O ecocardiograma fetal é um exame de imagem feito durante a gestação para avaliar o coração do bebê com mais detalhes. Ele funciona de forma parecida com um ultrassom e permite observar a estrutura e o funcionamento do coração ainda dentro do útero.
Durante o exame, o especialista consegue analisar as câmaras cardíacas, as válvulas, o ritmo dos batimentos e o fluxo de sangue, além de procurar alterações na formação e no funcionamento do coração. Mas afinal, quando ele é necessário?
Conversamos com a ginecologista Andreia Sapienza para entender para que serve o ecocardiograma fetal, quando o exame é indicado e o que os resultados podem revelar sobre a saúde do coração do bebê.
Quando o ecocardiograma fetal é indicado?
O ecocardiograma fetal costuma ser solicitado quando existem fatores de risco para alterações no coração do bebê, como:
- Diabetes gestacional: a condição pode provocar alterações no coração do bebê, como o espessamento do septo interventricular, estrutura que separa os dois ventrículos. O ecocardiograma ajuda a avaliar se o diabetes está interferindo no funcionamento cardíaco;
- Histórico familiar de cardiopatias congênitas: quando existem casos de problemas cardíacos congênitos na família, o exame pode ser indicado para avaliar com mais detalhes a formação do coração do bebê;
- Alterações no ultrassom morfológico: achados como alterações na estrutura do coração, aumento da translucência nucal ou suspeita de arritmias podem levar à indicação do ecocardiograma fetal;
- Infecções maternas ou uso de determinados medicamentos: algumas infecções e medicamentos usados durante a gravidez podem aumentar o risco de alterações no bebê. O exame ajuda a avaliar a formação e o funcionamento do coração.
No entanto, de acordo com Andreia, o ideal é que o exame seja realizado por todas as gestantes, mesmo quando não há nenhuma condição ou suspeita durante o pré-natal.
Qual é a diferença para o ultrassom obstétrico?
Os dois exames possuem objetivos diferentes. O ultrassom obstétrico acompanha o crescimento e o desenvolvimento do bebê de forma geral. Durante o procedimento, o médico observa os diferentes órgãos, inclusive o coração, além de outras características da gestação.
Já o ecocardiograma fetal é voltado especificamente para o coração do bebê, e permite analisar com mais detalhes as câmaras cardíacas, as válvulas, o ritmo dos batimentos, o funcionamento do coração e a espessura das paredes.
O exame também pode identificar alterações na comunicação entre as estruturas cardíacas, sendo realizado por um profissional especializado em ecocardiografia fetal.
Com quantas semanas de gravidez deve ser feito?
Segundo Andreia, o ecocardiograma fetal pode ser realizado por volta das 26 semanas de gestação, quando o coração do bebê já está mais desenvolvido e pode ser avaliado com detalhes.
Dependendo dos achados do exame ou dos fatores de risco presentes, como no caso do diabetes gestacional, o médico pode recomendar a repetição do ecocardiograma por volta de 34 semanas para continuar acompanhando a função cardíaca do bebê.
Como é feito o ecocardiograma fetal?
O ecocardiograma fetal é feito de forma parecida com um ultrassom obstétrico. A gestante fica deitada enquanto o profissional aplica um gel sobre a barriga e desliza um aparelho chamado transdutor sobre a pele.
O aparelho utiliza ondas de ultrassom para formar imagens detalhadas do coração do bebê. Durante o exame, o especialista observa as câmaras cardíacas, as válvulas, os batimentos e o fluxo do sangue, além de avaliar se o coração está se formando e funcionando adequadamente.
O exame precisa de algum preparo ou oferece riscos?
O ecocardiograma fetal é um exame não invasivo e feito de maneira semelhante a um ultrassom, então não é necessário fazer jejum ou outro preparo específico antes do procedimento.
O exame também não usa radiação, não costuma causar dor e pode ter duração variável, dependendo da posição do bebê e da facilidade para visualizar as estruturas do coração.
O que fazer se o resultado mostrar alguma alteração?
Se o ecocardiograma fetal identificar uma alteração, os próximos passos dependem do tipo e da gravidade do quadro. Em muitos casos, Andreia explica que é necessário apenas acompanhar o coração do bebê durante a gestação e repetir o exame quando o médico indicar.
Quando a condição precisa de cuidados específicos, descobrir a alteração ainda na gravidez ajuda a planejar o acompanhamento após o nascimento. A equipe médica pode definir, por exemplo, o melhor local para o parto e se o bebê precisará ser acompanhado por um cardiologista pediátrico.
Nos casos mais graves, o bebê pode precisar de tratamento após o nascimento. Em situações mais raras, também podem ser realizados procedimentos ainda durante a gestação. A decisão depende da alteração encontrada e da avaliação da equipe médica.
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Perguntas frequentes
1. O ecocardiograma fetal substitui o ultrassom morfológico?
Não. O morfológico avalia o desenvolvimento geral do bebê (ossos, órgãos e líquido amniótico), enquanto o ecocardiograma foca exclusivamente na estrutura e no funcionamento detalhado do coração.
2. É necessário ter pedido médico para fazer o exame?
Sim. Como qualquer exame complementar de pré-natal, ele deve ser solicitado pelo obstetra que acompanha a gestação.
3. O exame dói ou causa desconforto para a mãe ou para o bebê?
Não. O procedimento é inteiramente indolor, externo e rápido, funcionando exatamente como um ultrassom abdominal comum.
4. A posição do bebê pode atrapalhar a realização do exame?
Sim. Se o bebê estiver em uma posição desfavorável ou se movimentando muito, o médico pode pedir para a gestante caminhar um pouco antes de finalizar a avaliação.
5. Grávidas de gêmeos precisam fazer o ecocardiograma fetal?
Sim. A gestação gemelar, principalmente quando os bebês compartilham a mesma placenta, é uma indicação clássica para monitorar o fluxo sanguíneo e a saúde cardíaca de ambos.
6. A ingestão de café ou doces antes do exame ajuda a movimentar o bebê?
Não é recomendado consumir estimulantes sem orientação, pois o excesso de movimentação pode, na verdade, dificultar a captação das imagens do coração.
7. O acompanhante pode entrar na sala durante o procedimento?
Sim. A gestante pode estar acompanhada normalmente, assim como ocorre nos demais exames de ultrassom do pré-natal.
8. Se for detectada uma alteração, o parto precisa ser cesárea?
Não obrigatoriamente. A via de parto depende do tipo de cardiopatia e da estabilidade do bebê, devendo ser decidida em conjunto entre o obstetra e o cardiologista fetal.
9. É possível tratar alguma alteração cardíaca ainda dentro da barriga?
Sim. Algumas arritmias fetais podem ser tratadas com medicações administradas à mãe, que chegam ao bebê através da placenta.
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