É possível prevenir o Alzheimer? Saiba como reduzir o risco e proteger o cérebro ao longo da vida

Idosa lendo livro em casa; imagem representa saúde cerebral, memória, envelhecimento e prevenção do Alzheimer

O Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo que afeta principalmente a memória, o raciocínio e o comportamento.

A doença acontece pela perda gradual de células do cérebro, comprometendo as funções cognitivas ao longo do tempo, o que provoca sinais como esquecimentos frequentes, dificuldade para lembrar informações recentes e confusão com datas ou compromissos.

O envelhecimento é um dos principais fatores de risco do Alzheimer, mas o surgimento da doença não faz parte do envelhecimento natural.

Na verdade, a estimativa é que 45% dos casos de demência no mundo poderiam ser evitados ou atrasados através da mudança de hábitos cotidianos, de acordo com um relatório da Comissão Lancet sobre Prevenção, Intervenção e Cuidado da Demência.

Afinal, é possível prevenir o Alzheimer?

Segundo a neurologista Paula Dieckmann, não existe uma forma garantida de impedir o surgimento do Alzheimer, mas existem vários hábitos que podem reduzir o risco e proteger o cérebro ao longo da vida.

O cérebro possui algo chamado reserva cognitiva, que funciona como uma espécie de proteção construída ao longo dos anos por meio de estímulos mentais, aprendizado e hábitos saudáveis.

Assim, mesmo que a doença comece a afetar o cérebro, pessoas com uma reserva cognitiva maior conseguem manter a autonomia e as funções do dia a dia por mais tempo.

Como reduzir o risco de Alzheimer?

1. Estimular a mente (reserva cognitiva)

Quanto mais o cérebro é estimulado ao longo da vida, mais conexões entre os neurônios ele consegue criar. Por isso, os hábitos que desafiam a mente ajudam a fortalecer a reserva cognitiva, como:

  • O aprendizado de um novo idioma, instrumento musical ou atividade diferente da rotina;
  • A leitura frequente e os jogos de estratégia, como xadrez e palavras-cruzadas;
  • As mudanças em pequenos hábitos do dia a dia, como fazer caminhos diferentes ou sair do piloto automático;
  • A manutenção da vida social ativa e das conversas estimulantes;
  • Os estudos, cursos e atividades que exigem raciocínio e concentração contínuos.

Quanto maior for a reserva cognitiva, maior tende a ser a capacidade do cérebro de lidar com o envelhecimento e compensar possíveis perdas cognitivas ao longo da vida.

2. Cuidar da saúde cardiovascular

A saúde do cérebro está diretamente ligada à saúde cardiovascular, uma vez que que o cérebro depende de um bom fluxo sanguíneo para funcionar corretamente. O controle da pressão arterial, do diabetes e do colesterol contribui para reduzir os danos aos vasos sanguíneos e proteger as funções cognitivas ao longo dos anos.

O tabagismo também precisa de atenção, porque o cigarro aumenta os processos inflamatórios no organismo e pode acelerar o declínio cognitivo e os problemas vasculares que afetam o cérebro.

3. Alimentação saudável

As dietas ricas em peixes, azeite de oliva, castanhas, frutas vermelhas e vegetais de folhas escuras fornecem nutrientes e antioxidantes que ajudam no funcionamento cerebral. Por outro lado, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, gorduras trans, açúcares refinados e carne vermelha pode favorecer os processos inflamatórios e prejudicar a saúde cognitiva ao longo do tempo.

4. Prática de exercícios físicos

A prática regular de exercícios físicos ajuda a melhorar a circulação sanguínea, a oxigenação cerebral e o funcionamento dos neurônios.

Os exercícios aeróbicos, como as caminhadas, a natação e o ciclismo, costumam trazer benefícios importantes para a memória e para a concentração. Já os treinos de força também ajudam a reduzir os processos inflamatórios do organismo e contribuem para um envelhecimento mais saudável.

5. Priorizar o sono e a saúde mental

O sono de qualidade é necessário para a memória e para a saúde do cérebro, já que é durante o descanso profundo que o organismo realiza processos importantes de consolidação das memórias e de eliminação de toxinas cerebrais.

Além disso, os cuidados com a saúde mental, a redução do estresse e a manutenção das relações sociais também ajudam a proteger as funções cognitivas ao longo da vida.

Por fim, vale atenção à saúde auditiva, porque a perda de audição sem tratamento pode aumentar o isolamento social e acelerar o declínio cognitivo.

