Autor: Dra. Andreia Sapienza

  • Adenomiose: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Adenomiose: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Cólicas que não melhoram com analgésicos comuns, menstruações longas e volumosas e sensação de inchaço abdominal são alguns dos principais sintomas de adenomiose — uma condição ginecológica que afeta diretamente a qualidade de vida. Ela pode atingir entre 10% e 20% das mulheres em idade reprodutiva, sendo mais frequente entre os 30 e 50 anos.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas sobre a doença, desde os sintomas até as formas de tratamento disponíveis.

    O que é adenomiose?

    A adenomiose é uma alteração benigna que ocorre quando a camada que reveste o interior do útero, o endométrio, cresce para dentro da parede muscular do útero, chamada miométrio.

    O tecido infiltrado continua respondendo aos hormônios do ciclo menstrual, como se estivesse na cavidade uterina — ele se espessa, depois se rompe e sangra. No entanto, como está preso dentro da parede muscular, o sangue não tem por onde sair.

    Como resultado, ocorre um processo inflamatório dentro do músculo uterino, que pode desencadear os principais sintomas da condição, como cólicas menstruais intensas, sangramento aumentado e aumento do tamanho do útero.

    O que causa a adenomiose?

    A causa da adenomiose ainda não é totalmente conhecida, mas uma hipótese é que o endométrio penetre diretamente no miométrio, especialmente após situações que fragilizam a parede uterina — como gravidez, parto ou procedimentos cirúrgicos.

    Também se acredita que a adenomiose esteja associada a alterações hormonais (principalmente do estrogênio) e a fatores imunológicos. A condição é mais comum em mulheres entre 35 e 50 anos que já tiveram filhos, mas pode afetar mulheres de qualquer idade.

    Tipos de adenomiose

    • Difusa: forma mais comum. O tecido endometrial se espalha de maneira irregular pela parede do útero, sem formar nódulo bem delimitado. Provoca espessamento difuso do miométrio, deixando o útero aumentado e globoso.
    • Focal: a infiltração ocorre em um ponto específico do útero, formando uma lesão delimitada chamada adenomioma. Pode causar sintomas semelhantes à forma difusa, porém às vezes menos intensos por ser localizada.

    Qual a diferença entre adenomiose e endometriose?

    Segundo Andreia Sapienza, a adenomiose difere da endometriose em pontos importantes:

    • Endometriose: relacionada à menstruação retrógrada. Parte do sangue menstrual reflui para a pelve e o tecido endometrial implanta-se fora do útero, somado a falhas do sistema imunológico.
    • Adenomiose: há perda da integridade das camadas do próprio útero; o endométrio infiltra-se no miométrio, gerando alterações estruturais.

    Nos sintomas, a endometriose costuma estar mais associada à dor em diversos locais e momentos do ciclo; a adenomiose também causa dor, mas mais ligada ao período menstrual e frequentemente acompanhada de sangramento intenso e prolongado.

    Fatores de risco da adenomiose

    Qualquer mulher pode ter adenomiose, mas alguns fatores aumentam o risco (segundo a Febrasgo):

    • Idade entre 40 e 50 anos;
    • Primeira menstruação muito cedo (antes dos 10 anos);
    • Ciclos menstruais curtos (menos de 24 dias);
    • Uso prévio de anticoncepcionais hormonais ou tamoxifeno;
    • Sobrepeso ou obesidade (IMC elevado);
    • Ter tido mais de duas gestações;
    • Histórico de abortos;
    • Cirurgias anteriores no útero.

    Quais são os sintomas de adenomiose?

    • Sangramento menstrual intenso ou prolongado;
    • Cólica menstrual forte (dismenorreia);
    • Dor pélvica crônica;
    • Dor durante a relação sexual (dispareunia);
    • Sensibilidade abdominal ao toque.

    Aproximadamente um terço das mulheres com adenomiose é assintomático; o diagnóstico pode ocorrer em exames de imagem ou após cirurgia.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é clínico e por imagem. Na avaliação, o útero pode estar aumentado, arredondado e mais macio. Para confirmação, utilizam-se:

    • Ultrassom transvaginal: exame de primeira escolha; identifica alterações na textura do miométrio e perda da definição da zona que separa endométrio do músculo uterino.
    • Ressonância magnética: indicada quando há dúvida diagnóstica ou associação com miomas; avalia com precisão a zona juncional.

    Em casos complexos, a confirmação definitiva pode ocorrer após cirurgia (análise histopatológica), mas, na prática, a imagem costuma ser suficiente para guiar o tratamento.

    Confira: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Como é o tratamento de adenomiose?

    Depende dos sintomas e do perfil da paciente. De acordo com Andreia, uma abordagem frequente é o DIU hormonal (levonorgestrel), que reduz sangramento e dor e costuma trazer boa resposta.

    Se não houver melhora com tratamento clínico, persistirem dor e sangramento intenso ou houver desejo de solução definitiva, pode-se indicar histerectomia (retirada do útero). Essa decisão é preferida para mulheres que já tiveram filhos ou que têm certeza de que não desejam engravidar, pois é irreversível e geralmente não indicada para mulheres muito jovens.

    Para alívio das cólicas, analgésicos e anti-inflamatórios podem ser prescritos para melhorar a qualidade de vida durante o tratamento.

    Quem tem adenomiose pode engravidar?

    É possível, mas pode ser mais desafiador. A infiltração do endométrio no miométrio pode tornar a parede uterina mais espessa e irregular, deixando o ambiente menos favorável à implantação do embrião. Para quem deseja engravidar, é essencial acompanhamento médico, hábitos saudáveis e, quando necessário, estratégias específicas de reprodução assistida.

    Quando procurar ajuda médica?

    A identificação pode ser difícil, pois os sintomas variam de intensidade. Procure avaliação se houver:

    • Sangramentos menstruais muito intensos;
    • Cólicas fortes que não melhoram com analgésicos comuns;
    • Dor pélvica frequente.

    Quanto antes investigar, maiores as chances de aliviar sintomas e iniciar o tratamento adequado.

    Perguntas frequentes sobre adenomiose

    1. A adenomiose pode virar câncer?

    Não. A adenomiose é benigna e não tem relação direta com câncer. Porém, como os sintomas podem se confundir com os de outras doenças uterinas, o acompanhamento médico é fundamental.

    2. Por que a adenomiose causa tanta dor?

    O tecido infiltrado no músculo uterino responde aos hormônios do ciclo, cresce e sangra “preso” no miométrio, gerando inflamação local e contrações mais intensas — resultando em cólicas fortes.

    3. A adenomiose pode causar infertilidade?

    Pode, mas não é regra. O útero pode ficar aumentado e o endométrio menos receptivo, dificultando a fixação do embrião. Ainda assim, muitas mulheres com adenomiose engravidam naturalmente. Em geral, o impacto sobre a fertilidade é menor do que o da endometriose em outros órgãos.

    4. O útero aumenta de tamanho por causa da adenomiose?

    Sim. A infiltração endometrial no miométrio pode aumentar e endurecer o útero, causando sensação de peso pélvico e inchaço abdominal.

    5. A adenomiose desaparece na menopausa?

    Na maioria dos casos, sim. Como é doença hormônio-dependente, tende a regredir após a menopausa. Em mulheres próximas dessa fase, pode-se focar no controle dos sintomas até a regressão natural.

    6. A pílula anticoncepcional oral ajuda na adenomiose?

    Em alguns casos, sim. Pílulas combinadas ou apenas com progesterona podem reduzir dor e sangramento ao modular os hormônios que estimulam o endométrio. Entretanto, para muitas mulheres, o DIU hormonal é mais eficaz a longo prazo.

    Leia mais: Fluxo menstrual intenso: o que é, sintomas e como tratar

  • Teste de ovulação: saiba como identificar o período fértil com mais precisão 

    Teste de ovulação: saiba como identificar o período fértil com mais precisão 

    Para mulheres que desejam engravidar, reconhecer o período fértil pode ser decisivo. Embora existam sinais físicos que indicam a ovulação, como a mudança do muco cervical e a dor no baixo ventre, muitas mulheres buscam métodos mais objetivos. É aí que entram os testes de ovulação, vendidos em farmácias e cada vez mais populares.

    Mas até que ponto esses testes são confiáveis? Eles garantem que a ovulação realmente aconteceu? Para esclarecer essas dúvidas, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que explicou como funcionam os testes de ovulação, quando usá-los e quais são suas limitações.

    Como os testes de ovulação funcionam

    O funcionamento desses testes está diretamente ligado ao hormônio luteinizante (LH). Esse hormônio é responsável por desencadear a ovulação, promovendo o rompimento do folículo que libera o óvulo.

    “O LH faz um pico bem no momento da ovulação. Ele faz o folículo estourar e empurrar o óvulo para dentro da tuba. Então, quando o LH aumenta subitamente no sangue, é o momento em que é muito provável de ocorrer a ovulação”, explica Andreia.

    É importante reforçar: o teste não mede a ovulação em si, mas a subida do LH. “O LH é um bom preditor, aquele que prevê um evento, mas ele não é certeza do evento. Por exemplo, na síndrome dos ovários policísticos, o LH pode estar muito alto, mas a ovulação não vai ocorrer porque o folículo não consegue se romper”.

    Ou seja, os testes de ovulação ajudam a identificar o período fértil, mas não confirmam com 100% de precisão que houve liberação do óvulo.

    O que significa o resultado positivo no teste

    Quando o teste detecta a elevação do LH, indica que a ovulação deve ocorrer em até 24 a 36 horas. É por isso que os especialistas recomendam que as relações sexuais nesse período aumentem as chances de gravidez.

    Segundo Andreia, a janela fértil é relativamente curta: “O ideal é considerar 48 horas antes e 48 horas depois da ovulação. Isso porque o espermatozoide permanece viável por até dois dias dentro do trato reprodutivo, e o óvulo também se mantém viável por até dois dias depois de liberado”.

