Você já ouviu falar em disruptores endócrinos? Também conhecidos como desreguladores endócrinos, são substâncias químicas, orgânicas e inorgânicas capazes de interferir no funcionamento dos hormônios do corpo.
Sendo considerados um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS), eles podem ser encontrados mesmo em produtos comuns usados no dia a dia, como embalagens plásticas, cosméticos e até alguns alimentos ultraprocessados.
Os disruptores endócrinos podem agir imitando, bloqueando ou alterando a ação natural dos hormônios no organismo. Com isso, eles acabam confundindo o sistema endócrino, responsável por regular funções importantes como metabolismo, crescimento, fertilidade, sono, puberdade e funcionamento da tireoide.
Mesmo níveis baixos de exposição podem causar impactos no organismo, especialmente quando o contato acontece de forma contínua ao longo da vida. De acordo com estudos, acredita-se que o maior impacto dos disruptores aconteça na gestação, a infância e a adolescência, períodos em que o organismo passa por mudanças hormonais mais intensas.
Como os disruptores endócrinos atuam no organismo?
Os disruptores endócrinos atuam interferindo no sistema hormonal de três maneiras principais. Primeiro, eles são capazes de imitar hormônios naturais, como acontece com o bisfenol A (BPA), enganando o organismo e desencadeando respostas hormonais inadequadas.
Segundo, eles podem atuar como bloqueadores hormonais, ocupando o receptor hormonal sem ativá-lo, o que impede que o hormônio real do organismo consiga transmitir sua mensagem, causando uma deficiência funcional.
Por fim, os disruptores endócrinos podem interferir na produção, no transporte, no metabolismo ou na eliminação dos hormônios naturais, alterando as concentrações no sangue e desregulando o funcionamento do sistema endócrino.
Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o resultado é um desequilíbrio que o corpo interpreta como um aumento ou uma diminuição hormonal, podendo até simular uma doença endócrina real. Como as substâncias apresentam efeito cumulativo, a especialista explica que é difícil estabelecer uma dose segura de exposição.
Onde os disruptores endócrinos são encontrados?
Diariamente, o organismo absorve disruptores endócrinos por meio da ingestão de água e alimentos, além da exposição ambiental ao solo e ar contaminados.
Mas, como eles também estão presentes em alguns processos industriais, a absorção também acontece pelo contato com produtos de uso cotidiano, como:
- Itens de higiene pessoal;
- Roupas e tecidos;
- Componentes eletrônicos;
- Embalagens e recipientes de comida;
- Maquiagens e produtos de beleza;
- Brinquedos para crianças;
- Recipientes térmicos de bebê;
- Garrafas descartáveis e reutilizáveis;
- Revestimentos de pisos e sofás;
- Materiais de construção civil.
Segundo Andreia, as substâncias capazes de afetar o sistema endócrino mais comuns incluem:
- Bisfenol (BPAs): amplamente encontrados em plásticos policarbonatos e revestimentos de latas, são conhecidos por mimetizar o estrogênio no organismo;
- Ftalatos: utilizados para dar flexibilidade aos plásticos e fixar fragrâncias em cosméticos, podem interferir diretamente no sistema reprodutor;
- Parabenos: conservantes muito utilizados em produtos de higiene e beleza para evitar o crescimento de fungos e bactérias, possuindo potencial de desregulação hormonal;
- Pesticidas: substâncias químicas usadas na agricultura que, além de contaminarem alimentos, apresentam alta persistência ambiental e toxicidade ao sistema endócrino;
- Fitoesteróis: compostos naturais encontrados em plantas que possuem estrutura molecular semelhante ao colesterol e a hormônios humanos, podendo ligar-se aos receptores e interferir nas funções hormonais naturais.
Nem toda exposição causa problemas imediatos. Segundo Andreia, a maior preocupação está na exposição crônica e cumulativa. Como os plásticos e outras substâncias químicas estão presentes em muitos produtos usados diariamente, o organismo acaba sendo exposto de forma contínua ao longo da vida.
Complicações causadas pela exposição aos disruptores endócrinos
De acordo com a OMS, a exposição prolongada aos disruptores endócrinos pode estar associada a um maior risco de desenvolvimento de diferentes problemas de saúde, como:
- Diabetes tipo 2;
- Hipotireoidismo;
- Alterações na qualidade do esperma e infertilidade;
- Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH);
- Câncer de mama;
- Alterações metabólicas e puberais;
- Câncer de testículo e de próstata;
- Endometriose;
- Alterações neurológicas e na tireoide;
- Dificuldade no aleitamento materno;
- Obesidade;
- Mal de Parkinson.
