Absorventes internos aumentam o risco de infecções? Veja os cuidados que você deve ter para evitar problemas

Mulher segurando um absorvente interno com a mão em destaque, ilustrando os cuidados necessários para o uso seguro do produto durante a menstruação

Os absorventes internos, também chamados de tampões ou OB, são produtos de higiene menstrual colocados dentro da vagina para absorver o fluxo menstrual antes que ele saia do corpo. Quando usados corretamente, costumam ser seguros, confortáveis e práticos, mas demandam alguns cuidados básicos para evitar problemas de saúde.

Quando o absorvente é deixado por muito tempo ou colocado sem a higiene adequada, o ambiente vaginal pode se tornar mais favorável à proliferação de bactérias, aumentando o risco de infecções e irritações.

Em situações mais raras, o uso inadequado também pode favorecer o desenvolvimento da síndrome do choque tóxico (SCT), uma infecção grave causada por toxinas produzidas por determinadas bactérias.

Afinal, o absorvente interno faz mal?

O absorvente interno não faz mal para a saúde e é uma opção prática para quem deseja ir à praia, entrar na piscina, praticar esportes ou realizar outras atividades durante a menstruação sem se preocupar com vazamentos.

Eles são feitos de algodão, rayon (seda artificial) ou uma mistura de ambos, materiais que são purificados e não causam danos ao tecido vaginal. Além disso, o absorvente interno absorve o sangue menstrual dentro do canal vaginal, sem impedir a saída do fluxo ou fazer com que ele fique preso no organismo.

O que pode fazer mal, na verdade, é o uso incorreto do absorvente. Como o canal vaginal é um ambiente naturalmente úmido, quente e cheio de bactérias saudáveis, qualquer descuido pode desequilibrar a flora natural e favorecer a proliferação de microrganismos nocivos, aumentando o risco de irritações, infecções e, em casos raros, da síndrome do choque tóxico (SCT).

Riscos do uso incorreto do absorvente interno

Os principais riscos do uso incorreto do absorvente interno estão relacionados ao tempo excessivo de uso e à falta de higiene durante a colocação e a retirada, sendo eles:

1. Vaginose bacteriana

A vagina possui uma microbiota composta principalmente por bactérias do gênero Lactobacillus, que ajudam a manter o pH ácido e protegem a região contra a proliferação de microrganismos nocivos.

Quando o absorvente interno permanece por muitas horas, principalmente por mais de oito horas, ou é utilizado em dias de fluxo muito leve, o sangue retido e a menor circulação de ar podem favorecer um desequilíbrio dessa flora natural. Como consequência, bactérias como a Gardnerella vaginalis podem se multiplicar, aumentando o risco de vaginose bacteriana.

Os principais sintomas são corrimento fino, esbranquiçado ou acinzentado, acompanhado de odor forte, semelhante ao de peixe.

2. Candidíase

A Candida albicans naturalmente já faz parte da flora vaginal e do trato gastrointestinal de grande parte das mulheres. O fungo reside lá em pequenas quantidades e de forma inofensiva, mas quando há excesso de calor, umidade e alterações na flora vaginal, ele pode se multiplicar além do normal.

O uso prolongado do absorvente interno, principalmente em dias quentes ou durante atividades físicas, pode contribuir para um ambiente mais favorável ao crescimento do fungo. Os sintomas costumam incluir coceira intensa, vermelhidão na região íntima e corrimento branco e espesso, semelhante ao leite coalhado.

3. Irritação, ressecamento e pequenas lesões

Usar um absorvente interno com capacidade de absorção maior do que a necessária para o fluxo menstrual pode deixar a vagina mais ressecada, já que o produto absorve também parte da lubrificação natural da mucosa.

Quando o absorvente é retirado ainda seco, o atrito pode provocar irritação e pequenas lesões na parede vaginal, causando dor, desconforto e aumentando a vulnerabilidade da região a infecções.

4. Síndrome do choque tóxico

A síndrome do choque tóxico (SCT) é uma complicação rara, mas grave, associada principalmente ao uso prolongado do absorvente interno. O risco aumenta quando o produto permanece por mais de oito horas ou quando são utilizados modelos de alta absorção sem necessidade.

O quadro acontece quando determinadas bactérias, como o Staphylococcus aureus, produzem toxinas que entram na corrente sanguínea e desencadeiam uma resposta inflamatória intensa em todo o organismo.

Os sintomas incluem febre alta de início súbito, queda da pressão arterial, tontura, vômitos, diarreia, manchas avermelhadas na pele e confusão mental, precisando de atendimento médico imediato.

Como usar o absorvente interno no dia a dia?

