Como proteger a pele dos danos do sol todos os dias? 5 cuidados que você pode adotar

Mulher aplicando creme de proteção solar no rosto com as pontas dos dedos.

A exposição frequente à radiação solar é um dos principais fatores relacionados ao envelhecimento precoce da pele, ao aparecimento de manchas e ao aumento do risco de câncer de pele, tumor que registra cerca de 180 mil a 220 mil casos todos os anos.

Mesmo em dias nublados ou frios, parte dos raios ultravioleta consegue atravessar as nuvens e atingir a pele, causando danos que podem se acumular ao longo dos anos. Por isso, a proteção solar não deve acontecer apenas nos dias de praia, piscina ou calor intenso.

Para te ajudar, reunimos alguns cuidados simples que podem aumentar a proteção contra os raios solares no dia a dia e diminuir os danos causados pela exposição ao sol. Confira!

Por que o sol danifica a pele mesmo em dias nublados?

Mesmo quando a temperatura está mais baixa e a claridade não incomoda tanto, as nuvens não conseguem bloquear completamente a radiação ultravioleta. Parte dos raios solares consegue atravessar a cobertura de nuvens e chegar até a pele, provocando danos que podem se acumular ao longo dos anos.

A radiação ultravioleta que chega à superfície terrestre é dividida principalmente em raios UVA e UVB. Os raios UVB atingem principalmente as camadas mais superficiais da pele e estão bastante relacionados às queimaduras solares, à vermelhidão e à sensação de ardência depois de uma exposição excessiva. A intensidade varia de acordo com fatores como o horário do dia, a estação do ano, a localização e as condições ambientais.

Já os raios UVA conseguem atingir camadas mais profundas da pele e estão relacionados ao envelhecimento precoce, ao aparecimento de manchas e aos danos celulares que aumentam o risco de câncer de pele.

Para completar, eles também podem atravessar os vidros comuns das janelas, o que significa que você pode continuar exposto à radiação mesmo dentro do carro, perto de uma janela ou trabalhando em um ambiente que recebe bastante luz natural.

Com o passar dos anos, a exposição frequente e sem proteção adequada favorece danos que se acumulam na pele, contribuindo para alterações no colágeno, manchas, rugas e outros sinais do fotoenvelhecimento.

Envelhecimento precoce, manchas e risco de câncer de pele

Os danos causados pelos raios solares são cumulativos e se tornam mais visíveis com o passar dos anos. Um dos principais efeitos é o envelhecimento precoce, também chamado de fotoenvelhecimento. A radiação solar pode danificar estruturas importantes para a sustentação da pele, como o colágeno e a elastina.

Aos poucos, a pele pode perder firmeza e elasticidade, facilitando o surgimento de rugas, linhas de expressão, flacidez e alterações na textura.

O sol também estimula a produção de melanina, pigmento responsável pela cor da pele. Quando a exposição acontece com frequência, a produção pode ficar irregular e favorecer o surgimento ou o escurecimento de manchas. O melasma, as sardas e algumas manchas que aparecem com o envelhecimento, por exemplo, podem ficar mais evidentes com a exposição solar.

Além das mudanças na aparência, a radiação ultravioleta pode causar danos ao DNA das células da pele. Quando as alterações se acumulam ao longo do tempo, o risco de desenvolvimento do câncer de pele aumenta.

Passo a passo para proteger a pele do sol no dia a dia

Para aumentar a proteção contra a radiação ultravioleta, o ideal é combinar o uso correto do protetor solar com outros cuidados, como a reaplicação quando necessária e o uso de chapéus, óculos de sol e roupas que protejam a pele.

1. Aplique o protetor solar como último passo da rotina matinal

Na rotina de cuidados com a pele, o protetor solar deve ser aplicado depois dos outros produtos e antes da maquiagem. Pela manhã, comece limpando o rosto com um produto adequado para o seu tipo de pele. Depois, aplique os produtos de tratamento ou hidratação que fazem parte da rotina e finalize com o protetor solar.

O ideal é escolher um protetor solar de amplo espectro (como 50 FPS, por exemplo), que ofereça proteção contra os raios UVA e UVB, e espalhar uma camada uniforme por todas as áreas que ficarão expostas.

Antes de passar a maquiagem, espere o protetor assentar e formar uma camada uniforme sobre a pele. Evite esfregar excessivamente o rosto durante a aplicação da base, do corretivo ou de outros produtos, pois o atrito pode prejudicar a uniformidade da camada de proteção.

2. Use a quantidade correta de protetor solar

O FPS indicado na embalagem é determinado a partir de uma quantidade padronizada de produto utilizada nos testes. Quando uma camada muito fina é aplicada, a proteção alcançada pode ser menor do que a indicada no rótulo.

Uma referência prática bastante conhecida para o rosto é a regra dos dois dedos, que consiste em colocar duas linhas de protetor ao longo dos dedos indicador e médio. A quantidade necessária pode variar de acordo com a textura do produto e com as áreas que serão protegidas.