Nas crianças, especialmente nas meninas, Andreia explica que a exposição precoce a substâncias com ação semelhante aos hormônios sexuais, como o estrogênio, pode favorecer o desenvolvimento da puberdade precoce.
O organismo recebe sinais hormonais antes do momento esperado, causando mudanças físicas como o crescimento das mamas, o surgimento de pelos e a aceleração do crescimento.
A puberdade precoce também pode trazer consequências emocionais e metabólicas importantes, já que o corpo amadurece em um ritmo diferente do desenvolvimento psicológico e neurológico da criança.
É possível evitar os disruptores endócrinos?
Não é possível evitar completamente os disruptores endócrinos, uma vez que a estrutura social e industrial é baseada em materiais que os contém, mas é totalmente possível e recomendável reduzir a exposição a partir de algumas medidas:
- Troque recipientes e garrafas de plástico por opções de vidro, cerâmica ou aço inoxidável, que não liberam químicos nos alimentos;
- Nunca aqueça alimentos no micro-ondas em potes de plástico e evite lavar esses utensílios com água muito quente ou detergentes abrasivos, pois o desgaste acelera a liberação de BPA e ftalatos;
- Priorize o consumo de alimentos frescos e menos processados. No caso dos enlatados, prefira marcas que especifiquem embalagens livres de BPA;
- Opte por produtos de higiene pessoal e beleza que sejam livres de parabenos e fragrâncias sintéticas;
- Lave bem frutas e vegetais para reduzir resíduos de pesticidas. Se possível, escolha orgânicos, especialmente para alimentos que crescem rente ao solo;
- Evite manusear desnecessariamente recibos de cartão e extratos bancários de papel térmico, que possuem altas concentrações de bisfenol que é absorvido pela pele.
Andreia ressalta que, no caso dos alimentos orgânicos, a atenção com a higienização deve ser redobrada. Por exemplo, frutas que crescem rente ao solo, como o morango, ficam mais expostas a parasitas devido à ausência de defensivos agrícolas.
Para uma higienização segura em casa, o recomendado é o hipoclorito de sódio, encontrado em produtos específicos para alimentos ou na água sanitária comum, desde que devidamente diluída conforme as instruções da embalagem.
Perguntas frequentes
1. Homens também são afetados pelos disruptores endócrinos?
Sim. Estudos associam a exposição a esses químicos à redução da qualidade do esperma, queda nos níveis de testosterona e aumento do risco de câncer de próstata e testículo.
2. Posso aquecer comida no micro-ondas em recipientes de plástico?
Não é recomendável. O calor acelera a liberação de compostos como BPA e ftalatos do plástico para o alimento. O ideal é usar recipientes de vidro ou cerâmica.
3. O que devo observar nos rótulos de produtos de limpeza e higiene?
Procure por termos como “BPA-free” (livre de BPA), “paraben-free” e evite produtos com fragrâncias sintéticas genéricas, que geralmente contêm ftalatos.
4. Existe relação entre disruptores endócrinos e o ganho de peso?
Sim, alguns são classificados como “obesogênicos”. Eles podem alterar o metabolismo, aumentar o número de células de gordura e interferir nos sinais de fome e saciedade, facilitando o desenvolvimento da obesidade e da diabetes tipo 2.
5. Por que o papel térmico (de recibos) é citado como um risco?
Muitos papéis de comprovantes de cartão e extratos bancários usam BPA em sua superfície para a impressão térmica. O contato da pele com o papel permite a absorção direta do químico, especialmente se as mãos estiverem úmidas ou com uso recente de álcool em gel.
6. Como o descarte incorreto de remédios afeta esse ciclo?
Descartar anticoncepcionais e outros hormônios no vaso sanitário contamina os lençóis freáticos. As estações de tratamento de esgoto muitas vezes não conseguem filtrar as moléculas, que acabam retornando à nossa mesa através da água ou de peixes contaminados.
7. O uso de panelas antiaderentes oferece riscos?
Panelas antigas ou riscadas que utilizam PFOA (ácido perfluorooctanóico) podem liberar substâncias químicas durante o cozimento. O ideal é utilizar panelas de cerâmica, ferro, aço inox ou garantir que o revestimento antiaderente seja livre de PFOA.
