Autor: Dra. Juliana Soares

  • Doação de sangue: quem pode, quem não pode e por que é tão importante doar 

    Doação de sangue: quem pode, quem não pode e por que é tão importante doar 

    Em hospitais de todo o país, todos os dias, pessoas dependem de transfusões de sangue para sobreviver. São vítimas de acidentes, pacientes em cirurgias, pessoas com câncer, doenças hematológicas, complicações no parto e tantas outras situações em que o sangue faz a diferença entre a vida e a morte.

    Apesar disso, os estoques de sangue costumam operar no limite, especialmente em feriados prolongados, períodos de frio ou férias. Doar sangue é um gesto simples, rápido e seguro, mas que ainda gera muitas dúvidas e receios. Entender por que a doação é tão importante e quem pode donar ajuda a transformar solidariedade em ação concreta.

    Por que doar sangue é tão importante?

    O sangue não pode ser fabricado em laboratório. Ele só pode ser obtido por meio da doação voluntária.

    Cada bolsa de sangue coletada pode beneficiar até quatro pessoas diferentes, já que o material é separado em componentes como:

    • Concentrado de hemácias;
    • Plaquetas;
    • Plasma;
    • Crioprecipitado.

    Esses componentes são usados em situações como:

    • Cirurgias de grande porte;
    • Tratamentos oncológicos;
    • Acidentes graves;
    • Anemias severas;
    • Transplantes;
    • Complicações obstétricas.

    Sem doadores regulares, hospitais simplesmente não conseguem atender a demanda.

    Quem pode doar sangue?

    De forma geral, muitas pessoas podem doar, desde que atendam a alguns critérios básicos de segurança, tanto para quem doa quanto para quem recebe.

    Requisitos básicos para doar sangue

    Você pode doar sangue se:

    • Tem entre 16 e 69 anos. Menores de 18 anos precisam de autorização dos responsáveis;
    • Pesa no mínimo 50 kg;
    • Está em boas condições de saúde;
    • Dormiu pelo menos 6 horas na noite anterior;
    • Está alimentado (evitar alimentos gordurosos antes da doação);
    • Não ingeriu bebida alcoólica nas últimas 12 horas;
    • Apresenta documento oficial com foto.

    A triagem inclui uma entrevista confidencial e rápida, além da verificação de sinais vitais.

    Quem não pode doar sangue?

    Algumas condições impedem a doação de forma temporária ou definitiva, para proteger o receptor.

    Impedimentos temporários

    Você precisa aguardar um período se:

    • Está com febre, gripe ou infecção;
    • Teve diarreia recente;
    • Fez tatuagem ou piercing nos últimos 12 meses;
    • Fez endoscopia, colonoscopia ou cirurgia recente;
    • Está grávida ou até 90 dias após o parto;
    • Amamenta (em alguns casos, por período determinado);
    • Usou antibióticos recentemente;
    • Tomou algumas vacinas específicas (o tempo varia conforme a vacina).

    Após o período indicado pelo hemocentro, a doação pode ser liberada.

    Impedimentos definitivos

    Algumas doenças impedem a doação de forma permanente, pois podem ser transmitidas pelo sangue ou comprometer a segurança do receptor.

    Algumas delas são:

    • HIV/Aids;
    • Hepatite B ou C;
    • Doença de Chagas;
    • HTLV;
    • Uso de drogas injetáveis ilícitas.

    Essas restrições não são julgamento, mas medidas de proteção em saúde pública.

    Doar sangue faz mal para quem doa?

    Não. A doação é segura quando realizada em locais autorizados.

    O corpo repõe o volume de sangue em poucas horas e os glóbulos vermelhos em algumas semanas. A quantidade retirada é pequena e não causa prejuízo à saúde de pessoas saudáveis.

    Após a doação, recomenda-se:

    • Ingerir bastante líquido;
    • Evitar esforço físico intenso no mesmo dia;
    • Manter o curativo por algumas horas.

    Por que os estoques de sangue vivem baixos?

    Alguns fatores contribuem:

    • Medo ou desinformação;
    • Falta de tempo;
    • Campanhas concentradas apenas em datas específicas;
    • Redução de doadores em períodos frios ou feriados.

    Por isso, doadores regulares são essenciais para manter os bancos abastecidos o ano todo.

    Doar sangue é um ato de cidadania

    Mais do que solidariedade, doar sangue é um compromisso coletivo. Ninguém sabe quando vai precisar, mas todos podem ser a chance de alguém continuar vivendo.

    A doação regular garante que o sistema funcione mesmo em momentos de emergência.

    Confira: Pedra nos rins: descubra como é feito o tratamento

    Perguntas frequentes sobre doação de sangue

    1. Doar sangue engorda ou emagrece?

    Não. A doação não altera peso gordura corporal.

    2. Posso doar se tiver pressão alta?

    Sim, desde que esteja controlada e for liberado na triagem.

    3. Quem tem diabetes pode doar?

    Depende do tipo e do controle. O hemocentro avalia caso a caso.

    4. Quantas vezes por ano posso doar?

    Homens: até 4 vezes ao ano;
    Mulheres: até 3 vezes ao ano.

    5. A doação dói?

    A picada é rápida e geralmente pouco dolorosa.

    6. Posso trabalhar depois de doar?

    Sim, desde que evite esforço físico intenso no mesmo dia.

    7. Preciso estar em jejum?

    Não. Apenas evite alimentos gordurosos antes da doação.

    Confira: Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

  • ‘Comida de verdade’: veja o que mudou na nova pirâmide alimentar americana

    ‘Comida de verdade’: veja o que mudou na nova pirâmide alimentar americana

    O governo dos Estados Unidos divulgou novas diretrizes alimentares que propõem mudanças na forma como os norte-americanos devem se alimentar nos próximos anos. As orientações, apresentadas pelo secretário de saúde Robert F. Kennedy Jr., reforçam a importância de consumir mais proteínas e reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e de açúcar adicionado.

    Publicadas a cada cinco anos pelo Departamento de Agricultura e pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos, as diretrizes servem como base para programas federais de nutrição, como a merenda escolar.

    Nesta nova versão, o foco está na chamada “comida de verdade”, com incentivo ao consumo de proteínas, gorduras consideradas saudáveis e laticínios integrais, além de regras mais flexíveis sobre o consumo de bebidas alcoólicas.

    Apesar de manter recomendações já conhecidas, as novas orientações defendem uma alimentação mais simples e menos industrializada. A seguir, vamos entender quais foram as principais mudanças e no que devemos prestar atenção.

    O que mudou na nova pirâmide alimentar americana?

    A nova Diretriz Alimentar Americana 2025–2030 tem como base o lema “comida de verdade” (eat real food). Em relação às versões anteriores, a pirâmide alimentar passou por mudanças importantes, conforme aponta a cardiologista Juliana Soares:

    • Mudança na base da pirâmide: os alimentos prioritários passam a ser proteínas de alta qualidade, gorduras saudáveis e vegetais, substituindo o modelo anterior centrado em carboidratos;
    • Redução do topo da pirâmide: carboidratos processados e grãos refinados, que antes ocupavam a base, agora aparecem em menor quantidade;
    • Aumento da recomendação de proteína: o consumo diário recomendado subiu de 1,2 g para 1,6 g por quilo de peso corporal, com incentivo à ingestão de proteína em todas as refeições;
    • Revisão do papel das gorduras saturadas naturais: alimentos como ovos e carnes passam a ser aceitos dentro do padrão de comida real, mantendo-se o limite de até 10% de gordura saturada diária;
    • Liberação dos laticínios integrais: desde que sem açúcar, laticínios integrais podem ser consumidos, diferentemente das diretrizes anteriores, que priorizavam versões desnatadas ou light;
    • Posicionamento claro contra ultraprocessados: pela primeira vez, o documento recomenda explicitamente evitar alimentos ultraprocessados, ricos em conservantes, corantes e aditivos;
    • Tolerância zero ao açúcar adicionado: a diretriz afirma que nenhuma quantidade de açúcar adicionado é considerada saudável ou necessária;
    • Mudança na recomendação sobre álcool: foi retirado o limite diário de consumo. A orientação atual é beber menos ou não beber para uma melhor saúde, sem incentivo ao consumo de álcool.