Para o corpo inteiro de um adulto, uma referência comum é usar aproximadamente 30 mL de protetor solar, quantidade próxima ao volume de um copinho de dose. Além da quantidade, é importante distribuir o produto de maneira uniforme e não esquecer regiões como as orelhas, o pescoço, a nuca, o colo, o dorso das mãos e a região próxima à linha do cabelo.

3. Reaplique o protetor ao longo do dia

Como o protetor solar vai saindo da pele ao longo do dia por causa do suor, do contato com as mãos, das roupas e até da água, o ideal é reaplicar aproximadamente a cada duas horas. Também vale reforçar a proteção depois de entrar no mar ou na piscina, suar bastante ou se secar com uma toalha, mesmo que o protetor seja resistente à água.

No dia a dia, a necessidade de reaplicação depende da rotina e do nível de exposição. Se você passa muitas horas ao ar livre, por exemplo, precisa ter uma atenção maior do que quem permanece a maior parte do tempo em um ambiente fechado e longe das janelas.

Para quem usa maquiagem, existem protetores desenvolvidos em diferentes apresentações que podem facilitar a reaplicação. O mais importante é escolher uma opção que funcione bem no dia a dia e usar uma quantidade suficiente para manter a pele protegida.

4. Inclua antioxidantes na rotina de cuidados

Os antioxidantes também podem fazer parte da rotina de proteção da pele, já que a exposição à radiação ultravioleta, à poluição e a outros fatores ambientais favorece a formação dos radicais livres. Quando estão em excesso, eles podem causar danos às células e contribuir para o envelhecimento precoce da pele.

A vitamina C é um dos antioxidantes mais usados nos cuidados com a pele, e ajuda a combater a ação dos radicais livres e participa da produção de colágeno, além de contribuir para uma pele mais uniforme e com aparência saudável. Outros ingredientes com ação antioxidante, como a vitamina E, o ácido ferúlico e o resveratrol, também podem ser encontrados nas fórmulas de produtos de skincare.

Apesar dos benefícios, lembre-se que os antioxidantes não substituem o protetor solar, mas podem ser usados como um cuidado complementar para reforçar a rotina de proteção contra os danos causados pela exposição diária, sempre considerando as necessidades e a sensibilidade de cada tipo de pele.

5. Combine o protetor solar com barreiras físicas

Como nenhum protetor solar consegue impedir completamente que a radiação chegue à pele, vale combinar o uso diário do produto com algumas barreiras físicas que ajudam a diminuir ainda mais a exposição direta ao sol, principalmente nos dias em que você passa bastante tempo ao ar livre.

Os óculos de sol com proteção contra os raios UV, por exemplo, ajudam a proteger os olhos e a região ao redor deles, enquanto os chapéus de abas largas oferecem uma cobertura maior para áreas que costumam ficar bastante expostas, como o rosto, as orelhas, o couro cabeludo e parte do pescoço.

As roupas funcionam como uma barreira entre a pele e a radiação e podem ser especialmente úteis durante passeios, atividades físicas e outros momentos de exposição prolongada. Para quem passa muitas horas ao ar livre, também existem peças desenvolvidas com Fator de Proteção Ultravioleta (FPU), que oferecem uma proteção adicional contra os raios UV.

Como escolher o protetor solar ideal para o seu tipo de pele?

Na hora de escolher, algumas características de cada tipo de pele podem ajudar:

  • Pele oleosa ou com tendência à acne: costuma se adaptar melhor aos protetores com fórmulas leves, como gel, gel-creme, fluido ou sérum, principalmente quando o produto apresenta acabamento mais seco e é não comedogênico, ou seja, desenvolvido para não favorecer a obstrução dos poros;
  • Pele seca ou madura: pode se beneficiar de protetores com texturas mais cremosas e hidratantes, que ajudam a diminuir a sensação de ressecamento e deixam a pele mais confortável ao longo do dia, além de fórmulas com ingredientes como o ácido hialurônico e as ceramidas, que ajudam na hidratação e nos cuidados com a barreira da pele;
  • Pele sensível ou reativa: merece uma atenção maior na hora de olhar a composição, já que algumas fórmulas podem provocar ardência, vermelhidão ou outros desconfortos, por isso, produtos desenvolvidos especialmente para peles sensíveis e sem fragrância podem ser opções mais confortáveis;
  • Pele com melasma ou manchas: pode se beneficiar do protetor solar com cor, principalmente porque os pigmentos presentes na fórmula, como os óxidos de ferro, ajudam a aumentar a proteção contra a luz visível, que pode contribuir para o aparecimento ou a piora de algumas manchas.

Além da textura, é importante observar o FPS e a proteção contra os raios UVA. Para pessoas com manchas, acne, rosácea, dermatites ou outras condições da pele, o dermatologista pode ajudar a escolher o produto mais adequado.

O que fazer quando a pele já sofreu exposição solar excessiva?

