Autor: Dra. Juliana Soares

  • Pressão arterial oscilante: o que pode causar e quando é perigoso

    Pressão arterial oscilante: o que pode causar e quando é perigoso

    Estresse, privação de sono e até o consumo exagerado daquele cafézinho são fatores que podem causar oscilações na pressão arterial, tanto em pessoas saudáveis quanto em quem convive com hipertensão.

    Mas, apesar de comum em algumas situações cotidianas, variações muito acentuadas ou frequentes merecem atenção, pois podem indicar que o organismo está reagindo de forma exagerada a estímulos que deveriam provocar apenas alterações leves.

    Quando a pressão sobe demais, cai rápido ou oscila sem motivo aparente, torna-se importante investigar a causa e avaliar se há risco de complicações cardiovasculares. Vamos entender, com a orientação de uma cardiologista, por que isso acontece e quando procurar ajuda médica.

    Afinal, o que significa uma pressão arterial oscilante?

    Uma pressão arterial oscilante significa que os números da pressão sobem e descem mais do que o esperado ao longo do dia. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, é importante entender que a variação da pressão ao longo do dia é um mecanismo natural de adaptação do organismo. A pressão sofre influência do ritmo circadiano, o relógio biológico que funciona em ciclos de 24 horas.

    Durante o dia, ela tende a aumentar para garantir que o sangue chegue adequadamente aos órgãos diante de uma maior demanda de atividade. À noite, durante o sono, a pressão diminui de forma natural para permitir o ajuste do sistema cardiovascular.

    Quando, porém, as mudanças deixam de seguir um padrão previsível e começam a ocorrer de forma intensa, repetida ou sem relação com esforço, sono ou emoções, pode indicar que o sistema cardiovascular está reagindo de maneira exagerada a estímulos simples ou até perdendo a capacidade de manter a estabilidade da pressão.

    O que pode causar oscilação na pressão arterial?

    As oscilações da pressão arterial acontecem porque o organismo responde a diferentes estímulos ao longo do dia, segundo Juliana. Entre os principais fatores que podem provocar as variações, é possível destacar:

    • Atividade física, que aumenta a demanda de sangue para os músculos e eleva a pressão;
    • Estresse e emoções intensas, que liberam adrenalina e cortisol e contraem os vasos sanguíneos;
    • Consumo excessivo de cafeína, que estimula o sistema cardiovascular;
    • Alimentação rica em sal, que favorece a retenção de líquidos e aumenta a pressão;
    • Sono, período no qual a pressão naturalmente cai devido ao repouso do organismo;
    • Refeições muito volumosas, que direcionam maior fluxo sanguíneo para a digestão e podem causar leve queda da pressão.

    Além dos fatores naturais do dia a dia, algumas condições de saúde e situações específicas podem provocar oscilações que não fazem parte do funcionamento normal do organismo e devem ser investigadas:

    • Pressão alta mal controlada;
    • Apneia do sono;
    • Distúrbios da tireoide;
    • Doenças renais;
    • Arritmias cardíacas;
    • Anemia;
    • Uso de medicamentos como anti-inflamatórios, corticoides e descongestionantes;
    • Consumo excessivo de álcool.

    Pessoas com hipertensão em tratamento podem apresentar oscilações perigosas mesmo com valores aparentemente controlados, o que pode indicar necessidade de ajuste terapêutico ou investigação de causas associadas.

    Até que ponto a variação é normal?

    A variação é considerada normal quando acompanha o ritmo fisiológico do corpo. Porém, merece atenção quando:

    • Ultrapassa cerca de 10% a 20% para cima ou para baixo;
    • Ocorre sem motivo aparente;
    • Acontece repetidamente ao longo do dia;
    • Surge mesmo em repouso;
    • Não reduz durante o sono;
    • Vem acompanhada de sintomas como tontura, palpitações ou dor de cabeça.

    Oscilação na pressão arterial é perigosa?

    Sim, especialmente quando os valores sobem e descem de forma exagerada ou imprevisível. Nessas situações, o risco de complicações aumenta, incluindo:

    • Infarto;
    • AVC;
    • Arritmias;
    • Tonturas e desmaios;
    • Quedas e traumatismos;
    • Agravamento da hipertensão;
    • Piora de doenças renais e cardíacas.

    Como aferir a pressão arterial em casa?

    O monitoramento deve ser feito com aparelhos de braço. Para uma medição correta:

    • Descanse por 5 minutos antes da medição;
    • Sente-se com costas apoiadas e pés no chão;
    • Mantenha o braço apoiado na altura do coração;
    • Evite café, cigarro e exercício 30 minutos antes;
    • Faça três medições, descartando a primeira;
    • Registre a média das duas últimas.

    O ideal é medir pela manhã e à noite, por sete dias seguidos, anotando os valores para avaliação médica.

    Quando procurar atendimento médico?

    Procure atendimento se houver:

    • Pressão acima de 180/120 mmHg;
    • Quedas bruscas com tontura ou desmaio;
    • Dor no peito, falta de ar ou palpitações;
    • Dor de cabeça súbita e intensa;
    • Alterações neurológicas;
    • Oscilações frequentes mesmo em repouso;
    • Mal-estar persistente.

    Como é feito o acompanhamento em casos de pressão oscilante?

    A avaliação pode incluir exames como:

    • MAPA, que registra a pressão por 24 horas;
    • MRPA, feita em casa, seguindo técnica padronizada.

    Com base nos resultados, o médico pode ajustar hábitos de vida, alimentação, atividade física e medicação, além de investigar causas associadas como apneia do sono e distúrbios hormonais.

    Veja também: 12×8 já não é normal: nova diretriz muda o que entendemos por pressão alta

    Perguntas frequentes

    Quais os principais sintomas de pressão oscilante?

    Tontura, dor de cabeça, palpitações, visão turva, fraqueza e mal-estar geral são comuns, embora nem sempre haja sintomas.

    Qual é o valor considerado normal de pressão arterial?

    A pressão normal é abaixo de 120/80 mmHg. Valores acima de 140/90 mmHg sugerem hipertensão e abaixo de 90/60 mmHg podem indicar hipotensão.

    Por que o aparelho de pulso não é recomendado?

    Porque é mais sensível à posição e ao movimento, aumentando o risco de erro. O aparelho de braço é mais confiável.

    Em qual braço devo medir a pressão?

    Inicialmente nos dois braços. Depois, utilize sempre o braço com maior valor.

    O estresse pode causar picos de pressão?

    Sim. Hormônios do estresse contraem os vasos e elevam a pressão, especialmente em pessoas sensíveis.

    Pressão oscilante pode ser temporária?

    Sim. Pode ocorrer em situações pontuais, mas oscilações persistentes devem ser investigadas.

    Leia mais: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Por que a automedicação pode ser perigosa? Veja 7 riscos e o que deve ser evitado

    Por que a automedicação pode ser perigosa? Veja 7 riscos e o que deve ser evitado

    Seja para tratar infecções ou doenças crônicas, os medicamentos fazem parte do dia a dia e ajudam a melhorar a saúde e o bem-estar, desde que usados da forma certa e com orientação de um profissional.

    O problema é que diversas pessoas utilizam os remédios como uma solução rápida para qualquer dor, febre ou mal-estar. Com isso, os riscos do uso errado acabam sendo ignorados, o que favorece a automedicação, um hábito cada vez mais comum no Brasil.

    De acordo com uma pesquisa do Datafolha, 77% dos brasileiros costuma tomar remédios sem orientação médica, sendo que quase metade faz isso pelo menos uma vez por mês.

    Para completar, cerca de um quarto dos brasileiros se automedica com frequência ainda maior, chegando a usar medicamentos todos os dias ou ao menos uma vez por semana.

    Afinal, o que é automedicação?

    A automedicação é o hábito de usar remédios por conta própria, sem orientação de um médico ou outro profissional de saúde. Isso inclui:

    • Tomar medicamentos indicados por amigos ou familiares;
    • Reaproveitar receitas antigas;
    • Tomar sobras de tratamentos anteriores;
    • Escolher o remédio apenas com base nos sintomas.

    No Brasil, cerca de 35% dos medicamentos são adquiridos nas farmácias por pessoas que estão se automedicando, o que aumenta os riscos de efeitos colaterais, erros no tratamento e problemas mais graves para a saúde.

    Quais são os riscos da automedicação?

    Usar remédios sem orientação profissional pode causar problemas imediatos e também consequências a longo prazo, como:

    1. Reações alérgicas

    Alguns medicamentos podem provocar reações alérgicas inesperadas, mesmo em pessoas que nunca tiveram alergia antes. Em casos mais graves, as reações podem colocar a vida em risco. Os sintomas mais comuns incluem:

    • Coceira na pele;
    • Vermelhidão ou manchas;
    • Inchaço nos lábios, olhos ou rosto;
    • Falta de ar ou dificuldade para respirar;
    • Chiado no peito;
    • Tontura ou sensação de desmaio.