    Assim, relações sexuais nesse intervalo — dois dias antes até dois dias depois do pico de LH — oferecem maior probabilidade de concepção.

    Como usar os testes de ovulação corretamente

    Os testes de farmácia são semelhantes aos de gravidez: utilizam a urina como amostra. O ideal é usá-los em dias próximos ao meio do ciclo, de acordo com o padrão de cada mulher, e manter consistência no horário.

    “Não é proibido fazer em outro momento, mas é importante manter regularidade, mais ou menos no mesmo horário todos os dias. Pela manhã costuma ser melhor, porque a urina está mais concentrada e tende a capturar o hormônio de forma mais evidente”, recomenda Andreia.

    Dicas para melhor uso:

    • Escolher um período fixo do dia (preferencialmente manhã);
    • Evitar excesso de líquidos antes do teste para não diluir a urina;
    • Fazer o acompanhamento por alguns dias seguidos para perceber a curva de aumento do LH.

    Ou seja, os testes de ovulação funcionam como uma ferramenta prática para identificar o período fértil, mas exigem disciplina no uso para que sejam realmente eficazes.

    Alternativas aos testes de farmácia

    Embora práticos, os testes de ovulação não são a única forma de monitorar a ovulação. Outras estratégias incluem:

    • Acompanhamento do ciclo em aplicativos: ajuda a estimar o período fértil com base na duração do ciclo, embora não substitua sinais clínicos;
    • Temperatura basal: pequenas elevações (entre 0,5 e 2 graus) indicam que o pico de LH ocorreu recentemente. “É uma forma relativamente fácil: a paciente anota diariamente, e quando há esse aumento, é provável que tenha tido o pico do LH”, diz Andreia;
    • Ultrassonografia transvaginal seriada: mostra o crescimento do folículo e confirma a ovulação quando ele desaparece e dá lugar ao corpo lúteo. “Esse é o método mais preciso, porque consigo acompanhar a transformação do folículo em imagem”, afirma a médica;
    • Exames de sangue para LH: fornecem valores exatos do hormônio, mas são usados em contextos clínicos específicos.

    Enquanto aplicativos e temperatura basal podem ser usados em casa, métodos como a ultrassonografia transvaginal e exames de sangue oferecem maior exatidão, mas geralmente são aplicados em contextos clínicos. A escolha depende do objetivo da mulher.

    Em quais situações o monitoramento é mais indicado

    Para mulheres sem dificuldades reprodutivas, ter relações sexuais frequentes já é suficiente e o monitoramento não é necessário. “Se você tiver relações de duas a três vezes por semana, muito provavelmente vai cair na janela de ovulação. Não é obrigatório acompanhar o LH”, explica Andreia.

    No entanto, o monitoramento detalhado pode ser útil em casos de:

    • Tentativas de engravidar sem sucesso após meses de relações regulares;
    • Ciclos irregulares, em que é difícil prever o período fértil;
    • Preparação para técnicas de reprodução assistida, como coito programado, inseminação artificial e fertilização in vitro.

    O monitoramento da ovulação não é indispensável para todas as mulheres, mas pode fazer diferença em situações específicas.

    Reprodução assistida: papel do acompanhamento da ovulação

    Nos tratamentos de fertilidade, identificar o momento exato da ovulação é muito importante. Isso pode ser feito com ultrassonografias diárias durante o período fértil.

    “Você reconhece pelo ultrassom qual é o folículo dominante, aquele que vai romper. Em um dia você vê o folículo, no outro não vê mais — aparece o corpo lúteo. Isso mostra que houve ovulação”, detalha a ginecologista.

    Esse acompanhamento é utilizado em diferentes protocolos de reprodução assistida:

    • Coito programado: relações sexuais orientadas para dias específicos de acordo com o período de ovulação;
    • Inseminação intrauterina: o sêmen é coletado e introduzido diretamente no útero;
    • Fertilização in vitro (FIV): os óvulos são coletados após estimulação ovariana e fecundados em laboratório, sendo depois transferidos ao útero.

    Limitações e cuidados com os testes de ovulação

    Apesar de úteis, os testes de ovulação não devem ser interpretados isoladamente. Doenças como a síndrome dos ovários policísticos podem alterar os níveis de LH e gerar resultados falsamente positivos. Além disso, nem sempre o aumento do LH significa que a ovulação aconteceu.

    O teste sinaliza a possibilidade, mas a confirmação exige outros métodos, como ultrassonografia.

    Ou seja, os testes de ovulação são aliados importantes para mulheres que desejam engravidar, mas não substituem completamente a avaliação clínica. Para quem enfrenta dificuldades reprodutivas ou se prepara para tratamentos de fertilidade, o acompanhamento detalhado pode ser decisivo.

    Veja mais: Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo

    Perguntas e respostas sobre testes de ovulação

    1. O que os testes de ovulação realmente medem?

    Eles detectam o aumento do hormônio luteinizante (LH) na urina, que antecede a ovulação. O teste indica que o corpo está se preparando para liberar o óvulo, mas não garante com 100% de certeza que a ovulação aconteceu.

    2. Quando é o melhor momento para usar os testes de ovulação?

    O ideal é fazer próximo ao meio do ciclo menstrual, de acordo com a duração do ciclo de cada mulher. A recomendação é usar sempre no mesmo horário, preferencialmente pela manhã, quando a urina está mais concentrada.

    3. O que significa um resultado positivo?

    Um teste positivo indica que a ovulação deve ocorrer nas próximas 24 a 36 horas. Esse é o período em que relações sexuais oferecem maiores chances de gravidez, já que o óvulo e os espermatozoides permanecem viáveis por até 48 horas.

    4. Os testes de ovulação são indicados para todas as mulheres?

    Não. Para mulheres sem dificuldades reprodutivas, manter relações sexuais frequentes (2 a 3 vezes por semana) já é suficiente para coincidir com a janela fértil. O monitoramento é mais útil em casos de ciclos irregulares, dificuldades para engravidar ou preparo para reprodução assistida.

    5. Quais são as alternativas aos testes de farmácia?

    Entre os métodos caseiros estão a observação do muco cervical e a medição da temperatura basal. Já exames de sangue para LH e ultrassonografia transvaginal são recursos clínicos que oferecem maior precisão e costumam ser usados em tratamentos de fertilidade.

    6. Quais são as limitações dos testes de ovulação?

    Eles podem dar falsos positivos em casos de condições como síndrome dos ovários policísticos (SOP), já que os níveis de LH podem se manter elevados sem que ocorra ovulação. Por isso, devem ser interpretados em conjunto com outros sinais e, em casos de dúvida, com apoio médico.

    Leia também: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados

  • Sinais de ovulação: descubra como o corpo mostra que você está no período fértil 

    Sinais de ovulação: descubra como o corpo mostra que você está no período fértil 

    A ovulação é um dos momentos-chave do ciclo menstrual e também um dos mais aguardados por mulheres que desejam engravidar ou evitar uma gestação. Saber reconhecer os sinais de que ela está acontecendo ajuda não apenas no planejamento reprodutivo, mas também no autoconhecimento sobre a saúde.

    Mas como identificar a ovulação? Quais sinais o corpo dá? E é verdade que algumas mulheres conseguem até sentir de que lado ovularam? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que detalhou como funciona o ciclo, quais mudanças ocorrem no corpo e de que forma esses sintomas de ovulação podem ser percebidos.

    O que é a ovulação e como funciona o ciclo menstrual

    O ciclo menstrual é dividido em fases que podem ser descritas tanto do ponto de vista dos ovários quanto do endométrio (a camada interna do útero). A ovulação marca o meio desse ciclo, quando um óvulo é liberado do ovário e segue em direção às tubas uterinas, onde pode ser fecundado.

    Óvulo

    Quando se fala em fase folicular, a análise está voltada para o ovário. Nesse momento, os folículos ovarianos estão em desenvolvimento: são várias pequenas estruturas, semelhantes a cistos, cada uma contendo um óvulo.

    “Entre eles, um se torna dominante, enquanto os demais sofrem atrofia. Esse folículo dominante rompe e libera o óvulo para dentro da tuba uterina”, explica.

    Depois da liberação, inicia-se a chamada fase lútea, porque o folículo que rompeu se transforma no corpo lúteo, responsável por produzir progesterona. Esse hormônio prepara o endométrio para sustentar uma possível gravidez.

    Endométrio

    Do ponto de vista do endométrio, as fases são chamadas de proliferativa e secretória. Enquanto o folículo se desenvolve até o rompimento, o endométrio cresce para preparar o tecido e deixá-lo pronto para receber o embrião.

    “Após a liberação do óvulo, esse tecido começa a secretar glicogênio, que serve como fonte de alimento e energia para o embrião. Por esse motivo, essa etapa é denominada fase secretória”, explica Andreia.

    Em resumo, a ovulação é o ponto central do ciclo menstrual. Nos ovários, um folículo amadurece, rompe e libera o óvulo, enquanto no endométrio o tecido cresce e depois passa a produzir nutrientes para sustentar uma possível gestação.

    Assim, cada fase tem um papel complementar, garantindo que o corpo feminino esteja preparado tanto para a fecundação quanto para a implantação do embrião.

    Quando ocorre a ovulação: cada ciclo é único

    Embora se fale muito no ciclo “padrão” de 28 dias, na prática há grande variação entre as mulheres. Em ciclos regulares de 28 dias, a ovulação geralmente acontece por volta do 14º dia. Porém, em ciclos mais longos, como os de 35 dias, ela pode ocorrer apenas na terceira semana.

    A médica destaca que a fase lútea (após a ovulação) tende a ser fixa, durando cerca de 14 dias. O que varia é a fase folicular, ou seja, o período anterior à ovulação, que pode ter de 10 até 20 dias e ainda ser normal.

