Durante a gravidez, os movimentos do bebê são um dos principais sinais de que ele está ativo e se desenvolvendo normalmente dentro do útero. Mas, à medida que a gestação se aproxima do fim, é comum que a frequência e a intensidade dos chutes, alongamentos e cambalhotas mudem.
Com o crescimento do bebê, o espaço dentro do útero fica cada vez menor, fazendo com que ele tenha menos liberdade para realizar movimentos amplos.
A mudança é esperada e parte do desenvolvimento normal da gravidez, mas o bebê ainda deve se movimentar diariamente, com esticadas, empurrões, pequenos deslocamentos do corpo e movimentos mais lentos. Apesar de ficar mais apertado dentro do útero, ele continua alternando períodos de sono e de atividade.
O mais importante é que a gestante conheça o padrão habitual de movimentação do seu bebê e procure atendimento médico caso perceba uma diminuição importante ou a ausência de movimentos, especialmente no terceiro trimestre.
É normal o bebê mexer menos no final da gravidez?
Não é normal o bebê parar de mexer ou ter uma redução drástica nos movimentos no final da gestação. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o bebê se movimenta continuamente durante toda a gravidez. O que realmente muda na reta final é o espaço disponível dentro do útero e como a gestante percebe os movimentos.
Como o bebê está muito grande, ele não consegue mais dar aquelas cambalhotas amplas do início. Em vez disso, os movimentos se tornam mais localizados e bem evidentes: você passa a sentir nitidamente partes do corpo dele se esticando, como um cotovelo ou um pé pressionando a barriga.
Além disso, Andreia aponta que o feto tem um ciclo de sono e vigília muito bem definido, dormindo por cerca de 40 minutos e ficando acordado nos 40 minutos seguintes. Por isso, se ele estiver quietinho, pode ser apenas o momento do soninho dele.
Por que parece que ele só mexe à noite?
Durante o dia, a rotina de trabalho, os afazeres e outras atividades podem desviar a atenção da mulher, dificultando a percepção dos movimentos fetais. À noite, ao deitar e relaxar, a gestante fica mais atenta ao próprio corpo, o que torna os movimentos mais fáceis de perceber.
Junto a isso, alguns movimentos realizados pela própria gestante durante o dia, como caminhar, mudar de posição ou realizar atividades domésticas, podem embalar o bebê e favorecer períodos de sono. Quando a mãe para e fica em repouso, o bebê pode acordar e voltar a se movimentar, aumentando a sensação de que ele só mexe durante a noite.
Como saber se o bebê está mexendo menos ou se parou de se mover?
Para ajudar as gestantes a acompanharem a vitalidade fetal de forma mais objetiva, existe um método simples chamado mobilograma, que consiste na contagem e registro dos movimentos fetais para garantir que a oxigenação e a vitalidade estão adequadas. A recomendação de Andreia é seguir o seguinte passo a passo:
- Escolha um momento calmo: vá para um ambiente tranquilo, de preferência deite-se do lado esquerdo e concentre toda a atenção na barriga. Isso reduz as distrações do dia a dia e facilita a percepção dos movimentos;
- Alimente-se antes: faça um pequeno lanche ou tome um copo de suco. O aumento da glicose na corrente sanguínea costuma estimular a movimentação do bebê, caso ele esteja dormindo;
- Observe por até 2 horas: conte todos os movimentos do bebê, como chutes, esticadas, giros ou pequenos espasmos.
O esperado é que o bebê realize pelo menos 10 movimentos em um período de até 2 horas, como chutes, esticadas, giros ou pequenos espasmos. Não é necessário que os movimentos sejam fortes: qualquer movimentação percebida pela gestante pode ser contabilizada.
O que fazer imediatamente se você não sente o bebê mexer
Se você contar menos de 10 movimentos durante o período, ou se o bebê não esboçar nenhuma reação mesmo após você ter se alimentado e estimulado a barriga, é um sinal claro de que ele está se movendo menos do que deveria. A orientação médica é procurar o pronto-socorro obstétrico imediatamente.
No hospital, Andreia explica que a equipe médica poderá avaliar a vitalidade fetal por meio de exames como:
- Cardiotocografia: monitora os batimentos cardíacos do bebê e a presença de contrações uterinas, ajudando a identificar sinais de sofrimento fetal;
- Ultrassom com perfil biofísico fetal: avalia a movimentação do bebê, o tônus muscular, os movimentos respiratórios e a quantidade de líquido amniótico, atribuindo uma pontuação à vitalidade fetal;
- Ultrassom com Doppler: analisa o fluxo sanguíneo entre a placenta e o bebê, incluindo as artérias umbilicais, a artéria cerebral média e o ducto venoso, permitindo identificar alterações na oxigenação e na circulação fetal.