    As recomendações nutricionais do governo dos Estados Unidos têm efeito direto sobre a alimentação de milhões de crianças atendidas por escolas públicas e programas de assistência alimentar.

    As atualizações nas diretrizes podem modificar os critérios de financiamento federal e influenciar os alimentos oferecidos nas refeições escolares.

    As novas diretrizes incentivam a dieta carnívora?

    As diretrizes não incentivam uma dieta carnívora, ao contrário do que muitas interpretações sugerem. Segundo Juliana, o que ocorreu foi o aumento da recomendação de consumo de proteína, que passou de 1,2 para 1,6 g por quilo de peso corporal, além de uma abordagem mais flexível em relação às gorduras de origem animal.

    Isso não significa que as pessoas devem excluir vegetais, frutas, fibras e outros nutrientes de origem vegetal, que continuam sendo fundamentais para a saúde. A confusão surge porque, ao reduzir o espaço ocupado por carboidratos refinados, as proteínas acabam ganhando mais destaque visual no prato.

    A diretriz recomenda proteínas de alta qualidade, mas reforça a necessidade de micronutrientes fornecidos pelos vegetais.

    Mudanças têm gerado opiniões diferentes

    As novas diretrizes representam uma quebra importante em relação às recomendações seguidas nas últimas décadas. Durante muito tempo, a principal orientação era reduzir o consumo de gorduras, especialmente as de origem animal, dando espaço às chamadas dietas com baixo teor de gordura.

    De acordo com Juliana, um dos pontos que mais gerou discussão foi a mudança na forma de olhar para as gorduras naturais. Alimentos como ovos e manteiga, que eram proscritos nas diretrizes anteriores, agora passam a ter espaço, desde que dentro de um contexto de alimentação baseada em alimentos in natura.

    Além disso, especialistas alertam que dar mais espaço às proteínas, principalmente as de origem animal, pode levar a um consumo maior de calorias e favorecer ganho de peso, além de sobrecarregar os rins em algumas pessoas.

    Ao mesmo tempo, a menor presença de grãos integrais pode reduzir a ingestão de fibras e de nutrientes importantes para o funcionamento do organismo.

    Para completar, a recomendação de eliminar o açúcar adicionado da alimentação também despertou debate. Apesar de diversos profissionais da saúde concordarem que reduzir o açúcar é importante para a saúde, a orientação ainda encontra resistência, especialmente da indústria de alimentos ultraprocessados.

    Diretrizes estão alinhadas com as evidências científicas atuais?

    As pesquisas mais recentes mostram que as gorduras presentes em alimentos naturais, como ovos e laticínios integrais, não são tão prejudiciais quanto se acreditava. Quando eles fazem parte de uma alimentação equilibrada, sem excesso de calorias e açúcar, o impacto negativo para a saúde tende a ser menor, conforme explica Juliana.

    Hoje, o risco cardiovascular está mais relacionado a processos inflamatórios e à resistência à insulina, que são estimulados principalmente pelo consumo de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcares refinados, como refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, doces industrializados e embutidos.

    De acordo com a cardiologista, os ultraprocessados costumam conter grandes quantidades de gordura trans, sódio e aditivos químicos — o que provoca alterações importantes no metabolismo, prejudicando o funcionamento do organismo.

    Com o tempo, essas alterações podem danificar a parte interna das artérias, processo conhecido como disfunção endotelial. Isso contribui para o aumento da pressão arterial e para a formação de placas de gordura, que podem levar a problemas graves, como infarto e AVC.

    Além disso, os ultraprocessados favorecem o ganho de peso, pois têm muitas calorias e poucos nutrientes. O consumo frequente de calorias vazias aumenta o risco de obesidade, que é um fator associado ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

    Qual a diferença entre as diretrizes americanas e o Guia Alimentar para a População Brasileira?

    O Guia Alimentar para a População Brasileira tem forte base científica e é reconhecido internacionalmente por focar no grau de processamento dos alimentos. A principal recomendação sempre foi priorizar alimentos in natura e minimizar o consumo de ultraprocessados, o que segue alinhado com as evidências mais atuais em saúde.

    Enquanto o guia americano traz um olhar mais técnico, voltado para macronutrientes e aspectos bioquímicos da alimentação, o guia brasileiro valoriza o ato de comer, o preparo das refeições e o respeito à cultura alimentar do país, com destaque para combinações tradicionais como arroz e feijão.

    Nesse contexto, para a população brasileira, Juliana explica que o Guia Alimentar Nacional continua sendo uma referência mais segura e adequada, e se encaixa melhor na realidade cultural e social do Brasil.

    Quais recomendações práticas resumem uma alimentação cardioprotetora hoje?

    Uma alimentação cardioprotetora envolve escolhas simples no dia a dia, como aponta Juliana:

    • Priorizar alimentos de origem vegetal, com variedade de vegetais e frutas;
    • Reduzir ao máximo o consumo de alimentos ultraprocessados;
    • Utilizar gorduras de boa qualidade, como azeite de oliva e oleaginosas;
    • Garantir ingestão adequada de fibras;
    • Diminuir o consumo de sódio;
    • Reduzir o consumo de açúcar;
    • Incluir uma fonte de proteína em todas as refeições para aumentar a saciedade e ajudar no controle da insulina.

    Além das orientações, vale destacar que manter regularidade nas refeições e atenção ao tamanho das porções também faz diferença para a saúde do coração. Comer com calma, respeitar os sinais de fome e saciedade e evitar longos períodos em jejum ajudam a manter o metabolismo mais equilibrado.

    Leia mais: ‘Dietas da moda’ x alimentação equilibrada: o que realmente funciona a longo prazo

    Perguntas frequentes

    Qual o papel das proteínas na saúde cardiovascular?

    As proteínas ajudam na saciedade, no controle do açúcar no sangue e na manutenção da massa muscular. Quando escolhidas de forma adequada, como carnes magras, ovos, peixes, leguminosas e laticínios sem açúcar, contribuem para uma alimentação mais equilibrada.

    Gordura faz mal para o coração?

    Depende do tipo de gordura. Gorduras trans e excesso de gordura presente em alimentos ultraprocessados são prejudiciais. Já gorduras naturais e de boa qualidade, como azeite de oliva, oleaginosas e gorduras presentes em alimentos naturais, podem fazer parte de uma alimentação saudável quando consumidas sem exageros.

    Qual a importância das fibras na alimentação cardioprotetora?

    As fibras ajudam a controlar o colesterol, melhoram o funcionamento do intestino e reduzem picos de açúcar no sangue. Uma alimentação rica em fibras contribui diretamente para a saúde do coração e do metabolismo.

    Comer tarde da noite prejudica o coração?

    Pode prejudicar, principalmente quando as refeições noturnas são grandes e ricas em gordura e açúcar. O hábito de comer muito tarde pode atrapalhar o metabolismo, o sono e o controle do peso, fatores importantes para a saúde cardiovascular.