    “Os últimos 15 dias são mais fixos, marcados pela ovulação”, afirma.

    Por isso, calcular a ovulação apenas pelo calendário pode ser impreciso. Observar os sinais do corpo é uma estratégia complementar importante.

    Principais sinais da ovulação no corpo da mulher

    Nem todas as mulheres conseguem perceber claramente quando estão ovulando. Algumas são mais sensíveis às mudanças hormonais, enquanto outras passam por esse momento sem notar alterações. Entre os sinais da ovulação mais comuns estão:

    • Dor ou pontada no baixo ventre: conhecida como dor do meio, acontece quando o folículo se rompe e libera líquido na cavidade pélvica. Esse líquido pode causar uma irritação leve, gerando dor pontual, diferente da cólica, e até indicar de qual lado ocorreu a ovulação;
    • Pequeno sangramento no meio do ciclo: chamado de sangramento do meio, é resultado das oscilações hormonais naturais do período ovulatório;
    • Mudança no muco cervical: a secreção vaginal fica mais elástica, transparente e parecida com clara de ovo, facilitando a chegada dos espermatozoides ao óvulo;
    • Alterações de humor ou irritabilidade: geralmente menos intensas do que na TPM, mas podem aparecer em mulheres mais sensíveis às variações hormonais;
    • Aumento da libido: algumas mulheres relatam maior desejo sexual durante a fase ovulatória, influenciado pelas mudanças hormonais.

    De forma geral, os sinais da ovulação são reflexos das transformações hormonais que acontecem no corpo feminino para favorecer a fecundação. Embora variem de intensidade entre as mulheres, essas alterações funcionam como indicativos de que o organismo está no período fértil.

    Reconhecê-los pode ajudar tanto quem deseja engravidar quanto quem busca compreender melhor o próprio ciclo menstrual.

    Nem todas as mulheres sentem os sintomas da ovulação

    É importante lembrar que a ausência de sintomas não significa ausência de ovulação.

    “Algumas mulheres não sentem nada e isso não quer dizer que não ovularam. Apenas significa que são menos sensíveis a esses sinais”, reforça Andreia.

    Essa variação individual explica por que algumas mulheres conseguem identificar até de qual lado ovularam, enquanto outras só percebem a ovulação por meio de exames laboratoriais ou de imagem.

    Exames que ajudam a identificar a ovulação

    Para mulheres que desejam engravidar ou monitorar melhor a saúde reprodutiva, alguns exames podem confirmar a ovulação:

    • Hormônio antimülleriano (AMH): exame de sangue que mede a reserva ovariana, ou seja, quantos óvulos a mulher ainda tem disponíveis ao longo da vida fértil. Não mostra diretamente se a ovulação está acontecendo, mas valores muito baixos indicam menor chance de ovular nos próximos meses;
    • Ultrassonografia transvaginal seriada: feita em consultas de acompanhamento, permite observar o crescimento dos folículos no ovário e identificar com precisão o momento em que ocorre a ovulação;
    • Temperatura basal: consiste em medir diariamente a temperatura do corpo ao acordar. Um pequeno aumento pode indicar que a ovulação já aconteceu.

    Esses exames são úteis principalmente para quem enfrenta dificuldades para engravidar ou precisa de acompanhamento médico mais próximo.

    Leia mais: Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer

    Quando os sinais confundem: ovulação ou TPM?

    Muitas mulheres sentem dificuldade em diferenciar os sintomas da ovulação dos da tensão pré-menstrual (TPM). Isso acontece porque ambos envolvem mudanças hormonais e podem gerar sinais parecidos, como alterações de humor, dor abdominal e sensibilidade nos seios.

    Ainda assim, existem diferenças importantes que ajudam a identificar em qual fase do ciclo a mulher está.

    • Ovulação: ocorre no meio do ciclo e pode causar dor leve no baixo ventre (a chamada dor do meio), aumento da libido, maior sensibilidade nos seios, alterações de humor e presença de muco cervical transparente e elástico;
    • TPM: surge na segunda metade do ciclo, após a ovulação, devido à queda da progesterona. Os sintomas incluem inchaço, retenção de líquidos, cólicas mais intensas, fadiga, irritabilidade e maior sensibilidade emocional;
    • Diferença prática: a dor do meio e o muco cervical característico são sinais específicos da ovulação, enquanto cólicas fortes, inchaço e oscilações emocionais marcantes estão mais relacionados à TPM.

    Saber reconhecer esses sinais da ovulação permite compreender melhor o próprio corpo, identificar o período fértil com mais clareza e lidar de forma mais consciente com os sintomas típicos de cada fase.

    Ovulação, fertilidade e saúde reprodutiva

    Conhecer os sinais da ovulação é fundamental para mulheres que desejam engravidar, mas também traz benefícios para aquelas que apenas querem entender melhor o próprio corpo. Observar os sinais pode indicar se o ciclo está funcionando normalmente e ajudar a identificar possíveis irregularidades que merecem avaliação médica.

    Andreia destaca que sinais como dor leve, sangramento discreto e mudanças no muco fazem parte do processo fisiológico. Mas reforça: se houver dor intensa, sangramento fora do esperado ou ciclos muito irregulares, o ideal é procurar acompanhamento.

    Confira: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Perguntas e respostas sobre ovulação

    1. O que é a ovulação?

    A ovulação é o momento do ciclo menstrual em que um óvulo maduro é liberado do ovário em direção à tuba uterina. É o período em que a mulher está mais fértil e pode engravidar se houver relação sexual.

    2. Quando a ovulação acontece?

    Em ciclos regulares de 28 dias, ela costuma ocorrer por volta do 14º dia. Mas cada mulher tem um ritmo próprio: em ciclos mais longos, como os de 35 dias, a ovulação pode acontecer apenas na terceira semana.

    3. Quais são os principais sinais de ovulação?

    Entre os mais comuns estão: dor leve no baixo ventre (dor do meio), pequeno sangramento no meio do ciclo, muco cervical mais elástico e transparente, aumento da libido e alterações de humor leves.

    4. Toda mulher sente sintomas de ovulação?

    Não. Algumas mulheres percebem claramente as mudanças no corpo, enquanto outras não sentem nada. A ausência de sintomas não significa ausência de ovulação.

    5. Como diferenciar sintomas de ovulação da TPM?

    A ovulação acontece no meio do ciclo e tem sinais específicos, como dor do meio e muco cervical característico. Já a TPM surge na segunda metade do ciclo, após a ovulação, e está ligada à queda da progesterona, trazendo sintomas como inchaço, cólicas mais fortes e maior irritabilidade.

    6. Que exames podem confirmar a ovulação?

    Os principais são a ultrassonografia transvaginal seriada, que mostra o crescimento e rompimento do folículo, e exames de sangue que medem hormônios. A temperatura basal e o hormônio antimülleriano (AMH) também ajudam, mas têm funções específicas e limitações.

    7. Quando é importante monitorar a ovulação de perto?

    Em casos de dificuldade para engravidar após meses de tentativas, ciclos irregulares ou preparação para técnicas de reprodução assistida, como coito programado, inseminação artificial ou fertilização in vitro.

    Leia também: Fluxo menstrual intenso: o que é, sintomas e como tratar

  • Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados 

    Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados 

    Todas as vaginas produzem odor naturalmente. Ele faz parte do funcionamento saudável do corpo e pode variar conforme o ciclo menstrual, a alimentação, a transpiração e até o nível de estresse. Por isso, nem sempre é fácil identificar quando o odor vaginal é apenas fisiológico ou quando indica que algo não está bem.

    Inclusive, diversas mulheres convivem com dúvidas, sem saber ao certo quando é preciso procurar ajuda, mas é fundamental saber diferenciar situações normais de desequilíbrios que precisam de tratamento. A seguir, esclarecemos quando o odor vaginal é normal, quais casos precisam de atenção e quando procurar um médico.

    Afinal, o que é odor vaginal normal?

    A vagina é um órgão autolimpante e, assim como a boca produz saliva, ela naturalmente libera secreções ao longo do ciclo menstrual. Elas podem variar em quantidade, textura e até no cheiro — mas isso não significa, necessariamente, que há algo errado com o organismo.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andrea Sapienza, a presença de um odor vaginal leve e característico é completamente normal. Ele pode ser mais perceptível em determinados momentos, como durante o período fértil, após a prática de exercícios físicos ou em dias de calor intenso.

    E quando o odor vaginal é anormal?

    O odor vaginal passa a ser um sinal de alerta quando vem acompanhado de alterações como:

    • Corrimento com cor esverdeada, acinzentada ou amarelada;
    • Cheiro forte e persistente, semelhante a peixe estragado ou amônia;
    • Coceira, ardência ou dor durante a relação sexual;
    • Secreção com bolhas ou consistência alterada.

    Nesses casos, é fundamental procurar avaliação médica.

    O que pode causar o odor vaginal anormal?

    Diversos fatores podem desencadear alterações no odor vaginal — e eles podem estar relacionados à parte interna da vagina ou à região externa da vulva. Confira algumas das causas mais comuns:

    Vaginose bacteriana

    De acordo com Andrea Sapienza, a causa mais comum de odor vaginal é a vaginose bacteriana. Ela ocorre quando há desequilíbrio da flora vaginal, com aumento de bactérias anaeróbias. Normalmente, a condição apresenta os seguintes sintomas:

    • Corrimento acinzentado;
    • Odor forte de peixe estragado ou amônia;
    • Pode apresentar pequenas bolhas na secreção;
    • Não causa inflamação, mas traz bastante incômodo.

    A especialista aponta que o tratamento de vaginose bacteriana geralmente é feito com o uso de remédios antibióticos, como metronidazol, via oral ou vaginal. Mas apenas um especialista pode indicar o uso, não se automedique!

    Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)

    É menos comum, mas algumas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como a tricomoníase e a gonorreia, também podem provocar odor vaginal desagradável. Nesses casos, o cheiro costuma vir acompanhado de um corrimento de cor amarelada ou esverdeada — além de outros sintomas, como coceira intensa, dor durante as relações e ardência ao urinar.

    Por se tratarem de infecções de transmissão sexual, a recomendação médica é procurar atendimento imediato para diagnóstico e tratamento adequados. O uso de medicamentos específicos costuma ser necessário, e o parceiro também deve receber tratamento para evitar novas infecções.

    Bromidrose na região íntima

    A bromidrose é uma condição em que as glândulas sudoríparas da virilha, semelhantes às que temos nas axilas e nos pés, são colonizadas por bactérias. O resultado é um cheiro forte e desagradável, que aparece especialmente em situações de suor, calor intenso ou após a prática de atividades físicas, segundo Andrea.

    Diferente da vaginose, a bromidrose não está relacionada a infecções internas. O tratamento, que deve ser orientado por um profissional, costuma incluir o uso de pomadas antibióticas tópicas — além de produtos que ajudam a controlar o suor e a reduzir a proliferação bacteriana.

    Má higiene íntima

    O descuido com a higiene da região íntima também pode favorecer o surgimento de odores indesejados. O acúmulo de secreções, suor e restos de urina na vulva cria um ambiente propício para a proliferação de microrganismos, o que intensifica o cheiro.

    Porém, vale reforçar que a limpeza deve ser feita apenas na parte externa, de forma suave e equilibrada. O uso de duchas vaginais internas é extremamente prejudicial, pois pode desregular o pH natural e comprometer a flora vaginal, favorecendo infecções e irritações.

    Alimentação pode alterar o odor vaginal?

    A alimentação não é a principal causa de odor vaginal anormal, mas ela pode influenciar em algumas situações. Dietas ricas em alimentos como alho e cebola, ou mesmo o consumo excessivo de açúcar e carboidratos simples, podem alterar o cheiro natural da secreção.

    No caso da candidíase, por exemplo, embora ela não cause odor, o excesso de açúcar pode favorecer o crescimento do fungo responsável pela infecção. Por isso, é muito importante manter uma dieta equilibrada e rica em fibras, frutas e vegetais.

    Leia mais: Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

    Como saber se a secreção é normal ou sinal de problema?

    A secreção vaginal é responsável por lubrificar, proteger e manter o equilíbrio da flora vaginal, sendo um mecanismo natural do corpo feminino. Entre as principais características dela, podemos apontar:

    • Cor transparente, leitosa ou esbranquiçada, podendo variar conforme o ciclo;
    • Textura que muda de acordo com a fase do mês: mais fluida no período fértil (semelhante à clara de ovo) e mais espessa no período pós-ovulatório;
    • Quantidade variável: algumas mulheres produzem mais secreção do que outras, o que também é normal;
    • Odor suave, quase imperceptível, que não causa incômodo;
    • Não vem acompanhada de dor, coceira, ardência ou desconforto.

    Porém, quando há um desequilíbrio da flora vaginal ou presença de infecção, a secreção pode apresentar algumas características específicas, como:

    • Cor diferente do habitual: acinzentada, amarelada, esverdeada ou até com presença de sangue fora do período menstrual;
    • Textura alterada: pode ser espumosa, com bolhas, grumosa ou muito espessa;
    • Odor forte, persistente e desagradável (semelhante a peixe estragado ou amônia);
    • Sintomas associados, como coceira, ardência ao urinar, vermelhidão na vulva ou dor durante a relação sexual;
    • Aumento repentino na quantidade de secreção, fugindo do habitual.

    Uma dica importante de observar é se a secreção está causando desconforto. A secreção fisiológica não incomoda, enquanto o corrimento anormal costuma vir acompanhado de sintomas que atrapalham a rotina, como odor forte ou prurido.

    Cuidados práticos para manter a saúde íntima em dia

    Incluir algumas medidas simples na rotina pode ajudar a manter o equilíbrio da flora vaginal e evitar odores desagradáveis. Entre eles, destacamos:

    • Higienização correta: lave apenas a parte externa da vulva com sabonete;
    • Escolha das roupas íntimas: prefira calcinhas de algodão e evite peças muito apertadas, que aumentam a umidade e favorecem a proliferação de microrganismos;
    • Hábitos saudáveis: beber bastante água, manter uma alimentação equilibrada e reduzir o consumo de açúcar e álcool auxilia no bom funcionamento do organismo e fortalece a imunidade;
    • Trocar absorventes e calcinhas ao longo do dia: isso ajuda a manter a região seca e limpa, o que reduz o risco de infecções;
    • Rotina de consultas: mesmo quando não há sintomas, realizar acompanhamento ginecológico regularmente permite identificar alterações de forma precoce. Um especialista também pode orientar sobre cuidados específicos de acordo com cada fase da vida.

    Confira: Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo

    Perguntas frequentes sobre odor vaginal

    1. Toda vagina tem cheiro?

    Sim, toda vagina tem um odor natural, e isso é absolutamente normal. O cheiro faz parte do equilíbrio da flora vaginal e varia de acordo com fatores como ciclo menstrual, ovulação, atividade física, transpiração e até mesmo alimentação.

    É importante entender que ter odor não significa falta de higiene nem doença. Muitas pessoas acham que a vagina deveria ter cheiro neutro ou perfumado, mas isso é um mito. A vagina é um órgão vivo, com secreções naturais, e ter odor faz parte do funcionamento normal do corpo.

    2. Como tirar odor vaginal?

    Primeiro é importante lembrar que toda vagina tem um cheiro natural, e isso não significa falta de higiene.

    Para evitar odores fortes e desconfortáveis, mantenha a higiene da região íntima apenas na parte externa, troque calcinha e absorventes com frequência, use roupas leves e de algodão e beba bastante água.

    Agora, se o odor vier acompanhado de coceira, corrimento diferente ou ardência, pode ser sinal de infecção. Nesse caso, o correto é procurar um ginecologista.

    3. Como diferenciar odor normal de odor anormal?

    O odor normal costuma ser suave, não causa incômodo e pode variar levemente ao longo do ciclo. Já o odor anormal tende a ser forte, persistente e acompanhado de outros sinais, como secreção acinzentada, amarelada ou esverdeada, coceira, ardência ou dor durante as relações sexuais. Na presença desses sintomas, é fundamental procurar atendimento médico.

    4. O uso de sabonete íntimo é indicado?

    O uso de sabonetes íntimos pode ser feito com cautela, mas não é obrigatório. O mais importante é não realizar lavagens internas, pois isso altera o pH vaginal e pode favorecer infecções.

    A limpeza deve ser feita apenas na parte externa, com sabonete neutro ou próprio para a região. No caso de sabonetes íntimos, eles devem ser usados em quantidade moderada, sem exageros, para não irritar a mucosa.

    5. É normal a vagina ter um cheiro mais forte durante a menstruação?

    Durante a menstruação, o sangue em contato com o pH vaginal pode gerar um odor mais forte, mas isso é considerado normal. O uso de absorventes por longos períodos também intensifica o cheiro, já que o sangue se acumula e entra em contato com o ar.

    Nesses casos, basta trocar os absorventes com frequência, manter a higiene adequada e lembrar que a variação faz parte do ciclo e não indica problemas.

    6. O que é vaginose bacteriana e por que causa mau cheiro?

    A vaginose bacteriana é o desequilíbrio mais comum da flora vaginal, e ocorre quando há aumento de bactérias anaeróbias, que produzem compostos responsáveis por um odor característico de peixe estragado. Além do mau cheiro, pode surgir corrimento acinzentado, às vezes com bolhas. O tratamento é feito com antibióticos específicos, prescritos pelo médico.

    7. Gravidez pode alterar o odor vaginal?

    Durante a gestação, os hormônios provocam diversas mudanças no corpo da mulher, incluindo na vagina. O aumento da vascularização e da produção de secreção pode intensificar o odor, mas isso geralmente é normal.

    No entanto, se o cheiro vier acompanhado de secreção anormal, coceira ou ardência, é importante buscar avaliação médica para investigar possíveis infecções, que podem trazer riscos para a gestação.

    8. Quando devo procurar o ginecologista?

    A orientação é procurar ajuda sempre que o odor vaginal for forte, persistente e vier acompanhado de alterações no corrimento, dor, coceira, ardência ou sangramento fora do período menstrual.

    Também é importante buscar avaliação em caso de suspeita de infecção sexualmente transmissível (IST) ou quando as mudanças no odor afetam a qualidade de vida. Um exame físico pode identificar a causa e definir o tratamento adequado, evitando o uso incorreto de remédios.

    Leia também: Fluxo menstrual intenso: o que é, sintomas e como tratar

  • Fluxo menstrual intenso: o que é, sintomas e como tratar

    Fluxo menstrual intenso: o que é, sintomas e como tratar

    Você já ouviu falar em menorragia? O quadro, também chamado de fluxo menstrual intenso, ocorre quando a quantidade de sangue eliminada durante a menstruação é maior do que o considerado normal.

    Apesar de muitas vezes ser considerada comum, o fluxo intenso pode afetar diretamente a qualidade de vida, causar anemia e até sinalizar doenças mais sérias, como distúrbios hormonais ou alterações uterinas.

    Mas afinal, como é possível identificar se a menstruação é mais intensa que o normal? Quem convive com a condição costuma sentir impacto direto na qualidade de vida, e alguns sinais podem indicar que é hora de procurar um ginecologista. Entenda mais, a seguir!

    O que é ter um ciclo menstrual regular?

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, um ciclo regular dura entre 25 e 35 dias, sendo contado do primeiro dia de uma menstruação até o primeiro dia seguinte. O sangramento deve ter duração de 3 a 7 dias. O padrão mais comum é o ciclo de 28 dias, mas variações dentro desta faixa ainda são consideradas normais.

    No ciclo, há duas fases principais:

    • Fase folicular: dura em média 15 dias e corresponde ao desenvolvimento do óvulo;
    • Fase lútea: ocorre após a ovulação, quando o corpo se prepara para uma possível gestação.

    O fluxo menstrual normal apresenta maior intensidade entre o segundo e o terceiro dia, diminuindo gradualmente até acabar. Muitas mulheres confundem irregularidade com ciclos que simplesmente acontecem duas vezes no mesmo mês, mas que ainda estão dentro da faixa considerada normal.

    O que é menorragia?

    O fluxo menstrual intenso acontece quando a perda de sangue é maior do que o esperado, seja pela quantidade ou pela duração. Nessa situação, o sangramento:

    • Dura mais de 7 dias consecutivos;
    • Exige a troca de absorvente a cada 1 ou 2 horas;
    • Gera coágulos grandes e volumosos;
    • Há episódios de vazamento noturno, mesmo com absorventes adequados;
    • Interfere nas atividades diárias, como trabalhar, estudar ou praticar exercícios.

    Normalmente, pessoas que convivem com a menorragia precisam lidar com a necessidade de trocar absorventes a cada hora, roupas manchadas, noites mal dormidas e até dificuldade para manter compromissos sociais e profissionais.

    De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CCD), mulheres com fluxo intenso perdem em média 80 ml de sangue por ciclo, o dobro do volume considerado normal. Em alguns casos, isso pode levar a quadros de anemia — provocando fadiga, tontura e falta de concentração.

    Veja também: Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

    Sintomas da menorragia

    Nem sempre é fácil identificar quando o fluxo menstrual está mais intenso que o normal. Por isso, é importante observar alguns sinais, como:

    • Sangramento que dura mais de uma semana;
    • Troca frequente de absorventes (a cada 1 hora);
    • Uso de dupla proteção (absorvente interno e externo juntos);
    • Presença de coágulos grandes;
    • Dores abdominais fortes durante a menstruação.

    Quando procurar ajuda médica?

    Se você apresenta mais de dois desses sintomas com frequência, é fundamental procurar um ginecologista. O fluxo intenso pode ser apenas uma característica do seu corpo, mas também pode estar ligado a problemas de saúde que exigem acompanhamento.

    O que pode causar fluxo menstrual intenso?

    O ciclo menstrual faz parte da vida da maioria das mulheres em idade fértil, mas quando o sangramento é muito intenso, ele pode indicar a presença de algumas condições. Entre as mais comuns, de acordo com pesquisas e orientações da ginecologista Andreia Sapienza, destacamos:

    • Alterações anatômicas: miomas, pólipos e adenomiose;
    • Alterações hormonais: disfunções da tireoide, alterações da prolactina, síndrome dos ovários policísticos;
    • Distúrbios de coagulação;
    • Uso de medicamentos: como anticoagulantes;
    • Fatores ligados ao estilo de vida: como estresse intenso, mudanças de peso ou prática excessiva de exercícios.

    Como é feita a investigação do fluxo menstrual intenso?

    Para descobrir a causa do fluxo menstrual intenso, o médico avalia os sintomas do paciente e pode pedir alguns exames, como:

    • Ultrassonografia transvaginal: avalia o útero e os ovários, identificando miomas, pólipos, cistos e sinais de adenomiose;
    • Exames de sangue: o hemograma detecta anemia, enquanto dosagens hormonais ajudam a verificar a função da tireoide, da prolactina e da ovulação;
    • Exames de coagulação: investigam possíveis distúrbios no sangue que favoreçam sangramentos aumentados;
    • Biópsia do endométrio: indicada em casos específicos, principalmente para mulheres acima dos 40 anos ou com histórico familiar de câncer ginecológico.

    Leia mais: Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo

    Tratamentos para fluxo menstrual intenso

    O tratamento do fluxo menstrual intenso varia de acordo com a causa da condição, e pode incluir:

    • Terapia hormonal: com anticoncepcionais orais, DIU hormonal, implantes ou injeções de progesterona, que reduzem ou até suspendem a menstruação;
    • Medicamentos específicos: como o ácido tranexâmico, usados em episódios agudos de sangramento;
    • Anti-inflamatórios não hormonais: que ajudam a controlar cólicas e reduzem discretamente o fluxo;
    • Cirurgias: quando há miomas, pólipos ou outras alterações estruturais que não respondem ao tratamento clínico. Em casos graves, pode ser indicada a histerectomia (retirada do útero).

    Em casos de anemia, também é fundamental indicar um tratamento com suplementação. No entanto, conforme reforça Andrea, não adianta apenas tratar a anemia sem controlar o sangramento: é preciso “fechar a torneira” para que o corpo consiga se recuperar.

    Riscos do fluxo menstrual intenso

    O maior problema do fluxo intenso é a anemia, já que o corpo perde ferro e hemoglobina de forma mais rápida do que consegue repor. Nesse cenário, a pessoa sente cansaço constante, falta de disposição, palpitações, queda de cabelo, unhas frágeis e falta de ar. Em casos graves, a anemia pode causar complicações cardíacas.

    Por isso, o hemograma é geralmente um dos primeiros exames solicitados quando há suspeita de fluxo aumentado. Se o resultado confirmar anemia, é muito provável que a menstruação abundante esteja diretamente ligada ao quadro.

    Perguntas frequentes sobre fluxo menstrual intenso

    1. Como saber se meu fluxo é realmente intenso?

    Se você precisa trocar o absorvente a cada 1 ou 2 horas, usa dupla proteção (absorvente interno e externo juntos), fica mais de 7 dias menstruada ou apresenta sinais de anemia, como cansaço extremo, tontura ou falta de ar, é bem provável que esteja com fluxo menstrual intenso. Nesses casos, é fundamental procurar um médico.

    2. Como diminuir o fluxo menstrual rápido?

    Alguns remédios, como anti-inflamatórios, podem reduzir o sangramento. Porém, só devem ser usados com indicação médica, pois cada caso tem uma origem diferente e a automedicação pode mascarar sintomas importantes ou até piorar o problema.

    3. Chá para diminuir o fluxo menstrual funciona?

    Não existem evidências científicas de que o consumo de chá realmente controle o fluxo intenso. Eles podem até ajudar no alívio de cólicas leves, mas não substituem tratamento médico.

    4. Ibuprofeno diminui o fluxo menstrual?

    Sim. O ibuprofeno, além de aliviar a dor, pode reduzir o volume do sangramento em até 30%, segundo estudos. Mas deve ser usado apenas com orientação médica, principalmente para quem tem problemas gástricos.

    5. Existe diferença entre cólica menstrual forte e fluxo menstrual intenso?

    Sim, são coisas diferentes, mas que podem aparecer juntas. A cólica menstrual (ou dismenorreia) é a dor causada pela contração do útero para eliminar o endométrio, podendo variar de leve a incapacitante.

    Já o fluxo menstrual intenso (menorragia) se refere especificamente à quantidade de sangue eliminada. Uma mulher pode ter cólicas fortes sem apresentar fluxo intenso, e também pode ter fluxo abundante sem sentir muita dor.

    Leia também: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

  • Sabonete íntimo é necessário? Conheça os cuidados e quando usar

    Sabonete íntimo é necessário? Conheça os cuidados e quando usar

    Com embalagens delicadas e promessas de limpeza suave e frescor, o sabonete íntimo é um produto desenvolvido especialmente para a higiene da região vaginal. Normalmente indicado para pessoas com uma pele mais delicada, ele tem uma fórmula pensada para respeitar o pH da área, que é naturalmente mais ácido.

    Mas será que ele é realmente necessário? A vagina, por ser um órgão autolimpante, consegue manter sozinha o seu equilíbrio interno, sem precisar de produtos específicos. Ainda assim, existem situações em que o sabonete íntimo pode ser útil — desde que usado com atenção e alguns cuidados básicos.

    Para que serve o sabonete íntimo?

    O sabonete íntimo é um produto desenvolvido para a higienização da região da vulva, ou seja, a parte externa da genitália feminina. Ele é formulado para ter um pH mais próximo ao da pele dessa área, geralmente entre 4,5 e 5,5, o que ajuda a reduzir irritações em pessoas mais sensíveis.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andrea Sapienza, o sabonete íntimo não deve ser usado internamente, ou seja, no canal vaginal. Isso porque a vagina tem sua própria flora — um conjunto de bactérias e fungos que convivem em equilíbrio, protegendo contra infecções. Quando há lavagens internas, o equilíbrio pode ser quebrado, aumentando o risco de corrimentos e infecções.

    Qual a diferença entre o sabonete íntimo e o sabonete comum?

    Tanto o sabonete íntimo quanto o comum fazem a mesma função, que é limpar a pele, mas existem algumas diferenças importantes entre eles.

    O sabonete comum, especialmente os em barra, costuma ser mais alcalino (pH mais alto) do que o ambiente natural da vulva — e isso faz diferença porque a mucosa da entrada vaginal é delicada e mais sensível ao ressecamento. Com o uso diário de sabonetes tradicionais, algumas pessoas podem sentir coceira ou até pequenas irritações.

    Já o sabonete íntimo foi formulado justamente para minimizar irritações. Ele apresenta um pH levemente ácido (em torno de 4,5 a 5,5), que se aproxima mais do equilíbrio natural da região vaginal. Isso significa que, em mulheres com maior sensibilidade, ele pode contribuir para reduzir incômodos e trazer uma sensação maior de conforto após o banho.

    A textura e a composição também podem ser diferentes. Os sabonetes comuns costumam ter fragrâncias mais fortes, corantes e detergentes que ressecam a pele, enquanto os sabonetes íntimos normalmente são líquidos, mais suaves e com fórmulas pensadas para não agredir a área.