Quando a pele fica vermelha, quente, dolorida ou sensível depois de passar muito tempo ao sol, algumas dicas podem ajudar a aliviar o desconforto e favorecer a recuperação da região:

  • Evite uma nova exposição ao sol: mantenha a região protegida enquanto a pele estiver sensibilizada e, sempre que possível, fique em locais cobertos ou com sombra até que ela se recupere;
  • Tome banhos frios ou mornos: a água em temperaturas mais baixas pode ajudar a aliviar a sensação de calor e o desconforto, enquanto os banhos muito quentes podem deixar a pele ainda mais sensível;
  • Faça compressas frias: colocar uma compressa fria sobre a região por alguns minutos também pode ajudar a refrescar a pele e aliviar a ardência e o desconforto;
  • Hidrate bastante a pele: prefira produtos suaves e indicados para peles sensibilizadas, principalmente aqueles com ingredientes hidratantes e calmantes, como o pantenol e a aloe vera;
  • Evite esfoliantes e produtos irritantes: enquanto a pele estiver se recuperando, deixe de lado os produtos que possam aumentar a sensibilidade ou causar mais irritação;
  • Não puxe a pele que estiver descamando: por mais tentador que seja remover as pelinhas soltas, o ideal é deixar que elas se desprendam naturalmente, já que a região ainda está passando pelo processo de recuperação;
  • Beba bastante água: manter uma boa ingestão de líquidos também é importante, principalmente depois de passar muitas horas exposto ao sol e ao calor.

Nos casos de queimaduras mais intensas, com bolhas, dor forte ou uma área extensa do corpo afetada, é importante procurar atendimento médico. Sintomas como febre, tontura, náusea, fraqueza ou confusão também precisam de avaliação.

Quando consultar um dermatologista?

A frequência das consultas varia de acordo com os fatores de risco e o histórico de cada pessoa, mas é importante procurar o dermatologista ao perceber o surgimento de uma pinta ou alguma mudança em uma que já existia.

Uma maneira simples de observar os sinais é utilizar a regra do ABCDE:

  • A de Assimetria: uma metade da pinta apresenta características diferentes da outra;
  • B de Bordas: as bordas são irregulares ou pouco definidas;
  • C de Cor: existem diferentes tonalidades dentro da mesma lesão;
  • D de Diâmetro: pintas maiores merecem atenção, especialmente quando apresentam outras alterações;
  • E de Evolução: a pinta muda de tamanho, formato, cor ou aparência ao longo do tempo.

O E de evolução é especialmente importante, já que qualquer mudança em uma lesão pode indicar a necessidade de avaliação.

Além das pintas, feridas que não cicatrizam, lesões que sangram repetidamente, manchas que aumentam de tamanho ou alterações que apresentam coceira, dor ou formação frequente de crostas também devem ser avaliadas.

Leia também: Melanoma: o que é e como identificar o tipo mais perigoso de câncer de pele

Perguntas frequentes

1. Pessoas de pele negra precisam usar protetor solar diariamente?

Sim. Embora a pele negra tenha mais melanina (uma proteção natural), ela continua vulnerável aos raios UVA, que provocam manchas, mancham cicatrizes com facilidade e causam câncer de pele, que costuma ser diagnosticado em estágios mais avançados nessa população.

2. A luz azul emitida por telas (celular e computador) danifica a pele?

Sim. A luz visível emitida por telas e lâmpadas gera radicais livres e estimula a produção de manchas, especialmente o melasma. Protetores com cor (com pigmento de óxido de ferro) são os mais indicados para bloqueá-la.

3. Qual a diferença entre protetor físico (mineral) e químico?

O físico forma uma barreira refletora sobre a pele (ideal para peles sensíveis, gestantes e bebês). O químico absorve a radiação UV e a transforma em calor inofensivo (costuma ter textura mais fluida e invisível).

4. Posso misturar o protetor solar com o meu creme ou base?

Jamais. Misturar produtos na mão dilui a fórmula e compromete a formação do filme protetor na pele, reduzindo drasticamente a eficácia do FPS. Aplique-os em camadas separadas.

5. O filtro solar perde a validade depois de aberto?

Sim. A maioria dos protetores solares vence entre 6 e 12 meses após abertos (indicado no ícone de um pote aberto no rótulo). Após esse período, os filtros se degradam e o produto perde a capacidade de proteger.

6. Protetor solar com cor protege mais do que o sem cor?

Sim, contra manchas. O pigmento que dá cor ao produto funciona como uma barreira física adicional contra a luz visível (emitida pelo sol e por telas), sendo a melhor opção para tratar e prevenir o melasma.

7. Preciso retirar o protetor solar com sabonete especial à noite?

Para protetores comuns, o sabonete facial habitual é suficiente. Para fórmulas à prova d’água, infantis ou com cor, o uso de um óleo de limpeza (cleansing oil) antes do sabonete garante a remoção completa sem entupir os poros.

8. O protetor solar do corpo pode ser usado no rosto?

Não é o ideal. Embora proteja contra o sol, o protetor corporal tende a ser mais oleoso e denso, o que pode causar cravos, espinhas e brilho excessivo na pele do rosto.

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