    2. Resistência aos remédios

    A resistência medicamentosa é quando micro-organismos, como bactérias, vírus, fungos ou parasitas, deixam de responder aos medicamentos usados para combatê-los. Com isso, remédios que antes funcionavam passam a ter pouco ou nenhum efeito, dificultando o tratamento das doenças.

    O problema surge, principalmente, pelo uso incorreto dos medicamentos, como automedicação, doses erradas, interrupção do tratamento antes do tempo indicado ou uso sem necessidade.

    A resistência medicamentosa torna as infecções mais difíceis de tratar e representa um risco sério para a saúde pública, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

    3. Intoxicação

    O uso de doses maiores do que o recomendado ou a combinação de vários medicamentos sem orientação pode causar intoxicação — o que sobrecarrega órgãos como fígado e rins e pode causar sintomas como náuseas, vômitos, confusão mental e, em casos graves, falência de órgãos.

    4. Dependência

    Alguns medicamentos, principalmente analgésicos, calmantes e relaxantes musculares, podem causar dependência quando usados com frequência. Com o tempo, a pessoa passa a precisar de doses maiores para obter o mesmo efeito, o que aumenta ainda mais os riscos.

    5. Interação medicamentosa

    A interação medicamentosa acontece quando dois ou mais remédios são usados ao mesmo tempo e interferem um no efeito do outro. Isso pode reduzir a eficácia do tratamento ou aumentar o risco de efeitos colaterais e reações adversas.

    6. Efeitos colaterais intensos

    Sem orientação médica, os efeitos adversos podem ser mais frequentes e intensos, como:

    • Náuseas e vômitos;
    • Dor no estômago ou queimação;
    • Diarreia ou constipação;
    • Tontura e dor de cabeça;
    • Sonolência excessiva ou agitação;
    • Aumento da pressão arterial;
    • Alterações no ritmo do coração;
    • Cansaço intenso;
    • Irritação na pele ou coceira.

    7. Agravamento do quadro

    O uso de um remédio inadequado pode piorar a doença em vez de ajudar. Quando o remédio não é indicado para o problema, os sintomas tendem a aumentar, a infecção pode avançar e o estado de saúde pode se tornar mais sério.

    Para completar, a automedicação pode atrasar o início do tratamento correto, fazendo com que a doença avance sem controle. Isso torna a recuperação mais lenta, exige tratamentos mais complexos e aumenta o risco de complicações, internações e danos à saúde.

    O que deve ser evitado?

    Independentemente do medicamento, o uso precisa ser feito com cuidado e responsabilidade. Por isso, é importante evitar algumas atitudes no dia a dia:

    • Uso de remédios indicados por amigos, familiares ou vizinhos;
    • Reaproveitamento de receitas antigas ou sobras de tratamentos anteriores;
    • Alteração da dose por conta própria;
    • Mistura de medicamentos sem orientação profissional;
    • Uso de antibióticos para tratar gripe, resfriado ou outras viroses;
    • Ignorar efeitos colaterais ou reações adversas;
    • Armazenamento e compartilhamento de antibióticos.

    Vale destacar que, durante um tratamento, o uso dos medicamentos não deve ser interrompido antes do tempo indicado, mesmo que os sintomas melhorem. Isso pode impedir a cura, fazer a doença voltar e aumentar o risco de resistência aos remédios, principalmente aos antibióticos.

    Leia também: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

    Perguntas frequentes

    Automedicação pode causar dependência emocional?

    Sim, algumas pessoas passam a usar medicamentos sempre que sentem desconforto, criando uma dependência psicológica e dificultando outras formas de cuidado com a saúde.

    Medicamentos naturais também oferecem riscos?

    Sim. Os produtos naturais, chás e fitoterápicos também têm substâncias ativas que podem causar efeitos colaterais, interações e contraindicações, especialmente quando usados sem orientação.

    Remédios vencidos ainda funcionam?

    Os remédios vencidos podem perder eficácia ou se tornar perigosos. O uso pode não tratar a doença e ainda causar reações adversas.

    Qual o risco de misturar remédio com álcool?

    O álcool pode reduzir o efeito do medicamento ou aumentar seus efeitos colaterais, afetando o fígado, o sistema nervoso e o coração.

    Por que seguir horários de remédios é tão importante?

    Os horários mantêm a quantidade certa do medicamento no organismo. Atrasos ou esquecimentos reduzem a eficácia do tratamento.

    Como identificar que um medicamento não está funcionando?

    Quando os sintomas persistem, pioram ou surgem novos sinais após o início do uso, é importante procurar orientação profissional para reavaliar o tratamento.

    Como reduzir o hábito da automedicação?

    Buscar orientação profissional, evitar estoques de medicamentos em casa e entender que nem todo sintoma exige remédio são passos importantes para reduzir esse hábito.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

  • Antibióticos: por que não devem ser usados sem prescrição médica?

    Antibióticos: por que não devem ser usados sem prescrição médica?

    Usados para tratar infecções causadas por bactérias, os antibióticos são remédios que funcionam eliminando os micro-organismos ou impedindo que elas se multipliquem, ajudando o organismo a combater a infecção e a se recuperar — desde que sejam utilizados da forma certa, na dose indicada e pelo tempo recomendado pelo profissional de saúde.

    Quando usados de forma incorreta e sem orientação médica, os antibióticos podem causar resistência bacteriana, fazendo com que as bactérias deixem de responder ao tratamento. Isso torna as infecções mais difíceis de curar, mais longas e muito mais perigosas. Vamos entender mais, a seguir.

    Por que os antibióticos não devem ser usados sem prescrição?

    O uso inadequado de antibióticos pode causar diversos riscos à saúde, principalmente o desenvolvimento da resistência aos medicamentos, um problema considerado grave em todo o mundo pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ela pode acontecer com bactérias, vírus, fungos e parasitas, mas é especialmente preocupante no caso das bactérias.

    Um estudo da revista The Lancet estima que mais de 39 milhões de pessoas podem morrer até 2050 por causa da resistência aos antibióticos. Isso acontece quando as bactérias deixam de responder aos remédios que antes faziam efeito, se adaptam e passam a sobreviver ao tratamento, dificultando a cura e aumentando o risco de infecções mais graves, prolongadas e difíceis de tratar.

    Com menos opções de medicamentos eficazes, muitos tratamentos se tornam mais complexos, exigindo antibióticos mais fortes, internações mais longas e elevando o risco de complicações e mortes, tanto em ambientes hospitalares quanto na comunidade.

    Como surge a resistência bacteriana?

    A resistência bacteriana surge quando as bactérias passam por mudanças que permitem sobreviver à ação dos antibióticos. Isso acontece, principalmente, por causa do uso incorreto dos medicamentos, como nas seguintes situações:

    • Automedicação, sem prescrição ou acompanhamento médico;
    • Uso de antibióticos para tratar doenças causadas por vírus, como gripe e resfriado;
    • Interrupção do tratamento antes do tempo indicado, mesmo com melhora dos sintomas;
    • Uso de doses menores ou maiores do que as recomendadas;
    • Utilizar o medicamento fora dos horários indicado;
    • Reaproveitamento de sobras de antibióticos de tratamentos anteriores;
    • Compartilhamento de medicamentos com outras pessoas.

    Quando um antibiótico é usado de forma errada, algumas bactérias não são eliminadas do organismo. As que sobrevivem se adaptam, se multiplicam e se tornam mais fortes, fazendo com que o remédio deixe de funcionar em tratamentos futuros.

    Segundo o Ministério da Saúde, o problema já interfere no controle de diversas doenças, como infecções urinárias, respiratórias e sexualmente transmissíveis, além de pneumonias, tuberculose e muitas outras infecções que se tornam cada vez mais difíceis de tratar.

    Quais os riscos da resistência bacteriana?

    A resistência bacteriana representa um risco crescente para a saúde pública e afeta tanto pacientes quanto sistemas de saúde. Entre os principais riscos, é possível destacar:

    • Infecções mais prolongadas e com resposta limitada ao tratamento;
    • Dificuldade para controlar doenças comuns, que antes eram facilmente tratáveis;
    • Maior risco de complicações graves, como infecções generalizadas e falência de órgãos;
    • Necessidade de antibióticos mais potentes, caros e com maior chance de efeitos adversos;
    • Aumento do tempo de internação hospitalar;
    • Maior demanda por procedimentos invasivos e cuidados intensivos;
    • Elevação do risco de morte;
    • Maior propagação de bactérias resistentes entre pessoas;
    • Impacto direto em cirurgias, transplantes e tratamentos oncológicos;
    • Sobrecarga dos sistemas de saúde e aumento dos custos médicos.

    Efeitos colaterais do uso inadequado de antibióticos

    O uso inadequado de antibióticos pode provocar diferentes efeitos colaterais, que variam de leves a mais graves. Entre os mais comuns estão náuseas, diarreia, dor abdominal e reações alérgicas, que podem surgir mesmo em pessoas que nunca apresentaram alergia antes.