Para usar o absorvente interno com liberdade e segurança, basta adotar alguns cuidados simples no dia a dia:

  • Higiene rigorosa: sempre lave as mãos com água e sabão antes e depois de colocar ou retirar o absorvente interno. O hábito recebe o risco de levar bactérias para o canal vaginal e ajuda a prevenir infecções;
  • Respeite o tempo de troca: o ideal é trocar o absorvente interno a cada 4 a 6 horas, de acordo com a intensidade do fluxo menstrual. Em nenhuma situação ele deve permanecer no corpo por mais de 8 horas, pois o uso prolongado aumenta o risco de infecções e da síndrome do choque tóxico;
  • Escolha o tamanho correto: use um absorvente com capacidade de absorção compatível com o fluxo do dia. Nos dias de fluxo leve, prefira os modelos mini ou médio, já que absorventes muito grandes podem retirar parte da lubrificação natural da vagina, causando ressecamento, desconforto e pequenas lesões durante a retirada;
  • Alterne o uso à noite: se houver possibilidade de dormir por mais de 8 horas seguidas, o mais indicado é utilizar um absorvente externo ou uma calcinha absorvente. Dessa forma, você evita ultrapassar o tempo máximo recomendado para o uso do absorvente interno e reduz o risco de complicações.

Quem não deve usar ou deve evitar?

Apesar de muito seguro, o uso do absorvente interno deve ser evitado ou feito com orientação médica nas seguintes situações:

  • Mulheres no pós-parto imediato, pois o útero e o colo do útero ainda estão em cicatrização e o risco de infecções é maior;
  • Mulheres que passaram por cirurgias ginecológicas recentes, como cauterização, biópsia do colo do útero ou cirurgia vaginal, até a liberação médica;
  • Mulheres com infecção vaginal em andamento, como candidíase ou vaginose bacteriana, já que o absorvente pode aumentar o desconforto e dificultar a recuperação;
  • Pessoas com alergia aos componentes do absorvente interno, como algodão, rayon ou fragrâncias presentes em algumas versões;
  • Mulheres com dor durante a penetração, causada por condições como vaginismo ou vulvodínia, pois a colocação e a retirada podem ser dolorosas;
  • Mulheres com prolapso uterino avançado, quando a alteração anatômica dificulta o posicionamento correto do absorvente interno.

Quando ir ao médico?

Se você apresentar os seguintes sintomas, é importante procurar atendimento médico:

  • Corrimento com odor forte, mudança na cor ou aumento da quantidade, principalmente se vier acompanhado de coceira ou ardor;
  • Coceira intensa, vermelhidão, inchaço ou irritação na região íntima que não melhora em poucos dias;
  • Dor intensa na vagina, na pelve ou durante a retirada do absorvente interno;
  • Dificuldade para retirar o absorvente ou suspeita de que ele tenha ficado retido na vagina;
  • Sangramento diferente do menstrual ou persistente após a retirada do absorvente;
  • Sintomas que continuam ou pioram mesmo após interromper o uso do absorvente interno.

Se você apresentar febre alta, tontura, queda da pressão, vômitos ou manchas avermelhadas na pele, retire o absorvente e vá ao pronto-socorro imediatamente.

Leia mais: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

Perguntas frequentes

1. O absorvente interno pode se perder dentro do corpo?

Não, a vagina é um canal fechado que termina no colo do útero, cuja abertura é minúscula (passa apenas o sangue e espermatozoides). O absorvente não tem para onde ir ou “subir” para o restante do corpo.

2. Posso urinar ou evacuar usando o absorvente interno?

Sim. A uretra (por onde sai a urina), o canal vaginal (onde fica o absorvente) e o ânus são três aberturas completamente diferentes. Você não precisa tirar o produto para ir ao banheiro, apenas afaste a cordinha para o lado para não a sujar.

3. Posso nadar na piscina ou no mar com ele?

Sim. O absorvente interno barra a saída do sangue e impede que a água externa entre no canal vaginal em grande quantidade. O ideal é colocar um novo antes de entrar na água e trocá-lo assim que sair do banho de mar ou piscina, pois a cordinha externa fica úmida.

4. O que acontece se a cordinha arrebentar?

É extremamente raro a cordinha arrebentar, pois ela é costurada por dentro de todo o miolo do algodão. Caso aconteça, lave bem as mãos, fique de cócoras e faça uma leve força como se fosse evacuar; use o dedo indicador e o polegar em pinça para tentar puxar a base do absorvente. Se não conseguir, vá ao ginecologista.

5. O absorvente interno pode causar cólica?

Não. O absorvente fica posicionado no canal vaginal, enquanto a cólica menstrual é causada por contrações do útero. No entanto, se ele for do tamanho errado ou estiver mal posicionado, pode causar um desconforto que se confunde com cólica.

6. Quantos absorventes internos posso usar por dia?

Considerando trocas a cada 4 a 6 horas, o normal é utilizar entre 4 a 6 absorventes por dia.

7. O absorvente interno causa câncer?

Não. Os materiais utilizados hoje passam por rigorosos testes de segurança e purificação da ANVISA e órgãos internacionais, não contendo substâncias em níveis capazes de causar câncer.

8. O que fazer se eu esquecer o absorvente interno lá dentro?

Se perceber o esquecimento, normalmente pelo odor forte que surge após alguns dias, retire-o imediatamente. Lave a região e fique atenta a sinais como febre ou corrimento. Se notar qualquer sintoma estranho ou não conseguir retirá-lo sozinha, consulte um médico imediatamente.

Confira: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão