    Leia mais: Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes sobre gripe

    1. A gripe é altamente contagiosa?

    Sim. A gripe é transmitida por gotículas liberadas ao tossir, espirrar ou falar, e pode ser transmitida mesmo antes do início dos sintomas.

    2. Quanto tempo uma pessoa com gripe pode transmitir o vírus?

    Os portadores do vírus podem transmiti-lo de 5 a 7 dias antes do aparecimento dos sintomas.

    3. Toda gripe precisa de antiviral?

    Não. A maioria dos casos melhora apenas com tratamento sintomático. O antiviral é indicado principalmente para grupos de risco ou quando iniciado nas primeiras 48 horas.

    4. Quais pessoas têm maior risco de complicações?

    Idosos, gestantes, crianças pequenas, imunossuprimidos e pessoas com doenças crônicas têm maior risco de evolução grave.

    5. A vacina evita totalmente a gripe?

    Não necessariamente, mas é a principal medida para prevenir formas graves, complicações e mortes associadas à gripe.

    Veja também: Como diferenciar dengue de gripe e covid-19?

  • Urticária coça? Entenda mais e tire suas dúvidas sobre essa condição

    Urticária coça? Entenda mais e tire suas dúvidas sobre essa condição

    Quem já teve urticária sabe como é incômodo: de repente, a pele começa a coçar, aparecem vergões avermelhados e o desconforto pode durar horas. Essa reação, que parece simples, é na verdade uma resposta do corpo a diferentes estímulos, que podem ter várias causas, desde alergias a alimentos e medicamentos até o estresse.

    Comum em adultos jovens, a urticária atinge cerca de uma em cada cinco pessoas ao longo da vida. Na maioria dos casos, desaparece sozinha, mas quando se torna recorrente ou intensa, precisa de acompanhamento médico. Entender o que a provoca é o primeiro passo para controlar as crises e evitar que voltem.

    O que é a urticária

    A urticária é uma irritação de pele que provoca lesões avermelhadas, inchadas e que coçam muito. Essas manchas, chamadas de urtigas, aparecem em surtos e costumam desaparecer em poucas horas, sem deixar cicatrizes.

    Elas podem surgir em qualquer parte do corpo, isoladas ou agrupadas em placas maiores, e o principal desconforto é a coceira intensa, que pode atrapalhar o sono e as atividades diárias.

    Embora possa ocorrer em qualquer idade, é mais comum em adultos jovens entre 20 e 40 anos.

    Tipos de urticária

    A urticária pode ser classificada de duas formas.

    1. De acordo com o tempo de duração

    Aguda: desaparece em menos de seis semanas; geralmente causada por alergias, alimentos ou infecções.

    Crônica: dura seis semanas ou mais; pode estar associada a doenças autoimunes ou causas desconhecidas.

    2. De acordo com a causa

    Induzida: quando há um gatilho identificado, como alimentos, medicamentos, infecções ou estímulos físicos (frio, calor, pressão, sol, água).

    Espontânea (idiopática): quando não há causa aparente.

    Sintomas

    O sintoma mais característico é a coceira intensa, acompanhada de manchas avermelhadas e elevadas.

    Outros sinais são:

    • Inchaço rápido em olhos, lábios, língua ou garganta (angioedema);
    • Sensação de calor ou queimação na pele;
    • Vergões que aparecem e desaparecem em diferentes partes do corpo.

    Quando o inchaço atinge a garganta ou há dificuldade para respirar, trata-se de uma emergência médica, podendo evoluir para anafilaxia, uma reação alérgica grave com risco de vida.

    Causas e fatores de risco

    A urticária acontece quando o corpo libera histamina, uma substância envolvida nas reações alérgicas, causando vermelhidão e coceira na pele.

    Entre os fatores que podem desencadear as crises estão:

    • Alimentos e bebidas (frutos do mar, ovo, leite, amendoim, chocolate);
    • Medicamentos (antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos);
    • Infecções virais ou bacterianas;
    • Estímulos físicos (calor, frio, pressão, suor, exposição solar);
    • Estresse emocional.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é feito pelo médico dermatologista ou alergista, com base na história clínica e exame físico.

    Durante a consulta, são observados:

    • Forma, cor e duração das lesões;
    • Frequência e localização;
    • Presença de angioedema (inchaço).

    Exames de sangue, urina ou fezes podem ser solicitados para investigar infecções, doenças autoimunes ou alergias alimentares. Em casos crônicos ou duvidosos, pode ser feita biópsia de pele para excluir outras doenças.

    Tratamento da urticária

    O tratamento da urticária tem como objetivo aliviar os sintomas e prevenir novos episódios.

    Antialérgicos (anti-histamínicos): são o tratamento de primeira escolha, e devem ser usados regularmente conforme prescrição.

    Corticosteroides orais: usados por tempo limitado e apenas em crises intensas.

    Outros medicamentos: em casos resistentes, podem ser indicados imunomoduladores ou terapias específicas, sempre sob acompanhamento médico.

    É importante não se automedicar. O uso incorreto de remédios pode mascarar os sintomas e dificultar o diagnóstico.

    Prevenção

    Alguns hábitos ajudam a reduzir o risco de novas crises:

    • Evite alimentos, medicamentos e substâncias que já causaram reações;
    • Reduza o estresse e priorize boas noites de sono;
    • Evite calor excessivo e bebidas alcoólicas;
    • Prefira roupas leves e tecidos naturais;
    • Mantenha uma alimentação equilibrada e evite corantes, conservantes, embutidos e enlatados.

    Cuidados diários

    Durante as crises de urticária:

    • Evite coçar para não ferir a pele;
    • Use roupas confortáveis e mantenha a pele hidratada;
    • Aplique compressas frias para aliviar a coceira;
    • Anote gatilhos e situações de estresse, para ajudar o médico na investigação;
    • Procure atendimento imediato se houver inchaço na garganta, falta de ar ou queda de pressão.

    Confira: Alergia à tatuagem existe? Saiba mais sobre sintomas e tratamentos

    Perguntas frequentes sobre urticária

    1. Urticária é contagiosa?

    Não. A urticária não se transmite de pessoa para pessoa.

    2. A urticária pode durar meses?

    Sim. Quando persiste por mais de seis semanas, é considerada crônica e precisa de acompanhamento médico.

    3. Estresse causa urticária?

    Sim. O estresse pode atuar como fator desencadeante ou agravante das crises.

    4. Posso usar pomadas antialérgicas?

    Algumas ajudam a aliviar a coceira, mas o tratamento principal deve ser feito com antialérgicos orais, conforme orientação médica.

    5. Crianças também podem ter urticária?

    Sim, embora seja mais comum em adultos jovens. As causas nas crianças costumam estar ligadas a infecções ou alimentos.

    6. Urticária pode causar falta de ar?

    Sim, em casos com angioedema ou anafilaxia. Nessa situação, procure atendimento de emergência imediatamente.

    7. É possível prevenir totalmente?

    Nem sempre, mas identificar e evitar os gatilhos ajuda muito a controlar a doença.

    Leia mais: Quando a alergia vira emergência: entenda a anafilaxia

  • Força muscular: por que ela é importante para um envelhecimento saudável?

    Força muscular: por que ela é importante para um envelhecimento saudável?

    Os músculos participam ativamente do funcionamento do organismo e permitem atividades simples do dia a dia, como levantar da cadeira, subir escadas, caminhar e carregar sacolas.

    Quando eles estão fortes, os músculos ajudam a proteger os ossos e articulações, reduzem o risco de quedas e fraturas e contribuem para manter a autonomia ao longo dos anos. Eles também consomem energia, auxiliam no controle do açúcar no sangue e colaboram para uma circulação mais eficiente.

    Com o envelhecimento, é natural a perda de força muscular, uma vez que o organismo passa por mudanças no metabolismo, nos hormônios e na capacidade de regeneração dos tecidos.

    No entanto, a perda não acontece de forma igual para todas as pessoas e pode ser desacelerada com hábitos adequados ao longo da vida. Vamos entender mais esse processo, a seguir.

    Por que a massa muscular é tão importante para envelhecer com saúde?

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, a massa muscular atua como um importante fator de proteção contra a fragilidade física, um processo muito comum que acompanha o envelhecimento. A partir dos 30 anos, é natural perder a massa muscular, condição conhecida como sarcopenia, que tende a se intensificar após os 60 anos.

    Quando não existem cuidados para diminuir essa perda, a força e a vitalidade diminuem, deixando a pessoa mais frágil e diminuindo a autonomia. Além disso, os músculos ajudam a proteger os ossos e melhoram o equilíbrio, reduzindo o risco de quedas e fraturas.

    Juliana ainda aponta que o músculo funciona como uma reserva do corpo e, em situações de saúde mais delicadas, como infecções ou recuperação de cirurgias, o organismo usa essa reserva para manter o sistema de defesa funcionando.

    Por isso, quem tem mais massa muscular costuma lidar melhor com problemas de saúde e manter uma melhor qualidade de vida com o passar dos anos.

    Perda de massa magra aumenta o risco de doenças cardiovasculares?

    Existe uma correlação importante entre baixo índice de massa muscular e aumento do risco de doenças cardiovasculares. De acordo com estudos, a sarcopenia está associada a um aumento da rigidez e do endurecimento das artérias, o que contribui para o aumento da pressão arterial.

    Além disso, a perda de músculo, em geral, vem acompanhada do aumento do tecido adiposo, conhecido como substituição lipogordurosa.

    Segundo Juliana, isso cria um ambiente inflamatório crônico: as células de gordura têm ação inflamatória e acabam promovendo agressão aos vasos sanguíneos, favorecendo a formação de placas de gordura que podem obstruir as artérias e levar a situações como infarto e AVC.

    Quais os melhores exercícios para preservar os músculos?

    Toda atividade física é importante para manter a saúde, mas quando o assunto é preservar e ganhar massa muscular, Juliana aponta que o tipo de exercício mais eficaz é o treinamento de resistência e força, como a musculação.

    Para que o músculo permaneça forte e possa crescer, ele precisa ser estimulado contra uma resistência. Isso pode ser feito por meio de diferentes tipos de exercícios, como:

    • Pesos livres;
    • Máquinas de musculação;
    • Elásticos de resistência;
    • Exercícios com o peso do próprio corpo;

    Além disso, exercícios funcionais que reproduzem movimentos do dia a dia são bastante eficazes, pois trabalham vários músculos ao mesmo tempo, como:

    • Agachamento;
    • Sentar e levantar;
    • Movimentos de flexão.

    Como equilibrar força, flexibilidade e resistência na rotina do idoso?

    O ideal é seguir uma rotina simples e variada, respeitando os limites do corpo. Algumas dicas podem ajudar:

    • Praticar exercícios de força, como musculação ou exercícios funcionais com carga, de duas a três vezes por semana;
    • Realizar atividades aeróbicas, como caminhada, bicicleta ou natação, totalizando cerca de 150 minutos por semana;
    • Incluir exercícios de flexibilidade e equilíbrio, que podem ser feitos até diariamente;
    • Utilizar o alongamento como parte do aquecimento ou do final do treino para manter os músculos mais soltos;
    • Fazer exercícios de equilíbrio para ajudar a prevenir quedas;
    • Considerar atividades como ioga e pilates, que trabalham vários aspectos ao mesmo tempo.

    O mais importante é não fazer tudo no mesmo dia nem exagerar na intensidade. Alternar os tipos de exercício e manter regularidade torna a rotina mais segura para o idoso.

    É possível começar a treinar com segurança mesmo após os 60?

    Nunca é tarde para começar a treinar, independentemente da idade.

    Na verdade, mesmo com o avanço da idade, é possível ganhar força e massa muscular, desde que o treino seja adequado. Juliana explica que o corpo humano possui capacidade de adaptação ao longo da vida, que pode diminuir com o tempo, mas nunca deixa de existir — processo é conhecido como neuroplasticidade muscular.

    No entanto, é necessário que a pessoa passe por uma avaliação médica para descartar possíveis contraindicações à prática de atividades físicas. O treino também deve ser supervisionado por um profissional para evitar movimentos errados.

    Leia também: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

    Perguntas frequentes

    Por que a força muscular diminui com a idade?

    Com o passar dos anos, o corpo perde massa muscular de forma natural, devido a mudanças hormonais, redução do metabolismo e menor estímulo físico.

    Existe relação entre força muscular e diabetes?

    Sim, uma menor massa muscular pode dificultar o controle da glicose e aumentar o risco de diabetes tipo 2.

    Idosos podem fazer musculação?

    Sim, desde que haja orientação profissional e respeito aos limites individuais.

    Caminhar ajuda a manter a força muscular?

    Caminhar é excelente para a saúde cardiovascular, mas, sozinho, não é suficiente para preservar a força muscular. O ideal é associar a caminhada a exercícios de força.

    Quantas vezes por semana o idoso deve treinar força?

    Em geral, duas a três vezes por semana são suficientes para estimular os músculos, desde que o treino seja bem orientado.

    Dor muscular após o treino é normal em idosos?

    Pode acontecer, especialmente no início. Um leve desconforto é esperado, mas dor intensa ou persistente deve ser avaliada por um profissional.

    Pessoas com artrose podem fazer exercícios de força?

    Sim, desde que com orientação adequada. O fortalecimento muscular ajuda a aliviar a sobrecarga sobre as articulações.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

  • GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    Os agonistas de GLP-1, como a tirzepatida, atuam imitando e potencializando a ação de hormônios intestinais liberados após as refeições. Eles atuam na comunicação entre o intestino e o cérebro, aumentando a sensação de saciedade e diminuindo o impulso por certos alimentos — incluindo doces e preparações ricas em açúcar e gordura.

    Com isso, a pessoa passa a sentir menos necessidade de comer por prazer ou por impulso, consegue parar de comer mais cedo e tem mais facilidade para reconhecer o momento em que já está satisfeita.

    No caso de pessoas com compulsão alimentar, ao reduzir a intensidade dos pensamentos constantes sobre comida e a busca por recompensa imediata, os agonistas de GLP-1 ajudam a diminuir episódios de perda de controle.

    Como o GLP-1 atua no cérebro para reduzir a compulsão alimentar?

    Os agonistas de GLP-1 atuam nos sinais químicos do cérebro que controlam a fome e a saciedade. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, eles avisam ao cérebro que o corpo já recebeu energia suficiente, ajudando a reduzir a fome.

    Os injetáveis também diminuem a vontade e o prazer de comer certos alimentos, especialmente os mais calóricos e ricos em gordura. Isso acontece porque eles reduzem a ação da dopamina, um neurotransmissor ligado ao sistema de recompensa, fazendo com que comer deixe de gerar aquela sensação intensa de satisfação.

    A cardiologista explica que, entre as áreas cerebrais envolvidas está o hipotálamo, que funciona como o centro de controle da fome e da saciedade, ajudando a sinalizar o momento de parar de comer. Outra região importante é o sistema mesolímbico, responsável pela sensação de recompensa.

    Ao modular a liberação de dopamina nessa área, o GLP-1 reduz o prazer associado à comida e, consequentemente, diminui os episódios de compulsão alimentar.

    Fenômeno do food noise

    O food noise, ou ruído alimentar, são pensamentos constantes e compulsivos sobre comida, mesmo quando a pessoa não está com fome. Elas tornam ainda mais difícil manter o controle alimentar, levando à vontade de comer por impulso e à sensação de perda de controle diante da comida.

    Um estudo publicado na Nature Medicine mostrou como o fenômeno aparece no cérebro e como pode ser reduzido por medicamentos de nova geração, como a tirzepatida, comercializado como Mounjaro.

    Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia observaram a atividade cerebral de pessoas com compulsão alimentar e identificaram um padrão específico ligado ao desejo intenso por comida. Em uma paciente que usava tirzepatida, esse padrão e os pensamentos compulsivos praticamente desapareceram.

    Com o tempo, a atividade cerebral ligada ao food noise voltou a aumentar, sugerindo possível redução do efeito do medicamento no cérebro. Ainda assim, o estudo reforça que os agonistas de GLP-1 atuam diretamente nos mecanismos da compulsão alimentar e abrem caminho para tratamentos mais focados no controle desses impulsos.

    Há risco de o paciente substituir a compulsão por outros comportamentos?

    De acordo com Juliana, resultados preliminares indicam que não há uma relação direta de substituição de uma compulsão por outro comportamento.

    Alguns estudos observacionais mostram que pacientes em uso de GLP-1 também tendem a reduzir a vontade de consumir álcool e de fumar, já que o medicamento atua no sistema geral de recompensa do cérebro, e não apenas na alimentação.

    Porém, quando a comida é usada como principal válvula de escape emocional, a redução do comportamento pode causar ansiedade, o que reforça a importância de acompanhamento adequado.

    O que acontece com a compulsão alimentar após a suspensão do GLP-1

    Depois da suspensão do GLP-1, o efeito do medicamento no cérebro vai diminuindo aos poucos. Com isso, a fome, o food noise e a compulsão alimentar podem voltar, principalmente se não houver acompanhamento.

    Por isso, o GLP-1 ajuda no controle dos sintomas enquanto está em uso, mas não substitui mudanças de hábitos nem o acompanhamento médico, psicológico e nutricional, que são fundamentais para manter os resultados a longo prazo.

    O controle da compulsão ajuda a proteger o coração?

    A resposta é sim. A compulsão alimentar costuma envolver ingestão rápida e excessiva de calorias, o que favorece picos de glicemia, inflamação sistêmica e acúmulo de gordura visceral.

    Quando a compulsão é controlada, Juliana explica que há maior estabilidade dos níveis de açúcar no sangue, redução da inflamação e melhora da resistência à insulina.

    Os fatores, em conjunto, contribuem para a manutenção da perda de peso e para a redução do risco cardiovascular a longo prazo.

    Veja mais: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Perguntas frequentes

    Qual a diferença entre compulsão alimentar e bulimia?

    Na compulsão alimentar não há comportamentos compensatórios, como vômitos ou uso de laxantes, o que ocorre na bulimia.

    Quais são os principais sintomas da compulsão alimentar?

    Os principais sintomas da compulsão alimentar envolvem comer rapidamente, ingerir grandes quantidades mesmo sem fome, comer até sentir desconforto físico e sentir culpa ou vergonha após os episódios.

    Como é feito o diagnóstico da compulsão alimentar?

    O diagnóstico é clínico, feito por profissional de saúde, com base na frequência dos episódios e nos comportamentos associados.

    Com que frequência os episódios precisam ocorrer para caracterizar o transtorno?

    Normalmente, ao menos uma vez por semana, por três meses ou mais, segundo critérios clínicos.

    A compulsão alimentar tem cura?

    Não se fala em cura, mas em controle. Com tratamento adequado, é possível reduzir episódios e melhorar a relação com a comida.

    Quem pode usar medicamentos à base de GLP-1?

    Pessoas com obesidade, sobrepeso associado a comorbidades ou diabetes tipo 2, sempre com indicação médica.

    O GLP-1 pode ser usado por tempo prolongado?

    Em muitos casos, sim, desde que haja acompanhamento médico e avaliação regular dos benefícios e riscos.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

  • Como manter o corpo funcional e forte com o passar dos anos 

    Como manter o corpo funcional e forte com o passar dos anos 

    Envelhecer faz parte da vida, mas a forma como envelhecemos depende de escolhas diárias. O corpo muda com o tempo, pois os músculos perdem força, o metabolismo desacelera, a imunidade oscila e o sistema cardiovascular exige mais cuidado.

    Essas mudanças, porém, não significam perda de vitalidade. É, sim, possível manter o corpo forte, funcional e protegido ao longo das décadas. Pequenos hábitos têm impacto na saúde do corpo e da mente e reduzem o risco de doenças crônicas, o que preserva energia e o que tanto se quer conforme os anos passam: a autonomia.

    Por que o corpo muda com a idade?

    Com o passar dos anos, acontecem transformações naturais no organismo:

    • Queda da massa muscular;
    • Redução da produção de hormônios;
    • Maior tendência à inflamação;
    • Alterações do sistema imunológico (imunossenescência);
    • Mudanças no ritmo circadiano e no metabolismo;
    • Maior risco de doenças cardiovasculares.

    Essas mudanças, porém, não são sinônimo de doença, e podem ser moduladas com hábitos saudáveis.

    Dicas para manter o corpo forte e funcional com o avançar da idade

    1. Mantenha os músculos ativos: força é longevidade

    A partir dos 30 anos, perdemos cerca de 3% a 8% de massa muscular por década. O exercício mais importante para retardar essa perda é o treinamento de força, como musculação, exercícios com elástico, pilates ou calistenia.

    Benefícios comprovados:

    • Aumenta massa e força muscular;
    • Melhora equilíbrio e previne quedas;
    • Protege articulações;
    • Melhora a sensibilidade à insulina;
    • Reduz risco de doenças cardiovasculares.

    Recomendações médicas:

    • Fazer exercício de força pelo menos 2 a 3 vezes por semana;
    • Incluir movimentos para membros superiores, inferiores e core;
    • Progredir lentamente, respeitando o corpo e com acompanhamento de um educador físico.

    2. Exercícios aeróbicos: bom para o coração e o cérebro

    O recomendado é fazer pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada.

    Benefícios:

    • Melhora circulação;
    • Reduz pressão arterial;
    • Regula colesterol;
    • Contribui para memória e raciocínio;
    • Aumenta níveis de energia;
    • Reduz risco de depressão.

    Caminhadas rápidas, pedalar, nadar ou dançar fazem uma grande diferença.

    3. A importância da boa alimentação

    Comer bem não é sobre dietas restritivas, e sim sobre equilíbrio. Um padrão alimentar baseado em:

    • Frutas e vegetais variados;
    • Proteínas de boa qualidade (peixes, ovos, carnes magras, leguminosas);
    • Gorduras boas (azeite, castanhas, abacate);
    • Fibras (verduras, feijões, aveia);
    • Carboidratos integrais na medida certa.

    A literatura científica mostra que padrões como a dieta mediterrânea reduzem risco de:

    • Doenças cardiovasculares;
    • Declínio cognitivo;
    • Inflamações;
    • Diabetes tipo 2.

    Pequenos hábitos que ajudam:

    • Montar pratos coloridos;
    • Evitar ultraprocessados;
    • Priorizar comida feita em casa;
    • Hidratar-se ao longo do dia.

    4. Imunidade: como proteger seu sistema de defesa

    O envelhecimento afeta a resposta imunológica, aumentando risco de infecções. Mas é possível fortalecer essa defesa do corpo.

    Fatores que ajudam:

    • Vitamina D adequada (exposição solar segura e avaliação médica para analisar necessidade de suplementação);
    • Ingestão suficiente de proteínas por meio da alimentação;
    • Incluir vegetais ricos em antioxidantes;
    • Sono regular;
    • Prática de atividade física;
    • Vacinação atualizada.

    5. Cuidados cardiovasculares: o coração também envelhece

    Doenças do coração continuam sendo uma das principais causas de morte no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os pilares da prevenção são:

    • Controlar pressão arterial;
    • Controlar glicemia e colesterol;
    • Manter peso saudável;
    • Não fumar e não beber álcool em excesso;
    • Manter rotina de exames.

    Pequenas coisas, como caminhar diariamente e reduzir sal na alimentação, já fazem diferença.

    6. Sono: a base da recuperação do corpo

    A falta de sono desequilibra hormônios, aumenta inflamação e prejudica o coração.

    O que funciona:

    • Dormir de 7 a 9 horas;
    • Evitar telas perto do horário de dormir;
    • Ter rotina regular;
    • Buscar luz natural pela manhã.

    7. Gerenciar o estresse é tão importante quanto comer bem

    Estresse crônico está ligado a:

    • Pressão alta;
    • Ansiedade;
    • Piora da imunidade;
    • Dores crônicas;
    • Ganho de peso.

    Ferramentas eficazes para diminuir o estresse:

    • Yoga e pilates;
    • Respiração profunda;
    • Terapia;
    • Caminhadas na natureza;
    • Hobbies que relaxem.

    8. Cuidar da saúde mental é fundamental

    O cérebro também muda com o tempo. Proteger a saúde emocional ajuda a reduzir risco de depressão e declínio cognitivo.

    Estratégias:

    • Manter conexões sociais;
    • Terapia;
    • Atividade física;
    • Leitura, jogos de lógica e aprendizado contínuo.

    Leia também: Dicas para equilibrar a vida pessoal e o trabalho

    Perguntas frequentes sobre como manter o corpo forte e funcional

    1. Qual a melhor idade para começar a se cuidar?

    Agora. O corpo responde positivamente a hábitos saudáveis em qualquer fase da vida.

    2. Posso começar musculação após os 50 anos?

    Sim. Em qualquer idade há melhora de força, equilíbrio e diminuição de risco cardiovascular mesmo em iniciantes mais velhos.

    3. Preciso tomar suplementação para manter imunidade?

    Só quando há deficiência comprovada. O ideal é avaliar com seu médico.

    4. Caminhada substitui academia?

    A caminhada traz muitos benefícios, mas não substitui exercícios de força. Os dois são importantes.

    5. O envelhecimento sempre traz doenças?

    Não. Doenças não são consequência inevitável do envelhecimento; bons hábitos reduzem substancialmente o risco.

    6. Qual é o primeiro passo para quem quer começar?

    Organizar rotina de exercícios (força + aeróbico) e melhorar o sono. Esses dois pilares sustentam os demais.

    Leia mais: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

  • 8 doenças que você pode pegar por não lavar bem frutas e verduras 

    8 doenças que você pode pegar por não lavar bem frutas e verduras 

    Lavar frutas, verduras e legumes pode parecer um detalhe simples da rotina, mas pular essa etapa, ou fazê-la de forma inadequada, pode trazer consequências sérias para a saúde. Todos os anos, milhões de pessoas no mundo desenvolvem doenças causadas por alimentos contaminados, muitas delas evitáveis com cuidados básicos de higiene.

    Bactérias, parasitas e vírus invisíveis a olho nu podem estar presentes em alimentos crus ou mal manipulados. Quando ingeridos, eles podem causar desde quadros leves de diarreia até infecções graves, especialmente em crianças, idosos, gestantes e pessoas com imunidade baixa.

    Por que a higienização correta dos alimentos é tão importante?

    Alimentos crus, especialmente frutas, verduras e legumes, podem entrar em contato com:

    • Fezes de animais;
    • Água contaminada;
    • Solo com parasitas;
    • Superfícies e mãos contaminadas durante o manuseio.

    Sem a higienização adequada, esses microrganismos permanecem nos alimentos e podem causar doenças transmitidas por alimentos (DTAs), também conhecidas como infecções ou intoxicações alimentares.

    8 doenças que você pode pegar por não higienizar alimentos corretamente

    1. Salmonelose

    Causada pela bactéria Salmonella, é uma das infecções alimentares mais comuns no mundo.

    Principais sintomas:

    • Diarreia;
    • Febre;
    • Dor abdominal;
    • Náuseas e vômitos.

    A contaminação ocorre principalmente por alimentos crus ou mal lavados, como verduras, além de ovos e carnes malcozidos.

    2. Hepatite A

    A hepatite A é uma infecção viral transmitida pela via fecal-oral, frequentemente associada à ingestão de água ou alimentos contaminados.

    Principais sintomas:

    • Cansaço;
    • Náuseas;
    • Dor abdominal;
    • Pele e olhos amarelados (icterícia).

    Verduras, frutas e alimentos crus mal higienizados são fontes frequentes de transmissão.

    3. Giardíase

    A giardíase é causada pelo parasita Giardia lamblia, muito comum em regiões com saneamento básico inadequado.

    Principais sintomas:

    • Diarreia persistente;
    • Gases e distensão abdominal;
    • Dor abdominal;
    • Perda de peso.

    A contaminação ocorre principalmente por água e alimentos crus mal lavados.

    4. Amebíase

    Causada pelo parasita Entamoeba histolytica, a amebíase pode variar de quadros leves a formas graves.

    Principais sintomas:

    • Diarreia com muco ou sangue;
    • Dor abdominal;
    • Febre;
    • Em casos graves, acometimento do fígado.

    Frutas e verduras contaminadas são uma importante via de transmissão.

    5. Toxoplasmose

    A toxoplasmose é causada pelo parasita Toxoplasma gondii e merece atenção especial em gestantes.

    Principais sintomas:

    • Muitas vezes assintomática;
    • Febre;
    • Dor muscular;
    • Aumento de gânglios.

    A ingestão de alimentos crus ou mal higienizados contaminados com o parasita é uma das formas de transmissão.

    6. Listeriose

    A listeriose é causada pela bactéria Listeria monocytogenes e pode ser grave em grupos de risco.

    Principais sintomas:

    • Febre;
    • Dor muscular;
    • Náuseas;
    • Em gestantes, risco para o feto.

    Pode estar presente em alimentos crus, mal lavados ou mal armazenados.

    7. Infecção por Escherichia coli (E. coli)

    Algumas cepas da bactéria E. coli causam infecções intestinais graves.

    Principais sintomas:

    • Diarreia intensa (às vezes com sangue);
    • Dor abdominal;
    • Náuseas e vômitos.

    A contaminação ocorre por alimentos crus, especialmente verduras e frutas mal higienizadas.

    8. Ascaridíase e outras verminoses

    Vermes intestinais, como Ascaris lumbricoides, podem ser adquiridos pela ingestão de ovos presentes em alimentos contaminados.

    Principais sintomas:

    • Dor abdominal;
    • Náuseas;
    • Perda de apetite;
    • Em casos graves, obstrução intestinal.

    Como higienizar os alimentos corretamente?

    A higienização correta de frutas, verduras e legumes é uma das medidas mais importantes para prevenir doenças transmitidas por alimentos. Esse processo envolve duas etapas diferentes, que muitas pessoas confundem: lavar e desinfetar. As duas são necessárias.

    1. Lave bem os alimentos em água corrente

    O primeiro passo é sempre a lavagem:

    • Retire folhas externas muito sujas ou danificadas
    • Lave um alimento por vez, em água corrente potável
    • Esfregue suavemente a superfície com as mãos
    • Use escova em legumes mais firmes

    Essa etapa remove sujeiras visíveis, terra, ovos de parasitas e parte dos microrganismos. Não elimina vírus e bactérias sozinha.

    2. Faça a desinfecção com solução clorada

    Após lavar, é necessário desinfetar os alimentos que serão consumidos crus.

    Como preparar a solução correta:

    • Use água sanitária própria para alimentos ou hipoclorito de sódio;
    • Siga as proporções indicadas no rótulo;
    • Deixe imerso por 10 a 15 minutos;
    • Mantenha totalmente submerso.

    Esse tempo elimina:

    • Bactérias (como Salmonella e E. coli);
    • Parasitas (como Giardia e ovos de vermes);
    • Vírus (como hepatite A).

    3. Enxágue novamente em água potável

    Após a desinfecção:

    • Retire da solução;
    • Enxágue bem;
    • Escorra e armazene em recipiente limpo.

    Atenção: vinagre ou sal não higienizam

    Vinagre e água com sal não eliminam microrganismos que causam doenças. Não substituem o processo de desinfecção.

    Cuidados extras importantes

    • Lave sempre as mãos;
    • Higienize utensílios e superfícies;
    • Separe alimentos crus de prontos;
    • Gestantes, idosos e imunossuprimidos precisam de cuidado redobrado;
    • Evite alimentos crus fora de casa quando não há garantia de higiene.

    Leia também: Desmaiar de calor é perigoso? Saiba por que acontece e o que fazer

    Perguntas frequentes sobre doenças relacionadas à falta de higienização

    1. Só lavar com água é suficiente?

    Não. A lavagem remove sujeiras, mas a desinfecção é necessária para eliminar microrganismos.

    2. Vinagre substitui o cloro?

    Não. Não há evidência de eficácia contra parasitas e bactérias.

    3. Crianças correm mais risco?

    Sim. Crianças, idosos, gestantes e imunossuprimidos são mais vulneráveis.

    4. Alimentos orgânicos também precisam ser lavados?

    Sim. A origem não elimina risco de contaminação.

    5. Posso pegar essas doenças em casa?

    Sim. Tanto em casa quanto fora.

    6. Congelar os alimentos mata microrganismos?

    Não necessariamente. A higienização continua essencial.

    7. Quando procurar um médico?

    Em casos de diarreia persistente, sangue nas fezes, febre alta ou sinais de desidratação.

    Leia mais: Desmaiar de calor é perigoso? Saiba por que acontece e o que fazer

  • Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

    Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

    Resfriados, gripes, viroses intestinais, COVID-19 e dengue são apenas algumas das infecções causadas por vírus, que entram no organismo, se multiplicam e ativam uma resposta do sistema imunológico — que é importante para combater os microorganismos.

    No entanto, o processo também pode trazer efeitos colaterais importantes para o coração. Você sabia que uma infecção viral pode aumentar o risco de infarto?

    Isso ocorre porque, durante a infecção, o corpo entra em um estado inflamatório intenso. O sistema imune libera substâncias chamadas citocinas, que ajudam a combater o vírus, mas ao mesmo tempo causam um estresse significativo para o organismo, especialmente em pessoas com doenças crônicas, idosos ou pessoas com problemas cardiovasculares.

    Como a infecção viral afeta o coração?

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, durante um processo infeccioso, o organismo ativa uma resposta de defesa que, por diferentes mecanismos, pode afetar o funcionamento do coração.

    Um dos primeiros efeitos é o aumento da demanda metabólica: a febre e a própria infecção aceleram o metabolismo, fazendo com que o coração precisem bater mais rápido e com mais força para atender ao maior consumo de oxigênio do corpo.

    Quando a pessoa já apresenta algum grau de entupimento nas artérias, o esforço adicional pode reduzir o fluxo de sangue para o músculo cardíaco, levando à isquemia. Ao mesmo tempo, o sistema imunológico as citocinas, responsáveis por combater o vírus, mas que também provocam inflamação nos vasos sanguíneos.

    A inflamação pode danificar o revestimento interno das artérias e tornar instáveis placas de gordura que já existiam, aumentando a chance de ruptura. Além disso, durante a infecção, o sangue tende a ficar mais espesso, o que favorece a coagulação.

    Todo o processo é um mecanismo natural de defesa do organismo para evitar sangramentos, mas Juliana ressalta que ele eleva o risco de formação de coágulos, que podem obstruir uma artéria do coração, causando infarto, ou atingir o cérebro, provocando um AVC.

    Quais vírus estão mais associados a inflamações cardíacas?

    Diversos vírus podem afetar o coração, especialmente o músculo cardíaco e as estruturas que o envolvem. Entre os principais, se destacam:

    • Coxsackie B: causa clássica de miocardite, um processo inflamatório do músculo cardíaco, que acomete com frequência crianças e adultos jovens;
    • SARS-CoV-2 (COVID-19): apresenta grande capacidade de provocar inflamação do músculo cardíaco e formação de trombos, tanto na fase aguda da infecção quanto no período de recuperação;
    • Influenza (gripe): pode causar miocardite e descompensar doenças cardíacas pré-existentes, especialmente a insuficiência cardíaca;
    • Adenovírus: vírus comuns em infecções respiratórias, que também podem atingir o coração;
    • Parvovírus B19: frequentemente associado a resfriados e capaz de afetar o coração, sobretudo o pericárdio, a membrana que o reveste, causando pericardite.

    O risco de infarto é maior em pessoas com doenças cardíacas?

    Um coração saudável consegue lidar melhor com os efeitos da infecção, como o aumento da frequência cardíaca causado pela febre, segundo Juliana. No caso de pessoas com doenças cardíacas pré-existentes, o quadro é mais delicado porque o coração já trabalha sob maior esforço.

    Nesses casos, qualquer aumento adicional da demanda, provocado pela inflamação, pela febre e pelo maior consumo de oxigênio, pode levar à descompensação do quadro, piora da função cardíaca e até a eventos graves, como insuficiência cardíaca aguda ou infarto.

    Além disso, a cardiologista explica que quem já apresenta placas de gordura nas artérias têm maior risco de ruptura dessas placas durante a infecção, o que eleva significativamente a chance de complicações cardiovasculares.

    Sintomas que podem indicar complicações após uma infecção

    Alguns sinais podem indicar que uma infecção está evoluindo com complicações cardiovasculares, como:

    • Dor no peito;
    • Falta de ar desproporcional, inclusive em repouso ou com pequenos esforços;
    • Palpitações;
    • Inchaço súbito nas pernas;
    • Episódios de desmaio ou perda de consciência.

    Como cuidar do coração após uma virose intensa?

    Durante uma infecção viral, o coração passa a trabalhar sob maior estresse. Por isso, alguns cuidados são importantes para reduzir o risco de complicações cardíacas:

    • Manter repouso enquanto houver sintomas, como febre, dor no corpo, cansaço ou falta de ar;
    • Evitar exercícios físicos por alguns dias após a melhora, especialmente se a infecção foi intensa, pois o coração ainda pode estar sensível ao processo inflamatório;
    • Manter boa hidratação, ingerindo água ao longo do dia, já que a infecção tende a tornar o sangue mais espesso, favorecendo a formação de coágulos;
    • Controlar a febre, pois temperaturas elevadas aumentam a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio pelo coração, sobrecarregando o músculo cardíaco;
    • Usar medicamentos apenas com orientação médica, evitando automedicação, especialmente anti-inflamatórios, que podem interferir na função cardiovascular;
    • Observar sintomas de alerta, como dor no peito, falta de ar, palpitações, inchaço nas pernas ou desmaio, que exigem avaliação médica imediata;
    • Manter acompanhamento médico, sobretudo em pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol alto ou doença cardíaca prévia, que apresentam risco maior de complicações.

    Leia mais: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

    Perguntas frequentes

    1. Por que a febre sobrecarrega o coração?

    A febre acelera o metabolismo e eleva a frequência cardíaca. Com isso, o coração precisa bater mais rápido e com mais força, aumentando o consumo de oxigênio.