    Leia também: Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

    Existem benefícios de usar o sabonete íntimo?

    Os benefícios do sabonete íntimo são relativos. Para quem nunca apresentou irritação com sabonete comum, não existe necessidade de trocar. Ele já é suficiente para higienizar a região.

    No entanto, em casos de desconforto, ressecamento ou pele mais sensível, o sabonete íntimo pode ser uma boa alternativa. Segundo Andrea Sapienza, a suavidade da fórmula ajuda a reduzir incômodos.

    Vale destacar que o sabonete íntimo não previne infecções, nem altera a flora vaginal interna. Ele é apenas um produto complementar de higiene e deve ser usado corretamente.

    Quando o sabonete íntimo pode ajudar?

    Existem situações específicas em que o sabonete íntimo pode trazer maior conforto, como:

    • Sensibilidade cutânea: mulheres que sentem ardência ou ressecamento com sabonete comum;
    • Clima quente: durante o verão, o suor pode aumentar o desconforto na região;
    • Prática de atividades físicas: após exercícios intensos, a sensação de frescor pode ser maior com sabonete íntimo;
    • Pós-menopausa: nessa fase, a pele da região íntima tende a ficar mais ressecada, e sabonetes comuns podem agravar o quadro.

    É importante ressaltar novamente que, para mulheres sem queixas de irritação e desconforto, não há necessidade de usar um sabonete íntimo.

    Como usar sabonete íntimo?

    O sabonete íntimo deve ser usado apenas na parte externa da região genital (vulva), nunca dentro da vagina. Veja como fazer da forma correta:

    • Durante o banho, aplique uma pequena quantidade do sabonete íntimo na mão;
    • Passe suavemente na vulva (parte externa), sem esfregar em excesso;
    • Enxágue bem com água corrente, garantindo que não fiquem resíduos do produto;
    • Por fim, seque delicadamente com uma toalha limpa e macia, sem friccionar.

    Dica: o sabonete íntimo pode ser usado uma vez ao dia, durante o banho. Em excesso, pode causar ressecamento, mesmo sendo formulado para a região genital.

    Pode usar sabonete íntimo durante a menstruação?

    No período menstrual, é comum sentir a necessidade de caprichar na higiene íntima. O sabonete íntimo pode sim ser usado durante a menstruação, mas com moderação.

    A limpeza deve ser feita apenas na parte externa da vulva, pois a região já tem um sistema natural de proteção e não precisa de lavagens internas. O uso de produtos dentro da vagina ou duchas não é recomendado e pode causar um desequilíbrio na flora vaginal — o que aumenta o risco de infecções.

    Durante a menstruação, fatores como o uso de absorventes, o contato constante com o sangue e a transpiração deixam a região mais sensível. Por isso, é suficiente higienizar de forma suave, sem excesso de lavagens ao longo do dia.

    Leia mais: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Como cuidar da saúde íntima?

    A vagina tem uma flora natural formada por bactérias boas que atuam como uma barreira de defesa, mas esse equilíbrio pode ser afetado por hábitos inadequados. Por isso, incluir alguns cuidados no dia a dia contribui para prevenir infecções, odores desagradáveis e desconfortos. Entre eles, é possível destacar:

    • Higienizar apenas a parte externa da vulva: não é preciso nem indicado lavar a parte interna, pois a vagina já possui um sistema natural de limpeza;
    • Preferir roupas íntimas de algodão: o tecido permite maior ventilação e evita o acúmulo de suor, reduzindo a chance de irritações;
    • Evitar roupas apertadas por longos períodos: peças muito justas aumentam a umidade local e podem facilitar a proliferação de fungos;
    • Trocar absorventes e calcinhas com frequência: manter a região sempre seca e limpa ajuda a evitar infecções;
    • Evitar duchas internas ou produtos perfumados: fragrâncias e substâncias químicas podem causar alergias e desequilibrar a flora vaginal.

    Além das medidas, é importante manter consultas ginecológicas regulares, que ajudam a identificar alterações precocemente, tirar dúvidas sobre higiene íntima e receber orientações específicas para cada fase da vida.

    Perguntas frequentes sobre sabonete íntimo

    1. Posso usar sabonete íntimo todos os dias?

    Sim, você pode usar o sabonete íntimo diariamente, mas sempre com moderação. O ideal é aplicá-lo apenas uma vez por dia, durante o banho. Usar o produto várias vezes ao dia pode ressecar a pele da vulva e até mesmo causar desconfortos.

    2. O sabonete íntimo pode ser usado dentro da vagina?

    Não, ele deve ser aplicado apenas na parte externa da região genital, nunca dentro da vagina. A cavidade vaginal já possui um sistema de autolimpeza eficiente, que mantém bactérias benéficas em equilíbrio.

    Inserir sabonetes, duchas ou qualquer produto interno pode causar desequilíbrio e irritação.

    3. Sabonete íntimo previne infecções?

    Não existem evidências científicas de que o sabonete íntimo possa prevenir infecções vaginais. Na verdade, quando usado de forma incorreta, principalmente em duchas internas ou em excesso, ele pode aumentar o risco de desequilíbrio da flora.

    O que realmente ajuda a prevenir infecções é a manutenção de bons hábitos, como usar roupas íntimas de algodão, evitar calças muito apertadas, trocar absorventes regularmente e ter uma alimentação equilibrada.

    4. Sabonete íntimo pode causar alergia?

    Sim, pode acontecer. Apesar de serem formulados para peles delicadas, alguns sabonetes íntimos contêm fragrâncias, corantes ou outros componentes químicos que podem causar reações alérgicas em pessoas mais sensíveis.

    Os sinais incluem coceira, vermelhidão, ardência ou inchaço. Nesses casos, o uso deve ser suspenso imediatamente e, se os sintomas persistirem, procure um ginecologista ou dermatologista.

    5. Qual o melhor sabonete íntimo?

    O melhor sabonete íntimo é aquele que respeita as características da sua pele e não causa irritação. Prefira fórmulas suaves, sem fragrâncias fortes, hipoalergênicas e com pH balanceado. Evite produtos com excesso de corantes, álcool ou substâncias muito químicas.

    O ideal é sempre testar com moderação no início e observar como seu corpo reage. Em caso de dúvidas, peça orientação ao seu ginecologista.

    Confira: Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo

  • Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo

    Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo

    Controlar o fluxo menstrual faz parte da rotina da maioria das mulheres em idade fértil, sendo um período em que a atenção ao corpo deve ser redobrada, para prevenir infecções, odores desagradáveis e desconfortos.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andrea Sapienza, manter hábitos de higiene adequados é simples, mas exige atenção para evitar erros comuns, como permanecer muitas horas com o mesmo absorvente ou realizar duchas vaginais internas.

    A seguir, esclarecemos as principais dúvidas sobre higiene menstrual e listamos cuidados práticos que podem ajudar a manter a saúde íntima em dia — desde a troca correta dos absorventes até a escolha de roupas adequadas. Confira!

    Por que a higiene no ciclo menstrual é tão importante?

    A menstruação é um processo natural do organismo que ocorre quando o revestimento do útero, chamado endométrio, se desprende e é expelido pela vagina, na forma de sangue, secreções naturais e restos de tecido. Isso acontece quando não há uma gravidez no período de um ciclo menstrual, que dura em média 28 dias.

    Como o ambiente é úmido, somado ao contato prolongado do sangue com a pele e a mucosa vaginal, isso cria condições favoráveis para a proliferação de bactérias e fungos. Por isso, quando a higiene íntima não é feita corretamente, aumentam os riscos de:

    • Infecções vaginais, como candidíase e vaginose bacteriana;
    • Irritações na pele da vulva devido ao contato prolongado com o sangue;
    • Mau odor e sensação de desconforto;
    • Alergias causadas por produtos inadequados.

    Leia também: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Como deve ser feita a higiene menstrual?

    De acordo com Andrea Sapienza, as recomendações para a higiene íntima durante a menstruação são semelhantes às do dia a dia, mas com alguns cuidados a mais.

    Limpeza externa, nunca interna

    A higiene deve ser realizada apenas na parte externa da vulva, usando movimentos delicados e sem esfregar com força. As duchas vaginais internas não são recomendadas, pois podem remover a flora protetora da vagina e causar desequilíbrios no pH.

    A flora vaginal saudável é formada principalmente por lactobacilos, que atuam como uma barreira natural contra fungos e bactérias. Quando o equilíbrio é alterado, aumentam as chances de infecções como candidíase e vaginose bacteriana.

    Por isso, água corrente e sabonete suave já são suficientes para manter a saúde íntima em dia.

    Uso de sabonetes suaves

    A higiene pode ser feita com sabonete comum suave, de preferência neutro e sem perfume. O uso de sabonetes íntimos específicos não é obrigatório: eles podem ser uma opção para quem prefere ou apresenta alguma sensibilidade, mas não devem ser vistos como regra.

    O que deve ser evitado são produtos com fragrâncias intensas, corantes ou ação antibacteriana forte, que podem irritar a pele, ressecar ou alterar o equilíbrio natural da flora vaginal.

    Em algumas situações, os lenços umedecidos íntimos podem ser usados para evitar resíduo de papel higiênico. O ideal é optar pelos específicos para região íntima, mas os lenços de bebê também servem, desde que sejam suaves, sem perfume forte e que não irritem a pele.

    Frequência de higiene

    Durante o ciclo menstrual, a recomendação é que a higiene da região íntima externa seja feita ao menos duas vezes ao dia, de preferência uma pela manhã e outra antes de dormir.

    Nos dias em que o fluxo estiver mais intenso, ou após a prática de atividades físicas, você pode aumentar a frequência, mas evitando exageros — afinal, o excesso de lavagens também pode prejudicar a proteção natural da pele.