    Além disso, os medicamentos podem alterar a flora intestinal, prejudicando bactérias benéficas e favorecendo o surgimento de infecções oportunistas.

    Quando o uso de antibióticos é realmente necessário?

    Os antibióticos são usados apenas para tratar infecções causadas por bactérias, como algumas infecções urinárias, pneumonias, amigdalites e infecções de pele. Já doenças causadas por vírus, como gripe, resfriado e outras viroses, não melhoram com o uso dos remédios.

    Por isso, a necessidade de tomar antibiótico deve sempre ser avaliada por um profissional de saúde. Ele analisa os sintomas, o histórico do paciente e, quando necessário, solicita exames. Usar antibiótico sem orientação pode esconder sinais da doença, atrasar o tratamento correto e piorar o quadro de saúde.

    Como usar antibióticos de forma segura?

    Para que o tratamento funcione bem e seja seguro, os antibióticos devem ser usados exatamente como o médico orientou. Isso significa tomar a dose certa, nos horários corretos e durante todo o período indicado, mesmo que os sintomas melhorem antes.

    Também é importante não dividir antibióticos com outras pessoas, não usar sobras de tratamentos antigos e nunca tomar o medicamento por conta própria. Se surgirem efeitos colaterais ou dúvidas durante o uso, o ideal é procurar um profissional de saúde.

    Leia mais: Meningite bacteriana: veja tipos, sintomas e como se prevenir

    Perguntas frequentes

    1. Posso parar o antibiótico quando me sentir melhor?

    Não. Mesmo que os sintomas melhorem, o tratamento deve ser feito até o fim. Parar antes do tempo pode deixar bactérias vivas no organismo, favorecendo a resistência e a volta da infecção.

    2. O que acontece se eu tomar antibiótico errado?

    O antibiótico pode não funcionar, os sintomas podem piorar e o risco de resistência bacteriana aumenta. Além disso, podem surgir efeitos colaterais desnecessários.

    3. Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

    Os efeitos mais frequentes incluem náuseas, diarreia, dor abdominal, enjoo e reações alérgicas. Alguns antibióticos também podem causar alterações na flora intestinal.

    4. Antibióticos enfraquecem o sistema imunológico?

    Não diretamente. Porém, o uso inadequado de antibióticos pode desequilibrar bactérias benéficas do organismo, o que pode afetar a saúde intestinal e a imunidade.

    5. Gestantes podem usar antibióticos?

    Alguns antibióticos podem ser usados na gravidez, mas apenas com prescrição médica. Outros são contraindicados e podem causar riscos ao bebê.

    6. A resistência bacteriana pode ser revertida?

    Na maioria dos casos, não. Quando uma bactéria se torna resistente, o antibiótico deixa de funcionar contra ela, e a reversão é difícil ou impossível.

    Confira: Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

  • Micropausas: o segredo para trabalhar sentado sem prejudicar o coração 

    Micropausas: o segredo para trabalhar sentado sem prejudicar o coração 

    Quem trabalha sentado sabe que as horas parecem passar sem que se perceba. Reuniões, prazos, concentração total: quando você percebe, já está há duas ou três horas na mesma posição. O problema é que esse hábito, comum no escritório e no home office, tem um impacto na circulação e no coração, e isso independe da idade ou do peso.

    A boa notícia é que mudar esse cenário não requer equipamentos sofisticados, longas sessões de ginástica ou interrupções demoradas. Micropausas de apenas 1 a 3 minutos, feitas ao longo do expediente, são suficientes para ativar o corpo, melhorar a energia e reduzir riscos cardíacos.

    O que são micropausas e por que elas protegem o coração

    Micropausas são pequenas interrupções de movimento ao longo do dia, geralmente entre 1 e 3 minutos, feitas a cada 30 a 60 minutos sentado. Elas não substituem a prática de exercícios, mas funcionam como uma forma de “reset” circulatório.

    Permanecer sentado por longos períodos:

    • Reduz o retorno venoso e favorece o inchaço nas pernas;
    • Diminui o gasto energético e desacelera o metabolismo;
    • Piora o controle da glicose;
    • Facilita o acúmulo de gordura abdominal;
    • Aumenta o risco de pressão alta e alterações no colesterol.

    Esses fatores, somados, aumentam a probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares, mesmo em pessoas que fazem atividade física fora do expediente.

    As micropausas, por sua vez, reativam a circulação, estimulam a musculatura e diminuem a sobrecarga do coração.

    Por que ficar muito tempo sentado faz tanto mal?

    Estudos mostram que o corpo humano não foi feito para longos períodos de inatividade. Mais de seis horas sentado por dia já está associado a maior risco de:

    • Pressão alta;
    • Obesidade;
    • Diabetes tipo 2;
    • Doença arterial coronariana;
    • Arritmias;
    • Complicações cardiovasculares graves.

    O que piora esse quadro é a imobilidade contínua. Não é apenas ficar sentado: é ficar sentado sem se mexer.

    As micropausas quebram esse ciclo de maneira simples e eficiente.

    Como fazer micropausas no seu dia de trabalho

    Aqui estão formas rápidas e práticas de colocar o corpo em movimento:

    1. Levante-se e caminhe por 1 minuto: pode ser até no próprio cômodo. O objetivo é ativar a circulação.
    2. Ative as panturrilhas: fique na ponta dos pés 10 a 15 vezes. Isso estimula o retorno venoso.
    3. Alongue o pescoço, ombros e peito: são movimentos fáceis que reduzem tensão acumulada.
    4. Sente e levante da cadeira 10 vezes: esse movimento ativa glúteos e coxas, que são músculos grandes e potentes.
    5. Suba 1 ou 2 lances de escada: é um dos exercícios mais completos e intensifica a circulação rapidamente.
    6. Caminhe até o filtro de água ou banheiro: mudanças de ambiente estimulam o corpo e o cérebro.

    Com que frequência devo fazer as micropausas?

    As recomendações são:

    • A cada 30 a 60 minutos sentado, faça uma pausa rápida;
    • 1 a 3 minutos já são suficientes para melhorar circulação e energia;
    • Use alertas do celular ou smartwatch para lembrar.

    Essas pequenas interrupções, somadas, têm impacto direto no controle da pressão, no metabolismo e na saúde cardíaca.

    Micropausas substituem o exercício físico?

    Não. Elas complementam, mas não substituem a atividade física recomendada:

    • 150 a 300 minutos semanais de exercícios moderados;
    • Ou 75 a 150 minutos de atividades intensas;
    • Mais fortalecimento muscular 2 vezes por semana.

    Quem trabalha sentado deve manter esse plano e, além disso, adicionar micropausas para evitar longos períodos de imobilidade. Como o exercício físico costuma ser feito em apenas um momento do dia, é importante ter essas micropausas para manter o corpo em movimento ao longo do dia.

    Benefícios comprovados das micropausas

    As pausas curtas ajudam a:

    • Melhorar a circulação sanguínea;
    • Reduzir a glicemia;
    • Controlar a pressão arterial;
    • Diminuir a fadiga;
    • Melhorar o humor e a produtividade;
    • Prevenir inchaço nas pernas;
    • Reduzir dores lombares e cervicais;
    • Prevenir ganho de peso.

    São benefícios rápidos, acumulativos e de baixo esforço.

    Sinais de que você está ficando tempo demais sentado

    Mesmo sem perceber, o corpo dá sinais de alerta:

    • Pés e pernas inchados;
    • Muito cansaço;
    • Dor nas costas, ombros ou pescoço;
    • Formigamento nas pernas;
    • Dificuldade para dormir;
    • Irritabilidade e ansiedade;
    • Ganho de peso rápido.

    Se houver sintomas como falta de ar, dor no peito, palpitações ou inchaço persistente, é importante buscar avaliação médica imediata.

    Leia também: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

    Perguntas frequentes sobre micropausas e sedentarismo

    1. Micropausas realmente fazem diferença?

    Sim. Estudos mostram que pausas de 1 a 3 minutos já ajudam a controlar pressão, glicemia e circulação.

    2. Preciso levantar de hora em hora?

    Idealmente, a cada 30 a 60 minutos. Mas qualquer pausa já é melhor do que nenhuma.

    3. Trabalhar em pé resolve?

    Trabalhar em pé ajuda, mas não substitui a movimentação. O ideal é alternar posições e se movimentar regularmente.

    4. Micropausas substituem academia?

    Não. Elas evitam os danos da imobilidade, mas não substituem atividade física planejada.

    5. Quem trabalha em home office precisa ainda mais de micropausas?

    Sim. Em casa, é comum permanecer mais tempo sentado sem perceber.

    6. Existe uma pausa ideal?

    A recomendação é de 1 a 3 minutos de movimento a cada 30–60 minutos sentado.

    7. Micropausas ajudam no humor e na produtividade?

    Sim. Elas aumentam a oxigenação do cérebro e reduzem o cansaço mental.