    Em pessoas com artérias já parcialmente obstruídas, esse esforço pode provocar isquemia e precipitar um infarto.

    2. O que são citocinas e por que elas são perigosas para o coração?

    As citocinas são substâncias liberadas pelo sistema imune para combater infecções. Em excesso, elas causam inflamação nos vasos sanguíneos, tornando placas de gordura mais frágeis e favorecendo sua ruptura, o que pode levar à formação de coágulos.

    3. Exercício durante uma virose é perigoso?

    Sim, a prática de atividade física durante infecções aumenta o risco de o vírus atingir o coração, causando miocardite e arritmias.

    4. Quanto tempo após uma infecção é seguro voltar a se exercitar?

    Depende da gravidade da infecção. Em geral, o recomendado é retomar atividades apenas após o total desaparecimento dos sintomas e, em casos mais intensos, com liberação médica.

    5. Arritmias podem surgir após uma infecção viral?

    Sim, a inflamação e a febre alteram o funcionamento elétrico do coração, favorecendo palpitações e batimentos irregulares.

    6. Quem fuma tem maior risco de infarto durante infecções?

    Sim, o cigarro já agride os vasos sanguíneos e, combinado com a inflamação da infecção, eleva ainda mais o risco de trombose e entupimento das artérias.

    Confira: Vacinação infantil: proteção que começa cedo e dura a vida toda

  • Nem toda convulsão é epilepsia: entenda quando o corpo responde ao estresse em forma de crise

    Nem toda convulsão é epilepsia: entenda quando o corpo responde ao estresse em forma de crise

    Crises convulsivas costumam ser associadas automaticamente à epilepsia. No entanto, nem toda crise com movimentos involuntários, quedas ou perda aparente de consciência tem origem neurológica elétrica. Em muitos casos, exames não mostram alterações, e os tratamentos tradicionais não funcionam, o que gera frustração para pacientes e profissionais de saúde.

    As crises não epilépticas psicogênicas são um exemplo disso. Elas imitam crises epilépticas, mas têm origem psicológica e emocional. Por serem difíceis de diferenciar à beira do leito, essas crises ainda levam muitos pacientes a diagnósticos equivocados, uso desnecessário de medicamentos anticonvulsivantes e atrasos no tratamento adequado.

    O que são as crises não epilépticas psicogênicas?

    As crises não epilépticas psicogênicas são respostas involuntárias do organismo a situações ou condições que atuam como gatilhos emocionais ou psicológicos. Embora se manifestem de forma semelhante às crises epilépticas, elas não estão associadas a descargas elétricas anormais no cérebro.

    A diferenciação clínica pode ser difícil, especialmente durante a crise, o que faz com que muitos pacientes sejam tratados como se tivessem epilepsia, passando por intervenções desnecessárias.

    As crises não epilépticas psicogênicas são mais frequentes em pessoas em torno dos 30 anos, mas podem ocorrer em qualquer idade. São observadas com maior frequência em mulheres e em indivíduos com comorbidades psiquiátricas ou distúrbios do desenvolvimento.

    Principais sintomas

    Um aspecto fundamental das crises não epilépticas psicogênicas é que elas costumam ser desencadeadas por gatilhos específicos, geralmente associados a situações sociais, emocionais ou estressantes.

    Características gerais das crises

    A descrição feita pelo próprio paciente costuma ser vaga. Por isso, o relato de pessoas que presenciam a crise é essencial para a avaliação.

    Entre as manifestações possíveis estão:

    • Convulsões dissociativas ou funcionais, com quedas (quando o paciente está em pé);
    • Movimentos amplos e irregulares do tronco, cabeça e membros.

    Perda de consciência aparente

    Em algumas crises, ocorre uma perda de consciência que pode se assemelhar a uma síncope. Um detalhe clínico importante é a posição dos olhos:

    • Em crises epilépticas, os olhos geralmente permanecem abertos;
    • Nas crises não epilépticas psicogênicas, os olhos costumam ficar fechados, e o paciente pode resistir à tentativa de abertura das pálpebras.

    Duração e comportamento durante a crise

    As crises não epilépticas psicogênicas tendem a ser mais prolongadas, podendo durar mais de 30 minutos, o que é incomum em crises epilépticas.

    Durante a crise, manifestações vocais como choro, gagueira ou vocalizações com forte carga emocional são mais sugestivas de origem psicogênica.

    Diferentemente das crises epilépticas, os pacientes:

    • Não perdem completamente a consciência;
    • Relatam crises muito frequentes, às vezes diárias;
    • Podem apresentar exame físico normal entre os episódios.

    Após a crise, o retorno ao estado basal costuma ser rápido, sem o período pós-ictal de sonolência e confusão típico da epilepsia.

    Causas

    As crises não epilépticas psicogênicas são entendidas como manifestações de transtornos psiquiátricos, geralmente relacionadas a situações estressoras.

    O transtorno mais frequentemente associado é o transtorno conversivo, no qual sintomas físicos surgem de forma involuntária após eventos emocionais significativos. Isso difere do transtorno factício, em que os sintomas são simulados conscientemente.

    O mecanismo exato ainda não é totalmente conhecido, mas acredita-se que resulte da interação entre fatores genéticos, desequilíbrios emocionais e respostas ao estresse.

    Diagnóstico

    O diagnóstico baseia-se principalmente:

    • Nas características das crises;
    • Nas situações em que ocorrem;
    • Nos relatos de testemunhas.

    A avaliação por um neurologista é essencial, assim como a realização de um eletroencefalograma (EEG). Nas crises não epilépticas psicogênicas, o EEG costuma ser normal, mesmo durante os episódios.

    O diagnóstico também exige a exclusão de causas neurológicas e cardíacas que possam justificar as crises, reforçando a importância de uma avaliação clínica completa.

    Tratamento

    O tratamento começa com um passo fundamental: explicar claramente o diagnóstico ao paciente. É importante esclarecer que:

    • As crises são reais;
    • Não há alterações estruturais ou elétricas no cérebro;
    • Trata-se de uma condição relativamente comum.

    A abordagem terapêutica é centrada em:

    • Psicoterapia;
    • Acompanhamento psicológico ou psiquiátrico para tratar outras questões que aparecem em conjunto com as crises.

    Medicamentos anticonvulsivantes que tenham sido prescritos anteriormente devem ser retirados de forma gradual, sob supervisão médica, quando o diagnóstico de crises não epilépticas psicogênicas é confirmado.