    Evite roupas apertadas ou sintéticas

    Quando a região íntima fica abafada, seja pelo uso de calças muito justas ou de tecidos sintéticos, cria-se um ambiente úmido e quente que favorece a proliferação de fungos e bactérias. Por isso, sempre que possível, é melhor optar por calcinhas de algodão, que permitem maior ventilação e absorvem melhor a umidade natural.

    Troque absorventes com frequência

    As trocas de absorventes devem ser realizadas num prazo de seis a oito horas aproximadamente, a depender do fluxo menstrual. A ginecologista Andrea Sapienza aponta alguns cuidados, dependendo do tipo de absorvente usado:

    • Absorventes externos: trocar conforme o fluxo, mas não deixar acumular sangue por muitas horas. Prefira absorventes com cobertura de algodão;
    • Absorventes internos: podem ser usados, mas não por mais de 8 horas seguidas. A troca é fundamental para evitar proliferação de bactérias;
    • Coletores menstruais: devem ser retirados, lavados e recolocados a cada 6 a 8 horas, no máximo. É importante escolher o tamanho adequado;
    • Calcinhas absorventes: podem ser utilizadas sozinhas ou combinadas com outros métodos. Devem ser trocadas a cada 8 a 12 horas, respeitando as necessidades individuais.

    É recomendado o uso de spray/perfume íntimo?

    O uso de sprays, perfumes íntimos ou qualquer produto com fragrâncias e corantes não é recomendado, já que a região é sensível e pode reagir com irritações ou alergias. A higiene íntima deve ser sempre simples, com o mínimo possível de substâncias químicas.

    Confira: Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer

    Perguntas frequentes

    1. A falta de higienização correta pode causar problemas?

    Sim. O risco de desequilíbrio da flora vaginal aumenta, favorecendo infecções como candidíase, além de irritações, mau odor e até infecções urinárias.

    2. A vaginose bacteriana pode ser causada por hábitos inadequados de higiene íntima?

    Sim. A higiene inadequada, o uso de duchas vaginais ou de produtos perfumados podem favorecer a condição, que costuma causar corrimento acinzentado e odor desagradável.

    3. Infecção urinária pode ser causada pela falta de higiene durante a menstruação?

    Sim. O canal da uretra pode ser contaminado por bactérias quando a higiene não é feita corretamente. Isso favorece infecções urinárias, que causam dor ao urinar, vontade frequente de ir ao banheiro e até febre.

    4. Ficar muitas horas com o mesmo absorvente pode trazer riscos?

    Sim. O acúmulo de sangue e umidade favorece a proliferação de microorganismos, resultando em infecções, mau odor e irritações na pele. O ideal é trocar absorventes externos a cada 6 a 8 horas.

    5. Posso usar calcinha absorvente em vez de absorventes descartáveis?

    Sim. Elas são seguras e confortáveis, podendo ser usadas sozinhas ou em conjunto com outros métodos. Devem ser trocadas a cada 8 a 12 horas e lavadas corretamente após o uso.

    6. Quais sinais indicam que preciso procurar o ginecologista durante a menstruação?

    Sinais de alerta incluem coceira intensa, ardência, corrimento com cheiro forte, dor ao urinar, fluxo muito maior do que o habitual ou sangramento fora do período menstrual.

    7. Qual o melhor sabonete íntimo?

    O melhor sabonete é o comum suave, neutro e sem perfume. Os íntimos específicos podem ser usados, mas não são obrigatórios. O mais importante é evitar fragrâncias fortes e produtos agressivos. Em caso de dúvidas, converse com o ginecologista.

    Leia mais: Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

  • Endometriose: o que é, principais sintomas e tratamentos  

    Endometriose: o que é, principais sintomas e tratamentos  

    A endometriose é uma das doenças ginecológicas mais comuns entre mulheres em idade fértil, mas ainda é cercada de dúvidas e diagnóstico difícil. Estima-se que milhões de brasileiras convivam com a condição, muitas vezes sem saber, já que os sintomas podem ser confundidos com cólicas menstruais comuns.

    A seguir, você vai entender o que é a endometriose, quais são os principais sintomas, como ela afeta a fertilidade e quais os tratamentos disponíveis com a explicação da ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    O que é endometriose?

    A especialista explica que a camada interna do útero se chama endométrio, e é ela que descama na menstruação.

    “A endometriose é a presença desse tecido em um lugar que não é o habitual. Qualquer lugar pode ter endometriose. Existem locais mais comuns e outros mais raros, mas já temos relatos até de endometriose pulmonar, ou seja, um pedacinho de endométrio no pulmão”, explica a médica.

    “Então, se está fora do útero, é endometriose. Está fora do lugar, já chamamos de endometriose”.

    A questão é que esse tecido fora do útero continua respondendo aos hormônios do ciclo menstrual.

    “Ou seja, toda vez que o endométrio no útero descama na menstruação, esse foco de endometriose que está em outro lugar também sangra, porque o hormônio chega lá e estimula esse sangramento. O problema é que ele sangra em um local onde não há extravasamento, não há um canal de liberação. Então, esse lugar forma uma inflamação e uma fibrose crônica, porque não tem para onde escoar”.

    E é daí que vêm os sintomas, que variam conforme a localização dos focos, sendo dor e infertilidade os mais comuns.

    “É uma doença que, na grande maioria das vezes, cursa com dor: cólica menstrual, dor na relação sexual, dor que pode não ter relação com o ciclo menstrual, às vezes dor para urinar, tudo depende da localização do foco. Algumas mulheres não têm dor, mas podem ter infertilidade”.

    Leia também: Tratamento para mioma uterino: opções não cirúrgicas

    Causas da endometriose

    Ainda não existe uma única explicação definitiva para a doença. Um dos fatores conhecidos é a chamada menstruação retrógrada, quando parte do sangue menstrual volta pelas trompas para a cavidade pélvica.

    Segundo a médica, quase todas as mulheres vão ter esse fenômeno. “Algumas não desenvolvem endometriose, outras sim. Existe uma teoria de que quem tem endometriose apresenta um sistema imunológico que não consegue limpar esses focos adequadamente”, conta.

    Principais sintomas da endometriose

    A endometriose é uma condição inflamatória que, na maioria das vezes, causa dor.

    Os sintomas mais comuns são:

    • Cólica menstrual intensa e progressiva;
    • Dor pélvica fora do período menstrual;
    • Dor durante a relação sexual;
    • Dor ao urinar ou evacuar, dependendo da localização dos focos;
    • Infertilidade em alguns casos.

    “Mesmo uma mulher sem dor, mas que está investigando infertilidade porque tenta engravidar e não consegue, precisa investigar endometriose”, ressalta a especialista.

    Um ponto importante destacado pela médica é que não há relação direta entre intensidade da dor e a gravidade da doença. Mulheres com poucos focos podem ter dor intensa, enquanto outras com lesões extensas podem sentir pouco desconforto.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico da endometriose pode ser desafiador, já que exames comuns muitas vezes não mostram a doença.

    O ultrassom transvaginal simples não identifica bem os focos, que podem ser pequenos e discretos. Por isso, os médicos pedem exames mais específicos, como:

    • Ultrassom transvaginal com preparo intestinal: semelhante ao preparo de colonoscopia, pois isso melhora a visualização dos focos;
    • Ressonância magnética com preparo intestinal: permite mapear lesões profundas de endometriose.

    Esses exames ajudam a definir a extensão e localização da doença, o que é essencial para planejar o tratamento.

    Endometriose e infertilidade

    Muitas mulheres descobrem a doença durante a investigação da infertilidade. Os focos podem comprometer a fertilidade de diferentes formas:

    • Obstruindo as trompas;
    • Alterando a ovulação nos ovários;
    • Distorcendo o endométrio e dificultando a implantação;
    • Criando um ambiente inflamatório desfavorável para o desenvolvimento de uma gestação.

    “A infertilidade pode ter origem tubária, ovariana, uterina ou até cervical. Muitas vezes, encontramos mais de um fator ao investigar. E é fundamental lembrar: a investigação deve sempre incluir o casal, porque podem existir fatores masculinos também”, ressalta a ginecologista.

    Tratamentos para endometriose

    O tratamento depende do grau da doença, dos sintomas e do desejo de engravidar.

    Tratamento clínico

    A endometriose é uma doença que depende dos hormônios para acontecer. Por isso, o tratamento clínico busca bloquear a menstruação e reduzir a ação hormonal sobre os focos. As opções de tratamento são:

    • Anticoncepcional hormonal contínuo;
    • DIU hormonal com progesterona;
    • Implantes hormonais;
    • Pílulas específicas para endometriose;
    • Analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor.

    “Quando bloqueio a menstruação, evito também que os focos de menstruação retrógrada continuem acontecendo. Isso ajuda a estacionar a progressão da endometriose”, explica a médica.

    Tratamento cirúrgico

    Quando os sintomas persistem ou em casos de infertilidade, pode ser indicada a cirurgia.

    A videolaparoscopia é a técnica mais utilizada. “Ela é muito mais vantajosa porque a câmera amplia o campo de visão, permitindo ver focos escondidos em lugares difíceis de acessar”, diz a ginecologista.

    Dependendo da localização, pode ser necessário atuar também no intestino ou na bexiga, em conjunto com outros especialistas.

    Se desconfia de endometriose, procure um médico

    A endometriose é uma doença crônica que pode afetar a qualidade de vida e a fertilidade da mulher. O diagnóstico precoce ajuda a controlar os sintomas e cuidar da fertilidade. Por isso, quem tem sintomas que indiquem endometriose deve procurar o médico.

    Com tratamento adequado, seja clínico ou cirúrgico, é possível ter alívio da dor, melhora na fertilidade e mais qualidade de vida.

    Perguntas frequentes sobre endometriose

    1. Toda cólica menstrual forte é sinal de endometriose?

    Não. A cólica pode ser comum, mas se for intensa, progressiva ou incapacitante, deve ser investigada por um médico.