    Veja também: Atividade física e produtividade: como mexer o corpo melhora o cérebro

  • Escaras: por que surgem e o que fazer para prevenir 

    Escaras: por que surgem e o que fazer para prevenir 

    As escaras, também chamadas de úlceras por pressão ou lesões por pressão, são feridas na pele que surgem quando uma área do corpo permanece sob pressão contínua por tempo prolongado, geralmente sobre uma proeminência óssea.

    Essas lesões podem variar desde uma vermelhidão localizada até feridas profundas, com exposição de tecidos e, nos casos mais graves, até do osso.

    Esse tipo de lesão é frequente tanto em ambientes hospitalares quanto em cuidados domiciliares, especialmente entre pessoas com mobilidade reduzida, como pacientes acamados, cadeirantes ou idosos em instituições de longa permanência.

    O que são as úlceras por pressão (escaras)

    As úlceras por pressão são lesões que acometem a pele e os tecidos subjacentes, causadas pela compressão prolongada entre uma superfície externa (como colchão ou cadeira) e uma estrutura óssea do corpo.

    Essa pressão contínua reduz a circulação sanguínea local, provoca dano celular progressivo e pode levar à morte do tecido, resultando em feridas de difícil cicatrização se não tratadas adequadamente.

    Como as escaras são formadas

    O surgimento da úlcera por pressão envolve a combinação de diferentes fatores:

    • Pressão contínua exercida sobre a pele;
    • Atrito entre a pele e superfícies como lençóis, cadeiras ou fraldas;
    • Condições clínicas do próprio paciente.

    Na maioria dos casos, a pressão ocorre pela permanência prolongada na mesma posição, seja deitado ou sentado. Esse contato constante prejudica a circulação, levando inicialmente a vermelhidão e inchaço. Se a pressão não for aliviada, a lesão pode evoluir para estágios mais graves.

    Principais fatores de risco

    • Imobilidade ou mobilidade reduzida (principal fator);
    • Desnutrição, que dificulta a cicatrização;
    • Redução da sensibilidade, impedindo a percepção de dor ou desconforto;
    • Umidade excessiva por urina, fezes ou suor, que fragiliza a pele.

    Na avaliação de uma lesão por pressão, é fundamental observar:

    • Integridade da pele;
    • Localização em áreas de maior risco;
    • Presença de dor;
    • Sinais de infecção;
    • Profundidade e gravidade da ferida.

    Classificação da úlcera por pressão (graus 1 a 4)

    As lesões por pressão são classificadas em quatro graus, conforme a profundidade e o comprometimento dos tecidos.

    Grau 1 (mais leve)

    • Vermelhidão persistente na pele;
    • Pode haver dor, inchaço e calor local;
    • A pele permanece íntegra.

    Grau 2

    • Perda da camada mais superficial da pele;
    • Lesão rosada ou avermelhada, podendo apresentar bolhas;
    • Aspecto semelhante a “carne viva”.

    Grau 3

    • Perda quase total das camadas da pele;
    • Exposição de tecido gorduroso;
    • Ainda não há exposição de músculos ou ossos.

    Grau 4 (mais grave)

    • Lesão profunda;
    • Exposição de músculos e/ou ossos;
    • Alto risco de infecção e complicações graves.

    Quando a lesão não é classificável

    Quando há necrose, com tecido escurecido ou enegrecido, não é possível determinar a profundidade real da lesão. Nesses casos, a remoção desse tecido é necessária para avaliação adequada.

    Tratamento: o que fazer e como cuidar

    O tratamento das úlceras por pressão envolve medidas combinadas, com o objetivo de evitar progressão da lesão e favorecer a cicatrização:

    • Redução dos fatores de risco;
    • Cuidados locais com a ferida;
    • Tratamento de infecções, quando presentes;
    • Otimização do estado nutricional;
    • Controle adequado da dor.

    Controle da dor

    A dor pode ser manejada com:

    • Analgésicos simples em casos leves a moderados;
    • Opioides em dores mais intensas, quando indicados e com orientação médica.

    Tratamento de infecção (quando indicado)

    Nem toda úlcera por pressão exige antibiótico. A maioria das feridas apresenta colonização bacteriana sem infecção ativa.

    O uso de antibióticos é indicado quando há sinais como:

    • Aumento de secreção ou mau cheiro;
    • Intensificação da dor;
    • Vermelhidão importante ao redor da ferida;
    • Febre ou sinais sistêmicos;
    • Suspeita de osteomielite (infecção do osso).

    Nutrição é parte do tratamento

    A desnutrição aumenta o risco de lesões e dificulta a cicatrização. Por isso, é essencial garantir:

    • Aporte adequado de proteínas;
    • Consumo suficiente de calorias;
    • Hidratação adequada.

    Medidas de prevenção (o que realmente ajuda)

    A prevenção é o aspecto mais importante no cuidado de pessoas com mobilidade reduzida.

    As principais estratégias incluem:

    • Uso de colchões e acessórios que reduzem a pressão;
    • Estímulo à mobilidade sempre que possível;
    • Mudança periódica de posição no leito ou na cadeira;
    • Controle da umidade, com higiene e trocas frequentes;
    • Avaliação diária das áreas de maior risco.

    Essas medidas simples são comprovadamente eficazes para reduzir a incidência e evitar a progressão das lesões.

    Confira: Tétano ainda existe: por que ferimentos simples podem virar um risco grave

    Perguntas frequentes sobre escaras (úlcera por pressão)

    1. Úlcera por pressão é a mesma coisa que escara?

    Sim. “Escara” é um termo popular utilizado para se referir às lesões por pressão.

    2. Quem tem maior risco de desenvolver escaras?

    Pessoas com mobilidade reduzida, como pacientes acamados, cadeirantes, idosos frágeis e pacientes hospitalizados por longos períodos.

    3. Vermelhidão na pele já é úlcera por pressão?

    Pode ser o estágio inicial (grau 1). Vermelhidão persistente sobre áreas ósseas é um sinal de alerta e deve ser tratada precocemente.

    4. Toda escara precisa de antibiótico?

    Não. Antibióticos são indicados apenas quando há infecção ativa ou suspeita de complicações, como osteomielite.

    5. A úlcera por pressão pode atingir o osso?

    Sim. No grau 4, pode haver exposição de músculo e osso, com risco elevado de infecção grave.

    6. O que mais ajuda a prevenir úlcera por pressão?

    Mudança frequente de posição, redução da pressão com colchões adequados e estímulo à mobilidade.

    7. A nutrição interfere na cicatrização?

    Sim. A desnutrição é um fator importante de risco e pode atrasar significativamente a cicatrização.

    Veja mais: Queimaduras: causas, tipos e o que fazer em cada situação

  • Por que as dietas restritivas não funcionam (e os riscos para a saúde)

    Por que as dietas restritivas não funcionam (e os riscos para a saúde)

    Jejum intermitente, cetogênica, low carb e Dukan são tipos de dieta que têm algo em comum: a restrição de determinados alimentos. Para causar um emagrecimento rápido, elas costumam impor regras como cortar ou reduzir de forma acentuada os carboidratos, limitar horários para comer ou priorizar apenas alguns grupos alimentares.

    No início, as dietas restritivas até podem levar a perda de peso, mas, com o passar do tempo, tendem a se tornar difíceis de manter, aumentam a sensação de privação e podem prejudicar a relação com a comida — inclusive favorecendo episódios de compulsão alimentar e o efeito sanfona.

    Mas afinal, como isso acontece? Vamos entender mais, a seguir.

    O que são dietas restritivas?

    As dietas restritivas são planos alimentares que limitam de forma intensa a quantidade ou o tipo de alimentos consumidos. Normalmente, elas envolvem cortes de grupos alimentares, redução exagerada de calorias ou regras rígidas sobre horários e combinações de comidas, com foco principal na perda de peso rápida.

    De maneira geral, esse tipo de dieta costuma ter como foco a perda de peso rápida, por meio da redução intensa de calorias ou da exclusão de determinados alimentos, sem levar em conta as necessidades de cada pessoa, a rotina ou a relação com a comida.

    Por que as dietas restritivas não funcionam?

    Em uma alimentação muito restritiva, com cortes fortes de calorias ou exclusão de vários alimentos, o organismo entra em estado de alerta.

    O corpo entende a restrição como uma ameaça e ativa mecanismos de defesa para economizar energia, aumentar a fome e reduzir o gasto calórico. No início, até pode haver perda de peso, mas grande parte acontece pela perda de líquidos e massa muscular.