Você já ouviu falar em disruptores endócrinos? Também conhecidos como desreguladores endócrinos, são substâncias químicas, orgânicas e inorgânicas capazes de interferir no funcionamento dos hormônios do corpo.
Sendo considerados um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS), eles podem ser encontrados mesmo em produtos comuns usados no dia a dia, como embalagens plásticas, cosméticos e até alguns alimentos ultraprocessados.
Os disruptores endócrinos podem agir imitando, bloqueando ou alterando a ação natural dos hormônios no organismo. Com isso, eles acabam confundindo o sistema endócrino, responsável por regular funções importantes como metabolismo, crescimento, fertilidade, sono, puberdade e funcionamento da tireoide.
Mesmo níveis baixos de exposição podem causar impactos no organismo, especialmente quando o contato acontece de forma contínua ao longo da vida. De acordo com estudos, acredita-se que o maior impacto dos disruptores aconteça na gestação, a infância e a adolescência, períodos em que o organismo passa por mudanças hormonais mais intensas.
Como os disruptores endócrinos atuam no organismo?
Os disruptores endócrinos atuam interferindo no sistema hormonal de três maneiras principais. Primeiro, eles são capazes de imitar hormônios naturais, como acontece com o bisfenol A (BPA), enganando o organismo e desencadeando respostas hormonais inadequadas.
Segundo, eles podem atuar como bloqueadores hormonais, ocupando o receptor hormonal sem ativá-lo, o que impede que o hormônio real do organismo consiga transmitir sua mensagem, causando uma deficiência funcional.
Por fim, os disruptores endócrinos podem interferir na produção, no transporte, no metabolismo ou na eliminação dos hormônios naturais, alterando as concentrações no sangue e desregulando o funcionamento do sistema endócrino.
Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o resultado é um desequilíbrio que o corpo interpreta como um aumento ou uma diminuição hormonal, podendo até simular uma doença endócrina real. Como as substâncias apresentam efeito cumulativo, a especialista explica que é difícil estabelecer uma dose segura de exposição.
Onde os disruptores endócrinos são encontrados?
Diariamente, o organismo absorve disruptores endócrinos por meio da ingestão de água e alimentos, além da exposição ambiental ao solo e ar contaminados.
Mas, como eles também estão presentes em alguns processos industriais, a absorção também acontece pelo contato com produtos de uso cotidiano, como:
- Itens de higiene pessoal;
- Roupas e tecidos;
- Componentes eletrônicos;
- Embalagens e recipientes de comida;
- Maquiagens e produtos de beleza;
- Brinquedos para crianças;
- Recipientes térmicos de bebê;
- Garrafas descartáveis e reutilizáveis;
- Revestimentos de pisos e sofás;
- Materiais de construção civil.
Segundo Andreia, as substâncias capazes de afetar o sistema endócrino mais comuns incluem:
- Bisfenol (BPAs): amplamente encontrados em plásticos policarbonatos e revestimentos de latas, são conhecidos por mimetizar o estrogênio no organismo;
- Ftalatos: utilizados para dar flexibilidade aos plásticos e fixar fragrâncias em cosméticos, podem interferir diretamente no sistema reprodutor;
- Parabenos: conservantes muito utilizados em produtos de higiene e beleza para evitar o crescimento de fungos e bactérias, possuindo potencial de desregulação hormonal;
- Pesticidas: substâncias químicas usadas na agricultura que, além de contaminarem alimentos, apresentam alta persistência ambiental e toxicidade ao sistema endócrino;
- Fitoesteróis: compostos naturais encontrados em plantas que possuem estrutura molecular semelhante ao colesterol e a hormônios humanos, podendo ligar-se aos receptores e interferir nas funções hormonais naturais.
Nem toda exposição causa problemas imediatos. Segundo Andreia, a maior preocupação está na exposição crônica e cumulativa. Como os plásticos e outras substâncias químicas estão presentes em muitos produtos usados diariamente, o organismo acaba sendo exposto de forma contínua ao longo da vida.
Complicações causadas pela exposição aos disruptores endócrinos
De acordo com a OMS, a exposição prolongada aos disruptores endócrinos pode estar associada a um maior risco de desenvolvimento de diferentes problemas de saúde, como:
- Diabetes tipo 2;
- Hipotireoidismo;
- Alterações na qualidade do esperma e infertilidade;
- Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH);
- Câncer de mama;
- Alterações metabólicas e puberais;
- Câncer de testículo e de próstata;
- Endometriose;
- Alterações neurológicas e na tireoide;
- Dificuldade no aleitamento materno;
- Obesidade;
- Mal de Parkinson.