    Farinha de mandioca e derivados podem ser consumidos?

    Podem ser consumidos em pequenas quantidades. A mandioca faz parte da cultura alimentar brasileira, mas o consumo excessivo pode aumentar a ingestão de carboidratos refinados.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

  • Atividade física e produtividade: como mexer o corpo melhora o cérebro 

    Atividade física e produtividade: como mexer o corpo melhora o cérebro 

    Quando o assunto é produtividade, a maioria das pessoas pensa em aplicativos de organização, listas de tarefas e técnicas de foco. Mas do ponto de vista médico, existe uma ferramenta simples e gratuita que pode ajudar, que é justamente mexer o corpo.

    Atividade física e produtividade estão relacionadas porque movimentar o corpo não só beneficia o coração, mas altera para melhor o funcionamento do cérebro, e isso se reflete em uma melhor capacidade de atenção, criatividade e tomada de decisão.

    Para quem detesta o ambiente de academias, é importante dizer que não é só lá que acontece a atividade física do dia. Caminhar, subir escadas ou fazer pequenos intervalos de movimento ao longo do dia já contam como movimento.

    Isso explica por que, mesmo após poucos minutos de atividade, muitas pessoas relatam que pensam melhor, se concentram com mais facilidade e realizam tarefas com mais eficiência.

    Como a atividade física impacta o cérebro

    1. Aumenta o fluxo sanguíneo do cérebro

    Mexer o corpo faz o coração bombear mais sangue, o que leva mais oxigênio e nutrientes para áreas essenciais do cérebro, como:

    • Córtex pré-frontal, onde acontecem decisões e planejamento;
    • Hipocampo, região da memória;
    • Amígdala, ligada a respostas emocionais.

    Esse abastecimento extra deixa o cérebro mais alerta, mais estável e mais eficiente.

    2. Melhora a memória e o aprendizado

    A atividade física estimulada libera o BDNF, uma proteína conhecida como fertilizante cerebral. Ela fortalece conexões entre neurônios e facilita o aprendizado, algo essencial para quem estuda, trabalha sob pressão ou precisa memorizar novas informações.

    3. Reduz o estresse e melhora o humor

    Ao se movimentar, o corpo libera endorfinas e serotonina. Esses neurotransmissores:

    • Reduzem a ansiedade;
    • Equilibram o humor;
    • Aumentam a motivação;
    • Ajudam na tomada de decisões.

    E quando a mente está menos estressada, a produtividade naturalmente sobe.

    4. Aumenta a energia e combate o cansaço mental

    A atividade física melhora a eficiência dos músculos e do sistema cardiovascular, reduzindo a sensação de esgotamento ao longo do dia. Isso é especialmente útil para quem trabalha sentado por muitas horas.

    5. Melhora o sono e, consequentemente, o desempenho

    Dormir melhor significa:

    • Mais foco;
    • Memória mais afiada;
    • Mais capacidade de resolver problemas.

    Como a atividade física regula o ritmo circadiano, ela ajuda o corpo a dormir com mais facilidade e ter sono de qualidade.

    Como colocar movimento no dia a dia para aumentar a produtividade

    1. Caminhadas curtas ao longo do dia

    Caminhar 5 a 10 minutos entre reuniões ou depois do almoço aumenta o fluxo sanguíneo cerebral imediatamente.

    2. Subir escadas sempre que possível

    É uma forma simples e eficiente de elevar a frequência cardíaca sem equipamentos.

    3. Alongar-se a cada 60 ou 90 minutos

    Ideal para quem trabalha sentado. Reduz a tensão muscular e melhora a oxigenação.

    4. Fazer reuniões caminhando

    Reuniões telefônicas ou conversas informais podem ser transformadas em pequenas caminhadas.

    5. Inserir pequenas rotinas de treino

    Pode ser polichinelo, agachamento, yoga ou bicicleta ergométrica. Comece com 10 minutos por dia e aumente progressivamente.

    6. Evitar longos períodos sentado

    Mesmo quem faz exercícios não está protegido se passa horas sentado. Levantar e se mover protege o coração e melhora o desempenho mental.

    Quem mais se beneficia desse hábito?

    • Pessoas que trabalham em escritório;
    • Estudantes;
    • Quem enfrenta estresse crônico;
    • Quem sente cansaço mental frequente;
    • Idosos que querem preservar cognição;
    • Profissionais que trabalham com criatividade.

    O que dizem os estudos a respeito da produtividade?

    • Caminhadas leves aumentam criatividade em até 60%;
    • Atividade física regular reduz risco de depressão em até 30%;
    • Exercício leve melhora a memória operacional imediatamente;
    • Pessoas que se movimentam se concentram melhor e produzem mais.

    Perguntas frequentes sobre atividade física e produtividade

    1. Preciso fazer academia para melhorar minha produtividade?

    Não. Caminhadas, escadas e alongamentos já trazem benefícios. Para a saúde geral, recomenda-se 150 minutos semanais de atividade moderada.

    2. Quanto de movimento por dia faz diferença?

    De 10 a 20 minutos já ativam o cérebro. O ideal é somar 150 minutos semanais.

    3. Exercício melhora o foco imediatamente?

    Sim. O movimento pode melhorar o foco imediatamente.

    4. Qual o melhor horário para mexer o corpo?

    O melhor é o que cabe na rotina. Pequenas doses ao longo do dia funcionam muito bem.

    5. Quem trabalha sentado precisa se exercitar mais?

    Precisa se levantar e se mover regularmente. Ficar sentado por longos períodos reduz o fluxo sanguíneo cerebral.

    6. Mexer o corpo ajuda contra estresse e ansiedade?

    Muito. O exercício reduz cortisol e aumenta endorfinas.

    7. Quem tem problemas cardíacos pode se beneficiar?

    Sim, mas deve conversar com o médico para ajustar intensidade e frequência.

  • Como identificar sinais de desidratação mesmo quando você acha que bebe água suficiente 

    Como identificar sinais de desidratação mesmo quando você acha que bebe água suficiente 

    Em dias quentes, durante a rotina corrida ou até no trabalho em ambientes climatizados, muitas pessoas acreditam que estão bebendo água o suficiente, mas o corpo pode estar dizendo o contrário. O problema é que nem todo mundo ouve esse pedido do organismo, pois a desidratação nem sempre dá sinais óbvios.

    A desidratação leve pode passar despercebida, mas já é capaz de causar tonturas, dor de cabeça, cansaço e queda na concentração. Em níveis mais graves, pode levar à queda de pressão, confusão mental e risco aumentado de arritmias. Por isso, entender o que o corpo está sinalizando é bem importante para evitar problemas.

    Por que você pode estar desidratado mesmo bebendo água?

    Existem várias razões:

    • Você perde mais água do que imagina, e isso pode ser pelo suor, respiração ou urina;
    • O consumo de água não acompanha essas perdas;
    • Café, chá preto e bebidas alcoólicas aumentam a diurese, favorecendo a eliminação de líquidos;
    • Exercícios físicos, clima seco e ar-condicionado aceleram a desidratação, mesmo sem suor visível;
    • Pessoas idosas têm menor sensação de sede, o que dificulta perceber a necessidade de se hidratar.

    Ou seja, aquela sensação de que você bebeu bastante água hoje pode ser traiçoeira, pois nem sempre corresponde ao que o corpo realmente precisa.

    Sinais de desidratação que passam despercebidos

    1. Urina muito amarela ou com cheiro forte

    É um dos primeiros sinais. A urina saudável tende a ser amarelo-clara. Se estiver escura ou reduzida, é sinal de pouca ingestão de líquidos.