    Com o passar do tempo, a pessoa pode apresentar:

    • Aumento progressivo da fome, já que o corpo tenta compensar a falta de energia causada pela restrição alimentar;
    • Desejo intenso por alimentos mais calóricos, principalmente aqueles que foram cortados da dieta, o que aumenta a sensação de perda de controle;
    • Dificuldade em reconhecer sinais de saciedade, fazendo com que a pessoa coma mais rápido ou em maior quantidade quando tem acesso à comida;
    • Cansaço frequente e queda de energia, resultado da ingestão insuficiente de calorias e nutrientes essenciais para o funcionamento do organismo;
    • Irritabilidade e alterações de humor, causadas pela falta de energia, pela fome constante e pela pressão de seguir regras rígidas;
    • Dificuldade de concentração e raciocínio mais lento, afetando o desempenho no trabalho, nos estudos e nas atividades do dia a dia;
    • Episódios de compulsão alimentar, que podem surgir como resposta natural do corpo e da mente após períodos de forte restrição;
    • Dificuldade em manter a dieta a médio e longo prazo, já que regras muito rígidas não se encaixam na rotina real das pessoas.

    Para completar, quando a dieta é interrompida, o corpo tende a recuperar o peso perdido com facilidade, muitas vezes até mais do que antes, situação conhecida como efeito sanfona.

    Por que o corpo reage tão rápido no início?

    No início de uma dieta restritiva, a pessoa até pode ter uma perda de peso, mas isso acontece porque a mudança brusca na alimentação provoca uma redução imediata da ingestão de calorias e de carboidratos.

    Com isso, o organismo perde parte do glicogênio, que é a reserva de energia armazenada nos músculos e no fígado, e junto com ele há uma grande perda de líquidos.

    Vale ressaltar que a perda rápida de peso não significa, necessariamente, que houve redução de gordura corporal. Na maioria dos casos, o que ocorre no começo é principalmente a eliminação de água e, em alguns casos, de massa muscular, o que explica por que os resultados iniciais costumam ser rápidos, mas muito difíceis de manter.

    Riscos das dietas muito restritivas para a saúde

    Quando o corpo recebe pouca comida ou muitos alimentos são cortados, ele começa a sentir os efeitos no dia a dia, tanto no físico quanto no emocional. Entre alguns dos principais riscos, é possível destacar:

    • Falta de energia e sensação constante de cansaço;
    • Perda de massa muscular, além de gordura;
    • Metabolismo mais lento, dificultando o emagrecimento;
    • Alterações hormonais;
    • Desconfortos digestivos, como prisão de ventre ou inchaço;
    • Aumento de ansiedade, culpa e preocupação excessiva com comida;
    • Dificuldade para manter uma alimentação equilibrada a longo prazo;
    • Maior chance de efeito sanfona, com impacto na autoestima e na saúde do coração.

    Em situações mais graves, a restrição pode levar à falta de vitaminas e minerais importantes e estimular comportamentos alimentares prejudiciais, principalmente em pessoas que já têm uma relação delicada com a comida.

    Quem corre mais risco ao seguir dietas muito restritivas?

    Em algumas pessoas, o corpo e a mente ficam mais vulneráveis aos efeitos da falta de comida e de nutrientes. Por isso, alguns grupos merecem mais atenção, como:

    • Pessoas que já tiveram ou têm relação difícil com a comida;
    • Quem convive com ansiedade, culpa frequente ao comer ou episódios de compulsão alimentar;
    • Adolescentes, que ainda estão em fase de crescimento;
    • Gestantes e mulheres que estão amamentando;
    • Idosos, que precisam de mais nutrientes para manter a saúde;
    • Pessoas com doenças crônicas ou que fazem uso contínuo de medicamentos.

    Nesses casos, dietas muito restritivas podem agravar problemas de saúde, afetar o equilíbrio emocional e trazer consequências mais sérias.

    Existe alguma situação em que a restrição alimentar é indicada?

    A restrição alimentar pode ser indicada em algumas situações, principalmente quando há diagnóstico médico de alergias, intolerâncias ou doenças crônicas que exigem a retirada de alimentos específicos para evitar riscos à saúde.

    No entanto, nesses casos, a restrição é planejada e acompanhada por um profissional da saúde, com foco em manter uma alimentação equilibrada, segura e adequada às necessidades do corpo.

    Quais sinais indicam que a dieta está fazendo mal à saúde?

    Mesmo com a perda de peso, é fundamental ficar atento a alguns sinais de que a dieta está prejudicando a saúde, como:

    • Cansaço frequente e falta de energia no dia a dia;
    • Irritabilidade, mau humor ou ansiedade aumentada;
    • Dificuldade de concentração e queda de rendimento;
    • Tontura, fraqueza ou dor de cabeça recorrente;
    • Obsessão por comida, calorias ou regras alimentares;
    • Culpa ou medo ao comer determinados alimentos;
    • Episódios de exagero ou perda de controle ao comer;
    • Dificuldade de manter a dieta sem sofrimento.

    Como identificar se uma dieta é perigosa?

    Qualquer dieta que promete resultados rápidos demais, impõe proibições severas ou faz a pessoa sentir fome constante deve ser vista com cuidado.

    Também é importante desconfiar de dietas que provocam culpa ao comer, medo de sair das regras ou obsessão por calorias e alimentos “permitidos”. Se a dieta causa sofrimento físico ou emocional e dificulta a vida social, há grandes chances de ela ser perigosa para a saúde.

    Em todo o caso, o mais indicado é buscar orientação de um profissional de saúde antes de iniciar qualquer plano alimentar. O acompanhamento médico ou nutricional ajuda a avaliar as necessidades de cada um, identificar possíveis riscos e garantir que a alimentação seja segura e adequada à rotina.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    Perguntas frequentes

    Por que manter uma dieta restritiva costuma ser tão difícil?

    A dieta restritiva costuma ser difícil de manter porque envolve regras rígidas que não acompanham as necessidades do corpo nem a rotina do dia a dia.

    Com o passar do tempo, a fome fica mais intensa, o desejo por alimentos calóricos aumenta e a restrição constante causa um desgaste físico e emocional, tornando ainda mais complicada a adesão ao plano alimentar.

    Perder peso muito rápido faz mal?

    Sim, a perda rápida costuma envolver perda de líquidos e massa muscular, além de sobrecarregar o organismo e aumentar o risco de reganho de peso.

    Dietas restritivas podem alterar a percepção de fome?

    Sim. Com o tempo, a pessoa pode deixar de reconhecer sinais naturais do corpo, como fome e saciedade.

    A restrição constante faz com que os sinais sejam ignorados ou confundidos, dificultando perceber quando realmente é hora de comer ou quando o corpo já está satisfeito.

    Cortar carboidratos faz mal?

    Os carboidratos são uma das principais fontes de energia do corpo, de modo que cortá-los da rotina sem necessidade médica pode causar cansaço, irritabilidade, dor de cabeça e dificuldade de concentração.

    Em vez de eliminar, o mais indicado costuma ser ajustar a quantidade e a qualidade, respeitando as necessidades individuais.

    Por que a vontade de comer doce aumenta durante as dietas?

    Durante a restrição, o corpo busca fontes rápidas de energia. O doce aparece como uma resposta natural, já que fornece energia de forma rápida. Quanto maior a proibição, maior tende a ser essa vontade, o que não significa falta de controle.

    Como emagrecer de forma saudável?

    Para emagrecer de forma saudável, é importante adotar hábitos que possam ser mantidos ao longo do tempo, sem regras extremas. Isso inclui ter uma alimentação variada, com refeições regulares, respeitar os sinais de fome e saciedade, cuidar do sono, do estresse e manter alguma atividade física que faça sentido para a rotina.

    O acompanhamento de um nutricionista ajuda a adaptar a alimentação às necessidades individuais, tornando o processo mais seguro.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • Micro-hábitos diários: por que eles têm tanto impacto na saúde a longo prazo?

    Micro-hábitos diários: por que eles têm tanto impacto na saúde a longo prazo?

    Você já deve ter ouvido dizer que mudanças reais começam com passos pequenos, e isso também vale para a saúde.

    Segundo um estudo publicado na revista JAMA Internal Medicine, pequenas mudanças no estilo de vida, quando mantidas ao longo do tempo, podem render até 10 anos a mais de vida saudável — ou seja, sem doenças crônicas que comprometem a qualidade de vida.

    Isso envolve uma série de micro-hábitos, como caminhar alguns minutos por dia, reduzir o tempo sentado e priorizar escolhas alimentares mais naturais. Quando praticados de forma constante, é possível observar os benefícios na saúde ao longos dos anos.

    Afinal, o que são micro-hábitos?

    Os micro-hábitos são pequenas atitudes do dia a dia, simples de fazer e fáceis de manter, que contribuem para a saúde quando praticadas de forma consistente.

    Diferentemente de mudanças radicais, que exigem muito esforço e costumam ser difíceis de sustentar, os micro-hábitos se encaixam naturalmente na rotina e trazem benefícios acumulativos ao longo do tempo.

    Entre alguns exemplos, é possível destacar:

    • Caminhar alguns minutos todos os dias;
    • Reduzir o tempo sentado, levantando-se ao longo do dia;
    • Priorizar alimentos mais naturais nas refeições;
    • Aumentar a ingestão de água ao longo do dia;
    • Priorizar um sono de qualidade;
    • Fazer pequenas pausas para alongamento;
    • Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados;
    • Subir escadas em vez de usar elevador, quando possível;
    • Prestar atenção aos sinais de fome e saciedade;
    • Reservar alguns minutos diários para relaxamento ou respiração.

