Cardiomiopatia hipertrófica: entenda a doença que engrossa o músculo do coração 

Ilustração mostrando o espessamento do músculo cardíaco na cardiomiopatia hipertrófica.

A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença cardíaca marcada pelo espessamento anormal do músculo do coração, principalmente do ventrículo esquerdo, a principal câmara responsável por bombear sangue para o corpo.

Embora muitas pessoas convivam com a condição sem sintomas importantes, outras podem apresentar falta de ar, dor no peito, palpitações, desmaios e limitações para atividades físicas. Por ter origem genética em grande parte dos casos, o diagnóstico também pode levar à investigação de familiares próximos.

O que é a cardiomiopatia hipertrófica?

Na cardiomiopatia hipertrófica, ocorre um crescimento excessivo das fibras musculares cardíacas. Esse espessamento não acontece por esforço físico ou treinamento esportivo, mas por alterações na estrutura do próprio músculo do coração.

Com o tempo, o coração pode ter dificuldade para relaxar adequadamente entre os batimentos, prejudicando o enchimento das câmaras cardíacas.

O que acontece com o coração?

O músculo cardíaco espessado pode provocar:

  • Redução do espaço interno do ventrículo;
  • Dificuldade de enchimento do coração;
  • Aumento das pressões cardíacas;
  • Alterações do fluxo sanguíneo.

Em alguns pacientes, o músculo hipertrofiado também pode dificultar a saída do sangue do coração. Essa situação é chamada de obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo.

Quais são as causas da cardiomiopatia hipertrófica?

A principal causa é genética. Na maioria dos casos, a doença ocorre por mutações em genes responsáveis pelas proteínas que compõem as fibras musculares cardíacas.

Essas alterações podem ser transmitidas de pais para filhos. Por isso, muitas vezes há histórico familiar de cardiomiopatia hipertrófica ou de morte súbita em parentes próximos.

A cardiomiopatia hipertrófica é hereditária?

Sim. A maioria dos casos segue um padrão de herança autossômica dominante.

Isso significa que:

  • Um dos pais pode transmitir a alteração genética;
  • Nem todos os familiares terão sintomas;
  • O grau de acometimento pode variar dentro da mesma família.

Por esse motivo, familiares de primeiro grau costumam ser orientados a realizar avaliação cardiológica.

Quais são os sintomas mais comuns?

Muitas pessoas permanecem sem sintomas durante anos. Quando os sintomas aparecem, os mais frequentes são:

  • Falta de ar aos esforços;
  • Cansaço fácil;
  • Dor no peito;
  • Palpitações;
  • Tontura;
  • Desmaios.

A intensidade dos sintomas varia bastante entre os pacientes.

Algumas pessoas não apresentam sintomas?

Sim. Em muitos casos, o diagnóstico acontece por acaso, durante:

  • Exames de rotina;
  • Avaliações esportivas;
  • Investigação familiar após diagnóstico em parentes;
  • Exames solicitados por sopro cardíaco ou alterações no eletrocardiograma.

Por isso, a ausência de sintomas não exclui a doença.

Quais são as possíveis complicações?

Embora muitas pessoas tenham boa qualidade de vida, algumas complicações podem ocorrer.

1. Arritmias cardíacas

O músculo cardíaco alterado pode aumentar o risco do surgimento de ritmos cardíacos anormais.

2. Fibrilação atrial

A fibrilação atrial pode aumentar o risco de formação de coágulos e AVC.

3. Insuficiência cardíaca

Em alguns casos, o coração pode apresentar dificuldade progressiva para funcionar adequadamente.

4. Morte súbita cardíaca

É a complicação mais temida, embora relativamente incomum.

O risco não é igual para todos os pacientes e depende de características específicas avaliadas pelo cardiologista.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico geralmente envolve exames cardiológicos.

1. Ecocardiograma

É um dos principais exames para identificar o espessamento do músculo cardíaco e avaliar se existe obstrução à saída do sangue.

2. Eletrocardiograma

Pode mostrar alterações sugestivas da doença e ajudar na avaliação do ritmo cardíaco.

3. Ressonância magnética cardíaca

Ajuda a avaliar detalhes da estrutura do coração e pode identificar áreas de fibrose no músculo cardíaco.

4. Testes genéticos

Podem ser indicados em situações específicas, especialmente quando há suspeita de forma hereditária e necessidade de orientar familiares.

Como é feito o tratamento?

O tratamento depende dos sintomas, da presença de obstrução e do risco individual de complicações.

Pode incluir:

  • Medicamentos para controlar sintomas;
  • Tratamento de arritmias;
  • Acompanhamento cardiológico regular;
  • Orientações sobre atividade física;
  • Restrições específicas para alguns esportes competitivos;
  • Implante de cardiodesfibrilador implantável (CDI) em pacientes selecionados.

Em casos específicos, podem ser necessários procedimentos para reduzir a obstrução causada pelo músculo hipertrofiado.

A pessoa pode praticar exercícios?

Depende do caso. A atividade física deve ser discutida com o cardiologista, especialmente em pessoas com sintomas, obstrução importante, arritmias ou histórico familiar de morte súbita.

Alguns pacientes podem praticar exercícios leves ou moderados com segurança, enquanto outros precisam evitar atividades competitivas ou de alta intensidade.

Quem deve ser investigado?

A avaliação médica é especialmente importante para pessoas que apresentam:

  • Histórico familiar de cardiomiopatia hipertrófica;
  • Morte súbita em parentes jovens;
  • Desmaios inexplicados;
  • Falta de ar durante exercícios;
  • Dor no peito aos esforços;
  • Palpitações frequentes;
  • Alterações cardíacas encontradas em exames.

Familiares de primeiro grau de pessoas diagnosticadas também devem conversar com um cardiologista sobre rastreamento.

Confira: Insuficiência cardíaca: o que é, sintomas, causas e tratamento

Perguntas frequentes sobre cardiomiopatia hipertrófica

1. Cardiomiopatia hipertrófica é a mesma coisa que pressão alta?

Não. Embora a pressão alta também possa causar aumento da espessura do coração, são condições diferentes.

2. A doença é hereditária?

Sim. A maioria dos casos tem origem genética.

3. Toda pessoa terá sintomas?

Não. Muitas pessoas permanecem assintomáticas por anos.

4. Pode causar morte súbita?

Sim, mas o risco varia entre os pacientes e deve ser avaliado individualmente.

5. Qual é o principal exame para diagnóstico?

O ecocardiograma é um dos principais exames utilizados.

6. Familiares precisam fazer exames?

Frequentemente sim, principalmente parentes de primeiro grau.

7. Existe tratamento?

Sim. O tratamento é individualizado e pode ajudar a reduzir sintomas e prevenir complicações.

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