    2. Dor de cabeça e dificuldade de concentração

    A desidratação reduz o fluxo sanguíneo cerebral e afeta o funcionamento do cérebro. Isso pode causar:

    • Dor de cabeça;
    • Lentidão de raciocínio;
    • Sensação de mente cansada.

    3. Cansaço exagerado, mesmo sem esforço

    Quando falta água, o sangue fica mais concentrado, o coração trabalha mais e o corpo produz menos energia. Isso gera:

    • Fraqueza;
    • Indisposição;
    • Sonolência ao longo do dia.

    4. Tonturas ou sensação de “escurecimento” ao se levantar

    A desidratação pode reduzir o volume sanguíneo, o que aumenta o risco de quedas de pressão (hipotensão postural). É um dos sinais mais importantes para avaliação médica.

    5. Pele seca e com pouca elasticidade

    Um teste simples: belisque suavemente a pele no dorso da mão. Se ela demorar a voltar ao lugar, faltam líquidos.

    6. Boca seca, lábios rachados e saliva grossa

    São sinais clássicos de que a produção de saliva diminuiu. Em desidratações mais intensas, também aparece mau hálito.

    7. Aumento da frequência cardíaca

    Quando falta líquido no corpo, o coração pode bater mais rápido para manter o fluxo sanguíneo adequado. Isso pode aumentar o risco cardiovascular em pessoas vulneráveis.

    Quem tem mais risco de desidratação?

    • Idosos;
    • Crianças;
    • Pessoas com diarreia ou vômitos;
    • Quem faz exercícios intensos;
    • Quem trabalha em ambientes quentes;
    • Usuários frequentes de diuréticos, laxantes ou certos medicamentos;
    • Gestantes e lactantes.

    Como garantir hidratação adequada na prática

    Algumas recomendações são:

    • Observe a urina, que deve estar clara na maior parte do dia;
    • Distribua a ingestão ao longo do dia, não de uma vez só;
    • Aposte em alimentos ricos em água, como frutas, vegetais e sopas;
    • Aumente o consumo de água ao praticar atividades físicas;
    • Evite excesso de álcool e modere o café;
    • Use garrafinhas de fácil acesso para criar hábito.

    Lembre-se que a sede é um sinal tardio de desidratação. Não espere sentir sede para beber água.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

    Perguntas frequentes sobre desidratação

    1. Quanto de água eu devo beber por dia?

    Não existe um número único. A recomendação geral é entre 30–35 ml/kg/dia, e isso é ajustado conforme o clima e o nível de atividade física.

    2. Água com gás hidrata?

    Sim, hidrata da mesma forma que água normal, desde que seja realmente água e não tenha açúcar.

    3. Beber muita água de uma vez só resolve?

    Não. O corpo absorve água melhor quando o consumo é distribuído ao longo do dia.

    4. Chá e café contam como hidratação?

    Contam, mas em excesso podem aumentar a urina e favorecer desidratação.

    5. Desidratação pode causar arritmia?

    Sim. A queda de eletrólitos e de volume sanguíneo pode afetar o ritmo cardíaco.

    6. Quando devo procurar um médico?

    Se houver tontura, confusão mental, pouca urina ou sinais de desidratação em crianças, idosos ou gestantes.

    Confira: Pedra nos rins: descubra como é feito o tratamento

  • Canetas emagrecedoras e colesterol: o que muda nos níveis de gordura no sangue?

    Canetas emagrecedoras e colesterol: o que muda nos níveis de gordura no sangue?

    Os benefícios dos agonistas do GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, podem ir muito além da perda de peso e do controle do açúcar no sangue.

    De acordo com estudos recentes, as canetas emagrecedoras apresentam impacto no perfil lipídico, reduzindo principalmente os níveis de triglicerídeos e do colesterol ruim (LDL), além de ajudarem na manutenção ou até em um leve aumento do colesterol bom (HDL).

    Mas afinal, como isso acontece? Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para explicar como essas medicações influenciam o metabolismo das gorduras e qual é o papel da perda de peso nesse processo. Confira!

    Canetas emagrecedoras e colesterol: como elas melhoram o perfil lipídico?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, os agonistas do GLP-1 atuam em diferentes frentes do metabolismo, envolvendo tanto o fígado quanto o intestino.

    No fígado, a medicação reduz a produção de VLDL, uma lipoproteína de muito baixa densidade responsável pelo transporte de triglicerídeos, o que diminui a quantidade de gordura liberada na circulação.

    No intestino, o retardo do esvaziamento gástrico e da absorção de gorduras após as refeições ajuda a evitar picos de gordura no sangue.

    Juliana explica que a melhora do perfil lipídico acontece, principalmente, como consequência da perda de peso. Com o emagrecimento, ocorre melhora da resistência à insulina, tornando o metabolismo das gorduras mais eficiente.

    Contudo, também existem evidências de que os agonistas do GLP-1 exercem um efeito direto na redução do processo inflamatório do organismo e da inflamação do endotélio, a camada interna dos vasos sanguíneos, o que contribui de forma adicional para a melhora dos níveis de colesterol.

    As canetas emagrecedoras substituem os remédios para colesterol?

    Os agonistas do GLP-1 podem ajudar a melhorar os exames de colesterol, mas não substituem os medicamentos usados no tratamento.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, as estatinas, que são os remédios específicos para controlar o colesterol, têm um efeito muito mais efetivo. Em alguns casos, conseguem reduzir até 50% dos níveis de colesterol ruim, enquanto os agonistas do GLP-1 promovem uma redução em torno de 10%.

    No caso dos triglicerídeos, as canetas emagrecedoras costumam ter um efeito mais significativo. Mesmo assim, as estatinas continuam sendo a principal opção para o tratamento do colesterol.

    Por isso, é necessário manter o uso das estatinas sempre que houver indicação médica, mesmo durante o tratamento com agonistas do GLP-1.

    Quem tem colesterol normal também se beneficia?

    Mesmo em pacientes com colesterol normal e em uso de estatinas, a adição dos agonistas do GLP-1 demonstrou impacto na redução do risco de infarto e AVC.

    Segundo Juliana, isso acontece principalmente devido à ação anti-inflamatória, à melhora da função do endotélio, que corresponde à parede interna dos vasos sanguíneos, e à melhora da pressão arterial.

    Tudo isso contribui para um benefício cardiovascular positivo, mesmo quando os níveis de colesterol já estão controlados.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Perguntas frequentes

    Por que emagrecer melhora o colesterol?

    A perda de peso melhora a resistência à insulina e torna o metabolismo das gorduras mais eficiente.

    É seguro usar GLP-1 junto com estatina?

    Sim, quando indicado pelo médico. As medicações atuam por mecanismos diferentes e podem se complementar.

    Quanto tempo leva para notar melhora nos exames?

    As mudanças costumam aparecer de forma gradual, acompanhando a perda de peso ao longo dos meses.

    Qual a diferença entre colesterol LDL e HDL?

    O LDL é conhecido como colesterol ruim, pois pode se acumular nas artérias. O HDL é chamado de colesterol bom, pois ajuda a remover o excesso de gordura da circulação.

    A alimentação influencia muito nos níveis de colesterol?

    Sim, o consumo excessivo de gorduras saturadas, ultraprocessados e açúcar pode elevar os níveis de colesterol e triglicerídeos.

    Com que frequência o colesterol deve ser avaliado?

    A periodicidade depende do perfil de risco, mas geralmente a avaliação ocorre pelo menos uma vez por ano ou conforme orientação médica.

    Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

  • Tiques motores e vocais: o que está por trás da síndrome de Tourette

    Tiques motores e vocais: o que está por trás da síndrome de Tourette

    Movimentos involuntários, sons repetitivos e comportamentos que surgem sem controle consciente ainda são, muitas vezes, cercados por estigma e desinformação. Em casos mais visíveis, essas manifestações podem gerar constrangimento social, isolamento e até interpretações equivocadas sobre o comportamento de crianças e adultos.

    A síndrome de Tourette é uma condição neurológica que costuma começar na infância e se manifesta principalmente por tiques motores e vocais. Apesar de relativamente conhecida, ainda é pouco compreendida fora do meio médico, o que reforça a importância da informação correta para reduzir preconceitos e ajudar no diagnóstico e o acompanhamento adequados.

    O que é a síndrome de Tourette?

    A síndrome de Tourette é uma condição neurológica caracterizada pela presença de tiques motores e vocais, que surgem de forma involuntária e geralmente se iniciam na infância. Esses tiques podem persistir até a vida adulta e, em alguns casos, causar prejuízos significativos à vida social, emocional e funcional dos indivíduos afetados.

    Trata-se de um transtorno do neurodesenvolvimento, com evolução variável ao longo da vida. Embora muitas pessoas apresentem melhora dos sintomas com o passar dos anos, a condição pode gerar morbidade relevante, especialmente quando associada a outras alterações psiquiátricas.

    Principais sintomas

    Os sintomas centrais da síndrome de Tourette são os tiques, que se dividem em motores e vocais.

    Tiques motores

    Os tiques motores consistem em movimentos involuntários e repetitivos, como:

    • Piscar excessivamente os olhos;
    • Caretas ou sorrisos involuntários;
    • Movimentos do pescoço ou dos ombros.

    Em casos mais graves, podem surgir tiques motores complexos, como pulos, gestos abruptos ou movimentos que parecem agressivos.

    Tiques vocais

    Os tiques vocais incluem sons ou vocalizações involuntárias, como:

    • Gritos ou sons guturais;
    • Latidos ou pigarros repetidos;
    • Repetição de palavras ou frases;
    • Emissão de palavras socialmente inadequadas.

    Os tiques costumam ser precedidos por uma sensação de desconforto ou inquietação interna e são seguidos por alívio temporário após sua execução.

    Idade de início e evolução

    Os sintomas geralmente surgem antes dos 18 anos, com pico entre 2 e 15 anos. A idade média de início é em torno dos 6 anos, e cerca de 96% dos pacientes apresentam tiques até os 11 anos.

    Na maioria dos casos, os tiques tendem a diminuir em intensidade durante a adolescência e a vida adulta, embora possam persistir em parte dos pacientes.

    Causas

    A síndrome de Tourette apresenta um forte componente genético. Pessoas com familiares afetados têm maior risco de desenvolver a condição, embora ainda não tenha sido identificada uma mutação genética específica responsável.

    Do ponto de vista neurológico, os sintomas estão relacionados a uma redução da atividade de áreas cerebrais responsáveis por inibir estímulos repetitivos. Essa falha no controle inibitório leva à liberação inadequada de sinais para os músculos, resultando nos tiques motores e vocais característicos.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da síndrome de Tourette é clínico, baseado na história do paciente, na evolução dos sintomas e na presença de tiques motores e vocais, conforme os critérios estabelecidos pelo DSM-5, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

    Exames de imagem, como tomografia ou ressonância magnética, geralmente não mostram alterações estruturais e não são utilizados para confirmar o diagnóstico.

    É fundamental também realizar uma avaliação psiquiátrica, já que a síndrome de Tourette frequentemente está associada a comorbidades, como:

    • Ansiedade;
    • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC);
    • Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).

    Tratamento

    O tratamento da síndrome de Tourette tem como objetivo controlar os tiques e tratar condições associadas, quando presentes.

    Quando não tratar

    Tiques leves, que não causam prejuízo funcional ou social, geralmente não exigem tratamento específico, sendo suficiente a orientação ao paciente e à família sobre a natureza da condição.

    Abordagens terapêuticas

    Nos casos em que os tiques são mais intensos ou interferem na qualidade de vida, a terapia comportamental é a primeira linha de tratamento. Essa abordagem ajuda o paciente a reconhecer e manejar os impulsos relacionados aos tiques.

    Quando não há controle adequado com terapia, pode ser necessário o uso de medicações para reduzir a intensidade e a frequência dos tiques, sempre com acompanhamento especializado.

    Prognóstico

    O prognóstico da síndrome de Tourette é, em geral, favorável.

    • Cerca de um terço dos pacientes apresenta resolução completa dos tiques na vida adulta;
    • Outro um terço apresenta melhora significativa, mas com sintomas residuais;
    • O terço restante mantém os tiques de forma persistente, geralmente associado a maior prevalência de comorbidades psiquiátricas.

    O acompanhamento adequado contribui para melhor adaptação social e qualidade de vida.

    Leia também: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

    Perguntas frequentes sobre a síndrome de Tourette

    1. A síndrome de Tourette é uma doença rara?

    Não é considerada rara, mas é subdiagnosticada, especialmente em casos leves.

    2. Toda pessoa com Tourette fala palavrões involuntariamente?

    Não. Esse tipo de tique vocal ocorre apenas em uma minoria dos pacientes.

    3. Os tiques são voluntários?

    Não. Eles são involuntários, embora possam ser temporariamente suprimidos com esforço.

    4. A síndrome de Tourette tem cura?

    Não há cura, mas muitos pacientes apresentam melhora significativa com o tempo.

    5. É comum haver outras condições associadas?

    Sim. Ansiedade, TOC e TDAH são comorbidades frequentes.

    Confira: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

  • Osteomielite tem cura? Saiba mais sobre a infecção que atinge os ossos 

    Osteomielite tem cura? Saiba mais sobre a infecção que atinge os ossos 

    A osteomielite é uma infecção óssea que, apesar de menos comum do que outras infecções, pode causar complicações graves quando não diagnosticada e tratada corretamente. A condição pode afetar pessoas de diferentes idades e está frequentemente associada a doenças crônicas, cirurgias ortopédicas ou situações que comprometem a imunidade.

    Dependendo da forma como se manifesta, a osteomielite pode evoluir de maneira rápida, com sintomas intensos, ou de forma lenta e silenciosa, tornando o diagnóstico mais desafiador. Reconhecer os sinais precocemente é essencial para evitar a destruição do osso e a progressão da infecção.

    O que é a osteomielite?

    A osteomielite é uma infecção do osso causada por microrganismos, que podem incluir bactérias, fungos ou micobactérias. Entre os principais fatores de risco estão idade avançada, diabetes, doenças vasculares e condições de imunossupressão, como câncer ou HIV/AIDS.

    Pessoas submetidas a cirurgias ortopédicas, colocação de próteses ou que sofreram traumas importantes, como acidentes automobilísticos, também apresentam maior risco.

    A osteomielite pode ocorrer de forma aguda, com instalação rápida dos sintomas, ou crônica, com evolução lenta ao longo de meses ou anos. Sem tratamento adequado, a infecção pode levar à necrose do osso, o que agrava o problema.

    Principais sintomas

    Osteomielite aguda

    A forma aguda costuma evoluir ao longo de dias a semanas e apresenta:

    • Dor local;
    • Inchaço;
    • Calor e vermelhidão na região afetada;
    • Febre e mal-estar.

    Quando a infecção atinge uma articulação próxima, pode ocorrer artrite séptica.

    Osteomielite crônica

    A forma crônica evolui de maneira mais lenta, com sintomas persistindo por mais de duas semanas.