“Eu sempre digo: não tem problema ter 10 alarmes falsos. Vá ao pronto-socorro quantas vezes forem necessárias”, complementa a ginecologista.
Quando é necessário interromper a gestação?
A decisão de antecipar o parto por meio de uma indução ou de uma cesariana de emergência é tomada quando os médicos avaliam que permanecer no útero representa um risco maior para o bebê do que os possíveis impactos do nascimento prematuro.
Segundo Andreia, embora o útero seja o ambiente ideal para o desenvolvimento do bebê, quando os exames mostram sinais de comprometimento da vitalidade fetal, a equipe médica pode optar pela antecipação do parto para preservar a vida da mãe e da criança. Os principais critérios incluem:
- Sofrimento fetal, identificado na cardiotocografia ou no perfil biofísico fetal;
- Alterações graves no Doppler, que mostram comprometimento da circulação e da oxigenação do bebê;
- Oligoâmnio grave, quando há redução importante da quantidade de líquido amniótico;
- Complicações maternas graves, como descolamento da placenta, pré-eclâmpsia grave ou eclâmpsia.
A ginecologista explica que todo o processo segue protocolos rigorosos. Os resultados da cardiotocografia, do perfil biofísico fetal e do Doppler são interpretados de acordo com critérios bem estabelecidos, permitindo que a equipe médica defina com segurança se a gestante pode receber alta, permanecer em observação ou se a interrupção da gestação é a conduta mais indicada.
Quando ir ao médico imediatamente?
No final da gestação, alguns sintomas precisam de avaliação médica imediata, pois podem indicar uma emergência obstétrica:
- Sangramento vaginal intenso, semelhante a uma menstruação;
- Perda de líquido amniótico, mesmo que em pequena quantidade;
- Diminuição ou ausência dos movimentos do bebê;
- Contrações regulares, com pelo menos duas contrações a cada 10 minutos durante uma hora;
- Dor abdominal intensa, com a barriga endurecida e sem relaxar;
- Febre;
- Dor de cabeça forte e persistente;
- Dor na parte alta da barriga, próxima à boca do estômago;
- Alterações na visão, como flashes de luz ou manchas escuras;
- Pressão alta, convulsões ou falta de ar.
Segundo Andreia, os quatro principais sinais que podem indicar a necessidade de antecipar o parto são a perda de líquido amniótico, o sangramento vaginal, a redução dos movimentos fetais e as contrações regulares. Já os demais sintomas podem estar relacionados a complicações graves, como pré-eclâmpsia e eclâmpsia, e também exigem atendimento imediato.
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Perguntas frequentes
1. O bebê se mexe menos quando a bolsa vai estourar?
Não, o rompimento da bolsa (ruptura das membranas) não reduz a movimentação do bebê. Se ele parar de se mexer após a bolsa estourar, procure a maternidade imediatamente, pois é um sinal de alerta e não uma reação normal.
2. O que o bebê sente quando a mãe come doce?
Ele recebe uma carga rápida de energia. A placenta facilita a passagem da glicose da mãe para a corrente sanguínea do bebê, o que costuma despertá-lo e aumentar sua movimentação.
3. Com quantas semanas o bebê começa a mexer de forma bem evidente?
Os primeiros movimentos costumam ser percebidos entre a 20ª e a 24ª semana de gestação. A partir da 24ª semana, eles tendem a ficar mais evidentes e fáceis de identificar.
4. O que acontece se o líquido amniótico estiver muito baixo?
Quando o volume de líquido amniótico está muito reduzido (oligoâmnio), o bebê perde parte da proteção oferecida pelo útero. Dependendo da idade gestacional e da gravidade do quadro, pode ser necessário antecipar o parto.
5. O bebê pode mexer menos por estar encaixado?
O bebê pode mudar a forma como se movimenta quando está encaixado, com menos chutes na parte inferior da barriga e mais empurrões na parte de cima. No entanto, a quantidade total de movimentos não deve diminuir de forma importante.
6. O que fazer se eu tiver contrações ritmadas que não passam?
Se você apresentar pelo menos duas contrações a cada 10 minutos durante uma hora seguida, procure a maternidade, pois pode ser um sinal de trabalho de parto.
7. Sentir o bebê tremer na barriga é normal?
Sim. Pequenos tremores ou vibrações rápidas costumam ser apenas espasmos musculares normais do desenvolvimento do bebê, reflexos de sobressalto ou a eliminação de urina.
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