    2. A endometriose tem cura?

    Não existe cura definitiva, mas o tratamento ajuda a controlar a doença e os sintomas.

    3. A doença sempre causa infertilidade?

    Não. Nem todas as mulheres com endometriose vão ter dificuldade para engravidar, mas a condição aumenta o risco.

    4. O que piora a endometriose?

    A estimulação hormonal pela menstruação é o principal fator de piora para a doença.

    5. Anticoncepcional ajuda a tratar?

    Sim. O uso contínuo pode bloquear a menstruação e controlar os focos.

    Leia também: Cirurgia de endometriose: veja quando ela é indicada

  • Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

    Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

    Muitas mulheres já passaram pela situação de estarem tranquilas e, de repente, perceber um sangramento que não estava na programação menstrual. O susto é grande, a preocupação bate na hora, e a dúvida aparece: será que isso é normal?

    O corpo feminino tem suas particularidades, e nem todo sangramento fora do ciclo é motivo para preocupação. Mas é importante entender quando se trata de algo fisiológico, ou seja, normal, e quando pode ser um sinal de que é necessário fazer uma investigação médica.

    O que é considerado um sangramento anormal?

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, alguns episódios podem ser absolutamente normais.

    “Há mulheres que, no período da ovulação, apresentam pequenas alterações hormonais que fazem o endométrio descamar um pouco. Isso causa um sangramento discreto no meio do ciclo, chamado de sangramento do meio. Ele pode ser normal”, explica.

    Outra situação bem comum são os sangramentos relacionados ao uso de anticoncepcionais. “Anticoncepcionais que suspendem a menstruação podem causar esses sangramentos irregulares que chamamos de escape”, diz a ginecologista.

    Mas fora essas situações, todo sangramento fora do esperado merece atenção.

    Quando o sangramento precisa de investigação?

    De acordo com a ginecologista, qualquer sangramento recorrente fora da menstruação deve ser avaliado. Um exemplo importante é o sangramento durante a relação sexual.

    “Ele pode indicar lesões na vagina, na vulva ou no colo do útero, inclusive câncer de colo de útero”, alerta a especialista. Às vezes, a causa desse sangramento irregular também pode ser alterações no sistema de coagulação.

    Climatério e perimenopausa: fase de mudanças

    Na fase de transição para a menopausa, chamada perimenopausa, a irregularidade menstrual é a marca registrada.

    “A mulher pode sangrar a cada 15 dias, depois ficar meses sem menstruar e depois voltar a sangrar. Essa irregularidade entre os 45 e 55 anos é típica da transição para a menopausa”, explica Andreia.

    Quando os sangramentos fogem do padrão, exames podem ajudar a identificar se a menopausa está chegando.

    “O exame que usamos é o FSH (hormônio folículo-estimulante). Quando ele começa a se elevar, indica que a mulher está entrando na menopausa. Se isso ocorre em idade precoce, como aos 35 anos, não é normal, e precisamos investigar outras causas, como falência ovariana precoce”, conta ela.

    Leia também: Saiba mais sobre menstruação irregular

    Perguntas frequentes sobre sangramento fora da menstruação

    1. É normal sangrar no meio do ciclo?

    Sim, pode acontecer durante a ovulação, por alterações hormonais naturais. É o chamado “sangramento do meio”.

    2. O anticoncepcional pode causar sangramento fora do período?

    Sim. Os anticoncepcionais hormonais podem provocar escapes de vez em quando.

    3. Sangramento após a relação sexual sempre é grave?

    Não sempre, mas pode ser sinal de lesões ou doenças no colo do útero e precisa ser investigado.

    4. Na perimenopausa é comum ter sangramentos irregulares?

    Sim. Entre os 45 e 55 anos, o ciclo menstrual tende a ficar irregular, com intervalos mais curtos ou longos.

    5. O sangramento fora do ciclo pode ser câncer?

    Em alguns casos, sim, especialmente quando ocorre após a relação sexual. É por isso que toda ocorrência deve ser avaliada.

    6. O que devo fazer ao notar sangramento fora do período menstrual?

    Consultar um ginecologista. Apenas o médico pode identificar se é algo normal ou se precisa de tratamento.

    Leia também: Cirurgia de endometriose: veja quando ela é indicada

  • Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta 

    Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta 

    Quando o assunto é menstruação, cada mulher tem uma história para contar. Algumas têm ciclos certinhos como um relógio, enquanto outras enfrentam atrasos misteriosos ou sangramentos que chegam sem aviso. E aí vem a dúvida: o que é normal e o que é menstruação irregular e merece ser compartilhado com um médico?

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que explicou de forma clara como funciona um ciclo menstrual saudável, o que caracteriza irregularidade e em quais situações é necessário procurar o médico.

    O que é um ciclo menstrual regular

    Antes de falar em irregularidade, é importante entender o que é considerado normal.

    “Do ponto de vista médico, o ciclo menstrual clássico é de 28 dias, marcado pela ovulação no meio do ciclo. Temos a fase folicular, nas primeiras duas semanas, quando ocorre o desenvolvimento do óvulo, seguida da ovulação, que é o rompimento do folículo no ovário com a saída do óvulo para a tuba uterina”, conta a médica.

    “Depois, há a fase lútea, em que o corpo lúteo se forma e o endométrio se prepara para receber o óvulo fecundado”, período que, se não houver óvulo fecundado, culmina na menstruação.

    Segundo a ginecologista, um ciclo normal dura de 25 a 35 dias, contando sempre do primeiro dia da menstruação até o primeiro dia da próxima. “O sangramento considerado regular deve ter entre 3 e 7 dias”.

    O fluxo também entra nessa conta. Para avaliá-lo, os médicos observam a intensidade do sangramento: número de absorventes usados, presença de coágulos, vazamentos ou necessidade de combinar absorvente interno com externo para conter o fluxo. “Isso nos dá uma ideia do volume”, conta.

    Quando o ciclo é considerado irregular?

    É considerado irregular quando o ciclo dura menos de 25 ou mais de 35 dias. Se a menstruação vem a cada 15 dias ou só aparece de três em três meses, por exemplo, é sinal de que algo não está bem.

    “Quando a mulher menstrua a cada 15 dias, geralmente é porque não ovula adequadamente. Já quando menstrua apenas a cada 3 meses, pensamos em síndrome dos ovários policísticos”, explica a ginecologista.

    A irregularidade também pode se manifestar com intervalos muito variáveis, como um ciclo de 21 dias seguido de outro de 47, por exemplo.

    “Uma menstruação irregular, com intervalos ora curtos, ora longos, pode estar ligada a alterações hormonais, disfunções da hipófise, da tireoide, ou a fases fisiológicas como a perimenopausa”, explica a especialista.

    O papel da ovulação no ciclo

    A ovulação acontece, em média, no meio do ciclo menstrual. Mas o corpo pode ter variações. “Se a ovulação atrasar para o 18º dia, o ciclo pode ter 32 dias e ainda ser normal”, explica Andreia.

    O que deve chamar atenção é a falta de padrão. “Hoje os aplicativos de monitoramento ajudam muito a observar essas variações”, lembra a especialista.

    Leia também: Saúde do coração após a menopausa: conheça os cuidados nessa fase da vida

    Estilo de vida e menstruação irregular

    O corpo responde ao ritmo de vida, e a menstruação não fica de fora. Estresse, noites mal dormidas, má alimentação, peso muito baixo ou muito alto, excesso ou falta de exercícios físicos podem bagunçar o ciclo.

    “Atletas com baixo percentual de gordura podem ter amenorreia, ou seja, ausência de menstruação. Já mulheres com obesidade podem ter maior risco de síndrome dos ovários policísticos”, explica a médica.

    Até a dieta pode influenciar. “A soja, por exemplo, contém fitoestrógenos, substâncias semelhantes ao estrogênio, que podem alterar o ciclo”, completa.

    Quando é sinal de alerta?

    Nem toda irregularidade é preocupante, mas há momentos em que é preciso investigar. “A irregularidade é o primeiro sintoma comum na menopausa, mais até que os fogachos”, diz a Dra. Andreia.

    Além disso, disfunções hormonais da hipófise e da tireoide, por exemplo, podem se manifestar primeiro com alterações menstruais. Por isso, a recomendação é que quem tem ciclos fora do padrão e que se repetem com frequência devem ser avaliados por um ginecologista.

    Confira: Tratamento para mioma uterino: opções não cirúrgicas

    Perguntas frequentes sobre menstruação irregular

    1. É normal a menstruação atrasar alguns dias?

    Sim. Pequenas variações de até alguns dias ainda podem ser consideradas normais.

    2. Menstruação irregular sempre significa problema muito sério?

    Não, nem sempre. O ciclo pode variar por estresse, sono ruim ou até mudanças na alimentação. Se essas forem as causas, quando essas questões são ajustadas o ciclo tende a se regularizar.

    3. Aplicativos de ciclo menstrual são confiáveis?

    Eles ajudam a acompanhar o padrão, como duração do ciclo, volume do fluxo menstrual, entre outros parâmetros, mas não substituem a avaliação médica.

    4. Menstruação irregular é sempre sinal de ovário policístico?

    Não. Essa é uma das causas possíveis, mas existem outras, como alterações da tireoide ou da hipófise.

    5. Quem está na perimenopausa sempre terá irregularidade menstrual?

    A maioria sim, mas a intensidade varia muito de mulher para mulher.

    7. Menstruação irregular pode afetar a fertilidade?

    Sim, especialmente se for causada por falta de ovulação.

    8. Quando procurar o ginecologista?

    Sempre que os ciclos forem muito variáveis (muito curtos ou longos) ou vierem acompanhados de sintomas importantes, como sangramento excessivo ou dor intensa.

    Leia mais: Cirurgia de endometriose: veja quando ela é indicada