    • Dor, inchaço e vermelhidão podem estar presentes;
    • Sintomas sistêmicos, como febre e mal-estar, costumam ser leves ou ausentes.

    Causas

    A osteomielite pode surgir por diferentes mecanismos de infecção do osso.

    Principais vias de infecção

    • Disseminação do microrganismo pela corrente sanguínea;
    • Propagação de infecções da pele ou dos músculos para o osso;
    • Contato direto do microrganismo após cirurgias ou acidentes.

    Microrganismos envolvidos

    • Bactérias: estafilococos, estreptococos e enterococos;
    • Fungos: principalmente Candida;
    • Micobactérias: a mais comum é a causadora da tuberculose, que geralmente acomete a coluna vertebral, levando ao chamado mal de Pott.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da osteomielite é baseado na avaliação clínica, associada a exames laboratoriais e de imagem.

    Exames de sangue

    Podem indicar infecção e inflamação, além de culturas sanguíneas positivas nos casos de disseminação hematogênica.

    Exames de imagem

    São fundamentais para o diagnóstico e incluem radiografia e ressonância magnética.

    Esses exames permitem identificar edema dos tecidos ao redor do osso, perda de massa óssea e sinais de necrose em estágios mais avançados.

    Cultura do osso

    Quando há necessidade de cirurgia para remoção de tecido necrosado, a cultura dos fragmentos auxilia na identificação do microrganismo e na escolha do antibiótico mais adequado.

    Tratamento

    O tratamento da osteomielite baseia-se principalmente no uso de antibióticos.

    Abordagem inicial

    • Início com antibióticos de amplo espectro;
    • Ajuste do tratamento conforme o microrganismo identificado e sua sensibilidade.

    Cirurgia

    Em casos com grande quantidade de tecido necrosado, pode ser necessária intervenção cirúrgica para remover áreas infectadas e facilitar a ação dos antibióticos.

    O que esperar

    O prognóstico da osteomielite é geralmente favorável quando o diagnóstico é feito precocemente e o tratamento é instituído de forma adequada.

    No entanto, casos associados a próteses ortopédicas costumam ser mais complexos e podem exigir estratégias terapêuticas adicionais.

    Leia mais: Cálcio: saiba o que esse mineral faz no seu corpo

    Perguntas frequentes sobre osteomielite

    1. O que é osteomielite?

    É uma infecção do osso causada por bactérias, fungos ou micobactérias.

    2. A osteomielite pode ser aguda ou crônica?

    Sim. A forma aguda tem início rápido, enquanto a crônica evolui lentamente ao longo de meses ou anos.

    3. Quais são os principais sintomas da osteomielite?

    Dor, inchaço, vermelhidão local, podendo haver febre e mal-estar, especialmente na forma aguda.

    4. A osteomielite sempre precisa de cirurgia?

    Não. Muitos casos são tratados apenas com antibióticos, mas a cirurgia pode ser necessária quando há tecido ósseo necrosado.

    5. O tratamento precoce melhora o prognóstico?

    Sim. O diagnóstico e o tratamento precoces aumentam significativamente as chances de recuperação.

    Confira: Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

  • Sífilis: veja como prevenir e tratar essa infecção antiga que voltou a crescer 

    Sífilis: veja como prevenir e tratar essa infecção antiga que voltou a crescer 

    Apesar de ser uma infecção conhecida há séculos e contar com diagnóstico simples e tratamento eficaz, a sífilis voltou a crescer de forma preocupante nos últimos anos. A doença, que é sexualmente transmissível e também pode ser passada da mãe para o bebê durante a gestação, continua representando um desafio importante para a saúde pública.

    Fatores como a percepção inadequada do risco, o estigma associado às infecções sexualmente transmissíveis e a desigualdade no acesso a testes e tratamento ajudam a explicar o aumento dos casos. Curiosamente, o período da pandemia de covid-19 marcou uma redução temporária nos registros, atribuída ao aumento da testagem e do diagnóstico.

    O que é a sífilis?

    A sífilis é uma doença bacteriana causada pela bactéria Treponema pallidum, tendo o ser humano como seu único hospedeiro. Trata-se de uma infecção sexualmente transmissível, que também pode ser transmitida de mãe para filho durante a gravidez.

    Atualmente, a sífilis é prevenível, tratável e rastreada rotineiramente no pré-natal, o que torna o diagnóstico precoce uma ferramenta fundamental para evitar complicações, especialmente na gestação.

    Principais sintomas

    A sífilis pode se manifestar de diferentes formas ao longo do tempo, sendo classificada em quatro fases principais.

    Sífilis primária

    Caracteriza-se pelo surgimento do cancro duro, uma úlcera indolor na região genital, geralmente acompanhada de linfonodos aumentados próximos ao local da lesão.

    Sífilis secundária

    Surge cerca de 6 a 8 semanas após a fase primária e pode causar:

    • Lesões cutâneas;
    • Alopecia;
    • Sintomas sistêmicos, como febre e fraqueza.

    Sífilis terciária

    Pode ocorrer anos após a infecção inicial e apresentar manifestações graves, incluindo:

    • Sintomas neurológicos;
    • Comprometimento ósseo;
    • Aneurismas.

    Sífilis latente e neurossífilis

    A fase latente é assintomática. A sífilis também pode evoluir para neurossífilis, que varia desde formas assintomáticas até quadros graves, como demência.

    Sífilis congênita

    Em gestantes não tratadas adequadamente, pode ocorrer sífilis congênita, resultando em anormalidades no recém-nascido.

    Causas

    A sífilis é causada pela infecção pelo Treponema pallidum, que se multiplica no organismo após a transmissão.

    Formas de transmissão

    • Relações sexuais desprotegidas;
    • Transmissão vertical (da mãe para o bebê durante a gestação).

    A infecção pode ocorrer mesmo em pessoas com histórico prévio de sífilis, especialmente quando associada a fatores de risco como múltiplos parceiros sexuais e condições que comprometem o sistema imunológico.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da sífilis é realizado por meio de exames de sangue que detectam a presença de anticorpos contra a bactéria.

    Exames laboratoriais

    • Testes sorológicos para detecção de anticorpos;
    • Recomenda-se a confirmação com mais de um teste positivo.

    Outros métodos diagnósticos

    A bacterioscopia de campo escuro pode identificar diretamente a bactéria. Em casos de suspeita de neurossífilis, é indicada a punção liquórica para análise do líquor.

    A história clínica e a avaliação de fatores de risco são fundamentais para interpretação adequada dos exames.

    Tratamento

    O tratamento da sífilis é realizado, na maioria dos casos, com penicilina, sendo a Benzetacil a medicação mais utilizada.

    Tratamento conforme a fase

    A quantidade de doses e a duração do tratamento variam conforme o estágio da infecção.

    Nos casos de comprometimento do sistema nervoso, pode ser necessária a penicilina cristalina, que apresenta melhor penetração no sistema nervoso central.

    Prevenção

    A prevenção da sífilis envolve:

    • Uso de preservativos nas relações sexuais;
    • Testagem regular em grupos de risco;
    • Acompanhamento pré-natal adequado para gestantes.

    Essas medidas são fundamentais para reduzir a transmissão e evitar complicações, especialmente a sífilis congênita.

    O que esperar

    Quando tratada adequadamente, a sífilis apresenta bom prognóstico, com altas taxas de cura e ausência de sequelas na maioria dos casos.

    Porém, a falta de tratamento pode levar a complicações graves e comprometer significativamente a qualidade de vida, podendo causar sequelas permanentes. O acompanhamento periódico após o tratamento é essencial para avaliar a resposta terapêutica e a necessidade de retratamento.