    Com o passar do tempo, a construção de bons hábitos passa a acontecer de forma mais natural, sem a sensação de esforço constante ou de cobrança excessiva.

    Por que eles funcionam a longo prazo?

    Os micro-hábitos são fáceis de colocar em prática e se encaixam na rotina sem exigir mudanças radicais. Por isso, eles cansam menos e não sobrecarregam tanto o corpo e a mente, o que facilita manter o hábito ao longo do tempo e reduz as chances de desistir, algo comum em estratégias muito restritivas ou intensas.

    Além disso, quando repetidos diariamente, os hábitos produzem um efeito cumulativo no organismo. Ou seja, pequenas melhorias na alimentação, no nível de atividade física e no controle do peso ajudam a reduzir inflamações, melhorar o metabolismo, regular hormônios e proteger o sistema cardiovascular.

    Com o passar dos anos, os ajustes contínuos resultam em menor risco de doenças crônicas e maior tempo de vida com qualidade.

    Como começar com micro-hábitos sem se sentir sobrecarregado?

    Para começar, é importante ter em mente que não é preciso mudar tudo de uma vez. Você pode escolher uma única mudança pequena, simples e possível de ser mantida no dia a dia. Quanto menor o esforço inicial, maior a chance de o hábito realmente se consolidar.

    Veja algumas dicas que podem te ajudar:

    • Comece com apenas um hábito de cada vez;
    • Escolha mudanças pequenas e possíveis de manter no dia a dia;
    • Adapte o hábito à rotina que você já tem;
    • Evite metas rígidas ou muito ambiciosas no início;
    • Foque mais na constância do que na perfeição;
    • Aceite que alguns dias não vão sair como planejado;
    • Associe o novo hábito a algo que já faz diariamente;
    • Observe os benefícios aos poucos, e não tenha pressa;
    • Evite se comparar com outras pessoas;
    • Ajuste o hábito conforme a rotina muda.

    Quando ajustar ou evoluir os micro-hábitos?

    Os micro-hábitos podem ser ajustados ou evoluídos quando já estão bem encaixados na rotina e não exigem mais esforço. Quando aquela atitude passa a acontecer no automático, sem preguiça ou resistência, é um sinal de que dá para avançar um pouco mais.

    Um exemplo é a atividade física. Quem começa caminhando 10 minutos por dia pode, com o tempo, aumentar o tempo da caminhada, caminhar em ritmo mais rápido ou incluir novos estímulos, como musculação duas vezes por semana.

    A musculação ajuda a manter a força, proteger as articulações e preservar a massa muscular, algo especialmente importante com o passar dos anos.

    Por que a atividade física é tão necessária para envelhecer com saúde?

    A prática de atividades físicas ajuda a preservar funções do corpo que tendem a diminuir com o passar dos anos. Com o envelhecimento, é comum perder massa muscular, força, equilíbrio e mobilidade, e o movimento regular atua diretamente para desacelerar esse processo.

    O hábito de movimentar o corpo também melhora a saúde do coração, ajuda no controle da pressão arterial, do colesterol e da glicemia, e reduz o risco de doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares e osteoporose.

    A musculação, em especial, é muito importante para envelhecer bem porque ajuda a manter a massa muscular e a força, que fazem toda a diferença no dia a dia. Com o tempo, é normal perder músculo, e isso pode dificultar coisas simples, como subir escadas, carregar sacolas ou manter o equilíbrio.

    Vale apontar que a prática de musculação, assim como toda atividade física, deve ser feita com orientação de um profissional, de preferência um educador físico, que possa adaptar os exercícios às necessidades, limitações e objetivos de cada pessoa. Isso ajuda a evitar lesões e torna o treino mais seguro, especialmente com o avanço da idade.

    Leia mais: Atividade física e produtividade: como mexer o corpo melhora o cérebro

    Perguntas frequentes

    1. O estresse pode reduzir a expectativa de vida?

    O estresse crônico pode aumentar inflamações no organismo, afetar o coração, o sono e a saúde mental. Aprender a lidar melhor com o estresse ajuda a proteger o corpo e contribui para uma vida mais longa e saudável.

    2. O consumo de álcool interfere na longevidade?

    O consumo excessivo de álcool está associado a diversos problemas de saúde. A moderação ou a redução do consumo contribui para menor risco de doenças hepáticas, cardiovasculares e metabólicas.

    3. Existe idade certa para começar a cuidar da saúde?

    Não, quanto antes os cuidados começam, melhor, mas nunca é tarde para mudar hábitos. O corpo responde positivamente em qualquer fase da vida.

    4. Quais os riscos do sedentarismo?

    O sedentarismo aumenta o risco de diversas doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares e obesidade. Além disso, ele favorece a perda de massa muscular, reduz a mobilidade, piora o equilíbrio e aumenta o risco de quedas com o passar dos anos.

    5. Ficar muito tempo sentado faz mal mesmo quem se exercita?

    Sim, mesmo pessoas que praticam atividade física podem sofrer efeitos negativos ao passar muitas horas sentadas. Longos períodos de inatividade prejudicam a circulação, o metabolismo e a saúde muscular, reforçando a importância de se movimentar ao longo do dia.

    6. Quantos minutos de atividade física por semana são recomendados?

    Em geral, o recomendado é fazer pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana, distribuídos ao longo dos dias. Isso pode ser adaptado à rotina e à condição física de cada pessoa.

    Confira: 8 dicas para ter uma boa rotina (e com saúde!) no dia a dia

  • Paralisia cerebral: o que é, por que acontece e como é tratada 

    Paralisia cerebral: o que é, por que acontece e como é tratada 

    A paralisia cerebral é um termo que engloba um grupo de condições neurológicas que afetam o tônus muscular, a postura e os movimentos. Essas alterações ocorrem devido a problemas no desenvolvimento do sistema nervoso central durante a vida fetal, no período perinatal ou nos primeiros anos da infância.

    Apesar do nome, a paralisia cerebral não é uma doença neurodegenerativa. A lesão cerebral é fixa e não piora ao longo do tempo. A forma como a condição se manifesta, no entanto, pode mudar conforme a criança cresce, o que exige acompanhamento contínuo até a vida adulta.

    Além das alterações motoras, algumas pessoas podem apresentar outras manifestações neurológicas, como alterações sensoriais, dificuldades de percepção, alterações comportamentais ou intelectuais e convulsões, dependendo das áreas cerebrais afetadas.

    A prevalência varia conforme a região, mas estima-se que a paralisia cerebral ocorra em cerca de 2 a 4 casos a cada 1.000 nascidos vivos, sendo considerada a deficiência mais comum na infância, segundo o Ministério da Saúde.

    O que é paralisia cerebral

    A paralisia cerebral resulta de uma lesão ou alteração no cérebro em desenvolvimento, especialmente nas áreas responsáveis pelo controle motor. Essa lesão interfere na capacidade do cérebro de coordenar os movimentos e manter a postura de forma adequada.

    É importante destacar que:

    • A lesão cerebral é não progressiva;
    • A gravidade varia amplamente entre os indivíduos;
    • Cada pessoa apresenta um quadro único, com diferentes níveis de funcionalidade.

    Principais causas da paralisia cerebral

    As causas são múltiplas e costumam ser classificadas conforme o momento em que ocorrem: pré-natais, perinatais e pós-natais.

    Causas pré-natais

    Ocorrem ainda durante a gestação e são responsáveis por grande parte dos casos. Incluem:

    • Infecções intrauterinas, como citomegalovírus, sífilis, Zika, varicela, toxoplasmose e infecções bacterianas;
    • Traumas maternos durante a gestação;
    • Anomalias congênitas do sistema nervoso, como microcefalia e hidrocefalia;
    • Fatores genéticos e alterações cromossômicas;
    • AVC intrauterino.

    Causas perinatais

    Relacionam-se ao final da gestação e aos primeiros dias de vida, período de grande vulnerabilidade do sistema nervoso. As principais são:

    • Infecções do sistema nervoso central, como meningites e encefalites;
    • AVC neonatal;
    • Falta de oxigênio após o parto;
    • Kernicterus, encefalopatia causada pelo acúmulo de bilirrubina no sistema nervoso central.

    Causas pós-natais

    Ocorrem após o nascimento e envolvem:

    • Traumas cranianos;
    • Infecções do sistema nervoso central;
    • AVC;
    • Insultos anóxicos, caracterizados por falta de oxigenação adequada.

    Prematuridade como fator de risco

    A prematuridade é um dos principais fatores de risco para a paralisia cerebral. Bebês prematuros têm maior chance de desenvolver complicações neurológicas, como:

    • Leucomalácia periventricular;
    • Hemorragia intraventricular;
    • Infartos periventriculares.

    Essas condições afetam diretamente o sistema nervoso central e podem resultar em sequelas motoras permanentes.

