Ebola: o que é, como se transmite e por que o risco de pandemia é considerado baixo 

Profissional de saúde utilizando equipamentos de proteção durante atendimento de paciente com Ebola.

O Ebola é uma doença viral grave causada por vírus do gênero Ebolavirus. A infecção ganhou notoriedade mundial durante os grandes surtos registrados na África Ocidental entre 2014 e 2016, quando milhares de pessoas foram infectadas e mais de 11 mil morreram.

Embora apresente elevada letalidade em alguns contextos, o comportamento epidemiológico do Ebola é bastante diferente de doenças respiratórias altamente transmissíveis, como a covid-19. Isso faz com que o risco de uma pandemia global seja considerado significativamente menor pelos especialistas.

Ainda assim, surtos localizados continuam ocorrendo e exigem vigilância constante das autoridades sanitárias.

O que é o Ebola?

O Ebola é uma doença infecciosa que pode causar febre hemorrágica grave e comprometimento de múltiplos órgãos. O vírus foi identificado pela primeira vez em 1976, próximo ao Rio Ebola, na atual República Democrática do Congo.

Desde então, surtos esporádicos foram registrados principalmente em países da África Central e Ocidental.

Como acontece a transmissão?

A transmissão ocorre por contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados. Entre os principais meios de transmissão estão:

  • Sangue;
  • Saliva;
  • Vômitos;
  • Fezes;
  • Urina;
  • Secreções corporais;
  • Tecidos de pessoas ou animais infectados.

O vírus também pode ser transmitido por objetos contaminados por esses fluidos.

Ebola não é transmitido pelo ar

Uma das características que diferenciam o Ebola de vírus com potencial pandêmico elevado é a forma de transmissão. O Ebola não apresenta transmissão aérea eficiente entre humanos, como ocorre com:

  • Covid-19;
  • Influenza;
  • Sarampo.

Por isso, sua disseminação depende de contato próximo e direto com pessoas infectadas ou seus fluidos corporais. Essa característica limita significativamente sua capacidade de espalhamento global.

Quais são os sintomas do Ebola?

Os sintomas costumam surgir entre 2 e 21 dias após a exposição ao vírus.

Os sinais iniciais geralmente são:

  • Febre alta;
  • Dor de cabeça intensa;
  • Dores musculares;
  • Fraqueza importante;
  • Dor de garganta;
  • Mal-estar geral.

Nos primeiros dias, o quadro pode ser confundido com outras infecções virais.

Como a doença pode evoluir?

Com a progressão da infecção, podem surgir:

  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Diarreia intensa;
  • Dor abdominal;
  • Desidratação;
  • Alterações hepáticas e renais.

Nos casos mais graves, ocorre comprometimento de múltiplos órgãos.

O Ebola sempre causa hemorragias?

Não. Embora seja conhecido como uma febre hemorrágica viral, nem todos os pacientes apresentam sangramentos.

Quando eles ocorrem, podem incluir:

  • Sangramento das gengivas;
  • Sangramento gastrointestinal;
  • Sangramento nasal;
  • Hemorragias internas.

Essas manifestações costumam estar associadas às formas mais graves da doença.

Qual é a taxa de mortalidade?

A mortalidade varia conforme diversos fatores, como:

  • A espécie do vírus;
  • O acesso ao atendimento médico;
  • A rapidez do diagnóstico;
  • A disponibilidade de tratamento especializado.

Historicamente, alguns surtos apresentaram mortalidade superior a 50%, embora esse percentual varie amplamente.

Existe tratamento para Ebola?

Sim. Nas últimas décadas houve avanços importantes no manejo da doença.

O tratamento inclui:

  • Hidratação intensiva;
  • Correção de distúrbios metabólicos;
  • Controle das complicações;
  • Suporte respiratório quando necessário.

Além disso, terapias com anticorpos monoclonais passaram a ser utilizadas em alguns cenários, reduzindo a mortalidade.

Existe vacina contra Ebola?

Sim, mas não para todas as cepas do vírus. Vacinas eficazes foram desenvolvidas e são utilizadas principalmente durante surtos para conter a disseminação do vírus.

Essas estratégias ajudaram a controlar surtos recentes em diferentes países africanos.

O Ebola pode causar uma pandemia atualmente?

Segundo o conhecimento científico atual, o potencial pandêmico do Ebola é considerado muito menor do que o observado em vírus respiratórios.

Isso acontece porque:

  • A transmissão exige contato direto;
  • Pessoas geralmente não transmitem antes dos sintomas;
  • Casos tendem a ser identificados e isolados mais facilmente;
  • Medidas de controle costumam ser bastante eficazes.

Por outro lado, surtos regionais continuam sendo uma preocupação relevante para a saúde pública.

Por que os surtos continuam ocorrendo?

Os surtos geralmente estão relacionados ao contato inicial com animais infectados e à posterior transmissão entre pessoas.

Entre os fatores que favorecem a disseminação estão:

  • Sistemas de saúde fragilizados;
  • Diagnóstico tardio;
  • Dificuldade de acesso ao atendimento;
  • Falhas nas medidas de controle de infecção.

Quando suspeitar de Ebola?

Fora das áreas onde existem surtos ativos, o Ebola é extremamente raro.

A suspeita geralmente envolve:

  • Viagem recente para regiões afetadas;
  • Contato com casos confirmados;
  • Exposição a fluidos corporais infectados;
  • Sintomas compatíveis com a doença.

Confira: Hantavírus: como se pega a cepa que se transmite entre humanos?

Perguntas frequentes sobre Ebola

1. O Ebola é transmitido pelo ar?

Não. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com fluidos corporais contaminados.

2. Todo paciente com Ebola apresenta sangramentos?

Não. As hemorragias costumam ocorrer nos casos mais graves.

3. Existe vacina contra Ebola?

Sim. Atualmente existem vacinas eficazes utilizadas para conter surtos.

4. O Ebola ainda existe?

Sim. Surtos esporádicos continuam sendo registrados em algumas regiões da África.

5. O Ebola é mais letal que a covid-19?

Historicamente, sim. A taxa de mortalidade do Ebola costuma ser muito maior.

6. O Ebola pode causar uma pandemia global como a covid-19?

Atualmente, esse risco é considerado muito menor por conta da forma de transmissão do vírus.

7. Existe tratamento para Ebola?

Sim. O tratamento de suporte e as terapias específicas melhoraram significativamente o prognóstico da doença.

Veja também: Como diferenciar dengue de gripe e covid-19?