    Veja também: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

    Perguntas frequentes sobre sífilis

    1. A sífilis tem cura?

    Sim. Quando tratada corretamente, a sífilis apresenta alta taxa de cura.

    2. A sífilis pode voltar após o tratamento?

    A infecção pode ocorrer novamente se houver nova exposição ao Treponema pallidum.

    3. Toda sífilis apresenta sintomas?

    Não. A fase latente é assintomática e pode passar despercebida sem testagem.

    4. Gestantes devem fazer teste para sífilis?

    Sim. O rastreio é realizado rotineiramente no pré-natal.

    5. A sífilis não tratada pode causar sequelas?

    Sim. A evolução para formas terciárias ou neurossífilis pode causar danos permanentes.

    Confira: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados

  • O que é febre reumática? Cardiologista explica os sintomas, tratamentos e se tem cura

    O que é febre reumática? Cardiologista explica os sintomas, tratamentos e se tem cura

    Comum em crianças e adolescentes, a amigdalite bacteriana é uma infecção de garganta causada pela bactéria Streptococcus do grupo A, sendo transmitida através de gotículas respiratórias, como tosse e espirro, compartilhamento de alimentos e bebidas, além do contato com superfícies contaminadas.

    Como os sintomas tendem a melhorar em poucos dias, é frequente que a infecção seja tratada apenas com remédios para dor e febre. Porém, sem o uso adequado de antibióticos, a bactéria não é completamente eliminada do organismo e pode causar complicações sérias, como a febre reumática.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender como a complicação se manifesta, as formas de tratamento e as principais medidas para prevenir. Confira!

    O que é febre reumática?

    A febre reumática aguda (FRA) é uma doença inflamatória autoimune que surge como complicação de uma infecção de garganta (como a amigdalite bacteriana) causada por uma bactéria chamada Streptococcus do grupo A, conhecida como estreptococo.

    De acordo com Juliana, quando a infecção não recebe tratamento correto com antibióticos, o organismo pode reagir de forma inadequada e passar a atacar partes do próprio corpo, principalmente o coração, as articulações, a pele e o sistema nervoso.

    Vale ressaltar que ela não é uma infecção que atinge diretamente o coração. Ela se desenvolve porque o sistema imunológico, ao tentar eliminar a bactéria da garganta, produz anticorpos que confundem estruturas do próprio organismo com o microrganismo — o que é conhecido como mimetismo molecular.

    Como consequência, ocorre a inflamação em tecidos saudáveis, principalmente nas válvulas do coração, podendo causar lesões permanentes.

    Qualquer criança que tem infecção de garganta pode ter febre reumática?

    A resposta é não. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, apenas algumas pessoas têm predisposição para desenvolver a doença.

    Muitas crianças apresentem infecções de garganta com frequência, especialmente nos primeiros anos de vida, mas isso, por si só, não significa que irão desenvolver febre reumática.

    Para que a doença apareça, é necessário existir uma predisposição, que é herdada dos pais e já está presente desde o nascimento da criança.

    Segundo Juliana, a doença acomete principalmente crianças e adolescentes na faixa etária dos 5 aos 15 anos de idade. Ela é mais rara em adultos e também em crianças muito pequenas, menores de 3 anos.

    Quais os sintomas da febre reumática?

    A febre reumática costuma aparecer semanas depois da dor de garganta, quando a infecção já até melhorou. Os principais sintomas incluem:

    • Febre;
    • Dores e inchaço nas articulações;
    • Cansaço;
    • Dor no peito;
    • Falta de ar;
    • Batimentos irregulares;
    • Movimentos involuntários do corpo;
    • Manchas ou caroços na pele.

    Vale destacar que nem todos os sintomas aparecem juntos. Algumas pessoas só percebem quando o coração já está comprometido.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da febre reumática é feito por uma combinação de avaliação clínica e exames, com base nos critérios diagnósticos conhecidos como critérios de Jones, conforme explica Juliana.

    A cardiologista explica que eles consideram sinais e sintomas da doença, como comprometimento do coração, presença de sopro cardíaco, artrite, coreia, nódulos subcutâneos e eritema marginado.

    Além da avaliação clínica, alguns exames ajudam a confirmar o diagnóstico e a avaliar a gravidade da doença, como:

    • VHS e PCR, que indicam a presença de inflamação no organismo;
    • ASLO (antiestreptolisina O), que mostra se houve infecção recente pelo estreptococo;
    • Ecocardiograma, usado para avaliar se existem lesões nas válvulas do coração.

    A presença da bactéria não é obrigatória para fechar o diagnóstico, mas os exames ajudam a confirmar a infecção prévia e a identificar possíveis complicações no coração.

    Tratamentos da febre reumática

    O tratamento da febre reumática envolve controlar a inflamação, aliviar os sintomas e, principalmente, evitar danos permanentes ao coração.

    Primeiro de tudo, é necessário eliminar a bactéria estreptococo do organismo, mesmo quando a dor de garganta já desapareceu.

    Para isso, são utilizados antibióticos, principalmente a penicilina benzatina (benzetacil), aplicada por injeção. Em pessoas alérgicas à penicilina, podem ser usados antibióticos por via oral.

    Para controlar a inflamação e a dor, são usados remédios anti-inflamatórios, como o ácido acetilsalicílico ou outros anti-inflamatórios. Em casos com comprometimento cardíaco mais importante, o médico pode indicar corticoides para reduzir a inflamação do coração.

    Juliana ainda ressalta que uma parte fundamental do tratamento é a prevenção secundária. Quem já teve febre reumática apresenta alto risco de desenvolver novas crises após outra infecção de garganta pelo estreptococo.

    Por isso, é indicado o uso regular de antibiótico por longo período, normalmente a penicilina benzatina aplicada a cada 21 ou 28 dias.

    Febre reumática tem cura?

    A febre reumática pode ser controlada e, em muitos casos, os sintomas desaparecem completamente com o tratamento correto. Portanto, a doença em si pode ser considerada curável quando o quadro inflamatório é tratado de forma adequada e não ocorrem novos surtos.

    Porém, quando há comprometimento do coração, especialmente das válvulas cardíacas, as lesões podem ser permanentes. A inflamação pode cicatrizar deixando as válvulas deformadas, o que pode causar problemas cardíacos ao longo da vida, como sopros, insuficiência cardíaca ou necessidade de cirurgia no futuro.

    Por que a febre reumática é tão perigosa?

    A febre reumática é perigosa porque pode causar danos que acompanham a pessoa por toda a vida, principalmente no coração. Entre os riscos, é possível destacar:

    • Lesões nas válvulas do coração, que podem ficar deformadas e não funcionar corretamente;
    • Dificuldade na circulação do sangue, levando a cansaço, falta de ar e inchaço;
    • Risco de insuficiência cardíaca, quando o coração não consegue bombear sangue de forma eficiente;
    • Possibilidade de novos surtos, já que cada nova infecção de garganta pelo estreptococo pode reativar a doença;
    • Agravamento progressivo das lesões cardíacas, pois cada crise pode danificar ainda mais as válvulas.

    Além do coração, a febre reumática também pode causar dor intensa nas articulações, alterações na pele e movimentos involuntários, o que prejudica a qualidade de vida. Sem tratamento e acompanhamento adequados, a doença pode evoluir para complicações graves.

    A febre reumática pode ser evitada?