    Tratamento e reabilitação

    Embora a paralisia cerebral não tenha cura, o tratamento tem como objetivo maximizar a funcionalidade, reduzir limitações, prevenir deformidades e melhorar a qualidade de vida. O cuidado deve ser individualizado e realizado por uma equipe multiprofissional.

    Fisioterapia

    É um dos pilares do tratamento e deve ser iniciada precocemente. Busca melhorar controle postural, força, equilíbrio, mobilidade e prevenir contraturas e deformidades.

    Terapia ocupacional

    Atua na promoção da autonomia nas atividades diárias, como alimentação, higiene, vestir-se e escrita, além de adaptar o ambiente e utilizar tecnologias assistivas.

    Fonoaudiologia

    Essencial para pacientes com dificuldades de fala, comunicação, mastigação ou deglutição, contribuindo para segurança alimentar e interação social.

    Tratamento medicamentoso

    Pode ser indicado para controle de espasticidade, distonia, dor muscular e convulsões. Em casos selecionados, pode-se utilizar toxina botulínica para reduzir espasticidade localizada.

    Intervenções ortopédicas e cirúrgicas

    Alguns pacientes se beneficiam do uso de órteses ou de cirurgias corretivas para melhorar alinhamento, postura e função, sempre após avaliação criteriosa.

    Apoio psicológico e educacional

    O acompanhamento psicológico auxilia o paciente e a família no enfrentamento emocional. No ambiente escolar, adaptações pedagógicas favorecem inclusão e aprendizado.

    Acompanhamento ao longo da vida

    Embora a lesão cerebral não progrida, as demandas mudam com o crescimento. O acompanhamento contínuo permite ajustes terapêuticos, prevenção de complicações musculoesqueléticas e promoção de independência e participação social.

    Confira: Posição da placenta: como ela pode afetar a via de parto e quando é preocupante

    Perguntas frequentes sobre paralisia cerebral

    1. Paralisia cerebral é progressiva?

    Não. A lesão é fixa, mas os sintomas podem mudar ao longo do crescimento.

    2. Toda pessoa com paralisia cerebral tem deficiência intelectual?

    Não. O comprometimento intelectual varia e pode estar ausente em muitos casos.

    3. Convulsões são comuns?

    Podem ocorrer em parte dos pacientes, dependendo da área cerebral afetada.

    4. A reabilitação deve começar quando?

    O mais cedo possível, aproveitando a plasticidade do cérebro infantil.

    5. Existe cura para paralisia cerebral?

    Não há cura, mas o tratamento melhora significativamente a funcionalidade.

    6. A fisioterapia é contínua?

    Na maioria dos casos, sim, com intensidade ajustada ao longo da vida.

    7. O tratamento melhora a qualidade de vida?

    Sim. A reabilitação adequada promove maior autonomia, conforto e inclusão social.

    Veja mais: Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

  • Malária: como reconhecer os sintomas e evitar complicações 

    Malária: como reconhecer os sintomas e evitar complicações 

    A malária é uma doença infecciosa causada por protozoários do gênero Plasmodium. No Brasil, o Plasmodium vivax é o agente mais frequente, e a transmissão ocorre pela picada da fêmea do mosquito Anopheles (conhecido como mosquito-palha).

    No país, cerca de 99% dos casos concentram-se na Amazônia Legal. No cenário global, a maior carga da doença está na África subsaariana. Apesar de potencialmente grave, a malária tem tratamento eficaz quando o diagnóstico é feito precocemente.

    O que é malária

    A malária é uma infecção sistêmica que envolve duas fases no organismo humano: uma fase inicial no fígado e outra no sangue.

    Após a picada do mosquito infectado, o parasita entra na corrente sanguínea e se aloja no fígado, onde se multiplica. Em seguida, ele passa para as hemácias (glóbulos vermelhos), causando destruição dessas células e desencadeando os episódios de febre.

    Existem diferentes espécies de PlasmodiumP. vivax, P. falciparum, P. malariae, P. ovale e P. knowlesi — que podem determinar diferenças nos sintomas e no risco de complicações.

    Transmissão

    A transmissão da malária ocorre exclusivamente pela picada da fêmea do mosquito Anopheles infectada.

    Durante a picada, o mosquito inocula formas do parasita chamadas esporozoítos, que entram na corrente sanguínea e seguem para o fígado. Após a multiplicação no fígado, novas formas do parasita invadem as hemácias, iniciando o ciclo que provoca os sintomas.

    Alguns parasitas se transformam em gametócitos. Quando outro mosquito pica a pessoa infectada, ele ingere esses gametócitos e passa a transmitir a doença a outras pessoas, mantendo o ciclo.

    O intervalo entre os episódios febris costuma variar entre 48 e 72 horas, dependendo da espécie do Plasmodium.

    Sintomas

    Malária não complicada

    Na forma não complicada, os sintomas são gerais e podem se confundir com outras infecções:

    • Febre alta intermitente (podendo chegar a 40 °C);
    • Calafrios intensos e sudorese;
    • Dor de cabeça;
    • Dores musculares e articulares;
    • Cansaço intenso;
    • Náuseas, vômitos, perda de apetite e dor abdominal;
    • Falta de ar leve ou desconforto respiratório.

    O reconhecimento precoce desses sinais é essencial para evitar a progressão da doença.

    Malária complicada

    A malária complicada apresenta manifestações graves e risco de morte, especialmente associadas ao P. falciparum. Podem ocorrer:

    • Anemia intensa e icterícia (pele e olhos amarelados);
    • Redução do volume urinário ou insuficiência renal aguda;
    • Vômitos persistentes e sangramentos;
    • Choque circulatório;
    • Insuficiência respiratória e cianose;
    • Convulsões e coma.

    Esses quadros exigem tratamento hospitalar imediato e suporte intensivo.

    Rastreamento e suspeita clínica

    A malária deve ser suspeitada em qualquer pessoa com febre que more ou tenha viajado recentemente para áreas endêmicas, especialmente a Amazônia Legal.

    Em regiões de risco, o rastreamento envolve a investigação ativa de casos febris, uso de testes rápidos e coleta de amostras de sangue. A suspeita clínica rápida é fundamental para reduzir complicações, mortalidade e transmissão da doença.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da malária é confirmado por exames laboratoriais, principalmente:

    • Gota espessa e esfregaço sanguíneo: método padrão, permite visualizar o parasita e estimar a quantidade de parasitas no sangue.
    • Testes rápidos (RDTs): detectam antígenos do Plasmodium e são úteis em locais sem microscopia, embora não quantifiquem a parasitemia.
    • Testes moleculares (PCR): mais sensíveis, usados em centros de referência para identificar espécies e cargas baixas.

    Exames como hemograma e avaliação da função dos rins e do fígado ajudam a identificar gravidade e complicações.

    Tratamento

    O tratamento da malária depende da espécie do parasita e da gravidade do quadro.

    • Malária não complicada por P. vivax: cloroquina para eliminar as formas no sangue e primaquina para eliminar formas hepáticas e prevenir recaídas, após excluir deficiência de G6PD.
    • Infecção por P. falciparum ou mista: uso de terapias combinadas à base de artemisinina (ACT), conforme protocolos.
    • Malária complicada: tratamento hospitalar com antimaláricos intravenosos e medidas de suporte, como hidratação, manejo de falência de órgãos e transfusão quando necessário.

    O acompanhamento clínico e laboratorial é importante até a negativação do parasita no sangue.

    A malária é uma doença potencialmente grave, mas curável quando diagnosticada e tratada precocemente. No Brasil, a maior parte dos casos ocorre na Amazônia Legal, o que reforça a importância da vigilância em pessoas que vivem ou viajam para essas áreas.

    Suspeita clínica rápida, diagnóstico laboratorial adequado, tratamento específico conforme a espécie e ações de controle do mosquito são fundamentais para reduzir complicações, recaídas e transmissão.

    Veja mais: Febre amarela: o que é, como se transmite e como se proteger

    Perguntas frequentes sobre malária

    1. Malária passa de uma pessoa para outra?

    Não diretamente. A transmissão ocorre pela picada do mosquito Anopheles infectado.

    2. Toda febre em área endêmica é malária?

    Não, mas toda febre em quem vive ou esteve em área endêmica deve ser investigada para malária.

    3. Quais espécies de Plasmodium existem no Brasil?

    Principalmente P. vivax e P. falciparum, sendo o P. vivax o mais comum.

    4. Malária pode ser grave?

    Sim. A forma complicada pode causar insuficiência de órgãos, convulsões e até morte.

    5. O teste rápido substitui o exame de sangue?

    Ajuda no diagnóstico inicial, mas a gota espessa continua sendo o padrão para confirmação e acompanhamento.

    6. A malária tem cura?

    Sim. Com tratamento adequado e completo, a maioria dos pacientes evolui bem.

    7. Como prevenir a malária?

    Evitar picadas de mosquito, usar repelente, mosquiteiros, roupas protetoras e seguir orientações de saúde ao viajar para áreas endêmicas.