Nas crianças, especialmente nas meninas, Andreia explica que a exposição precoce a substâncias com ação semelhante aos hormônios sexuais, como o estrogênio, pode favorecer o desenvolvimento da puberdade precoce.
O organismo recebe sinais hormonais antes do momento esperado, causando mudanças físicas como o crescimento das mamas, o surgimento de pelos e a aceleração do crescimento.
A puberdade precoce também pode trazer consequências emocionais e metabólicas importantes, já que o corpo amadurece em um ritmo diferente do desenvolvimento psicológico e neurológico da criança.
É possível evitar os disruptores endócrinos?
Não é possível evitar completamente os disruptores endócrinos, uma vez que a estrutura social e industrial é baseada em materiais que os contém, mas é totalmente possível e recomendável reduzir a exposição a partir de algumas medidas:
- Troque recipientes e garrafas de plástico por opções de vidro, cerâmica ou aço inoxidável, que não liberam químicos nos alimentos;
- Nunca aqueça alimentos no micro-ondas em potes de plástico e evite lavar esses utensílios com água muito quente ou detergentes abrasivos, pois o desgaste acelera a liberação de BPA e ftalatos;
- Priorize o consumo de alimentos frescos e menos processados. No caso dos enlatados, prefira marcas que especifiquem embalagens livres de BPA;
- Opte por produtos de higiene pessoal e beleza que sejam livres de parabenos e fragrâncias sintéticas;
- Lave bem frutas e vegetais para reduzir resíduos de pesticidas. Se possível, escolha orgânicos, especialmente para alimentos que crescem rente ao solo;
- Evite manusear desnecessariamente recibos de cartão e extratos bancários de papel térmico, que possuem altas concentrações de bisfenol que é absorvido pela pele.
Andreia ressalta que, no caso dos alimentos orgânicos, a atenção com a higienização deve ser redobrada. Por exemplo, frutas que crescem rente ao solo, como o morango, ficam mais expostas a parasitas devido à ausência de defensivos agrícolas.
Para uma higienização segura em casa, o recomendado é o hipoclorito de sódio, encontrado em produtos específicos para alimentos ou na água sanitária comum, desde que devidamente diluída conforme as instruções da embalagem.
Leia também: Câncer de mama: o que é, sintomas, causa e como identificar
Perguntas frequentes
1. Homens também são afetados pelos disruptores endócrinos?
Sim. Estudos associam a exposição a esses químicos à redução da qualidade do esperma, queda nos níveis de testosterona e aumento do risco de câncer de próstata e testículo.
2. Posso aquecer comida no micro-ondas em recipientes de plástico?
Não é recomendável. O calor acelera a liberação de compostos como BPA e ftalatos do plástico para o alimento. O ideal é usar recipientes de vidro ou cerâmica.
3. O que devo observar nos rótulos de produtos de limpeza e higiene?
Procure por termos como “BPA-free” (livre de BPA), “paraben-free” e evite produtos com fragrâncias sintéticas genéricas, que geralmente contêm ftalatos.
4. Existe relação entre disruptores endócrinos e o ganho de peso?
Sim, alguns são classificados como “obesogênicos”. Eles podem alterar o metabolismo, aumentar o número de células de gordura e interferir nos sinais de fome e saciedade, facilitando o desenvolvimento da obesidade e da diabetes tipo 2.
5. Por que o papel térmico (de recibos) é citado como um risco?
Muitos papéis de comprovantes de cartão e extratos bancários usam BPA em sua superfície para a impressão térmica. O contato da pele com o papel permite a absorção direta do químico, especialmente se as mãos estiverem úmidas ou com uso recente de álcool em gel.
6. Como o descarte incorreto de remédios afeta esse ciclo?
Descartar anticoncepcionais e outros hormônios no vaso sanitário contamina os lençóis freáticos. As estações de tratamento de esgoto muitas vezes não conseguem filtrar as moléculas, que acabam retornando à nossa mesa através da água ou de peixes contaminados.
7. O uso de panelas antiaderentes oferece riscos?
Panelas antigas ou riscadas que utilizam PFOA (ácido perfluorooctanóico) podem liberar substâncias químicas durante o cozimento. O ideal é utilizar panelas de cerâmica, ferro, aço inox ou garantir que o revestimento antiaderente seja livre de PFOA.
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