Fatores de risco que você pode (e não pode) controlar

O desenvolvimento do Alzheimer é influenciado por diferentes fatores. Alguns não podem ser modificados, como a idade e a genética, enquanto outros estão relacionados ao estilo de vida e podem ser controlados ao longo dos anos.

Entre os fatores que você não consegue controlar, é possível destacar:

  • Idade, principalmente após os 65 anos, já que o risco da doença aumenta com o envelhecimento;
  • Genética e algumas mutações associadas ao Alzheimer, que podem aumentar a predisposição para a condição;
  • Histórico familiar da doença em parentes de primeiro grau, como pais e irmãos;
  • Sexo feminino, que apresenta maior risco estatístico para o desenvolvimento da doença.

Já entre os fatores que você consegue controlar, estão:

  • Baixa escolaridade e a falta de estímulo intelectual ao longo da vida, que podem reduzir a reserva cognitiva do cérebro;
  • Hipertensão, o colesterol alto e a obesidade, especialmente na meia-idade, que prejudicam a circulação sanguínea cerebral;
  • Sedentarismo e a falta de atividade física regular, que favorecem processos inflamatórios no organismo;
  • Tabagismo e o consumo excessivo de álcool, que aceleram o envelhecimento celular e afetam os neurônios;
  • Diabetes tipo 2, que pode prejudicar a forma como o cérebro utiliza a glicose para funcionar adequadamente;
  • Perda auditiva sem tratamento, que reduz os estímulos recebidos pelo cérebro ao longo do tempo;
  • Isolamento social e a depressão, que aumentam o estresse crônico e podem impactar a memória e as funções cognitivas

Sinais de alerta para procurar um médico

No dia a dia, é comum ter pequenos lapsos de memória, como esquecer onde deixou as chaves ou não lembrar o nome de alguém que você acabou de conhecer. Mas, quando as falhas de memória começam a interferir na rotina e na autonomia, é momento de procurar avaliação médica. Fique atento aos seguintes sinais de alerta:

  • Perda de memória frequente que começa a atrapalhar o dia a dia;
  • Dificuldade para planejar atividades ou resolver problemas simples;
  • Confusão com datas, horários, lugares ou trajetos conhecidos;
  • Dificuldade para realizar tarefas habituais da rotina;
  • Problemas para encontrar palavras ou manter conversas;
  • Mudanças de humor, comportamento ou personalidade;
  • Afastamento social e perda de interesse por atividades que antes eram comuns.

Os sinais não significam necessariamente que a pessoa tenha Alzheimer, mas indicam a necessidade de uma avaliação médica, principalmente quando os sintomas passam a se repetir com frequência e comprometem a autonomia no dia a dia.

Perguntas frequentes

1. O Alzheimer é hereditário?

Na maioria dos casos, não. Apenas cerca de 1% a 5% dos casos são puramente genéticos (Alzheimer familiar precoce). Ter um parente com a doença aumenta o risco, mas o estilo de vida é o fator determinante para a maioria das pessoas.

2. A partir de qual idade devo me preocupar com a prevenção?

O ideal é focar em hábitos saudáveis desde a juventude, mas a janela para o controle de fatores de risco (como pressão alta e diabetes) é a meia-idade, entre os 40 e 50 anos.

3. O óleo de coco pode prevenir ou curar o Alzheimer?

Não há evidências científicas sólidas que comprovem que o óleo de coco previna ou trate o Alzheimer. A melhor estratégia alimentar continua sendo a Dieta Mediterrânea.

4. Existe alguma vitamina específica para prevenir a perda de memória?

As vitaminas do complexo B (especialmente B12) e a vitamina D são essenciais para o cérebro. No entanto, a suplementação só deve ser feita sob orientação médica se houver deficiência.

5. Qual a diferença entre demência e Alzheimer?

A demência é um termo geral para o declínio das funções cognitivas. O Alzheimer é o tipo mais comum de demência, correspondendo a cerca de 60% a 80% dos casos.

6. A depressão pode ser um sintoma precoce?

Sim. Em muitos casos, mudanças de humor e depressão aparecem anos antes dos problemas de memória, sendo um sinal de alerta importante.

7. Existem medicamentos para prevenir o Alzheimer?

Até o momento, não existe um remédio aprovado para prevenir a doença em pessoas saudáveis. A prevenção é baseada exclusivamente em hábitos de vida e controle de doenças crônicas.