    Veja também: Desmaio: causas, o que fazer e quando procurar o médico

    Perguntas frequentes sobre crises não epilépticas psicogênicas

    1. As crises não epilépticas psicogênicas são fingimento?

    Não. As crises são involuntárias e não controladas conscientemente pelo paciente.

    2. Essas crises aparecem nos exames?

    Não costumam aparecer no eletroencefalograma, que geralmente é normal.

    3. Elas podem acontecer todos os dias?

    Sim. Diferente da epilepsia, podem ocorrer com alta frequência, inclusive diariamente.

    4. Medicamentos anticonvulsivantes ajudam?

    Não. Esses medicamentos não tratam crises não epilépticas psicogênicas.

    5. Psicoterapia realmente funciona?

    Sim. É a principal forma de tratamento e manejo da condição.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

  • Checklist cardíaco antes da cirurgia: veja como garantir uma operação mais segura 

    Checklist cardíaco antes da cirurgia: veja como garantir uma operação mais segura 

    Ter uma cirurgia marcada costuma gerar ansiedade, e não apenas pelo procedimento em si. Antes de entrar no centro cirúrgico, o corpo passa por uma série de adaptações, e o coração é um dos órgãos que mais sente esse impacto. A anestesia, a dor, a perda de sangue e o estresse do pós-operatório aumentam a demanda cardíaca, e por isso a avaliação prévia é fundamental.

    O que muita gente não sabe é que existe um verdadeiro checklist de segurança para garantir que o coração esteja preparado para enfrentar esse momento. Quando seguidos, esses cuidados reduzem o risco de complicações e tornam a recuperação mais tranquila.

    Por que o coração precisa de um checklist antes da cirurgia

    Toda cirurgia gera estresse fisiológico. Durante o procedimento, ocorrem alterações hormonais, variações da pressão arterial, aceleração dos batimentos e maior demanda de oxigênio pelo coração.

    Na maioria das pessoas saudáveis, isso é bem tolerado. Mas pacientes com pressão alta, diabetes, histórico de doenças cardíacas, colesterol alto ou idade mais avançada podem ter risco aumentado de complicações como:

    • Infarto
    • Arritmias
    • Insuficiência cardíaca aguda
    • AVC

    Por isso, garantir que o coração está em ordem para operar é uma das etapas mais importantes do preparo cirúrgico.

    Checklist cardíaco pré-operatório: o que avaliar antes de operar

    É importante que essa avaliação seja feita assim que a cirurgia for marcada. Assim há tempo suficiente para pedir exames, ajustar medicações ou investigar sintomas.

    A seguir, um checklist objetivo do que deve ser avaliado pelo médico:

    1. Histórico de doenças cardíacas

    Se a pessoa já teve:

    • Infarto
    • Arritmias
    • Insuficiência cardíaca
    • Doença coronariana
    • Stent ou angioplastia
    • AVC prévio

    A avaliação cardiológica é obrigatória.

    2. Fatores de risco

    Mesmo sem doença cardíaca conhecida, alguns fatores aumentam o risco cirúrgico:

    • Pressão alta
    • Diabetes
    • Colesterol alto
    • Obesidade
    • Tabagismo
    • Idade acima de 50–60 anos

    Essas condições precisam estar controladas antes da cirurgia.

    3. Sintomas recentes

    Sinais de alerta que exigem consulta imediata:

    • Dor no peito
    • Falta de ar
    • Cansaço sem explicação
    • Inchaço nas pernas
    • Palpitações
    • Tonturas ou desmaios

    4. Exames necessários

    Dependendo do caso, o cardiologista pode solicitar:

    • Eletrocardiograma
    • Ecocardiograma
    • Teste ergométrico
    • Monitorização de arritmias
    • Exames laboratoriais específicos

    O objetivo é detectar alterações que possam impactar a cirurgia.

    5. Ajustes de medicação

    Medicamentos como anticoagulantes e anti-hipertensivos podem precisar de ajustes. Mas é importante jamais suspender por conta própria.

    6. Tipo de cirurgia

    Cirurgias de maior porte (abdominais, ortopédicas extensas, vasculares) exigem preparo mais rigoroso. Mesmo em cirurgias pequenas, porém, o coração precisa ser avaliado se houver fatores de risco.

    Como o coração é protegido durante a cirurgia

    Durante a operação, o anestesista monitora:

    • Pressão arterial
    • Frequência cardíaca
    • Oxigenação
    • Ritmo elétrico cardíaco

    O manejo cuidadoso da dor, dos fluidos e da anestesia ajuda a evitar sobrecarga.

    Cuidados com o coração no pós-operatório

    Após a cirurgia, ainda existe risco de:

    • Arritmias
    • Insuficiência cardíaca
    • Infarto
    • Complicações respiratórias

    Por isso, o acompanhamento médico é indispensável. Reabilitação cardíaca, fisioterapia, boa hidratação e controle da dor ajudam na recuperação.

    Checklist final: estou pronto para a cirurgia?

    Você está mais preparado quando:

    • Exames estão atualizados
    • Sintomas foram avaliados
    • Fatores de risco estão controlados
    • Medicações foram ajustadas pelo médico
    • Cardiologista liberou o procedimento

    Isso não elimina totalmente o risco, mas reduz as chances de complicações.

    Veja também: Cirurgia marcada? Veja quando procurar o cardiologista

    Perguntas frequentes sobre avaliação cardiológica antes de cirurgias

    1. Preciso de cardiologista mesmo para cirurgias pequenas?

    Sim. Quem tem fatores de risco ou sintomas deve ser avaliado mesmo em procedimentos simples.

    2. A cirurgia pode ser adiada por causa do coração?

    Sim, especialmente se houver sintomas, exames alterados ou risco cardíaco elevado.

    3. Já tive infarto. Posso fazer cirurgia?

    Pode, desde que o cardiologista avalie o tempo desde o evento e solicite exames necessários.

    4. Quais complicações cardíacas podem ocorrer na cirurgia?

    Infarto, arritmias, insuficiência cardíaca e AVC estão entre as mais comuns.

    5. Preciso suspender meus remédios antes de operar?

    Somente com orientação médica, principalmente anticoagulantes.

    6. Idosos têm risco maior?

    Sim. Idade avançada aumenta a probabilidade de fatores de risco associados.

    7. Quando devo procurar o cardiologista?

    Assim que a cirurgia for marcada, mesmo que você se sinta bem.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?