    Leia também: Dengue hemorrágica: quando os sintomas indicam alerta máximo

  • 10 fatores que podem afetar a sua memória (e quando procurar um médico)

    10 fatores que podem afetar a sua memória (e quando procurar um médico)

    Você costuma ter lapsos de memória? Não lembrar onde guardou um item, abrir a geladeira e não lembrar o que foi buscar, ou até ficar em silêncio por não recordar uma palavra são situações que fazem parte da rotina de qualquer pessoa.

    Na maioria das vezes, os episódios não indicam nenhum problema grave de saúde, mas é preciso ter atenção quando se tornam frequentes, começam a atrapalhar atividades simples ou vêm acompanhadas de outros sintomas, como confusão mental, dificuldade de concentração ou alterações de humor.

    Afinal, o que pode afetar a memória?

    Diversos fatores podem afetar a memória, desde hábitos do dia a dia até questões emocionais e condições de saúde. Listamos os principais a seguir:

    1. Privação de sono

    As noites mal dormidas atrapalham o processo de consolidação das memórias, reduzindo atenção, foco e capacidade de retenção de informações.

    De acordo com um estudo publicado na revista Nature, durante o descanso noturno, o cérebro revive e reorganiza experiências vividas ao longo do dia, um processo importante para transformar informações recentes em lembranças mais duradouras.

    Quando ocorre a privação de sono, o cérebro até continua ativo, mas passa a funcionar de forma desorganizada. Mesmo com intensa atividade cerebral durante a falta de sono, o mecanismo responsável por “repassar” e fixar memórias fica prejudicado. Na prática, isso significa que o cérebro trabalha, mas não registra corretamente as informações.

    2. Estresse e ansiedade

    Os níveis elevados de cortisol, conhecido como hormônio do estresse, dificultam tanto a formação de novas memórias quanto o acesso a informações que já foram armazenadas.

    Quando o estresse se mantém de forma constante no dia a dia, o cérebro permanece em estado de alerta contínuo, desviando energia de áreas responsáveis pela memória, pela atenção e pela capacidade de concentração.

    Com o tempo, isso pode resultar em lapsos de memória mais frequentes, sensação de mente confusa, dificuldade para organizar pensamentos e maior esforço para manter o foco em atividades rotineiras.

    3. Sedentarismo

    A falta de atividade física está associada à redução do volume cerebral e ao pior desempenho da memória e da concentração. O exercício regular melhora a circulação sanguínea no cérebro, estimula a formação de novas conexões neurais e ajuda a proteger funções cognitivas importantes, como atenção, aprendizado e memória.

    4. Depressão

    A depressão pode causar dificuldade de concentração, lapsos de memória e sensação constante de confusão mental. Em muitos casos, a pessoa até tenta se concentrar, mas sente a mente mais lenta, com dificuldade para organizar pensamentos e lembrar informações simples do dia a dia.

    Isso ocorre porque alterações químicas no cérebro interferem diretamente nas áreas responsáveis pela atenção, pelo aprendizado e pela memória.

    5. Síndrome de Burnout

    A síndrome de burnout é um estado de esgotamento físico, mental e emocional que surge quando a pressão constante, a sobrecarga e a falta de recuperação fazem com que a pessoa se sinta exausta, desmotivada e incapaz de lidar com as demandas profissionais.

    Com o passar do tempo, o cansaço intenso e prolongado compromete a capacidade de foco, prejudica a memória recente e favorece esquecimentos frequentes, fazendo com que tarefas simples passem a exigir muito mais esforço mental.

    6. Deficiências nutricionais

    Os níveis baixos de vitaminas, especialmente B9 e B12, interferem diretamente na saúde do sistema nervoso. Las vitaminas exercem papel importante na formação, na proteção e na manutenção dos neurônios — além de participarem da produção de neurotransmissores responsáveis pela comunicação entre as células do cérebro.

    Quando ocorre deficiência dessas vitaminas, o funcionamento cerebral pode ficar comprometido, causando sintomas como lapsos de memória, dificuldade de concentração, sensação de mente lenta, esquecimento frequente e cansaço mental persistente.

    Em alguns casos, também podem surgir alterações de humor, irritabilidade e queda no rendimento intelectual.

    A falta prolongada de vitamina B12, em especial, pode provocar danos neurológicos mais importantes, afetando não apenas a memória, mas também a atenção e o raciocínio.

    7. Condições médicas

    Condições como hipotireoidismo, alterações no fígado ou nos rins, infecções, distúrbios do sono como apneia e traumatismos cranianos podem impactar a memória.

    Nessas situações, o funcionamento cerebral fica comprometido, seja pela redução de oxigenação, por alterações hormonais ou por inflamações no organismo.

    Como resultado, surgem dificuldades de concentração, lentidão mental e esquecimentos mais frequentes, que podem ser temporários ou persistentes, dependendo da causa.

    8. Uso de medicamentos

    Alguns remédios, como anestésicos, calmantes, antidepressivos e medicamentos para dormir, podem apresentar efeitos colaterais relacionados à memória. Os efeitos variam conforme a dose, o tempo de uso e a sensibilidade de cada pessoa.

    Em alguns casos, o esquecimento ocorre principalmente no início do tratamento ou após ajustes na medicação, tendendo a melhorar com o tempo ou com a orientação médica adequada.

    9. Doenças neurodegenerativas

    Alzheimer e outras formas de demência comprometem progressivamente a memória e outras funções cognitivas. No início, os sinais costumam ser discretos, como esquecimento de fatos recentes, repetição de perguntas ou dificuldade para encontrar palavras.

    Mas, conforme a doença avança, surgem prejuízos maiores, envolvendo linguagem, raciocínio, orientação no tempo e no espaço, além da perda gradual da autonomia para atividades do dia a dia.

    10. Envelhecimento

    As mudanças naturais do envelhecimento podem reduzir a velocidade de processamento das informações. Com o passar dos anos, o cérebro pode levar mais tempo para acessar lembranças ou aprender conteúdos novos.

    Isso não significa, necessariamente, uma doença, mas sim uma adaptação natural do funcionamento cognitivo

    Quando procurar um médico?

    É fundamental procurar um médico nas seguintes situações:

    • Esquecimentos frequentes que começam a interferir nas atividades do dia a dia;
    • Dificuldade para lembrar compromissos, nomes, tarefas simples ou informações recentes de forma recorrente;
    • Falhas de memória que surgem de maneira repentina ou apresentam piora progressiva;
    • Sensação constante de confusão mental ou desorientação;
    • Dificuldade para encontrar palavras ou se expressar com clareza;
    • Alterações de humor, comportamento ou atenção associadas aos esquecimentos.

    Nessas situações, a avaliação médica ajuda a identificar a causa, descartar condições mais graves e orientar o cuidado adequado com a saúde do cérebro.

    Confira: Vitamina B1 (tiamina): energia para o corpo e alerta para a memória

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre lapsos de memória e perda de memória?

    Os lapsos de memória são esquecimentos pontuais, como não lembrar onde colocou um objeto ou esquecer uma palavra momentaneamente. Já a perda de memória envolve dificuldade persistente para recordar informações importantes, fatos recentes ou eventos pessoais, podendo indicar alterações cognitivas mais relevantes.

    2. O álcool afeta a memória?

    O consumo excessivo de álcool interfere na comunicação entre os neurônios e prejudica áreas do cérebro responsáveis pela memória. Episódios frequentes de consumo elevado podem causar lapsos de memória temporários e, em longo prazo, prejuízos cognitivos mais duradouros.

    3. A memória pode ser treinada?

    A memória pode ser estimulada e fortalecida ao longo da vida, através de atividades que desafiam o cérebro, como leitura, jogos de raciocínio, aprendizado de novas habilidades e exercícios de atenção. Quanto mais o cérebro é estimulado, maior tende a ser a reserva cognitiva, o que protege a memória a longo prazo.

    4. O café melhora ou piora a memória?

    O café pode melhorar temporariamente a atenção e o estado de alerta, o que favorece a memória no curto prazo. No entanto, o consumo excessivo pode aumentar a ansiedade, prejudicar o sono e, indiretamente, afetar a memória. O importante é ter equilíbrio no consumo.

    5. Ler com frequência ajuda a melhorar a memória?

    A leitura estimula várias áreas do cérebro ao mesmo tempo, envolvendo atenção, compreensão e retenção de informações. O hábito de ler regularmente fortalece as conexões neurais, amplia o vocabulário e exercita a memória, além de ser uma alternativa ao uso de telas como passatempo.

    6. A memória pode ser afetada após cirurgias?

    Após procedimentos cirúrgicos, especialmente aqueles que envolvem anestesia geral, algumas pessoas relatam dificuldade de concentração e lapsos de memória temporários. Na maioria dos casos, os sintomas melhoram com o tempo.

    Leia mais: Vitamina mágica para memória? O que dizem os especialistas