    A prevenção da febre reumática depende principalmente do cuidado correto com as infecções de garganta, segundo Juliana. As principais medidas incluem:

    • Procurar atendimento médico sempre que houver dor de garganta acompanhada de febre, pus nas amígdalas ou ínguas no pescoço;
    • Realizar o tratamento com antibiótico quando houver indicação médica para infecção por estreptococo;
    • Usar o antibiótico pelo tempo completo, mesmo quando os sintomas melhorarem antes do fim do tratamento;
    • Não interromper o tratamento por conta própria;
    • Manter boa higiene, como lavar as mãos com frequência e evitar contato próximo com pessoas com infecção de garganta;
    • Evitar ambientes muito fechados e com aglomeração, que facilitam a transmissão da bactéria;
    • Manter acompanhamento médico em crianças e adolescentes com infecções de garganta frequentes.

    Confira: Vacinação infantil: proteção que começa cedo e dura a vida toda

    Perguntas frequentes

    1. A febre reumática ainda é comum hoje em dia?

    Isso depende muito do acesso ao tratamento da infecção de garganta. Em países mais desenvolvidos, a febre reumática é rara, porque as pessoas conseguem atendimento médico e antibióticos com rapidez.

    No Brasil e em outros países em desenvolvimento, a doença ainda aparece com frequência. Muitas vezes, a pessoa não consegue atendimento a tempo, não inicia o antibiótico corretamente ou interrompe o tratamento antes do fim, o que aumenta o risco de desenvolver febre reumática.

    2. Quanto tempo depois da infecção aparecem os sintomas?

    Os sintomas da febre reumática costumam surgir de uma a três semanas depois da infecção de garganta. Nesse período, a dor na garganta já pode ter sumido, o que faz muita gente nem desconfiar da relação. Mesmo sem dor na garganta, a inflamação já está acontecendo dentro do corpo.

    3. Por que o coração é o órgão mais afetado?

    As válvulas cardíacas possuem proteínas muito parecidas com as do estreptococo. Por causa disso, os anticorpos produzidos contra a bactéria também atacam essas estruturas, provocando inflamação e cicatrização. O processo pode comprometer o funcionamento do coração de forma permanente.

    4. A febre reumática pode matar?

    Em casos graves, principalmente quando há comprometimento intenso do coração, a doença pode levar a insuficiência cardíaca, arritmias e outras complicações que colocam a vida em risco.

    5. A febre reumática passa de uma pessoa para outra?

    A febre reumática não é contagiosa, mas a bactéria da garganta é. Por isso, uma criança infectada pode transmitir o estreptococo para outra, que pode desenvolver a doença se não houver tratamento.

    6. A febre reumática pode causar necessidade de cirurgia no coração?

    Em casos graves, sim. Quando as válvulas ficam muito deformadas, pode ser necessário realizar cirurgia para corrigir ou trocar a válvula afetada.

    Leia mais: Meningite bacteriana: veja tipos, sintomas e como se prevenir

  • Dor de cabeça, febre e rigidez no pescoço: saiba mais sobre a meningite viral 

    Dor de cabeça, febre e rigidez no pescoço: saiba mais sobre a meningite viral 

    Febre, dor de cabeça intensa e rigidez no pescoço costumam acender um alerta imediato para uma condição grave: a meningite. Embora a forma bacteriana seja mais conhecida pela gravidade, existe um tipo mais frequente e, na maioria dos casos, menos agressivo, que é a meningite viral.

    Com o avanço dos programas de vacinação e a consequente redução da meningite bacteriana, a meningite viral passou a ser a principal causa de inflamação das meninges. Ainda assim, seus sintomas exigem atenção e avaliação médica, já que o quadro inicial pode se confundir com outras formas da doença.

    O que é a meningite viral?

    A meningite viral é a infecção da meninge, a membrana que envolve e protege o sistema nervoso central, causada por diferentes tipos de vírus, levando à inflamação dessas estruturas.

    As meninges desempenham um papel essencial na proteção do cérebro e da medula espinhal, formando um espaço preenchido por um líquido chamado líquor, que ajuda a amortecer impactos e proteger o sistema nervoso. A inflamação desse espaço é responsável pelos sintomas característicos da meningite.

    Principais sintomas

    Os sintomas da meningite viral são semelhantes aos da meningite bacteriana, embora, em geral, apresentem evolução mais lenta.

    Sintomas mais comuns

    • Febre;
    • Dor de cabeça;
    • Enjoo;
    • Vômitos;
    • Rigidez no pescoço.

    Diferenças em relação à meningite bacteriana

    Ao contrário da forma bacteriana, alterações importantes do estado mental, como sonolência extrema e coma, são menos frequentes na meningite viral.

    Durante a avaliação clínica, é comum o paciente relatar contato com pessoas infectadas, viagens recentes ou outras situações associadas a infecções virais.

    Causas

    Os vírus mais frequentemente associados à meningite viral são os enterovírus, mas outros agentes também podem estar envolvidos.

    Vírus que podem causar meningite viral

    • Enterovírus;
    • Vírus do herpes;
    • Varicela zoster;
    • HIV;
    • Citomegalovírus.

    Formas de transmissão

    A infecção pode ocorrer por diferentes vias, dependendo do vírus envolvido, como:

    • Picadas de insetos;
    • Contato com gotículas respiratórias;
    • Relações sexuais.

    Após a infecção inicial, o vírus pode alcançar o sistema nervoso pela corrente sanguínea ou por nervos, atingindo o espaço subaracnóide, onde circula o líquor, desencadeando a inflamação das meninges.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da meningite viral é suspeitado a partir dos sintomas associados ao histórico de possíveis exposições virais.

    Avaliação inicial

    Exames de sangue, incluindo culturas, são realizados inicialmente para excluir meningite bacteriana, que precisa ser descartada com rapidez.

    Punção liquórica

    A punção liquórica é um exame fundamental, realizado com anestesia local, que permite a coleta do líquor para análise.

    • O líquor normal é transparente;
    • Na meningite bacteriana, o líquor costuma ter aspecto purulento;
    • Na meningite viral, o líquor geralmente permanece mais claro.

    A análise do líquor avalia a proporção de células, níveis de proteínas e sinais inflamatórios, além de testes complementares conforme a suspeita clínica.

    Tratamento

    O tratamento da meningite viral é, na maioria dos casos, sintomático e de suporte.

    Medidas de suporte

    • Medicamentos para dor e febre, como dipirona;
    • Antieméticos para controle de enjoo;
    • Hidratação endovenosa, quando necessário.

    A maior parte dos pacientes apresenta resolução espontânea dos sintomas em 1 a 2 semanas, sem necessidade de tratamento específico.

    Uso inicial de antibióticos

    No início do quadro, devido ao risco de meningite bacteriana, é comum iniciar antibioticoterapia empírica até que essa causa seja descartada.

    Antivirais

    Nos casos de meningite causada por herpes ou varicela zoster, pode ser indicado o uso do antiviral aciclovir.

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    Perguntas frequentes sobre meningite viral

    1. A meningite viral é menos grave que a bacteriana?

    Em geral, sim. A meningite viral costuma ter evolução mais lenta e menos complicações graves.

    2. Os sintomas são diferentes da meningite bacteriana?

    São semelhantes, mas alterações graves do estado mental são menos comuns na forma viral.

    3. A meningite viral precisa de antibiótico?

    Inicialmente, antibióticos podem ser usados até que a meningite bacteriana seja excluída.

    4. Quanto tempo dura a meningite viral?

    Na maioria dos casos, os sintomas melhoram em 1 a 2 semanas.

    5. Sempre é necessário usar antivirais?

    Não. Antivirais são indicados apenas em casos específicos, como infecção por herpes ou varicela zoster.

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